Vias Romanas em Portugal
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Intro

Este itinerário tenta fixar no mapa de Portugal os pontos de passagem das vias romanas, de modo a criar rotas de viagem. Para além da evidência arqueológica, existe uma cópia medieval do Itinerário de Antonino ou Itinerarium Antonini Augusti, originalmente escrito no séc. III, indicando as estações de paragem ao longo da via (mansiones) e respectivas distâncias medidas em milhas. Nesta página são apresentadas propostas de traçado para os 11 itinerários respeitantes ao actual território português, bem como os muitos outros itinerários da extensa rede viária romana que cobrem a totalidade do território Português. Para a conversão da milha romana em quilómetros, convencionou-se que uma milha equivale a 1480 m. Os itinerários aqui descritos estão em constante evolução à medida que novos vestígios são descobertos e novos estudos publicados.

Para uma introdução ao tema da viação romana, ver a página Informação.
Para um histórico das alterações do site e dicas sobre os itinerários, ver a página Histórico.
Para acompanhar a evolução do estudo sobre vias romanas ver antiga página de Notícias e o novo Blog Vias Romanas.

Os Itinerários de Antonino

De Braga partiam 5 itinerários:
 Itinerário XVI    Braga (BRACARA) a Lisboa (OLISIPO)
 Itinerário XIX    Braga (BRACARA) a Astorga (ARTURICA) por Ponte de Lima (LIMIA)
 Itinerário XVII   Braga (BRACARA) a Astorga (ARTURICA) por Chaves (AQUAE FLAVIAE)
 Itinerário XVIII  Braga (BRACARA) a Astorga (ARTURICA) pela Serra do Gerês, a VIA NOVA
 Itinerário XX     Braga (BRACARA) a Astorga (ARTURICA) per loca maritima

De Lisboa partiam 3 itinerários para Mérida:
 Itinerário XII   Lisboa (OLISIPO) a Mérida (EMERITA) por Alcácer do Sal (SALACIA) e Évora (EBORA)
 Itinerário XIV  Lisboa (OLISIPO) a Mérida (EMERITA) por Alter do Chão (ABELTERIUM)
 Itinerário XV   Lisboa (OLISIPO) a Mérida (EMERITA) por Alvega (ARITIO VETUS)

O Itinerário refere ainda os 3 itinerários seguintes:
 Itinerário XIII   Faro (OSSONOBA) a SALACIA a
 Itinerário XXII  Castro Marim (BAESURI) a Beja (PACE IULIA) por Mértola (MYRTILIS)
 Itinerário XXI   Castro Marim (BAESURI) a Beja (PACE IULIA) por ARANNIS

Outros itinerários Romanos

 Itinerário Braga (BRACARA) a Mérida (EMERITA) por Idanha-a-Velha (IGAEDITANIA)
Admite-se um itinerário entre Braga e Mérida, a capital da Lusitânia, embora este não seja referido por Antonino
 Itinerários de Norte a Sul
Valença a Melgaço
Porto (CALE) a Marnel (TALABRIGA) pela costa
Porto (CALE) a Freixo (TONGOBRIGA)
Porto (CALE) a Viseu (VISSAIUM) por S. Pedro do Sul
Chaves (AQUAE FLAVIAE) a Moncorvo (Civitas BANIENSIS)
Astorga (ARTURICA) a Moncorvo (Civitas BANIENSIS)
Chaves (AQUAE FLAVIAE) ao rio Douro
Lamego (LAMECUM) a Marialva (Civitas ARAVORUM)
Marnel (TALABRIGA) a Viseu (VISSAIUM)
Viseu (VISSAIUM) a Lamego (LAMECUM) por Castro Daire
Viseu (VISSAIUM) a Moimenta da Beira
Viseu (VISSAIUM) a Aguiar da Beira
Viseu (VISSAIUM) a Trancoso
Viseu (VISSAIUM) a Celorico da Beira
Viseu (VISSAIUM) a Famalicão da Serra
Famalicão da Serra a Mérida (EMERITA)
Viseu (VISSAIUM) a Bobadela
Mangualde a Bobadela
Mealhada a Bobadela
Coimbra (AEMINIUM) a Viseu (VISSAIUM)
Coimbra (AEMINIUM) a Bobadela

Coimbra (AEMINIUM) a Leiria (COLLIPO)
Leiria (COLLIPO) a Tomar (SELLEUM)
Leiria (COLLIPO) a Santarém (SCALLABIS)
Leiria (COLLIPO) a Óbidos (EBUROBRITTIUM)
Óbidos (EBUROBRITTIUM) a Lisboa (OLISIPO)
Conímbriga (CONIMBRIGA) a Alvega (ARITIO VETUS)
Tomar (SELLEUM) a Covilhã
Alvega (ARITIO VETUS) a Salamanca (SALMANTICA)
Tomar (SELLEUM) a Évora (EBORA)
Santarém (SCALLABIS) a Évora (EBORA)
Idanha-a-Velha (IGAEDITANIA) a Évora (EBORA)
Évora (EBORA) a Beja (PACE IULIA)
Alcácer do Sal (SALACIA) a Beja (PACE IULIA)
Évora (EBORA) a Moura (FINES?)
Moura (FINES?) a Beja (PACE IULIA)
Moura (FINES?) a Serpa (SERPA)
Beja (PACE IULIA) a Sevilha (HISPALIS)
Castro Marim (BAESURI) a Faro (OSSONOBA)
Faro (OSSONOBA) - ARANNIS - Alcácer do Sal (SALACIA)
Faro (OSSONOBA) - ARANNIS - Beja (PACE IULIA)
Faro (OSSONOBA) ao Cabo de São Vicente (Promontorium Sacro)
 Troços Dispersos:
Rede viária em torno de Freixo de Numão (MEIDOBRIGA?)
Rede viária em torno de Marialva (Civitas ARAVORUM)
Rede viária em torno de Torre de Almofala (Civitas COBELCORUM)
Rede viária em torno de S. Salvador de Aramenha (AMMAIA)

Itinerários de Antonino
Itinerário XVI (16)

Bracara Cale
Mapa












































Karraria Antiqua



Per Loca Maritima



Via Veteris



Via Vimaranes



Cale a Olisipo
Mapa













Mapa





















Mapa







Mapa



Braga (BRACARA) - Porto (CALE) - Lisboa (OLISIPO)   CCXLIIII milhas - 361.5 km (1 milha=1480 m)
Item ab OLISIPONE BRACARAM AUGUSTAM m.p. CCXLIIII
IERABRIGA
SCALLABIN
SELLIUM
CONIMBRIGA
AEMINIO
TALABRIGA
LANGOBRIGA
CALEM
BRACARA

m. p. XXX
m. p. XXXII
m. p. XXXII
m. p. XXXIIII
m. p. X
m. p. XL
m. p. XVIII
m. p. XIII
m. p. XXXV
A via romana de Bracara Augusta a Olisipo estabeleceu a rota definitiva entre as duas cidades que subsiste até hoje, sobrepondo-se sucessivamente a Estrada Real, a Estrada Nacional EN1 e a Auto-estrada AE1. Estas seguem paralelas ou mesmo coincidentes em alguns pontos até Conimbriga, mas a partir daqui a via segue para Selleum, hoje Tomar, enquanto que a EN1 e AE1 seguem mais a poente, por um outro trajecto também romano que ligava Conimbriga às civitates de Collipo na região de Leiria e Eburobrittium junto a Óbidos. O troço entre Braga e o Porto está bem documentado por inúmeros miliários, (ver 8 miliários da série do Padre Martins Capela referentes a esta via, dos quais só um miliário achado em Trofa Velha indica a distância a Braga (21 milhas), mas a partir do Porto, os vestígios começam a escassear. Entre Porto e Coimbra restam apenas o miliário de Úl, entretanto deslocado para um jardim no centro de Oliveira de Azeméis, o miliário da Vimieira que está hoje no átrio da Câmara Municipal da Mealhada e o miliário do Arco da Traição em Coimbra que está hoje no Museu Machado de Castro. Na região a Sul de Coimbra existem referências a 6 miliários, entre os quais se destacam o o miliário in situ de Tamazinhos em Alvorge, atestando a passagem da via em direcção a Tomar, e o miliário do castelo de Soure que atesta a existência da variante atrás referida que se dirigia para Leiria. Na região de Tomar são referenciados 6 miliários, 4 na cidade e 2 na periferia, o miliário de Sta. Catarina e o miliário de St. Estevão em Delongo, atestando a continuação da via rumo a Santarém, onde aliás se achou um miliário a Probo na Alcáçova. Daqui até Lisboa conhecem-se apenas mais 3 miliários, o miliário do Açougue Velho em Alverca e em Lisboa, o miliário da Casa dos Bicos e um outro entretanto perdido. Como também os vestígios de calçada são escassos, essencialmente devido à forte urbanização do litoral, o trajecto da via continua ainda em grande parte conjectural.

Braga (BRACARA AUGUSTA) (Conventus Bracara Augustanus)
A dispersão por toda a cidade de miliários para os quais não se sabe a qual via pertenciam, torna muito difícil a definição dos traçados dentro da malha urbana; Alguns estarão relacionados com a Via Braga-Lisboa, como os que apareceram na parte Sul da Rua de S. Geraldo ou o da esquina da Rua Sá de Miranda com a rodovia, próximo da necrópole da Av. da Imaculada Conceição. Estes miliários podem ser observados no Museu D. Diogo de Sousa que conta com uma extensa colecção de 36 miliários (caso único no mundo), nomeadamente os miliários da série Capela. Infelizmente muitos não sabemos a que via pertenciam dado que a maioria deles estavam reunidos no Campo das Carvalheiras antes de dar entrada no museu. No Museu Pio XII existem mais 6 miliários, quatro pertencentes ao Itinerário XIX que liga Braga a Tui e dois pertencente a esta via, o miliário de Lousado e o miliário de Carreiras em Vila Nova de Famalicão.
Maximinos, Braga (o começo da via era assinalado por um miliário a Adriano da milha zero, CIL II 4748, pois indicava a distância total entre Braga e o Porto, ou seja, 35 milhas; apareceu no colégio de S. Paulo e hoje está desaparecido; a via deveria partir do antigo Forum pela decumanus maximus ladeada pela Necrópole Romana de Maximinos na actual Rua de S. Sebastião; depois vira à esquerda pela Rua Direita, Largo de Maximinos, seguindo em frente pela cortada Rua Peão da Meia Laranja, Rua Felicíssimo Campos, atravessa a Rua Cidade do Porto ou EN103 e segue pelo CM1330 ou Rua da Ponte Pedrinha)
Travessia do rio Este na Ponte Pedrinha (alusão a uma ponte antiga com possível origem romana)
Lomar (Argote refere um miliário a Crispo junto à igreja hoje desaparecido que talvez indicasse a milha I; da Ponte Pedrinha segue pela Rua dos Presidentes até entroncar na EN309 no lugar da Mouta, continua por Muro e por Estrada, onde sai da EN309 e segue a direito pelo CM1333-2 por Boucinha, Rua da Ventosa, Rua da Capela, Correias, onde atravessa a ribeira do Barral, talvez a milha II)
Esporões (por Mosqueiros, Rua da Quinta, Rua da Ns. da Caridade, milha III na capela, e Bocas)
Trandeiras (milha IV; continua pelo CM1343 por Almoinha, Souto, Outão e Varziela)
Penso St. Estevão (milha V?; topónimos Mesão Frio e Pousadas sugerem estações viárias; passa junto do cemitério até Pardieiro, onde corta à direita para ir atravessar a ribeira de Morroira na Ponte da Veiga, cruza a EN309 e segue para Quebradas)
Escudeiros (subia por Quebradas e Hospital, antiga pousada medieval com possível origem numa mutatio romana talvez na milha VI, EM1347 e segue pela pelo Rua do Caminho de Santiago na vertente nascente do Castro romanizado do Monte Redondo/Monte Cossourado/S. Mamede, entronca na EN309 e segue para Portela)
Carreiras, Portela de Sta. Marinha (junto da Igreja apareceu um miliário a Constantino II, talvez da milha VII, hoje no Museu Pio XII; o CIL refere um miliário a Adriano da milha VIII, CIL II 4737, pelo que deveria ser daqui perto; segue por Muro e Paredes e atravessa o rio Pelhe para Telhado)
Telhado (EN309; talvez a milha IX; segue a margem direita do rio Pelhe)
São Cosme do Vale (miliário a Adriano já desaparecido, CIL II 4867, talvez da milha IX, encontrado no «Vale de S. Cosmado»)
S. Martinho do Vale (segue a EN309 por Ribeira de Baixo e Pousada até na Cruz do Pêlo que seria a milha XI, e onde entronca na EN206; vira à direita e logo à esquerda por caminho de terra para S. João da Pedra Leital, Lagoas, talvez a milha XII, e Pinheiral; muito próximo, fica o Castro romanizado do Monte da Eiras e o Castros de Vermoim e Requião)

Santiago de Antas, Famalicão (milha XIII; da Igreja românica segue à esquerda por Vela e Capões até à EN204)
  • Esta milha era assinalada pelo Miliário a Adriano, CIL II 4752, indicando precisamente XIII milhas que hoje está em exposição no Museu D. Diogo de Sousa com o n.º. 1992.0666. No CIL II aparece ainda a transcrição de um outro miliário com a mesma epígrafe, CIL II 4738, também dado como proveniente de Famalicão, mas indicando 12 milhas em vez de 13 pelo que indicaria a milha anterior, no entanto Vasco Mantas considera um único miliário admitindo um erro na transcrição omitindo o último «I».
  • Argote refere um fragmento de um miliário a Caracala, CIL II 4741, reutilizado num cruzeiro defronte da Igreja no início do Séc. XVIII; dado como perdido, no entanto Colmenero sugere que este poderá estar embutido no muro Oeste do Seminário Camboniano (Colmenero et alii, 2004);
  • Capela também refere 2 miliários anepígrafos no pátio da casa paroquial, entretanto desaparecidos e o CIL refere um miliário, CIL II 4739, proveniente algures de Famalicão onde apenas se lê Traiani.
Portela de Baixo, Santiago de Antas (milha XIV; atestada pelo miliário a Caracala indicando XIV milhas, CIL II 4740, que apareceu na capela de St. Estevão, foi depois reutilizado como suporte dum alpendre na casa paroquial e hoje está desaparecido)
Deveza Alta, Santiago de Antas (milha XV; segue pela EM509-1; miliário deslocado para a Qta. do Vinhal; Capela refere aqui um miliário hoje deslocado para o portão da Qta. de Pereira)
Cabeçudos (segue pela EM508-2 junto da igreja paroquial, onde apareceu um miliário, talvez da milha XV, suportando uma varanda, entretanto desaparecido; continua junto da Qta. de Boamense, Estrada e a direito para o Alto de Sta. Catarina)
Sta. Catarina, Cabeçudos (miliário a Caracala na Qta. de Sta. Catarina, encontrado a 1/4 de légua da quinta talvez da milha XVI; chegado ao marco de Sta. Catarina segue pela Rua do Marco para Fial, Pé de Prata, Garrida, Rua dos Almocreves e Rua das Diligências até à margem do rio Ave)
Lousado (miliário a Magnêncio, talvez da milha XVIII; foi descoberto na Igreja e hoje está no Museu Pio XII em Braga)

Travessia do rio Ave (Avo) na Ponte Romano?-Medieval da Lagoncinha
  • Na sua forma actual a ponte é uma construção medieval, mas é bem provável a existência de uma anterior romana nesta passagem natural, embora não existem vestígios concludentes. Num documento de 1054 há referência à ponte e à via romana «per illam carrariam antiquam que uadit pro ad illum pontem petrinum» (in PMH, DC doc. 287, p. 175) e na «Carta do Couto do Mosteiro de St. Tirso» do anno de 1097 aparece como «ponte antiqua de flumine Avie» (in PMH, DC doc. 864, p. 512), mostrando que a ponte já existia no século XI; A via continuava pela margem esquerda do rio, passando junto da Cruz do Lugar das Marcas e na Ponte Velha sobre o rio Ervosa, Aldeia da Ponte e Esprela (troço de calçada), continuava pela Ponte Antiga de Real e segue por S. Martinho de Bougado, Vale do Eirigo, talvez a milha XX, até Trofa Velha, correndo à direita da EN14.
Trofa Velha, S. Martinho de Bougado (segue a EN14; villa em Rorigo Velho)
Ponte sobre a ribeira de Sedões/Covelas, Trofa Velha (a milha XXI atestada por 4 miliários aqui colocados após a demolição entre 1844 e 1846 da ponte velha, provável ponte romana, em consequência da construção da estrada real Porto-Braga:
  • miliário a Constante indicando a milha XXI, CIL II 4742 = CIL II sup. 6209, hoje na Casa da Cultura da Trofa.
  • miliário a Licínio, CIL II 6213, hoje na Casa da Cultura da Trofa.
  • miliário a Magnêncio, CIL II sup. 6212, hoje no Museu Abade Pedrosa em St. Tirso.
  • miliário a Tácito, CIL II 6212, dado como desparecido; estará na berma da EN14 em Lantemil?
Lantemil, Santiago de Bougado
Peça Má, Alvarelhos (2 miliários talvez da milha XXII; miliário a Constâncio II, que está hoje na antiga casa do Padre Sousa Maia em Lantemil e fragmento de miliário a Carino que estaria na berma da EN14 junto da Ponte da Peça Má e hoje no jardim da antiga casa de A. Cruz na Trofa Velha)

Alvarelhos (provável mutatio junto do importante Castro de Alvarelhos, vicus viário estrategicamente situado sobre o vale da ribeira da Aldeia por onde passava a via romana XVI e no cruzamento de outras vias secundárias; Civitas Albarelios na documentação medieval)
  • miliário a Adriano, CIL II 4736, dentro da Quinta do Paiço talvez indicando a milha XXIII ou XXIV que não ficaria longe; admitindo que não tenha sido deslocado, é viável um percurso alternativo à EN14 que tocasse a base do Castro de Alvarelhos, mas por outro lado os miliários apareceram em Peça Má e Carriça, ambos junto da EN14, embora possam ter sido deslocados, colocando assim a via um pouco afastada do castro, o que não é de estranhar no contexto romano. Assim, permanece a dúvida sobre a verdadeira rota da via. Existe uma referência a uma «carreira antiqua» num documento medieval que poderá ser esta variante pela Qta. do Paiço de referir-se a esta estrada (in PMH, DC doc. 151, p. 94)
  • Variante pela Qta. do Paiço/Castro de Alvarelhos: corresponde à rota alternativa à EN14 pela EM1352 passando próximo da Qta. do Paiço e seguindo pelo caminho de terra que parte de Palmezão e segue pelas Bouças da Teixeira, ao longo da divisão com a freguesia com Guilhabreu, até entroncar na rua de Quiraz; Aqui podia dividir-se, seguindo um ramo à esquerda pela Igreja de S. Pedro de Avioso (EN536) e segue por Vilarinho até ao Castêlo da Maia (junto da estação CF), onde entronca na EN14 junto do Monte de St. Ovídeo, onde passaria a Via XVI, e um outro ramo seguia em frente pelo caminho de terra que desemboca na Rua das Andorinhas e continua pela Rua da Bajouca, Rua do Ribeiro, rumando depois à direita pela Campa do Preto, Rua Frederico Ulrich até Moreira onde entronca na «Karraria Antiqua».
  • Outras ligações à «Karraria Antiqua»: é muito provável que do Castro de Alvarelhos partissem ramais de ligação à outra via proveniente do Porto e que ia atravessar o rio Ave junto da Ponte de D. Zameiro; existem vários rotas possíveis, uma ligando Palmazão a Vilar pela EM537 e outra passando junto do Castro Boi em Vairão até ao cruzamento de Vilarinho.
  • Vila Boa, villa junto do castro com mosaicos, necrópole e onde apareceu uma ara dedicada a um tal Lanasus por voto do Castellum ou Castro de Uliainca, indicando relações entre castros.

Carriça, S. Cristovão do Muro (Milha XXIII atestada pelo miliário a Maximiano encontrado na Qta. do Dr. Lima Barreto, CIL II 4743, ao km 12.7 da EN14 indicando 23 milhas a Braga, entretanto destruído; necrópole em S. Cristovão; seguia talvez pela paralela à EN14 por Ribela onde volta a entrar na EN14)
S. Pedro de Avioso (miliário a Caro talvez referente à milha XXV; Dado como proveniente do lugar de Ferronho, ali perto, foi referido pelo Abade Pedrosa em 1894 como estando 2 km a Sul da Carriça e a 19 m a Poente de EN14, passou depois para a berma da EN14 ao km 11.2 junto da capela dos Passos, onde esteve até ser transferido para o Museu de História e Etnologia da Terra da Maia onde está em exposição; segue a EN14 por Espinhosa embora a via pudesse ir pela igreja)
Santa Maria de Avioso (pela EN14 junto ao Monte de St. Ovídeo; talvez o Castro de Avioso citada em documentação do século XI; é possível que o nome romano fosse Madiae a partir de uma inscrição votiva encontrada em Sobre Sá, Alvarelhos que refere o Castro dos Madequisenses)
Mandim, Maia (milha XXVII; pelos limites das freguesias de Barca e Moreira atravessando a EN Porto-Braga)
Pinta, Maia (muito alterado pela AE; talvez pela Rua Deolinda Duarte dos Santos)
Picoto, Maia (milha XXVIII no centro da cidade; segue pela Rua Augusto Simões)
Leça do Balio/Gueifães (a via faz de fronteira entre estas freguesias; milha XXIX talvez junto Lar do Comércio, antiga Qta. do Catassol, hoje Rua do Catassol e depois Rua de Santana até ao largo da Feira de Santana onde seria a milha XXX; vira à esquerda pela estreita Rua da Estrada Velha (antiga Socarreira) e Rua da Ponte da Pedra)

Ponte Romano-Medieval da Pedra sobre o rio Leça (alguns silhares almofadados atestam a sua origem romana; depois de atravessar a ponte segue à direita e logo à esquerda pela Rua da Estrada Velha até ao Largo da Ermida onde seria a milha XXXI)
São Mamede de Infesta (Castro em Moalde; Hübner refere um miliário a Adriano, CIL II 4735, talvez da milha XXXII, encontrado a servir de base de cruzeiro na Qta. do Dourado/St. António, passou depois para o cemitério onde ainda hoje se encontra, mas já sem letras visíveis pelo que as terá sido desbastado; do Largo da Ermida continua pela Rua da Conceição até à estação CF, do outro lado segue pela Rua de St. António, Capela de St. António Telheiro, Largo do Marco, onde seria a milha XXXII, Rua do Carriçal; ainda hoje o limite entre o Porto e Matosinhos fica junto ao campo de futebol do Progresso)
Paranhos (Rua do Amial, milha XXXIII talvez no Jardim da Arca d'Água, Rua do Vale Formoso e Rua Antero de Quental)
Cedofeita (na Rua Antero de Quental passa junto à Capela do Sr. do Socorro que guarda um raro padrão do Caminho de Santiago talvez referente à milha XXXIV; segue pelo Largo da Lapa, Rua da Lapa, milha na Praça da República, antigo Campo de St. Ovídio, Rua dos Mártires da Liberdade, antiga Estrada de St. Ovídio, Largo do Moinho de Vento, Rua da Oliveiras, Rua Sá de Noronha, Praça Gomes Teixeira (Leões), Rua Dr. Ferreira da Silva, antiga Calçada dos Orfans, Jardim da Cordoaria, outrora Porta do Olival, desce pela Rua dos Caldeireiros, Rua Afonso Martins Alho, atravessava o rio da Vila pela Ponte da Pedra, junto do antigo Largo de S. Roque, entretanto destruída pela construção da Rua Mouzinho da Silveira e consequente entubamento do rio da Vila, subia pela Rua do Souto e Rua Escura, entrando no morro da Sé pela Porta de S. Sebastião)

Porto (CALE) (mansio da milha XXXV; o Museu Nacional Soares dos Reis guarda o miliário de Areal de Baixo em Braga pertencente à VIA XVII para Chaves e o miliário de Soalhães em Marco de Canaveses da Via Braga-Mérida; provável civitas, capital do povo Cali no Morro da Pena Ventosa, hoje o Bairro da Sé; vestígios do antigo castro romanizado na Rua D. Hugo (na actual sede regional da Ordem dos Arquitectos e na Casa-Museu Guerra Junqueiro) e nos alicerces da própria Sé; há vestígios romanos um pouco por toda a zona da Ribeira, em particular da muralha romana e restos de estruturas habitacionais na Casa do Infante (mosaico); vestígios em Massarelos (Campo do Rou), Lordelo (Campo do Eirado junto à Igreja Paroquial) e Foz Velha (ara dedicada a divindades marinhas achada na igreja de S. João Batista e figura togada)

Outras vias que partiam do Porto

  • Karraria Antiqua (Porto - Barcelos)
    De Cale partia uma outra via mais a poente a já referida nas inquirições de 1258 como Karraria Antiqua que deverá ter também origem romana; Muitos das referências a esta estrada, tal como na Via Veteris e a Via per local maritima descritas abaixo, são retiradas da compilação de documentos medievais intitulada Diplomata et Chartae organizados por Alexandre Herculano no «Portugaliae Monumenta Historica», incluindo os nomes das villae, castros e rios (Ver Almeida CAB, 1979, 1980, 1986, 1996; Ameida CAF, 1968, 1969). Sendo também Caminho de Santiago, é possível percorrer este caminho seguindo as famosas «setas amarelas», apesar do trajecto escolhido nem sempre coincidir com os traçados romanos. Talvez partisse do Jardim da Cordoaria no Porto, outrora Porta do Olival, tal como a via Porto-Braga, mas ao contrário desta dirigia-se para a Rua de Cedofeita, chamada de Cacarreira na idade média e depois por Rua da Estrada até 1781, continuando pela Rua do Barão de Forrester, contorna a capela do Sr. do Calvário no Largo da Ramada Alta, e continua pela Rua 9 de Julho, Rua do Carvalhido, Rua Monte dos Burgos, Rua Nova do Seixo, Padrão da Légua (daqui derivava a Via Veteris para Custóias descrita abaixo), Rua de Recarei, Rua de Gondivai (villa), Rua de Araújo até ao cruzeiro da Capela do Araújo. Daqui desce à direita pela Travessa de D. Frei Manuel Almeida de Vasconcelos e Rua Sousa Prata, atravessando o rio Leça na Ponte Romano?-Medieval da Azenha/Ronfes/Barreiros com provável origem romana. Depois de cruzar a EN13, a karraria continuava em frente pela Rua do Souto até à Igreja paroquial da Maia (daqui poderia ligar à via romana Cale - Braga que passa junto da CM da Maia). A Karraria deveria continuar para Moreira, mas hoje está muito alterado, sendo provável a sua passagem na Rua Mestre Clara que vai entroncar na EN542, hoje Rua Frederico Ulrich. Neste ponto, é perceptível a continuação do caminho, mas hoje é uma zona industrial que é preciso contornar pela EN13. O traçado antigo é retomado mais à frente na Rua de Matamá, onde também é visível o antigo caminho interrompido, continuando depois pela Rua da Venda (topónimo viário muito comum) e Rua do Padinho. A partir daqui segue o CM1077 pela Rua do Monte em Mosteiró (villa em Lameira, junto à igreja), Rua da Botiga, Rua da Costinha, Rua da Arribela, Rua do Padrão em Vilar (villa na igreja paroquial), Carrapata de Cima e Nove Irmãos em Modivas. A partir daqui a via é coincidente com a EN306 ou Rua da Estrada Principal, seguindo por Rochio e Joudina em Gião, pelo sopé do Castro de Boi/Castro de St. Ovídeo em Vairão (milha), Castro Bove na documentação medieval, Vilarinho (milha; villa de Campos Pereira a 1 km, junto à igreja de Macieira da Maia), cruza a EN104 (milha) e segue até à Ponte Medieval de D. Zameiro onde atravessa o rio Ave sob o controlo do Castro de Santagões (Celtaganes) na outra margem, da ponte sobe pela antiga «Karraria» à Capela da Sra. da Ajuda, onde ruma a nascente para Vila Verde (villa), sobe a Vilar (possível mutatio na Qta. do Vilar), Bagunte (por S. Mamede, na base da importante Cividade de Bagunte, subtus mons Civitas Bogonti num documento do ano 1036, e próximo do povoado de Casais e do Castro de Argifonso no Alto do Castelo, Argefonsi na documentação medieval), saindo na Boavista da EN306 pelo CM1048 ou Rua Camilo Castelo Branco e depois pelo caminho de terra nas traseiras do Mosteiro de S. Simão da Junqueira (a Villa Fernandi), passando em Bibres e Casal Maria, atravessa a A7 junto das Mamoas do Fulom, até reencontrar a EN306 no Canivete, já perto da Ponte Medieval de S. Miguel de Arcos sobre o rio Este, ponte com provável origem romana. Da ponte continua por Arcos, EN526, Moldes, Borgonha, Rates, provável mansio já no concelho de Barcelos. A partir daqui o traçado não é seguro devido à incerteza quanto ao local de travessia do rio Cávado, podendo um ramo dirigir-se para a travessia do rio Cávado na Barca do Lago, confluindo nas minas da Lagoa Negra com a outra estrada que vinha do Porto pelo litoral (per loca maritima) descrita abaixo, e outro ramo seguiria na direcção a Barcelos fazendo a travessia do rio Cávado a montante dessa cidade em St. Eugénia do Covo, seguindo talvez pelo Alto da Mulher Morta (CM 1129-3), Courel (na Igreja; na base do Castro romanizado do Alto do Castro, EN504), Pedra Furada (EN306), Souselas, Ns. da Guia, Silgueiros e Varziela, na base do Castelo de Faria. Estes itinerários que partiam do rio Cávado para Norte estão descritos no âmbito do Itinerário XX de Antonino, cognominada de per loca maritima.

  • Per Loca maritima (Porto - Caminha)
    É provável que existisse uma via secundária que seguia junto à costa para dar serventia às diversas explorações agrícolas e de salga espalhadas pelo litoral, mas a intensa urbanização da zona torna impossível seguir o seu percurso que foi levantado no terreno por Brochado de Almeida (Ver Almeida CAB, 1979, 1980, 1986, 1996; Almeida CAF, 1968, 1969); a via deveria partir de S. João da Foz, zona romanizada junto à foz do rio Douro, subindo talvez pela Rua da Cerca e depois pela Rua de Corte Real em direcção à Igreja de S. Miguel em Nevogilde, depois seguia pela Rua de Nevogilde, atravessava a Av. da Boavista e seguia pelo actual Parque da Cidade para a Vilarinha e Sendim, seguindo depois para a travessia do rio Leça na desaparecida Ponte de Guifões junto ao Castro de Guifões na base do Monte Castelo, antigo porto romano. Depois da ponte de Guifões deveria seguir por Gonçalves, Padrão, Perafita (muito alterado, mas talvez pela Estrada do Monte, junto ao IKEA), continua do outro lado da A28 pela Rua do Abade Mondego, Rua do Progresso e Rua de Silva Aroso) segue por Antela e Lavra pela «karia antiqua» já referida num documento do anno 897 (in DC, n.º 12, p. 7) próximo da villa de Fontão e dos povoados de Angeses e de Monte Castro (Cetárias na praia de Angeiras e Castro de S. Paio em Labruge), continuaria por Calvelhe (tégula; atravessa o rio Onda e segue a Moreiró), Vila Chã (povoado dos Covelos), Mindelo (habitat em Moimenta), Árvore (pela Qta. da Faísca e Quintã; à Rua da Estrada Velha que seguia para Vila do Conde , onde atravessava o Ave por barca, mas é mais provável que travessia na era romana se fizesse mais a montante, onde a travessia era menos perigosa, junto do Castro da Retorta, a jusante da foz do rio Este, evitando assim a sua travessia. A partir daqui o traçado da via é ainda mais inseguro, mas a abundância de vestígios romanos sugerem um continuação da via para Norte ao longo desses vestígios como a Villa Fromarici em Formariz, as villae nas Igrejas de Touguinha (villa Tauquinia), Touguinhã e Caxinas (nos terrenos da actual Escola Secundária José Régio), e já na Póvoa de Varzim, a Villa Argevadi em Argivai, seguindo pela «carraria maurisca...subtus montis terroso», assim referida num documento do ano 953 (in PMH, DC doc. 67, p. 38-39), pela Villa de Paredes e Alto da Vinha em Beiriz, seguindo pela villa em Amorim, na base da Cividade de Terroso e do Castro do Monte de S. Félix em Laúndos, a Villa Euracini em Martim Vaz, o Castro de Navais (porto na Aguçadora), a Villa Mendo/Menendi em Estela (Apúlia), seguindo por Fonte Boa (provável mutatio no povoado do Outeiro dos Picoutos; villa? no Paço da Fonte Boa; Minas Auríferas Romanas da Lagoa Negra 500 m para Leste em Barqueiros; calçada) em direcção à Barca do Lago, onde atravessava o rio Cávado. Continuava por Esposende (segue próximo da villa da Linhariça em Palmeira de Faro e da villa na Igreja Paroquial de Marinhas, pela base do interessante Castro romanizado de S. Lourenço; ), Qta. do Belinho (pela velha estrada real em Trelopaço, na base da Subidade de Belinho), S. Paio de Antas (provável mutatio no Alto da Ponte), para ir atravessar o Rio Neiva na já desaparecida Ponte Velha, junto do Castro romanizado de Moldes/Monte da Guilheta/Monte do Castelo, seguindo por Castelo do Neiva (a Leste, por Pontelha, sopé da Sra. do Castro e Estrada Velha; ara dedicada provavelmente aos lares viales na Igreja Paroquial), Vila Nova de Anha (Paço), Darque (contorna a Castro do Alto do Galeão/Faro de Anha, atalaia de controle da foz do Lima, e desce em linha recta pela Escola C+S, «Fiação Rosa» e «Alminhas» até ao Cais de S. Lourenço, onde se fazia a travessia do rio Lima, junto da Capela de S. Lourenço, provável mutatio), Viana do Castelo (Citânia de Sta. Luzia; ver miliários que a Estradas de Portugal colocou junto da EN203 em Darque), Carreço (Cetárias na Praia de Fornelos; segue por Paço), Afife (próximo da villa das Baganheiras, junto do CF, entre as casas de São Roque e do Campo, na base do Castro de St. António, Castro do Cútero e a Cividade de Âncora/Afife, no Monte Facho e da Suvidade), Sta. Maria de Âncora (salinas junto ao Forte do Cão no Pinhal da Gelfa) Ponte de Abadim em Aspra sobre o rio Âncora, (na forma actual é uma construção Filipina, mas existem vestígios de uma ponte anterior possívelmente romana no mesmo local), Vile (calçada em Lousa e S. Pedro de Varais), seguindo por Moledo e Cristelo até Caminha.

  • Via Veteris (Porto - Labruge/Modivas)
    Também é possível que tenha origem romana a chamada Via Veteris ou seja "Estrada Velha", via medieval com um traçado paralelo à Karraria Antiqua até ao Padrão da Légua, onde voltava a derivar desta para poente em direcção ao povoado de Custóias. A via partiria da zona da Arrábida junto ao Douro (talvez próximo da Capela de Sta. Catarina) e seguia por Lordelo (habitat junto à Igreja Paroquial e nas ruas do Aleixo e Calçada do Ouro) e pelo antigo Couto de Cedofeita em direcção ao Cruz de Santiago de Custóias, onde tomava a Rua da Fonte Velha e Rua da Cal, atravessando o rio Leça na Ponte Medieval de D. Goimil em Esposade, continuava para Pedras Rubras (Pedras Veiras pela Rua da Estrada e Rua da Botica), Vila Nova da Telha (pela Rua Prof. António Rocha, Rua da Aldeia, seguindo para Lagielas, onde foi cortada pelo aeroporto pelo que hoje é preciso contornar o topo N do aeroporto reaparecendo o caminho em Pena, na Rua de Santa Ana, seguindo daqui pela Rua da Botica), Lançaparte (Rua da Venda Velha), «Passados o Adro dos Burros e o Outeiro de Aveleda, a estrada bifurca-se»
    • Para Labruge, seguia um ramal pelo lugar da Estrada, Ponte de Labruge sobre o rio Onda, junto das «Almas de Labruje» e das «Almas Grandes» até entroncar na via per loca maritima.
    • Para Modivas, seguindo para Vilar, onde entroncaria na Karraria Antiqua, seguindo por um traçado comum para a travessia do rio Ave junto da Ponte Medieval de D. Zameiro. A continuação deste itinerário está descrita acima como Karraria Antiqua.

  • Via Vimaranes (Porto - Guimarães)
    É muito provável que a importante via medieval entre Porto e Guimarães também tenha origem romana se não mesmo pré-romana, ligando Cale a Guimarães, cidade por onde passava a via romana Braga-Mérida, formando assim um nó rodoviário e local propício para a localização de uma mansio da importante via romana que poderá estar na origem da futura cidade medieval de Vimaranes. No seu percurso até à Ponte Romana sobre o Vizela em S. Martinho do Campo, a via servia os grandes castros romanizados do Monte Córdova e de da Citânia Sanfins, atendendo à referência no ano de 1048 a uma via antiga na base no Monte Córdova, subtus mons cordouo...carera antiqua (in PMH, DC doc. 366, p. 223) e no ano de 1097, na «Charta do Couto do Mosteiro de St. Tirso» referindo a mesma via seguindo entre os rios Leça e Sanguinhedo, «per ipsam carrariam, sicut dividit aquam inter Lezam et Sanguinietum» (in PMH, DC doc. 864, p. 513), embora não seja claro se estas referências falam da caminho para o Monte Córdova ou à ligação que comprovadamente existia à Ponte da Lagoncinha em Santo Tirso, citada na mesma «Charta do Couto do Mosteiro de St. Tirso» (in PMH, DC doc. 864, p. 512), conectando assim à via proveniente de Brachara e que seguia para Cale, o Itinerário XVI de Antonino. Apesar destas dúvidas e dos escassos vestígios, existem fortes indícios da sua romanidade, em particular um silhar almofadado e com marca de fórfex na Ponte de S. Lázaro em Alfena e o imenso material romano utilizado na reconstrução da Ponte de Negrelos em S. Martinho do Campo.

    A via partia de Cale (Rua do Bonjardim, Rua Costa Cabral), continuando por Pedrouços (Rua D. Afonso Henriques/EN105), Águas Santas (EN105; Castro romanizado no Castelo da Maia/Alto da Maia) e Ermesinde (aqui sai da EN105 pela Rua Júlio Dinis, Rua da Fonte e Rua de S. Vicente) em direcção à travessia do rio Leça na à Ponte Romano-Medieval de S. Lázaro em Alfena (provável mutatio; pontão romano? em Reguengo), seguindo depois aproximadamente a EN105 por Portela Alta, Torrão, Água Longa e Lameiras, seguindo depois entre o rio Leça e a ribeira de Sanguinhedo seguindo por S. Tiago de Carreiras (hoje Rua de S. Tiago) em direcção a Monte Córdova pela Rua de Ns. de Valinhas que passa na base do Castro romanizado do Monte Padrão e vicus viário; pouco depois sai à direita pela Rua da Fontinha e toma o caminho de terra à direita que acompanha o rio Leça até Quinchães, onde atravessa um afluente do Leça por um pontão em pedra e segue à esquerda pela Rua dos Lameirões, atravessa a Rua S. Salvador e continua pela Rua da Via Romana, caminho em terra que sobe para Santa Luzia até entroncar na EN319 um pouco abaixo da actual Rua da Via Romana, e continua pela Rua do Cruzeiro, Rua da Fundação/CM1116 até à Escolha Velha de Redundo (a cerca de 1 km no lugar de Casais/Lajedo, já na margem esquerda do Leça, Jorge Pinho achou um provável miliário integrado num muro de divisão de propriedade; deveria corresponder à milha 41 desde Cale; ver Pinho 2010). A partir daqui, a via poderia ascender à Citânia de Sanfins (por hipótese, na Rua Central de Redundo segue à direita pela Rua da Presa da Ribeira, caminho de terra que liga à Devesa do Abade, onde cruza a estrada asfaltada e segue a direito pelo caminho que ascende à citânia, passando junto do Penedo das Ninfas em Bouça de Fervenças/Chãs do Reitor, na cruzamento da Rua Penedo das Ninfas com a Rua da Citânia, inscrição votiva do povo FIDUNEAE possívelmente relacionado com a via), mas é mais provável que a via contornasse o monte da citânia pela vertente ocidental, descendo depois a Roriz (talvez pela zona das Pedreiras, seguindo depois pela Rua de Cartomil, passando assim ao lado da Igreja Românica de Roriz que tem inscrições romanas e depois pela Rua de Sandim, próximo do Castro de Sta. Margarida e daqui à Ponte Romana de Negrelos em S. Martinho de Campo, onde atravessa o rio Vizela, (passando na Rua do Ribeiro dos Asnos, Rua da Trindade, Av. 25 de Abril e Rua Manuel Sousa Oliveira), rumando depois para Guimarães. Uma referência medieval a uma «carraria antiqua» em S. Tomé de Negrelos poderá estar relacionada com esta via (in in PMH, DC doc. 833, p. 497).

Continuação da VIA XVI para Lisboa:
Porto (CALE) (descia da Sé pela Porta de S. Sebastião, Rua Escura, Rua da Bainharia, Rua dos Mercadores até à Boca do rio da Vila no Cais da Ribeira)
Travessia do rio Douro (Durius) (por barca?; o nome a partir da divindade Durius numa ara achada no Porto; segundo Estrabão o rio era navegável até 800 estádios, cerca de 147 km o que deverá corresponder ao Cachão da Valeira)
Cais de Gaia, Vila Nova de Gaia (a poente no gaveto da Rua de Entre Quintas e da Rua de São Marcos, fica o Castelo de Gaia, povoado fortificado que poderá corresponder a Ceno Opido referido no Ravennate (Rav. IV 43); os vestígios estendem-se pelas Qtas. de S. Marcos e St. António. Na escadaria que dá acesso ao castelo a partir do rio, conhecida como Sr. da Boa Passagem, apareceu um inscrição sepulcral do legionário Lavius Tuscus da Legião X Gémina, da tribo Aemilia que está hoje no Solar dos Condes de Resende)
Santa Marinha (do Cais de Gaia talvez subisse pela Rua Cândido dos Reis, Rua Teixeira Lopes)
Mafamude (Rua Marquês Sá da Bandeira, Jardim Soares dos Reis, talvez a milha X XXVI, Rua da Rasa, desvia à esquerda pela Rua António Rodrigues da Rocha, pelo Clube Vilanovense, segue sempre a direito até à Rotunda de St. Ovídio, passa junto à Capela do Sr. do Padrão e segue a direito pela antiga EN1 hoje Rua Soares dos Reis e Rua da Fonte dos Arrependidos, a milha XXXVII seria na fonte, continua até aos semáforos onde seguia à esquerda pela Rua da Palmeira, hoje cortada pela AE1, mas que reaparece do outro lado da AE1, confluindo com a EN1 e segue pela Rua do Alto das Torres)
Rechousa, Canelas (milha XXXVIII; a via seguia paralela ou mesmo coincidente com a Rua da Rechousa)
Canelas de Cima, Canelas (milha XXXIX talvez junto à Sra. do Monte; raro troço de calçada de romana da VIA XVI, paralela à Rua Sra. do Monte e Rua do Monte, destruída em grande parte por uma urbanização recente, estando o que resta ao abandono)
Carvalhos, Pedroso (milha XL; a construção do nó da AE destruiu a antiga EN1 e também a rota romana, continuando do outro lado pela EN1, hoje Av. Dr. Moreira de Sousa)
Idanha, Pedroso (milha XLI; Castro romanizado do Monte Murado ou da Sra. da Saúde, servindo este talvez como mutatio como indiciam as Tesserae Hospitales encontradas na villa de Decimus Iulius Cilo que estão hoje no Solar dos Condes de Resende em Canelas; a calçada de acesso ao castro foi também danificada por uma urbanização recente; este local poderia ser o Ceno Opido mencionado na Cosmographia do Anónimo de Ravena como um oppidum a Sul de Cale)
Barrancas, Pedroso (a via seria paralela à EN1, mas no Largo das Alminhas segue à esquerda pela Rua da Feiteira)
Feiteira (Milha XLII?; continua pela Rua Dr. Jorge da Fonseca; ; há referências a calçada em Seada e Belavista, mas hoje nada se vê)
Vendas de Grijó, Seixezelo (Milha XLIII?; no cruzamento para Argoncilhe segue pela Rua Prof. Ferreira da Silva até às bombas)
Picoto, Vila da Feira (Milha XLIV?; segue a EN1)
Vergada, Argoncilhe (Milha XLV?; segue pela Rua Central da Vergada até reencontrar a EN1)
Lourosa (Milha XLVI?; desvia da EN1 no cruzamento para Arouca pela Rua Romana e Rua da Estrada Real em Vendas Novas)

Fiães (LANGOBRIGA) (mansio na milha XLVIII; a 13 milhas a Cale e 48 de Bracara; o nome de Fiães deriva da Villa Ulfilanis registado em documentos medievais, tendo origem germânica; a mansio deveria estar junto à via, talvez em Vendas Novas, enquanto que o povoado ficaria a 2 km no Castro do Monte de Sta. Maria ou Monte Redondo, lugar onde se recolheu importante espólio nos anos 70, mas hoje praticamente destruído, ver Corrêa 1925, restando o topónimo de Vilar e uma calçada inédita(?) na Travessa de Vilar; daqui a via romana continua para Sul sempre pela Rua da Estrada Real até ao Ferradal, topónimo viário talvez referente à milha XLVIX?, mas pouco depois a via está interrompida na travessia do ribeiro porque foi destruída por novas acessos de uma urbanização (mais uma atentado perfeitamente evitável !) que é preciso transpor para retomar o caminho 50 m depois)

Souto Redondo, Fiães (continua pela Rua do Areeiro, onde entronca no CM1064, estrada que vem da EN1, segue à esquerda e logo em frente entra na Rua da Estrada Romana seguindo até ao único troço que resta da Estrada Real com a calçada original em seixos rolados)
Airas, S. João de Ver (a Estrada Real segue até à ao Largo de Airas, milha L?, onde subsistem uns 50 m em calçada, continuando depois sempre a direito pela Rua da Estrada Real até desembocar na EN1 junto ao acesso às instalações da empresa Irmãos Cavaco)
Malaposta de S. Jorge, Sanfins (milha LI; segue a EN1)
Sanfins (EN1; passa na Capelinha da Meia Légua, 1100 m a S. João da Madeira, talvez a milha LII)
Escapães (EN1; devido aos novos viadutos, sair para Arrifana e logo a seguir à esquerda até retomar a EN1; logo a seguir à bomba vira à direita pela Rua Frei Luis de Sousa e Rua da Banda de Música)
Arrifana, Vila da Feira (provável mutatio talvez na milha LIII; continua pela Rua Prof. Vicente Reis e Rua Dr. António Gomes Rebelo e Rua da Várzea)
S. João da Madeira (milha LIV; Fonte Romana junto ao Tribunal Judicial; a via deveria passar na antiga fábrica Oliva, na Rua da Fundição, e seguia pelo centro da cidade pela Rua de St. António, passa detrás da capela com o mesmo nome e segue pela Rua Comendador Raínho, Rua de Cucujães para Faria de Cima, talvez a milha LV, Faria de Baixo, pelas Rua Dr. Ângelo da Fonseca e Rua da Via Militar Romana até à travessia do rio Úl na Ponte da Pica)
Ponte Romano?-Medieval da Pica (talvez na milha LVI; segue junto ao rio para Cavadas do Couto, Rua do Cercal e Mangas paralela à EN1)
S. Tiago de Riba-Úl (milha LVII; na outra margem do Úl fica o Castro romanizado de Recarei, Castro Rekaredi na documentação medieval; segue por Carcavelos, a poente do povoado de Lações, por Lações de Baixo e Ponte da Barca, talvez por Lugar do Monte e Rua da Abelheira, Rua da Passos, cruza a EM535 e segue pela Rua Dr. António Luis Gomes e logo depois à direita pela Rua 5 de Janeiro)
Oliveira de Azeméis (milha LVIII junto à estação CF; a zona está muito alterada, mas é provável que seguisse pelo Alto do Serro onde seria a milha LIX, hoje desce Rua do Serro até à estação CF, continua pela Rua Domingos Oliveira Fontes, Rua das Padeiras e Rua dos Moleiros até à igreja)

Úl (provável mutatio na milha LX desde Braga e a 12 milhas de Langobriga segundo a leitura do miliário a Tibério indicando precisamente 12 milhas. Este miliário foi descoberto nas fundações da igreja paroquial durante umas obras ali feitas em conjunto com um importante Terminus Augustalis que deveria marcar a divisão territorial entre Talabriga e Langobriga. O Término está hoje encastrado na parede das traseiras da igreja enquanto que o miliário foi deslocado para Oliveira de Azeméis para o jardim junto à Igreja Matriz. No morro adjacente fica o Castro de Úl o povoado associado a esta estação viária. A cerca de 1 km, na outra margem do rio Úl, apareceu o miliário de Adães que estaria já deslocado; ver Almeida, 1956)

Ponte sobre o rio Ínsua (daqui desce pela vertente nascente do morro do castro, passa o rio por ponte moderna e sobe a Rua do Castro até entroncar na estrada Travanca-Figueiredo que segue à direita)
Damonde, Travanca (milha LXI; povoado no Monte da Pena; segue pela Rua do Cabeço, Rua da Relva, e à direita pela Rua Manuel Soares Costa, cruza a EN224, Rua dos Meeiros)
Figueiredo de Cima (segue pela Rua do Rei)
Figueiredo de Baixo (junto à Qta. do Paço, antiga albergaria da família real e provável mutatio na milha LXII)
Pinheiro da Bemposta
Curval de Baixo (milha LXIII; segue por Coche e Escusa com vestígios das guias da calçada)
Branca (milha LXIV; segundo J. Alarcão, o povoado de Auranca seria 1 km para poente na aldeia de Cristelo; no seu Monarchia Lusytania, Frei Bernardo de Brito transcreve a epígrafe de um miliário achado no «castelo» de S. Gião, indicando 12 milhas, CIL II 442, mas a sua autenticidade é posta em causa, tal como outra inscrição, CIL II 46, e o local do achado é inseguro; ver Almeida, 1956; há referências a uma calçada em Barroca, Lajinhas)
Fradelos, Albergaria-a-Nova (milha LXVI; EN1; cruza a EM556-1 e a EM556-2 e segue pela vertente ocidental da Sra. do Socorro)
Albergaria-a-Velha (milha LXX; sai da EN1 à direita pela Rua Mártires da Liberdade, antiga Rua da Calçada e Rua Comendador Martins Pereira, reencontra a EN1 e começa a descer para o Rio Vouga)
Serém (milha LXXIII; há referências a um miliário; sair da EN1 pela Rua Santa Rosa e continuar pela Estrada do Real; calçada descia a encosta por Gândara, mas hoje está aterrada)
Ponte Romano?-Medieval sobre o rio Vouga (a ponte actual é uma reconstrução setecentista da primitiva ponte quinhentista, mas é possível que a ponte assente sobre uma ponte romana anterior da qual ainda são visíveis os pilares e os arranques dos arcos; em alternativa, a travessia poderia ser por barca entre Serém e Lugar da Cova)

Cabeço do Vouga (TALABRIGA), Marnel, Lamas do Vouga (mansio na milha LXXIV desde Braga a 40 milhas de Coimbra; para aceder à estação, aberta ao público, à saída da ponte antiga virar à esquerda e pouco depois no 1º caminho à direita)
  • Pela contagem das milhas aqui seria a milha 74, mas segundo o itinerário Talabriga estaria a 66 milhas pelo que não há concordância nas distâncias; as 8 milhas em falta colocam dúvidas na localização da mansio e da civitas; Será um erro no itinerário?; sobre a localização da Talabriga, ver Pereira, 1907 e Seabra Lopes, 2000a e 2000b)
  • Daqui partia a importante ligação entre o litoral e o interior através da via romana Talabriga - Viseu.
  • Daqui também partia uma ligação ao mar por Eixo (forno romano), até ao povoado da Torre/Marinha Baixa em Cacia, antigo porto romano e complexo industrial, já que na época a linha costa era bem mais recuada.
  • De Cacia, a linha de costa talvez chegasse a Vagos (junto à Senhora de Vagos e Porto Gonçalo, na antiga foz do Rio Boco), Mira (junto a Cabecinhas, Calvão e Seixo, contornava o Cabeço a W da Fonte da Barroca, pelo Palhal de Portomar, Lagoa de Mira, Casal de S. Tomé, junto ao Outeiro da Forca, Ermida, contornava a Serra da Corujeira após o que entraria mais para o interior até Fervença já no concelho de Cantanhede, possívelmente servida pela estrada que passava em Cadima e que era proveniente da mansio da Vimieira na Via principal Braga-Lisboa.

Continuando para Lisboa:
Ponte Romano-Medieval sobre o rio Marnel (atravessa a EN1 e sobe a)
Pedaçães, Lamas do Vouga (milha LXXV; calçada; segue por Covelas)
Trofa (milha LXXVI; vem de Castrovães e passa ao lado da Igreja)
Segadães (milha LXXVII; segue por Fontinha)
Travassô (milha LXXVIII; calçada com 40 m escavada na rocha entre Hortinhas e Mato Crespo, hoje aterrada)
Travessia do rio Águeda em Cabanões (hoje desce ao rio pela EN601 e passa na moderna ponte de betão, mas 300 m a jusante existe o topónimo Ponte Pedrinha, talvez uma referência à antiga ponte)
Óis da Ribeira (milha LXXIX; da ponte segue à esquerda pela EN601)
Espinhel (milha LXXX; pela EN601, passa na Qta. do Morangal, contorna a Pateira de Fermentelos, que seria a linha de costa ao tempo romano)
Piedade, Espinhel (milha LXXX; atravessa a EN333 e segue para Barrô pelo CM1657, Rua do Lugar)
Paradela, Espinhel (milha LXXXI)
Barrô (milha LXXXII; segue para Carquejo onde vira à direita)
Travessia do rio Cértima (entre Barrô e Cercal)
  • Travessia alternativa do Cértima, um pouco mais a Sul, em Aguada de Baixo, seguindo a EN601-2 pela encosta da Fábrica do Vale do Mouro até à ponte da Landiosa, onde virava à direita para atravessar o Cértima na ponte moderna para Murta onde entronca com a 1ª hipótese.
Murta (milha LXXXIV; deveria subir a Sangalhos pelo Monte da Cabeça Gorda em vez da actual CM1657 até Fontinha)
Fontinha (milha LXXXV; conflui com o CM1657 e a EN235 seguindo por esta por St. Eufémia e Saima)

Sangalhos (milha LXXXVI desde Braga; provável mutatio no lugar do Paço, a 20 milhas de Coimbra)
Sá, Sangalhos (milha LXXXVI; continua pela EN235)
Cabeço, Mogofores (milha LXXXVII; desvia à direita por S. Mateus e depois Lezírias)
Outeiro de Baixo (milha LXXXVIII)
Óis do Bairro (milha LXXXIX; assenta num povoado romano; próximo das Termas da Curia, outrora Aquae Curiva) Horta, Tamengos (milha XC; topónimo Cabeço do Marco)
Arinhos, Ventosa do Bairro (necrópole da Encosta do Covão entretanto destruída pela AE1)
Ventosa do Bairro (milha XCI; travessia do rio da Ponte na EN614)
Antes, Mealhada (milha XCII; segue pela EN614)
Casal Comba (milha XCIII em Pedrulha; segue pela EN615-1 até Casal Comba, onde toma a EN616)

Vimieira (milha XCIV desde Braga; provável mutatio a 12 milhas de Coimbra com base na Villa da Cidade das Areias, situada a ocidente da via e no miliário a Calígula, CIL II 4640, hoje em exposição no átrio da CM da Mealhada e que indica a Milha XII; o miliário poderia estar em Casal Comba, onde há os topónimos Padrão e Largo do Marco, mas apenas se apurou que foi achado próximo da Qta. de S. Miguel, a cerca de 1 milha de Mealhada).
  • Não se sabe o local exacto da mutatio, mas esta poderia ter sido propriedade de um tal de Tabudico Caius Fabius Viator, atendendo ao cognome de Viator, uma referência viária achada numa inscrição votiva que apareceu na Villa da Qta. da Ns. do Amparo, em Murtede; (Alarcão, 2004, p. 49)
  • Existe uma referência medieval no ano de 973 à «karraria de illa Vimeneira» um pouco mais a Sul, ou seja, a carreira da Vimieira que atesta a importância da Vimieira (in PMH, DC doc. 106, p. 67)
  • O Vicus SELIOBRIGA, poderia situar-se a poente em S. Martinho de Pedrulhais (Chãs, Sepins, Cantanhede).

Via romana que cruza com a Via XVI na Vimieira:
Esta via no sentido SW-NE, cruzava com a Via XVI na mutatio da Vimieira, ligando o interior beirão ao litoral.
  • Para NE seguia para Bobadela descrito no Itinerário Mealhada-Bobadela, ou desviar desta em Santa Comba Dão para rumar a Norte em direcção a Viseu, descrito no Itinerário Coimbra-Viseu.
  • Para SW seguia para Tentúgal, seguia por Silvã, Enxofães e Cordinhã, de onde poderia partir uma via vicinale servindo as villae a Sul, com vestígios na Qta. do Mancão, Pardieiros, Várzeas, Portunhos e Ançã), continuava pela Póvoa da Lomba, Outil, Zambujal (Villa) até Tentúgal (Villa); (Mantas, 1996, p. 328-332)
  • Alternativa para Montemor-o-Velho por Ourentã (Villa nas Bouças; ), Cantanhede, Cadima (villa no Pelício), descendo por Arazede e Amieiro até Montemor-o-Velho (na Villa na Sra. do Desterro. EN111 Km), ligando ainda por Lomba ao porto fluvial da Forca. (Alarcão, 2004, p. 40).

Continuando para Lisboa pela VIA XVI:
Lendiosa (milha XCV; continua pela EN616 e atravessa a ribeira da Lendiosa no Vale do Espinheiro)
Mala (milha XCVI; segue a E616 por Grada)
Carqueijo (milha XCVII, onde reencontra a EN1)
Santa Luzia (milha XCVIII na N1; em Barcouço, a Oeste da via, fica o Vicus da Igreja Velha)
Sargento-Mor/Zouparria do Monte, Souselas (milha XCIX; villa em Mouros e na Qta. de Lagares; no sítio de Bacelos sai da EN1 pela Estrada do Lameirão ou CM1138)
Adões, Trouxemil (milha C; continua pelo CM1138)
Trouxemil continua pelo CM1138 ou Rua do Calço)
Cioga do Monte, Fornos (milha CI, pela rua da Fonte Velha e pouco depois vira à direita pela ponte antiga da Qta. de Espertina até entroncar no CM1137 onde atravessa o rio de Fornos)
Adémia de Baixo (milha CII; atravessa a ribeira das Eiras; deveria ser daqui o miliário a Calígula que está no Museu Machado de Castro pois indica 4 milhas a Coimbra)
Pedrulha (milha CIII; seguia depois por Loreto, junto à estação CF Coimbra-B, onde foi detectado um troço da via nas obras de uma passagem subterrânea entretanto cancelada, continuando pela Av. Fernão de Magalhães, Rua Simões de Castro e Rua Direita)

Coimbra (AEMINIUM) (milha CVI desde Braga e a 138 milhas de Lisboa; o Museu Nacional Machado de Castro alberga um miliário a Calígula indicando IIII milhas a Coimbra pelo que será proveniente de Adémia, embora tenha aparecido deslocado na Couraça de Lisboa perto do Arco da Traição em 1774; o museu assenta sobre um magnífico Criptopórtico Romano, o edifício romano melhor conservado em Portugal e que servia de infra-estrutura ao antigo Forum onde confluíam a decumanus maximus e a cardus maximus; os vestígios destas vias urbanas indicam que o seu cruzamento se faria no canto SE do edifício; segundo Vasco Mantas, ver mapa, a via seguia paralela à margem do rio que na era romana era bem mais largo, seguindo pela Rua Direita, cortava à direita pelo Beco do Amorim, Largo do Poço, Rua Eduardo Coelho até à Igreja de S. Tiago na Praça Velha/Praça do Comércio, de onde partia um acesso à malha urbana, continuando junto à Igreja de S. Bartolomeu pela Travessa dos Gatos até ao Largo da Portagem, onde estaria a já desaparecida Porta de Belcouce e onde se fazia a travessia do rio Mondego)

Travessia do rio Mondego (MONDA) (para Pereira, na Ponte Romana que foi reconstruída em 1132 e posteriormente destruída; deveria existir um ramal ao longo da margem esquerda do rio, ligando ao povoado da Qta. do Outeiro em Taveiro (Talabarium ?) e ao vicus do Cerrado das Almas-Hortas em Ameal; a via seguia próximo dos sítios romanos do Vale da Serra e da Cova da Moura)
Cruz dos Morouços (sobe pela Qta. das Lages; Villa de S. Silvestre a Nascente)
Antanhol (seguiria a Leste do acampamento militar romano, também chamado de «Cidade Velha/Mata Velha», passando em Palheira, onde atravessa a ribeira de Frades/Antanhol e segue a Venda do Cego; Villa de Escoural a Poente; existe uma referência medieval à «via publica» nesta zona, in PMH, DC doc. 676, p. 404)
Cernache (passa por Casconha, junto da Villa da Mina)
Condeixa-a-Nova (passa a Leste das Villae de Eira Pedrinha e Orelhudo, pelo lugar de Calçada e a Qta. de Silvães junto à EN1)

Condeixa-a-Velha (CONIMBRIGA) (milha CXVI desde Braga; civitas e mansio a 10 milhas de Coimbra; neste território apareceram 6 miliários, o de Tamazinhos a Décio, o de Soure a Caracala e os restantes quatro foram achados dentro da cidade ou nas suas proximidades e estão no Museu Monográfico, dois a Constâncio Cloro, um a Tácito e outro a Galério Maximiano; a poucos km's fica o Castellum Romano de Alcabideque que fornecia água à cidade através de um aqueduto; a via deveria sair da cidade pelo pórtico junto às «Lojas a Sul da Via», descendo a Ladeira de Condeixa-a-Velha até ao rio)
Ponte Romana? da Sancha sobre o rio de Mouros (só vestígios; daqui subia ao lugar do Poço e seguia pela Mata da Bufarda)
Fonte Coberta, Zambujal (cruza com a EN347-1)
Zambujal
Rabaçal, Penela (Villa Romana de Rabaçal aberta ao público; Ver o museu na povoação; referência à «uia antiqua da serra» no Foral de Penela em 1139 (in PMH, CCO, p. 374); a via segue a nascente da villa)


Via XVI do Rabaçal a Tomar
Tamazinhos, Penela (aqui apareceu o miliário a Décio da milha VIII contadas a partir de Conimbriga que hoje está no Museu do Rabaçal; possível ponte romana; este miliário estaria in situ pelo que a via deveria seguir por Cruz do Morto, Fartosa e Casas Novas, entre os cabeços de Trás de Figueiró e Ateanha, seguindo depois o caminho rural que serve de linha fronteira entre os distritos de Leiria e Coimbra)
Lagarteira, Ansião (a Leste; vestígios em Celeiros, Espadas, Louceiras e Verdes)
Freixial, Cumeeira (provável mutatio; a via deveria passar em Castelos e Freixial, devendo a partir daqui seguir a EN110; habitat em Figueiras Podres)
Avelar (troço de calçada entre os lugares da Tojeira e Pontão)
Chão de Couce (habitat em Barroca; segue pela Portela de S. Caetano?; segue a EN110?)
Alvaiázere (não se sabe se a via ia pela actual EN110 por Barqueiros e Cabeços ou se ia a Alvaiázere passando na necrópole da Igreja Velha de Seixal e na importante Villa da Rominha, continuando pela Rua da Calçada Romana em Sobreiral, Feteiras, calçada da Cortiça e calçada do Ramalhal)
Relvas, Rego da Murta (calçada na encosta do Outeiro das Relvas; entronca na EN110)
Pereiro, Areias (calçada; segue a EN110)
Venda dos Tremoços, Areias (milha CXXXIX)
Calçadas, Portela de Vila Verde (milha CXLI)
Ponte Romano?-Medieval sobre a ribeira de Ceras (segue por Calçadinha)
Ceras, Alviobeira (milha CXLIII; Castrum Caesaris no Monte do Alqueidão à cota de 186 m)
Alviobeira (milha CXLIV)
Casais, Tomar (segue a EN110 pelo Alto do Pintado, milha CXLV, vestígios de calçada, Feiteira, Venda Nova, milha CXLVII, Calçadas, milha CXLVIII, Calçada com 100m em Tripeiro entretanto destruída, entrando na cidade por Alvito e Gorduchas, milha CXLIX)

Tomar (SELLEUM) (milha CL desde Braga e a 94 milhas a Lisboa)
(2 miliários encontrados em S. João do Couto estão agora no Museu do Carmo em Lisboa; um a Tácito, CIL 6197/CIL II 4959 sem indicação da distância (seria apenas honorífico?) e outro a Maximiano, CIL 6198/CIL II 4960, que segundo Hübner seria o da milha I mas que hoje já não é legível pelo que este marco poderia pertencer não a esta Via XVI, mas à Via Tomar-Évora, estando hoje na Assoc. dos Arqueólogos Portugueses; 2 miliários encontrados na Igreja de Sta. Maria dos Olivais; notícia de um miliário enterrado na Rua do Everard; Forum nas traseiras dos Bombeiros; Ver Silva 1988 e Ponte, 1995)

Travessia do rio Nabão (deveria ter existido uma ponte romana no local da actual Ponte Velha?; seguia pela Rua Serpa Pinto, antiga Corredoura e pela Levada onde apareceram 2 miliários)
Madalena (villa Casais da Capela)
Travessia da ribeira da Beselga talvez em Marmeleiro (topónimo «Alto do Marco» na outra margem)
Delongo, Paialvo (região fortemente romanizada entre a ribeira da Beselga e a ribeira de Mouchões por onde passaria a via; villae em Delongo, St. Catarina, Casal das Abadessas, Curvaceiras, S. Cristovão, Carrazede, Casal Martinho e Bexiga,
  • Na sua obra "Agiológio Lusitano", Jorge Cardoso refere dois miliários entretanto desaparecidos; o miliário de St. Estevão ou dos Santos Mártires, proveniente da «Qta. das Coelhas» que foi deslocado para Villa do Casal das Abadessas, sobranceira à ribeira da Beselga, e o miliário de Sta. Catarina a « hum tiro de espingarda do lugar de Delongo», estando «hum distante do outro hum quarto de legoa», ou seja, cerca de uma milha (ver Cardoso, 1652, p. 458 e 1666, p. 761).
  • Delongo é tradicionalmente associada à cidade de Concordia mencionada por Ptolomeu entre Santarém e Tomar.
  • Calçada de Casal Salgueiro em Paialvo, na Rua da Via Romana junto da linha férrea; ver notícia da sua descoberta.

Variantes para Santarém
A partir de Lamarosa, a antiga Estrada Real seguia para a Golegã, ao longo da margem direita do rio Tejo, solução sempre evitada na viação romana devido à constante travessia dos afluentes. Assim é mais provável que a Via XVI seguisse por Torres Novas, passando na Villa Cardillio. O percurso pelo rio poderia ser mesmo impossível na época romana.
A estrada seguia por Atalaia, Ponte da Pedra (antiga Ponte da Cardiga em Vila Nova da Barquinha), Entroncamento e Golegã
Via XVI por Torres Novas (ver Carta Arqueológica)
A travessia da ribeira de Mouchões poderia ser na Ponte Romana? da Pedra, junto da villa de Vila Nova, seguindo por Lamarosa, Árgea, Gateiras, Ponte Romana? da Qta. da Torre de St. António, Casal do Bom Amor (troço de calçada pelo Casal da Quebrada), travessia do Rio Almonda na confluência com a ribeira do Alvorão, passava a Leste de Torres Novas junto da Villa de St. António da Caveira e da magnífica Villa Romana Cardillio (espólio recolhido no Museu Municipal), seguindo depois talvez por Alcorochel (Ponte Romana?), Casével e S. Vicente do Paúl, Alcanhões (Villa com termas na Qta. das Martanas), Cruz da Entrada e finalmente Santarém.

Santarém (SCALLABIS) (mansio na milha CLXXXII desde Braga e a 62 milhas de Lisboa, capital do Conventus Scalabitanus; miliário dedicado a Probo que apareceu na Alcáçova de Santarém, hoje ocupada pelo Jardim das Portas do Sol; Toda a zona foi recentemente escavada e foi criado o Centro de Interpretação «Urbi Scallabis» para exposição dos achados e as estruturas arqueológicas como o podium e cella do templo romano foram musealizadas)
Ónias (acompanha a linha férrea)
Vale de Santarém (calçada na Qta. do Malpique a S da povoação)
Vila Chã de Ourique, Cartaxo
Cartaxo (aqui a via inflecte para poente para contornar o Paul da Ota)
Pontével (há calçada "acima da Fonte da Concha, à Horta d'Ourives, junto ao Pinhal da Rola" e duas pontes antigas com possível origem romana, a Ponte Velha sobre a ribeira de Pontével e a Ponte da Ribeira da Fonte, esta entretanto já destruída)
Aveiras de Cima, Azambuja
Travessia do rio Ota na Ponte de S. Bartolomeu ou junto da Qta. de Vale de Mouros (segue pela extrema da base aérea; Castro da Ota)

Alenquer (IERABRIGA) (milha CCXIV, mansio a a 30 milhas a Lisboa no lugar de Paredes, talvez uma referência ao paredão de origem romana que se encontra na Rua das Fontes e que aparece como Villa Vedra nas memórias paroquiais de 1758; os vestígios da antiga cidade estendem-se pelo perímetro compreendido entre Paredes, Qta. de Sta. Teresa, Qta. das Sete Pedras, Qta. do Bravo e as villae na Qta. da Barradinha e Casal da Telhada; na Qta. do Bravo, junto à necrópole, apareceu um marco comemorativo dedicado a Adriano, CIL II 4633, assinalando reparações na via («refecit») que está hoje no Museu do Carmo em Lisboa pelo que é provável que a mansio estivesse nesse local, junto da travessia do rio Alenquer; a via seguia para SE pelo caminho da Pacheca, passando na necrópole do Casal de St. António e Qta. de Sta. Teresa, onde apareceu um fragmento de coluna epigrafado que poderia ter origem num miliário)
  • Ligação ao Tejo: deveria existir uma ligação de Ierabriga ao rio Tejo, passando em Casal do Reguengo (circo romano soterrado no subsolo?) e seguindo pela margem direita do rio Alenquer até Vila Nova da Rainha (villa no apeadeiro), onde se localizaria o porto fluvial de Ierabriga, atendendo à existência de um porto nesse local ainda no séc. XVIII, aos vestígios romanos na Qta. do Queimado e ao aparecimento de ânforas e sigilatas provenientes de dragados. (Costa, 2010)
Carregado (passa em Charnequinha, Guizanderia e Qta. de St. António)
Travessia do rio Grande da Pipa na Ponte da Couraça (segue a EN1 pela Qta. de S. José do Marco)
Castanheira do Ribatejo (vestígios no Bairro da Gulbenkian e no Monte dos Castelinhos; habita em Mouchão)
Povos, Vila Franca de Xira (villae no sítio da Escola Velha, na Qta. do Borrecho e em Casal da Boiça e no sítio da Igreja Velha em Cachoeiras; porto fluvial romano; ver Pimenta, 2007)
Vila Franca de Xira (vestígios na Travessa do Mercado e Vale da Ribeira de Santa Sofia)
São João dos Montes (vestígios em S. Romão)
Alverca (miliário a Constâncio Cloro da milha XXIII, descoberto em 1924 na Travessa do Açougue Velho e posteriormente deslocado para o Convento de S. Félix de Chelas, CIL II 4632; as 23 milhas indicadas (34 km) não corresponde à distância a Lisboa que é de 25 km pelo que é possível que o local de origem deste miliário fosse mais a Norte no vicus de Povos em Vila Franca de Xira que fica exactamente a 34 km de Lisboa)

  • Variante para Lisboa por Vialonga e Loures:
    Vários vestígios indiciam a existência de uma variante dirigindo-se para Frielas aliás confirmado pela existência de um miliário nesta povoação onde confluía também a via proveniente de Conimbriga com passagem em Eburobrittium.
    Vialonga (Rua Egas Moniz; EN501atravessando o rio Trancão)
    S. Julião do Tojal (passa a EN115-5; calçada)
    St. Antão do Tojal (passa a EN115 e segue por S. Roque até à travessia do rio Loures)
    Loures (em 1990, durante a construção do novo Palácio da Justiça foi identificada a Villa de Almoínhas e recolhidos 2 miliários, hoje em exposição no Museu Municipal na Qta. do Conventinho ali perto; villa na Qta. do Belo)
    Ponte de Frielas sobre a ribeira da Póvoa
    Frielas (Villa junto da capela de Sta. Catarina; miliário na Qta. de St. António do qual só resta um desenho, após a sua reutilização em 1907 nos alicerces de uma obra da quinta; segundo V. Mantas, estaria junto da ponte de Frielas)
    Lisboa (OLISIPO) (passa na Calçada de Carriche, Campos de Alvalade, Rua de Sta. Marta, Rua de S. José e Rua das Portas de St. Antão até à Praça da Figueira, onde no subsolo foi descoberta uma necrópole)

  • Variante para Lisboa por Sacavém, seguindo a margem direita do rio Tejo
    Póvoa de Santa Iria (vestígios na Qta. de St. António de Bolonha)
    S. João da Talha (segue pela Bobadela)
    Ponte Romana de Sacavém sobre o rio Trancão (desenhada por Francisco de Holanda com 15 arcos; hoje só restam vestígios dos alicerces)
    Sacavém (pelas Rua José Luís de Morais e Rua António Ricardo Rodrigues)
    Moscavide
    Marvila (Rua e Estrada de Marvila) Beato (Calçada do Grilo, Rua de Xabregas e Rua da Madre de Deus; lápide honorífica a Trajano no antigo convento de Xabregas)
    Sta. Engrácia (Calçada da Cruz de Pedra, Rua da Sta. Apolónia)
    Alfama (Rua do Mirante, Rua do Paraíso, Rua dos Remédios, Largo do Chafariz, Rua de S. Pedro e Rua S. João da Praça)
    Lisboa (OLISIPO) (pela Rua das Cruzes da Sé e seguia até ao Largo da Sé)
    • Alternativa por Chelas: é muito provável que existisse um diverticulum por Chelas, se não mesmo a via principal, atendendo ao miliário a Magnêncio, o CIL II 4631 encontrado junto do Convento de S. Félix de Chelas (vestígios de villa ou templo romano) e referido por Marinho de Azevedo in «Antiguidades e Grandezas da Mui Insigne Cidade de Lisboa» (1652) que entretanto foi perdido; O seu percurso é impossível de determinar devido à intensa urbanização, mas deveria passar ao lado do convento e da necrópole de Poço de Cortes, hoje Av. do Santo Condestável e Estrada de Chelas, até entroncar na Calçada da Cruz de Pedra, onde confluía com a que seguia junto ao rio.

Lisboa (OLISIPO) (caput viarum na milha CCXLIV desde Braga; a via romana entrava na cidade pela Rua das Cruzes da Sé como atestam o miliário a Probo que apareceu na Casa dos Bicos, a necrópole do Campo de Santa Clara, a muralha romana na Cerca da Moura, de depois subia da zona ribeirinha até ao Largo da Sé, o antigo Forum, existindo vestígios da calçada debaixo do Claustro da Sé; o miliários e outros achados estão em exposição no Museu da Cidade; Na Baixa fica o Núcleo Arqueológico da Rua dos Correeiros, zona portuária com tanques de salga, sobranceiro ao braço do Tejo que entrava pela Praça do Comércio até à Praça da Figueira; a travessia deste braço poderia ter tido uma Ponte Romana junto à Rua do Arco da Bandeira, actual Rua dos Sapateiros e o cais de embarque na Rua das Canastras; o Museu do Carmo em Lisboa guarda 3 miliários, dois provenientes de S. João do Couto, Tomar, pertencentes a esta via, CIL II 4960 e 4959, e também o miliário da Qta. do Cadouço, Famalicão da Serra que pertencia ao Itinerário Braga-Mérida; o quarto "miliário" em exposição é o marco comemorativo da Qta. do Bravo, Alenquer; os restantes miliários trazidos para Lisboa pertencem ao acervo do MNA; Hoje, pouco resta da antiga Olisipo, mas ainda há importantes vestígios nas das Termas Romanas dos Cássios na Rua das Pedras Negras e do Teatro Romano de Nero entre a Rua de S. Mamede e a Rua da Saudade e no Rossio seria o circo/hipódromo)

Itinerário XIX (19)

Mapa

































































































Braga (BRACARA) - Tui (TUDAE) - Lugo (LUCUS) - Astorga (ARTURICA)   CCXCVIIII milhas - 443 Km
Item a BRACARA ASTURICAM m.p. CCXCVIIII
LIMIA
TUDAE
BURBIDA
TUROQUA
AQUIS CELENIS
TRIA
ASSEGONIA
BREVIS
MARCIE
LUCO AUGUSTI
TIMALINO
PONTE NEVIAE
UTTARIS
BERGIDO
INTERAMNIO FLUVIO
ASTURICA
m. p. XVIIII
m. p. XXIIII
m. p. XVI
m. p. XVI
m. p. XXIIII
m. p. XII
m. p. XIII
m. p. XXII
m. p. XX
m. p. XIII
m. p. XXII
m. p. XII
m. p. XX
m. p. XVI
m. p. XX
m. p. XXX
O Itinerário XIX corresponde no território nacional à VIA IV, cujo traçado está relativamente bem estudado dado o elevado número de miliários existentes. Este itinerário corresponde em grande parte ao Caminho de Santiago pelo que existe sinalização do percurso (setas amarelas), embora nem sempre este caminho siga a rota romana. A via seguia por Ponte de Lima onde ficava a Mansio Limia e daqui rumava à Mansio Tudae a actual cidade de Tui onde vencia o rio Minho. Entrando na Galiza, a via tocava em pontos comuns com a Itinerário XX que vinha por barco pelo litoral marítimo, per loca maritima, tal como o porto de Aquis Celenis e rumava a Lugo, onde passam a ter um traçado comum, ao qual se vem juntar a Via Nova em Bergido, seguindo depois até Astorga. A via foi estudada no âmbito do projecto Vias Atlânticas visando a protecção e exploração turística da via do qual resultou este site. O Museu Pio XII tem em exposição o miliário de Oleiros e guarda na arrecadação o fragmento de miliário de Arcozelo, o miliário de Romarigães, o miliário a Adriano de S. Paio de Merelim e o fragmento de miliário a Nerva encontrado num muro da casa Patronato da Sé, junto à Rua da Cónega, possivelmente relacionado com esta via. O Museu Martins Sarmento em Guimarães tem em exposição o miliário da Qta. S. Germil em Panóias e o miliário a Tibério da Ponte do Prado. Numa das entradas do claustro da Sé de Braga está depositado o miliário a Nerva da Qta. do Outeiro convertido em pedra de lagar. O Museu D. Diogo de Sousa guarda os outros miliários conhecidos e doravante é designado por MDS.

Para mais informação consultar bibliografia: Colmenero, 1987; Colmenero et alii, 2004 e Regalo, 1987.



Braga (BRACARA) (no palacete de D. Jerónimo Pimentel, na esquina do Campo das Carvalheiras e rua da Sé, apareceu um miliário a Augusto indicando 43 milhas a Tudae, actual Tui, marcando certamente a milha zero da VIA XIX no caput viae; hoje está no MDS com o n.º 1992.0684; a via deveria seguir próximo da Necrópole do Campo da Vinha no alinhamento da cardus maximus, mas hoje é preciso seguir pela Rua Frei Caetano Brandão, de onde são provenientes 2 miliários, virando depois à esquerda pela Rua da Boavista, conflui com a Rua Costa Gomes ou EN201 e segue pela Calçada de Real até Capela onde conflui novamente com a EN201)

Real (milha I; na zona apareceram 2 miliários; um deles foi descoberto na Qta. do Tourido em 1979, mas hoje está desaparecido, e muito próximo, no Monte dos Cones, apareceu um miliário a Maximino e Máximo da milha I, CIL II 4756, talvez já deslocado para servir de marco divisório pois aí está documentado a Villa de Columnas , hoje no Museu D. Diogo de Sousa com o n.º 1992.0677)

Frossos (na Qta. do Outeiro apareceu um miliário a Nerva talvez da milha II, transformado em pedra de lagar e que hoje está numa das entradas do claustro da Sé de Braga; segue a EN201)
Panóias (na Qta. de Germil apareceu um miliário a Tibério da milha II, hoje no Museu Martins Sarmento com o n.º 82; dentro da povoação, no Largo do Souto, está um outro miliário servindo de base a um cruzeiro; foi certamente deslocado da Ponte do Prado indica a milha IV; tem duas inscrições, uma inscrição primitiva a Tibério e uma inscrição posterior a Valentiano e Valente)

S. Paio de Merelim (miliário a Adriano, talvez da milha III que apareceu num muro junto ao lavadouro da EN201 e que hoje está no Museu Pio XII em Braga; o marco divisório de Felgueiras poderá ser um miliário transformado; segue a EN201 pelo lugar da Calçada;)

Ponte Romano?-Filipina do Prado sobre o rio Cávado (Celadus) (Argote menciona um miliário a Augusto da milha IV, CIL II 4868, entretanto deslocado para Braga onde desapareceu; vários outros fragmentos de miliários estão embutidos nos muros junto à ponte; ver Regalo:1987)

Da Ponte do Prado à travessia do Rio Neiva:
Até muito recentemente, o itinerário entre os rios Cávado e Neiva fazia passar a via romana por Lage, S. Miguel de Carreiras, Portela das Cabras, descendo depois à Ponte Velha de Goães, onde fazia a travessia do Neiva, correspondendo ao Caminho de Santiago. Sendo sem dúvida um caminho muito antigo (Sande Lemos relaciona-o com o período Suévico), apresenta no entanto algumas dificuldades no terreno como a subida à Portela das Cabras e a consequente descida abrupta até à Ponte de Goães no Neiva que na sua forma actual é uma construção medieval. Por outro lado, os miliários conhecidos foram todos descobertos a poente desta rota pelo que é muito mais provável que a via romana passasse a poente do Caminho de Santiago que além de ter a vantagem de integrar esses miliários, oferece uma rota menos acidentada e assim mais de acordo com os princípios construtivos romanos. Entretanto, a descoberta de novos miliários em Atiães, no âmbito do projecto Vias Atlânticas, veio reforçar esta segunda hipótese pelo que esta passa a ser o itinerário romano e a antiga proposta apenas como uma variante tardo-romana.

  • Variante pela Ponte de Goães (variante tardo-romana):
    Vila de Prado/Sta. Maria do Prado (da ponte segue por Faial, calçada da Qta. do Jorge, Estrada, Murta, Santiago (documento medieval refere uma carrariam antiquam junto da Capela de Francelos), Corga, Montinho e Sarrela)
    Lage, Oleiros (calçada; passa junto à Igreja de S. Julião, entra na Roupeira no CM1184 e segue por Livão)
    Moure (calçada; próximo fica o Castro romanizado do Barbudo ou Monte Castelo; continua pelo CM1184 por Caraceira, Laranjal, Landeira e Portelinha)
    S. Miguel de Carreiras (passa no CM1183 por St. André e Cachada)
    Portela das Cabras (calçada no lugar da Rua; em Portela do Meio passa a EN308 e segue por Hospital e Fonte Fria, descendo abruptamente para Goães)
    Ponte Romano?-Medieval da Pedrinha ou Ponte Velha, Goães, sobre o rio Neiva (NAEBIS)
    Rio Mau (da ponte sobe até Angulo Quarenta onde vira à esquerda até Lagoeira onde entra no concelho de Ponte de Lima e reencontra a via romana descrita abaixo)

VIA XIX - da Ponte do Prado a Ponte de Lima
Sta. Maria do Prado/Vila de Prado (miliário a Tibério indicando a milha V, CIL II 4869, hoje no Museu Martins Sarmento com o n.º 77; da Ponte do Prado segue pela Rua Antunes Lima até à EN205 e depois à esquerda pela Rua Direita no lugar da Vila, atravessa a EN205 e segue pelas traseiras da Igreja Velha de Prado, no caminho que liga a Outeiro durante 1800 m)
Oleiros (o caminho segue junto até à Capela de S. Sebastião, próxima da qual apareceu um miliário a Valentiano I, indicando a milha VI, encontrado na "Bouça do Benefício Paroquial da Antiga Igreja Matriz" já transformado em cruzeiro que hoje está no Museu Pio XII)
Atiães (da Capela de S. Sebastião segue pelos lugares da Cumieira e Alminhas, onde existiam vestígios da via recentemente confirmada pela descoberta de um fragmento de miliário na Bouça do Crasto, dirigindo-se depois à Mata de S. Jerónimo; para Leste, no exterior da capela de Sta. Marta de Atiães, existem 2 cipos que poderão ter origem em miliários, mas são duvidosos)
Freiriz (próximo das minas romanas na encosta Leste do Monte do Cardal já em Moure; segue por mais 1900 m até à EN201 onde segue à esquerda por 2 km; o miliário já desaparecido a Tito e Domiciano, CIL 4799, poderia ser daqui já que indicava 10 milhas a Braga)
Marrancos (fragmento de miliário junto à JF; Mina Romana da Cova dos Mouros; daqui também poderia seguir para a Ponte Goães, mas esta rota vai por Arcozelo atendendo ao miliário aí encontrado)
Arcozelo (fragmento de miliário a Tibério hoje no Museu Pio XII e que apareceu na Igreja Velha de Fontes, próximo do topónimo «Hospital» que indicia a existência de uma estalagem viária medieval)
Travessia do Rio Neiva (NAEBIS) (junto ao Moinho do Cubo?; na outra margem segue por Vilartão e Cadem, próximo do Castro de Cadem; falso miliário em Calvêlo)
Anais (no lugar da Boa Vista, apareceu um miliário ilegível suportando o alpendre de uma casa; continua por Gandra, Talho, Souto, Varziela, Malhos, Cruzeiro, à esquerda por Albergaria, Casas Novas até à Pedra da Cruz onde vire à direita)
Queijada (passa em Empegada e Qta. do Baganheiro, onde conflui com a EN201 e segue por Oliveira até ao rio Trovela junto à necrópole da Qta. do Outeiro)
Travessia do rio Trovela na Ponte Nova (a antiga ponte seria alguns metros a jusante; em Souto de Rebordões existem dois miliários deslocados, o miliário anepígrafo da Qta. das Fontes junto ao caminho para a igreja paroquial e um possível miliário invertido no caminho de acesso à Qta. da Torre)
Fornelos (milha XVII; miliário a Maximino e Máximo talvez da milha XVII foi encontrado no antigo passal a servir de peso de lagar e hoje está no pátio da Biblioteca Municipal de Vila Nova de Cerveira!)
Travessia da ribeira de Sandilhão (segue por Laje em direcção a St. Amaro, passando a nascente de Posa, topónimo sugestivo de uma mutatio, onde se achou um miliário a Dalmácio; da ponte segue paralela à EN201 pelo lado N, por Carrão, ribeira de Folinho, Qta. do Sol, cruza a EN537 e segue para Chão da Mena, cruza a EN201 e contorna a Qta. de Sandilhão)
Campo de St. Amaro, Fornelos (milha XVIII; perto da Capela de St. Amaro apareceu o miliário a Maximino e Máximo da milha XVIII que hoje está no jardim do Solar de Bertiandos convertido em pelourinho; uma regravação posterior revela reparações da via na frase «vias et pontes temporis vetustate conlapsos restituerunt»; segue junto da Qta. das Pias)
Gaia, Arca (milha XIX; possível localização da mansio Limia na base do Castro da Madalena; a via descia a Ponte de Lima por Bustelo, Cruzeiro, Graciosa, Qta. da Lapa, Qta. de Sanguinhal, Qta. do Olho Marinho e Largo dos Quartéis, entrando na vila pela antiga Porta de Braga, desmantelada em 1800; ver Almeida, 2001; hoje um percurso aproximado seria pela Rua do Meirim, Rua Gen. Norton de Matos, Rua da Lapa e Largo dos Quarteis)

Ponte de Lima (ponte da mansio LIMIA na milha 21; a via entrava pela já demolida Porta de Braga e seguia pela Rua do Souto, depois por detrás da Igreja Matriz, pela Rua Direita e Rua Fonte da Vila; poderia ser daqui o miliário a Maximino e Máximo da milha XXI, duas mais que a mansio, encontrado deslocado para SE na Qta. da Agra, Correlhã, n.º 7 da série Capela, que está hoje no acervo do MNA partido em dois)
Ponte Romana sobre o rio Lima (LAETHES) (reconstrução medieval; só os primeiros 5 arcos da margem direita são romanos)

Qta. do Antepaço, Alémponte (o miliário que está no pátio da quinta é o único que resta de um grupo de 4 miliários com os n.º 1,2,3 e 4 da série Capela que foram deslocados para a Qta. de Faldejães; segue à direita pelo Caminho das Tojeiras, EM523, passa a nascente das Qtas. de Sabadão e Pomarchão, atravessa a EN e segue até)
Cancelinhas, Arcozelo (na bifurcação segue à direita, no lugar da Igreja segue à esquerda e passa na Igreja de Santa Marinha, onde apareceu um miliário)
  • Na Qta. de Faldejães estão vários miliários do troço entre Ponte de Lima e Ponte do Arco da Geia; além dos 3 miliários provenientes da Qta. do Antepaço, miliário a Adriano, o miliário a Caracala, o miliário a Constâncio Cloro?, todos da milha XX, existem mais 2 miliários, um dos quais é proveniente da Capela de S. Sebastião)
Arcozelo (a calçada descreve um arco pela Rua Lima Bezerra e Largo Freiria até à)
Ponte Romano-Medieval do Arco da Geia, Boa Vista, sobre o rio Labruja (1 arco, alguns silhares almofadados; depois da ponte segue a margem esquerda do rio por um caminho agrícola, passando em Coutada, Riba Rio, Borrelho, Cerdeira, Carvalho Mouco e Moinho do Folão)
Paredes, Cepões (possível miliário no adro da capela de S. Pedro de Cepões; daqui tem que subir à EN306 e logo depois à esquerda para a)
Ponte Romano?-Medieval do Arco, nova travessia do rio Labruja (segue a EN até Revolta, onde vira à esquerda por Portelinha, Valinhos e Igreja; Castro Romano em Bárrio)
Labruja (segue pelos lugares de Freita, um apareceu um fragmento miliário talvez a Magnêncio, continua por Vinhó de Baixo, Casa Branca, Eiras, Fonte da Três Bicas e Espinheiro, onde apareceu um miliário a Constantino I suportando o alpendre de uma casa rural que deveria indicar a milha 26 embora já só se leia «XVI» e que tal como anterior está hoje na antiga JAE em Viana do Castelo; outro possível miliário apareceu junto da capela de S. Sebastião; a partir daqui o caminho divide-se em medieval e romano; o medieval segue pela Portela Grande enquanto que a via romana segue pela Portela Pequena; possível miliário convertido em pia baptismal na Capela de S. João Baptista ou da Grova; continua por Portela de Câmboa onde estaria o miliário n.º 11 da série Capela que foi partido em 4 e desapareceu)
Romarigães (vem pela Portela Pequena e desce por Veiga do Monte, Capela do Pico, Portela, Venda, Cascalhal e Capela de S. Roque, nas traseiras da Casa Grande de Romarigães onde há 2 miliários anepígrafos relacionados com a milha XXVIII; algures numa casa rural de Romarigães apareceu um miliário a Valentiano I já convertido em pia de porcos que está hoje no Museu Pio XII, que seria a milha XXVIII embora já só se leia XX[...])
  • A Portela de Romarigães corresponde à milha XXVIII desde Braga, sendo provável a existência de uma mansio nesta milha, junto do importante Castro romanizado do Couto de Ouro; A partir daqui são possíveis duas alternativas para o percurso da VIA XIX que se voltam a encontrar em Fontoura, um mais a poente, atendendo aos miliários em Barreiros, Fonte de Olho e Sapardos, e outro mais a nascente atendendo aos miliários em Pereiros, Monte da Costa e uma ponte com possível origem romana sobre o rio Coura.
Variante por Rubiães:
Portela de Romarigães (rumava a N pela vertente Leste do castro até Azenha do Ribeiro)
Ponte Romano?-Medieval da Codeceira sobre a ribeira da Codeceira
Agualonga (habitat em Mourela; segue por Monte da Gândara e Covelo)
Pereiros, Rubiães (seria daqui o miliário a Magnêncio da milha XXXI 31 que está em de S. Bartolomeu das Antas?)
Rubiães (povoado em Tarrio de Cima; da Capela de S. Roque toma o caminho paralelo à EN201 que segue pela vertente poente do Monte da Costa passando nas traseiras da Igreja Românica de S. Pedro, onde no adro está um miliário a Caracala convertido em sepultura talvez da milha XXX e segue até ao lugar da Escola onde desvia à esquerda para descer ao rio Coura)
Crasto, Rubiães (na Qta. do Crasto há 3 miliários deslocados, na entrada da quinta está o miliário a Augusto e no seu interior um miliário a Valentiano I como esteio duma ramada e um fragmento de miliário anepígrafo; os dois primeiros indicam a milha XXX pelo que o seu local original poderia ser na Azenha do Ribeiro em Romarigães)
Ponte Romano?-Medieval da Peorada sobre o rio Coura (milha 33; calçada antes da ponte)
Cossourado (da ponte segue à direita até à EN201 que atravessa e segue por caminho estreito, contornando o magnífico Castro romanizado de Coussorado por nascente)
Couto da Cabras, Cossourado (talvez a milha XXXIV 34, no km 11 da EN201)
S. Bento da Porta Aberta, Cossourado (talvez a milha XXXV 35)
Fontoura

Variante por S. Martinho de Coura:
Portela de Romarigães (rumava para NW por Telhada)
Barreiros, S. Martinho de Coura (miliário a Constante I da milha XXIX no largo por trás da Capela Ns. da Conceição)
Fonte de Olho, S. Martinho de Coura (miliário a Magnêncio reutilizado como suporte de uma parra numa casa rural)
Ponte dos Caniços
S. Bartolomeu das Antas (continua por Espinheiral e Carreira)
  • Para a construção da Capela de S. Bartolomeu das Antas perto de Rubiães, foram utilizados 6 miliários da região; dois deles terão sido deslocados e suportam o alpendre, o miliário a Magnêncio da milha XXXI 31, proveniente de Pereiros em Rubiães e o miliário a Nerva da XXXVI 36 proveniente do Monte das Contenças em Fontoura; os restantes estão ao lado da capela: o miliário a Juliano que indica a milha XXXIII 33, o miliário a Maximino e Máximo, o miliário a Maximino Daia, ambos com a milha apagada e um miliário anepígrafo.
Ramalhal ( fragmento de miliário junto à entrada lateral da Capela de S. Brás)
Ranhadoura ( miliário a Constâncio II com a milha ilegível que hoje está hoje na antiga JAE em Viana do Castelo)
Monte da Gândara ( miliário a Maximino Daia da milha XXXIIII 34 que apareceu enterrado in situ e que hoje está junto com o anterior)
Raso, São Julião do Freixo (200 m de calçada paralela à estrada actual, seguindo depois em alcatrão até Pousada; no Largo da Feira em S. Julião apareceu um miliário anepígrafo deslocado talvez da milha XXXVI 36 que está hoje no adro da Igreja dos Terceiros em Ponte de Lima)
Fontoura (milha 37; segue por Reguengo, junto ao campo de futebol até S. Gabriel)
Continuação da via a partir de Fontoura:
Fontoura (de S. Gabriel continua por Portela, Cortinhas, Casa Gonçalo, Boriz até à ribeira do mesmo nome; segue por Rio Torto, por caminho de terra batida com 100 m, até Monte Chão, restando da antiga via uma lomba no terreno com 500m, em propriedade privada; em alternativa poderia seguir pela capela de S. Bento)
Cerdal (por Bouça da Gândara e Paços/Passos, seguindo depois por caminho de terra batida até à)
Ponte Romano-Medieval da Pedreira sobre a ribeira da Pedreira ou de Fervença (calçada antes da ponte)
Pedreira, Cerdal (a seguir à ponte segue sempre em frente, cruza uma estrada asfaltada e segue por Corgas para atravessar o ribeiro de Mira numa ponte com origem romana)
Gandra (da ribeira segue a direito por Tuído, Albergaria e Senra até entroncar na EN13 ao km 116)
Arão (segue por uma paralela à EN13 que começa junto ao café Arcádia e passa no centro da povoação até reencontrar a EN13)
Valença (2 miliários provenientes do lugar das Lojas na «estrada do cais» para o Cais de Arinhos: o primeiro é um miliário a Cláudio da milha XLII 42, hoje deslocado para dentro da fortaleza e o segundo, embora duvidoso, é um miliário anepígrafo que está hoje nos jardins da antiga JAE em Viana do Castelo)
Travessia do rio Minho (Minius)
Tui (TUDAE) (mansio da milha XLIII 43; 2 miliários em Sta. Eufémia)

No seu percurso de cerca de 400 km até Astorga , a via partia de Tui pelo lugar da Madalena, passava na Ponte Romana? de Orbenlle, seguia por Guizan, Louredo (miliário em Santiaguiño de Antas), Saxamonde em Redondela (5 miliários), continuando para Astorga pelas mansiones referidas no Itinerário: BURBIDA, TUROQUA, AQUIS CELENIS, TRIA, ASSEGONIA, BREVIS, MARCIE, LUCUS, TIMALINO, PONTE NEVIAE, UTTARIS, BERGIDO, INTERAMNIO FLUVIO e finalmente
Astorga (ASTURICA) (total de CCXCVIIII milhas, ou seja, 443 Km)

Itinerário XVII (17)

Mapa




























































Braga (BRACARA) - Chaves (AQUAE FLAVIAE) - Astorga (ARTURICA)   CCXLVII milhas - 364.4 km
Item a BRACARA ASTURICAM m.p. CCXLVII
SALACIA
PRAESIDIO
CALADUNO
AD AQUAS
PINETUM
REBORETUM
COMPLEUTICA
VENIATIA
PETAVONIUM
ARGENTIOLUM
ASTURICA
m. p. XX
m. p. XXVI
m. p. XVI
m. p. XVIII
m. p. XX
m. p. XXXVI
m. p. XXVIIII
m. p. XV
m. p. XXVIII
m. p. XV
m. p. XXIIII
Apesar dos muitos miliários existentes, o traçado principal da via ainda suscita muitas dúvidas devido tanto às variantes equacionadas como à incerteza sobre as localizações das mansiones referidas no Itinerário de Antonino. O recente levantamento da via no âmbito do projecto "Vias Augustas" trouxe novas informações sobre o trajecto. Ver os 13 miliários da série Capela referentes a esta via (hoje já conhecemos cerca de 32 miliários desta via). Para mais informação consultar bibliografia: Barradas, 1956, Colmenero, 1987; Colmenero et alii, 2004, Redentor, 2002 e Maciel, 2004..

Os miliários estão na sua maioria nos seguintes museus:
MDS - Museu D. Diogo de Sousa || MRF || Museu da Região Flaviense || MAB - Museu Abade de Baçal


Braga (BRACARA) (nos alicerces da enfermaria do Hospital de S. Marcos apareceu um miliário talvez relacionado com esta via, assim como a necrópole de S. Lázaro que fica nos terrenos da Sta. Casa da Misericórdia na mesma zona; A via romana deveria partir próximo do Largo S. Paulo Orósio, antigo Forum, seguindo pela Rua do Alcaide, Rua do Anjo, passando depois pela grande Necrópole da Via XVII que compreendia todo a área do actual Largo Carlos Amarante, continuava pela Igreja de S. Vítor, Rua dos Congregados, antiga Cangosta da Palha e Av. da Liberdade onde recentemente foi escavado um troço da via sob antigo edifício dos CTT; hoje é preciso seguir pela Rua de S. Marcos, Av. Central, Rua de S. Vítor e Rua Padre Manuel Alaio/Largo do Orfeão; na Qta. das Goladas em Urjais, apareceu um miliário a Tibério da milha I, hoje no Museu D. Diogo de Sousa com o n.º. 1992.0642, assim como o miliário a Constâncio Cloro, CIL II 4763, transladado em 1920 para a Casa de Pielas em Painzela (Cabeceiras de Basto) pelo proprietário que na época detinha as duas quintas; a via continuaria ao longo da margem direita do Rio Este pela estrada velha paralela à actual EN103)

Areal de Baixo, Braga (aqui apareceu um miliário a Constante que hoje está no Museu Soares dos Reis no Porto)
Gualtar (em Areias, junto da EN103, apareceu um miliário a Heliogábalo indicando III milhas Braga, hoje no MDS com o n.º. 1992.0671)
Este de S. Mamede (passa por Venda, Bemposta e Carvalho, contorna Povoado Romano do Monte das Eiras Velhas pela vertente Sul da Serra do Carvalho)
Pinheiro, Lanhoso (topónimo Calçada junto à EN103; Estação Romana do Castelo do Lanhoso)
Rendufinho (pela EN103 no sopé da Serra de St. Tirso; próximo daqui, em Calvos, fica o Castro romanizado do Monte Castelo)
Frades (EN103)
Serzedelo (calçada segue em parte a EN103 por Igreja Nova, Chapadas, Botica de Cima, Pousadouros, Cerdeirinhas e Cruz de Real; a N de Cerdeirinhas existe um inscrição rupestre talvez relacionada com a via)

SALACIA, mansio a 20 milhas de Braga cuja localização é ainda discutida, mas que deveria estar na base do Castro romanizado de Vieira, talvez em Vila Seca ou no edifício recentemente descoberto no Campo da Igreja Velha em Cantelães.

Vieira do Minho (continua pelas encosta ocidental da Serra da Cabreira a Sul de Parada Velha até Fonte do Confurco e Portela da Serradela, descendo daqui por caminho com vestígios de calçada romana em 500 m)
Espindo (passa a Sul por Pontilhão)
Zebral (Argote refere 2 miliários junto à Capela de S. Martinho (?), um dedicado a Augusto, CIL II 4776, e outro dado como ilegível, CIL II 4775; este último deverá ser o miliário que existe na Capela de S. Pedro, outrora reutilizado na pia baptismal e hoje cimentado ao chão onde apenas se lê CAESAR/NCVS/IV; segue pelo Pontilhão dos Pardieiros sobre o rio da Peneda)
Botica, Ruivães (Argote refere 2 miliários deslocados a SW de Campos junto a um ribeiro, mas provenientes da Portela de Rebordelos e hoje desaparecidos; um miliário a Cláudio, e um outro miliário onde se leria 35 milhas pelo que marcaria a distância a Chaves; continua pela EM103 por Paradinha e Cambedo)
Campos (Argote refere 2 miliários a poente da aldeia e hoje desaparecidos; um seria anepígrafo e outro a Trajano, indicando a milha 43; este miliário deve ser o mesmo que se encontrou em Padrões; segue por Lamalonga e descia à Ponte do Arco)

Ponte Romano-Medieval do Arco sobre a ribeira da Borralha (antigo Canhúa, hoje submersa pela barragem do Rabagão)
Padrões, Montalegre (milha XXXIV a Braga e XLIII a Chaves; antiga Vilarinho dos Padrões, com 4 miliários: o miliário a Tibério da milha XX[...] a Braga que está hoje no MNA com o nr. E 5224, CIL II 4773; dois outros miliários já desaparecidos foram referidos por Argote no seu "Memórias", o miliário a Adriano com o n.º. 940, CIL II 4783, e o miliário a Trajano com o n.º 574, ambos indicando 43 milhas a Chaves, e finalmente o miliário anepígrafo que esteve nos jardins da central da Venda Nova e hoje está num jardim da povoação, mas que originalmente estaria junto da Ponte do Arco segundo Argote; a via está submersa pela barragem, mas deveria continuar passando a N de Sanguinhedo)
Venda Nova (milha XXXV a Braga e XLII a Chaves; antiga Venda dos Padrões; conhecem-se 4 miliários daqui, sendo que dois foram encontrados na parede do forno comunitário de Sanguinhedo, o miliário a Trajano hoje no MRF como ARC431, CIL II 4782, e o miliário a Adriano, indicando 42 milhas a Chaves que hoje está nos jardins junto ao Castelo de Chaves; o terceiro é o miliário a Cláudio da milha ?XXV, talvez faltando o X de 35 milhas a Braga, no MRF como ARC396, CIL II 4771, juntamente com um outro miliário desta milha pois apesar de lhe faltar o topo, ainda se lê m.p. XLII, CIL II 4774.)
Codeçoso do Arco (milha XXXVIII; Capela refere um miliário a Cláudio indicando 38 milhas a Braga, entretanto destruído; 100m em calçada)

PRAESIDIO, mansio a 46 milhas de Braga é tradicionalmente localizada no Castro romanizado do Codeçoso do Arco, mas atendendo à sequência de miliários aqui deveria situar-se a milha 38 pelo é mais provável que a mansio fosse um pouco mais à frente talvez em Pisões. Outros autores situam-na na Vila da Ponte.

Travessia do rio Rabagão em São Fins, Pondras (Argote refere uma Ponte Romana em Porto de Carros já então em ruínas; fragmento de miliário encastrado num forno da aldeia de São Fins)
Lama do carvalho, Currais (milha XXXIX; Argote refere aqui um miliário a Tibério no sítio do Borrageiro a 1 milha de Currais, hoje desaparecido; calçada com 300 m)
Currais, Reigoso (milha XL; miliário anepígrafo como suporte de varanda na aldeia talvez proveniente de Pisões; troço de calçada ao longo da margem direita do Rabagão; Argote refere os topónimos Subila, Breia, Gea e Cambela)
Pisões (a partir daqui a calçada está submersa pela barragem do Alto Rabagão, passando no miliário da Cantina de Leiranco/Cruz de Leiranque, que hoje está no Largo da Seara na aldeia de Viade de Baixo; continua pela Villa Mel, a Sul do Alto de Pedrouço, Parafita, e segue a Penedones)
Travassos (miliário anepígrafo convertido em cruzeiro no lugar do Padrão)
S. Vicente de Chã (passa a SE no sopé do Castro romanizado)
Peirezes (calçada atravessa a ribeira da Ponte Velha, sobe à povoação e desce à Ponte Romana? sobre o rio Rabagão da qual apenas resta um arco)
Gralhós (calçada segue para a Ponte Romana? da Pedra sobre a ribeira de Rabagão)
Cortiço (miliário sustendo uma varanda dentro da aldeia e pequeno fragmento de um miliário convertido em bebedouro; a via segue até à Ponte Romana? de Cortiço, continuando em calçada pelo Alto da Pedra Moura, a Norte de Vilarinho de Arcos)
Arcos (milha LVIII; na rua principal, perto da Sra. do Campo, apareceu em 1813 o miliário a Cláudio da milha LV[...] hoje no MRF com o n.º ARC398, CIL II 4770; talvez indicasse a milha 58 porque Arcos fica a uma milha de Pindo)
Pindo, Arcos (milha LIX; 3 miliários; miliário a Tibério da milha LIX (59) que apareceu suportando a varanda da casa de Manuel Moreno e hoje está no MRF com o n.º ARC394, o miliário a Cláudio que hoje está no pátio do Castelo de Montalegre e mais recentemente um miliário anepígrafo que apareceu em Arcos, mas que teria vindo do Pindo e que hoje está no jardim da antiga escola de Cervos)

CALADUNO, mansio a 62 milhas de Braga que deveria estar localizada 3 milhas após o miliário do Pindo no Alto da Serra do Pindo (Castro de Malhó), mas não existem para já vestígios que o comprovem. Em alternativa, com um pequeno ajuste na distância percorrida (há 3 milhas em falta) também é possível situar a mansio na aldeia de Arcos. Caladunum no Geographia de Ptolomeu (II, 6, 38).
  • Hipotética ligação para Norte, com base no miliário anepígrafo que está junto da Fonte de Tordavela em Antigo de Arcos, actual Antigo de Sarraquinhos, se não foi deslocado indicia uma derivação para Norte a partir da mansio Caladuno, mas caso existisse esta via, para onde seguiria? Capela localizou um fragmento de miliário em Zebral entretanto desaparecido, mas pode ser uma confusão com Zebral em Vieira do Minho pelo que é mais provável que a via seguisse por Sarraquinhos, Pedrário e Mexide até Soutelinho da Raia, onde entroncaria numa das vias que partiam da Chaves em direcção à Galiza.

Continuando para Chaves pela Via XVII:
A rota da Via XVII até Chaves ainda suscita muitas dúvidas devido à existência de vários possíveis itinerários, mas com base nos miliários conhecidos é mais provável que a via principal seguisse pelo Alto do Pindo e pelo vicus mineiro de Sapelos, onde nas proximidades se achou um miliário conhecido como «Pedra de Caixão» (devido a ter sido convertido em sarcófago na idade média), seguindo depois pela Serra da Pastoria onde se achou um miliário a Trajano indicando 5 milhas a Chaves. Este trajecto está certamente relacionado com a forte exploração mineira da região, em particular as importantes Minas do Poço das Freitas, uma exploração aurífera de origem romana que precisa de medidas de preservação urgentes devido à possível retoma da sua exploração! No entanto não é de excluir uma possível variante por Ardões atendendo à inscrição viária num penedo em Soutelo reunindo com a via principal em Vale de Anta.
  • Variante por Ardões:
    Ardãos (segue o troço de calçada entre Sangrinheira e Fragão do Fojo que termina junto da capela do Senhor do Bom Caminho, prolongando-se depois sob a estrada EM 527), Seara Velha (calçada até Soutelo atravessando a ribeira de Calvão; Povoado do Alto da Ribeira), Soutelo (segue pelo lugar da Pipa onde há uma inscrição viária, [Via] / paganica / hor(is) die[i] / precario / [itur]; também no lugar de Cavalo dos Mouros existe uma outra inscrição num penedo TERM C. L, provável marco territorial), Vale de Anta (a N fica a importante Barragem Romana Abobeleira; Minas em Outeiro Machado e Campo Queimado)
Nogueira (a N da povoação)
Sapelos (vicus mineiro; a via passaria por Lapaba, a 800 m para NE da aldeia, onde apareceu um miliário a Augusto da milha LXV[...] já convertido em sarcófago e por isso é chamado de "Pedra do Caixão"; este marco apareceu no carvalhal do Sr. António Martins, junto ao Ribeira da Costa, nas proximidades da Capela da Sra. das Neves e do Castro do Muro que hoje está no MRF; próximo fica Castro romanizado do Cabeço)
  • Variante por Redondelo: também é possível uma variante para Chaves que partindo de Sapelos seguia para a portela da Sr. dos Milagres, Redondelo (minas das Olgas e de Mosteirão a Sul), Casas Novas, Curalha (Castro romanizado junto à margem direita do Tâmega), Cando (villa em Granjinha) e Casas dos Montes, onde reencontra o outro itinerário.
Pastoria (milha LXXII; a via seguia pela vertente ocidental da Serra da Pastoria pelo lugar do Padrão, onde apareceu um miliário a Trajano indicando V milhas a Chaves hoje no MRF com o n.º ARC401; continua pela calçada do Alto da Mortiça e Campo da Via)
Vale de Anta (miliário a Treboniano Galo na Igreja e outro anepígrafo desaparecido; também poderia seguir por Cando)
Casas dos Montes (miliário anepígrafo na esquina da casa do Sr. Castro talvez ainda in situ)
Ponte Romano-Medieval de Ribelas (dentro do complexo termal; entra pelo Bairro de S. Bartolomeu onde apareceu um miliário junto à capela)

Chaves (AQUAE FLAVIAE) (milha LXXX; miliário a Décio da milha V; miliário do Postigo das Manas já desaparecido; Argote refere ainda mais 4 miliários: um a Licínio, entretanto relocalizado em 2006, um outro a Constantino já desaparecido, um a Caro encontrado em Sta. Cruz e 2 miliários já desaparecidos a Adriano, um estaria no actual Campo da Aliança e indicava a milha II, CIL II 4779, e o outro estaria junto à Capela do Anjo no actual Largo 8 de Julho e indicava a milha V, CIL II 4780; nesta capela existia um outro miliário também já desaparecido; no Castelo de Chaves está o miliário a Adriano proveniente da Venda dos Padrões; estão em curso as escavações do balneário termal no Largo do Arrabalde; existem pelo menos 7 miliários no Museu da Região Flaviense - MRF nomeadamente: os três miliários da Venda dos Padrões, o miliário a Cláudio proveniente de Arcos, o miliário a Tibério provenientes do Pindo, miliário a Augusto proveniente de Sapelos, o miliário a Trajano da Pastoria, o fragmento de miliário a Caracala ou Adriano, o miliário a Constâncio proveniente de Eiras e vários fragmentos encontrados nas imediações de Chaves)

Outras vias a partir de Chaves (Colmenero et alii, 2004)
    Rumo a Norte, em direcção à Galiza
  • Via Aquae Flaviae - Lucus Augusti: depois de atravessar a ponte sobre o Tâmega, rumava a Norte ao longo da margem esquerda do rio Tâmega até Vila Verde da Raia (passando talvez na Ponte do Arquinho sobre a ribeira de Arcossó, lugar de Amêdo), continuando já na Galiza por Feces de Abaixo, Tamaguelos (miliário), Mourazos, Tamagos, Queizás (miliário), Verín (3 miliários) rumando depois a Lugo.
  • Via Aquae Flaviae - Iria Flaviae: rumava a Norte ao longo da margem direita do rio Tâmega por Santa Cruz, Outeiro Seco (junto da Igreja da Ns. da Azinheira e Sra. da Portela), Vila Meã, Vilarelho da Raia, Rabal (miliário anepígrafo), San Cibrao de Oímbra (miliário a Dalmácio), seguindo depois por Oímbra, Vilaza, Albarellos e Guimarei em direcção a Iria Flaviae em Padrón (Santiago de Compostela).
  • Via Aquae Flaviae - Aquis Celenis: partiria de Chaves pela Rua da Paz (EM507), a chamada "Estrada Velha de Montalegre", passa em Seara e toma a calçada da Portagem, entre Bustelo e Sanjurge, segue pelo alto da Salgueira, alto das Urzeiras, Lajedo, alto do Queimado, alto da Campina, Sra. do Bom Caminho (povoado no Alto das Coroas), passando a NE do vicus do Outeiro da Torre e da aldeia de Calvão (possível miliário à entrada da aldeia), continua a leste de Castelões (junto do Povoado de Facho de Castelões, onde há notícia de um miliário junto à via; habitat em Casas de Castelões), S. Caetano (vicus?), Soutelinho da Raia (habitat em Carvalhal e Pardieiros), Videferre e Sta. Marta de Lucenza (miliário) rumando depois em direcção a Aquis Celenis que seria em Caldas de Reis (Pontevedra).
  • Via Aquae Flaviae - Asturica Augusta per Senabria: teria um traçado comum à via Aquae Flaviae - Lucus Augusti até Vila Verde da Raia, inflectindo pouco antes da fronteira para NE em direcção à Capela de Sta. Marta (onde no adro está um miliário a Carino em dois fragmentos, CIL II 4795), continuando por Vila de Frade, Lama de Arcos e Vilarello de Cota em direcção ao oppidum de Florderrei Vello, possível capital dos Tamaganosa, continuando depois por Terroso, Barza e Tameirón (miliário) rumo a Astorga.

  • Rumo a Sul, em direcção ao rio Douro
  • Via Aquae Flaviae - Três Minas: eixo N-S que partindo de Chaves seguia ao longo da margem esquerda do Tâmega em direcção à região mineira de Três Minas em Vila Pouca de Aguiar, conforme descrito no Itinerário Chaves-Douro.
  • Via Aquae Flaviae - Civitas Baniensis: eixo NW-SE que partindo de Chaves seguia na direcção da Civitas Baniensis descrito no Itinerário Chaves-Torre de Moncorvo.













Mapa



























































Chaves (AQUAE FLAVIAE) - Astorga (ARTURICA)
AQUAE FLAVIAE
PINETUM
REBORETUM
COMPLEUTICA
VENIATIA
PETAVONIUM
ARGENTIOLUM
ASTURICA

m. p. XX
m. p. XXXVI
m. p. XXVIIII
m. p. XV
m. p. XXVIII
m. p. XV
m. p. XXIIII
Atendendo ao grande número de miliários e pontes romanas encontradas é hoje consensual que a Via XVII seguia por Valpaços até Castro de Avelãs, às portas de Bragança, ficando assim descartada uma possível Variante Norte da via XVII que seguia por St. Estevão e Lebução até Vinhais. Ver projecto VIAS AVGVSTAS sobre esta via. Partindo de Chaves, a via atravessava o Rio Tâmega sobre a magnífica Ponte Romana de Trajano, uma das poucas pontes romanas sobreviventes que mantém o desenho original apesar de dois dos seus arcos terem sido toscamente reconstruídos. Obra monumental e surpreendente. Ver na parte seca as grandes marcas de fórfex e a construção modular. Sobre a ponte estão duas colunas honoríficas; uma delas, designada por «Padrão dos Aquiflavienses», assinala a construção da ponte e a outra, designada por «Padrão dos Povos» é uma cópia da coluna original que apareceu em 1980 no leito do rio, hoje no hall do MRF).

A Castro de Avelãs por Valpaços, na rota da Via XVII
Madalena, Chaves (depois de atravessar o Tâmega, segue a direito pela EN103, na Capela da Sra. da Boa Morte, segue a direito pelo estradão de terra, na bifurcação segue à direita na direcção da Qta. do Germano; após o canal segue à esquerda pela Rua da Calçada Romana e logo depois segue à direita, passando à calçada que ascende até ao Alto de S. Lourenço; algures nesta zona de Eiras apareceu um miliário a Constâncio)
S. Lourenço (magnífico troço da Calçada de S. Lourenço que sobe a encosta; o acesso à calçada faz-se no miradouro de S. Lourenço; Argote refere um miliário anepígrafo entretanto desaparecido; continua depois pela Casa dos Ferradores, Largo do Cruzeiro, Rua da Travessa, até à EN213; ao chegar ao chafariz segue para Juncal)
Ponte Romana de S. Lourenço sobre a ribeira de S. Julião/Cabanas/Palheiros (1 arco, a 500 m da povoação e segue para Arco e Lama)
S. Julião de Montenegro (milha LXXXIII; na Igreja paroquial apareceram 4 miliários, dois estão dentro da igreja, o miliário Macrino e o miliário a Décio, este indicando a milha VI desde Chaves, um miliário anepígrafo está no adro da igreja e um fragmento de um miliário a Flávio Dalmácio foi para a casa do Pe. Fernando Pereira em Vilar de Nantes; continua pelo Alto do Cavalinho, provável mutatio hoje destruída, Falgueira, Poças, Alto da Gesta e Barracão)
, Ervões (apareceram 2 miliários nas obras de demolição da capela de Sta. Luzia; um miliário a Macrino que hoje está no terreiro da casa de Hermínio Quintino e outro nas fundações da mesma)
Vilarandelo (miliário a Macrino, apareceu na Capela do Espírito Santo dentro do cemitério e está hoje no jardim junto ao mercado junto com um outro miliário a Caracala que apareceu no pátio da casa de Francisco Coroado em Vilarandelo; um fragmento de miliário foi para o MRF em Chaves)
Lagoas (calçada passa a N de Valpaços; miliários deslocados no Solar e Capela dos Morgados Pinto Leite, Casa do Arco)
Possacos (4 miliários; miliário a Magnêncio que apareceu junto à Igreja e hoje está numa casa particular em Carlão, Alijó; miliário a Flávio Dalmácio que apareceu nos alicerces de uma casa no Largo das Duas Fontes e hoje está no MNA; e mais 2 miliários referidos no CIL II entretanto já desaparecidos: miliário a Macrino? da Qta. do P. António de Sousa, CIL II 4790, miliário a Carino? da Qta. de Francisco da Costa Homem, CIL II 4792; a via desvia da EN206 à direita, pouco depois da povoação, e desce à ponte por 2 km)
Ponte Romana do Arquinho ou de Possacos sobre o rio Calvo (daqui provém o miliário a Maximino e Máximo, CIL II 4788, deslocado depois para a ponte de Vale de Telhas, acabando junto à capela de Ns. de Fátima em Vale de Telhas onde está hoje; indica reparações da via na frase vias et pontes temporis vetustate conlapsos restituerunt curante; referencia a mais 2 miliários nas imediações entretanto desaparecidos; depois da ponte a via sobe até à EN206 e depois por caminho de terra até ao parque de campismo na margem do Rio Rabaçal)
Ponte Romano-Medieval de Vale de Telhas, sobre o rio Rabaçal (é uma construção medieval, mas que utiliza materiais romanos, como alguns silhares com marcas de fórfex, provenientes da anterior ponte romana que seria mais a jusante no lugar da Barca, onde havia um conjunto de pelo menos 5 miliários que foram deslocados ou estão desaparecidos: o miliário a Galério que está hoje no Museu de Vila Real, o miliário a Maximino Daia que está hoje na casa da família Verdelho em Vale de Gouvinhas, os 2 miliários que estão em Vale de Telhas descritos abaixo e um miliário a Numeriano entretanto desaparecido)

PINETUM, mansio a XX milhas de Chaves junto à travessia do Rio Rabaçal. A mansio poderia ser na área do parque de campismo atendendo aos vestígios aí existentes e o povoado de Pinetum poderia ser no Castro do Cabeço da Mochicara em Vale de Telhas. Os vários miliários que apareceram nas margens do rio e que iam sendo agrupados junto à ponte medieval reforçam que a milha 20 era vencida neste local.

Vale de Telhas (miliário a Constantino II junto à fonte romana proveniente da ponte e o miliário a Maximino e Máximo no adro da capela de Ns. de Fátima proveniente de Possacos; a via não passa na aldeia, mas na EN206)
Bouça (na EN206, daqui seria o miliário indicando a milha XXII desde Chaves que está hoje junto ao Café «Estrela do Norte» na Ferradosa)
Ferradosa, Fraziela (3 fragmentos anepígrafos, talvez da milha XXIV desde Chaves, um dos quais na berma da EN206 junto à casa do Sr. Manuel Maia à saída da povoação; segue pela Qta. da Calçada, Padrões, Redonda, Cabeço da Mós, Qta. do Ermidão e Estalagem)
Ponte Romano?-Medieval do Arquinho ou de Ermidão sobre a ribeira do Arquinho, Fradizela (indicada na EN206; 1 arco)

Ponte Romana da Pedra, Torre de Dona Chama sobre o rio Tuela (magnífica ponte romana com 6 arcos que ainda hoje suporta o tráfego da EN206; esta ponte ainda um pouco desprezada, mas constitui o melhor da engenharia romana em Portugal juntamente com a Ponte de Chaves e a Ponte da Vila Formosa no Alentejo. A sua construção é tal modo avançada que foi considerado como moderna até aos anos setenta!)
Torre de Dona Chama (a via passa a N da povoação; oppidum no Castro de São Brás)
  • Eventual ligação a Mirandela, atendendo ao Castros romanizado de S. Juzenda em Múrias e aos Castros da Fraga do Penedo e da Sra. do Viso em Mascarenhas.
Vila Nova da Rainha (calçada com 900 m, começa a 1 km da povoação, segue paralela à EN206; fragmento de miliário na berma da EN206, 600 m antes da povoação; miliário anepígrafo no centro da povoação suportando uma varanda)
Nossa Sra. das Dores, Lamalonga (calçada com 1500 m ladeia a capela)
Lamalonga (no adro da Capela de S. João apareceu um miliário a Constâncio Cloro que está hoje no MAB com o n.º 1565 e um outro miliário anepígrafo que foi supostamente destruído nos anos 70; ver Lopo, 1907)
  • Ligação às minas de Ervedosa: saindo da capela de S. João em Lamalonga, segue pelo "Caminho de Pombal" até Argana, onde existe um fragmento de miliário junto a um tanque, e depois pelo "Caminho do Bugio" acedia a Ervedosa, onde também existe um fragmento de miliário suportando uma varanda e daqui às minas junto ao rio Tuela.
Carvalhal, Lamalonga (miliário anepígrafo na berma da EN206; estaria no adro da Igreja de Lamalonga)
Agrochão (seguia a N da povoação pela chamada Estrada Velha que passa no sopé do Cabeço do Marco e Alto dos Malhões do Monte, eventuais referências a um miliário de que só restam 2 fragmentos no sítio da Amoreira na berma da estrada)
Falgueiras, Ervedosa
Penhas Juntas
Edrosa (segue por Breia e Cruzes; ligação a Vinhais por Ousilhão e Nunes; calçada)
Portela, Zoio
Carrazedo (ara votiva aos Lares Buricis talvez relacionada com a via na casa dos Eusébios; será daqui o miliário a Caro, CIL II 4786, encontrado em "Carrezedo"?; calçada contorna o Cabeço Carro, desce ao vale pelo lugar de Além rio e atravessa o ribeira de Carrazedo para)
Alimonde (calçada sobe pelo Caminho dos Mortos até ao Alto da Ferradosa e desce pelo Caminho da Vila ao Castro de Formil ou Feira dos Mouros; povoado na Canada dos Mouros)
Formil, Gostei (segue junto à Capela de S. Cláudio onde apareceu um miliário a Maximiano, hoje no MAB com o n.º 1580 e uma inscrição honorífica a Cláudio embutida na parede, CIL II 6217)
Gostei
Ponte Romano?-Medieval de Ariães sobre a ribeira de Castro (na EM518 Gostei-Bragança)
Castro de Avelãs (mansio Reboretum?; civitas ZOELARUM?) (junto à villa Romana da Torre Velha apareceram 2 miliários já transformados em sarcófagos no exterior das ruínas da capela de S. Sebastião, o miliário a Augusto, indicando XIX milhas(?), leitura duvidosa que poderia ser antes CLX milhas, a distância a Braga, e o miliário a Caracala, hoje no MAB respectivamente com o n.º 1584 e 1583)

REBORETUM, mansio a 36 milhas de Pinetum cuja localização é ainda discutida, mas que poderia estar na área da Torre Velha em Castro de Avelães, onde apareceram vários miliários e outros vestígios. Outros autores situam-na em Nunes.

Bragança (o Museu Abade de Baçal guarda 8 miliários; necrópole dos Quatro Caminhos e necrópole do Couto, ambas em Vale de S. Francisco)
Ponte Romano?-Medieval das Carvas, S. Lázaro sobre o rio Sabor (segue pela Qta. das Carvas)
Gimonde
Ponte Romano?-Medieval de Gimonde sobre o rio de Onor (a 100 m da ponte nova)
Cruz do Marrão, Gimonde (miliário a Caro no caminho velho para Babe, está hoje no MAB com o n.º 1575)

COMPLEUTICA, mansio a XXVIIII milhas (43 km) de Reboretum com localização ainda incerta, poderia ser em Babe, no lugar do Sagrado junto à Capela de S. Pedro Velho, onde apareceram vários miliários, mas que alguns autores, como Colmenero, colocam em Castro de Avelães.

Babe (na Capela de S. Pedro Velho apareceram 3 miliários, o miliário a Caracala que está no MAB com o n.º 1572, o miliário a Adriano que passou pela Igreja Matriz e hoje também no MAB com o n.º 1570, lendo-se XX[...] milhas a Caesera, mansio já em Espanha, e o miliário anepígrafo que hoje está junto à Capela de S. Sebastião)
São Julião de Palácios (Fonte Romana; calçada chamada Caminho das Duenas segue por Lameiros da Calçada; corte artificial da rocha e muro de sustentação da via)
Travessia do rio Maçãs entre Porto Calçado e Vale de Perdizes (fronteira)

Continuação para Astorga:
a partir da fronteira luso-espanhola no Rio Maçãs, a via rumava a NE pela calçada de Moldones e Figueruela de Abajo até à mansio Veniatia:

VENIATIA....m.p. XV (em Figueruela de Arriba ou San Pedro de las Herrerías?, atravessa a Serra de la Culebra)
Variantes até Calzada de Tera:
  • Variante Norte: por S. Pedro de las Herrerías, Boya, Villardeciervos, Villanueva de Valrojo, Olleros de Tera e Calzada de Tera.
  • Variante Sul: por Gallegos del Campo (miliário a Macrino), San Vitero (miliário a Trajano), Rabanales (ligação a Zamora?), Bercianos de Aliste, Sarracín de Aliste, Ferreras de Arriba, Otero de Bodas e Calzada de Tera.
Calzada de Tera (em Calzadilla de Tera atravessa o rio Tera e segue por San Juanico el Nuevo, Barrio de Abajo de Brime de Sog e Santibánez de Vidriales)
PETAVONIUM... m.p. XXVIII (acampamento romano a W de Rosinos de Vidriales, Zamora; povoado no Castro de Sansueña; segue por Fuente Encalada, 3 miliários, Calzada de la Valdería; miliário no Museo de Castrocalbón)
ARGENTIOLUM...m.p. XV (seria a N de Herreros de Jamuz?; Quintana y Congosto, Leon; segue por Villamontán, Valle, Castrotierra e Celada)
ASTURICA...m.p. XXIIII (actual Astorga; total percorrido CCXLVII milhas, ou seja, 365,5 km desde Braga)


Variantes da Via XVII
Variante por Boticas até Chaves
A possibilidade de uma variante Sul para Chaves, passando em Boticas, muito discutida no passado, tem vindo a perder consistência à medida que o traçado da via romana se consolida na "variante Norte" pelo Concelho de Montalegre. Sem miliários ou outro qualquer vestígio viário indubitavelmente romano, resta descrever um hipotético caminho por Alturas do Barroso, passando em Atilhó e Carvalhelhos, atendendo ao Castro romanizado Castelo de Mouros, atravessando o Rio Beça na Ponte da Pedrinha, em ruína, seguindo depois por Carreira da Lebre, Alto da Esculca, Quintas até atingir Boticas.

Variante Norte da Via XVII entre Chaves e Bragança
 Durante muito tempo foi considerada uma variante Via XVII entre Chaves e Bragança que seguia a N por Lebução de modo a integrar 2 miliários achados na região de Vinhais. Esta solução está hoje praticamente descartada devido à ausência de vestígios concludentes. O itinerário apresentado que seria uma via secundária, termina assim na travessia do Rio Rabaçal na Ponte de Picões, onde entroncaria na via transversal Valpaços - Três Minas descrita abaixo. Partindo de Chaves rumaria à Ponte de Faiões (na foto) para passar a ribeira de Avelelas, subia a St. Estevão, passava na Ponte do Arquinho e seguia por Assureiras, talvez pela calçada do Souto Bravo e pelo sopé do Castelo de Monforte em Águas Frias (habitat em Aguatões), continua pelo planalto por Breia, Jaguintas, Calhelhas das Presas e Baixinha das Presas até à Igreja paroquial da Bobadela, junto do Povoado de Cigadonha, continuando pela chamada "Estrada" que atravessa a povoação e segue por Souto das Almas, Sítio da Estrada e Fraga das Antas, passando a N de Nozelos, continua por Lebução e Vilartão , onde toma o caminho que passa no Terreiro do Marco, Fraga do Clero, Lombinho das Cruzes e Qta. dos Picões, descendo à Ponte de Picões sobre o rio Rabaçal, onde entroncaria na referida via transversal. Há referências bibliográficas a um miliário de Sta. Cruz, mas é problemático porque está desaparecido e não se sabe se seria na freguesia de Sanfins ou de Outeiro Seco)




                   
Via transversal à Via XVII:
Atendendo à localização de uma série de miliários na região de Valpaços e de Vinhais que parecem alinhar uma via transversal no sentido NE-SW que cruzava com a VIA XVII na aldeia de Sá, a ocidente de Valpaços, é possível equacionar um itinerário entre Castro de Avelãs e a Região Mineira de Três Minas que além de integrar esses miliários permite um percurso que não necessita de atravessar os principais rios da região. Este itinerário resulta da anulação da tradicional Variantes Norte da via XVII. Desta forma integrei esses miliários nesta via ao contrário de Colmenero que prefere integra-los na própria Via XVII, "forçando" a via a fazer um desvio para N em Edrosa para poder passar em Vinhais e Soeira quando existe um caminho mais directo para Castro de Avelãs. Entretanto a dúvida permanece porque não seria estranho que estes miliários tivessem sido deslocados para ali ou podiam mesmo pertencer a uma outra via ainda desconhecida.

Castro de Avelãs (percorria a VIA XVII até Formil, rumando aqui à direita para Fontes e Portela, em direcção à travessia do rio Baceiro na Ponte de Castrelos)
Soeira (da ponte segue por Prainas e Igreja Velha até Vilar, junto à Capela de S. Sebastião, provável mutatio onde apareceu um miliário já transformado em sarcófago e ilegível, hoje no MAB com o n.º 1566; passa a aldeia de Soeira e desce durante 1 km até rio contornando o Castro da Ponte)
Ponte Velha de Soeira sobre o rio Tuela, (18 m, 2 arcos;)
Ponte de D. Marinha sobre a ribeira de Padornelo
Vila Verde (provável mutatio de apoio à via no Forte de Modorra; sai pela EN103 e logo depois desvia à direita e logo à esquerda pela calçada já destruída na encosta do Castro da Cidadelha)
Vinhais (Argote refere um miliário atribuído a Maximino indicando a milha C[...] entretanto desaparecido; segue entre os altos da Portela e do Pinheiro)
Travessia da ribeira das Trutas no Pontão
Sobreiró de Baixo (contorna o Monte da Circa pela vertente N, sobe até Cruz das Cortes na EN103 e segue pela portela entre o Monte da Forca e o Alto da Madorrinha)
Curopos (EN103; passa em Souto Escuro, onde terá existido um miliário, Estalagem de Cima e de Baixo)
Valpaço (EN103; por Pedra Mourisca, Breia e Fonte do Mau Nome)
Ponte Romano?-Medieval de Picões sobre o rio Rabaçal, Bouçoães (estava em ruínas e hoje está submersa)
Bouçoães (2 miliários anepígrafos provenientes das ruínas Casa da Abadia antiga casa paroquial, hoje guardados na J. F.; povoado em Outeiro)
Lampaça (pelo sopé do povoado da Sra. da Ribeirinha)
Tortomil (povoado em Vale de Fetos/Fetais; segue pelo Alto da Fraga do Marco)
Fiães (possível miliário aparecido no vicus de Muradelhas, antiga Lavagornia conforme indica a ara qui encontrada que hoje está no MRF)
Tinhela (calçada e Ponte Romana?)
Alvarelhos (calçada)
Lama de Ouriço (miliário a Magnêncio; desaparecido)
(onde cruza com a Via XVII)
Valelongo (miliário anepígrafo entretanto deslocado para o exterior dum armazém em Vilarandelo)
Ervões
Lamas
Monsalvarga (miliário anepígrafo na berma da estrada que passa na aldeia; calçada)
Vassal (fragmento de miliário numa casa particular; povoado no Castro de Cidadonha; segue até à EN206; no Lugar do Regueiral em Sanfins, há uma inscrição rupestre que delimitava os povos Treburi e Obili)
Argeriz (calçada entre o Castro de Ribas e o santuário de rupestre de Pias de Mouros, passando na Ponte do Regato do Pereiro)
Argemil (travessia do Rio Curro talvez em Vargens; depois seguiria para Três Minas)
  • Ligação a Vila Pouca de Aguiar, a via poderia continuar até Vila Pouca de Aguiar, cruzando com a Via Chaves - Douro
  • Ligação de Vila Pouca ao Douro, é possível a continuação da via pela margem direita do rio Corgo em direcção a uma travessia mais a jusante do rio Douro, próximo de Cidadelhe (Mesão Frio), troço que está descrito no Itinerário Vila Pouca - Cidadelhe.

Região Mineira de Três Minas (Metallum Albucrarense de Plínio):
De Argemil até ao centro mineiro de Três Minas o traçado não é claro devido aos muitos caminhos de servidão para escoamento do minério, no entanto é possível que a via seguisse até aos povoado mineiro da Veiga de Samardã seguindo por Nozedo, S. João da Corveira e Rio Bom (EN206). As minas romanas estão dispersas por Três Minas, Jales, Ribeirinha, Lago Pequeno e Covas. A SW do Corte de Covas fica o povoado mineiro da Veiga de Samardã com vestígios de habitações e de um canal de água proveniente de duas barragens em Tinhela de Baixo para abastecimento do povoado e lavagem do minério.

Campo de Jales (passa junto às Minas de Jales e segue pela EM567)
Cerdeira (troço de via romana)
Vreia de Jales (a EM567 passa na Ns. da Saúde, Monda e Cruz da Vreia, onde segue à direita para o centro da povoação)
Barrela, Vreia de Jales (calçada passa a poente por Milhapão e Marco, onde está a interessante estátua-estela de Jales)
Ponte Romana do Arco sobre o rio Pinhão, 1,2 km a SE da Barrela, Vreia de Jales (vários indícios apontam para uma construção romana como os silhares almofadados no arco e estribos, o arco de volta perfeita e a pavimento feito em grandes lajes de pedra; continua pelo caminho do Tronquilho, Laje do Cavalinho, Fraga das Teixeiras e Lameiras com uma ponte antiga sobre a ribeira dos Carrojo)
Pinhão Cel, Torre do Pinhão (onde entronca com a via proveniente de Chaves para o Douro)


VIA NOVA - Itinerário XVIII (18)

Mapa



























































Braga (BRACARA) - Gerês - Astorga (ARTURICA) - Via Nova   CCXV milhas - 318.5 Km
Item alio itinere a BRACARA ASTURICA m.p. CCXV
SALANIANA
AQUIS ORIGINIS
AQUIS QUERQUERNNIS
GEMINAS
SALIENTIBUS
PRAESIDIO
NEMETOBRIGA
FORO
GEMESTARIO
BELGIDO
INTERERACONIO FLAVIO
ASTURICA
m. p. XXI
m. p. XVIII
m. p. XIIII
m. p. XVI
m. p. XVIII
m. p. XVIII
m. p. XIII
m. p. XVIIII
m. p. XVIII
m. p. XIII
m. p. XX
m. p. XXX
A Geira ou Via Nova, é a via romana melhor preservada em Portugal e, caso único no mundo, conta com mais de 230 miliários ao longo do seu percurso até Astorga. No Itinerário de Antonino apenas é referida a mansio Salaniana em território nacional que será a aldeia de Travassos na freguesia de Vilar, Terras de Bouro já que aí foi encontrado um miliário precisamente indicando a milha XXI. Saindo de Braga a via dirigia-se a Amares depois de atravessar o Rio Cávado e ascendia por patamares suaves até à Portela de Sta. Cruz, onde penetrava no vale do Rio Homem acompanhando as vertentes setentrionais da Serra da Abadia. A partir daqui o traçado é todo feito em altitude, sem subidas ou descidas acentuadas até atingir Covide, onde penetra na Serra do Gerês, percorrendo os seu contrafortes orientais por Campo do Gerês e junto à barragem de Vilarinho das Furnas, até atingir a milha 34 na Portela do Homem onde entra em território Espanhol.

Está em marcha um projecto de reabilitação e promoção turística da via que inclui a sua promoção a Património Mundial. + info no site do projecto VIA NOVA

Ver aqui uma uma boa descrição de parte do trajecto.
Ver aqui os 35 miliários desta via da série do Padre Martins Capela.


Braga (BRACARA) (um miliário a Adriano que estava também no Campo das Carvalheiras indica CCXV milhas, ou seja, a distância total entre Bracara e Asturica pelo que marcaria certamente a milha zero da VIA NOVA, e está de acordo com as 215 milhas indicadas no Itinerário de Antonino, CIL II 4747; hoje está no MDS partido em dois com os ns.º 190.092 e 67.692; existem outros miliários provenientes do centro urbano que poderão estar relacionados com esta via como é o caso do miliário encontrado na Rua de Ns. do Leite, ou o da Casa do Passadiço na Rua Francisco Sanches; a via saía pelo extremo NE da cidade, talvez no largo de S. João do Souto, seguindo junto à Necrópole da Via Nova, no inicio da Av. Central, onde apareceu também uma ara dedicada aos Lares Viales, e seguia pela actual Rua de Chãs e depois pelo caminho que passa na Qta. do Igo e em Vila Aldos, a Leste de Dume, em direcção ao Cávado)

Travessia do Rio Cávado (Celadus):
Como a Ponte do Porto é medieval e não havendo vestígios de uma ponte romana anterior, temos que recorrer à localização dos miliários existentes na zona para identificar o local de travessia. O problema é que estes miliários estão deslocados do seu local original pelo que tanto temos um miliário junto da Ponte do Porto, o miliário convertido em cruzeiro da Capela de S. Miguel-o-Anjo, como muito mais a poente, com o miliário do Pilar. No entanto os estudos mais recentes apontam para uma travessia a jusante da Ponte do Porto já na freguesia da Navarra, sendo que Sande Lemos coloca essa travessia na Barca de Ancêde, com uma provável mutatio em Bouça Alta, enquanto que Colmenero propõe uma travessia um pouco mais a jusante nas Azenhas de Sta. Marta. Na sua saída de Braga, a via é citada em 911 num documento medieval que delimita a antiga diocese de Dume como «in via, quam dicunt de Vereda, qui discurret de Bracara», ou seja, pela via que chamam de vereda proveniente de Braga (in PMH, DC doc. 17, p. 11) pelo que é certo que a via passava algures por Dume, mas não sabemos ao certo o seu traçado pois os miliários foram deslocados pelo que se apresentam duas alternativas dirigindo-se às travessias do Cávado atrás referidas. (Ver Colmenero et alii, 2004; Sande Lemos, 2002; Carvalho, 2008).

  • Pela Barca de Ancêde/Bouça Alta: partindo de Braga, a via passa paralela ao cemitério pela Rua do Areal, Rua do Areal de Cima e Rua Rafael Bordalo Pinheiro, passa junto do Convento de Montariol, Capela das Sete Fontes (milha II), Pinheiro, hoje Rua da Calçada Romana, até atingir Adaúfe (milha III; villa na Qta. do Avelar), continua junto à Igreja Paroquial e segue por Redondo, Barreiro, Freire e Estrada, onde ficaria a milha IV, continuando por Cortinhal, Souto, Qta. do Coelho, onde seria a milha V, Salgueirinho até ao Lugar do Rio, atravessava o rio Cávado na Barca de Ancêde para Barreiros.
  • Pelas Azenhas de Sta. Marta: seguia a Leste de Dume e por Palmeira (citada na mesma delimitação de Dume como Palmaria), indo atravessar o Rio Cávado nas Azenhas de Sta. Marta, subindo por Ponte e Paço até entroncar na variante por Ancêde em Barreiros.

Barreiros (referência a 4 miliários na Igreja, dois apareceram na Qta. do Agrolongo e um na Qta. da Pena?)
Carrazedo (miliário do Pilar, dedicado a Caro que hoje está numa pequena rotunda da aldeia do Pilar transformado em cruzeiro servindo também de marco divisório)
Campo da Bouça, Frecheiro, Caires (vicus e provável mansio da milha X num sítio conhecido por «Cidade de Biscaia»)

    Pela VIA NOVA até à Portela de Sta. Cruz
    Aqui começa um dos mais interessante troços da Geira Romana; partindo da Mutatio na «Cidade de Biscaia»/Campo da Bouça, a via seguia por Pousadas, Paço Velho, Castro, Tornadouro e Lugar da Geira, contornando o Monte de S. Pedro Fins, até confluir com a estrada moderna que vai para Paredes Secas, mas antes da descida à povoação, segue em frente pelo estradão de terra com restos ainda visíveis da calçada romana, ascendendo sempre por patamares suaves contornando a meia-encosta o Monte de Sta. Cruz pela sua vertente Leste onde vencia a milha XIII junto do vicus e provável mutatio de Mojeje, Vila Cova, cujo nome latino poderia ser Viriocelum atendendo ao pedestal com uma inscrição ao Genius Viriocelensis que está no cemitério de Vilela; segue sempre em calçada até desembocar na estrada asfaltada que vai para a Portela de Sta. Cruz onde vencia a milha XIV.

    Os miliários foram todos deslocados para as sedes de freguesia, o miliário a Maximino e Máximo proveniente do lugar de Lama/Dornelas, junto da ribeira da Pala, está no adro da igreja paroquial de Paredes Secas e indica 12 milhas pelo que a milha XII era vencida nesse lugar e os miliários da milha XIII que estavam junto da mutatio de Mojeje, estão hoje em Vilela, o miliário a Tito e Domiciano indicando 13 milhas está no adro da igreja e o miliário anepígrafo está por detrás da igreja, no pátio de uma casa particular.

Portela de Sta. Cruz, Souto (milha XIV; 8 miliários; chegado ao asfalto, segue à direita, passando no largo da aldeia para onde foi deslocado um miliário anepígrafo, e logo a seguir à esquerda pelo estradão de terra junto à placa de término do concelho de Amares e assim entra no vale do rio Homem; logo a seguir aparecem os magníficos 7 miliários da milha XIV na Bouça do Padreiro; continua pelo estradão que passa a asfalto e no desvio para Barral, a via segue à direita para Chão de Cima e Reboredo)
Lampaças, Balança (milha XV no Bico da Geira ou Cantos da Geira; 4 miliários; miliário a Maximiano indicando 15 milhas, miliário a Caro e outro anepígrafo; 2 miliários desta milha, um a Magnêncio e outro talvez a Carino, estão hoje na CM de Terras do Bouro)
Teixugos, Chorense (milha XVI; miliário a Décio; Colmenero refere mais 3 miliários entretanto desaparecidos, Colmenero et alii, 2004)
Ribeiro de Cabaninhas, Chorense (milha XVII; 4 miliários a Heliogábalo, Caracala, Décio e Caro; recentemente apareceu um outro miliário a Maximiano)
S. Sebastião da Geira, Chorense (entronca na estrada que vem de Chorense e segue por Candelo)
Chã de Vilar, Chorense (milha XVIII em Minério; miliário a Tito e Domiciano in situ indicando 18 milhas; também seria daqui o miliário a Constâncio que hoje está na CM de Terras de Bouro; os vestígios do povoado romano que aqui existem, podem ser os restos da mansio SALANIANA embora o Itinerário indique a milha XXI e aqui são 18 milhas a Braga e os vestígios correspondem quando muito de uma mutatio; atravessa o ribeiro do Urzal e segue pelo Alto do Falanco, Barreiros e Alto do Bustelo)
Lajedos, Saim (milha XIX; 4 miliários; miliário a Tito e Domiciano onde se pode ler VIA NOVA FACTA e indicando 19 milhas; miliário a Caracala fragmentado; miliário anepígrafo deslocado para a aldeia de Moimenta Nova onde suporte uma varanda junto à igreja; seria desta milha um miliário anepígrafo que hoje está na CM de Terras de Bouro)
Podrigueiras, Saim (milha XX junto ao Penedo dos Ladrões; 2 miliários, um a Carino e outro a Adriano indicando XX milhas; atravessa o ribeiro da Pala da Porca)

SALANIANA, mansio a 21 milhas de Bracara Augusta, deveria situar-se na zona de Travassos pois aqui apareceram 2 miliários in situ, um miliário a Heliogábalo indicando precisamente 21 milhas a Braga, CIL II 4805 e o miliário a Caro, CIL II 278 ; a mansio poderio ficar junto de um dos povoados romanos conhecidos, no lugar do Pontido a Leste e no lugar de Chã de Vilar, 3 milhas para Sul.

Travassos, Vilar (milha XXI na Pontelha da Geira; daqui segue por Espigão e passa o ribeira do Fojo)
Ervosa, Santa Comba, Chamoim (milha XXII; 2 miliários in situ, um a Carino e outro a Adriano indicando precisamente a milha 22, CIL II 4806; um terceiro miliário foi levado daqui e transformado no cruzeiro que está defronte da Igreja Paroquial de Chamoim em Lagoa)
Esporões, Chamoim (milha XXIII; 4 miliários; miliário a Tácito, miliário talvez a Juliano e 2 miliários anepígrafos; há referências a um miliário a Adriano, e outro a Constâncio II já desaparecidos)
Padrós (milha XXIV no caminho para Cabaninhas; miliário a Maximino e Máximo; referência a mais 4 miliários já desaparecidos; cruza com a EN307 e segue entre esta e o ribeiro da Roda até Sá onde reencontra a EN307)
, Covide (milha XXV; miliário a Décio transformado em cruzeiro enterrado invertido à entrada da povoação; a via continua para Covide pela estrada actual, EN307 até Covide)
Covide (mansio?; miliário a Décio na Rua da Carreira, CIL II 4812, como pilar de um alpendre de uma casa, mas proveniente da milha XXVI em Várzeas, e logo depois no Outeiro do Rei, um miliário a Adriano já sem inscrição e transformado em cruzeiro; pelo caminho da Junceda chega-se ao ainda mais antigo Castro da Calcedónia; à entrada da aldeia a via continuava pela estrada de terra que passa no lugar do Monte)
Várzeas, Jeirinha, Covide (milha XXVI; miliário a Constâncio I Cloro aparecido no Campo do Saganho; a via atravessa a Veiga da Santa Eufémia, passa a milha no lugar das Várzeas e segue o ribeiro até confluir na EN307)
Costa do Cruzeiro (milha XXVII na Carvalheira; miliário a Magnêncio indicando a milha 27 na berma esquerda da estrada na linha que separa Covide de Campo do Gerês, cruzando a EM533; referência a um miliário a Tito e Domiciano já desaparecido)
Cruzeiro de S. João do Campo, Campo do Gerês (a base do cruzeiro é um Miliário a Décio indicando também a milha 27 pelo que foi deslocado da Costa do Cruzeiro/Carvalheira; há ainda referência a um outro miliário a Vespesiano, CIL II 4814, que indicava também 27 milhas, mas hoje já desaparecido; a via continuava pela estrada actual e um pouco mais à frente aparece outro miliário ilegível na berma direita)

Leira dos Padrões, Campo do Gerês (milha XXVIII no sítio da Leira dos Padrões, nas traseiras da igreja; provável mutatio de apoio à via no lugar do Sagrado ou Adro Velho em Veiga de S. João; um miliário a Caro está dentro do jardim de uma casa particular à entrada da povoação; fragmento de um miliário indicando a milha 28 e outro miliário anepígrafo encastrados em paredes de casas da aldeia; fragmento de miliário na Leira do Cotelo, no lugar do Porto do Carro a N da aldeia; Argote refere um miliário a Magnêncio neste local e em 1728 o P. Matos Ferreira mencionou mais 2 miliários neste local todos já desaparecidos; a via continua pela estrada actual em direcção a Vilarinho das Furnas e antes de descer à barragem segue à direita pelo estradão de terra actual que foi construído a uma cota superior devido à construção da barragem que deixou a via submersa)

Bouça do Gavião (milha XXIX em Padrões da Cal; 13 miliários; como a via ficou submersa, foram deslocados para Sarilhão na estrada actual)
Bouça da Mó (milha XXX; 2 miliários e recentemente apareceu mais um miliário a Maximiano; provável mutatio na margem esquerda do ribeiro da Mó)
Bico da Geira (milha XXXI; 21 miliários junto ao ribeiro do Pedredo; vestígios da antiga pedreira que serviu para o fabrico dos miliários)
Volta do Covo (milha XXXII; 22 miliários, a Adriano, Maximino e Máximo, Caro, Magnêncio, etc)
Ponte Romana sobre a ribeira de Maceira (só vestígios)
Ponte Romana sobre a ribeira do Forno (só vestígios)
Albergaria (milha XXXIII; 20 miliários; poderia partir daqui uma outra via que rumava a Leste atendendo ao miliário que apareceu no Borrageiro indicando 28 milhas correspondente à distância medida entre estes lugares)
Ponte Romana de Albergaria/Ponte Feia sobre a ribeira de Leonte (da ponte em ruínas a via segue entre o rio Homem e a estrada actual)
Ponte Romana sobre a ribeira de Monsão (vestígios)
Ponte Romana de S. Miguel sobre o rio Homem (a via segue até à estrada nova na Cruz do Pinheiro)

Portela do Homem (milha XXXIV; 9 miliários, a Caracala, Tito, Décio, Domiciano, Magnêncio, Maximino e Máximo, Nerva e Adriano, um dos quais indica reparações da via na frase vias et pontes temporis vetustate conlapsos restituerunt; talvez fosse a fronteira entre os Braccari e os Quarquerni; ver a discussão do traçado neste ponto)
Lama do Picón, Parque do Xurés, Lobios (milha XXXV; 9 miliários deslocados para uma zona de recreio junto à estrada actual; no sítio original da milha resta um miliário)

Continuando em direcção a Astorga:
Entra na Galiza e desce ao vale do rio Caldo, continuando por Torneiros, Vila Meã, seguindo a margem esquerda do rio Lima até AQUIS ORIGINIS a segunda mansio referida no Itinerário de Antonino que fica em Baños del Rio Caldo. Na sua rota até Astorga, a VIA NOVA tinha as seguintes estações ou mansiones.
Baños del Rio Caldo (AQUIS ORIGINIS) (miliário da milha XXXIX, 39)
Ponte Romana Pedriña sobre o rio Lima (submersa pela albufeira das Conchas; um pouco mais à frente uma derivação ligava a Lugo)
Baños de Bande (AQUIS QUERQUERNNIS) (miliário da milha LIII, 53; o miliário da milha 51 está na Igreja Visigótica de Sta. Comba de Bande como pia baptismal)
Sandiás (GEMINAS) (milha LXIX; miliários em Vilariño das Poldras e Zadagos)
Xinzo da Costa, Xinzo (SALIENTIBUS) (milha LXXXVII, 87)
Vilamaior, Castro Caldelas (possível localização de PRAESIDIO) (junto à Igreja; milha CV)
Mendoia (NEMETOBRIGA) (milha CXVIII, 118)
Ponte Romana de Bibei (magnífica construção romana; os miliários indicam 84 milhas a Astorga, ou seja, 131 milhas a Braga)
Pobra, Valdeorras (FORO) (milha CXXXVII, 137)
Portela de Aguiar (GEMESTARIO) (Vale do rio Sil; milha CLV, 155)
Cacabelos (BERGIDO), El Bierzo (junto ao cemitério; milha CLXVIII, 168)
Bembibre (INTERERACONIO FLAVIO) (atravessa os Montes de León; milha CLXXXVIII, 188)
Astorga (ASTURICA) (total percorrido CCXV milhas, ou seja, 318 km desde Braga)

Itinerário XX (20)

Mapa










Braga (BRACARA) - Lugo (LUCUS) - Astorga (ARTURICA) chamada per loca maritima
Item per loca maritima a BRACARA ASTURICAM usque
AQUIS CELENIS
VICO SPACORUM
AD DUOS PONTES
GLANDIMIRO
TRIGONDO
BRIGANTIUM
CARANICO
LUCO AUGUSTI
TIMALINO
PONTE NEVIAE
UTTARI
BERGIDO
ASTURICA
m. p. CLXV
stadia CXCV
stadia CL
stadia CLXXX
m. p. XXII
m. p. XXX
m. p. XVIII
m. p. XVII
m. p. XXII
m. p. XII
m. p. XX
m. p. XVI
m. p. L
Ao cognominar este itinerário de per loca maritima, o Itinerário de Antonino sugere uma rota por via marítima. Para além do nome, há outra pista neste itinerário que reforça esta teoria quando indica as distâncias a partir de Aquis Celenis não em milhas mas em Stadia (um estádio equivale a 184.7 m) que era uma unidade habitualmente usada em trajectos marítimos ou fluviais (Mantas, 1997). Assim, a partir de Aquis Celenis o itinerário seguiria por via marítima com paragens nos portos de Vico Spacorum, Ad Duos Pontes e Glandiniro, tomando depois novamente a via terrestre em direcção a Lugo (Lucus Augusti, onde reencontra a Via XIX, seguindo depois por percurso comum até Asturica. Seria muito provavelmente uma via comercial, para transporte de mercadorias pesadas, o que é uma notável demonstração da organização económica na era romana. O percurso inicial em território português é alvo de grande controvérsia sem que se tenha chegado ainda a um consenso definitivo. A primeira hipótese é admitir um percurso comum à Via Romana XIX até Aquis Celenis, tendo por essa razão o itinerário omitido as estações iniciais em território nacional. Este facto não é caso único no Itinerário de Antonino que omite por exemplo as estações iniciais entre Lisboa e Santarém quando descreve o Itinerário XIV Lisboa-Mérida pois estas estão já indicadas tanto no Itinerário XV como no Itinerário XVI. Mas esta hipótese tem o problema da falta de consistência entre a distância indicada neste itinerário, 165 milhas (cerca de 244 Km) e o somatório das distâncias intermédias do Itinerário XIX até Aquis Celenis que perfaz um total de 99 milhas (cerca de 147 Km). Sendo assim, não é possível descartar completamente um percurso alternativo em território Português quer seja por via terrestre quer fluvial.

No entanto, como até hoje não foi encontrado nenhum miliário que possa ser atribuído a esta via, a existência de uma rota terrestre alternativo é muito duvidosa, até porque todas as outras vias que partiam de Braga estão pontuadas por inúmeros miliários ao longo do seu percurso. O miliário de Chamosinhos que apareceu num quinteiro da Igreja de S. Pedro da Torre e que muitos autores atribuem a esta via, é na verdade um miliário deslocado do Itinerário XIX que passa a apenas 6 km de Chamosinhos, e como indica 36 milhas a Braga, o seu local original seria junto a Capela de S. Miguel em Fontoura local onde comprovadamente a Via XIX vencia a milha 36. Assim, resta a alternativa fluvial que partindo do porto fluvial de Braga em Areias de Vilar seguia depois o curso navegável do rio Cávado até à sua foz em Esposende, seguindo depois por via marítima até Aquis Celenis. Apesar da aparente inexistência de uma via militar pelo litoral Português, existem muitos itinerários romanos que interligavam os povoados da região e serviam a sua actividade económica que estão descritos abaixo. (Ver Almeida CAF, 1968, 1969; Almeida CAB, 1979, 1980, 1986, 1996; Colmenero et alii, 2004)

de Braga a Areias de Vilar
Braga (sairia pela Rua Padre Cruz em direcção a poente)
Ferreiros (pela Rua de Naia, antiga calçada)
Cabreiros (segue pelo sopé do Castro do Monte das Caldas, por Venda e Pousada até Porto Martim)
Martim (villa, provável mansio na Igreja)
Encourados (villa? na Casa do Adro em Assento)
Areias de Vilar (calçada)
    Alternativas a partir de Areias de Vilar:
  • Atravessar o rio Cávado na Bouça da Barra, seguindo por Manhente (Assento) em direcção a Ponte de Lima por dois traçados distintos, um dirigindo-se à travessia do rio Neiva na Ponte do Anhel e outro rumava a poente para ir de encontro à via que fazia a travessia do rio Cávado a jusante de Barcelos, rumando depois a Norte para a travessia do rio Neiva na Ponte das Tábuas.
  • Seguir por via fluvial ao longo do rio Cávado até à sua foz entre Esposende e Fão, para depois rumar à Galiza por mar.
  • Seguir por via terrestre ao longo do rio Cávado até Fão, cruzando com a via proveniente de Famalicão e que vinha atravessar este rio em Sta. Eugénia do Rio Covo e a via proveniente do Porto ou Karraria Antiqua que fazia a travessia do rio Cávado na Barca do Lago, já próximo da sua foz.

de Areias de Vilar a Ponte de Lima pela Ponte de Anhel
É provável que tenha origem romana a ligação entre esta travessia do Cávado em Areias de Vilar e Ponte de Lima, partindo de Manhente (Assento), seguia por Galegos e pelo sopé da Alto do Facho, onde se localiza a Citânia de Roriz/Cidade de Canhoane (Oliveira), S. Pedro de Alvite, Alheira (atalaia em S. Lourenço), para ir atravessar o rio Neiva na Ponte Medieval de Anhel, seguindo depois um traçado próximo da EN306 até Ponte de Lima, onde entronca na via XIX proveniente de Braga.

de Barca do Lago a Caminha pela Ponte de Tourim
Hipotético itinerário ligando a travessia do rio Cávado na Barca do Lago à travessia do rio Lima em S. Salvador da Torre, podendo continuar até Caminha pela Ponte de Tourim.
Travessia do Rio Neiva (onde? em Breia? vinda de Aldreu/Monte Castro?)
  • Ligação a Viana do Castelo por Alvarães, Vila de Punhe (pelo vale do Castro romanizado do Cotorinho, por Igreja, Qta. da Portela, Sabariz) até Darque.
Portela de Susã (por Igreja, Paçô)
Subportela (passaria no sopé da vertente Leste do Castro romanizado do Santinho ou de Roquese pelo habitat em Paço)
Deocriste (no sopé da Sra. do Castro por Igreja e Aldeia)
Deão (pela Igreja, no sopé da Cividade de Deião)
Travessia do Rio Lima entre Deão e S. Salvador da Torre
Vila Mou (Monte da Cividade; vicus mineiro relacionado com as minas de estanho em Rasas e Mata; nó rodoviário)
S. Paio de Meixedo (minas romanas de ouro e estanho em Vale das Covas e Mata das Cortas)
Vilar de Murteda (minas romanas de ouro e estanho em Folgadouro e Bouça da Breia, topónimo viário)
Amonde (casal na encosta do Alto das Folgueiras; seria mutatio?; passa no sopé do Castro romanizado do Alto da Coroa; minas de ouro e estanho em Folgadouro e Bouça da Breia)
Ponte Romano?-Medieval de Tourim, Amonde sobre o rio Âncora (1 arco)
A ligação a Caminha poderia passar em Orbacém, Gondar, Azevedo (por Paço) e Venade (Castro romanizado do Alto do Coto da Pena em Vilarelho, sobre a cidade) até Caminha

de Famalicão a Barcelos
Provável ligação entre a Via XVI que passava em Famalicão e Barcelos com base na referência a uma «karraria antiqua» em St. Eulália do Rio Covo (in PMH, DC doc. 13, p. 9); a via deveria seguir o vale do rio Covo passando próximo do Castro romanizado do Monte da Saia/Monte de Fralães e por St. Eulália do Rio Covo (vicus em torno da Capela da Sra. de Águas Santas, alusão à estação termal romana que ali existia), continuando depois por S. Bento da Várzea (villa em Assento) para ir atravessar o rio Cávado junto de Sta. Eugénia do Rio Covo, a montante de Barcelos. (ver Almeida, 1968)

de Barcelos a Ponte de Lima pelo Vale da Facha
Esta antiga estrada poderá ter origem romana atendendo aos imensos vestígios romanos ao longo da via, interligando os rios Cávado e Lima, seguindo um traçado próximo da EN204 até Ponte de Lima. Partindo da travessia do rio Cávado a jusante de Barcelos, a via ia atravessar o rio Neiva na Ponte das Tábuas (ponte já documentada em 1135 com possível origem romana) e seguia pelo Vale da Facha até à Correlhã, onde se achou um miliário, mas que para já foi atribuído à Via XIX que não passa longe. Entre o rio Cávado e o rio Neiva o traçado é inseguro podendo passar em Abade do Neiva (pelo sopé do Castro romanizado do Monte Facho/Alto da Torre e villa do Castelo; topónimo Estrada), St. Leocádia de Tamel (Igreja) e de Carapeços (segue pela vertente nascente do Monte de Tamel por Caride e Picarreira, na base do Castro romanizado), seguindo por S. Pedro de Fins, Sra. da Portela e Cossourado, na base do Castro de S. Simão, o «mons cossoirado» junto do qual passava a karraria antiqua citada num documento de 1064 (in PMH, DC doc. 443, p. 276)
Ponte das Tábuas sobre o rio Neiva (casal na Qta. das Giestas)
Balugães (segue a meia-encosta por Laje e Mó, no sopé dos Castros romanizados da Sra. da Aparecida e da Citânia de Carmona)
Poiares (segue a poente da povoação pela vertente nascente da Serra da Padela, passando em Lajes e junto do povoado do Sabugueiro)
Vitorino de Piães (passando junto do Povoado de S. Simão, continua por Reborido e Portela, na base do Castro do Cresto)
Facha («Sancti Michaelis de Laurdelo» num documento do ano 1131; segue por Albergaria e Portela de St. Estevão no sopé do povoado de Trás da Cidade/Alto das Valadas, continua por Maria Velha, possível mutatio, povoado da Cividade/Frei, S. Sebastião, Burgonha; )
Seara (povoados em Vilarinho e Lourinho)
Correlhã (segue junto do Castro romano do Eirado/Anta, Tesido, villa do Paço/Travasselas e Pregal, Castro romanizado de S. João, possível mutatio, antes do rio Trovela)
Travessia do rio Trovela (junto do Castro romanizado de Ns. da Conceição e segue por Santa Luzia)
Ponte de Lima (conflui com a VIA XIX proveniente de Braga)

de Ponte de Lima a Caminha pela Ponte de Estorãos
O caminho antigo que passa na interessante Ponte Romano?-Medieval de Estorãos e na Ponte do Arquinho em Pica, ambas com possível origem romana, correspondendo a uma via secundária vinda de Ponte de Lima e que se dirigia a Caminha atravessando a Serra d'Arga (Monte Medúlio?) por Gafarim, Cerquido, Arga de Cima, Gandara, Arga de Baixo, Corga e Arga de S. João (EM552). Também poderia existir uma ligação a Viana do Castelo pelo margem direita do rio Lima, passando em Lanheses (Cividade; minas de estanho em Cova Alta/Olas e Alto da Mouras e de ouro em Bouça do Moisés) e no vicus mineiro de Vila Mou.

de Caminha a Valença
Itinerário medieval de ligação de Caminha a Valença pela linha de costa que poderá ter origem romana, atendendo aos vestígios romanos ligados à actividade portuária e mineira.
Argela
Travessia do Rio Coura (na Ponte Medieval de Vilar de Mouros?)
Vila Nova de Cerveira
Lovelhe, Vila Nova de Cerveira (Castro romanizado do Forte de Lobelhe, provável vicus portuário romano, porto fluvial do Rio Minho para escoamento do minério da mina romana de estanho no Couço do Monte Furado em Covas; espólio na C. M. de Cerveira)
Chamosinhos, S. Pedro da Torre (num quinteiro junto à igreja, foi descoberto o miliário de Chamosinhos)
Ponte Medieval sobre a ribeira de Insuas, no lugar da Ponte
S. Pedro da Torre
Ponte Medieval da Veiga da Mira sobre a ribeira de Mira (1 arco; junto à linha CF)
Cristêlo-Côvo
Valença (entroncando assim na VIA XIX Braga-Valença )

Itinerário Braga-Mérida

Mapa













Braga (BRACARA) - Freixo (TONGOBRIGA) - Idanha-a-Velha (IGAEDITANIA) - Mérida (EMERITA)
Embora ligue dois importantes centros urbanos, este itinerário não vem mencionado no Itinerário de Antonino o que tem colocado muitas dificuldades para levantar o seu percurso. O problema começa logo depois de Braga na passagem do rio Vizela com 3 pontes possívelmente de origem romana e complica-se ainda mais na travessia do Douro que sendo uma zona intensamente romanizada e num terreno difícil, contém uma grande diversidade de itinerários, não se sabendo se uma delas poderia ser chamada de via principal, caso existisse essa distinção. Existem 4 miliários a N do Douro relacionados com esta via, um em S. Martinho de Sande indicando o ponto de passagem da via na zona de Guimarães, e os miliários relacionados com a cidade romana de Tongobriga em Marco de Canaveses, com dois miliários junto à civitas, em Tuías e na aldeia do Freixo, e os miliários de Soalhães e da Carreirinha que marcam o trajecto em direcção rio Douro. A partir do rio Douro, o traçado da via é ainda mais obscuro. Deveria seguir por Castro de Daire até à civitas de Viseu, o principal caput viarum das Beiras, mas destes caminhos só se conhecem vestígios já próximo de Viseu. Já a partir de Viseu, o traçado é pontuado por alguns miliários, seguindo por Mangualde para depois ultrapassar a Serra da Estrela pelo caminho que vai de Folgosinho até Famalicão da Serra, já na vertente Leste da serra. A partir daqui a abundância de calçadas e miliários torna o percurso mais claro, seguindo na direcção da Ponte Romana de Alcântara, o grande monumento viário da Hispânia romana ainda de pé, onde atravessa o rio Tejo, seguindo depois para Mérida. Para ultrapassar as muitas incertezas no percurso, o itinerário é apresentado por troços: de Braga a Viseu, Viseu e Famalicão da Serra (atravessando a Serra da Estrela) e finalmente de Famalicão da Serra a Mérida:

Braga (Bracara) - Guimarães
Braga (BRACARA AUGUSTA)
(a via sairia pela porta Sudeste da cidade próximo da Necrópole da Rodovia ou da Necrópole de S. Lázaro na zona da actual Qta. do Fujacal e seguia por Fraião)
Serra da Falperra (pela portela?; Castro romanizado do Monte de Sta. Marta das Cortiças; desce talvez por Entre-Águas e Carreira)
S. Lourenço de Sande (topónimo «Estrada Velha»; seguia por Lapa, Quatro Irmãos e Pontes)
S. Martinho de Sande (na casa paroquial apareceu o miliário a Trajano? talvez a milha XVIII, hoje no Museu Martins Sarmento com o n.º 78; a mutatio poderia ser um pouco antes, em Quatro Irmãos, antiga estação viária; passa o rio em Pontes e segue por Lameiras e Alvite)
Caldas das Taipas, Caldelas (calçada; ver a importante inscrição conhecida por Ara de Trajano)
Travessia do rio Ave (Avo) (na zona da Ponte das Taipas ou mais a jusante na Ponte de Campelos; continuar pela EN101)
S. João da Ponte (calçada no Monte da Insua)
Ponte Romano?-Medieval de Roldes, Caneiros, Fermentões sobre a ribeira do Selho (a montante da ponte nova na EN101)

Guimarães (na idade média entrava pela Porta de Sta. Luzia ou Porta de S. Bento; além do referido miliário de S. Martinho de Sande, o Museu Martins Sarmento guarda mais 5 miliários encontrados perto de Braga, 2 miliários pertencentes à Via XIX - Braga-Valença da Ponte do Prado (nr. 77) e da Qta. de Germil (nr. 82) e 3 miliários trazidos da Qta. do Cravinho em Braga, local onde foram agrupados pelo que não se sabe a que via pertenciam: o miliário a Marco Aurélio e a Cómodo (nr. 79), o miliário a Constantino I, regravado por Constâncio II, indicando 36 milhas (nr. 80), e o miliário a Valentiano I e Valente (nr. 81))

Outras Vias que partiam de Guimarães
A partir de Guimarães o traçado da via principal para Mérida não está identificado devido à complexidade da rede viária nesta região. A existência de 3 pontes sobre o rio Vizela com provável origem romana (S. Martinho do Campo, Caldas de Vizela e Vila Fria), indiciam 3 possíveis traçados em direcção ao rio Douro, mas atendendo à importância da civitas Tongobriga em Marco de Canaveses, é mais plausível que a via principal seguisse por aí em direcção ao rio Douro, trajecto aliás pontuado por alguns miliários. No entanto é provável a existência de ligações a Cale, itinerário descrito na Via Vimaranes a partir do Porto, a Magnetum em Meinedo e daqui à Civitas Anegia, assim citada na documentação medieval e hoje localizada em Eja (em Entre-os-Rios, na foz do rio Tâmega, a Villa Banius no ano 1047, in PHM, DC Doc. 357) onde poderia fazer a travessia do rio Douro. Também deveria existir uma ligação pelo vale de Paços de Ferreira até Paredes, talvez no Castro romanizado do Muro em Vandoma, entroncando na Via Cale - Tongobriga por Valongo.

    de Guimarães à Ponte de Negrelos em S. Martinho do Campo
    Na idade média saía de Guimarães pela Porta da Torre Velha, passava junto a S. Francisco e aos Pelames, seguindo depois aproximadamente a EN105 por Creixomil (pela Ponte Romano?-Medieval da Pisca), Nespereira e Conde (Povoado no Monte do Ladário, Gandarela), desviando ao km 36 pela Rua das Paredes Alagadas e Rua da Ponte para ir atravessar o rio Vizela na
    Ponte Romana de Negrelos, São Martinho do Campo, sobre o rio Vizela (com 3 arcos e reconstruída com muito material romano, em particular nos arcos onde são visíveis as marca de fórfex; ara dedicada à divindade ABNA)
    Vias partindo da Ponte de Negrelos:

    da Ponte de Negrelos a Paredes
    Partindo da Ponte de Negrelos seguia na direcção de Sanfins de Ferreira por Arnozela e Escorregoura, podendo seguir depois por Sta. Maria de Negrelos e Samoça ou por S. Mamede de Negrelos, Codessos (Castro no Monte do Socorro) e Lamoso.
    Sanfins de Ferreira (ver Museu Arqueológico da Citânia de Sanfins)
    Eiriz (necrópole de Isqueiros; segue a EM513 pra Trindade)
    Bouçós, Meixomil (necrópole aqui e na Devesa Grande; segue por Padrão)
    Cô, Penamaior (segue por Escariz até S. Brás junto aos Castros romanizados de Vila e Bustos)
    Frazão (povoado e calçada no Crasto de S. Brás; necrópole na Boavista)
    Lordelo (EN209; villa em Arreigada)
    Travessia do Rio Ferreira na Ponte Romana? das Penhas Altas, Lordelo (2 arcos)
    Rebordosa (por S. martinho e Aboim; topónimo Rua da Ponte Romana)
    Astromil, Paredes (entroncando na Via Cale - Tongobriga)

    De Guimarães a Meinedo (Magnetum) pela Ponte de Vizela
    Hipotética via com percurso muito indefinido que atravessaria o Rio Ave na "Ponte Romana" de Vizela, se bem que a configuração actual da ponte ser aparentemente medieval. Daqui poderia rumar a Magnetum, importante Vicus situado em Meinedo por percurso ainda não muito claro, descendo depois em direcção à travessia do rio Douro em Eja/Entre-os-Rios. Esta rota passa ao lado da importante Castro Romano do Monte Mozinho perto de Penafiel.
    Guimarães (segue aproximadamente a EN106 por Creixomil e Nespereira até Vizela)
    Caldas de Vizela (OCCULIS), S. Miguel de Vizela
    Ponte Romano?-Medieval de Vizela sobre o rio Vizela (31 m, 2 arcos; segue pela Rua Joaquim Sousa Oliveira?)
    Sta. Eulália de Barrosas, Vizela (necrópole no lugar da Senra; habitat)
    • A partir daqui não se sabe se a via seguia por Lustosa e Sousela (inscrição funerária) directo ao Castro de S. Domingos em Cristelos, Lousada (inscrição sepulcral no lugar do Padrão), indo por Boim para atravessar o Rio Sousa na Ponte de Espindo.
    • ou rumava a St. Estevão de Barrosas (calçada no lugar da Venda, junto à Casa do Carmo), Sta. Margarida de Lousada, Nogueira (topónimos calçada e vila), indo atravessar o Rio Sousa na Ponte de Vilela em Aveleda ou na Ponte Romana? de Barrimau em Macieira (silhares almofadadas), devendo um ramo seguir Caíde de Rei para Marco de Canaveses.
    • também poderia "saltar" Meinedo e continuar para Sul por Santiago de Subarrifana e Marecos, onde reencontra este itinerário.
    Meinedo (MAGNETUM), Lousada (o vicus estendia-se por Casais, Igreja Paroquial e Qta. dos Padrões)

    de Meinedo (Magnetum) até Eja (Anegia?) , Entre-os-Rios
    Milhundos (povoado romano junto à igreja de Santa Luzia)
    Póvoa de Marecos (Santuário romano junto à Capela da Ns. do Desterro; aqui apareceu uma epígrafe que refere o sacrifício de animais a deuses indígenas; necrópole em Pedreira)
    Rãs (Ponte Velha de Rans sobre um afluente do rio Cavalum)
    Oldrões (no sopé do importante Castro Romano do Monte Mozinho, aberto ao público, e cujo espólio está no Museu Municipal de Penafiel; Mons Monachino em 1158, in LPTS 25; troço de calçada entre Bodelos e Agrelos atravessando a ribeira da Camba, hoje Rua da Via Romana)
    • Possível ligação a Tameobriga atravessando o rio Tâmega: de Oldrões deveria partir uma ligação à travessia do rio Tâmega em Várzeas (Rio de Moinhos), passando em Cabeça Santa, atendendo à Calçada por detrás da Capela dos Passinhos em Boelhe e ao povoado e casais em Bouça do Ouro, rumando depois na direcção de Tameobriga, provável nome do Vicus da Várzea do Douro.
    S. Miguel de Paredes (continua pela Rua da Via Romana)
    Pinheiro (Villa Banius nas Termas Romanas de S. Vicente; Castro romanizado do Outeiro Divino/do Dino a poente da zona termal)
    Portela
    Eja (civitas Anegia na documentação medieval; castro romanizado da Sra. da Cividade; calçada; a inscrição votiva dedicada ao LARIBUS ANAECIS encontrada na antiga igreja paroquial de Lagares é uma provável referência a esta civitas; possível travessia do Douro para S. Martinho de Sardoura e ligando ao provável vicus de Tameobriga na confluência dos rios Douro e Paiva, lugar do Castelo; Ver vias que saíam de Tongobriga para o Douro)















Guimarães - Tongobriga
Via principal para Mérida, passando em Felgueiras e Marco de Canaveses.

Guimarães (provável mansio no cruzamento de várias vias secundárias; na idade média a saída da cidade seria pela Porta do Postigo ou da Sra. da Guia, ia pelo Campo da Feira e depois seguiria aproximadamente a EN101 por Mesão Frio e Infantas, mas também poderia rumar a Sul, em direcção à Villa de Abação?)
Serzedo (talvez seguisse a EN101 até Pousã ao Km 121, onde ruma a Hospital, Portela, Venda da Serra, Cimo do Eiriz e desce ao Arco por Bouças do Arco)
Ponte Romano-Medieval do Arco em Vila Fria, Felgueiras, sobre o rio Vizela (reconstrução medieval com materiais romanos, como silhares almofadados; a calçada começa à direita da saída da ponte e sobe ao Monte da Boavista, passa a asfalto até à EM563 no Sardoal, segue à direita até ao lugar da Rua onde vira à esquerda para a Rua do Burgo, CM1160-1, junto à Casa do Paço e segue junto ao seminário até ao cemitério)
Pombeiro de Ribavizela, Felgueiras (sobe pelo troço de calçada que ladeia o muro do Mosteiro, até confluir com o CM1175 que segue para os lugares de Ribeiro, Chã e Cascalheira, no sopé do Castro do Monte Picoto, até confluir com a EN101-3)
Água Empregada (em Campas, sai da EN101-3 à esquerda por Estrada, onde atravessa a EM562, continuando por Corvas, Taco, Forca, Barreiras e Venda)
  • Eventual variante para SW em direcção a Magnetum (Meinedo) e Tongobriga (Marco de Canaveses), passando por Varziela, Unhão (o Paço seria uma villa), Macieira, Ponte Romana? de Barrimau (silhares almofadadas), ligando a Magnetum ou seguir para Tongobriga por Caíde de Rei, S. Martinho de Recezinhos, Constance e Sobretâmega.
  • Deveria também existir uma ligação à Villa de Sendim, a NE de Felgueiras, possívelmente passando nos 400 m de calçada em Lourido.
Travessia do rio Sousa em Ameal (segue até Souto por calçada com 350 m)
Refontoura (continua pela base do Castro de S. Simão, passando em Souto, Pereira, Lama e Estrada, onde segue à direita; existe uma calçada de acesso ao Mosteiro de Caramos a 100 m)
Caramos (a via segue para Borlido, Mouta, passa por dois troços de calçada que ligam a Espíuca, seguindo depois por Cerdeira das Ervas, Quintela e Santo onde conflui com a EN101)
Lixa (pelo Alto da Lixa, Castro/Monte do Ladário, natural cruzamento de caminhos; ver a ligação Braga-Amarante-Vila Real)
Santiago de Figueiró (à esquerda na EN15, passa no Paço na EN565-1)
Mancelos (segue por Pidre, contorna por poente o Castro de Banho)
Banho e Carvalhosa (segue por Pimpinela, Carreira Chã e Torre)
Vila Caiz (possível ligação à Villa de Vilarinho debaixo da Estação CF, e ao Rio Tâmega por Retorta e Carreira)
St. Isidoro (segue indefinido até ao rio Odres no lugar de Quintã)
Ponte Romano?-Medieval do Bairro sobre o rio Odres (a actual é românica; 1 arco)
Constance (por Forcado)
Caldas de Canaveses (Aquae Tamacanae?), Sobretâmega (Termas, necrópole e vicus; segue até à Igreja de Sta. Maria; antes da Barragem do Torrão submergir esta área, a via seguia em direcção ao Cruzeiro do Sr. da Boa Passagem e dirigia-se pela Rua de Canaveses, aldeia de Pisão, até à ponte)
Ponte Romana sobre o rio Tâmega (seria uma das maiores pontes romanas existentes em Portugal; no séc. XII foi reconstruída mantendo os pilares originais, posteriormente destruídos na reconstrução de 1941; hoje está tudo submerso)
Lugar da Quinta, S. Nicolau (referência a um miliário no lugar do Outeiro; sobe a Rua de S. Nicolau onde ainda existe a Albergaria de Canaveses possível sucedâneo da antiga mansio)
Tuías (miliário a Valentiano I e Valente, encontrado in situ na Qta. de Baixo, lugar da Herdade, a última milha antes de Tongobriga, está hoje no Jardim da Biblioteca Municipal)

Freixo (TONGOBRIGA), Marco de Canaveses (Martins Capela refere um miliário junto à Igreja entretanto destruído; parte dele reapareceu em 1992 nas obras da Escola Profissional de Arqueologia, onde se encontra; a 3 milhas da ponte)

    Outras vias que partiam de TONGOBRIGA (Dias, 1987,1997,1998)

    Para Noroeste, em direcção a Magnetum em Meinedo, Lousada:
    Ligação entre Tongobriga e Magnetum passando junto ao Castro de Quires e pelo Vale de Croca; Atravessava o rio Tâmega na desaparecida Ponte Romana para Sobretâmega, seguindo por Rua, S. Pedro, Penides, Avessada, Torre, Arvio, Pedras, Boriz e continua em calçada pelo Alto de Vide Basta, junto à capela, seguindo depois pelo sopé do Castro de Quires para Croca (vicus e provável mansio no cruzamento de vias) e daí a Magnetum, antiga sede de um bispado suévico.
    • Eventual ligação a Santiago de Subarrifana por Santa Marta (Ponte de Santa Marta sobre o rio Cavalum, na EN589 ao lado da ponte nova)

    Para Nordeste em direcção a Panóias por Amarante e Vila Real:
    Traçado hipotético da via romana que ligava Tongobriga à Serra do Marão (mons Maraonis) seguindo o curso do Rio Ovelha.
    Tabuado (Quelha, Chão da Igreja, Igreja Românica)
    Várzea da Ovelha e Aliviada (Outeiro e Portela; casal em Torre)
    Folhada (desce à Ponte do Arco)
    Ponte Românica do Arco sobre o Rio Ovelha (aparenta uma construção anterior nos alicerces da margem esquerda; sobe a Picoto)
    • De Folhada um ramal poderia seguir por Moura e Igreja Velha em direcção ao Castro romanizado do Castelo em Carvalho de Rei; daqui poderia atravessar o Rio Fornelo e aceder por Valinhos (tesouro) a Bustelo.
    • Via da Serra do Marão pelas Minas romanas do Teixo/Penedo Ruivo; a inscrição num penedo Castra Oresbi poderá indicar o nome de um povoado ou acampamento mineiro na região; O caminho poderia partir de Bustelo , subindo à Serra do Marão (mons Maraonis) pelo caminho pelo Alto da Sra. da Corba Chã, Murgido e Granja, cruza a estrada moderna e segue pelo chamado Caminho do Trigal, linha divisória entre os concelhos de Baião e Amarante, passa junto à minas de estranho do Teixo e segue até entroncar na estrada da Sra. da Serra.
    S. Salvador do Monte (passa nos altos de S. Salvador e do Santinho)
    Lomba (provável mansio no Lugar das Paredinhas e do Paraíso; necrópole em Prazo; podendo descer a Amarante por Cepelos)
    Padronelo (talvez por Devesa e Moure até Marancinho, onde conflui com a via proveniente de Braga e seguem para a Serra do Marão)

    Para Sul em direcção à Várzea do Douro no Foz do Tâmega:
    Esta via poderia desviar a rota principal em Tuías ou no Freixo até confluírem no lugar do Bairral, onde há necrópole.
    • vinda de Tuías seguiria a EN210 por Vilar, Cobreira, Ponte, Talegre, Tenrais e Bairral.
    • vinda do Freixo passava nos lugares de Covas, Esmoriz, Rosém de Cima, Monte Confurco, Chentadiços e Bairral.
    • uma referência medieval a uma «carraria antiqua» em S. Cristovão de Sande, indica um caminho alternativo ao Douro derivando do anterior em Rosém de Cima e seguia em calçada por Bouça Baixa (pedreira na vertente poente do Alto da Bouça) e pela Portela de Mexide (nos limites das freguesias de Sande e Vila Boa do Bispo, cruzamento com a CM1266) descendo daqui pela calçada da Bouça da Carreira até Veiga, segue à direita pela ER108 e logo depois à esquerda para Loureiro, onde se dividia, seguindo um ramo até à foz da ribeira de Sande e outro atravessava esta ribeira e seguia até ao Cais do Vimieiro no rio Douro (in in PMH, DC doc. 688, p. 412).
    Vila Boa do Bispo (de Bairral seguiam a EN210 pelo lugar da Estrada e Lamoso)
    Favões (continua pela EN210 por Golas, Vila, Requim de Cima e Requim de Baixo; necrópole da Tapada das Eirozes em Ariz)
    Alpendurada e Matos (segue pelo sopé do Castro de Arados no Alto de Santiago que está a ser destruído por uma pedreira, passando em Mondim, Memorial, Vista Alegre, Ventosela e Cais de Bitetos)
    Várzea do Douro (vicus e provável mansio hoje submersa pela barragem de Crestuma; Sancto Martino num documento de 964; o miliário a Adriano referido erradamente no CIL II 6211 como proveniente daqui resulta de um equívoco de Hübner que o confundiu com o miliário de S. Mamede de Infesta; Ver Lima 1999)
    Travessia do rio Douro entre o Cais de Bitetos de Baixo e o Outeiro do Castelo
    • TAMEOBRIGA: na margem esquerda do Douro, em Castelo de Baixo segundo Morais Sarmento, apareceu uma inscrição votiva a Tameobrigus, suposta divindade local relacionada com o Rio Tâmega (Tameo?), possível referência ao povoado de Tameobriga que ficaria assim na confluência dos rios Douro e Paiva; A sua localização não é segura pois tanto poderia corresponder ao Vicus da Várzea do Douro na margem direita como topónimo «Castelo» (S. Paio de Fornos) na margem esquerda do rio Douro e na margem esquerda da foz do Rio Paiva, local onde se achou a referida inscrição. Poderá estar aqui a origem do nome do concelho de Castelo de Paiva; o povoamento romano é evidenciados pelas necrópoles em Folgoso/Picoto (Raiva), em Cruz da Carreira (Sobrado), em Valbeirô e Campo da Torre (Sta. Maria de Sardoura), Vales e Valdemides.
    • Ligação a Viseu: após a travessia do Douro, a via seguia para Souselo pela «Carraria Antiqua», passando na calçada junto à Capela de Escamarão, até ao lugar do Couto na EN222, onde há a necrópole da Concelhôa; Esta Carraria Antiqua, assim citada na documentação medieval, deveria continuar para Viseu pelo vale do rio Paiva, onde referências medievais a uma «carraria antiqua» (in PMH, DC doc. 459, p. 287), seguindo algures por Fornelos, Nespereira, Cabril, Meã, Ameixiosa, Posmil, até às Caldas de S. Pedro Sul, onde entronca na via que vem do Porto pela Serra de Arouca, seguindo juntas para Viseu. Ver abaixo problema da ligação entre Tongobriga e Viseu.











Freixo (Tongobriga) - Viseu (VISSAIUM)
É muito provável que a via romana para Mérida rumasse primeiro a Viseu e daqui seguia para a travessia da Serra da Estrela. Se a descida para o Douro é bem conhecida pelos vários miliários existentes, apontando às três tradicionais travessias do Douro, Porto Antigo, Caldas de Aregos e Porto de Rei, a partir de daí pouco se conhece dos traçados para Viseu. A via principal deveria seguir por Porto Antigo visto que este é o caminho mais curto para Viseu, enquanto que Caldas de Aregos dava acesso a Cárquere, possível capital dos Paesuri, ligando a Viseu, possível capital dos Interannienses, e por fim a travessia em Porto de Rei que deveria dar acesso a Lamego, possível capital dos Coilarni (todos estes povos são referidos no «Naturalis Historiae» de Plínio). Todos estes percursos teriam continuidade para Viseu pelo que é provável que um destes caminhos fosse a via principal para Mérida. Ver Itinerários de Viseu ao Douro.

Freixo (TONGOBRIGA)
Travessia do rio Galinhas (talvez na confluência da ribeira do Juncal com a ribeira da Lardosa)
Outeiro, Soalhães
Lugar do Crasto, Soalhães (calçada e miliário a Constantino II da milha VIII desde Tongobriga, hoje armazenado no Museu Soares dos Reis no Porto; a via circunda a base do Castro Soalhão por terrenos ainda conhecido por «Vale Trajano»)
Mesquinhata (segue por Casal e Geguintes)
Carreirinha, Mesquinhata (miliário a Galieno encontrado in situ junto ao Alto dos Encambalados, está hoje no Museu Municipal de Baião)
Ancêde (percurso pedestre pela calçada que ladeia o Castro de Porto Manso e depois desce pela margem esquerda do rio Ovil; ver mapa)
Porto Manso, Ribadouro (povoado e provável mansio na Qta. de Mosteirô para apoio à travessia do rio Douro)
Travessia do rio Douro para Porto Antigo, Cinfães (vicus no Castelo de Sampaio em S. Cristóvão de Nogueira; aqui achou-se uma inscrição dedicado a Augusto)
  • Ligação a Viseu: a via talvez continuasse pela margem direita do rio Bestança rumo à Serra de Montemuro (mons Muro), num percurso próximo da EN1029 e EN1030 por Pimeiro e Vila de Papas até Gralheira, onde subsistem alguns vestígios da passagem da via, como a calçada de Gafanhão, a calçada junto à Ponte de Panchorra sobre o rio Cabrum e a calçada de Cotelo junto da Lagoa de D. João, importante nó rodoviário onde confluía com a via proveniente de Caladas de Aregos, seguindo depois pelo Alto do Cotelo e Cruz do Rossão para Castro Daire e Viseu.

Outras ligações ao Douro:
Deveria existir outras vias de acesso ao Douro, derivando na Mesquinhata para nascente por Grilo (Passadouro e o Alto do Loureiro) e Gôve (junto ao Castro romanizado do Cruito) até à Ponte de Gove. A partir de Gôve a via seguia para a travessia do rio Douro que podia fazer-se em dois pontos, Caldas de Aregos e Porto de Rei, ligando respectivamente a Cárquere e Lamego.

    Para Caldas de Aregos, Cárquere e Viseu
    Sta. Cruz do Douro (passava em Portela do Gôve, Vale de Coelho, Sra. das Boas Novas em Sequeiros)
    Travessia do rio Douro em Venda das Caldas
    Caldas de Aregos (segue por Pousada; esta calçada está referida na documentação medieval como «Karraria Antiqua», in DC n.º 888, p. 527)
    S. Romão de Aregos
    Cárquere (possível capital dos Paesuri ou dos Coilarni)
    • Ligação a Viseu: a via deveria continuar para Sul transpondo a Serra do Montemuro, seguindo talvez o caminho que passa junto da Capela de S. Francisco, seguindo depois por Canizes, Rossas e Talhada até à Lagoa de D. João em Cotelo, onde confluía com a via que vinha da travessia do Douro em Porto Antigo (Cinfães) e juntas seguiam para Castro Daire e Viseu.

    Para Porto de Rei e Lamego
    Sta. Cruz do Douro (povoado em Passal, junto à igreja; segue a EN108 até Vila Monim, sai à direita para Cedofeita e Senra)
    S. Tomé de Covelas (continua por Outeiro, Lama Susã e vicus do Barreiro)
    Sta. Marinha do Zêzere (vicus na Qta. de Guimarães em Míguas; possível ligação NE para Gestaçô, onde apareceu um tesouro, o Mons Genestazo da documentação medieval)
    Travessia do Rio Teixeira na Ponte de Frende (entre Ervidal e Cruzeiro)
    Frende (3 baixos-relevos e inscrições funerárias; teria existido um templo?)
    Travessia do rio Douro em Porto de Rei
    S. João de Fontoura
    S. Martinho de Mouros, Resende (calçada no Alto de Vila Verde e perto do Castro da Mogueira)
    Penajoia (Castro romanizado e vestígios de calçada; Castro de Penude a Sul)
    Lamego

Mapa

















Viseu - Famalicão da Serra
Esta itinerário atravessa a Serra da Estrela integrado a via entre Braga e Mérida, seguindo por Mangualde, Abrunhosa-a-Velha, Folgosinho e Famalicão da Serra, onde 5 miliários atestam a passagem via. Bibliografia: Nóbrega (2003) e Vaz (1976)
Ver também os outros itinerários da região de Viseu.

Viseu (civitas; forum no morro da Sé; a Rua Direita seria a cardus Maximus; partindo da necrópole junto da capela de S. Miguel, a antiga porta da cidade, seguia por Viso, Carreira de Tiro, Fragosela e Fragosela de Baixo)
Travessia do rio Dão
Fagilde (coluna, possível miliário; calçada)
Roda (calçada e um miliário anepígrafo sem localização precisa, segundo Nóbrega em 1992 estaria «numa casa particular em Mesquitela»)
Mangualde (a mansio seria nas Qtas. da Fonte do Púcaro, junto da villa romana da Qta. da Raposeira na base do povoado do Monte da Sra. do Castelo, talvez a Araocellum referida numa inscrição encontrada em S. Cosmado; espólio na Assoc. Cultural Azurara da Beira; a mansio ficava no cruzamento com a Via N-S que seguia para a Bobadela)

Itinerário atravessando o Mondego na Ponte de Palhez:
Mangualde (segue pela Rua da Estação até ao Km 14.1 e depois à esquerda pela Rua da Ponte que passa junto da Villa da Qta. da Calçada com vestígios da via até à ribeira de Almeidinha)
Mesquitela (segue pela Rua da Ponte, Rua da Calçada Romana, Rua Direita e Rua da Ramalhinha/Qta. da Lavandeira)
Mourilhe (magnífico troço de calçada romana com 50m e 5,6 m de largura junto da Capela de Ns. da Conceição; indicada na EN232)
Contenças de Baixo (calçada no caminho para a ponte)
Travessia do Mondego junto à Ponte de Palhez
Cativelos (deveria seguir próximo da villa do Mte. Aljão; Ponte Romana? do Aljão e Ponte Romana? das Cantinas com calçada; calçada em Celas Alminhas-Dobreira)
Vila Nova de Tázem (alguns troços de calçada em Freixial-Safail e em Texugueira-Parigueira possívelmente pertencentes a esta via)
Segue até Nespereira, onde conflui com o itinerário abaixo.
Itinerário atravessando o Mondego em Poço Moirão (via principal?):
Mangualde (milha XII?; da mansio segue pelo troço de calçada nas Qtas. da Fonte do Púcaro; topónimo medieval Albergaria talvez em referência à mansio)
Almeidinha, Mangualde (seguir pela Rua Principal e Rua Sra. do Campo/EM1458, passando a 200 m a nascente da Villa da Moita da Oliveira)
Casal de Cima, Santiago de Cassurrães (atravessa a Serra da Baralha por Tapada)
Santiago de Cassurrães (possível miliário anepígrafo junto à capela de S. Sebastião, Gomes, 1985; depois de atravessar a ribeira de Cassurrães segue pela Rua da Calçada, chamado "Caminho Velho", antiga via romana, junto das alminhas da capela da Sra. de Cervães, que talvez reutilize um miliário, seguindo pela Qta. de Sta. Marinha, onde há habitat e restos da calçada, indo atravessar o Mondego junto à Qta. do Moinho)
Abrunhosa-a-Velha (aqui existiam quatro miliários que foram transferidos para Viseu; dois estão desaparecidos, destes um era anepígrafo e outro era dedicado a Numeriano, enquanto que os outros dois pertencem à Colecção da Assembleia Distrital de Viseu na Casa do Adro ao Largo da Sé, um miliário onde já só se lê XX milhas e um miliário a Adriano da milha XVIII, o que corresponde à distância daqui a Viseu, com o n.º 605)
Travessia do rio Mondego entre Poço Moirão e Qta. dos Padres (segue próximo da villa de Risado; poderia existir uma ligação mais directa a Melo pela linha de festo entre as ribeiras de S. Paio e do Paço)
Arcozelo (possível mutatio no povoado fortificado do Castelo)
Nespereira (Calçada de São Pelágio; Cadeiral Romano no Bairro de St. António)
Ponte Romano?-Medieval do Chorido sobre a ribeira de Gouveia (calçada)
S. Paio, Gouveia (cruza com a via NE-SW que ligava Marialva à Bobadela)
Nabais
Melo
Freixo da Serra
Folgosinho (seria a última mansio antes de atravessar a serra)

De Folgosinho a via romana seguia para Famalicão da Serra, atravessando a Serra da Estrela:
O percurso não está bem definido, mas é provável que seguisse pela Portela de Folgosinho e Calçada dos Galhardos, com 1,5 Km, seguindo depois por Cantarinhos, Casal das Pias, junto do Alto da Cova do Cêpo, descendo por Casal Reigoso à Qta. da Taberna, onde fazia a travessia do rio Mondego, rumando daqui pela Lomba de Saimão, Tapada/Quinta da Eira ( calçada e miliário a Constâncio) e Qta. do Cadouço (calçada e miliário a Tácito), até atingir Famalicão da Serra

  • Ligação a Linhares, é possível que existissem ligações a Linhares a partir da via Braga-Mérida quer derivando nas proximidades de Gouveia e seguindo por Nabais, Melo, Freixo da Serra, Figueiró da Serra, subindo depois a Linhares pela «Calçada doa Almocreves» quer derivando em Folgosinho pela serra até Linhares.

Mapa



































Famalicão da Serra - Mérida (EMERITA) (ver Belo:1960)
Este troço está bem definido pelos 9 miliários existentes ao longo do seu percurso até Caria embora se desconheça a origem das milhas marcadas. A via atravessava o território dos Lancienses Transcudani e dos Lancienses Oppidani, povos mencionados na inscrição da Ponte de Alcântara. A definição dos seus limites territoriais permanece ainda em discussão (ver Alarcão, 2001), mas é provável que os Lancienses Transcudani ocupassem o planalto da Guarda, possívelmente com capital na Póvoa de Mileu, enquanto que os Lancienses Oppidani estariam mais a Sul na região de Penamacor devido ao Terminus Augustal que apareceu em Salvador marcado a divisão territorial entre estes e os Egaeditani com capital em Idanha-a-Velha. Entre eles poderia existir um terceiro território Lanciense, os Ocelenses referidos por Plínio que poderia ficar na zona do Sabugal atendendo à inscrição onde se lê «Vicani · / Ocel[o]n[e]/nses» encontrada em Pousafoles do Bispo.

Famalicão da Serra (vinha pela Serra de Barrelas e seguia pela extinta povoação de Barrelas, antigo castro e provável localização de uma mutatio de onde são provenientes o miliário a Tácito e o miliário a Constantino Magno achado a 1 km da via no sítio de Colerdordem que hoje estão no Museu da Guarda; a capela de St. Antão guarda no seu interior um miliário a Tibério?; continua pelo «Caminho do Convento» passando junto da Qta. do Sendão)
Valhelhas (miliário a Maximiniano, apareceu junto do rio Zêzere, passou pela Igreja Matriz e hoje está na J. F.)
Várzea do Vale Formoso (calçada ao longo da margem esquerda do rio Zêzere)
Lameiras (miliário a Tácito, AE 1965, 107, e um miliário anepígrafo, hoje depositados no Castelo de Belmonte)
Ponte Romana sobre a ribeira da Gaia na Qta. do Galvão (defronte fica uma provável mansio na Torre Romana de Centum Cellae)
Catraia da Torre, Colmeal da Torre (contorna a Torre, cerca de 30 m da face N)
Travessia da ribeira do Colmeal (na margem direita apareceram, um miliário a Constâncio Cloro e um miliário anepígrafo hoje também no Castelo de Belmonte)
Belmonte (próximo da Igreja de Santiago existe um miliário reutilizado como ombreira de uma cada particular; 4 miliários no Castelo de Belmonte provenientes da ribeira do Colmeal e das Lameiras; a via passava no vale e contornava por nascente o esporão de Belmonte, junto à villa do Muro na Qta. do Bouzieiro e segue paralela à Serra da Esperança e a poente da estação C.F.)
Malpique (calçada passa a nascente junto à villa da Qta. da Fórnea a 5 milhas de Centum Cellas)
Travessia da ribeira das Inguias na Qta. da Ribeira ou na Catraia da Caria?
Caria (existiam vestígios da calçada em Barcinho e junto à igreja paroquial no caminho para a Fontinha; provável mutatio e caput viarum onde confluiria o Itinerário Alvega-Salamanca)
Pontão sobre a ribeira de Caria, Laje do Freixo (calçada; segue talvez a leste de Peraboa pela Qta. dos Lameirões e Bica, contornando a Serra de St. António pelas vertentes norte e nascente rumo a Capinha)
  • Possível ligação entre Caria e Peroviseu:
    Poderia existir uma via entre Caria e Peroviseu, interligando assim o Itinerário Braga-Mérida ao Itinerário Rio Tejo-Salamanca cujo ponto de cruzamento seria um pouco mais adiante junto a Capinha. Esta via poderia ligar o território dos Lancienses Ocelenses, cuja capital Ocelum poderia ficar em Ferro (a partir de uma ara que apareceu junto da ribeira dos Moinhos) ao território dos Igaeditani, povo com capital em Idanha-a-Velha, atendendo ao Terminus Augustalis que apareceu em Peroviseu em 1971 servindo de peitoril de uma das janelas da casa paroquial, hoje em exposição no Museu do Fundão. Depois de atravessar algures a ribeira de Caria, a via passaria Ferro, rumando depois pela Laje de Adufe ou pelo Monte Serrano para Peroviseu, passando a via a poente da povoação com troços de calçada em Vale Feitoso, Lameira do Forno, Ferrarias e S. Marcos até à Ponte sobre a ribeira de Meimoa onde entronca no Itinerário SW-NE entre o Rio Tejo e Salamanca.

Capinha (vicus e provável mansio no cruzamento com a Via Alvega-Salamanca; a via partia da Fonte de Cima e seguia pela calçada de S. Marcos, junto da capela, e continuava pela calçada das Lajens, entretanto já destruída, passando não muito longe da Villa ou mesmo Vicus em torno da Capela de S. Pedro da Tapada)
Ponte Romano?-Medieval sobre a ribeira de Meimoa (segue por Vale de Paredes e Freixa?)
Quintas da Torre (na Torre dos Namorados apareceu um miliário indicando a Milha XXII contadas talvez a partir de Idanha-a-Velha e que está hoje no Museu Arqueológico do Fundão; na base do Castro de Covilhã Velha)
Mata Rainha (travessia da ribeira do Taveiro em Cadaval/Poldras?
Travessia da ribeira do Ceife em Lajinhas?
Pedrogão de S. Pedro
Ponte Romana? sobre a ribeira das Taliscas (em risco de ruína; 20 m de calçada em Saibreira)
Bemposta (ver Núcleo Museológico da Bemposta)
Medelim (junto do acampamento romano em Oliveira das Almas; Ponte Romana? em ruínas)
Idanha-a-Velha (IGAEDITANIA) (civitas a 120 milhas de Emerita; magníficas ruínas da importante cidade romana; excelente colecção epigráfica no museu; só existem 3 miliários conhecidos no território Igaeditanense: um miliário Augusto de origem incerta (AE, 1967, 185) onde se lia «CX» que talvez indicasse a distância a Mérida de CXX milhas, o miliário também a Augusto de Alcafozes, atestando ambos a antiguidade da via e o fragmento de Vale de Portela; o limite nascente do território da civitas seria em Salvador, pois aí apareceu um Terminus Augustalis demarcando a divisão territorial entre os Igaeditani e os Lancienses)
Ponte Romano-Medieval de Idanha-a-Velha sobre o rio Pônsul (a ponte actual foi construída com o material de uma anterior romana mais a montante que terá ruido)
Alcafozes (fragmento de um miliário a Augusto onde apenas se lê «Imp(erator?) / Aug[ustus?]», Sá, 2007, p. 158, n.º 238; estará no Museu de Idanha-a-Velha?)
Toulões
Segura (calçada desce ao rio)
Ponte Romana de Segura sobre o rio Erges (5 arcos; pela EN355 faz fronteira; arco central e tabuleiro reconstruídos)
Piedras Albas (Estorninos)
Ponte Romana de Alcantara sobre o rio Tejo/Tagus (ex-líbris das pontes romanas na Hispânia)
Alcantara (ver traçado)
NORBA CAESARINA (Cáceres) (onde entronca na chamada "Via de la Plata" que ligava Astorga a Cádiz no sentido N-S)
EMERITA (Mérida) (caput viarum)

Itinerário XII (12)

Mapa




Variante por Montemor













Variante por Torrão






Évora-Elvas




Variante por Vila Viçosa


Lisboa (OLISIPO) - Alcácer do Sal (SALACIA) - Évora (EBORA) - Mérida (EMERITA)   CLXI milhas - 238.5 Km
Item ab OLISIPONE EMERITAM m. p. CLXI
AQUABONA
CAETOBRIGA
CAECILIANA
MALATECA
SALACIA
EBORA
AD ATRUM FLUMEM
DIPONE
EVANDRIANA
EMERITA
m. p. XII
m. p. XII
m. p. VIII
m. p. XXVI
m. p. XII
m. p. XLIIII
m. p. VIIII
m. p. XII
m. p. XVII
m. p. VIIII
Apesar a sua importância, o Itinerário XII de Antonino continua cheio de incógnitas e incertezas devido à dificuldade em acertar as distâncias das estações. Partindo de Lisboa, atravessava o rio Tejo e seguia em direcção a Salacia hoje Alcácer do Sal com três estações intermédias com localização bastante complicada. Aos poucos vestígios existentes acresce a dificuldade em acertar as distâncias no terreno com as indicadas no Itinerário. Se os vestígios romanos recentemente encontrados em Setúbal reafirmam a localização de Caetobriga nesta cidade, por outro lado, nas outras estações intermédias, Aquabona, Caeciliana, Malateca, subsistem as dúvidas. O troço seguinte entre Salacia e Ebora é bem mais conhecido com duas prováveis variantes, uma mais directa por Montemor-o-Novo que seria a via principal para Évora e outra mais a S que deveria corresponder ao trajecto da via que ligava Alcácer do Sal a Beja e daqui a Faro passando no Torrão, mas que a partir daqui ligaria também a Évora passando por Alcáçovas e Ns. da Tourega. Depois de passar em Évora, a via passaria pelas três estações referidas no Itinerário em direcção a Mérida, Ad Atrum Flumen, Evandriana e Dipo cujas localizações são ainda desconhecidas. (ver Bilou, 2000a; Carneiro, 2008)


Lisboa (OLISIPO) (a travessia do rio Tejo poderia ser, tal como hoje, entre o porto romano da Praça do Comércio para Porto Brandão ou para Cacilhas, onde também há cetárias, seguindo depois algures por Seixal)
AQUABONA (mansio na milha XII talvez na zona de Coina-a-Velha, S. Lourenço; segue por Palmela e pela calçada da «Estrada do Viso», atravessa a Serra de S. Luís e segue pela calçada do Grelhal e Bairro do Tróino)
CAETOBRIGA (mansio na milha XXIV talvez em Setúbal, onde começam aparecer importantes vestígios)
CAECILIANA (mansio na milha XXXII talvez na Herdade de Águas de Moura)
MALATECA (mansio a 12 milhas de Alcácer talvez na zona de Marateca; vestígios ao longo da ribeira de Marateca, entre Landeira e Cabrela)
Seixola?
Vale de Reis? (villa)
Alcácer do Sal (SALACIA) (civitas na milha LXX; via entra na cidade pela necrópole de S. Francisco de Frades, junto ao Convento de St. António; Forum dentro do castelo e necrópole na Azinhaga do Sr. dos Mártires; villa no Bairro dos Crespos; ver Museu Pedro Nunes)

  • Porto Marítimo de Alcácer do Sal: No estuário do Sado ainda existem importantes vestígios do comércio por via marítima centrado no porto de Alcácer do Sal, articulado com o entreposto comercial e centro de transformação da actividade piscícola de Tróia e Setúbal, assim como os centros de produção de ânforas da «Feitoria Fenícia» de Abul e da Herdade do Pinheiro; Nesta última, André Resende refere a existência de um cipo dedicado ao imperador Cómodo a 16 milhas de Alcácer, mas sendo pouco provável que a via seguisse junto da costa, este não seria um miliário mas sim uma coluna honorífica.
  • Via fluvial pelo rio Sado (Callipus): O rio Sado era navegável na era romana ligando ao hinterland alentejano com imensos vestígios de villae e portos fluviais ao longo das suas margens relacionados com o comércio fluvial, a saber: Herdade da Barrosinha (villa), Porto de Rei (villa e porto fluvial), Mte. da Casa Branca (villa e calçada com 200 m), Portinho (villa), Benagazil, S. Romão, Porto Carro (porto fluvial), Herdade dos Frades (villa), Portancho (villa) e Mte. da Qta. de D. Rodrigo (calçada), na foz do rio Xarrama, rio que subia até ao Torrão passando ao lado da Capela de S. João dos Azinhais na Herdade de Arranas (Ara a Júpiter) e em Passadeiras. O rio continuava navegável para montante, passando na villa na Herdade da Qta. de Cima, seguindo provavelmente até Sta. Margarida do Sado.
  • Via principal para Montemor-o-Novo: Depois de Alcácer, a via principal deveria seguir pela margem direita da ribeira de Sítimos, atravessando o concelho de Montemor-o-Novo até Valverde e daqui a Évora, percorrendo as 44 milhas indicadas no Itinerário de Antonino, o que corresponde à distância medida entre as duas cidades.

  • Variante pelo Torrão: Esta variante deveria utilizar troços de várias vias, seguindo na sua parte inicial pela Via Alcácer-Beja até ao Torrão, onde inflectia para NE seguindo por Alcáçovas na direcção de Évora, até confluir com a via principal pouco antes desta cidade. Torrão seria assim um nó rodoviário importante no centro do triângulo Salacia - Ebora - Pace Iulia.

Variante pelo concelho de Montemor-o-Novo (a via principal; 5 miliários)
Alcácer do Sal (sai para NE pela villa do Bairro dos Crespo e acompanhando a ribeira de Sta. Catarina de Sítimos e EN253)
Mte. do Olival
Mte. dos Carvalhos de Baixo, Pego do Altar (possível miliário anepígrafo)
Sta. Susana (André de Resende refere um miliário a Marco Aurélio junto ao rio Mourinho, actual ribeira de Remourinho, indicando reparações na via; seguiria pela calçada da Herdade da Biscainha e não longe das villa da Portagem e de Pedrões; povoado em Castelejos)
Foros de Pinheiro, S. Cristovão (continua pelo Poço Novo, Outeiro Caído, Mte. da Barbosa e Mte. das Canas; Ponte Romana?)
Mte. da Prata, Casa Branca, Santiago do Escoural (continua por Álamo)
Monte da Venda, S. Brissos (provável mutatio onde existem dois fragmentos de um miliário anepígrafo; outro miliário anepígrafo foi deslocado para a Capela de S. Brissos)
Travessia da ribeira de S. Brissos (a via continua em terra até ao Monte dos Andrades, onde existe um miliário anepígrafo, e daqui ao Monte do Freixo)
Valverde (depois da aldeia, atravessa a ribeira de Valverde, 800 m depois, na Herdade da Mitra, a 150 m do desvio para a Anta Grande do Zambujeiro aparece um miliário anepígrafo [milha VII?] [ver foto]; segue junto ao monumento comemorativo chamado "Pedra da Pinha", milha VI?, [ver foto] e a N do Monte da Alfarrobeira; referência de Mário Saa a um "viaduto" na Herdade da Murteira)
Travessia da ribeira da Viscossa (segue talvez pelo caminho rural pelas Qtas. das Tacinhas de Fora, Carranca, Cabeça da Guarda e Silveirinha)
Esparragosa (segue próximo do marco geodésico/moinho, e logo a 50 m para poente, o fuste de um miliário anepígrafo; Pouco depois conflui com a variante por Torrão descrita abaixo e juntas rumam a Évora)

Variante por Torrão e Alcáçovas (6 miliários)
Alcácer do Sal (seguia a via principal até ao Monte da Arcebispa)
S. Catarina de Sítimos (o miliário de Porto da Lama está no Museu Pedro Nunes e apareceu junto ao campo de aviação próximo da Villa com o mesmo nome)
Travessia da ribeira de Sítimos (segue pelo sítio da Torre, entre as villae do Porto da Lama e de S. Catarina de Sítimos, continuando por percurso incerto até ao Torrão, passando talvez no Alto de Valongo)
Ponte sobre o rio Xarrama (a via chega pela Calçadinha Romana, com 300 metros; teria existido uma ponte romana?)
Torrão (provável mansio; daqui derivam as vias para Faro e para Beja; vestígios no Centro Escolar)
Alcáçovas (calçada em Água d`Elvira dos Padres)
Mte. dos Tabuleiros de Baixo (Mário Saa fotografou aqui um miliário hoje desaparecido; também André de Resende refere dois miliários nos «Tabuleiros», um ilegível e um miliário a Maximiano, CIL II 433*, indicando 12 milhas a Évora o que corresponde à distância no terreno; será este o miliário que apareceu em S. Mateus e que esteve no Museu Arqueológico de Montemor-o-Novo?; a distância coincide, mas este foi atribuído a Antonino)
Mte. do Zambujeiro, Ns. da Tourega
N. Sra. da Tourega (referência viária, viarum curandarum, numa inscrição aqui achada, CIL II 112, hoje no Museu de Évora; seria um curator viarum?; a via segue próximo da magnífica villa romana das Martas e do Porto da Calçadinha; 120 m depois surge o miliário a Maximino e Máximo que poderia indicar a milha VIII a Évora?)
Herdade do Barrocal (1.5 km à frente, existe um miliário anepígrafo deitado [milha VII a Évora?])
Travessia da ribeira da Viscossa ou de Peramanca (vestígios de calçada na margem esq.; o caminho continua para NE)
Cabida (pouco depois do caminho cruzar o acesso à Qta. do Pomarinho existe um fragmento de miliário [milha VI?], cujo fuste epigráfico, aparece pouco mais à frente, junto ao caminho que deriva da EN para o Monte das Flores; possível derivação para a travessia do rio Xarrama a vau na Moita da Carne entroncando na via romana Évora-Beja)
  • Existe uma antiga estrada proveniente da Ns. da Boa Fé com vestígios de calçada em Monte do Escrivão, Monte da Ponte, atravessava a ribeira de Peramanca em Alcamizes e iria confluir com estas variantes em Esparragosa.
Comum até Évora
As duas variantes confluem a seguir ao marco geodésico da Esparragosa, junto à rotunda do parque de campismo, entra na cidade pela Porta do Raimundo e segue pela Rua do Raimundo, Praça do Giraldo, Rua 5 de Outubro até à acrópole.

Évora (EBORA) (civitas a CXIII milhas de Olisipo e XLIII milhas de Salacia; decumanus maximus na Rua Vasco da Gama; Templo de Diana; Muralha romana; Colecção de epigrafia no Museu de Évora; Impressionantes Termas Públicas dentro da C.M. na Praça de Sertório)
  • A partir de Évora, a via continuava a sua rota para Emerita passando nas três estações referidas no Itinerário XII, Ad Atrum Flumen, Dipo e Evandriana cujas localizações são ainda discutidas; Seguramente que existem incongruências no itinerário porque as 47 milhas indicadas entre Évora e Mérida (70 Km) não correspondem à distância entre estas duas cidades que ronda os 190 Km. Para a primeira estação depois de Évora, Ad Atrum Flumen, literalmente «junto ao rio Atrus», o itinerário indica apenas 9 milhas (13,2 km) o que colocaria a mansio junto da ribeira da Pardiela na rota Norte ou da ribeira de Machede na variante Sul, mas é duvidoso que estes pequenos cursos água justificassem uma mansio por si só. Seguindo as distâncias expressas no itinerário então Dipo poderia situar-se em Évora Monte, onde há miliário, e a estação seguinte, Evandriana teria que estar 17 milha mais à frente, tornando impossível que estivesse também a 9 milhas de Mérida, a não ser que houvesse estações intermédias omitidas no itinerário. Assim é mais provável, conforme sugerido por trabalhos mais recentes, que estas incongruências surjam da junção de dois itinerários, um com caput via em Lisboa e outro a partir de Évora com caput via em Emerita pelo que as milhas indicadas deveriam ser contadas a partir de Mérida. Deste modo, Ad Atrum Flumen estaria a 38 milhas de Emerita, o que corresponde à distância da capital da Lusitânia ao rio Xévora, o rio Atrus na era romana, hoje fazendo de fronteira luso-espanhola (Gorges e Martín 1999 e 2000; Almeida et alii, 2011). Atendendo aos dados disponíveis, o percurso a partir de Ésvora teria duas possíveis variantes, uma contornando a Serra da Ossa pelo Norte e outra pelo Sul, a primeira seguindo o corredor Évora-Estremoz e que teria uma estação em Évora Monte pois aí se achou um miliário, e a outra variante Sul que seguia pelo vicus de Bencatel até Vila Viçosa, onde também se achou um miliário. Ambas as variantes iam de encontro ao Itinerário XIV, o outro itinerário entre Lisboa e Mérida que vinha por Alter, confluindo um pouco antes de Elvas. Daqui Depois desse ponto, a via poderia seguir em direcção a rota comum para Mérida, mas o facto poderia seguir um percurso comum até Mérida, mas o facto da estação seguinte, Evandriana, não ser comum aos outros dois itinerários entre Lisboa e Mérida que iam comprovadamente pela margem direita, colocam como mais provável um percurso alternativo pela margem esquerda do Guadiana. (ver Bilou, 2000a; Calado, 1993; Matatolo, 2001; Almeida, 2000).

De Évora a Estremoz por Évora Monte (7 miliários)
Évora (sai pela medieval Porta de Machede e segue pelo caminho rural da Qta. das Nogueiras; a recente descoberta de uma necrópole na Escola Secundária Gabriel Pereira, a 1ª descoberta em Évora, pode estar relacionada com esta via)
Travessia do rio Xarrama no sítio do Porto (continua paralela ao CF, próximo da Qta. do Sande, Qta. da Retorta e Qta. da Lagardona em Garraia)
Montinho da Piedade (4 possíveis miliários reaproveitados como suporte duma laje, no caminho de acesso ao monte; continuaria junto ao CF)
Travessia do rio Degebe (da ponte nova segue à direita por um caminho rural paralelo ao CF, para Vale de Figueirinhas até à)
Monte da Sousa da Sé (um miliário anepígrafo à entrada do largo, fragmentado em duas partes, e um monólito em forma de menir, possível miliário; continua pelo caminho rural paralelo ao CF até à travessia da ribeira da Fonte Boa ou do Freixo)
Monte do Freixo (daqui segue o caminho rural e depois em calçada por 2.5 km até ao Solar do Castelo Ventoso)
Azaruja, S. Bento do Mato (do Castelo Ventoso continua pelo Monte do Almo e Monte da Venda, onde existem 2 miliários anepígrafos em 3 fragmentos, passando assim a poente de Azaruja)
S. Bento do Mato (passa próximo da igreja paroquial)
Évora Monte (DIPO?) (na Igreja Matriz de Sta. Maria de Evoramonte, antiga Ns. da Conceição, existe um miliário a Crispo, Licínio Júnior e Constantino II, reaproveitado para pia baptismal; IRCP 674; provável localização da mansio Dipo pois fica a 21 milhas de Évora; a partir daqui a rota é incerta passando possívelmente na antiga ponte do pego do Sino)
Estremoz (miliário a Crispo, Licínio Júnior e Constantino II; IRCP 675, no MNA?; a via contornava pelo Sul)

Ligação a Abelterio e Ammaia:
  • De Estremoz partia uma variante deste Itinerário que se dirigia para Norte fazendo a ligação a Abelterio em Alter do Chão e Ammaia em S. Salvador da Aramenha, atendendo ao miliário a Crispo, Licínio Júnior e Constantino II achado na necrópole de Silveirona e que hoje está no MNA com o nr. E 7988 (IRCP673). Daqui continuava por St. Estevão, indo cruzar as VIAE XIV e XV e possívelmente ligar ao Rio Tejo.

De Estremoz a Elvas:
Estremoz (a via seguia por Orada e Vila Fernando)
  • André de Resende refere 2 miliários algures entre Estremoz e Barbacena, mas hoje estão desaparecidos, mas são considerados falsos por muito autores; um miliário seria deicado a Caracala, IRCP661 e o outro um miliário a Heliogábalo, IRCP663, onde Resende leu «Ab Ebora m. p. [...]XXII» ou seja 22 milhas a Évora, mas como a distânia é insuficiente teria de faltar a letra inicial que sendo por hipótese um «X», já daria 32 milhas, o que já colocaria este miliário entre Estremoz e Barbacena, talvez em S. Domingos de Ana Loura ou Orada.
Orada (antiga Alcaraviça; passa na Presa e depois Serra de Aires, onde sai à direita pelo estradão de terra que segue para o Mte. de Alcobaça, um dos poucos troços da via ainda preservados no Alentejo!)
Herdade de Alcobaça, Vila Fernando (2 miliários, um achado no lugar de Cabanas dedicado a Marco Aurélio, hoje em exposição no excelente Museu Arqueológico de Vila Viçosa, e o outro um miliário a Diocleciano e Maximiano que indica 65 milhas a Mérida, IRCP 670 que está hoje no MNA, indiciando que esta região estaria já em território Emeritense)
  • Segundo Almeida (2000), o local de cruzamento seria junto no Chafariz de El-Rei junto do Mte. da Atalaia Novo, no sopé da Atalaia dos Sapateiros ou, em alternativa, um pouco mais adiante no Monte dos Trinta Alferes depois de passar pelo Monte de S. Romão /Serra Branca e Monte Carrão, ambos com a sua villa. Atendendo às 65 milhas indicadas no miliário da Herdade de Alcobaça que fica a cerca de 2 milhas, o cruzamento fazer-se-ia na milha 63, o que concorda com a distância medida entre esta área e a capital da Lusitânia de cerca de 94 km.
  • Ligação a Ad Septem Aras:
    também é possível que via seguisse bem mais a N perto de S. Vicente e Ventosa, pela villa das Qta. das Longas e pela Villa do Monte da Silveira, onde há vestígios de calçada, em direcção a S. Pedro, Freixo, Segóvia, junto ao Castro, e Caia, indo atravessar o Rio Caia no Porto da Amoreirinha atendendo aos vestígios ali existentes, continuando para Campo Maior onde se localizaria a mansio Ad Septem Aras.

Continuação para Elvas
Elvas (do Mte. dos Trinta Alferes a via poderia seguir Calçadinha, Elvas, seguindo por Horta do Moreno (Papulos) e Horta da Fonte Branca, com vestígios romanos em direcção ao Monte da Nora Úveda (villa) onde existe uma ponte já soterrada, a Ponte do Lagarto; villa na Herdade das Pereiras; A seguir dirigia-se para a travessia do Rio Caia, na actual fronteira luso-espanhola, num ponto conhecido por «El Rincón de Caya», continuando para a travessia do Rio Gévora junto à povoação com o mesmo nome, 6 km N de Badajoz e onde se achou um miliário a Carino que deveria indicar 37 milhas a Mérida)
AD ATRUM FLUMEM (a 38 milhas de Mérida, talvez junto à travessia do rio Gévora/Xévora)


Continuação para Mérida
A continuação para Mérida permanece duvidosa, mas é provável que seguisse pela margem esquerda do Guadiana, atendendo a que o miliário a Magnêncio indicando 16 milhas que apareceu na margem direita junto à Villa da Torre Águilla em Barbaño (Montigo, Badajoz) estaria na era romana na margem esquerda do rio (Martín, 1999). Por outro lado, não existem estações comuns aos outros dois itinerários também entre Lisboa e Mérida que seguiam mais a Norte , os Itinerários XIV e XV, de modo que é provável que a via seguisse a margem esquerda e por consequência deverá procurar-se aí a mansio Evandriana, a 9 milhas de Mérida. Assim, Dipo estaria a 26 milhas de Mérida, ou seja, em Talavera la Real e Ad Atrum Flumen estaria a 38 milhas de Mérida, portanto já para lá da travessia do Guadiana em Badajoz, colocando a mansio próximo da confluência dos rios Caia e Guadiana, provavelmente junto à travessia do Caia no chamado «El Rincón de Caya». Ad Atrum Flumen não seria mais do que a própria mansio e a sua inclusão num itinerário tão importante pode ser justificada pela possibilidade de ser aqui a fronteira entre o Conventus Pacenses e o Conventus Emeritenses. Sem novos dados, para já não existe uma solução definitiva para este itinerário.

Travessia do rio Guadiana (Anas) (talvez junto da ilha de Romo)
Badajoz (segue pelo chamado «caminho de Malpartida» até à travessia da ribeira dos Limonetes, perto da confluência com o Guadiana e continua paralela à ribeira, cruzando a divisão administrativa entre Badajoz e Talavera la Real que coincide com a milha 28 a Mérida)
DIPO (talvez em Talavera la Real, a 26 milhas de Mérida; seguia depois o «caminho velho de Lobón», atravessando o rio Guadajira até atingir a milha 17 nas proximidades de Lobón)
EVANDRIANA (a 9 milhas de Mérida, talvez na Villa romana de Floriana em Torremayor)
EMERITA (Mérida) (caput viarum a 161 milhas de Lisboa)

    Variante Sul Évora-Elvas por S. Miguel de Machede, Bencatel e Vila Viçosa (3 miliários)
    É possível uma variante partindo de Évora que seguia mais a Sul passando em S. Miguel de Machede e Redondo e que ia entroncar na via principal já próximo de Elvas.
    Évora (esta variante poderia ser comum à via principal até à Qta. da Retorta, onde desviava para nascente pelo Bairro do Degebe, calçada da Qta. dos Altos e da Qta. Velha, atravessando o rio Degebe no sítio do "porto" onde há calçada ou, em alternativa, saía de Évora pela Qta. da Comenda, onde atravessava o Xarrama, seguia pela EN254 junto da capela de Sta. Bárbara do Degebe e pela calçada da Qta. do Lobo, atravessando o rio Degebe no vau lajeado junto ao Monte de Mauriz e seguia pela calçada da Qta. das Rosas, reencontrando-se em Fonte Boa; também é possível um desvio por Câmaras onde há calçada)
    Herdade da Fonte Boa do Degebe (segue para NE, passando próximo do marco geodésico das Pedras Brancas)
    Travessia da ribeira de Machede (seguiria próximo do Mte. da Amendoeira e da Villa do Monte da Barrosinha, onde André Carneiro achou um fragmento de um miliário anepígrafo que estava no caminho de acesso ao monte ao km 41 da EN254, entretanto desaparecido(!), seguindo depois próximo da villa no Mte. da Morgada)
    S. Miguel de Machede (segue pelo Mte. do Taful, Mte. do Almo e Mte. da Aldeia, onde apareceu um miliário anepígrafo)
    Travessia da ribeira da Pardiela (algures entre o Monte da Teixeira e os Foros do Queimado)
    Redondo (ao km 27 da EN254, 500 m depois do lugar da Venda desvia à esquerda em estradão de terra pelo Monte do Hospital, passando a NW do Fortim Romano de Mte. do Almo, localizado na pequena elevação junto ao monte, provável posto de controlo da via, no ponto de travessia da ribeira de S. Bento, continuando a a direito para o Mte. da Fonte da Cal, Herdade da Amendoeira, Mte. Rial, atravessa a EN381 e segue para Horta da Velinha até entroncar na EN254 ao km13, seguindo por esta para Bencatel)
    Travessia da ribeira de Lucefecit (em Galvões?)
    Bencatel (vicus)
    Vila Viçosa (miliário a Constante, IRCP 676, hoje em exposição no excelente Museu Arqueológico de Vila Viçosa juntamente com o miliário proveniente do Mte. de Alcobaça em Vila Fernando; a via deveria seguir algures para Terrugem)
    Monte da Nora, Terrugem (vicus e provável mutatio hoje destruído pela EN4 e trabalhos agrícolas; continuava para Norte para ir entroncar na via principal no Chafariz de El-Rei, junto ao Monte da Atalaia Novo, ou mais adiante no Monte dos Trinta Alferes; recintos-torre junto ao Monte da Ordem e Mte. da Misericórdia, possívelmente relacionados com o controle da via)
    • Esta via que vinha de Évora continuava para Leste em direcção a Mérida, atravessando o Rio Caia junto ao chamado «El Rincón de Caya», actual fronteira luso-espanhola, continuando para a travessia do Rio Gévora junto à povoação com o mesmo nome, 6 km a N de Badajoz e onde se achou um miliário a Carino que deveria indicar 37 milhas a Mérida. Mais detalhes, na descrição do Itinerário XII entre Ebora e Emerita.

    • Ramal por Alandroal:
      Uma hipotético ramal poderia desviar em Redondo e seguir em direcção ao Alandroal, servindo a exploração mineiras da região (ver Calado, 1993, e Calado e Matatolo, 2001). Derivando da via principal na zona do Redondo, seguiria próximo do Fortim Romano do Caladinho seguindo depois para a travessia da ribeira de Lucefecit junto do Moinho da Sra. da Fonte Santa/Mte. da Estacaria ou mais a jusante na Ponte do Mte. da Fonte dos Ouros de cronologia incerta, seguindo por Fonte Velha para Alandroal (hoje EN373) e próximo de dois importantes santuários, o Santuário Rupestre da Rocha da Mina e Santuário Endovélico de S. Miguel da Mota (importante local de culto ao Deus Endovélico; templo, aras e estátuas; o santuário fica no Mte. de S. Miguel da Mota por trás do casal; acesso pela EN373 a 5.6km do Alandroal por estradão de terra para Sul). Em Alandroal a via deveria passar próximo da villa da Tapada de Vilares (na Carta Arqueológica do Alandroal, Calado indica a azinhaga que atravessa a villa como possível via romana; ver Calado, 1993). Esta via seguia para Bencatel (pela villa Tapada de Fonte Soeiro/S. Marcos), mas deveriam existir ligações quer a Vila Viçosa (passando na villa de Vilares em Pardais) e também a Juromenha. Esta rede viária está muito ligada à exploração mineira que teria uma via para escoamento do minério que no sentido N-S que vinda pelo menos desde Capelins, ia atravessar a ribeira de Lucefecit junto do fortim romano do Outeiro dos Castelinhos (importante estrutura romana ao abandono!), seguindo por Rosário, Mina do Bugalho, S. Brás dos Matos e Juromenha, seguindo um ramal para o vicus do Mte. da Nora em Terrugem (passando junto do habitat do Monte do Outeiro em Ciladas) e outro na direcção de Elvas, confluindo todas nas estradas para Mérida.

Itinerário XIV (14)

Mapa

























ITINERARIO XIV - Lisboa (OLISIPO) - Alter do Chão (ABELTERIO) - Mérida (EMERITA)   CLIIII milhas - 228 Km
Alio itinere ab OLISIPONE EMERITAM m.p. CLIIII
ARITIO PRAETORIO
ABELTERIO
MATUSARO
AD SEPTEM ARAS
BUDUA
PLAGIARIA
EMERITA
XXXVIII
XXVIII
XXIIII
VIII
XII
VIII
XXX
Apesar de ser a principal rota entre Olisipo a Emerita, o seu percurso ainda suscita muitas dúvidas pois não é clara a localização de algumas das estações referidas no Itinerário de Antonino. O tramo inicial até Santarém teria um traçado comum, tanto à via entre Lisboa e Braga, o Itinerário XVI de Antonino, como à sua variante Norte ou Itinerário XV de Antonino. Em Santarém atravessava o Rio Tejo e seguia até à estação de Aritio Praetorium que ficaria a 38 milhas de Santarém. Daqui continuava em direcção de Ponte de Sor e da magnífica Ponte Romana da Vila Formosa, que ainda hoje serve a moderna EN369 (!), até Alter do Chão, onde fica Abelterio, a segunda estação referida no itinerário. As estações seguintes ainda não têm localização precisa, primeiro Matusaro, a 24 milhas (35,5 km) de Alter do Chão e logo depois Ad Septem Aras, onde voltava a cruzar com Itinerário XV de Antonino pois esta estação é comum aos dois itinerários. Ad Septem Aras poderia ficar já muito próximo da fronteira, na região de Campo Maior ou de Elvas, pelo que as duas últimas estações, Budua e Plagiaria já ficariam em território Espanhol.

Como a distância entre Lisboa e Aritio Praetorium nunca poderia ser de apenas 38 milhas, supõe-se que as duas primeiras estações, Ierabriga e Scallabin, tenham sido omitidas até porque já estão indicadas no o Itinerário XVI de Antonino que liga Lisboa a Braga. Assim Aritio Praetorium estaria a 38 milhas não de Olisipo, mas de Scallabin, e a 28 milhas de Abelterio o que coloca a mansio nas proximidades de Tamazim, onde existem miliários e outros vestígios importantes. A localização precisa da mansio ainda não é clara porque existem 3 localizações possíveis: em Tamazim, atendendo aos vestígios aí existentes, no lugar do Poiso, pois cruzava neste ponto com a Via Tomar-Évora e por último na Herdade de Água Branca de Cima, visto que este local fica a precisamente 38 milhas de Almeirim e a 28 milhas de Alter do Chão, estando portanto de acordo com as distâncias apresentadas no itinerário. André de Resende encontrou ainda um total de 16 marcos no troço entre Tamazim e Vendas das Mestas, mas não indicou os lugares exactos pelo que neste itinerário fez-se uma tentativa de colocação nas milhas respectivas. Para mais informação consultar a Carta Arqueológica de Abrantes.

Lisboa (OLISIPO)
Alenquer (IERABRIGA a 30 milhas)
Santarém (SCALLABIN a 32 milhas)

Travessia do Tejo entre Santarém e Almeirim:
Depois de atravessar o Rio Tejo, a via XIV rumava a N num percurso comum com a VIA XV, até atingir Alpiarça, onde inflectia para nascente em direcção a Ponte de Sor, enquanto que a VIA XV continua para Norte, acompanhando o Rio Tejo.

Outas possíveis travessias do Tejo a jusante de Santarém: Também é possível que existissem outras travessias do Tejo a jusante de Santarém, sendo provável que existisse uma via secundária ao longo da margem esquerda do rio até Almeirim.
  • Uma seria entre Reguengo (Valada, Cartaxo), onde existiam restos de calçada, e Escaroupim (Marinhais, Salvaterra de Magos), podendo ter continuidade, conforme sugeriu Saa, para Glória do Ribatejo até Coruche, cruzava com a Via Santarém-Évora e continuava para Montargil pela margem direita do rio Sorraia (algures por Erra e Sta. Justa) até entroncar na via principal já perto de Ponte de Sor; também poderia rumar a SE em direcção a Montemor-o-Novo (pelas Villae da Fonte do Prior, da Herdade da Comenda da Igreja e de Amoreira da Torre), atravessava a ribeira de Almansor e seguia para Évora por S. Matias, mas para já são meras hipóteses.
  • Também poderia fazer a travessia um pouco mais a Norte, entre Porto de Muge e Porto de Sabugueiro.
  • A hipotética via entre Escaroupim e Almeirim passaria na Ponte Romana? de Muge, Porto de Sabugueiro, Benfica do Ribatejo (villa da Azeitada e villa em Alqueva da Branca) até atingir Almeirim, onde conflui com a via principal
Almeirim (possível origem romana da Ponte da Terrugem sobre a Vala Velha, Tapada; a via seguia o traçado da EN118, com vestígios na Qta. do Casal Branco, villa de Vale de Tijolos e Eira da Alorna)
Alpiarça (acampamento militar romano do Alto de Castelo talvez controlando a passagem da via; aqui a via inflecte para nascente, por Casalinho, seguindo depois pelos altos do Sartel, do Ameixial, dos Sete Sobreiros, do Canavial, da Perna Seca até chegar a Semideiro)
Semideiro (em Vale da Lama apareceu um miliário a Constantino Magno, partido em dois, sendo que a base foi achada em 1987 entre Azenhas de Baixo e Vale da Lama e está hoje no Museu Municipal da Chamusca, designado por miliário de Vale da Lama I e o topo, está num cabeço a 130 m para Sul, servindo de marco divisório do concelho, miliário de Vale da Lama II)
Tamazim (dois miliários; um está derrubado num cabeço por detrás da Capela da Sra. da Luz e o outro nas redondezas partido em dois fragmentos; a via passaria entre a capela e o casal)
Poiso, Lagoa Seca (provável mutatio na milha XXXIII a 1500 m do Alto de Rapazes; Mário Saa colocou aqui o cruzamento com a estrada proveniente de Tomar)
Alto dos Rapazes (milha 28; seriam daqui os 4 miliários referidos por André de Resende, um deles a Maximino, CIL II 439*)
Alto do Rapaz (milha 29; seriam daqui os 3 miliários referidos por André de Resende, um a Trajano, outro a Tácito, CIL II 4636 = IRCP 666, e um terceiro onde apenas leu «restitutor urbis» que Saa atribuiu a Aureliano, CIL II 4634 = IRCP 660a)
Alto das Águas Negras (milha 30 no acesso ao Monte Novo; seriam daqui os 3 miliários referidos por André de Resende, um deles a Tácito, CIL II 4635 = IRCP 665)
Lagoa do Junco (milha 31 junto ao caminho; seriam daqui os 2 miliários referidos por André de Resende, lendo-se num deles «co(n)s(ul) / IIII proco(n)s(ul) / refecit», CIL II 4637 = IRCP 678 )
Venda das Mestas/Cevo de Muge/Sete Azinheiras (mutatio na milha 32, a 600 m da EN576 e a meio caminho entre Poiso e Água Branca de Cima; Francisco d'Holanda refere aqui "calçadas" nas chamadas "Mestas"; André de Resende refere 4 miliários «junto à encruzilhada a que chamam Mestas», um deles a Maximino e Máximo, CIL II 441* = IRCP 664; esta «encruzilhada» poderia ser o cruzamento com a Via Tomar-Évora)
Alto da Abegoaria (milha 33)
Lagoa da Extrema do Copeiro/dos Barreiros (provável mutatio a meio caminho, 4,5 km, entre Venda das Mestas e Água Branca de Cima; segue pelo Alto do Vale do Zebro onde segue pela EN2, com a milha 37 a ser vencida ao Km 426)
Água Branca, Bemposta (mutatio/mansio? na milha 38, junto à EN2, entre o Km 427 e 428, no desvio para a Herdade da Água Branca de Cima; outra possível localização de Aritio Praetorium pois fica precisamente a 28 milhas de Alter do Chão; segue pelo caminho de terra oposto e que faz de fronteira entre os concelhos de Abrantes e Ponte de Sor, seguindo pelos altos de Bufão e Padrãozinho, onde reencontra a EN2)

Ponte de Sor (atendendo à importância da via é provável que existisse uma ponte romana neste local da qual não há qualquer vestígio, sendo a actual de 1822; miliário a Probo que apareceu em 1910 «à saída para Val de Açor, numa propriedade do Sr. Joaquim Vaz Monteiro»; ver Vasconcelos, 1914; hoje está no MNA IRCP 668)
Monte de Cabeceiros, Ponte de Sor (miliário anepígrafo; via passa a N do monte)
Monte do Freixial, Vale do Açor (a via passaria próximo da Capela da Ns. dos Prazeres, na confluência das ribeiras do Vale de Açor e do Monte Novo, pois aí Mário Saa recolheu um miliário a Tácito, IRCP 666a, que está hoje em exposição na Fundação Paes Teles no Ervedal; referência a miliários em Vale do Contador e Camoa)
  • Daqui partiria um ramal de ligação à Via XII Ebora-Emerita que seguia mais a Sul por Estremoz, seguindo por Valongo (talvez pelos altos do Monte Novo, Fonte Boa e Pombos) indo atravessar a ribeira da Seda e de Sarrazola Benavila, junto à Capela de Ns. de Entre-Águas onde se achou uma inscrição, seguindo depois pelo Alto do Chafariz (ponte?), Poço das Grandezas (servindo a via), Monte da Torre, Ervedal (villa da Ladeira; travessia da ribeira Grande no Mte. da Calçadinha), Cano (cruzando aqui com a via NE-SW que vem de Idanha-a-Velha), seguindo para a importante villa de Sta. Vitória do Ameixial até Estremoz, onde entronca no Itinerário XII entre Lisboa e Mérida.

Monte de S. Marcos, Vale de Açor (miliário epigráfico)
Fonte da Cruz, Vale de Açor (6 miliários, 4 estão fragmentados, um é anepígrafo e outro é o miliário a Maximiano)
Chancelaria, Vale de Açor (miliário)
Rascão, Vale de Açor (miliário)
Monte da Coreia, Vale de Açor (miliário anepígrafo)
Vale do Gato, Seda (miliário anepígrafo)

Ponte Romana da Vila Formosa, sobre a ribeira de Seda (6 arcos, ex-líbris das Pontes Romanas em Portugal; na EN369 ao km 8,9)

Monte da Celada/Selada, Seda (miliário anepígrafo)
Vale de Perlim, Alter do Chão (miliário anepígrafo)
Alter do Chão (ABELTERIO) (mansio; 2 miliários, um deles a Constâncio Cloro está numa casa particular; o Frei Bernardo de Brito faz referência a um miliário «adiante de Ponte de Sor» dedicado a Lúcio Vero, onde se leria «AB EMERITA / M. P. LXXXXVI», transcrevendo André de Resende, ou seja a 96 milhas a Mérida o que corresponde à distância de Alter do Chão a Mérida; a via seguiria pela Rua da Misericórdia e próximo da villa de Ferragial d'El Rei no topo SE do campo de futebol)

Variante de Alter do Chão a Elvas por Cabeço de Vide (ver Carneiro, 2004 e 2008)
Alter do Chão (segue para SE passa a 500 m a NE da villa da Qta. do Pião, Horta da Fonte de Vide, a poente do marco geodésico do Monte das Ferrarias e junto à Tapada de Vaz) Cabeço de Vide, Fronteira (para W, fortim romano da Malhada das Penas talvez vigiando a via; ligação às Termas da Sulfúrea pela Rua de Santo Mártir seguindo depois em calçada com 700 m; a via principal segue pela chamada «Estrada dos Castelhanos» que atravessa a ribeira de Vide na zona da Arrociada ou da Qta. da Ponte e passa para a Horta da Calçadinha, junto da linha férrea)
Monte dos Merouços, Cabeço de Vide (provável mutatio; continua atravessando a ribeira do Carrascal, Monte das Laranjeiras, ribeira do Juncal, a poente do Monte Fidalgo, Monte dos Caliços de Cima, Monte dos Caliços, ribeira de Pau e Monte do Gracho, onde entra no concelho de Monforte)
Vaiamonte (acampamento militar romano no povoado do Cabeço de Vaiamonte; segue a poente em direcção à importante Villa romana da Torre da Palma; aberta ao público; acesso é pela EN369)
Ponte Romano?-Medieval da Vila, Monforte sobre a ribeira Grande (7 arcos; a ponte actual é medieval)
Monforte (na região existem as Pontes antigas do rio Almuro e do Cubo; fortim em Beiçudos e recinto-torre do Outeiro da Mina possívelmente relacionados com vias)
Ponte Romana? da ribeira Leca, Monforte (segue por Mte. da Leca e a S do Cabeço do Raio, Mte. de Vale de Cortiços e Mte. da Curva)
Monte de Torre de Onofre, Monforte (talvez por S. Pedro de Algalé e Mte. dos Reboleiros)
Travessia da ribeira de Algalé (talvez junto ao Mte. da Boudanha)
Monte da Esquilas, Monforte (aqui apareceu Ara dedicada aos Lares Viales certamente relaciona com esta via, hoje no Museu de Mário Saa em Ervedal (Encarnação, 1995; Mantas, 2010); possível localização da mansio Matusaro pois fica a 24 milhas de Alter do Chão)

Cruzamento como a Via XII
  • Segundo Almeida (2000), o entroncamento com a via procedente de Ebora, localizar-se-ia junto ao Mte. da Atalaia Novo, no Chafariz de El-Rei ou um pouco mais à frente do sítio de Trinta Alferes depois de passar junto das villae de S. Romão e Mte. Carrão.
  • Um miliário no Mte. da Torre do Curvo poderá indicar uma outra ligação à Via XII no Mte. de Alcobaça, mas como o referido miliário apareceu muito próximo da Via XII, também é possível que este miliário tenha sido deslocado da via; desviando no Monte das Esquilas seguia para SW seguia pelo Mte. da Fonte Branca, Mte. dos Vinagres (calçada), passando próximo do Fortim Romano do Penedo de Ferro, possívelmente para controlo da via, em direcção ao Mte. da Torre do Frade e Mte. da Torre do Curvo, onde junto ao chafariz, apareceu o tal miliário a Maximino e Máximo, IRCP 664, posteriormente levado para o Museu Municipal António Tomáz Pires em Elvas que foi entretanto encerrado pela CM e o seu espólio armazenado!
  • Em alternativa, a via poderia seguir a Leste de Barbacena pelo Mte. da Coutada (vestígios romanos e uma ponte antiga com possível origem romana), Anta do Reguengo (vestígios de calçada junto ao monumento megalítico) e Mte. dos Campos (ou Mte. de Genemigo, onde apareceu um miliário a Caracala, IRCP 662), seguindo a nascente de Vila Fernando pelo Mte. do João Domingos, Mte. do Passo e Mte. de Alcarapinha, onde apareceu um miliário, seguindo até ao Monte da Atalaia Novo, o provável ponto de cruzamento com a via proveniente de Évora do Itinerário XII de Antonino)

Variante de Alter do Chão a Campo Maior por Assumar
Alter do Chão (a rota até Assumar é incerta porque esta variante tenta ligar este itinerário à estação comum com itinerário XV, ou seja, Ad Septem Aras que deverá localizar-se na região de Campo Maior)
Alter Pedroso, Alter do Chão (pela chamada «Estrada de S. Domingos», um estradão com vários troços de calçada)
Assumar, Monforte (segue em calçada pela «Canada do Alicerce» ou «Estrada do Alicerce» que segue para Degolados e Campo Maior; em 1937 Félix Alves Pereira indicava o percurso pelas seguintes sítios: Almarjão, Retaxo, Amoreira, Escravides, Mte. do Mouro, Tapada do Alicerce, Soeira, Rabasca, Revelhos, Azeiteiros, Adens e finalmente Degolados (Pereira, 1937; Vasconcelos, 1927-1929), mas alguns destes topónimos já desapareceram. Seguindo a actual carta militar, o percurso partiria junto à estação CF e segue no sentido NO-SE ao longo da linha até Mte. da Torre, próximo da Ns. do Rosário, onde inflecte para Leste, seguindo por Arrecefe, topónimo viário, Belmonte/Alto da Safra, cruza a EN246, seguindo a Sul de Arronches)
Arronches (passa a Sul da povoação e a Norte do povoado do Mte. Baldio; continua pelo Mte. de Escarninhos, descendo ao Rio Caia que atravessa no Porto do mesmo nome pela já desaparecida Ponte de S. Bartolomeu, e segue pelo Mte. da Figueira de Baixo, Mte. Branco, Mte. de Revelhos, entroncando na EN371 que passa a seguir pelo Mte. da Calaça e Mte. da Corredoura até Degolados; referência a dois miliários neste troço)
Ns. da Graça dos Degolados (a calçada e villa do Mte. do Custódio a Norte, indicia uma ligação a Ammaia; a via passava a N da povoação, desviando da EN371 no Alto dos Morenos e seguindo pelo Posto Fiscal de Azeiteiros, possível miliário no cruzamento com a estrada para a Mina Romana do Mte. Alto, seguindo por Marco Alto, possível referência a esse miliário, onde inflectia para SE, passando próximo da Malhada dos Covões, onde dependendo da localização de Ad Septem Aras poderia seguir para Campo Maior, passando na importante Villa do Mte. das Argamassas ou inflectir para a Leste, não tocando assim em Campo Maior, como sugeriu Saa, passando na Fonte do Mte. Branco e Mte. da Travessa, rumando depois a Caleijão, Alto da Cardeira, vale do Castelo e Mte. do Comandante para ir fazer a travessia do rio Xévora junto da Villa de S. Salvador)
Campo Maior (possível localização de AD SEPTEM ARAS na confluência deste itinerário XIV com o Itinerário XV, também entre Lisboa e Mérida, mas que vinha algures mais a N por Fraxinum e Montobriga; No Vicus de S. Pedro junto ao Hospital da Misericórdia, talvez o que resta de Ad Septem Aras, apareceu um miliário a Domiciano? que hoje no Museu Municipal; Também existe uma transcrição de um miliário a Severo Alexandre hoje desaparecido que indicava 53 milhas a Mérida o que concorda com a distância medida entre as duas cidades, ou seja, 78.5 Km, indicando que esta região deveria pertencer ao território Emeritense)

De Campo Maior a Mérida: A via continuava para Leste em direcção à estação de Budua que é associada à moderna Bótoa, rumando depois à mansio de Plagiaria onde volta a entroncar no Itinerário XV. Se Ad Septem Aras fosse em Campo Maior, é provável que a via seguisse próximo das importantes Villae da Defesa de S. Pedro, do Mte. do Muro, com a sua Barragem Romana, uma das mais bem conservadas em Portugal, e depois pelo Mte. do Castro, atravessando a fronteira para o Cortijo de las Mesas, indo atravessar o rio Xévora (Gévora em Espanha) junto à confluência com o Rio Zapatón, atravessando este último junto à villa do «Rincón de Gila», rumando depois para a Ermida de Nuestra Señora de Bótoa, junto do qual ficaria a mansio de Budua e a milha 38 desde Mérida. Depois seguia recto até Plagiaria perfazendo as 8 milhas indicadas no Itinerário de Antonino, o que corresponde aos 12 km medidos entre a Ermida de Bótoa e a povoação de Novelda del Guadiana pelo que Plagiaria ficaria nas suas proximidades dessa povoação. Além disso, como Novelda fica a cerca de 45 Km de Mérida também concorda com a distância de 30 milhas indicadas no Itinerário entre Plagiaria e a capital da Lusitânia.

BUDUA (a 12 milhas de Ad Septem Aras, talvez próximo da Ermida de Nuestra Señora de Bótoa, Badajoz)
PLAGIARIA (a 8 milhas de Budua e a 30 milhas de Emerita; talvez em Pesquero, Novelda del Guadiana)
EMERITA (a actual Mérida a 154 milhas de Lisboa)

  • Possível ligação a Cáceres (Norba Caesarina): a Ponte Romana? da Ns. da Enxara sobre o rio Xévora em Ouguela, hoje em ruínas, pode indiciar uma ligação entre Ad Septem Aras e Norba Caesarina, passando junto da villa de Cabecinha da Lebre, ligando assim à famosa Via da Prata; ver mapa.


Itinerário XV (15)

Mapa













Lisboa (OLISIPO) - Alvega (ARITIO VETUS) - Mérida (EMERITA)   CCXX milhas - 326 Km
Item alio itinere ab OLISIPONE EMERITAM m.p. CCXX 
IERABRIGA
SCALLABIN
TABUCCI
FRAXINUM
MONTOBRIGA
AD SEPTEM ARAS
PLAGIARIA
EMERITA
XXX
XXXII
XXXII
XXXII
XXX
XIIII
XX
XXX
Este itinerário deveria seguir o percurso do ITINERARIO XVI entre Lisboa e Braga até Santarém, onde atravessava o rio Tejo para Almeirim. A partir daqui a via acompanhava a margem esquerda do rio seguindo o traçado da actual EN118 para Alpiarça. A partir daqui a via dirigia-se para a estação Tabucci que J. Alarcão situa na Herdade do Carvalhal em Sta. Margarida da Coutada, já próximo do Tramagal, ou em alternativa próximo da travessia de Tejo entre Tancos e Arrepiado. A partir daí pouco se sabe quanto à localização das mansiones seguintes, Fraxinum e Montobriga, pelo que o verdadeiro traçado da via ainda está por desvendar. Nesta proposta para o trajecto a via acompanhava a margem esquerda do Tejo até à região de Alvega, onde Alarcão situa a importante civitas de Aritio Vetus, apesar do itinerário não a mencionar como estação da estrada, rumando depois para o interior em direcção a Ad Septem Aras onde confluía com outro itinerário entre Lisboa e Mérida, o Itinerário XIV descrito acima.
Lisboa (OLISIPO)
Alenquer (IERABRIGA a 30 milhas)
Santarém (SCALLABIN a 32 milhas)
Travessia do rio Tejo
Almeirim (o traçado até Alpiarça está descrito no itinerário anterior)
Alpiarça (passaria próximo das Qtas. da Goucha e dos Patudo)
Vale de Cavalos, Chamusca (vestígios no Alto das Obras e na Qta. do Meirinho, a poente da povoação, na confluência da ribeira de Vale de Carros com a Vala do Paúl)
Chamusca
Pinheiro Grande
Carregueira, Pinheiro Grande
Arrepiado, Pinheiro Grande (aqui cruzava com a via proveniente de Tomar)
Santa Margarida da Coutada (Villa na Herdade do Carvalhal junto à ribeira de Alcolobre; provável localização da estação TABUCCI, a 32 milhas de Santarém)
Tramagal (calçada com 25 m)
S. Miguel do Rio Torto ("Estrada Velha" passaria junto à villa do Casal do Moinho do Meio e à Villa em Vale da Vila) Rossio ao Sul do Tejo (talvez próximo da importante villa da Qta. da Baeta)
Pego (talvez por Coalhos e Calça Torta)
Concavada (pelo caminho entre Galhoufa, Casal Cortido, Estercada e Mte. Morgado; possível travessia do Tejo em Sra. da Guia)
Alvega (em Mte. Galego, no cruzamento da Rua das Flores com a Rua 25 de Abril, existe um possível miliário conhecido como 'marcão' ou 'polícia' que seria proveniente da Qta. de S. João)
Casa Branca (ARITIO VETUS) (vestígios da cidade no sítio do Casal da Várzea; embora não seja mencionada nos Itinerários de Antonino, é provável a sua inclusão nesta rota, até porque nesta zona seria a travessia do Tejo, rumando depois para NE pelo Itinerário Alvega-Salamanca; na foz da ribeira da Lampreia apareceu uma placa de bronze onde se lê «Aritiense oppido veteri»)
Ponte-Represa Romana? de Casal da Várzea, Casa Branca, Alvega (em ruínas, no Mte. da Represa)
Gavião (a Sul por Carris Brancos)
Ponte Romano?-Medieval da Atalaia
Atalaia
Ponte Romano?-Medieval da Ribeira da Venda, Comenda (3 arcos; na praia fluvial do parque de merendas, junto à confluência com a ribeira da Cabeça Cimeira; segue por Vale da Vinha, Machouqueira, Mte. do Polvorão e Vale Braçal)
Vale de Feiteira, Comenda (villa em Vale do Grou; segundo Saa, a via seguia o «Caminho da Estalagem» pelo sítio romano de Sôrinho até à travessia da ribeira de Sor em Porto de Manejo, onde há vestígios de uma Ponte Antiga, seguindo depois entre o Alto do Mte. da Pedra e as Termas da Fadagosa para o Alto do Aguilhão, onde Saa achou um possível miliário com caracteres ilegíveis)

  • A partir daqui o traçado da via principal é muito duvidoso dado o desconhecimento actual sobre a localização das estações seguintes, Fraxinum e Montobriga, sendo que a via teria que se dirigir para Ad Septem Aras que ficaria muito provavelmente na região de Campo Maior. Equacionam-se duas alternativas, uma poderia seguir por Alpalhão, rumava daqui para SE em direcção a Arronches, enquanto que a outra hipótese seria rumar pelo Vicus Camalocensis no Crato e daqui a Arronches, se bem que esta última solução se poderia encaixar melhor na via transversal que ligaria Egaeditania a Ebora atravessando o Tejo junto a Vila Velha de Rodão.

    Variante por Alpalhão
    De Aguilhão (Monte da Pedra) poderia atravessar a ribeira de Vale do Magro e seguir pela sua margem direita, passando a Norte do Mte. da Granja e do Vicus do Mte. de Biscaia pelo caminho que delimita os concelhos do Crato e Nisa, continuando pelo Alto da Safra da Azinheira, Vale do Castelo, Alto da Mala, travessia da ribeira de Sor junto da Capela da Sra. da Redonda e do chamado Castelo Velho seguindo até Alpalhão. Em Alpalhão, outra possível localização para FRAXINUM no Mte. dos Sete, deveria existir um ramal de ligação a Ammaia em S. Salvador da Aramenha (ver o sistema viário em torno de AMMAIA), mas como esta civitas não é referida na lista de mansiones desta via, é possível que a via rumasse a SE por Algoa e Fortios (Mte. das Veladas), passando a poente de Portalegre, seguindo pela Calçada de Alcaide (Urra) em direcção à mansio Montobriga que poderia ficar em Arronches já que esta povoação fica a cerca de 30 milhas de Alpalhão. Depois rumava para Ad Septem Aras, algures na região de Campo Maior, onde cruzaria com o outro itinerário entre Braga e Mérida, o Itinerário XIV de Antonino que vinha por Alter do Chão.

    Variante pelo Crato
    Monte da Pedra, Crato (outra possível localização de FRAXINUM; poderia seguir junto da villa em Fonte Santa; Ponte Romana?)
    Aldeia da Mata
    Flor da Rosa (balneário; villa em Couto dos Coldes)
    Crato (necrópole da Lage do Ouro; sai pelo cemitério atravessa a estrada e segue por calçada)
    Ponte Romano?-Medieval sobre a ribeira do Chocanol
    Monte do Chocanol, Crato (talvez o vicus Camalocensis, a partir de uma ara onde se lê «Vicani Camaloc[...] in(?)»)
    Ponte Romano?-Medieval Velha do Prado sobre a ribeira de Seda
    Granja, Crato (villa, 500 m a S da estação CF)

    • Aqui a via deveria bifurcar, seguindo um ramo directo a Alter do Chão pelos altos de S. Lourenço e S. Miguel (ver via transversal) enquanto que a via principal seguia para SE paralela ao CF em direcção a Assumar, onde confluía com o Itinerário XIV. Saa descreve este trajecto como «Estrada do Alicerse» ou «Estrada dos Louceiros», passando na Qta. de Marrocos, Alto da Abonadeira, Mte. do Aguilhão, Chancelaria, Ribeiro do Freixo (linha CF), Ronha, Bedanais, Mte. dos Caldeireiros e Mte. Grande até Assumar. A partir daqui a via segue comum com a Via XIV até Arronches.
Arronches (possível localização de MONTOBRIGA a 30 milhas de Fraxinum, ou 44,4 km, o que corresponde grosso-modo à distância tanto a Alpalhão como ao Monte da Pedra, e a 14 milhas da estação seguinte Ad Septem Aras que pode ficar em Campo Maior. calçada em Porto Mane; Ponte Romana? do Mte. Pisão; no Vale da ribeira da Venda apareceu recentemente uma ara com inscrição votiva talvez relacionada com a via)

De Campo Maior a Mérida: Ao contrário do Itinerário XIV descrito acima, este itinerário XV não passava em Budua pelo que é provável que seguisse directo a Plagiaria. O percurso deveria seguir em direcção a Gérova onde apareceu um miliário.
PLAGIARIA (a 20 milhas de Ad Septem Aras e a 30 milhas de Emerita)
EMERITA (a 220 milhas de Lisboa)

Itinerário XIII (13)

Mapa







A SALACIA OSSONOBA m.p. XVI  

O Itinerário XIII (13) de Antonino é bastante intrigante porque não menciona estações intermédias e indica apenas 16 milhas de distância entre os dois pontos. Se por um lado é lógico pensar nesta rota como uma derivação do itinerário XII (12) entre Lisboa e Mérida, ligando SALACIA, actual Alcácer do Sal, a OSSONOBA, actual Faro, até porque surge na sequência da anterior, por outro lado, não se percebe qual o sentido de indicar este troço quando ele já está descrito no itinerário XXI (21). Assim, é muito provável que a Salacia referida não se refira a Alcácer do Sal, mas uma outra Salacia que poderia ser o Porto Romano do Cerro da Vila em Vilamoura que dista precisamente 16 milhas de Faro. Esta ligação de Ossonoba ao seu porto de mar passaria em Marchil, Pontal, Ludo, Fonte Santa, Passil e Quarteira.

No entanto, para já, não podemos descartar outras hipóteses, como um possível erro na transcrição das milhas, omitindo o «C» de 100 milhas, o que colocaria a distância em CXVI (116) milhas, cerca de 174 km, ou seja, já da mesma ordem de grandeza da distância medida entre as duas cidades que é de 185 km.

O Itinerário que liga directamente Faro a Alcácer do Sal está descrito no Itinerário XXI, passando a ocidente de Beja, enquanto que aqui apresentam-se as outras vias prováveis da região, como sejam as ligações de Alcácer do Sal a Beja, Santiago do Cacém e Portimão.


Alcácer do Sal (SALACIA) - Beja (PACE IULIA)
Apesar de não ser mencionado nos Itinerários de Antonino é quase certo que existia uma ligação directa entre Alcácer e Beja que seria uma parte do itinerário Lisboa-Beja- Sevilha e do itinerário Lisboa-Beja-Algarve descritos no Itinerário XXI de Antonino. No parte inicial, o percurso seria coincidente com a variante Sul do ITINERARIO XII entre Lisboa e Évora que passa no Torrão, inflectindo aqui para SE em direcção a Beja. Há pelo menos 3 miliários assinalando a passagem da via embora haja dúvidas quanto à sua localização original. Assim o percurso até Beja é meramente hipotético tentando assinalar os vestígios existentes que poderão estar relacionados com a esta via. O itinerário segue o traçado mais curto para Beja pois os antigos caminhos romanos foram destruídos pela intensa transformação agrícola da região.

Alcácer do Sal (SALACIA) (segue o itinerário XII)
Torrão (segue pela Fonte Santa, conduta romana com 100m, e próximo das villae do Penedo Minhoto e das Fontainhas; EN2; também daqui poderia partir um ramal em direcção a Alvito, onde se supõe ter existido a civitas Mirietanorum, passando em Vila Nova da Baronia.)
Odivelas, Ferreira do Alentejo (André de Resende e depois Túlio Espanca referem um miliário no Mte. do Olival; o percurso seria assim Mte. do Olival, Cova do Medo, Mte. da Casa Branca, onde existe uma fortificação romana que poderia vigiar a via na travessia do Barranco da Casa Branca, no limite do concelho, seguindo entre as Villae de Vale de Meloais e do Mte. da Cassapa para a travessia da ribeira de Alfundão, continuando próximo das villae de Fonte Boa, Castelo Ventoso e Barranco de Rio Seco até Alfundão)
Alfundão, Ferreira do Alentejo ( Ponte Romana?; talvez siga pelo caminho que passa no Alto de Beja e próximo da Villa do Monte do Corvo)
Travessia do Barranco do Corvo (junto à Malhada dos Carvalhos e da EN387)
Peroguarda, Ferreira do Alentejo (seguia a NE talvez próximo do habitat do Mte. da Carrascosa, Villa do Mte./Malhada da Zambujeira, Habitat de Funchais e Horta dos Coutos)
Ponte Romana? de Lisboa sobre o rio Galejo, Beringel (1 arco; calçada; incorpora materiais romanos, 2 cipos, talvez provenientes da Villa da Herdade da Ponte de Lisboa; a via segue a ribeira de Álamo)
S. Brissos (passa a Sul junto à Villa dos Monte da Fonte dos Cântaros, onde segundo fontes bibliográficas existia um miliário de Valentino I e Valente)
Ponte Romana? da Fonte dos Cântaros, S. Brissos (continua junto à Villa do Monte da Diabrória)
Beja (PACE IULIA; vestígios da via na Rua Aresta Branco; decorrem escavações no templo; numa ara com o epitáfio de Nice lê-se VIATO[r, CIL II 59 = CIL II 5186)


Alcácer do Sal (SALACIA) - Santiago do Cacém (MIROBRIGA)
Hipotética ligação entre as duas civitates, embora sem vestígios concludentes.
Alcácer do Sal (SALACIA) (parte da margem esquerda do Sado)
Grândola (provável mansio nas Termas do Cerrado do Castelo, na escola primária; 2 km a S fica a Barragem Romana do Pego da Moura)
Santiago do Cacém (MIROBRIGA) ( Ponte Romana dentro da civitas)


Santiago do Cacém(MIROBRIGA) - Beja (PACE IULIA)
Ligação entre as duas civitates passando em Alvalade; Feio (2009) e aqui este artigo sobre Alvalade;
Santiago do Cacém (MIROBRIGA) (provável ligação ao Porto Romano de Sines)
Herdade do Carvalhal, São Domingos
Abela (seguia pela Ermida de S. Brissos, villa da Qta. da Corona , Vale de Santiago e villa de Ameira/Monte do Brejo)
Ponte Romano?-Medieval de Alvalade sobre a ribeira de Campilhas (reconstruída no séc. XVI)
Alvalade (vicus no actual cemitério; cruzamento de vias; mina romana do Montinho)
Travessia do Rio Sado (Callipus) em Porto de Beja (junto do campo de futebol)
S. João de Negrilhos
Ervidel
Santa Vitória
Penedo Gordo (acesso à importante villa romana de Pisões, na Herdade de Algramaça)
Beja (PACE IULIA)

Alcácer do Sal (SALACIA) - Monchique - Portimão
Variante das ligações ao Algarve que se dirigia a Portimão, seguindo por S. Margarida do Sado, Garvão e Serra de Monchique até Estômbar, onde entronca nas outras vias do Algarve.

Alcácer do Sal (SALACIA) (segue o percurso da via XII até o Torrão, onde ruma para SE pelo Alto da Corte da Venda)
Travessia da ribeira de Odivelas (na Herdade do Pinheiro e segue pelo altos dos Pintos e da Mina)
Santa Margarida do Sado (segue pelos altos de Penedrão e Atalaia)
Travessia da ribeira de Figueiras (talvez no Porto de Mouros; mina romana em Canal Caveira)
Ermidas (topónimo Monte do Marco; segue por Santa Ana do Roxo e junto à villa do Monte do Roxo)
Alvalade (cruzamento com a via Santiago do Cacém-Beja; não é claro se a via seguia pela margem esquerda ou direita do Sado, pois se os vestígios de Sapa, Monte dos Conqueiros, Monte da Corredoura, Monte Novo, Monte da Retorta e Monte da Defesa, indicam uma continuação pela margem direita, por outro lado a continuação para a Torre Vã obriga a uma travessia do Sado)
Panóias (segue por Torre Vã, junto à villa da Horta de S. Romão, Monte Alto, Ermida de S. Romão de Panóias)
Travessia do rio Sado (Callipus) (segue por Boizana, Vale de Fomeira, Monte Ruivo do Ameixial, Funcheira de Baixo, Horta da Saúde e Igrejinha de São Pedro)
Garvão, Ourique
Ponte Romano?-Medieval sobre a ribeira de Garvão (junto à estação; segue por Furadouro e Franciscos onde seria o povoado romano)
Aldeia das Amoreiras (EN123)
S. Martinho das Amoreiras (continua pela En123, ao km 32 desvia para Monte do Geraldo, Monte do Caldeirão, Portela das Estaquinhas, Corte de Brique e Corte de Lã)
S. Clara-a-Velha (segue por Viradouro, EN266)
Travessia do rio Mira (talvez por barca porque a Ponte de D. Maria, hoje em ruínas, é do séc. XVIII)
Sabóia (segue por Corte Sevilha)
Nave Redonda (calçada; segue a EN266 pelo Alto do Embarradouro)
Monchique (calçada em Nave, Rencovo e Cerro da Vigia; desce às Caldas pela calçada do Pé da Cruz e pela calçada de Palmeira)
Caldas de Monchique
Porto de Lagos
Silves (o antigo núcleo seria no Cerro da Rocha Branca ou da Guerrilha, 1km para poente, hoje destruído; villa em Vila Fria)
Estômbar, Lagoa (onde entronca na via pelo barrocal algarvio)
Portimão (onde entronca na via pelo litoral algarvio)

Itinerário XXII (22)

Mapa





Castro Marim (BAESURI) - Mértola (MYRTILIS) - Beja (PACE IULIA)    LXXVI milhas - 101 Km
Item ab ESURI per compendium PACE IULIA m.p. LXXVI  
MYRTILIS
PACE IULIA
XL
XXXVI
No Itinerário XXII de Antonino esta rota é chamada de «per compendium», ou seja pelo caminho mais curto, indicando um total de 76 milhas até Beja, cerca de 101 Km, o que corresponde à actual distância entre Castro Marim e Beja, distinguindo assim do Itinerário XXI que também seguia para Beja, mas por uma rota mais longa, interligando as cidades do litoral Algarvio, Balsa e Ossonoba, antes de rumar ao Alentejo. A ligação entre Castro Marim e Mértola, a única estação referida no itinerário, deveria ser efectuada por via fluvial, subindo o rio Guadiana, mas não se pode excluir uma alternativa terrestre pela margem direita do rio, apesar do terreno ser aqui muito acidentado e da ausência de provas consistentes da passagem da via. Os vestígios encontrados nesta rota, nomeadamente as villae que bordejam o Guadiana, poderiam não estar ligadas à via terrestre, mas antes à via fluvial, constituindo assim pequenos portos comerciais ao longo do percurso. (ver Silva, 2002/2005; Rodrigues, 2004; Lopes, 2006)


Hipotética Via Terrestre:
Castro Marim (BAESURI) (calçada com 50 m na base do Castelo; segue para N +- paralela à EN122)
Horta dos Quartos (possível referência à milha IV desde Baesuri; talvez por Varanda, Fronteirinha e Calçada)
Ponte de Beliche sobre a ribeira de Beliche (calçada)
Travessia da ribeira de Odeleite a vau
Ponte Romana? de Álamo, Alcoutim (só vestígios; villa e Barragem Romana de Álamo)
Montinho das Laranjeiras, Alcoutim (villa aberta ao público, ligada ao tráfego fluvial)
Alcoutim (diversas fortificações romanas como o Cerro do Castelinho dos Mouros, controlavam o tráfego no rio Guadiana)
Mértola (MYRTILIS) (civitas; núcleo romano na cave da CM de Mértola; os materiais romanos encontrados na chamada Torre do Rio, hoje em ruínas, levaram alguns autores a colocarem a hipótese de aqui ter existido uma Ponte Romana, mas é muito improvável, atendendo a que Mértola era um importante entreposto fluvial não se justificando a construção de uma ponte pelo que os materiais romanos deverão ser oriundos de algum edifício na cidade)

Ligação às Minas de S. Domingos: travessia do rio Guadiana (Anae) na
Estrada romana para escoamento do minério que poderia continuar para a Baética ou mesmo Serpa. A calçada começa no Porto de Mértola (celeiros das EPAC junto do Guadiana) e segue durante 2,2 km para Fernandes pela chamada Estrada Velha até Casa Branca, reaparecendo depois no sopé do Cerro do Calcolítico e mais à frente no Monte Alto, seguindo por rota incerta até às Minas de S. Domingos (villa no Cerro da Mina).
  • Esta via poderia continuar por Corte do Pinto até entroncar na Via Beja-Huelva, onde tanto podia seguir no sentido de Serpa/Beja como dirigir-se para a Baética atravessando o Rio Chança, talvez entre o Serro do Marco e a Passada da Vuelta Falsa (minas romanas).

de Mértola a Beja pela Via Principal:
Corte Gafo de Baixo
Travessia da ribeira de Terges e Cobres numa das seguintes alternativas:
uma por Amendoeira da Serra, Monte da Lapa, Alto de Vasco Martins, atravessando a ribeira entre Porto de Salvada e Monte do Pica Milho.
outra descendo à ribeira pelo Monte do Mosteiro, atravessando para Demangas e Herdade de Barbas de Gaio
Vale de Rucins (talvez seguindo a EM511, evitando a travessia de linhas de água)
Salvada (seguindo talvez próximo da Herdade do Carrascalão, villa do Monte da Azinheira e por Pisão)
Beja (PACE IULIA) (entrava pela Porta de Mértola, demolida em 1876)


Itinerário XXI (21)

Mapa


VIA XXI - Castro Marim (BAESURI) - Luz (BALSA) - Faro (OSSONOBA) - ARANNIS - Évora (EBORA) - Beja (PACE IULIA)
Item de ESURI PACE IULIA m.p. CCLXVII 
BALSA
OSSONOBA
ARANNIS
Sarapia?
SALACIA
EBORA
SERPA
FINES
ARUCCI
PACE IULIA
XXIIII
XVI
LX
XXXV?
XXXV
XLIIII
XIII
XX
XXV
XXX
Este Itinerário XXI percorre quase todo o território do Alentejo e do Algarve num percurso circular, parecendo mais um agrupamento de várias vias de ligação entre os principais povoados da região. A via partia então de BAESURI (ESURI no itinerário) actual Castro Marim, seguindo pelo litoral algarvio até à civitas de BALSA na Qta. de Torre de Aires (Luz de Tavira) e logo depois atingia a civitas de OSSONOBA, a actual cidade de Faro. Daqui rumaria a Norte, passando pela estação de ARANNIS, sem localização definitiva, em direcção a SALACIA, hoje Alcácer do Sal, onde inflectia para Leste em direcção a Évora. De SALACIA a EBORA, o itinerário indica 44 milhas, o que está de acordo com a distância medida no terreno e de acordo com a distância indicada Itinerário XII entre Lisboa e Mérida para o mesmo troço. A partir de Évora, em vez de ligar directamente a Beja, através da via romana entre Évora e Beja pelo caminho mais curto cujo percurso está atestada por vários miliários, este itinerário, indica um percurso mais extenso (cerca de mais 38 milhas ou seja mais 56,2 km) que inclui mais três estações intermédias, Serpa, Fines e Arucci, cujas localizações continuam inseguras, até finalmente atingir Beja.

Sobre o Algarve Romano ver o excelente trabalho de Luís Fraga da Silva em www.arkeotavira.com e no seu blog Impronto.
Como ainda subsistem muitas dúvidas sobre a localização das estações intermédias, o itinerário é apresentado por troços:


Mapa








VIA XXI - Castro Marim (BAESURI) - Torre de Aires (BALSA) - Faro (OSSONOBA)

BALSA
OSSONOBA
XXIIII
XVI
O primeiro troço do Itinerário XXI ligava Baesuri na foz do Rio Guadiana, actual Castro Marim, à civitas de Ossonoba que corresponde ao velho centro da cidade de Faro, passando na mansio de Balsa, estação intermédia que servia a civitas de Balsa, hoje definitivamente localizada junto à praia de Luz de Tavira num lugar conhecido por Torre de Aires. O único miliário conhecido do Algarve pertence a esta via e foi encontrado in situ em Bias do Sul, marcando a décima milha desde Faro que já era na época capital regional, certificando assim a passagem da via pelo litoral Algarvio. Tanto este miliário como as distâncias indicadas pelo itinerário estão coerentes com as actuais distâncias no terreno.
A partir de Faro, o itinerário ruma a Norte na direcção de Beja, mas aqui apresenta-se a sua provável continuação até ao Cabo de São Vicente. Esta rota segue mais ou menos o percurso da EN125, tendo uma variante mais a Norte que percorre o barrocal algarvio. (ver Silva, 2002/2005; Rodrigues, 2004; Maia 2006).


Castro Marim (BAESURI) (sai por Horta de D. Maria, Sobral de Cima até à linha férrea, seguindo paralela a esta por Alcaria e Portela, Cruz do Morto, Buraco e Torrão)
Cacela Velha, Vila Real de St. António (villa na Quinta do Muro; continua por Qta. de Baixo, Baleeira e Morgado)
Conceição, Tavira (passa em Canada junto à necrópole da Horta da Canada)
Ponte Romano?-Medieval do Almargem sobre a ribeira de Almargem, Conceição (3 arcos; calçada)
Tavira
Ponte Medieval de Tavira sobre o rio Gilão (sem vestígios romanos; talvez a travessia fosse a vau 130 m a montante; Silva 2005)
Pedras d'el Rei, Luz de Tavira (vem pelo "Caminho do Concelho" em terra, passa na Qta. de St. António, e passa a calçada junto ao aldeamento turístico, onde há necrópole de uma villa)

Torre de Aires (BALSA), Luz de Tavira (a civitas abrangia a Qta. das Antas e estaria a XXIIII milhas de Baesuri; a via romana entrava na cidade pela Qta. do Arroio, onde há calçada e seguia quase recto até)
Livramento, Luz de Tavira (aqui conflui com a EN125 e continua sob esta por Arroteia e Alfandanga)
Bias do Sul, Olhão (em Canada do Sul, na foz da ribeira de Bias, apareceu in situ, o único miliário conhecido do Algarve, indicando a milha X contadas a partir de Faro e marcaria também a fronteira entre as civitates de Balsa e Ossonoba, IRCP 660; está hoje no Museu Paroquial de Moncarapacho)
Olhão (epitáfio onde alguns autores lêem V(iator); a via segue a N da EN125 próximo do Templo Romano de Qta. do Marim, possível localização da Statio Sacra referida na Cosmographia do Anónimo de Ravena, ver Graen, 2007, seguindo a N da villa de Torrejão Velho)

Faro (OSSONOBA) (civitas a XVI milhas de Balsa; a via passava em Rio Seco e entrava na cidade entre as necrópoles de Lethes e Ferragial pela Rua Dr. João Lúcio até ao forum; a continuação para Leste fazia-se na direcção da Rua Conselheiro Bivar, antiga Rua da Carreira, passando junto à necrópole da Horta dos Fumeiros, até Pontes de Marchil já na EN125)
S. João da Venda, Almansil
Almansil (provável mansio onde deriva o caminho para Loulé; segue paralela à EN125 por Marchil, Pontal, Ludo, Fonte Santa, Passil e Quarteira)

Via litoral até ao Cabo de São Vicente
Vilamoura (Porto e vicus do Cerro da Vila; mansio; Alfândega)
Ponte Romano-Medieval do Barão, Albufeira sobre a ribeira da Quarteira (fundações romanas; perto fica a villa Romana da Retorta cujo espólio está no Museu Municipal de Albufeira; segue por Vale de Carros, Lajeado e Mosqueira)
Guia (segue paralela e a S da EN125)
Pêra
Ponte Romano?-Medieval de Alcantarilha (talvez com fundações romanas)
Alcantarilha (calçada por debaixo da ponte em betão na Rua das Muralhas)
Porches (talvez pelo lugar da Torre)
Lagoa
Estômbar, Lagoa (calçada; continua por Corredoura, Passagem, junto à Qta. de S. Pedro e Calçada da Barca)
Travessia do rio Arade no lugar do Parchal
Portimão (talvez o PORTUS HANNIBALIS; daqui é possível uma derivação para Vila Velha do Alvor, sítio romano)
Mexilhoeira Grande (villa da Qta. da Abicada em Figueira, desvio a partir da EN125 para o apeadeiro)
Lagos (LACCOBRIGA) (talvez no Monte Molião em Telheiro, junto à Ponte sobre o rio de Lagos na EN125; Barragem romana da Fonte Coberta; possível Villa em Palmares)
  • Ligação para Norte: é provável que existisse uma via para Norte a partir de Lagos em direcção a Aljezur (passando por Fronteira, Poldra e Fronteiras) que ligaria à civitas de MIROBRIGA (Santiago do Cacém), servindo assim o intenso comércio marítimo que ligava o Mediterrâneo à Costa Atlântica, como testemunham os diversos complexos portuários ao longo da costa Alentejana como os de Vila Nova de Milfontes, Sines, Ilha do Pessegueiro, Setúbal, Tróia e Portinho da Arrábida.
Luz, Lagos (na Rua da Igreja existiu uma estação romana já desaparecida)
Budens (talvez seguisse junto à costa por Burgau; Villa da Boca do Rio na foz da ribeira de Budens)
Vila do Bispo (centro oleiro na falésia da Praia do Martinhal)
Cabo de São Vicente (Promontorium Sacrum?)

Variante Norte pelo barrocal algarvio
Esta variante derivava da via litoral talvez no lugar da Cruz do Morto em Cacela Velha e seguia por
Ribeira de Almargem
Vale da Asseca
Sta. Catarina da Fonte do Bispo (poderia seguir entre Desbarato e Bengado, onde há calçada medieval, até Fonte/Cerro da Mesquita)
São Brás de Alportel (entra por Hortas e Moinhos, onde cruza com a via proveniente de Faro, e segue a S da EN270, por Calçada, Fonte do Mouro, Fonte do Touro, Vilarinhos, onde cruza EN270 para seguir por Carrascal, S. Romão, Poço Largo e Fonte de Apra)
Torres de Apra, Loulé (villa; segue a S da EN270 próximo de Betunes)
Loulé (passa a S da cidade, onde cruza com a via Faro-Beja por Loulé)
  • Ligação à via litoral: (descendo até Almansil, onde entrona na via litoral)
  • Continuação para Albufeira: descendo para S por Benfarras até à Ponte do Barão, onde entronca na via litoral.

Variante Sul pelo barrocal algarvio
Esta rota segue ente a variante Norte pelo Barrocal e a via litoral interligando uma série de povoados romanos e cruzando com a várias ligações N-S que seguiam para o Alentejo. Talvez derivasse em Moncarapacho da via que aí passava para Norte e seguia por Estoi, onde cruzava com a via proveniente de Faro, continuava junto da necrópole da Villa de Milreu para Sta. Bárbara de Nexe (EM520-2), onde tanto poderia rumar a Loulé, nó rodoviário do Barrocal, como descer a Almansil, onde entronca na via litoral.

Mapa









Mapa



Mapa

XXI - Faro (OSSONOBA) - ARANNIS - Alcácer do Sal (SALACIA) e Beja (PACE IULIA)
OSSONOBA
ARANNIS
Sarapia?
SALACIA
EBORA
XVI
LX
XXXV?
XXXV
XLIIII
A partir de Ossonoba o Itinerário XXI rumava a Norte em direcção a Arannis percorrendo 60 milhas, ou seja, cerca de 89 Km. O itinerário sugere assim uma localização de Arannis na região de Castro Verde, talvez em Sta. Bárbara de Padrões, onde se localizam importantes ruínas de um grande povoado romano e cuja distância actual a Faro concorda com o itinerário. Para atingir a estação seguinte, Salacia, o itinerário indica apenas 35 milhas, o que é insuficiente para atingir Alcácer do Sal, motivando assim várias propostas de correcção do itinerário quer alterando o número de milhas, quer introduzindo uma estação intermédia entre as duas civitates. Como existe uma diferença no itinerário entre a distância total (247 milhas) e o somatório das distâncias entre estações (212 milhas), ou seja, uma diferença de 35 milhas, é provável a existência de uma estação intermédia, muito provavelmente no povoado de Sarapia referido por Plínio no seu Naturalis Historiae. Sarapia estaria assim a 35 milhas quer de Arannis quer de Salacia porque é essa a distância parcial indicada e porque perfaz 70 milhas (104 km), o que corresponde à distância actual entre S. Bárbara dos Padrões e Alcácer do Sal que é de 108 km. Para o troço seguinte entre Salacia e Ebora, o itinerário indica 44 milhas, o que corresponde à distância actual além de ser coincidente com a distância indicada no mesmo troço do Itinerário XII entre Braga e Mérida, sendo portanto a mesma via aí descrita.

Devido a estas incertezas são apresentadas diversas possibilidades de ligação a partir de Ossonoba para Norte, nomeadamente a mais que provável ligação directa a Beja. Partindo de Ossonoba, a via teria que ultrapassar a Serra do Caldeirão, existindo três prováveis variantes, uma mais ocidental por Loulé, talvez a mais importante, uma central por S. Brás de Alportel, reunindo-se em Salir, e uma oriental por Sta. Catarina da Fonte do Bispo que se reúne com as anteriores em S. Pedro de Solis.
(ver Silva, 2002/2005; Rodrigues, 2004; Maia 2006).

Variante de Faro a Salir por S. Brás de Alportel:
Faro (OSSONOBA) (rumando a N, saía pela Rua de Portugal, ao longo da grande necrópole de Lethes, Rua de S. Luís, Estrada da Penha até Vale Carneiros)
Conceição (talvez próximo dos Montes da Meia Légua e de Porto Carro)
Estoi (importante Villa Milreu; continua pela margem esquerda do rio Seco por Cacela, contornando a poente o Cerro do Malhão)
Travessia do rio Seco em Porto Velho
Vale do Joio, Machados (villa; inflecte para N e atravessa a Serra de Monte Figo)
Hortas e Moinhos, S. Brás de Alportel (calçadinha)
S. Brás de Alportel (a calçadinha, talvez de origem romana, entra na vila pela Rua Dr. Vitorino Passos Pinto; a via seguiria para o vale da Ribeira das Mercês por Alcaria, Cerro de Alportel, Juncais, Corte e Almarjão, desviando por calçada para Amendoeira e Portela)
Touriz, Querença (entronca na estrada para Salir à esquerda ou segue à direita para Barranco do Cão para atravessar a Serra do Caldeirão)
Salir (nó rodoviário, onde entronca a variante ocidental por Faro-Loulé-Salir)

Variante de Faro a Salir por Loulé:
Faro (OSSONOBA) (seguia a via litoral até Almansil, onde desviava para N para Loulé por Quartos e Fazenda do Cotovio pela margem esquerda da ribeira de Cadouço)
Ponte Romano?-Medieval de Álamos sobre a ribeira do Cadoiço, Loulé (recentemente reabilitada)
Loulé (segue pela estrada de Salir que sai pela Rua de Portugal por Vale da Rosa e cruz da Assumada)
Ponte Romano?-Medieval de Tôr sobre a ribeira de Algibre, Querença, Loulé (5 arcos; 2 visíveis; calçada a 2 km chamada "Estrada de Portugal")
Salir
    Ligações de Salir para poente:
    É possível que de Salir partisse uma via para poente até Alte, onde se dividia em dois ramos, um ramo acedia às minas de cobre do Pico Alto e do Cerro de Monte Rosso, passando em Sta. Margarida e outro continuava para Oeste passando em Torre, Messines de Baixo, Portela, Castelo, prosseguindo por calçada até S. Bartolomeu de Messines. Daqui poderia rumar para N para a travessia da serra por S. Marcos da Serra e Santa Clara, onde entronca na via que vinha de Portimão por Monchique ou descer ao litoral pela calçada da Ladeira da Bernarda até Algoz ou pela margem esquerda do Rio Arade por Calçada, Cortes, Torre, Cumeada e St. Estevão (mina de cobre), rumando depois ao litoral por duas vias alternativas, uma para Estômbar, onde entronca na via do litoral algarvio, e outra seguindo por Qta. do Arge até Porto de Lagos, onde cruza com a via que vinha de Portimão para Monchique.

Variante de Salir para Norte até S. Pedro de Solis
A provável via principal rumaria a Leste para transpôr a Serra do Caldeirão.
Maxieira (segue +- o percurso da EN2 até)
Barranco do Velho (desvia pela EN124 para Montes Novos e segue o caminho rural para Vale da Rosa por Cortiçadas onde reencontra a EN2, saindo pouco depois para Figueirinha)
Santa Cruz (por Castelejo; rencontro com a variante que vem de Faro por St. Catarina da Fonte do Bispo)
S. Pedro de Solis

Variante de Faro a S. Pedro de Solis por Sta. Catarina da Fonte do Bispo (Via XXI?):
A parte inicial do percurso até Moncarapacho está algo indefinido podendo rumar primeiro a Alfandanga pela via litoral, onde recebia o tráfego de Balsa e rumava a N para atingir Moncarapacho pelo lugar do Marco. Em alternativa poderia existir um caminho mais directo entre Faro e Moncarapacho pela Ponte de Quelfes no "caminho de que vae de quelfes pera porttugal" (LOURO, 1929 p.60) (ver também Manuel Maia, 2006, Fraga da Silva, 2000/2005 e Sandra Rodrigues, 2004)

Faro (seguia o percurso da EM522 por Vale de Rei e Quatrim)
Ponte de Quelfes sobre a ribeira de Marim (próximo do Cerro de S. Miguel)
Moncarapacho (possível localização da Statio Sacra referida na Cosmographia do Anónimo de Ravena)
Ponte Romano?-Medieval sobre a ribeira do Tronco, Moncarapacho (1 arco; aqui começa o caminho com vários troços de calçada)
Caliços (no Vale da Serra há calçada intermitente com 1300 m)
Ponte dos Caliços (a via continua com troços empedrados e em terra batida por Vale da Serra)
Foupana, Moncarapacho
Ponte da Torre sobre a ribeira de Arroio
Montes e Lagares, Sta. Catarina da Fonte do Bispo (calçada do Ribeiro do Lagar; cruzaria com a variante Norte da via litoral)
Travessia da ribeira de Alportel em Porto Carvalhoso (continua para N por Bem Parece e Água de Fusos)
Travessia da ribeira de Fronteira no Corxo (continua por Cabeça do Velho e Cerro Alto)
Travessia da ribeira de Odeleite no Cercado da Lagoa (continua por Castelão até)
Feiteira (segue para Corte João Velho ou segue à esquerda pela EN124 e logo a seguir na Fonte da Rata à direita por Figueirinha, Valeira e Ginêta)
Mealha, Cachopo (segue por Alcarias Pedro Guerreiro, atravessa a ribeira da Corte no Monte da Estrada e segue para o Moinho do Pereirão e Zorrinho de Cima)
Pessegueiro (segue por Zambujeiro)
Travessia da ribeira do Vascão (talvez no Moinho da Vargem)
Santa Cruz (por Casa Nova e Monte do Castelejo, onde reencontra a variante por Mealha)
S. Pedro de Solis

De S. Pedro de Solis seguem juntas para Sta. Bárbara de Padrões:
S. Pedro de Solis (segue em calçada por Alcaria das Bichas e Minas do Barrigão, Miguenzes, Caiada, Herdade da Espanca)
S. Miguel do Pinheiro (Forte Romano Manuel Galo)
Travessia da ribeira de Carreiras
Caiada ou Sra. da Graça de Padrões
Travessia da ribeira de Cobres
Sete
Sta. Bárbara de Padrões (ARANNIS), Castro Verde (referência a dois miliários)

Via XXI - Sta. Bárbara de Padrões (ARANNIS) - Alcácer do Sal (SALACIA)
Sta. Bárbara de Padrões
Castro Verde
Carregueiro, Aljustrel ( calçada e villa do Monte do Gavião seguindo depois para a calçada do Monte do Mau Ladrão no sentido este-oeste)
Aljustrel (VIPASCA) (Minas Romanas Metallum Vipascensis; villa de Alcarias)
SARAPIA (possíveis localizações: Sta. Margarida do Sado, Figueira dos Cavaleiros e Peroguarda)
Odivelas (ver percurso no Itinerário Alcácer do Sal-Beja)
Torrão (ver percurso no Itinerário XII)
Alcácer do Sal (SALACIA)

Via ARANNIS - Beja (PACE IULIA):
Deveria existir uma ligação entre Arannis e Beja pelo caminho mais curto, embora não mencionado no itinerário.
Sta. Bárbara de Padrões
Namorados
Travessia da ribeira de Cobres entre Cabeças e Pereira
Travessia da ribeira de Maria Delgada junto ao Alto de S. Pedro das Cabeças
Castro Verde (entra junto ao cemitério e segue por Portela, Monte Tacanho, Monte da Perdigoa e Alto do Monte Branco)
Entradas (segue a poente da povoação pelo Monte do Canal, onde atravessa a ribeira Cinceira, segue pelos altos da Lapa e da Malhada Nova, Lagoa de Pedra, onde inflecte para o Monte da Charnequinha; próximo fica o Castelo Velho de Cobres/Castelo de Montel)
Albernoa (segue o CM1092 pelos limites do Monte da Marzalonas, Monte Linhares, Monte das Marzalonas, Alto do Cerro, ribeira de Rascas e Balhamim)
Santa Clara do Louredo, Beja (miliário a Galério e Constâncio da milha XXXVI, 36, talvez contadas a partir de Arannis)
Beja (PACE IULIA)

Mapa

XXI - Évora (EBORA) - FINES - ARUCCI - Serpa (SERPA) - Beja (PACE IULIA)

EBORA
SERPA
FINES
ARUCCI
PACE IULIA
XLIIII
XIII
XX
XXV
XXX
Este troço do Itinerário XXI é o que coloca mais questões devido à incerteza que rodeia a localização das estações intermédias no seu percurso até Beja. Depois de atravessar Évora, o itinerário indica a estação de Serpa que a ser situada na actual cidade de Serpa, nunca poderia estar somente a 13 milhas (19,2 km) de Évora como é indicado, além de que um percurso entre Serpa e Beja com duas estações de permeio é muito improvável atendendo à distância actual entre as duas cidades. Na impossibilidade de acertar as distâncias, podemos sempre admitir um erro na transcrição do itinerário, tanto nas milhas indicadas como na própria sequência de estações, mas isso não ajuda a esclarecer o problema e o itinerário de Antonino até tem mostrado grande exactidão nos outros itinerários. Por isso é preciso tentar outras explicações. Vinte milhas depois de Serpa seria atingida a mansio Fines, também sem localização precisa, rumando depois à mansio de Arucci que deverá estar na origem do nome da actual povoação de Aroche do outro lado da fronteira e daqui rumava finalmente a Beja. Este traçado é pouco lógico e tem de haver um erro na interpretação neste Itinerário de Antonino.

Tentativa de resolução:


ARUCCI em Moura?
Moura tem sido tradicionalmente associada a Arucci com base na famosa inscrição dedicada a Agripina (CIL II 963) e que hoje está no Museu de Moura.

[...]LIAE AGRIPPINA
[...]RIS AVG • GERMAN
[...]MATRI • AVG • N
[...]IVITAS ARVCCITANA
Esta associação foi proposta no século XVI pelo historiador Português André de Resende que leu na letra «N.» a palavra «N.(ova)», levando-o a considerar a existência de duas civitates, uma designada por Nova Civitas Aruccitana correspondendo a Moura e, por oposição, uma mais antiga que lhe deu origem e por isso a cognominou de Arucci Vetus próximo da Aroche actual. Hoje parece claro que só existia uma Arucci visto que esta epígrafe é na realidade originária da Serra de Aroche, reforçando assim essa região espanhola como a mais provável localização da Civitas Aruccitana e logo da mansio de Arucci referida nos itinerários, muito provavelmente localizada em torno da Ermida de San Mamés em Llanos de la Belleza.

FINES em Moura ou Corte de Messangil?
Considerando então Arucci localizada em Llanos de la Belleza, próximo da actual Aroche, teríamos de posicionar a mansio Fines a 25 milhas para ocidente e a 20 milhas de Serpa, segundo o itinerário; Ora esta localização corresponde sensivelmente ao vicus da Fonte de S. Miguel de Fines em Corte de Messangil. No entanto, admitindo que rota seguia para Évora em vez de Beja, as 25 milhas posicionam Fines em Moura, onde há muitos vestígios romanos.

Uma nova sequência de estações
Admitindo que a mansio Serpa mencionada no itinerário ficava na actual cidade de Serpa, a sequência lógica a partir de Évora seria, Ebora, Pace Iulia, Serpa, Fines e Arucci. Assim o tinerário poderia assumir a forma abaixo, onde se tenta ajustar as distância reais entre mansiones.

Itinerário original
EBORA XLIIII
SERPA XIII
FINES XX
ARUCCI XXV
PACE IULIA XXX
Distâncias Intermédias
EBORA - SERPA XIII
SERPA - FINES XX
FINES - ARUCCI XXV
ARUCCI - PACE IULIA XXX
Distâncias actuais:
(em milhas)

Évora - Beja 44
Beja - Serpa 20
Serpa - Moura 20
Serpa - Messangil 13
Messangil - Aroche 25
Beja - Moura 30
Beja - Aroche 61
Hipótese com FINES em Messangil
EBORA - PACE IULIA XLIIII
PACE IULIA - SERPA XX
SERPA - FINES (Messangil) XIII
FINES (Messangil) - ARUCCI XXV
Hipótese com FINES em Moura
EBORA - FINES (Moura) XLIIII
FINES (Moura) - ARUCCI XXV
FINES (Moura) - SERPA XX
FINES (Moura) - PACE IULIA XXX
SERPA no Ravennatis
A Cosmographia do Anónimo de Ravena apresenta a seguinte sequência de cidades da Baética: «Item super fretum Septem sunt civitates, id est, Bepsipon, Merifabion, Caditana Portum, Asta, Serpa, Pace Iulia» (Ravennatis IV, 43, 16); Admitindo que esta sequência corresponde a uma via romana entre o Porto de Cádiz (Caditana Portum) e a capital do Conventus Pacensis (Pace Iulia), passando por Serpa, o que está de acordo com o terreno, mas a omissão de Arucci poderá indicar que se trata de uma outra via NO-SE pelo caminho mais curto entre Beja e Cádiz (ver o Itinerário Beja-Huelva-Cádiz), enquanto que a via referida no Itinerário de Antonino seguia para leste por Fines e Arucci.

Uma outra Serpa?
Em outra parte da mesma Cosmographia são enumeradas as civitates da Baética que estavam sobre domínio de Hispalis na actual Sevilha: Onuba, Urion, Arucci, Fines, Seria. (Rav. IV 45). Ora esta sequência está mais de acordo com o Itinerário de Antonino, formando uma linha que inclui Huelva (Onuba), Fines e Arucci sobre esse domínio, finalizando com uma enigmática civitas Seria que poderá ser apenas uma grafia diferente para Serpa. Mas porque não haveria de existir uma Seria diferente de Serpa?
Ver aqui uma descrição do Itinerário Huelva (Onuba) - Aroche (Arucci).

SERIA no Itinerário de Antonino
EBORA - SERIA XIII
SERIA - FINES XX
FINES - ARUCCI XXV
(FINES - PACE IULIA XXX)
Admitindo então uma civitas de Seria na sequência de Fines, permite uma nova interpretação do Itinerário XXI de Antonino ao inserir uma estação entre Fines e Évora designado por Seria. Esta mera hipótese permitia explicar a sequência das estações em Antonino, admitindo que é no itinerário que se faz a troca de Seria por Serpa por erro do copista medieval, o que é bastante plausível por troca da letra «I» pela letra «P» tal como no Ravennatis.

Onde ficaria SERIA
Évora - SERIA XIII (19,2 km)
SERIA - Moura XX (29,6 km)
Moura - Aroche XXV (37,0 km)
Aroche - Moura XXV (37,0 km)
Moura - Beja XXX (44,4 km)
Admitindo que Fines ficava em Moura, onde existia uma povoação romana de algum relevo, então Seria estaria algures a 20 milhas de Moura, o que nos coloca na região de Portel, e a 13 milhas de Évora, o que nos coloca na região de Torre de Coelheiros, onde há registo de miliários (Monte de Sitima, S. Marcos da Abóbada, Herdade da Torre do Lobo). Por outro lado, admitindo que Fines ficava em Corte de Messangil, então Seria tanto poderia ser em Moura como em Serpa, sendo que neste caso o erro estaria no Ravennate trocando Serpa por Seria.

Perante todas estas dúvidas sobre o Itinerário XXI de Antonino, apresentam-se os diversos troços de vias ainda observáveis no terreno sem a preocupação de inseri-los no Itinerário, nomeadamente, a comprovada via entre Évora e Beja pelo caminho mais curto, a mais que provável ligação entre Évora e Moura passando por Portel e as possíveis ligações a Sul de Moura que iam entroncar nas ligações entre Beja e a Baética.

Mapa

















XXI - Évora (EBORA) - Beja (PACE IULIA) (ver Bilou: 2000a)
Apesar de não ser mencionada nos Itinerários de Antonino, a via romana que ligava a importante civitas de Évora a Beja, capital do Conventus Pacensis pelo caminho mais curto, cerca de L milhas ou 74 km, tem imensos vestígios ao longo do caminho que atestam a sua existência, contando-se actualmente 16 miliários, na sua maioria anepígrafos, e alguns troços de calçada ao longo do seu traçado. Urge estabelecer medidas de protecção para esta via cujos vestígios estão ao abandono e sujeitos a progressivas destruições. A identificação do traçado da via está praticamente completo pelo que se torna evidente a sua utilização turística.

Évora (EBORA) (a via sai pela Porta do Raimundo)
Horta do Bispo, Horta das Figueiras (troço de calçada segundo Pereira, 1948, p. 296-335; segue pelo Bairro da Ns. do Carmo
Travessia da ribeira da Torregela junto à Herdade da Barbarrala Nova (lajeado no vau da ribeira)
Monte das Flores (miliário; a via segue pela margem direita do rio Xarrama; miliário 3 e 4 de Fontalva)
Porto de Zambujal do Conde (2 miliários 800 m a montante, 1 e 2 de Fontalva, um epigráfico e outro no leito do rio)
Monte do Seixo (referência a um miliário)
Porto da Magalhoa (referência a um miliário; o "Endovélico" refere 3 miliários entre a Herdade da Zambujeira e a Herdade da Magalhoa; um deles seria o miliário referenciado por Mário Saa como Marca do Diabo)
Torre/Solar da Camoeira (provável mutatio de onde provém o miliário a Maximino e Máximo da milha XI, IRCP 664a, que está hoje à entrada dos serviços administrativos da EP, antiga JAE, em Évora)
Travessia do rio Xarrama no Porto da Camoeira (existe um miliário tombado no leito do rio que corresponderá à milha XII e algumas poldras parecem miliários reaproveitados)
Aguilhão, Torre de Coelheiros (segue 200 m paralela ao rio até à Azenha do Silveira onde existe calçada; continua pelo Porto da Calçadinha onde reaparece a calçada durante 300 m até chegar a um miliário in situ correspondente à milha XIII na Herdade da Ovelheira; a calçada continua por 1500 m, próximo do marco geodésico na divisão das Herdades da Falcoeira e Camoeira)
Ponte Romana sobre a ribeira da Murteira ou do Aguilhão na Horta do Vinagre (só vestígios; fuste e base de miliário anepígrafo na margem esquerda e a sua base no leito do rio correspondente à milha XIV)
Aguiar (passa a poente da povoação pelo Monte Lindim onde há calçada e miliário ilegível correspondente à milha XV)
Travessia da ribeira de Alpracá (continua por Serrado, Monte Ruivo)
Ns. d'Aires (FOXEM), Viana do Alentejo (vicus na Herdade das Paredes; calçada e 2 miliários inseridos nas colunas do adro do santuário, um é o IRCP 672? e o outro indica a milha XVII que corresponde à distância a Évora, IRCP 680; a via deveria seguir por Hortas Velhas até Água de Peixe, mas deveria existir também uma ligação a Viana)
Viana do Alentejo (a via talvez seguisse a EN257 junto à Horta de Tomes e Horta do Espanadeiro, e 1 km depois sai em frente pelo estradão que passa em Sarnado)
Água de Peixe (onde conflui com a variante que vinha por Hortas Velhas e passa a asfalto, no CM1004; mina de ferro)
Albergaria dos Fusos (possível mansio ou mutatio; segue pela EN258-1)
Ponte Romano-Medieval de Vila Ruiva sobre a ribeira de Odivelas (120 m; 20 arcos, só 3 pilares são romanos)
  • Ramal para S. Cucufate: é possível que um ramal partindo de Vila Ruiva seguisse por Vila Alva em direcção da importante Villa de S. Cucufate em Vila de Frades (Vidigueira), continuando no sentido NW-SE para Baleizão pelo Mte. da Misericórdia e Mte. da Torre, e próximo da villae da Alto da Chucha, do Monte da Cegonha e do Monte do Zambujal já na freguesia de Selmes, atravessando a ribeira de S. Pedro e seguindo pela Qta. de S. Pedro até ao Monte das Barbas de Lebre, onde entroncaria na hipotética Via entre Moura e Beja.
Vila Ruiva (possível fuste de miliário; seguiria pela EN258-1 que passa junto da barragem romana, em frente da Ermida da Ns. da Represa, onde corta à direita para para ir passar junto da villa e casais do Mte. da Panasqueira)

Travessia da ribeira de Mac Abraão junto ao Monte da Palheta (daqui rumaria para a antiga Cupa no Outeiro dos Moinhos, passando junto do Mte. da Azurria e Mte. da Boavista)
Outeiro dos Moinhos/Moinhos do Taquenho, Mte. do Outeiro/, Cuba (a 2 km de Cuba, na EN387, virar à direita ; provavelmente o antigo vicus de Cupa, documentado em 1257)
Cuba (sai pelo Chafariz da Fonte dos Leões e segue junto à linha férrea pelo Mte. da Torre do Pinto, passaria junto ao acampamento militar romano de Mata-Bodes, a 800 m N da Villa do Mte. do Meio e seguia até Mte. do Pombalinho e Qta. da Saúde)
Beja (PACE IULIA) (chegava pelas traseiras do Convento de Sta. Clara, entrando na cidade pela Porta de Évora com o seu arco romano e calçada; importante Villa da Qta. de Suratesta)

  • Variante para Beja por Alvito e Ponte da Pedra: Segundo informação de Jorge Feio, é possível uma derivação no Monte do Cavalete em direcção a Alvito, EN257, onde se localiza o importante povoado romano de S. Romão, talvez a civitas Mirietanorum referida na inscrição de Vila Nova da Baronia, seguindo depois a EN258 pela chamada «Ponte da Pedra» (reconstrução de 1899 de uma ponte mais antiga, possivelmente romana sobre a ribeira de Odivelas), continuando por Monte dos Lúzios (calçada), Monte do Azinhal (calçada), Malhada dos Passarinhos até confluir com o caminho principal que vinha da Ponte de Vila Ruiva, e juntas atravessam a ribeira de Mac Abraão junto do Mte. da Palheta, onde voltavam a derivar, seguindo a principal para Cuba enquanto que esta variante seguia pelo Mte. dos Assentes e Faro do Alentejo até ao vicus de Ladeiras, continuando pelo Mte. do Monvestido e S. Brissos até entroncar na Via Lisboa-Beja, provavelmente no Mte. da Fonte dos Cântaros onde se achou um miliário.

Mapa









XXI - Évora (EBORA) - Moura (FINES?) (ver Bilou: 2000a)
Via romana entre Évora e Moura que passa na região de Portel, o caminho mais curto. A ponte sobre o rio Xarrama logo à saída de Évora e os possíveis fragmentos de miliários em Sitima e S. Marcos da Abóbada marcam a passagem da via. Ver Carta Arqueológica do Concelho de Évora

De Évora a Moura por Portel
Évora (sai pela Horta do Bispo onde existia um troço de calçada (Pereira: 1948, 296-335), desvia no Monte da Barbarrala Nova pelas traseiras das instalações da EDIA)
Ponte Antiga do Xarrama sobre o rio Xarrama (22 m, 3 arcos, 1 desabou; calçada debaixo do actual caminho)
Monte da Chaminé (talvez siga a poente do monte pelos altos da Vigia e da Barroqueira; novos vestígios da via junto ao aeródromo)
Sitima (possível miliário e mais 3 fragmentos no Monte da Sitima)
Travessia da ribeira de Souséis (continua em calçada para Maceda/Alto do Marco, onde inflecte para SE)
S. Marcos da Abóbada, Torre de Coelheiros (4 fragmentos de miliários anepígrafos no marco geodésico do Marco; importante villa ao abandono!; continua talvez pelos altos do Seixo e do Casqueiro, passando a SW de Torre de Coelheiros até ao Alto da Eira dos Pomares)
Oriola (passava a NE; André de Resende refere um miliário a Diocleciano e Maximiano marcando a divisão entre os termos de Évora e de Beja que poderia ser no sítio do Marco, a 1 km para SE do Alto da Eira dos Pomares, precisamente na divisão entre os concelhos de Évora e Portel; a via continuava pelos altos do Outeirão e de Ferros, Mte. de Matraque, passando nos limites da herdade da Torre do Lobo, a 4 km da sua torre medieval, onde foram identificados recentemente 2 miliários deslocados e mais 2 fragmentos junto ao casario)
Portel (segundo Saa, o caminho passaria a 3 km para Leste)

Ligação a Moura: o caminho para Moura continua incerto devido à ausência de vestígios significativos, mas é provável que seguisse por Vera Cruz e Marmelar sendo provável que se dirigisse à travessia do rio Guadiana a jusante da foz do rio Ardila no Cais do Fragal/Moinho da Barca, seguindo depois pelo Mte. do Ameixial até Moura (ver o renovado Museu de Moura que guarda o miliário de Corte do Alho e outro espólio).

Possíveis variantes partindo de Évora por Reguengos de Monsaraz. (Ver Carneiro, 2008)
  • Alternativa por S. Manços: Saindo de Évora pela porta de Moura e Chafariz del Rei, atravessava o Xarrama junto da Qta. da Luzerna seguindo depois a rota da EN256 para o Mte. da Mesquita e Horta do Albardão a NE de S. Manços (a Igreja de S. Manços é uma reconversão de um edifício romano da villa que aí existia), Vale de Ferreiros, Travessia do rio Degebe em Porto Calçado/Ponte do Albardão (vau lajeado, continuando pela calçada do Moinho da Ponte), na Vendinha (S. Vicente do Pigeiro), sai da EN256 e inflecte para NE para Vilar de Barrada/Vila da Abegoria em Caridade e finalmente Reguengos de Monsaraz
  • Alternativa por Ns. de Machede: Évora (sai da cidade pela Qta. do Forno da Cal), Ns. de Machede (calçada em Vale Melhorado; villa no Monte da Fonte Coberta), Ponte sobre a ribeira de Machede (possível miliário à saída da ponte), S. Vicente de Valongo (antes do medieval Castelo Real existiria um Castelo Velho de origem romana na outra margem em Alcorovisca), Montoito, Falcoeiras, S. Pedro de Corval e finalmente Monsaraz.
Ligação Monsaraz - Moura: O percurso é desconhecido, mas é provável que seguisse para a travessia do rio Guadiana (por Campinho?) junto do Castelo Romano da Lousa, na freguesia da Luz (hoje submerso pela Barragem do Alqueva) estrutura fortificada controlando esta travessia que poderia seguir também para Espanha por Santo Amador e S. Leonardo, não havendo vestígios para além da chegada a Moura pelo Norte onde há vestígios de calçada ainda visíveis, logo após a travessia do rio Ardila em Porto Mourão. A calçada segue durante um 1 km pela Qta. da Esperança, Qta. da Pardouqueira, Qta. de S. Lourenço e calçada de Forca, entrando na cidade pela Ponte Romana? sobre o rio Brenhas (1 arco), sobe à EN255 e segue para Rossio do Carmo em Moura.

Mapa





XXI - Itinerários entre Moura e a Via Pace Iulia - Onuba
de Moura a Beja (ver Lima 1998)
Moura (segue pelos lugares de Ladeirinha Branca, Pisões (calçada), Mata Sete, calçada de Farelos)
Travessia do rio Guadiana em Porto de Moura (Minas de Orada)
Pedrogão (villa em Horta do Cano; segue por Monte das Aldeias)
Travessia da ribeira de Odearce em Moinhos das Aldeias Pequenas junto ao Alto da Rabadoa
Monte da Rabadoa, Barbas de Lebre
Horta do Bacelo
Travessia das ribeiras da Cardeira e do Canal
Beja (PACE IULIA) (entrava pela Carreira dos Seguros)
  • Em alternativa, a via poderia seguir por Pisanto e Brinches (villa no Mte. da Salsa) para ir atravessar o rio Guadiana no vau de Vale de Brisão/Beirão/Casa da Barca, seguindo depois por Folha do Ranjão, Baleizão e Porto Peles (ponte romana? já demolida?) seguindo junto da Qta. da Mongeralda até Beja.

de Moura a Aroche (ver Lima 1998)
Moura (depois de atravessar a Ponte do Brenhas, seguia pelos vestígios de calçada na Encosta do Brenhas, Qta. de Santa Justa, Calçadinha e Coutada)
Sobral da Adiça (Lima identificou uma coluna em mármore como miliário «na extrema da Coroada com o Motum» que poderá corresponder ao Cabeço Redondo junto ao Monte Metum e, mesmo deslocado, indicia a passagem da via junto da ribeira de Toutelga, por Montalvo, Montes Juntos e Alcaria e servindo as villae de Carrasca, Mte. Branco/Borrazeiros, Mte. Novo, Preguiça, Álamo e Touril, atravessando a fronteira em Vale do Grou)
Rosal de la Fronteira (onde entronca na via Beja-Sevilha)
Aroche (ARUCCI)

de Moura a Serpa (ver Lima 1998)
Moura (ruma a S pela calçada de S. Lourenço)
Herdade dos Machados, Moura (calçada com vários km)
Vale de Vargo (a via serviria as diversas villae romanas junto ao Barranco do Zambujo, Villa do Zambujeiro e do Barranco da Amoreira, Villa do Poço das Sapateiras em Belmeque, Villa de Casqueiros Calçada e Villa de Fonte da Pipa)
Corte do Alho, Vale de Vargo/Pias (miliário a Adriano indicando VIII milhas pelo que tanto pode marcar a distância a Moura como à fronteira com a Baética; está no Museu de Moura)
Monte da Vinha
Travessia da ribeira de Enxoé (a montante da Ponte Medieval no km 118 da EN255 Pias-Serpa; continua próximo do miliário que delimita os Montes da Chilra e dos Lagares de Alpendre, e as Villae de Espicharrabo, Capela e Torre Velha)
Serpa

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XXI - Beja (PACE IULIA) - Sevilha (HISPALIS)

Sendo Pace Iulia capital de Conventus deveria existir uma ligação pelo caminho mais curto a Hispalis, actual Sevilha que era uma das principais cidades da província romana da Baética que corresponde grosso-modo à actual Andaluzia, cruzando a via romana que ligava a foz do rio Guadiana a Mérida mencionada no itinerário de Antonino como Item ab Ostio fluminis Anae Emeritam usque. O percurso é apenas hipotético devido às incertezas ainda existentes.

Beja (PACE IULIA) (sai talvez pela Rua Bento Jesus Caraça, passa na villa da Qta. da Abóbada e segue o CM1045)
Padrão, Beja (talvez siga pelo Monte do Zambujeiro)
Quintos (calçada na Herdade das Carretas; segue para Pisões, onde atravessava a ribeira da Cardeira na Ponte Romana?, continuando pelo Monte da Corte Piorno)
Travessia do rio Guadiana (Anae) no Vau de Quintos (subia as ladeiras do Guadiana e seguia por Horta da Guinapa, Monte do Farrobo, Horta da Chaminé, Horta da Barca, Marreira e Calçada da Bemposta, caminho nas traseiras da Escola Profissional de Desenvolvimento Rural, seguindo até Serpa pelo caminho em terra que passa a Sul dos silos da Qta. do Fidalgo)

Serpa (SERPA) (de Serpa deveria rumar a NE passando nos miliários do Monte da Chilra e do Corte do Alho até à mutatio, se não mesmo mansio em Corte de Messangil. Na parte inicial deveria seguir próximo das villae da Horta da Alcaria, Barragem romana do Muro de Mouros no Barranco da Morgadinha), Laje Meirinho, Monte do Facho/Outeiro dos Púcaros, Abóboda, Valverde, Borralhos)
Travessia da ribeira de Enxoé
Corte de Messangil, Vale de Vargo (FINES?) (hipotética localização da mansio na Fonte de São Miguel Fines)
Vila Verde de Ficalho (villa no Jardim do Museu de Ficalho; seguindo pelo Barranco de Penalva)
Rosal de la Frontera (conflui com a via proveniente de Moura; ver o itinerário para Huelva aqui)
Aroche (ARUCCI) (civitas localizada na Ermida de San Mamés, em Llanos de la Belleza; segue a margem esquerda do Rio Chanza por Cortijo de la Coronela, Casa de la Babosa, Casa de Duarte, Cabezo del Calar, Collado Hondo, Merendero, vereda de Sevilla e Casa del Capitán e Veredas)
Almonaster la Real (segue por Era de la Cuesta, vertente Norte del Cerro Sierra Morena, Barranco de la Parrita, Calabazares, Valdemuñoz, Arroyo de la Cabra, e pela estradas actuais N435 e HU-7103)
Ermita de Santa Eulalia, Almonaster la Real (mausoléu romano, possível localização da LAELIA de Ptolomeu; segue pela margem direita da ribeira de Sta. Eulalia)
Travessia do Rio Odiel em Pasada de la Llana (segue por Navalonguilla, Los Moscos, El Coto e Cecimbre)
Campofrío
Cruzamento de vias:
  • Ligação a Sevilha, rumando a SE até Santiponce (ITALICA) (magníficas ruínas da cidade) e depois para Sevilha (HISPALIS).
  • Ligação a Huelva, rumando a Sul por Minas do Riotinto (URIUM/URION em Corta del Lago), Valverde del Camino, Beas, Trigueros até Huelva (ONUBA).

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XXI - Beja (PACE IULIA) - Huelva (ONUBA) - Cádiz (GADITANA)

Sendo Beja capital de um Conventus deveria ligar pelo caminho mais curto às principais cidades da província romana da Baética (Onuba e Hispalis) que corresponde grosso-modo à actual Andaluzia, entroncando na via romana que ligava a foz do rio Guadiana a Mérida mencionada no itinerário de Antonino como Item ab Ostio fluminis Anae Emeritam usque. O percurso é apenas hipotético devido às incertezas ainda existentes e incluem uma travessia da actual fronteira luso-espanhola, o rio Chança, nas proximidades das importantes explorações mineiras da região de Paymogo.

Beja (PACE IULIA) (seria comum à Via Beja-Sevilha até Serpa)
Serpa (SERPA) (de Serpa deveria rumar a SE aproximadamente pela EN265 pelo Mte. do Peixoto)
Santa Iria
Travessia da ribeira de Limas
Vales Mortos (antes da povoação segue o CM1096 na direcção SE, no antigo posto da Guarda Fiscal desce ao rio pela Fonte dos Contrabandistas)
Travessia Rio Chança (talvez junto à Casa do Bertolo; fronteira luso-espanhola)
Paymogo (minas romanas em Grupo Malagón, Paymoguillo el Viejo, La Romanera e La Sierrecilla)
Puebla de Gusmán (minas romanas)
Huelva (ONUBA)
Cádiz (GADITANA).

OUTROS ITINERÁRIOS - de Norte para Sul


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Valença - Melgaço

Os vestígios romanos ao longo da margem esquerda do rio Minho podem estar associados a uma via que derivando da Via XIX em Valença , seguia em direcção a Melgaço e daqui a Espanha ou para Castro Laboreiro. Esta hipotética via assenta num duvidos miliário achado entre Ganfei e Verdoejo que seria mais facilmente atribuível à VIA XIX que passava ali bem perto em Valença, na velha Ponte de Mouro (Barbeita) que na sua forma actual é uma construção medieval aparentemente sem qualquer elemento romano e na Ponte da Calçada em Troporiz que integra pedras almofadadas possívelmente com origem romana. Mas como esta ponte está mais alinhada num eixo N-S, é provável que pertencesse à via com origem em Braga e que vinha por Arcos de Valdevez até à travessia do rio Minho perto de Monção. Assim, é mais provável que seja um itinerário com origem medieval até porque uma via ao longo da margem de um rio não é prática romana.

Valença
Ganfei (Ponte Romana?; calçada com 300 m acompanhando a cerca do Convento de Ganfei)
Verdoejo (o miliário aqui referenciado seria segundo alguns autores o actual fuste do pelourinho de Telheira, junto à capela de N. Sr. dos Passos, na berma da EN101 antes de Friestas, mas é pouco provável atendendo ao diâmetro excessivo para um miliário; assim, o miliário continua desaparecido ou nunca existiu)
Friestas (vizinho, em Gondomil existe uma necrópole no lugar da Cruz)
Lapela (possível travessia do rio Minho junto à Torre Medieval)
Troporiz
Ponte Romano-Medieval da Calçada sobre o rio Gadanha, Rebouça (pedras almofadadas; aqui conflui a via proveniente de Braga que passava por Ponte da Barca e Arcos de Valdevez; mais montante existe uma ponte medieval junto à igreja)
Monção

Eventual ligação a Melgaço: Reiriz, Troviscoso (calçada), Bela (povoado no Monte da Ns. da Ascensão), Barbeita, Ponte Romano?-Medieval de Mouro sobre o rio Mouro, Barbeita (1 arco), Ceivães, Valadares, Sá, Penso, Paderne (Termas do Peso e Cividade de Paderne), Ponte Romano?-Medieval sobre a ribeira de Folia, Remoães (nas Termas do Peso), Remoães, Melgaço

Eventual ligação a Castro Laboreiro: de Melgaço poderia ligar a Castro Laboreiro por Lamas de Mouro (Ponte Medieval em Porto Ribeiro) e daí para Castro Laboreiro (segue pelo CM1160 por Laceiras, Assureira, Ponte Medieval da Cava Velha, sobre o rio Laboreiro, com silhares aparentemente almofadados, Ponte Medieval de São Brás sobre o ribeira de Barreiro, com silhares almofadados do lado nascente, Assureira, Dorna, Ponte Medieval de Dorna, sobre a ribeira de Dorna; também de Ameijoeira sairia uma via para NE pelo CM1159 por Bago de Baixo, Bago de Cima, Curveira, Bico, Cainheiras Ponte Medieval das Cainheiras, sobre a ribeira das Cainheiras, Portas, Barreira e Bande já na Galiza.


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Porto (CALE) - Marnel (TALABRIGA) pela costa

Traçado hipotético de uma via secundária que partindo de Cale seguiria pelo litoral, acompanhando a linha de costa para servir os castros e as comunidades piscatórias espalhadas ao longo da frente marítima até entroncar na via Braga-Lisboa na travessia do rio Vouga junto do Cabeço do Vouga em Marnel, a civitas e mansio de Talabriga. Apesar dos poucos vestígios no terreno é muito provável que a estrada seguisse próximo dos castros da Madalena e Valadares, (castro; seria esta via pré-romana?), continuando pelo vicus do Alto da Vela em Gulpilhares até Brito em S. Félix da Marinha. A passagem da via neste sítio é reforçada pela referência à «estrada mourisca» na doação que Trutesindo Mendes fez das suas terras em Brantães e S. Félix da Marinha, ao Mosteiro de Grijó, indicando que estas ficavam acima e abaixo da estrada mourisca junto do ribeiro de Serzedo; (subter illam Stratam Mauriscam, discurrente riuulo Cerzedo, (in Viterbo, 1799, Vol 1, p. 298), embora não seja possível provar que esta estrada já existisse na era romana. A estrada seguia depois para Anta, passava a nascente de Espinho e seguia para Paramos, próximo do Castro de Ovil, em direcção a Ovar e Estarreja até ao rio Vouga. Poderiam existir também ligações transversais para ligar à Via XVI Braga-Lisboa como a Vila da Feira- S. João da Madeira ou mais à frente Ovar-Cucujães-Úl.
Sta. Marinha (do cais de Gaia ascendia até ao Candal ou Coimbrões ou derivava da Porto-Lisboa pelo lugar do Marco na Barrosa)
Coimbrões, Sta. Marinha (Igreja e Monte de Sta. Bárbara; talvez pela Rua Sr. de Matosinhos, cortada pela AE1, continua na Rua Velha dos Lagos)
Madalena (Largo da Oliveiras, onde está um marco divisório entre freguesias; talvez siga pelo sopé do Castro do Cerro/Coteiro do Castro/da Madalena, ao lado da Rua do Castro)
Valadares ( necrópole romana no Monte Sameiro; na foz da ribeira de Valverde/do Paço, em Tartomil, Praia de Valadares, foi encontrado uma pedra em forma de tambor com a epígrafe I.ANTONINI. ADRIANI.ABNP que pela sua forma poderia pertencer a um possível miliário, hoje no Solar dos Condes de Resende em Canelas; se não foi deslocado, pode indiciar uma rota mais a poente; esta rota atravessa a EN109 da Rua Nova do Paço para a Rua do Paço, passa junto à Casa do Paço)
Chamorra, Vilar do Paraíso (sobe pela Rua do Rio do Paço, Rua da Chamorra, Rua Salvador Brandão/EN15)
Gulpilhares (sai da EN15 pela Rua do Pereirinho, junto ao cemitério, Rua Nuno Álvares, atravessando a ribeira de Canelas, Rua João Ovarense até à destruída necrópole do Alto da Vela onde apareceu a coluna de mármore rosa que hoje serve de base ao Cristo do Padrão em Pedroso; segue em frente por caminho de terra até chegar à Rua de Enxomil e Rua do Vale)
Arcozelo (continua ladeando a igreja e cemitério de Arcozelo até Sá, segue pela Rua das Lavouras, Rua da Pedra Alva, volta à EN15 e logo à direita no acesso à A29 onde segue à esquerda pela Rua da Carreira Velha)
Brito, S. Félix da Marinha (continua pela Rua da Carreira Velha depois de atravessar a passagem para peões da A29, passa na Rua dos Ligustres, Rua da Calçada Romana até ao tanque junto à ribeira da Granja; daqui segue em frente, por caminho de terra hoje obstruído por mato, entra na Rua Velha da Calçada Romana até entroncar na Estrada de Brito, EN109; daqui deveria seguir em frente pela Rua Oliva Teles até à ribeira, mas hoje não tem saída)
Travessia da ribeira do Juncal (seguia talvez próximo da Rua da Paz, Rua S. Vicente Ferrer e Rua de S. Tomé)
Lugar de Espinho, S. Félix da Marinha (Villa romana Spino, sob a Capela de S. Tomé integrada numa casa rural; segue por Tabuaça)
Travessia da ribeira do Mocho (hoje tem que se ir à Ponte de Anta)
Anta, Espinho (talvez pela Rua do Progresso, Rua da Igreja, Rua do Passal, Rua do Porto)
Silvalde (há uma lenda sobre uma ponte romana sobre a ribeira de Silvalde)
Paramos (atravessa a ribeira do Rio Maior e segue por detrás da Capela da Guia no sopé do magnífico Castro de Ovil)
Esmoriz (necrópole do Chão do Grilo)
Cortegaça (topónimo Rua da Ponte Romana)
Maceda
Arada
  • É provável que a via rumasse ao Castelo da Vila da Feira e daí rumar para SE para ir entroncar com a Via Braga-Lisboa muito próximo de S. João da Madeira, talvez na Ponte da Pica, podendo seguir por dois percursos alternativos, um passando em Fornos e Mosteirô (Calçada da Sra. da Caridade), e outro seguindo a antiga «estrada mourisca» por Souto, passando em S. Gião, Ferral e Azevedo, atendendo ao documento medieval de 1141 onde se lê: in villa dicta azevedo subtus illam stratam mouriscam
  • Também é provável que a via continuasse pela antiga linha de costa, próximo do povoado do Cristelo até ao rio Vouga em Angeja, atendendo a que na outra margem existia o vicus da Torre/Marinha Baixa em Cacia, com o seu porto de mar, ou continuar ao longo do rio Vouga até Marnel (Talabriga) entroncando assim na Via XVI Braga-Lisboa.


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Porto (CALE) - Valongo - Penafiel - Marco de Canaveses - Freixo (TONGOBRIGA)

Via secundária Cale - Tongobriga, em Marco de Canaveses, servindo a importante exploração mineira na região, cujos vestígios se espalham por Valongo, Gondomar e Paredes. Esta rota parece seguir no essencial a EN15 e a A4 numa região densamente povoada pelo que restam poucos vestígios. Salientam-se as travessias dos dois grandes rios da região, o Ferreira e o Sousa, em pontes medievais mas talvez com origem romana e o troço de calçada romana a seguir à Ponte de Cepeda.

Porto (sai sa Sé pela demolida Porta de Vandoma, Calçada de Vandoma e Rua Chã, antiga Rua Chão das Eiras, sobe pela Rua Cimo de Vila à Praça da Batalha, antiga Porta da muralha)
St. Ildefonso, Porto (Rua de St. Ildefonso, antiga Rua Direita, passa no Largo do Padrão, Campo 24 de Agosto, antigo das Mijavelhas)
Bonfim, Porto (Rua do Bonfim, antigo Chão das Oliveiras e Rua de Godim)
Campanhã, Porto (segue por S. Roque da Lameira; topónimo villa Minhao, hoje resta a Rua da Vila Meã)
Travessia do rio Tinto talvez na Travessa da Ponte
Rio Tinto, Gondomar (acompanha a EN15 por S. Caetano, Cavada Nova e Venda Nova)
Valongo (ligaria às Minas Romanas do Fojo das Pombas na Quinta da Ivanta, Serra de Sta. Justa, e, já em Gondomar as do Covelo e de Medas; calçada junto à Ponte de Couce sobre o rio Ferreira)
S. Martinho do Campo (necrópole na Corredoura)
  • Provável ligação a Aguiar de Sousa, rumando para SE pela Ponte da Morte sobre o rio Ferreira em Luriz, seguindo em direcção a Santa Comba (duas aras votivas na capela talvez provenientes do povoado mineiro no Outeiro da Mó), Serra de Banjas até à Travessia do Douro em Rio Mau na Barca do Pedorido. Esta via servia as Minas Romanas de Banjas e de Covas de Castromil)
Ponte Romano?-Medieval sobre o rio Ferreira
Gandra (continua por Vilarinho de Baixo, Granja e Carreiro)
Astromil
Vandoma (Castro romanizado do Muro; Bendoma na documentação medieval; necrópoles em Calvário e Tanque)
  • Poderia existir uma ligação entre o Castro de Vandoma e o Castro do Monte Mozinho, passando em Baltar e próximo do Mosteiro de Cête, atravessando o rio Sousa na Ponte do Vau ao km 2 da EN319-3, e seguindo junto do Mosteiro de Paço de Sousa.
Vila Cova de Carros (sai da EN15 e segue pela EN319 até entroncar na EN598-1 onde vira à direita por Agrela)
Paredes (antiga Castelões de Cepeda; do Jardim Público pela Rua da Estrebuela, Rua de Cepeda)
Ponte Romano?-Medieval de Cepeda sobre o rio Sousa, Castelões de Cepeda (1 arco; no CM1325; segue pela calçada e sobe à Costeira)
Qta. da Aveleda, Penafiel (desemboca na entrada da Qta. que atravessa pelo caminho em frente até entroncar na EN596-1 e segue até)
Santiago de Subarrifana
Penafiel (antiga Arrifana do Sousa)
Santa Marta (necrópole em Estrada)
Croca (vicus e provável mansio no cruzamento de várias vias)
Recezinhos (Castros romanizados na Qta. do Castro e Suvidade)
Caíde de Rei (EN15)
Vilar do Torno e Alentém (EN15)
Santão (EN15)
Lixa (onde entronca na via Braga-Mérida com possível continuação para o Marão descrita no no itinerário Braga-Amarante-Vila Real)


Mapa

















Porto (CALE) - S. Pedro do Sul - Viseu (VISSAIUM)
Via secundária que partindo de Cale ou Langobriga ia atravessar a Serra de Arouca em direcçãoa a Viseu, provável capital dos Interannienses e importante caput viarum que na época romana se chamaria Vissaium com base numa ara votiva ao deus local Vissaieigo (Fernandes et alii, 2009). Apenas se conhecem dois miliários atribuíveis a esta via, mas ambos encontrados já à entrada de Viseu, em Moselos, mas ainda restam muitas evidências deste antigo caminho que passava próximo do Castro de Romariz, atestada pela referência medieval à «Via Mourisca» («et inde per via maurisca», in DC n.º 614, p. 368), seguindo para a Serra de Arouca, optando assim pelo percurso em altitude por ser o caminho mais curto entre Porto e Viseu, mas principalmente porque evita as difíceis travessias de linhas de água na zona dos vales e minimiza as variações de cota da estrada, o "sobe-e-desce" entre vales e colinas, diminuindo assim o esforço dos viandantes e suas montadas. Atravessada a serra, descia a Manhouce, onde existia uma albergaria medieval e talvez uma mutatio, rumando depois a Viseu por S. Pedro do Sul. A recente destruição do troço de calçada junto ao cemitério de Albergaria das Cabras, apesar deste troço estar numa zona protegida (!), alerta para a necessidade urgente de proteger os vestígios que restam deste antigo caminho.

Porto (CALE) O percurso inicial entre Cale e a Serra de Arouca é ainda muito incerto porque não se sabe em que ponto esta via derivava da via principal entre Braga e Lisboa e onde se faria a travessia do Rio Uíma.
  • Poderia seguir pela via principal até à Mansio de Langóbriga, a 13 milhas de Cale, o que corresponde à zona de Fiães, seguindo depois aprox. pela EN326 para Arouca.
  • Em alternativa, poderia desviar bem antes, no Monte Murado/Carvalhos seguindo pela EM521 por Sanguedo, atravessando o rio Uíma na Ponte da Tabuaça até entroncar na anterior na EN326.
  • Também poderia existir um outro caminho proveniente do porto fluvial romano de Favaios no Rio Douro, junto ao Castelo de Crestuma que vinha entroncar na via Porto-Viseu, passando próximo do Castro romanizado de Sandim/S. Miguel-o-Anjo, onde atravessa o Rio Uíma na Ponte do Carro, contorna a Serra da Gaeta por Redonda até entroncar com as variantes anteriores na EN326 em S. Martinho.
Continuação do Itinerário para Viseu
Louredo (sai pela EN326 e logo a seguir sai à direita, sobe a Vila Seca; em Lagoas reencontra a EN326 ou Rua Central)
Cedofeita, Romariz (torna a sair da EN326 antes da Póvoa e desce pela Rua Romana até à)
Ponte sobre o rio Inha, Sta. Ovaia (sobe pela Rua da Ponte até reencontrar a EN326)
Cabeçais, Fermedo (o castro romanizado da Portela em Romariz fica a cerca de 3 Km para Poente; Castelo em Coruto)
Escariz (hoje segue a EN326 e depois à direita pela EM519 para a Serra da Abelheira)
Abelheira (continua pela EM519s)
Gestosa (Villa Genestosa num documento do ano 1085; segue à direita por Alvite de Cima até reencontrar a EM519; atravessa a EN327 para Arouca em Alagoas e segue na direcção de Nabais, mas antes sai da estrada e segue por um estradão até Venda da Serra; num documento do anno 1095 faz-se referência a uma uilla genestosa que iacet inter manzores et fajiones et portela, ou seja entre os actuais lugares de Mansores, Fajões e a Portela de Romariz;
Coval, Chave (segue até entroncar na EN224-1, junto ao Castro de Cambra, onde segue à esquerda sob a estrada de asfalto)
Farrapa, Chave (passa nos lugares de Barracão e Borralhal)
Chão de Ave (entronca na EN224 e segue em frente)
  • Ligação a Arouca e Douro: atendendo ao mesmo documento referido acima que menciona uma «carraria antiqua inter Jugarios et Novales», ou seja, uma via entre a villa de Jugueiros e o lugar de Novais (in PMH, DC doc. 639, p. 381) é muito provável que existisse um diverticulum da via Porto-Viseu em direcção a Sta. Eulália de Arouca, passando junto do Castro romanizado do Monte Valinhas, e de Minhãos (villa minianos) e Moção (per via antiqua usque ad bocca de carreira antiqua per ubi dividet cum uilla de muçun et inte per via antiqua), devendo daqui rumar ao Douro pelos Altos da Lousa e Alta e Cerro do Cão para Vila Cova (necrópole em Alvariça), atravessando o rio Paiva em Espiunca e seguindo depois por Fornelos, onde entronca na via para Viseu proveniente do Douro, seguindo em direcção à travessia do rio Douro junto a Tameobriga, provável nome do Vicus da Várzea do Douro.
Quintela (daqui sobe à Serra da Freita pelo linha divisória entre os concelhos de Arouca e Vale de Cambra)
Merujal (passa na aldeia e segue o caminho para Albergaria)
Albergaria da Serra (ou das Cabras), Arouca (mansio?) (a seguir ao cemitério existia um lanço de calçada que entretanto foi destruída!)
Portela da Anta (junto à anta)
Gestoso (calçada termina à entrada da povoação e continua sob a estrada de asfalto, desviando pouco depois por caminho florestal)
Qta. das Uchas/Qta. da Barreira (calçada, provável mansio no fim da descida da serra)
Ponte Romano?-Medieval de Poço da Barreira sobre a ribeira da Vessa (1 arco) (calçada preservada à saída da ponte)
Barreira, Manhouce (no planalto das Chãs passa a calçada que liga Campo de Eirós às Minas das Chãs que poderá ter origem romana)
Ponte Romano?-Medieval de Manhouce sobre a ribeira de Manhouce (1 arco), a montante da ponte nova
Manhouce (referência a um miliário; desce pela estrada asfaltada até Sequeira, onde segue à esquerda por troços de calçada em Gandras e Castanheiros, na direcção de Valongo e Bostarenga, onde também ainda há calçada e uma estação viária em Fonte dos Ovos, contornando a Serra da Grávia por nascente)
S. Cristovão de Lafões (desce por Giesteira e Chousas até Gralheiras onde entronca na EN227 que vem de Sever do Vouga; é possível que um ramal seguisse para S. João da Serra e daqui a Sever do Vouga, atendendo aos vestígios de calçada em S. Joane, Vau e à Calçada de Conlelas junto da escola primária talvez relacionadas com as Minas Romanas de Chumbo da Malhada)
Travessia da ribeira da Landeira (será a Ponte do Ovos in MPAM, Castro, 1762?)
Santa Cruz da Trapa (topónimo Estrada Romana ao km 59 da EN227; segue pela Capela de S. Mamede, Capela de S. Sebastião da Trapa e Ribeira de Lourosa)
Travessia da ribeira de Varosa (Castro romanizado da Cárcoda em Carvalhais)
Penso, Bordonhos (a calçada parte no sitio da Arroçada e segue por Figueirosa e pelo sopé do Castro da Sra. da Guia até Massarocas; esta calçada foi destruída em parte pela colocação de saneamento e alcatrão)
S. Pedro do Sul (a via entra na cidade pelo Bairro Belo Horizonte e segue pela Rua Direita até ao Bairro da Ponte, onde atravessa o rio Sul)
Travessia do rio Vouga em Ponte Nova (ao lado estão as ruínas da velha ponta)
Arcozelo (calçada junto à capela)
Lufinha
Qta. da Comenda (Ponte Romana? sobre o rio Troço ligaria à via Marnel-Viseu em Figueiredo das Donas?)
Gumiei (segue a actual EN 16-4)
Bodiosa-a-Velha (calçada com 300 m; parte da rua principal e segue pelo sítio do Cruzeiro)
Moselos, Campo (calçada e dois miliários, um a Adriano indica a milha IV e outro a Cláudio, indica a milha V, pertencem à Colecção da Assembleia Distrital de Viseu na Casa do Adro ao Largo da Sé)
Pascoal, Abraveses (calçada vem de Moselos pela Rua Romana, recentemente asfaltada(!), passa na Rua Vale do Valego, lajeada, e segue pelo jardim de uma moradia anexa à Rua Soito do Cêpo)
Abraveses (calçada passa pelo Bairro da Barrosa, segue junto à escola C+S, segue pela Estrada Velha de Abraveses, passa junto à Cava de Viriato)
Travessia do rio Pavia junto à Ponte das Barcas (segue pela Rua da Ponte de Pau e Calçada de Viriato e entra na civitas pela necrópole e antiga porta da cidade, hoje Porta de Cavaleiros e seguia a Cardus Maximus, hoje Rua Direita até à Sé)
Viseu (VISSAIUM?) (4 miliários no Museu Histórico e Arqueológico de Viseu, os 2 miliários de Mozelos, o miliário da Rua do Arco e o miliário de Espinho; os miliários recolhidos pelo Dr. José Coelho e outros nas imediações de Viseu, a chamada Colecção da Assembleia Distrital de Viseu, estão abandonados (!) no jardim das traseiras da Casa do Adro, ao Largo da Sé, hoje sede do IGESPAR)


Mapa

Chaves (AQUAE FLAVIAE) - Torre de Moncorvo (Civitas BANIENSIS) - rio Douro (Durius)
Hipotética via romana que partindo de Aquae Flaviae seguia na direcção da civitas Baniensis que poderá corresponder ao Povoado do Baldoeiro junto à foz da ribeira da Vilariça no rio Sabor pois nesse antigo castro apareceu uma ara dedicada a Júpiter onde se lê «CIVITATI BANIENSIV» nas ruínas da Capela de S. Mamede que terá origem num Templo Romano. O percurso apresentado é meramente hipotético desviando da Via XVII entre Chaves e Astorga em Valpaços, seguindo na direcção do Vale da Vilariça. O percurso depende do ponto onde se fazia a travessia do rio Tua que ao contrário de hoje não seria em Mirandela, mas mais a Sul, talvez na Ribeirinha ou mesmo em Abreiro junto do Castelo ou Poço dos Mouros. O Vale da Vilariça está coberto de vestígios romanos que se estendem até à Foz do Sabor no rio Douro. Muito deste património vai desaparecer em breve com a construção da barragem do rio Sabor e provavelmente nunca se irá perceber a total dimensão arqueológica desta região tão especial.

Chaves (AQUAE FLAVIAE) (segue a Via XVII até Valpaços)
Valpaços
Rio Torto (provável mutatio no Alto de S. Pedrinho)
Travessia do rio Torto (por Póvoa e Pai Torto)
Suçães?, Mirandela (casal em Sainça)
Marmelos

Onde seria a travessia do rio Tua?
A via deveria seguir para Vila Flor, mas o percurso está por desvendar.
  • Em Mirandela
  • Entre Longra (Cabeço do Moinho) e Ribeirinha subindo a Vila Flor pela villa de Olival de Rei, Qta. da Peça e Vilas Boas.
  • Entre Vila Verde e Vilarinho das Azenhas
  • Em Abreiro (ponte em ruínas com possível origem romana; passando em Lamas de Orelhão e Avidagos)
Vila Flor (ver a magnífica Fonte Romana; habitat na Qta. dos Castelares)
Nabo (talvez pelos vestígios da Tapada de Santa Cruz, Godeiros, Mte. Couquinho e Pala do Conde)
Travessia da ribeira da Vilariça (talvez junto à Qta. de Carrascal; próximo, junto da ribeira dos Cavalos, fica a importante villa da Qta. de Vila Maior)

Povoado do Baldoeiro (civitas BANIENSIS), Adeganha, Torre de Moncorvo
(capital do povo Baniense perto da confluência da ribeira da Vilariça com o rio Sabor; a localização da civitas continua incerta, podendo corresponder aos vestígios encontrados mais a Norte no sítio do Chão da Capela; habitat na Qta. da Terrincha e povoado no Cabeço de Alfarela)


Mapa







Astorga (ARTURICA) - Torre de Moncorvo (Civitas BANIENSIS) - Torre de Almofala (Civitas COBELCORUM)
Percurso de uma antiga estrada citada num documento afonsino de 1172 como "Carril Mourisco", mas que terá origem romana atendendo aos vestígios ao longo do seu percurso. A via atravessa o planalto mirandês entre os rios Sabor e Douro em direcção a Torre de Moncorvo e às travessias do rio Douro no Pocinho (acedendo por Vila Nova de Foz Côa às civitates de Marialva e de Freixo de Numão) e em Barca Dalva (acedendo à Civitas Cobelcorum em Figueira de Castelo Rodrigo). É provável que esta via fosse uma derivação da via que passa em San Vitero, onde se achou um miliário a Trajano. Esta via permitia ligar o planalto mirandês e as suas importantes explorações mineiras às vias principais da Hispânia, quer rumando a Norte até ao nó rodoviário do conventus de Astorga (seguindo em parte pela VIA XVII) quer rumando para Leste em direcção a Palência (Pallantia) cruzando em Medina de Rioseco, com a "Via de la Plata", o grande eixo viário entre Astorga e Sevilha. Esta via que está marcada na carta militar 67, servia os povoados romanos do planalto mirandês, como o de Malhadas, Duas Igrejas, Palaçoulo e Picote sobre o rio Douro.

Astorga (ARTURICA) (seguiria a Via XVII até Figueruela de Arriba, continuando para Sul)<