Vias Romanas em Portugal
Home Maio 2012 Itinerários Translate

Mapa da Hispânia Mapa da Hispânia Hispânia noroeste Hispânia sudoeste

Intro

Este itinerário tenta fixar no mapa de Portugal os pontos de passagem das vias romanas, de modo a criar rotas de viagem. Para além da evidência arqueológica, existe uma cópia medieval do Itinerário de Antonino ou Itinerarium Antonini Augusti, originalmente escrito no séc. III, indicando as estações de paragem ao longo da via (mansiones) e respectivas distâncias medidas em milhas. Nesta página são apresentadas propostas de traçado para os 11 itinerários respeitantes ao actual território português, bem como os muitos outros itinerários da extensa rede viária romana que cobrem a totalidade do território Português. Para a conversão da milha romana em quilómetros, convencionou-se que uma milha equivale a 1480 m. Os itinerários aqui descritos estão em constante evolução à medida que novos vestígios são descobertos e novos estudos publicados.

Para uma introdução ao tema da viação romana, ver a página Informação.
Para um histórico das alterações do site e dicas sobre os itinerários, ver a página Histórico.
Para acompanhar a evolução do estudo sobre vias romanas ver antiga página de Notícias e o novo Blog Vias Romanas.

Os Itinerários de Antonino

De Braga partiam 5 itinerários:
 Itinerário XVI    Braga (BRACARA) a Lisboa (OLISIPO)
 Itinerário XIX    Braga (BRACARA) a Astorga (ARTURICA) por Ponte de Lima (LIMIA)
 Itinerário XVII   Braga (BRACARA) a Astorga (ARTURICA) por Chaves (AQUAE FLAVIAE)
 Itinerário XVIII  Braga (BRACARA) a Astorga (ARTURICA) pela Serra do Gerês, a VIA NOVA
 Itinerário XX     Braga (BRACARA) a Astorga (ARTURICA) per loca maritima

De Lisboa partiam 3 itinerários para Mérida:
 Itinerário XII   Lisboa (OLISIPO) a Mérida (EMERITA) por Alcácer do Sal (SALACIA) e Évora (EBORA)
 Itinerário XIV  Lisboa (OLISIPO) a Mérida (EMERITA) por Alter do Chão (ABELTERIUM)
 Itinerário XV   Lisboa (OLISIPO) a Mérida (EMERITA) por Alvega (ARITIO VETUS)

O Itinerário refere ainda os 3 itinerários seguintes:
 Itinerário XIII   Faro (OSSONOBA) a SALACIA
 Itinerário XXII  Castro Marim (BAESURI) a Beja (PACE IULIA) por Mértola (MYRTILIS)
 Itinerário XXI   Castro Marim (BAESURI) a Beja (PACE IULIA) por ARANNIS

Itinerários Romanos

(não referidos no Itinerário de Antonino).

 Itinerário Braga (BRACARA) a Mérida (EMERITA) por Idanha-a-Velha (IGAEDITANIA)
Admite-se um itinerário entre Braga e Mérida, a capital da Lusitânia, embora este não seja referido por Antonino
 Itinerários de norte a sul
Porto (CALE) a Marnel (TALABRIGA) pela costa
Porto (CALE) a Freixo (TONGOBRIGA)
Porto (CALE) a Viseu (VISSAIUM) por S. Pedro do sul
Chaves (AQUAE FLAVIAE) a Moncorvo (Civitas BANIENSIS)
Astorga (ARTURICA) a Moncorvo (Civitas BANIENSIS)
Chaves (AQUAE FLAVIAE) ao rio Douro
Lamego (LAMECUM) a Marialva (Civitas ARAVORUM)
Marnel (TALABRIGA) a Viseu (VISSAIUM)
Viseu (VISSAIUM) a Lamego (LAMECUM) por Castro Daire
Viseu (VISSAIUM) a Moimenta da Beira
Viseu (VISSAIUM) a Aguiar da Beira
Viseu (VISSAIUM) a Trancoso
Viseu (VISSAIUM) a Celorico da Beira
Viseu (VISSAIUM) a Famalicão da Serra
Famalicão da Serra a Mérida (EMERITA)
Viseu (VISSAIUM) a Bobadela
Mangualde (Araocelum?) a Bobadela
Mealhada a Bobadela
Coimbra (AEMINIUM) a Viseu (VISSAIUM)
Coimbra (AEMINIUM) a Bobadela
Coimbra (AEMINIUM) a Leiria (COLLIPO)

Leiria (COLLIPO) a Tomar (SELLEUM)
Leiria (COLLIPO) a Santarém (SCALLABIS)
Leiria (COLLIPO) a Óbidos (EBUROBRITTIUM)
Óbidos (EBUROBRITTIUM) a Lisboa (OLISIPO)
Conímbriga (CONIMBRIGA) a Alvega (ARITIO VETUS)
Tomar (SELLEUM) a Covilhã
Alvega (ARITIO VETUS) a Salamanca (SALMANTICA)
Tomar (SELLEUM) a Évora (EBORA)
Santarém (SCALLABIS) a Évora (EBORA)
Idanha-a-Velha (IGAEDITANIA) a Aramenha (AMMAIA)
Idanha-a-Velha (IGAEDITANIA) a Évora (EBORA)
Évora (EBORA) a Beja (PACE IULIA)
Alcácer do Sal (SALACIA) a Beja (PACE IULIA)
Évora (EBORA) a Moura (Fines?)
Moura (Fines?) a Beja (PACE IULIA)
Moura (Fines?) a Serpa (SERPA)
Beja (PACE IULIA) a Sevilha (HISPALIS)
Castro Marim (BAESURI) a Faro (OSSONOBA)
Faro (OSSONOBA) - ARANNIS - Alcácer do Sal (SALACIA)
Faro (OSSONOBA) - ARANNIS - Beja (PACE IULIA)
Faro (OSSONOBA) ao Cabo de São Vicente (Promontorium Sacro?)
 Outros Itinerários Romanos:
Rede viária a norte do Rio Douro (DURIUS)
Rede viária em torno da Serra da Estrela (MONS HERMINIUS?)
Rede viária em torno de Freixo de Numão (MEIDOBRIGA?)
Rede viária em torno de Marialva (Civitas ARAVORUM)
Rede viária em torno de Torre de Almofala (Civitas COBELCORUM)
Rede viária em torno de S. Salvador de Aramenha (AMMAIA)

Itinerários de Antonino
Itinerário XVI (16)

Bracara Cale
Mapa












































Karraria Antiqua



Per Loca Maritima



Via Veteris



Via Vimaranes



Cale a Olisipo
Mapa













Mapa





















Mapa







Mapa



Braga (BRACARA) - Porto (CALE) - Lisboa (OLISIPO)   CCXLIIII milhas - 361.5 km (1 milha=1480 m)
Item ab OLISIPONE BRACARAM AUGUSTAM m.p. CCXLIIII
IERABRIGA
SCALLABIN
SELLIUM
CONIMBRIGA
AEMINIO
TALABRIGA
LANGOBRIGA
CALEM
BRACARA

m. p. XXX
m. p. XXXII
m. p. XXXII
m. p. XXXIIII
m. p. X
m. p. XL
m. p. XVIII
m. p. XIII
m. p. XXXV
A via romana de Bracara Augusta a Olisipo estabeleceu a rota definitiva entre as duas cidades que subsiste até hoje, sobrepondo-se sucessivamente a Estrada Real, a Estrada Nacional EN1 e a Auto-estrada AE1. Estas seguem paralelas ou mesmo coincidentes em alguns pontos até Conimbriga, mas a partir daqui a via segue para Selleum, hoje Tomar, enquanto a EN1 e AE1 seguem mais a poente, por um outro trajecto também romano que ligava Conimbriga às civitates de Collipo na região de Leiria e Eburobrittium junto a Óbidos. O troço entre Braga e o Porto está bem documentado por inúmeros miliários, (ver 8 miliários da série do Padre Martins Capela desta via, dos quais só um miliário achado em Trofa Velha indica a distância a Braga (21 milhas), mas a partir do Porto, os vestígios começam a escassear. Entre Porto e Coimbra restam apenas o miliário de Úl, entretanto deslocado para um jardim no centro de Oliveira de Azeméis, o miliário da Vimieira que está hoje no átrio da Câmara Municipal da Mealhada e o miliário do Arco da Traição em Coimbra que está hoje no Museu Machado de Castro. Na região a sul de Coimbra existem referências a 6 miliários, entre os quais se destacam o miliário in situ de Tamazinhos em Alvorge, atestando a passagem da via em direcção a Tomar, e o miliário do castelo de Soure que atesta a existência da variante atrás referida que se dirigia para Leiria. Na região de Tomar são referenciados 6 miliários, 4 na cidade e 2 na periferia, o miliário de Sta. Catarina e o miliário de St. Estevão em Delongo, atestando a continuação da via rumo a Santarém, onde aliás se achou um miliário a Probo na Alcáçova. Daqui até Lisboa conhecem-se apenas mais 3 miliários, o miliário do Açougue Velho em Alverca e em Lisboa, o miliário da Casa dos Bicos e um outro entretanto perdido. Como também os vestígios de calçada são escassos, essencialmente devido à forte urbanização do litoral, o trajecto da via continua ainda em grande parte conjectural. (Sarmento, 1888, 1890, 1892; Capela, 1895; Mantas, 1996; Colmenero et alii, 2004).

Braga (BRACARA AUGUSTA) (Conventus Bracara Augustanus)
A dispersão por toda a cidade de miliários para os quais não se sabe a qual via pertenciam, torna muito difícil a definição dos traçados dentro da malha urbana; Alguns estarão relacionados com a Via Braga-Lisboa, como os que apareceram na parte sul da Rua de S. Geraldo ou o da esquina da Rua Sá de Miranda com a rodovia, próximo da necrópole da Av. da Imaculada Conceição. Estes miliários podem ser observados no Museu D. Diogo de Sousa que conta com uma extensa colecção de 36 miliários (caso único no mundo), nomeadamente os miliários da série Capela. Infelizmente muitos não sabemos a que via pertenciam dado que a maioria deles estavam reunidos no Campo das Carvalheiras antes de dar entrada no museu. No Museu Pio XII existem mais 6 miliários, quatro pertencentes ao Itinerário XIX que liga Braga a Tui e dois pertencentesa esta via, o miliário de Lousado (MPXII.LIT.285) e o miliário de Carreiras em Vila Nova de Famalicão (MPXII.LIT.563).
Maximinos, Braga (o começo da via era assinalado por um miliário a Adriano da milha zero, CIL II 4748, pois indicava a distância total entre Braga e o Porto, ou seja, 35 milhas; apareceu no colégio de S. Paulo, mas hoje está desaparecido; Todas as vias que partiam de Bracara tinham origem no Largo Paulo Orósio, antigo Forum, ponto de confluência do decumanus maximus e do cardus maximus e cujo cruzamento sul é visível nas actuais ruínas da biblioteca, na esquina da Rua Frei Caetano Brandão e Rua S. Paulo e dentro do edifício conserva-se um troço da via medieval que se sobrepôs à cardus maximus; A via romana para Cale deveria seguir na direcção sul aproximadamente pela Rua de S. Sebastião, ladeando a Necrópole de Maximinos, rumando depois à esquerda pela Rua Direita, passa no Largo de Maximinos e segue em frente pela cortada Rua Peão da Meia Laranja, Rua Felicíssimo Campos, atravessa a Rua Cidade do Porto ou EN103 e segue pelo CM1330 ou Rua da Ponte Pedrinha)
Travessia do rio Este na Ponte Pedrinha (alusão a uma ponte antiga com possível origem romana)
Lomar (Argote refere um miliário a Crispo junto à igreja hoje desaparecido que talvez indicasse a milha II, CIL II 4764.; da Ponte Pedrinha segue pela Rua dos Presidentes até entroncar na EN309 no lugar da Mouta, continua por Muro e por Estrada, onde sai da EN309 e segue a direito pelo CM1333-2 por Boucinha, Rua da Ventosa, Rua da Capela, Correias, onde atravessa a ribeira do Barral, talvez a milha III)
Esporões (por Mosqueiros, Rua da Quinta, Rua da Ns. da Caridade e segue por Bocas, talvez a milha IV)
Trandeiras (continua pelo CM1343 por Almoinha, Souto, Outão e Varziela)
Penso St. Estevão (milha V; topónimos Mesão Frio e Pousadas sugerem estações viárias; passa junto do cemitério até Pardieiro, onde corta à direita para ir atravessar a ribeira de Morroira na Ponte da Veiga, cruza a EN309 e segue para Quebradas)
Escudeiros (subia pela EM1347 por Quebradas e Hospital, antiga pousada medieval com possível origem numa mutatio romana talvez na milha VI, e segue pela pelo Rua do Caminho de Santiago na vertente nascente do Castro romanizado do Monte Redondo/Monte Cossourado/S. Mamede, entronca na EN309 e segue para Portela)
Carreiras, Portela de Sta. Marinha (junto da Igreja apareceu um miliário a Constantino II, talvez da milha VII, hoje no Museu Pio XII com o nº MPXII.LIT.563; segue por Muro e Paredes e atravessa o rio Pelhe para Telhado)
Telhado (EN309; talvez a milha VIII; no século XVI, João de Barros refere um miliário a Adriano da milha VIII na casa do Duque de Barcelos em Famalicão, CIL II 4737; Argote e posteriormente Martins Sarmento localiza-o na adega da casa de Domingos Thomé de Fonseca onde apenas leu Traiano, mas Hübner considera que este é um outro miliário, CIL II 4739; segue a margem direita do rio Pelhe)
São Cosme do Vale (miliário a Adriano desaparecido, CIL II 4867, talvez da milha X, encontrado no «Vale de S. Cosmado»)
S. Martinho do Vale (segue a EN309 por Ribeira de Baixo e Pousada até na Cruz do Pêlo que seria a milha XI, e onde entronca na EN206; vira à direita e logo à esquerda por caminho de terra para S. João da Pedra Leital, Lagoas, milha XII? e Pinheiral; para leste, fica o Castro romanizado do Monte da Eiras e em Vermoim; em Joane apareceu uma ara a Júpiter)

Santiago de Antas, Famalicão (milha XIII; da Igreja românica segue à esquerda por Vela e Capões até à EN204, Rua Miguel Torga)
  • O CIL refere um miliário a Adriano indicando a milha XII dado como desaparecido, CIL II 4738, mas que segundo Mantas deverá ser o miliário a Adriano, CIL II 4752, que hoje está em exposição no Museu D. Diogo de Sousa com o n.º. 1992.0666, atendendo a que apresentam a mesma epígrafe, apesar de este último indicar XIII milhas que poderá dever-se a um erro na transcrição feita por Acúrcio que terá omitido o «I» final.
  • Argote refere um fragmento de um miliário a Caracala, CIL II 4741, reutilizado no início do século XVIII como base de um cruzeiro que existia defronte da Igreja de Santiago de Antas; é dado como perdido, no entanto Colmenero sugere que este poderá estar embutido no muro oeste do Seminário Camboniano.
  • Capela refere 2 miliários anepígrafos no pátio da casa paroquial, entretanto desaparecidos.
  • Muito próximo da igreja existe um miliário dentro da Qta. da Devesa.
  • Existe também um miliário na Qta. do Vinhal que poderá ter sido deslocado daqui.

Portela de Baixo, Santiago de Antas (milha XIV; Argote refere um miliário a Caracala indicando XIV milhas a Braga, CIL II 4740, embutido na capela de St. Estevão; Martins Capela encontra-o anos depois já partido em dois a servir de suporte do alpendre da casa paroquial e hoje está desaparecido)
Devesa Alta, Santiago de Antas (milha XV; segue pela EM509-1; Capela achou aqui um miliário que teria sido deslocado para o portão da Qta. de Pereira em Esmeriz, mas que entretanto desapareceu)
Cabeçudos (segue pela EM508-2 junto da igreja paroquial, talvez da milha XV, visto que Martins Sarmento achou aqui um miliário suportando uma varanda, entretanto dado como desaparecido, mas que segundo Vasco Mantas, poderá estar num muro junto da igreja já seccionado longitudinalmente; habitat na Igreja Velha; continua junto da Qta. de Boamense, Estrada e a direito para o Alto de Sta. Catarina)
Sta. Catarina, Cabeçudos (miliário a Caracala na Qta. de Sta. Catarina, encontrado a 1/4 de légua da quinta talvez da milha XVI; chegado ao marco de Sta. Catarina segue pela Rua do Marco para Fial, Pé de Prata, Garrida, Rua dos Almocreves e Rua das Diligências até à margem do rio Ave)
Lousado (miliário a Magnêncio, talvez da milha XVIII; foi descoberto na Igreja e hoje está no Museu Pio XII em Braga com o nº MPXII.LIT.285)

Travessia do rio Ave (Avo) na Ponte Romano?-Medieval da Lagoncinha
  • Na sua forma actual a ponte é uma construção medieval, mas é bem provável a existência de uma anterior romana nesta passagem natural, embora não existem vestígios concludentes. Num documento de 1054 há referência à ponte e à via romana «per illam carrariam antiquam que uadit pro ad illum pontem petrinum» (in PMH, DC 287) e na «Carta do Couto do Mosteiro de St. Tirso» do ano de 1097 aparece como «ponte antiqua de flumine Avie» (in PMH, DC 864), mostrando que a ponte já existia no século XI; A via continuava pela margem esquerda do rio, passando junto da Cruz do Lugar das Marcas e na Ponte Velha sobre o rio Ervosa, Aldeia da Ponte e Esprela (troço de calçada), continuava pela Ponte Antiga de Real e segue por S. Martinho de Bougado, Vale do Eirigo, talvez a milha XX, até Trofa Velha, correndo à direita da EN14.
Trofa Velha, S. Martinho de Bougado (segue a EN14; villa em Rorigo Velho)
Ponte sobre a ribeira de Sedões/Covelas, Trofa Velha (a milha XXI atestada por 4 miliários aqui colocados após a demolição entre 1844 e 1846 da ponte velha, provável ponte romana, em consequência da construção da estrada real Porto-Braga:
  • miliário a Constante indicando a milha XXI, CIL II 4742 = CIL II sup. 6209, hoje na Casa da Cultura da Trofa.
  • miliário a Licínio, CIL II 6213, hoje na Casa da Cultura da Trofa.
  • miliário a Magnêncio, CIL II sup. 6212, hoje no Museu Abade Pedrosa em St. Tirso.
  • miliário a Tácito, CIL II 6212, dado como desaparecido; estará na berma da EN14 em Lantemil?
Lantemil, Santiago de Bougado
Peça Má, Alvarelhos (2 miliários talvez da milha XXII; miliário a Constâncio II, que está hoje na antiga casa do Padre Sousa Maia em Lantemil e fragmento de miliário a Carino que estaria na berma da EN14 junto da Ponte da Peça Má e hoje no jardim da antiga casa de A. Cruz na Trofa Velha)

Alvarelhos (provável mutatio junto do importante Castro de Alvarelhos, vicus viário estrategicamente situado sobre o vale da ribeira da Aldeia por onde passava a via romana XVI e no cruzamento de outras vias secundárias; Civitas Albarelios na documentação medieval)
  • miliário a Adriano, CIL II 4736, dentro da Quinta do Paiço talvez indicando a milha XXIII ou XXIV que não ficaria longe; admitindo que não tenha sido deslocado, é viável um percurso alternativo à EN14 que tocasse a base do Castro de Alvarelhos, mas por outro lado os miliários apareceram em Peça Má e Carriça, ambos junto da EN14, embora possam ter sido deslocados, colocando assim a via um pouco afastada do castro, o que não é de estranhar no contexto romano. Assim, permanece a dúvida sobre a verdadeira rota da via. Existe uma referência a uma «carreira antiqua» num documento medieval que poderá ser esta variante pela Qta. do Paiço de referir-se a esta estrada (in PMH, DC 151)
  • Variante pela Qta. do Paiço/Castro de Alvarelhos: corresponde à rota alternativa à EN14 pela EM1352 passando próximo da Qta. do Paiço e seguindo pelo caminho de terra que parte de Palmezão e segue pelas Bouças da Teixeira, ao longo da divisão com a freguesia com Guilhabreu, até entroncar na rua de Quiraz; Aqui podia dividir-se, seguindo um ramo à esquerda pela Igreja de S. Pedro de Avioso (EN536) e segue por Vilarinho até ao Castêlo da Maia (junto da estação CF), onde entronca na EN14 junto do Monte de St. Ovídeo, onde passaria a Via XVI, e um outro ramo seguia em frente pelo caminho de terra que desemboca na Rua das Andorinhas e continua pela Rua da Bajouca, Rua do Ribeiro, rumando depois à direita pela Campa do Preto, Rua Frederico Ulrich até Moreira onde entronca na «Karraria Antiqua».
  • Outras ligações à «Karraria Antiqua»: é muito provável que do Castro de Alvarelhos partissem ramais de ligação à outra via proveniente do Porto e que ia atravessar o rio Ave junto da Ponte de D. Zameiro; existem vários rotas possíveis, uma ligando Palmazão a Vilar pela EM537 e outra passando junto do Castro Boi em Vairão até ao cruzamento de Vilarinho.
  • Vila Boa, villa junto do castro com mosaicos, necrópole e onde apareceu uma ara com o epitáfio de um tal Lanasus por voto do Castellum ou Castro de Uliainca, demonstrando relações entre os castros da região.

Carriça, S. Cristovão do Muro (Milha XXIII atestada pelo miliário a Maximiano encontrado na Qta. do Dr. Lima Barreto, CIL II 4743, ao km 12.7 da EN14 indicando 23 milhas a Braga, entretanto destruído; necrópole em S. Cristovão; seguia talvez pela paralela à EN14 por Ribela onde volta a entrar na EN14)
S. Pedro de Avioso (miliário a Caro talvez referente à milha XXV; Dado como proveniente do lugar de Ferronho, ali perto, foi referido pelo Abade Pedrosa em 1894 como estando 2 km a sul da Carriça e a 19 m a poente de EN14, passou depois para a berma da EN14 ao km 11.2 junto da capela dos Passos, onde esteve até ser transferido para o Museu de História e Etnologia da Terra da Maia onde está em exposição; segue a EN14 por Espinhosa embora a via pudesse ir pela igreja)
Santa Maria de Avioso (pela EN14 junto ao Monte de St. Ovídeo; talvez o Castro de Avioso citada em documentação do século XI; é possível que o nome romano fosse Madiae a partir do epitáfio de Ladronus encontrada em Sobre Sá, Alvarelhos que refere o Castro dos Madequisenses e que teria estado na origem da actual cidade da Maia; necrópole da Forca)
Mandim, Maia (milha XXVII; pelos limites das freguesias de Barca e Moreira atravessando a EN Porto-Braga)
Pinta, Maia (muito alterado pela AE; talvez pela Rua Deolinda Duarte dos Santos)
Picoto, Maia (milha XXVIII no centro da cidade; segue pela Rua Augusto Simões)
Leça do Balio/Gueifães (a via faz de fronteira entre estas freguesias; necrópole da Quelha Funda; a milha XXIX seria talvez junto Lar do Comércio, antiga Qta. do Catassol, hoje Rua do Catassol e depois Rua de Santana até ao largo da Feira de Santana onde seria a milha XXX; vira à esquerda pela estreita Rua da Estrada Velha (antiga Socarreira) e Rua da Ponte da Pedra)

Ponte Romano-Medieval da Pedra sobre o rio Leça (alguns silhares almofadados atestam a sua origem romana; depois de atravessar a ponte segue à direita e logo à esquerda pela Rua da Estrada Velha até ao Largo da Ermida onde seria a milha XXXI)
São Mamede de Infesta (Castro em Moalde; Hübner refere um miliário a Adriano, CIL II 4735, talvez da milha XXXII, encontrado a servir de base de cruzeiro na Qta. do Dourado/St. António, passou depois para o cemitério onde ainda hoje se encontra, mas já sem letras visíveis pelo que as terá sido desbastado; ara a Júpiter; do Largo da Ermida continua pela Rua da Conceição até à estação CF, do outro lado segue pela Rua de St. António, Capela de St. António Telheiro, Largo do Marco, onde seria a milha XXXII, Rua do Carriçal; ainda hoje o limite entre o Porto e Matosinhos fica junto ao campo de futebol do Progresso)
Paranhos (Rua do Amial, milha XXXIII talvez no Jardim da Arca d'Água, Rua do Vale Formoso e Rua Antero de Quental)
Cedofeita (na Rua Antero de Quental passa junto à Capela do Sr. do Socorro que guarda um raro padrão do Caminho de Santiago talvez referente à milha XXXIV; segue pelo Largo da Lapa, Rua da Lapa, milha na Praça da República, antigo Campo de St. Ovídio, Rua dos Mártires da Liberdade, antiga Estrada de St. Ovídio, Largo do Moinho de Vento, Rua da Oliveiras, Rua Sá de Noronha, Praça Gomes Teixeira (Leões), Rua Dr. Ferreira da Silva, antiga Calçada dos Orfans, Jardim da Cordoaria, outrora Porta do Olival, desce pela Rua dos Caldeireiros, Rua Afonso Martins Alho, atravessava o rio da Vila pela Ponte da Pedra, junto do antigo Largo de S. Roque, entretanto destruída pela construção da Rua Mouzinho da Silveira e consequente entubamento do rio da Vila, subia pela Rua do Souto e Rua Escura, entrando no morro da Sé pela Porta de S. Sebastião)

Porto (CALE) (mansio da milha XXXV; o Museu Nacional Soares dos Reis guarda o miliário de Areal de Baixo em Braga pertencente à VIA XVII para Chaves e o miliário de Soalhães em Marco de Canaveses da Via Braga-Mérida; provável civitas, capital do povo Callaeci no Morro da Pena Ventosa, hoje o Bairro da Sé; vestígios do antigo castro romanizado na Rua D. Hugo (na actual sede regional da Ordem dos Arquitectos e na Casa-Museu Guerra Junqueiro) e nos alicerces da própria Sé, onde se achou uma inscrição aos Lares Marinhos LARIBUS MARINIS; há vestígios romanos um pouco por toda a zona da Ribeira, em particular da muralha romana e restos de estruturas habitacionais na Casa do Infante (mosaico); vestígios em Massarelos (Rua Campo do Rou, Rua Casal do Pedro e na marginal), Lordelo (vicus? no Campo do Eirado junto à Igreja Paroquial; vestígios na Calçada do Ouro e Rua do Aleixo) e Foz Velha (ara achada na igreja de S. João Batista onde se lê AQVIS talvez dedicada a divindades aquáticas e uma estátua de uma figura togada, única estátua do Porto, retirada do rio Douro em 1868 e hoje no Museu do Carmo em Lisboa)

Outras vias que partiam do Porto

  • Karraria Antiqua (Porto - Barcelos)
    De Cale partia uma outra via mais a poente referida nas inquirições de 1258 como Karraria Antiqua que deverá ter também origem romana; Muitos das referências a esta estrada, tal como na Via Veteris e a Via per local maritima descritas abaixo, são retiradas da compilação de documentos medievais intitulada Diplomata et Chartae organizados por Alexandre Herculano no «Portugaliae Monumenta Historica», incluindo os nomes das villae, castros e rios (Ver Almeida CAB, 1979, 1980, 1986, 1996; Almeida CAF, 1968, 1969). Sendo também Caminho de Santiago, é possível percorrer este caminho seguindo as famosas «setas amarelas», apesar do trajecto escolhido nem sempre coincidir com os traçados romanos. Talvez partisse do Jardim da Cordoaria no Porto, outrora Porta do Olival, tal como a via Porto-Braga, mas ao contrário desta dirigia-se para a Praça Carlos Alberto, antiga Praças dos Ferradores, e pela Rua de Cedofeita, chamada na Idade Média de «Cacarreira» e posteriormente como «Rua da Estrada» até 1781, continuando pela Rua do Barão de Forrester, contorna a capela do Sr. do Calvário no Largo da Ramada Alta, e continua pela Rua 9 de Julho, Rua do Carvalhido, Rua Monte dos Burgos, Rua Nova do Seixo, Padrão da Légua (daqui derivava a Via Veteris para Custóias descrita abaixo), Rua de Recarei, Rua de Gondivai (villa), Rua de Araújo até ao cruzeiro da Capela do Araújo. Daqui desce à direita pela Travessa de D. Frei Manuel Almeida de Vasconcelos e Rua Sousa Prata, atravessando o rio Leça na Ponte Romano?-Medieval da Azenha/Ronfes/Barreiros com provável origem romana. Depois de cruzar a EN13, a karraria continuava em frente pela Rua do Souto até à Igreja paroquial da Maia (daqui poderia ligar à via romana Cale - Braga que passa junto da CM da Maia). A Karraria deveria continuar para Moreira, mas hoje está muito alterado, sendo provável a sua passagem na Rua Mestre Clara que vai entroncar na EN542, hoje Rua Frederico Ulrich. Neste ponto, é perceptível a continuação do caminho, mas hoje é uma zona industrial que é preciso contornar pela EN13. O traçado antigo é retomado mais à frente na Rua de Matamá, onde também é visível o antigo caminho interrompido, continuando depois pela Rua da Venda (topónimo viário muito comum) e Rua do Padinho. A partir daqui segue o CM1077 pela Rua do Monte em Mosteiró (villa em Lameira, junto à igreja), Rua da Botiga, Rua da Costinha, Rua da Arribela, Rua do Padrão em Vilar (villa na igreja paroquial), Carrapata de Cima e Nove Irmãos em Modivas. A partir daqui a via é coincidente com a EN306 ou Rua da Estrada Principal, seguindo por Rochio e Joudina em Gião, pelo sopé do Castro de Boi/Castro de St. Ovídeo em Vairão (milha), Castro Bove na documentação medieval, Vilarinho (milha; villa de Campos Pereira a 1 km, junto à igreja de Macieira da Maia), cruza a EN104 (milha) e segue até à Ponte Medieval de D. Zameiro onde atravessa o rio Ave sob o controlo do Castro de Santagões (Celtaganes) na outra margem, da ponte sobe pela antiga «Karraria» à Capela da Sra. da Ajuda, onde ruma a nascente para Vila Verde (villa), sobe a Vilar (possível mutatio na Qta. do Vilar), Bagunte (por S. Mamede, na base da importante Cividade de Bagunte, subtus mons Civitas Bogonti num documento do ano 1036, e próximo do povoado de Casais e do Castro de Argifonso no Alto do Castelo, Argefonsi na documentação medieval), saindo na Boavista da EN306 pelo CM1048 ou Rua Camilo Castelo Branco e depois pelo caminho de terra nas traseiras do Mosteiro de S. Simão da Junqueira (a Villa Fernandi), passando em Bibres e Casal Maria, atravessa a A7 junto das Mamoas do Fulom, até reencontrar a EN306 no Canivete, a pouca distância da Ponte Medieval de S. Miguel de Arcos sobre o rio Este, ponte com provável origem romana. Da ponte continua por Arcos, EN526, Moldes, Borgonha, Rates, provável mansio já no concelho de Barcelos. A partir daqui o traçado não é seguro devido à incerteza quanto ao local de travessia do rio Cávado, podendo um ramo dirigir-se para a travessia do rio Cávado na Barca do Lago, confluindo nas minas da Lagoa Negra com a outra estrada que vinha do Porto pelo litoral (per loca maritima) descrita abaixo, e outro ramo seguiria na direcção a Barcelos fazendo a travessia do rio Cávado a montante dessa cidade em St. Eugénia do Covo, seguindo talvez pelo Alto da Mulher Morta (CM 1129-3), Courel (na Igreja; na base do Castro romanizado do Alto do Castro, EN504), Pedra Furada (EN306), Souselas, Ns. da Guia, Silgueiros e Varziela, na base do Castelo de Faria. Estes itinerários que partiam do rio Cávado para norte estão descritos no âmbito do Itinerário XX de Antonino.

  • Per Loca maritima (Porto - Caminha)
    É provável que existisse uma via secundária que seguia junto à costa para dar serventia às diversas explorações agrícolas e de salga espalhadas pelo litoral, mas a intensa urbanização da zona torna impossível seguir o seu percurso que foi levantado no terreno por Brochado de Almeida (Ver Almeida CAB, 1979, 1980, 1986, 1996; Almeida CAF, 1968, 1969); a via deveria partir de S. João da Foz, zona romanizada junto à foz do rio Douro, subindo talvez pela Rua da Cerca e depois pela Rua de Corte Real em direcção à Igreja de S. Miguel em Nevogilde, depois seguia pela Rua de Nevogilde, atravessava a Av. da Boavista e seguia pelo actual Parque da Cidade para a Vilarinha e Sendim, seguindo depois para a travessia do rio Leça na desaparecida Ponte de Guifões junto ao Castro de Guifões na base do Monte Castelo, antigo porto romano. Depois da ponte de Guifões deveria seguir por Gonçalves, Padrão, Perafita (muito alterado, mas talvez pela Estrada do Monte,junto ao IKEA e do outro lado da A28 pela Rua do Abade Mondego, Rua do Progresso, Rua de Silva Aroso, Rua Dr. José Domingues dos Santos), continua para Lavra (talvez pela Rua da Cruz, Rua dos Castanheiros e Rua de Antela, junto da Villa de Fontão de Antela nas traseiras da Igreja, relacionada com a actividade piscatória como provam as Cetárias da Praia de Angeiras mesmo defronte mas hoje cobertas de areia; espólio no Museu Paroquial Padre Ramos; referência a uma «karia antiqua» num documento do ano 897, PMH, DC 12), continua por Angeiras, atravessa o rio Onda e segue por Calvelhe (habitat romano) e Labruge (próximo do Castro marítimo de S. Paio), Vila Chã (villa ?; talvez pela Rua da Fonte), Mindelo (habitat em Moimenta), Árvore (pela Qta. da Faísca e Quintã; à Rua da Estrada Velha que seguia para Vila do Conde , onde atravessava o Ave por barca, mas é mais provável que travessia na era romana se fizesse mais a montante, onde a travessia era menos perigosa, junto do Castro da Retorta, a jusante da foz do rio Este, evitando assim a sua travessia. A partir daqui o traçado da via é ainda mais inseguro, mas a abundância de vestígios romanos sugerem um continuação da via para norte ao longo desses vestígios como a Villa Fromarici em Formariz, as villae nas Igrejas de Touguinha (villa Tauquinia), Touguinhã e Caxinas (nos terrenos da actual Escola Secundária José Régio), e já na Póvoa de Varzim a Villa Argevadi em Argivai, seguindo pela «carraria maurisca...subtus montis terroso», assim referida num documento do ano 953 (in PMH, DC 67), pela Villa de Paredes e Alto da Vinha em Beiriz (ara a Júpiter e ara votiva a Bande Ocole ou Cole ?, RAP 600), seguindo pela villa em Amorim, na base da Cividade de Terroso e do Castro do Monte de S. Félix em Laúndos, a Villa Euracini em Martim Vaz, o Castro de Navais (porto na Aguçadora), a Villa Mendo/Menendi em Estela( Apúlia), seguindo por Fonte Boa (provável mutatio no povoado do Outeiro dos Picoutos; villa? no Paço da Fonte Boa; Minas Auríferas Romanas da Lagoa Negra 500 m para leste em Barqueiros; calçada) em direcção à Barca do Lago, onde atravessava o rio Cávado. Continuava por Esposende (segue próximo da villa da Linhariça em Palmeira de Faro e da villa na Igreja Paroquial de Marinhas, no sopé do importante Castro romanizado de S. Lourenço em Vila Chã; casal em Covelos e Quintela), continua pela Qta. do Belinho (villa; pela velha estrada real em Trelopaço, na base da Subidade de Belinho), S. Paio de Antas (provável mutatio no Alto da Ponte), para ir atravessar o Rio Neiva na desaparecida Ponte Velha, junto do Castro romanizado de Moldes/Monte da Guilheta/Monte do Castelo, seguindo por Castelo do Neiva (a leste, por Pontelha, sopé da Sra. do Castro e Estrada Velha; ara dedicada provavelmente aos lares viales na Igreja Paroquial), Vila Nova de Anha (Paço), Darque (contorna a Castro do Alto do Galeão/Faro de Anha, atalaia de controle da foz do Lima, e desce em linha recta pela Escola C+S, «Fiação Rosa» e «Alminhas» até ao Cais de S. Lourenço, onde se fazia a travessia do rio Lima, junto da Capela de S. Lourenço, provável mutatio), Viana do Castelo (Citânia de Sta. Luzia; ver miliários que a Estradas de Portugal colocou junto da EN203 em Darque), Carreço (Villa do Paço; Cetárias na Praia de Fornelos; segue por Paço), Afife (próximo da villa das Baganheiras, junto do CF, entre as casas de São Roque e do Campo, na base do Castro de St. António, Castro do Cútero e a Cividade de Âncora/Afife, no Monte Facho e da Suvidade), Sta. Maria de Âncora (salinas junto ao Forte do Cão no Pinhal da Gelfa) Ponte de Abadim em Aspra sobre o rio Âncora, (na forma actual é uma construção Filipina, mas existem vestígios de uma ponte anterior possivelmente romana no mesmo local), Vile (calçada em Lousa e S. Pedro de Varais), seguindo por Moledo e Cristelo até Caminha.

  • Via Veteris (Porto - Labruge/Modivas)
    Também é possível que tenha origem romana a chamada Via Veteris ou seja "Estrada Velha", via referida em documentos medievais (nas Inquirições Afonsinas de 1258) e que partindo do rio Douro na zona da Arrábida, seguia pelos limites do antigo Couto de Cedofeita por um traçado paralelo à Karraria Antiqua até se encontrarem no Padrão da Légua; Daqui rumava a poente em direcção ao povoado de Custóias e daqui à foz do rio Ave. A via deveria partir do cais do Douro, Lordelo (na base da Capela de Sta. Catarina) e subia pela Calçada do Ouro e Rua do Aleixo até às Condominhas, (povoado romano nas traseiras da Igreja Paroquial), continuando talvez pela Rua de Serralves, mas é difícil definir um trajecto numa zona da cidade tão urbanizada; A via seguia então para o povoado de Custóias, passando no cruzeiro Cruz de Santiago, continuando pela Rua da Fonte Velha e Rua da Cal, para ir atravessar o rio Leça na Ponte Romano?-Medieval de D. Goimil em Esposade, continuando para Pedras Rubras (Pedras Veiras pela Rua da Estrada e Rua da Botica), Vila Nova da Telha (pela Rua Prof. António Rocha, Rua da Aldeia, seguindo para Lagielas, onde foi cortada pelo aeroporto pelo que hoje é preciso contornar o topo N do aeroporto reaparecendo o caminho em Pena, na Rua de Santa Ana, seguindo daqui pela Rua da Botica; necrópole das Bicas), Lançaparte (Rua da Venda Velha), «Passados o Adro dos Burros e o Outeiro de Aveleda, a estrada bifurca-se»
    • Para Labruge, seguia um ramal pelo lugar da Estrada, Ponte de Labruge sobre o rio Onda, junto das «Almas de Labruje» e das «Almas Grandes» até entroncar na via per loca maritima.
    • Para Modivas, seguindo para Vilar, onde entroncaria na Karraria Antiqua, seguindo por um traçado comum para a travessia do rio Ave junto da Ponte Medieval de D. Zameiro. A continuação deste itinerário está descrita acima como Karraria Antiqua.

  • Via Vimaranes (Porto - Guimarães)
    É muito provável que a importante via medieval entre Porto e Guimarães também tenha origem romana se não mesmo pré-romana, ligando Cale a Guimarães, cidade por onde passava a via romana Braga-Mérida, formando assim um nó rodoviário e local propício para a localização de uma mansio da importante via romana que poderá estar na origem da futura cidade medieval de Vimaranes. No seu percurso até à Ponte Romana sobre o Vizela em S. Martinho do Campo, a via servia os grandes castros romanizados do Monte Córdova e de da Citânia Sanfins, atendendo à referência no ano de 1048 a uma via antiga na base no Monte Córdova, subtus mons cordouo...carera antiqua (in PMH, DC 366) e no ano de 1097, na «Charta do Couto do Mosteiro de St. Tirso» referindo a mesma via seguindo entre os rios Leça e Sanguinhedo, «per ipsam carrariam, sicut dividit aquam inter Lezam et Sanguinietum» (in PMH, DC 864), embora não seja claro se estas referências falam da caminho para o Monte Córdova ou à ligação que comprovadamente existia à Ponte da Lagoncinha em Santo Tirso, citada na mesma «Charta do Couto do Mosteiro de St. Tirso» (in PMH, DC 864), conectando assim à via proveniente de Brachara e que seguia para Cale, o Itinerário XVI de Antonino. Apesar destas dúvidas e dos escassos vestígios, existem fortes indícios da sua romanidade, em particular um silhar almofadado e com marca de fórfex na Ponte de S. Lázaro em Alfena e o imenso material romano utilizado na reconstrução da Ponte de Negrelos em S. Martinho do Campo.

    A via partia de Cale (Rua do Bonjardim, Rua Costa Cabral), continuando por Pedrouços (Rua D. Afonso Henriques/EN105), Águas Santas (EN105; Castro romanizado no Castelo da Maia/Alto da Maia) e Ermesinde (aqui sai da EN105 pela Rua Júlio Dinis, Rua da Fonte e Rua de S. Vicente) em direcção à travessia do rio Leça na à Ponte Romano-Medieval de S. Lázaro em Alfena (provável mutatio; pontão romano? em Reguengo), seguindo depois aproximadamente a EN105 por Portela Alta, Torrão, Água Longa e Lameiras, seguindo depois entre o rio Leça e a ribeira de Sanguinhedo seguindo por S. Tiago de Carreiras (hoje Rua de S. Tiago) em direcção a Monte Córdova pela Rua de Ns. de Valinhas que passa na base do Castro romanizado do Monte Padrão e vicus viário; pouco depois sai à direita pela Rua da Fontinha e toma o caminho de terra à direita que acompanha o rio Leça até Quinchães, onde atravessa um afluente do Leça por um pontão em pedra e segue à esquerda pela Rua dos Lameirões, atravessa a Rua S. Salvador e continua pela Rua da Via Romana, caminho em terra que sobe para Santa Luzia até entroncar na EN319 um pouco abaixo da actual Rua da Via Romana, e continua pela Rua do Cruzeiro, Rua da Fundação/CM1116 até à Escolha Velha de Redundo (a cerca de 1 km, cruzando o Leça, no lugar de Casais/Lajedo, Jorge Pinho achou um provável miliário integrado num muro de divisão de propriedade; poderia corresponder à milha 41 desde Cale; ver Pinho 2010). A partir daqui, a via poderia ascender à Citânia de Sanfins (por hipótese, na Rua Central de Redundo segue à direita pela Rua da Presa da Ribeira, caminho de terra que liga à Devesa do Abade, onde cruza a estrada asfaltada e segue a direito pelo caminho que ascende à citânia, passando junto do Penedo das Ninfas em Bouça de Fervenças/Chãs do Reitor, na cruzamento da Rua Penedo das Ninfas com a Rua da Citânia, inscrição votiva dos FIDUENAE, povo que deveria habitar a Citânia de Sanfins), mas é mais provável que a via não passasse mesmo junto ao castro, mas antes contornando o monte da citânia pela vertente ocidental, descendo depois a Roriz (talvez pela zona das Pedreiras, seguindo depois pela Rua de Cartomil, passando assim ao lado da Igreja Românica de Roriz que tem inscrições romanas e depois pela Rua de Sandim, próximo do Castro de Sta. Margarida e daqui à Ponte Romana de Negrelos em S. Martinho de Campo, onde atravessa o rio Vizela, (passando na Rua do Ribeiro dos Asnos, Rua da Trindade, Av. 25 de Abril e Rua Manuel Sousa Oliveira), rumando depois para Guimarães. Uma referência medieval a uma «carraria antiqua» em S. Tomé de Negrelos poderá estar relacionada com esta via (in in PMH, DC 833).

Continuação da VIA XVI para Lisboa:
Porto (CALE) (descia da Sé pela Porta de S. Sebastião, Rua Escura, Rua da Bainharia, Rua dos Mercadores até à Boca do rio da Vila no Cais da Ribeira)
Travessia do rio Douro (Durius) (por barca?; uma ara votiva achada na Igreja de S. Pedro em Miragaia, mas hoje desaparecida, é dedicada à divindade Duri; segundo Estrabão o rio era navegável até 800 estádios, cerca de 147 km o que deverá corresponder ao Cachão da Valeira)
Cais de Gaia, Vila Nova de Gaia (a poente, no gaveto da Rua de Entre Quintas e da Rua de São Marcos, fica o Castelo de Gaia, povoado fortificado que poderá corresponder a Ceno Opido referido no Ravennate (Rav. IV 43); os vestígios estendem-se pelas Qtas. de S. Marcos e St. António e Igreja do Bom Jesus; Na escadaria que dá acesso ao castelo a partir do rio, conhecida como Sr. da Boa Passagem, apareceu um inscrição sepulcral do legionário Lavius Tuscus da Legião X Gémina, da tribo Aemilia que está hoje no Solar dos Condes de Resende)

Cais de Gaia, Santa Marinha, Vila Nova de Gaia (do cais talvez subisse pela Rua Cândido dos Reis, Rua Teixeira Lopes)
Mafamude (Rua Marquês Sá da Bandeira, Jardim Soares dos Reis, talvez a milha X XXVI, Rua da Rasa, desvia à esquerda pela Rua António Rodrigues da Rocha, pelo Clube Vilanovense, segue sempre a direito até à Rotunda de St. Ovídio, passa junto à Capela do Sr. do Padrão e segue a direito pela antiga EN1 hoje Rua Soares dos Reis e Rua da Fonte dos Arrependidos, a milha XXXVII seria na fonte, continua até aos semáforos onde seguia à esquerda pela Rua da Palmeira, hoje cortada pela AE1, mas que reaparece do outro lado da AE1, confluindo com a EN1 e segue pela Rua do Alto das Torres)
Rechousa, Canelas (milha XXXVIII; a via seguia paralela ou mesmo coincidente com a Rua da Rechousa)
Canelas de Cima, Canelas (milha XXXIX talvez junto à Sra. do Monte; raro troço de calçada de romana da VIA XVI, paralela à Rua Sra. do Monte e Rua do Monte, destruída em grande parte por uma urbanização recente, estando o que resta ao abandono)
Carvalhos, Pedroso (milha XL; a construção do nó da AE destruiu a antiga EN1 e também a rota romana, continuando do outro lado pela EN1, hoje Av. Dr. Moreira de Sousa)
Idanha, Pedroso (milha XLI; Castro romanizado do Monte Murado ou da Sra. da Saúde, servindo este talvez como mutatio como indiciam as Tesserae Hospitales encontradas na villa de Decimus Iulius Cilo que estão hoje no Solar dos Condes de Resende em Canelas; a calçada de acesso ao castro foi também danificada por uma urbanização recente; este local poderia ser o Ceno Opido mencionado na Cosmographia do Anónimo de Ravena como um oppidum a sul de Cale)
Barrancas, Pedroso (a via seria paralela à EN1, mas no Largo das Alminhas segue à esquerda pela Rua da Feiteira)
Feiteira (Milha XLII?; continua pela Rua Dr. Jorge da Fonseca; ; há referências a calçada em Seada e Belavista, mas hoje nada se vê)
Vendas de Grijó, Seixezelo (Milha XLIII?; no cruzamento para Argoncilhe segue pela Rua Prof. Ferreira da Silva até às bombas)
Picoto, Vila da Feira (Milha XLIV?; segue a EN1)
Vergada, Argoncilhe (Milha XLV?; segue pela Rua Central da Vergada até reencontrar a EN1)
Lourosa (Milha XLVI?; desvia da EN1 no cruzamento para Arouca pela Rua Romana e Rua da Estrada Real em Vendas Novas)

Fiães (LANGOBRIGA) (mansio na milha XLVIII; a 13 milhas a Cale e 48 de Bracara; o nome de Fiães deriva da Villa Ulfilanis registado em documentos medievais, tendo origem germânica; a mansio deveria estar junto à via, talvez em Vendas Novas, enquanto o povoado ficaria a 2 km no Castro do Monte de Sta. Maria ou Monte Redondo, lugar onde se recolheu importante espólio nos anos 70, mas hoje praticamente destruído, ver Corrêa 1925, restando o topónimo de Vilar e uma calçada inédita(?) na Travessa de Vilar; daqui a via romana continua para sul sempre pela Rua da Estrada Real até ao Ferradal, topónimo viário talvez referente à milha XLVIX?, mas pouco depois a via está interrompida na travessia do ribeiro porque foi destruída por novas acessos de uma urbanização (mais uma atentado perfeitamente evitável !) que é preciso transpor para retomar o caminho 50 m depois)

Souto Redondo, Fiães (continua pela Rua do Areeiro, onde entronca no CM1064, estrada que vem da EN1, segue à esquerda e logo em frente entra na Rua da Estrada Romana seguindo até ao único troço que resta da Estrada Real com a calçada original em seixos rolados)
Airas, S. João de Ver (a Estrada Real segue até à ao Largo de Airas, milha L?, onde subsistem uns 50 m em calçada, continuando depois sempre a direito pela Rua da Estrada Real até desembocar na EN1 junto ao acesso às instalações da empresa Irmãos Cavaco)
Malaposta de S. Jorge, Sanfins (milha LI; segue a EN1)
Sanfins (EN1; passa na Capelinha da Meia Légua, 1100 m a S. João da Madeira, talvez a milha LII)
Escapães (EN1; devido aos novos viadutos, sair para Arrifana e logo a seguir à esquerda até retomar a EN1; logo a seguir à bomba vira à direita pela Rua Frei Luís de Sousa e Rua da Banda de Música)
Arrifana, Vila da Feira (provável mutatio talvez na milha LIII; continua pela Rua Prof. Vicente Reis e Rua Dr. António Gomes Rebelo e Rua da Várzea)
S. João da Madeira (milha LIV; Fonte Romana junto ao Tribunal Judicial; a via deveria passar na antiga fábrica Oliva, na Rua da Fundição, e seguia pelo centro da cidade pela Rua de St. António, passa detrás da capela com o mesmo nome e segue pela Rua Comendador Raínho, Rua de Cucujães para Faria de Cima, talvez a milha LV, Faria de Baixo, pelas Rua Dr. Ângelo da Fonseca e Rua da Via Militar Romana até à travessia do rio Úl na Ponte da Pica)
Ponte Romano?-Medieval da Pica (talvez na milha LVI; segue junto ao rio para Cavadas do Couto, Rua do Cercal e Mangas paralela à EN1)
S. Tiago de Riba-Úl (milha LVII; na outra margem do Úl fica o Castro romanizado de Recarei, Castro Rekaredi na documentação medieval; segue por Carcavelos, a poente do povoado de Lações, por Lações de Baixo e Ponte da Barca, talvez por Lugar do Monte e Rua da Abelheira, Rua da Passos, cruza a EM535 e segue pela Rua Dr. António Luís Gomes e logo depois à direita pela Rua 5 de Janeiro)
Oliveira de Azeméis (milha LVIII junto à estação CF; a zona está muito alterada, mas é provável que seguisse pelo Alto do Serro onde seria a milha LIX, hoje desce Rua do Serro até à estação CF, continua pela Rua Domingos Oliveira Fontes, Rua das Padeiras e Rua dos Moleiros até à igreja)

Úl (provável mutatio na milha LX desde Braga e a 12 milhas de Langobriga segundo a leitura do miliário a Tibério indicando precisamente 12 milhas. Este miliário foi descoberto nas fundações da igreja paroquial durante umas obras ali feitas em conjunto com um importante Terminus Augustalis que deveria marcar a divisão territorial entre Talabriga e Langobriga. O Término está hoje encastrado na parede das traseiras da igreja enquanto o miliário foi deslocado para Oliveira de Azeméis para o jardim junto à Igreja Matriz. No morro adjacente fica o Castro de Úl o povoado associado a esta estação viária. A cerca de 1 km, na outra margem do rio Úl, apareceu o miliário de Adães que estaria já deslocado; ver Almeida, 1956)

Ponte sobre o rio Ínsua (daqui desce pela vertente nascente do morro do castro, passa o rio por ponte moderna e sobe a Rua do Castro até entroncar na estrada Travanca-Figueiredo que segue à direita)
Damonde, Travanca (milha LXI; povoado no Monte da Pena; segue pela Rua do Cabeço, Rua da Relva, e à direita pela Rua Manuel Soares Costa, cruza a EN224, Rua dos Meeiros)
Figueiredo de Cima (segue pela Rua do Rei)
Figueiredo de Baixo (junto à Qta. do Paço, antiga albergaria da família real e provável mutatio na milha LXII)
Pinheiro da Bemposta
Curval de Baixo (milha LXIII; segue por Coche e Escusa com vestígios das guias da calçada)
Branca (milha LXIV; segundo J. Alarcão, o povoado de Auranca seria 1 km para poente na aldeia de Cristelo; no seu Monarchia Lusytania, Frei Bernardo de Brito transcreve a epígrafe de um miliário achado no «castelo» de S. Gião, indicando 12 milhas, CIL II 442, mas a sua autenticidade é posta em causa, tal como outra inscrição, CIL II 46, e o local do achado é inseguro; ver Almeida, 1956; há referências a uma calçada em Barroca, Lajinhas)
Fradelos, Albergaria-a-Nova (milha LXVI; EN1; cruza a EM556-1 e a EM556-2 e segue pela vertente ocidental da Sra. do Socorro)
Albergaria-a-Velha (milha LXX; sai da EN1 à direita pela Rua Mártires da Liberdade, antiga Rua da Calçada e Rua Comendador Martins Pereira, reencontra a EN1 e começa a descer para o Rio Vouga)
Serém (milha LXXIII; há referências a um miliário; sair da EN1 pela Rua Santa Rosa e continuar pela Estrada do Real; calçada descia a encosta por Gândara, mas hoje está aterrada)
Ponte Romano?-Medieval sobre o rio Vouga (a ponte actual é uma reconstrução setecentista da primitiva ponte quinhentista, mas é possível que a ponte assente sobre uma ponte romana anterior da qual ainda são visíveis os pilares e os arranques dos arcos; em alternativa, a travessia poderia ser por barca entre Serém e Lugar da Cova)

Cabeço do Vouga (TALABRIGA), Marnel, Lamas do Vouga (mansio na milha LXXIV desde Braga a 40 milhas de Coimbra; para aceder à estação, aberta ao público, à saída da ponte antiga virar à esquerda e pouco depois no 1º caminho à direita)
  • Pela contagem das milhas aqui seria a milha 74, mas segundo o itinerário Talabriga estaria a 66 milhas pelo que não há concordância nas distâncias; as 8 milhas em falta colocam dúvidas na localização da mansio e da civitas; Será um erro no itinerário?; sobre a localização da Talabriga, ver Pereira, 1907 e Seabra Lopes, 2000a e 2000b)
  • Daqui partia a importante ligação entre o litoral e o interior através da via romana Talabriga - Viseu.
  • Daqui também partia uma ligação ao mar por Eixo (forno romano) até ao povoado da Torre/Marinha Baixa em Cacia, antigo porto romano e complexo industrial hoje bem longe do mar, mas na era romana a linha costa nesta zona era bem mais recuada.
  • De Cacia, a linha de costa talvez chegasse a Vagos (junto à Senhora de Vagos e Porto Gonçalo, na antiga foz do Rio Boco), Mira (junto a Cabecinhas, Calvão e Seixo, contornava o Cabeço a W da Fonte da Barroca, pelo Palhal de Portomar, Lagoa de Mira, Casal de S. Tomé, junto ao Outeiro da Forca, Ermida, contornava a Serra da Corujeira após o que entraria mais para o interior até Fervença já no concelho de Cantanhede, possivelmente servida pela estrada que passava em Cadima e que era proveniente da mansio da Vimieira na Via principal Braga-Lisboa.

Continuando para Lisboa:
Ponte Romano-Medieval sobre o rio Marnel (atravessa a EN1 e sobe a)
Pedaçães, Lamas do Vouga (milha LXXV; calçada; segue por Covelas)
Trofa (milha LXXVI; vem de Castrovães e passa ao lado da Igreja)
Segadães (milha LXXVII; segue por Fontinha)
Travassô (milha LXXVIII; calçada com 40 m escavada na rocha entre Hortinhas e Mato Crespo, hoje aterrada)
Travessia do rio Águeda em Cabanões (hoje desce ao rio pela EN601 e passa na moderna ponte de betão, mas 300 m a jusante existe o topónimo Ponte Pedrinha, talvez uma referência à antiga ponte)
Óis da Ribeira (milha LXXIX; da ponte segue à esquerda pela EN601)
Espinhel (milha LXXX; pela EN601, passa na Qta. do Morangal, contorna a Pateira de Fermentelos, que seria a linha de costa ao tempo romano)
Piedade, Espinhel (milha LXXX; atravessa a EN333 e segue para Barrô pelo CM1657, Rua do Lugar)
Paradela, Espinhel (milha LXXXI)
Barrô (milha LXXXII; segue para Carquejo onde vira à direita)
Travessia do rio Cértima (entre Barrô e Cercal)
  • Travessia alternativa do Cértima, um pouco mais a sul, em Aguada de Baixo, seguindo a EN601-2 pela encosta da Fábrica do Vale do Mouro até à ponte da Landiosa, onde virava à direita para atravessar o Cértima na ponte moderna para Murta onde entronca com a 1ª hipótese.
Murta (milha LXXXIV; deveria subir a Sangalhos pelo Monte da Cabeça Gorda em vez da actual CM1657 até Fontinha)
Fontinha (milha LXXXV; conflui com o CM1657 e a EN235 seguindo por esta por St. Eufémia e Saima)

Sangalhos (milha LXXXVI desde Braga; provável mutatio no lugar do Paço, a 20 milhas de Coimbra)
Sá, Sangalhos (milha LXXXVI; continua pela EN235)
Cabeço, Mogofores (milha LXXXVII; desvia à direita por S. Mateus e depois Lezírias)
Outeiro de Baixo (milha LXXXVIII)
Óis do Bairro (milha LXXXIX; assenta num povoado romano; próximo das Termas da Curia, outrora Aquae Curiva) Horta, Tamengos (milha XC; topónimo Cabeço do Marco)
Arinhos, Ventosa do Bairro (necrópole da Encosta do Covão entretanto destruída pela AE1)
Ventosa do Bairro (milha XCI; travessia do rio da Ponte na EN614)
Antes, Mealhada (milha XCII; segue pela EN614)
Casal Comba (milha XCIII em Pedrulha; segue pela EN615-1 até Casal Comba, onde toma a EN616)

Vimieira (milha XCIV desde Braga; provável mutatio a 12 milhas de Coimbra com base na Villa da Cidade das Areias, situada a ocidente da via e no miliário a Calígula, CIL II 4640, hoje em exposição no átrio da CM da Mealhada e que indica a Milha XII; o miliário poderia estar em Casal Comba, onde há os topónimos Padrão e Largo do Marco, mas apenas se apurou que foi achado próximo da Qta. de S. Miguel, a cerca de 1 milha de Mealhada;).
  • Não se sabe o local exacto da mutatio, mas esta poderia ter sido propriedade de um tal de Tabudico Caius Fabius Viator, atendendo ao cognome de Viator, uma referência viária achada numa inscrição votiva que apareceu na Villa da Qta. da Ns. do Amparo, em Murtede; (Alarcão, 2004, p. 49)
  • Existe uma referência medieval no ano de 973 à «karraria de illa Vimeneira» um pouco mais a sul, ou seja, a carreira da Vimieira que atesta a importância da Vimieira (in PMH, DC 106)
  • O Vicus SELIOBRIGA, poderia situar-se a poente em S. Martinho de Pedrulhais (Chãs, Sepins, Cantanhede).
  • No Museu Machado de Castro em Coimbra existe um miliário que seria proveniente da região da Mealhada (Rodrigues, 1960).

Via romana que cruza com a Via XVI na Vimieira:
Esta via no sentido SW-NE, cruzava com a Via XVI na mutatio da Vimieira, ligando o interior beirão ao litoral.
  • Para NE seguia para Bobadela descrito no Itinerário Mealhada-Bobadela, ou desviar desta em Santa Comba Dão para rumar a norte em direcção a Viseu, descrito no Itinerário Coimbra-Viseu.
  • Para SW seguia para Tentúgal, seguia por Silvã, Enxofães e Cordinhã, de onde poderia partir uma via vicinale servindo as villae a sul, com vestígios na Qta. do Mancão, Pardieiros, Várzeas, Portunhos e Ançã), continuava pela Póvoa da Lomba, Outil, Zambujal (Villa) até Tentúgal (Villa); (Mantas, 1996, p. 328-332)
  • Alternativa para Montemor-o-Velho por Ourentã (Villa nas Bouças; ), Cantanhede, Cadima (villa no Pelício), descendo por Arazede e Amieiro até Montemor-o-Velho (na Villa na Sra. do Desterro. EN111 km), ligando ainda por Lomba ao porto fluvial da Forca. (Alarcão, 2004, p. 40).

Continuando para Lisboa pela VIA XVI:
Lendiosa (milha XCV; continua pela EN616 e atravessa a ribeira da Lendiosa no Vale do Espinheiro)
Mala (milha XCVI; segue a E616 por Grada)
Carqueijo (milha XCVII, onde reencontra a EN1)
Santa Luzia (milha XCVIII na N1; em Barcouço, a oeste da via, fica o Vicus da Igreja Velha)
Sargento-Mor/Zouparria do Monte, Souselas (milha XCIX; villa em Mouros e na Qta. de Lagares; no sítio de Bacelos sai da EN1 pela Estrada do Lameirão ou CM1138)
Adões, Trouxemil (milha C; continua pelo CM1138)
Trouxemil continua pelo CM1138 ou Rua do Calço)
Cioga do Monte, Fornos (milha CI, pela rua da Fonte Velha e pouco depois vira à direita pela ponte antiga da Qta. de Espertina até entroncar no CM1137 onde atravessa o rio de Fornos)
Adémia de Baixo (milha CII; atravessa a ribeira das Eiras; deveria ser daqui o miliário a Calígula que está no Museu Machado de Castro pois indica 4 milhas a Coimbra)
Pedrulha (milha CIII; seguia depois por Loreto, junto à estação CF Coimbra-B, onde foi detectado um troço da via nas obras de uma passagem subterrânea entretanto cancelada, continuando pela Av. Fernão de Magalhães, Rua Simões de Castro e Rua Direita)

Coimbra (AEMINIUM) (milha CVI desde Braga e a 138 milhas de Lisboa; o Museu Nacional Machado de Castro alberga dois miliários, um com a inscrição muito danificada e o miliário a Calígula indicando IIII milhas a Coimbra pelo que será proveniente de Adémia, embora tenha aparecido deslocado na Couraça de Lisboa perto do Arco da Traição em 1774; o museu assenta sobre um magnífico Criptopórtico Romano, o edifício romano melhor conservado em Portugal e que servia de infra-estrutura ao antigo Forum onde confluíam o decumanus maximus e o cardus maximus; os vestígios destas vias urbanas indicam que o seu cruzamento se faria no canto SE do edifício; segundo Vasco Mantas, ver mapa, a via seguia paralela à margem do rio que na era romana era bem mais largo, seguindo pela Rua Direita, cortava à direita pelo Beco do Amorim, Largo do Poço, Rua Eduardo Coelho até à Igreja de S. Tiago na Praça Velha/Praça do Comércio, de onde partia um acesso à malha urbana, continuando junto à Igreja de S. Bartolomeu pela Travessa dos Gatos até ao Largo da Portagem, onde estaria a desaparecida Porta de Belcouce e onde se fazia a travessia do rio Mondego; Ver Alarcão, 2008a e Matas, 1992 e 1996)

Travessia do rio Mondego (MONDA) (para Pereira, na Ponte Romana que foi reconstruída em 1132 e posteriormente destruída; deveria existir um ramal ao longo da margem esquerda do rio, ligando ao povoado da Qta. do Outeiro em Taveiro (Talabarium ?) e ao vicus do Cerrado das Almas-Hortas em Ameal; a via seguia próximo dos sítios romanos do Vale da Serra e da Cova da Moura)
Cruz dos Morouços (sobe pela Qta. das Lages; Villa de S. Silvestre a nascente)
Antanhol (seguiria a leste do acampamento militar romano, também chamado de «Cidade Velha/Mata Velha», passando em Palheira, onde atravessa a ribeira de Frades/Antanhol e segue a Venda do Cego; Villa de Escoural a poente; existe uma referência medieval à «via publica» nesta zona, in PMH, DC 676)
Cernache (passa por Casconha, junto da Villa da Mina)
Condeixa-a-Nova (passa a leste das Villae de Eira Pedrinha e Orelhudo, pelo lugar de Calçada e a Qta. de Silvães junto à EN1)

Condeixa-a-Velha (CONIMBRIGA) (milha CXVI desde Braga; civitas e mansio a 10 milhas de Coimbra; neste território apareceram 6 miliários, o de Tamazinhos a Décio, o de Soure a Caracala e os restantes quatro foram achados dentro da cidade ou nas suas proximidades e estão no Museu Monográfico, dois a Constâncio Cloro, um a Tácito e outro a Galério Maximiano; a poucos km's fica o Castellum Romano de Alcabideque que fornecia água à cidade através de um aqueduto; a via deveria sair da cidade pelo pórtico junto às «Lojas a sul da Via», descendo a Ladeira de Condeixa-a-Velha até ao rio)
Ponte Romana? da Sancha sobre o rio de Mouros (só vestígios; daqui segue pela margem esquerda do rio pelo Poço na Mata da Bufarda/Alfarda, e continua pelo estradão que passa ao lado da Ponte Filipina)
Fonte Coberta, Zambujal (continua pelo estradão que cruza a EN347-1)
Travessia do rio de Mouros (na ponte de pilares; assinalado como «Caminho de Santiago»)
Zambujal
Rabaçal, Penela (Villa Romana de Rabaçal aberta ao público; Ver o museu na povoação; referência à «uia antiqua da serra» no Foral de Penela em 1139 (in PMH, CCO, p. 374); a via passa a nascente da villa)


Via XVI do Rabaçal a Tomar
Tamazinhos, Penela (aqui próximo, na Qta. da Ribeira, apareceu um miliário a Décio da milha VIII contadas a partir de Conimbriga que hoje está no Museu do Rabaçal; possível ponte romana; este miliário estaria in situ pelo que a via deveria seguir por Cruz do Morto, Fartosa e Casas Novas, entre o povoado do Cabeço de Trás de Figueiró e Cabeço de Ateanha, seguindo depois o caminho rural que serve de linha fronteira entre os distritos de Leiria e Coimbra)
Lagarteira, Ansião (a leste; vestígios em Celeiros, Espadas, Louceiras e Verdes)
Freixial, Cumeeira (provável mutatio; a via deveria passar em Castelos e Freixial, devendo a partir daqui seguir a EN110; habitat em Figueiras Podres)
Avelar (troço de calçada entre os lugares da Tojeira e Pontão)
Chão de Couce (habitat em Barroca; segue pela Portela de S. Caetano?; segue a EN110?)
Alvaiázere (não se sabe se a via ia pela actual EN110 por Barqueiros e Cabeços ou se ia a Alvaiázere passando na necrópole da Igreja Velha de Seixal e na importante Villa da Rominha, continuando pela Rua da Calçada Romana em Sobreiral, Feteiras, calçada da Cortiça e calçada do Ramalhal)
Relvas, Rego da Murta (calçada na encosta do Outeiro das Relvas; entronca na EN110)
Pereiro, Areias (calçada; segue a EN110)
Venda dos Tremoços, Areias (milha CXXXIX)
Calçadas, Portela de Vila Verde (milha CXLI)
Ponte Romano?-Medieval sobre a ribeira de Ceras (segue por Calçadinha)
Ceras, Alviobeira (milha CXLIII; Castrum Caesaris no Monte do Alqueidão à cota de 186 m)
Alviobeira (milha CXLIV)
Casais, Tomar (segue a EN110 pelo Alto do Pintado, milha CXLV, vestígios de calçada, Feiteira, Venda Nova, milha CXLVII, Calçadas, milha CXLVIII, Calçada com 100m em Tripeiro entretanto destruída, entrando na cidade por Alvito e Gorduchas, milha CXLIX)

Tomar (SELLEUM) (milha CL desde Braga e a 94 milhas a Lisboa)
(Civitas; Municipium; 2 miliários encontrados em S. João do Couto estão agora no Museu do Carmo em Lisboa, o miliário a Tácito, CIL II 6197/CIL II 4959 sem indicação da distância e o miliário a Maximiano, CIL II 6198/CIL II 4960, não se lendo já as milhas indicadas, mas segundo Hübner era da milha I, o que pode ser explicado por uma mudança do ponto de origem de contagem das milhas para a civitas, mas também poderia marcar uma outra via que partia de daqui como por exemplo a \Via Tomar-Évora; miliário a Nerva, CIL II 4961; 2 marcos honoríficos encontrados na Igreja de Sta. Maria dos Olivais onde se lê R(es) p(ublica) S(eiliensis); notícia de um miliário enterrado na Rua do Everard; Forum nas traseiras dos Bombeiros; Ver Silva 1988 e Ponte, 1995)

Travessia do rio Nabão (deveria ter existido uma ponte romana no local da actual Ponte Velha?; seguia pela Rua Serpa Pinto, antiga Corredoura e pela Levada onde apareceram 2 miliários?)
Madalena (villa Casais da Capela)
Travessia da ribeira da Beselga talvez em Marmeleiro (topónimo «Alto do Marco» na outra margem)
Delongo, Paialvo (região fortemente romanizada entre a ribeira da Beselga e a ribeira de Mouchões por onde passaria a via; villae em Delongo, St. Catarina, Casal das Abadessas, Curvaceiras, S. Cristovão, Carrazede, Casal Martinho e Bexiga,
  • Na sua obra "Agiológio Lusitano", Jorge Cardoso refere dois miliários entretanto desaparecidos; o miliário de St. Estevão ou dos Santos Mártires, proveniente da «Qta. das Coelhas» que foi deslocado para Villa do Casal das Abadessas, sobranceira à ribeira da Beselga, e o miliário de Sta. Catarina a « hum tiro de espingarda do lugar de Delongo», estando «hum distante do outro hum quarto de legoa», ou seja, cerca de uma milha (ver Cardoso, 1652, p. 458 e 1666, p. 761).
  • Delongo é tradicionalmente associada à cidade de Concordia mencionada por Ptolomeu entre Santarém e Tomar.
  • Calçada de Casal Salgueiro em Paialvo, na Rua da Via Romana junto da linha férrea; ver notícia da sua descoberta.

Variantes para Santarém
A partir de Lamarosa, a antiga Estrada Real seguia para a Golegã, ao longo da margem direita do rio Tejo, solução sempre evitada na viação romana devido à constante travessia dos afluentes. Assim é mais provável que a Via XVI seguisse por Torres Novas, passando na Villa Cardillio. Sendo uma zona facilmente inundável, o percurso pela margem do rio poderia ser mesmo impossível na época romana. A estrada real e possível via romana seguia por Atalaia, Ponte da Pedra (antiga Ponte da Cardiga em Vila Nova da Barquinha), Entroncamento e Golegã
Via XVI por Torres Novas (ver Carta Arqueológica)
A travessia da ribeira de Mouchões poderia ser na Ponte Romana? da Pedra, junto da villa de Vila Nova, seguindo por Lamarosa, Árgea, Gateiras, Ponte Romana? da Qta. da Torre de St. António, Casal do Bom Amor (troço de calçada pelo Casal da Quebrada), travessia do Rio Almonda na confluência com a ribeira do Alvorão, passava a leste de Torres Novas junto da Villa de St. António da Caveira e da magnífica Villa Romana Cardillio (espólio recolhido no Museu Municipal), seguindo depois talvez por Alcorochel (Ponte Romana?), Casével e S. Vicente do Paúl, Alcanhões (Villa com termas na Qta. das Martanas), Cruz da Entrada e finalmente Santarém.

Santarém (SCALLABIS) (mansio na milha CLXXXII desde Braga e a 62 milhas de Lisboa, capital do Conventus Scalabitanus; miliário dedicado a Probo que apareceu na Alcáçova de Santarém, hoje ocupada pelo Jardim das Portas do Sol; Toda a zona foi recentemente escavada e foi criado o Centro de Interpretação «Urbi Scallabis» para exposição dos achados e as estruturas arqueológicas como o podium e cella do templo romano foram musealizadas)
Ónias (acompanha a linha férrea)
Vale de Santarém (calçada na Qta. do Malpique a S da povoação)
Vila Chã de Ourique, Cartaxo
Cartaxo (aqui a via inflecte para poente para contornar o Paul da Ota)
Pontével (há calçada "acima da Fonte da Concha, à Horta d'Ourives, junto ao Pinhal da Rola" e duas pontes antigas com possível origem romana, a Ponte Velha sobre a ribeira de Pontével e a Ponte da Ribeira da Fonte, esta entretanto já destruída)
Aveiras de Cima, Azambuja
Travessia do rio Ota na Ponte de S. Bartolomeu ou junto da Qta. de Vale de Mouros (segue pela extrema da base aérea; Castro da Ota)

Alenquer (IERABRIGA) (milha CCXIV, mansio a 30 milhas a Lisboa no lugar de Paredes, talvez uma referência ao paredão de origem romana que se encontra na Rua das Fontes e que aparece como Villa Vedra nas memórias paroquiais de 1758; os vestígios da antiga cidade estendem-se pelo perímetro compreendido entre Paredes, Qta. de Sta. Teresa, Qta. das Sete Pedras, Qta. do Bravo e as villae da Qta. da Barradinha e do Casal da Telhada; na Qta. do Bravo, junto à necrópole, apareceu um marco comemorativo dedicado a Adriano, CIL II 4633, assinalando reparações na via («refecit») que está hoje no Museu do Carmo em Lisboa pelo que é provável que a mansio estivesse nesse local, junto da travessia do rio Alenquer; a via seguia para SE pelo caminho da Pacheca, passando na necrópole do Casal de St. António e Qta. de Sta. Teresa, onde apareceu um fragmento de coluna epigrafado que poderia ter origem num miliário; ara votiva a Bandua Aetobrico no Museu Municipal Hipólito Cabaço de Alenquer)
  • Ligação ao Tejo: deveria existir uma ligação de Ierabriga ao rio Tejo, passando em Casal do Reguengo (circo romano soterrado no subsolo?) e seguindo pela margem direita do rio Alenquer até Vila Nova da Rainha (villa no apeadeiro), onde se localizaria o porto fluvial de Ierabriga, atendendo à existência de um porto nesse local ainda no séc. XVIII, aos vestígios romanos na Qta. do Queimado e ao aparecimento de ânforas e sigilatas provenientes de dragados. (Costa, 2010)
Carregado (passa em Charnequinha, Guizanderia e Qta. de St. António)
Travessia do rio Grande da Pipa na Ponte da Couraça (segue a EN1 pela Qta. de S. José do Marco)
Castanheira do Ribatejo (vestígios no Bairro da Gulbenkian; Villa fortificada(?) no Monte dos Castelinhos; habita em Mouchão; Villa em Sub-serra)
Povos, Vila Franca de Xira (villae no sítio da Escola Velha, na Qta. do Borrecho e em Casal da Boiça e no sítio da Igreja Velha em Cachoeiras; porto fluvial romano; ver Pimenta, 2007)
Vila Franca de Xira (vestígios na Travessa do Mercado e Vale da Ribeira de Santa Sofia)
São João dos Montes (vestígios em S. Romão)
Alverca (miliário a Constâncio Cloro da milha XXIII, descoberto em 1924 na Travessa do Açougue Velho e posteriormente deslocado para o Convento de S. Félix de Chelas, CIL II 4632; as 23 milhas indicadas (34 km) não corresponde à distância a Lisboa que é de 25 km pelo que é possível que o local de origem deste miliário fosse mais a norte no vicus de Povos em Vila Franca de Xira que fica exactamente a 34 km de Lisboa)

  • Variante para Lisboa por Vialonga e Loures:
    Vários vestígios indiciam a existência de uma variante dirigindo-se para Frielas aliás confirmado pela existência de um miliário nesta povoação onde confluía também a via proveniente de Conimbriga com passagem em Eburobrittium.
    Vialonga (Rua Egas Moniz; EN501atravessando o rio Trancão)
    S. Julião do Tojal (passa a EN115-5; calçada)
    St. Antão do Tojal (passa a EN115 e segue por S. Roque até à travessia do rio Loures)
    Loures (em 1990, durante a construção do novo Palácio da Justiça foi identificada a Villa de Almoínhas e recolhidos 2 miliários, hoje em exposição no Museu Municipal na Qta. do Conventinho ali perto; villa na Qta. do Belo)
    Ponte de Frielas sobre a ribeira da Póvoa
    Frielas (Villa junto da capela de Sta. Catarina; miliário na Qta. de St. António do qual só resta um desenho, após a sua reutilização em 1907 nos alicerces de uma obra da quinta; segundo Vasco Mantas, estaria junto da ponte de Frielas; outra villa a leste na Qta. do Belo)
    Lisboa (OLISIPO) (passava na Calçada de Carriche e em Entrecampos, antigo «Campos de Alvalade» e onde existia uma necrópole, seguia pela Rua de Sta. Marta, Rua de S. José, Rua das Portas de St. Antão, antiga «Corredoura», Rua D. Antão Vaz Almada e desemboca na Praça da Figueira, onde foi descoberta uma necrópole e vestígios da calçada, atravessando depois a Baixa até à Sé; Silva, 2009)

  • Variante para Lisboa por Sacavém, seguindo a margem direita do rio Tejo
    Póvoa de Santa Iria (vestígios na Qta. de St. António de Bolonha)
    S. João da Talha (segue pela Bobadela)
    Ponte Romana de Sacavém sobre o rio Trancão (desenhada por Francisco de Holanda com 15 arcos; hoje só restam vestígios dos alicerces)
    Sacavém (pelas Rua José Luís de Morais e Rua António Ricardo Rodrigues)
    Moscavide
    Marvila (Rua e Estrada de Marvila) Beato (Calçada do Grilo, Rua de Xabregas e Rua da Madre de Deus; lápide honorífica a Trajano Adriano no antigo convento de Xabregas)
    Sta. Engrácia (Calçada da Cruz de Pedra, Rua da Sta. Apolónia)
    Alfama (Rua do Mirante, Rua do Paraíso, junto da necrópole de Campo de Santa Clara, Rua dos Remédios, Largo do Chafariz, Rua de S. Pedro e Rua S. João da Praça; na Igreja de S. Vicente de Fora apareceu uma ara honorífica a Vespasiano e uma ara votiva a Júpiter)
    Lisboa (OLISIPO) (pela Rua das Cruzes da Sé e seguia até ao Largo da Sé)
    • Alternativa por Chelas: é muito provável que existisse um diverticulum por Chelas, se não mesmo a via principal, atendendo ao miliário a Magnêncio, o CIL II 4631 encontrado junto do Convento de S. Félix de Chelas (vestígios de villa ou templo romano) e referido por Marinho de Azevedo in «Antiguidades e Grandezas da Mui Insigne Cidade de Lisboa» (1652) que entretanto foi perdido; O seu percurso é impossível de determinar devido à intensa urbanização, mas deveria passar ao lado do convento e da necrópole de Poço de Cortes, hoje Av. do Santo Condestável e Estrada de Chelas, até entroncar na Calçada da Cruz de Pedra, onde confluía com a que seguia junto ao rio.

Lisboa (OLISIPO) (caput viarum na milha CCXLIV desde Braga; a via romana entrava na cidade pela Rua das Cruzes da Sé como atestam o miliário a Probo que apareceu na Casa dos Bicos, a necrópole do Campo de Santa Clara, a muralha romana na Cerca da Moura, de depois subia da zona ribeirinha até ao Largo da Sé, o antigo Forum, existindo vestígios da calçada debaixo do Claustro da Sé; o miliários e outros achados estão em exposição no Museu da Cidade; Na Baixa fica o Núcleo Arqueológico da Rua dos Correeiros, zona portuária com tanques de salga, sobranceiro ao braço do Tejo que entrava pela Praça do Comércio até à Praça da Figueira; a travessia deste braço poderia ter tido uma Ponte Romana junto à Rua do Arco da Bandeira, actual Rua dos Sapateiros e o cais de embarque na Rua das Canastras; o Museu do Carmo em Lisboa guarda 3 miliários, dois provenientes de S. João do Couto, Tomar, pertencentes a esta via, CIL II 4960 e 4959, e também o miliário da Qta. do Cadouço, Famalicão da Serra que pertencia ao Itinerário Braga-Mérida; o quarto "miliário" em exposição é o marco comemorativo da Qta. do Bravo, Alenquer; os restantes miliários trazidos para Lisboa pertencem ao acervo do MNA; Hoje, pouco resta da antiga Olisipo, mas ainda há importantes vestígios nas das Termas Romanas dos Cássios na Rua das Pedras Negras e do Teatro Romano de Nero entre a Rua de S. Mamede e a Rua da Saudade e no Rossio seria o circo/hipódromo)

Itinerário XIX (19)

Mapa





































































































Braga (BRACARA) - Tui (TUDAE) - Lugo (LUCUS) - Astorga (ARTURICA)   CCXCVIIII milhas - 443 km
Item a BRACARA ASTURICAM m.p. CCXCVIIII
LIMIA
TUDAE
BURBIDA
TUROQUA
AQUIS CELENIS
TRIA
ASSEGONIA
BREVIS
MARCIE
LUCO AUGUSTI
TIMALINO
PONTE NEVIAE
UTTARIS
BERGIDO
INTERAMNIO FLUVIO
ASTURICA
m. p. XVIIII
m. p. XXIIII
m. p. XVI
m. p. XVI
m. p. XXIIII
m. p. XII
m. p. XIII
m. p. XXII
m. p. XX
m. p. XIII
m. p. XXII
m. p. XII
m. p. XX
m. p. XVI
m. p. XX
m. p. XXX
O Itinerário XIX corresponde no território nacional à VIA IV, cujo traçado está relativamente bem estudado dado o elevado número de miliários existentes. Este itinerário corresponde em grande parte ao Caminho de Santiago pelo que existe sinalização do percurso (setas amarelas), embora nem sempre este caminho siga a rota romana. A via seguia por Ponte de Lima onde ficava a Mansio Limia e daqui rumava à Mansio Tudae a actual cidade de Tui onde vencia o rio Minho. Entrando na Galiza, a via tocava em pontos comuns com a Itinerário XX que vinha por barco pelo litoral marítimo, per loca maritima, tal como o porto de Aquis Celenis e rumava a Lugo, onde passam a ter um traçado comum, ao qual se vem juntar a Via Nova em Bergido, seguindo depois até Astorga. A via foi estudada no âmbito do projecto Vias Atlânticas visando a protecção e exploração turística da via do qual resultou este site. O Museu Pio XII tem em exposição o miliário de Oleiros (MPXII.LIT.79) e guarda na arrecadação o fragmento de miliário de Arcozelo (MPXII.LIT.264), o miliário de Romarigães (MPXII.LIT.572), o miliário a Adriano de S. Paio de Merelim(MPXII.LIT.758) e o fragmento de miliário encontrado num muro da casa Patronato da Sé, na Rua da Cónega, possivelmente relacionado com esta via (MPXII.LIT.612). O Museu Martins Sarmento em Guimarães tem em exposição o miliário da Qta. S. Germil em Panóias e o miliário a Tibério da Ponte do Prado. Numa das entradas do claustro da Sé de Braga está depositado o miliário a Nerva da Qta. do Outeiro convertido em pedra de lagar. O Museu D. Diogo de Sousa guarda os outros miliários conhecidos e doravante é designado por MDS.

Para mais informação consultar bibliografia: Colmenero, 1987; Colmenero et alii, 2004 e Regalo, 1987.



Braga (BRACARA) (no palacete de D. Jerónimo Pimentel, na esquina do Campo das Carvalheiras e rua da Sé, apareceu um miliário a Augusto indicando 43 milhas a Tudae, actual Tui, marcando certamente a milha zero da VIA XIX no caput viae; hoje está no MDS com o n.º 1992.0684;a via deveria seguir próximo da Necrópole do Campo da Vinha no alinhamento do cardus maximus que corresponde hoje aproximadamente à Rua Jerónimo Pimentel seguindo pelo Campo das Carvalheiras e Campo das Hortas, atendendo à importante cloaca que corre sob o ex-Abrigo Distrital; na antiga casa dos Paços da Câmara de Braga na Rua Frei Caetano Brandão, apareceu em 1990 um miliário Constâncio II ? da milha I, hoje dentro da cafeteria que ali existe, deverá pertencer a esta via; a continuação da via é baseada no caminho medieval que segue depois à esquerda pela Rua da Boavista, conflui com a Rua Costa Gomes ou EN201 e segue pela Calçada de Real até Capela onde conflui novamente com a EN201, mas os últimos estudos apontam no entanto para um trajecto diferente; Ver Lemos, 2002 e Carvalho, 2008)

Real (milha I; na zona apareceram 2 miliários; um deles foi descoberto na Qta. do Tourido em 1979, mas hoje está desaparecido, e muito próximo, no Monte dos Cones, apareceu um miliário a Maximino e Máximo da milha I, CIL II 4756, talvez já deslocado para servir de marco divisório pois aí está documentado a Villa de Columnas, hoje no Museu D. Diogo de Sousa com o n.º 1992.0677)

Frossos (na Qta. do Outeiro apareceu um miliário a Nerva talvez da milha II, transformado em pedra de lagar e que hoje está numa das entradas do claustro da Sé de Braga; segue a EN201)
Panóias (na Qta. de Germil apareceu um miliário a Tibério da milha II, hoje no Museu Martins Sarmento com o n.º 82; dentro da povoação, no Largo do Souto, está um outro miliário servindo de base a um cruzeiro; foi certamente deslocado da Ponte do Prado pois indica a milha IV; tem duas inscrições, uma inscrição primitiva a Tibério e uma inscrição posterior a Valentiano e Valente; fragmento de um possível miliário ou peso de lagar na Qta. da Mainha)

S. Paio de Merelim (miliário a Adriano, talvez da milha III, descoberto em 1981 num muro junto ao lavadouro da EN201 e que hoje está no Museu Pio XII em Braga; o marco divisório de Felgueiras poderá ser um miliário transformado; segue a EN201 pelo lugar da Calçada;)

Ponte Romano?-Medieval do Prado sobre o rio Cávado (Celadus) (Argote menciona um miliário a Augusto da milha IV, CIL II 4868, entretanto deslocado para Braga onde desapareceu; vários outros fragmentos de miliários estão embutidos nos muros junto à ponte; ver Regalo,1987; a travessia do rio no período romano seria um pouco a montante da ponte actual no sítio conhecido por Macrome)

Da Ponte do Prado à travessia do Rio Neiva:
Até muito recentemente, o itinerário entre os rios Cávado e Neiva fazia passar a via romana por Lage, S. Miguel de Carreiras, Portela das Cabras, descendo depois à Ponte Velha de Goães, onde fazia a travessia do Neiva, correspondendo ao Caminho de Santiago. Sendo sem dúvida um caminho muito antigo (Sande Lemos relaciona-o com o período Suévico), apresenta no entanto algumas dificuldades no terreno como a subida à Portela das Cabras e a consequente descida abrupta até à Ponte de Goães no Neiva que na sua forma actual é uma construção medieval. Por outro lado, os miliários conhecidos foram todos descobertos a poente desta rota pelo que é muito mais provável que a via romana passasse a poente do Caminho de Santiago que além de ter a vantagem de integrar esses miliários, oferece uma rota menos acidentada e assim mais de acordo com os princípios construtivos romanos. Entretanto, a descoberta de novos miliários em Atiães, no âmbito do projecto Vias Atlânticas, veio reforçar esta segunda hipótese pelo que esta passa a ser o itinerário romano e a antiga proposta apenas como uma variante tardo-romana.

  • Variante pela Ponte de Goães (variante tardo-romana):
    Vila de Prado/Sta. Maria do Prado (da ponte segue por Faial, calçada da Qta. do Jorge, Estrada, Murta, Santiago (documento medieval refere uma carrariam antiquam junto da Capela de Francelos), Corga, Montinho e Sarrela)
    Lage, Oleiros (calçada; passa junto à Igreja de S. Julião, entra na Roupeira no CM1184 e segue por Livão)
    Moure (calçada; próximo fica o Castro romanizado do Barbudo ou Monte Castelo; continua pelo CM1184 por Caraceira, Laranjal, Landeira e Portelinha)
    S. Miguel de Carreiras (passa no CM1183 por St. André e Cachada)
    Portela das Cabras (calçada no lugar da Rua; em Portela do Meio passa a EN308 e segue por Hospital e Fonte Fria, descendo abruptamente para Goães)
    Ponte Romano?-Medieval da Pedrinha ou Ponte Velha, Goães, sobre o rio Neiva (NAEBIS)
    Rio Mau (da ponte sobe até Ângulo Quarenta onde vira à esquerda até Lagoeira onde entra no concelho de Ponte de Lima e reencontra a via romana descrita abaixo)

VIA XIX - da Ponte do Prado a Ponte de Lima
Sta. Maria do Prado/Vila de Prado (miliário a Tibério indicando a milha V, CIL II 4869, hoje no Museu Martins Sarmento com o n.º 77; da Ponte do Prado segue pela Rua Antunes Lima até à EN205 e depois à esquerda pela Rua Direita no lugar da Vila, atravessa a EN205 e segue pelas traseiras da Igreja Velha de Prado, no caminho que liga a Outeiro durante 1800 m)
Oleiros (o caminho segue junto até à Capela de S. Sebastião, próxima da qual apareceu um miliário a Valentiano I, indicando a milha VI, encontrado na "Bouça do Benefício Paroquial da Antiga Igreja Matriz" já transformado em cruzeiro que hoje está no Museu Pio XII)
Atiães (da Capela de S. Sebastião segue pelos lugares da Cumieira e Alminhas, onde existiam vestígios da via recentemente confirmada pela descoberta de um fragmento de miliário na Bouça do Crasto, dirigindo-se depois à Mata de S. Jerónimo; para leste, no exterior da capela de Sta. Marta de Atiães, existem 2 cipos que poderão ter origem em miliários, mas são duvidosos)
Freiriz (próximo das minas romanas na encosta leste do Monte do Cardal já em Moure; segue por mais 1900 m até à EN201 onde segue à esquerda por 2 km; o miliário desaparecido a Tito e Domiciano, CIL 4799, poderia ser daqui já que indicava 10 milhas a Braga)
Marrancos (fragmento de miliário junto à JF; Mina Romana da Cova dos Mouros; daqui também poderia seguir para a Ponte Goães, mas esta rota vai por Arcozelo atendendo ao miliário aí encontrado)
Arcozelo (fragmento de miliário a Tibério hoje no Museu Pio XII e que apareceu na Igreja Velha de Fontes, próximo do topónimo «Hospital» que indicia a existência de uma estalagem viária medieval)
Travessia do Rio Neiva (NAEBIS) (junto ao Moinho do Cubo?; na outra margem segue por Vilartão e Cadem, próximo do Castro de Cadem; falso miliário em Calvêlo)
Anais (no lugar da Boa Vista, apareceu um miliário ilegível suportando o alpendre de uma casa; continua por Gandra, Talho, Souto, Varziela, Malhos, Cruzeiro, à esquerda por Albergaria, Casas Novas até à Pedra da Cruz onde vire à direita)
Queijada (passa em Empegada e Qta. do Baganheiro, onde conflui com a EN201 e segue por Oliveira até ao rio Trovela junto à necrópole da Qta. do Outeiro)
Travessia do rio Trovela (segundo Brochado de Almeida, a via romana fazia a travessia numa antiga ponte a jusante da Ponte Nova; Castro romanizado na Qta. do Castro; Cividade de Souto de Rebordões já destruída; existem dois possíveis miliários anepígrafos, o miliário da Qta. das Fontes junto ao caminho para a igreja paroquial e o miliário invertido no caminho de acesso à Qta. da Torre; estarão deslocados? Seria aqui a travessia?)
Fornelos (milha XVII; miliário a Maximino e Máximo talvez da milha XVII foi encontrado no antigo passal a servir de peso de lagar e hoje está no jardim da Biblioteca Municipal de Vila Nova de Cerveira!)
Travessia da ribeira de Sandilhão (segue por Laje em direcção a St. Amaro, passando a nascente de Posa, topónimo sugestivo de uma mutatio, onde se achou um miliário a Dalmácio; da ponte segue paralela à EN201 pelo lado N, por Carrão, ribeira de Folinho, Qta. do Sol, cruza a EN537 e segue para Chão da Mena, cruza a EN201 e contorna a Qta. de Sandilhão)
Campo de St. Amaro, Fornelos (milha XVIII; perto da Capela de St. Amaro apareceu o miliário a Maximino e Máximo da milha XVIII que hoje está no jardim do Solar de Bertiandos convertido em pelourinho; uma regravação posterior revela reparações da via na frase «vias et pontes temporis vetustate conlapsos restituerunt»; segue junto da Qta. das Pias)
Gaia, Arca (milha XIX; possível localização da mansio Limia na base do Castro romanizado de Sta. Maria Madalena; a via descia a Ponte de Lima por Bustelo, Cruzeiro, Graciosa, Qta. da Lapa, Qta. de Sanguinhal, Qta. do Olho Marinho e Largo dos Quartéis, entrando na vila pela antiga Porta de Braga, desmantelada em 1800; ver Almeida, 2001; hoje um percurso aproximado seria pela Rua do Meirim, Rua Gen. Norton de Matos, Rua da Lapa e Largo dos Quarteis)

Ponte de Lima (ponte da mansio LIMIA na milha 21; a via entrava pela já demolida Porta de Braga e seguia pela Rua do Souto, depois por detrás da Igreja Matriz, pela Rua Direita e Rua Fonte da Vila; poderia ser daqui o miliário a Maximino e Máximo da milha XXI, duas mais que a mansio, encontrado deslocado para SE na Qta. da Agra, Correlhã, n.º 7 da série Capela, que está hoje no acervo do MNA partido em dois)
Ponte Romana sobre o rio Lima (LAETHES) (reconstrução medieval; só os primeiros 5 arcos da margem direita são romanos; a via deveria seguir pela Rua Lima Bezerra e Largo Freiria)

Qta. do Antepaço, Alémponte (o miliário que está no pátio da quinta é o único que resta de um grupo de 4 miliários com os n.º 1,2,3 e 4 da série Capela que foram deslocados para a Qta. de Faldejães; segue à direita pelo Caminho das Tojeiras, EM523, passa a nascente das Qtas. de Sabadão e Pomarchão)
Cancelinhas, Arcozelo (na bifurcação segue à direita, no lugar da Igreja segue à esquerda e passa na Igreja de Santa Marinha, onde apareceu um miliário)
  • Na Qta. de Faldejães estão vários miliários do troço entre Ponte de Lima e Ponte do Arco da Geia; além dos 3 miliários provenientes da Qta. do Antepaço, miliário a Adriano, o miliário a Caracala, o miliário a Constâncio Cloro?, todos da milha XX, existem mais 2 miliários, um dos quais é proveniente da Capela de S. Sebastião)
Arcozelo (a calçada descreve um arco até à ponte)
Ponte Romano-Medieval do Arco da Geia, Boa Vista, sobre o rio Labruja (1 arco, alguns silhares almofadados; depois da ponte segue a margem esquerda do rio por um caminho agrícola, passando em Coutada, Riba Rio, Borrelho, Cerdeira, Carvalho Mouco e Moinho do Folão)
Paredes, Cepões (possível miliário no adro da capela de S. Pedro de Cepões; daqui tem que subir à EN306 e logo depois à esquerda para a)
Ponte Romano?-Medieval do Arco, nova travessia do rio Labruja (segue a EN até Revolta, onde vira à esquerda por Portelinha, Valinhos e Igreja; Castro Romano em Bárrio)
Labruja (segue pelos lugares de Freita, um apareceu um fragmento miliário talvez a Magnêncio, continua por Vinhó de Baixo, Casa Branca, Eiras, Fonte da Três Bicas e Espinheiro, onde apareceu um miliário a Constantino I suportando o alpendre de uma casa rural que deveria indicar a milha 26 embora já só se leia «XVI» e que tal como anterior está hoje na antiga JAE em Viana do Castelo; outro possível miliário apareceu junto da capela de S. Sebastião; a partir daqui o caminho divide-se em medieval e romano; o medieval segue pela Portela Grande enquanto a via romana segue pela Portela Pequena; possível miliário convertido em pia baptismal na Capela de S. João Baptista ou da Grova; continua por Portela de Câmboa onde estaria o miliário n.º 11 da série Capela que foi partido em 4 e desapareceu)
Romarigães (vem pela Portela Pequena e desce por Veiga do Monte, Capela do Pico, Portela, Venda, Cascalhal e Capela de S. Roque, nas traseiras da Casa Grande de Romarigães onde há 2 miliários anepígrafos relacionados com a milha XXVIII; algures numa casa rural de Romarigães apareceu um miliário a Valentiano I já convertido em pia de porcos que está hoje no Museu Pio XII com o nº MPXII.LIT.572 e que seria a milha XXVIII embora já só se leia XX[...], AE 1980, 571)
  • A Portela de Romarigães corresponde à milha XXVIII desde Braga, sendo provável a existência de uma mansio nesta milha, junto do importante Castro romanizado do Couto de Ouro; A partir daqui são possíveis duas alternativas para o percurso da VIA XIX que se voltam a encontrar em Fontoura, um mais a poente, atendendo aos miliários em Barreiros, Fonte de Olho e Sapardos, e outro mais a nascente atendendo aos miliários em Pereiros, Monte da Costa e uma ponte com possível origem romana sobre o rio Coura.
Variante por Rubiães:
Portela de Romarigães (rumava a N pela vertente leste do castro até Azenha do Ribeiro)
Ponte Romano?-Medieval da Codeceira sobre a ribeira da Codeceira
Agualonga (habitat em Mourela; segue por Monte da Gândara e Covelo)
Pereiros, Rubiães (seria daqui o miliário a Magnêncio da milha XXXI 31 que está em de S. Bartolomeu das Antas?)
Rubiães (povoado em Tarrio de Cima; da Capela de S. Roque toma o caminho paralelo à EN201 que segue pela vertente poente do Monte da Costa passando nas traseiras da Igreja Românica de S. Pedro, onde no adro está um miliário a Caracala convertido em sepultura, CIL II 4872, talvez da milha XXX e segue até ao lugar da Escola onde desvia à esquerda para descer ao rio Coura)
Crasto, Rubiães (na Qta. do Crasto há 3 miliários deslocados, na entrada da quinta está o miliário a Augusto e no seu interior um miliário a Valentiano I como esteio duma ramada e um fragmento de miliário anepígrafo; os dois primeiros indicam a milha XXX pelo que o seu local original poderia ser na Azenha do Ribeiro em Romarigães)
Ponte Romano?-Medieval da Peorada sobre o rio Coura (milha 33; calçada antes da ponte)
Cossourado (da ponte segue à direita até à EN201 que atravessa e segue por caminho estreito, contornando o magnífico Castro romanizado do Alto da Cividade/Forte da Cidade por nascente)
Couto da Cabras, Cossourado (talvez a milha XXXIV 34, no km 11 da EN201)
S. Bento da Porta Aberta, Cossourado (talvez a milha XXXV 35)
Fontoura

Variante por S. Martinho de Coura:
Portela de Romarigães (rumava para NW por Telhada)
Barreiros, S. Martinho de Coura (miliário a Constante I da milha XXIX no largo por trás da Capela Ns. da Conceição)
Fonte de Olho, S. Martinho de Coura (miliário a Magnêncio reutilizado como suporte de uma parra numa casa rural)
Ponte dos Caniços
S. Bartolomeu das Antas (continua por Espinheiral e Carreira)
Ramalhal ( fragmento de miliário enterrado junto à entrada lateral da Capela de S. Brás; possível mutatio, Almeida, 1996)
Ranhadoura ( miliário a Constâncio II com a milha ilegível que hoje está hoje na antiga JAE em Viana do Castelo)
Monte da Gândara ( miliário a Maximino Daia da milha XXXIIII 34 que apareceu enterrado in situ e que hoje está junto com o anterior)
Raso, São Julião do Freixo (200 m de calçada paralela à estrada actual, seguindo depois em alcatrão até Pousada; no Largo da Feira em S. Julião apareceu um miliário anepígrafo deslocado talvez da milha XXXVI 36 que está hoje no adro da Igreja dos Terceiros em Ponte de Lima)
Fontoura (milha 37; segue por Reguengo, junto ao campo de futebol até S. Gabriel)
Continuação da via a partir de Fontoura:
Fontoura (de S. Gabriel continua por Portela, Cortinhas, Casa Gonçalo, Boriz até à ribeira do mesmo nome; segue por Rio Torto, por caminho de terra batida com 100 m, até Monte Chão, restando da antiga via uma lomba no terreno com 500m, em propriedade privada; em alternativa poderia seguir pela capela de S. Bento)
Cerdal (por Bouça da Gândara e Paços/Passos, seguindo depois por caminho de terra batida até à)
Ponte Romano-Medieval da Pedreira sobre a ribeira da Pedreira ou de Fervença (calçada antes da ponte)
Pedreira, Cerdal (a seguir à ponte segue sempre em frente, cruza uma estrada asfaltada e segue por Corgas para atravessar o ribeiro de Mira numa ponte com origem romana)
Gandra (da ribeira segue a direito por Tuído, Albergaria e Senra até entroncar na EN13 ao km 116)
Arão (segue por uma paralela à EN13 que começa junto ao café Arcádia e passa no centro da povoação até reencontrar a EN13)
Valença (2 miliários provenientes do lugar das Lojas na «estrada do cais» para o Cais de Arinhos: o primeiro é um miliário a Cláudio da milha XLII 42, hoje deslocado para dentro da fortaleza e o segundo, embora duvidoso, é um miliário anepígrafo que está hoje nos jardins da antiga JAE em Viana do Castelo)
Travessia do rio Minho (Minius)
Tui (TUDAE) (mansio da milha XLIII 43; 2 miliários em Sta. Eufémia)

No seu percurso de cerca de 400 km até Astorga , a via partia de Tui pelo lugar da Madalena, passava na Ponte Romana? de Orbenlle, seguia por Guizan, Louredo (miliário em Santiaguiño de Antas), Saxamonde em Redondela (5 miliários), continuando para Astorga pelas mansiones referidas no Itinerário: BURBIDA, TUROQUA, AQUIS CELENIS, TRIA, ASSEGONIA, BREVIS, MARCIE, LUCUS, TIMALINO, PONTE NEVIAE, UTTARIS, BERGIDO, INTERAMNIO FLUVIO e finalmente
Astorga (ASTURICA) (total de CCXCVIIII milhas, ou seja, 443 km)

Itinerário XVII (17)

Mapa




























































Braga (BRACARA) - Chaves (AQUAE FLAVIAE) - Astorga (ARTURICA)   CCXLVII milhas - 364.4 km
Item a BRACARA ASTURICAM m.p. CCXLVII
SALACIA
PRAESIDIO
CALADUNO
AD AQUAS
PINETUM
REBORETUM
COMPLEUTICA
VENIATIA
PETAVONIUM
ARGENTIOLUM
ASTURICA
m. p. XX
m. p. XXVI
m. p. XVI
m. p. XVIII
m. p. XX
m. p. XXXVI
m. p. XXVIIII
m. p. XV
m. p. XXVIII
m. p. XV
m. p. XXIIII
Apesar dos muitos miliários existentes, o traçado principal da via ainda suscita muitas dúvidas devido tanto às variantes equacionadas como à incerteza sobre as localizações das mansiones referidas no Itinerário de Antonino. O recente levantamento da via no âmbito do projecto "Vias Augustas" trouxe novas informações sobre o trajecto. Ver os 13 miliários da série Capela referentes a esta via (hoje já conhecemos cerca de 32 miliários desta via). Para mais informação consultar bibliografia: Barradas, 1956, Colmenero, 1987; Colmenero et alii, 2004, Redentor, 2002 e Maciel, 2004.

Os miliários estão na sua maioria nos seguintes museus:
MDS - Museu D. Diogo de Sousa || MRF || Museu da Região Flaviense || MAB - Museu Abade de Baçal


Braga (BRACARA) (Em 1835, durante a construção do Hospital de S. Marcos apareceu um miliário a Caro, hoje desaparecido, e mais tarde em 1917, nos alicerces da enfermaria apareceu um miliário a Cláudio II indicando a milha I, hoje está no MDS com o n.º 67492, junto com outro a Galério desaparecido; na sua periferia temos a necrópole de S. Lázaro, hoje terrenos da Sta. Casa da Misericórdia; Estes dados permitem equacionar a passagem da via XVII por esta zona. A via romana deveria partir próximo do Largo Paulo Orósio, antigo Forum, seguindo aproximadamente o decumanus pela Rua do Alcaide e Rua dos Falcões até á porta da cidade no Largo Carlos Amarante e cuja área corresponde à grande Necrópole da Via XVII, tomando depois a Rua do Raio, passa junto da Fonte do Ídolo, atravessa a Av. da Liberdade, onde recentemente foi escavado um troço da via debaixo do antigo edifício dos CTT, continua pelo Rua do Raio Penha e Rua de S. Vítor, passando junto da Igreja de S. Vítor, seguindo a Rua D. Pedro V e Rua Nova de Sta. Cruz que depois passa a EN103; a via continuaria ao longo da margem direita do Rio Este pela estrada velha, paralela à actual EN103. Neste troço apareceram 2 miliários, o miliário a Tibério indicando a milha I que apareceu na Qta. das Goladas em Urjais, hoje no Museu D. Diogo de Sousa com o n.º. 1992.0642, tal como o miliário a Constâncio Cloro, CIL II 4763, transladado em 1920 para a Casa de Pielas em Painzela (Cabeceiras de Basto) pelo proprietário que na época detinha as duas quintas; Ver Colmenero, 2004)

Areal de Baixo, Braga (aqui apareceu um miliário a Constante que hoje está no Museu Soares dos Reis no Porto)
Gualtar (em Areias, junto da EN103, apareceu um miliário a Heliogábalo indicando III milhas Braga, hoje no MDS com o n.º. 1992.0671)
Este de S. Mamede (passa por Venda, Bemposta e Carvalho, contorna Povoado Romano do Monte das Eiras Velhas pela vertente sul da Serra do Carvalho)
Pinheiro, Lanhoso (topónimo Calçada junto à EN103; Estação Romana do Castelo do Lanhoso)
Rendufinho (pela EN103 no sopé da Serra de St. Tirso; próximo daqui, em Calvos, fica o Castro romanizado do Monte Castelo)
Frades (EN103)
Serzedelo (calçada segue em parte a EN103 por Igreja Nova, Chapadas e Botica de Cima)
Tabuaças (continua por Pousadouros, calçada no chamado «Caminho do Pousadouro», Cerdeirinhas e pela EN103 até Cruz de Real)

SALACIA, mansio a 20 milhas de Braga cuja localização é ainda muito discutida, poderia estar na base do Castro romanizado de Vieira, talvez em Vila Seca ou no edifício recentemente descoberto no Campo da Igreja Velha em Cantelães (Colmenero 2004); Em alternativa a mansio poderia ficar na zona da Rechã que dista também 20 milhas de Braga, mas não há vestígios.

A partir de Cruz de Real permanece a dúvida se a via continuava aproximadamente pela EN103 para Salamonde até Botica de Ruivães ou se rumava ao Castro de Vieira do Minho como sugere Colmenero (Colmenero et alii, 2004) seguindo uma rota mais directa para a Ponte do Arco em Campos, atendendo aos vestígios encontrados em torno de Vieira do Minho.
  • Argote refere 2 miliários desaparecidos junto a um ribeiro, a sudoeste da aldeia de Campos, mas que seriam provenientes da Portela de Rebordelos; um miliário era dedicado a Cláudio, CIL II 4770 , e no outro miliário apenas se lia 33 milhas pelo que marcaria a distância a Braga, CIL II 4772. A Portela de Rebordelos poderá corresponder ao topónimo Rebordondo, próximo do Outeiro dos Púcaros em Ruivães (Fontes, 2004).
  • Argote refere 2 miliários desaparecidos junto à Capela de S. Martinho em Zebral; num deles Argote leu ESAR. AUG / STR. XVIII pelo que seria um miliário dedicado a Augusto, o CIL II 4776, e no outro leu CAESAR . AVG . / IMP . V . POT / III, CIL II 4775. Como não se conhece nenhuma capela de S. Martinho em torno de Zebral, é provável que Argote se refira à Capela de S. Martinho no povoado romano do Alto de S. Cristovam em Ruivães (Fontes, 2004).
  • Argote refere ainda 2 miliários a poente da aldeia de Botica; um já estaria ilegível e está desaparecido e o outro, dedicado a Trajano, indicava a milha 43 desde Chaves pelo que poderá ser o mesmo que se encontrou em Padrões, CIL 4783 (Fontes, 2004).
  • Na capela de Fornelos há uma inscrição dedicada a Júpier pelos Vicani Cabr(icenses?), cujo vicus ficaria nas proximidades e que poderá estar na origem do nome da Serra da Cabreira.

    Variante por Salamonde
    Rechã (da Cruz de Real continua pela EN103 até ao km 71, onde toma a calçada do «Caminho da Rechã», retoma a EN103 ao km 72 e segue até Penedo com restos da via no «Caminho do Penedo»)
    Cova (Castro romano em Outeiro do Castro; segue a EN103 até à calçada no «Caminho das Gavinheiras», reaparecendo depois na Capela de Ns. de Begonha)
    Louredo (povoado no Campo da Veiga, sendo talvez daqui a ara que está na Capela da Sra. da Guia em Fornelos que refere os Vicani Cabr(icenses?); a via segue sobreposta à EN103 até tomara o «Caminho do Outeiro» e «Caminho do Sudro»)
    Salamonde (povoado em Outeiro da Coroa; a via segue o «Caminho da Aldeia» pela Capela das Almas)
    Ruivães (segue junto da EN103 pela calçada do Outeiro dos Púcaros, passa o Pontão da Mua e toma o «Caminho de Ruivães» que passa no Pontão da ribeira de Corga de Mendo, no Pontão da ribeira de Chedas e na Ponte Velha da Rês sobre a ribeira de Saltadouro e sobe a Ruivães; povoado no Outeiro do Vale)
    S. Cristovão (povoado romano no Monte de S. Cristovam)
    Botica de Ruivães (de Pitões segue pelo «Caminho de Sta. Leocádia», a norte da EN103, passa por Soutelo e Paradinha, cruza a EN103 para Escadeirinhas e segue para Cambedo, indo entroncar na variante que vem por Vieira do Minho talvez na Ponte do Arco.

    Variante por Vieira do Minho
    Cruz de Real (segue a EN até Vieira do Minho)
    Cantelães (Colmenero faz um percurso para Espindo pela vertente ocidental da Serra da Cabreira por Pinheiro, seguindo a sul de Parada Velha até Fonte do Confurco e Portela da Serradela, descendo depois por um troço de calçada por 500 m até Espindo; em alternativa o trajecto poderia rumar a norte, seguindo depois pela Portela de Cantelães e pela Portela da Serradela, onde entronca no caminho anterior)
    Espindo (passa a sul por Pontilhão)
    Zebral (miliário na Capela de S. Pedro, outrora pia baptismal e hoje cimentado ao chão, lendo-se ainda as letras CAESAR / NCVS / IV)
    Campos (atravessa o rio da Lage no Pontilhão dos Pardieiros ou na Ponte dos Campos, segue por Campos e Lamalonga até à Ponte do Arco)

Ponte Romano-Medieval do Arco sobre a ribeira da Borralha (antigo Canhua, hoje submersa pela barragem do Rabagão)
Padrões, Montalegre (milha XXXIV a Braga e XLIII a Chaves; antiga Vilarinho dos Padrões, com 4 miliários: o miliário a Tibério da milha XX[...] a Braga que está hoje no MNA com o nr. E 5224, CIL II 4773; dois outros miliários desaparecidos foram referidos por Argote, o miliário a Adriano com o n.º. 940 e o miliário a Trajano com o n.º 574, CIL II 4783, ambos indicando 43 milhas a Chaves, e finalmente o miliário anepígrafo que esteve nos jardins da central da Venda Nova e hoje está num jardim da povoação, mas que originalmente estaria junto da Ponte do Arco segundo Argote; a via está submersa pela barragem, mas deveria continuar passando a N de Sanguinhedo)
Venda Nova (milha XXXV a Braga e XLII a Chaves; antiga Venda dos Padrões; conhecem-se 4 miliários daqui, sendo que dois foram encontrados na parede do forno comunitário de Sanguinhedo, o miliário a Trajano hoje no MRF como ARC431, CIL II 4782, e o miliário a Adriano, indicando 42 milhas a Chaves que hoje está nos jardins junto ao Castelo de Chaves; o terceiro é o miliário a Cláudio da milha ?XXV, já não se lendo o X inicial que perfaz as 35 milhas a Braga, hoje no MRF, ARC396, CIL II 4771, juntamente com um outro miliário desta milha pois apesar de lhe faltar o topo, ainda se lê m.p. XLII a Chaves, CIL II 4774.)
Codeçoso do Arco (milha XXXVIII; Capela refere um miliário a Cláudio indicando 38 milhas a Braga, entretanto destruído; 100m em calçada)

PRAESIDIO, mansio a 46 milhas de Braga é tradicionalmente localizada no Castro romanizado do Codeçoso do Arco, mas atendendo à sequência de miliários aqui deveria situar-se a milha 38 pelo é mais provável que a mansio fosse um pouco mais à frente talvez em Pisões. Outros autores situam-na na Vila da Ponte.

Travessia do rio Rabagão em São Fins, Pondras (Argote refere uma Ponte Romana em Porto de Carros já então em ruínas; fragmento de miliário encastrado num forno da aldeia de São Fins)
Lama do carvalho, Currais (milha XXXIX; Argote refere aqui um miliário a Tibério, CIL II 4777, hoje desaparecido no sítio do Borrageiro, a 1 milha de Currais, indicando 38 milhas, talvez contadas a partir de Chaves visto que aqui é a milha 39 desde Braga; estaria assim a meio caminho; calçada com 300 m)
Currais, Reigoso (milha XL; miliário anepígrafo como suporte de varanda na aldeia talvez proveniente de Pisões; troço de calçada ao longo da margem direita do Rabagão; Argote refere os topónimos Subila, Breia, Gea e Cambela)
Pisões (a partir daqui a calçada está submersa pela barragem do Alto Rabagão, passando no miliário da Cantina de Leiranco/Cruz de Leiranque, que hoje está no Largo da Seara na aldeia de Viade de Baixo; continua pela Villa Mel, a sul do Alto de Pedrouço, Parafita, e segue a Penedones, junto do Povoado de Leiras dos Padrões, possível mansio)
Travassos (miliário anepígrafo convertido em cruzeiro no lugar do Padrão)
S. Vicente de Chã (passa a SE no sopé do Castro romanizado; ara a Júpiter no sítio do Padrão, FE368)
Peirezes (calçada atravessa a ribeira da Ponte Velha, sobe à povoação e desce à Ponte Romana? sobre o rio Rabagão da qual apenas resta um arco)
Gralhós (calçada segue para a Ponte Romana? da Pedra sobre a ribeira de Rabagão)
Cortiço (miliário sustendo uma varanda dentro da aldeia e pequeno fragmento de um miliário convertido em bebedouro; a via segue até à Ponte Romana? de Cortiço, continuando em calçada pelo Alto da Pedra Moura, a norte de Vilarinho de Arcos)
Arcos (milha LVIII; na rua principal, perto da Sra. do Campo, apareceu em 1813 o miliário a Cláudio da milha LV[...] hoje no MRF com o n.º ARC398, CIL II 4770; talvez indicasse a milha 58 porque Arcos fica a uma milha de Pindo)
Pindo, Arcos (milha LIX; 3 miliários; miliário a Tibério da milha LIX (59) que apareceu suportando a varanda da casa de Manuel Moreno e hoje está no MRF com o n.º ARC394, CIL II 4778, o miliário a Cláudio que hoje está no pátio do Castelo de Montalegre e mais recentemente um miliário anepígrafo que apareceu em Arcos, mas que teria vindo do Pindo e que hoje está no jardim da antiga escola de Cervos)

CALADUNO, a mansio referida no Itinerário a 62 milhas de Braga, deveria localizar-se nesta região; como o miliário do Pindo indica 59 milhas, então a mansio seria 3 milhas adiante, mas como este miliário foi deslocado, a mansio poderia estar localizada na povoação de Arcos ou no Alto da Serra do Pindo, mas não existem para já vestígios que o comprovem. Como há 3 milhas em falta na soma das distâncias intermédias no itinerário a incerteza continua; no Geographia de Ptolomeu (II, 6, 38) aparece como Caladunum.
  • Hipotética ligação para norte com base no miliário anepígrafo que está junto da Fonte de Tordavela em Antigo de Arcos, actual Antigo de Sarraquinhos, se não foi deslocado indicia uma derivação para norte a partir da mansio Caladuno, mas caso existisse esta via, para onde seguiria? é provável que a via seguisse por Sarraquinhos, Pedrário e Mexide até Soutelinho da Raia, onde entroncaria numa das vias que partiam da Chaves em direcção à Galiza.

Continuando para Chaves pela Via XVII:
A rota da Via XVII até Chaves ainda suscita muitas dúvidas devido à existência de vários possíveis itinerários, mas com base nos miliários conhecidos é mais provável que a via principal seguisse pela Portela do Pindo, na linha divisória entre os concelhos de Montalegre e Boticas, seguindo depois por Ardões e Seara Velha para a Serra da Pastoria, onde se achou um miliário a Trajano indicando 5 milhas a Chaves, descendo por Soutelo e Vale de Anta até Chaves. Este percurso é pontuado por vários troços de calçada e uma inscrição viária em Soutelo. No entanto é também muito provável a existência de uma variante que seguia mais a sul atendendo ao miliário conhecido como «Pedra de Caixão» (devido a ter sido convertido em sarcófago na idade média) encontrado nas proximidades do vicus mineiro de Sapelos, trajecto que passa num troço de calçada em Giraldo que está certamente relacionado com a forte exploração mineira da região, em particular as importantes Minas do Poço das Freitas, uma exploração aurífera romana que precisa de medidas de preservação urgentes devido à possível retoma da sua exploração!
  • Variante por Ardões:
    Portela do Pindo (segue a margem esquerda da ribeira pelo estradão florestal que passa junto da calçada da Fraga do Fogo)
    Ardãos (passa no centro da povoação e segue a norte das minas de Batocas pela EM527 até desviar pelo troço de calçada entre Sangrinheira e o Sr. do Bonfim, onde reencontra a EM527; pouco depois segue pelo caminho de terra que passa no chamado Fragão do Fôjo, onde existe um extenso troço de calçada que passa a sul do Castro do Muro de Cunhas)
    Seara Velha (continua em calçada, a norte do importante Povoado do Alto da Ribeira, atravessa a ribeira de Calvão e segue pela Portela da Serra do Ferro para Soutelo)
    • Miliário da Pastoria: este miliário dedicado a Trajano que apareceu na Serra da Pastoria, indica V milhas a Chaves pelo que o seu local original poderia ser aqui na Portela da Serra do Ferro, nos limites dos concelhos de Boticas e Chaves e que dista 5 milhas de Chaves; hoje no MRF com o n.º ARC401.
    Soutelo (passa na calçada do Alto da Mortiça e Campo da Via segue pelo lugar da Pipa onde há uma inscrição viária, [Via] / paganica / hor(is) die[i] / precario / [itur]; também no lugar de Cavalo dos Mouros existe uma outra inscrição num penedo TERM C. L, provável marco territorial)
    Vale de Anta (miliário a Treboniano Galo na Igreja e outro anepígrafo desaparecido; Barragem Romana Abobeleira a norte e minas em Outeiro Machado e Campo Queimado)

  • Variante por Sapelos:
    Portela do Pindo (desce pela vertente SE da Serra do Leiranco, passando no sopé do Castro de Malhó)
    Nogueira (passa a nordeste da povoação e do Castro romanizado de Nogueira)
    Bobadela (passa a leste da povoação e do Castro do Brejo/ Cidadonha, ao longo da ribeira do Vidoeiro até Carvalhosa, existindo calçada em Giraldo, junto do Povoado mineiro de Carregal/Poço das Freitas)
    Sapelos (a sul de Sapelos junto da EN103 e sobranceiro ao rio Terva fica o Castro romanizado do Cabeço, vicus mineiro com a respectiva exploração aurífera; a via continuava pela portela da Sra. dos Milagres, S. Domingos e Casas Novas)
    • Miliário de Sapelos: em Lapada/Lapavale, a 800 m para NE da aldeia de Sapelos, apareceu deslocado um miliário a Augusto indicando a milha LXV[...] já convertido em sarcófago e por isso chamado de "Pedra do Caixão"; este marco estaria no carvalhal do Sr. António Martins, junto à ribeira de Calvão e ao topónimo Padrão, nas proximidades da Capela da Sra. das Neves e do Castro do Muro/Cerca;o marco está depositado no armazém do mercado municipal em Chaves.
    Redondelo (minas das Olgas e de Mosteirão a sul)
    Curalha (Castro romanizado junto à margem direita do Tâmega)
    Cando (Villa junto da Capela Românica da Granjinha)

Casas dos Montes (miliário anepígrafo na esquina da casa do Sr. Castro talvez ainda in situ)
Ponte Romano-Medieval de Ribelas (dentro do complexo termal; entra pelo Bairro de S. Bartolomeu onde apareceu um miliário junto à capela)

Chaves (AQUAE FLAVIAE) (milha LXXX; miliário a Décio da milha V; miliário do Postigo das Manas desaparecido; Argote refere ainda mais 4 miliários: um a Licínio, entretanto relocalizado em 2006, um outro a Constantino desaparecido, um a Caro encontrado em Sta. Cruz e 2 miliários desaparecidos a Adriano, um estaria no actual Campo da Aliança e indicava a milha II, CIL II 4779, e o outro estaria junto à Capela do Anjo no actual Largo 8 de Julho e indicava a milha V, CIL II 4780; nesta capela existia um outro miliário também desaparecido; no Castelo de Chaves está o miliário a Adriano proveniente da Venda dos Padrões; estão em curso as escavações do balneário termal no Largo do Arrabalde; existem pelo menos 7 miliários no Museu da Região Flaviense - MRF nomeadamente: os três miliários da Venda dos Padrões, o miliário a Cláudio proveniente de Arcos, o miliário a Tibério provenientes do Pindo, miliário a Augusto proveniente de Sapelos, o miliário a Trajano da Pastoria, o fragmento de miliário a Caracala ou Adriano, o miliário a Constâncio proveniente de Eiras e vários fragmentos encontrados nas imediações de Chaves)

Outras vias a partir de Chaves (Colmenero et alii, 2004)
    Rumo a norte, em direcção à Galiza
  • Via Aquae Flaviae - Lucus Augusti: depois de atravessar a ponte sobre o Tâmega, rumava a norte ao longo da margem esquerda do rio Tâmega até Vila Verde da Raia (passando talvez na Ponte do Arquinho sobre a ribeira de Arcossó, lugar de Amêdo), continuando já na Galiza por Feces de Abaixo, Tamaguelos (miliário), Mourazos, Tamagos, Queizás (miliário), Verín (3 miliários) rumando depois a Lugo.
  • Via Aquae Flaviae - Iria Flaviae: rumava a norte ao longo da margem direita do rio Tâmega por Santa Cruz, Outeiro Seco (junto da Igreja da Ns. da Azinheira e Sra. da Portela), Vila Meã, Vilarelho da Raia, Rabal (miliário anepígrafo), San Cibrao de Oímbra (miliário a Dalmácio), seguindo depois por Oímbra, Vilaza, Albarellos e Guimarei em direcção a Iria Flaviae em Padrón (Santiago de Compostela).
  • Via Aquae Flaviae - Aquis Celenis: partiria de Chaves pela Rua da Paz (EM507), a chamada "Estrada Velha de Montalegre", passa em Seara e toma a calçada da Portagem, entre Bustelo e Sanjurge, segue pelo Alto da Salgueira, Alto das Urzeiras, Lajedo, Alto do Queimado, Alto da Campina, Sra. do Bom Caminho (povoado no Alto das Coroas), passando a NE do vicus do Outeiro da Torre e da aldeia de Calvão (possível miliário à entrada da aldeia), continua a leste de Castelões (junto do Povoado de Facho de Castelões, onde há notícia de um miliário junto à via; habitat em Casas de Castelões), S. Caetano (vicus?), Soutelinho da Raia (habitat em Carvalhal e Pardieiros), Videferre e Sta. Marta de Lucenza (miliário) rumando depois em direcção a Aquis Celenis que seria em Caldas de Reis (Pontevedra).
  • Via Aquae Flaviae - Asturica Augusta per Senabria: teria um traçado comum à via Aquae Flaviae - Lucus Augusti até Vila Verde da Raia, inflectindo pouco antes da fronteira para NE em direcção à Capela de Sta. Marta (onde no adro está um miliário a Carino em dois fragmentos, CIL II 4795), continuando por Vila de Frade, Lama de Arcos e Vilarello de Cota em direcção ao oppidum de Florderrei Vello, possível capital dos Tamaganosa, continuando depois por Terroso, Barza e Tameirón (miliário) rumo a Astorga.

  • Rumo a sul, em direcção ao rio Douro
  • Via Aquae Flaviae - Três Minas: eixo N-S que partindo de Chaves seguia ao longo da margem esquerda do Tâmega em direcção à região mineira de Três Minas em Vila Pouca de Aguiar, conforme descrito no Itinerário Chaves-Douro.
  • Via Aquae Flaviae - Civitas Baniensis: eixo NW-SE que partindo de Chaves seguia na direcção da Civitas Baniensis descrito no Itinerário Chaves-Torre de Moncorvo.













Mapa



























































Chaves (AQUAE FLAVIAE) - Astorga (ARTURICA)
AQUAE FLAVIAE
PINETUM
REBORETUM
COMPLEUTICA
VENIATIA
PETAVONIUM
ARGENTIOLUM
ASTURICA

m. p. XX
m. p. XXXVI
m. p. XXVIIII
m. p. XV
m. p. XXVIII
m. p. XV
m. p. XXIIII
Atendendo ao grande número de miliários e pontes romanas encontradas é hoje consensual que a Via XVII seguia por Valpaços até Castro de Avelãs, às portas de Bragança, ficando assim descartada uma possível Variante norte da via XVII que seguia por St. Estevão e Lebução até Vinhais. Ver projecto VIAS AVGVSTAS sobre esta via. Partindo de Chaves, a via atravessava o Rio Tâmega sobre a magnífica Ponte Romana de Trajano, uma das poucas pontes romanas sobreviventes que mantém o desenho original apesar de dois dos seus arcos terem sido toscamente reconstruídos. Obra monumental e surpreendente. Ver na parte seca as grandes marcas de fórfex e a construção modular. Sobre a ponte estão duas colunas honoríficas, cópias de originais romanos; uma é designada por «Coluna de Trajano» ou «Padrão dos Aquiflavienses», assinala a construção da ponte romana no tempo de Trajano pelos Aquiflavienses, desconhecendo-se onde para o original, enquanto a segunda coluna, designada por «Padrão dos Povos» é uma inscrição honorífica feita pelas 10 civitates que compunham o municipium de Aquae Flaviae ao Imperador Vespasiano em agradecimento a alguma concessão imperial. A coluna original que apareceu em 1980 no leito do rio Tâmega está hoje no hall do MRF). Ver mais detalhes aqui.

A Castro de Avelãs por Valpaços, na rota da Via XVII
Madalena, Chaves (depois de atravessar o Tâmega, segue a direito pela EN103, na Capela da Sra. da Boa Morte, segue a direito pelo estradão de terra, na bifurcação segue à direita na direcção da Qta. do Germano; após o canal segue à esquerda pela Rua da Calçada Romana e logo depois segue à direita, passando à calçada que ascende até ao Alto de S. Lourenço; algures nesta zona de Eiras apareceu um miliário a Constâncio)
S. Lourenço (magnífico troço da Calçada de S. Lourenço que sobe a encosta; o acesso à calçada faz-se no miradouro de S. Lourenço; Argote refere um miliário anepígrafo entretanto desaparecido; continua depois pela Casa dos Ferradores, Largo do Cruzeiro, Rua da Travessa, até à EN213; ao chegar ao chafariz segue para Juncal)
Ponte Romana de S. Lourenço sobre a ribeira de S. Julião/Cabanas/Palheiros (1 arco, a 500 m da povoação e segue para Arco e Lama)
S. Julião de Montenegro (milha LXXXIII; na Igreja paroquial apareceram 4 miliários, dois estão dentro da igreja, o miliário Macrino e o miliário a Décio, este indicando a milha VI desde Chaves, um miliário anepígrafo está no adro da igreja e um fragmento de um miliário a Flávio Dalmácio foi para a casa do Pe. Fernando Pereira em Vilar de Nantes; continua pelo Alto do Cavalinho, provável mutatio hoje destruída, Falgueira, Poças, Alto da Gesta e Barracão)
, Ervões (apareceram 2 miliários nas obras de demolição da capela de Sta. Luzia; um miliário a Macrino que hoje está no terreiro da casa de Hermínio Quintino e outro nas fundações da mesma)
Vilarandelo (miliário a Macrino, apareceu na Capela do Espírito Santo dentro do cemitério e está hoje no jardim junto ao mercado junto com um outro miliário a Caracala que apareceu no pátio da casa de Francisco Coroado em Vilarandelo; um fragmento de miliário foi para o MRF em Chaves)
Lagoas (calçada passa a N de Valpaços; miliários deslocados no Solar e Capela dos Morgados Pinto Leite, Casa do Arco)
Possacos (4 miliários; miliário a Magnêncio que apareceu junto à Igreja e hoje está numa casa particular em Carlão, Alijó; miliário a Flávio Dalmácio que apareceu nos alicerces de uma casa no Largo das Duas Fontes e hoje está no MNA; e mais 2 miliários referidos no CIL II entretanto desaparecidos: miliário a Macrino? da Qta. do P. António de Sousa, CIL II 4790, miliário a Carino? da Qta. de Francisco da Costa Homem, CIL II 4792; a via desvia da EN206 à direita, pouco depois da povoação, e desce à ponte por 2 km)
Ponte Romana do Arquinho ou de Possacos sobre o rio Calvo (daqui provém o miliário a Maximino e Máximo, CIL II 4788, deslocado depois para a ponte de Vale de Telhas, acabando junto à capela de Ns. de Fátima em Vale de Telhas onde está hoje; indica reparações da via na frase vias et pontes temporis vetustate conlapsos restituerunt curante; referência a mais 2 miliários nas imediações entretanto desaparecidos; depois da ponte a via sobe até à EN206 e depois por caminho de terra até ao parque de campismo na margem do Rio Rabaçal)
Ponte Romano-Medieval de Vale de Telhas, sobre o rio Rabaçal (é uma construção medieval, mas que utiliza materiais romanos, como alguns silhares com marcas de fórfex, provenientes da anterior ponte romana que seria mais a jusante no lugar da Barca junto do Cabeço da Mochicara, onde havia um conjunto de pelo menos 5 miliários que foram deslocados ou estão desaparecidos: o miliário a Galério que está hoje no Museu de Vila Real, o miliário a Maximino Daia que está hoje na casa da família Verdelho em Vale de Gouvinhas, os 2 miliários que estão em Vale de Telhas descritos abaixo e um miliário a Numeriano entretanto desaparecido)

PINETUM, mansio a XX milhas de Chaves junto à travessia do Rio Rabaçal. A mansio poderia ser na área do parque de campismo atendendo aos vestígios aí existentes e o povoado de Pinetum poderia ser no Castro do Cabeço junto a Vale de Telhas. Os vários miliários que apareceram nas margens do rio e que iam sendo agrupados junto à ponte medieval reforçam que a milha 20 era vencida neste local.

Vale de Telhas (miliário a Constantino II junto à fonte romana proveniente da ponte tal como o miliário a Maximino e Máximo no adro da capela de Ns. de Fátima proveniente de Possacos)
Vale de Gouvinhas (miliário a Maximino Daia na casa da família Verdelho, mas proveniente da Ponte de Vale de Telhas)
Bouça (na EN206, daqui seria o miliário indicando a milha XXII desde Chaves que está hoje junto ao Café «Estrela do Norte» na Ferradosa)
Ferradosa, Fraziela (3 fragmentos anepígrafos, talvez da milha XXIV desde Chaves, um dos quais na berma da EN206 junto à casa do Sr. Manuel Maia à saída da povoação; segue pela Qta. da Calçada, Padrões, Redonda, Cabeço da Mós, Qta. do Ermidão e Estalagem)
Ponte Romano?-Medieval do Arquinho ou de Ermidão sobre a ribeira do Arquinho, Fradizela (indicada na EN206; 1 arco)

Ponte Romana da Pedra, Torre de Dona Chama sobre o rio Tuela (magnífica ponte romana com 6 arcos que ainda hoje suporta o tráfego da EN206; esta ponte ainda um pouco desprezada, mas constitui o melhor da engenharia romana em Portugal juntamente com a Ponte de Chaves e a Ponte da Vila Formosa no Alentejo. A sua construção é tal modo avançada que foi considerado como moderna até aos anos setenta!)
Torre de Dona Chama (a via passa a N da povoação; oppidum no Castro de São Brás)
  • Eventual ligação a Mirandela, atendendo ao Castros romanizado de S. Juzenda em Múrias e aos Castros da Fraga do Penedo e da Sra. do Viso em Mascarenhas.
Vila Nova da Rainha (calçada com 900 m, começa a 1 km da povoação, segue paralela à EN206; fragmento de miliário na berma da EN206, 600 m antes da povoação; miliário anepígrafo no centro da povoação suportando uma varanda)
Nossa Sra. das Dores, Lamalonga (calçada com 1500 m ladeia a capela)
Lamalonga (no adro da Capela de S. João apareceu um miliário a Constâncio Cloro que está hoje no MAB com o n.º 1565 e um outro miliário anepígrafo que foi supostamente destruído nos anos 70; ver Lopo, 1907)
  • Ligação às minas de Ervedosa: saindo da capela de S. João em Lamalonga, segue pelo "Caminho de Pombal" até Argana, onde existe um fragmento de miliário junto a um tanque, e depois pelo "Caminho do Bugio" acedia a Ervedosa, onde também existe um fragmento de miliário suportando uma varanda e daqui às minas junto ao rio Tuela.
Carvalhal, Lamalonga (miliário anepígrafo na berma da EN206; estaria no adro da Igreja de Lamalonga)
Agrochão (seguia a N da povoação pela chamada Estrada Velha que passa no sopé do Cabeço do Marco e Alto dos Malhões do Monte, eventuais referências a um miliário de que só restam 2 fragmentos no sítio da Amoreira na berma da estrada)
Falgueiras, Ervedosa
Penhas Juntas
Edrosa (segue por Breia e Cruzes; ligação a Vinhais por Ousilhão e Nunes; calçada)
Portela, Zoio
Carrazedo (ara votiva aos Lares Buricis talvez relacionada com a via na casa dos Eusébios; será daqui o miliário a Caro, CIL II 4786, encontrado em "Carrezedo"?; calçada contorna o Cabeço Carro, desce ao vale pelo lugar de Além rio e atravessa o ribeira de Carrazedo para)
Alimonde (calçada sobe pelo Caminho dos Mortos até ao Alto da Ferradosa e desce pelo Caminho da Vila ao Castro de Formil ou Feira dos Mouros; povoado na Canada dos Mouros)
Formil, Gostei (segue junto à Capela de S. Cláudio onde apareceu um miliário a Maximiano, hoje no MAB com o n.º 1580 e uma inscrição honorífica a Cláudio embutida na parede, CIL II 6217)
Gostei
Ponte Romano?-Medieval de Ariães sobre a ribeira de Castro (na EM518 Gostei-Bragança)
Castro de Avelãs (mansio Reboretum?; civitas ZOELARUM?) (junto à villa Romana da Torre Velha apareceram 2 miliários já transformados em sarcófagos no exterior das ruínas da capela de S. Sebastião, o miliário a Augusto, indicando XIX milhas(?), leitura duvidosa que poderia ser antes CLX milhas, a distância a Braga, e o miliário a Caracala, hoje no MAB respectivamente com o n.º 1584 e 1583)

REBORETUM, mansio a 36 milhas de Pinetum cuja localização é ainda discutida, mas que poderia estar na área da Torre Velha em Castro de Avelãs, onde apareceram vários miliários e outros vestígios. Outros autores situam-na em Nunes.

Bragança (o Museu Abade de Baçal guarda 8 miliários; necrópole dos Quatro Caminhos e necrópole do Couto, ambas em Vale de S. Francisco)
Ponte Romano?-Medieval das Carvas, S. Lázaro sobre o rio Sabor (segue pela Qta. das Carvas)
Gimonde
Ponte Romano?-Medieval de Gimonde sobre o rio de Onor (a 100 m da ponte nova)
Cruz do Marrão, Gimonde (miliário a Caro no caminho velho para Babe, está hoje no MAB com o n.º 1575)

COMPLEUTICA, mansio a XXVIIII milhas (43 km) de Reboretum com localização ainda incerta, poderia ser em Babe, no lugar do Sagrado junto à Capela de S. Pedro Velho, onde apareceram vários miliários, mas que alguns autores, como Colmenero, colocam em Castro de Avelãs.

Babe (na Capela de S. Pedro Velho apareceram 3 miliários, o miliário a Caracala que está no MAB com o n.º 1572, o miliário a Adriano que passou pela Igreja Matriz e hoje também no MAB com o n.º 1570, lendo-se XX[...] milhas a Caesera, mansio já em Espanha, e o miliário anepígrafo que hoje está junto à Capela de S. Sebastião; ara a Júpiter)
São Julião de Palácios (Fonte Romana; calçada chamada Caminho das Duenas segue por Lameiros da Calçada; corte artificial da rocha e muro de sustentação da via)
Travessia do rio Maçãs entre Porto Calçado e Vale de Perdizes (fronteira)

Continuação para Astorga:
a partir da fronteira luso-espanhola no Rio Maçãs, a via rumava a NE pela calçada de Moldones e Figueruela de Abajo até à mansio Veniatia:

VENIATIA....m.p. XV (em Figueruela de Arriba ou San Pedro de las Herrerías?, atravessa a Serra de la Culebra)
Variantes até Calzada de Tera:
  • Variante norte: por S. Pedro de las Herrerías, Boya, Villardeciervos, Villanueva de Valrojo, Olleros de Tera e Calzada de Tera.
  • Variante sul: por Gallegos del Campo (miliário a Macrino), San Vitero (miliário a Trajano), Rabanales (ligação a Zamora?), Bercianos de Aliste, Sarracín de Aliste, Ferreras de Arriba, Otero de Bodas e Calzada de Tera.
Calzada de Tera (em Calzadilla de Tera atravessa o rio Tera e segue por San Juanico el Nuevo, Barrio de Abajo de Brime de Sog e Santibánez de Vidriales)
PETAVONIUM... m.p. XXVIII (acampamento romano a W de Rosinos de Vidriales, Zamora; povoado no Castro de Sansueña; segue por Fuente Encalada, 3 miliários, Calzada de la Valdería; miliário no Museo de Castrocalbón)
ARGENTIOLUM...m.p. XV (seria a N de Herreros de Jamuz?; Quintana y Congosto, Leon; segue por Villamontán, Valle, Castrotierra e Celada)
ASTURICA...m.p. XXIIII (actual Astorga; total percorrido CCXLVII milhas, ou seja, 365,5 km desde Braga)


Variantes da Via XVII
Variante por Boticas até Chaves
A possibilidade de uma variante sul para Chaves, passando em Boticas, muito discutida no passado, tem vindo a perder consistência à medida que o traçado da via romana se consolida na "variante norte" pelo Concelho de Montalegre. Sem miliários ou outro qualquer vestígio viário indubitavelmente romano, resta descrever um hipotético caminho por Alturas do Barroso, passando em Atilhó e Carvalhelhos, atendendo ao Castro romanizado Castelo de Mouros, atravessando o Rio Beça na Ponte da Pedrinha, em ruína, seguindo depois por Carreira da Lebre, Alto da Esculca, Quintas até atingir Boticas. Depois de Boticas seguiria por Sapiões (ara a Júpiter na capela, hoje no Museu Rural de Boticas) até Sapelos onde entronca na via principal.

Variante norte da Via XVII entre Chaves e Bragança
 Durante muito tempo foi considerada uma variante Via XVII entre Chaves e Bragança que seguia a N por Lebução de modo a integrar 2 miliários achados na região de Vinhais. Esta solução está hoje praticamente descartada devido à ausência de vestígios concludentes. O itinerário apresentado que seria uma via secundária, termina assim na travessia do Rio Rabaçal na Ponte de Picões, onde entroncaria na via transversal Valpaços - Três Minas descrita abaixo. Partindo de Chaves rumaria à Ponte de Faiões (na foto) para passar a ribeira de Avelelas, subia a St. Estevão, passava na Ponte do Arquinho e seguia por Assureiras, talvez pela calçada do Souto Bravo e pelo sopé do Castelo de Monforte em Águas Frias (habitat em Aguatões), continua pelo planalto por Breia, Jaguintas, Calhelhas das Presas e Baixinha das Presas até à Igreja paroquial da Bobadela, junto do Povoado de Cigadonha, continuando pela chamada "Estrada" que atravessa a povoação e segue por Souto das Almas, Sítio da Estrada e Fraga das Antas, passando a N de Nozelos, continua por Lebução e Vilartão , onde toma o caminho que passa no Terreiro do Marco, Fraga do Clero, Lombinho das Cruzes e Qta. dos Picões, descendo à Ponte de Picões sobre o rio Rabaçal, onde entroncaria na referida via transversal. Há referências bibliográficas a um miliário de Sta. Cruz, mas é problemático porque está desaparecido e não se sabe se seria na freguesia de Sanfins ou de Outeiro Seco)




                   
Via transversal à Via XVII:
Atendendo à localização de uma série de miliários na região de Valpaços e de Vinhais que parecem alinhar uma via transversal no sentido NE-SW que cruzava com a VIA XVII na aldeia de Sá, a ocidente de Valpaços, é possível equacionar um itinerário entre Castro de Avelãs e a Região Mineira de Três Minas que além de integrar esses miliários permite um percurso que não necessita de atravessar os principais rios da região. Este itinerário resulta da anulação da tradicional Variantes norte da via XVII. Desta forma integrei esses miliários nesta via ao contrário de Colmenero que prefere integra-los na própria Via XVII, "forçando" a via a fazer um desvio para N em Edrosa para poder passar em Vinhais e Soeira quando existe um caminho mais directo para Castro de Avelãs. Entretanto a dúvida permanece porque não seria estranho que estes miliários tivessem sido deslocados para ali ou podiam mesmo pertencer a uma outra via ainda desconhecida.

Castro de Avelãs (percorria a VIA XVII até Formil, rumando aqui à direita para Fontes e Portela, em direcção à travessia do rio Baceiro na Ponte de Castrelos)
Soeira (da ponte segue por Prainas e Igreja Velha até Vilar, junto à Capela de S. Sebastião, provável mutatio onde apareceu um miliário já transformado em sarcófago e ilegível, hoje no MAB com o n.º 1566; passa a aldeia de Soeira e desce durante 1 km até rio contornando o Castro da Ponte)
Ponte Velha de Soeira sobre o rio Tuela, (18 m, 2 arcos;)
Ponte de D. Marinha sobre a ribeira de Padornelo
Vila Verde (provável mutatio de apoio à via no Forte de Modorra; sai pela EN103 e logo depois desvia à direita e logo à esquerda pela calçada já destruída na encosta do Castro da Cidadelha)
Vinhais (Argote refere um miliário atribuído a Maximino indicando a milha C[...] entretanto desaparecido; segue entre os altos da Portela e do Pinheiro)
Travessia da ribeira das Trutas no Pontão
Sobreiró de Baixo (contorna o Monte da Circa pela vertente N, sobe até Cruz das Cortes na EN103 e segue pela portela entre o Monte da Forca e o Alto da Madorrinha)
Curopos (EN103; passa em Souto Escuro, onde terá existido um miliário, Estalagem de Cima e de Baixo)
Valpaço (EN103; por Pedra Mourisca, Breia e Fonte do Mau Nome)
Ponte Romano?-Medieval de Picões sobre o rio Rabaçal, Bouçoães (estava em ruínas e hoje está submersa)
Bouçoães (2 miliários anepígrafos provenientes das ruínas Casa da Abadia antiga casa paroquial, hoje guardados na J. F.; povoado em Outeiro)
Lampaça (pelo sopé do povoado da Sra. da Ribeirinha)
Tortomil (povoado em Vale de Fetos/Fetais; segue pelo Alto da Fraga do Marco)
Fiães (possível miliário aparecido no Vicus de Muradelhas, antiga Vagornia com base numa ara dedicada a Júpiter pelos Vicani Vagornicenses, hoje no MRF; possíveis variantes como Lavagornia/Lovagornia/Tovagornia)
Tinhela (calçada e Ponte Romana?)
Alvarelhos (calçada)
Lama de Ouriço (miliário a Magnêncio; desaparecido)
(onde cruza com a Via XVII)
Valelongo (miliário anepígrafo entretanto deslocado para o exterior dum armazém em Vilarandelo)
Ervões
Lamas
Monsalvarga (miliário anepígrafo na berma da estrada que passa na aldeia; calçada)
Vassal (fragmento de miliário numa casa particular; povoado no Castro de Cidadonha; segue até à EN206; no Lugar do Regueiral em Sanfins, há uma inscrição rupestre que delimitava os povos Treburi e Obili)
Argeriz (calçada entre o Castro de Ribas e o santuário de rupestre de Pias de Mouros, passando na Ponte do Regato do Pereiro; ara aos Lares Cusicelenses)
Argemil (travessia do Rio Curro talvez em Vargens; depois seguiria para Três Minas)
  • Ligação a Vila Pouca de Aguiar, a via poderia continuar até Vila Pouca de Aguiar, cruzando com a Via Chaves - Douro
  • Ligação de Vila Pouca ao Douro, é possível a continuação da via pela margem direita do rio Corgo em direcção a uma travessia mais a jusante do rio Douro, próximo de Cidadelhe (Mesão Frio), troço que está descrito no Itinerário Vila Pouca - Cidadelhe.

Região Mineira de Três Minas (Metallum Albucrarense de Plínio):
De Argemil até ao centro mineiro de Três Minas o traçado não é claro devido aos muitos caminhos de servidão para escoamento do minério, no entanto é possível que a via seguisse até aos povoado mineiro da Veiga de Samardã seguindo por Nozedo, S. João da Corveira e Rio Bom (EN206). As minas romanas estão dispersas por Três Minas, Jales, Ribeirinha, Lago Pequeno e Covas. A SW do Corte de Covas fica o povoado mineiro da Veiga de Samardã com vestígios de habitações e de um canal de água proveniente de duas barragens em Tinhela de Baixo para abastecimento do povoado e lavagem do minério.

Campo de Jales (passa junto às Minas de Jales e segue pela EM567)
Cerdeira (troço de via romana)
Vreia de Jales (a EM567 passa na Ns. da Saúde, Monda e Cruz da Vreia, onde segue à direita para o centro da povoação)
Barrela, Vreia de Jales (calçada passa a poente por Milhapão e Marco, onde está a interessante estátua-estela de Jales)
Ponte Romana do Arco sobre o rio Pinhão, 1,2 km a SE da Barrela, Vreia de Jales (vários indícios apontam para uma construção romana como os silhares almofadados no arco e estribos, o arco de volta perfeita e a pavimento feito em grandes lajes de pedra; continua pelo caminho do Tronquilho, Laje do Cavalinho, Fraga das Teixeiras e Lameiras com uma ponte antiga sobre a ribeira dos Carrojo)
Pinhão Cel, Torre do Pinhão (onde entronca com a via proveniente de Chaves para o Douro)


VIA NOVA - Itinerário XVIII (18)

Mapa



























































Braga (BRACARA) - Gerês - Astorga (ARTURICA) - Via Nova   CCXV milhas - 318.5 km
Item alio itinere a BRACARA ASTURICA m.p. CCXV
SALANIANA
AQUIS ORIGINIS
AQUIS QUERQUERNNIS
GEMINAS
SALIENTIBUS
PRAESIDIO
NEMETOBRIGA
FORO
GEMESTARIO
BELGIDO
INTERERACONIO FLAVIO
ASTURICA
m. p. XXI
m. p. XVIII
m. p. XIIII
m. p. XVI
m. p. XVIII
m. p. XVIII
m. p. XIII
m. p. XVIIII
m. p. XVIII
m. p. XIII
m. p. XX
m. p. XXX
A Geira ou Via Nova, é a via romana melhor preservada em Portugal e, caso único no mundo, conta com mais de 230 miliários ao longo do seu percurso até Astorga. No Itinerário de Antonino apenas é referida a mansio Salaniana em território nacional que será a aldeia de Travassos na freguesia de Vilar, Terras de Bouro já que aí foi encontrado um miliário precisamente indicando a milha XXI. Saindo de Braga a via dirigia-se a Amares depois de atravessar o Rio Cávado e ascendia por patamares suaves até à Portela de Sta. Cruz, onde penetrava no vale do Rio Homem acompanhando as vertentes setentrionais da Serra da Abadia. A partir daqui o traçado é todo feito em altitude, sem subidas ou descidas acentuadas até atingir Covide, onde penetra na Serra do Gerês, percorrendo os seu contrafortes orientais por Campo do Gerês e junto à barragem de Vilarinho das Furnas, até atingir a milha 34 na Portela do Homem onde entra em território Espanhol.

Está em marcha um projecto de reabilitação e promoção turística da via que inclui a sua promoção a Património Mundial. + info no site do projecto VIA NOVA

Ver aqui uma boa descrição de parte do trajecto.
Ver aqui os 35 miliários desta via da série do Padre Martins Capela.


Braga (BRACARA) (um miliário a Adriano que estava também no Campo das Carvalheiras indica CCXV milhas, ou seja, a distância total entre Bracara e Asturica pelo que marcaria certamente a milha zero da VIA NOVA, e está de acordo com as 215 milhas indicadas no Itinerário de Antonino, CIL II 4747; hoje está no MDS partido em dois com os ns.º 190.092 e 67.692; existem outros miliários provenientes do centro urbano que poderão estar relacionados com esta via como é o caso do miliário encontrado na Rua de Ns. do Leite, ou o da Casa do Passadiço na Rua Francisco Sanches; a via saía pelo extremo NE da cidade, talvez pelo largo de S. João do Souto, seguindo junto à Necrópole da Via Nova, no inicio da Av. Central, onde apareceu também uma ara dedicada aos Lares Viales, e seguia pela actual Rua de Chãs e depois pelo caminho que passa na Qta. do Igo e em Vila Aldos, a leste de Dume, em direcção ao Cávado)

Travessia do Rio Cávado (Celadus):
Como a Ponte do Porto é medieval e não havendo vestígios de uma ponte romana anterior, temos que recorrer à localização dos miliários existentes na zona para identificar o local de travessia. O problema é que estes miliários estão deslocados do seu local original pelo que tanto temos um miliário junto da Ponte do Porto, o miliário convertido em cruzeiro da Capela de S. Miguel-o-Anjo, como muito mais a poente, com o miliário do Pilar. No entanto os estudos mais recentes apontam para uma travessia a jusante da Ponte do Porto já na freguesia da Navarra, sendo que Sande Lemos coloca essa travessia na Barca de Ancêde, com uma provável mutatio em Bouça Alta, enquanto Colmenero propõe uma travessia um pouco mais a jusante nas Azenhas de Sta. Marta. Na sua saída de Braga, a via é citada em 911 num documento medieval que delimita a antiga diocese de Dume como «in via, quam dicunt de Vereda, qui discurret de Bracara», ou seja, pela via que chamam de vereda proveniente de Braga (in PMH, DC 17) pelo que é certo que a via passava algures por Dume, mas não sabemos ao certo o seu traçado pois os miliários foram deslocados pelo que se apresentam duas alternativas dirigindo-se às travessias do Cávado atrás referidas. (Ver Colmenero et alii, 2004; Sande Lemos, 2002; Carvalho, 2008).

  • Pela Barca de Ancêde/Bouça Alta: partindo de Braga, a via passa paralela ao cemitério pela Rua do Areal, Rua do Areal de Cima e Rua Rafael Bordalo Pinheiro, passa junto do Convento de Montariol, Capela das Sete Fontes (milha II), Pinheiro, hoje Rua da Calçada Romana, até atingir Adaúfe (milha III; villa na Qta. do Avelar), continua junto à Igreja Paroquial e segue por Redondo, Barreiro, Freire e Estrada, onde ficaria a milha IV, continuando por Cortinhal, Souto, Qta. do Coelho, onde seria a milha V, Salgueirinho até ao Lugar do Rio, atravessava o rio Cávado na Barca de Ancêde para Barreiros.
  • Pelas Azenhas de Sta. Marta: seguia a leste de Dume e por Palmeira (citada na mesma delimitação de Dume como Palmaria), indo atravessar o Rio Cávado nas Azenhas de Sta. Marta, subindo por Ponte e Paço até entroncar na variante por Ancêde em Barreiros.

Barreiros (referência a 4 miliários na Igreja, dois apareceram na Qta. do Agrolongo e um na Qta. da Pena?)
Carrazedo (miliário do Pilar, dedicado a Caro que hoje está numa pequena rotunda da aldeia do Pilar transformado em cruzeiro servindo também de marco divisório)
Campo da Bouça, Frecheiro, Caires (vicus e provável mansio da milha X num sítio conhecido por «Cidade de Biscaia»)

    Pela VIA NOVA até à Portela de Sta. Cruz
    Aqui começa um dos mais interessante troços da Geira Romana; partindo da Mutatio na «Cidade de Biscaia»/Campo da Bouça, a via seguia por Pousadas, Paço Velho, Castro, Tornadouro e Lugar da Geira, contornando o Monte de S. Pedro Fins, até confluir com a estrada moderna que vai para Paredes Secas, mas antes da descida à povoação, segue em frente pelo estradão de terra com restos ainda visíveis da calçada romana, ascendendo sempre por patamares suaves contornando a meia-encosta o Monte de Sta. Cruz pela sua vertente leste onde vencia a milha XIII junto do vicus e provável mutatio de Mojeje, Vila Cova, cujo nome latino poderia ser Viriocelum atendendo ao pedestal com uma inscrição ao Genius Viriocelensis que está no cemitério de Vilela; segue sempre em calçada até desembocar na estrada asfaltada que vai para a Portela de Sta. Cruz onde vencia a milha XIV.

    Os miliários foram todos deslocados para as sedes de freguesia, o miliário a Maximino e Máximo proveniente do lugar de Lama/Dornelas, junto da ribeira da Pala, está no adro da igreja paroquial de Paredes Secas e indica 12 milhas pelo que a milha XII era vencida nesse lugar e os miliários da milha XIII que estavam junto da mutatio de Mojeje, estão hoje em Vilela, o miliário a Tito e Domiciano indicando 13 milhas está no adro da igreja e o miliário anepígrafo está por detrás da igreja, no pátio de uma casa particular.

Portela de Sta. Cruz, Souto (milha XIV; 8 miliários; chegado ao asfalto, segue à direita, passando no largo da aldeia para onde foi deslocado um miliário anepígrafo, e logo a seguir à esquerda pelo estradão de terra junto à placa de término do concelho de Amares e assim entra no vale do rio Homem; logo a seguir aparecem os magníficos 7 miliários da milha XIV na Bouça do Padreiro; continua pelo estradão que passa a asfalto e no desvio para Barral, a via segue à direita para Chão de Cima e Reboredo)
Lampaças, Balança (milha XV no Bico da Geira ou Cantos da Geira; 4 miliários; miliário a Maximiano indicando 15 milhas, miliário a Caro e outro anepígrafo; 2 miliários desta milha, um a Magnêncio e outro talvez a Carino, estão hoje na CM de Terras do Bouro)
Teixugos, Chorense (milha XVI; miliário a Décio; Colmenero refere mais 3 miliários entretanto desaparecidos, Colmenero et alii, 2004)
Ribeiro de Cabaninhas, Chorense (milha XVII; 4 miliários a Heliogábalo, Caracala, Décio e Caro; recentemente apareceu um outro miliário a Maximiano)
S. Sebastião da Geira, Chorense (entronca na estrada que vem de Chorense e segue por Candelo)
Chã de Vilar, Chorense (milha XVIII em Minério; miliário a Tito e Domiciano in situ indicando 18 milhas; também seria daqui o miliário a Constâncio que hoje está na CM de Terras de Bouro; os vestígios do povoado romano que aqui existem, podem ser os restos da mansio SALANIANA embora o Itinerário indique a milha XXI e aqui são 18 milhas a Braga e os vestígios correspondem quando muito de uma mutatio; atravessa o ribeiro do Urzal e segue pelo Alto do Falanco, Barreiros e Alto do Bustelo)
Lajedos, Saim (milha XIX; 4 miliários; miliário a Tito e Domiciano onde se pode ler VIA NOVA FACTA e indicando 19 milhas; miliário a Caracala fragmentado; miliário anepígrafo deslocado para a aldeia de Moimenta Nova onde suporte uma varanda junto à igreja; seria desta milha um miliário anepígrafo que hoje está na CM de Terras de Bouro)
Podrigueiras, Saim (milha XX junto ao Penedo dos Ladrões; 2 miliários, um a Carino e outro a Adriano indicando XX milhas; atravessa o ribeiro da Pala da Porca)

SALANIANA, mansio a 21 milhas de Bracara Augusta, deveria situar-se na zona de Travassos pois aqui apareceram 2 miliários in situ, um miliário a Heliogábalo indicando precisamente 21 milhas a Braga, CIL II 4805 e o miliário a Caro, CIL II 278 ; a mansio poderio ficar junto de um dos povoados romanos conhecidos, no lugar do Pontido a leste e no lugar de Chã de Vilar, 3 milhas para sul.

Travassos, Vilar (milha XXI na Pontelha da Geira; daqui segue por Espigão e passa o ribeira do Fojo)
Ervosa, Santa Comba, Chamoim (milha XXII; 2 miliários in situ, um a Carino e outro a Adriano indicando precisamente a milha 22, CIL II 4806; um terceiro miliário foi levado daqui e transformado no cruzeiro que está defronte da Igreja Paroquial de Chamoim em Lagoa)
Esporões, Chamoim (milha XXIII; 4 miliários; miliário a Tácito, miliário talvez a Juliano e 2 miliários anepígrafos; há referências a um miliário a Adriano, e outro a Constâncio II desaparecidos)
Padrós (milha XXIV no caminho para Cabaninhas; miliário a Maximino e Máximo; referência a mais 4 miliários desaparecidos; cruza com a EN307 e segue entre esta e o ribeiro da Roda até Sá onde reencontra a EN307)
, Covide (milha XXV; miliário a Décio transformado em cruzeiro enterrado invertido à entrada da povoação; a via continua para Covide pela estrada actual, EN307 até Covide)
Covide (mansio?; miliário a Décio na Rua da Carreira, CIL II 4812, como pilar de um alpendre de uma casa, mas proveniente da milha XXVI em Várzeas, e logo depois no Outeiro do Rei, um miliário a Adriano já sem inscrição e transformado em cruzeiro; pelo caminho da Junceda chega-se ao ainda mais antigo Castro da Calcedónia; à entrada da aldeia a via continuava pela estrada de terra que passa no lugar do Monte)
Várzeas, Jeirinha, Covide (milha XXVI; miliário a Constâncio I Cloro aparecido no Campo do Saganho; a via atravessa a Veiga da Santa Eufémia, passa a milha no lugar das Várzeas e segue o ribeiro até confluir na EN307)
Costa do Cruzeiro (milha XXVII na Carvalheira; miliário a Magnêncio indicando a milha 27 na berma esquerda da estrada na linha que separa Covide de Campo do Gerês, cruzando a EM533; referência a um miliário a Tito e Domiciano desaparecido)
Cruzeiro de S. João do Campo, Campo do Gerês (a base do cruzeiro é um Miliário a Décio indicando também a milha 27 pelo que foi deslocado da Costa do Cruzeiro/Carvalheira; há ainda referência a um outro miliário a Vespesiano, CIL II 4814, que indicava também 27 milhas, mas hoje desaparecido; a via continuava pela estrada actual e um pouco mais à frente aparece outro miliário ilegível na berma direita)

Leira dos Padrões, Campo do Gerês (milha XXVIII no sítio da Leira dos Padrões, nas traseiras da igreja; provável mutatio de apoio à via no lugar do Sagrado ou Adro Velho em Veiga de S. João; um miliário a Caro está dentro do jardim de uma casa particular à entrada da povoação; fragmento de um miliário indicando a milha 28 e outro miliário anepígrafo encastrados em paredes de casas da aldeia; fragmento de miliário na Leira do Cotelo, no lugar do Porto do Carro a N da aldeia; Argote refere um miliário a Magnêncio neste local e em 1728 o P. Matos Ferreira mencionou mais 2 miliários neste local todos desaparecidos; a via continua pela estrada actual em direcção a Vilarinho das Furnas e antes de descer à barragem segue à direita pelo estradão de terra actual que foi construído a uma cota superior devido à construção da barragem que deixou a via submersa)

Bouça do Gavião (milha XXIX em Padrões da Cal; 13 miliários; como a via ficou submersa, foram deslocados para Sarilhão na estrada actual)
Bouça da Mó (milha XXX; 2 miliários e recentemente apareceu mais um miliário a Maximiano; provável mutatio na margem esquerda do ribeiro da Mó)
Bico da Geira (milha XXXI; 21 miliários junto ao ribeiro do Pedredo; vestígios da antiga pedreira que serviu para o fabrico dos miliários)
Volta do Covo (milha XXXII; 22 miliários, a Adriano, Maximino e Máximo, Caro, Magnêncio, etc)
Ponte Romana sobre a ribeira de Maceira (só vestígios)
Ponte Romana sobre a ribeira do Forno (só vestígios)
Albergaria (milha XXXIII; 20 miliários; poderia partir daqui uma outra via que rumava a leste atendendo ao miliário que apareceu no Borrageiro indicando 28 milhas correspondente à distância medida entre estes lugares)
Ponte Romana de Albergaria/Ponte Feia sobre a ribeira de Leonte (da ponte em ruínas a via segue entre o rio Homem e a estrada actual)
Ponte Romana sobre a ribeira de Monsão (vestígios)
Ponte Romana de S. Miguel sobre o rio Homem (a via segue até à estrada nova na Cruz do Pinheiro)

Portela do Homem (milha XXXIV; 9 miliários, a Caracala, Tito, Décio, Domiciano, Magnêncio, Maximino e Máximo, Nerva e Adriano, um dos quais indica reparações da via na frase vias et pontes temporis vetustate conlapsos restituerunt; talvez fosse a fronteira entre os Bracari e os Quarquerni; ver a discussão do traçado neste ponto)
Lama do Picón, Parque do Xurés, Lobios (milha XXXV; 9 miliários deslocados para uma zona de recreio junto à estrada actual; no sítio original da milha resta um miliário)

Continuando em direcção a Astorga:
Entra na Galiza e desce ao vale do rio Caldo, continuando por Torneiros, Vila Meã, seguindo a margem esquerda do rio Lima até AQUIS ORIGINIS a segunda mansio referida no Itinerário de Antonino que fica em Baños del Rio Caldo. Na sua rota até Astorga, a VIA NOVA tinha as seguintes estações ou mansiones.
Baños del Rio Caldo (AQUIS ORIGINIS) (miliário da milha XXXIX, 39)
Ponte Romana Pedriña sobre o rio Lima (submersa pela albufeira das Conchas; um pouco mais à frente uma derivação ligava a Lugo)
Baños de Bande (AQUIS QUERQUERNNIS) (miliário da milha LIII, 53; o miliário da milha 51 está na Igreja Visigótica de Sta. Comba de Bande como pia baptismal)
Sandiás (GEMINAS) (milha LXIX; miliários em Vilariño das Poldras e Zadagos)
Xinzo da Costa, Xinzo (SALIENTIBUS) (milha LXXXVII, 87)
Vilamaior, Castro Caldelas (possível localização de PRAESIDIO) (junto à Igreja; milha CV)
Mendoia (NEMETOBRIGA) (milha CXVIII, 118)
Ponte Romana de Bibei (magnífica construção romana; os miliários indicam 84 milhas a Astorga, ou seja, 131 milhas a Braga)
Pobra, Valdeorras (FORO) (milha CXXXVII, 137)
Portela de Aguiar (GEMESTARIO) (Vale do rio Sil; milha CLV, 155)
Cacabelos (BERGIDO), El Bierzo (junto ao cemitério; milha CLXVIII, 168)
Bembibre (INTERERACONIO FLAVIO) (atravessa os Montes de León; milha CLXXXVIII, 188)
Astorga (ASTURICA) (total percorrido CCXV milhas, ou seja, 318 km desde Braga)

Itinerário XX (20)

Mapa










Braga (BRACARA) - Lugo (LUCUS) - Astorga (ARTURICA) chamada per loca maritima
Item per loca maritima a BRACARA ASTURICAM usque
AQUIS CELENIS
VICO SPACORUM
AD DUOS PONTES
GLANDIMIRO
TRIGONDO
BRIGANTIUM
CARANICO
LUCO AUGUSTI
TIMALINO
PONTE NEVIAE
UTTARI
BERGIDO
ASTURICA
m. p. CLXV
stadia CXCV
stadia CL
stadia CLXXX
m. p. XXII
m. p. XXX
m. p. XVIII
m. p. XVII
m. p. XXII
m. p. XII
m. p. XX
m. p. XVI
m. p. L
Ao cognominar este itinerário de per loca maritima, o Itinerário de Antonino sugere uma rota por via marítima. Para além do nome, há outra pista neste itinerário que reforça esta teoria quando indica as distâncias a partir de Aquis Celenis não em milhas mas em Stadia (um estádio equivale a 184.7 m) que era uma unidade habitualmente usada em trajectos marítimos ou fluviais (Mantas, 1997). Assim, a partir de Aquis Celenis o itinerário seguiria por via marítima com paragens nos portos de Vico Spacorum, Ad Duos Pontes e Glandimiro, tomando depois novamente a via terrestre em direcção a Lugo (Lucus Augusti, onde reencontra a Via XIX, seguindo depois por percurso comum até Asturica. Seria muito provavelmente uma via comercial, para transporte de mercadorias pesadas, o que é uma notável demonstração da organização económica na era romana. O percurso inicial em território português é alvo de grande controvérsia sem que se tenha chegado ainda a um consenso definitivo. A primeira hipótese é admitir um percurso comum à Via Romana XIX até Aquis Celenis, tendo por essa razão o itinerário omitido as estações iniciais em território nacional. Este facto não é caso único no Itinerário de Antonino que omite por exemplo as estações iniciais entre Lisboa e Santarém quando descreve o Itinerário XIV Lisboa-Mérida pois estas estão já indicadas tanto no Itinerário XV como no Itinerário XVI. Mas esta hipótese tem o problema da falta de consistência entre a distância indicada neste itinerário, 165 milhas (cerca de 244 km) e o somatório das distâncias intermédias do Itinerário XIX até Aquis Celenis que perfaz um total de 99 milhas (cerca de 147 km). Sendo assim, não é possível descartar completamente um percurso alternativo em território Português quer seja por via terrestre quer fluvial.

No entanto, como até hoje não foi encontrado nenhum miliário que possa ser atribuído a esta via, a existência de uma rota terrestre alternativo é muito duvidosa, até porque todas as outras vias que partiam de Braga estão pontuadas por inúmeros miliários ao longo do seu percurso. O miliário de Chamosinhos que apareceu num quinteiro da Igreja de S. Pedro da Torre e que muitos autores atribuem a esta via, é na verdade um miliário deslocado do Itinerário XIX que passa a apenas 6 km de Chamosinhos, e como indica 36 milhas a Braga, o seu local original seria junto a Capela de S. Miguel em Fontoura local onde comprovadamente a Via XIX vencia a milha 36. Assim, resta a alternativa fluvial que partindo do porto fluvial de Braga em Areias de Vilar seguia depois o curso navegável do rio Cávado até à sua foz em Esposende, seguindo depois por via marítima até Aquis Celenis. Apesar da aparente inexistência de uma via militar pelo litoral Português, existem muitos itinerários romanos que interligavam os povoados da região e serviam a sua actividade económica que estão descritos abaixo. (Ver Almeida CAF, 1968, 1969; Almeida CAB, 1979, 1980, 1986, 1996; Colmenero et alii, 2004; Maside, 2001)

de Braga a Areias de Vilar
Braga (partindo do forum no Largo Paulo Orósio, seguia a decumanus aproximadamente pela Rua de S. Sebastião até à Rua Padre Cruz)
Ferreiros (pela Rua de Naia, antiga calçada)
Cabreiros (segue pelo sopé do Castro do Monte das Caldas, por Venda e Pousada até Porto Martim)
Martim (villa na Igreja, provável mansio)
Encourados (villa? na Casa do Adro em Assento; desvia por Vilarinho; tegulae nas capelas de Stª Maria Madalena e de S. Sebastião)
Areias de Vilar (calçada; ara na Igreja de S. João Baptista)

Alternativas a partir de Areias de Vilar:
  • Atravessar o rio Cávado na Bouça da Barra, seguindo por Manhente (Assento) em direcção a Ponte de Lima por dois traçados distintos, um dirigindo-se à travessia do rio Neiva na Ponte do Anhel e outro rumava a poente para ir de encontro à via que fazia a travessia do rio Cávado a jusante de Barcelos, rumando depois a norte para a travessia do rio Neiva na Ponte das Tábuas.
  • Seguir por via fluvial ao longo do rio Cávado até à sua foz entre Esposende e Fão, para depois rumar à Galiza por mar.
  • Seguir por via terrestre ao longo do rio Cávado até Fão, cruzando com a via proveniente de Famalicão e que vinha atravessar este rio em Sta. Eugénia do Rio Covo e a via proveniente do Porto ou Karraria Antiqua que fazia a travessia do rio Cávado na Barca do Lago, já próximo da sua foz.

de Areias de Vilar a Ponte de Lima pela Ponte de Anhel
É provável que tenha origem romana a ligação entre esta travessia do Cávado em Areias de Vilar e Ponte de Lima, partindo de Manhente (Assento), seguia por Galegos e pelo sopé da Alto do Facho, onde se localiza a Citânia de Roriz/Cidade de Canhoane (Oliveira), S. Pedro de Alvite (Igreja), Alheira (atalaia em S. Lourenço; povoado no Monte de Lousado; ara na Casa Paroquial de S. Martinho de Alvite), para ir atravessar o rio Neiva na Ponte Medieval de Anhel, seguindo depois um traçado próximo da EN306 até Ponte de Lima, onde entronca na via XIX proveniente de Braga.

de Barca do Lago a Caminha pela Ponte de Tourim
Hipotético itinerário ligando a travessia do rio Cávado na Barca do Lago à travessia do rio Lima em S. Salvador da Torre, podendo continuar até Caminha pela Ponte de Tourim.
Travessia do Rio Neiva (onde? em Breia? vinda de Aldreu/Monte Castro?)
  • Hipotética ligação a Viana do Castelo passando em Alvarães, Vila de Punhe (pelo vale do Castro romanizado do Cotorinho, por Igreja, Qta. da Portela, Sabariz) e Darque.
Portela de Susã (por Igreja, Paçô)
Subportela (passaria no sopé da vertente leste do Castro romanizado do Santinho ou de Roquese pelo habitat em Paço)
Deocriste (no sopé da Sra. do Castro por Igreja e Aldeia)
Deão (Villa na Igreja Paroquial, no sopé da Cividade de Deião)
Travessia do Rio Lima entre Deão e S. Salvador da Torre (segue por Breia?)
Vila Mou (Monte da Cividade; vicus mineiro relacionado com as minas de estanho em Rasas e Mata; Villa do Passal, nó rodoviário)
S. Paio de Meixedo (minas romanas de ouro e estanho em Vale das Covas e Mata das Cortas)
Vilar de Murteda (minas romanas de ouro e estanho em Folgadouro e Bouça da Breia, topónimo viário)
Amonde (casal na encosta do Alto das Folgueiras; seria mutatio?; passa no sopé do Castro romanizado do Alto da Coroa; minas de ouro e estanho em Folgadouro e Bouça da Breia)
Ponte Romano?-Medieval de Tourim, Amonde sobre o rio Âncora (1 arco)
A ligação a Caminha poderia passar em Orbacém, Gondar, Azevedo (por Paço) e Venade (Castro romanizado do Alto do Coto da Pena em Vilarelho, sobre a cidade) até Caminha

de Famalicão a Barcelos
Provável ligação entre Famalicão e Barcelos com base na referência a uma «karraria antiqua» em Sta. Eulália do Rio Covo (in PMH, DC 13); a via deveria seguir o vale do rio Covo por Minhotães (ara da igreja no Museu Pio XII), Viatodos (por Souto e Qta. da Fonte Velha) e Monte de Fralães (na base do importante Castro romanizado do Monte da Saia/Cividade do Lenteiro; villa em Paço; ara na Qta. da Honra) e por Sta. Eulália do Rio Covo (vicus em torno da Capela da Sra. de Águas Santas, alusão à estação termal romana que ali existia), continuando depois por S. Bento da Várzea (villa em Assento; povoado no Outeiro do Castro em Airó) para ir atravessar o rio Cávado junto de Sta. Eugénia do Rio Covo, a montante de Barcelos. (ver Almeida, 1968)
  • Eventual derivação desta rota para o Castro de Penices junto do qual poderia transpor o rio Este seguindo depois para Rates de encontro à via proveniente do Porto em direcção a Barcelos.

de Barcelos a Ponte de Lima pelo Vale da Facha
Esta antiga estrada deverá ter origem romana atendendo aos imensos vestígios romanos ao longo do seu trajecto pelo que seria uma via secundária que interligava os rios Cávado e Lima pelo Vale da Facha, seguindo um traçado próximo da EN204 até Ponte de Lima. No Casal romano de Maria Velha poderia existir uma mutatio pois aqui a via bifurca, seguindo a via para Ponte de Lima por Facha e Correlhã enquanto o outro ramo seguia pela Sra. da Rocha em direcção à Barca de Vitorino das Donas. (Almeida, 1990, 1996, 2003; Brochado, 2004). Partindo da travessia do rio Cávado a jusante de Barcelos, a via ia atravessar o rio Neiva na Ponte das Tábuas (ponte já documentada em 1135 com possível origem romana) e seguia pelo Vale da Facha até à Correlhã, onde se achou um miliário, mas que para já foi atribuído à Via XIX visto ser o ponto de confluência das duas vias. Entre o rio Cávado e o rio Neiva o traçado é inseguro, mas poderia ser o seguinte:

Abade de Neiva (pelo sopé do Castro romanizado do Monte Facho/Alto da Torre, passando em Breia e junto da Villa da Qta. do Castelo, milha II?)
St. Leocádia de Tamel (na Igreja, milha III?)
Carapeços (seguindo pela vertente nascente do Monte de Tamel por Caride/Igreja e Minhotas no lugar de Picarreira, na base do Castro romanizado)
S. Pedro de Fins (milha V?; segue pela Sra. da Portela, passando na base do Castro de S. Simão, o «mons cossoirado» citada num documento de 1064 que refere também a karraria antiqua que ali passava (in PMH, DC 443)
Ponte das Tábuas sobre o rio Neiva (casal na Qta. das Giestas; milha VIII?)
Balugães (milha IX?; segue a meia-encosta por Laje e Mó, no sopé dos Castros romanizados da Sra. da Aparecida e da Citânia de Carmona)
Poiares (milha X?; segue a poente da povoação pela vertente nascente da Serra da Padela, passando em Lajes e junto do povoado do Sabugueiro)
Vitorino de Piães (milha XII?; passa na base do Povoado de S. Simão e do Castro romanizado do Alto das Valadas/Trás da Cidade)
Portela, Facha (milha XIII?; desemboca na EN, saindo pouco metros depois à esquerda para Albergaria)
Maria Velha, Facha (milha XIV?; provável mutatio localizada junto da bifurcação da via)
  • Diverticulum pela Sra. da Rocha: junto da mutatio em Maria Velha, derivava um ramal que seguia pela vertente poente do Vale da Facha pela margem esquerda do rio Tinto, passando junto da Villa de Paço Velho, na base do Castro romanizado de St. Estevão/Capela da Sra. da Rocha, seguindo depois pela Corredoura e Qta. da Pousada até Vitorino das Donas, atravessando o rio Lima no luga da Barca, podendo continuar para norte ao longo da margem direita da ribeira de Estorãos.
Facha (a via passa a poente da EN pelo Caminho de Santiago, bordejando os sítios romanos da Cividade e Frei, passa na Capela de S. Sebastião e junto da Villa do Prazil, a 1 milha de Maria Velha, talvez a milha XV, próximo dos sítios romanos de Mende, Mangas e Tiandes, continuando por Sobreiro, milha XVI?)
Correlhã (segue junto do Castro romano do Eirado/Anta, milha XVII?, Tesido, Villa do Paço/Travasselas, Pregal, Castro romanizado de S. João, possível mutatio, antes do rio Trovela talvez na milha XVIII?)
Travessia do rio Trovela (junto do Castro romanizado da Ns. da Conceição, talvez em Agra, onde apareceu o tal miliário, seguindo depois por Santa Luzia)
Ponte de Lima (a 20 milhas de Barcelos; conflui com a VIA XIX proveniente de Braga)

de Ponte de Lima a Caminha pela Ponte de Estorãos
O caminho antigo que passa na interessante Ponte de Estorãos (junto das minas de Casais; na Igreja Paroquial apareceu uma ara dedicada ao Genio Tiaurauceaico por uma originária de Talabriga, hoje no MNA) e na Ponte do Arquinho em Pica, ambas com possível origem romana, poderá corresponder a uma via secundária que seguia para norte pela Portela de Cabração (passando em Breia e Poldras) de encontro à Via XIX ou rumar a Caminha atravessando a Serra d'Arga (Monte Medúlio?) por Gafarim, Cerquido, Arga de Cima, Gandara, Arga de Baixo, Corga e Arga de S. João (EM552).
  • Hipotética ligação a Viana do Castelo, pelo margem direita do rio Lima, passando em Lanheses (Cividade; minas de estanho em Cova Alta/Olas e Alto da Mouras e de ouro em Bouça do Moisés) e no vicus mineiro de Vila Mou.

de Caminha a Valença
Itinerário medieval de ligação de Caminha a Valença pela linha de costa que poderá ter origem romana, atendendo aos vestígios romanos ligados à actividade portuária e mineira.
Argela
Travessia do Rio Coura (na Ponte Medieval de Vilar de Mouros?)
Vila Nova de Cerveira
Lovelhe, Vila Nova de Cerveira (Castro romanizado do Forte de Lobelhe, provável vicus portuário romano, porto fluvial do Rio Minho para escoamento do minério da mina romana de estanho no Couço do Monte Furado em Covas; espólio na C. M. de Cerveira)
Chamosinhos, S. Pedro da Torre (num quinteiro junto à igreja, foi descoberto o miliário de Chamosinhos)
Ponte Medieval sobre a ribeira de Insuas, no lugar da Ponte
S. Pedro da Torre
Ponte Medieval da Veiga da Mira sobre a ribeira de Mira (1 arco; junto à linha CF)
Cristêlo-Côvo
Valença (entroncando assim na VIA XIX Braga-Valença)

Itinerário Braga-Mérida

Mapa












Braga (BRACARA) - Freixo (TONGOBRIGA) - Idanha-a-Velha (IGAEDITANIA) - Mérida (EMERITA)
Embora ligue dois importantes centros urbanos, este itinerário não vem mencionado no Itinerário de Antonino o que tem colocado muitas dificuldades para levantar o seu percurso. O problema começa logo depois de Braga na passagem do rio Vizela com 3 pontes possivelmente de origem romana e complica-se ainda mais na travessia do Douro que sendo uma zona intensamente romanizada e num terreno difícil, contém uma grande diversidade de itinerários, não se sabendo se uma delas poderia ser chamada de via principal, caso existisse essa distinção. Existem 4 miliários a N do Douro relacionados com esta via, um em S. Martinho de Sande indicando o ponto de passagem da via na zona de Guimarães, e os miliários relacionados com a cidade romana de Tongobriga em Marco de Canaveses, com dois miliários junto à civitas, em Tuías e na aldeia do Freixo, e os miliários de Soalhães e da Carreirinha que marcam o trajecto em direcção rio Douro. A partir do rio Douro, o traçado da via é ainda mais obscuro. Deveria seguir por Castro de Daire até à civitas de Viseu, o principal caput viarum das Beiras, mas destes caminhos só se conhecem vestígios já próximo de Viseu. Já a partir de Viseu, o traçado é pontuado por alguns miliários, seguindo por Mangualde para depois ultrapassar a Serra da Estrela pelo caminho que vai de Folgosinho até Famalicão da Serra, já na vertente leste da serra. A partir daqui a abundância de calçadas e miliários torna o percurso mais claro, seguindo na direcção da Ponte Romana de Alcântara, o grande monumento viário da Hispânia romana ainda de pé, onde atravessa o rio Tejo, seguindo depois para Mérida. Para ultrapassar as muitas incertezas no percurso, o itinerário é apresentado por troços: de Braga a Viseu, Viseu e Famalicão da Serra (atravessando a Serra da Estrela) e finalmente de Famalicão da Serra a Mérida (Dias, 1987, 1996, 1997, 1998)

Braga (Bracara) - Guimarães
Braga (BRACARA AUGUSTA)
(a via sairia pela porta sudeste da cidade próximo da Necrópole da Rodovia ou da Necrópole de S. Lázaro na zona da actual Qta. do Fujacal e seguia por Fraião)
Serra da Falperra (pela portela?; Castro romanizado do Monte de Sta. Marta das Cortiças; desce talvez por Entre-Águas e Carreira)
S. Lourenço de Sande (topónimo «Estrada Velha»; seguia por Lapa, Quatro Irmãos e Pontes)
S. Martinho de Sande (na casa paroquial apareceu o miliário a Trajano? talvez a milha XVIII, hoje no Museu Martins Sarmento com o n.º 78; a mutatio poderia ser um pouco antes, em Quatro Irmãos, antiga estação viária; passa o rio em Pontes e segue por Lameiras e Alvite)
Caldas das Taipas, Caldelas (Vicus termal e viário; calçada; ver importante inscrição na Ara de Trajano)
Travessia do rio Ave (Avo) (na zona da Ponte das Taipas ou mais a jusante na Ponte de Campelos; continuar pela EN101)
S. João da Ponte (calçada no Monte da Insua)
Ponte Romano?-Medieval de Roldes, Caneiros, Fermentões sobre a ribeira do Selho (a montante da ponte nova na EN101)

Guimarães (na idade média entrava pela Porta de Sta. Luzia ou Porta de S. Bento; além do referido miliário de S. Martinho de Sande, o Museu Martins Sarmento guarda mais 5 miliários encontrados perto de Braga, 2 miliários pertencentes à Via XIX - Braga-Valença da Ponte do Prado (nr. 77) e da Qta. de Germil (nr. 82) e 3 miliários trazidos da Qta. do Cravinho em Braga, local onde foram agrupados pelo que não se sabe a que via pertenciam: o miliário a Marco Aurélio e a Cómodo (nr. 79), o miliário a Constantino I, regravado por Constâncio II, indicando 36 milhas (nr. 80), e o miliário a Valentiano I e Valente (nr. 81))

Outras Vias que partiam de Guimarães
A partir de Guimarães o traçado da via principal para Mérida não está identificado devido à complexidade da rede viária nesta região. A existência de 3 pontes sobre o rio Vizela com provável origem romana (S. Martinho do Campo, Caldas de Vizela e Vila Fria), indiciam 3 possíveis traçados em direcção ao rio Douro, mas atendendo à importância da civitas Tongobriga em Marco de Canaveses, é mais plausível que a via principal seguisse por aí em direcção ao rio Douro, trajecto aliás pontuado por alguns miliários. No entanto é provável a existência de ligações a Cale, itinerário descrito na Via Vimaranes a partir do Porto, a Magnetum em Meinedo e daqui à Civitas Anegia, assim citada na documentação medieval e hoje localizada em Eja (em Entre-os-Rios, na foz do rio Tâmega, a Villa Banius no ano 1047, in PHM, PMH, DC Doc. 357) onde poderia fazer a travessia do rio Douro. Também deveria existir uma ligação pelo vale de Paços de Ferreira até Paredes, talvez no Castro romanizado do Muro em Vandoma, entroncando na Via Cale - Tongobriga por Valongo.

    de Guimarães à Ponte de Negrelos em S. Martinho do Campo
    Na idade média saía de Guimarães pela Porta da Torre Velha, passava junto a S. Francisco e aos Pelames, seguindo depois aproximadamente a EN105 por Creixomil (pela Ponte Romano?-Medieval da Pisca; inscrição funerária, CIL II 5554), Nespereira e Conde (Povoado no Monte do Ladário, Gandarela), desviando ao km 36 pela Rua das Paredes Alagadas e Rua da Ponte para ir atravessar o rio Vizela na
    Ponte Romana de Negrelos, São Martinho do Campo, sobre o rio Vizela (com 3 arcos e reconstruída com muito material romano, em particular nos arcos onde são visíveis as marca de fórfex; ara dedicada à divindade ABNA)
    Vias partindo da Ponte de Negrelos:
    • Uma rumava a sudoeste na direcção de Cale passando próximo da Citânia de Sanfins e do Monte Córdova descrito na Via Vimaranes.
    • Outra seguia para sudeste em direcção a Lousada, seguindo por Vilarinho (tesouro), Burreiros, Costeira, Mosteiro, Estrada, Paradela e Lustosa, onde entronca no itinerário Guimarães-Vizela-Meinedo descrito abaixo.

    da Ponte de Negrelos a Paredes
    Partindo da Ponte de Negrelos seguia na direcção de Sanfins de Ferreira por Arnozela e Escorregoura, podendo seguir depois por Sta. Maria de Negrelos e Samoça ou por S. Mamede de Negrelos, Codessos (Castro no Monte do Socorro) e Lamoso.
    Sanfins de Ferreira (ver Museu Arqueológico da Citânia de Sanfins)
    Eiriz (necrópole de Isqueiros; segue a EM513 pra Trindade)
    Bouçós, Meixomil (necrópole aqui e na Devesa Grande; segue por Padrão)
    Cô, Penamaior (segue por Escariz até S. Brás junto aos Castros romanizados de Vila e Bustos)
    Frazão (povoado e calçada no Crasto de S. Brás; necrópole na Boavista)
    Lordelo (EN209; villa em Arreigada)
    Travessia do Rio Ferreira na Ponte Romana? das Penhas Altas, Lordelo (2 arcos)
    Rebordosa (por S. martinho e Aboim; topónimo Rua da Ponte Romana)
    Astromil, Paredes (entroncando na Via Cale - Tongobriga)

    De Guimarães a Meinedo (Magnetum) pela Ponte de Vizela
    Este itinerário faz a travessia do rio Rio Ave na chamada «Ponte Romana» de Vizela (a Oculis romana) que apesar da sua configuração medieval ainda conserva um arco na parte seca que parece ser de construção romana (Almeida CAF, 1968); O itinerário continua pelo concelho de Lousada rumo ao importante vicus de Magnetum situado junto a Meinedo, antiga sede de um bispado suévico, descendo depois em direcção à travessia do rio Douro em Eja/Entre-os-Rios passando junto do importante Castro Romano do Monte Mozinho ou seguir na direcção de Tongobriga no Marco de Canaveses. Esta via foi recentemente revista por Luís Sousa (2012) no seu artigo Eixo Viário Romano Oculis -Tongobriga: sua presença no Concelho de Lousada. (Ver Sousa, 2012; Mendes-Pinto, 2008)
    Guimarães (segue aproximadamente a EN106 por Creixomil e Nespereira até Vizela)
    Caldas de Vizela (OCULIS), S. Miguel de Vizela (vicus termal e viário; Várias inscrições votivas e funerárias; Inscrição votiva ao Genius Laquiniensis na Rua do Aidro junto do lugar Sub Carreira, topónimo viário)
    Ponte Romano?-Medieval de Vizela sobre o rio Vizela (31 m, 2 arcos; segue pela Rua Joaquim Sousa Oliveira?)
    S. João de Vizela (inscrição ao Deus das termas Bormanico, em Lameira, actual Praça da República)
    Sta. Eulália de Barrosas, Vizela (pela Portela +- a EN106; necrópole no lugar da Senra e em Rielho; ara à divindade Castaeci) Lustosa (passa a leste do castro de São Gonçalo)
    Sousela (segue ao longo da vertente poente da Serra de Campelos, por Boca da Ribeira e S. Cristovão, onde apareceu uma ara e desce a Sousela)
    Travessia do rio Mezio (junto da villa(?) da Qta. de Eira Vedra)
    Covas
    Ordem (pelo lugar de Servecia)
    Cristelos (junto do Castro de S. Domingos; Casa romana junto da EM1132, a meia encosta da vertente sudeste)
    Boim (forno em Irmeiro)
    Travessia do Rio Sousa na Ponte de Espindo (calçada próximo com 100m)
    Meinedo (MAGNETUM), Lousada (o vicus estendia-se por Casais, Igreja Paroquial e Qta. dos Padrões, junto da estação CF)


    de Meinedo (Magnetum) até Freixo (Tongobriga)
    (continuação do itinerário anterior a partir da travessia do rio Sousa em Espindo);
    Santa Marta (necrópole no lugar da Estrada a nordeste do Castro)
    Ponte Romano?-Medieval de Santa Marta sobre o rio Cavalum (na EN589 ao lado da ponte nova)
    Croca (necrópole em Montes Novos; segue o Vale da Croca por Carvalhos, onde existia calçada)
    Vicus e provável mansio no cruzamento de duas impostantes vias: (continuando para Freixo) Vila Boa de Quires (passa no sopé do Castro de Quires e segue por calçada pelo Alto de Vide Basta/Bidevasta, junto à capela, e depois por Pedra, Buriz/Boriz, Arvio, Torre, Avessões, junto da villa de Urro, continuando por Penidos, S. Pedro e Rua)
    Sobretâmega (no lugar da Rua entronca na via que vinha por Felgueiras e Lixa)
    Travessia do rio Tâmega na desaparecida Ponte Romana
    Freixo (TONGOBRIGA) (Dias, 1997: 307-308)

    de Meinedo (Magnetum) até Eja (Anegia?) , Entre-os-Rios
    (partindo do nó rodoviário de Croca)
    Bustelo (pelo lugar de Monteiras junto do campo de futebol; topónimos viários como Padrão e Tresvia)
    Milhundos (povoado romano junto à igreja de Santa Luzia)
    Póvoa de Marecos (Santuário romano junto à Capela da Ns. do Desterro; aqui apareceu uma epígrafe que refere o sacrifício de animais a divindades indígenas; necrópole em Pedreira)
    Rãs (Ponte Velha de Rans sobre um afluente do rio Cavalum)
    Oldrões (no sopé do importante Castro Romano do Monte Mozinho, aberto ao público, e cujo espólio está no novo Museu Municipal de Penafiel; Mons Monachino em 1158, in LPTS 25; troço de calçada entre Bodelos e Agrelos atravessando a ribeira da Camba, hoje Rua da Via Romana)
    • Possível ligação a Tameobriga atravessando o rio Tâmega: de Oldrões deveria partir uma ligação à travessia do rio Tâmega em Várzeas (Rio de Moinhos), passando em Cabeça Santa, atendendo à Calçada por detrás da Capela dos Passinhos em Boelhe e ao povoado e casais em Bouça do Ouro, rumando depois na direcção de Tameobriga, provável nome do Vicus da Várzea do Douro.
    S. Miguel de Paredes (continua pela Rua da Via Romana)
    Pinheiro (Villa Banius nas Termas Romanas de S. Vicente; Castro romanizado do Outeiro Divino/do Dino a poente da zona termal)
    Portela
    Eja (civitas Anegia na documentação medieval; castro romanizado da Sra. da Cividade; Cividade de S. Miguel; calçada; a inscrição votiva dedicada ao LARIBUS ANAECIS encontrada na antiga igreja paroquial de Lagares é uma provável referência a esta civitas; possível travessia do Douro para S. Martinho de Sardoura e ligando ao provável vicus de Tameobriga na confluência dos rios Douro e Paiva, lugar do Castelo; Ver vias que saíam de Tongobriga para o Douro)















Guimarães - Tongobriga
Via principal para Mérida, passando em Felgueiras e Marco de Canaveses.

Guimarães (provável mansio no cruzamento de várias vias secundárias; na idade média a saída da cidade seria pela Porta do Postigo ou da Sra. da Guia, ia pelo Campo da Feira e depois seguiria aproximadamente a EN101 por Mesão Frio e Infantas, mas também poderia rumar a sul, em direcção à Villa de Abação?)
Serzedo (talvez seguisse a EN101 até Pousã ao km 121, onde ruma a Hospital, Portela, Venda da Serra, Cimo do Eiriz e desce ao Arco por Bouças do Arco; Cipo funerário no lugar de Sá mais a jusante do rio)
Ponte Romano-Medieval do Arco em Vila Fria, Felgueiras, sobre o rio Vizela (reconstrução medieval com materiais romanos como silhares almofadados no arco; a calçada começa à direita da saída da ponte e sobe ao Monte da Boavista, passa a asfalto até à EM563 no Sardoal, segue à direita até ao lugar da Rua onde vira à esquerda para a Rua do Burgo, CM1160-1, junto à Casa do Paço e segue junto ao seminário até ao cemitério)
Pombeiro de Ribavizela, Felgueiras (sobe pelo troço de calçada que ladeia o muro do Mosteiro, até confluir com o CM1175 que segue para os lugares de Ribeiro, Chã e Cascalheira, no sopé do Castro do Monte Picoto, até confluir com a EN101-3)
Água Empregada (em Campas, sai da EN101-3 à esquerda por Estrada, onde atravessa a EM562, continuando por Corvas, Taco, Forca, Barreiras e Venda)
  • Eventual variante para SW em direcção a Magnetum (Meinedo) e Tongobriga (Marco de Canaveses), passando por Varziela, Unhão (o Paço seria uma villa), Macieira, Ponte Romana? de Barrimau (silhares almofadados?), ligando a Magnetum ou seguir para Tongobriga por Caíde de Rei, S. Martinho de Recezinhos, Constance e Sobretâmega.
  • Deveria também existir uma ligação à Villa de Sendim, a NE de Felgueiras, possivelmente passando nos 400 m de calçada em Lourido.
Travessia do rio Sousa em Ameal (segue até Souto por calçada com 350 m)
Refontoura (continua pela base do Castro de S. Simão, passando em Souto, Pereira, Lama e Estrada, onde segue à direita; existe uma calçada de acesso ao Mosteiro de Caramos a 100 m)
Caramos (a via segue para Borlido, Mouta, passa por dois troços de calçada que ligam a Espíuca, seguindo depois por Cerdeira das Ervas, Quintela e Santo onde conflui com a EN101)
Lixa (pelo Alto da Lixa, Castro/Monte do Ladário, natural cruzamento de caminhos; ver a ligação Braga-Amarante-Vila Real)
Santiago de Figueiró (à esquerda na EN15, passa no Paço na EN565-1)
Mancelos (segue por Pidre, contorna por poente o Castro de Banho)
Banho e Carvalhosa (segue por Pimpinela, Carreira Chã e Torre)
Vila Caiz (possível ligação à Villa de Vilarinho debaixo da Estação CF, e ao Rio Tâmega por Retorta e Carreira)
St. Isidoro (segue indefinido até ao rio Odres no lugar de Quintã)
Ponte Romano?-Medieval do Bairro sobre o rio Odres (a actual é românica; 1 arco)
Constance (por Forcado)
Caldas de Canaveses (Aquae Tamacanae?), Sobretâmega (Termas, necrópole e vicus; segue até à Igreja de Sta. Maria; antes da Barragem do Torrão submergir esta área, a via seguia em direcção ao Cruzeiro do Sr. da Boa Passagem e dirigia-se pela Rua de Canaveses, aldeia de Pisão, até à ponte, onde confluía com a via que vinha por Meinedo)
Ponte Romana sobre o rio Tâmega (seria uma das maiores pontes romanas existentes em Portugal; no séc. XII foi reconstruída mantendo os pilares originais, posteriormente destruídos na reconstrução de 1941; hoje está tudo submerso)
Lugar da Quinta, S. Nicolau (referência a um miliário no lugar do Outeiro; sobe a Rua de S. Nicolau onde ainda existe a Albergaria de Canaveses possível sucedâneo da antiga mansio)
Tuías (miliário a Valentiano I e Valente, encontrado in situ na Qta. de Baixo, lugar da Herdade, a última milha antes de Tongobriga, mas hoje está desaparecido; ara aos Lares Cerenaeci)
Freixo (TONGOBRIGA), Marco de Canaveses (Martins Capela refere um miliário junto à Igreja entretanto destruído; parte dele reapareceu em 1992 nas obras da Escola Profissional de Arqueologia, onde se encontra; a 3 milhas da ponte; ara ao Genius Toncobricensium)

Outras vias que partiam de TONGOBRIGA (Dias, 1987,1997,1998)

Para nordeste em direcção a Panóias por Amarante e Vila Real:
Traçado hipotético da via romana que ligava Tongobriga à Serra do Marão (mons Maraonis) seguindo o curso do Rio Ovelha.
Tabuado (Quelha, Chão da Igreja, Igreja Românica)
Várzea da Ovelha e Aliviada (Outeiro e Portela; casal em Torre)
Folhada (desce à Ponte do Arco)
Ponte Românica do Arco sobre o Rio Ovelha (aparenta uma construção anterior nos alicerces da margem esquerda; sobe a Picoto)
  • De Folhada um ramal poderia seguir por Moura e Igreja Velha em direcção ao Castro romanizado do Castelo em Carvalho de Rei; daqui poderia atravessar o Rio Fornelo e aceder por Valinhos (tesouro) a Bustelo.
  • Via da Serra do Marão pelas Minas romanas do Teixo/Penedo Ruivo; a inscrição num penedo Castra Oresbi poderá indicar o nome de um povoado ou acampamento mineiro na região; O caminho poderia partir de Bustelo , subindo à Serra do Marão (mons Maraonis) pelo caminho pelo Alto da Sra. da Corba Chã, Murgido e Granja, cruza a estrada moderna e segue pelo chamado Caminho do Trigal, linha divisória entre os concelhos de Baião e Amarante, passa junto à minas de estranho do Teixo e segue até entroncar na estrada da Sra. da Serra.
S. Salvador do Monte (passa nos altos de S. Salvador e do Santinho)
Lomba (provável mansio no Lugar das Paredinhas e do Paraíso; necrópole em Prazo; podendo descer a Amarante por Cepelos)
Padronelo (talvez por Devesa e Moure até Marancinho, onde conflui com a via proveniente de Braga e seguem para a Serra do Marão)

Para sul em direcção à Várzea do Douro no Foz do Tâmega:
Esta via poderia desviar a rota principal em Tuías ou no Freixo até confluírem no lugar do Bairral, onde há necrópole.
  • vinda de Tuías seguiria a EN210 por Vilar, Cobreira, Ponte, Talegre, Tenrais e Bairral.
  • vinda do Freixo passava nos lugares de Covas, Esmoriz, Rosém de Cima, Monte Confurco, Chentadiços e Bairral.
  • uma referência medieval a uma «carraria antiqua» em S. Cristovão de Sande, indica um caminho alternativo ao Douro derivando do anterior em Rosém de Cima e seguia em calçada por Bouça Baixa (pedreira na vertente poente do Alto da Bouça) e pela Portela de Mexide (nos limites das freguesias de Sande e Vila Boa do Bispo, cruzamento com a CM1266) descendo daqui pela calçada da Bouça da Carreira até Veiga, segue à direita pela ER108 e logo depois à esquerda para Loureiro, onde se dividia, seguindo um ramo até à foz da ribeira de Sande e outro atravessava esta ribeira e seguia até ao Cais do Vimieiro no rio Douro (in in PMH, DC 688).
Vila Boa do Bispo (de Bairral seguiam a EN210 pelo lugar da Estrada e Lamoso)
Favões (continua pela EN210 por Golas, Vila, Requim de Cima e Requim de Baixo; necrópole da Tapada das Eirozes em Ariz)
Alpendurada e Matos (segue pelo sopé do Castro de Arados no Alto de Santiago/Mte. do Ladário que está a ser destruído por uma pedreira, passando em Mondim, Memorial, Vista Alegre, Ventosela e Cais de Bitetos)
Várzea do Douro (vicus e provável mansio hoje submersa pela barragem de Crestuma; epitáfio de Elávia; Sancto Martino num documento de 964; o miliário a Adriano referido erradamente no CIL II 6211 como proveniente daqui resulta de um equívoco de Hübner que o confundiu com o miliário de S. Mamede de Infesta; Ver Lima 1999)
Travessia do rio Douro entre o Cais de Bitetos de Baixo e o Outeiro do Castelo
  • TAMEOBRIGA: na margem esquerda do Douro, em Castelo de Baixo segundo Morais Sarmento, apareceu uma inscrição votiva a Tameobrigus, suposta divindade local relacionada com o Rio Tâmega (Tameo?), possível referência a um povoado chamado de Tameobriga que ficaria assim na confluência dos rios Douro e Paiva; A sua localização não é segura pois tanto poderia corresponder ao Vicus da Várzea do Douro na margem direita, tal como ao topónimo «Castelo» (S. Paio de Fornos) na margem esquerda do rio Douro e na margem esquerda da foz do Rio Paiva, local onde se achou a referida inscrição. Poderá estar aqui a origem do nome do concelho de Castelo de Paiva; o povoamento romano é evidenciados pelas necrópoles em Folgoso/Picoto (Raiva), em Cruz da Carreira (Sobrado), em Valbeirô e Campo da Torre (Sta. Maria de Sardoura), Vales e Valdemides.
  • Ligação a Viseu: após a travessia do Douro, a via seguia para Souselo pela «Carraria Antiqua», passando na calçada junto à Capela de Escamarão, até ao lugar do Couto na EN222, onde há a necrópole da Concelhôa; Esta Carraria Antiqua, assim citada na documentação medieval, deveria continuar para Viseu pelo vale do rio Paiva, onde referências medievais a uma «carraria antiqua» (in PMH, DC 459), seguindo algures por Fornelos, Nespereira (inscrição rupestre no sítio da Volta em Pindelo, FE299), Cabril, Meã, Ameixiosa, Posmil, até às Caldas de S. Pedro sul, onde entronca na via que vem do Porto pela Serra de Arouca, seguindo juntas para Viseu. Ver abaixo problema da ligação entre Tongobriga e Viseu.











Freixo (Tongobriga) - Viseu (VISSAIUM)
É muito provável que a via romana para Mérida rumasse primeiro a Viseu e daqui seguisse para a travessia da Serra da Estrela. Partindo de Tongobriga, a via descia ao rio Douro por Soalhães e Mesquinhata, locais onde apareceram miliários. O local de travessia ainda é incerto, mas seria uma das tradicionais travessias do Douro, Porto Antigo, Caldas de Aregos e Porto de Rei. Todas estas travessias teriam continuidade para Viseu, mas sobre os seus itinerários ainda pouco de conhece. É provável que uma destas travessias fosse a via principal para Mérida, mas ainda não se encontraram evidências dessa hierarquia. É possível que a travessia principal na era romana fosse em Porto Antigo visto ser este o caminho mais curto para Viseu, mas também a travessia em Caldas de Aregos dava acesso a Viseu, passando no importante povoado romano de Cárquere e mesmo a travessia em Porto de Rei se oferece como alternativa dando acesso ao eixo Lamego-Viseu por onde deveria correr uma estrada romana. No seu «Naturalis Historiae», Plínio refere os Turduli Veteres e Paesuri como povos que habitavam a sul do rio Douro e se os primeiros estariam certamente nos actuais concelhos de Vila Nova de Gaia e da Feira, com povoados nos Carvalhos (Monte Murado) e em Fiães (Monte Redondo), os Paesuri poderiam ocupar os povoados romanos de Cárquere ou Lamego, mas ainda não há certezas. (Vaz 1976, 1979, 1997; Dias, 1987, 1996, 1997, 1998).

Freixo (TONGOBRIGA)
Travessia do rio Galinhas (talvez na confluência da ribeira do Juncal com a ribeira da Lardosa)
Soalhães (segue por Ladário e Outeiro)
Lugar do Crasto, Soalhães (calçada e miliário a Constantino II da milha VIII desde Tongobriga, hoje depositado no Museu Soares dos Reis no Porto; a via circunda a base do Castro Soalhão por terrenos ainda conhecidos pelo topónimo «Vale Trajano»)
Mesquinhata (segue por Casal e Geguintes)
Carreirinha, Mesquinhata (miliário a Galieno encontrado in situ junto ao Alto dos Encambalados, está hoje no Museu Municipal de Baião)
Grilo (passa em Passadouro e no Alto do Loureiro)
Gôve (passa junto ao Castro romanizado do Cruito)
Ponte do Gôve (travessia do rio Ovil)

Daqui derivam 3 ligações ao Douro:
A partir da Ponte do Gôve a via poderia dividir-se em 3 troços distintos de encontro às prováveis travessias do rio Douro em Porto Manso/Ancêde, Caldas de Aregos e Porto de Rei, mas não se sabe qual destas seria a principal para Viseu.

    Para Porto Manso/Ancêde
    Ancêde (da ponte do Gôve é possível que seguisse recto ao percurso pedestre que passa na calçada que ladeia o Castro de Porto Manso e depois desce pela margem esquerda do rio Ovil, mas também é possível que seguisse comum ao caminho para Aregos até à Sra. das Boas Novas, descendo daqui a Mosteirô; ver mapa)
    Porto Manso, Ribadouro (povoado e provável mansio na Qta. de Mosteirô para apoio à travessia do rio Douro)
    Travessia do rio Douro
    Porto Antigo, Cinfães (vicus no Castelo de Sampaio em S. Cristóvão de Nogueira; aqui achou-se uma inscrição dedicado a Augusto; Villa em Passos, Tarouquela, onde apareceu uma ara a Júpiter, FE245)
    • Ligação a Viseu: a via talvez continuasse pela margem direita do rio Bestança rumo à Serra de Montemuro (mons Muro), num percurso próximo da EN1029 e EN1030 por Pimeiro e Vila de Papas até Gralheira, onde subsistem alguns vestígios da passagem da via, como a calçada de Gafanhão, a calçada junto à Ponte de Panchorra sobre o rio Cabrum e a calçada de Cotelo junto da Lagoa de D. João, importante nó rodoviário onde confluía com a via proveniente de Caldas de Aregos, seguindo depois pelo Alto do Cotelo, Cruz do Rossão, Picão e Lamelas até Castro Daire. Daqui desce em calçada até Ponte Pedrinha (o nome remete para uma ponte antiga que aí existia até ao final do século XIX), seguindo depois por S. Domingos, Ribolhos e Mões para Viseu.

    Para Caldas de Aregos
    Sta. Cruz do Douro (seguia por Portela do Gôve, Lamas, Vale de Coelho, Casal e Sra. das Boas Novas em Sequeiros)
    Travessia do rio Douro em Venda das Caldas
    Caldas de Aregos (segue por Pousada; esta calçada está referida na documentação medieval como «Karraria Antiqua», in PMH, DC 888)
    S. Romão de Aregos
    Cárquere (possível capital dos Paesuri ou dos Coilarni)
    • Ligação a Viseu: a via deveria continuar para sul transpondo a Serra do Montemuro, seguindo talvez o caminho que passa junto da Capela de S. Francisco, seguindo depois por Canizes, Rossas e Talhada até à Lagoa de D. João em Cotelo, onde confluía com a via que vinha da travessia do Douro em Porto Antigo (Cinfães) e juntas seguiam para Castro Daire e depois Viseu.

    Para Porto de Rei e Lamego
    Sta. Cruz do Douro (povoado em Passal, junto à igreja; segue a EN108 até Vila Monim, sai à direita para Cedofeita e Senra)
    S. Tomé de Covelas (continua por Outeiro, Lama Susã e pelo vicus do Barreiro)
    Sta. Marinha do Zêzere (vicus na Qta. de Guimarães em Míguas; possível ligação NE para Gestaçô, onde apareceu um tesouro, o Mons Genestazo da documentação medieval)
    Travessia do Rio Teixeira na Ponte de Frende (entre Ervidal e Cruzeiro)
    Frende (3 baixos-relevos e inscrições funerárias; teria existido um templo?)
    Travessia do rio Douro em Porto de Rei
    S. João de Fontoura
    S. Martinho de Mouros, Resende (calçada no Alto de Vila Verde e perto do Castro da Mogueira)
    Penajoia (Castro romanizado e vestígios de calçada; Castro de Penude a sul)
    Lamego (Lamecum?)
    • Ligação a Viseu: de Lamego deveria ligar a Viseu cujo itinerário está descrito no sentido inverso em Via Viseu-Lamego.

Mapa

















Viseu - Famalicão da Serra
Esta itinerário atravessa a Serra da Estrela integrado a via entre Braga e Mérida, seguindo por Mangualde, Abrunhosa-a-Velha, Folgosinho e Famalicão da Serra, onde 5 miliários atestam a passagem via. Bibliografia: Nóbrega (2003) e Vaz (1976)
Ver também os outros itinerários da região de Viseu.

Viseu (civitas; forum no morro da Sé; a Rua Direita seria o cardus Maximus; partindo da necrópole junto da capela de S. Miguel, a antiga porta da cidade, seguia por Viso, Carreira de Tiro, Fragosela e Fragosela de Baixo)
Travessia do rio Dão
Fagilde (coluna, possível miliário; calçada)
Roda (calçada e um miliário anepígrafo sem localização precisa, segundo Nóbrega em 1992 estaria «numa casa particular em Mesquitela»)
Mangualde (Castellum Araocelum?) (a mansio seria nas Qtas. da Fonte do Púcaro, junto da villa romana da Qta. da Raposeira na base do povoado do Monte da Sra. do Castelo, talvez o Castellum Araocelensis referido numa inscrição honorífica encontrada em S. Cosmado; espólio na Assoc. Cultural Azurara da Beira; a mansio ficava no cruzamento com a Via N-S que seguia para a Bobadela)

Itinerário atravessando o Mondego na Ponte de Palhez:
Mangualde (segue pela Rua da Estação até ao km 14.1 e depois à esquerda pela Rua da Ponte que passa junto da Villa da Qta. da Calçada com vestígios da via até à ribeira de Almeidinha)
Mesquitela (segue pela Rua da Ponte, Rua da Calçada Romana, Rua Direita e Rua da Ramalhinha/Qta. da Lavandeira)
Mourilhe (magnífico troço de calçada romana com 50m e 5,6 m de largura junto da Capela de Ns. da Conceição; indicada na EN232)
Contenças de Baixo (calçada no caminho para a ponte)
Travessia do Mondego junto à Ponte de Palhez
Cativelos (deveria seguir próximo da villa do Mte. Aljão; Ponte Romana? do Aljão e Ponte Romana? das Cantinas com calçada; calçada em Celas Alminhas-Dobreira)
Vila Nova de Tázem (alguns troços de calçada junto dos habitats de Freixial/Safail e em Texugueira-Parigueira possivelmente pertencentes a esta via)
Segue até Nespereira, onde conflui com o itinerário abaixo.
Itinerário atravessando o Mondego em Poço Moirão (via principal?):
Mangualde (milha XII?; da mansio segue pelo troço de calçada nas Qtas. da Fonte do Púcaro; topónimo medieval Albergaria talvez em referência à mansio)
Almeidinha, Mangualde (seguir pela Rua Principal e Rua Sra. do Campo/EM1458, passando a 200 m a nascente da Villa da Moita da Oliveira)
Casal de Cima, Santiago de Cassurrães (atravessa a Serra da Baralha por Tapada)
Santiago de Cassurrães (possível miliário anepígrafo junto à capela de S. Sebastião, Gomes, 1985; depois de atravessar a ribeira de Cassurrães segue pela Rua da Calçada, chamado "Caminho Velho", antiga via romana, junto das alminhas da capela da Sra. de Cervães, que talvez reutilize um miliário, seguindo pela Qta. de Sta. Marinha, onde há habitat e restos da calçada, indo atravessar o Mondego junto à Qta. do Moinho)
Abrunhosa-a-Velha (aqui existiam quatro miliários que foram transferidos para Viseu; dois estão desaparecidos, destes um era anepígrafo e outro era dedicado a Numeriano, enquanto os outros dois pertencem à Colecção da Assembleia Distrital de Viseu na Casa do Adro ao Largo da Sé, um miliário onde parece ler-se XX milhas e um miliário a Adriano da milha XVIII, o que corresponde à distância daqui a Viseu, com o n.º 605)
Travessia do rio Mondego entre Poço Moirão e Qta. dos Padres (segue próximo da villa de Risado; poderia existir uma ligação mais directa a Melo pela linha de festo entre as ribeiras de S. Paio e do Paço)
Arcozelo (possível mutatio no povoado fortificado do Castelo)
Nespereira (Calçada de São Pelágio; Cadeiral Romano no Bairro de St. António)
Ponte Romano?-Medieval do Chorido sobre a ribeira de Gouveia (calçada)
S. Paio, Gouveia (cruza com a via NE-SW que ligava Marialva à Bobadela)
Nabais
Melo
Freixo da Serra
Folgosinho (seria a última mansio antes de atravessar a serra)

De Folgosinho a via romana seguia para Famalicão da Serra, atravessando a Serra da Estrela:
O percurso não está bem definido, mas é provável que seguisse pela Portela de Folgosinho e Calçada dos Galhardos, com 1,5 km, seguindo depois por Cantarinhos, Casal das Pias, junto do Alto da Cova do Cêpo, descendo por Casal Reigoso à Qta. da Taberna, onde fazia a travessia do rio Mondego, rumando daqui pela Lomba de Saimão, Tapada/Quinta da Eira ( calçada e miliário a Constâncio) e Qta. do Cadouço (calçada e miliário a Tácito), até atingir Famalicão da Serra

Mapa



































Famalicão da Serra - Mérida (EMERITA) (ver Belo:1960)
Este troço está bem definido pelos 9 miliários existentes ao longo do seu percurso até Caria embora se desconheça a origem das milhas marcadas. A via atravessava o território dos Lancienses Transcudani e dos Lancienses Oppidani, povos mencionados na inscrição da Ponte de Alcântara. A definição dos seus limites territoriais permanece ainda em discussão (ver Alarcão, 2001), mas é possível que os Lancienses Transcudani ocupassem o planalto da Guarda, possivelmente com capital na Póvoa do Mileu, enquanto os Lancienses Oppidani estariam mais a sul na região de Penamacor devido ao Terminus Augustal que apareceu em Salvador marcado a divisão territorial entre estes e os Igaeditani que tinham a sua capital em Idanha-a-Velha. Entre eles poderia existir um terceiro território Lansiense, os Ocelenses referidos por Plínio que poderia ficar na zona do Sabugal atendendo à inscrição onde se lê «VICANI · / OCEL[O]N[E]/NSES» encontrada na Qta. de S. Domingos em Pousafoles do Bispo, FE310.2.

Famalicão da Serra (vinha pela Serra de Barrelas e seguia pela extinta povoação de Barrelas, antigo castro e provável localização de uma mutatio de onde são provenientes o miliário a Tácito e o miliário a Constantino Magno achado a 1 km da via no sítio de Colerdordem que hoje estão no Museu da Guarda; a capela de St. Antão guarda no seu interior um miliário a Tibério?; continua pelo «Caminho do Convento» passando junto da Qta. do Sendão)
Valhelhas (miliário a Maximiniano, apareceu junto do rio Zêzere, passou pela Igreja Matriz e hoje está na J. F.)
Várzea do Vale Formoso (calçada ao longo da margem esquerda do rio Zêzere)
Lameiras (miliário a Tácito, AE 1965, 107, e um miliário anepígrafo, hoje depositados no Castelo de Belmonte)
Ponte Romana sobre a ribeira da Gaia na Qta. do Galvão (defronte fica uma provável mansio na Torre Romana de Centum Cellae)
Catraia da Torre, Colmeal da Torre (contorna a Torre, cerca de 30 m da face N)
Travessia da ribeira do Colmeal (na margem direita apareceram, um miliário a Constâncio Cloro e um miliário anepígrafo hoje também no Castelo de Belmonte)
Belmonte (próximo da Igreja de Santiago existe um miliário reutilizado como ombreira de uma cada particular; 4 miliários no Castelo de Belmonte provenientes da ribeira do Colmeal e das Lameiras; a via passava no vale e contornava por nascente o esporão de Belmonte, junto à villa do Muro na Qta. do Bouzieiro e segue paralela à Serra da Esperança e a poente da estação C.F.)
Malpique (calçada passa a nascente junto à villa da Qta. da Fórnea a 5 milhas de Centum Cellae)
Travessia da ribeira das Inguias na Qta. da Ribeira ou na Catraia da Caria?
Caria (existiam vestígios da calçada em Barcinho e junto à igreja paroquial no caminho para a Fontinha; provável mutatio e caput viarum onde confluiria o Itinerário Alvega-Salamanca)
Pontão sobre a ribeira de Caria, Laje do Freixo (calçada; segue talvez a leste de Peraboa pela Qta. dos Lameirões e Bica, contornando a Serra de St. António pelas vertentes norte e nascente rumo a Capinha)

Capinha (vicus e provável mansio no cruzamento com a Via Alvega-Salamanca; a via partia da Fonte de Cima e seguia pela calçada de S. Marcos, junto da capela, e continuava pela calçada das Lajens, entretanto já destruída, passando não muito longe da Villa ou mesmo Vicus em torno da Capela de S. Pedro da Tapada; várias inscrições funerárias, entre elas o epitáfio de um Meidubrigense que apareceu 1km SO da Qta. de S. Pedro , AE362, 1977, e uma ara votiva a Bandi Arbariaico a caminho de Três Povos, CIL II 454)
Ponte Romano?-Medieval sobre a ribeira de Meimoa (segue por Vale de Paredes e Freixa?)
Quintas da Torre (na Torre dos Namorados apareceu uma inscrição funerária, uma ara votiva ao Bande Luguano e um miliário indicando a Milha XXII contadas talvez a partir de Idanha-a-Velha e que está hoje no Museu Arqueológico do Fundão; fica na base do Castro de Covilhã Velha)
Mata Rainha (travessia da ribeira do Taveiro em Cadaval/Poldras?
Travessia da ribeira do Ceife em Lajinhas?
Pedrogão de S. Pedro
Ponte Romana? sobre a ribeira das Taliscas (em risco de ruína)
Bemposta (conjunto de várias epígrafes no Núcleo Museológico da Bemposta na Capela de S. Sebastião, sendo duas delas dedicadas a Bandi Isibraiegui, AE 1967, 133 e 134)
Medelim (na Capela de Santiago apareceu uma ara votiva a Mercúrio, divindade de protecção dos caminhos; a via talvez passasse no acampamento romano de Oliveira das Almas; Ponte Romana? em ruínas)
Idanha-a-Velha (IGAEDITANIA) (civitas a 120 milhas de Emerita; magníficas ruínas da importante cidade romana; excelente colecção epigráfica no museu; só existem 3 miliários conhecidos no território Igaeditanense: um miliário Augusto de origem incerta (AE, 1967, 185) onde se lia «CX» que talvez indicasse a distância a Mérida de CXX milhas, o miliário também a Augusto de Alcafozes, atestando ambos a antiguidade da via e o fragmento de Vale de Portela; o limite nascente do território da civitas seria em Salvador, pois aí apareceu um Terminus Augustalis demarcando a divisão territorial entre os Igaeditani e os Lancienses)
Ponte Romano-Medieval de Idanha-a-Velha sobre o rio Pônsul (a ponte actual foi construída com o material de uma anterior romana mais a montante que terá ruído)
Alcafozes (fragmento de um miliário a Augusto onde apenas se lê «Imp(erator?) / Aug[ustus?]», Sá, 2007, p. 158, n.º 238; estará no Museu de Idanha-a-Velha?; inscrição funerária)
Toulões
Segura (calçada desce ao rio)
Ponte Romana de Segura sobre o rio Erges (5 arcos; pela EN355 faz fronteira; arco central e tabuleiro reconstruídos)
Piedras Albas (Estorninos)
Ponte Romana de Alcantara sobre o rio Tejo/Tagus (ex-líbris das pontes romanas na Hispânia)
Alcantara (ver traçado)
NORBA CAESARINA (Cáceres) (onde entronca na chamada "Via de la Plata" que ligava Astorga a Cádiz no sentido N-S)
EMERITA (Mérida) (caput viarum)

Itinerário XII (12)

Mapa




Variante por Montemor













Variante por Torrão






Évora-Elvas




Variante por Vila Viçosa


Lisboa (OLISIPO) - Alcácer do Sal (SALACIA) - Évora (EBORA) - Mérida (EMERITA)   CLXI milhas - 238.5 km
Item ab OLISIPONE EMERITAM m. p. CLXI
AQUABONA
CAETOBRIGA
CAECILIANA
MALATECA
SALACIA
EBORA
AD ATRUM FLUMEM
DIPONE
EVANDRIANA
EMERITA
m. p. XII
m. p. XII
m. p. VIII
m. p. XXVI
m. p. XII
m. p. XLIIII
m. p. VIIII
m. p. XII
m. p. XVII
m. p. VIIII
Apesar a sua importância, o Itinerário XII de Antonino continua cheio de incógnitas e incertezas devido à dificuldade em acertar as distâncias das estações. Partindo de Lisboa, atravessava o rio Tejo e seguia em direcção a Salacia hoje Alcácer do Sal com três estações intermédias com localização bastante complicada. Aos poucos vestígios existentes acresce a dificuldade em acertar as distâncias no terreno com as indicadas no Itinerário. Se os vestígios romanos recentemente encontrados em Setúbal reafirmam a localização de Caetobriga nesta cidade, por outro lado, nas outras estações intermédias, Aquabona, Caeciliana, Malateca, subsistem as dúvidas. O troço seguinte entre Salacia e Ebora é bem mais conhecido com duas prováveis variantes, uma mais directa por Montemor-o-Novo que seria a via principal para Évora e outra mais a S que deveria corresponder ao trajecto da via que ligava Alcácer do Sal a Beja e daqui a Faro passando no Torrão, mas que a partir daqui ligaria também a Évora passando por Alcáçovas e Ns. de Tourega. Depois de passar em Évora, a via passaria pelas três estações referidas no Itinerário em direcção a Mérida, Ad Atrum Flumen, Evandriana e Dipo cujas localizações são ainda desconhecidas. (ver Bilou, 2000a; Carneiro, 2008)


Lisboa (OLISIPO) (a travessia do rio Tejo poderia ser, tal como hoje, entre o porto romano da Praça do Comércio para Porto Brandão ou para Cacilhas, onde também há cetárias, seguindo depois algures por Seixal)
AQUABONA (mansio na milha XII talvez na zona de Coina-a-Velha, S. Lourenço; segue por Palmela e pela chamada «Estrada do Viso», calçada que atravessa a Serra de S. Luís e segue por Grelhal, Rua da Estrada Romana e Bairro do Tróino)
CAETOBRIGA (mansio na milha XXIV talvez em Setúbal, onde começam aparecer importantes vestígios)
CAECILIANA (mansio na milha XXXII talvez na Herdade de Águas de Moura)
MALATECA (mansio a 12 milhas de Alcácer talvez na zona de Marateca; vestígios ao longo da ribeira de Marateca, entre Landeira e Cabrela)
Seixola?
Vale de Reis? (villa)
Alcácer do Sal (SALACIA) (civitas na milha LXX; via entra na cidade pela necrópole de S. Francisco de Frades, junto ao Convento de St. António; Forum dentro do castelo e necrópole na Azinhaga do Sr. dos Mártires; villa no Bairro dos Crespos; ver Museu Pedro Nunes)

  • Porto Marítimo de Alcácer do Sal: No estuário do Sado ainda existem importantes vestígios do comércio por via marítima centrado no porto de Alcácer do Sal, articulado com o entreposto comercial e centro de transformação da actividade piscícola de Tróia e Setúbal, assim como os centros de produção de ânforas da «Feitoria Fenícia» de Abul e da Herdade do Pinheiro; Nesta última, André Resende refere a existência de um cipo dedicado ao imperador Cómodo a 16 milhas de Alcácer, mas sendo pouco provável que a via seguisse junto da costa, este não seria um miliário mas sim uma coluna honorífica.
  • Via fluvial pelo rio Sado (Callipus): O rio Sado era navegável na era romana ligando ao hinterland alentejano com imensos vestígios de villae e portos fluviais ao longo das suas margens relacionados com o comércio fluvial, a saber: Herdade da Barrosinha (villa), Porto de Rei (villa e porto fluvial), Mte. da Casa Branca (villa e calçada com 200 m), Portinho (villa), Benagazil, S. Romão, Porto Carro (porto fluvial), Herdade dos Frades (villa), Portancho (villa) e Mte. da Qta. de D. Rodrigo (calçada), na foz do rio Xarrama, rio que subia até ao Torrão passando ao lado da Capela de S. João dos Azinhais na Herdade de Arranas (Ara a Júpiter) e em Passadeiras. O rio continuava navegável para montante, passando na villa na Herdade da Qta. de Cima, seguindo provavelmente até Sta. Margarida do Sado.
  • Via principal para Montemor-o-Novo: Depois de Alcácer, a via principal deveria seguir pela margem direita da ribeira de Sítimos, atravessando o concelho de Montemor-o-Novo até Valverde e daqui a Évora, percorrendo as 44 milhas indicadas no Itinerário de Antonino, o que corresponde à distância medida entre as duas cidades.

  • Variante pelo Torrão: Esta variante deveria utilizar troços de várias vias, seguindo na sua parte inicial pela Via Alcácer-Beja até ao Torrão, onde inflectia para NE seguindo por Alcáçovas na direcção de Évora, até confluir com a via principal pouco antes desta cidade. Torrão seria assim um nó rodoviário importante no centro do triângulo Salacia - Ebora - Pace Iulia.

Variante pelo concelho de Montemor-o-Novo (a via principal; 5 miliários)
Alcácer do Sal (sai para NE pela villa do Bairro dos Crespo e segue pela margem direita da ribeira de Sta. Catarina de Sítimos/EN253)
Mte. dos Carvalhos de Baixo, Pego do Altar (possível miliário anepígrafo)
Sta. Susana (André de Resende refere um miliário a Marco Aurélio junto ao rio Mourinho, actual ribeira de Remourinho; seguiria pela calçada da Herdade da Biscainha e não longe das villa da Portagem e de Pedrões; povoado em Castelejos)
Foros de Pinheiro, S. Cristovão (continua pelo Poço Novo, Outeiro Caído, Mte. da Barbosa e Mte. das Canas; Ponte Romana?)
Mte. da Prata, Casa Branca, Santiago do Escoural (continua por Álamo; ara na Herdade da Igreja)
Monte da Venda, S. Brissos (provável mutatio onde existem dois fragmentos de um miliário anepígrafo; outro miliário anepígrafo foi deslocado para a Capela de S. Brissos)
Travessia da ribeira de S. Brissos (a via continua em terra até ao Monte dos Andrades, onde existe um miliário anepígrafo, e daqui ao Monte do Freixo)
Valverde (depois da aldeia, atravessa a ribeira de Valverde, 800 m depois, na Herdade da Mitra, a 150 m do desvio para a Anta Grande do Zambujeiro aparece um miliário anepígrafo [milha VII?] [ver foto]; segue junto ao monumento comemorativo chamado "Pedra da Pinha", milha VI?, [ver foto] e a N do Monte da Alfarrobeira; referência de Mário Saa a um "viaduto" na Herdade da Murteira)
Travessia da ribeira da Viscossa (segue talvez pelo caminho rural pelas Qtas. das Tacinhas de Fora, Carranca, Cabeça da Guarda e Silveirinha)
Esparragosa (segue próximo do marco geodésico/moinho, e logo a 50 m para poente, o fuste de um miliário anepígrafo; Pouco depois conflui com a variante por Torrão descrita abaixo e juntas rumam a Évora)

Variante por Torrão e Alcáçovas (6 miliários)
Alcácer do Sal (poderia seguia a via principal até ao Mte. da Arcebispa, atravessando aqui a ribeira de Sítimos)
S. Catarina de Sítimos (importante Villa romana dentro da povoação; a via deveria seguir pelo sítio da Torre, entre as villae de S. Catarina e de Porto da Lama pois junto ao campo de aviação apareceu um miliário a Diocleciano que está hoje no Museu Pedro Nunes em Alcácer; a partir daqui o percurso é incerto, podendo rumar ao Torrão ou directamente a Alcáçovas)
Ponte sobre o rio Xarrama (a via chega pela Calçadinha Romana, com 300 metros; teria existido uma ponte romana?)
Torrão (provável mansio; daqui derivam as vias para Faro e para Beja; vestígios no Centro Escolar)
Alcáçovas (calçada em Água d'Elvira dos Padres)
Mte. dos Tabuleiros de Baixo (Mário Saa fotografou aqui um miliário hoje desaparecido; também André de Resende refere dois miliários nos «Tabuleiros», um ilegível e um miliário a Maximiano, CIL II 433*, indicando 12 milhas a Évora o que corresponde à distância no terreno; será este o miliário que apareceu em S. Mateus e que esteve no Museu Arqueológico de Montemor-o-Novo?; a distância coincide, mas este foi atribuído a Antonino)
Mte. do Zambujeiro, Ns. de Tourega
N. Sra. da Tourega (referência viária, viarum curandarum, numa inscrição aqui achada, CIL II 112, hoje no Museu de Évora; seria um curator viarum?; a via segue próximo da magnífica villa romana das Martas e do Porto da Calçadinha; 120 m depois surge o miliário a Maximino e Máximo que poderia indicar a milha VIII a Évora?)
Herdade do Barrocal (1.5 km à frente, existe um miliário anepígrafo deitado [milha VII a Évora?])
Travessia da ribeira da Viscossa ou de Peramanca (vestígios de calçada na margem esquerda; o caminho continua para NE)
Cabida (pouco depois do caminho cruzar o acesso à Qta. do Pomarinho existe um fragmento de miliário [milha VI?], cujo fuste epigráfico, aparece pouco mais à frente, junto ao caminho que deriva da EN para o Monte das Flores; possível derivação para a travessia do rio Xarrama a vau na Moita da Carne entroncando na via romana Évora-Beja)
  • Existe uma antiga estrada proveniente da Ns. da Boa Fé com vestígios de calçada em Monte do Escrivão, Monte da Ponte, atravessava a ribeira de Peramanca em Alcamizes e iria confluir com estas variantes em Esparragosa.
Comum até Évora
As duas variantes confluem a seguir ao marco geodésico da Esparragosa, junto à rotunda do parque de campismo, entra na cidade pela Porta do Raimundo e segue pela Rua do Raimundo, Praça do Giraldo, Rua 5 de Outubro até à acrópole.

Évora (EBORA) (civitas a CXIII milhas de Olisipo e XLIII milhas de Salacia; o decumanus maximus seria a actual Rua Vasco da Gama; Templo de Diana; Muralha romana; Colecção de epigrafia no Museu de Évora; Impressionantes Termas Públicas dentro da C.M. na Praça de Sertório)
  • A partir de Évora, a via continuava a sua rota para Emerita passando nas três estações referidas no Itinerário XII, Ad Atrum Flumen, Dipo e Evandriana cujas localizações são ainda discutidas; Seguramente que existem incongruências no itinerário porque as 47 milhas indicadas entre Évora e Mérida (70 km) não correspondem à distância entre estas duas cidades que ronda os 190 km. Para a primeira estação depois de Évora, Ad Atrum Flumen, literalmente «junto ao rio Atrus», o itinerário indica apenas 9 milhas (13,2 km) o que colocaria a mansio junto da ribeira da Pardiela na rota norte ou da ribeira de Machede na variante sul, mas é duvidoso que estes pequenos cursos água justificassem uma mansio por si só. Seguindo as distâncias expressas no itinerário então Dipo poderia situar-se em Évora Monte, onde há miliário, e a estação seguinte, Evandriana teria que estar 17 milha mais à frente, tornando impossível que estivesse também a 9 milhas de Mérida, a não ser que houvesse estações intermédias omitidas no itinerário. Assim é mais provável, conforme sugerido por trabalhos mais recentes, que estas incongruências surjam da junção de dois itinerários, um com caput via em Lisboa e outro a partir de Évora com caput via em Emerita pelo que as milhas indicadas deveriam ser contadas a partir de Mérida. Deste modo, Ad Atrum Flumen estaria a 38 milhas de Emerita, o que corresponde à distância da capital da Lusitânia ao rio Xévora, o rio Atrus na era romana, hoje fazendo de fronteira luso-espanhola (Gorges e Martín 1999 e 2000; Almeida et alii, 2011). Atendendo aos dados disponíveis, o percurso a partir de Évora teria duas possíveis variantes, uma contornando a Serra da Ossa pelo norte e outra pelo sul, a primeira seguindo o corredor Évora-Estremoz e que teria uma estação em Évora Monte pois aí se achou um miliário, e a outra variante sul que seguia pelo vicus de Bencatel até Vila Viçosa, onde também se achou um miliário. Ambas as variantes iam de encontro ao Itinerário XIV, o outro itinerário entre Lisboa e Mérida que vinha por Alter, confluindo um pouco antes de Elvas. Daqui Depois desse ponto, a via poderia seguir em direcção a rota comum para Mérida, mas o facto poderia seguir um percurso comum até Mérida, mas o facto da estação seguinte, Evandriana, não ser comum aos outros dois itinerários entre Lisboa e Mérida que iam comprovadamente pela margem direita, colocam como mais provável um percurso alternativo pela margem esquerda do Guadiana. (ver Bilou, 2000a; Calado, 1993; Matatolo, 2001; Almeida, 2000).

De Évora a Estremoz por Évora Monte (7 miliários)
Évora (sai pela medieval Porta de Machede e segue pelo caminho rural da Qta. das Nogueiras; a recente descoberta de uma necrópole na Escola Secundária Gabriel Pereira, a 1ª descoberta em Évora, pode estar relacionada com esta via)
Travessia do rio Xarrama no sítio do Porto (continua paralela ao CF, próximo da Qta. do Sande, Qta. da Retorta e Qta. da Lagardona em Garraia)
Montinho da Piedade (4 possíveis miliários reaproveitados como suporte duma laje, no caminho de acesso ao monte; continuaria junto ao CF)
Travessia do rio Degebe (da ponte nova segue à direita por um caminho rural paralelo ao CF, para Vale de Figueirinhas até à)
Monte da Sousa da Sé (um miliário anepígrafo à entrada do largo, fragmentado em duas partes, e um monólito em forma de menir, possível miliário; continua pelo caminho rural paralelo ao CF até à travessia da ribeira da Fonte Boa ou do Freixo)
Monte do Freixo (daqui segue o caminho rural e depois em calçada por 2.5 km até ao Solar do Castelo Ventoso)
Azaruja, S. Bento do Mato (do Castelo Ventoso continua pelo Monte do Almo e Monte da Venda, onde existem 2 miliários anepígrafos em 3 fragmentos, passando assim a poente de Azaruja)
S. Bento do Mato (passa próximo da igreja paroquial)
Évora Monte (DIPO?) (na Igreja Matriz de Sta. Maria de Evoramonte, antiga Ns. da Conceição, existe um miliário a Crispo, Licínio Júnior e Constantino II, reaproveitado para pia baptismal; IRCP 674; provável localização da mansio Dipo pois fica a 21 milhas de Évora; a partir daqui a rota é incerta passando possivelmente na antiga ponte do pego do Sino)
Estremoz (miliário a Crispo, Licínio Júnior e Constantino II; IRCP 675, no MNA?; a via contornava pelo sul)

Ligação a Abelterio e Ammaia:
  • De Estremoz partia uma variante deste Itinerário que se dirigia para norte fazendo a ligação a Abelterio em Alter do Chão e Ammaia em S. Salvador da Aramenha, atendendo ao miliário a Crispo, Licínio Júnior e Constantino II achado na necrópole de Silveirona e que hoje está no MNA com o nr. E 7988 (IRCP673). Daqui continuava por St. Estevão, indo cruzar as VIAE XIV e XV e possivelmente ligar ao Rio Tejo.

De Estremoz a Elvas:
Estremoz (a via seguia por Orada e Vila Fernando)
  • André de Resende refere 2 miliários algures entre Estremoz e Barbacena, mas hoje estão desaparecidos, mas são considerados falsos por muito autores; um miliário seria dedicado a Caracala, IRCP661 e o outro um miliário a Heliogábalo, IRCP663, onde Resende leu «Ab Ebora m. p. [...]XXII» ou seja 22 milhas a Évora, mas como a distância é insuficiente teria de faltar a letra inicial que sendo por hipótese um «X», já daria 32 milhas, o que já colocaria este miliário entre Estremoz e Barbacena, talvez em S. Domingos de Ana Loura ou Orada.
Orada (antiga Alcaraviça; passa na Presa e depois Serra de Aires, onde sai à direita pelo estradão de terra que segue para o Mte. de Alcobaça, um dos poucos troços da via ainda preservados no Alentejo!)
Herdade de Alcobaça, Vila Fernando (2 miliários, um achado no lugar de Cabanas dedicado a Marco Aurélio, hoje em exposição no excelente Museu Arqueológico de Vila Viçosa, e o outro um miliário a Diocleciano e Maximiano que indica 65 milhas a Mérida, IRCP 670 que está hoje no MNA, indiciando que esta região estaria já em território Emeritense)
  • Segundo Almeida (2000), o local de cruzamento seria junto no Chafariz de El-Rei junto do Mte. da Atalaia Novo, no sopé da Atalaia dos Sapateiros ou, em alternativa, um pouco mais adiante no Monte dos Trinta Alferes depois de passar pelo Monte de S. Romão /Serra Branca e Monte Carrão, ambos com a sua villa. Atendendo às 65 milhas indicadas no miliário da Herdade de Alcobaça que fica a cerca de 2 milhas, o cruzamento fazer-se-ia na milha 63, o que concorda com a distância medida entre esta área e a capital da Lusitânia de cerca de 94 km.
  • Ligação a Ad Septem Aras:
    também é possível que via seguisse bem mais a N perto de S. Vicente e Ventosa, pela villa das Qta. das Longas e pela Villa do Monte da Silveira, onde há vestígios de calçada, em direcção a S. Pedro, Freixo, Segóvia, junto ao Castro, e Caia, indo atravessar o Rio Caia no Porto da Amoreirinha atendendo aos vestígios ali existentes, continuando para Campo Maior onde se localizaria a mansio Ad Septem Aras.

Continuação para Elvas
Elvas (do Mte. dos Trinta Alferes a via poderia seguir Calçadinha, Elvas, seguindo por Horta do Moreno (Papulos) e Horta da Fonte Branca, com vestígios romanos em direcção ao Monte da Nora Úveda (villa) onde existe uma ponte já soterrada, a Ponte do Lagarto; villa na Herdade das Pereiras; A seguir dirigia-se para a travessia do Rio Caia, na actual fronteira luso-espanhola, num ponto conhecido por «El Rincón de Caya», continuando para a travessia do Rio Gévora junto à povoação com o mesmo nome, 6 km N de Badajoz e onde se achou um miliário a Carino que deveria indicar 37 milhas a Mérida)
AD ATRUM FLUMEM (a 38 milhas de Mérida, talvez junto à travessia do rio Gévora/Xévora)


Continuação para Mérida
A continuação para Mérida permanece duvidosa, mas é provável que seguisse pela margem esquerda do Guadiana, atendendo a que o miliário a Magnêncio indicando 16 milhas que apareceu na margem direita junto à Villa da Torre Águilla em Barbaño (Montigo, Badajoz) estaria na era romana na margem esquerda do rio (Martín, 1999). Por outro lado, não existem estações comuns aos outros dois itinerários também entre Lisboa e Mérida que seguiam mais a norte , os Itinerários XIV e XV, de modo que é provável que a via seguisse a margem esquerda e por consequência deverá procurar-se aí a mansio Evandriana, a 9 milhas de Mérida. Assim, Dipo estaria a 26 milhas de Mérida, ou seja, em Talavera la Real e Ad Atrum Flumen estaria a 38 milhas de Mérida, portanto já para lá da travessia do Guadiana em Badajoz, colocando a mansio próximo da confluência dos rios Caia e Guadiana, provavelmente junto à travessia do Caia no chamado «El Rincón de Caya». Ad Atrum Flumen não seria mais do que a própria mansio e a sua inclusão num itinerário tão importante pode ser justificada pela possibilidade de ser aqui a fronteira entre o Conventus Pacenses e o Conventus Emeritenses. Sem novos dados, para já não existe uma solução definitiva para este itinerário.

Travessia do rio Guadiana (Anas) (talvez junto da ilha de Romo)
Badajoz (segue pelo chamado «caminho de Malpartida» até à travessia da ribeira dos Limonetes, perto da confluência com o Guadiana e continua paralela à ribeira, cruzando a divisão administrativa entre Badajoz e Talavera la Real que coincide com a milha 28 a Mérida)
DIPO (talvez em Talavera la Real, a 26 milhas de Mérida; seguia depois o «caminho velho de Lobón», atravessando o rio Guadajira até atingir a milha 17 nas proximidades de Lobón)
EVANDRIANA (a 9 milhas de Mérida, talvez na Villa romana de Floriana em Torremayor)
EMERITA (Mérida) (caput viarum a 161 milhas de Lisboa)

    Variante sul Évora-Elvas por S. Miguel de Machede, Bencatel e Vila Viçosa (3 miliários)
    É possível uma variante partindo de Évora que seguia mais a sul passando em S. Miguel de Machede e Redondo e que ia entroncar na via principal já próximo de Elvas.
    Évora (esta variante poderia ser comum à via principal até à Qta. da Retorta, onde desviava para nascente pelo Bairro do Degebe, calçada da Qta. dos Altos e da Qta. Velha, atravessando o rio Degebe no sítio do "porto" onde há calçada ou, em alternativa, saía de Évora pela Qta. da Comenda, onde atravessava o Xarrama, seguia pela EN254 junto da capela de Sta. Bárbara do Degebe e pela calçada da Qta. do Lobo, atravessando o rio Degebe no vau lajeado junto ao Monte de Mauriz e seguia pela calçada da Qta. das Rosas, reencontrando-se em Fonte Boa; também é possível um desvio por Câmaras onde há calçada)
    Herdade da Fonte Boa do Degebe (segue para NE, passando próximo do marco geodésico das Pedras Brancas)
    Travessia da ribeira de Machede (seguiria próximo do Mte. da Amendoeira e da Villa do Monte da Barrosinha, onde André Carneiro achou um fragmento de um miliário anepígrafo que estava no caminho de acesso ao monte ao km 41 da EN254, entretanto desaparecido(!), seguindo depois próximo da villa no Mte. da Morgada)
    S. Miguel de Machede (segue pelo Mte. do Taful, Mte. do Almo e Mte. da Aldeia, onde apareceu um miliário anepígrafo)
    Travessia da ribeira da Pardiela (algures entre o Monte da Teixeira e os Foros do Queimado)
    Redondo (ao km 27 da EN254, 500 m depois do lugar da Venda desvia à esquerda em estradão de terra pelo Monte do Hospital, passando a NW do Fortim Romano de Mte. do Almo, localizado na pequena elevação junto ao monte, provável posto de controlo da via, no ponto de travessia da ribeira de S. Bento, continuando a direito para o Mte. da Fonte da Cal, Herdade da Amendoeira, Mte. Rial, atravessa a EN381 e segue para Horta da Velinha até entroncar na EN254 ao km13, seguindo por esta para Bencatel)
    Travessia da ribeira de Lucefecit (em Galvões?)
    Bencatel (vicus; inscrição achada na Fonte da Azenha das Freiras em Vilares, CIL II 150)
    Vila Viçosa (miliário a Constante, IRCP 676, hoje em exposição no excelente Museu Arqueológico de Vila Viçosa juntamente com o miliário proveniente do Mte. de Alcobaça em Vila Fernando; a via deveria seguir algures para Terrugem)
    Monte da Nora, Terrugem (vicus e provável mutatio hoje destruído pela EN4 e trabalhos agrícolas; continuava para norte para ir entroncar na via principal no Chafariz de El-Rei, junto ao Monte da Atalaia Novo, ou mais adiante no Monte dos Trinta Alferes; recintos-torre junto ao Monte da Ordem e Mte. da Misericórdia, possivelmente relacionados com o controle da via)
    • Esta via que vinha de Évora continuava para leste em direcção a Mérida, atravessando o Rio Caia junto ao chamado «El Rincón de Caya», actual fronteira luso-espanhola, continuando para a travessia do Rio Gévora junto à povoação com o mesmo nome, 6 km a N de Badajoz e onde se achou um miliário a Carino que deveria indicar 37 milhas a Mérida. Mais detalhes, na descrição do Itinerário XII entre Ebora e Emerita.

    Ramal por Alandroal:
    Uma hipotético ramal poderia desviar em Redondo e seguir em direcção ao Alandroal, servindo a exploração mineiras da região (ver Calado, 1993, e Calado e Matatolo, 2001). Derivando da via principal na zona do Redondo, seguiria próximo do Fortim Romano do Caladinho seguindo depois para a travessia da ribeira de Lucefecit junto do Moinho da Sra. da Fonte Santa/Mte. da Estacaria ou mais a jusante na Ponte do Mte. da Fonte dos Ouros de cronologia incerta, seguindo por Fonte Velha para Alandroal (hoje EN373) e próximo de dois importantes santuários, o Santuário Rupestre da Rocha da Mina e Santuário Endovélico de S. Miguel da Mota (importante local de culto ao Deus Endovélico; templo, aras e estátuas; o santuário fica no Mte. de S. Miguel da Mota por trás do casal; acesso pela EN373 a 5.6km do Alandroal por estradão de terra para sul). Em Alandroal a via deveria passar próximo da villa da Tapada de Vilares (na Carta Arqueológica do Alandroal, Calado indica a azinhaga que atravessa a villa como possível via romana; ver Calado, 1993). Esta via seguia para Bencatel (pela villa Tapada de Fonte Soeiro/S. Marcos), mas deveriam existir ligações quer a Vila Viçosa (passando na villa de Vilares em Pardais) e também a Juromenha. Esta rede viária está muito ligada à exploração mineira que teria uma via para escoamento do minério que no sentido N-S que vinda pelo menos desde Capelins, ia atravessar a ribeira de Lucefecit junto do fortim romano do Outeiro dos Castelinhos (importante estrutura romana ao abandono!), seguindo por Rosário, Mina do Bugalho, S. Brás dos Matos e Juromenha, seguindo um ramal para o vicus do Mte. da Nora em Terrugem (passando junto do habitat do Monte do Outeiro em Ciladas) e outro na direcção de Elvas, confluindo todas nas estradas para Mérida.

Itinerário XIV (14)

Mapa


























ITINERARIO XIV - Lisboa (OLISIPO) - Alter do Chão (ABELTERIO) - Mérida (EMERITA)   CLIIII milhas - 228 km
Alio itinere ab OLISIPONE EMERITAM m.p. CLIIII
ARITIO PRAETORIO
ABELTERIO
MATUSARO
AD SEPTEM ARAS
BUDUA
PLAGIARIA
EMERITA
XXXVIII
XXVIII
XXIIII
VIII
XII
VIII
XXX
Apesar de ser a principal rota entre Olisipo a Emerita, o seu percurso ainda suscita muitas dúvidas pois não é clara a localização de algumas das estações referidas no Itinerário de Antonino. O tramo inicial até Santarém teria um traçado comum, tanto à via entre Lisboa e Braga, o Itinerário XVI de Antonino, como à sua variante norte ou Itinerário XV de Antonino. Em Santarém atravessava o Rio Tejo e seguia até à estação de Aritio Praetorium que ficaria a 38 milhas de Santarém. Daqui continuava em direcção de Ponte de Sor e da magnífica Ponte Romana da Vila Formosa, que ainda hoje serve a moderna EN369 (!), até Alter do Chão, onde fica Abelterio, a segunda estação referida no itinerário. As estações seguintes ainda não têm localização precisa, primeiro Matusaro, a 24 milhas (35,5 km) de Alter do Chão e logo depois Ad Septem Aras, onde voltava a cruzar com Itinerário XV de Antonino pois esta estação é comum aos dois itinerários. Ad Septem Aras poderia ficar já muito próximo da fronteira, na região de Campo Maior ou de Elvas, pelo que as duas últimas estações, Budua e Plagiaria já ficariam em território Espanhol.

Como a distância entre Lisboa e Aritio Praetorium nunca poderia ser de apenas 38 milhas, supõe-se que as duas primeiras estações, Ierabriga e Scallabin, tenham sido omitidas até porque já estão indicadas no o Itinerário XVI de Antonino que liga Lisboa a Braga. Assim Aritio Praetorium estaria a 38 milhas não de Olisipo, mas de Scallabin, e a 28 milhas de Abelterio o que coloca a mansio nas proximidades de Tamazim, onde existem miliários e outros vestígios importantes. A localização precisa da mansio ainda não é clara porque existem 3 localizações possíveis: em Tamazim, atendendo aos vestígios aí existentes, no lugar do Poiso, pois cruzava neste ponto com a Via Tomar-Évora e por último na Herdade de Água Branca de Cima, visto que este local fica a precisamente 38 milhas de Almeirim e a 28 milhas de Alter do Chão, estando portanto de acordo com as distâncias apresentadas no itinerário. André de Resende encontrou ainda um total de 16 marcos no troço entre Tamazim e Vendas das Mestas, mas não indicou os lugares exactos pelo que neste itinerário fez-se uma tentativa de colocação nas milhas respectivas. Para mais informação consultar a Carta Arqueológica de Abrantes.

Lisboa (OLISIPO)
Alenquer (IERABRIGA a 30 milhas)
Santarém (SCALLABIN a 32 milhas)

Travessia do Tejo entre Santarém e Almeirim:
Depois de atravessar o Rio Tejo, a via XIV rumava a N num percurso comum com a VIA XV, até atingir Alpiarça, onde inflectia para nascente em direcção a Ponte de Sor, enquanto a VIA XV continua para norte, acompanhando o Rio Tejo.

Outras possíveis travessias do Tejo a jusante de Santarém: Também é possível que existissem outras travessias do Tejo a jusante de Santarém, sendo provável que existisse uma via secundária ao longo da margem esquerda do rio até Almeirim.
  • Uma seria entre Reguengo (Valada, Cartaxo), onde existiam restos de calçada, e Escaroupim (Marinhais, Salvaterra de Magos), podendo ter continuidade, conforme sugeriu Saa, para Glória do Ribatejo até Coruche, cruzava com a Via Santarém-Évora e continuava para Montargil pela margem direita do rio Sorraia (algures por Erra e Sta. Justa) até entroncar na via principal já perto de Ponte de Sor; também poderia rumar a SE em direcção a Montemor-o-Novo (pelas Villae da Fonte do Prior, da Herdade da Comenda da Igreja e de Amoreira da Torre), atravessava a ribeira de Almansor e seguia para Évora por S. Matias, mas para já são meras hipóteses.
  • Também poderia fazer a travessia um pouco mais a norte, entre Porto de Muge e Porto de Sabugueiro, importante porto fluvial romano e respectiva villa.
  • A hipotética via entre Escaroupim e Almeirim passaria na Ponte Romana? de Muge, Benfica do Ribatejo (junto da villa da Azeitada e villa em Alqueva da Branca) seguindo depois junto dos vestígios romanos da Qta. do Casal Branco/Vale de Tijolos e da Eira da Alorna até atingir Almeirim, onde conflui com a via principal
Almeirim (possível origem romana da Ponte da Terrugem sobre a Vala Velha em Tapada; a via seguia o traçado da actual EN118, percurso pontuada pelos miliário da Fábrica de Tomate, 2 miliários de Goucharia e um miliário na Qta. da Goucha, seguindo depois pela Qta. dos Patudos)
Alpiarça (acampamento militar romano do Alto de Castelo talvez controlando a passagem da via que aqui inflecte para nascente rumo ao Semideiro, passando talvez por Casalinho e depois seguindo pelos altos do Sartel, do Ameixial, dos Sete Sobreiros, do Canavial, da Perna Seca até chegar a Semideiro)
Semideiro (em Vale da Lama apareceu um miliário a Constantino Magno, partido em dois, sendo que a base foi achada em 1987 entre Azenhas de Baixo e Vale da Lama e está hoje no Museu Municipal da Chamusca, designado por miliário de Vale da Lama I e o topo, está num cabeço a 130 m para sul, servindo de marco divisório do concelho, miliário de Vale da Lama II)
Tamazim (dois miliários; um está derrubado num cabeço por detrás da Capela da Sra. da Luz; a via passaria entre a capela e o casal)
Poiso, Lagoa Seca (provável mutatio na milha XXXIII a 1500 m do Alto de Rapazes; Mário Saa colocou aqui o cruzamento com a estrada proveniente de Tomar)
Alto dos Rapazes (milha 28; seriam daqui os 4 miliários referidos por André de Resende, um deles a Maximino, CIL II 439*)
Alto do Rapaz (milha 29; seriam daqui os 3 miliários referidos por André de Resende, um a Trajano, outro a Tácito, CIL II 4636 = IRCP 666, e um terceiro onde apenas leu «restitutor urbis» que Saa atribuiu a Aureliano, CIL II 4634 = IRCP 660a)
Alto das Águas Negras (milha 30 no acesso ao Monte Novo; seriam daqui os 3 miliários referidos por André de Resende, um deles a Tácito, CIL II 4635 = IRCP 665)
Lagoa do Junco (milha 31 junto ao caminho; seriam daqui os 2 miliários referidos por André de Resende, lendo-se num deles «co(n)s(ul) / IIII proco(n)s(ul) / refecit», CIL II 4637 = IRCP 678 )
Venda das Mestas/Cevo de Muge/Sete Azinheiras (mutatio na milha 32, a 600 m da EN576 e a meio caminho entre Poiso e Água Branca de Cima; Francisco d'Holanda refere aqui "calçadas" nas chamadas "Mestas"; André de Resende refere 4 miliários «junto à encruzilhada a que chamam Mestas», um deles a Maximino e Máximo, CIL II 441* = IRCP 664; esta «encruzilhada» poderia ser o cruzamento com a Via Tomar-Évora)
Alto da Abegoaria (milha 33)
Lagoa da Extrema do Copeiro/dos Barreiros (provável mutatio a meio caminho, 4,5 km, entre Venda das Mestas e Água Branca de Cima; segue pelo Alto do Vale do Zebro onde segue pela EN2, com a milha 37 a ser vencida ao km 426)
Água Branca, Bemposta (mutatio/mansio? na milha 38, junto à EN2, entre o km 427 e 428, no desvio para a Herdade da Água Branca de Cima; outra possível localização de Aritio Praetorium pois fica precisamente a 28 milhas de Alter do Chão; segue pelo caminho de terra oposto e que faz de fronteira entre os concelhos de Abrantes e Ponte de Sor, seguindo pelos altos de Bufão e Padrãozinho, onde reencontra a EN2)

Ponte de Sor (atendendo à importância da via é provável que existisse uma ponte romana neste local da qual não há qualquer vestígio, sendo a actual de 1822; miliário a Probo que apareceu em 1910 «à saída para Val de Açor, numa propriedade do Sr. Joaquim Vaz Monteiro»; ver Vasconcelos, 1914; hoje está no MNA IRCP 668)
Monte de Cabeceiros, Ponte de Sor (miliário anepígrafo; via passa a N do monte)
Monte do Freixial, Vale do Açor (a via passaria próximo da Capela da Ns. dos Prazeres, na confluência das ribeiras do Vale de Açor e do Monte Novo, pois aí Mário Saa recolheu um miliário a Tácito, IRCP 666a, que está hoje em exposição na Fundação Paes Teles no Ervedal; referência a miliários em Vale do Contador e Camoa)
  • Daqui partiria um ramal de ligação à Via XII Ebora-Emerita que seguia mais a sul por Estremoz, seguindo por Valongo (talvez pelos altos do Monte Novo, Fonte Boa e Pombos) indo atravessar a ribeira da Seda e de Sarrazola Benavila, junto à Capela de Ns. de Entre-Águas onde se achou uma inscrição, seguindo depois pelo Alto do Chafariz (ponte?), Poço das Grandezas (servindo a via), Monte da Torre, Ervedal (villa da Ladeira; ara votiva a Bandi Saisabro em Maranhão; travessia da ribeira Grande no Mte. da Calçadinha), Cano (cruzando aqui com a via NE-SW que vem de Idanha-a-Velha), seguindo para a importante villa de Sta. Vitória do Ameixial até Estremoz, onde entronca no Itinerário XII entre Lisboa e Mérida.

Monte de S. Marcos, Vale de Açor (miliário epigráfico)
Fonte da Cruz, Vale de Açor (6 miliários, 4 estão fragmentados, um é anepígrafo e outro é o miliário a Maximiano)
Chancelaria, Vale de Açor (miliário)
Rascão, Vale de Açor (miliário)
Monte da Coreia, Vale de Açor (miliário anepígrafo)
Vale do Gato, Seda (miliário anepígrafo)

Ponte Romana da Vila Formosa, sobre a ribeira de Seda (6 arcos, ex-líbris das Pontes Romanas em Portugal; na EN369 ao km 8,9)

Monte da Celada/Selada, Seda (miliário anepígrafo)
Vale de Perlim, Alter do Chão (miliário anepígrafo)
Alter do Chão (ABELTERIO) (mansio; 2 miliários; miliário a Constâncio Cloro está numa casa particular, FE374; o Frei Bernardo de Brito faz referência a um miliário «adiante de Ponte de Sor» dedicado a Lúcio Vero, onde se leria «AB EMERITA / M. P. LXXXXVI», transcrevendo André de Resende, ou seja a 96 milhas a Mérida o que corresponde à distância de Alter do Chão a Mérida; a via seguiria pela Rua da Misericórdia e próximo da villa de Ferragial d'El Rei no topo SE do campo de futebol)

Variante de Alter do Chão a Elvas por Cabeço de Vide (ver Carneiro, 2004 e 2008)
Alter do Chão (segue para SE passa a 500 m a NE da villa da Qta. do Pião, Horta da Fonte de Vide, a poente do marco geodésico do Monte das Ferrarias e junto à Tapada de Vaz) Cabeço de Vide, Fronteira (para W, fortim romano da Malhada das Penas talvez vigiando a via; ligação às Termas da sulfúrea pela Rua de Santo Mártir seguindo depois em calçada com 700 m; a via principal segue pela chamada «Estrada dos Castelhanos» que atravessa a ribeira de Vide na zona da Arrociada ou da Qta. da Ponte e passa para a Horta da Calçadinha, junto da linha férrea)
Monte dos Merouços, Cabeço de Vide (provável mutatio; continua atravessando a ribeira do Carrascal, Monte das Laranjeiras, ribeira do Juncal, a poente do Monte Fidalgo, Monte dos Caliços de Cima, Monte dos Caliços, ribeira de Pau e Monte do Gracho, onde entra no concelho de Monforte)
Vaiamonte (acampamento militar romano no povoado do Cabeço de Vaiamonte; segue a poente em direcção à importante Villa romana da Torre da Palma; aberta ao público; acesso é pela EN369)
Ponte Romano?-Medieval da Vila, Monforte sobre a ribeira Grande (7 arcos; a ponte actual é medieval)
Monforte (na região existem as Pontes antigas do rio Almuro e do Cubo; fortim em Beiçudos e recinto-torre do Outeiro da Mina possivelmente relacionados com vias)
Ponte Romana? da ribeira Leca, Monforte (segue por Mte. da Leca e a S do Cabeço do Raio, Mte. de Vale de Cortiços e Mte. da Curva)
Monte de Torre de Onofre, Monforte (talvez por S. Pedro de Algalé e Mte. dos Reboleiros)
Travessia da ribeira de Algalé (talvez junto ao Mte. da Boudanha)
Monte da Esquilas, Monforte (aqui apareceu Ara dedicada aos Lares Viales certamente relaciona com esta via, hoje no Museu de Mário Saa em Ervedal (Encarnação, 1995; Mantas, 2010); possível localização da mansio Matusaro pois fica a 24 milhas de Alter do Chão)

Cruzamento como a Via XII
  • Segundo Almeida (2000), o entroncamento com a via procedente de Ebora, localizar-se-ia junto ao Mte. da Atalaia Novo, no Chafariz de El-Rei ou um pouco mais à frente do sítio de Trinta Alferes depois de passar junto das villae de S. Romão e Mte. Carrão.
  • Um miliário no Mte. da Torre do Curvo poderá indicar uma outra ligação à Via XII no Mte. de Alcobaça, mas como o referido miliário apareceu muito próximo da Via XII, também é possível que este miliário tenha sido deslocado da via; desviando no Monte das Esquilas seguia para SW seguia pelo Mte. da Fonte Branca, Mte. dos Vinagres (calçada), passando próximo do Fortim Romano do Penedo de Ferro, possivelmente para controlo da via, em direcção ao Mte. da Torre do Frade e Mte. da Torre do Curvo, onde junto ao chafariz, apareceu o tal miliário a Maximino e Máximo, IRCP 664, posteriormente levado para o Museu Municipal António Tomáz Pires em Elvas que foi entretanto encerrado pela CM e o seu espólio armazenado!
  • Em alternativa, a via poderia seguir a leste de Barbacena pelo Mte. da Coutada (vestígios romanos e uma ponte antiga com possível origem romana), Anta do Reguengo (vestígios de calçada junto ao monumento megalítico) e Mte. dos Campos (ou Mte. de Genemigo, onde apareceu um miliário a Caracala, IRCP 662), seguindo a nascente de Vila Fernando pelo Mte. do João Domingos, Mte. do Passo e Mte. de Alcarapinha, onde apareceu um miliário, seguindo até ao Mte. da Atalaia Novo, o provável ponto de cruzamento com a via proveniente de Évora do Itinerário XII de Antonino)

Variante de Alter do Chão a Campo Maior por Assumar
Alter do Chão (a rota até Assumar é incerta porque esta variante tenta ligar este itinerário à estação comum com itinerário XV, ou seja, Ad Septem Aras que deverá localizar-se na região de Campo Maior)
Alter Pedroso, Alter do Chão (pela chamada «Estrada de S. Domingos», um estradão com vários troços de calçada)
Assumar, Monforte (segue em calçada pela «Canada do Alicerce» ou «Estrada do Alicerce» que segue para Degolados e Campo Maior; em 1937 Félix Alves Pereira indicava o percurso pelas seguintes sítios: Almarjão, Retaxo, Amoreira, Escravides, Mte. do Mouro, Tapada do Alicerce, Soeira, Rabasca, Revelhos, Azeiteiros, Adens e finalmente Degolados (Pereira, 1937; Vasconcelos, 1927-1929), mas alguns destes topónimos são hoje desconhecidos. Seguindo a actual carta militar, o percurso partiria junto à estação CF e segue no sentido NO-SE ao longo da linha até Mte. da Torre, próximo da Ns. do Rosário, onde inflecte para leste, seguindo por Arrecefe, topónimo viário, Belmonte/Alto da Safra, cruza a EN246, seguindo a sul de Arronches)
Arronches (passa a sul da povoação e a norte do povoado do Mte. Baldio; continua pelo Mte. de Escarninhos, descendo ao Rio Caia que atravessa no Porto do mesmo nome pela desaparecida Ponte de S. Bartolomeu, e segue pelo Mte. da Figueira de Baixo, Mte. Branco, Mte. de Revelhos, entroncando na EN371 que passa a seguir pelo Mte. da Calaça e Mte. da Corredoura até Degolados; referência a dois miliários neste troço)
Ns. da Graça dos Degolados (a calçada e villa do Mte. do Custódio a norte, indicia uma ligação a Ammaia; a via passava a N da povoação, desviando da EN371 no Alto dos Morenos e seguindo pelo Posto Fiscal de Azeiteiros, possível miliário no cruzamento com a estrada para a Mina Romana do Mte. Alto, seguindo por Marco Alto, possível referência a outro miliário, onde inflectia para SE, passando próximo da Malhada dos Covões, onde dependendo da localização de Ad Septem Aras poderia seguir para Campo Maior, passando na importante Villa do Mte. das Argamassas ou inflectir para a leste, não tocando assim em Campo Maior, como sugeriu Saa, passando na Fonte do Mte. Branco e Mte. da Travessa, rumando depois a Caleijão, Alto da Cardeira, vale do Castelo e Mte. do Comandante para ir fazer a travessia do rio Xévora junto da Villa de S. Salvador)
Campo Maior (possível localização de AD SEPTEM ARAS na confluência deste itinerário XIV com o Itinerário XV, também entre Lisboa e Mérida, mas que vinha algures mais a N por Fraxinum e Montobriga; No Vicus de S. Pedro junto ao Hospital da Misericórdia, talvez o que resta de Ad Septem Aras, apareceu um miliário a Domiciano? que hoje no Museu Municipal; Também existe uma transcrição de um miliário a Severo Alexandre hoje desaparecido que indicava 53 milhas a Mérida o que concorda com a distância medida entre as duas cidades, ou seja, 78.5 km, indicando que esta região deveria pertencer ao território Emeritense)

De Campo Maior a Mérida: A via continuava para leste em direcção à estação de Budua que é associada à moderna Bótoa, rumando depois à mansio de Plagiaria onde volta a entroncar no Itinerário XV. Se Ad Septem Aras fosse em Campo Maior, é provável que a via seguisse próximo das importantes Villae da Defesa de S. Pedro, do Mte. do Muro, com a sua Barragem Romana, uma das mais bem conservadas em Portugal, e depois pelo Mte. do Castro, atravessando a fronteira para o Cortijo de las Mesas, indo atravessar o rio Xévora (Gévora em Espanha) junto à confluência com o Rio Zapatón, atravessando este último junto à villa do «Rincón de Gila», rumando depois para a Ermida de Nuestra Señora de Bótoa, junto do qual ficaria a mansio de Budua e a milha 38 desde Mérida. Depois seguia recto até Plagiaria perfazendo as 8 milhas indicadas no Itinerário de Antonino, o que corresponde aos 12 km medidos entre a Ermida de Bótoa e a povoação de Novelda del Guadiana pelo que Plagiaria ficaria nas suas proximidades dessa povoação. Além disso, como Novelda fica a cerca de 45 km de Mérida também concorda com a distância de 30 milhas indicadas no Itinerário entre Plagiaria e a capital da Lusitânia.

BUDUA (a 12 milhas de Ad Septem Aras, talvez próximo da Ermida de Nuestra Señora de Bótoa, Badajoz)
PLAGIARIA (a 8 milhas de Budua e a 30 milhas de Emerita; talvez em Pesquero, Novelda del Guadiana)
EMERITA (a actual Mérida a 154 milhas de Lisboa)

  • Possível ligação a Cáceres (Norba Caesarina): a Ponte Romana? da Ns. da Enxara sobre o rio Xévora em Ouguela, hoje em ruínas, pode indiciar uma ligação entre Ad Septem Aras e Norba Caesarina, passando junto da villa de Cabecinha da Lebre, ligando assim à famosa Via da Prata; ver mapa.


Itinerário XV (15)

Mapa













Lisboa (OLISIPO) - Alvega (ARITIO VETUS) - Mérida (EMERITA)   CCXX milhas - 326 km
Item alio itinere ab OLISIPONE EMERITAM m.p. CCXX 
IERABRIGA
SCALLABIN
TABUCCI
FRAXINUM
MONTOBRIGA
AD SEPTEM ARAS
PLAGIARIA
EMERITA
XXX
XXXII
XXXII
XXXII
XXX
XIIII
XX
XXX
Este itinerário deveria seguir o percurso do ITINERARIO XVI entre Lisboa e Braga até Santarém, onde atravessava o rio Tejo para Almeirim. A partir daqui a via acompanhava a margem esquerda do rio seguindo o traçado da actual EN118 para Alpiarça, troço que é partilhado com a Via XIV descrita acima. A partir daqui a via dirigia-se para a estação Tabucci que J. Alarcão situa na região do Tramagal, no povoado romano da Herdade do Carvalhal, freguesia de Sta. Margarida da Coutada, perto do qual se achou um miliário a Constantino Magno. A partir daí pouco se sabe quanto à localização das mansiones seguintes, Fraxinum e Montobriga, pelo que o verdadeiro traçado da via ainda está por desvendar. Nesta proposta para o trajecto a via acompanhava a margem esquerda do Tejo até à região de Alvega, onde Alarcão situa a importante civitas de Aritio Vetus, apesar do itinerário não a mencionar como estação da estrada, rumando depois para o interior em direcção a Ad Septem Aras onde confluía com outro itinerário entre Lisboa e Mérida, o Itinerário XIV descrito acima.
Lisboa (OLISIPO)
Alenquer (IERABRIGA a 30 milhas)
Santarém (SCALLABIN a 32 milhas)
Travessia do rio Tejo
Almeirim (o traçado até Alpiarça está descrito no itinerário XIV descrito acima)
Alpiarça
Vale de Cavalos, Chamusca (vestígios no Alto das Obras e na Qta. do Meirinho, a poente da povoação, na confluência da ribeira de Vale de Carros com a Vala do Paúl)
Chamusca
Pinheiro Grande
Carregueira, Pinheiro Grande
Arripiado, Pinheiro Grande (aqui cruzava com a via proveniente de Tomar)
Santa Margarida da Coutada (estação romana de Alcolobra na Herdade do Carvalhal junto à ribeira de Alcolobra; provável localização da estação TABUCCI, a 32 milhas de Santarém)
Tramagal (calçada com 25 m; no lugar do Crucifixo/Rua da Tapada da Moura apareceu um miliário a Constantino Magno, hoje no Museu D. Lopo de Almeida; a via seguia pela Chã/Fonte do Castanho, Atalaia, Vale Salgueiro) (Silva, 2006)
S. Miguel do Rio Torto ("Estrada Velha" passaria junto à villa do Casal do Moinho do Meio e à Villa em Vale da Vila) Rossio ao sul do Tejo (talvez próximo da importante villa da Qta. da Baeta)
Pego (tesouro; talvez por Coalhos e Calça Torta)
Concavada (pelo caminho entre Galhoufa, Casal Cortido, Estercada e Mte. Morgado; possível travessia do Tejo em Sra. da Guia)
Alvega (em Mte. Galego, no cruzamento da Rua das Flores com a Rua 25 de Abril, existe um possível miliário conhecido como 'marcão' ou 'polícia' que seria proveniente da Qta. de S. João)
Casa Branca (ARITIO VETUS) (vestígios da cidade no sítio do Casal da Várzea; embora não seja mencionada nos Itinerários de Antonino, é provável a sua inclusão nesta rota, até porque nesta zona seria a travessia do Tejo, rumando depois para NE pelo Itinerário Alvega-Salamanca; na foz da ribeira da Lampreia apareceu uma placa de bronze onde se lê «Aritiense oppido veteri»)
Ponte-Represa Romana? de Casal da Várzea, Casa Branca, Alvega (em ruínas, no Mte. da Represa)
Gavião (a sul por Carris Brancos)
Ponte Romano?-Medieval da Atalaia
Atalaia
Ponte Romano?-Medieval da Ribeira da Venda, Comenda (3 arcos; na praia fluvial do parque de merendas, junto à confluência com a ribeira da Cabeça Cimeira; segue por Vale da Vinha, Machouqueira, Mte. do Polvorão e Vale Braçal)
Vale de Feiteira, Comenda (villa em Vale do Grou; segundo Saa, a via seguia o «Caminho da Estalagem» pelo sítio romano de Sôrinho até à travessia da ribeira de Sor em Porto de Manejo, onde há vestígios de uma Ponte Antiga, seguindo depois entre o Alto do Mte. da Pedra e as Termas da Fadagosa para o Alto do Aguilhão, onde Saa achou um possível miliário com caracteres ilegíveis)

  • A partir daqui o traçado da via principal é muito duvidoso dado o desconhecimento actual sobre a localização das estações seguintes, Fraxinum e Montobriga, sendo que a via teria que se dirigir para Ad Septem Aras que ficaria muito provavelmente na região de Campo Maior. Equacionam-se duas alternativas, uma poderia seguir por Alpalhão, rumava daqui para SE em direcção a Arronches, enquanto a outra hipótese seria rumar pelo Vicus Camalocensis no Crato e daqui a Arronches, se bem que esta última solução se poderia encaixar melhor na via transversal que ligaria Igaeditania a Ebora atravessando o Tejo junto a Vila Velha de Rodão.

    Variante por Alpalhão
    De Aguilhão (Monte da Pedra) poderia atravessar a ribeira de Vale do Magro e seguir pela sua margem direita, passando a norte do Mte. da Granja e do Vicus do Mte. de Biscaia pelo caminho que delimita os concelhos do Crato e Nisa, continuando pelo Alto da Safra da Azinheira, Vale do Castelo, Alto da Mala, travessia da ribeira de Sor junto da Capela da Sra. da Redonda e do chamado Castelo Velho seguindo até Alpalhão. Em Alpalhão, outra possível localização para FRAXINUM no Mte. dos Sete, deveria existir um ramal de ligação a Ammaia em S. Salvador da Aramenha (ver o sistema viário em torno de AMMAIA), mas como esta civitas não é referida na lista de mansiones desta via, é possível que a via rumasse a SE por Algoa e Fortios (Mte. das Veladas; inscrição funerária), passando a poente de Portalegre, seguindo pela Calçada de Alcaide (Urra) em direcção à mansio Montobriga que poderia ficar em Arronches já que esta povoação fica a cerca de 30 milhas de Alpalhão. Depois rumava para Ad Septem Aras, algures na região de Campo Maior, onde cruzaria com o outro itinerário entre Braga e Mérida, o Itinerário XIV de Antonino que vinha por Alter do Chão.

    Variante pelo Crato
    Monte da Pedra, Crato (outra possível localização de FRAXINUM; poderia seguir junto da villa em Fonte Santa; Ponte Romana?)
    Aldeia da Mata
    Flor da Rosa (balneário; villa em Couto dos Coldes)
    Crato (necrópole da Lage do Ouro; sai pelo cemitério atravessa a estrada e segue por calçada)
    Ponte Romano?-Medieval sobre a ribeira do Chocanol
    Monte do Chocanol, Crato (talvez o vicus Camalocensis, a partir de uma ara onde se lê «Vicani Camaloc[...] in(?)»)
    Ponte Romano?-Medieval Velha do Prado sobre a ribeira de Seda
    Granja, Crato (villa, 500 m a sul da estação CF)

    • Aqui a via deveria bifurcar, seguindo um ramo directo a Alter do Chão pelos altos de S. Lourenço e S. Miguel (ver via transversal) enquanto a via principal seguia para SE paralela ao CF em direcção a Assumar, onde confluía com o Itinerário XIV. Saa descreve este trajecto como «Estrada do Alicerse» ou «Estrada dos Louceiros», passando na Qta. de Marrocos, Alto da Abonadeira, Mte. do Aguilhão, Chancelaria, Ribeiro do Freixo (linha CF), Ronha, Bedanais, Mte. dos Caldeireiros e Mte. Grande até Assumar. A partir daqui a via segue comum com a Via XIV até Arronches.
Arronches (possível localização de MONTOBRIGA a 30 milhas de Fraxinum, ou 44,4 km, o que corresponde grosso-modo à distância tanto a Alpalhão como ao Monte da Pedra, e a 14 milhas da estação seguinte Ad Septem Aras que pode ficar em Campo Maior. calçada em Porto Mane; Ponte Romana? do Mte. Pisão; no Vale da ribeira da Venda apareceu recentemente uma ara com inscrição votiva talvez relacionada com a via)

De Campo Maior a Mérida: Ao contrário do Itinerário XIV descrito acima, este itinerário XV não passava em Budua pelo que é provável que seguisse directo a Plagiaria. O percurso deveria seguir em direcção a Gérova onde apareceu um miliário.
PLAGIARIA (a 20 milhas de Ad Septem Aras e a 30 milhas de Emerita)
EMERITA (a 220 milhas de Lisboa)

Itinerário XIII (13)

Mapa







A SALACIA OSSONOBA m.p. XVI  

O Itinerário XIII (13) de Antonino é bastante intrigante porque não menciona estações intermédias e indica apenas 16 milhas de distância entre os dois pontos. Se por um lado é lógico pensar nesta rota como uma derivação do itinerário XII (12) entre Lisboa e Mérida, ligando SALACIA, actual Alcácer do Sal, a OSSONOBA, actual Faro, até porque surge na sequência da anterior, por outro lado, não se percebe qual o sentido de indicar este troço quando ele já está descrito no itinerário XXI (21). Assim, é muito provável que a Salacia referida não se refira a Alcácer do Sal, mas uma outra Salacia que poderia ser o Porto Romano do Cerro da Vila em Vilamoura que dista precisamente 16 milhas de Faro. Esta ligação de Ossonoba ao seu porto de mar passaria em Marchil, Pontal, Ludo, Fonte Santa, Passil e Quarteira.

No entanto, para já, não podemos descartar outras hipóteses, como um possível erro na transcrição das milhas, omitindo o «C» de 100 milhas, o que colocaria a distância em CXVI (116) milhas, cerca de 174 km, ou seja, já da mesma ordem de grandeza da distância medida entre as duas cidades que é de 185 km.

O Itinerário que liga directamente Faro a Alcácer do Sal está descrito no Itinerário XXI, passando a ocidente de Beja, enquanto aqui apresentam-se as outras vias prováveis da região, como sejam as ligações de Alcácer do Sal a Beja, Santiago do Cacém e Portimão.


Alcácer do Sal (SALACIA) - Beja (PACE IULIA)
Apesar de não ser mencionado nos Itinerários de Antonino é quase certo que existia uma ligação directa entre Alcácer e Beja que seria uma parte do itinerário Lisboa-Beja-Sevilha e do itinerário Lisboa-Beja-Algarve descritos no Itinerário XXI de Antonino. No parte inicial, o percurso seria coincidente com a variante sul do ITINERARIO XII entre Lisboa e Évora que passa no Torrão, inflectindo aqui para SE em direcção a Beja. Há pelo menos 3 miliários assinalando a passagem da via embora haja dúvidas quanto à sua localização original. Assim o percurso até Beja é meramente hipotético tentando assinalar os vestígios existentes que poderão estar relacionados com a esta via. O itinerário segue o traçado mais curto para Beja pois os antigos caminhos romanos foram destruídos pela intensa transformação agrícola da região.

Alcácer do Sal (SALACIA) (segue o itinerário XII)
Torrão (segue pela Fonte Santa, conduta romana com 100m, e próximo das villae do Penedo Minhoto e das Fontainhas; EN2; também daqui poderia partir um ramal em direcção a Alvito, onde se supõe ter existido a civitas Mirietanorum, passando em Vila Nova da Baronia.)
Odivelas, Ferreira do Alentejo (André de Resende e depois Túlio Espanca referem um miliário no Mte. do Olival; o percurso seria assim Mte. do Olival, Cova do Medo, Mte. da Casa Branca, onde existe uma fortificação romana que poderia vigiar a via na travessia do Barranco da Casa Branca, no limite do concelho, seguindo entre as Villae de Vale de Meloais e do Mte. da Cassapa para a travessia da ribeira de Alfundão, continuando próximo das villae de Fonte Boa, Castelo Ventoso e Barranco de Rio Seco até Alfundão)
Alfundão, Ferreira do Alentejo (Ponte Romana?; talvez siga pelo caminho que passa no Alto de Beja e próximo da Villa do Monte do Corvo; cipo funerário, FE295)
Travessia do Barranco do Corvo (junto à Malhada dos Carvalhos e da EN387)
Peroguarda, Ferreira do Alentejo (seguia a NE talvez próximo do habitat do Mte. da Carrascosa, Villa do Mte./Malhada da Zambujeira, Habitat de Funchais e Horta dos Coutos)
Ponte Romana? de Lisboa sobre o rio Galejo, Beringel (1 arco; calçada; incorpora materiais romanos, 2 cipos, talvez provenientes da Villa da Herdade da Ponte de Lisboa; a via segue a ribeira de Álamo)
S. Brissos (a via romana continua junto da Villa do Mte. da Diabrória e da Villa do Mte. da Fonte dos Cântaros, onde terá aparecido um miliário de Valentino I e Valente)
Ponte Romana? da Fonte dos Cântaros, S. Brissos (segue até Beja)
Beja (PACE IULIA; vestígios da via na Rua Aresta Branco; decorrem escavações no templo; numa ara com o epitáfio de Nice lê-se VIATO[r, CIL II 59 = CIL II 5186)


Alcácer do Sal (SALACIA) - Santiago do Cacém (MIROBRIGA)
Hipotética ligação entre as duas civitates, embora sem vestígios concludentes.
Alcácer do Sal (SALACIA) (parte da margem esquerda do Sado)
Grândola (provável mansio nas Villa do Cerrado do Castelo dentro da escola primária; 2 km a S fica a Barragem Romana do Pego da Moura)
Santiago do Cacém (MIROBRIGA) (há uma Ponte Romana dentro da civitas)


Santiago do Cacém (MIROBRIGA) - Beja (PACE IULIA)
Ligação entre as duas civitates passando em Alvalade; Feio (2009) e aqui este artigo sobre Alvalade;
Santiago do Cacém (MIROBRIGA) (provável ligação a Sines Porto Romano de Mirobriga)
Herdade do Carvalhal, São Domingos
Abela (seguia pela Ermida de S. Brissos, villa da Qta. da Corona , Vale de Santiago e villa de Ameira/Monte do Brejo)
Ponte Romano?-Medieval de Alvalade sobre a ribeira de Campilhas (reconstruída no séc. XVI)
Alvalade (vicus no actual cemitério; cruzamento de vias; mina romana do Montinho)
Travessia do Rio Sado (Callipus) em Porto de Beja (junto ao campo de futebol)
S. João de Negrilhos
Ervidel
Santa Vitória
Penedo Gordo (acesso à importante villa romana de Pisões, na Herdade de Algramaça)
Beja (PACE IULIA)

Alcácer do Sal (SALACIA) - Monchique - Portimão
Variante das ligações ao Algarve que se dirigia a Portimão, seguindo por S. Margarida do Sado, Garvão e Serra de Monchique até Estômbar, onde entronca nas outras vias do Algarve.

Alcácer do Sal (SALACIA) (segue o percurso da via XII até o Torrão, onde ruma para SE pelo Alto da Corte da Venda)
Travessia da ribeira de Odivelas (na Herdade do Pinheiro e segue pelo altos dos Pintos e da Mina)
Santa Margarida do Sado (segue pelos altos de Penedrão e Atalaia)
Travessia da ribeira de Figueiras (talvez no Porto de Mouros; mina romana em Canal Caveira)
Ermidas (topónimo Monte do Marco; segue por Santa Ana do Roxo e junto à villa do Monte do Roxo)
Alvalade (cruzamento com a via Santiago do Cacém-Beja; não é claro se a via seguia pela margem esquerda ou direita do Sado, pois se os vestígios de Sapa, Monte dos Conqueiros, Monte da Corredoura, Monte Novo, Monte da Retorta e Monte da Defesa, indicam uma continuação pela margem direita, por outro lado a continuação para a Torre Vã obriga a uma travessia do Sado)
Panóias (segue por Torre Vã, junto à villa da Horta de S. Romão, Monte Alto, Ermida de S. Romão de Panóias)
Travessia do rio Sado (Callipus) (segue por Boizana, Vale de Fomeira, Monte Ruivo do Ameixial, Funcheira de Baixo, Horta da Saúde e Igrejinha de São Pedro)
Garvão, Ourique
Ponte Romano?-Medieval sobre a ribeira de Garvão (junto à estação; segue por Furadouro e Franciscos onde seria o povoado romano)
Aldeia das Amoreiras (EN123)
S. Martinho das Amoreiras (continua pela En123, ao km 32 desvia para Monte do Geraldo, Monte do Caldeirão, Portela das Estaquinhas, Corte de Brique e Corte de Lã)
Sta. Clara-a-Velha (segue por Viradouro, EN266)
Travessia do rio Mira (talvez por barca porque a Ponte de D. Maria, hoje em ruínas, é do séc. XVIII)
Sabóia (segue por Corte Sevilha)
Nave Redonda (calçada; segue a EN266 pelo Alto do Embarradouro)
Monchique (calçada em Nave, Rencovo e Cerro da Vigia; desce às Caldas pela calçada do Pé da Cruz e pela calçada de Palmeira)
Caldas de Monchique
Porto de Lagos
Silves (o antigo núcleo seria no Cerro da Rocha Branca ou da Guerrilha, 1km para poente, hoje destruído; villa em Vila Fria)
Estômbar, Lagoa (onde entronca na via pelo barrocal algarvio)
Portimão (onde entronca na via pelo litoral algarvio)

Itinerário XXII (22)

Mapa





Castro Marim (BAESURI) - Mértola (MYRTILIS) - Beja (PACE IULIA)    LXXVI milhas - 101 km
Item ab ESURI per compendium PACE IULIA m.p. LXXVI  
MYRTILIS
PACE IULIA
XL
XXXVI
No Itinerário XXII de Antonino esta rota é chamada de «per compendium», ou seja pelo caminho mais curto, indicando um total de 76 milhas até Beja, cerca de 101 km, o que corresponde à actual distância entre Castro Marim e Beja, distinguindo assim do Itinerário XXI que também seguia para Beja, mas por uma rota mais longa, interligando as cidades do litoral Algarvio, Balsa e Ossonoba, antes de rumar ao Alentejo. A ligação entre Castro Marim e Mértola, a única estação referida no itinerário, deveria ser efectuada por via fluvial, subindo o rio Guadiana, mas não se pode excluir uma alternativa terrestre pela margem direita do rio, apesar do terreno ser aqui muito acidentado e da ausência de provas consistentes da passagem da via. Os vestígios encontrados nesta rota, nomeadamente as villae que bordejam o Guadiana, poderão assim não estar associadas a uma via terrestre pela margem, mas à rota fluvial que ia da foz até Mértola, constituindo assim pequenos portos de apoio ao comércio fluvial. (ver Silva, 2002/2005; Rodrigues, 2004; Lopes, 2006)


Hipotética Via Terrestre:
Castro Marim (BAESURI) (calçada com 50 m na base do Castelo; segue para N +- paralela à EN122)
Horta dos Quartos (possível referência à milha IV desde Baesuri; talvez por Varanda, Fronteirinha e Calçada)
Ponte de Beliche sobre a ribeira de Beliche (calçada)
Travessia da ribeira de Odeleite a vau
Ponte Romana? de Álamo, Alcoutim (só vestígios; villa e Barragem Romana de Álamo)
Montinho das Laranjeiras, Alcoutim (villa aberta ao público, ligada ao tráfego fluvial)
Alcoutim (diversas fortificações romanas como o Cerro do Castelinho dos Mouros, controlavam o tráfego no rio Guadiana)
Mértola (MYRTILIS) (civitas; núcleo romano na cave da CM de Mértola; os materiais romanos encontrados na chamada Torre do Rio, hoje em ruínas, levaram alguns autores a colocarem a hipótese de aqui ter existido uma Ponte Romana, mas é muito improvável, atendendo a que Mértola era um importante entreposto fluvial não se justificando a construção de uma ponte pelo que os materiais romanos deverão ser oriundos de algum edifício na cidade)

Ligação às Minas de S. Domingos: travessia do rio Guadiana (Anae) na
Estrada romana para escoamento do minério que poderia continuar para a Baética ou mesmo Serpa. A calçada começa no Porto de Mértola (celeiros das EPAC junto do Guadiana) e segue durante 2,2 km para Fernandes pela chamada Estrada Velha até Casa Branca, reaparecendo depois no sopé do Cerro do Calcolítico e mais à frente no Monte Alto, seguindo por rota incerta até às Minas de S. Domingos (villa no Cerro da Mina).
  • Esta via poderia continuar por Corte do Pinto até entroncar na Via Beja-Huelva, onde tanto podia seguir no sentido de Serpa/Beja como dirigir-se para a Baética atravessando o Rio Chança, talvez entre o Serro do Marco e a Passada da Vuelta Falsa (minas romanas).

de Mértola a Beja pela Via Principal:
Mértola (a via passava junto do Museu da Basílica Paleocristã) Corte Gafo de Baixo
Travessia da ribeira de Terges e Cobres numa das seguintes alternativas:
uma por Amendoeira da Serra, Monte da Lapa, Alto de Vasco Martins, atravessando a ribeira entre Porto de Salvada e Monte do Pica Milho.
outra descendo à ribeira pelo Monte do Mosteiro, atravessando para Demangas e Herdade de Barbas de Gaio
Vale de Rucins (talvez seguindo a EM511, evitando a travessia de linhas de água)
Salvada (seguindo talvez próximo da Herdade do Carrascalão, villa do Monte da Azinheira e por Pisão)
Beja (PACE IULIA) (entrava pela Porta de Mértola, demolida em 1876)


Itinerário XXI (21)

Mapa


VIA XXI - Castro Marim (BAESURI) - Luz (BALSA) - Faro (OSSONOBA) - ARANNIS - Évora (EBORA) - Beja (PACE IULIA)
Item de ESURI PACE IULIA m.p. CCLXVII 
BALSA
OSSONOBA
ARANNIS
Sarapia?
SALACIA
EBORA
SERPA
FINES
ARUCCI
PACE IULIA
XXIIII
XVI
LX
XXXV?
XXXV
XLIIII
XIII
XX
XXV
XXX
Este Itinerário XXI percorre quase todo o território do Alentejo e do Algarve num percurso circular, parecendo mais um agrupamento de várias vias de ligação entre os principais povoados da região. A via partia então de BAESURI (ESURI no itinerário) actual Castro Marim, seguindo pelo litoral algarvio até à civitas de BALSA na Qta. de Torre de Aires (Luz de Tavira) e logo depois atingia a civitas de OSSONOBA, a actual cidade de Faro. Daqui rumaria a norte, passando pela estação de ARANNIS, sem localização definitiva, em direcção a SALACIA, hoje Alcácer do Sal, onde inflectia para leste em direcção a Évora. De SALACIA a EBORA, o itinerário indica 44 milhas, o que está de acordo com a distância medida no terreno e de acordo com a distância indicada Itinerário XII entre Lisboa e Mérida para o mesmo troço. A partir de Évora, em vez de ligar directamente a Beja, através da via romana entre Évora e Beja pelo caminho mais curto cujo percurso está atestada por vários miliários, este itinerário, indica um percurso mais extenso (cerca de mais 38 milhas ou seja mais 56,2 km) que inclui mais três estações intermédias, Serpa, Fines e Arucci, cujas localizações continuam inseguras, até finalmente atingir Beja.

Sobre o Algarve Romano ver o excelente trabalho de Luís Fraga da Silva em www.arkeotavira.com e no seu blog Impronto.
Como ainda subsistem muitas dúvidas sobre a localização das estações intermédias, o itinerário é apresentado por troços:


Mapa








VIA XXI - Castro Marim (BAESURI) - Torre de Aires (BALSA) - Faro (OSSONOBA)

BALSA
OSSONOBA
XXIIII
XVI
O primeiro troço do Itinerário XXI ligava Baesuri na foz do Rio Guadiana, actual Castro Marim, à civitas de Ossonoba que corresponde ao velho centro da cidade de Faro, passando na mansio de Balsa, estação intermédia que servia a civitas de Balsa, hoje definitivamente localizada junto à praia de Luz de Tavira num lugar conhecido por Torre de Aires. O único miliário conhecido do Algarve pertence a esta via e foi encontrado in situ em Bias do sul, marcando a décima milha desde Faro que já era na época capital regional, certificando assim a passagem da via pelo litoral Algarvio. Tanto este miliário como as distâncias indicadas pelo itinerário estão coerentes com as actuais distâncias no terreno.
A partir de Faro, o itinerário ruma a norte na direcção de Beja, mas aqui apresenta-se a sua provável continuação até ao Cabo de São Vicente. Esta rota segue mais ou menos o percurso da EN125, tendo uma variante mais a norte que percorre o barrocal algarvio. (ver Silva, 2002/2005; Rodrigues, 2004; Maia 2006).


Castro Marim (BAESURI) (sai por Horta de D. Maria, Sobral de Cima até à linha férrea, seguindo paralela a esta por Alcaria e Portela, Cruz do Morto, Buraco e Torrão)
Cacela Velha, Vila Real de St. António (villa na Quinta do Muro; continua por Qta. de Baixo, Baleeira e Morgado)
Conceição, Tavira (passa em Canada junto à necrópole da Horta da Canada)
Ponte Romano?-Medieval do Almargem sobre a ribeira de Almargem, Conceição (3 arcos; calçada)
Tavira
Ponte Medieval de Tavira sobre o rio Gilão (sem vestígios romanos; talvez a travessia fosse a vau 130 m a montante; Silva 2005)
Pedras d'el Rei, Luz de Tavira (vem pelo "Caminho do Concelho" em terra, passa na Qta. de St. António, e passa a calçada junto ao aldeamento turístico, onde há necrópole de uma villa)

Torre de Aires (BALSA), Luz de Tavira (a civitas abrangia a Qta. das Antas e estaria a XXIIII milhas de Baesuri; a via romana entrava na cidade pela Qta. do Arroio, onde há calçada e seguia quase recto até)
Livramento, Luz de Tavira (aqui conflui com a EN125 e continua sob esta por Arroteia e Alfandanga)
Bias do sul, Olhão (em Canada do sul, na foz da ribeira de Bias, apareceu in situ, o único miliário conhecido do Algarve, indicando a milha X contadas a partir de Faro e marcaria também a fronteira entre as civitates de Balsa e Ossonoba, IRCP 660; está hoje no Museu Paroquial de Moncarapacho)
Olhão (epitáfio onde alguns autores lêem V(iator); a via segue a norte da EN125 próximo do Villa da Qta. do Marim, possível localização da Statio Sacra referida na Cosmographia do Anónimo de Ravena, ver Graen, 2007, seguindo a N da villa de Torrejão Velho)

Faro (OSSONOBA) (civitas a XVI milhas de Balsa; a via passava em Rio Seco e entrava na cidade entre as necrópoles de Lethes e Ferragial pela Rua Dr. João Lúcio até ao forum; a continuação para leste fazia-se na direcção da Rua Conselheiro Bivar, antiga Rua da Carreira, passando junto à necrópole da Horta dos Fumeiros, até Pontes de Marchil já na EN125)
S. João da Venda, Almansil
Almansil (provável mansio onde deriva o caminho para Loulé; segue paralela à EN125 por Marchil, Pontal, Ludo, Fonte Santa, Passil e Quarteira)

Via litoral até ao Cabo de São Vicente
Vilamoura (Porto e vicus do Cerro da Vila; mansio; Alfândega)
Ponte Romano-Medieval do Barão, Albufeira sobre a ribeira da Quarteira (fundações romanas; perto fica a Villa romana da Retorta cujo espólio está no Museu Municipal de Albufeira; segue por Vale de Carros, Lajeado e Mosqueira)
Guia (segue paralela e a S da EN125)
Pêra
Ponte Romano?-Medieval de Alcantarilha (talvez com fundações romanas)
Alcantarilha (calçada por debaixo da ponte em betão na Rua das Muralhas)
Porches (talvez pelo lugar da Torre)
Lagoa
Estômbar, Lagoa (calçada; continua por Corredoura, Passagem, junto à Qta. de S. Pedro e Calçada da Barca)
Travessia do rio Arade no lugar do Parchal
Portimão (talvez o PORTUS HANNIBALIS; daqui é possível uma derivação para Vila Velha do Alvor, sítio romano)
Mexilhoeira Grande (villa da Qta. da Abicada em Figueira, desvio a partir da EN125 para o apeadeiro)
Lagos (LACCOBRIGA) (talvez no Monte Molião em Telheiro, junto à Ponte sobre o rio de Lagos na EN125; Barragem romana da Fonte Coberta; possível Villa em Palmares)
  • Ligação para norte: é provável que existisse uma via para norte a partir de Lagos em direcção a Aljezur (passando por Fronteira, Poldra e Fronteiras) que ligaria à civitas de MIROBRIGA (Santiago do Cacém), servindo assim o intenso comércio marítimo que ligava o Mediterrâneo à Costa Atlântica, como testemunham os diversos complexos portuários ao longo da costa Alentejana como os de Vila Nova de Milfontes, Sines, Ilha do Pessegueiro, Setúbal, Tróia e Portinho da Arrábida.
Luz, Lagos (Villa na frente marítima, aberta ao público)
Budens (talvez seguisse junto à costa por Burgau; Villa da Boca do Rio na foz da ribeira de Budens)
Vila do Bispo (centro oleiro na falésia da Praia do Martinhal)
Cabo de São Vicente (Promontorium Sacrum?)

Variante norte pelo barrocal algarvio
Esta variante derivava da via litoral talvez no lugar da Cruz do Morto em Cacela Velha e seguia por
Ribeira de Almargem
Vale da Asseca
Sta. Catarina da Fonte do Bispo (poderia seguir entre Desbarato e Bengado, onde há calçada medieval, até Fonte/Cerro da Mesquita)
São Brás de Alportel (entra por Hortas e Moinhos, onde cruza com a via proveniente de Faro, e segue a S da EN270, por Calçada, Fonte do Mouro, Fonte do Touro, Vilarinhos, onde cruza EN270 para seguir por Carrascal, S. Romão, Poço Largo e Fonte de Apra)
Torres de Apra, Loulé (villa; segue a S da EN270 próximo de Betunes)
Loulé (passa a S da cidade, onde cruza com a via Faro-Beja por Loulé)
  • Ligação a Almansil, descendo até Almansil, onde entronca na via litoral.
  • Ligação a Albufeira, rumando a sudoeste por Benfarras ou Boliqueime (EN270) até à Ponte do Barão, onde entronca na via litoral.

Variante sul pelo barrocal algarvio
Esta rota segue ente a variante norte pelo Barrocal e a via litoral interligando uma série de povoados romanos e cruzando com a várias ligações N-S que seguiam para o Alentejo. Talvez derivasse em Moncarapacho da via que aí passava para norte e seguia por Estoi, onde cruzava com a via proveniente de Faro, continuava junto da necrópole da Villa de Milreu para Sta. Bárbara de Nexe (EM520-2), onde tanto poderia rumar a Loulé, nó rodoviário do Barrocal, como descer a Almansil, onde entronca na via litoral.

Mapa









Mapa



Mapa

XXI - Faro (OSSONOBA) - ARANNIS - Alcácer do Sal (SALACIA) e Beja (PACE IULIA)
OSSONOBA
ARANNIS
Sarapia?
SALACIA
EBORA
XVI
LX
XXXV?
XXXV
XLIIII
A partir de Ossonoba o Itinerário XXI rumava a norte em direcção a Arannis percorrendo 60 milhas, ou seja, cerca de 89 km. O itinerário sugere assim uma localização de Arannis na região de Castro Verde, talvez em Sta. Bárbara de Padrões, onde se localizam importantes ruínas de um grande povoado romano e cuja distância actual a Faro concorda com o itinerário. Para atingir a estação seguinte, Salacia, o itinerário indica apenas 35 milhas, o que é insuficiente para atingir Alcácer do Sal, motivando assim várias propostas de correcção do itinerário quer alterando o número de milhas, quer introduzindo uma estação intermédia entre as duas civitates. Como existe uma diferença no itinerário entre a distância total (247 milhas) e o somatório das distâncias entre estações (212 milhas), ou seja, uma diferença de 35 milhas, é provável a existência de uma estação intermédia, muito provavelmente no povoado de Sarapia referido por Plínio no seu Naturalis Historiae. Sarapia estaria assim a 35 milhas quer de Arannis quer de Salacia porque é essa a distância parcial indicada e porque perfaz 70 milhas (104 km), o que corresponde à distância actual entre S. Bárbara dos Padrões e Alcácer do Sal que é de 108 km. Para o troço seguinte entre Salacia e Ebora, o itinerário indica 44 milhas, o que corresponde à distância actual além de ser coincidente com a distância indicada no mesmo troço do Itinerário XII entre Braga e Mérida, sendo portanto a mesma via aí descrita.

Devido a estas incertezas são apresentadas diversas possibilidades de ligação a partir de Ossonoba para norte, nomeadamente a mais que provável ligação directa a Beja. Partindo de Ossonoba, a via teria que ultrapassar a Serra do Caldeirão, existindo três prováveis variantes, uma mais ocidental por Loulé, talvez a mais importante, uma central por S. Brás de Alportel, reunindo-se em Salir, e uma oriental por Sta. Catarina da Fonte do Bispo que se reúne com as anteriores em S. Pedro de Solis.
(ver Silva, 2002/2005; Rodrigues, 2004; Maia 2006).

Variante de Faro a Salir por S. Brás de Alportel:
Faro (OSSONOBA) (rumando a N, saía pela Rua de Portugal, ao longo da grande necrópole de Lethes, Rua de S. Luís, Estrada da Penha até Vale Carneiros)
Conceição (talvez próximo dos Montes da Meia Légua e de Porto Carro)
Estoi (importante Villa Milreu; continua pela margem esquerda do rio Seco por Cacela, contornando a poente o Cerro do Malhão)
Travessia do rio Seco em Porto Velho
Vale do Joio, Machados (villa; inflecte para N e atravessa a Serra de Monte Figo)
Hortas e Moinhos, S. Brás de Alportel (calçadinha)
S. Brás de Alportel (a calçadinha, talvez de origem romana, entra na vila pela Rua Dr. Vitorino Passos Pinto; a via seguiria para o vale da Ribeira das Mercês por Alcaria, Cerro de Alportel, Juncais, Corte e Almarjão, desviando por calçada para Amendoeira e Portela)
Touriz, Querença (entronca na estrada para Salir à esquerda ou segue à direita para Barranco do Cão para atravessar a Serra do Caldeirão)
Salir (nó rodoviário, onde entronca a variante ocidental por Faro-Loulé-Salir)

Variante de Faro a Salir por Loulé:
Faro (OSSONOBA) (seguia a via litoral até Almansil, onde desviava para N para Loulé por Quartos e Fazenda do Cotovio pela margem esquerda da ribeira de Cadouço)
Ponte Romano?-Medieval de Álamos sobre a ribeira do Cadoiço, Loulé (recentemente reabilitada)
Loulé (segue pela estrada de Salir que sai pela Rua de Portugal por Vale da Rosa e cruz da Assumada)
Ponte Romano?-Medieval de Tôr sobre a ribeira de Algibre, Querença, Loulé (5 arcos; 2 visíveis; calçada a 2 km chamada "Estrada de Portugal")
Salir
    Ligações de Salir para poente:
    É possível que de Salir partisse uma via para poente passando por Benafim (ara funerária na Qta. do Freixo) e Alte, onde se dividia em dois ramos, um ramo acedia às minas de cobre do Pico Alto e do Cerro de Monte Rosso, passando em Sta. Margarida e outro continuava para oeste passando em Torre, Messines de Baixo, Portela, Castelo, prosseguindo por calçada até S. Bartolomeu de Messines. Daqui poderia rumar para N para a travessia da serra por S. Marcos da Serra e Santa Clara, onde entronca na via que vinha de Portimão por Monchique ou descer ao litoral pela calçada da Ladeira da Bernarda até Algoz ou pela margem esquerda do Rio Arade por Calçada, Cortes, Torre, Cumeada e St. Estevão (mina de cobre), rumando depois ao litoral por duas vias alternativas, uma para Estômbar, onde entronca na via do litoral algarvio, e outra seguindo por Qta. do Arge até Porto de Lagos, onde cruza com a via que vinha de Portimão para Monchique.

Variante de Salir para norte até S. Pedro de Solis
A provável via principal rumaria a leste para transpor a Serra do Caldeirão.
Maxieira (segue +- o percurso da EN2 até)
Barranco do Velho (desvia pela EN124 para Montes Novos e segue o caminho rural para Vale da Rosa por Cortiçadas onde reencontra a EN2, saindo pouco depois para Figueirinha)
Santa Cruz (por Castelejo; reencontro com a variante que vem de Faro por St. Catarina da Fonte do Bispo)
S. Pedro de Solis

Variante de Faro a S. Pedro de Solis por Sta. Catarina da Fonte do Bispo (Via XXI?):
A parte inicial do percurso até Moncarapacho está algo indefinido podendo rumar primeiro a Alfandanga pela via litoral, onde recebia o tráfego de Balsa e rumava a N para atingir Moncarapacho pelo lugar do Marco. Em alternativa poderia existir um caminho mais directo entre Faro e Moncarapacho pela Ponte de Quelfes no "caminho de que vae de quelfes pera porttugal" (LOURO, 1929 p.60) (ver também Manuel Maia, 2006, Fraga da Silva, 2000/2005 e Sandra Rodrigues, 2004)

Faro (seguia o percurso da EM522 por Vale de Rei e Quatrim)
Ponte de Quelfes sobre a ribeira de Marim (próximo do Cerro de S. Miguel)
Moncarapacho (possível localização da Statio Sacra referida na Cosmographia do Anónimo de Ravena)
Ponte Romano?-Medieval sobre a ribeira do Tronco, Moncarapacho (1 arco; aqui começa o caminho com vários troços de calçada)
Caliços (no Vale da Serra há calçada intermitente com 1300 m)
Ponte dos Caliços (a via continua com troços empedrados e em terra batida por Vale da Serra)
Foupana, Moncarapacho
Ponte da Torre sobre a ribeira de Arroio
Montes e Lagares, Sta. Catarina da Fonte do Bispo (calçada do Ribeiro do Lagar; cruzaria com a variante norte da via litoral)
Travessia da ribeira de Alportel em Porto Carvalhoso (continua para N por Bem Parece e Água de Fusos)
Travessia da ribeira de Fronteira no Corxo (continua por Cabeça do Velho e Cerro Alto)
Travessia da ribeira de Odeleite no Cercado da Lagoa (continua por Castelão até)
Feiteira (segue para Corte João Velho ou segue à esquerda pela EN124 e logo a seguir na Fonte da Rata à direita por Figueirinha, Valeira e Ginêta)
Mealha, Cachopo (segue por Alcarias Pedro Guerreiro, atravessa a ribeira da Corte no Monte da Estrada e segue para o Moinho do Pereirão e Zorrinho de Cima)
Pessegueiro (segue por Zambujeiro)
Travessia da ribeira do Vascão (talvez no Moinho da Vargem)
Santa Cruz (por Casa Nova e Monte do Castelejo, onde reencontra a variante por Mealha)
S. Pedro de Solis

De S. Pedro de Solis seguem juntas para Sta. Bárbara de Padrões:
S. Pedro de Solis (segue em calçada por Alcaria das Bichas e Minas do Barrigão, Miguenzes, Caiada, Herdade da Espanca)
S. Miguel do Pinheiro (Forte Romano Manuel Galo)
Travessia da ribeira de Carreiras
Caiada ou Sra. da Graça de Padrões
Travessia da ribeira de Cobres
Sete
Sta. Bárbara de Padrões (ARANNIS), Castro Verde (referência a dois miliários)

Via XXI - Sta. Bárbara de Padrões (ARANNIS) - Alcácer do Sal (SALACIA)
Sta. Bárbara de Padrões
Castro Verde
Carregueiro, Aljustrel ( calçada e villa do Monte do Gavião seguindo depois para a calçada do Monte do Mau Ladrão no sentido este-oeste)
Aljustrel (VIPASCA) (Minas Romanas Metallum Vipascensis; villa de Alcarias)
SARAPIA (possíveis localizações: Sta. Margarida do Sado, Figueira dos Cavaleiros e Peroguarda)
Odivelas (ver percurso no Itinerário Alcácer-Beja)
Torrão (ver percurso no Itinerário XII)
Alcácer do Sal (SALACIA)

Via ARANNIS - Beja (PACE IULIA):
Deveria existir uma ligação entre Arannis e Beja pelo caminho mais curto, embora não mencionado no itinerário.
Sta. Bárbara de Padrões
Namorados
Travessia da ribeira de Cobres entre Cabeças e Pereira
Travessia da ribeira de Maria Delgada junto ao Alto de S. Pedro das Cabeças
Castro Verde (entra junto ao cemitério e segue por Portela, Monte Tacanho, Monte da Perdigoa e Alto do Monte Branco)
Entradas (segue a poente da povoação pelo Monte do Canal, onde atravessa a ribeira Cinceira, segue pelos altos da Lapa e da Malhada Nova, Lagoa de Pedra, onde inflecte para o Monte da Charnequinha; próximo fica o Castelo Velho de Cobres/Castelo de Montel)
Albernoa (segue o CM1092 pelos limites do Monte da Marzalonas, Monte Linhares, Monte das Marzalonas, Alto do Cerro, ribeira de Rascas e Balhamim)
Santa Clara do Louredo, Beja (miliário a Galério e Constâncio da milha XXXVI, 36, talvez contadas a partir de Arannis)
Beja (PACE IULIA)

Mapa

XXI - Évora (EBORA) - FINES - ARUCCI - Serpa (SERPA) - Beja (PACE IULIA)

EBORA
SERPA
FINES
ARUCCI
PACE IULIA
XLIIII
XIII
XX
XXV
XXX
Este troço do Itinerário XXI é o que coloca mais questões devido à incerteza que rodeia a localização das estações intermédias no seu percurso até Beja. Depois de atravessar Évora, o itinerário indica a estação de Serpa que a ser situada na actual cidade de Serpa, nunca poderia estar somente a 13 milhas (19,2 km) de Évora como é indicado, além de que um percurso entre Serpa e Beja com duas estações de permeio é muito improvável atendendo à distância actual entre as duas cidades. Na impossibilidade de acertar as distâncias, podemos sempre admitir um erro na transcrição do itinerário, tanto nas milhas indicadas como na própria sequência de estações, mas isso não ajuda a esclarecer o problema e o itinerário de Antonino até tem mostrado grande exactidão nos outros itinerários. Por isso é preciso tentar outras explicações. Vinte milhas depois de Serpa seria atingida a mansio Fines, também sem localização precisa, rumando depois à mansio de Arucci que deverá estar na origem do nome da actual povoação de Aroche do outro lado da fronteira e daqui rumava finalmente a Beja. Este traçado é pouco lógico e tem de haver um erro na interpretação neste Itinerário de Antonino.

Tentativa de resolução:


ARUCCI em Moura?
Moura tem sido tradicionalmente associada a Arucci com base na famosa inscrição dedicada a Agripina (CIL II 963) e que hoje está no Museu de Moura.

[...]LIAE AGRIPPINA
[...]RIS AVG • GERMAN
[...]MATRI • AVG • N
[...]IVITAS ARVCCITANA
Esta associação foi proposta no século XVI pelo historiador Português André de Resende que leu na letra «N.» a palavra «N.(ova)», levando-o a considerar a existência de duas civitates, uma designada por Nova Civitas Aruccitana correspondendo a Moura e, por oposição, uma mais antiga que lhe deu origem e por isso a cognominou de Arucci Vetus próximo da Aroche actual. Hoje parece claro que só existia uma Arucci visto que esta epígrafe é na realidade originária da Serra de Aroche, reforçando assim essa região espanhola como a mais provável localização da Civitas Aruccitana e logo da mansio de Arucci referida nos itinerários, muito provavelmente localizada em torno da Ermida de San Mamés em Llanos de la Belleza.

FINES em Moura ou Corte de Messangil?
Considerando então Arucci localizada em Llanos de la Belleza, próximo da actual Aroche, teríamos de posicionar a mansio Fines a 25 milhas para ocidente e a 20 milhas de Serpa, segundo o itinerário; Ora esta localização corresponde sensivelmente ao vicus da Fonte de S. Miguel de Fines em Corte de Messangil. No entanto, admitindo que rota seguia para Évora em vez de Beja, as 25 milhas posicionam Fines em Moura, onde há muitos vestígios romanos.

Uma nova sequência de estações
Admitindo que a mansio Serpa mencionada no itinerário ficava na actual cidade de Serpa, a sequência lógica a partir de Évora seria, Ebora, Pace Iulia, Serpa, Fines e Arucci. Assim o itinerário poderia assumir a forma abaixo, onde se tenta ajustar as distância reais entre mansiones.

Itinerário original
EBORA XLIIII
SERPA XIII
FINES XX
ARUCCI XXV
PACE IULIA XXX
Distâncias Intermédias
EBORA - SERPA XIII
SERPA - FINES XX
FINES - ARUCCI XXV
ARUCCI - PACE IULIA XXX
Distâncias actuais:
(em milhas)

Évora - Beja 44
Beja - Serpa 20
Serpa - Moura 20
Serpa - Messangil 13
Messangil - Aroche 25
Beja - Moura 30
Beja - Aroche 61
Hipótese com FINES em Messangil
EBORA - PACE IULIA XLIIII
PACE IULIA - SERPA XX
SERPA - FINES (Messangil) XIII
FINES (Messangil) - ARUCCI XXV
Hipótese com FINES em Moura
EBORA - FINES (Moura) XLIIII
FINES (Moura) - ARUCCI XXV
FINES (Moura) - SERPA XX
FINES (Moura) - PACE IULIA XXX
SERPA no Ravennatis
A Cosmographia do Anónimo de Ravena apresenta a seguinte sequência de cidades da Baética: «Item super fretum Septem sunt civitates, id est, Bepsipon, Merifabion, Caditana Portum, Asta, Serpa, Pace Iulia» (Ravennatis IV, 43, 16); Admitindo que esta sequência corresponde a uma via romana entre o Porto de Cádiz (Caditana Portum) e a capital do Conventus Pacensis (Pace Iulia), passando por Serpa, o que está de acordo com o terreno, mas a omissão de Arucci poderá indicar que se trata de uma outra via NO-SE pelo caminho mais curto entre Beja e Cádiz (ver o Itinerário Beja-Huelva-Cádiz), enquanto a via referida no Itinerário de Antonino seguia para leste por Fines e Arucci.

Uma outra Serpa?
Em outra parte da mesma Cosmographia são enumeradas as civitates da Baética que estavam sobre domínio de Hispalis na actual Sevilha: Onuba, Urion, Arucci, Fines, Seria. (Rav. IV 45). Ora esta sequência está mais de acordo com o Itinerário de Antonino, formando uma linha que inclui Huelva (Onuba), Fines e Arucci sobre esse domínio, finalizando com uma enigmática civitas Seria que poderá ser apenas uma grafia diferente para Serpa. Mas porque não haveria de existir uma Seria diferente de Serpa?
Ver aqui uma descrição do Itinerário Huelva (Onuba) - Aroche (Arucci).

SERIA no Itinerário de Antonino
EBORA - SERIA XIII
SERIA - FINES XX
FINES - ARUCCI XXV
(FINES - PACE IULIA XXX)
Admitindo então uma civitas de Seria na sequência de Fines, permite uma nova interpretação do Itinerário XXI de Antonino ao inserir uma estação entre Fines e Évora designado por Seria. Esta mera hipótese permitia explicar a sequência das estações em Antonino, admitindo que é no itinerário que se faz a troca de Seria por Serpa por erro do copista medieval, o que é bastante plausível por troca da letra «I» pela letra «P» tal como no Ravennatis.

Onde ficaria SERIA
Évora - SERIA XIII (19,2 km)
SERIA - Moura XX (29,6 km)
Moura - Aroche XXV (37,0 km)
Aroche - Moura XXV (37,0 km)
Moura - Beja XXX (44,4 km)
Admitindo que Fines ficava em Moura, onde existia uma povoação romana de algum relevo, então Seria estaria algures a 20 milhas de Moura, o que nos coloca na região de Portel, e a 13 milhas de Évora, o que nos coloca na região de Torre de Coelheiros, onde há registo de miliários (Monte de Sitima, S. Marcos da Abóbada, Herdade da Torre do Lobo). Por outro lado, admitindo que Fines ficava em Corte de Messangil, então Seria tanto poderia ser em Moura como em Serpa, sendo que neste caso o erro estaria no Ravennate trocando Serpa por Seria.

Perante todas estas dúvidas sobre o Itinerário XXI de Antonino, apresentam-se os diversos troços de vias ainda observáveis no terreno sem a preocupação de inseri-los no Itinerário, nomeadamente, a comprovada via entre Évora e Beja pelo caminho mais curto, a mais que provável ligação entre Évora e Moura passando por Portel e as possíveis ligações a sul de Moura que iam entroncar nas ligações entre Beja e a Baética.

Mapa

















XXI - Évora (EBORA) - Beja (PACE IULIA) (ver Bilou: 2000a)
Apesar de não ser mencionada nos Itinerários de Antonino, a via romana que ligava a importante civitas de Évora a Beja, capital do Conventus Pacensis pelo caminho mais curto, cerca de L milhas ou 74 km, tem imensos vestígios ao longo do caminho que atestam a sua existência, contando-se actualmente 16 miliários, na sua maioria anepígrafos, e alguns troços de calçada ao longo do seu traçado. Urge estabelecer medidas de protecção para esta via cujos vestígios estão ao abandono e sujeitos a progressivas destruições. A identificação do traçado da via está praticamente completo pelo que se torna evidente a sua utilização turística.

Évora (EBORA) (a via sai pela Porta do Raimundo)
Horta do Bispo, Horta das Figueiras (troço de calçada segundo Pereira, 1948, p. 296-335; segue pelo Bairro da Ns. do Carmo
Travessia da ribeira da Torregela junto à Herdade da Barbarrala Nova (lajeado no vau da ribeira)
Monte das Flores (miliário?; a via segue pela margem direita do rio Xarrama)
Fontalva (4 miliários; o miliário 1 está entre o rio Xarrama e o acesso ao Mte. de Fontalva e deveria indicar a milha VII; os miliários 3 e 4 estão tombados no leito do rio, podendo ser 2 fragmentos do mesmo miliário)
Porto de Zambujal do Conde (a 800 m a jusante dos miliários 3 e 4 de Fontalva)
Monte do Seixo (referência a um miliário)
Porto da Magalhoa (referência a um miliário; o "Endovélico" refere 3 miliários entre a Herdade da Zambujeira e a Herdade da Magalhoa; um deles seria o miliário referenciado por Mário Saa como Marca do Diabo)
Torre/Solar da Camoeira (provável mutatio de onde provém o miliário a Maximino e Máximo da milha XI, IRCP 664a, que está hoje à entrada dos serviços administrativos da EP, antiga JAE, em Évora)
Travessia do rio Xarrama no Porto da Camoeira (existe um miliário tombado no leito do rio que corresponderá à milha XII e algumas poldras parecem miliários reaproveitados)
Aguilhão, Torre de Coelheiros (segue 200 m paralela ao rio até à Azenha do Silveira onde existe calçada; continua pelo Porto da Calçadinha onde reaparece a calçada durante 300 m até chegar a um miliário in situ correspondente à milha XIII na Herdade da Ovelheira; a calçada continua por 1500 m, próximo do marco geodésico na divisão das Herdades da Falcoeira e Camoeira)
Ponte Romana sobre a ribeira da Murteira ou do Aguilhão na Horta do Vinagre (só vestígios; fuste e base de miliário anepígrafo na margem esquerda e a sua base no leito do rio correspondente à milha XIV)
Aguiar (passa a poente da povoação pelo Monte Lindim onde há calçada e miliário ilegível correspondente à milha XV)
Travessia da ribeira de Alpracá (continua por Serrado, Monte Ruivo)
Ns. d'Aires (FOXEM), Viana do Alentejo (vicus na Herdade das Paredes; calçada e 2 miliários inseridos nas colunas do adro do santuário, um é o IRCP 672? e o outro indica a milha XVII que corresponde à distância a Évora, IRCP 680; a via deveria seguir por Hortas Velhas até Água de Peixe, mas deveria existir também uma ligação a Viana)
Viana do Alentejo (a via talvez seguisse a EN257 junto à Horta de Tomes e Horta do Espanadeiro, e 1 km depois sai em frente pelo estradão que passa em Sarnado)
Água de Peixe (onde conflui com a variante que vinha por Hortas Velhas e passa a asfalto, no CM1004; mina de ferro)
Albergaria dos Fusos (possível mansio ou mutatio; segue pela EN258-1)
Ponte Romano-Medieval de Vila Ruiva sobre a ribeira de Odivelas (120 m; 20 arcos, só 3 pilares são romanos)
  • Ramal para S. Cucufate: é possível que um ramal partindo de Vila Ruiva seguisse por Vila Alva (cupa anepígrafa na Ermida de S. Bartolomeu, FE304) em direcção da importante Villa de S. Cucufate em Vila de Frades (Vidigueira), continuando no sentido NW-SE para Baleizão pelo Mte. da Misericórdia e Mte. da Torre, e próximo da villae da Alto da Chucha, do Monte da Cegonha e do Monte do Zambujal já na freguesia de Selmes, atravessando a ribeira de S. Pedro e seguindo pela Qta. de S. Pedro até ao Monte das Barbas de Lebre, onde entroncaria na hipotética Via entre Moura e Beja.
Vila Ruiva (possível fuste de miliário; seguiria pela EN258-1 que passa junto da barragem romana, em frente da Ermida da Ns. da Represa, onde corta à direita para ir passar junto da villa e casais do Mte. da Panasqueira)

Travessia da ribeira de Mac Abraão junto ao Monte da Palheta (daqui rumaria para a antiga Cupa no Outeiro dos Moinhos, passando junto do Mte. da Azurria e Mte. da Boavista)
Outeiro dos Moinhos/Moinhos do Taquenho, Mte. do Outeiro/, Cuba (a 2 km de Cuba, na EN387, virar à direita ; provavelmente o antigo vicus de Cupa, documentado em 1257)
Cuba (sai pelo Chafariz da Fonte dos Leões e segue junto à linha férrea pelo Mte. da Torre do Pinto, passaria junto ao acampamento militar romano de Mata-Bodes, a 800 m N da Villa do Mte. do Meio e seguia até Mte. do Pombalinho e Qta. da Saúde)
Beja (PACE IULIA) (passava junto da Villa da Qta. da Fonte Figueira e nas traseiras do Convento de Sta. Clara, entrando na cidade pela Porta de Évora com o seu arco romano e calçada; importante Villa da Qta. de Suratesta)

  • Variante para Beja por Alvito e Ponte da Pedra: Segundo informação de Jorge Feio, é possível uma derivação no Monte do Cavalete em direcção a Alvito, EN257, onde se localiza o importante povoado romano de S. Romão, talvez a civitas Mirietanorum referida na inscrição de Vila Nova da Baronia, seguindo depois a EN258 pela chamada «Ponte da Pedra» (reconstrução de 1899 de uma ponte mais antiga, possivelmente romana sobre a ribeira de Odivelas), continuando por Monte dos Lúzios (calçada), Monte do Azinhal (calçada), Malhada dos Passarinhos até confluir com o caminho principal que vinha da Ponte de Vila Ruiva, e juntas atravessam a ribeira de Mac Abraão junto do Mte. da Palheta, onde voltavam a derivar, seguindo a principal para Cuba enquanto esta variante seguia pelo Mte. dos Assentes e Faro do Alentejo até ao vicus de Ladeiras, continuando pelo Mte. do Monvestido e S. Brissos até entroncar na Via Lisboa-Beja, provavelmente no Mte. da Fonte dos Cântaros onde se achou um miliário.

Mapa













XXI - Évora (EBORA) - Portel - Moura (FINES?) (ver Bilou: 2000a)
Via romana entre Évora e Moura que passa na região de Portel, o caminho mais curto. A ponte sobre o rio Xarrama logo à saída de Évora e os possíveis fragmentos de miliários em Sitima e S. Marcos da Abóbada marcam a passagem da via. Ver Carta Arqueológica do Concelho de Évora

De Évora a Moura por Portel
Évora (sai pela Horta do Bispo onde existia um troço de calçada (Pereira: 1948, 296-335), desvia no Monte da Barbarrala Nova pelas traseiras das instalações da EDIA)
Ponte Antiga do Xarrama sobre o rio Xarrama (22 m, 3 arcos, 1 desabou; calçada debaixo do actual caminho)
Monte da Chaminé (talvez siga a poente do monte pelos altos da Vigia e da Barroqueira; novos vestígios da via junto ao aeródromo)
Sitima (possível miliário e mais 3 fragmentos no Monte da Sitima)
Travessia da ribeira de Souséis (continua em calçada para Maceda/Alto do Marco, onde inflecte para SE)
S. Marcos da Abóbada, Torre de Coelheiros (4 fragmentos de miliários anepígrafos no marco geodésico do Marco; importante villa romana que nunca foi escavada e continua ao abandono!; continua talvez pelos altos do Seixo e do Casqueiro, passando a SW de Torre de Coelheiros até ao Alto da Eira dos Pomares)
Mosteiros, S. Bartolomeu do Outeiro (Villa junto da ribeira de Oriola, 1 km a SW de Oriola; estela funerária, FE366)
Oriola (passava a NE; André de Resende refere um miliário a Diocleciano e Maximiano marcando a divisão entre os termos de Évora e de Beja que poderia ser no sítio do Marco, a 1 km para SE do Alto da Eira dos Pomares, precisamente na divisão entre os concelhos de Évora e Portel; a via continuava pelos altos do Outeirão e de Ferros, Mte. de Matraque, passando nos limites da herdade da Torre do Lobo, a 4 km da sua torre medieval, onde foram identificados recentemente 2 miliários deslocados e mais 2 fragmentos junto ao casario)
Portel (segundo Saa, o caminho passaria 3 km para leste)

Ligação a Moura: o caminho para Moura continua incerto devido à ausência de vestígios significativos, mas é provável que seguisse por Vera Cruz e Marmelar sendo provável que se dirigisse à travessia do rio Guadiana a jusante da foz do rio Ardila no Cais do Fragal/Moinho da Barca, seguindo depois pelo Mte. do Ameixial até Moura (ver o renovado Museu de Moura que guarda o miliário de Corte do Alho e outro espólio).

Possíveis variantes partindo de Évora por Reguengos de Monsaraz. (Ver Carneiro, 2008)
  • Alternativa por S. Manços: Saindo de Évora pela porta de Moura e Chafariz del Rei, atravessava o Xarrama junto da Qta. da Luzerna seguindo depois a rota da EN256 para o Mte. da Mesquita e Horta do Albardão a NE de S. Manços (a Igreja de S. Manços é uma reconversão de um edifício romano da villa que aí existia), Vale de Ferreiros, Travessia do rio Degebe em Porto Calçado/Ponte do Albardão (vau lajeado, continuando pela calçada do Moinho da Ponte), na Vendinha (S. Vicente do Pigeiro), sai da EN256 e inflecte para NE para Vilar de Barrada/Vila da Abegoria em Caridade e finalmente Reguengos de Monsaraz
  • Alternativa por Ns. de Machede: Évora (sai da cidade pela Qta. do Forno da Cal), Ns. de Machede (calçada em Vale Melhorado; villa no Monte da Fonte Coberta), Ponte sobre a ribeira de Machede (possível miliário à saída da ponte), S. Vicente de Valongo (antes do medieval Castelo Real existiria um Castelo Velho de origem romana na outra margem em Alcorovisca), Montoito, Falcoeiras, S. Pedro de Corval e finalmente Monsaraz.
Ligação Monsaraz - Moura: O percurso é desconhecido, mas é provável que seguisse para a travessia do rio Guadiana (por Campinho?) junto do Castelo Romano da Lousa, na freguesia da Luz (hoje submerso pela Barragem do Alqueva) estrutura fortificada controlando esta travessia que poderia seguir também para Espanha por Santo Amador e S. Leonardo, não havendo vestígios para além da chegada a Moura pelo norte onde há vestígios de calçada ainda visíveis, logo após a travessia do rio Ardila em Porto Mourão. A calçada segue durante um 1 km pela Qta. da Esperança, Qta. da Pardouqueira, Qta. de S. Lourenço e calçada de Forca, entrando na cidade pela Ponte Romana? sobre o rio Brenhas (1 arco), sobe à EN255 e segue para Rossio do Carmo em Moura.

Mapa





XXI - Itinerários entre Moura e a Via Pace Iulia - Onuba
de Moura a Beja (ver Lima 1998)
Moura (segue pelos lugares de Ladeirinha Branca, Pisões (calçada), Mata Sete, calçada de Farelos)
Travessia do rio Guadiana em Porto de Moura (Minas de Orada)
Pedrogão (villa em Horta do Cano; segue por Monte das Aldeias)
Travessia da ribeira de Odearce em Moinhos das Aldeias Pequenas junto ao Alto da Rabadoa
Monte da Rabadoa, Barbas de Lebre
Horta do Bacelo
Travessia das ribeiras da Cardeira e do Canal
Beja (PACE IULIA) (entrava pela Carreira dos Seguros)
  • Em alternativa, a via poderia seguir por Pisanto e Brinches (villa no Mte. da Salsa) para ir atravessar o rio Guadiana no vau de Vale de Brisão/Beirão/Casa da Barca, seguindo depois por Folha do Ranjão, Baleizão e Porto Peles (ponte romana? já demolida?) seguindo junto da Qta. da Mongeralda até Beja.

de Moura a Aroche (ver Lima 1998)
Moura (depois de atravessar a Ponte do Brenhas, seguia pelos vestígios de calçada na Encosta do Brenhas, Qta. de Santa Justa, Calçadinha e Coutada)
Sobral da Adiça (Lima identificou uma coluna em mármore como miliário «na extrema da Coroada com o Motum» que poderá corresponder ao Cabeço Redondo junto ao Monte Metum e, mesmo deslocado, indicia a passagem da via junto da ribeira de Toutelga, por Montalvo, Montes Juntos e Alcaria e servindo as villae de Carrasca, Mte. Branco/Borrazeiros, Mte. Novo, Preguiça, Álamo e Touril, atravessando a fronteira em Vale do Grou)
Rosal de la Fronteira (onde entronca na via Beja-Sevilha)
Aroche (ARUCCI)

de Moura a Serpa (ver Lima 1998)
Moura (ruma a S pela calçada de S. Lourenço)
Herdade dos Machados, Moura (calçada com vários km)
Vale de Vargo (a via serviria as diversas villae romanas junto ao Barranco do Zambujo, Villa do Zambujeiro e do Barranco da Amoreira, Villa do Poço das Sapateiras em Belmeque, Villa de Casqueiros Calçada e Villa de Fonte da Pipa)
Corte do Alho, Vale de Vargo/Pias (miliário a Adriano indicando VIII milhas pelo que tanto pode marcar a distância a Moura como à fronteira com a Baética; está no Museu de Moura)
Monte da Vinha
Travessia da ribeira de Enxoé (a montante da Ponte Medieval no km 118 da EN255 Pias-Serpa; continua próximo do miliário que delimita os Montes da Chilra e dos Lagares de Alpendre, e as Villae de Espicharrabo, Capela e Torre Velha)
Serpa

Mapa

XXI - Beja (PACE IULIA) - Sevilha (HISPALIS)

Sendo Pace Iulia capital de Conventus deveria existir uma ligação pelo caminho mais curto a Hispalis, actual Sevilha que era uma das principais cidades da província romana da Baética que corresponde grosso modo à actual Andaluzia, cruzando a via romana que ligava a foz do rio Guadiana a Mérida mencionada no itinerário de Antonino como Item ab Ostio fluminis Anae Emeritam usque. O percurso é apenas hipotético devido às incertezas ainda existentes.

Beja (PACE IULIA) (sai talvez pela Rua Bento Jesus Caraça, passa na villa da Qta. da Abóbada e segue o CM1045)
Padrão, Beja (talvez siga pelo Monte do Zambujeiro)
Quintos (calçada na Herdade das Carretas; segue para Pisões, onde atravessava a ribeira da Cardeira na Ponte Romana?, continuando pelo Monte da Corte Piorno)
Travessia do rio Guadiana (Anae) no Vau de Quintos (subia as ladeiras do Guadiana e seguia por Horta da Guinapa, Monte do Farrobo, Horta da Chaminé, Horta da Barca, Marreira e Calçada da Bemposta, caminho nas traseiras da Escola Profissional de Desenvolvimento Rural, seguindo até Serpa pelo caminho em terra que passa a sul dos silos da Qta. do Fidalgo)

Serpa (SERPA) (de Serpa deveria rumar a NE passando nos miliários do Monte da Chilra e do Corte do Alho até à mutatio, se não mesmo mansio em Corte de Messangil. Na parte inicial deveria seguir próximo das villae da Horta da Alcaria, Barragem romana do Muro de Mouros no Barranco da Morgadinha), Laje Meirinho, Monte do Facho/Outeiro dos Púcaros, Abóboda, Valverde, Borralhos)
Travessia da ribeira de Enxoé
Corte de Messangil, Vale de Vargo (FINES?) (hipotética localização da mansio na Fonte de São Miguel Fines)
Vila Verde de Ficalho (villa no Jardim do Museu de Ficalho; seguindo pelo Barranco de Penalva)
Rosal de la Frontera (conflui com a via proveniente de Moura; ver o itinerário para Huelva aqui)
Aroche (ARUCCI) (civitas localizada na Ermida de San Mamés, em Llanos de la Belleza; segue a margem esquerda do Rio Chanza por Cortijo de la Coronela, Casa de la Babosa, Casa de Duarte, Cabezo del Calar, Collado Hondo, Merendero, vereda de Sevilla e Casa del Capitán e Veredas)
Almonaster la Real (segue por Era de la Cuesta, vertente norte del Cerro Sierra Morena, Barranco de la Parrita, Calabazares, Valdemuñoz, Arroyo de la Cabra, e pela estradas actuais N435 e HU-7103)
Ermita de Santa Eulalia, Almonaster la Real (mausoléu romano, possível localização da LAELIA de Ptolomeu; segue pela margem direita da ribeira de Sta. Eulalia)
Travessia do Rio Odiel em Pasada de la Llana (segue por Navalonguilla, Los Moscos, El Coto e Cecimbre)
Campofrío
Cruzamento de vias:
  • Ligação a Sevilha, rumando a SE até Santiponce (ITALICA) (magníficas ruínas da cidade) e depois para Sevilha (HISPALIS).
  • Ligação a Huelva, rumando a sul por Minas do Riotinto (URIUM/URION em Corta del Lago), Valverde del Camino, Beas, Trigueros até Huelva (ONUBA).

Mapa

XXI - Beja (PACE IULIA) - Huelva (ONUBA) - Cádiz (GADITANA)

Sendo Beja capital de um Conventus deveria ligar pelo caminho mais curto às principais cidades da província romana da Baética (Onuba e Hispalis) que corresponde grosso-modo à actual Andaluzia, entroncando na via romana que ligava a foz do rio Guadiana a Mérida mencionada no itinerário de Antonino como Item ab Ostio fluminis Anae Emeritam usque. O percurso é apenas hipotético devido às incertezas ainda existentes e incluem uma travessia da actual fronteira luso-espanhola, o rio Chança, nas proximidades das importantes explorações mineiras da região de Paymogo.

Beja (PACE IULIA) (seria comum à Via Beja-Sevilha até Serpa)
Serpa (SERPA) (de Serpa deveria rumar a SE aproximadamente pela EN265 pelo Mte. do Peixoto)
Santa Iria
Travessia da ribeira de Limas
Vales Mortos (antes da povoação segue o CM1096 na direcção SE, no antigo posto da Guarda Fiscal desce ao rio pela Fonte dos Contrabandistas)
Travessia Rio Chança (talvez junto à Casa do Bertolo; fronteira luso-espanhola)
Paymogo (minas romanas em Grupo Malagón, Paymoguillo el Viejo, La Romanera e La Sierrecilla)
Puebla de Gusmán (minas romanas)
Huelva (ONUBA)
Cádiz (GADITANA).

OUTROS ITINERÁRIOS - de norte para sul


Mapa



Porto (CALE) - Marnel (TALABRIGA) pela costa

Traçado hipotético de uma via secundária que partindo de Cale seguiria pelo litoral, acompanhando a linha de costa para servir os castros e as comunidades piscatórias espalhadas ao longo da frente marítima até entroncar na via Braga-Lisboa na travessia do rio Vouga junto do Cabeço do Vouga em Marnel, a civitas e mansio de Talabriga. Apesar dos poucos vestígios no terreno é muito provável que a estrada que teria origem num caminho pré-romano, seguisse próximo do Castro da Madalena e da necrópole do Sameiro (Valadares), continuando junto da necrópole do vicus do Alto da Vela em Gulpilhares, continuando depois para Brito em S. Félix da Marinha. A passagem da via neste sítio é reforçada pela referência à «estrada mourisca» na doação que Trutesindo Mendes fez das suas terras em Brantães e S. Félix da Marinha, ao Mosteiro de Grijó, indicando que estas ficavam acima e abaixo da estrada mourisca junto do ribeiro de Serzedo; (subter illam Stratam Mauriscam, discurrente riuulo Cerzedo, (in Viterbo, 1799, Vol 1, p. 298), embora não seja possível provar que esta estrada já existisse na era romana. A estrada seguia depois para Anta, passava a nascente de Espinho e seguia para Paramos, próximo do Castro de Ovil, em direcção a Ovar e Estarreja até ao rio Vouga. Poderiam existir também ligações transversais para ligar à Via XVI Braga-Lisboa como a Vila da Feira-São João da Madeira ou mais à frente Ovar-Cucujães-Úl.
Sta. Marinha (do cais de Gaia ascendia até ao Candal ou Coimbrões ou derivava da Porto-Lisboa pelo lugar do Marco na Barrosa)
Coimbrões, Sta. Marinha (Igreja e Monte de Sta. Bárbara; talvez pela Rua Sr. de Matosinhos, cortada pela AE1, continua na Rua Velha dos Lagos)
Madalena (Largo da Oliveiras, onde está um marco divisório entre freguesias; talvez siga pelo sopé do Castro do Cerro/Coteiro do Castro/da Madalena, ao lado da Rua do Castro)
Valadares (Necrópole do Monte Sameiro; na foz da ribeira de Valverde/do Paço, em Tartomil, Praia de Valadares, foi encontrado uma pedra em forma de tambor com a epígrafe I.ANTONINI. ADRIANI.ABNP que pela sua forma poderia pertencer a um possível miliário, hoje no Solar dos Condes de Resende em Canelas; se não foi deslocado, pode indiciar uma rota mais a poente; esta rota atravessa a EN109 da Rua Nova do Paço para a Rua do Paço, passa junto à Casa do Paço)
Chamorra, Vilar do Paraíso (sobe pela Rua do Rio do Paço, Rua da Chamorra, Rua Salvador Brandão/EN15)
Gulpilhares (sai da EN15 pela Rua do Pereirinho, junto ao cemitério, Rua Nuno Álvares, atravessando a ribeira de Canelas, Rua João Ovarense até à destruída necrópole do Alto da Vela onde apareceu a coluna de mármore rosa que hoje serve de base ao Cristo do Padrão em Pedroso; segue em frente por caminho de terra até chegar à Rua de Enxomil e Rua do Vale)
Arcozelo (continua ladeando a igreja e cemitério de Arcozelo até Sá, segue pela Rua das Lavouras, Rua da Pedra Alva, volta à EN15 e logo à direita no acesso à A29 onde segue à esquerda pela Rua da Carreira Velha)
Brito, S. Félix da Marinha (continua pela Rua da Carreira Velha depois de atravessar a passagem para peões da A29, passa na Rua dos Ligustres, Rua da Calçada Romana até ao tanque junto à ribeira da Granja; daqui segue em frente, por caminho de terra hoje obstruído por mato, entra na Rua Velha da Calçada Romana até entroncar na Estrada de Brito, EN109; daqui deveria seguir em frente pela Rua Oliva Teles até à ribeira, mas hoje não tem saída)
Travessia da ribeira do Juncal (seguia talvez próximo da Rua da Paz, Rua S. Vicente Ferrer e Rua de S. Tomé)
Lugar de Espinho, S. Félix da Marinha (Villa romana Spino, sob a Capela de S. Tomé integrada numa casa rural; segue por Tabuaça)
Travessia da ribeira do Mocho (hoje tem que se ir à Ponte de Anta)
Anta, Espinho (talvez pela Rua do Progresso, Rua da Igreja, Rua do Passal, Rua do Porto)
Silvalde (há tradição de uma ponte romana sobre a ribeira de Silvalde)
Paramos (talvez pela Rua da Estrada que passa por detrás da Capela da Guia, onde atravessa a ribeira do Rio Maior, no sopé do magnífico Castro de Ovil)
Esmoriz (necrópole do Chão do Grilo; continua pela Corredoura/Rua da Glória, Estrada Real e Rua do Agueiro)
Cortegaça (topónimo Rua da Ponte Romana junto da travessia da ribeira de Cortegaça em Mourão, linha divisória entre concelhos)
Maceda
Arada
  • É provável que a via rumasse ao Castelo da Vila da Feira e daí rumar para SE para ir entroncar com a Via Braga-Lisboa muito próximo de S. João da Madeira, talvez na Ponte da Pica, podendo seguir por dois percursos alternativos, um passando em Fornos e Mosteirô (Calçada da Sra. da Caridade), e outro seguindo a antiga «estrada mourisca» por Souto, passando em S. Gião, Ferral e Azevedo, atendendo ao documento medieval de 1141 onde se lê: in villa dicta azevedo subtus illam stratam mouriscam
  • Várias epígrafes na Vila da Feira: ara votiva a Bande Velugo Toiraeco, RAP 19, ara votiva ao Deo Tueraeo, RAP 20 e duas aras a Júpiter
  • Também é provável que a via continuasse pela antiga linha de costa, próximo do povoado do Cristelo até ao rio Vouga em Angeja, atendendo a que na outra margem existia o vicus da Torre/Marinha Baixa em Cacia, com o seu porto de mar, ou continuar ao longo do rio Vouga até Marnel (Talabriga) entroncando assim na Via XVI Braga-Lisboa.


Mapa







Porto (CALE) - Valongo - Penafiel - Marco de Canaveses - Freixo (TONGOBRIGA)

Via secundária Cale - Tongobriga, em Marco de Canaveses, servindo a importante exploração mineira na região, cujos vestígios se espalham por Valongo, Gondomar e Paredes. Esta rota parece seguir no essencial a EN15 e a A4 numa região densamente povoada pelo que restam poucos vestígios. Salientam-se as travessias dos dois grandes rios da região, o Ferreira e o Sousa, em pontes medievais mas talvez com origem romana e o troço de calçada romana (?) a seguir à Ponte de Cepeda.

Porto (CALE) (sai da Sé pela demolida Porta de Vandoma, Calçada de Vandoma e Rua Chã, antiga Rua Chão das Eiras, sobe pela Rua Cimo de Vila à Praça da Batalha, antiga Porta da muralha)
St. Ildefonso, Porto (Rua de St. Ildefonso, antiga Rua Direita, passa no Largo do Padrão, Campo 24 de Agosto, antigo das Mijavelhas)
Bonfim, Porto (Rua do Bonfim, antigo Chão das Oliveiras e Rua de Godim)
Campanhã, Porto (segue por S. Roque da Lameira; topónimo villa Minhao, hoje resta a Rua da Vila Meã)
Travessia do rio Tinto talvez na Travessa da Ponte (acesso ao castro romanizado do Monte Castro em Gondomar)
Rio Tinto, Gondomar (acompanha a EN15 por S. Caetano, Cavada Nova e Venda Nova; necrópole em Penouços)
Valongo (acesso às minas romanas do Fojo das Pombas na Quinta da Ivanta, Serra de Sta. Justa, de onde será uma Ara aos Deus Manes que está no Museu Soares dos Reis no Porto; calçada junto à Ponte de Couce sobre o rio Ferreira)
S. Martinho do Campo
Ponte Romano?-Medieval sobre o rio Ferreira
Gandra (continua por Vilarinho de Baixo, Granja e Carreiro)
Astromil
Vandoma (Castro romanizado do Muro; Bendoma na documentação medieval; necrópoles em Calvário e Tanque)
Vila Cova de Carros (sai da EN15 e segue pela EN319 até entroncar na EN598-1 onde vira à direita por Agrela)
Paredes (antiga Castelões de Cepeda; do Jardim Público pela Rua da Estrebuela, Rua de Cepeda)
Ponte Romano?-Medieval de Cepeda sobre o rio Sousa, Castelões de Cepeda (1 arco; no CM1325; segue pela calçada e sobe à Costeira)
Qta. da Aveleda, Penafiel (segue pelo interior da quinta até entroncar na EN596-1 e segue até)
Santiago de Subarrifana
Penafiel (antiga Arrifana do Sousa)

Croca (Vicus e provável mansio junto de importante nó rodoviário)
Outros diverticula da via Cale - Tongobriga
  • Vias de apoio à actividade Mineira, deveria existir uma rede viária de apoio à intensa exploração mineira da região como as Minas Romanas de Banjas e de Covas de Castromil (Paredes) assim como as minas romanas do Covelo e de Medas, junto do Castro romanizado de Broalhos (Gondomar). A derivação da Via Cale-Tongobriga poderia ser após a travessia do rio Ferreira em S. Martinho de Campo.
    • Seguindo por Corredoura (necrópole) em direcção a Aguiar de Sousa, onde atravessa o rio Sousa (no castelo?), seguindo depois para o rio Douro em Melres (ara na igreja; calçada na ribeira de Mirões).
    • Também é viável um percurso alternativo que atravessa o rio Ferreira na Ponte da Morte em Luriz, seguindo em direcção ao povoado mineiro de Outeiro da Mó em Santa Comba (duas aras votivas na capela), percorrendo a Serra de Banjas até à Travessia do Douro em Rio Mau na Barca do Pedorido.
  • Ligação do Castro de Vandoma ao Castro do Monte Mozinho: poderia existir uma ligação entre estes importantes castros romanos no sentido NE-SW passando em Baltar e próximo do Mosteiro de Cête, atravessando o rio Sousa na Ponte do Vau ao km 2 da EN319-3 (necrópole na Igreja de Parada de Tadeia) e seguindo próximo do Mosteiro de Paço de Sousa.


Mapa

















Porto (CALE) - S. Pedro do sul - Viseu (VISSAIUM)
Via secundária que partindo de Cale ou Langobriga ia atravessar a Serra de Arouca em direcção a Viseu, provável capital dos Interannienses e importante caput viarum que na época romana se chamaria Vissaium com base numa ara votiva ao deus local Vissaieigo (Fernandes et alii, 2009). Apenas se conhecem dois miliários atribuíveis a esta via, mas ambos encontrados já à entrada de Viseu, em Moselos, mas ainda restam muitas evidências deste antigo caminho que passava próximo do Castro de Romariz, atestada pela referência medieval à «Via Mourisca» («et inde per via maurisca», in PMH, DC 614), seguindo para a Serra de Arouca, optando assim pelo percurso em altitude por ser o caminho mais curto entre Porto e Viseu, mas principalmente porque evita as difíceis travessias de linhas de água na zona dos vales e minimiza as variações de cota da estrada, o "sobe-e-desce" entre vales e colinas, diminuindo assim o esforço dos viandantes e suas montadas. Atravessada a serra, descia a Manhouce, onde existia uma albergaria medieval e talvez uma mutatio, rumando depois a Viseu por S. Pedro do sul. A recente destruição do troço de calçada junto ao cemitério de Albergaria das Cabras, apesar de este troço estar numa zona protegida (!), alerta para a necessidade urgente de proteger os vestígios que restam deste antigo caminho.

Porto (CALE) O percurso inicial entre Cale e a Serra de Arouca é ainda muito incerto porque não se sabe exactamente em que ponto seria a derivação da via principal entre Braga e Lisboa e onde se faria a travessia do Rio Uíma, mas é provável que o itinerário para Viseu derivasse da VIA XVI quer junto do Castro do Monte Murado (Carvalhos) quer mais adiante, no Castro do Monte Redondo (Fiães) perto do qual se situava a Mansio de Langobriga indicada no Itinerário de Antonino.
  • Derivando no Monte Redondo/Langobriga e segundo aproximadamente a actual EN326 para Arouca.
  • Derivando no Monte Murado, a via deveria seguir aproximadamente o trajecto da EN521 por Sanguedo até entroncar no caminho anterior na EN326; Assim este percurso começa na Rua da Voltinha em Venda Nova (Carvalhos), seguindo por Amial, Camalhões, Pereira e Roçadas, onde atravessa a ribeira dos Carvalhos na Ponte das Roçadas (pequeno troço de calçada antes da ponte), seguindo por caminho indeterminado para Sá (Sandim, próximo do Castro romanizado de S. Miguel-o-Anjo) em direcção à Ponte do Carro, onde atravessa o Rio Uíma, e segue algures por Vila Maior em direcção a Louredo (talvez contornando a Serra da Gaeta pela vertente leste por Redonda e S. Martinho).
  • Também deveria existir um caminho proveniente do porto fluvial romano de Favaios no Rio Douro, associado ao vicus do Castelo de Crestuma, que vinha entroncar na via Porto-Viseu, talvez na Ponte do Carro.
Continuação do Itinerário para Viseu
Louredo (sai pela EN326 e logo a seguir sai à direita, sobe a Vila Seca; em Lagoas reencontra a EN326 ou Rua Central)
Cedofeita, Romariz (torna a sair da EN326 antes da Póvoa e desce pela Rua Romana até à)
Ponte sobre o rio Inha, Sta. Ovaia (sobe pela Rua da Ponte até reencontrar a EN326 que passa a seguir)
Cabeçais, Fermedo (o castro romanizado da Portela em Romariz fica a cerca de 3 km para poente; lápide sepulcral na Igreja de Fermedo refere a povoação de Aviobriga, mas onde seria?)
Escariz (passaria próximo do castelo roqueiro do Alto do Coruto; hoje segue a EN326 e depois à direita pela EM519 para a Serra da Abelheira)
Abelheira (continua pela EM519s)
Gestosa (Villa Genestosa num documento do ano 1085; segue à direita por Alvite de Cima até reencontrar a EM519; atravessa a EN327 para Arouca em Alagoas e segue na direcção de Nabais, mas antes sai da estrada e segue por um estradão até Venda da Serra; num documento do ano 1095 faz-se referência a uma uilla genestosa que iacet inter manzores et fajiones et portela, ou seja entre os actuais lugares de Mansores, Fajões e a Portela de Romariz;
Coval, Chave (segue até entroncar na EN224-1, junto ao Castro de Cambra, onde segue à esquerda sob a estrada de asfalto)
Farrapa, Chave (passa nos lugares de Barracão e Borralhal)
Chão de Ave (entronca na EN224 e segue em frente)
  • Ligação a Arouca e Douro: atendendo ao mesmo documento referido acima que menciona uma «carraria antiqua inter Jugarios et Novales», ou seja, uma via entre a villa de Jugueiros e o lugar de Novais (in PMH, DC 639) é muito provável que existisse um diverticulum da via Porto-Viseu em direcção a Sta. Eulália de Arouca, passando junto do Castro romanizado do Monte Valinhas, e de Minhãos (villa minianos) e Moção (per via antiqua usque ad bocca de carreira antiqua per ubi dividet cum uilla de muçun et inte per via antiqua), devendo daqui rumar ao Douro pelos Altos da Lousa e Alta e Cerro do Cão para Vila Cova (necrópole em Alvariça), atravessando o rio Paiva em Espiunca e seguindo depois por Fornelos, onde entronca na via para Viseu proveniente do Douro, seguindo em direcção à travessia do rio Douro junto a Tameobriga, provável nome do Vicus da Várzea do Douro.
Quintela (daqui sobe à Serra da Freita pelo linha divisória entre os concelhos de Arouca e Vale de Cambra)
Merujal (passa na aldeia e segue o caminho para Albergaria)
Albergaria da Serra (ou das Cabras), Arouca (mansio?) (a seguir ao cemitério existia um lanço de calçada que entretanto foi destruída!)
Portela da Anta (junto à anta)
Gestoso (calçada termina à entrada da povoação e continua sob a estrada de asfalto, desviando pouco depois por caminho florestal)
Qta. das Uchas/Qta. da Barreira (calçada, provável mansio no fim da descida da serra)
Ponte Romano?-Medieval de Poço da Barreira sobre a ribeira da Vessa (1 arco) (calçada preservada à saída da ponte)
Barreira, Manhouce (no planalto das Chãs passa a calçada que liga Campo das Eirós às Minas das Chãs que poderá ter origem romana)
Ponte Romano?-Medieval de Manhouce sobre a ribeira de Manhouce (1 arco), a montante da ponte nova
Manhouce (referência a um miliário; desce pela estrada asfaltada até Sequeira, onde segue à esquerda por troços de calçada em Gandras e Castanheiros, na direcção de Valongo e Bostarenga, onde também ainda há calçada e uma estação viária em Fonte dos Ovos, contornando a Serra da Grávia por nascente)
S. Cristovão de Lafões (desce por Giesteira e Chousas até Gralheiras onde entronca na EN227 que vem de Sever do Vouga; é possível que um ramal seguisse para S. João da Serra e daqui a Sever do Vouga, atendendo aos vestígios de calçada em S. Joane, Vau e à Calçada de Conlelas junto da escola primária talvez relacionadas com as Minas Romanas de Chumbo da Malhada)
Travessia da ribeira da Landeira (será a Ponte do Ovos in MPAM, Castro, 1762?)
Santa Cruz da Trapa (topónimo Estrada Romana ao km 59 da EN227; segue pela Capela de S. Mamede, Capela de S. Sebastião da Trapa e Ribeira de Lourosa)
Travessia da ribeira de Varosa (Rua do Caminho Romano à saída da ponte; a norte, em Carvalhais, fica o Castro romanizado da Cárcoda e a necrópole do Alto da Costa, a nascente de Germinade)
Penso, Bordonhos (a calçada parte no sitio da Arroçada e segue por Figueirosa e pelo sopé do Castro da Sra. da Guia até Massarocas; esta calçada foi destruída em parte pela colocação de saneamento e alcatrão)
S. Pedro do sul (a via entra na cidade pelo Bairro Belo Horizonte e segue pela Rua Direita até ao Bairro da Ponte, onde atravessa o rio sul)
Travessia do rio Vouga em Ponte Nova (ao lado estão as ruínas da velha ponta)
Arcozelo (calçada junto à capela)
Lufinha
Qta. da Comenda (Ponte Romana? sobre o rio Troço ligaria à via Marnel-Viseu em Figueiredo das Donas?)
Gumiei (segue a actual EN 16-4)
Bodiosa-a-Velha (calçada com 300 m; parte da rua principal e segue pelo sítio do Cruzeiro)
Moselos, Campo (calçada e dois miliários, um a Adriano indica a milha IV e outro a Cláudio, indica a milha V, pertencem à Colecção da Assembleia Distrital de Viseu na Casa do Adro ao Largo da Sé)
Pascoal, Abraveses (calçada vem de Moselos pela Rua Romana, recentemente asfaltada(!), passa na Rua Vale do Valego, lajeada, e seguia pelo jardim de uma moradia anexa à Rua Soito do Cêpo)
Abraveses (calçada passa pelo Bairro da Barrosa, segue junto à escola C+S, segue pela Estrada Velha de Abraveses, passa junto à Cava de Viriato)
Travessia do rio Pavia junto à Ponte das Barcas (segue pela Rua da Ponte de Pau e Calçada de Viriato e entra na civitas pela necrópole e antiga porta da cidade, hoje Porta de Cavaleiros e seguia o Cardus Maximus, hoje Rua Direita até à Sé)
Viseu (VISSAIUM?) (4 miliários no Museu Histórico e Arqueológico de Viseu, os 2 miliários de Mozelos, o miliário da Rua do Arco e o miliário de Espinho; os miliários recolhidos pelo Dr. José Coelho e outros nas imediações de Viseu, a chamada Colecção da Assembleia Distrital de Viseu, estão abandonados (!) no jardim das traseiras da Casa do Adro, ao Largo da Sé, hoje sede do IGESPAR)


Mapa

Chaves (AQUAE FLAVIAE) - Torre de Moncorvo (Civitas BANIENSIS) - rio Douro (Durius)
Hipotética via romana que partindo de Aquae Flaviae seguia na direcção da civitas Baniensis que poderá corresponder ao Povoado do Baldoeiro junto à foz da ribeira da Vilariça no rio Sabor pois nesse antigo castro apareceu uma ara dedicada a Júpiter onde se lê «CIVITATI BANIENSIV» nas ruínas da Capela de S. Mamede que terá origem num Templo Romano. O percurso apresentado é meramente hipotético desviando da Via XVII entre Chaves e Astorga em Valpaços, seguindo na direcção do Vale da Vilariça. O percurso depende do ponto onde se fazia a travessia do rio Tua que ao contrário de hoje não seria em Mirandela, mas mais a sul, talvez na Ribeirinha ou mesmo em Abreiro junto do Castelo ou Poço dos Mouros. O Vale da Vilariça está coberto de vestígios romanos que se estendem até à Foz do Sabor no rio Douro. Muito deste património vai desaparecer em breve com a construção da barragem do rio Sabor e provavelmente nunca se irá perceber a total dimensão arqueológica desta região tão especial.

Chaves (AQUAE FLAVIAE) (segue a Via XVII até Valpaços)
Valpaços
Rio Torto (provável mutatio no Alto de S. Pedrinho)
Travessia do rio Torto (por Póvoa e Pai Torto)
Suçães?, Mirandela (casal em Sainça)
Marmelos

Onde seria a travessia do rio Tua?
A via deveria seguir para Vila Flor, mas o percurso está por desvendar.
  • Em Mirandela
  • Entre Longra (Cabeço do Moinho) e Ribeirinha subindo a Vila Flor pela villa de Olival de Rei, Qta. da Peça e Vilas Boas.
  • Entre Vila Verde e Vilarinho das Azenhas
  • Em Abreiro (ponte em ruínas com possível origem romana; passando em Lamas de Orelhão e Avidagos)
Vila Flor (ver a magnífica Fonte Romana; habitat na Qta. dos Castelares)
Nabo (talvez pelos vestígios da Tapada de Santa Cruz, Godeiros, Mte. Couquinho e Pala do Conde, ao longo da ribeira de Cavalos)
Horta da Vilariça (Estela funeraria de Tongeta no Museu do Ferro em Moncorvo, ver FE75 )
Travessia da ribeira da Vilariça (talvez junto à Qta. de Carrascal; mai a sul, próximo, junto da ribeira dos Cavalos, fica a importante Villa ou Vicus da Qta. de Vila Maior, em Cabanas de Baixo, onde pareceu uma ara dedicada a Júpiter pelos Vicani ILEX[---])

Povoado do Baldoeiro (civitas BANIENSIS), Adeganha, Torre de Moncorvo
(capital do povo Baniense perto da confluência da ribeira da Vilariça com o rio Sabor; a localização da civitas continua incerta, podendo corresponder aos vestígios encontrados mais a norte no sítio do Chão da Capela; habitat na Qta. da Terrincha e povoado no Cabeço de Alfarela)


Mapa







Astorga (ARTURICA) - Torre de Moncorvo (Civitas BANIENSIS) - Torre de Almofala (Civitas COBELCORUM)
Percurso de uma antiga estrada citada num documento afonsino de 1172 como "Carril Mourisco", mas que terá origem romana atendendo a alguns vestígios ao longo do seu percurso, apesar da ausência de miliários. A via atravessa o planalto mirandês entre os rios Sabor e Douro em direcção a Torre de Moncorvo e às travessias do rio Douro no Pocinho (acedendo por Vila Nova de Foz Côa às civitates de Marialva e de Freixo de Numão) e em Barca Dalva (acedendo à Civitas Cobelcorum em Figueira de Castelo Rodrigo). É provável que esta via fosse uma derivação da via que passa em San Vitero onde se achou um miliário a Trajano. Esta via permitia ligar o planalto mirandês e as suas importantes explorações mineiras às vias principais da Hispânia, quer rumando a norte até ao nó rodoviário do conventus de Astorga (seguindo em parte pela VIA XVII) quer rumando para leste em direcção a Palência (Pallantia) cruzando em Medina de Rioseco, com a "Via de la Plata", o grande eixo viário entre Astorga e Sevilha. Esta via que está marcada na carta militar 67, servia os povoados romanos do planalto mirandês, como o de Malhadas, Duas Igrejas, Palaçoulo e Picote, sobranceiro ao rio Douro.

Astorga (ARTURICA) (seguiria a Via XVII até Figueruela de Arriba, continuando para sul)
San Vitero (miliário a Trajano)
Alcañices
Cedea, Fonfria, Zamora
Cicouro, Miranda do Douro (calçada entra em Portugal pela Cruz de Canda/Cândena, fronteira luso-espanhola, e segue por Eiras da Cruz e Malhadona)
Constantim (calçada segue a poente por Cabeço dos Brunhos, cruza Fontes e segue pouco depois à esquerda por Pito junto ao Alto da Carneira)
Póvoa (a via passa entre Especiosa e Póvoa por Veneita, segue à esquerda para Penhas do Gordo, passa junto da Capela de Sra. do Picão e desce a Chãos)
Malhadas (a via passa entre Genízio e Malhadas por Chãos, seguindo sempre à esquerda pelo Alto das Lombardas, atravessa a EN218 na Cruz das Lombardas, passa na Lagoas Grande e Pequena, Alto da Zebra, continua até à Cruz de Martins Fernandes onde toma o caminho a poente do Alto do Serro; o vicus romano seria no sítio de Trás da Torre dentro de Malhadas; ver lápides romanas na Igreja de Ns. da Expectação)
Duas Igrejas (ara funerária; do Serro continua para Chanas, onde segue à esquerda para Cula, junto da Qta. da Fontelatassa, Rodelas, Cabeço da Matança, Fonte dos Campos até Reboleira; este troço é também a fronteira concelhia com Vimioso)
Fonte de Aldeia, Duas Igrejas (a via continua pelo Alto de Sta. Catarina até ao apeadeiro e passa a acompanhar a linha férrea; um desvio deveria dar acesso ao povoado de Picote, situado na encosta do castro e necrópole do Santo Cristo dos Carrascos em Castelar) (Lemos, 1995)
Prado Gatão (continua junto à linha férrea passando em Prado)
Sendim Gare, Sendim (passa no estação e no Alto da Alubreira, confluindo na EN221; povoado em Trampas Carreiras)
Urrós Gare, Urrós (1 km após a estação CF, sai da EN221 à direita e segue para a linha férrea)
Brunhozinho (a via alinha-se outra vez com a linha férrea, passando em Penas de Areia/Monte de S. Miguel onde ruma para SO, entre as ribeiras do Campeal e de Vale Cabreiro até entroncar novamente na EN221; possível acesso ao povoado do Castelo de Oleiros em Bemposta sobranceiro ao rio Douro)

A partir daqui os vestígios sugerem uma divisão da via em dois ramos, seguindo um em direcção à Civitas BANIENSIS no povoado do Baldoeiro em Torre de Moncorvo e outro ramo seguia em direcção às travessias do rio Douro no Pocinho e em Barca de Alva, ligando a Marialva e Almofala respectivamente. Ver aqui ligação a Marialva.

Ligação ao Povoado do Baldoeiro (Civitas BANIENSIS) em Adeganha (Torre de Moncorvo):
Variz, Mogadouro (segue aprox. a EN221 pela vertente sul da Serra de Variz; Villa da Fonte do Sapo em Penas Roias)
Santiago (no Carreirão segue à esquerda acompanhando a linha férrea até)
Vilar de Rei (calçada soterrada)
Vale de Porco (segue para a Capela da Sra. da Encarnação em Freixeda)
Castelo Branco (a noroeste fica o povoado da Sra. das Vilas Velhas; poderia seguir pelo cemitério, Ponte do castelo, no sopé do povoado do Castelo de Catendeixos, Qta. das Quebradas, Calhinha)
  • É provável que daqui partisse uma ligação ao rio Sabor por Meirinhos, atendendo aos vestígios encontrados na Qta. de Crestelos na margem do rio e ao topónimo St. Antão da Barca.
  • Também deveria existir uma ligação a Saldanha, onde há vestígios de povoamento romano com diversas inscrições funerárias e uma inscrição votiva a Júpiter do veterano da Legião VII Gémina Domitius Peregrinus.
Estevais (calçada de Nogueira; entronca no CM1195 na Capela da Sra. da Alegria, junto ao povoado mineiro da Qta. da Serzeda e depois segue até à EN220)
Carviçais (Castro da Cidadonha; Árula a Júpiter achada a 3 km de Carviçais na direcçao de Martim Tirado, entre o ribeiro da Trapa e o do Cananor)
Souto da Velha (calçada; junto das minas de ferro da Serra do Reboredo)
Felgar (povoado do Castelinho; minas no Cabeço da Mua)
  • É provável que daqui partisse uma ligação ao rio Sabor , atendendo aos vestígios de uma via na Eira de Santiago que rumaria à travessia do rio junto à Azenha do Poço da Barca, dando acesso na outra margem à Villa na Qta. de Cilhades, onde se achou uma inscrição dedicada a Denso, com possível ligação ao Povoado do Baldoeiro apesar do acidentado do terreno.
Carvalhal (provém daqui a inscrição sepulcral da Igreja de Paroquial de Felgueiras)
Torre de Moncorvo (?)
Travessia do Rio Sabor junto à foz da ribeira da Vilariça (onde entronca no itinerário proveniente de Chaves)
Povoado do Baldoeiro (civitas BANIENSIS), Adeganha (é provável que daqui partisse uma via para norte que passava junto do Castro de Ns. dos Anúncios em Vilarelhos, Alfândega da Fé)

Ligação a Freixo de Espada à Cinta, Barca Dalva e daqui a Almofala (Civitas COBELCORUM):
Vila de Ala (Casarelhos)
Vila de Sinos, Vilarinho dos Galegos (povoado na Igreja; lápide com referência viária: TALA / VIAE; povoado em Algosinho)
Bruçó
Lagoaça (Vale Travesso)
Fornos
Povoado de São Cristovão (cruzamento da Lomba do Carvalhão, EN220 com a EN221; por calçada em terra para SE)
Mazouco? (povoado do Picão de Santa Ana/Raposa sobranceiro ao Douro)
Ponte Romano?-Medieval do Carril, Freixo de Espada à Cinta sobre o ribeira de Moinhos (1 arco; a N da povoação)
Freixo de Espada à Cinta (vicus no Monte de Sta. Luzia; espólio na C. M.; importante villa na Qta. de S. Caetano; existe "notícia de um miliário enterrado junto a uma fonte", mas ainda não confirmada)
Poiares, Freixo de Espada à Cinta (continua para poente passando junto Castro de São Paulo, onde inicia a descida ao Douro pela Calçada de Alpajares até à confluência da ribeira da Brita com a ribeira do Mosteiro que atravessava para a margem direita, hoje tem um pontão moderno, rumando depois para o povoado de Alva junto ao rio Douro seguindo pela margem direita deste)
Travessia do rio Douro em Barca Dalva (entre a Qta. da Barca e a Qta. da Pedriça; inscrição funerária na frontaria da Capela de St. Cristo, mas que será proveniente de Almendra, regista um Cobelcus, ou seja, um natural da Civitas Cobelcorum em Torre de Almofala; a via deveria seguir o traçado da actual EN221, passando não longe da villa de Vale Tedão e na Calçada de Gamão ao km 120)
Escalhão (segue por Castelo; possível ligação a Figueira de Castelo Rodrigo pela EN221, atravessando o rio Aguiar na Ponte Velha de Escalhão, a 100 m da ponte nova, com calçada em ambas as margens)
Mata de Lobos
Torre de Almofala (Civitas COBELCORUM)


Mapa

























Chaves (AQUAE FLAVIAE) - Vila Pouca de Aguiar - Rio Douro (Durius) - Marialva
Eixo viário romano no sentido N-S pela margem esquerda do Tâmega em direcção ao Rio Douro, articulado com a rede de caminhos das minas romanas de Jales e Três Minas em Vila Pouca de Aguiar. Os vestígios não vão além de alguns troços de calçada, a Ponte antiga da Oura em Vidago, e alguns poucos miliários muito espaçados entre si dificultando a identificação do traçado da via que teria um importante papel económico no escoamento das mercadorias para exportação provenientes da exploração mineira e agrícola para o rio Douro, seguindo depois por via fluvial até à sua foz, em Cale e daqui para Roma. Neste eixo entre Chaves e o rio Douro, existem alguns miliários logo à saída de Chaves, o miliário do Campo da Roda/Qta. do Canedo, o miliário de Outeiro Jusão, mas depois surge apenas um miliário ao qual se perdeu o rasto em Constantim (Vila Real), próximo do Santuário de Panoias, indiciando uma ligação rumo à travessia do Douro em Bagaúste/Covelinhas. No entanto, um outro miliário encontrado em Cidadelhe (Mesão Frio), indicia a existência de uma rota em direcção a outra travessia do rio Douro mais a jusante, junto das Caldas de Moledo. Ver abaixo a variante Vila Pouca de Aguiar - Cidadelhe.

Chaves (AQUAE FLAVIAE) (depois de atravessar a Ponte de Trajano, desviava da Via XVII em direcção a sul para contornar a Serra do Brunheiro pelo W)
Campo da Roda, Madalena (miliário a Constantino I achado na Qta. do Caneiro, hoje no MRF?)
Outeiro Jusão, Samaiões (miliário anepígrafo numa casa derrubada da aldeia)
Bóbeda, S. Pedro de Agostém (calçada; ara aos Lares Erredici na Igreja Paroquial, mas hoje desaparecida)
Redial, Vilela do Tâmega (segue na base do Castro romanizado no Mte. de Sta. Bárbara)
Pereira do Selão, Vilas Boas
Vila Verde de Oura
Ponte Romano?-Medieval de Oura sobre a ribeira de Oura
Oura, Vidago (Termas Romanas de Vidago em Salus, divindade e palavra latina que designa saúde)
Sabroso de Aguiar
Ponte Romano?-Medieval sobre o rio Avelames no lugar das Águas Romanas (ruiu recentemente!)
Pedras Salgadas, Bornes de Aguiar (provável acesso às minas romanas de Três Minas)
Vila Meã, Bornes de Aguiar
Ponte Romano?-Medieval de Cidadelha sobre o rio Avelames

Vila Pouca de Aguiar (ascende ao Alto do Guilhado pela EN212, pouco antes da aldeia segue à direita para a calçada de Chã de Guilhado, segue pelo Alto da Presa, passa junto aos cabeços de Negrelo e Pedras Sarnosas, continua na curva de nível da encosta leste de Zimão, Gralheira, Tourencinho, passa na Casa da Floresta da Ns. do Extremo, no cotovelo à esquerda passando nos sítios de Cerejeira, calçada de Sainça com 100o m de extensão, sítios da Curvaceira, Alto do Boi Morto, no campo de futebol desce a)
Pinhão Cel (aqui chegaria também a via que vem de Valpaços; sai pelo CM1237, pouco depois segue à esquerda por caminho por Chães, Vidual, passa a EN15 e segue por Bouça da Velha)
Justes (passa a poente pela Cabeça Gorda, Regais, Fraga e Alto de Lamares)
Lagares, Lamares (topónimo Pousadas; ver possível ligação a Vila Real)
  • Em alternativa, poderia desviar no Alto do Boi Morto para Águas Santas, calçada em Sanguinhal, Vila Meã, Vilar (habitat em Velans), Carril, Sanguinhedo, reunindo-se em Lamares com a variante anterior.

Panóias, Assento, Vale de Nogueiras (neste planalto entre os rios Corgo e Pinhão ficaria a capital desta região, Terras de Panóias, da qual só resta o excepcional Santuário Rupestre de Panóias, já que toda a pedra de construção foi levada para a muralha de Vila Real que terá sido fundada aglomerando 3 aldeias, (Sesmires, Veiga de Cabril e Vilalva) em torno da ponte sobre o rio Corgo, possivelmente de origem romana, talvez uma mutatio num local estratégico como é a confluência dos rios Cabril e Corgo; a via continuava para sul por Constantim; ver Silvano 2004)

Constantim (em 1947, Cortez faz refere um miliário a Trajano encontrado na Feira de Constantim; a Villa de Constantini seria no lugar das Mamoas)
Andrães (pela Portela, CM1251, até Mosteirô e desce pela capela de S. Miguel-o-Anjo e à Qta. da Ribeira; tesouro monetário em Agó e Caxada)
Ponte Romano?-Medieval da Ribeira sobre o rio Tanha
Abaças ( vicus/castro romano; segue perto de Fontelo pela Sra. do Bom Caminho)
Bujões (a nascente fica o Castellum de Guiães)
Aqui a estrada poderá dividir-se em dois acessos a Covelinhas, onde fazia a travessia do rio Douro:
  • Seguir na direcção de Canelas e passando junto do Castro do Muro por Estalagem, Estrada, Vila Seca, Poiares, seguindo depois na direcção do importante Castellum da Fonte do Milho ou da Pousa, Villa agrária fortificada que poderia ser também uma mutatio da via romana, descendo depois a Covelinhas pela Qta. do Muro, Qta. de Biandos e Sra. da Boa Passagem, onde há vestígios de tégula.
  • Seguir na direcção de Galafura passando em Ns. da Boa Morte, Lamas de Bujões, Caminho dos Salgueirinhos, Galafura, Aveleira, Barreiro, Muro e Covelinhas.
Covelinhas (vicus)
Travessia do rio Douro no sítio da Passagem
Folgosa (de Folgosa a via deveria seguir para o Vicus do Fontelo em Sendim, seguindo o caminho romano por Goujoim, Granja do Tedo, Longa e Arcos, com vários vestígios da calçada, mas também é possível que tenha origem romana p caminho que vai por Adrião até Tabuaço e daqui pela margem esquerda do rio Távora)


De Sendim a Marialva:
Sendo Sendim um nó rodoviário, deveriam ligações ao principais eixos viários da região que ligavam a Marialva.
  • Ligar à Via Lamego-Marialva descrita abaixo, talvez passando por Baldos e entroncando na referida via talvez junto ao vicus de Rochela/Arrochela, entre Granja de Oleiros e Vide, onde aliás se achou um miliário.
  • Fazer a travessia do rio Távora em Riodades e seguir directo para Marialva, passando por Aldeia, Paço, Cabeço de Pichel e Ferreiros, onde atravessa o rio Távora para Riodades, onde concluía com um caminho proveniente de Paredes da Beira, onde há um troço de calçada no sentido SE-NO, rumando depois a Marialva talvez por Penedono, onde há 3 possíveis miliários ainda inéditos nas ruas da vila; Ver vias em torno de Marialva.





Vila Pouca de Aguiar - Cidadelhe (Mesão Frio) - Rio Douro
É provável que existisse uma outra via no eixo Chaves - Rio Douro atendendo aos miliários encontrados em Vilar Marim (Vila Real) e Cidadelhe (Mesão Frio), constituindo assim uma travessia alternativa do rio Douro mais a jusante. É muito provável que este itinerário seja uma continuação da Via Transversal à Via XVII, via no sentido NE-SW com origem em Castro de Avelãs e que passava por Valpaços e Três Minas. Este itinerário começa assim em Vila Pouca de Aguiar, seguindo a margem direita do rio Corgo em direcção a Vila Marim, onde havia bastantes vestígios romanos além do já citado miliário, passando assim a ocidente de Vila Real e de Santa Marta de Penaguião em direcção a Cidadelhe para ir atravessar o rio Douro junto das Caldas Moledo, onde há vestígios romanos e que deverá corresponder ao «portu de aliovirio» citado num documento do ano 922 (in PMH, DC 25). (Lima, 2008).

Vila Pouca de Aguiar (segue a margem direita do rio Corgo talvez por Soutelo de Aguiar e Pontido)
Telões (talvez pela Ponte da Poça, Alto do Terreiro, Soutelinho de Amésio e Samardã)
Vilarinho de Samardã (talvez a poente, pelo Alto do Sabugueiro, Fraga da Pomba, Pelagões)
Adoufe (ligação a Vila Real por Escariz, Gravelos, Vila Seca e Calçada; EM1227)
Borbela (habitat na escola de Ferreiros/Santo Velho; talvez por Cales e Ramadas)
Agarez (tesouro monetário; segue o CM1219 por Carvelas; possível ligação à Serra do Alvão por Lamas do Olo e Arco de Baúlhe)
Vila Marim (miliário anepígrafo deitado na Capela de Ns. da Paz; tesouro monetário junto do Outeiro das Pombas, local da Villa Marinis)
Torre de Quintela (travessia do ribeiro da Marinheira)
Mondrões (calçada com 50 m a poente da Igreja Matriz; tesouro monetário em Penedo Redondo)
Arrabães (travessia do rio Sordo)
Torgueda (calçada em Lameirões; Povoado no Alto do Castelo; habitat em Rodelo e Veiga)
Louredo? (atendendo ao Forno Romano no lugar da Ponte, EM1244, mas também poderia seguir por Cumieira onde se achou uma ara a Júpiter)
Fornelos?
Fontes (no sítio da Pena Aguda, Castelo dos Mouros apareceu uma ara dedicada à divindade Auge?; povoado fortificado na colina de São Pedro de Fontes)
Medrões
Mouramorta
Ponte de Cavalar sobre o rio Sermanha em Nostim (a villa nausti in PMH, DC)
Cidadelhe (Castro romanizado; no hoje desconhecido «Lugar do Marco» Russel Cortez identificou um miliário a Numeriano hoje desaparecido que indicava o número IIXX na ultima linha pelo que poderia marcar a milha 18; O ponto inicial da contagem da milhas é desconhecido, mas é de assinalar que esta é aproximadamente a distância ao miliário de Vila Marim)
  • Ligação ao Douro, num documento do ano 970 surge uma referência a esta via como «carrale antiqua» servindo de limite a uma propriedade junto do lugar de Nostim e Sarmenha : «per carrale antiqua usque ubi diuidet cum uilla de lombadella et cum uilla de nausti usque in sarmenia» (in PMH, DC 101); A via deveria passar no lugar do Marco, onde apareceu o miliário, e descia às Caldas de Moledo, onde há vestígios romanos e que poderá corresponder ao «portu de aliovirio» citado num documento do ano 922 (in PMH, DC 25) (Lima, 2008). A continuação da via para a outra margem não está confirmada, mas é provável que rumasse a Lamego.
  • Ligação a Mesão Frio, é possível que a via continuasse para Vila Marim e Mesão Frio, comprovadas estações viárias medievais (a mansion frigido num documento de 1059).

Mapa











Mapa



Lamego (LAMECUM?) - Marialva (Civitas ARAVORUM)
A existência de miliários na zona de travessia do rio Távora em Moimenta da Beira, possível capital dos Aarabrigenses, indicia a existência de uma estrada no sentido Este-oeste que seguia para a Civitas Aravorum na actual aldeia de Marialva (Mêda). Esta via poderia partir de Lamego (Lamecum?), possível capital dos Paesuri ou dos Coilarni, dando assim continuidade as vias que atravessavam o rio Douro provenientes de Braga e Chaves.

Lamego (na frontaria da Capela Visigótica de Balsemão existe um Terminus Augustalis encastrado na parede exterior, mas infelizmente não indica os povos que demarca; numa região de forte cariz medieval, pouco se sabe sobre as vias romanas que partiriam da civitas que poderia estar na zona do Castelo de Lamego ou em Balsemão, admitindo-se que algumas das vias medievais tenham origem romana como é o caso desta rota que ligava Lamego a Trancoso pela Ponte de Ucanha; do castelo descia ao rio Balsemão e depois seguia por Várzea de Abrunhais ou por Cepões; documentação medieval fala numa ponte de madeira sobre o rio Balsemão, in Viterbo 1799, vol 2, p. 227)

Várzea de Abrunhais (talvez pela Ponte de Recião e pela Qta. da Sta. da Lapa)
Bairral, Britiande (ara a Júpiter na capela de São Gonçalo; segue próximo do Castro romanizado Castelo de Britiande com calçada em Quelha da Azenha e Ferreirim de Baixo (na Rua da Calçada), habitat na Qta. de S. Bento, seguindo para a Sra. da Agonia e servindo de divisória entre os concelhos de Lamego e Tarouca)
Gouviães (calçada parte do cemitério e desce à ponte)
Ponte Medieval de Ucanha sobre o rio Varosa (século XII; habitat em Leirós/Portela)
Salzedas (habitat em Tintureira e Qta. dos Castros/Valverde em Vila Pouca; calçada na Sra. da Piedade/Rua da Calçada Romana que segue para o Penedo de St. António?)
Granja Nova (travessia da ribeira de Salzedas na Ponte das Tábuas) Vila Chã da Beira (passa junto do habitat romano da Capela de S. Mamede; Castr em Passô)
Sarzedo
Beira Valente (calçada passa pelos topónimos Cabeça, Carguencho e Cidade de Mouraria)
Moimenta da Beira (povoado no sítio de S. João; Arabriga?; ver possível ligação a Viseu)
Granja dos Oleiros (vicus de Rochela/Arrochela estendendo-se até Vide)
Vide, Rua (miliário a Numeriano, CIL II 4641, indicando IIXX milhas, ou seja 18 milhas contadas talvez a partir do rio Douro ou de Marialva; na frontaria da capela do Espírito Santo existe uma inscrição honorífica epígrafe «BONO REI PVBLICE NATO», CIL II 4643; possível miliário anepígrafo na Capela de São Domingos transformado em cruzeiro; a via contorna o Alto da Ranhã)
Faia (calçada em Ladário; base de miliário que apareceu junto à Igreja de Faia, hoje no jardim de uma casa particular)
Qta. da Lagoa (miliário a Constantino? da milha ?IX, CIL II 4642, como suporte de uma varanda, talvez a milha XIX na sequência da milha em Vide)
Prados de Cima, Rua (provável miliário transformado em cruzeiro junto à Capela de S. Domingos)
Travessia do rio Távora na Ponte do Freixinho, hoje submersa pela Barragem de Vilar (CORTEZ em 1951 refere poldras)
Freixinho
Vila da Ponte, Sernancelhe (calçada)
Sernancelhe (Seniorzeli na documentação medieval; vestígios em Barreiro; sai pela Rua do Curral, de Entre-Vinhas e Veiga)
Ponte Românica sobre a ribeira do Medreiro (talvez com fundamentos romanos)
Sarzeda (ver também a ligação daqui a Numão por Antas, Ranhados e Cedovim)
Guilheiro
Torre do Terrenho
Travessia da ribeira da Teja
Pai Penela (vestígios na Qta. do Prado e Fonte da Telha/Campo da Moura)
Vale Flor (segue em calçada junto do Convento de Vilares)
Marialva (Civitas ARAVORUM)
  • Provável continuação para o Castro romanizado do Castelo dos Mouros em Cidadelhe, passando pelo sítio romano de Vale d'El Rei em Barreira e atravessando a ribeira de Massueime.
  • Possível ligação de Sernancelhe a Celorico da Beira por Trancoso: (medieval?)
    Sernancelhe, Cunha, Sintrão (calçada na chamada Via do Sintrão; acesso pela EN226; parte junto ao cemitério e segue pela Fraga do Ladrão), Trancoso, Fiães (passa a nascente pela Calçada de Vale Longo, seguindo a cota elevada pelo Alto de Fiães, Grila, Qta. das Tarulas e Alto da Silva), Qta. do Salgueiro (passa a nascente por Barreiros, Murça, servindo os casais ao longo da ribeira da Qta. das Seixas), Forno Telheiro (onde conflui com a via proveniente de Marialva) até Celorico da Beira.
  • Possível ligação de Trancoso a Póvoa do Mileu por Açores: (medieval?)
    Trancoso (segue o caminho de S. Marcos em Frechão ou pelos vestígios na Qta. do Paço e Qta. da Palôa em Torres), Freches (talvez por Corgos/Qta. das Corgas e Qta. das Lameiras), Minhocal, Ponte Medieval de Minhocal sobre a ribeira dos Tamanhos (onde cruza com a via proveniente de Marialva), segue para Baraçal (por Outeiro Negro e Cortegada), Açores (vicus em Panelas/Calvário; casais em Olival do Clergo, Qta. da Torre/Aral, Forca e Quintal da D. Maria), Porto da Carne, Cavadoude (a Calçada do Tintinolho/Cubo percorre o Castro do Tintinolho com vestígios de calçada na Qta. de S. Mateus em Ramalhosa) e finalmente Póvoa do Mileu, Guarda (vicus ou mesmo civitas, possível capital dos Lancienses Transcudani).


Mapa


















Variante pelo Caramulo










Cabeço do Vouga/Marnel (TALABRIGA) - Viseu (VISSAIUM)
Importante via que ligava o litoral ao interior partindo de TALABRIGA, a mansio da Via Braga-Lisboa junto à travessia do rio Vouga, seguindo em direcção a Viseu, o mais importante nó rodoviário da Beira Alta, derivando da Via XVI Braga-Lisboa após a travessia do rio Vouga. Seguia por Talhadas onde há vestígios da calçada, entrando no concelho de Oliveira de Frades por Benfeitas, onde um miliário da milha XXXI indica a distância a Viseu que era assim Caput Viae. Daqui até Vouzela conhecem-se mais 5 miliários. (ver S. Borges: 2000). Indica-se também uma hipotética variante pela Serra do Caramulo (antiga Serra de Alcoba).

Cabeço do Vouga/Marnel (TALABRIGA), Lamas do Vouga
Valongo do Vouga
Arrancada do Vouga (talvez siga pela Qta. da Fonte da Feira)
A-dos-Ferreiros, Préstimo (mutatio?; topónimo viário)
A partir daqui, a via principal segue para Talhadas, enquanto a hipotética Variante sul vai pela Serra do Caramulo.

Rota da via romana por Talhadas e Vouzela:
(CADV - Colecção da Assembleia Distrital de Viseu || MMOF - Museu Municipal de Oliveira de Frades)
Talhadas (mansio?; albergaria medieval; calçada começa em Doninhas; a via passava entre as pedras talhadas na estrada actual)
Ereira, Talhadas (calçada indicada na EN333)
Pisco, Benfeitas, Destriz (CM1284; miliário a Caracala da milha XXXI, também marco divisório, pertenceu à CADV com o n.º 612 e está hoje no MMOF)
  • Ligação ao Guardão: daqui poderia partir um desvio para a Serra do Caramulo por Destriz (calçada com 2 km), onde atravessa o rio Alfusqueiro, continuando para Macieira de Alcôba onde entronca na Variante sul descrita abaixo.
Sobreira, Reigoso (passa nos lugares da Ponte e da Feira; miliário a Constantino, estava na eira da Casa Paroquial, foi para a CADV com o n.º 610 e está hoje no MMOF)
Travessia do ribeira do Sizão (miliário a Numeriano da milha XXVIII, estava no adro da Igreja de Reigoso, foi para a CADV com o n.º 609 e está hoje no MMOF)
Reigoso (albergaria medieval com possível origem numa mansio romana; a calçada passa um pouco a S da povoação e segue para)
Entre Águas, Reigoso (miliário a Constâncio Cloro da milha XXVI achado em Benfeitas como esteio de uma latada, pertenceu à CADV com o n.º 611 e hoje está no MMOF)
Seixa, Pinheiro de Lafões (calçada ainda em uso, passa na zona das Mamoas, e segue por Fiais, Ral, Rua da Estrada Romana, Ponte Fora, passa a S de Vilarinho, na zona industrial, cruza a EN333-3 que dá acesso à IP5, e segue para)
Cajadães, S. Vicente de Lafões (segue por caminho de terra e depois entra na magnífica calçada romana de Postasneiros)
Santiaguinho, S. Vicente de Lafões (continua em calçada para Sernadinha, atravessa a EN333 e continua pela Rua do Caminho Romano)
Vilharigues, Paços de Vilharigues (segue pela calçada da Ladeira da Forca, cruza a EN621 e segue até retomar a EN333)
Ponte Romano?-Medieval sobre o rio Zela
Vouzela (miliário a Tácito indicando 18 milhas a Viseu, encontrado no adro da Igreja, hoje no Museu Municipal; continua pela EN228)
Fataúnços (segundo Figueiredo, 1953, p.196, existia um miliário anepígrafo no Quintal da Estalagem; calçada junto da Fonte Velha; vicus entre a Qta. da Tapada e o Passal na base do Monte Lafão; segue a calçada paralela à EM602, a sul de Bandavizes)
Ponte Romano?-Medieval Pedrinha sobre a ribeira da Ribamá (logo à direita a calçada sobe até)
Figueiredo das Donas (calçada no lugar do Outeiro, no extremo da povoação; habitat na Qta. da Cruz)
Carregal, Queirã (Rua da Estrada Romana e EN602 junto à capela da Sra. da Agonia; habitat em Vale Susão, Qta. do Paço e Sabugueiro, estas duas já em S. Miguel do Mato)
Carvalhal do Estanho, Queirã (necrópoles na aldeia e junto das Minas de Bejança; segue por Caria e Silgueiros)
Pereiras, Bodiosa (segue junto da central eléctrica)
  • Uma variante ligava por Queirã, Igarei, Portela, Couto de Cima e Vil de Souto, rumando daqui a Viseu.
Lobagueira, Couto de Cima (segue junto à Mamoa/Anta da Lameira do Fojo e continua pela chamada calçada da Sra. do Castro com 1100 m que passa no Alto do Outeiro dos Burros, cruza a IP3 e segue pela base do castro até entroncar na EM1366)
S. Martinho
Orgens (calçada com 30 m dentro do Convento de S. Francisco)
Travessia do rio Pavia talvez na Ponte da Azenha
Viseu

Variante sul pela Serra do Caramulo e Guardão:
Este itinerário liga Talabriga a Civitas de Viseu pela Serra do Caramulo, seguindo a rota descrita no «Mappa de Portugal Antigo e Moderno» (Castro, 1762). O caminho seguia por Cabeço de Cão, Macieira de Alcoba e Guardão, onde apareceu um Terminus Augustalis que apesar de ser um marco de divisão territorial poderia estar relacionado com este caminho.
Cabeço do Vouga/Marnel (TALABRIGA)
A-dos-Ferreiros
Ponte do rio Alfusqueiro (séc. XVII; a travessia poderia ser no sítio do Vau, 100 m a montante ou na desaparecida «Ponte Velha», 100 m a jusante)
Préstimo, Águeda (seguir pela actual EN574)
Cabeço de Cão, Préstimo (calçada)
Macieira de Alcoba (troço de calçada na Qta. do Carvalho)
Urgueira, Macieira de Alcoba (a via passava junto à igreja)
Arca, Oliveira de Frades (segue por Póvoa)
Monte Tezo, Varzielas (possível variante para N pela calçada de Alcofra, onde há vestígios romanos na Qta. dos Curtinhais)
Portela de Guardão
Caramulo (segue pela Rua do Cruzeiro; a sul, existem troços de calçada nas aldeias de Jueus e Múceres)
Guardão, Tondela (na interior da capela de S. Bartolomeu, antigo castro, existe um Terminus Augustalis; trço de calçada junto da Igreja Matriz de Guardão de Baixo)
Ponte Romano?-Medieval da Portela (calçada)
Santiago de Besteiros (segue pela Rua da Ponte Romana, Rua de Santiago, junto da Igreja Matriz, Ponte de Muna)
Paranho de Besteiros, Caparrosa (calçada, começa a 100 m da escola primária; Na Serra de Silvares, a poente, existe uma inscrição rupestre chamada de Cabeço Letreiro que segundo Inês Vaz seria um triffinium, um marco de divisão territorial entre três povos)
Coval, Caparrozinha (calçada com 500 m que vem de Paranho)
Fial (calçada na Rua do Pereiro)
Ponte Romana? da Seara, Routar
Torredeita
Mosteirinho, Couto de Baixo (a calçada entre Trapa e Enforcadas no caminho para Couto de Baixo, seguindo para Couto de Cima e Masgalos pode pertencer a uma ligação à via Talabriga-Viseu na Sra. do Castro)
Vil de Souto
Orgens
Viseu


Mapa



Viseu - Castro Daire - Lamego (LAMECUM?)
Via secundária ligando Viseu ao Douro comprovada pela excepcional construção da Calçada Romana de Almargem na descida para do rio Vouga, uma das mais interessantes em Portugal. O traçado proposto segue para Lamego, mas também existia uma via que partindo de Castro Daire rumava a Cárquere pelo Mezio, atravessando o rio Douro nas Caldas de Aregos e ainda um percurso pela Serra do Montemuro até Cinfães, atravessando o rio Douro em Porto Antigo. As diversas travessias do rio Douro estão descritas no Itinerário Braga-Mérida. (Ver Vaz. 1976; Nóbrega, 2003a e 2003b; Lourenço, 2007 e Vieira, 2004).

Viseu (VISSAIUM?) (sai da Sé pela Calçada de Viriato, Rua da Ponte de Pau, necrópole e antiga porta da cidade)
Travessia do rio Paiva (segue pela Rua Cap. Salomão, passa na Cava de Viriato e segue pela Estrada Velha de Abraveses)
Abraveses (na escola C+S segue por caminho de terra pela Qta. da Corga e Qta. de Cimalha)
Campo (segue por Moure da Madalena, no sopé do Castro de Sta. Luzia; calçada em Campo e em Salgueiral; topónimo "Caminho da Ponte Romana" da Raposeira(?) junto à prisão)
Bigas, Lordosa (Estrada Romana de Almargem com 260 m, assinalada na EN2, parte de Pousa Maria e desce ao rio Vouga desembocando na EN2, 50 m a jusante da ponte actual)
Travessia do rio Vouga
Almargem, Calde (a IP3 cruza a via ao km 16+900; habitat romano entre Vale e Monte)
Lamas de Moledo (inscrição votiva num penedo ofertada pelos povos Veaminicori e Patravioi às divindades protectoras dos Magareaicoi e dos Caelobrici respectivamente; os Magareaicoi poderiam ficar no castro do Outeiro da Maga, e os Caelobrici no vizinho no Castro de Cela; Este poderá corresponder Caelobriga referida por Ptolomeu no território dos Coilarni) (ver Vaz, 1989)
Mões, Castro Daire (habitat em Rebolada e Missa)
  • Em alternativa a via seguia para Castro Daire onde atravessava o rio Paiva e daqui rumava a norte por Colo do Pito, Mezio e Bigorne até Lamego ou rumar a NW em direcção a Cárquere e à travessia do rio Douro, atravessando a Serra de Montejunto pela Gralheira. Ver Itinerário Braga-Mérida em Caldas de Aregos.
Travessia do rio Paiva
Granja, Castro Daire
S. Joaninho, Castro Daire (estação romana junto à igreja de Pendilhe, a 5 km)
Cujó (calçada junto à travessia do rio Calvo)
Mourisca
Almofala, Castro Daire (calçada passa a nascente por Corgo do Altar e atravessa o rio Varosa na Ponte do Touro restaurada em 1839 e segue para Bustelo)
Teixelo, Tarouca (Jorge Alarcão refere um miliário e calçada no sítio do Padrão)
Tarouca (povoado no Mte. Ladairo habitat no Souto das Quintas/Sr. dos Vales)
Travessia da ribeira de Tarouca na Ponte Pedrinha? (habitat na Qta. do Arco da Paradela)
Dálvares (da ponte contorna o Castro de Sta. Bárbara pelo leste, passando em Corredoura, Corujeira e Casa do Paço)
Lamego (LAMECUM?) (cruza com a Via Lamego-Marialva, podendo continuar em direcção ao rio Douro)


Mapa



Viseu (VISSAIUM) - Moimenta da Beira
Viseu (segue talvez pela Ponte do Raposo, Esculca e Santiago)
Mundão (calçada em Confulco e Qta. do Catavejo)
Cavernães (várias aras votivas em Vendas, talvez existindo aqui um templo romano; a via sai da EN229 ao km 80 pela EN323 e pela EM1330 para Aviújes e Avelinha, onde passa a calçada que vai desembocar na Rua Romana/EN323 junto da Qta. do Albuquerque em Canidelo e daqui à Igreja de Cepões, continuando por Laje Gorda, Capela de Sta. Eufémia até reencontrar a EN323 que passa a seguir)
Ponte Romano?-Medieval de Vouguinha sobre o rio Vouga, Vouguinha (1 km depois de passar a ponte nova no caminho assinalado à esquerda)
Côta (pelo cruzamento dos Quatro Caminhos e junto da Anta de Pedralta; seguiria por Vale de Cavalos e Chão do Frade; Povoado mineiro em Queiriga)
Travessia do rio Paiva em Fráguas, Vila Nova de Paiva
  • De Fráguas é possível uma ligação a Almofala onde entroncaria na Via Viseu-Lamego, pela aldeia de S. Pelágio, actual S. Paio em Vila Cova-à-Coelheira, atravessando o rio Covo em Touro.
  • De Fráguas continuava para Vila Nova de Paiva, Alhais (inscrição rupestre num penedo em Cavalinho com a palavra Finis, possível marco territorial), Peva, Ariz onde talvez se dividisse em dois ramais, uma seguia por Pêra Velha, Carapito e na calçada da Aldeia de Nacomba (com 1km, Rua da Via Romana), depois por Toitam até Moimenta da Beira, e outra atravessaria novamente o Rio Paiva e seguia por Granja do Paiva e Vila Cova (Capela de S. Tiago) até Caria, locais com vestígios romanos, indo entroncar na Via Lamego-Marialva em Vide, onde aliás se achou um miliário e há vestígios de um vicus.
Moimenta da Beira (possível capital dos Arabrigenses)


Mapa







Viseu (VISSAIUM) - Aguiar da Beira
Saindo de Viseu, a via dirigia-se para NE para atravessar o concelho de Sátão seguindo grosso-modo a actual EN229-2, atendendo ao miliário da Qta. do Pomar; Ver Vaz (1976), Nóbrega (2003a e 2003b) e Lourenço (2007).

Viseu (VISSAIUM?) (segue a Via Viseu-Famalicão da Serra até Prime, onde ruma a NE)
Povolide (calçada na Qta. de Sta. Luzia com acesso defronte do cemitério à esquerda)
S. Miguel de Vila Boa, Sátão (talvez próximo da villa na Qta. de Torneiros, seguindo depois por Abrunhosa e Forno Telheiro)
Casal do Fundo, Rio de Moinhos (a via passaria próximo da Villa da Qta. da Taboadela, Villa de Trancosã e da Villa da Eira do Rei, onde existem duas colunas encastrados no muro da Casa da Família Xavier que poderão ter sido miliários desta estrada)
Casal de Cima, Rio de Moinhos (calçada no lugar da Igreja)
Silvã de Cima (passa por Casal, onde existe um miliário encastrado numa parede da Qta. do Pomar, e segue junto à Qta. das Chedas)
Romãs (talvez próximo da villa da Presa e da villa da Corga)
Travessia da ribeira de Sátão (a villa da Cerca indicia uma possível ligação ao rio Vouga por Decermilo)
Rãs, Romãs
Quinta das Lameiras (cipo funerário)
Ponte Romano?-Medieval do Candal, Coruche, sobre a ribeira de Coja (70 m; 2 arcos)
Aguiar da Beira (possível ligação a Caria por Quintela e Carregal)
Ponte do Abade (travessia do rio Távora na ponte medieval)
Arnas (vicus no Castro de Murganho no Monte Muragos; calçada segue até ao Cruzeiro de Guilheiro)
Guilheiro (talvez cruzando aqui a Via Lamego-Marialva; a calçada em Sebadelhe da Serra poderá estar relacionada com esta via)


Mapa

Viseu (VISSAIUM) - Trancoso
Não é claro se existia uma ligação directa entre Viseu e Trancoso, mas existem vários troços de estradas romanas na região que ficam assim integrados no mesmo itinerário. Uma rota seguiria pela região de Penalva do Castelo, passando no importante Vicus da Murqueira e outra poderia seguir a Via Viseu-Celorico da Beira, derivando para norte em Fornos de Algodres.

por Penalva do Castelo:
Esmolfe, Penalva do Castelo (vicus no sítio da Murqueira em Fundo de Vila; ara votiva a Bandi Oilienaico, RAP 28; calçada passa nos lugares de Capela, S. Martinho e Eirinhas; cruzamento com a via para a Bobadela), Sezures (segue por Boco, CM1429), Qta. da Ponte (calçada e poldras sobre o rio Dão; segue por Moradia e Matela, de onde será proveniente um ara votiva a Bande Vircau... hoje na Casa Paroquial de Antas, FE75, 2004), Ponte Romana? sobre a ribeira do Carapito (calçada) em Matança (vicus no sítio do Castelo?), onde entronca na variante abaixo, seguindo depois por Forcadas.

por Fornos de Algodres:
  • Variante por Furtado: Fornos de Algodres, Rancozinho, Furtado, ponte sobre a ribeira das Forcadas e Matança.
  • Variante por Sobral Pichorro: Algodres (calçada junto da Capela da Ns. da Saúde, à entrada da povoação; vicus na praça central; via passaria na Rua da Roseira), Infias (vicus), Algodres, Cortiçô (tégula), Vila Chã (povoado da Trepa, Muxagata), Mata (calçada na Qta. da Mata Gata; povoado em Monte da Mata), Maceira (calçada em Calpedrinha; villa na Qta. do Carvalho), Sobral Pichorro, Aldeia Nova, Aldeia Velha (talvez pelo Alto da Lajeira com vestígios na Qta. da Banda de Além) e Trancoso.
  • Variante por Queiriz: de Aldeia Velha poderia ligar a Queiriz (habitat; inscição votiva a Bandi Tatibeaicui, AE 1961, 341, e calçada na Ponte Romana? da Regateira, recentemente destruída), Carapito (calçada nas traseiras do cemitério proveniente da Lage Grande).


Mapa









Viseu (VISSAIUM) - Celorico da Beira
Hipotética via para Celorico, inicialmente comum à via Viseu-Famalicão da Serra até Mangualde e depois seguindo a rota da actual EN16.
Freixiosa (seguiria por Tragos; inscrição votiva como base do cruzeiro na igreja, FE54)
Matados, Chãs de Tavares (calçada junto do habitat da Vinha Morta, na Assoc. Cultural)
Guimarães de Tavares, Chãs de Tavares (a calçada junto à villa das Qtas. do Costa, indicia uma ligação a Abrunhosa-a-Velha ou Poço Moirão para travessia do rio Mondego)
Chãs de Tavares (calçada no acesso ao Castro romanizado da Sra. do Bom Sucesso; a via passaria mais a sul junto à capela da Ns. da Graça)
Pinheiro de Tavares, São João da Fresta (talvez pela Calçada de Alpaioques; miliário no Monte de S. Caetano?; ara votiva aos Lares Couticivi?, numa casa em ruínas de Qta. do Casal em Casais, FE55; ara funerária na Capela de St. Amaro da Fresta, FE56; aras funerárias, FE52 e FE53)
Ramirão, Casal Vasco (inscrição funerária, AE, 1986, 302; HEp 1 1989, 680)
Infias (vicus no Outeiro da Forca e na Rasa de Infias; Ponte Romano?-Medieval da Ribeira)
Fornos de Algodres (a calçada parte junto à capela da Sra. da Graça, seguindo por detrás da zona industrial, passando na Qta. da Lomba, Qta. do Seminário de S. José e Qta. da Costa, troço com 200 m cortado pela IP5)
Travessia do rio Mondego na actual Ponte de Juncais (a ponte antiga foi destruída; tégula na Qta. dos Covais)
Vila Boa do Mondego (segue ao longo da margem esquerda do Mondego)
Celorico da Beira


Mapa















Viseu (VISSAIUM) - Bobadela (Civitas)
A magnífica calçada entre Ranhados e Coimbrões indicia uma via importante que daria acesso a Bobadela, a importante splendidissima civitas (CIL II 397) cujo nome romano ainda é desconhecido; Há muitas candidatas como as Civitates de Velladis e Verunium ambas referidas por Ptolomeu (II, 4) ou ainda corresponder à capital dos Elbocori ou os Tapori, povos referidos por Plínio (NH, IV, 35), mas ainda no campo das hipóteses. A via romana de Ranhados seguia depois para as Termas de Alcafache, atravessando aí o rio Dão. A utilização de silhares almofadados na ponte actual indicia que existiria aí uma ponte romana. A partir daqui parece dividir-se em vários percursos, Mangualde para NE, Gouveia para leste e a Bobadela para sul. Esta última continuaria por Carvalhal Redondo e Canas de Senhorim. A partir daqui deveria ligar às Caldas da Felgueira, onde atravessa o Mondego e conflui com a via proveniente de Mangualde descrita mais abaixo, seguindo depois juntas para Bobadela. No entanto dois possíveis miliários em Oliveira do Conde e a referência a uma Ponte sobre o Mondego descoberta numa inscrição em Póvoa de Midões, indiciam uma rota alternativa com travessia do Mondego mais a jusante. Ver Vaz, 1976; Nóbrega, 2003a e 2003b; Lourenço, 2007.

Viseu (VISSAIUM?) (sai pela Rua do Cerrado, onde existia uma necrópole e a antiga porta da cidade)
Ranhados (junto ao tanque da povoação começa um dos melhores troços de calçada romana em Portugal seguindo em direcção do campo de futebol, desce ao Pontão Romano de S. Domingos sobre a ribeira da Póvoa, passa debaixo da A25, e ascende por magnífica calçada até à zona industrial de Coimbrões)
Coimbrões (desce ao rio Dão pelo caminho para Lourosa de Baixo, onde apareceu um miliário)
Ponte Romano-Medieval de Alcafache sobre o rio Dão (a calçada por trás do Hotel das Termas foi entretanto destruída; a ponte tem algumas silhares almofadados num dos talhamares e na base do pilar do lado das termas; a via romana começa logo depois saindo à direita da EN594 pelo caminho do Bairro da Calçada Romana)
Lugar do Peso, Alcafache (caminho atravessa EN1436, segue pela Rua de Santa Cruz e depois à esquerda até à Rua dos Medronheiros, segue à direita e depois à esquerda pela Rua do Caminho Romano)

Nó rodoviário no Lugar do Peso ou no Cruzeiro da Lama:
  • Rumo a nordeste para Mangualde por Mosteirinho, Pedreles e Ançada.
  • Rumo a nascente para Gandufe :
    Segundo Mário Saa (Saa, 1957, p.320) que coloca a travessia do Mondego em Porto Senhorim e daí Manteigas.
    Casal Sandinho (vestígios em Presas e Qta. dos Lobões)
    Lobelhe do Mato
    Moimenta de Maceira Dão
    Ponte Romana? do Tinto, Gandufe (ao lado da ponte nova)
    Gandufe (hipótese do miliário junto da igreja de Espinho ter sido levado daqui)
    Póvoa de Espinho (onde liga à Via Mangualde-Bobadela)

  • Possível ligação a Mangualde:
    Segundo Manuel Tavares, existia uma ligação entre Moimenta de Maceira Dão e Mangualde passando perto de Água Levada, Pinheiro de Baixo (onde identificou um troço de Calçada Romana em Barreiros), continuando por Santa Luzia, Santo Amaro até entroncar na zona de Ançada-São Cosmado com a via proveniente do Peso, entrando depois em Mangualde.

  • Rumo a sul para a Bobadela por: (ver Vaz, 1987)
    Aldeia do Carvalho (pelo caminho das Fontanheiras)
    Santar (calçada nas Pedreiras; vestígios em Outeiro, Outeirinho e Qta. do Casal Bom)
    • Possível ligação a Nelas passando por Vilar Seco (calçada e estações romanas em Prado e Qta. do Serrado).
    Ponte Romana? sobre o ribeira de Cagavaio (calçada)
    Carvalhal Redondo (segue a EN231-2 por Corredoura)
    Urgeiriça, Canas de Senhorim (villa em Laje do Quatro, junto à EN e antiga via)
    Canas de Senhorim (vicus?; villae em Casal/Olival Grande, Freixieiro e Fojo; vestígios em Moledo, Passal e Qta. de Cima; ; Villa no Lugar de Chãs o Chãos já na freguesia de Beijós)
    Caldas da Felgueira
    Aqui entronca na via proveniente de Mangualde e seguem juntas para a civitas da Bobadela (Civitas; miliário a Galério desaparecido, onde estaria?; Abreu, 1893)

  • Possível variante com travessia do Mondego em Póvoa de Midões:
    Canas de Senhorim
    Lapa do Lobo
    Fiais da Telha (segue para a calçada de Alagoas com 2 km)
    Azenha, Oliveira do Conde (miliário anepígrafo junto à Qta. da Sobreira)
    Vila Meã, Oliveira do Conde (2 miliários anepígrafos num muro em Vale do Touro; Pinto, 2001)
    Travessia do rio Mondego (talvez descendo pelo Passadouro e fazendo a travessia entre a Qta. da Barca e Vale França)
    Póvoa de Midões (uma inscrição embutida na parede de uma casa na Rua Principal indica a edificação de uma ponte ou fonte em honra do imperador Tito; «Imp. Tito. VIII. Co(n)s / [p]ontem aedificavit / Severus Vituli f.»; seria a ponte sobre o Mondego ou apenas uma fonte?; a via deveria passar junto do vicus da Cumieira, onde a tradição localiza a antiga «Cidade de Nabril»)
    Midões (daqui à Bobadela o traçado continua duvidoso, podendo descer pela calçada de Vasco até ao rio de Cavalos que atravessava na Ponte de S. Geraldo ou pela Ponte Romana de Sumes, seguindo depois próximo da Villa de Ervedais, entrando em Bobadela por Oliveirinha, mas dado o acidentado do terreno, é possível que o traçado se fizesse por Cadouço e Travanca de Lagos, entrando na Bodadela pelo norte, junto com as vias provenientes de Viseu e Mangualde)
    Bobadela (civitas).


Mapa





















Mangualde (Araocelum?) - Bobadela (Civitas)
É bem provável que uma via proveniente do vicus da Murqueira passasse em Mangualde e seguisse para a civitas de Bobadela, atendendo aos miliários encontrados em Chãos de St. Luzia e Póvoa de Espinho. A indicação de VII milhas num deles sugere que a contagem de milhas começasse nas Caldas da Felgueira, provável limite territorial entre as civitates de Viseu e Bobadela. Ver Vaz (1976), Nóbrega (2003a e 2003b) e Lourenço (2007).

Esmolfe (vicus no sítio da Murqueira em Fundo de Vila; cruzamento com a via Viseu-Trancoso; ara aos Bandi Oilienaico)
Penalva do Castelo (calçada em Sangemil)
Travessia do rio Dão na Ponte de Trancozelos (coluna honorífica e villa em S. Romão, sugere uma ligação a Castelo de Penalva)
Trancozelos (em alternativa daqui poderia seguir por Abogões e Canelas, atravessando o rio Ludares numa ponte com calçada, rumo a Quintela de Azurara, onde apareceram duas inscrições dedicadas a Júpiter, FE77 e F90, hoje na igreja, sendo uma delas proveniente da Capela da Sra. da Esperança)
Travessia do rio Ludares perto de Germil
Passos, Mangualde (villa; árula a Júpiter; calçada de acesso ao rio Dão; a via poderia seguir pela Qta. Cruz, pois aí existe um possível miliário transformado em cruzeiro no muro da quinta)
Mangualde (seguia junto da villa da Raposeira e das Qtas. da Fonte do Púcaro, provável localização da mansio, no cruzamento com a Via Viseu-Mérida)
St. Amaro de Azurara
Santa Luzia (miliário de Chãoes dedicado a Licínio Pai indicando a milha XI, hoje no Museu Grão Vasco em Viseu com o n. 51; possível miliário em Água Levada)
Póvoa de Espinho, Espinho (possível miliário na Rua do Forno junto à porteira de uma casa; possível miliário reutilizado no Cruzeiro de Espinho; miliário encastrado num muro, no entroncamento da Rua do Calvário para a Abadia)
Abadia de Espinho
Ponte sobre o rio do Castelo (miliário da Qta. da Ponte dedicado a Cláudio indicando a milha VII que hoje está na colecção da ADV em Viseu)
Outeiro de Espinho (para nascente em Vila Nova de Espinho há um possível miliário reutilizado para cruzeiro)
Senhorim (miliário em Casal Sandinho; vestígios no lugar da Igreja e Terra do Fidalgo; topónimo Portela)
Nelas
Folhadal (alternativa por Póvoa das Roçadas)
Caldas da Felgueira (provável divisão territorial entre as civitates de Viseu e Bobadela)
Travessia do rio Mondego (topónimo Qta. dos Carris)
Seixo da Beira
Vila Franca da Beira (passa a nascente, hoje EM507-1)
Ponte do Buraco
Travancinha (a calçada na "Canada das Cerejeiras" segue para Casal, e depois entronca na EM5043)
Lagares da Beira (topónimo Vale da Corredoira seria uma referência à calçada?; na vizinha freguesia de Meruge existem vestígios junto à Capela de S. Bartolomeu)
Ponte Romana? da Ribeira ou de Vale de Negros
Travanca de Lagos (próximo, em Andorinha, existe a Ponte das Roçadas sobre o Rio Cobral dita "Romana")
Bobadela (civitas), Oliveira do Hospital

Ligação da Bobadela ao Rio Alva:
Atendendo à importante exploração mineira aluvionar de ouro e chumbo, deveriam existir várias vias de acesso ao Rio Alva.

    Ligação de Bobadela a Avô e daqui a Coja:
    Partindo da Bobadela rumava para sul por Nogueira do Cravo (pelo lugares das Mestras e de Cales, onde existe uma casa que reutiliza imensos silhares romanos provenientes da civitas ali perto), seguindo depois por Galizes e Santa Ovaia, onde cruza a EN17, iniciando a descida ao Alva pelo chamado «caminho fundo» até à Ponte das Três Entradas ou seguia para Avô, passando por Lousada, Vila Pouca da Beira (pela calçada que passa em Pombal e segue pela Rua da Calçada Romana e Rua dos Catarinos até Cruz de Pedra, onde desce à EN230 pela Qta. do Casal) até à travessia do rio Alva em Avô; Daqui parte uma calçada para Pomares, Moura e Valado e outra na direcção de Coja; esta calçada parte do Bairro de St. António, e segue para Anceriz pela calçada de S. Pedro, hoje Rua da Sra. de ao Pé da Cruz, segue por estradão de terra até Cruz de Anceriz e daqui ruma a Coja pelo Casal de S. João.

    Ligação de Bobadela a Coimbra e Idanha-a-Velha por Coja:
    O miliário a Teodósio da Sra. da Ribeira permite equacionar uma via proveniente da Bobadela que ia atravessar o rio Alva em Coja, seguindo depois quer na direcção de Coimbra quer de Idanha-a-Velha. Partindo da Bobadela, a via passaria por Covas, Pinheiro da Coja, atravessava o rio Alva junto a Coja e seguia junto à Capela da Sra. da Ribeira (onde está o miliário a Teodósio) para Vale de Carro (mutatio?), local onde bifurcava;
    • Um ramo rumava para SW em direcção a Coimbra descrita no itinerário Coimbra-Coja-Bobadela.
    • Outro ramo rumaria para SE na direcção a Idanha-a-Velha, seguindo pela chamada "Estrada de Moura" passando em Benfeita (villa), Relva Velha, Moura da Serra (mutatio?; vestígios do corte da via no Cabeço do Peão), Porto da Balsa (travessia do Rio Ceira), Paúl, Travessia do rio Zêzere (onde?), Lavacolhos (junto do Castro de Argemela), Castelejo (ara referindo o povoado de Eburobriga; inscrição em Freixial), Souto da Casa (inscrição funerária na igreja), Fundão, Mata da Rainha (inscrição), Aldeia de Sta. Margarida (junto do templo romano na Ermida da Sra. da Granja, onde há um possível miliário), Proença-a-Velha (pela calçada da Quelha do Medo e já na povoação, junto da Capela do Calvário e da Fonte da Goma) até atingir Idanha-a-Velha.


Mapa





Mealhada a Bobadela
Com base na existência de dois possíveis miliários na região do Luso, é provável que existisse uma via romana derivando da Via Braga-Lisboa ligando o litoral às civitates da Bodadela e Viseu. Os percursos continuam hipotéticos devido à incerteza quanto à localização original desses miliários. O miliário que apareceu na Leira Grande está muito próximo do caminho Anadia-Serra do Bussaco, mas há relatos que o dão como proveniente da Lameira de St. Eufémia, mais a sul, o que o coloca próximo do caminho Mealhada-Serra do Bussaco. Existe também uma referência medieval a uma «Via Antiqua» na margem direita do Cértima, mas não é claro onde se situa (in PMH, DC 104). Assim, apresentam-se as duas possíveis vias que seguiam pelo acidentado terreno da Serra do Bussaco.

Alternativa Anadia - Serra do Bussaco - Bobadela:
Desviando da VIA XVI, atravessava o rio Cértima, entre Mogofores e o Castro de Anadia ou mais a sul entre Tamengos e Aguim, e daqui seguia em direcção ao Luso por estradão de terra contornando a Serra do Bussaco pela sua vertente norte.
Aguim, Anadia
Grada (segue até ao sítio dos Marcos onde vira à esquerda pelo caminho de terra que passa na Cerâmica St. Amaro)
Poço, Vila Nova de Monsarros (o caminho cruza com EN235. onde apareceu o marco romano, possível miliário, seguindo pelo estradão que hoje delimita os concelhos da Anadia e da Mealhada que passa no Alto do Loisal)
Salgueiral (onde cruza com a EN336 e continua pelo Alto do Cabeço Redondo e Bilheiro até)
Sula (entronca na EN234 que segue até Moura, virando aqui à direita pelo CM1552 pela Serra da Cerdeirinha)
Cerdeirinha (continua pelas alturas de Atalaia por Louriceira, Alcordal e Galhardo)
Cercosa (cruza com a Via Coimbra-Viseu e continua pela calçada de Vale de Ana Justa)
Travessia do rio Mondego (travessia muito alterada pela barragem da Raiva)
Oliveira do Mondego (aqui entroncava via Coimbra-Bodadela pela EN17 e seguia para a Bodadela)

Alternativa Mealhada - Serra do Bussaco - Bobadela:
Partindo da Vimieira, provável mutatio na VIA XVI, atravessava o rio Cértima na direcção do Luso por Vacariça (vestígios em Ferrarias), Lameira de St. Eufémia (miliário junto à necrópole de Fiéis de Deus, depois deslocado para a Leira Grande), Luso, seguindo depois para Sula, onde entronca na variante anterior.

Alternativa para a Bodadela por Mortágua:
É possível que um outro caminho seguisse a EN234 que liga Sula a Mortágua e daqui por Sta. Comba Dão em direcção à travessia do rio Mondego em Tábua.
Passa em Vale de Remígio, atravessa a ribeira de Mortágua, Gândara, atravessa o Rio Criz em Breda, Sta. Comba Dão (descia do Largo do Balcão pela já destruída «Calçada Velha» até à travessia do rio Dão), Vimeiro (da ponte subia à Estação CF rumando a Cancela; a calçada da Laje do Roxo dirigia-se para a Villa da Abadia em Óvoa)
S. João de Areias (vestígios na Igreja Matriz e em Alqueives; desce ao rio pela Estrada Principal, inflectindo à esquerda depois da Rua dos Prados pela estrada que leva ao rio Mondego)
Travessia do rio Mondego (existe uma ponte antiga, submersa pela albufeira da Aguieira; sobe na outra margem, pela calçada romana da Pedra da Sé com 350 m até Tábua)
Tábua (junto das Villae do Fundo da Vila e da Torre, Seixos Alvos, pelo Alto do Outeiro da Mama, Barras, Várzea, Vila Chã)
Vila Nova da Oliveirinha (entrava em Bobadela pela Ponte Romana sobre o rio de Cavalos junto do cemitério)
Bobadela (civitas), Oliveira do Hospital


Mapa

Coimbra (AEMINIUM) - Viseu (VISSAIUM)
Itinerário que acompanha a antiga estrada medieval entre Coimbra e Viseu com passagem por Mortágua. É possível que seja uma rota romana, mas os pouco vestígios não permitem uma datação precisa. Este itinerário medieval está descrito no «Mappa de Portugal Antigo e Moderno» (Castro, 1762) com as seguintes estações (légua a légua num total de 13 léguas): De Coimbra a Eiras, Botão, Galhano, Santo António do Cântaro (Carvalho), Freirigo (Marmeleira), Barril (Mortágua), Brida (Breda), Cris (rio), Casal de Maria, S. Joaninho, Tondella, Sabugosa, Fail e Viseu. Depois da travessia do rio Cris em Sta. Comba Dão o percurso da Estrada Real para Viseu vai por Tondela, mas não é certo que seja este o itinerário romano.

Coimbra (poderia seguir a Via XVI até próximo de Adémia de Cima, rumando daqui para leste ao longo da ribeira de Eiras)
Eiras (1 légua; travessia da ribeira das Eiras na Ponte Medieval, Rua de Sta. Isabel; casais em Ouressa e em Costa)
Brasfemes (torres veteres num documento de 1165; atravessa o rio Resmungão junto da Villa de Lagares e segue pelo Alto de Esculca-Paredes até ao Outeiro do Botão)
Botão (2 léguas; daqui ruma a nordeste talvez por Monte Redondo, Casqueira até à Ponte da Mata e daqui subia pelo Vale da Estrada até Galhano, 3 léguas, transpondo a Serra do Bussaco pela Portela de St. António do Cântaro)
St. António do Cântaro, Carvalho (4 léguas; aqui existia desde 1215 um albergue medieval, mas hoje só resta a capela; segue a EM1250 pela Serra do Vidoeiro, passando junto de Lorinhal, Vale das Éguas e Alcordal)
Galhardo, Cercosa
Freirigo, Marmeleira (atravessa o ribeiro de Freirigo nas 5 léguas e segue a EM591 por Cotelha)
Cortegaça (continua pela EM591 por Benfeita, Cortegaça e Vale de Açores)
Mortágua (atravessa a ribeira de Mortágua e segue por Barril na légua 6)
Travessia do rio Criz (7 léguas; junto a Breda, mas hoje alterado pela barragem da Aguieira)
Sta. Comba Dão (daqui a estrada real ruma a norte pela EM629 por Colmeosa, Couto do Mosteiro, Casal de Maria, légua 8, e S. Joaninho, légua 9, embora a via romana pudesse ir pela lomba entre S. Joaninho e Teixedo, atendendo à referência no ano de 974 à «Via Antiqua»; in PMH, DC 114; a via continuaria a poente do habitat do Cadaval e da Qta. dos Lobos/Travanca em Mouraz)
Tondela (10 léguas da Estrada Real; a via poderia seguir entre o povoado romano de Ns. do Castro em Lobão da Beira e o Castro romano de Nandufe, atravessando o rio Dinha para Valverde; possível ligação ao acampamento romano de Ferrreirós do Dão que controlaria a travessia do o rio Dão nesse local, entre a confluência do Dinha e do Pavia)
Canas de Sta. Maria (de Valverde segue próximo da villa de Freixo/Olival Escuro entre Sta. Ovaia de Baixo e de Cima, junto da Capela de Sta. Maria Madalena)
Sabugosa (11 léguas; villa em St. Aleixo; Castro romanizado dos Três Rios em Parada da Gonta)
Faíl (12 léguas; inscrição a Reinticis)
Viseu (VISSAIUM?) (13 léguas desde Coimbra)


Mapa





Coimbra (AEMINIUM) - Civitas de Bobadela
Esta via ligava Coimbra ou Conímbriga à civitas da Bobadela, continuando depois pela vertente ocidental da Serra da Estrela até Celorico da Beira e daqui a Marialva, percorrendo o Vale do rio Mondego por Gouveia, onde se faria o cruzamento com a via Braga-Mérida. Da Bobadela também poderia a Espanha em direcção a Ciudad Rodrigo ou Salamanca. Esta via é designada por via Colimbriana na idade média e corresponde aproximadamente ao trajecto da actual Estrada da Beira ou EN17. Como são poucos os vestígios encontrados apresentam-se troços hipotéticos desta ligação.

Seguindo aproximadamente a actual Estrada da Beira (EN17) pela Ponte da Mucela:
Coimbra (saía pela Porta de Belcouce que seria junto da ponte moderna e rumava a leste ao longo da margem direita do Mondego pela Rua da Alegria, antiga Via Longa, Rua do Brasil, Arregaça e Vila Franca até Torres do Mondego)
Travessia do rio Mondego junto à foz do rio Ceira
  • A travessia poderia ser na Barca do Mondego, a montante da ponte actual, seguindo depois para Portela do Coimbrão, onde conflui com o itinerário pela ponte actual.
  • Da ponte segue a EN17, mas pouco depois inflecte para a esquerda pela Rua do Correio, continua por Lagoas, Portela de Coimbrão, Alto da Escusa, Carvalho, Portela, Algaça até St. André de Poiares, hoje Vila Nova de Poiares.
Vila Nova de Poiares (provável Mutatio a X milhas de Coimbra pois aqui existia um Albergue Medieval; continua pela EM1541 e EM1246 por Venda Nova)
Lavegadas (por Moura Morta; junto à ribeira de Sabouga há calçada, ponte e vestígios da exploração aluvionar)

Ponte Romano?-Medieval da Mucela sobre o rio Alva (alguns silhares terão origem romana)
S. Martinho da Cortiça (segue a EN17 por Poços, Catraia dos Poços, Rua da Calçada Romana e Moita da Serra)
Carapinha (possível ligação a Arganil com base na calçada em Sarzedo, EN242-4; segue a EN17 por Venda do Vale, Venda do Porco e ao km 66 segue à esquerda pela EN230-6 que vai para Covas)
Ponte Romana de Bobadela sobre o rio de Cavalos (serve ainda a estrada do cemitério; pavimento em betão, mas o arco parece romano)
Bobadela (civitas), Oliveira do Hospital
  • Ligação a Marialva: a via deveria seguir até Marialva pelo vale do rio Mondego na vertente ocidental da Serra da Estrela, passando em Seia, Gouveia. O percurso está definido nas vias em torno de Marialva
  • Ligação à Via Braga-Mérida:, também é provável que existisse uma via pela vertente sul da Serra da Estrela de encontro à Via Braga-Mérida, passando em Oliveira do Hospital, Seia, Manteigas até Valhelhas, entroncando assim na via para Mérida que aí passava, pondendo depois rumar a Ciudad Rodrigo e Salamanca.

Variante por Lomba do Canho e Coja:
Poderia existir uma via proveniente de Coimbra em direcção ao importante acampamento romano da Lomba do Canho em Secarias (o espólio recolhido foi armazenado e está a causar muita polémica), seguindo depois para Coja, atendendo ao miliário a Teodósio da Capela da Sra. da Ribeira encontrado em 1967 nas redondezas. Segundo Alarcão, a via partia de Coimbra por rota fluvial até Porto da Raiva, seguindo depois por via terrestre por Arganil, Secarias, Lomba do Canho, Qta. do Mosteiro, Lomba dos Palheiros (Vale Moleiro), Vale de Carro, Sra. da Ribeira, Coja, onde atravessava o Rio Alva, podendo daqui rumar a N para a Bobadela ou rumar a NE na direcção do Castro de S. Romão (Seia) e, atravessando a Serra da Estrela, ligaria à via Braga-Mérida.

Minas de Góis, Lousã e Arganil
A exploração mineira nestes concelhos deverá estar associada a uma rede viária para escoamento do minério da qual apenas se conhecem parcos vestígios:
Góis (poderia ser romano o caminho que vem da Portela de Albergaria, atravessa o Ceira em Góis e seguiria para Lomba do Canho em Arganil)
Cadafaz, Góis (troço de calçada na Estrada do Pepio e do Sal e na Estrada das Malhadas, ambas nas cumeadas da Serra de Entre-Capelos e Serra das Malhadas)
Alvares, Góis (Minas Romanas da Escádia Grande em Roda Cimeira e de Covas dos Ladrões no Alto das Cabeçadas)
Serpins, Lousã (habitat no Cabeço da Igreja; 2 inscrições sepulcrais; vestígios dos pilares da antiga Ponte Medieval sobre o rio Ceira)
Várzea Grande, Vila Nova do Ceira (calçada de acesso às minas de ouro)


Mapa



Coimbra (AEMINIUM) - Leiria (COLLIPO)
Desviando da Via XVI em Conímbriga, a via poderia seguir por Ega até Soure onde se achou um miliário, atravessando aí o rio Arunca, em alternativa poderia seguir pela via antiga pela Ponte da Redinha, onde também há vestígios romanos, seguindo depois para Pombal, onde estas variantes se reuniam. Ainda conjectural. (Alarcão, 2004; Bernardes, 2007).

Variante por Soure
Seguia por Ega (provável vicus no Largo da Feira de São Martinho, junto da Igreja Matriz)
Soure (Vicus Saurium?) (provável mutatio junto ao Castro de Soure, localizado num sítio estratégico como é a confluência dos rios Arunca e Anços; nas ruínas da Igreja de Ns. de Finisterra junto ao castelo, apareceu um miliário a Caracala já convertido em sarcófago, hoje Museu Municipal; talvez indicasse a milha IX desde Conímbriga mas hoje já não é legível; a mutatio ficaria no Vicus da Qta. da Madalena)
Talvez continuasse pela margem esquerda do rio Arunca até Pombal.

Variante pela Redinha
Seguia por Ameixeira, Arrifana, N1, Presa, Vale do Castelo, Venda Nova, Vale Mouro e Galiana (importante vicus chamado «Cidade» da Roda), Ponte Romano?-Medieval sobre o rio Anços na Redinha (Povoado em Vale Castelo), continuando depois para Pombal. (pela EN1?).

Pombal (ainda pouco clara a rede aqui)
  • de Pombal é possível que um caminho romano ligasse ao Vicus de Trás-os-Matos, seguindo pela Estrada das Congostas, acompanhando o Rio Arunca pela sua margem direita, passando no Alto das Mouriscas, Ponte de Assamassa, acompanhando a ribeira de Valmar até Trás-os-Matos, podendo daqui ligar à Via XVI Braga-Lisboa por Campodónio (Abiúl) e Santiago da Guarda.
  • um outro caminho desviava do anterior atravessando a ribeira de Valmar em Melga ou na Ponte de Assamassa e dirigia-se ao Vicus da Igreja de S. Tibério em Farroubal.

Continuação para Leiria:
Atendendo aos vestígios existentes é provável que a via depois de tocar Pombal seguisse ao longo da margem direita do Rio Arunca por Melga até Pisão, onde faria a travessia do rio para Vermoil.
Vermoil (a via deveria passar na Rua da Calçada, da qual só resta o topónimo, em direcção ao Vicus da Telhada/Lavandeira/Povoado do Outeiro da Calvaria; depois deveria ir entroncar na EN1 seguindo pela Estrada da Bouça até Barracão ou pela Igreja Velha e Colmeias até Boa Vista)
Travessia da ribeira de Agudim (junto ao Vicus de Covas/Casal da Quinta?)
Boa Vista
Leiria (villa de Martingil em Marrazes e vicus em Milagres)
Travessia do rio Lis (talvez continue pela EN543)
Telheiro
Barreira (calçada)
Andreus, Barreira
S. Sebastião do Freixo (COLLIPO) (civitas; o espólio recolhido está no Museu da Comunidade Concelhia da Batalha inaugurado em 2011)
  • Ligação de COLLIPO ao seu porto marítimo: deveria existir um ligação entre Collipo e o seu porto romano em Vale Paredes, passando por Maceira (villae em Arneiro e Arnal) e Martingança.
  • Ligação à Lagoa da Pederneira: Ao tempo romano toda a região a sul da Nazaré era ocupada pela Lagoa da Pederneira com vários sítios romanos em seu redor; Assim é possível que existissem vários acessos que partindo de Collipo e passando em Pataias (Fornos de Cal), ligassem a esse sítios situados na antiga linha de costa como: Pederneira, Valado de Frades, Póvoa de Cós, Maiorga e Fervença, ligando depois a Alcobaça onde entronca na via principal que vai para Óbidos.


Mapa

Leiria (COLLIPO) - Tomar (SELLEUM)
Ligação entre estas duas importantes civitates por Ourém, mas com um traçado ainda muito conjectural devido à incertezas existentes. Poderia seguir por Cortes e já em Arrabal por Soutocico e Carrascal; depois está indefinido, podendo seguir a rota descrita abaixo ou, em alternativa, seguir por Sta. Catarina da Serra (topónimo "Estrada Romana" em Pedrome) e por Castelo Velho de Ourém (antiga Adbegas que poderia ser na Villa de Coinas; o acesso ao castelo era feito pela Ponte de S. Sebastião e pela calçada da Mulher Morta)
S. Sebastião do Freixo (COLLIPO)
Calçada, Gondemaria (habitat em Achada do Pontão)
Olival (villa; vestígios entre Pairia e Moçomodia)
Casais de Abadia, Caxarias (Vicus de Sor; provável mutatio em Carrascal; vestígios no cemitério)
  • Eventual ligação ao Castro de Porto Velho em Formigais com vestígios de calçada no sentido N-S; Povoado em Agroal.
  • Eventual ligação por Rio de Couros (villae em Rouquel/Arouquel e Sandoeira) até Freixianda (vicus em Casais da Matinha e vestígios em Vilalva, Abades e Arneiro), onde poderia atravessar o rio Nabão pois na outra margem, em Pelmá, existem troços de calçada em Ameixieira e em Pregal.
Ligação a Tomar:
  • Um caminho poderia ser por Cogominho, Vale da Cordela, Sabacheira (atalaia em Vinha Velha) e Suímo em direcção a Carregueiros.
  • Outro poderia seguir por Seiça (casal em Padrão; necrópole em Pombalinho)
Carregueiros (calçada em Valinhos; Pontes romanas? em Vale de Carvalho e Casal Ribeiro; atalaia em Vinha Velha)
Tomar (SELLEUM)

Tomar-Assentiz-Torres Novas
Algumas pontes ditas «romanas», calçadas e outros vestígios numa região fortemente romanizada, mas cuja rede viária é ainda em grande parte desconhecida.
  • De Tomar deveria existir uma estrada para leste passando na Ponte Romana? dos Frades sobre a ribeira de Cerzedo, junto da Qta. da Anunciada Velha (Madalena) para Assentiz/Beselga, ligando aos castros romanizados do Monte Cividade/Monte de Aparícia (sobranceiro à ribeira da Beselga), de Francos/Francas, Carregueira e Fungalvaz (calçada do ribeiro de Chão de Maçãs ao Castelo; Villa na Igreja de S. Silvestre; villa ou vicus em Vales de Baixo e de Cima; forno em Casais da Igreja).
  • Outra ligaria ao vicus de S. Pedro de Caldelas (Madalena, Tomar), Porto da Laje e seguindo em direcção a Torres Novas por Pé de Cão (villae em Casal de Soudos, Paraíso/Paraísas e Alto da Qta. de S. Brás em Vargas, Paço), Olaia (vicus?), Valhelhas (calçada junto do cemitério) e Gateiras, onde entronca na variante da Via XVI Braga-Lisboa por Torres Novas, ou seguir pelo Alto das Pretas, Alcorriol e Sentieiras até entroncar nas anteriores em Casal Bom.
  • Outros vestígios na região de Torres Novas:
    Lapas (villae na Qta. da Silvã, Qta. de S. Brás em Baralhas; Ponte Romana? de Pimentéis), Chancelaria (Villa da Mata/Malhada, junto à ribeira do Mortal), Riachos (Oppidum romanizado em Castelo Velho) e Lameiranche (Parceiros de Igreja); Ver Silva 1988 e Ponte, 1995.
  • Outros vestígios na região de Tomar:
    Casais (Ponte), Asseiceira (Ponte da Matrena sobre o rio Nabão) e Além Ribeira (Ponte da Póvoa sobre a ribeira da Milheira e Ponte da Azenha do Curto sobre a ribeira de Fervença ; calçada junto ao Castro romanizado do Alto da Pena)


Mapa





Leiria (COLLIPO) - Santarém (SCALLABIS)
Deveria existir uma ligação entre estas duas importantes civitates mas para já os traçados propostos são meramente hipotéticos. Uma alternativa passa no interessante troço de calçada em Alqueidão da Serra e a outra passa na Ponte de Alcanede com possível origem romana.

Variante por Alqueidão da Serra:
S. Sebastião do Freixo (COLLIPO), Leiria
Garruchas, Reguengo do Fetal (por Perulhal)
Alqueidão da Serra, Porto de Mós (calçada com 150 m acesso pela Rua da Carreirancha, seguindo para Bouceiros, mas a partir daqui o traçado é incerto).
  • rumar a Torres Novas por Valongo, Vale de Barreiras e Grouxaria continuando depois até à travessia do Tejo em Tancos.
  • rumar a Moron em Chões de Alpompé, porto fluvial do Rio Tejo.
  • rumar a Santarém por Minde (atravessa a Serra de Minde), Alcanena, Pernes e Achete.

Variante por Porto de Mós:
  • rumar ao Vale do Tejo pela depressão de Alvados, passando em Alcarias.
  • rumar para sul pela EN362, passando por Mendiga, Valverde, Mosteiros, Ponte Romano?-Medieval de Alcanede sobre o rio Nede, seguindo depois por Tremês e Romeira até Santarém ou por Fráguas em direcção a Rio Maior, EN361.

Variante por Rio Maior:
De Alcobaça poderia rumar a Rio Maior passando por Évora de Alcobaça e Turquel, locais romanizados, Alto da Serra ("Casa da Muda", antiga malaposta da estrada real), Freiria, Rio Maior (villa junto do cemitério; espólio na Galeria Municipal; vestígios em Bocas e perto de Fonte da Bica em Casais de Cidral), Boiças e daqui a Santarém ao longo da margem esquerda do rio Maior ou para sul por Espinhaço de Cão até Alenquer.


Mapa

Leiria (COLLIPO) - Óbidos (EBUROBRITTIUM)
A via romana que ligava a civitas de Collipo à civitas de Eburobrittium começa agora a ficar mais consolidada, mas grande parte do percurso é ainda conjectural. A via deveria seguir pela antiga linha de costa que ao tempo romano era bem mais para o interior, bordejando a extinta Lagoa da Pederneira, em direcção a Alfeizerão pois aí foi encontrado um miliário dedicado a Adriano que está hoje numa casa particular e do qual existe uma cópia em gesso no Museu Dr. Joaquim Manso na Nazaré; Segundo a Assoc. de Amigos de Alfeizerão (AMIALFA) este miliário estaria no sítio das Ramalheiras e não na aldeia de Ramalhiça, como indica Vasco Mantas (1986). Depois de Alfeizerão, a via dirigia-se a Eburobrittium, uma civitas já mencionada por Ptolomeu no seu «Geographia», mas que só viria a ser descoberta em 1994 junto a Óbidos durante as obras de construção da A8. A anterior localização da civitas em Amoreira proposta de J. Alarcão (1988) ficou assim descartada.

Freixo (COLLIPO), Leiria (segue por Rebolaria e Crasto)
Batalha (segue aprox. a EN1 e EN8 por S. Jorge, Moitalina, Cruz da Légua, local onde entronca a estrada que vinha de Santarém; ver o Museu da Comunidade Concelhia da Batalha)
Aljubarrota (calçada de Prazeres)
Boavista de Baixo, Aljubarrota (calçada na Qta. das Inglesas seguindo por Qta. Nova até)
Alcobaça (provável mutatio a cerca de 15 milhas de Collipo e a 19 milhas de Eburobrittium; a travessia do rio Alcoa poderia ser junto às Termas da Piedade)
De Alcobaça a Alfeizerão poderia seguir por duas alternativas:
  • Continuar junto à antiga linha de costa, próximo da villa de Parreitas, sobranceira à antiga Lagoa da Pederneira, em Bárrio, seguindo a lagoa por Cela Velha (calçada; Rua da Via Romana), Cabeço da Arieira, Mata da Torre, Rebolo (cipo funerário) e Macarca de Cima já na freguesia de Famalicão.
  • Rumar directo a Alfeizerão por Vestiaria, Cela e Alto do Facho porque apesar de não existirem vestígios deste caminho é menos acidentado e mais curto que a hipótese anterior.
Alfeizerão, Alcobaça (porto romano?; a via passa a leste em Ramalhiça, onde se achou o miliário a Adriano)
Vale de Maceira (a leste, talvez por Mosqueiros, Casal da Venda e Casal do Oliveira)
Salir de Matos (Villa(?) em St. Amaro; Travessia do Rio Tornada para Casais da Ponte)
Caldas da Rainha (algures a leste da cidade)
Óbidos (EBUROBRITTIUM) (o que resta hoje desta importante civitas situa-se na encosta sobranceira ao Santuário do Sr. Jesus da Pedra, antiga Qta. das Flores, actual Qta. das Janelas na freguesia de Gaeiras)

  • Ligação a Santarém: deveria existir uma ligação entre Eburobrittium e Scallabis passando por Cercal (Cadaval); na sua parte inicial, a via tanto poderia seguir comum à via para Olisipo até ao Cadaval, rumando aqui para Cercal, ou seguir um caminho independente por Usseira, Salgueiro, Barrocalva, Palhoça, Qta. de St. António e Cercal (povoado em S. Salvador); reunidas em Cercal, a via dirigia-se para Santarém talvez por Manique (por Arrifana e Albergaria?), Almoster (a sul por Atalaia?), seguindo talvez para a Ponte do Celeiro sobre a Vala de Asseca e daqui a Santarém pela Calçada de S. Domingos.
  • Ligação ao rio Tejo: hipotética ligação de Eburobrittium à travessia do Tejo em Escaroupim, desviando da anterior em Cercal e seguindo para SE por Alcoentre e Aveiras de Cima, onde cruza com a VIA XVI, Aveiras de Baixo (villa), Qta. do Alqueidão e Reguengo, onde fazia a travessia do rio. (ver Costa, 2010)


Mapa









Óbidos (EBUROBRITTIUM) - Lisboa (OLISIPO)
Continuação da via romana Conímbriga-Lisboa atravessando os concelho de Óbidos, Alcobaça, Mafra e Sintra. De Eburobrittium a via continuava na rota para sul, mas o itinerário continua muito incerto. É possível que a via se dirigisse ao Cadaval, traçado que corresponde a grosso-modo à EN114 e EN8, podendo um ramo inflectir para leste em direcção a Santarém e ao rio Tejo. (Ver Byrne, 1993; Dias, 1997; Moreira, 2002; Costa, 2010)

Óbidos (Eburobrittium) (ver mapa; partindo da civitas na Qta. das Janelas, passa debaixo da A8 para ir atravessar o rio Arnóia junto da Qta. do Pego, seguindo por Casal da Coxa, cruza a EN114 ao km 85 e passa no sopé de Óbidos pela Rua de D. João de Ornelas (junto à muralha), seguindo depois pela Qta. do Jardim, onde há registo de calçada)
A-da-Gorda (daqui partia um acesso aos vestígios na Qta. da Ferraria e na Qta. das Várzeas; continua sempre recto pela EN114 até encostar ao nó de acesso à A8 que destruiu o antigo caminho que seguia entre a AE e a EN8, existindo ainda vestígios da calçada; hoje é preciso seguir pelo estradão de terra que passa debaixo da A8 até reencontrar o caminho ao entroncar na EN8, onde também apareceram vestígios da calçada)
S. Mamede, Bombarral (daqui partia uma ligação à villa da Columbeira cujo espólio está no Museu Municipal; seguia sempre pela EN8, passando junto à Villa romana de S. Mamede, entre o km 80 e 79, junto do campo de futebol e na base do Castro do Alto da Raposa (seria uma mutatio?); depois continua paralela ao rio Real e linha férrea indo atravessar o Rio Bogofa em Sobral de Parelhão, rumando depois ao Cadaval por Vale de Canada, Alto do Bacalhau e Qta. da Padroeira)
Cadaval (o Museu Municipal guarda o espólio da villa de Borjigas; a via deveria seguir pela vertente poente da Serra de Montejunto por Chão de Sapo)
S. Tomás de Lamas (aqui apareceu uma ara dedicada a Marco Aurélio; seguia talvez por Ventosa, Palhais, Vilar e Maxial, seguindo depois o rio Alcabrichel por Lobagueira, Monte Redondo, Matacães do Juncal, passando assim a leste de Torres Vedras até ao vicus da Qta. da Macheia, possível localização de Chretina)

Torres Vedras (CHRETINA que Ptolomeu coloca a 50 km de Olisipo, ainda no território do Municipium Olisiponense, não seria longe daqui, podendo corresponder aos vestígios encontrados na área da Qta. da Macheia/Machêa e nas Termas Romanas dos Cucos)
  • Ligação de Torres Vedras a Alenquer: deveria existir uma ligação entre Chretina e Ierabriga, ligando assim a Via Conímbriga-Lisboa à Via Braga-Lisboa, passando na Serra de S. Julião (villa; inscrição na capela, FE306), Merceana e Aldeia Gavinha, mas o seu percurso continua indefinido (Mantas, 2002; Costa, 2010).
  • Em alternativa o percurso poderia passar na Aldeia Gavinha, onde há sítios romanos, mas devido ao acidentado do terreno é provável que se dirigisse primeiro a Dois Portos e daí a Alenquer.

Dois Portos (de Torres Vedras a via continuava para Dois Portos ao longo do rio Sizandro, mas há dúvidas sobre qual das margens seguiria, sendo que o na margem esquerda temos o sítio romano da Qta. da Porticheira/Portucheira e o povoado romanizado da Sra. do Socorro, a poente da serra com mesmo nome, e na margem direita a villa da Aldeia do Penedo)
  • Ligação de Dois Portos a Alenquer, pela linha de festo que separa os afluentes da bacia hidrográfica do Rio de Alenquer e do Rio Grande da Pipa; partindo de Dois Portos, segue pelo Alto de Aire, Alto da Folgorosa, Sra. dos Milagres, Chãos, Freiria, entra na EN115-3 e segue para Calçada, Casal Sta. Eufémia, e pouco depois sai da estrada e desce à ribeira de Santana da Carnota pela calçada a W do Casal do Vale de Reis, continua a leste de Pipa por Casal Novo, Qta. do Outeiro e Qta. do Chafariz, entra na CM1121 para Cabeços, passa a EM523 continua pelos sítios romanos do Casal dos Cabeços, Mte. do Alforges e Venda/Alto da Cabreira, onde sai da estrada, e segue o caminho por Casal da Choça e Qta. do Brandão directo à mansio Ierabriga no lugar de Paredes, junto da margem direita do rio Alenquer. (Mantas, 2002; Costa, 2010).
  • Ligação de Dois Portos ao rio Tejo: é provável que daqui partisse uma ligação directa ao Rio Tejo para escoamento dos produtos da região, passando em Aranhó (Castelo/Forte do Passo), Santiago dos Velhos (Casal Novo) e Calhandriz (Casal Velho), onde há referências a um miliário, e finalmente Alverca, onde entronca na Via Bracara - Olisipo.
Dois Portos (o percurso para Lisboa continua inseguro, mas é possível que continuasse ao longo do Rio Sizandro, EN374, em direcção a Loures por Feliteira, Gosundeira, Milharado, pelo marco geodésico de S. Mamede, e Cabeço de Montachique)
Loures (em 1990, durante a construção do novo Palácio da Justiça foi identificada a Villa de Almoínhas e recolhidos 2 miliários, hoje em exposição no Museu Municipal na Qta. do Conventinho ali perto; segue pela Ponte de Frielas sobre a ribeira da Póvoa)
Ponte de Frielas sobre a ribeira da Póvoa
Frielas (Villa junto da capela de Sta. Catarina; miliário na Qta. de St. António do qual só resta um desenho, após a sua reutilização em 1907 nos alicerces de uma obra da quinta; segundo Vasco Mantas, estaria junto da ponte de Frielas)
Lisboa (OLISIPO) (passava na Calçada de Carriche e em Entrecampos, antigo «Campos de Alvalade» e onde existia uma necrópole, seguia pela Rua de Sta. Marta, Rua de S. José, Rua das Portas de St. Antão, antiga «Corredoura», Rua D. Antão Vaz Almada e desemboca na Praça da Figueira, onde foi descoberta uma necrópole e vestígios da calçada, atravessando depois a Baixa até à Sé; Silva, 2009)

Variantes de Via Óbidos-Lisboa pelo litoral:
A linha de costa na antiguidade seguia por Ferrel (Lajido e Cruz das Almas), Atouguia da Baleia (por Burnela, Porto Salgado, Porto dos Lobos, Alcoentras e Consolação), sendo Papoa, Baleal e Peniche na época, ilhas junto à costa com função de entrepostos de apoio ao comércio marítimo. Em Peniche há vestígios de fabrico de ânforas nos fornos romanos do Morraçal da Ajuda e ainda outros vestígios em torno da Igreja de Nossa Senhora da Ajuda e dos edifícios na Rua da Liberdade certamente relacionados com essa função de entreposto. Desse modo é quase certo que existia uma ligação entre Eburobrittium e o seu porto marítimo em Atouguia da Baleia, seguindo depois a antiga linha de costa até Torres Vedras; do mesmo modo também é possível que existisse uma variante da Via Torres Vedras-Lisboa pelo litoral, começando por ligar Chretina ao mar, seguindo depois para sul em direcção ao importante Vicus de Faião em S. Miguel de Odrinhas com enorme importância no contexto do território Olisiponense e outra das possíveis localizações de Chretina.

de Óbidos a Torres Vedras pela antiga linha de costa
Óbidos (a via seguiria por Pinhal, Sobral da Lagoa, Amoreira de Óbidos (vicus), Casais da Ladeira, continuando pelo caminho carreteiro que atravessa a Serra d´El Rei até Reinaldos e Casal das Figueiras.
Atouguia da Baleia (porto romano poderia ser em Porto de Lobos ou em Porto Salgado)
Travessia do rio Toxofal, antigo rio Gaia (junto à Villa de Caio Júlio Lauro na Qta. da Moita Longa)
Miragaia, Lourinhã (aras funerárias na Igreja Matriz)
Ribeira de Palheiros, Campelos (atravessa o rio Grande e segue por Casais dos Carvalhos)
Ramalhal (Villa de Ferrarias em Vila Ficaia; atravessa o rio Alcabrichel e segue por Ameal, Sarge e Ordasqueira)
Torres Vedras

de Torres Vedras a Lisboa pelo litoral
Partindo de Torres Vedras, seguia para oeste ao longo da margem direita do rio Sizandro, passando na Villa da Qta. de São Gião d'Entre as Vinhas (junto da Fonte Grada, lápides romanas na ermida) até Coutada, atravessando aqui o rio Sizandro para São Pedro da Cadeira (villa junto à capela de Ns. da Cátedra em Formigal), e continuando por Encarnação, S. Domingos da Fanga da Fé (Casal da Estrada), onde atravessa o rio Safarujo e segue até Paço das Ilhas, junto do rio Lizandro, o provável limite N do território Olisiponense.
Paço de Ilhas, St. Isidoro (calçada com 100 m e Ponte no lugar do Crato)
Ponte da Carvoeira sobre o rio Lizandro (na sua foz)
Ericeira (porto romano?)
Assafora, S. João das Lampas (segue a NW próximo das villae de Areias e Amoreira)
  • Ligação a S. João das Lampas, passando em Cortesia, Ponte Romano?-Medieval de Catribana sobre a ribeira de Samarra ou de Bolelas, subindo pela calçada chamada «Caminho do Castelo» até S. João das Lampas (vestígios em Cornadelas/Ermidas, Torres/Casal de Pianos; casais em Mato Tapado, Sete Moios, Parede Bem Feita e Pombal/Camalhão), podendo continuar até Sintra.
S. Miguel de Odrinhas, S. João das Lampas (espólio no Museu Arqueológico de Odrinhas; calçada para Faião)
Faião, Terrugem (Vicus; necrópole em Currais Velhos)
Cabrela (calçada)
Montelavar (vestígios de pedreiras; villa em Barros do Casal Silvério)
Pêro Pinheiro (villa na Granja dos Serrões; vestígios em Casal das Vivas e Lameiras; continua por Palmeiros, Sabugo e junto da villa da Granja de Santa Cruz, onde há vestígios da via)
Belas (Barragem Romana junto à ribeira de Carenque que abastecia Lisboa pelo Aqueduto Romano em Mina; calçada desaparecida em Machado/Rio do Porto; troço de calçada com cerca de 600 m entre a ribeira do Jamor e o pórtico quinhentista da Quinta do Bom Jardim em Venda Seca; Pedreira Romana em Colaride e Minas Romanas no Monte Suímo)
Falagueira, Amadora (villa da Qta. da Bolacha a poente da ribeira da Falagueira)
Lisboa (OLISIPO)

Ligações em torno de Sintra


Mapa















Condeixa-a-Velha (CONIMBRIGA) a Alvega (ARITIO VETUS) / Aramenha (AMMAIA) / Idanha-a-Velha (IGAEDITANIA)
Vias secundárias que ligavam Conímbriga ao interior da Lusitânia, seguindo uma para Igaeditania por Castelo Branco, outra para Ammaia, atravessando o rio Tejo na Barca da Amieira e finalmente uma outra seguia para Aritio Vetus (Alvega), atravessando o rio Tejo na Ponte Romana "acima d'Abrantes" conforme a referência de Francisco D'Holanda, entroncando assim na Via XV Lisboa-Mérida. Na sua parte inicial, estas vias seriam comuns à Via XVI Braga-Lisboa, inflectindo para leste para ir atravessar o rio Zêzere em diversos pontos; O primeiro desses pontos seria na Ponte Romana do Cabril, em Pedrogão Grande que seria na época a única travessia do rio Zêzere por ponte, rumando depois a SE em direcção à Sertã e à Ponte Romano?-Medieval dos Três Concelhos onde fazia a travessia da ribeira de Isna. A partir daqui bifurcava, seguindo uma via para Aritio Vetus por Amêndoa, Mação e Ortiga, enquanto a via para Ammaia seguia por Cardigos em direcção à Barca da Amieira. Os segundo ponto de travessia do Zêzere seriam em Martinelo, onde V. Mantas achou um possível miliário, e o terceiro em Bairrada/Porto Caíns junto à Foz do Codes. Além deste miliários existe mais um miliário em Vale do Grou e fustes de possíveis miliários em Sra. da Graça (Velhascos), sugerindo uma rede complexa de caminhos secundários na região entre os rios Zêzere e Tejo. (ver Batata, 2006)

De Conimbriga a Aritio Vetus pela Ponte do Cabril
Desviando talvez da Via XVI Braga-Lisboa junto a Avelar (Ansião), inflectia para nascente por:
Pedrogão Grande (troço de calçada em Valada junto da ribeira da Pera; a via passa no vicus e possível mansio na recentemente inaugurada Estação Arqueológica do Calvário em Devesa)
Travessia o rio Zêzere na Ponte Romana do Cabril (restam os contrafortes da ponte a jusante da Ponte Filipina e hoje submersa)
Pedrogão Pequeno (segue a Estrada da Cova até à calçada sobre o ribeira dos Porteleiros)
Sertã
Ponte Romano?-Filipina sobre a ribeira da Sertã (provável mutatio na outra margem, em Mata Velha; segue por Abegoria)
Cumeada
Ponte da Cova do Moinho sobre a ribeira da Tamolha (sobe até Catraia)
Marmeleiro (pela Serra da Longra; na povoação vira à direita para Sarnadas e desce à)
Ponte Romano?-Medieval dos Três Concelhos sobre a ribeira da Isna
Portela dos Colos, S. João do Peso (segue por Algar, Várzea, Tinfaneiros e Capela de Santa Madalena)
Amêndoa
Mação (um desvio ligaria à travessia do Tejo junto ao Castelo de Belver, passando em S. Marcos do Rosmaninhal (Tapada da Ordem) e na Qta. do Ribeiro da Nata; Epitáfio do Cluniense de Caius Sempronius em Feiteira; na Igreja de S. João Evangelista em Vilar de Mó apareceram duas epígrafes votivas, a ara aos Bannei Picio, AE 1950, 220; hoje estão no Museu de Mação)
Ortiga
Ponte Romana sobre o rio Tejo (ponte referida por Francisco D'Holanda desaparecida)
Casal da Várzea, Alvega (provável localização de ARITIO VETUS).

De Conimbriga a Ammaia pela Barca da Amieira
Desviando da anterior pouco depois da Ponte dos Três Concelhos, em Portela de Colos, rumava à travessia do rio Tejo na Barca da Amieira, seguindo por Casas da Ribeira (atravessava a ribeira de Bostelim e segue por Corujeira), Cardigos (por Chão do Pião, Lameirancha, Sarnadas, A Moradeira, na base do Castelo Santo, e Freixoeirinho), Capela, Carvoeiro (villa na Sra. da Moita em Galegos, podendo ligar por aqui à Ponte do Pracana), Vale da Mua (referência viária; vestígios em Vale Bom, Casal e Tapada), Envendos (onde cruza com o Itinerário Alvega-Castelo Branco que segue pela Ponte de Pracana), descendo por S. José da Matas até à Barca da Amieira, onde atravessava o Tejo. Depois rumava a Ammaia passando em Amieira (incrição funerária na Horta do Vale, Albarrol), Arez (possível ligação a Nisa pela Ponte Romano?-Medieval de Vila Flor sobre a ribeira de Figueiró), Alpalhão, Castelo de Vide e finalmente Ammaia

De Conimbriga a Igaeditania por Martinelo
Com base num fragmento de um possível miliário identificado por Vasco Mantas em Martinelo, deveria existir aí uma travessia do rio Zêzere para Alcamim, junto da Foz do Isna, evitando assim a travessia desta ribeira; esta via seria também uma derivação da Via XVI Braga-Lisboa na zona de Alvaiázere, passando próximo da villa de Sandoeira e no sopé do Castro de S. Pedro em Rego da Murta (junto da Capela de S. Pedro que talvez assente no podium de templo romano) e seguia pela cumeada ao longo da ribeira de S. Domingos pelo Alto de Vale Ferreiro, Casal do Zote, EN520, Carril, desviando para EN238 por Besteiras e Vales e depois descendo pela CM1064.
Travessia do rio Zêzere entre Martinelo e Alcamim (segue por Vale Velido/Minas de Estevais)
Vila de Rei
Várzeas (cruza com a via N-S entre a Ponte dos Três Concelhos e a travessia do Tejo em Ortiga)
Cardigos (cruza com a via NW-SE que liga Ponte dos Três Concelhos à travessia do Tejo na Barca da Amieira)
  • de Proença-a-Nova poderia ligar ao Rio Zêzere seguindo pela linha de festo que passa no Alto do Fatelo (Corgas) que faz de extrema ente concelhos, existindo vestígios de calçada em Vale de Amodéis e Cabeço das Corgas, rumando depois a Sarzedas (servindo o complexo mineiro da Lisga a norte); Esta via poderia ir entroncar numa hipotética via proveniente de Castelo de Branco que passava em Estreito (existindo vestígios da calçada em S. Torcato e na igreja paroquial), rumando depois ao rio Zêzere. (V7 e V6 em Batata, 2006)

de Conimbriga a Aritio Vetus por Ferreira do Zêzere/Bairrada
Este itinerário é comum ao anterior até ao Alto da Grabulha (calçada de acesso ao Porto Romã), mas a partir daqui segue por Águas Belas para Ferreira do Zêzere e depois toma a EM630 e CM1108, na linha divisória com o concelho de Tomar para ir atravessar o Rio Zêzere entre Bairrada e Porto Caíns, onde convergia também a via proveniente de Tomar junto da Foz do Codes; este local divide não só os concelhos de Ferreira do Zêzere e Tomar como o de Vila de Rei e Abrantes; daqui seguia para S. Domingos, onde se dividia em dois ramos, seguindo um ramo para norte, descrito no Itinerário Tomar-Covilhã, enquanto este itinerário rumava a sul na direcção do nó rodoviário associado ao vicus de Mouriscas; a via seguia por Carvalhal e S. Simão até ao Sardoal (calçada junto à Ponte de S. Francisco; povoado no Cabeço dos Mouros), seguia por Velhascos (na base do povoado do Cabeço das Mós) e Casal da Sra. da Graça (calçada com 400 m e vários fustes de possíveis miliários) até Mouriscas (vicus e base de miliário achado na Fonte do Sapo), podendo ligar ao Tejo por Vimieiro (topónimos Carril, Carreira e Portela das Eiras), Aldeias, Balsa, Surdo, Vale Covo até à travessia do Tejo na Barca de Bandos e daí rumar a Aritio Vetus, algures perto de Alvega (V3 em Batata, 2006).

do Rio Tejo/Tramagal a Mação
Também é provável que em Mouriscas passasse uma via SW-NE proveniente da travessia do Tejo no Tramagal, passando por:
Rio de Moinhos (possível ligação poente por Pedreira e Amoreira em direcção a Constância)
Abrantes (outra possível localização de Aritio Vetus no oppidum do castelo; seguiria por Cana Verde)
Ponte-Represa Romana? de Alferrarede, Qta. do Bom Sucesso, Olho de Boi, Alferrarede (55 m; chamada Ponte dos Mouros)
Alferrarede (a via passa na Qta. das Necessidades e em Vale de Besteiros)
Mouriscas
Ponte Romana? de Rio Frio sobre a ribeira do Coadouro em Penhascoso (foi betonada; calçada de S. Marcos)
Mação (continuando para leste por Vale do Grou, onde cruzava com a via Amêndoa-Amieira, em direcção à Ponte de Pracana)

de Amêndoa a Cardigos e Amieira
  • de Amêndoa poderia ligar a Cardigos, passando no sopé do Castro de S. Miguel (calçada na Fonte da Moura/Coutada) e Pracana da Ribeira (calçada em Cabeceiros).
  • de Amêndoa poderia ligar à Barca da Amieira, passando em Fonte de Amêndoa, Chão de Lopes Pequeno, Castelo (calçada em Alicerces), Castelo Velho do Caratão, Ribeira de Aziral, Vale do Grou (vicus; calçada e uma base de um possível miliário hoje no Museu de Mação) até à travessia do rio Tejo na Barca da Amieira.


Mapa



Mapa

Conimbriga/Tomar - Covilhã
A Via Covillianae ou «Via da Covilhã»
Caminho referido em documentos medievais do século XII como «Via da Covilhã» (na Doação da Azafa aos Templários em 1199) que ligava Conimbriga e Selleum à vertente SE da Serra da Estrela e que poderá ter origem romana, mais tarde conhecida por «Estrada da Lã» porque permitia o escoamento deste produto para o litoral; esta estrada servia de acesso ao interior tanto para quem vinha de Tomar passando por Vila de Rei e Ponte dos Três Concelhos, como para quem vinha de Conimbriga atravessando o rio Zêzere na Ponte Romana do Cabril em Pedrogão Grande, convergindo ambas na região de Oleiros; a partir daqui o percurso é hipotético, mas é possível que da Covilhã a via continuasse em direcção à região de Belmonte de encontro à Via Braga-Mérida. (Ver Silva 1988; Ponte, 1995; Batata, 2006)

Conímbriga-Oleiros
Deriva do Itinerário Conímbriga-Alvega depois de atravessar o Rio Zêzere na Ponte Romana do Cabril para Pedrogão Pequeno (existe calçada no acesso ao povoado da Ns. da Confiança), rumando a NE por Vale da Galega (calçada à saída da povoação) em direcção a Bravo para atravessar a Serra de Alvéolos (atestado por vários troços de calçada no Alto do Bravo e no nó rodoviário do Alto da Cava); Do Alto da Cava, a «Via da Covilhã» deveria continuar para Álvaro seguindo aproximadamente a EN350, passando na calçada do Alto de Vale de Mós, continua pela cumeada da serra pela calçada entre os altos do Cavalo e da Selada do Cavalo, Alto da Povoinha e pela calçada no Alto da Mata de Álvaro; depois segue por Sendinho de St. Amaro (EM351), corta à esquerda pela Serra Rasa para o Alto da Azinheira/Alto do Rilhão, onde entronca na via proveniente de Tomar descrita abaixo.
  • No Alto da Cava poderia descer a Mosteiros passando junto à mina da Cova da Moura, ligando a Vale do Souto.

Tomar a Idanha-a-Velha
Esta estrada referida na Doação da Guidimtesta poderá ter origem romana, ligando Sellum a Igaeditania; Partindo de Tomar, rumava a leste em direcção ao rio Zêzere por Paixinha, Poço Redondo (minas de ouro) e Vialonga, onde inflectia para nascente para ir atravessar o rio Zêzere entre Bairrada e Porto Caíns, junto da Foz de Codes, rumando depois a norte na direcção de Vila Rei por Codes (calçada na Foz da Amieira) e Milreu, segundo depois por Várzeas e Cardigos; A partir de Cardigos o traçado em direcção de Idanha-a-Velha é duvidoso, podendo seguir algures por Proença-a-Nova (por Vale Motrinas e pelo cimo de Labrunhal Fundeiro), Sobreira Formosa (Tapada da Sepultura), Montes da Senhora e St. André das Tojeiras, servindo a intensa exploração mineira da região, para ir cruzar o rio Ocreza junto a Ferrarias (calçada), rumando daqui a Castelo Branco por Benquerenças, seguindo depois o Itinerário Alvega-Salamanca para Idanha, mas também poderia continuar para NE, por Póvoa de Rio de Moinhos, de encontro à travessia do rio Ocreza mais a montante, na Ponte Romana? da Marateca (3 arcos; calçada; junto da Capela de Sta. Águeda) hoje submersa pela barragem da Marateca, seguindo depois para Estalagem/Catraia em Lardosa, Alto do Enchidro (povoado) e Vale da Torre (calçada) rumo a Idanha-a-Velha; (V2 em Batata, 2006).

Tomar-Oleiros
Idêntica à anterior até Várzeas, onde inflectia para norte em direcção a Oleiros, passando na Ponte dos Três Concelhos, subia ao Marmeleiro em direcção ao cume da Serra da Longra (sulcos de rodados ao longo de 4 km passando ao lado de uma possível mutatio em ruínas e que seria os «paradineiros veteres» referidos na Doação da Azafa), seguindo em Pereiro aprox. a EN538 para a Serra do Cabeço Rainha (sobe pela vertente sul pela calçada de Castanheira Cimeira, entretanto alcatroada, e continua pela vertente oeste pela calçada do Alto de Besteiras, continuando pela vertente N pelo Alto da Lontreira, onde começa a descida para Oleiros pelos restos de uma calçada ainda visível ao longo de 2 km junto do povoado mineiro de Fernão Porco) passando a poente de Braçal pela encosta virada a Oleiros até Vale de Peixe, onde atravessa a ribeira da Sertã para Oleiros, continuando talvez por Orelhão até ao Alto da Azinheira/Alto do Rilhão, onde entroncava na via proveniente de Conímbriga, seguindo por Sendinho da Senhora, Amieira (EM527), Urraca, Altos da Abitueira e Pizoria, talvez em direcção à travessia do Rio Zêzere em Cambas; (Via VIa em Batata, 2006).

Tomar-Rio Zêzere pela «Estrada da Serra»
Também poderia existir um acesso ao Zêzere pela a estrada da Serra de Tomar, passando nas pontes antigas sobre a ribeira de Algaz em Casal do Mato e sobre a ribeira da Lousã em Carril, na freguesia da Junceira (onde apareceu a inscrição honorífica «Bono / rei [p(ublicae) / nato /»), seguindo depois pela Ponte de Vales sobre a ribeira de Bairrol (calçada), Serra (calçada; Villa em Silveira), seguindo pela Ponte da Abadia sobre a ribeira Grande que ligava o povoado da Abadia ao povoado das Barreiras, podendo aqui atravessar o Zêzere, seguindo depois para Sardoal e Mouriscas rumo ao Tejo.

Oleiros-Covilhã-Belmonte
A continuação do percurso para a Covilhã depende da localização da Travessia do Rio Zêzere, (Cambas?, Ourondo?), mas a partir de Paul já é possível traçar um itinerário que ia entroncar na Via Braga-Mérida
Paúl (Ponte Romana?)
Taliscas, Erada
Ponte Romana? de Ourondinho sobre a ribeira de Cortes
Tortosendo
Covilhã (calçada com 50 m junto à estação CF; segue por Canhoso)
Terlamonte, Teixoso (villa agrícola; tesouro em Borralheira; estaria este sítio ligado aos Lancienses Ocelenses ?)
Orjais (calçada e Templo na Ns. das Cabeças com base em duas aras votivas dedicadas à divindade indígena Bande Brialeacus; Ver Carvalho, 2003; Villa? junto da Capela da Ns. das Luzes; inscrição a Júpiter na Qta. da Mourata)
Aldeia do Souto (talvez pela Qta. da Muda e do Paço)
Vale Formoso (miliário anepígrafo na Rua do Pinheiro; calçada de Quintarias e calçada das Hortas; inscrições funerárias no sítio dos Mortórios, em Sinque e no sítio do Raro perto da Aldeia da Mata)
Entronca na Via Braga-Mérida em Belmonte.


Mapa























Alvega (ARITIO VETUS) - Salamanca (SALMANTICA)
Via hipotética que deriva do Itinerário XV Lisboa-Mérida em Aritio Vetus (Casal da Várzea, Alvega), atravessava o rio Tejo numa Ponte Romana referida por Francisco d' Holanda como "acima d'Abrantes", dirigindo-se para NE, passando em Castelo Branco, Igaeditania, a importante civitas em Idanha-a-Velha, seguindo depois para Sabugal em direcção a Salamanca por Ciudad Rodrigo. Este itinerário tenta ligar uma série de troços de calçada e outros vestígios dessas regiões. De Mação, área muito romanizada, seguiria pela Ponte antiga sobre a ribeira de Pracana até Castelo Branco, onde talvez se divida, seguindo um ramal para Idanha-a-Velha e outro ramal para Caria, cruzando com o Via Braga-Mérida nesses pontos. A partir daí, a via deveria seguir para Sabugal atendendo aos miliários encontrados em Vale do Lobo, com o primeiro ramal, partindo de Caria, pelo Casteleiro e o segundo, partindo de Idanha-a-Velha pela ponte de Meimoa até se reunirem em Vale da Sra. da Póvoa. Estes traçados são hipotéticos e podem estar misturados com troços da via Braga-Mérida. (ver Batata, 2006; Henriques, 1978)

Ponte Romana sobre o rio Tejo (terá sido destruída em data incerta; alguns autores atribuem a esta ponte os pegões junto à estação elevatória de rega, mas é muito duvidoso)
Ortiga (do rio segue próximo da Villa do Vale do Junco)
Ponte Romana? da Ladeira d'El-Rei sobre a ribeira de Mação (2 arcos; na entrada SO da povoação)
Mação
Ponte Romana? da ribeira de Eiras, Palhafome, Mação (junto à EN 3, em 1990 foi colocado um tabuleiro em betão!)
Ponte Romana? sobre a ribeira do Carvoeiro, Vale da Mua (2 arcos)
Vale da Mua (mutatio?)
Venda Nova
Ladeira de Envendos
Ponte Romano-Medieval da Ladeira de Envendos sobre a ribeira de Pracana (70 m, 6 arcos, dos quais 3 são romanos)
S. Pedro do Esteval
Travessia do rio Ocreza talvez entre o povoado da Cerca do Castelo e o Montinho (pela chamada «Estrada dos Mouros» ou «de Abrantes»)
Marmelal (calçada em Lameiro de Tomar)
Perdigão (continua pela Portela de Milhariça, atravessando a Serra das Talhadas)
Gavião do Rodão
  • Possível ligação a Vila Velha de Rodão passando junto na Villa junto do Mte. da Revelada, existindo calçada junto da povoação e imensos vestígios de exploração aurífera em Vilas Ruivas/Arneiro.
Travessia do rio Açapal na Ponte do Cobre (possível origem romana até porque fica próxima da Villa da Revelada e da barragem da Lameira)
  • Possível ligação à travessia do rio Tejo em Perais passando próximo dos vestígios de ocupação da Qta. do Açafal, da Fonte dos Piolhos/Migarou e de Salgueiral, junto da ribeira de Lucriz, rumo à travessia do rio Tejo na Lomba da Barca descrita no Itinerário Igaeditania-Ammaia.
Serrasqueira (passa em Vermelhas, na calçada de Quelhinhas e segue próximo de Atalaia)
Sarnadas do Rodão (necrópole)
Ponte Romana? do Pego Negro, Benquerenças, Castelo Branco (submersa e em ruínas)

Castelo Branco (civitas; o triângulo formado pelo povoado do Mte. de S. Martinho e as capelas de Ns. de Mércoles e de Santa Ana é uma zona muito romanizada, existindo vestígios de um povoado que poderá corresponder à capital do povo Tapori pelo qual passa a calçada que se dirige para a Ponte Romana sobre a ribeira da Ns. de Mércoles, junto da qual subsiste uma barragem romana; villa e possível miliário na Qta. da Sra. de Mércoles; villa em Ameira; Grande colecção de epigrafia da região no Museu Tavares Proença Júnior; inscrição votiva aos Bandi Vorteaecio)

Outras vias que partiam de Castelo Branco
  • Ligação ao povoado do Monte Castelo em Monforte da Beira e respectivas minas do Pó e da Tinta, assim como aos povoados de Malha Pão, Senhora das Neves e do Monte de S. Domingos, todos em Malpica do Tejo, seguindo pela Ponte sobre o rio Pônsul na EN18-8 com possível origem romana. Também existem vestígios em Rosmaninhal (Tapada da Ordem e Canada de São Pedro).
  • Ligação a Mérida pela Ponte de Alcântara, atravessando o rio Ponsul na Ponte Romana? da Munheca (EN240) e seguindo por Ladoeiro (calçada; vestígios no Lugar dos Belgaios), Zebreira (ara aos Lares Cairienses na Qta. da Nave Aldeã) e Segura onde entronca na Via Braga-Mérida que seguia para a Ponte de Alcântara.
  • Ligação a Idanha-a-Velha (IGAEDITANIA)
    Escalos de Baixo
    Escalos de Cima (vestígios em Vale da Alagoa; árula votiva na Igreja, FE296)
    Lousa (vestígios em Vale de Lobo, Vale de Zinho; inscrições provenientes do Chafariz Mãe d'Agua e de "Vascão")
    Travessia da ribeira de Alpreade (talvez na zona da actual ponte/EN233)
    Oledo (talvez pelo caminho que passa junto de Vale do Covado, Villa de Barros e Qta. dos Cebolais)
    Proença-a-Velha (ponte antiga)
    Medelim (onde entronca na Via Braga-Mérida)
    Idanha-a-Velha (IGAEDITANIA)
  • Ligação CapinhaI - danha-a-Velha (IGAEDITANIA)
Continuação de Castelo Branco a Capinha:
Continua com muitas incertezas; Traçado hipotético.
Castelo Branco (segue talvez pela Fonte da Mula e pela Qta. da Pedra da Légua junto do Alto do Feitoso)
Alcains (duas aras votivas na Ermida de São Domingos; segue por Tiracalça ou pela Qta. do Vale da Torre?)
Lardosa (segue por Estalagem/Catraia; ara votiva na Qta. das Alvercas à divindade Trebaronne)
Soalheira (calçada)
Castelo Novo (calçada; a via passaria a poente por Souto Escuro, junto do sítio romano da Qta. do Ervedal e atravessa a ribeira de Alpreade em Escaldado e segue por Qta. das Obras/Catraia e Vale de Canos; inscrição funerária proveniente da Capela de S. Brás e outra numa quinta próximo)
Alpedrinha (2 inscrições funerárias aqui e uma em Vale de Prazeres; calçada parte do Largo D. João V, junto ao Palácio do Picadeiro e segue para Portela, visível em 190 m, passando depois debaixo do túnel da Gardunha no IP2 e Capela de S. Sebastião)
Alcongosta (calçada; provável ligação ao vicus na Capela da Sra. do Mosteiro/Casal de Sta. Maria em Telhado)
Donas (passa junto do seminário e segue por Santa Menina; 3 inscrições funerárias em casas da aldeia; provável ligação à Covilhã atravessando o rio Zêzere junto a Alcaria, onde apareceu uma inscrição funerária)
Valverde (segue por Várzea e Ínsuas, atravessa a ribeira da Pouca Farinha e segue a poente do Alto da Esparrela)
Ponte Romano?-Medieval de Moinhos/Peroviseu sobre a ribeira da Meimoa (segue por Juais, Currais e Barroca para Capinha)

Capinha (vicus e provável mansio no cruzamento com a via Braga-Mérida)

Continuação para o Sabugal (ver Curado,1987):
Salgueiro (em Coito de Cima/Vale do Canto apareceu um miliário a Licínio que está hoje no Museu Arqueológico do Fundão; este miliário indicia a passagem da via ao longo da margem direita da ribeira de Meimoa, passando entre Qta. da Malta e a Villa da Qta. Prado Vasco, na outra margem, e próximo da Qta. do Lameirão e Coito de Cima, onde se achou o miliário; inscrição votiva aos Bandi Vorteaeceo na Capela de Sta. Maria Madalena; Villa na Qta. da Caneca)
Travessia da ribeira do Casteleiro (junto da Villa do Casal de José Francisco do Anascer; seguia paralela à ribeira de Vale de Lobo no sopé de Sortelha Velha)
Vale da Sra. da Póvoa (antiga Vale de Lobo; villa e provável mansio no sopé da Serra da Opa e no provável cruzamento com a via N-S entre a Civitas Cobelcorum e Igaeditania; possível capital dos LANCIENSES OPPIDANI; 3 miliários na Serra do Lobo/Opa; inscrição honorífica ao imperador Trajano; ara dedicada a Júpiter na Fonte Santa?)
St. Estevão (vicus e provável mutatio na Tapada de Sta. Maria; miliário de St. Estevão/Mosteiros/Serra do Mosteiro a Tácito indicando a milha IIIX, ou seja a milha 7, CIL II 4638, talvez contadas a partir do rio Côa em Sabugal que seria assim o limite territorial entre civitas, apareceu na desaparecida Capela de Santa Maria e hoje está em exposição no Museu do Sabugal)
Alagoas, Aldeia de Santo António ( miliário de Alagoas com inscrição apagada, mas que poderia indicar a milha 4 por estar a 3 milhas do miliário de St. Estevão que indica 7 milhas; passou pelo largo da aldeia e hoje está no Museu do Sabugal; acampamento militar na Tapada da Cabeça; a via segue por Amiais, onde há calçada)
Sabugal (ver os miliários de Alagoas e de St. Estevão no Museu do Sabugal)
Ponte Romano?-Medieval do Sabugal sobre o rio Côa (topónimo calçada; talvez siga por Cardeal, Pouca Farinha, Vila Boa e Nave)
Ponte Romano?-Medieval sobre a ribeira de Alfaiates (desaparecida; calçada)
Alfaiates (vicus; «marco militar territorial» que está hoje no MNA)
Ponte Romano?-Medieval da Aldeia da Ponte sobre o rio Cesarão (junto à EN 332, 3 arcos)
Aldeia da Ponte, Sabugal (vicus)

Continuação para Salamanca:
Da Aldeia da Ponte continuava para Espanha, talvez pelo caminho que passa no Santo Cristo (750 m depois existe uma inscrição rupestre na chamada "Fonte da Tigela" dedicada a divindades aquáticas, possivelmente relacionada com a via); continua por La Albergueria de Argañán (mansio?), seguindo para o vicus/civitas? de Irueña (Fuenteguinaldo, Navasfrías), dirigindo-se depois para Ciudad Rodrigo (MIROBRIGA?) e daqui a Salamanca (SALMANTICA).
  • Alternativa por Souto: também é possível que existisse um caminho alternativo para o Vicus de Irueña, onde reencontra o caminho acima que ia pela Aldeia da Ponte; partindo do Sabugal, seguia por Torre e Souto, tomava aqui o chamado Caminho Velho para Aldeia Velha, passando nas cercanias de Sabugal Velho, e seguia talvez por Casilla de Flores até ao Vicus.


Mapa













Tomar (SELLEUM) - Évora (EBORA)
Via romana ligando as duas importantes civitates que inicialmente seguia para Tancos onde transpunha o rio Tejo para o Arripiado, ambos com vestígios romanos significativos. A partir daqui deveria ir cruzar com a Via XIV para Mérida algures a W de Ponte de Sor, sendo provável que o ponto de cruzamento fosse mesmo na Mansio Aritio Praetorium dessa via que continua com localização incerta. As propostas variam entre Poiso, Venda das Mestas e Herdade de Água Branca de Cima. Assim o percurso continua por desvendar, sendo que aqui é apresentada uma solução por Poiso que evita alguns obstáculos no terreno, seguindo no sentido inverso o Itinerário XV entre Lisboa e Mérida até à Carregueira, inflectindo aqui para SE na direcção de Tamazim, onde confluía com o outro itinerário para Mérida, a Via XIV. A via seguiria para sul em direcção a Évora como parecem indicar os miliários recentemente descobertos. Assim, a via poderia seguir pela Serra de Montargil, Mora e Santana do Campo, com o seu magnífico Templo Romano , continuando por Arraiolos até Évora. (Ver Bilou: 2000a e Carta Arqueológica de Abrantes.

Tomar (SELLEUM) (Hübner refere um miliário a Maximiano indicando a milha I pelo que poderá pertencer a esta via; hoje a milha não é legível)
Asseiceira (segue talvez por Grou)
Tancos (possível miliário no Alto da Mariana, junto a um marco divisório da freguesia)
Travessia do rio Tejo entre Tancos e Arripiado (em alternativa poderia fazer a travessia junto ao Castelo de Almourol que tem origem romana)
Arripiado (vestígios na Qta. do Arripiado)
  • Alternativa para Lagoa Grande por ser um trajecto mais curto, seguindo a linha de festo que vai pelo Alto do Arripiado, Alto da Jardoa, Marco da Serra, Alto do Rodeio e Galega Nova onde entronca na variante pela Carregueira.
Carregueira, Pinheiro Grande, Chamusca (inflecte para SE na direcção de Tamazim, passando entre Casalinho e Casal do Relvão, Alto do Relvão, seguindo depois próximo da estação romana, Galega Nova, continuando pelo Alto da Lagoa da Murta até Lagoa Grande)
Lagoa Grande, Bemposta (Mário Saa recolheu nos terrenos do Casal da Pucariça um miliário a Constantino Magno que está hoje em exposição na Fundação Paes Teles no Ervedal, Avis; segue entre o Alto da Lagoa Grande e o Alto do Gavião pela Chã da Lagoa Grande) (Mantas, 2010)
Poiso, Tamazim (cruzamento com a via XIV entre Braga e Mérida, continuando para S)
Aranhas de Cima (miliário anepígrafo a 48 m do marco divisório n.º 30 do concelho, a 1750 m para SE do casal)
Tojeiras de Cima (miliário junto ao marco divisório n.º 28 do concelho, 750 m para SE do casal)
Foz (3 miliários deslocados na Rua da Estrada Velha como marcos divisórios; um miliário anepígrafo, 100 m depois encontra-se um fragmento de miliário junto ao terceiro miliário)
Foros de Arrão?
Montargil (calçada na Serra de Montargil no lugar das Mesas?; talvez seguisse junto à necrópole da Herdade de St. André, atravessando o rio Sor para o lugar de S. Martinho de Baixo ou no Monte dos Irmãos)
Cabeção, Mora (Villa no cemitério de Cabeção)
Travessia da ribeira da Raia (segue a oeste de Pavia por Reguengo, Mte. da Tramagueira e Mte. dos Olheiros)
Travessia da ribeira de Divor junto da Torre das Águias, Brotas (segue a "Estrada da Cumeada")
Santana do Campo, Arraiolos (CALANTICA) (a igreja paroquial reaproveita um imponente Templo Romano que pertenceria ao vicus CALANTICA, nome que aparece em 2 inscrições daqui)
Arraiolos (segue a EN370 até ao Monte do Montinho onde existem restos de calçada)
Sempre Noiva (calçada com 20 m em linha recta)
Monte do Penedo (recinto-torre de Vale Sobrados, vigiando a via que subia à Camoeira e descia à ribeira de Divor; 50 m em calçada)
Travessia da ribeira de Divor junto ao Monte da Azenha (continua pelo Monte de Ovil, Monte de Goes e Montinho da Abegoaria até ao)
Monte da Parreira (fragmento de miliário anepígrafo; atravessa a estrada que vem de Igrejinha e segue por Oliveirinha até entroncar na estrada que vem de Divor)
Bairro do Louredo, Évora
Bairro do Granito, Évora (passa na medieval Porta de Avis e Rua da Avis)
Évora (EBORA) (entra pelo Arco Romano de D. Isabel, antiga porta da muralha romana no entroncamento da Rua de D. Isabel com a Rua do Menino Jesus)


Mapa

Santarém (SCALLABIS) - Évora (EBORA)
Hipotética via ligando as duas civitates com poucos vestígios para além do fragmento de um miliário possivelmente pertencente a esta via que foi encontrado junto do Monte Silval em Montemor-o-Novo e os vestígios em Ns. da Graça do Divor (Divorum), nomeadamente um possível miliário e vários troços de calçada. Partindo de Santarém a via poderia atravessar o Tejo para Almeirim e seguir para sul ao longo da margem esquerda do Tejo até Escaroupim onde rumava para leste em direcção a Coruche. Em alternativa poderia seguir a Via XVI para Lisboa e atravessar o Tejo em Escaroupim ou Porto Muge, seguindo depois para Coruche como a primeira alternativa. (Ver Bilou: 2000a)

Santarém (SCALLABIS)
Salvaterra de Magos (seguiria por Marinhais e Glória do Ribatejo)
Coruche (povoado na Igreja de Ns. do Castelo; Ponte Romano?-Medieval da Coroa; a via seguiria aproximadamente a EN114)
Lavre, Montemor-o-Novo (calçada e Ponte sobre a ribeira de Lavre)
S. Geraldo, Ns. do Bispo, Montemor-o-Novo
Sabugueiro, Gafanhoeira (de São Pedro segue para S pela Herdade da Represa)
Herdade da Pedra Longa, Ns. da Vila, Montemor-o-Novo (Menires; segue pelo Monte do Cabido)
Travessia da ribeira Almansor (segue pelo Monte de Alcanede e Monte Silval, onde apareceu um fragmento de miliário epigráfico deslocado para o caminho para Almansor de Baixo)
Ns. da Graça do Divor (Divorum) (recinto-torre do Castelo dos Mouros; a via passa a poente pelos Montes de Capelos, da Azinheira do Campo, pelas calçadas de Vale de El-Rei de Baixo com 600 m e Vale de El-Rei de Cima, onde fica o recinto-torre do Cabeço do Diabo e uma possível villa na Capela de S. Romão)
  • Possível variante para Évora, atendendo aos vestígios de calçada em Monte dos Mogos e no Vale Maria do Meio.
Mte. da Valeira, Ns. da Graça do Divor (possível miliário; vários troços de calçada; segue sob a EN114-4, passa no Mte. da Valada, Mte. de Brito, Atafona, Monte das Pinas, S. Bento de Castris, Convento da Cartuxa e entra pela Porta da Lagoa)
Évora (EBORA)

Possível variante para Beja:
Segundo informação de Jorge Feio é possível que a via medieval entre Montemor-o-Novo e Beja tenha origem romana. Esta estrada está documentada na Carta de Demarcação do Couto de Alvito em 1260. O trajecto seria o seguinte: Montemor-o-Novo, Alcáçovas, Vila Nova da Baronia (topónimos "Estrada das Alcáçovas" e "Canada Real"), Ermida de Santa Águeda, Moinho do Trigacheiro, onde atravessava a ribeira de Odivelas a vau e onde ainda se observam troços de calçada, Faro do Alentejo (antiga aldeia das Assentes, como aparece nesse documento) e finalmente Beja.

AQUILONEM FLUMEN DURIUS
Viação romana secundária a norte do Rio Douro
A rede viária secundária a norte do rio Douro continua ainda por desvendar dada a complexidade de caminhos antigos existentes num terreno muito acidentado e ao escasso número de miliários encontrados até agora. Muitas serão rotas pré-romanas ligando os imensos castros e povoados da região, renovadas e ampliadas durante a era romana como Viae Vicinales e muitos outros serão já medievais, constituindo um imenso património de pontes e calçadas a exigir urgente preservação. É provável que existisse pelo menos uma via romana Este-Oeste ligando Braga a Zamora e/ou a Salamanca que passaria nas Terras de Panóias, hoje na região de Vila Real, e seguia por Mirandela e Miranda do Douro até Zamora (OCELO DURUM) ou por Vila Flor, Carrazeda de Ansiães, Torre de Moncorvo até Salamanca (SALMANTICA). Os miliários de Vila Marim e Constantim, ambos próximos de Vila Real, parecem estar alinhados com a direcção da via e marcariam a sua passagem na região de Vila Real, mas na ausência de outros miliários, também é possível que estes miliários pertencessem a vias no sentido N-S, o miliário de Constantim inserido na Rota Chaves - Aguiar - Rio Douro e o miliário de Vila Marim (deitado junto à capela da Ns. da Paz) que poderia ser integrado numa via também entre Chaves e o rio Douro, mas que passava a leste de Vila Real, seguindo em direcção a Cidadelhe (Mesão Frio), onde também se achou um miliário. Na ausência de dados mais precisos, tenta-se equacionar um conjunto de ligações entre os principais focos de desenvolvimento, integrando os vestígios existentes num corpo mais ou menos coerente de itinerários. Sem novos dados é difícil esclarecer as rotas com precisão.





Braga - Monção por Arcos de Valdevez
Esta ligação muito importante na idade média poderá ter origem romana atendendo aos vários vestígios encontrados ao longo do seu percurso. A via passava na Portela do Extremo e descia ao rio Minho em Cortes, ou «Monte Santo», provável localização do antigo povoado de Monção, atendendo à necrópole aí existente (Brochado de Almeida, 2005; Marques, 1984).

Braga (deveria seguir a Via Braga-Tui para a travessia do Cávado junto à Ponte do Prado, inflectindo aí para NE em direcção a Vila Verde)
Ponte da Barca (travessia do rio Lima, seguindo talvez pela «carreira antiqua» de Paçô, referida no documento de 1079 como uilla Palatiolo, PMH, DC 570)
Arcos de Valdevez (segue pelo Paço de Giela e Qta. do Rial)
Ázere (a via passa junto da Igreja Paroquial e do antigo Convento, na base do Castro romainzado de S. Miguel-o-Anjo, de onde serão provenientes duas aras, uma dedicada à divindade Lalaecus e outra dedicada à divindade Carus, hoje no Museu Pio XII em Braga)
Ponte Romano-Medieval sobre o Rio Ázere (silhares com marcas de fórfex)
Couto (segue por Castro)
Gondoriz (segue pela Qta. do Outeiro; na outra margem do Vez fica o Castro romanizado de Reboreda/Santa Vaia, onde apareceu uma ara à divindade Carus)
S. Cosme e Damião
Travessia do rio Vez na Ponte Romano?-Medieval de Vilela
Aboim das Choças (Castro romanizado do Mte. Castro/Eiras/Vilar; segue pela Portela de Vez)
Portela do Extremo (nó rodoviário)
  • Variante por Moreira: no lugar da Venda em Extremo, corta recto pelo monte por Cova da Loba até Rio Bom onde atravessa o rio Gadanha, seguindo depois por Chim, Capela de St. Estevão, Tariz (Trute), Sande, Cidade, Moreira, atravessa o rio do Vale e segue pela Calçada da Catelinha, Cheira, Regueiro até Eirado onde atravessa a EN101, seguindo depois por Breia (topónimo viário), Requião, Mazedo (Igreja), Pegadeira, Boavista até ao lugar da Barca, junto a Monção, onde atravessava o rio Minho segundo Almeida ou no vau junto da necrópole de Cortes segundo Marques.
  • Variante por Pinheiros: esta variante desvia em Extremo, seguindo pela margem esquerda do rio Gadanha (+- a EM507), passando por Portela, Barrocas, Lapa, Pias de Baixo, Pinheiros (EM506, EM502 até ao Campo de Futebol), Motas, Soalhosa, Souto e Troporiz (CM1088), onde atravessa o rio Gadanha na Ponte Romano-Medieval da Calçada em Rebouça (pedras almofadadas no arco; romanas?), continuando pela Qta. da Portelinha e Qta. das Vianas até ao lugar da Barca, onde conflui com a variante anterior. Também poderia fazer a travessia em Lapela, onde há vestígios romanos junto à torre medieval (Almeida, 2005).
Monção (a antiga povoação poderia ficar no «Monte Santo» junto da grande necrópole de Cortes)

Mapa













Valença - Melgaço

Poderia existir uma via secundária ao longo da margem esquerda do rio Minho derivando da Via XIX em Valença, seguindo por Monção em direcção a Melgaço e Castro Laboreiro. Existem referências a um duvidoso miliário desaparecido que apareceu entre Ganfei e Verdoejo e que poderia atestar a passagem da via, apesar de ser mais facilmente atribuível à VIA XIX que não passa muito longe. Alguns autores afirmam que este serve de fuste ao pelourinho de Telheira, junto à capela de N. Sr. dos Passos, na berma da EN101, mas é pouco provável atendendo ao diâmetro excessivo deste. Mais adiante, em Troporiz, surge a Ponte da Calçada que poderá ter origem romana devida às pedras almofadadas no seu arco, mas que foi integrada no Itinerário Braga-Monção descrito acima; Depois de Monção, em Barbeita surge a Ponte Medieval de Mouro com tradição romana mas sem base factual. Assim este itinerário é apenas hipotético, até porque uma via ao longo da margem de um rio não é prática comum na viação romana. Por outro lado é quase que certo a existênvia de uma via fluvial ao longo do rio Minho que segundo Estrabão era navegável até 800 estádios, ou seja, cerca de 147 km, bem acima de Orense!
Valença
Ganfei (calçada com 300 m acompanhando a cerca do Convento de Ganfei)
Verdoejo (miliário duvidoso)
Friestas (vizinho, em Gondomil existe uma necrópole no lugar da Cruz)
Lapela (possível travessia do rio Minho junto à Torre Medieval)
Troporiz
Ponte Romano?-Medieval da Calçada sobre o rio Gadanha, Rebouça (pedras almofadadas; aqui conflui a Via Braga-Monção; a montante existe uma ponte medieval junto à igreja)
Monção

Possível continuação para Melgaço:, passando por Troviscoso (talvez pelo caminho vicinal que passa em Reiriz , onde apareceu um cipo funerário e uma ara votiva, seguindo depois junto dos Castros romanizados do Mte. Redondo e de Cristêlo até Poldras onde atravessa a ribeira de Silvas), Bela, Barbeita (Castro romanizado no Monte da Ns. da Ascensão/Assunção), Ponte Romano?-Medieval de Mouro sobre o rio Mouro, Ceivães, Valadares, Sá (Castro romanizado da Sra. da Graça), Penso, Paderne (Termas do Peso e Cividade de Paderne), Ponte Romano?-Medieval sobre a ribeira de Folia, Remoães (nas Termas do Peso) e finalmente Melgaço.

Eventual ligação a Castro Laboreiro: de Melgaço poderia ligar a Castro Laboreiro por Lamas de Mouro (Ponte Medieval em Porto Ribeiro) e daí para Castro Laboreiro (segue pelo CM1160 por Laceiras, Assureira, Ponte Medieval da Cava Velha, sobre o rio Laboreiro, com silhares aparentemente almofadados, Ponte Medieval de São Brás sobre o ribeira de Barreiro, com silhares almofadados do lado nascente, Assureira, Dorna, Ponte Medieval de Dorna, sobre a ribeira de Dorna; também de Ameijoeira sairia uma via para NE pelo CM1159 por Bago de Baixo, Bago de Cima, Curveira, Bico, Cainheiras Ponte Medieval das Cainheiras, sobre a ribeira das Cainheiras, Portas, Barreira e Bande já na Galiza.



Guimarães - Celorico de Basto - Ribeira de Pena
Provável caminho pré-romano que ligava os grandes castros da região de Guimarães ao Castro do Ladário em Celorico de Basto, podendo daqui continuar para a travessia do rio Cavez e daqui a Vila Pouca de Aguiar. De Guimarães seguia para Fafe por Mesão Frio e São Romão de Arões em direcção à travessia do Rio Vizela na Ponte Românica de São Gidos em Bouças, passando entre o Castro de St. Ovídio a norte e a sul no Castro romanizado de Cepães, no Alto da Retortinha; da ponte seguia por Agrela, onde há referência a um possível miliário.
Fafe (antiga região de Montes Longos; Ponte Românica da Ranha sobre o rio Ferro)
Montim, Quinchães (segue pelo Alto das Cruzes e Carreirões, onde há um possível miliário e pelo Alto dos Foles)
Lameira
Arbonça, Rego (calçada com 50 m no Alto de S. Pedro; Povoado em Cerbelha)
Gandarela, São Clemente de Basto (uma calçada dentro da Casa da Gandarela segue até ao Castro do Ladário)
Arco de Baúlhe, Cabeceiras de Basto (Castro da Cerca; topónimo Brêa)
Ponte Medieval sobre o rio Ouro, lugar da Ponte Velha (segue pela Ponte do Inferno)
Pedraça (habitat em Muro, nos campos da Qta. da Torre)
Cavez (castro romanizado no Alto dos Mouros; calçada acompanha a EN206, a uma cota superior, até à ponte)
Ponte Medieval de Cavez sobre o rio Cavez
Ponte Medieval de Cavez sobre o rio Tâmega
Daivões (passaria no sopé do Povoado do Outeiro dos Mouros sobranceiro ao Tâmega, na confluência com o rio Bessa, tendo defronte o povoado do Alto do Castelo; seria ponto de travessia? Poderia continuar por Troga, Bacelar e Friúme, onde apareceu um tesouro)
Ribeira de Pena (duas aras a Júpiter; ara votiva a Bande Raeicus ou Araeico que apareceu Igreja de Sta. Marinha, mas desaparecida)
A via seguiria até Vila Pouca de Aguiar onde entronca na Via Chaves-Douro.



Braga - Vila Real
Hipotética via romana que ligava Braga às "Terras de Panóias", hoje a região de Vila Real, atravessando a Serra do Marão por Amarante. O seu traçado continua muito indefinido, mas é possível que desviasse da via Braga Mérida no Alto da Lixa, rumando a Amarante, onde conflui com a via proveniente de Tongobriga, seguindo para a travessia da Serra do Marão.
Amarante (vinda da Lixa, a via passaria por Freixo de Cima; villa? em Campinho do Muro, Campelo)
  • Travessia do Rio Tâmega: não é certo que a travessia do Tâmega se fizesse em Amarante porque a via também podia desviar em Freixo de Baixo e seguir por Corredoura, Laboriz (necrópole) e Vila Meã (necrópole) para ir fazer a travessia mais a montante na foz do Rio Olo, junto ao Vicus de Gatão (Vicus Atucausis com base numa ara dedicada a Júpiter pelos Vicani Atucausenses achada na Qta. dos Pascoais), continuando por Chão do Marão para a travessia da serra entroncando no caminho que vem de Amarante.
  • Travessia em Amarante, seguindo depois pela Madalena (necrópole em Ataúdes).
Gatiães, Lufrei (povoado romano em Sertã; segue pela Calçada de Marancinho que desce pela margem direita da ribeira de Marancinho, atravessando a ribeira num pontão com possível origem romana)
Sanche (minas de estanho)
Ponte Medieval do Fundo da Rua (entre Sanche e lugar da Rua; a 100 m existe a Ponte Medieval da Tornada sobre o rio Ovelha, entre Eira e Carregal)
Aboadela (o caminho pela Serra do Marão segue por Lameira, Pousado e Alto do Gavião)
Campeã (calçada junto da fonte romana? do Arco ou de Pai-Pás; acesso por Quintã às minas de Ferro de Vila Cova)
Arrabães (atravessa o rio Sordo, entra à esquerda no CM1212 e segue à direita por caminho)
Mondrões (calçada com 50 m a poente da Igreja Matriz)
Vila Real

Murça








Vila Real - Mirandela
Estrada medieval possivelmente com origem romana saindo de Vila Real por Flores e seguindo pelo Alto do Pópulo e Murça.
Ponte Romano?-Filipina de Piscais sobre o rio Corgo
Mouçós (calçada sobe pelo lugar da Ponte, passa na Capela de Ns. de Guadalupe, junto do castro romanizado de Trás-do-Outeiro, e segue por Varge, Sanguinhedo e Lagares)
Lamares
Justes
Ponte de Balsa sobre o rio Pinhão, Vila Verde (segue a EN15)
Ponte do Rato sobre a ribeira de Jorjais (sai da EN15 e acompanha a ribeira Galego)
Vila Verde, Alijó (calçada no sopé do Castro da Cerca; necrópole da Veiguinha junto ao antigo caminho)
Ponte Romana? sobre o ribeira do Ascas
Freixo, Alijó (calçada)
Alto do Pópulo, Pópulo, Alijó (nó rodoviário próximo do importante Castro de S. Marcos/Touca Rota)
  • É possível um desvio para SE em direcção a Alijó por Ribalonga ou à travessia do rios Tinhela e Tua junto às Caldas do Carlão, servindo os povoados romanizados da Idade do Ferro do Castelo de Franceslo, Castelo de Castorigo e de Vale de Mir, passando pela vertente ocidental da Serra da Botelinha (calçada junto ao Aeródromo da Chã), Cruzeiro da Serra, Castelo de Carlão, descendo ao Tinhela onde entronca na via proveniente de Alijó; (Ver Almeida, 1992-1993).
Cadaval, Pópulo (Castellum; fonte romana junto à via; segue pelas chamadas Voltas de Murça)
Ponte Romano?-Filipina sobre o rio Tinhela (1 arco; calçada desce à ponte e depois sobe até à EN15)
Murça
  • É possível que um desvio para SE por Montefebres, fosse atravessar o Rio Tua na Ponte do Abreiro (Castro romanizado na Capela de Sta. Catarina e povoado em Poço dos Mouros) seguindo depois por Vieiro (habitat em S. Domingos) em direcção a Vila Flor.
Palheiros (castro)
Franco
Lamas de Orelhão (fortificação romana junto do cemitério; na igreja apareceu a inscrição HEINC LETERAM possível marco territorial)
Passos
Golfeiras
Mirandela (vestígios nos povoados do Castelo Velho/Monte de S. Martinho e junto da ribeira de Mourel que corre no seu sopé, hoje a Qta. da Raposeira; Ponte Romana? de S. Sebastião sobre a ribeira de Carvalhais, junto ao campo de futebol)

Vila Real




Alijó








Vila Real - Sabrosa - Alijó
Sai de Vila Real pela Rua do Bairro de Vilalva no CM1238.
Ponte Romano?-Medieval do Sobreiro, Torneiros, Arroios sobre a ribeira das Torrinhas (ao lado da ponte nova; 200 m mais à frente sai da estrada à esquerda pela Rua da Calçada, onde há 20 m lajeados, até reencontrar a estrada actual)
Constantim (cruza com a Via Chaves-Douro)
S. Martinho de Antas
Paços
Sabrosa (a 2 km, sobranceiro à EN323, fica o Castro romanizado de Cristelos/Castelo de Sancha de onde será proveniente uma ara dedicada a Júpiter por Maximo Clodius, colono proveniente de Útica, capital da província romana de África Proconsular, hoje Zana na Tunísia; possível ligação ao Pinhão seguindo +- a EN323 que passa junto da inscrição da Capela do Sr. Jesus de Sta. Marinha e da necrópole da Qta. da Relva em Provesende)
Sancha
Ponte Romano?-Medieval de Cheires sobre o rio Pinhão
Cheires (calçada em Ribeira; povoado no Castelo de Cheires; habitat em Santiago de Cheires)
Sanfins do Douro (ponte e vários troços de calçada em Rio de Moinhos e Marco; mina de ouro em Salgueiros; Castro na Sra. da Piedade)
Presandães (calçada da Tapada Velha com 75 m, no sopé da vertente leste do Castro romanizado de Vilarelho/Favaios)
Alijó
  • de Alijó a Murça: deveria existir uma via rumando a norte em direcção a Pópulo, passando em Vila Chã (calçada com 300 m)
  • de Alijó ao Pinhão poderia existir uma ligação ao Pinhão, rumando primeiro a Favaios (habitat em Sta. Bárbara; inscrição funerária incorporada no muro norte da capela da Qta. de S. Jorge) e depois seguindo o caminho pelo Alto do monte que passa na Portela da Serra, Vilarinho de Cotas (povoado no castelo), Casal de Loivos e Pinhão (junto do apeadeiro apareceu uma inscrição com o epitáfio de Reburrus, da tribo Quirina e natural de Astorga, CIL II 6291). Num traçado hipotético, depois de atravessar o rio Douro poderia subir a S. João da Pesqueira e daqui rumar à Sra. da Estrada (+- a EN222), onde um ramo se dirigia a Freixo de Numão e outro dirigia-se a Marialva, por Trevões (cupa funerária, FE358; vestígios de calçada no chamado 'caminho da Gricha'), Valongo dos Azeites, Póvoa de Penela até Penedono, onde há 3 possíveis miliários ainda inéditos nas ruas da vila, possivelmente relacionados com esta via que continuaria para leste até Marialva, mas não há vestígios concludentes.
  • de Alijó a Caldas do Carlão: de Alijó deveria ligar ao povoado de Carlão atravessando a Serra da Burneira (Castro da Sra. da Cunha e) e depois pelo Alto da Figueirinha até às Caldas de Carlão, onde atravessava o rio Tinhela numa Ponte Romana? destruída por uma cheia em 1739, hoje reconstruída
  • Também é possível uma ligação à Foz do Rio Tua seguindo +- a EN212 por S. Mamede de Ribatua.
  • da Foz do rio Tua a Caldas do Carlão: partindo de S. Mamede de Ribatua (Castro dos Mouros) atravessa a Ponte Medieval do Lodão ou da Azenha sobre a ribeira de S. Mamede, ascende por calçada, cruza com a estrada moderna, continua a subir a encosta até Safres, onde conflui com a estrada actual e seguiria por Amieiro (calçada) e Franzilhal, atravessando a Serra da Burneira, onde entronca na via proveniente de Alijó e juntas seguem para as Caldas do Carlão, onde atravessa o rio Tinhela.
  • de Caldas de Carlão a Freixo de Numão por Carrazeda de Ansiães; das caldas descia por calçada até ao Tua que atravessava na direcção do importante Vicus de Mós/Costa de Pombal (aqui achou-se uma inscrição onde se lê vicus Labr[...] e uma ara a Júpiter, CIL II 2386), rumando depois para sul pelo sopé da vertente onde se situa o vicus, atravessavando a ribeira de Frarigo e seguindo por Paradela (donde deveria partir uma ligação à importante Villa da Qta. da Ribeira em Tralhariz), Parambos, Arnal, Marzagão (pela Ponte do Galego sobre a ribeira de Linhares), Selores (povoado no Castelo de Ansiães) e Seixo de Ansiães, indo atravessar o rio Douro no Vale do Vesúvio, junto do povoado mineiro da Sra. da Ribeira (relacionado com a mina romana de Covas dos Mouros), acedendo daqui a Numão e a Freixo de Numão. Ver vias em torno de Freixo de Numão.
MONS HERMINIUS

Mapa

Norte


Sul












Rede viária em torno da Serra da Estrela (Mons Herminius?)
A designação de Montes Hermínios (Mons Herminius) é referida por autores clássicos, nomeadamente no "De Bello Alexandrino" e nos textos do historiador Dion Cássio, poderá ser associada à Serra da Estrela ainda com algumas reservas (Alarcão, 1993). Seja como for é indesmentível que toda a serra sofreu uma intensa romanização que teria certamente de estar apoiada numa vasta rede viária da qual ainda se conhece pouco. Para além das Via Braga-Mérida que a atravessava no sentido W-E e da Via Coimbra-Marialva (a actual Estrada da Beira) que seguia pela sua vertente ocidental por Seia e Gouveia no sentido S-N, deveriam existir muitos outros itinerários, nomeadamente a partir de Seia (Castro de S. Romão) na vertente sul e a para partir de Celorico da Beira na vertente norte.

de Celorico da Beira à Serra da Estrela
Existe um conjunto de caminhos medievais na vertente norte da serra que poderão ter origem romana (Tente, 2007; Carvalho, 2009).
  • da Ponte de Juncais a Linhares, passando talvez por Mesquitela (Ponte sobre a ribeira de Linhares; vestígios em A-das-Pedras, Tapada das Pedras e Colícias), Carrapichana (habitat em Capela/Tapada do Anjo), Figueiró da Serra (topónimo Hospital), atravessa a ribeira de Linhares e sobre pela Calçada da Corredoura/Estrada dos Almocreves até à Igreja da Misericórdia em Linhares. De Linhares a via poderia continuar por Carvalhos Juntos de encontro à via Braga-Mérida, quer rumando a Folgosinho, quer rumando a Videmonte e daqui à Qta. da Taberna.
  • de Linhares à Via Braga-Mérida, é possível que existissem ligações entre Linhares e a via Braga-Mérida quer seguindo pela serra até Folgosinho , quer rumando a Gouveia por Figueiró da Serra, Freixo da Serra, Melo e Nabais.
  • de Celorico a Videmonte por Vale de Azares, atendendo aos vestígios em torno de Vale de Azares, nomeadamente uma inscrição achada na Capela de Ns. de Azares dedicada a uma divindade indígena chamada Ama Aracelene possivelmente pelos habitantes de um vicus designado por Aracelum (Carvalho, 2009). A via poderia passar junto de Fonte Arcada, onde há vestígios de uma possível Villa, rumando depois a Prados (calçada em Alminhas, sobranceira à ribeira do Rebolal), seguindo talvez por Vale da Estrada, Pedra Sobreposta e Boiticela (calçada) até Videmonte.
  • de Celorico a Videmonte por Salgueirais, seguindo talvez por Casas de Soeiro (habitat na Qta. do Vilhagre e em Ribeiro do Pinheiro), Galisteu (passando a poente de Vide Entre Vinhas, entre Corredouras e o Alto da Pedra da Atalaia; inscrição na Capela do Espírito Santo), Salgueirais (habitat na Qta. do Seixal, Vara e em Moitas Escondidas/Alto da Rasa), de onde também poderia subir a Linhares, rumando depois pela calçada da Qta. dos Amiais até Prados e daqui a Videmonte.
    • possível ligação de Vale de Azares a Póvoa do Mileu, seguindo por Rapa (calçada no interior da povoação, hoje coberta com brita), continuando depois pela Qta. da Portela e calçada da Portela para Aldeia Viçosa (Vicus em Aldeia Nova), atravessa o rio Mondego para Faia e sobe a Póvoa do Mileu.
    • possível ligação de Prados a Póvoa do Mileu, descendo pela Qta. da Coitada até Mizarela e daqui por calçada até à Ponte da Mizarela, onde atravessava o Mondego, continuando por Pêro Soares e Cubo (calçada em Gulifar) até Póvoa do Mileu (Alarcão, 1993).

de Seia a Alvoco da Serra
Hipotética via que desviando da Via Marialva-Bobadela servia os vici da vertente sul da Serra da Estrela seguindo talvez até ao Rio Alva.
Seia (da Qta. da Nogueira segue a EN339 até à ribeira de Valverde que atravessa para a Qta. da Valverde)
S. Romão (continua por estradão em direcção ao importante Castro romanizado de S. Romão/Cabeço do Castro, passando na Cabeça da Velha e Sra. do Desterro; inscrição funerária de um emigrante de Caesar Augusta, hoje Saragoça, HEp 4 1994, 1068)
Valezim, Seia (a calçada vem pela Darrua, Cabeço do Castro, junto à Sra. da Saúde e à Sra. da Boa Viagem, e junto à capela de S. Domingos em direcção a Vale de Açor)
Loriga (Lorica), Seia (a calçada vem da Portela de Arão, passa em Calçadas, Cemitério, Capela de S. Sebastião, desce pela Rua do Porto e atravessa a ribeira de S. Bento, existia uma Ponte Romana? que ruiu no séc. XVI e subia pela Rua de Vinhó, Rua de Viriato, Rua Gago Coutinho e Rua Sacadura Cabral, Av. Augusto Luís Mendes, área conhecida como Carreira, Rua do Teixeiro, atravessando a ribeira de Loriga/Nave/Courelas na Ponte Romano?-Medieval da Moenda)
Alvoco da Serra: (calçada na Rua das Lajes junto à capela de S. Sebastião, passa na Ponte Medieval e continua para sul por Tornadoiro, Poiso do Senhor, Barroca das Pedras Brancas, Malhadinha, Bandeirinha, Chão da Cruz, Fonte da Bica até Avoaça, talvez em direcção a Unhais da Serra)
CIVITAS MEIDVBRIGENSES

Freixo
de
Numão












Rede viária em torno de Freixo de Numão (MEIDOBRIGA?)
Freixo de Numão (MEIDOBRIGA?)
Provável capital dos Meidubrigenses, um dos povos mencionados na famosa inscrição da Ponte de Alcântara; espólio no Museu Arqueológico da Casa Grande; ara aos Lares Turolici, hoje desaparecida; villa em Salgueiro; de Freixo partiriam vários caminhos romanos, um saindo da vila para N, em direcção ao rio Douro e os restantes articulados com o nó rodoviário da Qta. da Pedra Escrita, próximo da importante Villa do Prazo, seguindo daí para poente em direcção a Numão ou para sul em direcção a Marialva e Sernancelhe. (Sá Coixão, 2000)

De Freixo de Numão a Murça do Douro
Sai do Freixo pela Qta. de Redoído (calçada), segue para Regadas (calçada com 500 m e ferraria, seria uma mutatio?), Moinho das Regadas, passa junto da Villa da Vinha de Zimbro, no sítio da Colodreira/Escorna Bois e em Areias rumo a Murça do Douro, seguindo depois pela Capela de Ns. da Esperança, local onde conflui com a via secundária que vem por Rumansil, 1000 m depois chega ao sítio do Chão do Cláudio, de onde poderia partir um acesso ao Douro, continuando depois na direcção do Vicus em Mós do Douro (inscrição funerária no sítio da Cruzinha regista um emigrante Taporo) e do Vicus do Monte Meão, onde atravessa o rio Douro, na Foz do rio Sabor.

Outras direcções
As outras ligações a partir do Freixo de Numão estão articuladas a partir do nó rodoviário da Qta. da Pedra Escrita. Partindo da vila, sair por Sta. Bárbara, passa no Pontão Romano da Nogueira e segue o caminho até ao cruzamento da Qta. da Pedra Escrita, junto à magnífica villa do Prazo, aberta ao publico); Daqui partiriam vias em 4 direcções:

Ligação ao Douro
Segue para N, passando próximo da magnífica villa de Rumansil (a parte escavada corresponde à pars rustica e a villa seria no sítio de Rumansil II), continua para Seixas do Douro (vicus na Qta. do Vale, destruído na construção da barragem do Catapereiro) e daí pela caminho que vai para a Qta. do Vesúvio no rio Douro.
Travessia do rio Douro no Vale do Vesúvio
Qta. da Ribeira, Seixo de Ansiães (povoado mineiro ligado às minas de Covas de Mouro; na Capela da Ns. da Ribeira achou-se uma inscrição votiva e ara votiva a Bandu Vordeaeco e um ex-voto dedicado à divindade Tutela)
A via deveria continuar por Seixo de Ansiães até ao vicus de Pombal, podendo depois ligar a Alijó. Ver este trajecto nas vias em torno de Alijó.

Ligação a Numão
Continua para poente pelo caminho da Qta. da Lameira e passa na Ponte Romano?-Medieval da Zaralhôa sobre a ribeira da Teja, no sítio do Conde (aqui há inscrição num penedo assinalando o trajecto: ARREA · SE[- - -] / TRAIECTV · M[- - -]), rumando depois a Numão (vicus; outra possível localização para Meidobriga; existe um troço de calçada no sítio do Areal localizado junto do antigo caminho de acesso ao castelo e na confluência das ribeira de Tourões e Duas Casas, onde há uma inscrição rupestre atestando a existência da via: AS(s)ANIANC(ences) VIA(m) FECERVNT, traduzindo, "Os Assanienses construíram a estrada", Sá Coixão, 2000 e 2001); esta via poderia descer ao Douro até Arnozelo ou até Sra. da Ribeira, seguindo depois para Carrazeda de Ansiães.

Ligação a Sernancelhe
Numão
Sebadelhe (vicus)
Cedovim (vicus; villae em Sta. Marinha e Portela)
Ranhados (civitas Aravoca?) (castro romanizado de S. Jurge; o vicus? na base do monte foi destruído na construção da barragem do rio Torto; Vicus em Fonte Arcada/Capela de S. Pedro; vestígios em Chão de Santos, Alcarva, Alcobria na documentação medieval; segue pelo Alto da Póvoa e Sra. da Estrada)
Ourozinho, Penedono (calçada de acesso às minas romanas de ouro da Granja que passa na Qta. do Vale de Outeiro, seguindo talvez para a Mêda, atravessando a ribeira da Teja na Sapateira, seguindo para Outeiro dos Gatos com vestígios em Telhões e na Qta. do Paço)
Antas, Penedono (calçada e estação romana da Qta. dos Carvalhais)
Beselga (Ponte Românica)
Sarzeda (talvez confluindo aqui com a Via Lamego-Marialva)
Sernancelhe

Ligação para sul a Marialva (Civitas ARAVORUM)
da Qta. da Pedra Escrita ruma para sul, freguesia da Touça, passando junto da Qta. dos Bons Ares e Qta. das Vendas, cruza com a EN222 e segue pelo Alto da Touça, Qta. das Alminhas)
Fonte Longa (villa no Lugar da Froia; a sul, vestígios em torno da Qta. do Consul; vestígios em Torres, Qta. do Alvito e Fulgaroso)
Vale da Aldeia (vicus)
Poço do Canto (pelo Alto de Santa Columba)
Mêda (Amindula na documentação medieval; ara aos Bandi Vordeaicui; troço de calçada romana parte da vila e segue paralela à EN324)
Marialva (Civitas ARAVORUM no lugar da Devesa)
CIVITAS ARAVORUM

Marialva












Rede viária em torno de Marialva (Civitas ARAVORUM)

Marialva (Civitas ARAVORUM)
Provável capital dos Aravi no lugar da Devesa em Marialva; Podium do Templo Romano numa casa particular. Barragem em Salgueiral/Lago; Sendo um importante nó viário na região, a civitas deveria ter ligações aos outros núcleos populacionais importantes como Freixo de Numão e Almofala, e uma ligação directa à travessia do Douro no Pocinho e daqui à Civitas Baniensis como parece indicar o possível miliário existente na Qta. do Chão de Ordem; um outro miliário indicando 21 milhas, encontrado em Paços da Serra (próximo de Gouveia), indicia a provável ligação sul, em direcção à civitas de Bobadela, passando por Celorico da Beira e pelo Vale do Mondego, na vertente ocidental da Serra da Estrela, onde cruzaria com a Via Braga-Mérida em Folgosinho ou Gouveia. (Alarcão, 1993; Sá Coixão, 2004, 2009).

de Marialva ao Povoado do Baldoeiro (Civitas BANIENSIS) em Torre de Moncorvo por Vila Nova de Foz Côa
Provável ligação entre Marialva e o rio Douro atendendo ao possível miliário encontrado na Qta. de Chão d'Ordem.
Marialva (seguiria para leste pela margem esquerda da ribeira de Marialva)
Barreira (segue a NW pela EM607-1; topónimo «Terra do Marco»)
Santa Comba (segue para Chão Redondo; existe calçada de acesso ao rio Côa)
Chãs (cruza com as vias transversais que seguiam para as possíveis travessias do Côa)
Qta. do Chão d'Ordem (possível miliário dentro da quinta)
Muxagata (vicus em Trepa; possível miliário na igreja paroquial; Vacinata na documentação medieval)
Vila Nova de Foz Côa (vici em Azinhate e junto ao Castelo/Paço; desce ao Douro pela «Estrada da Costa» por Vale do Escudeiro, Cortes da Veiga e Qta. de Vale Meão)
Travessia do rio Douro na zona do Pocinho (entre o Vicus do Castelo do Monte Meão e Rego da Barca)
Povoado do Baldoeiro (civitas BANIENSIS), Torre de Moncorvo
Daqui seguiria para Chaves (ver Via Chaves-Torre de Moncorvo) ou para Astorga pelo planalto de Miranda do Douro (Via Astorga-Torre de Moncorvo).

de Marialva ao Vicus de Vale de Mouro (Coriscada)
Ligação directa ao importante vicus de Vale do Mouro (Gravato, Coriscada), onde poderia existir uma mutatio da estrada que atravessando a ribeira de Massueime, seguia para Póvoa do Mileu (Guarda) e Almofala (FC Rodrigo). No sentido inverso, esta via poderia rumar até ao Vicus da Capela de S. Sebastião em Rabaçal (referência a calçada)
Marialva (sai da civitas pela Ponte Romana sobre a ribeira de Marialva, com alicerces romanos e segue pela calçada que atravessa a Qta. da Lobeira, cruza a EN102 ao km 101,1 e atravessa a ribeira do Prado junto ao Cabeço Seixo)
Coriscada (segue o caminho que vai para a Qta. das Minas)
Vale de Mouro, Coriscada (Vicus Sangoabonia?; admitindo que a ara da Coriscada consagrada a Júpiter pelos Vicani Sangoabonienses e que hoje está no Museu da Guarda seria proveniente daqui; mineração de estanho)
Travessia da ribeira de Massueime talvez nas poldras ali existentes, podendo daqui rumar para:
  • para norte em direcção a Cidadelhe (Castro romanizado de Castelo dos Mouros) seguindo próximo das villae do Juízo e Afonso.
  • para leste em direcção a Almofala por Luzelos e pelo caminho que contorna a Serra da Marofa pelo sul.
  • para leste em direcção ao povoado de Bogalhal Velho/Porto da Vide, atravessava o Côa para Quintã de Pêro Martins, atendendo aos imensos vestígios de villae desta margem do Côa, talvez associadas à exploração de estanho: Olival de S. Paulo, Farelos, Telhões/Vale da Cal, Qta. da Póvoa e Casa do Florindo (ver Maia, 1977a).
  • para sudeste em direcção a Pinhel, por Vieiro (Cabeço da Cruz e Qta. de St. Antão), Bogalhal, Valbom (passa a Ponte da ribeira do Porquinho e segue junto da Villa da Qta. do Prado Galego) para Pinhel (travessia da ribeira da Pêga na Ponte do Saltadouro; Granja na Qta. da Pêga).
  • para sul em direcção a Póvoa do Mileu (Guarda), podendo seguir por Sta. Eufémia (vicus mineiro junto das Minas da Sra. das Fontes), Póvoa d' El-Rei (Villa de Chão da Figueira), Pala (Reigadinha e villa de Barrocal), Freixedas (Castro romanizado em Castelo dos Prados; Casal na Qta. dos Ferreiros), Gouveias (calçadas e mutatio? em Chão das Malvas), Pêra do Moço (calçada passa no Alto do monte e seguirá talvez Menoita, onde apareceu um tesouro).

de Marialva à Bobadela por Celorico da Beira
Provável via de ligação entre a civitas Aravorum e a civitas de Bobadela, seguindo pela vertente ocidental da Serra da Estrela; A via deveria dirigir-se primeiro ao Vicus da Capela de S. Brás/Quinta do Campo, a sul da Coriscada, seguindo depois para Cótimos em direcção a Celorico da Beira.
Marialva (segue a via anterior até à Coriscada, inflectindo aqui para sul pela Rua Lúcio Saraiva/EM602, saindo desta logo depois pelo caminho que vai para a Qta. do Campo)
Qta. do Campo, Coriscada (Villa ou Vicus junto da Capela de S. Brás; outra possível localização dos Vicani Sangoabonienses da ara da Coriscada)
Cótimos (villa ou vicus na Qta. das Cardosas/Qta. do Campo)
Ponte Romana? de Cogula sobre a Ribeira das Moitas
Cogula, Trancoso (villa na Qta. da Tapada do Leiro e no sopé «monte castelo», separados pela EM591, onde se achou uma inscrição funerária)
Vale do Seixo, Trancoso (Povoado do Castelo; villa no Cabeço dos Telhões em Vila Garcia, junto à ribeira de Massueime e da importante Villa da Qta. do Prado junto à ribeira de Vale de Mouro)
Póvoa do Concelho (talvez pelo Alto do Feital junto da Villa da Qta. das Eiras)
Vilares, Trancoso (vicus junto à capela; Inscrição rupestre refere a construção de um templo onde se lê VIA(tore)), talvez relacionado com esta via)
Maçal do Chão (pelo Alto do Outeiro Negro)
Ponte Medieval de Minhocal sobre a ribeira dos Tamanhos
Forno Telheiro (calçada na Pedra da Atalaia e povoado em de S. Gens; segue a Lameiras)
Ponte Romano?-Medieval da Lavandeira sobre o rio Mondego (daqui seguia pela calçada da Lavandeira durante 500 m até entrar em Celorico pelo Bairro de Sta. Luzia, entretanto destruída pela autarquia!)
Celorico da Beira
Casas de Soeiro (habitat na Qta. do Vilhagre e em Ribeiro do Pinheiro)
Cortiçô da Serra (habitat na Qta. do Mouro)
Carrapichana
Vila Cortês da Serra (ponte na confluência das ribeira do Freixo e do Paço)
S. Paio (provável cruzamento com a via Braga-Mérida)
Gouveia
Moimenta da Serra
Paços da Serra (o miliário a Maximiano da milha XXI foi encontrado em Eiró, mas hoje está na chamada Casa Grande, turismo rural; indicava a distância à civitas da Bobadela)
Sta. Marinha (Ponte Romana?)
S. Martinho
Seia (a antiga povoação seria na Qta. da Nogueira; a via deveria passar a poente por Arrifana, Santiago e Carrozela)
Bobadela (civitas; ver também a continuação para Coimbra na via Coimbra-Bobadela)

de Longroiva (LANGOBRIGA?) a Almofala (Civitas COBELCORUM)
Hipotética via entre W-E ligando o concelho da Mêda ao Além-Côa, atravessando o rio Côa na Qta. da Ervamoira ou na Qta. da Barca. É possível que esta via tivesse origem na Castro romanizado de S. Jurge em Ranhados, seguindo por Mêda, onde cruzava com a via N-S entre Freixo de Numão e Marialva, e seguia até Longroiva. Daqui desce a Coutada no Vale da Veiga de Longroiva, atravessa a ribeira de Centieira e sobe a Chãs, nó rodoviário de acesso ao Douro e ao Côa ao qual também afluía a via proveniente de Marialva para norte.

Ranhados (civitas Aravoca?) (segue para Canada, descendo à ribeira da Teja por um troço de calçada)
Ponte Romana sobre a ribeira da Teja (só resta os arranques da ponte a 50 m N da ponte actual, junto dos Banhos; calçada)
Ariola, Mêda (segue junto da villa da Qta. de S. João)
Mêda (cruza com a Via Freixo de Numão-Marialva; deveria seguir pela EN331 até ao km 41, onde segue à direita pelo caminho que passa na Qta. do Vale da Manta e vai para Longroiva)
Longroiva (LANGOBRIGA?) ( ara aos Bandi Langobricu por Quintus Iulius da Legião VII Gémina; a via passa na Fonte da Concelha e na Ponte Romana? sobre a ribeira da Concelha e entrava no povoado romanizado e provável castellum)
Coutada, Longroiva (vicus; villae nas quintas em redor; provável mutatio na Qta. da Coutada, tudo destruído pela nova IP2!)
Ponte Romana? da Relva, sobre a ribeira de Centieira (a 50 m da EN102; sobe pelo CM1013)
  • é provável que existisse uma travessia mais a norte na Qta. da Veiga (provável mansio), junto da exploração de chumbo das Areias, à qual afluíam duas calçadas, uma proveniente de Fonte Longa e outra de Longroiva, subindo depois por Quintãs (calçada) e Abrolhos (calçada) até Chãs onde se reunia com a anterior.
Relva (segue por Relva de Cima, onde ainda existe um troço de calçada que vai para Chão Redondo onde reunia com a Via proveniente de Marialva) Chãs (vicus; reunia com a via que vem da Qta. da Veiga de Longroiva e segue à esquerda junto ao cemitério por Carris até Sra. do Monte, cruzamento de caminhos, onde podia bifurcar para as duas possíveis travessias do rio Côa)
  • Para Calábria pela Qta. da Ervamoira: um ramo seguia por Muchões, Trigueiras e Curral do Pregador para a Qta. de Sta. Maria da Ervamoira, comprovada mutatio junto à foz da ribeira de Piscos de apoio à travessia do Côa, ascendendo ao vicus de Castelo Melhor e daqui seguia para o Monte Castelo ou Monte Calábria, povoado romanizado situado num esporão sobranceiro ao rio Douro, junto à foz da ribeira de Aguiar que deverá corresponder a Caliabria, referida no Paroquial Suévico em 579 e posteriormente elevada a Diocese Visigótica; o percurso é desconhecido, mas poderia seguir a EN222 até Carril, descendo aqui para a travessia a ribeira de Aguiar junto da Qta. da Leda, na base do castelo, ou, em alternativa seguir até Almendra e depois seguir a EN332 que atravessa a ribeira de Aguiar na ponte medieval junto à Capela da Sra. do Campo, seguindo por Tapada do Matos, Olival dos Telhões/Aldeia Nova, onde estaria o vicus romano, Garrocho, contorna o Monte Castelo pela Canada do Armazém até à Qta. da Olga, onde poderia atravessar o Douro junto à estação CF de Almendra. (Cosme, 2002)
  • Para Almofala pela Qta. da Barca: o outro ramo seguia para a outra travessia do Côa na Qta. da Barca, estação romana, ascendendo a Almendra pela Calçada da Penascosa, Tapada da Penascosa e Qta. do Andrade/Prado Grande, a N da Igreja Matriz de Almendra.
  • Na Calçada da Penascosa também partiria um caminho para norte em direcção a Foz Côa, passando pela Calçada do Prado em Orgal e Calçada de Côa já na descida para a travessia do rio Côa junto à sua foz.
Almendra (vicus no Chão do Morgado, a norte da Igreja Matriz; inscrição funerária foi para Barca d'Alva)
Vilar de Amargo (por Fonte da Torre e Fonte do Pereira)
Figueira de Castelo Rodrigo (villa junto ao cemitério)
Santa Maria de Aguiar (convento)
Nave Redonda
Torre de Almofala (Civitas COBELCORUM)
CIVITAS COBELCORUM









Rede viária em torno de Torre de Almofala (Civitas COBELCORUM)

Torre de Almofala (Civitas COBELCORUM)
Importante povoado romano localizado em torno da Torre Romana das Águias, magnífico templo romano que urge salvar da ruína; A existência da Civitas Cobelcorum neste local é atestada por uma epígrafe aqui encontrada pois os vestígios aqui existentes não indiciam a existência de mais do que uma aldeia. Existem imensos caminhos antigos em torno da civitas mas é muito difícil saber quais deles terão origem romana devido à ausência de miliários e à forte matriz de desenvolvimento na era islâmica e medieval. Muitas das calçadas parecem servir os pequenos povoados da região tipo vias vicinales, mas é muito provável a existência de viae Publicae para ligação aos nós viários mais importantes, como seja uma ligação para leste em direcção a Ciudad Rodrigo e Salamanca, uma ligação para sul em direcção a Idanha-a-Velha, uma ligação para SW em direcção à Guarda (entroncando depois na via Braga-Mérida) e a ligação a norte descrita na rota anterior que ligaria civitas Cobelcorum às travessias do Douro no Pocinho e em Barca Dalva (ver Sandra Cosme, 2002, p. 86-93).

da Civitas COBELCORUM a Salamanca (SALMANTICA)
É muito provável que existisse uma via de ligação a Salamanca, atravessando a fronteira luso-espanhola na ribeira de Tourões para La Bouza, devendo ir de encontro à chamada "Via de la Plata", a antiga via romana no sentido N-S que ligava Astorga a Huelva, passando em Lumbrales (fonte romana), Cerralbo (ponte) e Vitigudino até Salamanca. Outra possível ligação seria da ribeira de Tourões rumar para SE em direcção a Ciudad Rodrigo.

da Civitas COBELCORUM a Póvoa do Mileu (Guarda)
Hipotética via que ligaria a civitas Cobelcorum à região da Guarda, tentando interligar uma série de vestígios e troços de calçada no concelho de Figueira de Castelo Rodrigo, Pinhel e Guarda. Saindo de Torre de Almofala, é possível que a via seguisse por dois possíveis traçados em direcção à travessia do rio Côa na Ponte Velha, um pela ponte da Vermiosa e outro por Figueira de Castelo Rodrigo.
  • Vinda da Villa do cemitério em Figueira de Castelo Rodrigo, seguia pelo sopé de Castelo Rodrigo (muralha romana) para Vilar Torpim (vicus em Pedregais), passa no Pontão que permite a travessia da ribeira do Lagar de Água e segue pela Calçada do Barrocal e Qta. da Nave até ao Côa.
  • Vinda de Torre de Almofala passava próximo das villae em Cabeço da Recta e Cabeço da Prata, ou vinda de Espanha por Escarigo, iam atravessar a ribeira de Aguiar/rio Seco na Ponte Romano?-Medieval da Vermiosa (calçada com 500 m antes da ponte; villa em Vale de Olmos), continua pela EM604 até Cruzes de Almeida, onde desvia à direita e segue pela Fonte da Calçada, junto do ribeiro da Deveza que atravessa para Tapada da Raposeira, continuando pela Qta. de Vilar Tomé pelo Alto da Salgadela onde apanha o caminho de terra que segue até à EN332 e daí a Reigada (segue junto do Alto do Prado Luís até à Calçada do Barrocal onde entronca na variante que vem por Vilar Torpim)
Ponte Velha do Côa, Cinco Vilas (ponte medieval com possível origem romana destruída em 1909 por uma cheia, ainda conserva 3 dos 5 arcos primitivos; calçada N-S na chamada «Estrada de França»; villa? em S. Marcos da Palumbeira)
Vale de Madeira (calçada parte da ponte do Cõa)
Pinhel (talvez entre pela Ponte sobre a ribeira das Cabras na Qta. da Ponte)
Vascoveiro, Pinhel
Ponte Romana? dos Moiros sobre a ribeira de Malados, Qta. da Escorregadia, Vascoveiro
Manigoto (marca de tégula referente à Legião IV Macedónica na Qta. da Urgeira)
Lamegal, Pinhel (calçada com 100 m no sentido E-W; casal em Feitais/Lamegais Velhos)
Ponte Medieval sobre a ribeira da Pega, Lamegal
Pomares
Argomil, Pomares (ver Estela de Argomil; segue por Sra. da Lagoa, Vilares e Vale do Sapo)
Verdugal, Pêra do Moço (povoado no Barroco da Vitória)
Menoita, Pêra do Moço (tesouro; segue pelo Alto do Seixal, Cabeço da Maunça, junto do Povoado fortificado do Outeiro de S. Miguel e da Qta. da Rasa, onde apareceu um cipo funerário)
Travessia do rio Diz (em Corredoura, junto da estação CF)
Póvoa do Mileu (vicus ou mesmo civitas; possível capital dos Lancienses Transcudani referidos na inscrição da Ponte de Alcântara; povoado em Castelos Velhos, onde apareceu uma ara votiva a Bande Brialeacus)
  • Outras ligações: de Póvoa do Mileu poderia partir outras vias, uma ligando ao grande eixo viário Braga-Mérida, talvez em Famalicão da Serra e outro ligando ao Sabugal. Esta última deveria seguir por Vila Garcia (villa em Alcaria), Adão (Villa de Merouços), Aldeia de Santa Madalena (inscrição funerária, FE365) e Pousafoles do Bispo (servindo a mina de cobre e passando junto do importante vicus da Qta. de S. Domingos, no sopé do Santuário Luso-Romano de Cabeço das Fráguas, onde existe uma famosa inscrição rupestre sobre o sacrifício de animais a deuses indígenas), seguindo por Lomba, Águas Belas (talvez por Fonte da Estrada e Lomba dos Palheiros), podendo daqui seguir por Urgueira (mina de cobre) e Aldeia de Santo António até ao vicus da Tapada Velha, entroncando assim na via proveniente do rio Tejo em direcção a Salamanca junto do miliário de Alagoas, ou rumar directamente à travessia do Côa em Sabugal.

da Civitas COBELCORUM a IGAEDITANIA
Hipotética via de ligação entre as duas civitates; Alguns troços de calçadas antigas e alguns vestígios romanos sugerem a existência da via passando por Almeida e Sabugal, onde cruzaria com a Via Alvega-Salamanca. Este percurso passa por Escarigo e segue entre esta ribeira de Toulões e o rio Seco na direcção do importante vicus do Verdugal/Moradios em Malhada Sorda.
Almofala (da Torre de Almofala segue pelo estradão de terra até à EN604-2, passa junto à Capela de São Sebastião e segue até Almofala)
Escarigo (passa na Ponte Romano?-Medieval sobre a ribeira de Minguei e segue por Campo do Veloso, Tapada da Praça e São Simão, onde existem cerca de 300 m de uma calçada chamada do Carrascal)
Malpartida (acompanha a ribeira de Tourões pela Qta. da Tapada da Machada, Nave Calçada, Barreiros, Prado das Fátimas, Fonte do Marco e Vale da Coelha; possível travessia junto ao Pinhal da Sacristia em direcção a Espanha)
Almeida (continua por Vale da Mula, Alto das Corças e S. Pedro do Rio Seco, pela Eira do Silva)
Vilar Formoso (talvez apanhe o "Caminho do Carril" junto ao Alto dos Pluviões)
  • Em alternativa poderia derivar em Nave Calçada para SW, indo atravessar o Rio Seco na Ponte de Malpartida, seguindo depois por Nave Calçada e Fonte da Nave Calçada em direcção a Almeida
  • Eventual acesso de Vilar Formoso ao Porto Romano? de S. Miguel no rio Côa, onde há calçada, saindo de Vilar Formoso pela Ns. da Paz e seguindo por Qta. de Abutre (actual Aldeia de S. Sebastião), Rasto de Boi e Costas Magras até ao Côa.
Malhada Sorda (vicus do Verdugal/Moradios, 4 km a sul da povoação; poderia ser mais que um vicus, talvez uma aldeia ou mesmo uma civitas; continua pelo Caminho do Carril pelo Alto do Cabeço Madeira e Qta. de S. Pedro do Carril)
Vilar Maior (segue a leste pela Vinagreira até confluir com a EN332 que segue até Aldeia da Ponte)
Aldeia da Ponte (aqui entronca na Via Alvega-Salamanca e seguia por esta por Sabugal até Vale da Sra. da Póvoa, onde rumava para Meimoa)
Meimoa, Penamacor (o Vicus Venia referido numa ara honorífica ao imperador Trajano pelos Vicani Venienses, hoje na Casa-Museu Dr. Mário Pires Bento, poderia localizar-se nas proximidades, talvez no Cabeço do Lameirão, junto da barragem de Meimoa ou no Sítio da Canadinha na confluência do ribeiro da Queijeira na ribeira de Meimoa junto da ponte; Villae em Mastraga, na confluência das Ribeiras de St. André e Meimoa e em Benquerença; inscrição em Vale dos Frades)
Ponte Romano?-Filipina sobre a ribeira de Meimoa (70 m, 7 arcos; a via poderia rumar a NE seguindo pela vertente nascente do Alto de St. André, passando assim junto do Vicus da Canadinha e da Villa do Sítio do Atalho)
Penamacor (altar votivo a Quangeio; vicus mineiro em Lenteiro; mina de ouro em Cortas da Presa; Villa junto da Capela da Sra. do Bom Sucesso, a 10km pela EM569; ara votiva a Bandi Vorteaecio em Vale Queimado; a via poderia seguir por Corredoura e Carril, ambos topónimos viários)
Travessia da ribeira das Taliscas (junto a Saibreira, onde há 20 m de calçada e importantes estruturas romanas recentemente descobertas)
Aldeia de João Pires (ara a Júpiter junto da igreja; a via passa a nascente, próximo das villae de Ferrador e da Fonte Salgueira)
Aranhas
Salvador (Término Augustal; ara a Vorteaecio descoberta na Villa da Qta. da Arrochela,)
Monsanto (via passava a poente junto à Villa de S. Lourenço em Monsatela)
Carroqueiro, Monsanto
Vale da Portela, Serrinha, Idanha-a-Velha (calçada e um fragmento de miliário com apenas algumas letras)
Serrinha, Idanha-a-Velha (mina em Carrascal da Serrinha servida pela barragem de Torreão)
Idanha-a-Velha (IGAEDITANIA)
CIVITAS IGAEDITANORUM

Rede viária em torno de Idanha-a-Velha (IGAEDITANIA )
É muito provável que existisse uma ligação entre Igaeditania e Ebora que ignorasse Ammaia por ser o caminho mais curto e directo para Évora e claro à capital do Conventus Pacensis em Beja, configurando assim uma via transversal aos itinerários principais entre Lisboa e Mérida mencionados por Antonino, as VIAE XII, XIV e XV no sentido NE-SW. Esta via é praticamente coincidente com o velho caminho de transumância que existiu até ao século passado e que permitia o trânsito dos rebanhos que vinham da Beira Baixa para o Alentejo e Algarve em busca de pastagens. Este itinerário tem a vantagem de ligar vários troços romanos que estavam dispersos e um possível miliário no Monte da Palhinha no concelho de Fronteira, «uma pedra circular toda escrita à volta» segundo relatos orais (Batata, Boaventura e Carneiro, 2000, ler online) sendo para já o único miliário conhecido atribuível a esta via. Por outro lado é bem provável que existisse uma ligação entre Igaeditania e Ammaia pelo caminho mais curto que ia atravessar o rio Tejo em Vila Velha de Rodão. (Ver Bilou, 2000a; Carneiro, 2000a, 2004 e 2008)

Idanha-a-Velha (IGAEDITANIA) a Évora (EBORA)
Idanha-a-Velha (IGAEDITANIA) (tal como a anterior descia por Castelo Branco até ao rio Tejo)
Vila Velha de Rodão
Travessia do rio Tejo na Lomba da Barca junto a Perais
Salavessa (ara)
S. Simão (segue por Galiana)
Ponte Romano?-Medieval da Sra. da Graça sobre a ribeira de Nisa, (segue a calçada que contorna o santuário até Nisa Velha)
Nisa
Alpalhão (provável cruzamento com a Via XV; segue para Vale do Peso onde há referência a uma Ponte dita «Romana»)
Crato
Alter do Chão (onde cruzava com a VIA XIV na mansio de Abelterio)
Fronteira (a poente pelo caminho que passa em Vale de Amoreira atendendo ao aparecimento ali próximo do miliário epigrafado do Monte da Palhinha; do Vale de Amoreira desce ao Porto de Melões para a travessia da ribeira Grande)
Cano (onde cruzava com a ligação Ponte de Sor-Estremoz; a via passaria junto à Torre de Camões /Monte do Álamo, Monte Mouchão, travessia da ribeira de Almadafe, Monte da Broa, travessia da ribeira de Tera, Monte da Estrada, Penedos)
Venda do Duque (Estação CF do Vimieiro, Ribeira do Vale Pereiro, Monte da Chaminé, Anta, cruza com estrada actual Igrejinha-Azurara, Monte do Barrocal)
Travessia do rio Degebe (na 'ponte velha' perto da estrada Évora-Azaruja e segue por Montinho do Ferro, Mte. do Evaristo, Mte. da Caeira, Campos de Évora até entrar em Ebora Liberalitas Iulia)
Évora (Ebora)

Idanha-a-Velha (IGAEDITANIA) a Aramenha (AMMAIA)
Idanha-a-Velha (IGAEDITANIA) (descia por Castelo Branco até ao rio Tejo)
Sarnadas do Rodão (segue por Atalaia, pela calçada de Quelhinhas em Serrasqueira e calçada da Coutada) Travessia da ribeira de Lucriz na Casa da Ribeira
Perais (passa junto de Estalagens e do povoado de Cadaveira, onde apareceu uma inscrição funerária de um Concordiense; existem troços de calçada em Telhada e Calçados)
Travessia do rio Tejo na Lomba da Barca (segue o caminho que vai pelo Alto do Pombo e pela Sra. dos Remédios)
Montalvão (altar votivo a Quangeio; Templo a Júpiter(?); minas; habitat em Castelos de Cima e de Baixo; vestígios em Fonte da Feia/Palmeirinha)
Póvoa e Meadas (talvez próximo da Villa dos Mosteiros em Mata da Póvoa e barragem da Tapada Grande)
S. Salvador da Aramenha (AMMAIA)
MUNICIPIUM AMMAIAENSIS









Rede viária em torno de S. Salvador de Aramenha (AMMAIA)
A civitas de Ammaia localiza-se em S. Salvador da Aramenha, Marvão e abrange as Qta. da Azenha Branca e a Qta. de Deão, na margem esquerda do rio Sever; Depois de anos de abandono, a cidade vai renascendo com o trabalho dos últimos anos, apresentando já hoje um importante conjunto de ruínas e conta com um excelente Museu da Cidade de Ammaia que acolhe o espólio recolhido nas escavações. Da cidade partiriam várias vias nas diversas direcções, mas o seu estudo está ainda numa fase inicial pelo que os traçados aqui apresentados são ainda hipotéticos; (Ver Corsi, 2006 e Carvalho, 2003)

A cidade seria servida por 3 pontes com provável origem romana:

De AMMAIA a EBORA
Ponte Romano-Medieval da Madalena sobre a ribeira dos Alvarrões (a 1km a sul, junto à ponte nova na EN246-1; este caminho seguia por Carris, onde há vestígios de calçada, continuava por Alvarrões, Ribeira de Nisa, seguindo o curso da ribeira por Cabeço do Mouro até Portalegre, não longe da EN359, e daqui ligaria à confluência dos Itinerários Lisboa-Mérida XIV e XV, talvez em Assumar ou Arronches (a norte de Aronches, no Mte. Coelho junto da ribeira da Venda apareceu uma rara inscrição em língua lusitana); No entanto a via também poderia continuar até Évora por Monforte, Silveirona e Évora-Monte)

De AMMAIA a NORBA CAESARINA (64 milhas)
Portagem, Marvão
Travessia do rio Sever no lugar da Ponte Velha
Valencia de Alcantara (Aqueduto; Puente da Piedra; Pontarrón de los Agravios; talvez siga próximo da linha férrea)
Aliseda (a N da povoação)
Malpartida de Cáceres
Cáceres (NORBA CAESARINA)

de AMMAIA a EMERITA
Ponte Romana sobre o rio Sever em Olhos de Água (via não atravessava o rio Sever na Ponte Medieval da Portagem mas numa ponte anterior romana em Olhos de Água junto à civitas e que já ruiu; a via seguia depois pelo vale da Serra de S. Mamede por Porto Espada, S. Julião, atravessa a fronteira luso-espanhola em Rabaça e segue por La Vega e La Codosera; a partir daqui tanto poderia seguir em direcção a Bótoa (Budua), entroncando aí no Itinerário XIV entre Lisboa e Mérida, ou seguir em direcção à região de Campo Maior onde ficaria a estação de Ad Septem Aras, entroncando assim na confluência dos dois itinerários XIV e XV entre Lisboa-Mérida)

de AMMAIA a ARITIO VETUS
S. Salvador da Aramenha (AMMAIA), Marvão (segue o traçado da EN para Castelo de Vide por Vale da Escusa)
Castelo de Vide (antes da estrada descer à vila seguir à esquerda junto ao supermercado, por caminho a meia-encosta para Pouso até entroncar novamente na EN junto à capela de S. Pedro. Pouco depois volta a sair da EN à esquerda pela estrada antiga que passa na Sra. da Luz, interrompida mais à frente pela EN e depois pela linha CF; depois da estação segue à direita por Monte da Lameira e Machoquinho, no sopé do Alto dos Lavradores ou Serra de S. Paulo e próximo do importante vicus do Monte do Mascarro)
Travessia da ribeira de Nisa em Porto dos Espinheiros (segue por Alcogulo, Villa do Vale da Manceba e Vale da Bexiga)
Travessia da ribeira de Figueiró
Alpalhão (segue por Mte. do Maxial; cruzamento com a via transversal entre Idanha-a-Velha e Évora; daqui a via seguiria pelo itinerário XV por Comenda e Gavião até Aritio Vetus que seria no Casal da Várzea em Alvega.)

  Porque surgiu esta página?
A Via Nova na Portela de Santa Cruz
- pela conservação deste património, batalha que continua.

- porque a via está mesmo aqui, debaixo dos nossos pés.

- pela viagem...



Anterior | Intro | Próximo