Vias Romanas em Portugal
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Mapa da Hispânia Mapa da Hispânia Hispânia noroeste Hispânia Sudoeste

Intro

Este itinerário tenta fixar no mapa de Portugal os pontos de passagem das vias romanas, de modo a criar rotas de viagem. Para além da evidência arqueológica, existe uma cópia medieval do Itinerário de Antonino ou Itinerarium Antonini Augusti, originalmente escrito no séc. III, indicando as estações de paragem ao longo da via (mansiones) e respectivas distâncias medidas em milhas. Nesta página são apresentadas propostas de traçado para os 11 itinerários respeitantes ao actual território nacional, bem como para os muitos outros itinerários da extensa rede viária romana que cobre a totalidade do território Português. Para a conversão da milha romana em quilómetros, convencionou-se que uma milha equivale a 1481,5 m. Os itinerários aqui descritos estão em constante evolução à medida que novos vestígios são descobertos e novos estudos publicados.
Para uma introdução ao tema da viação romana seguir para Informação
Para acompanhar a evolução do estudo sobre vias romanas ver Histórico de alterações  e Blog Vias Romanas

Os XI Itinerários de Antonino


De Braga partiam 5 itinerários:
 Itinerário XVI - Braga (BRACARA) a Lisboa (OLISIPO)
 Itinerário XIX - Braga (BRACARA) a Astorga (ASTURICA) por Ponte de Lima (LIMIA)
 Itinerário XVII - Braga (BRACARA) a Astorga (ASTURICA) por Chaves (AQUAE FLAVIAE)
 Itinerário XVIII - Braga (BRACARA) a Astorga (ASTURICA) pela Serra do Gerês, a VIA NOVA
 Itinerário XX - Braga (BRACARA) a Astorga (ASTURICA) per loca maritima

De Lisboa partiam 3 itinerários para Mérida:
 Itinerário XII - Lisboa (OLISIPO) a Mérida (EMERITA) por Alcácer do Sal (SALACIA) e Évora (EBORA)
 Itinerário XI - Lisboa (OLISIPO) a Mérida (EMERITA) por Alter do Chão (ABELTERIUM)
 Itinerário XV - Lisboa (OLISIPO) a Mérida (EMERITA) por Alvega (ARITIUM VETUS)

O Itinerário refere ainda os 3 itinerários seguintes:
 Itinerário XIII - Faro (OSSONOBA) a Vilamoura (SALACIA)
 Itinerário XXII - Castro Marim (BAESURI) a Beja (PAX IULIA) por Mértola (MYRTILIS)
 Itinerário XXI - Castro Marim (BAESURI) a Beja (PAX IULIA) por ARANNIS

Outros Itinerários Romanos


 O itinerário de Braga (BRACARA) a Mérida (EMERITA)
 Outros Itinerários Romanos de Norte para Sul de Portugal
Chaves (AQUAE FLAVIAE) - Marialva (civitas ARAVORUM)
Chaves (AQUAE FLAVIAE) - Freixo de Numão (Meidubriga?)
Chaves (AQUAE FLAVIAE) - Moncorvo (civitas BANIENSIS)
Astorga (ASTURICA) - Moncorvo (civitas BANIENSIS)
Porto (CALE) - Barcelos/Caminha (Karraria Antiqua)
Porto (CALE) - Guimarães por Alfena (Via Vimaranes)
Porto (CALE) - Freixo (TONGOBRIGA)
Porto (CALE) - Marnel (TALABRIGA) pela costa
Porto (CALE) - Viseu (VISSAIUM)
Marnel (TALABRIGA) - Viseu (VISSAIUM)
Viseu (VISSAIUM) - Lamego (Lamecum?) por Castro Daire
Viseu (VISSAIUM) - Moimenta da Beira (Arabriga?)
Viseu (VISSAIUM) - Aguiar da Beira
Viseu (VISSAIUM) - Celorico da Beira
Viseu (VISSAIUM) - Bobadela (municipium)
Mangualde (Araocelum?) - Bobadela (municipium)
Mealhada (mansio) - Bobadela (municipium)
Coimbra (AEMINIUM) - Viseu (VISSAIUM)
Coimbra (AEMINIUM) - Bobadela (municipium)
Condeixa (CONIMBRIGA) - Leiria (COLLIPPO)
Leiria (COLLIPPO) - Tomar (SEILIUM)
Leiria (COLLIPPO) - Santarém (SCALLABIS)
Leiria (COLLIPPO) - Óbidos (EBUROBRITTIUM)

Óbidos (EBUROBRITTIUM) - Lisboa (OLISIPO)
Condeixa (CONIMBRIGA) - Alvega (ARITIUM VETUS)
Tomar (SEILIUM) - Idanha-a-Velha (IGAEDIS)
Alvega (ARITIUM VETUS) - Salamanca (SALMANTICA)
Tomar (SEILIUM) - Évora (EBORA)
Santarém (SCALLABIS) - Évora (EBORA)
Idanha-a-Velha (IGAEDIS) - Aramenha (AMMAIA)
Idanha-a-Velha (IGAEDIS) - Évora (EBORA)
Évora (EBORA) - Beja (PAX IULIA)
Évora (EBORA) - Serpa (SERPA) / Moura
Moura - Beja (PAX IULIA)
Beja (PAX IULIA) - Sevilha (HISPALIS)
Beja (PAX IULIA) - Huelva (ONUBA)
Alcácer do Sal (SALACIA) - Beja (PAX IULIA)
Alcácer do Sal (SALACIA) - Faro (OSSONOBA) por Garvão
Santiago do Cacém (MIROBRIGA) - Beja (PAX IULIA)
Santiago do Cacém (MIROBRIGA) - Mértola (MYRTILIS)
Santiago do Cacém (MIROBRIGA) - Lagos (Laccobriga?)
Castro Marim (BAESURI) - Mértola (MYRTILIS) - Beja (PAX IULIA)
Castro Marim (BAESURI) - Luz (BALSA) - Faro (OSSONOBA)
Faro (OSSONOBA) - Sta. Bárbara dos Padrões (ARANNIS)
Sta. Bárbara dos Padrões (ARANNIS) - Beja (PAX IULIA)
Faro (OSSONOBA) - Vilamoura (SALACIA) - Portimão (Portus Magnum?)
 Outras Vias Romanas:
Rede viária a norte do Rio Douro (DURIUS flumen)
Rede viária em torno da Serra da Estrela (mons Herminius?)
Rede viária em torno de Freixo de Numão (MEIDOBRIGA?)
Rede viária em torno de Marialva (civitas ARAVORUM)
Rede viária em torno de Torre de Almofala (civitas COBELCORUM)
Rede viária em torno de Idanha-a-Velha (civitas IGAEDITANORUM)
Rede viária em torno de S. Salvador de Aramenha (civitas AMMAIENSIS)

Itinerários de Antonino
VIA XVI - Item ab OLISIPONE BRACARAM AUGUSTAM m. p. CCXLIIII

Bracara ad Cale
Mapa


















































Cale ad Talabriga
Mapa


















Talabriga ad Aeminium
Mapa








Aeminium ad Conimbriga











Conimbriga ad Olisipo








Mapa





ITINERARIO XVI - Braga (BRACARA) - Porto (CALE) - Coimbra (AEMINIUM) - Lisboa (OLISIPO)   CCXLIIII milhas - 361.5 km (1 milha=1480 m)
OLISIPO
IERABRIGA
SCALLABIN
SEILIUM
CONIMBRIGA
AEMINIO
TALABRIGA
LANGOBRIGA
CALEM
BRACARA

m.p. XXX
m.p. XXXII
m.p. XXXII
m.p. XXXIIII
m.p. X
m.p. XL
m.p. XVIII
m.p. XIII
m.p. XXXV
A via romana de Bracara Augusta a Olisipo estabeleceu a rota definitiva entre as duas cidades que subsiste até hoje, sobrepondo-se sucessivamente a Estrada Real, a Estrada Nacional EN1 e a Autoestrada A1. Estas seguem paralelas ou mesmo coincidentes em alguns pontos até Conimbriga, mas a partir daqui a via segue para Seilium, a actual cidade de Tomar, enquanto a EN1 e A1 seguem mais a poente, por um outro trajecto também romano que ligava Conimbriga às civitates de Collippo na região de Leiria e Eburobrittium junto a Óbidos. O troço de Braga ao Porto está bem documentado por inúmeros miliários (com pelo menos 25 referências), mas a partir do Porto os vestígios começam a escassear (vide os 8 miliários da série do Padre Martins Capela referentes a via, um dos quais encontrado na Trofa Velha indicando 21 milhas a Braga, hoje junto da Ponte de Sedões) No troço entre Porto e Coimbra sobreviveram apenas 4 miliários, o miliário de Úl, hoje deslocado para o centro de Oliveira de Azeméis, o miliário de Adães no mesmo concelho mas hoje desaparecido (?), o miliário da Vimieira, hoje no átrio da C.M. da Mealhada e o miliário do Arco da Traição em Coimbra que está hoje no Museu Machado de Castro, obriga a procurar outros vestígios da passagem da via para determinar o seu percurso. Igualmente a sul de Coimbra não se conhecem referências a mais 6-8 miliários, entre os quais se destacam o miliário in situ de Tamazinhos, atestando a passagem da via em direcção a Tomar, e o miliário do castelo de Soure que atesta a existência da variante atrás referida que se dirigia para Leiria. Na região de Tomar são referenciados 6 miliários, 4 na cidade e 2 na periferia, o miliário de Sta. Catarina e o miliário de St. Estevão em Delongo, atestando a continuação da via rumo a Santarém, onde aliás se achou um miliário a Probo, na Alcáçova. Daqui até Lisboa conhecem-se mais 7 miliários, o miliário de Qta. do Bravo em Alenquer que deverá corresponder a Ierabriga, o miliário do Açougue Velho em Alverca, o miliário da Qta. de St. António de Frielas, ambos desaparecidos, os dois miliários recentemente descobertos em Loures e finalmente os dois miliários descobertos em Lisboa, o miliário do Convento de Chelas, também desaparecido e o miliário a Probo que apareceu nas obras de recuperação da Casa dos Bicos. Como também os vestígios de calçada são escassos, o trajecto detalhado da via continua ainda em processo de estudo e discussão; sobre esta parte do percurso ver a recente publicação das "Actas do mesa redonda De Olisipo a Ierabriga" no nº1 da Revista Cira Arqueologia. (Sarmento, 1888, 1890, 1892; Capela, 1895; Oliveira, 1943; Mantas, 1996; Seabra Lopes, 2000a; Colmenero et alii, 2004).

Braga (BRACARA AUGUSTA) (Conventus Bracara Augustanus)
No perímetro urbano de Braga foram encontrados vários miliários dispersos pela cidade mas deslocados do seu local original; alguns desses miliários podem estar relacionados com a Via Braga-Lisboa, como o que apareceu na parte sul da rua de S. Geraldo ou o que apareceu na esquina da rua Sá de Miranda com a «rodovia», próximo da necrópole da Av. da Imaculada Conceição que deveria ladear a via para Cale. Estes miliários estão hoje em exposição no Museu D. Diogo de Sousa que conta com uma extensa colecção de 36 miliários (a maior colecção num só museu) recolhidos ao longo de séculos por eruditos ligados à Sé de Braga que assim tentavam salvar da destruição estas «antiqualhas». A maioria foi reunida no Campo das Carvalheiras onde estiveram muitos anos antes de dar entrada no museu que tem hoje uma página web com fotos da maioria dos miliários entre eles muitos da chamada «série Capela». No Museu Pio XII existem mais 6 miliários, quatro pertencentes ao Itinerário XIX que liga Braga a Tui e dois pertencentes a esta via, o miliário de Lousado (MPXII.LIT.285) e o miliário de Carreiras em Vila Nova de Famalicão (MPXII.LIT.563); neste antigo seminário, apareceu uma ara a Mercúrio, divindade protectora dos caminhos; a presença militar é assinalada pela ara dedicada a Júpiter por um soldado da Legião VII Gémina Félix que apareceu debaixo do palco do Teatro Circo FE196 e o epitáfio de Marcus Antonius também soldado da mesma legião.

Maximinos, Braga (o começo da via era assinalado por um miliário a Adriano da milha zero, CIL II 4748, indicando a distância total de Braga ao Porto, ou seja 35 milhas; apareceu no colégio de S. Paulo e hoje está desaparecido; todas as vias que partiam de Bracara tinham origem no Largo Paulo Orósio, antigo Forum, ponto de confluência do decumanus maximus e do cardus maximus e cujo cruzamento sul é visível nas actuais ruínas da biblioteca, na esquina da rua Frei Caetano Brandão e rua S. Paulo, existindo também um troço de calçada medieval dentro do edifício que se terá sobreposto à cardus maximus; a estrada romana para Cale deveria seguir na direcção sul aproximadamente pela rua de Santiago, rua S. Sebastião, rua Direita, passando entre o anfiteatro e a Necrópole de Maximinos, passa no Largo de Maximinos e segue em frente pela cortada rua Peão da Meia Laranja, rua Felicíssimo Campos, cruza a Av. Cidade do Porto ou EN103 e segue pelo CM1330/rua da Ponte Pedrinha)
Travessia do rio Este na Ponte Pedrinha (alusão a uma ponte antiga com possível origem romana)
Lomar (Argote refere um miliário a Crispo junto à igreja, hoje desaparecido, assinalando talvez a milha II, CIL II 4764; da Ponte Pedrinha segue pela rua dos Presidentes até entroncar na EN309 no lugar da Mouta, continua por Muro e por Estrada, onde sai da EN309 e segue a direito pelo CM1333-2 por Boucinha, rua da Ventosa, rua da Capela, Correias, onde atravessa a ribeira do Barral, talvez a milha III)
Esporões (por Mosqueiros, rua da Quinta, rua da Ns. da Caridade e segue por Bocas, talvez a milha IV)
Trandeiras (continua pelo CM1343 por Almoinha, Souto, Outão e Varziela)
Penso St. Estevão (milha V; topónimos Mesão Frio e Pousadas sugerem estações viárias; passa junto do cemitério até Pardieiro, onde corta à direita para ir atravessar a ribeira de Morroira na Ponte da Veiga, cruza a EN309 e segue para Quebradas)
Escudeiros (subia pela EM1347 por Quebradas e Hospital, antiga pousada medieval com possível origem numa mutatio romana na milha VI, e segue pela pelo rua do Caminho de Santiago até entroncar na EN309, percorrendo a vertente nascente do Castro romanizado do Monte Redondo/Monte Cossourado/S. Mamede, onde apareceu uma ara a Antiscreus, hoje no MSMS com o nº 15)
Carreiras, Portela de Sta. Marinha (junto da igreja apareceu um miliário a Constantino II, talvez da milha VII, hoje no Museu Pio XII com o nº MPXII.LIT.563; segue por Muro e Paredes e atravessa o rio Pelhe para Telhado)
Telhado (EN309; talvez a milha VIII; no século XVI, João de Barros transcreveu um miliário a Adriano da milha VIII que apareceu na casa do Duque de Barcelos em Famalicão, CIL II 4737; Argote e posteriormente Martins Sarmento localiza-o na adega da casa de Domingos Thomé de Fonseca onde apenas leu Traiano; no entanto Hübner considera ser um outro miliário, o CIL II 4739; segue a margem direita do rio Pelhe)
São Cosme do Vale (miliário a Adriano desaparecido, CIL II 4867, talvez da milha X, encontrado no «Vale de S. Cosmado»)
S. Martinho do Vale (para leste, fica o Castro romanizado do Monte das Eiras, o Castro de Vermoim e em Joane apareceu uma ara a Júpiter; a via segue a EN309 por Ribeira de Baixo e Pousada até na Cruz do Pêlo que seria a milha XI, cruza a EN206 e segue logo depois à esquerda pela rua Senhor da Boa Fortuna, caminho de terra para S. João da Pedra Leital, milha XII?, continuando para Lagoas e Pinheiral, pela rua dos Portais, rua das Lagoas, rua do Sobrado e rua de Santiago, cruza a EN e segue para a igreja)

Santiago de Antas, Famalicão (milha XIII; da igreja românica segue à esquerda por Vela e Capões até à EN204, rua Miguel Torga)
  • O CIL refere um miliário a Adriano indicando a milha XII dado como desaparecido (CIL II 4738), mas que segundo Mantas deverá corresponder ao miliário a Adriano da milha XIII (CIL II 4752) que está hoje no MDS com o nº 1992.0666, atendendo a que apresentam a mesma epígrafe salvo na indicação de milhas (XIII em vez de XII), o que poderá dever-se a um erro na transcrição inicial feita por Acúrcio que terá omitido o «I» final (Mantas, 1996, 411-415).
  • Argote refere um fragmento de um miliário a Caracala, CIL II 4741, reutilizado no início do século XVIII como base de um cruzeiro que existia defronte da igreja de Santiago de Antas; é dado como perdido, no entanto Colmenero sugere que este poderá corresponder ao fragmento que integra o muro oeste do Seminário Camboniano.
  • Martins Capela refere mais 2 miliários anepígrafos no pátio da casa paroquial, entretanto desaparecidos.
  • Daqui também seria o miliário da Qta. da Devesa, cravado num penedo no interior da quinta, hoje convertida em Parque da Cidade.
  • Mais afastado (junto da estação C.F. de Famalicão), existe um possível miliário na Qta. do Vinhal, possivelmente também deslocado desta via.

Portela de Baixo, Santiago de Antas (milha XIV; Argote refere um miliário a Caracala indicando XIV milhas a Braga, CIL II 4740, embutido na capela de St. Estevão; Martins Capela encontra-o anos depois já partido em dois a servir de suporte do alpendre da casa paroquial de Antas, hoje desaparecido)
Devesa Alta, Santiago de Antas (milha XV; segue pela EM509-1; Capela achou aqui um miliário que teria sido deslocado para o portão da Qta. de Pereira em Esmeriz, onde se perdeu o seu rasto)
Cabeçudos (segue pela EM508-2 junto da igreja paroquial, talvez na milha XV, visto que Martins Sarmento achou aqui um miliário suportando uma varanda, entretanto dado como desaparecido, mas que segundo Vasco Mantas estará num muro junto da igreja seccionado longitudinalmente; habitat na Igreja Velha; continua junto da Qta. de Boamense, Estrada e a direito para o Alto de Sta. Catarina)
Sta. Catarina, Cabeçudos (miliário a Caracala na Qta. de Sta. Catarina, encontrado a 1/4 de légua da quinta; em 1892, Martins Sarmento leu apenas X milhas, mas pelo local do achado talvez indicasse a milha XVI; chegando ao marco de Sta. Catarina segue pela rua do Marco para Fial e Pé de Prata)
Lousado (em Garrida corta à esquerda pela rua dos Almocreves e rua das Diligências até à margem do rio Ave; miliário a Magnêncio, talvez da milha XVIII; foi descoberto na igreja e hoje está no Museu Pio XII em Braga com o nº MPXII.LIT.285)

Travessia do rio Ave (Avo) na Ponte Romana?-Medieval da Lagoncinha
  • Na sua forma actual a ponte é uma construção medieval, mas é bem provável a existência de uma anterior romana nesta passagem natural, embora não existam vestígios concludentes; num documento de 1054 há referência à ponte e à via romana «per illam carrariam antiquam que uadit pro ad illum pontem petrinum» (in PMH DC 287) e na «Carta do Couto do Mosteiro de Santo Tirso» do ano de 1097 aparece uma «ponte antiqua de flumine Avie» (in PMH DC 864), mostrando que no século XI já existia neste local uma ponte de pedra sobre o Ave, possivelmente um pouco mais a montante, junto da Cruz do Lugar das Marcas.
  • Atravessada a ponte, a via rumava à Trofa seguindo ao longo da margem esquerda do rio, passando na Ponte Velha sobre o rio Ervosa, Aldeia da Ponte, Esprela, rua Pinheiro Chagas, rua Júlio Brandão, Cavadas, continua pela rua Teixeira Lopes (interrompida pela linha do metro), continua pela Casa da Eira, Rua Alberto Pimentel (sob a linha C.F.), passa na Ponte Antiga de Real (hoje em betão) e segue ao longo da linha férrea, tocando nas capelas de S. Martinho de Bougado e de Ns. das Dores, de encontro à EN14, continuando por Vale do Eirigo, talvez a milha XX, correndo depois pela margem direita da EN14 até Trofa Velha.
Trofa Velha, S. Martinho de Bougado (segue a EN14; necrópole e villa? em Rorigo Velho)
Ponte sobre a ribeira de Sedões/Covelas, Trofa Velha (a milha XXI atestada por 4 miliários aqui colocados após a demolição entre 1844 e 1846 da ponte velha, provável ponte romana, em consequência da construção da estrada real Porto-Braga: Lantemil, Santiago de Bougado
Peça Má, Alvarelhos (2 miliários talvez assinalando a milha XXII; miliário a Constâncio II, que está hoje na antiga casa do Padre Sousa Maia em Lantemil e o fragmento do miliário a Carino que estaria na berma da EN14 junto da Ponte da Peça Má e hoje está no jardim da antiga casa do Dr. António Cruz na Trofa Velha)

Alvarelhos (provável mutatio junto do importante Castro de Alvarelhos, vicus viário estrategicamente situado sobre o vale da ribeira da Aldeia por onde passava a via romana XVI e no cruzamento de outras vias secundárias; civitas Albarelios na documentação medieval)
  • Vila Boa, a villa romana Villa Bona fica nos terrenos da Casa de Milreus com mosaicos, necrópole e 3 aras, duas anepígrafas e a terceira trata-se do epitáfio de Lanasus originário do Castro dos Fidueneae (Citânia de Sanfins) por voto do Castellum de Uliainca, demonstrando a existência de relações sociais entre os diversos povos da região (Silva A.C.F., 1980); em Sobre Sá, junto da Qta. do Paiço, apareceu o epitáfio de Ladronus referindo o Castro dos Madequisenses que poderá estar na origem da actual cidade da Maia (Madiae), hoje no Museu da Maia (Silva A.C.F., 1980).
  • Miliário a Adriano, CIL II 4736, dentro da Quinta do Paiço talvez indicando a milha XXIII ou XXIV; admitindo que não tenha sido deslocado, é viável um percurso alternativo à EN14 que tocasse a base do Castro de Alvarelhos, mas por outro lado os miliários apareceram em Peça Má e Carriça, ambos junto da EN14, embora possam ter sido deslocados, colocando assim a via um pouco afastada do castro, o que não é de estranhar no contexto romano. Assim, permanece a dúvida sobre a verdadeira rota da via; existe também uma referência a uma «carreira antiqua» num documento medieval sobre Guilhabreu (in PMH DC 151) que poderá corresponder à variante pela Qta. do Paiço descrita abaixo.
  • Variante pela Qta. do Paiço/Castro de Alvarelhos: corresponde à rota alternativa à EN14 pela EM1352 passando próximo da Qta. do Paiço e seguindo pelo caminho de terra que parte de Palmezão e segue pelas Bouças da Teixeira, ao longo da divisão com a freguesia com Guilhabreu, até entroncar na rua de Quiraz; aqui podia dividir-se, seguindo um ramo à esquerda pela igreja de S. Pedro de Avioso (EN536) e segue por Vilarinho até ao Castêlo da Maia (junto da estação C.F.), onde entronca na EN14 junto do Monte de St. Ovídeo, e o outro ramo seguia em frente pelo caminho de terra em frente que vai desembocar na rua das Andorinhas, continuando pela rua da Bajouca e rua do Ribeiro, junto do Povoado (?) do Monte Faro, seguindo depois à direita pela Campa do Preto, rua Frederico Ulrich até Moreira onde entronca na «Karraria Antiqua».
  • Ligação à via litoral: é provável que do Castro de Alvarelhos partissem vários ramais transversais de ligação à «Karraria Antiqua», uma ligando Palmazão a Vilar pela EM537, outra passando junto do Castro Boi em Vairão até ao cruzamento de Vilarinho e uma directa à Ponte do Ave, passando por Fornelo (Igreja/Qta. de Vilas Boas) e Macieira da Maia (villa de Campos Pereira junto da igreja).

Continuando para o Porto pela EN14
Carriça, S. Cristóvão do Muro (Milha XXIII; miliário a Maximiano encontrado na Qta. do Dr. Lima Barreto, CIL II 4743, ao km 12.7 da EN14 indicando 23 milhas a Braga, entretanto destruído; a necrópole em S. Cristóvão, a leste; a via poderia seguir paralela à EN14 por Ribela)
S. Pedro de Avioso (miliário a Caro do Ferronho talvez indicando a milha XXV; segundo o Abade Pedrosa, em 1894 o miliário estava 2 km a sul da Carriça e a 19 m a poente de EN14, passando depois para a berma da EN14 ao km 11.2 junto da capela dos Passos, onde esteve até ser transferido para o Museu de História e Etnologia da Terra da Maia onde está em exposição, assim como a ara dedicada à divindade Valanis; segue a EN14 por Espinhosa ou junto da igreja)
Santa Maria de Avioso (pela EN14 junto ao Monte de St. Ovídeo; talvez o Castro de Avioso citada em documentação do século XI; é possível que o nome na época romana fosse Madiae e o seu povo os Madequisenses com base na inscrição de Sobre Sá acima referida; segue a EN14 junto da necrópole da Forca)
Mandim, Maia (milha XXVII; pelos limites das freguesias de Barca e Moreira atravessando a EN Porto-Braga)
Pinta, Maia (muito alterado pelas novas estradas; talvez pela rua Deolinda Duarte dos Santos)
Picoto, Maia (milha XXVIII no centro da cidade; segue pela rua Augusto Simões)
Leça do Balio/Gueifães (a via faz de fronteira entre estas freguesias; necrópole da Quelha Funda; a milha XXIX seria talvez junto Lar do Comércio, antiga Qta. do Catassol; hoje segue a rua do Catassol e rua de Santana até ao largo da Feira de Santana onde seria a milha XXX; vira à esquerda pela estreita rua da Estrada Velha, antiga «Socarreira», e rua da Ponte da Pedra)

Ponte Romana-Medieval da Pedra sobre o rio Leça (alguns silhares almofadados atestam a sua origem romana; depois de atravessar a ponte segue à direita e logo à esquerda pela rua da Estrada Velha até ao Largo da Ermida onde seria a milha XXXI)

São Mamede de Infesta (do Largo da Ermida, a via continua pela rua da Conceição até à estação C.F., do outro lado da linha segue pela rua de St. António até à capela de St. António Telheiro e Largo do Marco, possível referência ao miliário da milha XXXII que seria vencida nesta zona, onde muitos topónimos como Carriçal e Fonte denunciam a passagem da via; ainda hoje a linha divisória dos concelhos de Matosinhos e Porto passa no campo de futebol do clube «Sport Progresso»; continua talvez pela rua da Capela do Telheiro até à rua do Amial)
  • Hübner refere um miliário a Adriano (CIL II 4735) que estaria a servir de base do cruzeiro da Qta. do Dourado/St. António, situada na rua da Igreja Velha; posteriormente terá sido reutilizado no cruzeiro do cemitério, não sendo hoje visível qualquer letra; a Quinta do Dourado fica a cerca de 1 km do traçado proposto, mas caso não estivesse deslocado, poder-se-ia admitir um percurso alternativo pela rua Bela Parada, rua da Igreja Velha, rua de Moalde e rua Oliveira Gaio já em Asprela, passando assim próximo do Castro de Moalde (a villa Manualdí num documento do ano de 994) de onde será a Ara a Júpiter que apareceu na Casa de Recarei/Qta. do Alão; a antiga via foi destruída com a construção do campus universitário/Hospital de S. João, mas reaparece mais abaixo na rua Dionísio dos Santos Silva, continuando pela rua Igreja de Paranhos e rua do Campo Lindo, de encontro à via principal na rua Antero de Quental (Almeida CAF, 1969).
Paranhos (rua do Amial, milha XXXIII talvez no Jardim da Arca d'Água, rua do Vale Formoso, rua Capitão Pombeiro e rua Antero de Quental)
Cedofeita (na rua Antero de Quental passa junto à capela do Sr. do Socorro que guarda um raro padrão do Caminho de Santiago talvez referente à milha XXXIV; segue pelo Largo da Lapa, rua da Lapa, Praça da República, antigo Campo de St. Ovídio, rua dos Mártires da Liberdade, antiga Estrada de St. Ovídio, Largo do Moinho de Vento, rua da Oliveiras, rua Sá de Noronha, Praça Gomes Teixeira (Leões), rua Dr. Ferreira da Silva, antiga «Calçada dos Orfans», Jardim da Cordoaria, outrora Porta do Olival, desce pela rua dos Caldeireiros, rua Afonso Martins Alho, atravessava o rio da Vila pela Ponte da Pedra, junto do antigo Largo de S. Roque, entretanto destruída pela construção da rua Mouzinho da Silveira e consequente encanamento do rio da Vila, subia pela rua do Souto e rua Escura, entrando no morro da Sé pela Porta de Sant' Anna)

Porto (CALE) (mansio a XXXV milhas de Braga; provável sede da civitas dos Callaeci situada no Morro da Pena Ventosa à Sé ou na outra margem, no Castelo de Gaia; vestígios do antigo castro romanizado na rua D. Hugo, na actual sede regional da Ordem dos Arquitectos e na Casa-Museu Guerra Junqueiro e nos alicerces da própria Sé, onde se achou uma inscrição aos Lares Marinhos LARIBUS MARINIS e uma ara votiva de Valéria Materna; logo abaixo surge a Igreja dos Grilos que alberga uma colecção de epigrafia recolhida na região do Porto, o Museu de Arte Sacra e Arqueologia do Seminário Maior; há vestígios romanos um pouco por toda a zona da Ribeira, em particular a muralha romana, restos de estruturas habitacionais e a villa sob a Casa do Infante com os seus mosaicos; o povoamento estendia-se da Ribeira para poente com vestígios em Miragaia (Igreja), Massarelos (rua Campo do Rou, rua Casal do Pedro e na marginal), Lordelo (provável vicus no Campo do Eirado junto à igreja paroquial; vestígios na Calçada do Ouro e rua do Aleixo) e Foz Velha (ara achada na igreja de S. João Baptista onde se lia AQVIS talvez dedicada a divindades aquáticas e uma estátua de uma figura togada, recuperada do rio Douro em 1868 e hoje no Museu do Carmo em Lisboa; o miliário de Areal de Baixo em Braga pertencente à Via Nova e o miliário de Soalhães em Marco de Canaveses da Via Braga-Mérida estão na colecção epigráfica do Museu Soares dos Reis (hoje vedada ao púbico!); segundo Estrabão, o rio Douro era navegável até 800 estádios, cerca de 147 km o que deverá corresponder ao Cachão da Valeira)

Travessia do rio Douro (Durius) (descia da Sé pela rua Escura, rua da Bainharia, rua dos Mercadores até à Boca do rio da Vila no Cais da Ribeira, onde atravessava o rio talvez por barca; Ara à divindade DVRI achada talvez na igreja de S. Pedro em Miragaia, mas hoje desaparecida; na outra margem um pouco a jusante situa-se o Castelo de Gaia, importante povoado fortificado que poderá corresponder a Caeno Oppidum, povoação alegadamente referida no Ravennate (Rav. IV 43); os vestígios estendem-se do gaveto da rua de Entre Quintas e da rua de São Marcos à Qta. de S. Marcos, Qta. de St. António e Igreja do Bom Jesus; na escadaria que dá acesso ao castelo a partir do rio, conhecida como Sr. da Boa Passagem, apareceu a inscrição sepulcral de Lavius Tuscus da Legião X Gémina, membro da tribo Aemilia e hoje está no Solar dos Condes de Resende; Guimarães 1995, 2000)

Cais de Gaia, Vila Nova de Gaia (do cais de Gaia em Sta. Marinha talvez subisse pela rua Cândido dos Reis e rua Teixeira Lopes)
Mafamude (rua Marquês Sá da Bandeira, Jardim Soares dos Reis, talvez a milha XXXVI, rua da Rasa, desvia à esquerda pela rua António Rodrigues da Rocha, pelo Clube Vilanovense, segue sempre a direito até à Rotunda de St. Ovídio, passa junto à capela do Sr. do Padrão e segue a direito pela antiga EN1 hoje rua Soares dos Reis e rua da Fonte dos Arrependidos, a milha XXXVII seria na fonte, continua até aos semáforos onde seguia à esquerda pela rua da Palmeira, hoje cortada pela A1, mas que reaparece do outro lado da A1, confluindo com a EN1 e segue pela rua do Alto das Torres)
Rechousa, Canelas (milha XXXVIII; a via seguia paralela ou mesmo coincidente com a rua da Rechousa)
Canelas de Cima, Canelas (milha XXXIX talvez junto à Sra. do Monte; raro troço de calçada de romana da VIA XVI, paralela à rua Sra. do Monte e rua do Monte, destruída em grande parte por uma urbanização recente, estando o que resta ao abandono)
Carvalhos, Pedroso (milha XL; a construção do nó da autoestrada destruiu a antiga EN1 e também a rota romana; continua do outro lado Av. Dr. Moreira de Sousa, Rua do Padrão e Rua Gonçalves de Castro)
Idanha, Pedroso (milha XLI; eventual mutatio na base do Castro romanizado do Monte Murado ou da Sra. da Saúde, onde há duas necrópoles; duas raras Tesserae Hospitales encontradas na villa de Decimus Iulius Cilo que estão hoje no Solar dos Condes de Resende em Canelas; a calçada de acesso ao castro foi também danificada por uma urbanização recente)
Barrancas, Pedroso (a via seria paralela à EN1, mas no Largo das Alminhas segue à esquerda pela rua da Feiteira)
Feiteira (Milha XLII?; continua pela rua Dr. Jorge da Fonseca; há referências a calçada em Seada e Belavista, mas hoje nada se vê)
Vendas de Grijó, Seixezelo (Milha XLIII?; no cruzamento para Argoncilhe segue pela rua Prof. Ferreira da Silva até às bombas)
Picoto, Vila da Feira (Milha XLIV?; segue a EN1)
Vergada, Argoncilhe (Milha XLV?; uilla draguncelli em 1091; segue pela rua Central da Vergada até reencontrar a EN1)
Lourosa (Milha XLVI?; desvia da EN1 no cruzamento para Arouca pela rua Romana e rua da Estrada Real em Vendas Novas)

Fiães (LANGOBRIGA) (mansio na milha XLVIII; a 13 milhas a Cale e 48 de Bracara; o nome de Fiães deriva da Villa Ulfilanis registado em documentos medievais, tendo origem germânica; a mansio deveria estar junto à via, talvez em Vendas Novas, enquanto o povoado ficava 2 km a nascente, no Castro do Monte de Sta. Maria ou Monte Redondo, sítio hoje praticamente destruído, mas que forneceu importante espólio (Corrêa, 1925), nomeadamente uma ara a Júpiter em exposição no hoje no Museu Convento dos Lóios, na Feira; resta um troço de calçada junto do castro, na Travessa de Vilar; daqui a via romana continua para sul sempre pela rua da Estrada Real até ao Ferradal, topónimo viário talvez referente à milha XLVIX, mas pouco depois a via está interrompida na travessia do ribeiro porque foi destruída por novas acessos de uma urbanização que é preciso transpor para retomar o caminho 50 m depois; mais uma atentado perfeitamente evitável)

Souto Redondo, Fiães (continua pela rua do Areeiro, onde entronca no CM1064, estrada que vem da EN1, segue à esquerda e logo em frente entra na rua da Estrada Romana seguindo até ao único troço que resta da antiga Estrada Real com a calçada original em seixos rolados)
Airas, S. João de Ver (a Estrada Real segue até à ao Largo de Airas, talvez na milha L, onde subsistem uns 50 m em calçada, continuando depois sempre a direito pela rua da Estrada Real até desembocar na EN1 junto ao acesso às instalações da empresa Irmãos Cavaco em Albergaria do Souto Redondo, seguindo depois pela Malaposta de S. Jorge, talvez na milha LI)
Escapães (scapanes num documento de 1053, in PMH DC 385; continua pela EN1 por Mastureira até à Capelinha da Meia Légua, talvez na milha LII, onde toma a Rua da Estrada Real que segue paralela à EN1, interrompida pouco depois com a construção dos novos viadutos da EN223; a via continuava do outro lado, mas é difícil definir um traçado; talvez pela rua Frei Luís de Sousa, rua da Banda de Música e rua Prof. Dr. Beleza dos Santos)
Arrifana (provável mansio na milha LIII; «Vila Maniozi» num documento de 1085, in PMH DC 385; nó viário; hospital medieval e estalagem da «Estrada Real»; árula a Júpiter Conservatori por Valeria Marcella, hoje "esquecido" no Museu Soares dos Reis; seguia talvez pela rua Prof. Vicente Reis, rua Dr. António Gomes Rebelo e rua da Fundição)
  • Diverticulum para Cabeçais: a importância de Arrifana como nó viário advém da sua localização estratégica, no ponto onde a via militar cruzava um presumível eixo viário secundário que corria desde o litoral por Vila da Feira, Arrifana, Gaiate e Romariz, de encontro à via Cale-Vissaium em Cabeçais, podendo continuar para Castelo de Paiva e Entre-os-Rios, onde atravessava o Douro rumo a Braga (Castro, 1987); o trajecto da via parece percorrer o antigo caminho por Gaiate, hoje muito alterado, mas já referido no Tombo Mosteiro de Pedroso no ano de 1575, passando por Felgueiras, Corredoura, Carvalho, Campo da Eira, Choupelo, Lavoura, Pinheiro, Cortinhas, Pomar, Infestas, Moutidos e Mamoa, continuando depois por Mouquim, onde atravessa o rio Úl (Conceição, 2006); apesar da dificuldade da localização destes topónimos é possível definir um percurso hipotético partindo de Souto de Arrifana e seguindo junto do lado sul da Qta. do Seixal (hoje rua Dr. Guilherme Alves Moreira/EN628) até Pereiro, onde deveria rumar a Mouquim, mas hoje é preciso seguir a rua Conselheiro Costa que passa junto das alminhas do Fundo da Aldeia em Gaiate (topónimo Viela dos Almocreves), seguindo depois junto da Casa de Mamoa, hoje muito alterado com a construção do viaduto da A32, seguindo depois pela margem do direita do rio Úl até Mouquim, onde atravessa este rio, continuando pela rua Cruz dos Carreiros, rua Cruz da Lavoura e rua de Goim, continua pela EM1009 por Goim, passando próximo do Castro de Romariz (na base do castro, no altar-mor da demolida igreja de Choupelo em Duas Igrejas, apareceu uma ara votiva colocada por Flavus, hoje no Museu Convento dos Lóios, na Vila da Feira), atravessava o rio Inha em Lameiros e sobe para ir cruzar a Via Porto-Viseu em Cabeçais, podendo ainda continuar por Fermedo rumo a Castelo de Paiva, mas é difícil traçar um percurso alternativo à EN504; ver no sentido inverso o Itinerário de Eja ao litoral.

S. João da Madeira (milha LIV; em 1995 apareceram 65 moedas de ouro nas imediações da «Casa do Morgado», indiciando a passagem da via no centro da cidade, talvez pela rua de St. António, passa detrás da capela homónima e segue pela rua Visconde de S. João da Madeira, rua Comendador Raínho e rua de Cucujães rumo a Faria de Cima, talvez a milha LV, continuando para Faria de Baixo pelas rua Dr. Ângelo da Fonseca e rua da Via Militar Romana, até à travessia do rio Úl na Ponte da Pica)
Ponte Romana?-Medieval da Pica (talvez na milha LVI; continua junto ao rio até Cavadas onde reencontra a antiga EN1, seguindo por esta até à travessia da ribeira do Cercal, onde segue à direita pela rua João de Pinho e Costa até ao Largo de Carcavelos, onde segue a viela à esquerda, cruza a EN, rua Augusto da Silva Pereira e rua do Cruzeiro)
S. Tiago de Riba-Úl (milha LVII; muitas dúvidas no trajecto da via, dada a intensa urbanização da zona; poderia seguir por Lações de Baixo e pelo centro de Oliveira de Azeméis ou uma rota mais a ocidente por Lugar do Monte, Cimo de Aldeia, Figueiredo, Passos e Relva)
Oliveira de Azeméis (milha LVIII na estação?; a zona está muito alterada, mas é provável que seguisse junto do Alto do Serro até à estação de Úl e daqui pela rua das Padeiras até à Igreja Paroquial de Úl)

Úl (mansio na milha LX desde Braga, na confluência dos rios Antuã/Ínsua e o rio Úl, território de fronteira dominado pelo povoado pré-romano no morro adjacente, o Castro de Úl intimamente associado a esta estação viária; durante umas obra na igreja paroquial em torno de 1803, descobriram-se duas pedras epigrafadas reutilizadas nas fundações da igreja que foram decisivas para o acerto do itinerário nesta região, nada menos que o único marco conhecido da estrada entre o Porto e a Mealhada, o miliário a Tibério que indica 12 milhas, correspondendo à distância deste local à sua capital regional situada em Langobriga (Fiães) e certamente assinalando também, o limite territorial da civitas Langobrigense, dado que a segunda epígrafe encontrada é um ainda mais raro terminus augustalis, marco romano de divisão territorial que nesta caso assinalava a divisão entre a civitates de Langobriga e Talabriga que ocupava o vale do rio Vouga; a placa de terminus está encastrado na parede das traseiras da igreja enquanto o miliário foi deslocado para o jardim junto à igreja matriz de Oliveira de Azeméis; há notícia e foto de um miliário em Adães, na outra margem do rio Úl, entretanto desaparecido que teria sido deslocado da igreja de Úl que fica a apenas 1 km, mas não de pode excluir a sua inclusão numa outra via; vide Almeida, 1956)

Ponte sobre o rio Antuã/ Ínsua (desce pela vertente nascente do morro do castro, atravessa o rio na ponte moderna em betão, não havendo vestígios de ponte antiga, e sobe a rua do Castro até entroncar na estrada Travanca-Figueiredo aqui designada por rua do Cabeço)
Damonde (talvez a milha LXI; a partir daqui há dois traçados possíveis até ao cruzeiro de Pinheiro da Bemposta; Mantas faz coincidir a via romana com a estrada real, passando por Besteiros, Caniços e Bemposta, evitando assim vários cursos de água, enquanto Seabra Lopes propõe uma rota por Relva, Figueiredo de Cima e de Baixo, visto que aqui existiu um «paço de pernoita da família real» até ao séc. XII; Mantas, 1986, p.821; Seabra Lopes, 2000a)
Pinheiro da Bemposta (passa no cruzeiro e segue a rua de S. Lázaro até à linha férrea e entra na EN1)
Curval de Baixo (milha LXIII; antiga malaposta da estrada real)

Branca (vicus de Auranca?) (provável mutatio na milha LXIV; o vicus, no entanto, poderá corresponder aos vestígios na aldeia de Cristelo, 3 km a poente; Alarcão, 2004a).
  • num documento do ano 922 aparece como «Abranca» (in PMH DC 25); nas Inquirições de D. Afonso II cerca o ano 1220 refere-se aos terrenos incultos sub strata versus os terrenos férteis super strata.
  • em Monarchia Lusytania, o Frei Bernardo de Brito transcreve uma epígrafe de um miliário achado no «castelo de S. Gião» (ML, II, 4), na «coroa do monte» da Serra de S. Julião, onde existia «muita pedraria», talvez uma atalaia, onde leu algumas poucas letras, lendo na última linha VAC[VA] XII P.M., ou seja «Rio Vouga, a XII milhas»; há muitas dúvidas nesta leitura e muitos autores consideram-na forjada, como outras transcritas por este historiador do século XVI; a distância, no entanto parece correcta porque de facto, Auranca está a cerca de 12 milhas/18 km de Talabriga, localizada no Cabeço do Vouga; (Brito, 1597; Pereira 1907; Almeida, 1956, Alarcão, 2004a);
  • a via romana deveria seguir a antiga Estrada Real («Estrada dos Reis» ou CM1453-1), por Coche, Escusa e Lajinhas, referência toponímica ao lajeado que cobria a estrada, entretanto removidas e das quais restam algumas guias junto da berma; seguia depois junto da linha férrea até confluir na EN1 (vide Sousa, 1960).

  • Albergaria-a-Nova (milha LXVI; pela EN1?)
    Albergaria-a-Velha (milha LXX; sai da EN1 à direita pelas ruas 1º de Dezembro e Mártires da Liberdade, antiga rua da Calçada, rua Comendador Martins Pereira, reencontra a EN1 e começa a descer para o Rio Vouga)
    Serém de Cima (milha LXXIII; malaposta; há referências a um miliário; sai da EN1 e segue pela rua Central, descendo depois a encosta de Gândara até Lameiro pela rua da Estrada Real e rua da Estrada Velha, onde existiam vestígios de calçada entretanto soterrados, cruzava a EN1 para Pontilhão e chega ao rio Vouga; Seabra Lopes, 2000a)
    Ponte Romana-Medieval sobre o rio Vouga (a ponte actual é uma reconstrução setecentista da primitiva ponte quinhentista da qual ainda são visíveis os pilares e os arranques dos arcos, mas é provável que a ponte assente sobre uma ponte romana anterior; em alternativa, a travessia poderia ser por barca entre Serém e Lugar da Cova)

    Cabeço do Vouga/Marnel (TALABRIGA, mansio), Lamas do Vouga (estação viária na travessia do rio Vouga, a 40 milhas de Coimbra; civitas Marnelli na documentação medieval; para aceder ao povoado, agora aberto ao público, seguir da ponte antiga à esquerda e depois no 1º caminho à direita)
    • Pela contagem das milhas aqui seria a milha 74, mas segundo o itinerário Talabriga estaria a 66 milhas pelo que não há concordância nas distâncias; as 8 milhas em falta colocam dúvidas na localização da mansio e do oppidum; será um erro no itinerário? sobre a localização da Talabriga, ver Pereira, 1907 e Seabra Lopes, 2000a e 2000b.
    • Via romana Talabriga - Vissaium: cruzava com esta importante via que ligava o litoral a Viseu; no sentido inverso, esta via deveria ligar ao mar, derivando da Via XVI em Travessô e seguindo por Eixo (forno romano) rumo ao Povoado da Torre/Marinha Baixa em Cacia, antigo porto romano e complexo industrial (vidro?) localizado junto da Igreja de S. Julião, hoje bem longe do mar mas que na época romana era banhada pelo oceano.
    • Antiga Linha de Costa: na época romana, a linha de costa era bem mais recuada, dando a Talabriga um acesso facilitado ao mar; partindo do seu porto marítimo em Cacia e rumando a sul, a linha de costa tocaria talvez em Vagos (junto à Senhora de Vagos e Porto Gonçalo, na antiga foz do Rio Boco), Mira (junto a Cabecinhas, Calvão e Seixo, contornava o Cabeço a oeste da Fonte da Barroca, pelo Palhal de Portomar, Lagoa de Mira, Casal de S. Tomé, junto ao Outeiro da Forca, Ermida, contornava a Serra da Corujeira após o que entraria mais para o interior até Fervença já no concelho de Cantanhede, possivelmente servida pela estrada que passava em Cadima e que era proveniente da mansio da Vimieira na Via militar Braga-Lisboa.

    Continuando para Lisboa:
    Ponte Romana-Medieval sobre o rio Marnel (atravessa a EN1 e sobe a encosta)
    Pedaçães, Lamas do Vouga (milha LXXV; calçada; segue por Covelas)
    Trofa (milha LXXVI; vem de Castrovães e passa ao lado da igreja)
    Segadães (milha LXXVII; segue por Fontinha)
    Travassô (milha LXXVIII; calçada com 40 m escavada na rocha entre Hortinhas e Mato Crespo, hoje aterrada)
    Travessia do rio Águeda em Cabanões (hoje desce ao rio pela EN601 e passa na moderna ponte de betão, mas 300 m a jusante existe o topónimo Ponte Pedrinha, talvez uma referência à antiga ponte)
    Óis da Ribeira (milha LXXIX; da ponte segue à esquerda pela EN601)
    Espinhel (milha LXXX; pela EN601, passa na Qta. do Morangal, contorna a Pateira de Fermentelos, que seria a linha de costa ao tempo romano)
    Piedade, Espinhel (milha LXXX; atravessa a EN333 e segue para Barrô pelo CM1657, rua do Lugar)
    Paradela, Espinhel (milha LXXXI)
    Barrô (milha LXXXII; segue a EM 601-2 por Carquejo, milha LXXXIII, e Landiosa, onde atravessa a ribeira do Cadaval)
    Aguada de Baixo (milha LXXXIV; ara votiva a Cusei Baeteaco em Aguada de Cima; segue por Aguadela) S. João da Azenha (milha LXXXV; rua Alto da Póvoa/EM603; a EN1 segue por Avelãs de Caminho, mas o caminho romano deveria atravessar o Cértima e passar em Sangalhos)

    Sangalhos (provável mansio na milha LXXXVI; provável mansio no lugar do Paço, a 20 milhas de Coimbra)
    Sá, Sangalhos (milha LXXXVI; continua pela EN235 até Vale de Estevão, onde segue à direita)
    Mogofores (milha LXXXVII no Cabeço; segue o Caminho da Igreja para S. Mateus e daqui a Lezírias, mas a partir daqui não é claro onde faria a travessia da ribeira de S. Lourenço; na outra margem do Cértima temos o Monte Castro/Castro de Anadia)
    Óis do Bairro (milha LXXXVIII; assenta num povoado romano) Horta, Tamengos (milha LXXXIX; topónimo Cabeço do Marco)
    Arinhos (milhas XC; necrópole na Encosta do Covão, entretanto destruída)
    Ventosa do Bairro (milha XCI; referência à «estrada velha coimbrã» em 1288; travessia do rio da Ponte; EN614)
    • Pensa-se que o vicus de SELIOBRIGA corresponde aos vestígios em S. Martinho de Pedrulhais (Sepins), ocupando o planalto de Chãs da Ventosa, a poente da via (Alarcão, 2004c).
    Antes (milha XCII; continua pela EM614)
    Mealhada (milha XCIII; segue a poente, pela EN615-1 por Pedrulha e Casal Comba, onde toma a EN616; aqui apareceu uma estatueta de Mercúrio, divindade protectora dos caminhos)

    Vimieira (milha XCIV desde Braga; provável mutatio ou mansio situada a 12 milhas de Coimbra dado que aqui apareceu um miliário a Calígula, CIL II 4640, indicando essa distância; este marco foi descoberto durante a construção da linha férrea do norte em meados do século XIX e hoje em exposição no átrio da C.M. da Mealhada; o seu local original poderia ser Casal Comba, onde há os topónimos Padrão e Largo do Marco, mas apenas se apurou que foi achado próximo da Qta. de S. Miguel, a cerca de 1 milha de Mealhada; Mantas, 1996).
    • Não se sabe o local exacto da mutatio mas é possível que corresponda aos vestígios romanas conhecidos por villa da Cidade das Areias, situada a ocidente da via.
    • A mansio poderia ser propriedade de Caius Fabius com base numa inscrição dedicada à divindade Tabudico achada na villa da Qta. da Ns. do Amparo (Murtede), onde surge cognominado de viator; hoje no Museu da Pedra em Cantanhede (Alarcão, 2004, p. 49); na igreja paroquial de Murtede existe uma outra ara votiva, incorporada na pia baptismal.
    • Num documento medieval do ano 973 é mencionada a «karraria de illa Vimeneira», eventual referência à via romana XVI (in PMH DC 106).

    Via romana que cruza com a Via XVI na Vimieira:
    Esta via no sentido SW-NE cruzava com a Via XVI na mutatio da Vimieira, ligando o interior beirão ao litoral.
    • Para nordeste rumo a Bobadela descrito no Itinerário Mealhada-Bobadela, ou desviar desta em Santa Comba Dão para rumar a norte em direcção a Viseu, descrito no Itinerário Coimbra-Viseu.
    • Para sudoeste rumo a Tentúgal, seguia por Silvã, Enxofães e Cordinhã (de onde poderia partir uma via vicinale servindo as villae a sul, com vestígios na Qta. do Mancão, Pardieiros, Várzeas, Portunhos e Ançã), continuando pela Póvoa da Lomba (povoado em Mosqueiros), Outil, Zambujal (villa em Monte Salgado) até Tentúgal (villa); (Mantas, 1996, p. 328-332)
    • Para oeste rumo a Montemor-o-Velho, seguindo por Ourentã (villa em Bouças), Cantanhede, Lemede, Casal de Cadima (em torno do Alto de S. Gião, a villa em Pelício e respectivas necrópoles em Pedra do Sino e Mata Pinto), descendo por Arazede e Amieiro até Montemor-o-Velho (na villa na Sra. do Desterro junto da EN111; ara a Júpiter, RAP 281), ligando ainda por Lomba ao porto fluvial da Forca. (Alarcão, 2004, p. 40).
    • Maiorga deveria ser um porto fluvial; são possíveis ligações às vias descritas acima.

    Continuando para Coimbra pela VIA XVI:
    Lendiosa (milha XCV; continua pela EN616 e atravessa a ribeira da Lendiosa no Vale do Espinheiro)
    Mala (milha XCVI; segue a EN616)
    Carqueijo (milha XCVII, onde reencontra a EN1)
    Santa Luzia (milha XCVIII na N1; em Barcouço, a oeste da via, fica o vicus da Igreja Velha)
    Sargento-Mor/Zouparria do Monte, Souselas (milha XCIX; villa em Mouros e na Qta. de Lagares; no sítio de Bacelos sai da EN1 pela Estrada do Lameirão ou CM1138)
    Adões (milha C; continua pelo CM1138, passa Trouxemil e segue a rua do Calço e rua do Senhor da Rua)
    Cioga do Monte (milha CI; continua para Fornos pela rua do Poço e rua da Ponte, hoje interrompida pela EN1, onde atravessa o rio dos Fornos, seguindo na outra margem pela rua Cerâmica Ceres e rua Coimbra)
    Adémia de Cima (milha CII, junto da travessia da ribeira das Eiras)
    Pedrulha (milha CIII; referência a uma «carraria maiore» num documento do ano 933, in PMH DC 39; a via poderia continuar por Loreto, junto à estação C.F. Coimbra-B, onde foi detectado um troço da via nas obras de uma passagem subterrânea entretanto suspensa, continuando pela Av. Fernão de Magalhães, rua Simões de Castro e rua Direita rumo ao oppidum de Aeminium)

    Coimbra (AEMINIUM)
    (milha CVI desde Braga e a 138 milhas de Lisboa; a localização de Aeminium em Coimbra é atestada por uma lápide honorífica dedicada ao imperador Constâncio Cloro pela civitas Aeminiensis que apareceu na Couraça dos Apóstolos e hoje está no Museu Machado de Castro, MNMC 150; o museu tem uma colecção de epígrafes funerárias proveniente da necrópole junto da porta oriental local que recebia o aqueduto; neste museu estão também depositados dois miliários, um tem a inscrição já muito danificada e por isso ilegível, e o outro é o miliário a Calígula que em 1774 apareceu deslocado na Couraça de Lisboa perto do Arco da Traição; como indica 4 milhas a Coimbra, este miliário tanto poderia estar a norte como a sul de Coimbra, respectivamente junto de Adémia a norte ou próximo do acampamento militar de Antanhol, a sul, ambos a cerca de 4 milhas de Aeminium; o museu assenta sobre um magnífico edifício romano designado por Criptopórtico Romano que na época suportava o antigo forum de Aeminium e ainda um dos testemunhos romanos melhor preservado em território nacional, hoje reaberto ao público; há vestígios do cruzamento do decumanus maximus com o cardus maximus no canto SE do edifício; segundo Vasco Mantas, ver mapa, a via romana seguia paralela à margem do rio que na era romana era bem mais largo, percorria a rua Direita e inflectia à direita pelo desaparecido Beco do Amorim, mas hoje é preciso ir à Igreja de Sta. Cruz e voltar pela rua da Louça para retomar a rota da via no Largo do Poço, seguindo depois a rua Eduardo Coelho até à Igreja de S. Tiago na Praça Velha/Praça do Comércio, de onde partia um acesso à malha urbana, continuando pelo lado nascente da Igreja de S. Bartolomeu e pela rua dos Gatos até ao Largo da Portagem, onde estaria a desaparecida Porta de Belcouce e onde se fazia a travessia do rio Mondego; ver Alarcão, 2008a e Mantas, 1992 e 1996)
    • Deveria existir uma via ao longo da margem esquerda do rio, ligando Aeminium ao povoado da Qta. do Outeiro em Taveiro (Talabarium?) e ao vicus do Cerrado das Almas-Hortas em Ameal, junto da igreja, passando próximo dos sítios romanos do Vale da Serra e da Cova da Moura, mas por onde passaria?

    Travessia do rio Mondego (MONDA) (a ponte romana teria sido reconstruída no ano de 1132 e posteriormente destruída; admite-se que a travessia na época romana se fizesse junto da Qta. das Lajes, eventual referência à calçada, passando assim a montante da travessia junto de Santa Clara; hoje o caminho "antigo" parte do «Portugal dos Pequenitos» e sobe ao Alto de Santa Clara pela Calçada de Santa Isabel (?), seguindo as ruas Milagre das Rosas, Vitorino Planas e Capitão Pereirinha até confluir na Estrada Antiga de Lisboa)
    Cruz dos Morouços (cruza a EN1 e sobe pela rua Calçada, passa na capela e pouco depois desvia pela Ladeira da Bicha e Qta. do Limoeiro, onde volta a cruzar a EN1)
    Antanhol (acampamento militar romano, também chamado de «Cidade Velha dos Mouros/Mata Velha», nunca estudado e hoje muito destruído com a construção do Aeródromo de Coimbra, controlando a passagem a nascente da via para Conímbriga; esta poderia atravessar a ribeira de Frades ou de Antanhol junto a Palheira, seguindo depois por Venda do Cego, marginando assim a villa de Picoto/Malga; há referência a uma «via publica» num documento do ano 1087, in PMH DC 676)
    Cernache (talvez por Casconha, entre as villae do Escoural e da Mina)
    Condeixa-a-Nova (talvez pela rua Calçada, junto da villa de Orelhudo, continuando por Gorgulhão, passa junto da Qta. de Silvães e na igreja, toma a rua da Palmeira, cruza o IC3 e entra em Condeixa-a-Velha pela rua Detrás das Eiras)

    Condeixa-a-Velha (CONIMBRIGA)
    (oppidum e mansio na milha CXVI desde Braga; imponente cidade romana, sede da civitas Conimbricensis a 10 milhas de Coimbra; neste território apareceram 6 miliários, o de Tamazinhos a Décio, o de Soure a Caracala e os restantes quatro foram achados dentro da cidade ou nas suas proximidades e estão no Museu Monográfico, dois a Constâncio Cloro, um a Tácito e outro a Galério Maximiano; há um miliário anepígrafo implantado na porta norte da cidade; ara aos Lares Viales; ara aos Lares Aquitibus e ara a Aquiae sacrum, relacionadas com o culto das águas; a poucos km's fica o Castellum Romano de Alcabideque que fornecia água à cidade através de um aqueduto; o porto romano de Conímbriga poderia ficar num braço do Mondego que alcança a zona de Venda da Luísa/Anobra, ligando depois à cidade por Sebal Pequeno e pela Ponte do Barroso (?); de Conimbriga a via XVI continuava para Seilium, hoje Tomar, seguindo por Tamazinhos.

    Ramal de ligação a Leiria: é provável que uma via secundária, derivando da Via XVI na zona do Zambujal, seguisse para a sudoeste, rumo talvez a Collippo, a sul de Leiria, passando junto de duas importantes villae romanas, em Rabaçal e Santiago da Guarda, rumo a Campodónio, onde há vestígios do que parece ser um vicus.
    • Ligação Santiago da Guarda a Collippo/Leiria: Seguia talvez próximo da EN526 por Lagoa Parada e Ramalhais, na vertente sul da Serra de Sicó, continuando por Antas, Boialvas e Vale do Milho, junto da villa de Fonte do Piar (estela funerária), continuando talvez pelo caminho que passa no topónimo viário Fonte da Pipa, até chegar a Campodónio (vicus e provável mutatio; também chamada de «Vila de Abuim»); daqui seguia por Abiul, Vila Chã (vicus em Trás-os-Matos, na ribeira de Valmar), Santiago de Litém (villa na Qta. de S. Lourenço; epitáfio de Rufina na Qta. do Litém), travessia do rio Arunca para S. Simão de Litém (talvez junto do habitat da Roubã, atendendo às escórias de ferro na Qta. da Ferraria), seguindo depois para sul por Lameirão e pelo vicus da Arrochela em Espite, junto do cemitério, passa na Ponte da Arrochela em Mata, continuando algures por Caranguejeira (villa), Carrascal e Fontes (granja em Arrifes) rumo a Collippo.
    • Ligação Santiago da Guarda a Ansião: vestígios de uma estrada antiga a sul de Santiago da Guarda, sugerem uma ligação a Ansião, onde os vestígios que sugerem a existência de um vicus; seguia por Matos de Sta. Bárbara (CM1087), Estrada, Vale de Boi (CM1087-2) e Vales, onde resta um troço de calçada com 150 m que desce ao rio Nabão e a Ansião (vestígios de calçada próximo da Ponte da Cal; necrópole no cemitério);
    • Hipotética ligação a Formigais por Freixianda: poderia existir continuidade destas vias para sul rumo ao vicus de Casais da Matinha quer a partir de Ansião quer de Campodónio, seguindo neste caso pelo Alto do Cabeço do Melo(?); esta via poderia ainda ligar à Via XVI na zona de Alvaiázere; vestígios na várzea do rio Nabão (Vilalva, Abades e Arneiro) podem indiciar uma travessia do rio nesta zona, pois na outra margem, em Pelmá, existem troços de calçada em Ameixieira e em Pregal; a eventual continuação para sul poderia passar algures por Rio de Couros, próximo da provável villa de Rouquel/Arouquel em Sandoeira, (epitáfio de Priscino Prisci e de Placidio Sabino, FE144) rumo ao Porto Velho de Formigais (com vestígios de calçada junto do Castro de Porto Velho, no sentido N-S, dando acesso aos vales das ribeiras do Olival, de Caxarias e da Sabacheira) podendo ligar ao vicus de Casais da Abadia em Caxarias, onde entroncaria no Itinerário Collippo - Seilium.

    Continuando para Tomar pela Via XVI (Mantas, 1996)
    Partindo da cidade seguia pela Mata da Bufarda/Alfarda até Zambujal, percurso pontuado por vestígios em Algar de Janeia, Janeia Velha e Enxurreira; partindo de Conimbriga é preciso seguir a estrada moderna, mas depois toma o estradão de terra que atravessa o IC3/EN347 ao km 5+200, continua a nascente de Póvoa das Pegas e da villa de Lameiras, cruza a EN347-1 e ao chegar rua da Silveirinha a via continua pelos campos até entroncar na estrada para o Zambujal.
    Zambujal (milha V; villa? em Mouroiços, junto do cemitério; a via continua pela margem direita da ribeira de Carálio Seco por Porta d'Angere, a milha VI onde há referências a um possível miliário "com letras" e Cruz do Morto na milha VII)
    Tamazinhos, Penela (da Cruz do Morto continua por estradão de terra junto do habitat de Lameiros, existindo vários troços em calçada romana ainda bem conservada na subida para o cruzamento da Qta. da Ribeira, local onde foi encontrado in situ o miliário a Décio da milha VIII desde Conimbriga que hoje está no Museu do Rabaçal; este miliário estaria in situ, indicando a passagem da via na base do Cabeço de Juromelo seguindo o estradão de terra para Casas Novas, continua junto do Cabeço de Ateanha, assa a leste de Aljazede pelo habitat da Vinha Morta/Poço Carril, segue sempre recto por 2 km pelo caminho rural que serve de linha divisória entre os distritos de Leiria e Coimbra, passando por Algar, Estalagem, Furadouro, Celeiros, ribeiro de Camporez, Palmoeiro até entroncar na EN560)
    Cumeeira (atravessa a ribeira da Sabugueira junto do povoado de Castelos para Venda das Figueiras, com provável mutatio em Freixial, junto do caminho paralelo à EN110, confluindo depois nesta)
    Avelar (referência a calçada entre Tojeira e Pontão?)
    Chão de Couce (seguia a EN110?)
    Alvaiázere (continua a dúvida se a via ia pela actual EN110 por Barqueiros e entre Pussos e Cabaços, ou se ia pela povoação de Alvaiázere, passando na necrópole da Igreja Velha de Seixal e no importante vicus da Rominha, continuando pela rua da Calçada Romana em Sobreiral, Feteiras, calçada da Cortiça e calçada do Ramalhal até Relvas, com calçada na encosta do Outeiro das Relvas)
    Rego da Murta (villa? em Sandoeira)
    Pereiro, Areias (calçada; segue a EN110, a poente do Castro de São Saturnino)
    Venda dos Tremoços, Areias (milha CXXXIX)
    Calçadas, Portela de Vila Verde (milha CXLI)
    Ponte Romana?-Medieval sobre a ribeira de Ceras (segue por Calçadinha)
    Ceras, Alviobeira (milha CXLIII; castrum caesaris no Monte do Alqueidão à cota de 186 m)
    Freixo, Alviobeira (milha CXLIV)
    Pintado, Casais (Castro romanizado do Cabeço da Pena em Calvinos; segue a EN110 pelo Alto do Pintado, milha CXLV, onde há vestígios de calçada, continua por Feiteira, Venda Nova, milha CXLVII, Calçadas, milha CXLVIII, Calçada de Tripeiro, 100 m entretanto destruídos, entrando na cidade por Alvito e Gorduchas, milha CXLIX)

    Tomar (SEILIUM) (milha CL desde Braga e a 94 milhas a Lisboa)
    (oppidum posteriormente elevado a municipium Seiliensis; 2 miliários achados em S. João do Couto estão hoje no Museu do Carmo em Lisboa, o miliário a Tácito, CIL II 6197/CIL II 4959 sem indicação da distância e o miliário a Maximiano, CIL II 6198/CIL II 4960, que segundo Hübner seria da milha I, o que pode ser explicado admitindo que a estrada tivesse sido remodelada por iniciativa municipal colocando Seilium como caput via, mas é mais provável que assinalasse uma outra via que derivava aqui na Via Seilium-Olisipo, como por exemplo a Via Tomar-Évora; miliário a Nerva, CIL II 4961; 2 marcos honoríficos encontrados na Igreja de Sta. Maria dos Olivais onde se lê R(es) p(ublica) S(eiliensis); notícia de um miliário enterrado na rua do Everard; forum nas traseiras do quartel dos bombeiros; há referências a Seilienses noutros lugares, o epitáfio de Iulianus no Mosteiro do Lorvão e o epitáfio de Caius Rufinus de Porto do Son na Galiza; Silva, 1988; Ponte, 1995; Fernandes, 1996)

    Travessia do rio Nabão (na chamada «Ponte Velha» que terá substituído uma anterior romana atendendo à importância desta travessia e do oppidum adjacente, hipótese ainda não confirmada; talvez seguisse pela antiga «Corredoura», actual rua Serpa Pinto, e pela «Levada» onde apareceram 2 miliários?)
    Madalena (travessia da ribeira da Beselga talvez junto da villa de Casais da Capela/Marmeleiro; na outra margem topónimo «Alto do Marco»)
    Delongo/Curvaceiras (região fortemente romanizada entre a ribeira da Beselga e a ribeira de Mouchões por onde passaria a via nas proximidades das villae de Delongo, St. Catarina, Casal das Abadessas, S. Cristóvão, Carrazede, Casal Martinho e Bexiga, indo atravessar a ribeira de Mouchões na chamada Ponte «Romana» da Pedra, junto da villa de Vila Nova em Lamarosa,
    • Na sua obra "Agiológio Lusitano", Jorge Cardoso refere dois miliários entretanto desaparecidos; o miliário de St. Estevão ou dos Santos Mártires, proveniente da «Qta. das Coelhas» que foi deslocado para villa do Casal das Abadessas, sobranceira à ribeira da Beselga, e o miliário de Sta. Catarina a «hum tiro de espingarda do lugar de Delongo», estando «hum distante do outro hum quarto de legoa», ou seja cerca de uma milha (vide Cardoso, 1652, p. 458 e 1666, p. 761).
    • Delongo é tradicionalmente associada à cidade de Concordia mencionada por Ptolomeu, mas hoje sabemos que fica em território espanhol, próximo de Badajoz, sendo designda em época romana como Nertobriga Concordia Iulia.
    • Calçada de Casal Salgueiro em Paialvo, na rua da 'Via Romana' junto da linha férrea, mas não é claro se integrava a via XVI; ver notícia da sua descoberta.

      Variante para Santarém
      A partir de Lamarosa, a antiga Estrada Real seguia para a Golegã, ao longo da margem direita do rio Tejo, solução sempre evitada na viação romana devido à constante travessia dos afluentes; assim é mais provável que a Via XVI seguisse mais interior, passado por Torres Novas, junto da Villa Cardillio; sendo uma zona facilmente inundável, o percurso pela margem direita do rio poderia ser mesmo impossível em época romana. A estrada real seguia por Atalaia, Ponte da Pedra (antiga Ponte da Cardiga em Vila Nova da Barquinha), Entroncamento e Golegã; daqui a via poderia rumar a Chões de Alpompé (Moron?), junto do qual atravessava o rio Alviela, servindo as várias villae na margem do rio, como a villa de S. Miguel, na Qta. dos Álamos, a villa de Portas de Água em Azinhaga e a villa (?) de Pombalinho.


    Continuação da Via XVI para Santarém por Torres Novas (vide Carta Arqueológica)
    A partir da Lamarosa, a via romana seguia Argea, Gateiras, Ponte Romana? da Qta. da Torre de St. António, Casal do Bom Amor (troço de calçada pelo Casal da Quebrada), travessia do Rio Almonda na confluência com a ribeira do Alvorão, passava a leste de Torres Novas junto da villa de St. António da Caveira e da magnífica Villa Romana Cardillio (espólio recolhido no Museu Municipal), seguindo depois talvez por Alcorochel (Ponte Romana?), Casével e S. Vicente do Paúl, Alcanhões (villa com termas na Qta. das Martanas), chegando ao oppidum de Scallabis pela Cruz da Entrada e Ribeira de Santarém.

    Santarém (SCALLABIS) (milha CLXXXII; mansio Scallabin do itinerário localizada a 62 milhas de Lisboa, sede do Conventus Scalabitanus; a mansio poderia ficar na periferia com base no teoria dos acusativos, apesar do único miliário encontrado nas proximidades, o miliário dedicado a Probo, ter aparecido junto dos vestígios do oppidum na Alcáçova de Santarém, hoje ocupada pelo Jardim das Portas do Sol; toda esta zona foi recentemente escavada e foi criado o Centro de Interpretação «Urbi Scallabis» para exposição dos achados; na Casa da Alcáçova existem vestígios do podium e cella do templo romano)
    Ónias (acompanha a linha férrea)
    Vale de Santarém (calçada na Qta. do Malpique, a sul da povoação)
    Vila Chã de Ourique, Cartaxo
    Cartaxo (aqui a via inflecte para poente para contornar o Paul da Ota)
    Pontével (provável mutatio; há calçada "acima da Fonte da Concha, à Horta d'Ourives, junto ao Pinhal da Rola" e duas pontes antigas com possível origem romana, a Ponte Velha sobre a ribeira de Pontével e a Ponte da Ribeira da Fonte, esta entretanto já destruída)
    Aveiras de Cima, Azambuja
    Travessia do rio Ota na Ponte de S. Bartolomeu ou junto da Qta. de Vale de Mouros (segue pela extrema da base aérea; Castro da Ota)

    Alenquer (IERABRIGA) (milha CCXIV, mansio a 30 milhas a Lisboa no lugar de Paredes, talvez uma referência ao paredão de origem romana que se encontra na rua das Fontes e que aparece como Villa Vedra nas «Memórias Paroquiais» de 1758; os vestígios da antiga cidade estendem-se pelo perímetro compreendido entre Paredes, Qta. de Sta. Teresa, Qta. das Sete Pedras, Qta. do Bravo e as villae do Casal da Telhada e Qta. da Barradinha, onde há referência a um miliário; na Qta. do Bravo, junto à necrópole, apareceu um miliário dedicado a Adriano, CIL II 4633, assinalando reparações na via, «refecit», hoje no Museu do Carmo em Lisboa pelo que é provável que a mansio estivesse nesse local, junto da travessia do rio Alenquer; a via seguia para SE pelo caminho da Pacheca, passando na necrópole do Casal de St. António e Qta. de Sta. Teresa, onde apareceu um fragmento de coluna epigrafado que poderia ter origem num miliário; ara votiva a Bandua Aetobrico no Museu Municipal Hipólito Cabaço)
    • Ligação ao Tejo: deveria existir uma ligação de Ierabriga ao rio Tejo, passando em Casal do Reguengo (circo romano soterrado no subsolo?) e seguindo pela margem direita do rio Alenquer até Vila Nova da Rainha (villa no apeadeiro), onde se localizaria o porto fluvial de Ierabriga, atendendo à existência de um porto nesse local ainda no séc. XVIII, aos vestígios romanos na Qta. do Queimado e ao aparecimento de ânforas e sigillatas provenientes de dragados. (Costa, 2010)
    Carregado (passa em Charnequinha, Guizanderia e Qta. de St. António, atravessa o rio Grande da Pipa na Ponte da Couraça e segue a EN1 pela Qta. de S. José do Marco)
    Castanheira do Ribatejo (vestígios no Bairro da Gulbenkian; Povoado fortificada no Monte dos Castelinhos; habitat em Mouchão; villa em Sub-serra)

    Povos, Vila Franca de Xira (villae no sítio da Escola Velha, na Qta. do Borrecho e em Casal da Boiça e no sítio da Igreja Velha em Cachoeiras; porto fluvial romano; ver Pimenta, 2007)
    Vila Franca de Xira (vestígios na Travessa do Mercado e Vale da Ribeira de Santa Sofia; segue algures por São João dos Montes, existindo vestígios em S. Romão)

    Alverca (Coelho Gasco refere por volta de 1630 um miliário a Constâncio Cloro indicando a milha XXIII que apareceu na Travessa do Açougue Velho hoje desaparecido, CIL II 306, 4632; as 23 milhas indicadas (34 km) não coincidem com a distância em linha recta entre Lisboa e Alverca que é de apenas 25 km, colocando a hipótese do traçado da via não seguir o caminho mais curto rente ao Tejo, mas pela mais extensa variante que seguia da Vialonga por Loures até Lisboa; no entanto, este miliário poderia estar já deslocado na época de Gasco vindo de um local mais a norte a 34 milhas de Lisboa, possivelmente junto ao vicus de Povos em Vila Franca de Xira; outra possibilidade também plausível foi proposta por Mantas que corrige a leitura de Gasco para XVIII, ou seja passando a indicar 18 milhas (26,4 km), o que está mais de acordo com a distância no terreno; vide Gasco, 1924; Mantas, 1996, 2009; Guerra, 2009)

    • Variante para Lisboa por Loures:
      Vários vestígios indiciam a existência de uma variante se não mesmo a via principal que se dirigia a Lisboa por Loures (2 novos miliários), provável mansio localizada no ponto de confluência com a via proveniente de Conimbriga por Collippo e Eburobrittium seguindo depois para a Ponte de Frielas junto da qual estaria o terceiro miliário deste percurso que apareceu na Qta. de St. António; a recente descoberta dos miliários em Loures vem reforçar a possibilidade de ser este o percurso principal da Via XVI, sendo e este percurso alternativo à via que seguia pela margem direita do Tejo não será mesmo o percurso principal da Via XVI.
      Vialonga (rua Egas Moniz; EN501 atravessando o rio Trancão)
      S. Julião do Tojal (passa a EN115-5; calçada)
      St. Antão do Tojal (passa a EN115 e segue por S. Roque até à travessia do rio Loures)
      Loures (em 1990, durante a construção do novo Palácio da Justiça foi identificada a villa de Almoínhas e recolhidos 2 miliários, hoje em exposição no Museu Municipal na Qta. do Conventinho ali perto, sendo que um deles reutiliza um fuste de coluna, indicando feitura tardia; seria uma mutatio?)
      Ponte de Frielas sobre a ribeira da Póvoa (miliário na Qta. de St. António do qual só resta um desenho, pois foi reutilizado nos alicerces de uma obra da quinta em 1907; segundo Vasco Mantas, estaria junto da ponte de Frielas; villa junto da capela de Sta. Catarina, 2 km para norte e villa da Qta. do Belo a nascente)
      Póvoa de St. Adrião
      Lisboa (OLISIPO) (passava na Calçada de Carriche e em Entrecampos, antigo «Campos de Alvalade», onde existia necrópole, seguia pela rua de Sta. Marta, rua de S. José, rua das Portas de St. Antão, antiga «Corredoura» na Idade Média, rua D. Antão Vaz Almada e desemboca na Praça da Figueira, onde foi descoberta uma necrópole e vestígios da calçada, atravessando depois a Baixa até à Sé; Banha da Silva, 2009)

    • Variante para Lisboa por Sacavém, seguindo a margem direita do rio Tejo
      Póvoa de Santa Iria (vestígios na Qta. de St. António de Bolonha; epitáfio do Oliponense Rufinis)
      S. João da Talha (segue pela Bobadela)
      Ponte Romana de Sacavém sobre o rio Trancão (desenhada por Francisco de Holanda com 15 arcos; hoje só restam vestígios dos alicerces)
      Sacavém (provável mutatio; seguia pela rua José Luís de Morais e rua António Ricardo Rodrigues)
      Moscavide
      Marvila (rua e Estrada de Marvila) Beato (Calçada do Grilo, rua de Xabregas e rua da Madre de Deus; lápide honorífica a Trajano Adriano no antigo convento de Xabregas)
      Sta. Engrácia (Calçada da Cruz de Pedra, rua da Sta. Apolónia)
      Alfama (rua do Mirante, rua do Paraíso, junto da necrópole de Campo de Santa Clara, rua dos Remédios, Largo do Chafariz, rua de S. Pedro e rua S. João da Praça, entrando na área amuralhada da antiga cidade pela desaparecida Porta de Alfama, uma das portas da muralha romana conhecida por «Cerca da Moura»; na igreja de S. Vicente de Fora apareceu uma ara honorífica a Vespasiano e uma ara votiva a Júpiter)
      Lisboa (OLISIPO) (a via romana entrava na cidade pela zona ribeirinha com base no miliário a Probo que apareceu na Casa dos Bicos, seguindo pela rua das Cruzes da Sé até ao Largo da Sé, com vestígios da calçada no Claustro da Sé, antigo Forum)

      Alternativa por Chelas: é muito provável que existisse um outro caminho mais interior passando por Chelas, atendendo ao miliário a Magnêncio (CIL II 4631), encontrado junto do Convento de S. Félix de Chelas (villa ou templo romano), referido por Marinho de Azevedo in «Antiguidades e Grandezas da Mui Insigne Cidade de Lisboa» (1652) que entretanto foi perdido; o seu percurso é impossível de determinar devido à intensa urbanização, mas deveria passar ao lado do convento e da necrópole de Poço de Cortes, hoje Av. do Santo Condestável e Estrada de Chelas, até entroncar na Calçada da Cruz de Pedra, onde confluía com a que seguia junto ao rio.

    Lisboa (OLISIPO) (milha CCXLIV; caput viarum a 244 milhas de Braga)
    A cidade romana ocupava toda encosta do Castelo de S. Jorge, estendendo-se pela zona da Sé até ao cais fluvial na actual Baixa Pombalina, zona onde existiam diversos complexos industriais para preparados de peixe e respectivas cetárias ainda visíveis no interessante Núcleo Arqueológico da rua dos Correeiros, zona portuária sobranceiro ao antigo braço do rio Tejo que se estendia da actual Praça do Comércio até à Praça da Figueira; parece haver vestígios de uma Ponte Romana sobre este braço do rio junto da rua do Arco da Bandeira, hoje rua dos Sapateiros, um provável cais de embarque na rua das Canastras e um porto comercial no Cais do Sodré; além dos Correeiros, existiam vários destes complexos marginando o Tejo como na Casa dos Bicos, rua dos Fanqueiros, Rua dos Bacalhoeiros, Convento Corpus Christi e Casa do Governador da Torre de Belém; hoje pouco resta da antiga Olisipo, aliás só redescoberta após o grande terramoto de 1755, mas a monumentalidade dos seus edifícios demonstram a importância atingida pela sede do municipium Olisiponense no contexto romano como as Termas Romanas dos Cássios na rua das Pedras Negras, Thermae Cassiorum numa inscrição, o agora visitável Teatro Romano de Nero entre a rua de S. Mamede e a rua da Saudade, o criptopórtico da rua da Prata e o circo/hipódromo? que poderia ficar na Praça do Rossio: várias epígrafes na Igreja de S. Nicolau sugerem uma necrópole neste local.
      Existem vários miliários em museus de Lisboa:
    • No Museu da Cidade está o miliário da Casa dos Bicos e várias epígrafes do municipium Olisiponense, como a ara dedicada a Mercúrio.
    • No Museu Arqueológico do Carmo, a antiga colecção da Associação dos Arqueólogos Portugueses, há 3 miliários em exposição, dois pertencem à VIA XVI e são provenientes de Tomar (CIL II 4959 e 4960) e o terceiro veio da Qta. do Cadouço em Famalicão da Serra e pertencia à Via Braga-Mérida; existe ainda um quarto "miliário" proveniente da Qta. do Bravo (Alenquer), mas que hoje é interpretado como marco comemorativo, apesar da Via XVI passar nesse local.
    • No Museu Nacional de Arqueologia estão os muitos miliários recolhidos em território nacional que vieram para Lisboa, colecção hoje disponível na respectiva página web.

    VIA XIX - Item a BRACARA ASTURICAM m. p. CCXCVIIII

    Mapa











































































































    ITINERARIO XIX - Braga (BRACARA) - Tui (TUDAE) - Lugo (LUCUS) - Astorga (ASTURICA)    CCXCVIIII milhas - 443 km
    BRACARA
    LIMIA
    TUDAE
    BURBIDA
    TUROQUA
    AQUIS CELENIS
    TRIA
    ASSEGONIA
    BREVIS
    MARCIE
    LUCO AUGUSTI
    TIMALINO
    PONTE NEVIAE
    UTTARIS
    BERGIDO
    INTERAMNIO FLUVIO
    ASTURICA

    m.p. XVIIII
    m.p. XXIIII
    m.p. XVI
    m.p. XVI
    m.p. XXIIII
    m.p. XII
    m.p. XIII
    m.p. XXII
    m.p. XX
    m.p. XIII
    m.p. XXII
    m.p. XII
    m.p. XX
    m.p. XVI
    m.p. XX
    m.p. XXX
    O Itinerário XIX corresponde no território nacional à VIA IV, cujo traçado está relativamente bem estudado dado o elevado número de miliários existentes. Este itinerário corresponde em grande parte ao Caminho de Santiago pelo que existe sinalização do percurso (setas amarelas), embora nem sempre o caminho proposto siga pela via romana. Esta rota para a Galiza, certamente já utilizada antes da chegada dos romanos, tinha de atravessar dois grandes rios, o rio Lima onde vem a construir uma ponte e a instalar a mansio designada por LIMIA no Itinerário de Antonino, e o rio Minho onde instala outra mansio Tudae, hoje Ponte de Lima e Tui. Entrando na Galiza, a via rumava a Lugo tendo estações comuns com o Itinerário XX «per loca maritima» que vinha por barco ao longo dos portos do litoral tal como Aquis Celenis. A partir de Lugo todos estes itinerários seguem para Astorga, reunindo também com a Via Nova, o Itinerário XVIII de Antonino, a partir da mansio de Bergido. A via foi profundamente estudada no âmbito do projecto Vias Atlânticas visando a sua protecção e exploração turística do qual resultou este site. O Museu Pio XII guarda 5 miliários desta via, em exposição o miliário de Oleiros (MPXII.LIT.79) e na arrecadação, o fragmento de miliário de Arcozelo (MPXII.LIT.264), o miliário de Romarigães (MPXII.LIT.572), o miliário a Adriano de S. Paio de Merelim (MPXII.LIT.758) e o fragmento de miliário encontrado num muro da casa Patronato da Sé, na rua da Cónega, possivelmente relacionado com esta via (MPXII.LIT.612). O Museu da Sociedade Martins Sarmento (MSMS) em Guimarães tem em exposição o miliário da Qta. S. Germil em Panóias e o miliário a Tibério da Ponte do Prado. Numa das entradas do Claustro da Sé de Braga está depositado o miliário a Nerva da Qta. do Outeiro convertido em pedra de lagar. O Museu D. Diogo de Sousa em Braga (MDS) guarda os outros miliários conhecidos desta via.

    Para mais informação consultar a bibliografia: Colmenero, 1987; Colmenero et alii, 2004; Lemos, 2011; Regalo, 1987.


    Braga (BRACARA) (no palacete de D. Jerónimo Pimentel, na esquina do Campo das Carvalheiras e rua da Sé, apareceu um miliário a Augusto indicando 43 milhas a TVDE, ou seja a Tui, marcando certamente a milha zero ou caput via da VIA XIX, hoje no MDS com o nº 1992.0684; a via deveria seguir próximo da Necrópole do Campo da Vinha no alinhamento do cardus maximus que corresponde hoje aproximadamente à rua Jerónimo Pimentel seguindo pelo Campo das Carvalheiras e Campo das Hortas, atendendo à importante cloaca que corre sob o ex-Abrigo Distrital; a continuação da via é incerta pois apesar dos muitos miliários achados nesta rota quase todos estavam já deslocados para dentro das quintas da periferia da via como o miliário a Augusto que apareceu em 1967 no Paço dos Cunhas Sotomayor na Praça do Conselheiro Torres e Almeida, hoje no MDS com o nº 68992; também na antiga casa dos Paços da Câmara, na rua Frei Caetano Brandão, apareceu em 1990 um miliário Constâncio (II?) da milha I, hoje dentro da cafetaria que ali existe; esta parte do itinerário segue a rota medieval pela EN201, descendo pela rua da Boavista e Calçada de Real até Capela, seguindo depois pela EN201 para a Ponte do Prado, mas os últimos estudos apontam no entanto para um trajecto diferente quase recto, seguindo pela rua de S. Martinho e depois por caminhos agrícolas para Felgueiras; ver Lemos, 2002 e Carvalho H., 2008)

    Real (milha I; na zona apareceram 2 miliários; um deles foi descoberto na Qta. do Tourido em 1979, mas hoje desaparecido, e muito próximo, no Monte dos Cones, apareceu um miliário a Maximino e Máximo da milha I, CIL II 4756, talvez já deslocado para servir de marco divisório pois aí está documentado a Villa de Columnas, hoje no MDS com o nº 1992.0677)

    Frossos (na Qta. do Outeiro apareceu um miliário a Nerva talvez da milha II, transformado em pedra de lagar e que hoje está numa das entradas do Claustro da Sé de Braga; segue a EN201)
    Panóias (na Qta. de Germil Albano Belino descobriu um miliário a Tibério indicando a milha II, hoje no MSMS com o nº 82; dentro da povoação, no Largo do Souto, está um outro miliário servindo de base a um cruzeiro; foi certamente deslocado da Ponte do Prado pois indica a milha IV; tem duas inscrições, uma inscrição primitiva a Tibério e uma inscrição posterior a Valentiniano e Valente; fragmento de um possível miliário ou peso de lagar na Qta. da Mainha)

    S. Paio de Merelim (miliário a Adriano, talvez da milha III, descoberto em 1981 num muro junto ao lavadouro da EN201 e que hoje está no Museu Pio XII em Braga; o marco divisório de Felgueiras poderá ser um miliário transformado; segue a EN201 pelo lugar da Calçada;)

    Ponte Romana?-Medieval do Prado sobre o rio Cávado (Celadus) (Argote menciona um miliário a Augusto da milha IV, CIL II 4868, entretanto deslocado para Braga onde desapareceu; vários outros fragmentos de miliários estão embutidos nos muros junto à ponte; ver Regalo,1987; a ponte actual é muito posterior e não apresenta qualquer elemento romano pelo que a travessia do rio poderia estar um pouco mais a montante, junto do sítio romano de Macarome)

      Da Ponte do Prado à travessia do Rio Neiva:
      Até muito recentemente, o itinerário entre os rios Cávado e Neiva fazia passar a via romana por Lage, S. Miguel de Carreiras, Portela das Cabras, descendo depois à Ponte Velha de Goães, onde fazia a travessia do Neiva, correspondendo ao Caminho de Santiago. Sendo sem dúvida um caminho muito antigo (Sande Lemos relaciona-o com o período Suévico), apresenta no entanto algumas dificuldades no terreno como a subida à Portela das Cabras e a consequente descida abrupta até à Ponte de Goães para a travessia do rio Neiva que na sua forma actual é uma construção medieval. Por outro lado, os miliários conhecidos foram todos descobertos a poente desta rota embora já deslocados pelo que é muito mais provável que a via romana seguisse uma rota diferente do caminho medieval assinalado como "Caminho de Santiago" pois esta rota a poente oferece um trajecto menos acidentado e assim mais de acordo com os princípios construtivos romanos. Entretanto, a descoberta de novos miliários em Atiães, no âmbito do projecto Vias Atlânticas, veio reforçar esta segunda hipótese pelo que esta passa a ser o itinerário romano e a antiga proposta, uma variante tardo-romana.

    • Variante tardo-romana pela Ponte de Goães:
      Sta. Maria do Prado/Vila de Prado (vestígios de um possível vicus em Barreiro e Igreja Nova; da ponte sobre o Cávado segue por Faial, passa na calçada da Qta. do Jorge, Estrada, Murta, Santiago, um documento medieval refere uma carrariam antiquam junto da capela de Francelos, Corga, Montinho e Sarrela)
      Lage, Oleiros (calçada; passa junto à Igreja de S. Julião, entra na Roupeira no CM1184 e segue por Livão)
      Moure (calçada; próximo fica o Castro romanizado do Barbudo ou Monte Castelo; continua pelo CM1184 por Caraceira, Laranjal, Landeira e Portelinha)
      S. Miguel de Carreiras (passa no CM1183 por St. André e Cachada)
      Portela das Cabras (calçada no lugar da Rua; em Portela do Meio passa a EN308 e segue por Hospital e Fonte Fria, descendo abruptamente para Goães; ara na Portela da Penela)
      Ponte Medieval da Pedrinha ou Ponte Velha, Goães, sobre o rio Neiva (NAEBIS)
      Rio Mau (da ponte sobe até Ângulo Quarenta onde vira à esquerda até Lagoeira onde entra no concelho de Ponte de Lima e reencontra a via romana descrita abaixo)

    VIA XIX - da Ponte do Prado a Ponte de Lima
    Sta. Maria do Prado/Vila de Prado (miliário a Tibério indicando a milha V, CIL II 4869, hoje no MSMS com o nº 77; da Ponte do Prado segue pela rua Antunes Lima até à EN205 e depois à esquerda pela rua Direita no lugar da Vila, atravessa a EN205 e segue pelas traseiras da Igreja Velha de Prado, no caminho que liga a Outeiro durante 1800 m)
    Oleiros (o caminho segue junto até à capela de S. Sebastião, próxima da qual apareceu um miliário a Valentiniano I, indicando a milha VI, encontrado na "Bouça do Benefício Paroquial da Antiga igreja matriz" já transformado em cruzeiro que hoje está no Museu Pio XII)
    Atiães (da capela de S. Sebastião segue pelos lugares da Cumieira e Alminhas, onde existiam vestígios da via recentemente confirmada pela descoberta de um fragmento de miliário na Bouça do Castro, dirigindo-se depois à Mata de S. Jerónimo, onde recentemente foi identificado um outro fragmento de miliário; no adro da capela de Sta. Marta, existem 2 cipos, um dos quais Colmenero considera ser um fragmento de miliário, mas é duvidoso)
    Freiriz (próximo das minas romanas na encosta leste do Monte do Cardal já em Moure; segue por mais 1900 m até à EN201 onde segue à esquerda por 2 km; o miliário desaparecido a Tito e Domiciano, CIL 4799, poderá ter vindo daqui, já que indicava 10 milhas a Braga)
    Marrancos (fragmento de miliário junto da JF; villa?; mina romana da Cova dos Mouros; daqui também poderia seguir para a Ponte Goães, mas esta rota vai por Arcozelo atendendo ao framento de miliário aí encontrado)
    Arcozelo (fragmento de miliário a Tibério hoje no Museu Pio XII e que apareceu na Igreja Velha de Fontes, próximo do topónimo «Hospital» que indicia a existência de uma estalagem viária medieval)
    Travessia do Rio Neiva (NAEBIS) (junto ao Moinho do Cubo?; na outra margem segue por Vilartão e Cadem, próximo do Castro de Cadem; miliário duvidoso em Calvêlo)

    Anais (no lugar da Boa Vista, apareceu um miliário ilegível suportando o alpendre de uma casa; continua por Lagoeira, Gandra, Talho, Souto, Varziela, Malhos, Cruzeiro, à esquerda por Albergaria, Casas Novas até à Pé da Cruz onde vira à direita)

    Queijada (milha XVIII; continua por Empregada e Baganheiro, onde conflui com a EN201 e segue por Costa/Cangostas até ao rio Trovela, junto do povoado na Qta. do Crasto e da necrópole na Qta. do Outeiro)
    • Em Souto de Rebordões, na rua da Rabela, estrada entre a igreja paroquial e a Qta. das Fontes, existe um cipo enterrado em posição invertida no acesso à Qta. da Torre que se aproxima a um miliário, apesar da ausência de inscrição; teria sido deslocado da Via XIX que passa apenas a uma milha para leste, mas não seria impossível uma variante servindo o povoado da «Cividade» rumo ao rio Lima.
    Travessia do rio Trovela (a "Ponte Nova" já existia em 1258, mas segundo CAB Almeida, a via cruzaria o rio a jusante da Ponte Nova, continuando por Carrão, Chão da Mena, contorna a Qta. de Sandilhão, cruza a ribeira homónima e segue por Lage até St. Amaro; CAB Almeida, 1990)

    Campo de St. Amaro/Posa, Fornelos (milha XVIII; 2 miliáriosno Campo de St. Amaro apareceu o miliário a Maximino e Máximo da milha XVIII que hoje está no jardim do Solar de Bertiandos convertido em pelourinho, CIL II 4870; uma regravação posterior revela reparações da via na frase «vias et pontes temporis vetustate conlapsos restituerunt»; também no antigo passal apareceu um miliário a Maximino e Máximo a servir de peso de lagar e hoje está no jardim da Biblioteca Municipal de Vila Nova de Cerveira; também no lugar da Posa, topónimo sugestivo, apareceu um miliário a Dalmácio; a via seguia junto da Qta. das Pias)

    Gaia (LIMIA mansio? na milha XIX)
    (como o Itinerário de Antonino coloca Limia a 19 milhas de Braga é provável que esta corresponda ao Castro romanizado de Sta. Maria Madalena, ficando a mansio na sua base junto da via romana e não em Ponte de Lima como se pensava anteriormente; daqui a via descia à Ponte Romana sobre o rio Lima, passando por Bustelo, Cruzeiro, Graciosa, Qta. da Lapa, Qta. de Sanguinhal, Qta. do Olho Marinho e Largo dos Quartéis, entrando na vila pela antiga Porta de Braga, desmantelada em 1800; vide Almeida, 2001; hoje um percurso aproximado seria pela rua do Meirim, onde apareceu calçada, rua Gen. Norton de Matos, rua da Lapa, Largo dos Quartéis, rua do Souto, traseiras da igreja matriz, rua Direita e rua Fonte da Vila até à ponte romana)

    Ponte de Lima (milha XX; na Igreja de Sta. Cruz do Lima apareceu uma Ara a Júpiter feita pela oficina ELPIDI, hoje no Museu Pio XII; Castro romanizado na Serra de Antelas, ocupando o Alto de St. Ovídeo e Alto da Telha)

    Ponte Romana sobre o rio Lima (reconstrução medieval; só os primeiros 5 arcos da margem direita são romanos)
    Antepaço (Milha XX) (no pátio da Qta. do Antepaço existe um miliário ilegível que é o único que resta de um grupo de 4 miliários com os nº 1,2,3 e 4 da série Capela que marcavam a milha XX mesmo à saída da ponte romana e posteriormente deslocados para a Qta. de Faldejães; da ponte segue à direita pelo Caminho das Oliveiras, EM523, mas pouco antes da Ponte do Arquinho segue à esquerda pelo Caminho das Tojeiras, cruza a EN306 e segue a nascente da Qta. de Sabadão e da Qta. de Pomarchão sempre paralelo ao rio Labruja até Cancelhinhas e Igreja, onde segue à esquerda)
    • Na Qta. de Faldejães existem 5 miliários; 3 são provenientes da Qta. do Antepaço e indicavam a milha XX, o miliário a Adriano, CIL II 4871, o miliário a Caracala, CIL II 4872 e o miliário a Constâncio Cloro?, CIL II 4873; além destes, temos um miliário anepígrafo de proveniência desconhecida e o fragmento de miliário proveniente da capela de S. Sebastião.

    Arcozelo (milha XXI?; continua junto da Igreja de Santa Marinha, onde apareceu um outro miliário talvez da milha 21)
    Ponte Romana do Arco da Geia sobre o rio Labruja, Boavista (apesar de sucessivas reconstruções, o arco em pedras almofadadas aparenta ser da construção original)

    Cepões (milha XXIII? na base do Castro do Bárrio; depois da ponte segue a margem esquerda do rio por caminho agrícola que passa nos sítios da Coutada, Riba Rio, Borralho, Cerdeira, Carvalho Mouco e Moinho do Folão até entroncar na EN306; por aqui seria a milha 23 com um possível miliário aqui próximo, no adro da capela de S. Pedro)
    Ponte Romana-Medieval do Arco, nova travessia do rio Labruja em Salgueiro (seguia por Salgueiro e Devesa pouco depois sai da EM522 e segue à esquerda por Fonte da Estrada, Ermida da Sra. das Neves, milha XXIV?, o «caminho» segue à esquerda pelo caminho da Texugueira, junto dos lugares de Revolta, Antas, Portelinha e Valinhos, onde vira à esquerda pelo caminho que passa na Casa da Balada até atingir Labruja)

    Labruja (milha XXV?, assinalada pelo miliário da capela de S. Sebastião, hoje no grupo da Qta. de Faldejães; CAF Almeida refere um outro miliário na capela de São João Baptista da Grova, suportando a pia baptismal e que teria passado para a igreja paroquial em data incerta; no entanto, a pia actual não parece assente num miliário (?); a via passava a poente da Igreja pelo lugar da Freita, onde apareceu o fragmento de miliário talvez a Magnêncio que está hoje na «Colecção da JAE», continua por Casa Branca, Eiras e Fonte da Três Bicas)
    Espinheiros (milha XXVI, assinalada pelo miliário a Constantino I que suportava o alpendre de uma casa rural e hoje também na «Colecção da JAE»)
    • A partir daqui o caminho divide-se em medieval e romano, o seguindo caminho medieval pela Portela Grande, Caminho de Santiago, enquanto a via romana seguia pela Portela Pequena com base na notícia de um miliário em Câmbua nº 11 da série Capela que terá sido partido em 4 esteios e depois desapareceu, mas que assinalaria a milha 28; o percurso continua duvidoso pois hoje está muito alterado com a construção da EN201 e da A3; hoje é preciso seguir a EM522 de Câmboa, na Portela Pequena, desce a Veiga do Monte pela capela do Pisco, continua por Portela, Venda, Cascalhal, onde se situaria a milha XXIX, capela de S. Roque e Portela de Romarigães.

    Romarigães (milha XXVIII; nas traseiras da Casa Grande de Romarigães2 miliários anepígrafos e numa casa rural das redondezas, apareceu um miliário a Valentiniano I convertido em pia de porcos, hoje no Museu Pio XII com o nº MPXII.LIT.572 que deveria assinalar milha 28, embora hoje apenas se leia XX[...], AE 1980, 571)
    • A milha XXIX na Portela de Romarigães: estrategicamente posicionada na ligação entre o vale do rio Lima e o vale do rio Coura, na base do importante Castro do Couto de Ouro, ainda hoje linha divisória entre os concelhos de Ponte de Lima e de Paredes de Coura, esta estação da Via XIX deveria corresponder à milha 29 desde Braga, sendo muito provável a existência de uma mansio na base do castro, provavelmemte junto da capela de S. Roque, local onde venceria a milha XXIX; a partir daqui a via parece dividir-se em duas variantes alternativas que seguiam seguiam a poente e a nascente do castro, ambas pontuadas por vários miliários; o traçado poente seguia por S. Martinho de Coura e S. Bartolomeu das Antas, com miliários em Barreiros, Fonte de Olho, Sapardos e S. Julião, enquanto a outra variante seguia por Rubiães e Cossourado com miliários em Pereiros, Igreja de S. Pedro e Qta. do Castro. Os dois ramos voltam a reunir-se mais à frente pouco antes de Fontoura. Podem ter diferente cronologia, mas aparentemente ambas as variantes têm origem romana, atendendo aos miliários numa e noutra, embora a variante por S. Martinho seja menos acidentada e por isso mais condizente com o perfil de uma via pública; a ser assim os miliários da variante por Rubiães teriam sido deslocados em época medieval (Matos da Silva, 2006; Colmenero, 2004).

    Variante por S. Martinho de Coura:
      Portela de Romarigães (rumava a noroeste por Sabariz, Costa e Fonte de Frenes)
      Barreiros, S. Martinho de Coura (miliário a Constante I da milha XXIX no largo por trás da capela Ns. da Conceição; continua por Calados)
      Fonte de Olho, S. Martinho de Coura (miliário a Magnêncio reutilizado como suporte de uma parra numa casa rural, no lugar da Seara)
      Ponte dos Caniços sobre o rio Coura (na base do castro do Alto da Madorra; haveria ponte romana?)
      S. Bartolomeu das Antas
      Ramalhal (segue a EM1035 por Poça da Roda, Espinheiral, Carreira, Sande, Alto e Outeiro até à capela de S. Brás, onde existe um fragmento de miliário enterrado junto à entrada lateral; possível mutatio, Almeida, 1996)
      Ranhadoura (miliário a Constâncio II com a milha ilegível que está hoje na «Colecção da JAE» em Viana do Castelo)
      Monte da Gândara (miliário a Maximino Daia da milha XXXIIII 34 que apareceu enterrado in situ e que pertence também à «Colecção da JAE»)
      Raso, São Julião do Freixo (200 m de calçada paralela à estrada actual, seguindo depois em alcatrão até Pousada; no Largo da Feira em S. Julião apareceu um miliário anepígrafo deslocado talvez da milha XXXVI 36 que esteve no adro da Igreja dos Terceiros em Ponte de Lima)
      Fontoura (segue por Reguengo, junto ao campo de futebol, até à capela de S. Gabriel, onde reúne com a outra variante)

    Variante por Rubiães:
      Portela de Romarigães (rumava a norte pela vertente leste do castro até Azenha do Ribeiro, milha XXX)
      Agualonga (habitat em Mourela; cruza a ribeira de Codeceira e segue por Monte da Gândara e Covelo)
      Pereiros, Rubiães (milha XXXI; seria daqui o miliário a Magnêncio da milha 31 que está em de S. Bartolomeu das Antas; continua pela EN até à capela de S. Roque)
      Rubiães (da capela de S. Roque toma o caminho paralelo à EN201 que segue pela vertente poente do Monte da Costa passando nas traseiras da Igreja Românica de S. Pedro, onde apareceu, além de uma ara funerária e pedra almofadada, um miliário a Caracala, talvez da milha XXXI, convertido em sepultura; continua até ao lugar da Escola, onde desce à esquerda rumo ao rio Coura)
      Crasto, Rubiães (na Qta. do Crasto há 3 miliários deslocados; na entrada da quinta está o miliário a Augusto e no seu interior um miliário a Valentiniano I servindo de esteio de uma ramada e um fragmento de miliário anepígrafo; os dois primeiros indicam a milha XXX pelo que terão vindo da Azenha do Ribeiro em Romarigães)
      Ponte Romana?-Medieval da Peorada sobre o rio Coura (milha 33; calçada antes da ponte)
      Cossourado (da ponte segue à direita até à EN201 que atravessa e segue por caminho estreito, contornando o magnífico Castro do Alto da Cividade/Forte da Cidade por nascente)
      Couto das Cabras, Cossourado (talvez a milha XXXIV 34, no km 11 da EN201)
      S. Bento da Porta Aberta, Cossourado (talvez a milha XXXV 35; daqui desce a Fontoura pela vertente este do Monte das Contenças, seguindo por Carcavelha até à capela de S. Gabriel onde reencontra a outra variante)
      Fontoura (milha XXXVII; 2 miliários; a passagem da via é assinalada pelo miliário da milha 36 no Monte das Contenças e pelo miliário da milha 37 junto da capela de S. Miguel, onde poderia existir uma mutatio, a 37 milhas de Braga)
      • O miliário a Nerva indicando a milha XXXVI que hoje está em S. Bartolomeu das Antas veio do Monte das Contenças.
      • O miliário de Chamosinhos dedicado a Constâncio II da milha XXXVII, encontrado num quinteiro perto da Igreja de S. Pedro da Torre, teria sido deslocado das proximidades da Igreja de S. Miguel de Fontoura, hoje no acervo do MNA.

    Continuação da via a partir de Fontoura:
    Fontoura (de S. Gabriel continua por Portela, Cortinhas, Casa Gonçalo, Boriz até à ribeira homónima; segue por Rio Torto, por caminho de terra batida com 100 m, até Monte Chão, restando da antiga via uma lomba no terreno com 500m, hoje em propriedade privada; em alternativa poderia seguir pela capela de S. Bento)
    Cerdal (por Bouça da Gândara e Paços/Passos, seguindo depois por caminho de terra batida até à)
    Ponte Romana-Medieval da Pedreira sobre a ribeira da Pedreira ou de Fervença (calçada antes da ponte)
    Pedreira, Cerdal (depois da ponte, a via cruza a estrada asfaltada e segue por Corgas para atravessar o ribeiro de Mira numa ponte com eventual origem romana)
    Gandra (da ribeira segue a direito por Tuído, Albergaria e Senra até entroncar na EN13 ao km 116)
    Arão (segue por uma paralela à EN13 que começa junto ao café Arcádia e passa no centro da povoação até reencontrar a EN13)
    Valença (2 miliários provenientes do lugar das Lojas na «estrada do cais» para o Cais de Arinhos: o primeiro é um miliário a Cláudio da milha XLII 42, hoje deslocado para dentro da fortaleza e o segundo, embora duvidoso, é um miliário anepígrafo que está hoje na «Colecção da JAE» em Viana do Castelo; Inscrição de um veterano da Legião VI Vencedora no Museu Municipal, antiga cadeia)
    Travessia do rio Minho (Minius) por barca?

    Tui (TUDAE) (mansio na milha XLIII; 2 miliários em Sta. Eufémia)

    No seu percurso de cerca de 400 km até Astorga, a via seguia pelo vale do rio Louro, por Madalena, Ponte de Orbenlle, Porriño, Guizan, Louredo, Santiaguiño de Antas (miliário), Chan das Pipas, Saxamonde (5 miliários) e Redondela, continuando para Astorga pelas mansiones referidas no Itinerário: BURBIDA, TUROQUA, AQUIS CELENIS, TRIA, ASSEGONIA, BREVIS, MARCIE, LUCUS, TIMALINO, PONTE NEVIAE, UTTARIS, BERGIDO, INTERAMNIO FLUVIO e finalmente ASTURICA AUGUSTA (total de CCXCVIIII milhas, ou seja 443 km).

    Item a BRACARA ASTURICAM m. p. CCXLVII

    Mapa


































































    ITINERARIO XVII - Braga (BRACARA) - Chaves (AQUAE FLAVIAE) - Astorga (ASTURICA)    CCXLVII milhas - 364.4 km
    BRACARA
    SALACIA
    PRAESIDIO
    CALADUNO
    AD AQUAS
    PINETUM
    REBORETUM
    COMPLEUTICA
    VENIATIA
    PETAVONIUM
    ARGENTIOLUM
    ASTURICA

    m.p. XX
    m.p. XXVI
    m.p. XVI
    m.p. XVIII
    m.p. XX
    m.p. XXXVI
    m.p. XXVIIII
    m.p. XV
    m.p. XXVIII
    m.p. XV
    m.p. XXIIII
    O traçado principal do Itinerário XVII de Antonino suscita ainda muitas dúvidas, apesar dos muitos miliários conhecidos, dando origem a várias propostas de trajecto ou variantes; desde logo desconhecemos a localização das mansiones referidas com a excepção de Ad Aquas que podemos localizar com certeza em Chaves. O levantamento do traçado da via em 2005 no âmbito do projecto «Vias Augustas» trouxe muita informação nova sobre a via e um modelo de valorização turística que contou com a participação dos municípios portugueses abrangidos que resultou na limpeza e sinalização da via para uso público. Ver os 13 miliários da série Capela referentes a esta via (hoje já se conhecem cerca de 32 miliários atribuíveis a esta via). Para mais informação consultar a seguinte bibliografia: Barradas, 1956; Colmenero, 1987; Redentor, 2002; Colmenero et alii; 2004; Maciel, 2004; Fontes, 2005; Fontes et alii, 2012.

    Os miliários estão na sua maioria nos seguintes museus:
    MDS - Museu D. Diogo de Sousa || MRF || Museu da Região Flaviense || MAB - Museu Abade de Baçal


    Braga (BRACARA) (em 1835, durante a construção do Hospital de S. Marcos apareceu um miliário a Caro, CIL II 4760, hoje no MDS com o nº 67492; mais tarde, em 1917, nos alicerces da enfermaria do mesmo hospital, apareceram mais doze miliários conhecidos por série de Wickert que os transcreveu nos anos 50 mas que estão desaparecidos, entre eles um miliário a Cláudio II indicando a milha I, outros a Galério, Crispo, Licínio, Constante, Constantino I e II; na sua periferia temos a necrópole de S. Lázaro, hoje terrenos da Sta. Casa da Misericórdia; estes dados permitem equacionar a passagem da via XVII por esta zona. A via romana para Chaves deveria partir do Largo Paulo Orósio, antigo Forum, seguindo pela decumanus que corresponde aproximadamente à actual rua do Alcaide, continuando pela rua dos Falcões até à antiga porta da cidade situada a sul do Largo Carlos Amarante, cuja área corresponde à grande Necrópole da Via XVII, tomando depois a rua do Raio, passa junto da Fonte do Ídolo, atravessa a Av. da Liberdade, onde recentemente foi escavado um troço da via debaixo do antigo edifício dos CTT, continua pelo rua do Raio, passa na Igreja de S. Vítor, rua D. Pedro V e rua Nova de Sta. Cruz que depois passa a EN103; a via continuaria ao longo da margem direita do Rio Este pela «estrada velha», paralela à EN103 que no essencial acompanha a rota romana para Chaves; neste troço apareceram 2 miliários deslocados na antiga Qta. das Goladas, situada na rua Padre Manuel Alaio, o miliário a Tibério indicando a milha I, hoje no MDS com o nº. 1992.0642, e o miliário a Constâncio Cloro, CIL II 4763, transladado em 1920 pelo proprietário para a Casa de Pielas em Painzela, Cabeceiras de Basto que na época detinha as duas quintas; ver Colmenero et alii, 2004)

    Gualtar (em Areias, junto da EN103, apareceu um miliário a Heliogábalo indicando a milha III, CIL II 4766, hoje no MDS com o nº. 1992.0671; continua pelas ruas de Cavadas, Lameirão, Ribela, CM1294 e em Queixadas toma o CM1296)
    Este de S. Mamede (continua por Venda e Bemposta, onde começa um troço de calçada que percorre a vertente sul da Serra do Carvalho, onde se situa o Povoado Romano do Monte das Eiras Velhas, seguindo depois por Carvalho)
    Pinheiro, Póvoa do Lanhoso (topónimo Calçada junto à EN103; próximo fica o Castro romanizado do Castelo de Lanhoso)
    Rendufinho (pela EN103 no sopé da Serra de Santo Tirso)
    Serzedelo (segue a EN103 por Igreja Nova e Couto, onde toma a EM1364 para Botica de Cima, continua pelo «Caminho do Pousadouro» que passa na aldeia até reencontrar a EN pouco antes de Cerdeirinhas, rumando depois para a Cruz de Real; povoado romano em Vila Monteira/Cova da Moura, no Monte de Cidrô)

    SALACIA, mansio, a 20 milhas de Braga
    A localização desta estação continua a ser discutida, mas é provável que corresponda ao Castro romanizado de Vieira que fica exactamente a 20 milhas de Braga; sendo assim, a mansio poderia ficar na base deste castro, eventualmente no edifício recentemente descoberto no Campo da Igreja Velha em Cantelães, seguindo depois por Espindo e Zebral até à Ponte do Arco. Por outro lado há fortes evidências de que via romana seguiria antes uma rota próxima da EN103, passando por Salamonde e Ruivães até à mesma Ponte do Arco em Campos, sendo que neste caso a mansio estaria na zona da Rechã que dista também 20 milhas a Braga. Assim, a partir da Cruz de Real são possíveis duas rotas alternativas descritas abaixo.
    • Argote refere 2 miliários desaparecidos junto a um ribeiro, a sudoeste da aldeia de Campos, mas que seriam provenientes da Portela de Rebordelos; um miliário era dedicado a Cláudio, CIL II 4770, e um outro miliário onde apenas se lia 33 milhas pelo que marcaria a distância a Braga, CIL II 4772; a Portela de Rebordelos poderá corresponder ao topónimo Rebordondo, próximo do Outeiro dos Púcaros em Ruivães (Fontes, 2004).
    • Argote refere mais 2 miliários entretanto desaparecidos junto da capela de S. Martinho em Zebral; num deles Argote leu ESAR. AUG / STR. XVIII pelo que seria um miliário dedicado a Augusto, o CIL II 4776, e no outro leu CAESAR . AVG . / IMP . V . POT / III, CIL II 4775; como não se conhece nenhuma capela de S. Martinho em torno de Zebral, é provável que Argote se referisse à capela de S. Martinho no povoado romano do Alto de S. Cristóvão em Ruivães (Fontes, 2004).

      Variante por Salamonde
      Cruz de Real (segue a EN103 até ao km 71, onde toma a calçada do «Caminho da Rechã», retoma a EN ao km 72 e segue pelo «Caminho do Penedo» com vestígios de rodados; de novo na EN segue até ao km 75, onde toma o «Caminho das Gavinheiras», com parte ainda lajeada, reaparecendo depois na capela de Ns. de Begonha, passando assim a sul do povoado romano do Outeiro do Castro sobranceiro ao rio Cávado, hoje na capela da Sra. da Conceição)
      Louredo (na capela da Sra. da Guia em Fornelos existe uma ara anepígrafa suportando o altar, talvez proveniente do povoado romano do Campo da Veiga; a via segue sobreposta à EN103 até tomar o «Caminho do Outeiro» e o «Caminho do Sudro»)
      Salamonde (povoado romano no Outeiro da Coroa; a via segue o «Caminho da Aldeia» pela capela das Almas, segue paralela à EN103 e na Casa Florestal toma o chamado «Caminho do Outeiro dos Púcaros» pelo Pontão da Mua até Rebordondo, onde cruza a EN e segue pelo «Caminho de Ruivães» que passa no Pontão da ribeira de Corga de Mendo, no Pontão da ribeira de Chedas e na Ponte Velha da Rês sobre a ribeira de Saltadouro)
      Ruivães (importante povoado romano no Alto de S. Cristovam na confluência. dos rios Rabagão e Cávado; mutatio? mansio Salacia?; continua pela EN103 por S. Cristóvão e Botica, seguindo depois paralela à EN pelo «Caminho de Sta. Leocádia», passando por Pitões, Soutelo e Paradinha, cruza a EN para Escadeirinhas e segue pelo «Caminho de Cambedo» até à Ponte do Arco em Campos.
    • Argote refere 2 miliários a poente da aldeia de Botica de Ruivães; um já estaria ilegível e está desaparecido e o outro, dedicado a Trajano, indicava a milha 43 desde Chaves pelo que poderá ser o mesmo que se encontrou em Padrões, CIL 4783 (Fontes, 2004).

      Variante por Vieira do Minho
      Cruz de Real (segue a EN até Vieira do Minho)
      Cantelães (a via continua para Espindo pela vertente ocidental da Serra da Cabreira por Pinheiro, seguindo a sul de Parada Velha até Fonte do Confurco e Portela da Serradela, atravessa a ribeira das Chedas na Ponte Poldro, seguindo depois por calçada por 500 m até Espindo)
      Espindo (segue em calçada lajeada pelo designado «Caminho do Zebral» por Cancelos e Gândara)
      Zebral (miliário na capela de S. Pedro, outrora pia baptismal e hoje cimentado ao chão, lendo-se ainda as letras CAESAR / NCVS / IV)
      Campos (atravessava o rio da Lage no Pontilhão dos Pardieiros ou na Ponte dos Campos e seguia por Campos e Lamalonga até à Ponte do Arco)

    Ponte Romana-Medieval do Arco sobre a ribeira da Borralha (antiga Canhua, hoje submersa pela albufeira da barragem da Venda Nova; tanto Argote como Martins Capela e Hübner, CIL 4773, descrevem um miliário anepígrafo junto da ponte que deverá ser o miliário da Venda Nova que apareceu durante a construção da barragem, esteve muitos anos nos jardins do bairro da central e hoje está na entrada da aldeia da Venda Nova, num jardim junto da EN103)
    Padrões, Montalegre (milha XXXIV a Braga e XLIII a Chaves; antiga Vilarinho dos Padrões, com 3 miliários: o miliário a Tibério da milha XX[...] a Braga, hoje no acervo do MNA, CIL II 4773; dois outros miliários desaparecidos foram referidos por Argote, o miliário a Adriano com o nº. 940 e o miliário a Trajano com o nº 574, CIL II 4783, ambos indicando 43 milhas a Chaves, mostrando a crescente importância de Aqua Flaviae na época romana com a deslocação do ponto de origem da contagem das milhas para essa cidade; a via está submersa pela albufeira, mas deveria continuar passando a norte de Sanguinhedo)
    Venda Nova (milha XXXV a Braga e XLII a Chaves; antiga Venda dos Padrões; conhecem-se 4 miliários daqui, sendo que dois foram encontrados na parede do forno comunitário de Sanguinhedo, o miliário a Trajano hoje no MRF como ARC431, CIL II 4782, e o miliário a Adriano, indicando 42 milhas a Chaves que hoje está num jardim junto ao Castelo de Chaves; o terceiro é o miliário a Cláudio da milha [?]XXV, já não se lendo o X inicial que perfaz as 35 milhas a Braga, hoje no MRF, ARC396, CIL II 4771, assim como um outro miliário desta milha pois apesar de lhe faltar o topo, ainda se lê m.p. XLII a Chaves, CIL II 4774)
    Codeçoso do Arco (milha XXXVIII; Martins Capela refere um miliário a Cláudio indicando 38 milhas a Braga, entretanto destruído; 100m em calçada na encosta leste)
    Travessia do rio Rabagão em São Fins, Pondras (Argote refere uma Ponte Romana em Porto de Carros já então em ruínas; fragmento de um possível miliário encastrado na parede do forno da aldeia de São Fins)
    Lama do carvalho, Currais (milha XXXIX; Argote refere um miliário a Tibério, CIL II 4777, no sítio do Borrageiro, «a uma milha de Currais», hoje desaparecido e que indicaria 38 milhas, talvez contadas a partir de Chaves visto que este local está a 39 milhas de Braga; estaria assim a meio caminho entre as duas cidades; calçada com 300 m sobe a Currais)
    Currais, Reigoso (miliário anepígrafo como suporte de varanda de uma casa na aldeia, talvez proveniente de Pisões; a via continuava ao longo da margem direita do Rabagão pela actual rua de Fontelas e pelo lugar de Ladrugães; neste troço, Argote refere os topónimos Subila, Breia, Gea e Cambela, hoje desconhecidos)
    Pisões (o topónimo sugere miliários, talvez da milha XL; a partir daqui a calçada está submersa pela albufeira do Alto Rabagão, mas deveria passar junto do miliário da Cantina de Leiranco/Cruz de Leiranque, entretanto deslocado para o Largo da Seara na aldeia de Viade de Baixo, passando depois a sul do Alto de Pedrouço em Parafita, seguindo depois por Penedones, junto do Povoado de Leiras dos Padrões, evidente referência a miliários, onde apareceu uma ara anepígrafa; estes vestígios poderão corresponder à mansio de Praesidio)

    PRAESIDIO, mansio a 46 milhas de Braga é tradicionalmente localizada no Castro do Codeçoso do Arco, mas atendendo à sequência de miliários aqui deveria situar-se a milha 38 pelo que é mais provável que a mansio fosse um pouco mais à frente nas imediações da aldeia de Pisões, correspondendo talvez ao povoado conhecido como Leira dos Padrões em Penedones, a «villa Mel» referida por Argote.

    Travassos da Chã (miliário anepígrafo convertido em cruzeiro no lugar do Padrão)
    S. Vicente de Chã (vicus viário no Alto da Carvalha, junto da aldeia; ara a Júpiter no sítio do Padrão ou das Almas colocada por Equales (FE368); a via seguia a sudeste do castro homónimo)
    Peirezes (calçada atravessa a ribeira da Ponte Velha, sobe à povoação e desce à Ponte Romana? sobre o rio Rabagão da qual apenas resta um arco)
    Gralhós (calçada atravessa a Ponte Romana? da Pedra sobre a ribeira de Rabagão por Avessó, ribeira do Cargual, Porto da Geia e Suavila, até entrar na aldeia de Cortiço)
    Cortiço (miliário sustendo uma varanda dentro da aldeia e pequeno fragmento de um miliário convertido em bebedouro; a via segue até à Ponte Romana? de Cortiço, continuando em calçada pelo Alto da Pedra Moura, a norte de Vilarinho de Arcos)
    Arcos (milha LVIII; na rua principal, perto da Sra. do Campo, apareceu em 1813 o miliário a Cláudio da milha LV[...] hoje no MRF com o nº ARC398, CIL II 4770; talvez indicasse a milha 58 porque Arcos fica a uma milha de Pindo)
    Pindo, Arcos (milha LIX; 3 miliários; miliário a Tibério da milha LIX (59) que apareceu suportando a varanda da casa de Manuel Moreno e hoje está no MRF com o nº ARC394, CIL II 4778, o miliário a Cláudio que hoje está no pátio do Castelo de Montalegre e mais recentemente um miliário anepígrafo que apareceu em Arcos, mas que teria vindo do Pindo e que hoje está no jardim da antiga escola de Cervos)

    CALADUNO, a mansio referida no Itinerário a 62 milhas de Braga, deveria localizar-se nesta região; como o miliário do Pindo indica 59 milhas, então a mansio seria 3 milhas adiante, mas como este miliário foi deslocado, a mansio poderia estar localizada na povoação de Arcos ou no Alto da Serra do Pindo, mas não existem para já vestígios que o comprovem. Como há 3 milhas em falta na soma das distâncias intermédias no itinerário a incerteza continua; no Geographia de Ptolomeu (II, 6, 38) aparece como Caladunum.
    • Hipotética ligação para norte com base no miliário anepígrafo que está junto da Fonte de Tordavela em Antigo de Arcos, actual Antigo de Sarraquinhos; se não foi deslocado indicia uma derivação para norte a partir da mansio Caladuno, mas caso existisse esta via, para onde seguiria? uma hipótese viável seria seguir por Sarraquinhos, Pedrário (calçada) e Mexide até Soutelinho da Raia, onde entroncaria numa das vias que partiam da Chaves em direcção à Galiza.

    Continuando para Chaves pela Via XVII:
    O percurso da Via XVII até Chaves ainda suscita muitas dúvidas devido à existência de várias rotas possíveis, mas com base nos miliários conhecidos é mais provável que a via principal seguisse pela Portela do Pindo, na linha divisória entre os concelhos de Montalegre e Boticas, seguindo depois por Ardões e Seara Velha para a Serra da Pastoria, onde se achou um miliário a Trajano indicando 5 milhas a Chaves, descendo por Soutelo e Vale de Anta até Chaves. Este percurso é pontuado por vários troços de calçada e uma inscrição viária em Soutelo. No entanto é também muito provável a existência de uma variante que seguia mais a sul atendendo ao miliário conhecido como «Pedra de Caixão» (devido a ter sido convertido em sarcófago na idade média) encontrado nas proximidades do vicus mineiro de Sapelos, trajecto que passa num troço de calçada em Giraldo que está certamente relacionado com a forte exploração mineira no vale inicial do rio Terva durante o período romano, com minas em Batocas, Brejo, Sapelos e no Poço das Freitas, uma importante exploração aurífera romana que precisa de medidas de preservação urgentes devido à possível retoma da sua exploração!
    • Variante por Ardões:
      Portela do Pindo (segue a margem esquerda da ribeira pelo estradão florestal que passa junto da calçada da Fraga do Fojo)
      Ardãos (passa na aldeia e segue pela EM527, a norte das minas e povoado de Batocas, até tomar o troço de calçada entre Sangrinheira e o Sr. do Bonfim, onde reencontra a EM527, saindo pouco depois pelo caminho de terra que passa no chamado Fragão do Fôjo, onde existe um extenso troço de calçada que passa a sul do Castro do Muro de Cunhas)
      Seara Velha (continua em calçada, atravessa a ribeira de Calvão e segue pela Portela da Serra do Ferro, onde estaria o miliário da milha V, seguindo na direcção de Soutelo, a norte da villa ou povoado do Alto da Ribeira)
      • Miliário da Pastoria: este miliário que apareceu na «Serra da Pastoria», hoje no MRF com o nº ARC401, é dedicado a Trajano e indica a milha V a Chaves deverá corresponder à Portela da Serra do Ferro que dista cerca de 5 milhas a Chaves e ainda hoje serve de linha divisória entre os concelhos de Boticas e Chaves.
      Soutelo (passa na calçada do Alto da Mortiça e Campo da Via segue pelo lugar da Pipa onde há uma inscrição viária, [Via] / paganica / hor(is) die[i] / precario / [itur]; também no lugar de Cavalo dos Mouros existe uma outra inscrição num penedo TERM C. L, provável marco territorial)
      Vale de Anta (miliário a Treboniano Galo na Igreja e outro anepígrafo desaparecido; Barragem Romana Abobeleira a norte e minas em Outeiro Machado e Campo Queimado)

    • Variante por Sapelos:
      Portela do Pindo (desce pela vertente SE da Serra do Leiranco, passando no sopé do Castro de Malhó)
      Nogueira (passa a nordeste da povoação e do Castro romanizado de Nogueira, na base do Alto do Picão)
      Bobadela (passa a leste da povoação e do Castro do Brejo/Cidadonha, ao longo da ribeira do Vidoeiro até Carvalhosa, existindo vestígios de rodados apenas em Giraldo, junto do povoado mineiro do Carregal relacionado com a exploração mineira romana de Poço das Freitas; inscrição aos L(ares) Corcaeci servindo de pilar da pia baptismal da igreja; ara a Júpiter suportando a pia baptismal da capela de S. Lourenço)
      Sapelos (vicus viário; ara a Júpiter na capela, hoje no Museu Rural de Boticas; a via continuava pela portela da Sra. dos Milagres, S. Domingos e Casas Novas)
      • Miliário de Sapelos: No local designado por Lapada/Lapavale, a 800 m para nordeste da aldeia de Sapelos, apareceu deslocado um miliário a Augusto indicando a milha LXV[...] já convertido em sarcófago e por isso chamado de "Pedra do Caixão"; este marco estaria no carvalhal do Sr. António Martins, junto à ribeira de Calvão, em frente da capela da Sra. das Neves, onde se regista o topónimo Padrão e nas imediações do Castro do Muro/Cerca; o marco está depositado no armazém do mercado municipal em Chaves! (Colmenero, 2004; Fontes, 2010)
      Redondelo (minas das Olgas e de Mosteirão a sul)
      Curalha (Castro romanizado junto à margem direita do Tâmega)
      Cando (importante villa na capela Românica da Granjinha; ara votiva a Tutela pelos municipii Aquiflaviensium a servir de suporte a um altar; ara aos Lares Tarmucenbaecis Graueis, CIL II 2472; ara às Nymphae)

    Casas dos Montes (miliário anepígrafo na esquina da casa do Sr. Castro talvez ainda in situ)
    Ponte Romana-Medieval de Ribelas (dentro do complexo termal; passa junto da necrópole da Pensão Jaime e segue pelo Bairro de S. Bartolomeu onde junto da capela apareceu um miliário)

    Chaves (AQUAE FLAVIAE) (milha LXXX; mansio Ad Aqvas no I.A.)
    (Miliário a Décio da milha V; miliário do Postigo das Manas desaparecido; Argote refere ainda mais 4 miliários: um a Licínio, entretanto relocalizado em 2006, um outro a Constantino desaparecido, um a Caro encontrado em Sta. Cruz e 2 miliários desaparecidos a Adriano, um estaria no actual Campo da Aliança e indicava a milha II, CIL II 4779; o outro estaria junto da capela do Anjo no actual Largo 8 de Julho e indicava a milha V, CIL II 4780; nesta capela existia um outro miliário também desaparecido; no Castelo de Chaves está o miliário a Adriano proveniente da Venda dos Padrões; estão em curso as escavações do balneário termal no Largo do Arrabalde; existem pelo menos 7 miliários no Museu da Região Flaviense ou MRF nomeadamente: os três miliários da Venda dos Padrões, o miliário a Cláudio de Arcos, miliário a Tibério do Pindo, miliário a Augusto de Sapelos, miliário a Trajano de Pastoria, miliário a Constâncio de Eiras, o fragmento de miliário a Caracala ou Adriano e vários outros fragmentos encontrados nas imediações de Chaves)

    Outras vias a partir de Chaves - AQUAE FLAVIAE (Colmenero et alii, 2004; Lemos, 2010)
      Rumo a norte, em direcção a Lugo e Santiago
    • Via Aquae Flaviae - Lucus Augusti: depois de atravessar a ponte sobre o Tâmega, rumava a norte ao longo da margem esquerda do rio Tâmega passando talvez na Ponte Romana?-Medieval do Arquinho sobre a ribeira de Arcossó, no lugar de Amêdo (resta o arco), continuando até Vila Verde da Raia (ara a Júpiter na igreja; vicus?), segue pelo Alto da Roseira, entrando na Galiza por Feces de Abaixo, Tamaguelos (miliário), Mourazos, Tamagos, Queizás (miliário), Verín (civitas Tamacanorum, sede do povo Tamacani; 3 miliários) e Vilela (miliário a Caro) rumando depois à mansio Salientibus em Xinzo da Costa na Via Nova que seguia para Lugo.
    • Via Aquae Flaviae - Iria Flaviae: a via rumava a norte ao longo da margem direita do rio Tâmega, seguindo na sua parte inicial pelo Caminho de S. Roque, onde se achou um miliário a Licínio (Carneiro S., 2005), continuando por Santa Cruz, Outeiro Seco (junto da Igreja da Sra. da Azinheira e da capela da Ns. da Portela; ara a Hermes Devoris na capela da Ns. do Rosário, CIL II 2473, consagrada por G. Cexaecius Fuscus aludindo a combates de gladiadores; continua por Vila Meã), Vilarelho da Raia (miliário anepígrafo em Rabal; duas aras a Júpiter na igreja matriz talvez provenientes do vicus viário de Vale da Ermida, 2 km adiante, onde poderia existir uma mutatio pois dista cerca de 12 Km de Chaves, na fronteira luso-espanhola), San Cibrao de Oímbra (miliário a Dalmácio), seguindo depois por Oímbra, O Rosal, Vilaza, Albarellos e Guimarei em direcção a Iria Flaviae em Padrón (Santiago de Compostela) (Colmenero et alii, 2004); também podia seguir para Verín atravessando o Tâmega e confluindo na anterior (Lemos, 2010).

    • Rumo a nordeste, em direcção a Astorga
    • Via Aquae Flaviae - Asturica Augusta per Senabria: teria um traçado comum à via Aquae Flaviae - Lucus Augusti até Vila Verde da Raia, inflectindo pouco antes da fronteira para noroeste em direcção à capela de Sta. Marta (onde no adro está um miliário a Carino em dois fragmentos, CIL II 4795), continuando por Vila de Frade, Lama de Arcos (provável vicus; ara a Júpiter na igreja) e Vilarello de Cota em direcção ao oppidum de Florderrei Vello, possível sede da civitas dos Tamaganosa, continuando depois por Terroso, Barza e Tameirón (miliário) rumo a Astorga (Colmenero et alii, 2004).
    • Via Aquae Flaviae - Nemetobriga - Foro: uma variante da anterior desviava em Lama de Arcos para norte ligando a Nemetobriga e Forum Gigurrorum, mansiones da Via Nova, seguindo por Feces de Acima, Vilar de Cervos, Vilar de Vós, Sao Lourenzo, Gudiña, Terras de Viana de Bolo, entroncando na Via Nova antes da ponte da Ponte de Cigarrosa (Lemos, 2010)
    • Também poderia existir uma via desviando em Vila Verde da Raia para nascente passando por Curral de Vacas (hoje St. António Monforte), dado que na igreja existe uma ara dedicada ao deus Larouco, continuando pelo topónimos viários, Chã da Vrea, Alto da Vrea e Vidual rumo talvez a Mairos (habitat e estela funerária no Calvário) ou a Paradela (vicus? no lugar de Amedo/Possacos; tesouro); a existir esta via, para onde seguiria?

    • Rumo a noroeste em direcção a Aquis Celenis (Pontevedra)
    • Via Aquae Flaviae - Geminas - Aquis Celenis: esta via deveria seguir por Vilar de Perdizes e Saceda rumo à mansio Geminas, onde cruza com a Via Nova, podendo daqui rumar a Aquis Celenis, localizada em Caldas dos Reis (Pontevedra); partindo de Chaves a via seguia a chamada «Estrada Velha de Montalegre», passando no Bairro do Telhado (rua da Paz/EM507), Seara (minas da Barroca), continua pela calçada da Portagem, entre Bustelo e Sanjurge, percorre os altos da Salgueira, das Urzeiras, do Lajedo, do Queimado, da Campina e na Sra. do Bom Caminho, passando assim a nordeste do vicus do Outeiro da Torre e da aldeia de Calvão (possível miliário à entrada da aldeia); continua pela Calçada do Facho, a leste de Castelões (passando junto do Povoado de Facho de Castelões, onde há notícia de um miliário junto da via; habitat em Casas de Castelões e povoado no Alto das Coroas), S. Caetano (vicus?), Soutelinho da Raia (habitat em Carvalhal e Pardieiros), inflecte para leste rumo a ao importante vicus de Vilar de Perdizes (vicus da Veiga no qual surgiram importantes vestígios como o Altar de Penascrita ou «Pedra Escrita», santuário rupestre dedicado à divindade Larouco que está associada à serra homónima, segundo uma inscrição gravada num penedo por soldados da Legião VII Gémina neste local; na entrada do povoado, no sítio do Portelo, aquando da abertura da EM508, apareceu uma ara votiva dedicada também a Larouco assim com uma outra dedicada a Júpiter); daqui continua para norte passando próximo dos Castros da Idade do Ferro de Soutelo e Cidade de Grou, onde cruza a fronteira, e segue pelos termos de Xironda, Saceda, Sta. Marta de Lucenza (miliário), em direcção a Xinzo de Lima e a Sandiás, onde cruzava coma a Via Nova junto da mansio Geminas., podendo ter continuidade para a mansio Aquis Celenis localizada em Caldas de Reis (Pontevedra).
      • Parece existir uma referência a esta via no Itinerário «Via Asturica ad Bracara» inscrito nas chamadas «Tábulas de Astorga», ao indicar a sequência AD AQVAS - AQVIS ORIGINIS, sugerindo assim uma ligação entre Chaves e esta mansio da Via Nova.
      • Diverticulum para região mineira de Vilar de Perdizes, situada no triângulo formado por Gralhas, Santo André e Solveira; da aldeia rumava a poente pelo caminho que passa na capela da Sra. da Saúde e nos povoados mineiros de Antas/Telheira (Solveira) e da Ciada (Gralhas), podendo eventualmente continuar de encontro à Via XVII por Meixedo, Codeçoso, Laje Gorda e Peirezes.

      Eixo N-S em direcção ao rio Douro
    • Via Aquae Flaviae - Vila Pouca - Rio Douro - via ao longo da margem esquerda do Tâmega até Vila Pouca de Aguiar, podendo daqui ligar a Cidadelhe (Mesão Frio).
    • Via Aquae Flaviae - Três Minas - Rio Douro - via pelas alturas da Serra da Padrela, passando na região mineira de Trêsminas e Panóias rumo à travessia do rio Douro em Covelinhas/Folgosa.
    • Via Aquae Flaviae - Carlão - Freixo de Numão - eixo NW-SE que deriva da anterior na Serra da Padrela, seguindo depois pelo Alto do Pópulo e Carlão rumo à travessia do rio Douro na Sra. da Ribeira/Vesúvio.














    Mapa





























































    ITINERARIO XVII - Chaves (AQUAE FLAVIAE) - Astorga (ASTURICA)
    AQUAE FLAVIAE
    PINETUM
    REBORETUM
    COMPLEUTICA
    VENIATIA
    PETAVONIUM
    ARGENTIOLUM
    ASTURICA

    m.p. XX
    m.p. XXXVI
    m.p. XXVIIII
    m.p. XV
    m.p. XXVIII
    m.p. XV
    m.p. XXIIII
    Atendendo ao grande número de miliários e pontes romanas encontradas é hoje consensual que a Via XVII seguia por Valpaços até Castro de Avelãs, às portas de Bragança, ficando assim descartada uma possível Variante norte da via XVII que seguia por St. Estevão e Lebução até Vinhais. Ver projecto VIAS AVGVSTAS sobre esta via. Partindo de Chaves, a via atravessava o Rio Tâmega sobre a magnífica Ponte Romana de Trajano, uma das poucas pontes romanas sobreviventes que mantém o desenho original apesar de dois dos seus arcos terem sido toscamente reconstruídos. Obra monumental e surpreendente. Ver na parte seca as grandes marcas de fórfex e a construção modular. Sobre a ponte estão duas colunas honoríficas, cópias de originais romanos; uma é designada por «Coluna de Trajano» ou «Padrão dos Aquiflavienses», assinala a construção da ponte romana no tempo de Trajano pelos Aquiflavienses, desconhecendo-se onde para o original, enquanto a segunda coluna, designada por «Padrão dos Povos» é uma inscrição honorífica feita pelas 10 civitates que compunham o municipium de Aquae Flaviae ao Imperador Vespasiano em agradecimento a alguma concessão imperial. A coluna original que apareceu em 1980 no leito do rio Tâmega está hoje no átrio do MRF. Ver mais detalhe aqui.

    Chaves a Castro de Avelãs por Valpaços
    Madalena, Chaves (depois de atravessar o Tâmega, segue a direito pela EN103, na capela da Sra. da Boa Morte, segue a direito pelo estradão de terra, na bifurcação segue à direita na direcção da Qta. do Germano; após o canal segue à esquerda pela rua da Calçada Romana e logo depois segue à direita, passando à calçada que ascende até ao Alto de S. Lourenço; algures nesta zona de Eiras apareceu um miliário a Constâncio)
    S. Lourenço (magnífico troço da Calçada de S. Lourenço que sobe a encosta; o acesso à calçada faz-se no miradouro de S. Lourenço; Argote refere um miliário anepígrafo entretanto desaparecido; continua depois pela Casa dos Ferradores, Largo do Cruzeiro, rua da Travessa, até à EN213; ao chegar ao chafariz segue para Juncal)
    Ponte Romana de S. Lourenço sobre a ribeira de S. Julião/Cabanas/Palheiros (1 arco, a 500 m da povoação e segue para Arco e Lama)
    S. Julião de Montenegro (milha LXXXIII; na igreja paroquial apareceram 4 miliários, dois estão dentro da igreja, o miliário Macrino e o miliário a Décio, este indicando a milha VI desde Chaves, um miliário anepígrafo está no adro da igreja e um fragmento de um miliário a Flávio Dalmácio foi para a casa do Pe. Fernando Pereira em Vilar de Nantes; continua pelo Alto do Cavalinho, provável mutatio hoje destruída, Falgueira, Poças, Alto da Gesta e Barracão)
    , Ervões (apareceram 2 miliários nas obras de demolição da capela de Sta. Luzia; um miliário a Macrino que hoje está no terreiro da casa de Hermínio Quintino e outro na sua fundação)
    Vilarandelo (miliário a Macrino, apareceu na capela do Espírito Santo dentro do cemitério e está hoje no jardim junto ao mercado, tal como o miliário a Caracala que apareceu no pátio de uma casa particular de Vilarandelo; um fragmento de miliário foi para o MRF)
    Lagoas (calçada passa a norte de Valpaços; miliários deslocados no Solar e capela dos Morgados Pinto Leite, Casa do Arco)
    Possacos (4 miliários; miliário a Magnêncio que apareceu junto à Igreja e hoje está numa casa particular em Carlão; miliário a Flávio Dalmácio que apareceu nos alicerces de uma casa no Largo das Duas Fontes e hoje no acervo do MNA e mais 2 miliários referidos no CIL II entretanto desaparecidos: miliário a Macrino? da Qta. do Pe. António de Sousa, CIL II 4790, miliário a Carino? da Qta. de Francisco da Costa Homem, CIL II 4792; a via desvia da EN206 à direita, pouco depois da povoação, e desce à ponte por 2 km)
    Ponte Romana do Arquinho ou de Possacos sobre o rio Calvo (daqui provém o miliário a Maximino e Máximo, CIL II 4788, deslocado depois para a ponte de Vale de Telhas, acabando junto à capela de Ns. de Fátima em Vale de Telhas onde está hoje; indica reparações da via na frase vias et pontes temporis vetustate conlapsos restituerunt curante; referência a mais 2 miliários nas imediações entretanto desaparecidos; depois da ponte a via sobe até à EN206 e depois por caminho de terra até ao parque de campismo na margem do Rio Rabaçal)
    Ponte Romana-Medieval de Vale de Telhas, sobre o rio Rabaçal (é uma reconstrução medieval de uma ponte anterior romana, visto que foram reutilizados alguns silhares com marcas de fórfex na sua construção; a ponte anterior seria mais a jusante no lugar da Barca, mais próximo do Castro do Cabeço; junto da ponte foram reunidos pelo menos 5 miliários, mas hoje todos foram deslocados ou estão desaparecidos: o miliário a Galério que está hoje no Museu de Vila Real, o miliário a Maximino Daia, hoje numa casa de Vale de Gouvinhas, os 2 miliários descritos abaixo dentro da aldeia de Vale de Telhas, um miliário a Numeriano hoje desaparecido e um miliário anepígrafo, referido por Hübner que poderá corresponder ao cipo que está na aldeia de Vale de Telhas a servir de banco)

    PINETUM....m.p. XX, oppidum e mansio a 20 milhas de Ad Aquas e a 100 milhas de Bracara correponde ao Castro do Cabeço de Vale de Telhas, junto da travessia do Rio Rabaçal; no entanto a mansio poderia localizar-se junto da Ponte Romana, na área do parque de campismo, dado que aqui apareceram vestígios romanos; os vários miliários que apareceram nas margens do rio e que foram agrupados junto da ponte medieval reforçam a existência de uma mansio, precisamente no local onde era vencida a milha 20 a Chaves.

    Vale de Telhas (miliário a Constantino II junto à fonte romana proveniente da ponte tal como o miliário a Maximino e Máximo no adro da capela de Ns. de Fátima proveniente de Possacos)
    Vale de Gouvinhas (miliário a Maximino Daia na casa da família Verdelho, mas proveniente da Ponte de Vale de Telhas)
    Bouça (na EN206, daqui seria o miliário indicando a milha XXII a Chaves que está hoje junto ao Café «Estrela do norte» na Ferradosa)
    Ferradosa, Fraziela (3 fragmentos anepígrafos, talvez da milha XXIV a Chaves, um dos quais na berma da EN206 junto à casa do Sr. Manuel Maia à saída da povoação; segue pela Qta. da Calçada, Padrões, Redonda, Cabeço da Mós, Qta. do Ermidão e Estalagem)
    Ponte Romana?-Medieval do Arquinho ou de Ermidão sobre a ribeira do Arquinho, Fradizela (indicada na EN206; 1 arco)

    Ponte Romana da Pedra, Torre de Dona Chama sobre o rio Tuela (magnífica ponte romana com 6 arcos que ainda hoje suporta o tráfego da EN206; esta ponte ainda um pouco desprezada, mas constitui o melhor da engenharia romana em Portugal em conjunto com a Ponte de Chaves e a Ponte da Vila Formosa no Alentejo; a sua construção é tal modo avançada que foi considerada como moderna até aos anos setenta!)
    Torre de Dona Chama (a via passa a norte da povoação e do oppidum no Castro de São Brás)
    • Daqui partiria um diverticulum rumo ao rio Douro pelo Vale da Vilariça, seguindo depois até Marialva; Ver vias em torno de Marialva.
    • Existe um fragmento de um miliário na aldeia de Nozelos, na escadaria de uma casa da aldeia, apresentando algumas letras apesar da sua conversão em peso de lagar; este miliário poderia assinalar um outro diverticulum rumo a Macedo de Cavaleiros, mas é mais provável que tenha sido deslocado da Via XVII.
    Vila Nova da Rainha (calçada com 900 m, começa a 1 km da povoação, segue paralela à EN206; fragmento de miliário convertido em peso de lagar na berma da EN206, 600 m antes da povoação; miliário anepígrafo no centro da povoação suportando uma varanda)
    Nossa Sra. das Dores, Lamalonga (calçada com 1500 m ladeia a capela; miliário do Alto da Pinha junto da EN)
    Lamalonga (no adro da capela de S. João apareceram dois miliários, um miliário a Constâncio Cloro que está hoje no MAB com o nº 1565 e um outro anepígrafo que terá sido destruído nos anos 70; Lopo, 1907)
    • Ligação às minas de Ervedosa: saindo da capela de S. João em Lamalonga, segue pelo "Caminho de Pombal" até Argana, onde existe um fragmento de miliário junto a um tanque, e depois pelo "Caminho do Bugio" acedia a Ervedosa, onde também existe um fragmento de miliário suportando uma varanda e daqui às minas junto ao rio Tuela.
    • Eventual ligação ao povoado romanizado na Terronha de Pinhovelo.
    Carvalhal, Lamalonga (miliário anepígrafo na berma da EN206; estaria no adro da Igreja de Lamalonga)
    Agrochão (seguia a norte da povoação pela chamada Estrada Velha que passa no sopé do Cabeço do Marco e Alto dos Malhões do Monte, miliário em 2 fragmentos no sítio da Amoreira na berma da estrada)
    Falgueiras, Ervedosa
    Penhas Juntas
    Edrosa (segue por Breia e Cruzes; possível ligação a Vinhais por Ousilhão e Nunes, atendendo à inscrição a LAESV que apareceu em Ousilhão)
    Portela, Zoio
    Carrazedo (via na casa dos Eusébios; calçada contorna o Cabeço Carro, desce ao vale pelo lugar de Além Rio e atravessa a ribeira de Carrazedo)
    Alimonde (calçada sobe pelo Caminho dos Mortos até ao Alto da Ferradosa e desce pelo Caminho da Vila ao Castro de Formil ou Feira dos Mouros; povoado na Canada dos Mouros)
    Formil, Gostei (segue junto à capela de S. Cláudio onde apareceu um miliário a Maximiano, hoje no MAB com o nº 1580 e uma inscrição honorífica a Cláudio embutida na parede, CIL II 6217)
    Gostei
    Ponte Romana?-Medieval de Ariães sobre a ribeira de Castro (na EM518 Gostei-Bragança)
    Castro de Avelãs (mansio Reboretum?; civitas ZOELARUM?) (junto à villa da Torre Velha apareceram 2 miliários no exterior das ruínas da capela de S. Sebastião, já transformados em sarcófagos, o miliário a Caracala, CIL 6216 e o miliário a Augusto, CIL II 6215, com leitura muito dificultada devido a um furo na zona da inscrição onde se indicavam as milhas, lendo-se hoje apenas [...]LX[...] o que poderá corresponder à distância a Braga de CLXII ou CLXV milhas, hoje ambos no MAB com o nº 1583 e 1584 respectivamente; aqui também apareceram duas aras dedicadas ao Deo Aerno, uma das quais colocada pela Orda Zoelarum, ou seja a tribo dos Zoelae, entretanto destruída no séc. XIX, e a outra está hoje no MSMS com o nº 16, CIL II 2607; da mesma divindade apareceu uma ara na capela do Sr. de Malta em Olmos, Macedo de Cavaleiros, hoje no MAB)

    REBORETUM....m.p. XXXVI, mansio a 36 milhas de Pinetum e a 136 milhas de Bracara cuja localização é ainda discutida, mas que poderia estar na área da Torre Velha em Castro de Avelãs, onde apareceram miliários e outros vestígios; outros autores situam-na em Nunes.

    Bragança (vide os 8 miliários desta via no Museu Abade de Baçal; em Vale de S. Francisco há a necrópole dos Quatro Caminhos e necrópole do Couto; há também referência a um possível miliário anepígrafo em Meixedo)
    Ponte Romana?-Medieval das Carvas, S. Lázaro sobre o rio Sabor (segue pela Qta. das Carvas/EN118)
    Gimonde (castro romanizado)
    Ponte Romana?-Medieval de Gimonde sobre o rio de Onor (a 100 m da ponte nova)
    Cruz do Marrão, Gimonde (miliário a Caro no caminho velho para Babe, está hoje no MAB com o nº 1575; seguia assim por Marrão, Lama da Velha, Fonte de Megilde e Canada, seguindo a sul de Babe)

    COMPLEUTICA....m.p. XXVIIII, mansio a 28 milhas de Reboretum e a 165 milhas de Bracara com localização ainda incerta, poderia ficar em Babe, no lugar do Sagrado, onde apareceram vários miliários, mas alguns autores como Colmenero, situam-na em Castro de Avelãs e outros em Gimonde.

    Babe (o antigo povoado ficaria 4 km a sul da aldeia no lugar do Sagrado, sobranceiro à ribeira da Ferradosa, onde segundo a tradição terá existido a Igreja de S. Pedro Velho; neste local apareceram 2 miliários, o miliário a Caracala que está no MAB com o nº 1572 e o miliário a Adriano que passou pela igreja matriz e hoje também no MAB com o nº 1570, lendo-se XX[...] milhas a Caesera, mansio já em Espanha; são daqui também uma ara a Júpiter e duas estelas funerárias; também na capela de S. Sebastião existe um possível miliário anepígrafo; a via seguia entre o antigo povoado e a actual aldeia)
    São Julião de Palácios (seguia pela calçada chamada «Caminho das Duenas» por Lameiros da Calçada; corte artificial da rocha e muro de sustentação da via)
    Travessia do rio Maçãs entre Porto Calçado e Vale de Perdizes (a partir da fronteira luso-espanhola no Rio Maçãs, a via rumava a nordeste pela calçada de Moldones e Figueruela de Abajo até à mansio Veniatia)

    VENIATIA....m.p. XV mansio a 15 milhas de Compleutica situada talvez em Figueruela de Arriba ou San Pedro de las Herrerías, antes de transpor a Serra de la Culebra.
      Variantes daqui a Calzada de Tera
    • Variante norte: por S. Pedro de las Herrerías, Boya, Villardeciervos, Villanueva de Valrojo, Olleros de Tera e Calzada de Tera.
    • Variante sul: por Gallegos del Campo (miliário a Macrino), San Vitero (miliário a Trajano; Castro das Vinhas), Rabanales (ligação a Zamora?), Bercianos de Aliste, Sarracín de Aliste, Ferreras de Arriba, Otero de Bodas e Calzada de Tera.
    Calzada de Tera (em Calzadilla de Tera atravessa o rio Tera e segue por San Juanico el Nuevo, Barrio de Abajo de Brime de Sog e Santibánez de Vidriales)

    PETAVONIUM... m.p. XXVIII (acampamento romano a oeste de Rosinos de Vidriales, Zamora; povoado no Castro de Sansueña; segue por Fuente Encalada, 3 miliários, Calzada de la Valdería; miliário no Museo de Castrocalbón)
    ARGENTIOLUM...m.p. XV (seria a norte de Herreros de Jamuz ou em Tabuyuelo?; Quintana y Congosto, Leon; segue por Villamontán, Valle, Castrotierra e Celada)
    ASTURICA...m.p. XXIIII (actual Astorga; total percorrido CCXLVII milhas, ou seja 365,5 km desde Braga)


    Outras variantes da Via XVII
    Variante sul da Via XVII passando por Boticas rumo a Chaves
    A possibilidade de uma variante sul para Chaves, passando em Boticas, muito discutida no passado, tem vindo a perder consistência à medida que o traçado da via romana se consolida na "variante norte" pelo Concelho de Montalegre. Sem miliários ou outro qualquer vestígio viário indubitavelmente romano, resta descrever o antigo caminho por Alturas do Barroso que poderá mesmo ter origem pré-romana dado servir vários castros importantes como o Castro romanizado do Alto do Cabeço em Granja (sobranceiro ao rio Terva junto da EN103) e o Castro romanizado de Outeiro Lesenho (4 estátuas de guerreiros galaico-romanos nas proximidades, hipotética sede da civitas dos Equaesi); esta velha estrada, passaria em Atilhó e Carvalhelhos, passando assim junto do Castro romanizado do «Castelo de Mouros», atravessava o Rio Beça na Ponte da Pedrinha, em ruína e seguia depois por Carreira da Lebre e Alto da Esculca para Boticas, continuando depois por Sapiãos (povoado junto do cemitério) até Sapelos, onde reencontra a VIA XVII.

    Variante norte da Via XVII entre Chaves e Bragança
     Durante muito tempo foi considerada uma variante Via XVII entre Chaves e Bragança que seguia a norte por Lebução de modo a integrar os 2 miliários achados na região de Vinhais. Esta solução está hoje praticamente descartada devido à ausência de vestígios concludentes. O itinerário apresentado que seria uma via secundária, termina assim na travessia do Rio Rabaçal na Ponte de Picões, onde entroncaria na via transversal Valpaços - Três Minas descrita abaixo. Partindo de Chaves rumaria à Ponte de Faiões (na foto) para passar a ribeira de Avelelas, subia a St. Estevão, passava na Ponte do Arquinho e seguia por Assureiras, talvez pela calçada do Souto Bravo e pelo sopé do Castelo de Monforte em Águas Frias (vicus em Casarelhos/Aguatões; ara dedicada a Debaroni Muceaicaeco na pia baptismal da igreja de Avelelas), continua pelo planalto por Breia, Jaguintas, Calhelhas das Presas e Baixinha das Presas até Bobadela (a Igreja de S. Pedro integra na sua construção silhares com marcas de fórfex e duas estelas funerárias talvez provenientes do vizinho vicus fortificado de Cigadonha), continuando pela chamada "Estrada" que atravessa a povoação e segue por Souto das Almas, Sítio da Estrada e Fraga das Antas, continuando por Lebução e Vilartão, onde toma o caminho que passa no Terreiro do Marco, Fraga do Clero, Lombinho das Cruzes e Qta. dos Picões, descendo à Ponte de Picões sobre o rio Rabaçal, onde entroncaria na referida via transversal. Há referências bibliográficas a um miliário a Caro em Sta. Cruz, mas é problemático porque está desaparecido e não se sabe se seria na freguesia de Sanfins ou na de Outeiro Seco)



                   
    Via transversal à Via XVII - de Castro de Avelãs a Três Minas
    Atendendo à localização de uma série de miliários na região de Valpaços e de Vinhais que parecem alinhar uma via transversal no sentido NE-SW que cruzava com a VIA XVII na aldeia de Sá, a ocidente de Valpaços, é possível equacionar um itinerário proveniente da Cova da Lua (?) ou do Castro de Avelãs (?) rumo à Região Mineira de Três Minas que além de integrar esses miliários permite um percurso que não necessita de atravessar os principais rios da região. Este itinerário resulta da anulação da tradicional Variantes norte da via XVII entre Chaves e Bragança. Desta forma integrei esses miliários nesta via ao contrário de Colmenero que prefere integra-los na própria Via XVII, "forçando" a via a fazer um desvio para norte em Edrosa para poder passar em Vinhais e Soeira quando existe um caminho mais directo por Castro de Avelãs. Entretanto a dúvida permanece porque não seria estranho que estes miliários tivessem sido deslocados ou podiam mesmo pertencer a outras vias ainda não equacionadas.

    Castro de Avelãs (percorria a VIA XVII até Formil, rumando aqui à direita para Fontes e Portela, em direcção à travessia do rio Baceiro na Ponte de Castrelos)
    Soeira (da ponte segue por Prainas e Igreja Velha até Vilar, junto à capela de S. Sebastião, provável mutatio onde apareceu um miliário já transformado em sarcófago e ilegível, hoje no MAB com o nº 1566; passa a aldeia de Soeira e desce durante 1 km até rio, contornando o Castro da Ponte)
    Ponte Velha de Soeira sobre o rio Tuela, (18 m, 2 arcos;)
    Ponte de D. Marinha sobre a ribeira de Padornelo
    Vila Verde (provável mutatio de apoio à via no Forte de Modorra; sai pela EN103 e logo depois desvia à direita e logo à esquerda pela calçada já destruída na encosta do Castro da Cidadelha)
    Vinhais (Argote refere um miliário atribuído a Maximino indicando a milha C[...] entretanto desaparecido; segue entre os altos da Portela e do Pinheiro)
    Travessia da ribeira das Trutas no Pontão
    Sobreiró de Baixo (contorna o Monte da Circa pela vertente norte, sobe até Cruz das Cortes na EN103 e segue pela portela entre o Monte da Forca e o Alto da Madorrinha)
    Curopos (EN103; passa em Souto Escuro, onde terá existido um miliário, Estalagem de Cima e de Baixo)
    Valpaço (EN103; por Pedra Mourisca, Breia e Fonte do Mau Nome)
    Ponte Romana?-Medieval de Picões sobre o rio Rabaçal, Bouçoães (estava em ruínas e hoje está submersa)
    Bouçoães (2 miliários anepígrafos provenientes das ruínas Casa da Abadia antiga casa paroquial, hoje depositados na JF; povoado em Outeiro; inscrição a Júpiter)
    Lampaça (passa junto do vicus fortificado do Cabeço da Sra. da Ribeira)
    Tortomil (povoado em Vale de Fetos/Fetais; duas aras votivas, uma das quais a Júpiter pelos Castellani Af(...); segue pelo Alto da Fraga do Marco)
    Fiães (possível miliário aparecido no povoado de Muradelhas, o vicus Vagornica com base numa ara dedicada a Júpiter pelos Vicani Vagornicenses achada no sítio da Cortinha do Fundo, hoje no MRF; epitáfio de Camalus, um Límico, CIL II 2496)
    Ponte Romana?-Medieval sobre o rio Calvo
    Tinhela (calçada; estela funerária na rua da Veiga)
    Alvarelhos (calçada)
    Lama de Ouriço (miliário a Magnêncio, hoje desaparecido; povoado fortificado no Cabeço da Muralha)
    (onde cruza com a Via XVII)
    Valelongo (miliário anepígrafo entretanto deslocado para o exterior dum armazém em Vilarandelo)
    Ervões
    Lamas
    Monsalvarga (miliário anepígrafo na berma da estrada que passa na aldeia; calçada)
    Vassal (fragmento de miliário numa casa particular; povoado no Castro de Cidadonha; segue até à EN206; no Lugar do Regueiral em Sanfins, há uma inscrição rupestre que delimitava os povos Treburi e Obili)
    Argeriz (calçada entre o santuário rupestre de Pias de Mouros e o Castro de Ribas/Alto da Cerca, passando na Ponte do Regato do Pereiro; ara aos Lares Cusicelenses (?) achada no lugar do Couto de Algeriz, CIL II 2469, hoje desaparecida)
    Argemil (seguia talvez por Nozedo e junto do habitat da igreja paroquial de S. João da Corveira, continuando por Sobrado e Rio Bom até Padrela)
    Padrela (nó viário de acesso à região mineira de Três Minas, ver Itinerários Chaves- Rio Douro)

    VIA XVIII - Item alio itinere a BRACARA ASTURICA m. p. CCXV

    Mapa































































    ITINERARIO XVIII (VIA NOVA) - Braga (BRACARA) - Serra do Gerês - Astorga (ASTURICA)   CCXV milhas - 318.5 km
    BRACARA
    SALANIANA
    AQUIS ORIGINIS
    AQUIS QUERQUERNNIS
    GEMINAS
    SALIENTIBUS
    PRAESIDIO
    NEMETOBRIGA
    FORO
    GEMESTARIO
    BERGIDO
    INTERERACONIO FLAVIO
    ASTURICA

    m.p. XXI
    m.p. XVIII
    m.p. XIIII
    m.p. XVI
    m.p. XVIII
    m.p. XVIII
    m.p. XIII
    m.p. XVIIII
    m.p. XVIII
    m.p. XIII
    m.p. XX
    m.p. XXX
    A Geira ou Via Nova, é a via romana melhor preservada em Portugal e, caso único no mundo, conta com mais de 230 miliários ao longo do seu percurso até Astorga. No Itinerário de Antonino apenas é referida a mansio Salaniana em território nacional que seria nas proximidades da aldeia de Travasso na freguesia de Vilar, Terras de Bouro, já que neste local foi encontrado um miliário precisamente indicando a milha XXI. Saindo de Braga a via dirigia-se a Amares depois de atravessar o Rio Cávado e ascendia por patamares suaves até à Portela de Sta. Cruz, onde penetrava no vale do Rio Homem acompanhando as vertentes setentrionais da Serra da Abadia. A partir daqui o traçado é todo feito em altitude, sem subidas ou descidas acentuadas até atingir Covide, onde penetra na Serra do Gerês, percorrendo os seus contrafortes orientais por Campo do Gerês e junto à barragem de Vilarinho das Furnas até atingir a milha 34 na Portela do Homem onde entra em território Espanhol.

    Nos últimos anos, esta via foi alvo de um grande projecto de reabilitação e valorização turística que resultou na sua classificação como Monumento Nacional e à construção do «Museu da Geira Romana» em Campo do Gerês (Terras de Bouro), assim como a sua candidatura a Património da Humanidade; existia um site do projecto VIA NOVA  que foi entretanto desactivado!!!

    Ver aqui uma boa descrição de parte do trajecto.
    Ver aqui os 35 miliários desta via da série do Padre Martins Capela.


    Braga (BRACARA) (um miliário a Adriano que estava também no Campo das Carvalheiras indica CCXV milhas, ou seja a distância total entre Bracara e Asturica pelo que marcaria certamente a milha zero da VIA NOVA, e está de acordo com as 215 milhas indicadas no Itinerário de Antonino, CIL II 4747; está hoje no MDS partido em dois com o nº 190.092 e o nº 67.692; existem outros miliários provenientes do centro urbano que poderão estar relacionados com esta via como é o caso do miliário encontrado na rua de Ns. do Leite ou o da Casa do Passadiço, na rua Francisco Sanches; a via saía pelo extremo nordeste da cidade, talvez pelo largo de S. João do Souto, seguindo junto à grande necrópole da Via Nova, no inicio da Av. Central, onde apareceu também uma ara dedicada aos Lares Viales, continuando pela actual rua dos Chãos rumo à travessia do rio Cávado)
    Areal de Baixo (algures por aqui apareceu um miliário a Constante, hoje no Museu Soares dos Reis no Porto; este miliário, mesmo à saída de Braga, deveria assinalar a milha I)

    Travessia do Rio Cávado (Celadus):
    Como a Ponte do Porto é medieval e não havendo vestígios de uma ponte romana anterior, temos que recorrer à localização dos miliários existentes na zona para identificar o local de travessia. O problema é que estes miliários estão deslocados do seu local original, havendo miliários tanto junto da Ponte do Porto, o miliário da capela de S. Miguel-o-Anjo, como muito mais a poente, o miliário da rotunda do Pilar, ambos convertidos em cruzeiros; no entanto os estudos mais recentes apontam para uma travessia a jusante da Ponte do Porto já na freguesia de Navarra, sendo que Sande Lemos coloca essa travessia na Barca de Ancêde, com uma provável mutatio em Bouça Alta, enquanto Colmenero propõe uma travessia um pouco mais a jusante nas Azenhas de Sta. Marta. Na sua saída de Braga, a via é citada num documento medieval do ano 911 que delimita a antiga diocese de Dume como «in via, quam dicunt de Vereda, qui discurret de Bracara», ou seja pela via que chamam de vereda proveniente de Braga (in PMH DC 17) pelo que é certo que a via passava algures pelos limites de Dume, facto reforçado pelo aparecimento de um miliário a Constante algures em Areal de baixo (hoje no Museu Soares dos Reis no Porto). (vide Colmenero et alii, 2004; Sande Lemos, 2002; Carvalho H., 2008).
    1. Na Barca de Ancêde/Bouça Alta: partindo de Braga, a via seguia a rua dos Chãos e rua de S. Vicente, passa paralela ao cemitério de Monte d'Arcos pela rua do Areal de Baixo (miliário), rua do Areal de Cima, passa a sul do Convento de Montariol, continua pela rua Rafael Bordalo Pinheiro por Cedro e Pinheiro, continua pela rua Hélder Figueiredo, passando junto da capela das Sete Fontes (milha II) e segue pelo estradão de terra junto do Castro de Pedroso, hoje rua da Calçada Romana, até atingir Adaúfe (milha III; villa na Qta. do Avelar; troço lajeado), continua a poente igreja paroquial por Romil, Redondo, Barreiro, Freire e Estrada, onde ficaria a milha IV, continuando por Cortinhal, Souto, Qta. do Coelho, onde seria a milha V, Salgueirinho até ao Lugar do Rio, atravessava o rio Cávado na Barca de Ancêde para Barreiros.
    2. Nas Azenhas de Sta. Marta: seguia a leste da Igreja Sueva de S. Martinho de Dume, construída sobre uma villa romana pelo caminho que passa na Qta. do Igo e em Vila Aldos, continuando depois por Palmeira (citada na mesma delimitação de Dume como Palmaria; calçada do lugar do Assento), indo atravessar o Rio Cávado nas Azenhas de Sta. Marta, subindo na outra margem por Ponte e Paço até entroncar na variante pela Barca de Ancêde em Barreiros, onde há notícia de miliários.
    Barreiros (referência a 4 miliários na Igreja, dois apareceram na Qta. do Agrolongo e um na Qta. da Pena?)
    Carrazedo (miliário a Caro, CIL II 4786, hoje convertido no cruzeiro e marco divisório que está cravado numa rotunda da aldeia do Pilar; ara votiva aos Lares Buricis em Campo da Porta, defronte da igreja, nome talvez na origem das actuais «Terras de Bouro (Alarcão,1999); a via seguia por Pousadas e Paço Velho)

    Campo da Bouça, Frecheiro, Caires (vicus e provável mansio da milha X num sítio conhecido por «Cividade de Biscaia», na base do Castro de Grovos, onde Albano Belino achou um curioso baixo-relevo representado uma figura equestre que Sande Lemos interpretou como um símbolo do Cursus Publicus, ou seja o sistema de correio; dedicatória ao Genius por Sabinius Florus num pedestal de uma estátua proveniente da demolida capela de S. Vicente e hoje na Qta. de Rios de Cima)

    Pela VIA NOVA até à Portela de Sta. Cruz
    Aqui começa um dos mais interessantes troços da Geira Romana; partindo da mutatio na «Cidade de Biscaia» no Campo da Bouça, a via seguia por Tornadouro e Lugar da Geira, contornando o Monte de S. Pedro Fins pela vertente sul, até confluir com a estrada moderna que vai para Paredes Secas, mas antes da descida à povoação, segue em frente pelo estradão de terra com restos ainda visíveis da calçada romana, ascendendo sempre por patamares suaves contornando a meia-encosta o Monte de Sta. Cruz pela sua vertente leste onde vencia a milha XIII junto do vicus e provável mutatio de Mojeje, Vila Cova, cujo nome latino poderia ser Viriocelum atendendo ao pedestal com uma inscrição ao Genius Viriocelensis que está no cemitério de Vilela; segue sempre em calçada até desembocar na estrada asfaltada que vai para a Portela de Sta. Cruz onde vencia a milha XIV.
    • Os miliários foram todos deslocados para as sedes de freguesia, o miliário a Maximino e Máximo proveniente do lugar de Lama/Dornelas, junto da ribeira da Pala, está no adro da igreja paroquial de Paredes Secas e indica 12 milhas pelo que a milha XII era vencida nesse lugar e os miliários da milha XIII que estavam junto da mutatio de Mojeje, estão hoje em Vilela, o miliário a Tito e Domiciano indicando 13 milhas está no adro da igreja e o miliário anepígrafo nas traseiras, no pátio de uma casa particular.

    Portela de Sta. Cruz, Souto (milha XIV; 8 miliários; chegado ao asfalto, segue à direita, passando no largo da aldeia para onde foi deslocado um miliário anepígrafo, e logo a seguir à esquerda pelo estradão de terra junto à placa de término do concelho de Amares e assim entra no vale do rio Homem; logo a seguir aparecem os magníficos 7 miliários da milha XIV na Bouça do Padreiro; continua pelo estradão que passa a asfalto e no desvio para Barral, a via segue à direita para Chão de Cima e Reboredo)
    Lampaças, Balança (milha XV no Bico da Geira ou Cantos da Geira; 4 miliários; miliário a Maximiano indicando 15 milhas, miliário a Caro e outro anepígrafo; 2 miliários desta milha, um a Magnêncio e outro talvez a Carino, estão hoje na C.M. de Terras do Bouro)
    Teixugos, Chorense (milha XVI; miliário a Décio; Colmenero refere mais 3 miliários entretanto desaparecidos, Colmenero et alii, 2004)
    Ribeiro de Cabaninhas, Chorense (milha XVII; 4 miliários a Heliogábalo, Caracala, Décio e Caro; recentemente apareceu um outro miliário a Maximiano)
    S. Sebastião da Geira, Chorense (entronca na estrada que vem de Chorense e segue por Candelo)
    Chã de Vilar, Chorense (milha XVIII em Minério; miliário a Tito e Domiciano in situ indicando 18 milhas; também seria daqui o miliário a Constâncio que está hoje na C.M. de Terras de Bouro; os vestígios de um povoado romano neste local foram associados à mansio SALANIANA, no entanto, a dúvida permanece porque este local está a 18 milhas de Braga e não a 21 milhas, conforme é indicado no I.A. para esta estação, além dos vestígios não sugerirem mais do que uma simples mutatio; atravessa o ribeiro do Urzal e segue pelo Alto do Falanco, Barreiros e Alto do Bustelo)
    Lajedos, Saim (milha XIX; 4 miliários; miliário a Tito e Domiciano onde se pode ler VIA NOVA FACTA e indicando 19 milhas; miliário a Caracala fragmentado; miliário anepígrafo deslocado para a aldeia de Moimenta Nova onde suporte uma varanda junto à igreja; seria desta milha um miliário anepígrafo que hoje está na C.M. de Terras de Bouro)
    Podrigueiras, Saim (milha XX junto ao Penedo dos Ladrões; 2 miliários, um a Carino e outro a Adriano indicando XX milhas; atravessa o ribeiro da Pala da Porca)

    SALANIANA, mansio a 21 milhas de Bracara Augusta, deveria situar-se na zona de Travasso pois aqui apareceram 2 miliários in situ, um miliário a Heliogábalo indicando precisamente 21 milhas a Braga, CIL II 4805 e o miliário a Caro, CIL II 278; desconhece-se o local exacto da mansio, mas há povoados romanos nas proximidades, no lugar do Pontido a leste e no lugar de Chã de Vilar, 3 milhas a sul.

    Travasso, Vilar (milha XXI na Pontelha da Geira; daqui segue por Espigão e passa a ribeira do Fojo)
    Ervosa, Santa Comba, Chamoim (milha XXII; 2 miliários in situ, um a Carino e outro a Adriano indicando precisamente a milha 22, CIL II 4806; um terceiro miliário foi levado daqui e transformado no cruzeiro que está defronte da igreja paroquial de Chamoim em Lagoa)
    Esporões, Chamoim (milha XXIII; 4 miliários; miliário a Tácito, miliário talvez a Juliano e 2 miliários anepígrafos; há referências a um miliário a Adriano, e outro a Constâncio II desaparecidos)
    Padrós (milha XXIV no caminho para Cabaninhas; miliário a Maximino e Máximo; referência a mais 4 miliários desaparecidos; cruza com a EN307 e segue entre esta e o ribeiro da Roda até Sá onde reencontra a EN307)
    , Covide (milha XXV; miliário a Décio transformado em cruzeiro enterrado invertido à entrada da povoação; a via continua para Covide pela estrada actual, EN307 até Covide)
    Covide (miliário a Décio na rua da Carreira, CIL II 4812, como pilar de um alpendre de uma casa, mas proveniente da milha XXVI em Várzeas, e logo depois no Outeiro do Rei, um miliário a Adriano já sem inscrição e transformado em cruzeiro; pelo caminho da Junceda chega-se ao ainda mais antigo Castro da Calcedónia; à entrada da aldeia a via continuava pela estrada de terra que passa no lugar do Monte)
    Várzeas, Jeirinha, Covide (milha XXVI; miliário a Constâncio I Cloro aparecido no Campo do Saganho; a via atravessa a Veiga da Santa Eufémia, passa a milha no lugar das Várzeas e segue o ribeiro até confluir na EN307)
    Costa do Cruzeiro (milha XXVII na Carvalheira; miliário a Magnêncio indicando a milha 27 na berma esquerda da estrada na linha que separa Covide de Campo do Gerês, cruzando a EM533; referência a um miliário a Tito e Domiciano desaparecido)
    Cruzeiro de S. João do Campo, Campo do Gerês (a base do cruzeiro é um Miliário a Décio indicando também a milha 27 pelo que foi deslocado da Costa do Cruzeiro/Carvalheira; há ainda referência a um outro miliário a Vespasiano, CIL II 4814, que indicava também 27 milhas, hoje desaparecido; a via continuava pela estrada actual e um pouco mais à frente aparece outro miliário ilegível na berma direita)

    Leira dos Padrões, Campo do Gerês (milha XXVIII no sítio da Leira dos Padrões, nas traseiras da igreja; provável mutatio de apoio à via no lugar do Sagrado ou Adro Velho em Veiga de S. João, onde se achou uma ara votiva dedicada à divindade indígena Ocaere; existe um miliário a Caro dentro do jardim de uma casa particular à entrada da povoação; fragmento de um miliário indicando a milha 28 e outro miliário anepígrafo encastrados em paredes de casas da aldeia; fragmento de miliário na Leira do Cotelo, no lugar do Porto do Carro a norte da aldeia; Argote refere um miliário a Magnêncio neste local e em 1728 o Pe. Matos Ferreira mencionou mais 2 miliários neste local, todos desaparecidos; a via continua pela estrada actual em direcção a Vilarinho das Furnas e antes de descer à barragem segue à direita pelo estradão de terra actual que foi construído a uma cota superior devido à construção da barragem que deixou a via submersa)

    Bouça do Gavião (milha XXIX em Padrões da Cal; 13 miliários; como a via ficou submersa, foram deslocados para Sarilhão na estrada actual)
    Bouça da Mó (milha XXX; 2 miliários e recentemente apareceu mais um miliário a Maximiano; provável mutatio na margem esquerda do ribeiro da Mó)
    Bico da Geira (milha XXXI; 21 miliários junto ao ribeiro do Pedredo; vestígios da antiga pedreira que serviu para o fabrico dos miliários)
    Volta do Covo (milha XXXII; 22 miliários, a Adriano, Maximino e Máximo, Caro, Magnêncio, etc.)
    Ponte Romana sobre a ribeira de Maceira (só vestígios; 1 arco)
    Ponte Romana sobre a ribeira do Forno (só vestígios; 1 arco)
    Albergaria (milha XXXIII; 20 miliários)
    Ponte Romana de Albergaria/Ponte Feia sobre a ribeira de Leonte (da ponte em ruínas a via segue entre o rio Homem e a estrada actual)
    Ponte Romana sobre a ribeira de Monsão (só vestígios)
    Ponte Romana de S. Miguel sobre o rio Homem (a via segue até à estrada nova na Cruz do Pinheiro)

    Portela do Homem (milha XXXIV; 9 miliários, a Caracala, Tito, Décio, Domiciano, Magnêncio, Maximino e Máximo, Nerva e Adriano, um dos quais indica reparações da via na frase vias et pontes temporis vetustate conlapsos restituerunt; talvez fosse a fronteira entre os Bracari e os Quarquerni; ver a discussão do traçado neste ponto)
    Lama do Picón, Parque do Xurés, Lobios (milha XXXV; 9 miliários deslocados para uma zona de recreio junto à estrada actual; no sítio original da milha resta um miliário)

    Continuando em direcção a Astorga:
    Entra na Galiza e desce ao vale do rio Caldo, continuando por Torneiros, Vila Meã, seguindo a margem esquerda do rio Lima até AQUIS ORIGINIS a segunda mansio referida no Itinerário de Antonino que fica em Baños del Rio Caldo (Lobios). Na sua rota até Astorga, a VIA NOVA tinha as seguintes estações ou mansiones.
    Baños del Rio Caldo (AQUIS ORIGINIS) (miliário da milha XXXIX, 39)
    Ponte Romana Pedriña sobre o rio Lima (submersa pela albufeira das Conchas; um pouco mais à frente uma derivação ligava a Lugo)
    Baños de Bande (AQUIS QUERQUERNNIS) (miliário da milha LIII, 53; o miliário da milha 51 está na Igreja Visigótica de Sta. Comba de Bande como pia baptismal)
    Sandiás (GEMINAS) (milha LXIX; miliários em Vilariño das Poldras e Zadagos, este na milha LXXI)
    Xinzo da Costa, Xinzo (SALIENTIBUS; milha LXXXVII, 87)
    Vilamaior, Castro Caldelas (possível localização de PRAESIDIO; junto à Igreja; milha CV)
    Pobra de Tivres (NEMETOBRIGA em Mendoia; milha CXVIII, 118)
    Ponte Romana de Bibei (magnífica construção romana; os miliários indicam 84 milhas a Astorga, ou seja 131 milhas a Braga)
    Pobra, Valdeorras (FORO) (milha CXXXVII, 137)
    Portela de Aguiar (GEMESTARIO) (Vale do rio Sil; milha CLV, 155)
    Cacabelos (BERGIDO), El Bierzo (junto ao cemitério; milha CLXVIII, 168)
    Ponferrada (Exploração mineira «Las Médulas», património mundial)
    Bembibre (INTERERACONIO FLAVIO) (atravessa os Montes de León; milha CLXXXVIII, 188)
    Astorga (ASTURICA AUGUSTA) (total percorrido CCXV milhas, ou seja 318 km desde Braga)

    VIA XX - Item per loca maritima a BRACARA ASTURICAM usque

    Mapa










    ITINERARIO XIX - Braga (BRACARA) - Lugo (LUCUS) - Astorga (ASTURICA) per loca maritima
    BRACARA
    AQUIS CELENIS
    VICO SPACORUM
    AD DUOS PONTES
    GLANDIMIRO
    TRIGONDO
    BRIGANTIUM
    CARANICO
    LUCO AUGUSTI
    TIMALINO
    PONTE NEVIAE
    UTTARI
    BERGIDO
    ASTURICA

    m.p. CLXV
    stadia CXCV
    stadia CL
    stadia CLXXX
    m.p. XXII
    m.p. XXX
    m.p. XVIII
    m.p. XVII
    m.p. XXII
    m.p. XII
    m.p. XX
    m.p. XVI
    m.p. L
    Ao cognominar este itinerário de per loca maritima, o Itinerário de Antonino sugere uma rota por via marítima. Para além do nome, há outra pista neste itinerário que reforça esta teoria quando indica as distâncias a partir de Aquis Celenis não em milhas mas em Stadia (um estádio equivale a 184.7 m) que era uma unidade habitualmente usada em trajectos marítimos ou fluviais (Mantas, 1997). Assim, a partir de Aquis Celenis o itinerário seguiria por via marítima com paragens nos portos de Vico Spacorum, Ad Duos Pontes e Glandimiro, tomando depois novamente a via terrestre em direcção a Lucus Augusti (Lugo), onde reencontra a Via XIX, seguindo depois por percurso comum até Asturica. Seria muito provavelmente uma via comercial, para transporte de mercadorias pesadas, o que é uma notável demonstração da organização económica na era romana. O percurso inicial em território português é alvo de grande controvérsia sem que se tenha chegado ainda a um consenso definitivo. A primeira hipótese é admitir um percurso comum à Via Romana XIX até Aquis Celenis, tendo por essa razão o itinerário omitido as estações iniciais em território nacional. Este facto não é caso único no Itinerário de Antonino que omite por exemplo as estações iniciais entre Lisboa e Santarém quando descreve o Itinerário XIV Lisboa-Mérida pois estas estão já indicadas tanto no Itinerário XV como no Itinerário XVI. Mas esta hipótese tem o problema da falta de consistência entre a distância indicada neste itinerário, 165 milhas (cerca de 244 km) e o somatório das distâncias intermédias do Itinerário XIX até Aquis Celenis que perfaz um total de 99 milhas (cerca de 147 km). Sendo assim, não é possível descartar completamente um percurso alternativo em território Português quer seja por via terrestre quer fluvial.

    No entanto, até hoje não foi encontrado nenhum miliário que possa ser atribuído a esta via, o que tira consistência à hipótese de uma rota terrestre, até porque todas as outras vias que partiam de Braga estão pontuadas por inúmeros miliários ao longo do seu percurso. O miliário de Chamosinhos que apareceu num quinteiro da Igreja de S. Pedro da Torre e que muitos autores atribuem a esta via, é na verdade um miliário deslocado do Itinerário XIX que passa a apenas 6 km de Chamosinhos, e como indica 36 milhas a Braga, o seu local original seria junto a capela de S. Miguel em Fontoura local onde comprovadamente a Via XIX vencia a milha 36. Assim, resta a alternativa fluvial que partindo do porto fluvial de Braga em Areias de Vilar seguia depois o curso navegável do rio Cávado até à sua foz em Esposende, seguindo depois por via marítima até Aquis Celenis. Apesar da aparente inexistência de uma via militar pelo litoral Português, existem muitos itinerários romanos nesta região que estão descritos abaixo. (vide Almeida CAF, 1968, 1969; Almeida CAB, 1979, 1980, 1986, 1996; Maside, 2001)

    de Braga a Areias de Vilar
    Braga (partindo do forum no Largo Paulo Orósio, seguia a decumanus aproximadamente pela rua de S. Sebastião, seguindo depois à esquerda pela rua Direita, passando entre o Anfiteatro e a Necrópole de Maximinos, seguindo depois pela rua Padre Cruz, rua da Naia, antiga calçada no lugar de Ferreiros)
    Cabreiros (segue pelo sopé do Castro do Monte das Caldas, por Venda e Pousada até Porto Martim)
    Martim (villa na Igreja; provável mansio; Almeida CAF, 1972a)
    Encourados (villa? na Casa do Adro em Assento; desvia por Vilarinho; tegulae nas capelas de Sta. Maria Madalena e de S. Sebastião)
    Areias de Vilar (calçada; ara na Igreja de S. João Baptista, provavelmente proveniente do vicus em Aveleiras)

    Alternativas a partir de Areias de Vilar:
    • Seguir por via fluvial ao longo do rio Cávado até à sua foz entre Fão e Esposende para depois rumar à Galiza por mar.
    • Seguir por hipotética via terrestre ao longo do rio Cávado até Fão, cruzando sucessivamente as vias N-S que corriam rumo a Tudae, primeiro a via proveniente de Famalicão em Sta. Eugénia do Rio Covo e a via proveniente de Cale, a karraria antiqua na Barca do Lago, já próximo da sua foz.
    • Rumar a norte em direcção a Ponte de Lima, atravessando o rio Cávado na Bouça do Barco ou no Vau de Manhente, seguindo depois pela Ponte do Anhel sobre o rio Neiva, itinerário descrito abaixo.

    de Areias de Vilar a Ponte de Lima pela Ponte de Anhel
    É provável que da travessia do Cávado no vau de Areias de Vilar/Manhente partisse uma via romana rumo a Ponte de Lima atravessando o rio Neiva na Ponte do Anhel, via denunciada pelo povoamento romano ao longo do seu trajecto e pelas várias referências toponímicas como «pousada», «breia» e «fonte da breia»; partindo de Manhente (Assento), seguiria algures por Sta. Maria de Galegos e Roriz, passando no sopé da Citânia de Roriz/Cidade de Canhoane da Alto do Facho (topónimo «Breia» em Quiraz; tégula na igreja de Roriz e na igreja S. Pedro de Alvito; em S. Martinho de Alvito, ara Eberonius e ara a Bandue, num pilar do lagar da casa paroquial), continuando por Alheira (atalaia em S. Lourenço; povoado no Monte de Lousado; topónimo «Fonte da Breia»), para ir atravessar o rio Neiva junto da Ponte Medieval de Anhel, seguindo depois um traçado próximo da EN306 por Friastelas (Castro romanizado do Calvário) até Ponte de Lima.

    da Barca do Lago ao Vale do Lima pela Ponte de Fragoso
    Itinerário que deriva da karraria antiqua/via veteris após a travessia do rio Cávado na Barca do Lago, seguindo na direcção NE rumo ao rio Lima; esta rota contornava o planalto de Vila Chã, seguia junto do Castro de Palme e do Monte Castro em Aldreu para fazer a travessia do Neiva na Ponte Medieval de Fragoso (passa nos topónimos viários Breia e Estrada), continuando depois por Portela de Susã (Igreja e Paçô), Subportela (passaria no sopé da vertente leste do castro romanizado do Santinho ou de Roques e pelo habitat em Paço), Deocriste (no sopé da Sra. do Castro por Igreja e Aldeia), Deão (villa na igreja paroquial, no sopé da Cividade de Deião) até Moreira de Geraz do Lima, onde atravesava o rio Lima no sítio da Passagem, entre Qta. da Torre e o sítio romano de Vila Mou (Almeida CAF 1968: 36; Almeida CAB 2003: 336).
    Vila Mou (nó viário; importante vicus no Monte da Cividade relacionado com as explorações de estanho em Rasas e Mata; ara votiva a Júpiter colocada por Rufus Grovius, inscrição a Victoria, fustes de colunas e capitéis; villa tardo-romano no sítio do Passal; na vizinha freguesia de Lanheses temos o povoado da Suvidade e minas de estanho em Cova Alta/Olas e Alto da Mouras, e minas de ouro em Bouça do Moisés)
    • Ligação da Ponte do Fragoso/Neiva a Viana do Castelo: via hipotética seguindo por Alvarães e Vila de Punhe (no vale da vertente oeste do castro romanizado do Cotorinho, passando em Igreja, Qta. da Portela e Sabariz), seguindo depois algures por Darque até Viana.
    • Ligação da Vila de Mou a Caminha pela Ponte de Tourim: via hipotética por S. Paio de Meixedo (minas romanas de ouro e estanho em Vale das Covas e Mata das Cortas), Vilar de Murteda (minas romanas de ouro e estanho em Folgadouro e Bouça da Breia, topónimo viário), Amonde (casal na encosta do Alto das Folgueiras; seria mutatio?; passa no sopé do castro romanizado do Alto da Coroa, cruzando o rio Âncora na Ponte de Tourim, talvez continuando por Orbacém, Gondar, Azevedo (por Paço) e Venade (castro romanizado no Alto do Coto da Pena, Vilarelho) até Caminha.
    • Ligação de Caminha a Valença: o caminho medieval de Caminha a Valença pela costa poderá ter origem romana, atendendo aos vestígios ao longo do seu percurso, relacionados com a exploração dos recursos marinhos, agrícolas e mineiros; a via seguia por Argela e Sopo (na base do castro romanizado do Monte de Góis), continuava por Vila Nova de Cerveira e Lovelhe (castro romanizado do Forte de Lobelhe, provável vicus portuário tardo-romano, porto fluvial do Rio Minho para escoamento do minério de estanho extraído da mina romana do Couço do Monte Furado em Covas; espólio na C.M. de Cerveira), seguia por S. Pedro da Torre (passando nas pontes medievais da ribeira de Ínsuas e da ribeira de Mira), continuando por Cristêlo-Côvo até Valença, onde entronca na VIA XIX.

    de Famalicão a Barcelos
    Estrada medieval entre Famalicão e Barcelos com possível origem romana atendendo às referências a uma «karraria antiqua» e «estrata de vereda» num documento do ano 906 que delimita a «villa» de Sta. Eulália (in PMH DC 13), actualmente a freguesia de Sta. Eulália do Rio Covo, com vestígios de um provável vicus em torno da capela da Sra. de Águas Santas, alusão à fonte de águas medicinais que ali existe que foi estação termal na época romana e medieval (Almeida, 1968); o documento refere uma ou mais «carreiras antigas» que deverão corresponder a vias romanas, nomeadamente a que seguia directo à igreja, mas é difícil identificar os topónimos referidos e logo a localização da via; atendendo ao terreno é possível que a via principal para Barcelos seguisse junto dos cabeços da montanha entre o Monte da Saia e o Monte de Maio, por onde descia ao Cávado; partindo de Famalicão, a via poderia atravessar o rio Este próximo de Cavalões, seguindo depois por Minhotães (na igreja apareceu uma ara votiva à divindade Aecus Rougiavesucus, hoje no Museu Pio XII), Viatodos (por Souto, Montinho e Qta. da Fonte Velha) e Monte de Fralães (passando na vertente nascente do importante Castro romanizado do Monte da Saia/Cividade do Lenteiro; possível villa em Paço e na Qta. da Honra de Fralães apareceu uma lápide de um legionário, hoje no MSMS com o nº 43), continua por Carvalhos (EN306-1 até S. Martinho, onde inflecte para norte passando a nascente da EM505 e da hospedaria medieval na Igreja de S. Tiago em Torre de Moldes), Remelhe (segue o caminho rural que passa em Naia, Qta. do Perdigão, traseiras da Qta. do Paranho, capela de Sta. Cruz e alturas de Portela, na vertente poente do Alto da Vaia), descendo depois pelo Alto de Maio até ao Cávado, pela vertente poente a Barcelinhos ou pela vertente nascente pelo caminho que passa por Qta. da Torre, Vilarinho e Sta. Cruz até Sta. Eugénia do Rio Covo.

    de Barcelos a Ponte de Lima pelo Vale da Facha
    Esta importante estrada medieval deveria ser uma via secundária na época romana, dados os imensos vestígios ao longo do seu trajecto, interligando o vale do Cávado ao vale do Lima, percorrendo o Vale da Facha num traçado próximo da EN204 até Ponte de Lima. (Almeida, 1990, 1996, 2003; Brochado, 2004). Partindo da travessia do rio Cávado a jusante de Barcelos, a via ia atravessar o rio Neiva no local da Ponte Medieval das Tábuas (ponte já mencionada num documento do ano 1135) e seguia pelo Vale da Facha até à Correlhã, onde se achou um miliário muito provavelmente deslocado da Via XIX que não passa longe, podendo indicar o ponto onde esta via secundária confluía na Via Romana IV entre Bracara Augusta e Lucus Augusti.

    Barcelos (seguia talvez para Abade de Neiva por Breia e junto da villa da Qta. do Castelo, milha II?, na base do Castro romanizado do Monte Facho/Alto da Torre)
    St. Leocádia de Tamel (na Igreja, milha III?)
    Carapeços (seguindo pela vertente nascente do Monte de Tamel por Caride/Igreja e Minhotas)
    Tamel/S. Pedro de Fins (milha V?; passa junto da igreja, na base do Castro romanizado da Picarreira e próximo do habitat de Souto do Rato, continua pela Sra. da Portela/Portela de Tamel, Mourisca e Giestal, passando assim na base do Castro de S. Simão, o «mons cossoirado» citada num documento de 1064 que refere também a karraria antiqua que ali passava (in PMH DC 443)
    Ponte Medieval das Tábuas sobre o rio Neiva (mamoa e povoado na Bouça da Mó; milha VIII?)
    Balugães (milha IX?; segue a meia-encosta do monte da Citânia de Carmona, o castro mais importante do Vale do Neiva, passando junto da Sra. da Aparecida, por Qta. das Giestas, Calçada, Laje, Fonte da Cal, Peneda, base da capela de S. Martinho e Mó; )
    Poiares (milha X?; segue na rota da EN204, a poente da povoação pela vertente nascente da Serra da Padela, passando em Lajes e junto da quinta agrícola romana do Sabugueiro)
    Vitorino de Piães (milha XII?; passa junto do povoado de S. Simão e do Cresto, na base dos castros de Alto das Valadas e Trás de Cidade)
    Portela, Facha (milha XIII?; retoma a EN204, saindo pouco metros depois à esquerda para Albergaria)
    Maria Velha, Facha (milha XIV?; provável mutatio localizada junto da bifurcação da via)
    • Diverticulum pela Sra. da Rocha: junto da mutatio em Maria Velha, derivava um ramal que seguia pela margem esquerda do rio Tinto, EM1259, passando junto da necrópole do Paço Novo, relacionada com a villa tardo-romana de Paço Velho (a cerca de 200 m) e na base do castro romanizado de St. Estevão/Sra. da Rocha, seguindo depois pela Corredoura e Qta. da Pousada até Vitorino das Donas, rumo à travessia do rio Lima no lugar da Barca, podendo continuar para norte ao longo da margem direita da ribeira de Estorãos por Arcos (passando nos sítios romanos da Qta. da Laje, Qta. dos Pentieiros e mina de Casais) e Estorãos (na igreja paroquial apareceu uma ara dedicada ao Genio Tiaurauceaico por uma originária de Talabriga, hoje no MNA, proveniente talvez do povoado da Bouça do Castro), continuando pela Ponte do Arquinho em Pica e Breia rumo a Portela de Cabração (topónimo Poldras), seguindo de encontro à Via XIX, na zona entre Romarigães e Coura.

    Facha (a via continua a poente da EN204 pelo «Caminho de Santiago», com vestígios de tégula de um lado e do outro da estrada em Juncal, Cividade, Frei, Lourinho e Forno, passa na capela de S. Sebastião e junto da villa do Prazil, talvez a milha XV pois fica a 1 milha de Maria Velha, com vestígos de tégula em Mende, Mangas, Telheiro e Tiandes, continuando até Sobreiro, milha XVI?)
    Correlhã (segue junto do Castro romano do Eirado/Anta, milha XVII?, Tesido, villa do Paço/Travasselas, Pregal, Castro romanizado de S. João, possível mutatio antes do rio Trovela, talvez na milha XVIII; depois de cruzar o rio Trovela, junto do Castro romanizado da Ns. da Conceição, seguindo depois por Sta. Luzia)
    Ponte de Lima (a 20 milhas de Barcelos; conflui com a VIA XIX proveniente de Braga)

    Via BRACARA AUGUSTA ad AUGUSTA EMERITA

    Mapa









    Braga (BRACARA) - Freixo (TONGOBRIGA) - Idanha-a-Velha (IGAEDIS) - Mérida (EMERITA)
    Embora ligue dois importantes centros urbanos, este itinerário não vem mencionado no Itinerário de Antonino o que tem colocado muitas dificuldades no levantamento do seu percurso. Na verdade não é seguro que existisse uma via imperial ligando as duas cidades dada a dificuldade em definir um percurso pelo caminho mais curto que teria necessariamente de fazer a sempre difícil transposição do rio Douro em Lamego e uma difícil ligação à Guarda rumo à Ponte de Alcântara, contornando assim pelo nordeste o grande maciço da Estrela; em alternativa, a via seguia primeiro a Viseu inflectindo daqui para nascente pela comprovada via romana proveniente de Talabriga que ia atravessar a Serra da Estrela em Folgosinho; no entanto, os escassos vestígios de vias a sul do Douro só dificilmente poderão ser atribuíveis a uma via desta importância, seja na variante pela Guarda quer por Viseu. Perante estas incertezas, o itinerário proposto tenta agregar de forma coerente os diversos troços existentes. O problema começa logo depois de Braga na passagem do rio Vizela com 3 pontes possivelmente de origem romana e complica-se ainda mais na travessia do Douro que sendo uma zona intensamente romanizada e num terreno difícil, contém uma grande diversidade de itinerários, não se sabendo se algum deles seria a via principal para Mérida, caso existisse essa distinção. Existem apenas quatro miliários a norte do Douro relacionados com esta via, tendo um aparecido em S. Martinho de Sande, atestando a passagem da via por Guimarães, e já próximo do Douro, os miliários relacionados com a cidade romana de Tongobriga em Marco de Canaveses, com exemplares em Tuías, Freixo, Soalhães e Carreirinha, pontuando o percurso rumo ao rio Douro. Os traçados a sul do Douro são ainda mais obscuros, dada a ausência de miliários, podendo seguir para Viseu, o principal nó viário das Beiras, mas destes caminhos são raros os vestígios, a não ser já próximo de Viseu; a partir daqui a via seguia por Mangualde rumo à Serra da Estrela, percurso pontuado por vários miliários, transpondo a serra pelo caminho que vai de Folgosinho a Famalicão da Serra, já na sua vertente leste. A partir daqui a abundância de calçadas e miliários torna o percurso mais claro, seguindo por Belmonte (Centum Cellae e Qta. da Fórnea) rumo a Idanha-a-Velha e à splendidissima Ponte Romana de Alcântara, o grande monumento viário da Hispânia romana ainda de pé, onde fazia a travessia do rio Tejo, seguindo depois rumo a Mérida. Na hipótese de o trajecto principal seguir por Lamego directo à Guarda (Póvoa do Mileu), a via passava pela vertente nascente da Serra da Estrela rumo a Belmonte, onde confluía com a via proveniente de Viseu. Para ultrapassar estas muitas incertezas o itinerário é apresentado por troços: de Braga a Viseu por Tongobriga, Viseu a Famalicão da Serra (transpondo a Serra da Estrela) e finalmente de Famalicão da Serra a Mérida (Dias, 1987, 1996, 1997, 1998)

    Braga (Bracara) - Guimarães
    Braga (BRACARA AUGUSTA) (a via sairia pela porta sudeste da cidade próximo da Necrópole da Rodovia ou da Necrópole de S. Lázaro na zona da actual Qta. do Fujacal para Fraião que equivale hoje aproximadamente a um trajecto pela Av. da Liberdade e EN309)
    Serra da Falperra (Castro romanizado do Monte de Sta. Marta das Cortiças; ainda não é claro se a via contornava a serra pela vertente sul, como a actual EN101 ou se cortava a serrania subindo por Portela e descendo por Entre-Águas e Carreira)
    Balazar (pela rua da Carreira, rua da Corredoura, rua Póvoas e rua Velha)
    S. Lourenço de Sande (do sítio «Estrada Velha», seguia por Lapa, passa junto da sepultura dos Quatro Irmãos e atravessa a ribeira de Paus no lugar das Pontes)
    S. Martinho de Sande (na casa paroquial apareceu o miliário a Trajano? talvez a milha XVIII, hoje no MSMS com o nº 78; a mutatio poderia ser um pouco antes, em Quatro Irmãos, antiga estação viária; passa o rio em Pontes e segue por Lameiras e Alvite)
    Caldas das Taipas, Caldelas (vicus termal e viário; calçada; ver importante inscrição na Ara de Trajano)
    Travessia do rio Ave (Avo) (na zona da Ponte das Taipas ou mais a jusante na Ponte de Campelos; continuar pela EN101)
    S. João da Ponte (calçada no Monte da Ínsua; ara votiva às Ninfas)
    Ponte Romana?-Medieval de Roldes, Caneiros, Fermentões sobre a ribeira do Selho (a montante da ponte nova na EN101)

    Guimarães (na idade média entrava pela Porta de Sta. Luzia ou Porta de S. Bento)
      O Museu Martins Sarmento guarda, além do referido miliário de S. Martinho de Sande, mais 5 miliários encontrados perto de Braga, os 2 miliários pertencentes à Via XIX - Braga-Valença da Ponte do Prado, nº 77, o miliário da Qta. de Germil, nº 82, e ainda mais 3 miliários oriundos da Qta. do Cravinho em Braga, local onde foram agrupados pelo que não se sabe a que via pertenciam: o miliário a Caracala e Cómodo, nº 79, o miliário a Constantino I, regravado por Constâncio II, indicando 36 milhas, nº 80, e finalmente o miliário a Valentiniano e Valente, nº 81).

    Outras Vias que partiam de Guimarães
    A partir de Guimarães o traçado da via principal para Mérida não está identificado devido à complexidade da rede viária nesta região. A existência de 3 pontes sobre o rio Vizela com provável origem romana (S. Martinho do Campo, Caldas de Vizela e Vila Fria) indiciam 3 possíveis traçados em direcção ao rio Douro, mas atendendo à importância da civitas Tongobriga em Marco de Canaveses, é mais plausível que a via principal seguisse por aí em direcção ao rio Douro, trajecto aliás pontuado por alguns miliários. No entanto é provável a existência de ligações a Cale, itinerário descrito na Via Vimaranes a partir do Porto, a Magnetum em Meinedo e daqui à civitas Anegia, assim citada na documentação medieval, hoje lo Monte da Cividade em Eja (em Entre-os-Rios, na foz do rio Tâmega, a Villa Banius no ano 1047, in PMH DC 357) onde poderia fazer a travessia do rio Douro. Também deveria existir uma ligação pelo vale de Paços de Ferreira (habitat em Quintãs) até talvez ao Castro romanizado do Muro em Vandoma, entroncando assim na Via Cale - Tongobriga por Valongo. Também é possível que a via medieval que ligava Guimarães a Vila do Conde tivesse origem romana, saindo pela Porta de S. Domingos indo atravessar o rio Selho na Ponte da Pisca em Creixomil (inscrição funerária, CIL II 5554) rumando depois à Ponte Medieval de Serves em Gondar, permitindo o transporte de mercadorias de e para o litoral.

      de Guimarães à Ponte de Negrelos em S. Martinho do Campo
      Na idade média saía de Guimarães pela Porta da Torre Velha, passava junto a S. Francisco e aos Pelames, seguindo depois aproximadamente a EN105 por Nespereira e Conde, desviando ao km 36 pela rua das Paredes Alagadas e rua da Ponte para ir atravessar o rio Vizela na Ponte Romana de Negrelos, São Martinho do Campo (reconstruída com muito material romano, em particular nos arcos onde são visíveis marcas de fórfex; na Igreja apareceu uma ara dedicada à divindade aquática ABNE, hoje no MSMS com o nº 19)

      Vias partindo da Ponte de Negrelos:
      • Rumo a sudoeste em direcção a Cale, passando próximo da Citânia de Sanfins e do Monte Córdova, itinerário descrito no Itinerário Porto-Guimarães.
      • Rumo a sudeste em direcção a Lousada, seguindo por Vilarinho (tesouro), Burreiros, Costeira, Mosteiro, Estrada, Paradela e Lustosa, onde entronca no Itinerário Guimarães-Vizela-Meinedo.
      • Rumo a Paredes e Castro de Vandoma, de encontro à Via Cale - Tongobriga, seguindo para sul por Arnozela, Escorregoura e S. Mamede de Negrelos, passa na vertente leste do Castro do Monte do Socorro por Portelas, Lamoso (ara votiva a Turiaco na igreja paroquial, hoje no Museu de Sanfins; dólmen; pela rua do Progresso e da Corredoura, cruza a EM513-4 em Vista Alegre), Eiriz (segue por Adosinde entre os rios Eiriz e Carvalhosa e próximo da necrópole de Isqueiros; rua da Boavista, Cales), Meixomil (necrópole em Bouçós/Devesa Grande, na base dos Castros da Vila e de Busto), segue por Marco e atravessa o rio Eiriz em Sobrão e continua para Frazão (povoado no lugar do Crasto, hoje São Brás, com necrópoles em Santa Maria Alta, S. Brás e Boavista), atravessa o Rio Ferreira na Ponte de Vila Boa da Arreigada (rua dos Ferradores e da Calçada) e segue para Paredes por S. Martinho e Aboim (topónimo rua da Ponte Romana).
      • Rumo a Baltar por Paços de Ferreira, rota medieval com possível origem romana, desviando da anterior para Codessos, Raimonda (Povoado de S. Pedro), Figueiró, Freamunde, a leste de Paços de Ferreira (junto do povoado de S. Domingos), continuando por Sobrosa, Cristelo, Vila Cova de Carros até entroncar na Via Cale - Tongobriga em Baltar.

      de Guimarães a Meinedo (Magnetum) pela Ponte de Vizela (Oculis Caldarum)
      Este itinerário faz a travessia do rio Ave na chamada «Ponte Romana» de Vizela, junto do vicus Oculis Caldarum que apesar da sua configuração medieval teria origem numa anterior romana; o itinerário continua pelo concelho de Lousada rumo ao importante vicus de Magnetum situado junto a Meinedo, antiga sede de um bispado suévico, descendo depois em direcção à travessia do rio Douro em Eja/Entre-os-Rios passando junto do importante Castro Romano do Monte Mozinho ou seguir na direcção de Tongobriga no Marco de Canaveses. Esta via foi recentemente revista por Luís Sousa (2012) no seu artigo Eixo Viário Romano Oculis -Tongobriga: sua presença no Concelho de Lousada. (vide Sousa, 2012; Mendes-Pinto, 2008)

      Guimarães (seguia uma rota próxima da EN106, seguindo talvez pela Bouça da Quinta, na base do povoado do Monte da Polvoreira/Monte de Lijó, seguindo depois por Infias, onde há o topónimo Qta. da Carreira, seguindo depois a meia encosta pelas ruas do Caniço, do Carvalhal, das Veigas, do Bacelo e da Vinha atendendo à inscrição votiva ao Genius Laquiniensis, hoje no MSMS com o nº 36 que apareceu na rua do Aidro junto do lugar de Sub Carreira, topónimo viário que denuncia a passagem da via, passando na base da Igreja de S. Miguel junto do cemitério até desembocar na zona urbana de Vizela)
      Caldas de Vizela (OCULIS CALDARUM) (vicus termal e viário; duas inscrições denunciam o culto à divindade termal Bormanicus, uma proveniente da Lameira, actual Praça da República, hoje no MSMS com o nº 76, e outra do Banho do Médico em Mourisco, também no MSMS com o nº 22; duas inscrições votivas a Júpiter e uma inscrição já desaparecido proveniente da Qta. do Sobrado que era dedicada a várias divindades entre elas Mercúrio; lápide votiva às Nymphis lupianis achada em Tagilde, a divindade aquática de Lupianae)
      Ponte Romana?-Medieval de Vizela sobre o rio Vizela (31 m; o arco na parte seca poderia fazer parte da construção romana (Almeida CAF, 1968); segue pela rua Joaquim Sousa Oliveira até Cruz Caída onde entronca na EN106)
      Sta. Eulália de Barrosas (segue +- a EN106 pela Portela; necrópoles no lugar da Senra e em Rielho; ara votivas em Qta. de Sá, Rielho e Santa Eulália, esta dedicada à divindade Castaecis)
      Lustosa (passa a leste do castro de São Gonçalo)
      Sousela (segue ao longo da vertente poente da Serra de Campelos, pelo caminho em terra da Boca da Ribeira até à capela de S. Cristóvão, onde apareceu uma ara, continua em asfalto pela rua do Bretelo, rua da Boucinha, rua da Soeira, rumo à Igreja de Sousela)
      Travessia do rio Mezio (junto da provável villa da Qta. de Eira Vedra, onde apareceu uma estela funerária)
      Covas
      Ordem (pelo lugar de Servecia)
      Cristelos (junto do Castro de S. Domingos; Casa romana junto da EM1132, a meia encosta da vertente sudeste)
      Boim (forno em Irmeiro)
      Travessia do Rio Sousa na Ponte Romana?-Medieval de Espindo (calçada próximo com 100m)
      Meinedo (MAGNETUM), Lousada (o vicus estendia-se por Casais, igreja paroquial e Qta. dos Padrões, junto da estação C.F.)

      de Meinedo (Magnetum) até Freixo (TONGOBRIGA)
      Meinedo (continuação do itinerário anterior a partir da travessia do rio Sousa em Espindo)
      Santa Marta (necrópole no lugar da Estrada a nordeste do Castro)
      Ponte Romana?-Medieval de Santa Marta sobre o rio Cavalum (na EN589 ao lado da ponte nova)
      Croca (necrópole em Montes Novos; segue o Vale da Croca por Carvalhos, onde existia calçada)
      vicus e provável mansio no cruzamento de duas importantes vias: Vila Boa de Quires (passa no sopé do Castro de Quires e segue por calçada pelo Alto de Vide Basta/Bidevasta, junto à capela, e depois por Pedra, Buriz/Boriz, Arvio, Torre, Avessões, junto da villa de Urro, continuando por Penidos, S. Pedro e Rua)
      Sobretâmega (no lugar da Rua entronca na via que vinha por Felgueiras e Lixa)
      Travessia do rio Tâmega na desaparecida Ponte Romana
      Freixo (TONGOBRIGA) (Dias, 1997: 307-308)

      de Meinedo (Magnetum) até Eja (Anegia?) , Entre-os-Rios
      Croca (desvia da anterior rumo a sul)
      Bustelo (pelo lugar de Monteiras junto do campo de futebol; topónimos viários Padrão e Tresvia)
      Milhundos (povoado romano junto à igreja de Santa Luzia)
      Póvoa de Marecos (inscrição Nabiae coronae vacca(m) bovenu et Nabiae agnum referindo o sacrifício de animais a divindades indígenas e a Júpiter, proveniente do santuário romano junto da capela da Ns. do Desterro e hoje no Museu de Penafiel; necrópole em Pedreira)
      Rãs (Ponte Velha de Rans sobre um afluente do rio Cavalum)
      Oldrões (no sopé do importante Castro Romano do Monte Mozinho, aberto ao público, e cujo espólio está no novo Museu Municipal de Penafiel; mons Monachino em 1158, in LPTS 25; troço de calçada entre Bodelos e Agrelos atravessando a ribeira da Camba, hoje rua da Via Romana)
      S. Miguel de Paredes (continua pela rua da Via Romana)
      Pinheiro (Villa Banius nas Termas Romanas de S. Vicente; Castro romanizado do Outeiro Divino a poente da zona termal)
      Portela

      Eja (civitas Anegia na documentação medieval; castro romanizado da Sra. da Cividade ou Cividade de S. Miguel; necrópole na encosta junto da Ponte Hintze Ribeiro; calçada; a inscrição votiva dedicada ao Laribus Anaecis encontrada na antiga igreja paroquial de Lagares é uma provável referência a esta civitas)
      Travessia do rio Douro em Entre-os-Rios
      • Ligação de Eja a Arouca, seguindo por S. Martinho de Sardoura (castro romanizado; necrópole; epitáfio de Avitianus) e Vila Verde (ara Laribus Ceceaicis no sítio do Terreiro, FE470) rumo a Castelo de Paiva e daí a Arouca.
      • Ligação de Eja ao litoral por Fermedo e Romariz; possível ligação ao litoral marítimo seguindo rumo a Cabeçais, onde cruzava com a via Porto-Viseu, continuando depois próximo do Castro de Romariz rumo a Arrifana, onde cruza a Via XVI, e daqui à costa; o trajecto é inseguro mas é possível que seguisse por Sta. Maria de Sardoura (servindo os habitat associados às necrópoles de Valbeirô e Campo da Torre), continuando depois por Cruz da Carreira (necrópole em Vales e Valdemides) rumo à travessia do rio Arda em Almansor/ EN504 (?), referência árabe a uma estação viária, seguindo depois por Fermedo, Cabeçais, Romariz, Arrifana, Vila da Feira até atingir o litoral algures (?).















    Guimarães - Freixo (TONGOBRIGA)
    Via integrada no Itinerário Braga-Mérida, passando em Felgueiras e Marco de Canaveses rumo a Tongobriga; o percurso é baseado nas propostas de Mendes-Pinto e Lino Tavares Dias que diferem apenas em alguns troços; (Almeida, 1968:40; Mendes-Pinto, 1995:279- 280; Dias, 1997:319-320).

    Guimarães (provável mansio no cruzamento de várias vias secundárias; em época medieval, a saída da cidade seria pela Porta do Postigo ou da Sra. da Guia na rua de Santa Maria e seguia pelo Campo da Feira; a partir daqui é provável que continuasse para sul contornando a Penha em direcção à villa de Abação, de onde será proveniente a urna cinerária de Sulpício (MSMS, nº 66), passando junto da sepultura da Devesa Escura/Lapinha e do castro agrícola de Gémeos; em alternativa passava mais leste pelos topónimos viários Pousã (Km 121 da EN101), Hospital, Portela, Venda da Serra, Cimo do Eiriz, descendo ao rio por Bouças do Arco)
    Ponte Romana-Medieval do Arco de Vila Fria, sobre o rio Vizela (reconstrução medieval com materiais romanos como pedras almofadados no arco; a calçada começa à direita da saída da ponte e sobe ao Monte da Boavista, passa a asfalto até à EM563 no Sardoal, segue à direita até ao lugar da rua onde vira à esquerda para a rua do Burgo, CM1160-1, junto à Casa do Paço e segue junto ao seminário até ao cemitério; na residência paroquial apareceu uma lápide de um Lanciense Transcudani erigida por um Brácaro, hoje no MSMS com o nº 47)
    Pombeiro de Ribavizela (sobe pelo troço de calçada que ladeia o muro do Mosteiro, até confluir com o CM1175 que segue para os lugares de Ribeiro, Chã e Cascalheira, no sopé do Castro do Monte Picoto, até confluir com a EN101-3)
    Sta. Eulália de Margaride (em Água Empregada/Campas, sai da EN101-3 à esquerda por Estrada, onde atravessa a EM562, continuando por Corvas, Taco, Forca, Barreiras e Venda)
    • Variante de Felgueiras para sudoeste em direcção a Magnetum (Meinedo) e Tongobriga (Marco de Canaveses), passando por Varziela, Unhão (o Paço seria uma villa), Macieira, Ponte Romana de Barrimau (destruída pela construção de um pontão em betão; há fotografias do aparelho almofadado original no intradorso do pilar direito), seguindo para Magnetum ou continuar rumo a Tongobriga por Caíde de Rei, S. Mamede, S. Martinho de Recezinhos, Constance e Sobretâmega.
    • Deveria também existir uma ligação à villa de Sendim, a nordeste de Felgueiras, possivelmente passando nos 400 m de calçada em Lourido.
    Várzea (atravessa o rio Sousa em Ameal e segue até Souto por calçada com 350 m)
    Refontoura (continua entre a Devesa Alta e o Castro de S. Simão, passando em Souto, Pereira, Lama e Estrada, onde segue à direita)
    Caramos (a via segue para Borlido, Mouta, passa por dois troços de calçada que ligam a Espíuca, seguindo depois por Cerdeira das Ervas e Santo, confluindo com EN101 junto do campo de futebol)
    Vila Cova da Lixa (pelo Alto da Lixa, nó viário; ver a ligação a Amarante)
    Freixo de Cima (sai da EN15 em Lagarteiro/Alto do Monte da Sorte e segue por Bouça e várzea)
    Santiago de Figueiró (talvez por Calvário, Porta)
    Mancelos (segue talvez por Carreiros, Alto da Bandeira e Pidre, percorrendo a base do Castro romanizado do Banho/Ladoeiro pelo lado oeste até Vale da Estrada)
    Banho e Carvalhosa (a partir de Vale da estrada, as propostas de Mendes-Pinto e Dias divergem, o primeiro fazendo passar a via pela vertente leste do Castro da Sra. da Graça, enquanto o segundo propõe uma rota por Pimpinela, Carreira Chã e Torre, passando a oeste do mesmo castro)
    Vila Caiz (tesouro; segue por Furnas e Fermentães)
    Travessia do rio Odres (em Livração)
    Constance (segue por Venda Nova de Cima e de Baixo)
    Sobretâmega (segue até à Igreja de Sta. Maria; antes da Barragem do Torrão submergir esta área, a via seguia em direcção ao Cruzeiro do Sr. da Boa Passagem pela rua de Canaveses, aldeia de Pisão e Rua, onde confluía com a via que vinha por Meinedo, já próximo da ponte)
    • Ligação a Amarante: é possível que daqui partisse uma outra via também com origem romana que da ponte sobre o Tâmega se dirigia a Amarante, passando junto do vicus das Caldas de Canaveses (necrópole e termas; Aquae Tamacanae?) e que ia atravessar o rio Odres na Ponte Românica do Bairro (povoado em Alvim), seguindo depois por St. Isidoro, Toutosa, Coura (povoado fortificado no lugar do Castro), Vila Caiz, Louredo, Fregim e S. Gonçalo; esta via passaria próximo villa e necrópole de Vilarinho junto do apeadeiro de Vila Caiz, onde terá aparecido a estela funerária de Meidutius, hoje na Qta. da Pena, seguindo depois por Retorta e Carreira.

    Ponte Romana sobre o rio Tâmega (seria uma das maiores pontes romanas existentes em Portugal; no séc. XII foi reconstruída mantendo os pilares originais, posteriormente destruídos na reconstrução de 1941; hoje está tudo submerso)
    Lugar da Quinta, S. Nicolau (referência a um miliário no lugar do Outeiro; sobe a rua de S. Nicolau onde ainda existe a Albergaria de Canaveses possível sucedâneo da antiga mansio)
    Tuías (miliário a Valentiniano I e Valente, encontrado in situ na Qta. de Baixo, lugar da Herdade, a última milha antes de Tongobriga, hoje desaparecido; ara aos Lares Cerenaeci achada na Igreja de S. Salvador, CIL II 2384, hoje no acervo do MNA)
    Freixo (TONGOBRIGA), Marco de Canaveses (com base numa ara ao Genius Toncobricensium, CIL II 5564, hoje no MSMS; Martins Capela refere um miliário junto à Igreja entretanto destruído; parte dele reapareceu em 1992 nas obras da Escola Profissional de Arqueologia, onde se encontra; deveria indicar 3 milhas ao Tâmega; o território da civitas era delimitado a sul pelo rio Douro e a leste pela Serra do Marão, integrando os vici de Meinedo, Várzea do Douro, Quinta de Guimarães em Sta. Marinha do Zêzere e os de Gatão e Lomba já no concelho de Amarante)

    Outras vias que partiam de TONGOBRIGA (Dias, 1987,1997,1998)

    Para nordeste em direcção a Panóias por Amarante e Vila Real:
    Traçado hipotético da via romana que ligava Tongobriga à Serra do Marão (mons Maraonis) seguindo o curso do Rio Ovelha e passando no vicus da Lomba.
    Tabuado (Quelha, Chão da Igreja, Igreja Românica)
    Várzea da Ovelha e Aliviada (Outeiro e Portela; casal em Torre)
    Folhada (desce à Ponte do Arco)
    Ponte Românica do Arco sobre o Rio Ovelha (aparenta uma construção anterior nos alicerces da margem esquerda; sobe a Picoto)
    • De Folhada um ramal poderia seguir por Moura e Igreja Velha em direcção ao Castro romanizado do Castelo em Carvalho de Rei (ara); daqui poderia atravessar o Rio Fornelo e aceder por Valinhos (tesouro) a Bustelo.
    • Via para a Serra do Marão pelas Minas romanas do Teixo; O caminho poderia partir de Bustelo, subindo à Serra do Marão (mons Maraonis) pelo caminho pelo Alto da Sra. da Corba Chã, Murgido e Granja, cruza a estrada moderna e segue pelo chamado Caminho do Trigal, linha divisória entre os concelhos de Baião e Amarante, passando junto da inscrição num penedo onde se lê Castra Oresbi, continua pelo Alto do Penedo Ruivo/Minas do Teixo até entroncar na estrada da Sra. da Serra (Dias, 1995); esta inscrição rupestre tem sido interpretada como assinalando um acampamento militar romano relacionado com a exploração mineira na zona (Lopes, 2000) e mais recentemente como marco territorial (Martins, 2009).
    S. Salvador do Monte (passa no Alto de S. Salvador e Alto do Santinho)
    Lomba (vicus no Lugar das Paredinhas e do Paraíso, onde poderia existir uma mansio; seguia depois junto da necrópole do Prazo)
    Padronelo (talvez por Cruz, Devesa e Moure, inflectindo para aqui para leste rumo a Marancinho, onde conflui com a via proveniente de Braga rumo a Panoias)

    Para sul em direcção ao vicus da Várzea do Douro no Foz do Tâmega:
    Esta via ligava Tongobriga ao vicus e provável mansio em Várzea do Douro, derivando da via principal junto do miliário de Tuías ou do centro da cidade confluindo ambas no lugar do Bairral (Vila Boa do Bispo), onde há necrópole.
    • vinda de Tuías seguiria a EN210 por Vilar, Cobreira, Ponte, Talegre, Tenrais e Bairral.
    • vinda do Freixo passava nos lugares de Covas, Esmoriz, Rosém de Cima, Monte Confurco, Chentadiços e Bairral.
    • uma referência medieval a uma «carraria antiqua» em S. Cristóvão de Sande, indica um caminho alternativo ao Douro derivando do anterior em Rosém de Cima e seguia em calçada por Bouça Baixa (pedreira na vertente poente do Alto da Bouça) e pela Portela de Mexide (nos limites das freguesias de Sande e Vila Boa do Bispo, cruzamento com a CM1266) descendo daqui pela calçada da Bouça da Carreira até Veiga, segue à direita pela ER108 e logo depois à esquerda para Loureiro, onde se dividia, seguindo um ramo até à foz da ribeira de Sande e outro atravessava esta ribeira e seguia até ao Cais do Vimieiro no rio Douro (in PMH DC 688).
    Vila Boa do Bispo (de Bairral seguiam a EN210 pelo lugar da Estrada e Lamoso)
    Favões (continua pela EN210 por Golas, Vila, Requim de Cima e Requim de Baixo; necrópole da Tapada das Eirozes em Ariz)
    Alpendurada (segue pelo sopé do Castro de Arados no Alto de Santiago/Monte do Ladário que está a ser destruído por uma pedreira, passando em Mondim, Memorial, Vista Alegre e Ventosela, até atingir o Cais de Bitetos)
    Várzea do Douro (vicus e porto fluvial romano hoje submersos pela barragem de Crestuma; Sancto Martino num documento do ano 964; povoado no Alto das Penegôtas; epitáfio de Elávia; ara a Júpiter; Inscrição a Cláudio num muro do Convento de Alpendurada; ara a Manes na Qta. da rua da Várzea, na margem do douro, onde há vestígios de um habitat; Miliário a Adriano referido erradamente no CIL II 6211 como proveniente daqui resulta de um equívoco de Hübner que o confundiu com o miliário de S. Mamede de Infesta; Lima, 1999)
    • Travessia do rio Douro entre Várzea do Douro/Cais de Bitetos de Baixo e o Outeiro do Castelo/Escamarão.
    • TAMEOBRIGA: na margem esquerda do Douro, em Castelo de Baixo segundo Martins Sarmento, apareceu uma inscrição votiva a Tameobrigus, CIL II 2377, MSMS com o nº 14, divindade local talvez relacionada com o Rio Tâmega (Tameo?), possível referência a um povoado chamado de Tameobriga que ficaria assim na confluência dos rios Douro e Paiva; a sua localização não é segura pois tanto poderia corresponder ao vicus da Várzea do Douro na margem direita, tal como ao topónimo «Castelo» (S. Paio de Fornos) na margem esquerda do rio Douro e na margem esquerda da foz do Rio Paiva, local onde se achou a referida inscrição; poderá estar aqui a origem do nome do concelho de Castelo de Paiva; poderia existir uma outra travessia do rio mais a jusante atendendo à necrópole de Folgoso/Picoto em Raiva (lápide de Aviciano; inscrição CAFVRINVS IX NATV VV.).

    Ligação de Tameobriga a Vissaium: após a travessia do Douro no Cais de Bitetos a via rumava a Viseu pelo vale do rio Paiva, seguindo a «carraria antiqua» citada em documentação medieval (in PMH DC 459) da qual ainda existem vestígios de calçada junto à capela de Escamarão; esta estrada com presumível origem romana seguia a EN222 por Couto e Souselo, seguindo depois o vale do rio Paiva seguindo aproximadamente a EM556 que passa junto da sepultura romana da Cancelhô, erro no Endovélico), continuando depois por Fonte Coberta, Torre, Fornelos, Nespereira (inscrição rupestre no sítio da Volta em Pindelo, FE299), Paradela, Cabril (Castro do Cabeço dos Mouros/Monte do Cabeço), Meã, Parada de Ester, Ameixiosa, Posmil até S. Pedro do Sul, onde reúne com a via proveniente do Porto pela Serra de Arouca, seguindo para Viseu.

    Tongobriga
    ad
    Durius







    Durius ad Vissaium






    Freixo (TONGOBRIGA) - Viseu (VISSAIUM) / Lamego (Lamecum?)
    É possível que a via romana para Mérida rumasse primeiro a Viseu e daqui seguisse para a travessia da Serra da Estrela; partindo de Tongobriga, a via descia ao rio Douro por Soalhães e Mesquinhata, locais onde apareceram miliários. O local de travessia ainda é incerto, mas seria numa das tradicionais travessias do Douro, Porto Antigo, Caldas de Aregos ou Porto de Rei. Todas estas travessias teriam continuidade para Viseu, mas dos seus itinerários pouco ainda se conhece e ainda não se encontraram evidências de qualquer hierarquia que permitisse considerar uma destas rotas como a principal para Mérida; o caminho mais curto para Viseu atravessa o rio em Porto Antigo pelo este poderia ser a rota preferencial, mas também a travessia em Caldas de Aregos dava acesso a Viseu, passando próximo do importante povoado romano de Cárquere e mesmo a travessia em Porto de Rei se oferece como alternativa, dando acesso ao eixo Lamego-Viseu, não se podendo excluir uma a hipótese da estrada para Mérida fazer a travessia do Douro mais a montante, em Caldas de Moledo ou na Régua, seguindo depois na direcção da Guarda, evitando assim transpor a Serra da Estrela; sabemos por Plínio que a sul do Douro existiam pelo menos dois povos, os Turduli Veteres e os Paesuri, e se no caso dos primeiros sabemos que ocupavam comprovadamente os actuais concelhos de Vila Nova de Gaia e da Vila da Feira, com oppida no Monte Murado (Ceno Oppido?) nos Carvalhos e no Monte Redondo em Fiães (Langobriga), é possível que os Paesuri ocupassem a região dos actuais concelhos de Cinfães e Resende com prováveis oppida em Cárquere ou no Castro de Sampaio, ambos com vestígios de alguma monumentalidade, mas ainda não há certezas. (Vaz 1976, 1979, 1997; Dias, 1987, 1996, 1997, 1998).

    Freixo (TONGOBRIGA)
    Travessia do rio Galinhas (talvez na confluência da ribeira do Juncal com a ribeira da Lardosa)
    Soalhães (segue por Ladário e Outeiro)
    Lugar do Crasto, Soalhães (calçada e miliário a Constantino II da milha VIII desde Tongobriga, hoje no Museu Soares dos Reis no Porto; a via circunda a base do Castro Soalhão por terrenos ainda conhecidos pelo topónimo «Vale Trajano»)
    Carreirinha, Mesquinhata (miliário a Galieno encontrado in situ junto ao Alto dos Encambalados, está hoje no Museu Municipal de Baião)
    Mesquinhata (segue por Casal e Geguintes; acesso à necrópole do Bairral junto da igreja paroquial de Sta. Leocádia de Baião, onde se achou uma ara a Júpiter e uma estela funerária, ambas no Museu do Seminário Maior no Porto)
    Grilo (passa em Passadouro e no Alto do Loureiro)
    Gôve (passa junto ao Castro romanizado do Cruito)
    Ponte do Gôve (travessia do rio Ovil)

    Daqui derivam 3 ligações ao Douro:
    A partir da Ponte do Gôve a via poderia dividir-se em três troços distintos de encontro às prováveis travessias do rio Douro localizadas em Porto Antigo, Caldas de Aregos e Porto de Rei, todas com continuidade para Viseu; apesar da importância económica em época romana do rio Douro como grande via fluvial, comprovado pelos inúmeros locais de passagem e importantes vestígios nas suas margens, a identificação da rede viária tem-se revelado muito difícil dado o acidentado do terreno e a forte marca medieval do seu povoamento que sucedeu a séculos de guerra; no entanto, é indubitável que estas rotas já seriam usadas em épocas recuadas, mesmo pré-romanas, dado que evitam de forma decisiva a travessia dos grandes rios que afluem ao Douro, preferindo por isso cruzar o rio Douro na sentido N-S e depois seguir subir a meia encosta ao alto da serra para obter suaves pendentes ao longo de grande parte do percurso, desenvolvendo assim diagonais que acompanham as lombadas e linhas de festo que separam os rios que descem da Serra do Montemuro; os indícios no terreno sugerem uma rede secundária que articulava estas travessias do Douro com os vários castros romanizados e sítios romanos marginando o rio; aliás, este alinhamento de sítios romanos a sul do rio, levou alguns autores a propor a existência de uma via paralela ao rio ao longo da margem esquerda o que parece de todo improvável dada a necessidade de construção de inúmeras pontes para cruzar os vários afluentes do Douro, alguns de grande caudal, e um percurso sempre em zig-zag, tal como ainda se observa na actual estrada EN222; certamente que existiam vias vicinali a ligar villae e casais, mas nunca um grande percurso (2014).

      Por Porto Manso/Porto Antigo e Castro Daire, rumo a Viseu
      Ancêde (da ponte do Gôve é possível que seguisse recto ao percurso pedestre que passa na calçada que ladeia o Castro de Porto Manso, onde se achou uma inscrição a Júpiter, descendo depois pela margem esquerda do rio Ovil, mas é mais provável que a rota romana derivasse mais à frente junto da Sra. das Boas Novas, descendo daqui a Mosteirô, onde poderia existir uma mansio; ver mapa)
      Porto Manso, Ribadouro (provável mansio na Qta. de Mosteirô dando apoio à travessia do rio Douro por barca, com o povoado indígena dominando o local)
      Porto Antigo, Cinfães (daqui a via seguia para a Serra de Montemuro pelo caminho da escola primária onde ainda há restos de calçada)
      • Castro de Sampaio: em S. Cristóvão de Nogueira, sobranceiro a Cinfães, fica o Castro romanizado de S. Paio, possível oppidum dos Paesuri (Alarcão, 1988), onde se acharam colunas, bases de capitéis, pedras almofadadas, a estela de Flavus, a lápide de Cloutio, hoje no MSMS com o nº 44 e a inscrição dedicada a Augusto hoje no MSMS com o nº 73; o vicus ocuparia a base do castro, no lugar de Aldeia; estela funerária na igreja românica de Nogueira; estes dados permitem equacionar uma via ao longo do vale da ribeira de Sampaio ainda por determinar com origem no Douro em Carrapatelo, atendendo aos vestígios romanos em Arcela.
      • villa de Passos: mais a leste, na freguesia de Tarouquela, existem importantes vestígios romanos aos quais poderá estar associada uma via romana; a villa de Passos, onde apareceu uma ara a Júpiter, FE245, e os sítios de Tudovelhos e Lameiras; inscrição à divindade MIROBIEVS, cortada de um penedo na margem do rio Douro.
      • Ligação a Viseu: de Porto Antigo a via seguiria ao longo da margem direita do rio Bestança rumo à Serra de Montemuro, passando talvez no alto dos Desamparados e em Ruivais e Aldeia (rota do CM1027), ladeando o Castro romanizado das Coroas/do Cio até Ferreiros de Tendais (tesouro); daqui talvez ascendesse à serra pelo caminho que passa a norte do marco geodésico da Alvagueira, seguindo sempre em calçada até Pimeirô, continuando já em asfalto pelo CM1030 até Vale de Papas; a partir daqui a estrada actual segue pela aldeia da Gralheira na direcção da Cruz do Rossão, mas é mais provável que a rota romana seguisse na direcção de Panchorra atravessando o rio Cabrum na velha Ponte de Panchorra, onde ainda há vestígios da calçada lajeada, seguindo depois até à Lagoa de D. João, provável nó viário, onde confluía com a via proveniente da travessia do Douro em Caldas de Aregos, descrita abaixo no Itinerário Aregos - Cárquere - Castro Daire.

      Por Caldas de Aregos, Cárquere e Castro Daire rumo a Viseu
      Sta. Cruz do Douro (seguia por Portela do Gôve, Lamas, Vale de Coelho, Casal e Sra. das Boas Novas em Sequeiros)
      Travessia do rio Douro em Venda das Caldas
      Caldas de Aregos (daqui segue para S. Romão de Aregos, passando por Pousada, referida na documentação medieval como «Karraria Antiqua», in PMH DC 888)
      Cárquere (oppidum, civitas?) (aqui apareceram numerosas lápides funerárias, sinal de um povoado com alguma importância, eventualmente o oppidum dos Paesuri)
      • Ligação a Viseu: a via deveria continuar para Viseu transpondo a Serra do Montemuro, seguindo talvez o caminho que passa junto da capela de S. Francisco, continuando depois por Canizes, Rossas e Talhada até à Lagoa de D. João, onde confluía com a via proveniente de Porto Antigo, continuando pelo Alto do Cotelo (notícias de vestígios de calçada em Cotelo e em Gafanhão), continuando depois por Cruz do Rossão, Picão e Lamelas até Castro Daire; daqui desce em calçada para a travessia do rio Paiva na «Ponte Pedrinha» (referência a uma ponte antiga que aqui existia, demolida já em 1877, eventualmente com origem romana pois aqui apareceu uma árula com inscrição), seguindo depois por S. Domingos, Ribolhos e Mões para Viseu.

      Por Porto de Rei, Castro da Mogueira e Lamego
      Sta. Cruz do Douro (povoado em Passal, junto à igreja; segue a EN108 até Vila Monim, sai à direita para Cedofeita e Senra)
      S. Tomé de Covelas (continua por Outeiro, Lama Susã e pelo vicus do Barreiro)
      Sta. Marinha do Zêzere (possível vicus na Qta. de Guimarães em Míguas; seria aqui a paróquia suévica de Melga?; possível ligação nordeste para Gestaçô, onde apareceu um tesouro, o mons Genestazo da documentação medieval)
      Travessia do Rio Teixeira na Ponte de Frende (entre Ervidal e Cruzeiro)
      Frende (mosaico, 3 baixos-relevos e inscrições funerárias provenientes da capela de S. João que assenta no antigo castro; teria existido aqui um santuário?)
      Travessia do rio Douro em Porto de Rei
      S. João de Fontoura
      S. Martinho de Mouros, Resende (Castro luso-romano da Mogueira; pelo menos 8 inscrições rupestres de carácter votivo relacionadas com um santuário rupestre; calçada no Alto de Vila Verde)
      Penajoia (Castro romano e vestígios de calçada)
      Lamego (Lamecum?)
      • Ligação a Viseu: de Lamego deveria ligar a Viseu cujo itinerário está descrito no sentido inverso em Via Viseu-Lamego.

    Mapa









    Mapa



    Lamego (LAMECUM?) - Marialva (civitas ARAVORUM) / Póvoa de Mileu (Guarda)
    A existência de miliários na zona de travessia do rio Távora junto da Ponte do Pontigo/Freixinho em Moimenta da Beira, possível território dos Arabrigenses, indicia a existência de uma estrada que atravessava o planalto beirão no sentido W-E rumo talvez a Mérida, dando continuidade às travessias do rio Douro em Lamego da via proveniente de Braga e em Covelinhas, esta proveniente de Chaves; depois de atravessar o Távora poderia bifurcar, seguindo uma via para a Marialva, sede da civitas Aravorum rumo a Salamanca (?), e outra rumava a sul em direcção oppidum de Póvoa de Mileu (Guarda), possível sede de civitas dos Lanciences Oppidanni, seguindo depois na direcção da Ponte de Alcântara para Mérida. (Sá Coixão, 2000, 2004, 2009; Teixeira, 1998).

    Lamego (Lamecum? / Caelobriga?)
    oppidum no morro do Castelo, possível capital dos Coilarni; segundo Plínio Caelobriga seria a sua capital pelo que esse poderia ser o nome romano de Lamego posteriormente convertido em Lameco já no período suévico, mas não passam de hipóteses sem provas conclusivas; encastrado na frontaria da capela visigótica de Balsemão, existe um raro e importante terminus augustalis de delimitação de território, mas não indica as civitates em causa; numa região de forte cariz medieval, pouco se sabe sobre as vias romanas que seguramente aqui existiam, admitindo-se que algumas das vias medievais tenham origem romana como é o caso da rota que ligava Lamego a Trancoso pela Ponte de Ucanha ou da variante pela «strada mourisca»; no primeiro caso a via partiria da Sé e descia ao rio Balsemão pela Rua da Ponte da Calçada, atravessava o rio e seguia junto de S. Lázaro e Sra. da Guia, passando na Portela, depois seguia entre Britiande e Várzea de Abrunhais; a documentação medieval refere uma ponte de madeira sobre o rio Balsemão (in Viterbo 1799, vol 2, p. 227).

      Variante pela Strada Mourisca: a chamada «strada mourisca» ou «via antiqua» referida em documentos medievais, poderia partir da travessia do rio Douro entre a Régua e a foz do rio Varosa, na base do povoado indígena romanizado do Torrão e ascendia daqui a Valdigem pela margem direita do Varosa, continuando por Cairrão, Figeira, Portela, Queimadela, seguindo depois por vários troços calcetados na cumeada da serra passando em S. Lourenço e Monte Raso, continua entre Meixedo e Passo pelo sítio do Padrão, atravessa o Aeródromo de Santiago e segue talvez rumo a Vila Chã da Beira, onde conflui na variante pela Ponte de Ucanha, seguindo depois a nordeste Sarzedo (Qta. das Forcadas) rumo a Beira Valente.

      Variante pela Ponte de Ucanha (apenas medieval?):
      Várzea de Abrunhais (talvez pela Ponte de Recião e pela Qta. da Sra. da Lapa)
      Bairral, Britiande (ara a Júpiter na capela de São Gonçalo em Bairral, suportando a pia baptismal, talvez proveniente do Castelo de Britiande, castro romanizado; a via passava nas proximidades, pela Quelha da Azenha e rua da Calçada em Ferreirim de Baixo, junto do habitat da Qta. de S. Bento, continuando depois talvez pelo caminho que divide os concelhos de Lamego e Tarouca rumo à capela da Sra. da Agonia, onde inicia a descida para a ponte)
      Ponte Romana?-Medieval de Ucanha sobre o rio Varosa (século XII; villa? em Leirós/Portela)
      Salzedas (habitat em Tintureira; calçada na Sra. da Piedade/rua da Calçada Romana que segue para o Penedo de St. António?)
      Granja Nova (travessia da ribeira de Salzedas na Ponte das Tábuas em Passô?)
      Vila Chã da Beira (da ponte seguia pela base da capela de S. Mamede, sítio romano, de encontro à variante pela «strata mourisca», passando assim a nordeste do Castro de Mondim da Beira, povoado fortificado da Idade do Bronze sobranceiro a Sanfins e Mondim da Beira, já referido nas «Memórias Paroquiais» de 1758 como muito romanizado, mas nunca escavado; in Capela, 2010)

    Beira Valente, Sarzedo (antes da povoação existe um bom troço da via romana, a «Estrada Larga» e uma ponte com presumível origem romana, continuando depois para Moimenta próximo dos sítios romanos de Carguencho, Cidade da Mouraria e Cabeça)
    Moimenta da Beira (possível região dos Arabrigenses; povoado no sítio de S. João; passa na igreja e segue o caminho do Bairro da Corujeira por Arcozelo do Cabo e Arcozelo da Torre)
    Granja de Oleiros (Arabriga?) (vicus de Rochela/Arrochela estendendo-se até Vide; epitáfio de Balbus, servindo de pavimento na igreja)
    Vide (miliário a Numeriano, CIL II 4641, indicando IIXX milhas, ou seja 18 milhas, contadas talvez a partir do rio Douro ou de Marialva, hoje desaparecido; na frontaria da capela do Espírito Santo existe uma epígrafe «BONO REI PVBLICE NATO», CIL II 4643; possível miliário anepígrafo junto da capela de São Domingos transformado em cruzeiro; a via contorna o Alto da Ranhã)
    Qta. da Lagoa (miliário a Constantino? da milha ?IX, CIL II 4642, talvez a milha XIX na sequência da milha em Vide, hoje na CEADV; Vaz, 1978, p. 51-53)
    Faia (calçada em Ladário; a base de miliário que apareceu junto à Igreja de Faia, está hoje no jardim de uma casa particular!)
    Ponte Romana?-Medieval do Pontigo/Freixinho sobre o rio Távora (esta ponte medieval com possível origem romana está hoje submersa pela Barragem de Vilar; em 1951, Cortez referia umas poldras neste local)

    Ligações a partir da Ponte do Pontigo
    • da Ponte do Pontigo para nordeste rumo ao Castro de Sanjurge, passando por Chosendo, Castainço (calçada de S. Pedro), Penedono e Alcarva (a Alcobria da documentação medieval?; habitat em «Chão de Santos»); ver ligações do castro a Freixo de Numão e a Mêda.

    • da Ponte do Pontigo a Marialva (Aravo?), rumando a leste talvez por Ferreirim (casal junto do Monte de S. Gens), Sarzeda (habitat em Mata Roivos), Guilheiro (calçada?), continua para leste, atravessa o rio Torto e chega à Cruz do Guilheiro, nó viário e divisão entre concelhos, continua pelo estradão que contorna o Alto da Escudeia pelo vertente norte e entra em Torre do Terrenho (miliários?), desce à ribeira da Teja que atravessa nas Poldras da Bernarda e sobe a Casteição, continua pela EN600 (?) por S. Simão e junto da villa ou casal na Fonte da Telha/Campo da Moura até Pai Penela, podendo bifurcar neste local, seguindo um ramo para Mêda (seguindo a EN600 por Canadinhas, passando entre os povoados proto-históricos do Castelo de Nunes e Sta. Bárbara) e outro inflectia para Vale Flor, para tomar o antigo caminho pelo Convento de Vilares (troços em calçada) rumo a Marialva.

    • da Ponte do Pontigo a Póvoa do Mileu por Trancoso e Celorico da Beira:
      da ponte segue por Freixinho e Vila da Ponte rumo a Sernancelhe (Seniorzeli na documentação medieval; castro no monte do Castelo; povoado romano a 2 km, em Barreiro; sai pela rua do Curral, de Entre-Vinhas e Veiga), seguindo talvez para Arnas (vicus? no Castro de Murganho no Monte Muragos) e Cunha (tesouro; inscrição em St. Estevão), Sintrão (calçada na chamada Via do Sintrão; acesso pela EN226; parte junto ao cemitério e segue pela calçada da Fraga do Ladrão), Trancoso, Fiães (passa a nascente pela Calçada de Vale Longo, seguindo a cota elevada pelo Alto de Fiães, Grila, Qta. das Tarulas e Alto da Silva), Qta. do Salgueiro (passa a nascente por Barreiros, Murça, servindo os casais ao longo da ribeira da Qta. das Seixas), Forno Telheiro, onde conflui com a via proveniente de Marialva, continuando depois para Celorico da Beira pela Ponte da Lavandeira (Carvalho P., 2009). Esta via poderia ter continuação por Carregais e Lageosa do Mondego rumo à travessia do Mondego na Ponte do Ladrão continuando até Açores, onde entroncava na variante abaixo que seguia para Póvoa do Mileu na Guarda (Marques, 2011).

    • da Ponte do Pontigo a Póvoa do Mileu por Açores:
      desviando da anterior em Trancoso, poderia seguir pelo caminho de S. Marcos em Frechão, junto da Qta. dos Corgos, ou pela EN226 e EN102, junto da Qta. do Paço e Qta. da Palôa em Torres, rumo a Freches (continua próximo dos sítios de Soito Cabral/Olos, Corgos/Qta. das Corgas e Qta. das Lameiras), Minhocal, Ponte Medieval de Minhocal sobre a ribeira dos Tamanhos (onde cruza com a via proveniente de Marialva), segue para Baraçal (por Outeiro Negro e Cortegada), Açores (onde recentemente apareceu uma ara a Júpiter, provavelmente relacionada com o vicus de Panelas/Calvário na periferia da aldeia; casais em Olival do Clergo, Qta. da Torre/Aral, Forca e Quintal da D. Maria), Porto da Carne, Cavadoude e Ramalhosa, onde inicia a subida para a Guarda pela Calçada do Tintinolho que começa na fonte de mergulho e ascende pela vertente poente do Castro do Tintinolho passando na Qta. de S. Mateus, continuando depois pela Cruz da Faia, nascente do rio Diz, Chafariz da Dorna (calçada), Alto da Cerca e Catraia da Alegria, entrando na cidade junto do Politécnico e seguia pela calçada do Mercado rumo a Póvoa do Mileu.

    Mapa

















    Viseu (VISSAIUM) - Famalicão da Serra (mansio?)
    A via romana que partindo de Viseu seguia na direcção da Serra da Estrela, está bem documentada por vários miliários ao longo do seu percurso (pelo menos 5), seguindo por Mangualde e Abrunhosa-a-Velha e eventualmente pela robusta Calçada dos Galhardos acima de Folgosinho, atravessando a serra até Famalicão da Serra, onde há miliários e outros vestígios romanos relacionados com o desaparecido povoado de Barrelas, onde deveria existir uma mansio; a via está integrada no Itinerário Braga - Mérida, mas a sua função principal era ligar Mérida ao litoral Atlântico, neste caso na foz do rio Vouga, no oppidum e estação viária de Talabriga configurando uma eixo viário entre Augusta Emerita e Talabriga, com a mesma função das vias Mérida-Lisboa que estruturavam o poder de Mérida sobre o território da Lusitânia (vide Vaz, 1976; Ruivo, 1996; Nóbrega, 2003); (ver outros itinerários da região de Viseu).

    Viseu (VISSAIUM) (oppidum com forum no morro da Sé; a rua Direita seria o cardus Maximus; partia da necrópole junto da capela de S. Miguel, a antiga porta da cidade e seguia por Via Sacra, Sr. da Boa Passagem, Sta. Eugénia, Lavamãos, Olho Branco, Viso, Póvoa de Sobrinhos, Carreira de Tiro e Fragosela de Baixo)
    Prime
    Travessia do rio Dão
    Fagilde (possível miliário; calçada)
    Roda (calçada e um miliário anepígrafo sem localização precisa; em 1992 estaria «numa casa particular em Mesquitela»; Nóbrega, 2003)
    Mangualde (Castellum Araocelum?) (a mansio seria nas Qtas. da Fonte do Púcaro, junto da villa romana da Qta. da Raposeira na base do povoado do Monte da Sra. do Castelo, talvez o Castellum Araocelensis referido numa inscrição honorífica encontrada em S. Cosmado; espólio na Assoc. Cultural Azurara da Beira; a mansio ficava no cruzamento com a Via N-S que seguia para a Bobadela; possível miliário num muro da Qta. da Cruz)

      Variante com travessia do Mondego em Poço Moirão (via principal?):
      Mangualde (milha XII?; da mansio segue pelo troço de calçada nas Qtas. da Fonte do Púcaro; topónimo medieval Albergaria, talvez referência à mansio)
      Almeidinha, Mangualde (seguir pela rua Principal e rua Sra. do Campo/EM1458, passando a 200 m a nascente da villa da Moita da Oliveira)
      Casal de Cima, Santiago de Cassurrães (atravessa a Serra da Baralha por Tapada)
      Santiago de Cassurrães (possível miliário anepígrafo junto à capela de S. Sebastião, Gomes, 1985; depois de atravessar a ribeira de Cassurrães segue pela rua da Calçada ou «Caminho Velho», antiga via romana, junto das alminhas da capela da Sra. de Cervães, que talvez reutilize um miliário; onde seria o caminho para Abrunhosa?)
      Abrunhosa-a-Velha (aqui existiam quatro miliários que foram transferidos para Viseu; dois estão desaparecidos, destes um era anepígrafo e outro era um miliário dedicado a Numeriano, enquanto os outros dois pertencem à CEADV, o miliário onde parece ler-se XX milhas e o miliário a Adriano da milha XVIII, o que corresponde à distância daqui a Viseu, com o nº 605; a via deveria passar na capela da Sra. dos Verdes)
      Travessia do rio Mondego entre Poço Moirão e Qta. dos Padres (segue próximo da villa de Risado; poderia existir uma ligação mais directa a Melo pela linha de festo entre as ribeiras de S. Paio e do Paço)
      Arcozelo (possível mutatio no povoado fortificado do Castelo)
      Nespereira (villa em São Pelágio, junto da via; Cadeiral Romano no Bairro de St. António)
      Ponte Romana?-Medieval do Chorido sobre a ribeira de Gouveia (calçada)
      S. Paio, Gouveia (cruza com a via NE-SW que ligava Marialva à Bobadela)
      Nabais (arco com pedras almofadadas)
      Melo
      Freixo da Serra
      Folgosinho (seria a última mansio antes de atravessar a serra)

      Variante com travessia do Mondego na Ponte de Palhez:
      Mangualde (segue pela rua da Estação até ao km 14.1 e depois à esquerda pela rua da Ponte que passa junto da villa da Qta. da Calçada com vestígios da via até à ribeira de Almeidinha)
      Mesquitela (segue pela rua da Ponte, rua da Calçada Romana, rua Direita e rua da Ramalhinha/Qta. da Lavandeira)
      Mourilhe (magnífico troço de calçada romana com 50m e 5,6 m de largura junto da capela de Ns. da Conceição; indicada na EN232)
      Contenças de Baixo (calçada no caminho para a ponte)
      Travessia do Mondego junto à Ponte de Palhez (em alternativa, atravessava o rio mais a montante junto da Qta. do Moinho, descendo por Póvoa de Cervães pelo caminho em terra que passa junto da villa da Qta. de Santa Marinha, onde ainda há calçada)
      Cativelos (deveria seguir próximo da villa do Monte Aljão; Ponte Romana? do Aljão e Ponte Romana? das Cantinas com calçada; calçada em Celas Alminhas-Dobreira)
      Vila Nova de Tázem (alguns troços de calçada junto dos habitats de Freixial/Safail e em Teixugueira-Parigueira poderão integrar esta via)
      Nespereira (onde conflui na variante por Poço Moirão descrita acima)

    De Folgosinho a via romana seguia para Famalicão da Serra, atravessando a Serra da Estrela:
    A partir de Folgosinho, a via seguia pela chamada Calçada dos Galhardos que começa na saída sul da aldeia junto do campo de futebol e segue por troço lajeado com 1,5 km até à Portela, onde inflecte para nordeste pelo estradão que passa no marco geodésico dos Galhardos, seguindo por Cantarinhos, Casal das Pias, junto do Alto da Cova do Cêpo, descendo depois por Casal Reigoso à Qta. da Taberna, onde fazia a travessia do rio Mondego, rumando daqui pela Lomba de Saimão e Vale das Ferrarias para Famalicão da Serra, percurso em calçada e pontuado pelo miliário a Constâncio Cloro e Galério Maximiano da Tapada da Eira/Qta. da Tranginha (entretanto perdido em Lisboa), o miliário a Tácito da Qta. do Cadouço (este no Museu do Carmo em Lisboa), até atingir Famalicão da Serra

    Mapa





































    Famalicão da Serra (mansio?) - Idanha-a-Velha (IGAEDIS) - Mérida (EMERITA)
    Este troço está bem definido pelos 9 miliários existentes ao longo do seu percurso até Caria, embora se desconheça a origem das milhas marcadas (Igaedis? Vissaium?). A via atravessava o território dos Lancienses Transcudani e dos Lancienses Oppidani, povos mencionados na inscrição da Ponte de Alcântara. A definição dos seus limites territoriais permanece ainda em discussão (Alarcão, 2001b), mas é possível que os Lancienses Transcudani ocupassem o planalto da Guarda, possivelmente com sede no Castro romanizado de Castelos Velhos em Póvoa do Mileu e os Lancienses Oppidani estariam mais a sul na região de Sabugal/Penamacor com base no terminus augustalis que apareceu em Salvador marcado a divisão territorial entre estes e os Igaeditani que tinham a sua capital em Idanha-a-Velha. Poderia existir um terceiro território Lanciense, o Ocelense, referido apenas por Plínio, embora p ; atendendo à inscrição onde se lê «VICANI · / OCEL[O]N[E]/NSES» encontrada no vicus da Qta. de S. Domingos em Pousafoles do Bispo, FE310.2. (Belo, 1960; P. Carvalho, 2006; Guerra, 2007a)

    Famalicão da Serra (Berecum?) (vinha pela Serra de Barrelas e seguia pela extinta povoação de Barrelas, povoado romano fortificado onde se acharam duas inscrições romanas, uma delas dedicada à divindade local Aelua pelos Castellani Berecenses o que levou a propor o nome de Berecum ou Bereccum para este povoado; aqui deveria existir uma estrutura viária, uma mutatio ou mesmo mansio, hipótese reforçada pelo achado de 3 miliários nas redondezas, o miliário a Tácito de Barrelas, o miliário a Constantino Magno achado a cerca de 1 km da via no sítio de Colerdordem, ambos hoje no Museu da Guarda, e o miliário a Tibério? que está na capela de St. Antão (FE189); a via romana continua em calçada pelo «Caminho do Convento» que passa junto do Convento do Bom Jesus e da Qta. do Sendão)
    Valhelhas (miliário a Constâncio Cloro e Galério Maximiniano (?) achado em Galrado, na margem esquerda do rio Zêzere, passou para a igreja e hoje está na JF, assim como a estela funerária consagrado aos Deuses Manes; Brandão e Rodrigues, 1957; 50 m a sul da JF, numa casa particular, existe um possível miliário anepígrafo servindo de base da caixa de correio)
    Várzea do Vale Formoso (calçada ao longo da margem esquerda do rio Zêzere, próximo da villa do Prazo/Qta. da Granja)
    Lameiras (miliário a Tácito, AE 1965, 107, e um miliário anepígrafo, hoje no Castelo de Belmonte; no primeiro Aurélio Belo interpretou a abreviatura final «II L. O.» como «2 m.p. a L(ancia) O(ppidana)» o que colocaria a sede desta civitas em Centum Cellae; Belo, 1960:41-44)
    Ponte Romana sobre a ribeira da Gaia na Qta. do Galvão
    Catraia da Torre (CENTUM CELLAE) (a interpretação das ruínas em torno da Torre Romana de Centum Cellae tem dividido os investigadores, mas as escavações mais recentes apontam para uma importante vicus ou mesmo como o dos Lancienses Oppidani, podendo existir aqui uma mansio de apoio à via (Frade, 2002; Guerra, 2007a; Carvalho, 2010); a via contorna a Torre, a cerca de 30 m da face norte)
    Travessia da ribeira do Colmeal (na margem direita apareceu um miliário a Constâncio Cloro e um miliário anepígrafo, ambos deslocados para o Castelo de Belmonte)
    Belmonte (próximo da Igreja de Santiago existe um miliário a Probo reutilizado como ombreira de uma casa particular; outros 4 miliários dentro do Castelo, provenientes da ribeira do Colmeal e das Lameiras; a via passava no vale, contornando o esporão de Belmonte pelo lado nascente, junto à villa do Muro na Qta. do Bouzieiro, continuando paralela à Serra da Esperança e a poente da estação C.F.)
    • Um diverticulum poderia seguir para sudeste rumo ao sítio romano de Ns. da Estrela em Inguias, na fronteira entre os concelhos de Belmonte e Sabugal junto da qual fazia a travessia da ribeira de Inguias; neste local apareceu uma inscrição consagrada a Júpiter por Iulius Rufus, sugerindo a existência de um vicus neste local; poderia ser uma via que partindo de Centum Cellae ou da villa da Qta. da Fórnea, seguia por Casteleiro rumo ao vicus de St. Estevão (Sabugal), estação da via para Salamanca, mas para já é hipotético; as estações da Fonte do Soldado e Lugar da Laje do Tostão poderiam marginar esta via.
    Malpique (calçada passa a nascente junto da importante villa da Qta. da Fórnea a 5 milhas de Centum Cellae)
    Travessia da ribeira das Inguias no Sítio do Gagameio / Qta. da Ribeira
    Caria (provável mutatio; calçada com 40 m em Fonte do Ruivo, na direcção E-W, mas a via deveria seguir para a ribeira de Caria pela calçada que existia junto da igreja paroquial, no caminho para a Fontinha e nas ruas Fonte do Prior e Fonte do Carvalho até Barcinho)
    Travessia da ribeira de Caria em Laje do Freixo? (continua para sul, passando a leste de Peraboa pela Qta. do Cameira, Qta. dos Lameirões e Bica, onde apareceu o epitáfio de Tanginus, hoje no MNA, contornando a Serra de St. António pela vertente leste rumo a Capinha)
    • Daqui poderia partir um diverticulum para sudeste, atravessando a ribeira de Caria junto da calçada de Laje do Freixo, seguindo depois por Monte do Bispo e Escarigo, de encontro à via para Salamanca que passa junto do ribeiro de Casteleijo em Anascer.

    Capinha (vicus e provável mansio junto do povoado romanizado da Tapada das Argolas; a via partia da Fonte de Cima e seguia pela calçada da capela de S. Marcos e continuava pela calçada das Lajens, entretanto já destruída, passando não muito longe da villa ou mesmo vicus em torno da capela de S. Pedro da Tapada; várias inscrições serão daqui provenientes, entre elas o epitáfio de Hispanus, um Meidubrigense que apareceu na Qta. de S. Pedro, a ara votiva a Bandi Arbariaico a caminho de Três Povos, CIL II 454, a ara dedicada a Quangeius e o epitáfio de Dutia)
    Ponte Romana?-Medieval sobre a ribeira de Meimoa (na ponte apareceram inscrições, o epitáfio de Amoena, uma Lanciense Oppidana, e epitáfio de Cabrulae, hoje no Museu do Fundão; talvez continue por Vale de Paredes e Freixa)

    Quintas da Torre dos Namorados (vicus e provável mutatio na base do Castro romanizado da Covilhã Velha; miliário a Maximiano indicando XXII milhas a Igaedis, hoje no Museu do Fundão, tal como uma lápide de Lubaecus e a inscrição votiva a Júpiter, aqui encontradas; ara votiva ao Bande Luguano)
    Mata Rainha (travessia da ribeira do Taveiro entre Cadaval e Poldras?)
    Travessia da ribeira do Ceife (em Lajinhas?)
    Pedrogão de S. Pedro
    Ponte Romana? sobre a ribeira das Taliscas (em risco de ruína)
    Bemposta (conjunto de várias epígrafes no Núcleo Museológico da Bemposta na capela de S. Sebastião, sendo duas delas dedicadas a Bandi Isibraiegui e outra dedicada a Quangeius)
    Medelim (na capela de Santiago apareceram 3 aras votivas, uma dedicada a Mercúrio Esibraeo, outra dedicada a Reve Langanidaeigui e a terceira talvez dedicada à mesma divindade, mas onde apenas se lê Reve ..., todas hoje no MTPJ; a via talvez passasse no acampamento romano de Oliveira das Almas; Ponte Romana? em ruínas; calçada dentro da povoação; segue talvez próximo dos vestígios em Tapada da Senhora e Vale de Cavalo, provável villa ou mesmo vicus)

    Idanha-a-Velha (IGAEDIS) (oppidum sede da civitas Igaeditanorum a 120 milhas de Emerita; magníficas ruínas desta importante cidade romana; excelente colecção de epigrafia no museu, parte de mais de duas centenas de epígrafes conhecidas; existem pelo menos 6 miliários conhecidos no território Igaeditanense: um miliário Augusto de origem incerta (AE, 1967, 185) onde se lia «CX» que talvez indicasse a distância a Mérida de CXX milhas, o miliário também a Augusto de Alcafozes, atestando ambos a antiguidade da via e o fragmento de Vale da Portela no caminho para Monsanto com algumas letras; os restantes 3 são anepígrafos ou ilegíveis; um está junto da Igreja Visigótica de Idanha, o outro está nas ruas de Alcafozes e o último em Segura; ver também Rede Viária em torno de Idanha-a-Velha)

    De Idanha-a-Velha a Mérida
    Ponte Romana-Medieval de Idanha-a-Velha sobre o rio Pônsul (reconstruída na Idade Média com material da antiga ponte romana situada um pouco a montante que estaria em ruína)
    Alcafozes (3 miliários; miliário a Augusto onde apenas se lê «Imp(erator?) / Aug[ustus?]», hoje no Museu de Idanha-a-Velha junto com outro onde apenas se lê umas letras; Sá, 2007, p. 158, nº 238; miliário ilegível num cruzamento de caminhos junto da igreja paroquial; estela funerária; povoado no Cabeço dos Mouros; segue pelo estradão Barreiro Vermelho/Granja, onde atravessa a ribeira de Aravil, subindo a Toulões pelo Alto dos Frades)
    Toulões (talvez pela linha de festo que vai por Monte Velho e Abegões, cruza a EN240 no Alto da Barca, continuando depois pela linha de festo que separa as ribeiras de Sta. Marina e S. Domingos, passando no marco geodésico de Malhão e em Charcos até Segura; em alternativa poderia seguir pelo vale da Ribeira da Calçada até Segura)
    Segura (a via entrava na povoação junto do Calvário, monumento que integra uma ara romana, parecendo reconstrução de antigo santuário situado no outeiro oposto à vila, com vários possíveis miliários deitados na berma da estrada que passa na sua base; entra na vila pela rua do Pelourinho, passa junto do fragmento de um possível miliário e segue para a Porta Sul, onde existe outro possível fragmento de miliário, saindo da aldeia pela rua da Calçada rumo ao rio Erges; 2 aras dedicadas a Erbine na capela de Sta. Marina, 2,5 km a norte de Segura e junto da ribeira homónima, indiciam um templo romano no caminho para Salvaterra do Extremo)
    Ponte Romana de Segura sobre o rio Erges (5 arcos; pela EN355 faz fronteira; arco central e tabuleiro reconstruídos)
    Piedras Albas (Estorninos)
    Ponte Romana de Alcântara sobre o rio Tejo (ex-líbris das pontes romanas na Hispânia)
    Alcántara (ver traçado)
    NORBA CAESARINA (Cáceres) (onde entronca na chamada "Via de la Plata" que ligava Astorga a Cádiz no sentido N-S)
    AUGUSTA EMERITA (Mérida) (caput viarum)

    VIA XII - Item ab OLISIPONE EMERITAM m. p. CLXI

    Mapa

    Lisboa Alcácer



    Variante por Montemor













    Variante por Alcáçovas








    Évora-Elvas






    Variante por Vila Viçosa


    ITINERARIO XII - Lisboa (OLISIPO) - Alcácer do Sal (SALACIA) - Évora (EBORA) - Mérida (EMERITA)    CLXI milhas - 238.5 km
    OLISIPO
    AQUABONA
    CATOBRICA
    CAECILIANA
    MALATECA
    SALACIA
    EBORA
    AD ATRUM FLUMEM
    DIPONE
    EVANDRIANA
    EMERITA

    m.p. XII
    m.p. XII
    m.p. VIII
    m.p. XXVI
    m.p. XII
    m.p. XLIIII
    m.p. VIIII
    m.p. XII
    m.p. XVII
    m.p. VIIII
    Apesar a sua importância, o Itinerário XII de Antonino continua cheio de incógnitas e incertezas devido à dificuldade em acertar as distâncias das estações. Partindo de Lisboa, a via teria que atravessar o rio Tejo, seguindo depois rumo a Salacia (Alcácer do Sal) passando em três estações intermédias com localização bastante problemática: Aquabona, Caeciliana e Malateca. Se os vestígios romanos recentemente encontrados em Setúbal reafirmam a localização de Caetobriga nesta cidade, por outro lado, nas outras estações intermédias, subsistem as dúvidas pois não há concordância das distâncias indicadas com a medição no terreno pois o Itinerário indica 70 milhas entre Olisipo e Salacia quando a distância real é de 58 milhas. É muito provável que a habitual interpretação deste itinerário como uma sequência de estações tem de ser revisto, sobrando 12 milhas que poderia corresponder a um desvio para Caetobriga, admitindo a localização de Aquabona na foz do rio Coina que está precisamente a 12 milhas de Setúbal. Desta forma acerta-se a distância total entre Lisboa e Alcácer e acerta-se as 26 milhas indicadas para Malateca, correspondendo à distância entre Coina e a ribeira da Marateca. Esta hipótese obriga a colocar Caeciliana no troço entre Marateca e Alcácer e para haver concordância com as milhas indicadas no I.A., estaria a 8 milhas de Alcácer e a 12 milhas da Marateca, onde encontramos a aldeia de Palma, estação viária mencionada no «Roteiro Terrestre» do MPAM, situada junto da travessia da ribeira de S. Martinho. O troço seguinte entre Salacia e Ebora é bem mais conhecido com duas prováveis variantes, uma mais directa passando a sul de Montemor-o-Novo, provavelmente a via principal e outra mais a sul que seguia por Alcáçovas e Ns. de Tourega. A partir de Évora, a via seguia para Mérida, passando nas três estações referidas no I. A., Ad Atrum Flumen, Dipo e Evandriana cujas localizações são discutidas a seguir. (vide Bilou, 2000a; Almeida, 2000; Faria, 2002; Almeida et alii, 2011; Carneiro, 2008).

    Lisboa (OLISIPO) (este itinerário partia do porto romano da Praça do Comércio e atravessava o rio Tejo rumo a Aquabona que o I.A. situa a 12 milhas de Lisboa; ora esta distância corresponde aproximadamente à foz do rio Coina, junto da povoação homónima que era acessível por via fluvial através do braço do Tejo que penetra terra dentro; no entanto, não é possível descartar uma alternativa terrestre com desembarque no Porto de Cacilhas, atendendo a que neste local há vestígios de cetárias no Largo Alfredo Dinis e um povoado na Qta. do Almaraz, seguindo depois a rota da EN10 até Coina, pontuada por vestígios romanos como a olaria da Qta. do Rouxinol em Corroios, a mina de Vale dos Gatos em Amora, a necrópole da Qta. de S. João em Arrentela e a mina de Foros da Catrapona, ao km 15 da EN10, com uma possível mutatio no Casal do Marco, junto da travessia do rio Judeu; também deveriam existir ligações ao porto fluvial da Moita e ao «Porto dos Cacos», em Alcochete, junto do qual existia uma olaria, mas é pouco provável que qualquer destas alternativas integrasse esta via)

    Coina (AQUABONA) (mansio na milha XII; daqui a via seguia para Caetobriga localizada segundo o I.A. a 12 milhas de Aquabona e que corresponde à distância medida no terreno entre Coina e Setúbal; a via seguiria pelo Alto das Necessidades e Qta. da Calçada ao longo da vertente oeste e sul da Serra de S. Luís, descendo a Setúbal pela chamada Calçada ou «Estrada do Viso», troço da via romana bem preservado entre o Grelhal e Casal das Figueiras, a rua da Estrada Romana, entrando na cidade pelo Bairro do Tróino; a nordeste, no Alto da Queimada, Serra do Louro, Palmela, fica o Povoado de Chibanes que Amílcar Guerra associou à Caepiana de Ptolomeu)

    Setúbal (CAETOBRIGA) (mansio a 24 milhas de Olisipo localizada no centro da cidade, atendendo aos importantes vestígios recentemente descobertos na Av. Luísa Todi e à concordância das 12 milhas indicadas no itinerário entre Aquabona e Caetobriga; a partir daqui o percurso é desconhecido devido às incongruências do I.A.)

    CAECILIANA (segundo o I.A., esta enigmática mansio estaria a 8 milhas de Caetobriga e a 26 de Malateca, o que é inviável porque estas 34 milhas correspondem à distância total entre Setúbal e Alcácer; para além disso não há vestígios romanos assinaláveis entre Setúbal e a Marateca pelo que é possível que esta estação estivesse antes no troço entre Marateca e Alcácer; ora neste troço existe um acidente importante, a travessia da ribeira de S. Martinho que está a 8 milhas de Alcácer, mas não são conhecidos vestígio atribuíveis a uma mansio, apesar do sugestivo topónimo Monte da Ponte da Pedra indicar rota antiga; corrigindo o I.A., a mansio Caeciliana ficaria então a 12 milhas da Marateca e a 8 milhas de Alcácer, perfazendo 20 milhas que é exactamente a distância entre a Ponte da Marateca e Alcácer)

    Marateca (MALATECA) (mansio; esta estação viária poderá estar relacionada com a travessia da ribeira da Marateca, onde subsiste uma ponte antiga situada entre as duas pontes modernas da EN5, com a mansio situada defronte, junto do cemitério, no chamado Castelo dos Mouros, com vestígios que apontam para uma estrutura viária; a via deveria seguir a rota da EN5 por Palma, atravessando a ribeira de S. Martinho junto do Monte da Ponte da Pedra, passando depois próximo do Monte da Volta, do Alberge e Igreja do Monte de Vale de Reis, Igreja de S. Lourenço, ambas com vestígios romanos, inflectindo depois para sudoeste pelo Monte das Águas Pousadas)

    Alcácer do Sal (SALACIA Imperatoria) (oppidum, sede de civitas, mansio e importante porto a 58 milhas de Lisboa; a via entrava na cidade pela rua da Fábrica, passando junto do Convento de St. António, marginando a necrópole de S. Francisco de Frades até atingir a base do morro do castelo onde estaria o forum; necrópole na Azinhaga do Sr. dos Mártires; vestígios do aqueduto 1 km a nordeste; ver Museu Pedro Nunes; Faria, 2002)
    • Porto Marítimo de Alcácer do Sal: no estuário do Sado ainda existem importantes vestígios do comércio por via marítima centrado no porto de Alcácer do Sal, articulado com os entrepostos comerciais e centros de transformação da actividade piscícola em Tróia, Portinho da Arrábida (Creiro), Outão (Praia da Comenda) e Setúbal, assim como os mais de 20 centros de produção de ânforas, como a Feitoria Fenícia de Abul, do Monte do Bugio e da Herdade do Pinheiro; nesta última, André Resende registou um cipo dedicado ao imperador Cómodo nas «ruínas de uma povoação» situada a 20 mil passos de Caetobriga e a 16 mil passos de Salacia; este cipo que Resende inclui na descrição da via romana de Lisboa a Évora, não seria uma miliário dado que apresenta uma inscrição de carácter honorífico, talvez colocada pelo habitantes do vicus portuário que aqui deveria existir, associado à indústria de fabrico de ânforas cujos fornos são ainda hoje visíveis; provável ligação à via principal que corria mais para o interior, assegurando o escoamento dos produtos por via fluvial. (CIL II 8; Resende, 1593:148-149).
    • Via fluvial pelo rio Sado (Callipus): o rio Sado era navegável na era romana ligando ao hinterland alentejano com imensos vestígios de villae e portos fluviais ao longo das suas margens relacionados com o comércio fluvial, a saber: Herdade da Barrosinha (villa), Porto de Rei (villa e porto fluvial), Monte da Casa Branca (villa e calçada com 200 m), Portinho (villa), Benagazil, S. Romão, Porto Carro (porto fluvial), Herdade dos Frades (villa), Portancho (villa) e Monte da Qta. de D. Rodrigo (calçada; ligaria a Alcácer?), na foz do rio Xarrama, rio que subia até ao Torrão passando ao lado da capela de S. João dos Azinhais na Herdade de Arranas (ara a Júpiter) e em Passadeiras. O rio continuava navegável para montante, passando na villa na Herdade da Qta. de Cima, seguindo provavelmente até Sta. Margarida do Sado.
    • Via principal para Montemor-o-Novo: depois de Alcácer, a via principal deveria seguir pela margem direita da ribeira de Sítimos, atravessando o concelho de Montemor-o-Novo até Valverde e daqui a Évora, percorrendo as 44 milhas indicadas no Itinerário de Antonino, o que corresponde à distância medida entre as duas cidades.
    • Variante por Alcáçovas: Esta variante seguia mais a sul atravessando a ribeira de Sítimos junto da villa de Sta. Catarina de Sítimos (miliário), seguindo depois por Alcáçovas e Tourega em direcção a Évora, confluindo na variante por Montemor junto do marco da Esparragosa, às portas da cidade; (Bilou, 2000a; António Carvalho, 2009).

    Via para Évora pelo concelho de Montemor-o-Novo (5 miliários)
    Alcácer do Sal (sai da cidade rumo a nordeste, passando ao lado da necrópole do Bairro do Crespo na rua Miguel Bombarda e segue pela margem direita da ribeira de Sta. Catarina de Sítimos/EN253)
    Monte dos Carvalhos de Baixo, Pego do Altar (possível miliário anepígrafo; villa de Pedrões na margem esquerda)
    Santa Susana (villa da Portagem indicia uma statio neste local; Resende e mais tarde Breval transcrevem um miliário a Caracala na margem do «Riuo Maurino», actual ribeira de Remourinho, zona hoje submersa pela albufeira da barragem do Pego do Altar (CIL II 434; Resende, 1593: 149-150, Breval, 1726); continua na outra margem em Freixial pela EM1066 e pela «Estrada da Calçadinha» na Herdade da Biscainha)
    Foros de Pinheiro, S. Cristóvão (passa a sul, por Monte da Fonte da Pedra, Poço Novo, Alto do Outeiro Caído, Monte da Chaminé, da Barbosa, da Parreira e das Canas; Ponte Romana?)
    Monte da Prata, Casa Branca, Santiago do Escoural (miliário anepígrafo em 2 fragmentos; continua por Álamo; ara na Herdade da Igreja)
    Monte da Venda, S. Brissos (provável mutatio onde existem dois fragmentos de um miliário anepígrafo; outro miliário anepígrafo foi deslocado para a capela de S. Brissos)
    Travessia da ribeira de S. Brissos (a via continua em terra até ao Monte dos Andrades, onde existe um miliário anepígrafo, e daqui ao Monte do Freixo)
    Valverde (depois da aldeia, atravessa a ribeira de Valverde, 800 m depois, na Herdade da Mitra, a 150 m do desvio para a Anta Grande do Zambujeiro aparece um miliário anepígrafo [milha VII?] [ver foto]; segue junto ao monumento comemorativo chamado "Pedra da Pinha", milha VI(?), a norte do Monte da Alfarrobeira, onde existe um miliário; referência de Mário Saa a um "viaduto" na Herdade da Murteira)
    Travessia da ribeira da Viscossa (segue talvez pelo caminho rural pelas Qtas. das Tacinhas de Fora, Carranca, Cabeça da Guarda e Silveirinha)
    Esparragosa (segue próximo do marco geodésico/moinho, e logo a 50 m para poente, o fuste de um miliário anepígrafo; pouco depois conflui com a variante por Alcáçovas descrita abaixo e juntas rumam a Évora)

    Variante para Évora por Alcáçovas (6 miliários)
    Alcácer do Sal (segue pela margem direita da ribeira de Sítimos que atravessa junto do Monte da Arcebispa)
    Santa Catarina de Sítimos (importante villa romana dentro da povoação; a via deveria seguir pelo sítio da Torre, entre as villae de S. Catarina e de Porto da Lama pois junto ao campo de aviação apareceu um miliário da Tetrarquia, Constante, Galério, Maximiano e Diocleciano que está hoje no Museu Pedro Nunes em Alcácer, IRCP671)
    Alcáçovas (cupa funerária em forma de barrica, CIL II 86, hoje no acervo do MNA; seguiria próximo da villa romana, a 800 m da estação C.F.)
    Ponte Romana?-Medieval de Alcalainha, S. Brás do Regedouro (na confluência das ribeiras de S. Brissos e Viscossa, formando a ribeira das Alcáçovas)
    Monte dos Tabuleiros de Baixo (XII milhas a Évora; André de Resende refere dois miliários «in preadio quod vocat Tabularios», dando um como ilegível e o outro como um miliário a Maximiano, CIL II 433, indicando 12 milhas a Évora o que corresponde à distância no terreno; Mário Saa ainda fotografou um deles, mas hoje está desaparecido)
    Monte do Zambujeiro, Ns. de Tourega (epitáfio de Mailoni; hoje Qta. de S. Jorge)
    N. Sra. da Tourega (a via passa no chamado Porto da Calçadinha e 150 m depois surge o fragmento do miliário a Maximino e Máximo junto da igreja e do acesso à magnífica Villa romana das Martas [milha VIII a Évora?]; Resende registrou uma inscrição funerária em mármore colocada por Calpurnia Sabina ao seu marido Quinto Iulio Maximo, questor da província da Sicília, eleito tribuno da plebe da província Narbonense, designado pretor da Gália e aos seus dois filhos, quatuórviros responsáveis pela manutenção das vias, «IIII viro viarum curandarum», CIL II 112, hoje no Museu de Évora; Resende, 1593:152-153)
    Herdade do Barrocal (1.5 km à frente, existe um miliário anepígrafo tombado [milha VII a Évora?])
    Travessia da ribeira da Viscossa ou de Peramanca (vestígios de calçada na margem esquerda; o caminho continua para nordeste)
    Cabida (no cruzamento do caminho com o acesso à Qta. do Pomarinho existe um fragmento de miliário [milha VI], cujo fuste epigráfico, aparece pouco mais à frente, junto ao caminho que deriva da EN para o Monte das Flores; entretanto transferido para o Convento dos Remédios; FE469)
    • Possível derivação para a travessia do rio Xarrama na Moita da Carne, a vau (?), entroncando na via romana Évora-Beja na outra margem.
    • Existe uma antiga estrada proveniente da Ns. da Boa Fé com vestígios de calçada em Monte do Escrivão, Monte da Ponte que atravessava a ribeira de Peramanca em Alcamizes e seguia para Esparragosa, onde entroncava na Via Salacia Ebora aqui descrita.

    Troço comum da Esparragosa até Évora
    As duas variantes confluem a seguir ao marco geodésico da Esparragosa, junto à rotunda do parque de campismo, entrando na cidade pela Porta do Raimundo e seguindo pela rua do Raimundo, Praça do Giraldo, rua 5 de Outubro até à acrópole.

    Évora (EBORA) (mansio a CXIII milhas de Olisipo e XLIII milhas de Salacia; o decumanus maximus seria a actual rua Vasco da Gama; Templo de Diana; muralha romana; excelente colecção de epigrafia no Museu de Évora; impressionantes Termas Públicas na Praça de Sertório, dentro da C.M.)
    A partir de Évora, a via continuava a sua rota para Emerita passando nas três estações referidas no Itinerário XII, Ad Atrum Flumen, Dipo e Evandriana cujas localizações são ainda discutidas; seguramente que existem incongruências no itinerário porque as 47 milhas indicadas entre Évora e Mérida (70 km) não correspondem à distância entre estas duas cidades que ronda os 190 km. Para a primeira estação depois de Évora, Ad Atrum Flumen, literalmente «junto ao rio Atrus», o itinerário indica apenas 9 milhas (13,2 km) o que colocaria a mansio junto da ribeira da Pardiela na rota norte ou da ribeira de Machede na variante sul, mas é duvidoso que estes pequenos cursos água justificassem uma mansio por si só. Seguindo as distâncias expressas no itinerário então Dipo poderia situar-se em Évora Monte, onde há miliário, e a estação seguinte, Evandriana teria que estar 17 milhas adiante pelo que seria impossível que estivesse também a 9 milhas de Mérida, a não ser que houvesse estações intermédias omitidas no itinerário. Assim é mais provável, conforme sugerido por trabalhos mais recentes, que estas incongruências surjam da junção de duas vias, uma ligando Olisipo a Ebora e outra entre Ebora e Emerita pelo que a partir de Évora, as milhas indicadas devem ser contadas a partir de Mérida, como caput via. Deste modo, Ad Atrum Flumen estaria a 38 milhas de Emerita, o que corresponde à distância da capital da Lusitânia ao rio Xévora, o rio Atrus na era romana, hoje fazendo de fronteira luso-espanhola (Gorges e Martín 1999 e 2000; Almeida et alii, 2011). Atendendo aos dados disponíveis, o percurso a partir de Évora teria duas possíveis variantes, uma contornando a Serra da Ossa pelo norte e outra pelo sul, a primeira seguindo o corredor Évora-Estremoz e que teria uma estação em Évora Monte pois aí se achou um miliário (no sítio romano de S. Marcos), e a outra variante sul que seguia pelo vicus de Bencatel até Vila Viçosa, onde também se achou um miliário; ambas as variantes iam de encontro ao Itinerário XIV, o outro itinerário entre Lisboa e Mérida que vinha por Alter, confluindo um pouco antes de Elvas. A partir daqui não é claro se as vias seguiam o mesmo percurso até Mérida, ou se pelo contrário, esta via de Évora a Mérida seguia um percurso alternativo pela margem esquerda do Guadiana, hipótese apoiada no facto de a estação seguinte neste itinerário, Evandriana, não aparecer nos outros dois itinerários ligando Olisipo a Emerita. (vide Bilou, 2000a; Calado, 1993; Matatolo, 2001; Almeida, 2000; Almeida et alii, 2011; Carneiro, 2011).

    De Évora a Estremoz por Évora Monte
    Évora (sai pela medieval Porta de Machede e segue pelo caminho rural da Qta. das Nogueiras; a recente descoberta de uma necrópole na Escola Secundária Gabriel Pereira, a 1ª descoberta em Évora, pode estar relacionada com esta via)
    Travessia do rio Xarrama no sítio do Porto (continua paralela ao C.F., próximo da Qta. do Sande, Qta. da Retorta e Qta. da Lagardona em Garraia)
    Montinho da Piedade (4 possíveis miliários reaproveitados como suporte duma laje, no caminho de acesso ao monte; continuaria junto ao C.F.)
    Travessia do rio Degebe (da ponte nova segue à direita por um caminho rural paralelo ao C.F., para Vale de Figueirinhas até à)
    Monte da Sousa da Sé (um miliário anepígrafo à entrada do largo, fragmentado em duas partes, e um monólito em forma de menir, possível miliário; continua pelo caminho rural paralelo ao C.F. até à travessia da ribeira da Fonte Boa ou do Freixo)
    Monte do Freixo (daqui segue o caminho rural e depois em calçada por 2,5 km até ao Solar do Castelo Ventoso)
    Azaruja, S. Bento do Mato (do Castelo Ventoso, passava a poente de Azaruja pelo Monte do Almo e Monte da Venda, onde existem 2 miliários anepígrafos em 3 fragmentos e se achou uma placa funerária, IRCP 407)
    S. Bento do Mato (passa próximo da igreja paroquial)
    Évora Monte (na Igreja de Sta. Maria, antiga da Ns. da Conceição, existe um miliário a Crispo, Licínio Júnior e Constantino II, reaproveitado na pia baptismal; IRCP 674; indicaria a distância a Évora de cerca de 21 milhas; no entanto o miliário deverá ser proveniente do sítio romano da ermida de S. Marcos, provável mansio no sopé do monte e junto da via romana que seguia rumo à travessia da ribeira de Têra em Pego do Sino, onde há notícia de ter existido uma ponte)
    S. Bento do Ameixial (do Pego do Sino seguia para Estremoz talvez por Coelha Amarela, Represa, Castelinhos, Aldeias e Fonte do Imperador)
    Estremoz (oppidum romano? castro?; a via seguia a sul da cidade, passando junto do provável vicus da Sra. dos Mártires, junto capela, associado ao «Tanque dos Mouros», estrutura para contenção de água cortada pela EN4 ao Km 145; a via passaria poucos metros a sul do vicus num local conhecido por «Horta do Agacha», dado que em 1784 apareceu aqui um miliário a Crispo, Licínio Júnior e Constantino II, IRCP 675; aqui apareceu também uma raro monumento votivo a Cibeles, a Magna Mater, erigido pelo liberto Iulius Maximianus que deveria estar junto da via, IRCP440; Carneiro, 2011)
    Ligação de Estremoz a Abelterio e Ammaia:

    De Estremoz a Elvas:
    Estremoz (a via seguia por Orada e Vila Fernando)
    Orada (segue junto do cemitério, passa na Presa e depois Serra de Aires, onde sai à direita pelo estradão de terra que segue por 5 km para o Monte de Alcobaça, um dos poucos troços de via ainda preservados no Alentejo!)
    Herdade de Alcobaça, Vila Fernando (2 miliários, um é dedicado a Caracala, apareceu no sítio de «Cabanas» (?) e está hoje no Museu Arqueológico de Vila Viçosa, e o outro é um miliário a Diocleciano e Maximiano que indica 65 milhas a Mérida, IRCP 670, hoje no MNA, indiciando que esta região estaria já em território Emeritense; o troço da via ainda intacto segue por 10 km rumo ao monte, seguindo depois por Alcarapinha, onde há notícia de um miliário que poderá ser a coluna na esquina do monte)
    • André de Resende refere 2 miliários hoje desaparecidos «in agro Stermotiensi, non procul a pago Borbacena», ou seja «na região de Estremoz, não longe de Barbacena», designadamente um miliário a Caracala, IRCP 661, do qual apenas leu as primeiras linhas e o miliário a Heliogábalo, IRCP 663, este com a inscrição completa, lendo na última linha «[Eb]ora m. p. XXII», ou seja 22 milhas a Évora; no entanto esta distância nunca poderia ser relativa a Évora dado que esta cidade fica bem mais distante; uma alternativa viável seria considerar que as milhas indicadas não se referem a Évora mas à mansio junto do rio Atrus (hoje rio Xévora) que fica a cerca de 22 milhas de Barbacena; deste modo a contagem das milhas seria feita no sentido Mérida-Évora, tal como se verifica no miliário achado na Herdade de Alcobaça que indica 65 milhas a Mérida; seguindo este raciocínio, este miliário estaria a 60 milhas de Mérida e a cinco milhas do miliário de Alcobaça, o que corresponde à passagem da via na Atalaia dos Sapateiros, a sul de Vila Fernando (Resende, 1593:154-155).
    • Nó viário na Atalaia dos Sapateiros: o local de cruzamento da Via XII com a via XIV seria no Chafariz de El-Rei, no sopé do importante povoado da Atalaia dos Sapateiros e junto do Monte da Atalaia Novo (entre Vila Boim e Vila Fernando) seguindo depois para Elvas; este percurso é marginado por villae em Monte de S. Romão/Serra Branca, Carrão, e Trinta Alferes; atendendo às 65 milhas indicadas no miliário da Herdade de Alcobaça que fica a cerca de 2 milhas, o cruzamento seria na milha 63, o que concorda com a distância medida entre esta área e a capital da Lusitânia de cerca de 94 km; daqui a via rumava a Elvas pelo Monte das Casas Velhas e Monte do Menino d'Ouro até Calçadinha, topónimo que lembra a passagem da via na entrada oeste da cidade de Elvas. (Almeida MJ, 2000; Carneiro, 2011).
    • Diverticulum de ligação à VIA XIV: é possível que existisse uma via romana partindo do nó viário da Atalaia dos Sapateiros, seguindo para nordeste de encontro aos I.A. XIV e XV que passavam na região de Campo Maior rumo a Mérida; a via seguia talvez a sul de S. Vicente e Ventosa pelo Alto de Pereiras e a norte da importante villa das Qta. das Longas e a sul da villa do Monte da Silveira, onde há vestígios de calçada, continuando depois pelo sopé do Castro de Segóvia para ir atravessar o rio Caia no Porto da Amoreirinha, continuando depois pelos altos do Retiro, da Godinha e da Roça de encontro às vias para Emerita Augusta.

    Continuação para Mérida
    Elvas (Resende menciona 2 miliários levados da via para a casa de um fidalgo em Elvas; Resende, 1593:155; epitáfio de Axonius, veterano da Legião XX originário de Firmo Piceno, hoje a cidade de Fermo em Itália; a via entrava pelo Chafariz de El-Rei para contornar a elevação de Elvas pelo vertente norte (?), seguindo depois por Horta do Moreno (Papulos) e Torre da Fonte Branca (santuário a Proserpina), Monte da Gramicha, acompanha a ribeira da Lã, inflecte para leste e seguia entre o Monte da Nora Úveda (villa) e Monte de S. Miguel pela Ponte do Lagarto, hoje soterrada ou mesmo destruída mas que Maria José de Almeida ainda fotografou em 2000; daqui a via marginava a villa de Alfarófia rumo à travessia do rio Caia, no local conhecido por «El Rincón de Caya» onde teria existido um ponte que é noticiada em 1926 já em ruína, seguindo depois para Gévora; Almeida MJ, 2000; Carneiro, 2011)

    AD ATRUM FLUMEM (mansio a 38 milhas de Mérida)
    Segundo o itinerário, Ad Atrum Flumen, literalmente «junto do rio Atrus», distava 38 milhas de Mérida, o que coloca esta mansio provavelmente junto da travessia do rio Xévora/Gévora, 6 km norte de Badajoz e junto da actual povoação homónima, dado a aqui apareceu um miliário a Carino provavelmente da milha 37. O povoado de Ad Atrum Flumen não teria muito mais do que a própria mansio e a sua inclusão num itinerário tão importante pode ser justificada pela possibilidade de ser aqui a fronteira entre o Conventus Pacensis e o Conventus Emeritenses (Almeida et alii, 2011). A rota daqui a Mérida continua em discussão, mas é provável que seguisse pela margem esquerda do Guadiana, dado que não existem estações comuns com as vias XIV e XV, os outros dois itinerários para Mérida que seguiam pela margem direita; por outro lado temos um miliário a Magnêncio indicando 16 milhas junto à villa da Torre Águilla em Barbaño (Montigo, Badajoz), sítio que estaria na margem esquerda do rio em época romana, mas que hoje está na margem direita devido à mudança ocorrida no curso do rio. Consequentemente deverá procurar-se as mansiones de Evandriana, a 9 milhas de Mérida e de Dipo, a 26 milhas, na margem esquerda do Guadiana, respectivamente nas imediações de Torremayor e Talavera la Real. (Gorges e Martín, 1999)

    Travessia do rio Guadiana (Anas) (talvez junto da ilha de Romo, perto de Cortijo de Sagrada, milha XXV da Via XV)
    Badajoz (segue pelo chamado «caminho de Malpartida» até à travessia da ribeira dos Limonetes, perto da confluência com o Guadiana e continua paralela à ribeira, cruzando a divisão administrativa entre Badajoz e Talavera la Real que coincide com a milha 28 a Mérida)
    DIPO (talvez em Talavera la Real, a 26 milhas de Mérida; seguia depois o «caminho velho de Lobón», atravessando o rio Guadajira até atingir a milha 17 nas proximidades de Lobón)
    EVANDRIANA (a 9 milhas de Mérida, talvez na villa romana de La Floriana em Torremayor)
    AUGUSTA EMERITA (Mérida) (caput viarum a 161 milhas de Lisboa)

      Variante sul Évora-Elvas por S. Miguel de Machede, Bencatel e Vila Viçosa (3 miliários)
      É possível uma variante partindo de Évora que seguia mais a sul passando em S. Miguel de Machede e Redondo e que ia entroncar na via principal já próximo de Elvas.
      Évora (esta variante poderia ser comum à via principal até à Qta. da Retorta, onde desviava para nascente pelo Bairro do Degebe, calçada da Qta. dos Altos e da Qta. Velha, atravessando o rio Degebe no sítio do "porto" onde há calçada, ou em alternativa, saía de Évora pela Qta. da Comenda, onde atravessava o Xarrama, seguia pela EN254 junto da capela de Sta. Bárbara do Degebe e pela calçada da Qta. do Lobo, atravessando o rio Degebe no vau lajeado junto ao Monte de Mauriz e seguia pela calçada da Qta. das Rosas, reencontrando-se em Fonte Boa; também é possível um desvio por Câmaras onde há calçada)
      Herdade da Fonte Boa do Degebe (segue para nordeste, passando próximo do marco geodésico das Pedras Brancas)
      Travessia da ribeira de Machede (seguiria próximo do Monte da Amendoeira e da villa do Monte da Barrosinha, onde André Carneiro achou um fragmento de um miliário anepígrafo que estava no caminho de acesso ao monte ao km 41 da EN254, entretanto desaparecido(!), seguindo depois próximo da villa no Monte da Morgada, de onde provém uma placa funerária, FE120)
      S. Miguel de Machede (segue a norte da povoação pelo Monte do Taful, Monte do Almo e da Aldeia, onde existe um miliário anepígrafo)
      Travessia da ribeira da Pardiela (algures entre o Monte da Teixeira e os Foros do Queimado, pela EN254)
      Redondo (antigo albergue na Venda do Redondo; 500 m adiante, ao Km 27 da EN254, toma o caminho à esquerda pelo estradão de terra que segue para o Monte do Hospital, passando assim a noroeste da vila; continua junto do fortim romano do Fortim Romano de Monte do Almo, localizado na pequena elevação junto ao monte, provável posto de controlo da via, no ponto de travessia da ribeira de S. Bento, continuando a direito para o Monte da Fonte da Cal, da Amendoeira, de Rial, atravessa a EN381 e segue para Horta da Velinha até entroncar na EN254 ao km13, seguindo por esta para Bencatel)
      Travessia da ribeira de Lucefecit (em Galvões?)
      Bencatel (vicus no sítio de «Vilares», na Herdade da Galharda de onde provém a inscrição dedicada a Fontano e Fontana junto de uma fonte no sítio da «Azenha das Freiras», CIL II 150, IRCP438; este povoado explorava as pedreiras romanas para extracção de mármore em Monte do Regoto, da Lagoa, d'El-Rei e Herdade da Vigária, esta destruída nos anos 70)
      Vila Viçosa (miliário a Constante achado nas redondezas, mas em sítio impreciso, IRCP 676, hoje no excelente Museu Arqueológico que guarda também o miliário do Monte de Alcobaça)
      • Em Vila Viçosa, a via cruzava com uma outra vinda dos lados de Estremoz rumo à travessia do rio Guadiana em Juromenha; ver percurso no Itinerário de Ponte de Sor a Juromenha.
      • A via deveria continuar de encontro à Via XII seguindo talvez por Terrugem, passando nas proximidades do vicus do Monte da Nora, provável estação viária tipo mutatio hoje destruída pela EN4 e por trabalhos agrícolas para ir entroncar na via XII no Chafariz de El-Rei na base da Atalaia dos Sapateiros, junto ao Monte da Atalaia Novo, ou mais adiante no Monte dos Trinta Alferes, confluindo nas vias para Mérida.

      Diverticulum para Juromenha por Alandroal (vide Calado, 1993, e Calado e Matatolo, 2001)
      Poderia existir também uma variante que desviava da anterior nas proximidades de Redondo e seguia para leste rumo a Alandroal e Juromenha, servindo as explorações mineiras da região; esta via deveria passar próximo do Fortim Romano do Caladinho, atravessava a ribeira de Lucefecit junto do Moinho da Sra. da Fonte Santa/Monte da Estacaria ou mais a jusante na Ponte do Monte da Fonte dos Ouros (cronologia insegura) e depois por Fonte Velha para Alandroal (hoje EN373), passando nas proximidades de dois importantes locais de culto, o Santuário Rupestre da Rocha da Mina e Santuário de S. Miguel da Mota, este dedicado ao Deus Endovélico e cujo templo terá sido desmantelado para a construção da capela (as muitas aras e estátuas recuperadas daqui foram levadas por Leite de Vasconcelos para o MNA, excepto uma que serve de altar na Igreja da Ns. da Boa Nova junto a Terena; o acesso faz-se a partir do Alandroal ao Km 5,6 da EN373, seguindo o estradão de terra que leva ao Monte de S. Miguel da Mota).

      Em Alandroal a via deveria passar próximo da villa da Tapada de Vilares (na Carta Arqueológica do Alandroal, Calado indica a azinhaga que atravessa a villa como possível via romana; ver Calado, 1993). A partir daqui é provável que derivasse uma via para Bencatel, uma ligação a Vila Viçosa (passando no vicus marmorarius designado outrora como «Vilares», compreendendo a ermida de S. Marcos, Tapada de Fonte Soeiro e «Fonte da Moura», local onde apareceu um altar votiva de Canidius, IRCP375, hoje no museu de Vila Viçosa) e para leste rumo ao rio Guadiana em Juromenha. Esta rede viária estaria muito ligada à exploração de mármores da região; uma outra via no sentido N-S servia também a actividade mineira oriunda pelo menos desde Capelins que ia atravessar a ribeira de Lucefecit junto do fortim romano do Outeiro dos Castelinhos (importante estrutura romana ao abandono!), seguindo por Rosário, Mina do Bugalho, S. Brás dos Matos e Juromenha (onde podia atravessar o Guadiana; povoado na Malhada das Mimosas; tessera hospitalis em bronze), seguindo um ramal para o vicus do Monte da Nora em Terrugem (passando entre os casais rústicos do Monte do Outeiro, da Aboboreira e da Queimada em Ciladas) e outro na direcção de Elvas, confluindo todas nas vias para Mérida.

    VIA XIV - Alio itinere ab OLISIPONE EMERITAM m. p. CLIIII

    Mapa































    ITINERARIO XIV - Lisboa (OLISIPO) - Alter do Chão (ABELTERIO) - Mérida (EMERITA)    CLIIII milhas - 228 km
    ARITIO PRAETORIO
    ABELTERIO
    MATUSARO
    AD SEPTEM ARAS
    BUDUA
    PLAGIARIA
    EMERITA
    XXXVIII
    XXVIII
    XXIIII
    VIII
    XII
    VIII
    XXX
    Apesar de ser a principal rota entre Olisipo a Emerita, o seu percurso ainda suscita muitas dúvidas pois não é clara a localização de algumas das estações referidas no I.A. Desde logo a distância entre Lisboa e a primeira estação indicada, Aritium Praetorium, nunca poderia ser de apenas 38 milhas como sugere uma leitura sequencial do itinerário, sendo mais provável que duas primeiras estações, Ierabriga e Scallabis, tenham sido omitidas no itinerário, dado que essas estações já são indicadas no Itinerário XVI que liga Lisboa a Braga. Assim Aritium Praetorium estaria a 38 milhas não de Olisipo mas de Scallabis o que colocaria a mansio para lá da aldeia do Semideiro, provavelmente num dos 4 locais indicados a seguir: no lugar do Poiso em Tamazim, onde apareceram vários miliários e outros vestígios importantes, junto da encruzilhada da Venda das Mestas, dado que aqui seria o cruzamento com a Via Tomar-Évora e por último, na Herdade de Água Branca de Cima, dado que este local fica a precisamente 38 milhas de Almeirim e a 28 milhas de Alter do Chão, estando portanto de acordo com as distâncias apresentadas no itinerário (vide Carta Arqueológica de Abrantes). No século XVI André de Resende enumerou um total de 16 marcos no troço entre Tamazim e Vendas das Mestas sem indicar os locais onde se encontravam, mas pela sequência de miliários foi possível fazer uma tentativa de associar estes miliários a locais precisos ao longo do trajecto. (Resende, 1593: 151-169). O tramo inicial até Santarém teria um traçado comum, tanto à via entre Lisboa e Braga, o Itinerário XVI, como à sua variante norte ou Itinerário XV. Depois de atravessado o rio Tejo entre Santarém e Almeirim, a via rumava para leste por 38 milhas até à estação de Aritium Praetorium. Daqui continuava em direcção de Ponte de Sor e da magnífica Ponte Romana da Vila Formosa, rumo a Abelterio, mansio hoje definitivamente localizada em Alter do Chão; a partir daqui surgem vários itinerários alternativos pelo que as estações seguintes continuam sem localização precisa; primeiro Matusaro, a 24 milhas (35,5 km) de Alter do Chão que poderá situar-se a sul de Arronches e 8 milhas depois surgia a estação de Ad Septem Aras que estará localizada em Degolados, Barragem do Caia ou Campo Maior, portanto já muito próximo da fronteira actual; deste modo as duas estações seguintes, Budua e Plagiaria ficariam já em território Espanhol. Ao longo do percurso surgem vários diverticula orientados para sudeste de encontro à via romana procedente de Ebora rumo a Emerita que corria por Estremoz e Elvas, a Via XII do I.A.

    Lisboa (OLISIPO)
    Alenquer (IERABRIGA a 30 milhas)
    Santarém (SCALLABIS a 32 milhas)

    Travessia do Tejo:
    O Itinerário XIV fazia a travessia do rio Tejo entre Santarém e Almeirim, onde há referências a uma «ponte de fundação romana» sobre a Vala Velha em Terrugem, inflectindo depois para norte até atingir Alpiarça, local onde voltava a inflectir agora para nascente em direcção a Ponte de Sor; no entanto é muito provável a existência de outras travessias a jusante de Santarém que ligariam a Almeirim, ou seja à via principal para Mérida, por uma via secundária que seguia ao longo da margem esquerda do rio Almeirim:
    • Reguengo - Escaroupim, travessia entre Reguengo (Valada, Cartaxo), onde havia vestígios de calçada, e Escaroupim (Marinhais, Salvaterra de Magos), podendo ter continuidade, conforme sugeriu Saa, para Glória do Ribatejo até ao porto fluvial de Coruche, servindo o intenso povoamento romano do Vale do rio Sorraia; poderia existir uma continuação por via terrestre ao longo do Vale do rio Sorraia rumo a Ponte de Sôr, ligando à Via Lisboa-Mérida, havendo vestígios de povoamento em Erra e Sta. Justa, mas estando estes sítios na margem do rio seria mais plausível apenas uma rota fluvial de escoamento de produtos agrícolas. Ver também o Itinerário Santarém-Évora.
    • Porto de Muge - Porto de Sabugueiro, possível travessia do Tejo entre Porto de Muge e Porto de Sabugueiro, importante porto fluvial romano com vestígios de uma villa ou acampamento romano.
    • Via entre Escaroupim e Almeirim, passa na Ponte Romana? de Muge e segue a EN118 por Benfica do Ribatejo, marginando as villae de Alqueva da Branca, Azeitada, Vale de Tijolos/Qta. do Casal Branco e Eira da Alorna, sendo provável que um destes sítios correspondesse a uma mutatio, até chegar a Almeirim, onde entronca na via principal para Mérida.

    VIA XIV - Itinerário de Almeirim a Ponte de Sor
    Almeirim (a via romana deveria seguir o traçado da actual EN118, passava junto do acampamento militar do Alto dos Cacos, na margem esquerda do paúl do Vale de Peixes, percurso pontuada pelos miliário da Fábrica de Tomate, os 2 miliários de Goucharia e o miliário na Qta. da Goucha, seguindo depois pela Qta. dos Patudos)
    Alpiarça (acampamento militar romano do Alto de Castelo, controlando a penetração no 'hinterland' do estuário do Tejo e a via romana que aqui inflecte para nascente rumo ao Semideiro, passando talvez por Casalinho e depois seguindo pelos altos do Sartel, do Ameixial, dos Sete Sobreiros, do Canavial, da Perna Seca até chegar a Semideiro)
    Semideiro (em Vale da Lama apareceu um miliário a Constantino Magno, partido em dois, sendo que a base foi achada em 1987 na extrema das propriedades de Aranhas de Baixo e Vale da Lama e é designado por miliário de Vale da Lama I, FE152, para distinção do fragmento superior que apareceu num cabeço 130 m para sul, servindo de marco divisório do concelho e por isso designado por miliário de Vale da Lama II, FE318; o primeiro está hoje no Museu Municipal da Chamusca e o segundo está armazenado no Castelo de Abrantes)
    Tamazim (os dois miliários referidos por Saa junto da capela da Sra. da Luz, um dos quais servindo de cruzeiro, deverão corresponder à coluna que está derrubada no cabeço por detrás da capela e aos fragmentos encontrados na casa em frente)
    Poiso, Lagoa Seca (provável mutatio na milha XXXIII a 1500 m do Alto de Rapazes; Mário Saa colocou aqui o cruzamento com a estrada proveniente de Tomar)
    Alto dos Rapazes (milha 28; seriam daqui os 4 miliários referidos por Resende, um deles a Maximino, CIL II 439)
    Alto do Rapaz (milha 29; seriam daqui os 3 miliários referidos por Resende, um a Trajano, outro a Tácito, CIL II 4636=IRCP 666, e um terceiro onde apenas leu «restitutor urbis» que Saa atribuiu a Aureliano, CIL II 4634=IRCP 660a)
    Alto das Águas Negras (milha 30 no acesso ao Monte Novo; seriam daqui os 3 miliários referidos por Resende, um deles a Tácito, CIL II 4635=IRCP 665)
    Lagoa do Junco (milha 31 junto ao caminho; seriam daqui os 2 miliários referidos por Resende; num deles leu «co(n)s(ul) / IIII proco(n)s(ul) / refecit», CIL II 4637=IRCP 678)
    Venda das Mestas/Cevo de Muge/Sete Azinheiras (mutatio na milha 32, a 600 m da EN576 e a meio caminho entre Poiso e Água Branca de Cima; Francisco d'Holanda refere aqui "calçadas" nas chamadas "Mestas"; Resende refere 4 miliários «junto à encruzilhada a que chamam Mestas», um deles a Maximino e Máximo; esta «encruzilhada» poderia ser o cruzamento com a Via Tomar-Évora)
    Alto da Abegoaria (milha 33)
    Lagoa da Extrema do Copeiro ou dos Barreiros (provável mutatio a meio caminho, 4,5 km, entre Venda das Mestas e Água Branca de Cima; segue pelo Alto do Vale do Zebro onde segue pela EN2, com a milha 37 a ser vencida ao km 426)
    Água Branca, Bemposta (ARITIUM PRAETORIUM?) (mutatio ou mansio na milha 38)
    (provável localização de Aritium Praetorium dada a concordância com as distâncias indicadas no I.A., ou seja 38 milhas ao rio Tejo e 28 milhas a Abelterium; a milha seria vencida junto da EN2, ao km 427-428, no desvio para a Herdade da Água Branca de Cima; aqui a via inflecte para sul pelo caminho de terra e linha de festo que divide os concelhos de Abrantes e Ponte de Sor até ao Alto de Bufão, marginando um sítio romano de cariz viário nesta encruzilhada de caminhos, talvez uma mutatio, descendo depois ao Monte de Courelas para a travessia da ribeira de Domingão, seguindo a sua margem até cruzar a EN2, entrando na cidade pela estrada de Foros de Domingão)

    Ponte de Sor (da ponte romana que aqui existia restam apenas algures silhares reutilizados nos arcos do lado poente da ponte actual reconstruída em 1822; nas obras do mercado municipal em 1990 apareceu uma lápide de carácter monumental consagrada ao imperador TRAIANUS, FE162)
    • Diverticulum ad Via XII - Itinerário de Ponte de Sor a Juromenha por Estremoz e Vila Viçosa (Ribeiro, 2006)
      Logo após a travessia da ribeira de Sor um diverticulum seguia para sudeste rumo a Estremoz, onde cruzava com a Via XII Ebora-Emerita, continuando depois por Borba e Vila Viçosa rumo à travessia do rio Guadiana junto de Juromenha; inicialmente a via seguia talvez por Valongo rumo à travessia da ribeira da Seda e de Sarrazola em Benavila, junto da capela de Ns. de Entre-Águas (vários materiais romanos reutilizados na sua construção como o epitáfio de Lobesa encastrada na parede, CIL II 165; seria villa?), seguindo depois pelo Alto do Chafariz (ponte?), Poço das Grandezas (ao lado da via), Monte da Torre, onde atravessa a ribeira Grande para o Monte da Calçadinha, Ervedal (povoado no sítio da Ladeira, onde apareceu uma ara consagrada a Fontano junto de uma fonte, IRCP437; epitáfio de Hegesistrate proveniente da villa junto da capela da Defesa de Barros; no sítio do Castelo em Bembelide, Maranhão, apareceu uma ara votiva a Bandi Saisabro, hoje no Museu de Avis, FE206), continua por Vale da telha e próximo da villa da Represa (barragem dita «Ponte dos Mouros») até Cano (cruzando aqui com a via NE-SW que vem de Idanha-a-Velha rumo a Évora), continuando depois entre o Povoado de S. Bartolomeu e a villa da Torre do Álamo/Torre de Camões, passa junto da importante villa de Sta. Vitória do Ameixial e pela necrópole da Silveirona (miliário) até Estremoz. Esta via teria continuidade por Borba (villa da Cerca; ara a Quangeius Turicaeco proveniente de lugar incerto, FE174), Vila Viçosa (rua da Carreira?), S. Romão de Ciladas, Forte do Conde e Juromenha, onde atravessava o Guadiana, rumo a Olivença.

    VIA XIV - Itinerário de Ponte de Sor a Alter do Chão
    O troço seguinte ligava Ponte de Sor a Alter do Chão onde surgia nova mansio seguindo um percurso hoje praticamente seguro dado o grande número de miliários que pontuam o seu percurso que inclui a passagem na monumental ponte de Vila Formosa; na parte inicial a via seguia a EN119 para derivar logo depois num percurso paralelo hoje muito alterado; logo na milha seguinte, a cerca de 1,5 km da ponte, surge um miliário a Probo, IRCP 668, recolhido em 1910 por Leite de Vasconcellos «na junção da ribeira do Vale do Bispo com a ribeira do Andreu» que corresponde à zona da Ponte do Barata/Monte do Andreu; daqui a via romana seguiria a norte do Monte de Cabeceiros, onde apareceu um miliário anepígrafo, passava próximo da capela da Ns. dos Prazeres, na confluência das ribeiras do Vale de Açor e do Monte Novo, onde Mário Saa recolheu um miliário a Tácito, IRCP 666a, que está hoje em exposição na Fundação Paes Teles no Ervedal; há ainda referência a miliários em Vale do Contador e Camoa; continua pelo Monte do Freixial e Fonte da Cruz, possível mutatio onde apareceu um miliário talvez dedicado a Maximiano, junto do caminho paralelo à margem direita da ribeira do Monte Novo, assim como um anepígrafo e mais quatro fragmentos, num dos quais ainda se lia IMP CAE; daqui continuava próximo do alto de S. Marcos, onde apareceu um miliário com inscrição, e pelo Monte da Coreia, onde ainda lá está um outro miliário, este anepígrafo.

    Ponte Romana da Vila Formosa, sobre a ribeira de Seda (6 arcos, ex-líbris das Pontes Romanas em Portugal; EN369; em 1912, Félix Pereira indicava vários miliários nas proximidades da ponte, todos anepígrafos, o miliário a norte do marco geodésico de Vale do Gato, o miliário do Monte da Celada, já partido, outro no sítio da Celada, o miliário em Vale Perlim/Vale da Arrabaça e ainda mais 2 marcos separados por 3 a 5 km em Rascão; Pereira, 1912; a via seguiria pela Herdade do Monte Redondo, segue entre Monte da Porra e Casa de Alvalade, Arribanda das Colmeias, onde há calçada, e pelo caminho que ladeia o muro da Coudelaria de Alter; Carneiro, 2011)

    Alter do Chão (ABELTERIO) (mansio; miliário a Constâncio Cloro está numa casa particular, FE374; Frei Bernardo de Brito faz referência a um miliário «adiante de Ponte de Sor» dedicado a Lúcio Vero, onde se leria «AB EMERITA / m.p. LXXXXVI», transcrevendo André de Resende, ou seja a 96 milhas a Mérida o que corresponde à distância de Alter do Chão a Mérida; a via seguiria pela rua da Misericórdia e próximo da villa de Ferragial d'El Rei no topo SE do campo de futebol; calçada na Herdade da Torrejana; a indefinição quanto ao verdadeiro traçado da Via XIV a partir de Alter do Chão obrigam a considerar várias as variantes que integravam a vasta teia viária em época romana na região do Alto Alentejo)

    VIA XIV - Itinerário da variante de Alter do Chão a Campo Maior por Assumar (pela Estrada do Alicerce)
    Esta via romana ligava Alter do Chão a Campo Maior pela chamada «Canada do Alicerce», velho caminho que assenta sobre a via romana e ainda hoje bem marcado na paisagem, seguindo por Assumar e Alto dos Morenos (a sul de Arronches) rumo a Degolados, perto da qual deverá ser situada a mansio da Ad Septem Aras; Mário Saa descreve este caminho como «Estrada dos Louceiros» fazendo-o passar por Chancelaria, Ribeiro do Freixo (cruza a linha férrea), Ronha, Bedanais, Monte dos Caldeireiros e Monte Grande até Assumar; em 1937, Félix Alves Pereira indicava o percurso pelas seguintes sítios: Almarjão, Retaxo, Amoreira, Escravides, Monte do Mouro, Tapada do Alicerce, Soeira, Rabasca, Revelhos, Azeiteiros e Adens (Pereira, 1937; Vasconcelos, 1927-1929; Saa, 1958). Recentes estudos de André Carneiro permitem uma boa definição do percurso no terreno e abrem possibilidades para a sua valorização (Carneiro, 2011); partindo de Alter do Chão, a via romana seguia para leste, passando entre o Cabeço da Azinheira e Alter Pedroso, junto do Monte dos Tapadões, Horta do Pote, Monte da Fome e Anta.
    Assumar, Monforte (da estação ferroviária continua pela «Canada do Alicerce» no sentido NW-SE ao longo da linha férrea para o Monte da Torre)
    Arronches (passa entre o Monte da Torre e a Qta. do Carrefe, deturpação do topónimo viário «Arrecefe», onde existe um sítio romano designado por «Estalagem», outra referência viária, continuando depois por Belmonte/Alto da Safra/Monte d'El-Rei, Monte da Tapada do Diogo, cruza a EN246 e segue pelo Monte de Escarninhos para a travessia do rio Caia na desaparecida Ponte de S. Bartolomeu/Porto do Caia; daqui continua pelo Monte da Figueira de Baixo, Monte Branco e Monte Folinhos rumo à travessia da ribeira de Revelhos junto do monte homónimo e da capela de S. Bartolomeu, onde apareceu uma inscrição votiva dedicada a Libera, IRCP567; daqui a via segue um troço de calçada bem conservada até Granja do Peral, onde há um possível miliário, continuando depois entre o Alto de Perdigão e Monte dos Judeus rumo ao Alto dos Morenos onde cruza a EN371; daqui partia uma via romana que ligava às Minas da Tinoca)
    Ns. da Graça dos Degolados (da EN371 no Alto dos Morenos contornava a povoação pelo norte rumo ao Posto Fiscal de Azeiteiros, onde existe um possível miliário, nó viário de onde partia um acesso à mina romana do Monte Alto; continuava pelo Monte do Marco Alto, provável referência a outro miliário, onde inflectia para SE, passando próximo da Malhada dos Covões; aqui deveria bifurcar, seguindo um ramo para Campo Maior, marginando a importante villa do Monte das Argamassas enquanto o itinerário XIV seguia para Ponte da Enxarra)
    Campo Maior (provável vicus viário na Defesa de S. Pedro junta da Ermida de S. Pedro dos Pastores, dado que aqui aparecem muitos vestígios entre os quais dois miliários, um miliário a Domiciano (?), regravado, onde se lê EMERITE, hoje no Museu Municipal, e um miliário a Severo Alexandre hoje desaparecido que indicava 53 milhas a Mérida o que concorda com a distância medida no terreno entre as duas cidades, ou seja cerca de 78,5 km; FE115; estes marcos comprovam que estamos já em território Emeritense, no entanto permanece a dúvida se estes miliários pertenciam à via XIV ou XV ou a ambas, dada a incerteza na localização da mansio de Ad Septem Aras; ver abaixo)

    VIA XIV - Itinerário da Variante de Alter do Chão a Monforte (pela Estrada de S. Domingos e Estrada dos Castelhanos)
    Seguramente que existia uma via romana entre Alter do Chão e Monforte seguindo em direcção à importante estação viária do Monte das Esquilas, nó viário de onde partia um diverticulum rumo a Elvas, interligando assim a Via XIV com a Via XII que corria mais a sul no sentido E-W, via essa que cruzaria no sopé do povoado da Atalaia dos Sapateiros, já muito próximo de Elvas (Almeida MJ, 2000). Mas se o itinerário XIV utiliza esta variante, teria necessariamente de rumar a leste rumo a Campo Maior de encontro à mansio de Ad Septem Aras; (vide Carneiro, 2004, 2008 e 2011).
    Alter do Chão (segue sob a estrada actual até Alter Pedroso onde inflecte pela chamada «Estrada de S. Domingos», uma azinhaga com vários troços ainda em calçada que passa a 500 m para nordeste da importante villa da Qta. do Pião pela Horta da Fonte de Vide e pela vertente poente do marco geodésico do Monte das Ferrarias, junto da Tapada de Vaz e a sudoeste da villa sob as ruínas da Igreja de S. Pedro)
    Cabeço de Vide (a oeste existe o fortim romano da Malhada das Penas talvez relacionado com o controlo da via; ao chegar à vila, a via entronca na rua de Santo Mártir; cortando à esquerda e logo à direita por um troço de calçada com 700 m até ao Balneário Romano das Termas da Sulfúrea, a inscrição às Ninfas que apareceu na Igreja de Santa Maria, CIL II 168, hoje desaparecida, deverá ser proveniente daqui; no entanto a via seguia à esquerda para ir atravessar a ribeira de Vide junto da Qta. da Ponte, onde há notícia de sulcos de rodados no sítio de Arrociada, continuando na outra margem por Horta da Calçadinha, cruza a linha férrea e toma a chamada «Estrada dos Castelhanos» em direcção ao Monte dos Merouços, passando junto dos vestígios de uma possível mutatio e marginando a importante villa da Horta da Torre até atingir a travessia da ribeira do Carrascal, na base do assentamento do Castelo do Mau Vizinho; daqui a via seguia pelo Monte da Laranjeira para a travessia da ribeira do Juncal, servindo a partir daqui de extrema entre os concelhos de Fronteira e Monforte, seguindo junto do Monte do Fidalgo)
    Vaiamonte (continua a poente, contorna o povoado do Cabeço de Vaiamonte, onde há vestígios de assentamento militar romano por Monte da Cabecinha, ribeira do Pau, Monte da Matança, continuando rumo à travessia da ribeira Grande a poente da monumental Villa romana da Torre de Palma; aberta ao público; acesso pela EN369; ara a Marte; a partir daqui a via seguia para a travessia da ribeira Grande, mas não havendo vestígios de ponte romana é preciso seguir rumo à Ponte Medieval da Vila chegando à vila)
    Monforte (na região existem as Pontes antigas do rio Almuro e do Cubo; fortim em Beiçudos e recinto-torre do Outeiro da Mina possivelmente relacionados com vias; depois de atravessar a ribeira Leca na «Ponte Romana», segue talvez por Monte das Ferreirinhas, Herdade dos Guerros, Horta da Palmeira, Monte do Passeiro, mas hoje está destruído)

    Monte das Esquilas (mansio de Matusaro?) (num outeiro próximo Mário Saa achou uma rara ara consagrada aos Lares Viales, ou seja os «Deuses Viários» que faria parte de um santuário junto da via romana, hoje no seu Museu em Ervedal; a forte possibilidade de existir aqui uma mansio da via romana e o facto de distar cerca de 24 milhas de Abelterium /Alter do Chão, conforme indicado no I.A., sustentam a hipótese de situar aqui Matusaro; Encarnação, 1995; Mantas, 2010).
    • Diverticulum ad VIA XII - Itinerário de Esquilas a Elvas: a derivação da via XIV poderia ser mais adiante em Barbacena, inflectindo para sul após a travessia da Ponte Romana?-Medieval da Ns. da Lapa ao longo da ribeira da Coutada para a Anta do Reguengo, onde vestígios de calçada junto ao monumento megalítico, seguindo depois junto do Alto de Pena Clara, a nascente da Herdade dos Campos ou Monte de Genemigo, onde apareceu um miliário a Caracala, (IRCP 662), continuando depois a nascente de Vila Fernando pelo Monte dos Pequeninos até ao cruzamento com a via XII junto do povoado da Atalaia dos Sapateiros, em Casas Velhas ou mais adiante em Trinta Alferes.
    • Diverticulum ad VIA XII - Itinerário de Monforte a Alcobaça pelo Monte do Curvo: das Esquilas também deveria partir uma via romana rumo a sudoeste de encontro à Via XII na sua passagem pelo Monte de Alcobaça, atendendo ao miliário a Maximino e Máximo (CIL II 441 = IRCP 664) que apareceu no Monte da Torre do Curvo em Santo Aleixo e hoje no acervo do extinto Museu de Elvas, caso este marco não seja apenas mais um marco deslocado da Via XII que corria a sul, a não muita distância; a via seguia então para sudoeste pelo Monte da Fonte Branca, Monte dos Vinagres (onde Saa viu ainda «poderosa calçada»), passava próximo do Fortim Romano do Penedo de Ferro (controlo da via?) rumo ao Monte da Torre do Frade, continuando depois junto do chafariz do Monte da Torre do Curvo, onde estaria o referido miliário, posteriormente levado para o Museu Municipal António Tomáz Pires em Elvas que entretanto encerrou e o seu espólio armazenado (!); daqui continuava pelo Monte da Aldinha e dos Pereiros, acompanhando a ribeira de Tira-Calças até ao Monte de Alcobaça, onde cruza com a Via XII; esta via que em grande parte divide os concelhos de Monforte e Elvas, poderia continuar para sul rumo ao vicus e provável mansio do Monte da Nora em Terrugem, percurso que é ladeado por dois recintos-torre, Monte da Misericórdia e Monte da Ordem, possivelmente relacionados com o controle da via.

    VIA XIV - Itinerário do Monte das Esquilas a Mérida por Ad Septem Aras: inicialmente deveria seguir paralela à EN pelo Alto das Malhadinhas em direcção à Ponte Romana?-Medieval da Ns. da Lapa sobre a ribeira da Coutada, seguindo depois para Barbacena, onde toma o caminho que passa a sul do Monte do Torrão e a norte de Alentisca, entrando em S. Vicente pelo caminho do Monte do Mestre; daqui seguia para Ventosa rumo ao Monte da Capela, onde surgem novos vestígios da via com um troço de calçada ainda bem conservado que passa na capela arruinada de S. Pedro, continuando por Freixo e pelo sopé do Castro de Segóvia ia atravessar o Rio Caia no Porto da Amoreirinha, na divisão entre os concelhos de Elvas, coincidindo com a milha XLVI a partir de Augusta Emerita, seguindo depois rumo a Espanha pelos altos da Godinha e do Retiro; (Carneiro, 2009, 2011).

    AD SEPTEM ARAS (mansio)
    A localização da mansio Ad Septem Aras (literalmente «junto das sete aras") continua a suscitar muitas dúvidas, condicionando as propostas de percurso para as Vias XIV e XV, dado que esta estação viária é comum aos dois itinerários. A sua localização no aro formado por Barragem do Caia, Degolados e Campo Maior é segura, mas permanece a dúvida sobre exacta localizção e claro sobre o verdadeiro traçado de uma e outra via; em todos estes locais há vestígios romanos, como a ara de Valgius a Belona encontrada na Herdade de Alentisca, na extinta ermida de Santa Catarina hoje submersa pela Barragem do Caia, FE207, a lápides funerárias da Herdade do Almeida e das Terras da Aldeia, o provável vicus e mutatio em Campo Maior. Aparentemente o Itinerário XIV seguia primeiro para Budua antes voltar a reunir-se coma o Itinerário XV em Plagiaria, sendo assim possível que seguisse para leste rumo ao sítio romano da Ermida de Nuestra Señora de Bótoa que deverá corresponder à mansio de Budua referida no I.A., rumando depois a sudeste até Plagiaria. Por outro lado, os impressionantes alicerces da Ponte Romana da Ns. da Enxara sobre o rio Xévora em Ouguela, indiciam uma via importante com vários sítios romanos nas proximidades da ponte como Malha-Pão, Enxara, Lapagueira, Tapada da Pombinha (epitáfio e estatueta de Marte em bronze, hoje no MNSR) e Defesinha (ara votiva a Deae Sanctae na herdade); ora estes factos sugerem que a partir de Ad Septem Aras a via seguia directamente à Ponte da Enxarra em Ouguela, evitando assim a passagem em Campo Maior que seria deste modo apenas uma mutatio da Via XV na rua rota directa a Plagiaria como já tinha sugerido Mário Saa quando faz passar o caminho por Calejão para ir atravessar o rio Xévora junto da Villa de S. Salvador, dado que desconhecia a existência da Ponte da Enxarra (Carneiro, 2011). ver mapa.
    • Diverticulum por Calejão e Salvador, derivava da via principal no Monte dos Fragustos e seguia por Malhada dos Covões, Fonte do Monte Branco, marginava, segundo Saa, os sítios romanos de Eiras do Pompílio, Monte da Travessa e Monte dos Surdos, continuando pelo Alto do Gato, Meia Légua, Calejão, Monte do Comandante, rumo à a travessia do rio Xévora junto da villa de S. Salvador. (Saa, 1956, Tomo VI, 43)
    • VIA XIV - Itinerário de Degolados a Enxara (Ouguela), desviando no nó viário de Azeiteiros e seguindo para Monte do Marco Alto, Monte de Adães, Monte de Cevadais, passa a sul de Ouguela e segue pela Tapada da Pombinha até à Ponte de Enxarra. A partir daqui a via inflecte para sul de encontro à mansio de Budua, mas é provável que existisse uma outra via para nordeste rumo a Norba Caesarina localizada em Cáceres.

    VIA XIV - Itinerário de Campo Maior a Mérida: partindo da mansio no vicus da Defesa de S. Pedro (ermida de S. Pedro dos Pastores), a via deveria seguir próximo da villa do Monte do Muro, com a sua Barragem Romana, uma das melhores preservadas em Portugal, seguindo depois pelo Monte do Castro (villa; 2 aras anepígrafas no pátio da casa) e Casarões da Misericórdia até à fronteira que atravessa para o Cortijo de las Mesas, continuando depois rumo à travessia do rio Xévora (Gévora em Espanha) junto da sua confluência com o Rio Zapatón, atravessando este último junto à villa do «Rincón de Gila», rumando depois para a Ermida de Nuestra Señora de Bótoa, junto do qual ficaria a mansio de Budua e a milha 38 desde Mérida. Depois seguia recto até Plagiaria perfazendo as 8 milhas indicadas no Itinerário de Antonino, o que corresponde aos 12 km medidos entre a Ermida de Bótoa e Novelda del Guadiana pelo que Plagiaria ficaria nas proximidades dessa povoação, proposta ainda reforçada pelo facto de haver concordância na distância daqui a Mérida, cerca de 45 km com as 30 milhas indicadas no I.A.

    BUDUA (a 12 milhas de Ad Septem Aras, junto da Ermida de Nuestra Señora de Bótoa)
    PLAGIARIA (a 8 milhas de Budua, talvez em Pesquero, Novelda del Guadiana)
    AUGUSTA EMERITA (Mérida a 154 milhas de Lisboa)

    VIA XV - Item alio itinere ab OLISIPONE EMERITAM m. p. CCXX

    Mapa










    ITINERARIO XV - Lisboa (OLISIPO) - Alvega (ARITIUM VETUS) - Mérida (EMERITA)    CCXX milhas - 326 km
    OLISIPO
    IERABRIGA
    SCALLABIN
    TABUCCI
    FRAXINUM
    MONTOBRIGA
    AD SEPTEM ARAS
    PLAGIARIA
    EMERITA

    XXX
    XXXII
    XXXII
    XXXII
    XXX
    XIIII
    XX
    XXX
    Este itinerário deveria seguir o percurso do Itinerário XVI entre Lisboa e Braga até Santarém, onde atravessava o rio Tejo para Almeirim. A partir daqui a via acompanhava a margem esquerda do rio, seguindo o traçado da actual EN118 para Alpiarça, troço que é partilhado com a Via XIV descrita acima. A partir daqui a via dirigia-se para a estação Tabucci que Alarcão situa na região do Tramagal, no povoado romano da Herdade do Carvalhal, freguesia de Sta. Margarida da Coutada, perto do qual se achou um miliário a Constantino Magno. A partir daí pouco se sabe quanto à localização das mansiones seguintes, Fraxinum e Montobriga, pelo que o verdadeiro traçado da via ainda está por desvendar. Nesta proposta de trajecto, a via acompanha a margem esquerda do Tejo até à região de Alvega, onde Alarcão situa o importante oppidum de Aritium Vetus (apesar de omitido no itinerário), rumando depois para o interior em direcção a Ad Septem Aras onde voltava a reunir com o Itinerário XIV.

    Troço comum com a Via XVI
    Lisboa (OLISIPO)
    Alenquer (IERABRIGA a 30 milhas)
    Santarém (SCALLABIS a 32 milhas)

    Troço comum com a Via XIV
    Travessia do rio Tejo
    Almeirim (o traçado até Alpiarça está descrito no itinerário XIV descrito acima)
    Alpiarça
    Vale de Cavalos (vestígios no Alto das Obras e na Qta. do Meirinho, a poente da povoação, na confluência da ribeira de Vale de Carros com a Vala do Paúl)
    Chamusca
    Pinheiro Grande (continua por Carregueira)
    Arripiado (cruzamento com a Via N-S proveniente de Tomar rumo a Évora)

    Herdade do Carvalhal (TABUCCI?), Sta. Margarida da Coutada (provável localização da mansio Tabucci na estação romana de Alcolobre na margem da ribeira homónima que divide os concelhos de Constância e Abrantes; depois segue o caminho de terra para Crucifixo)
    Crucifixo, Tramagal (na rua da Tapada da Moura apareceu um miliário a Constantino Magno, FE363, hoje na JF do Tramagal ou Museu D. Lopo de Almeida em Abrantes(?); a via seguia pela Chã/Fonte do Castanho, Atalaia, Vale Salgueiro)
    S. Miguel do Rio Torto ("Estrada Velha" passaria junto à villa do Casal do Moinho do Meio e à villa em Vale da Vila)
    Rossio ao sul do Tejo (talvez próximo da importante villa da Qta. da Baeta; inscrição)
    Pego (tesouro; talvez por Coalhos e Calça Torta)
    Concavada (pelo caminho entre Galhoufa, Casal Cortido, Estercada, Monte Morgado e villa da Quinta Nova; possível travessia do Tejo em Sra. da Guia)
    Alvega (em Monte Galego, no cruzamento da rua das Flores com a rua 25 de Abril, existe um possível miliário conhecido como «marcão» ou «polícia» que seria proveniente da Qta. de S. João)

    Casa Branca (ARITIUM VETUS) (vestígios da cidade no sítio do Casal da Várzea na confluência da ribeira da Lampreia como o Tejo; embora não seja mencionada nos Itinerários de Antonino é provável a sua inclusão nesta rota, até porque nesta zona deveria existir uma travessia do rio Tejo, rumando depois quer para nordeste rumo a Igaedis pelo Itinerário Alvega-Salamanca quer para noroeste rumo a Conimbriga pelo Itinerário Alvega-Conímbriga; na foz da ribeira da Lampreia apareceu uma placa de bronze com inscrição, hoje desaparecida, contendo o juramento do oppidum de Aritium Vetus a Calígula onde se lia «Aritiense oppido veteri»; noutra inscrição lia-se aedilis IIvir flamen provinciae Lusitaniae, ou seja, uma referência ao magistrados da cidade, edis, duúnviros e flâmines atestando assim o estatuto de municipium a este oppidum)
    Ponte-Represa Romana? de Casal da Várzea, Casa Branca, Alvega (em ruínas, no Monte da Represa)
    Gavião (a sul por Carris Brancos; barragem da Represa)
    Ponte Romana?-Medieval da Atalaia (segue por Atalaia, sugestivo topónimo viário)
    Ponte Romana?-Medieval da Ribeira da Venda, Comenda (ponte com possível origem romana na praia fluvial do parque de merendas, junto à confluência com a ribeira da Cabeça Cimeira; segue por Vale da Vinha, Machouqueira, Monte do Polvorão e Vale Braçal)
    Vale de Feiteira (segundo Saa, a via seguia o «Caminho da Estalagem» para ir atravessar a ribeira de Sor em Porto de Manejo, onde Saa assinalou uma estalagem e vestígios de via e ponte, localizadas na linha divisória dos concelhos de Gavião e Crato)
    Monte da Pedra (de ribeira de Sor segue por Sorinho e entre o Alto do Monte da Pedra e as Termas da Fadagosa até ao Alto do Aguilhão, onde Saa achou «fragmento de coluna, com caracteres imperceptíveis» que interpretou como miliário)

    Continuação da Via XV para Mérida: a partir de Monte da Pedra o traçado da via principal é muito inseguro dado o desconhecimento actual sobre a localização das estações seguintes, Fraxinum e Montobriga, sendo que a via teria que se dirigir para a estação Ad Septem Aras que era partilhada com a Via XIV e que ficaria muito provavelmente na região de Campo Maior. É provável que a mansio Fraxinum se localizasse próximo de Alpalhão (no sítio do Fraguil), importante nó viário que articulava as travessias do rio Tejo na Barca da Amieira (via proveniente de Tomar rumo a Ammaia) e Vila Velha de Ródão (via proveniente de Idanha-a-Velha rumo a Évora) com as vias a sul que corriam para Mérida, justificando plenamente a existência de uma mansio neste local.

    VIA XV - Itinerário do Monte da Pedra a Campo Maior por Alpalhão
    No Alto do Aguilhão, onde Saa terá identificado um miliário, a via seguia para Alpalhão atravessando a ribeira de Vale de Magre e seguindo pela margem direita deste passava junto do Monte da Granja e do vicus do Monte de Biscaia, caminho que serve de linha divisória ente os concelhos do Crato e Nisa, continuando pelo Alto da Safra da Azinheira, Vale do Castelo, Alto da Mala, atravessa a ribeira de Sor junto da capela da Sra. da Redonda e do chamado Castelo Velho seguindo rumo ao vicus do Fraguil em Alpalhão.
    Alpalhão (FRAXINUM?; a mansio poderia localizar-se a sul da povoação, junto do provável vicus do Fraguil, atendendo à grande área de dispersão de vestígios neste local ainda por escavar; daqui seguia por Feitosa e Alagoa)
    Fortios (provável mutatio no cruzamento com a via Ammaia ad Ebora; sítio romano no Monte das Veladas; 3 inscrições funerárias: epitáfio de [- - -]VGGO junto do cemitério, IRCP 633, epitáfio de Urso, FE132, e estela de Cilea, IRCP626, na arruinada igreja de S. Domingos)
    Portalegre (a poente)
    Urra (Calçada de Alcaide)
    Travessia do rio Caia (continua próximo dos sítios da Herdade da Falagueirinha e da Coutada do Povo rumo a Arronches)
    Arronches (MONTOBRIGA?) (possível localização da mansio Montobriga dado que esta povoação está a cerca de 30 milhas de Alpalhão, ou seja a mesma distância que é indicada no I.A. entre Fraxinum e Montobriga; deste modo, a estação seguinte, Ad Septem Aras, estaria a 14 milhas adiante o que corresponde à distância a Campo Maior, cerca de 21 km; a calçada em Porto Mane e a Ponte Romana? no Monte do Pisão poderão estar relacionados com esta via)
    • Ligação à Via XII: o miliário ilegível que está junto da necrópole da ermida da Ns. do Carmo se não foi deslocado poderia assinalar uma ligação de Arronches para sul rumo à Via XII.
    Campo Maior (AD SEPTEM ARAS?)
    A localização desta mansio comum aos Itinerários XIV e XV continua a ser discutida, sendo certo que estaria dentro do triângulo formado por Campo Maior, Degolados e Barragem do Caia, conforme é justificado na descrição do Itinerário XIV; no entanto, a partir daqui o I.A. é pouco claro não se sabendo se as vias seguiam um traçado comum para Mérida ou se pelo contrário, existem dois traçados distintos como parece sugerir a omissão na Via XV da estação intermédia de Budua antes de voltarem a reunir-se em Plagiaria; ver detalhes sobre as várias alternativas no Itinerário XIV. (Gorges e Martín 1999 e 2000; Almeida et alii, 2011; Carneiro, 2011)

    PLAGIARIA (a 30 milhas de Emerita, talvez em Pesquero, Novelda del Guadiana)
    AUGUSTA EMERITA (Mérida, a 220 milhas de Lisboa)

    VIA XXII - Item ab ESURI per compendium PACE IULIA m. p. LXXVI

    Mapa





    ITINERARIO XXII - Castro Marim (BAESURI) - Mértola (MYRTILIS) - Beja (PAX IULIA)    LXXVI milhas - 101 km
    BAESURI
    MYRTILIS
    PACE IULIA

    XL
    XXXVI
    No Itinerário XXII de Antonino esta rota é chamada de «per compendium», ou seja pelo caminho mais curto, indicando um total de 76 milhas até Beja, cerca de 101 km, o que corresponde à actual distância entre Castro Marim e Beja, distinguindo assim do Itinerário XXI que também seguia para Beja, mas por uma rota muito mais longa que parece interligar as principais cidades romanas do litoral Algarvio e do Alentejo. Entre Castro Marim e Beja, a única estação referida no itinerário é Mértola, importante porto fluvial no hinterland Alentejano pelo que é provável que esta parte inicial do itinerário se fizesse por via fluvial como demonstram as villae e pequenos portos ao longo das margens do Guadiana directamente relacionados com o intenso comércio fluvial proveniente do Mediterrâneo rumo a Mértola. No entanto não se pode excluir um caminho terrestre pela margem direita do rio, apesar do terreno ser aqui muito acidentado e da ausência de provas consistentes da passagem da via; a partir de Mértola existia uma via romana que ligava a Beja confirmada em alguns troços mas ainda com um traçado duvidoso. (vide Fraga da Silva, 2002 e 2005; Rodrigues, 2004; Lopes, 2006)


    Hipotética Via Terrestre:
    Castro Marim (BAESURI) (calçada com 50 m na base do Castelo; segue para norte +- paralela à EN122)
    Horta dos Quartos (possível referência à milha IV desde Baesuri; talvez por Varanda, Fronteirinha e Calçada)
    Ponte de Beliche sobre a ribeira de Beliche (calçada)
    Travessia da ribeira de Odeleite a vau
    Ponte Romana? de Álamo (só vestígios; villa e barragem de Álamo)
    Montinho das Laranjeiras (villa aberta ao público, relacionada com o tráfego fluvial)
    Vales de Condes (necrópole junto ao rio; villa, vicus?)
    Alcoutim (villa em Vale de Condes; diversas fortificações romanas como o Cerro do Castelinho dos Mouros, controlavam o tráfego no rio Guadiana)

    Mértola (MYRTILIS) (oppidum; núcleo romano na cave da C.M. de Mértola; os materiais romanos encontrados na chamada Torre do Rio, hoje em ruínas, levaram alguns autores a colocarem a hipótese de aqui ter existido uma Ponte Romana, mas é muito improvável, atendendo a que Mértola era um importante entreposto fluvial não se justificando a construção de uma ponte pelo que os materiais romanos deverão ser oriundos de algum edifício na cidade; o carácter comercial da cidade atraiu colonos do norte de África como prova o epitáfio de Peregrinus, colono originário de Útica, hoje Zana na Tunísia)

    • Ligação às Minas de S. Domingos:
      Estrada romana para escoamento do minério de cobre que poderia continuar para a Bética ou mesmo Serpa. A calçada começa no Porto de Mértola (celeiros das EPAC junto do Guadiana) e segue durante 2,2 km para Fernandes pela chamada «Estrada Velha» até Casa Branca, reaparecendo depois no sopé do Cerro do Calcolítico e mais à frente no Monte Alto, ao Km 65 da EN265, seguindo na direcção das Minas de S. Domingos (villa no Cerro da Mina). Daqui poderia continuar para norte por Corte do Pinto, rumo à travessia do rio Chança, talvez entre o Serro do Marco e a Passada da Vuelta Falsa (minas romanas), rumando depois para a Bética por Paymogo, trajecto descrito no Itinerário Beja - Huelva.

    Mértola (MYRTILIS) a Beja (PAX IULIA)
    Mértola (a via começava junto do Museu da Basílica Paleocristã e deveria seguir a EN122 e EM510 para Corte Gafo de Cima, passando no Monte do Vale Covo, onde poderia existir uma mutatio pois é mencionada como estação viária no «Roteiro Terrestre» do MPAM; uma variante seguia pela necrópole da Achada de S. Sebastião até reunir com a via principal)
    Corte Gafo de Cima (daqui seguia para a travessia da ribeira de Terges, mas há dúvidas quanto ao caminho seguido)
    • por Amendoeira da Serra, Monte da Lapa, Alto de Vasco Martins, atravessando a ribeira de Terges entre Porto de Salvada e Monte do Pica Milho, rumo a Vale de Rucins.
    • outra seguia por Atalaia (alto da Légua) e Mosteiro, onde existia um povoado romano, atravessava a ribeira de Terges e seguia pelo Monte de Demangas e Herdade de Barbas de Gaio para Vale de Rucins.
    Vale de Rucins (talvez pela EM511, evitando a travessia de linhas de água)
    Salvada (continua pela rota da EM511, próximo da Herdade do Carrascalão, villa do Monte da Azinheira e Pisão)
    Beja (PAX IULIA) (passava junto do Parque de Exposições e do Poço Largo, entrando na malha urbana pela Porta de Mértola que foi demolida em 1876 e levada para a Igreja da Ns. da Conceição, onde ainda se encontra)

    VIA XXI - Item de ESURI PACE IULIA m. p. CCLXVII

    Mapa


    ITINERARIO XXI - Castro Marim (BAESURI) - Luz (BALSA) - Faro (OSSONOBA) - ARANNIS - Évora (EBORA) - Beja (PAX IULIA)
    BAESURI
    BALSA
    OSSONOBA
    ARANNIS
    SALACIA
    EBORA
    SERPA
    FINES
    ARUCCI
    PACE IULIA

    XXIIII
    XVI
    LX
    XXXV
    XLIIII
    XIII
    XX
    XXV
    XXX
    O Itinerário XXI percorre o território do Algarvo e Alentejo num percurso algo incoerente que apresenta dificuldades de interpretação ainda hoje não totalmente esclarecidas, mais parecendo um agrupamento de várias vias, indicando as principais mansiones nessas regiões do que propriamente uma via única interligando dois caput viae; sendo assim, o itinerário foi decomposto nas várias vias que interligavam os principais focos populacionais na época romana, sem a preocupação de concordar com o nexo sequencial aparente do Itinerário; o primeiro troço indicado corresponde à via romana que percorria o litoral Algarvio entre Castro Marim e Faro, ou seja a ligação entre Baesuri, oppidum estrategicamente situado junto da foz do Guadiana e Ossonoba, capital regional na época romana; entre elas existia apenas uma mansio localizada na importante cidade de Balsa, ocupando hoje os terrenos da Qta. de Torre de Aires em Luz de Tavira; esta seria a principal via do Algarve à qual pertence o único miliário conhecido da região, encontrado em Bias do Sul, marcando X milhas Faro; a partir de Ossonoba, o itinerário inflectia para norte rumo a Arannis, estação a 60 milhas de Faro cuja localização tem oscilado entre a aldeia de Sta. Bárbara dos Padrões no concelho de Castro Verde e a vila do Garvão no concelho de Ourique, povoados relevantes em época romana localizados a uma distância aproximada da indicada no itinerário; a partir daqui o itinerário torna-se confuso porque a estação seguinte indicada é Salacia em Alcácer do Sal que nunca poderia estar a 35 milhas de Arannis (erro na distância? omissão de estações intermédias?); a estação seguinte é Ebora indicando uma distância de 44 milhas, o que está de acordo com a distância medida no terreno entre Alcácer e Évora, assim como com a distância indicada no Itinerário XII entre Lisboa e Mérida; a partir de Évora o itinerário é novamente enigmático, indicando aparentemente um itinerário para Beja por um extenso percurso que inclui três estações intermédias, Serpa, Fines e Arucci até atingir Beja, num percurso inverosímil apesar da incerteza da localização destas estações, sabendo que existia uma via romana entre Évora e Beja pelo caminho mais curto (cerca de menos 38 milhas, ou seja mais 56,2 km) colocando ainda mais dificuldades na leitura do itinerário; por último o itinerário também não esclarece sobre a mais que provável ligação directa entre Ossonoba e Pax Iulia.
    Perante este percurso inviável são muitas as propostas de acerto da sequência das estações de paragem e respectivas distâncias intermédias, com várias propostas para as enigmáticas mansiones de Arannis e Fines, mas apesar do crescente conhecimento sobre a rede viária a sul do Tejo, ainda não há uma explicação cabal para as incongruências do itinerário; no campo das hipóteses, é possível que este itinerário deva ser lido não como uma sequência de estações, mas cada estação separadamente, admitindo um erro na transcrição do itinerário feita em época Medieval que terá "forçado" o aspecto sequencial em vez de uma lista de troços independentes, por exemplo com a forma de uma estrela, com a capital do conventus Pacensis no seu centro; acresce que esta interpretação do itinerário tem paralelo no itinerário Lisboa - Mérida, no qual as estações da via a partir de Évora serem contadas a partir de Mérida, indicando uma «quebra» na sequência das estações; deste modo, o itinerário é apresentado por troços com as ligações mais prováveis entre os principais focos de povoamento na época romana que era no fundo o intuito inicial deste itinerário:

    Mapa






    ITINERARIO XXI - Castro Marim (BAESURI) - Torre de Aires (BALSA) - Faro (OSSONOBA) m.p. XL

    BAESURI
    BALSA
    OSSONOBA

    XXIIII
    XVI
    O primeiro troço do Itinerário XXI ligava Baesuri na foz do Rio Guadiana a Ossonoba que corresponde ao centro da cidade de Faro, passando na mansio de Balsa, estação intermédia hoje definitivamente localizada junto à praia de Luz de Tavira num lugar conhecido por Torre de Aires. O único miliário conhecido do Algarve pertence a esta via e foi encontrado in situ em Bias do Sul, marcando a décima milha contada a partir da Faro, a capital regional em época romana, certificando assim a passagem da via pelo litoral Algarvio; tanto este miliário como as distâncias indicadas pelo itinerário estão coerentes com as actuais distâncias no terreno. A partir de Faro, o itinerário rumava a norte na direcção de Beja (vide Fraga da Silva, 2002 e 2005; Rodrigues, 2004; Maia 2006).

    Sobre o Algarve Romano ver o excelente trabalho de Luís Fraga da Silva em www.arkeotavira.com e no seu blog Impronto; ver aqui os diversos museus com o espólio da região.
    Castro Marim (BAESURI) (oppidum; na época romana Castro Marim era uma ilha pelo que esta via deveria partir da zona seca, a norte; poderia acompanhar o percurso da EN125-6 por Horta de D. Maria, Ponte Esteveira e Sobral de Cima; pouco antes de S. Bartolomeu, ao Km 2, segue o caminho de terra que se dirige para a ponte ferroviária sobre o rio Seco, seguindo depois paralela à linha férrea por Alcaria, Portela, onde atravessa a ribeira do Álamo, cruza o CF e segue a EM1250 para Cruz do Morto, Bornacha, EN125, Buraco, EM1242 e Torrão; villa com produção de ânforas na Praia da Manta Rota)
    Cacela Velha (importante villa que ocupava o local do forte e da igreja e parte da Quinta do Muro; porto (?); continua pela EM1242 por Ribeira do Junco, Qta. de Baixo, Baleeira e Alto do Morgado, cruza a EN125 e depois a linha férrea, seguindo paralela à EN125 até se fundirem)
    Conceição (continua pela EN125 até Calçadinha, onde toma o caminho para a Ponte Romana?-Medieval sobre a ribeira de Almargem, com restos de calçada; daqui a via poderia seguir o caminho carreteiro que segue por Mato Santo Espírito e Morgado, cruza a EN125 e segue a rua Casa de Pau)
    Tavira (a via entrava na cidade pelo Alto de S. Brás, junto da Ermida homónima e descia pelo Jardim da Alagoa até ao local da travessia a vau do rio Séqua/Gilão defronte da Estação Rodoviária, 130 m a montante da chamada "Ponte Romana" que não apresenta qualquer sinal de romanidade pelo deverá ser uma construção posterior (Fraga da Silva, 2005); na outra margem subia por Bela Fria (Villa Frigida?) ao Alto do Cano, seguindo depois pelo «Caminho do Concelho», estradão de terra que passa junto das Quintas de St. António de S. Pedro rumo a Pedras d'El Rei, havendo referência a um troço calcetado já próximo do aldeamento turístico, local onde existia uma villa e respectiva necrópole; espólio no Museu de Moncarapacho)

    Torre de Aires (BALSA), Luz de Tavira (cidade romana cujo núcleo urbano abrangia a Qta. das Antas e a Qta. de Torre de Aires; a via romana entrava na cidade pela calçada da Qta. do Arroio, seguindo recto até ao centro urbano; depois seguia para Livramento, onde conflui com a EN125, seguindo por esta por Arroteia e Alfandanga/Murteira rumo a Bias do Norte; duas inscrições tumulares provenientes da Fuzeta, estão hoje no Museu de Moncarapacho)
    Bias do Sul (em Canada do Sul, na foz da ribeira de Bias, apareceu in situ, o único miliário conhecido do Algarve, indicando a milha X contadas a partir de Faro que servia marco territorial, assinalando a fronteira entre as civitates de Balsa e Ossonoba, IRCP 660; está hoje no Museu Paroquial de Moncarapacho; villa da Alfanxia a norte)
    Olhão (epitáfio onde alguns autores lêem V(iator); cetárias no actual Porto de Pesca; a via passaria a norte da cidade e da importante villa da Qta. do Marim, de onde provêm 17 inscrições funerárias e possível localização da Statio Sacra referida na Cosmographia do Anónimo de Ravena (Graen, 2007), e passando assim a norte da villa de Torrejão Velho; a via segue assim por Quatrim e Marim, atravessa a ribeira homónima um pouco a jusante da Ponte Velha de Quelfes, segue depois por João de Ourém, cruza a ribeira de Bela-Mandil em Contenda e segue por Joinal, Vale de El-Rei e Areal Gordo, onde atravessava o rio Seco, a montante a ponte actual e a norte da villa portuária de Amendoal/Garganta)

    Faro (OSSONOBA) (a chegada a faro é assinalada pela Ermida de S. Cristóvão situada no cruzamento com a estrada para Estoi, reforçado pelos vestígios da villa de Vale de Carneiros, junto do campo de futebol da Penha, e pela recente descoberta da necrópole de Rio Seco; seguia depois pela Estrada de S. Luís até à ermida homónima, onde inflectia pelo Mercado Municipal rumo à capela do Pé da Cruz, atravessando a grande necrópole de Ossonoba que ocupa a área entre o largo das Mouras Velhas e a rua Alcaçarias, e continuando pela rua do Bocage, entrava na Vila-Adentro pela Porta do Repouso até chegar ao forum no Largo da Sé; Bernardes, 2011)

    Variante norte pelo barrocal algarvio
    Esta variante da Via Baesuris ad Ossonoba seguia mais a norte pelo Barrocal interligando uma série de povoados romanos e cruzando com as várias ligações N-S que seguiam para o Alentejo; derivava da via principal após a travessia do Gilão em Tavira e seguia pelo Alto do Cavaco, Vale da Asseca, Marco, Sta. Catarina da Fonte do Bispo (talvez pela calçada entre Desbarato e Bengado até Fonte/Cerro da Mesquita), São Brás de Alportel (cruza com a via proveniente de Faro), continuando a sul da EN270, por Calçada, Fonte do Mouro, Fonte do Touro (calçada), cruza a EN270 e segue por Vilarinhos, Carrascal e S. Romão (na ermida, apareceram duas inscrições funerárias, o epitáfio de Licínia e o epitáfio de Cecília Marina, originária de Ossonoba), continuando por Poço Largo, Fonte de Apra, Torre de Apra (villa; capitéis e colunas no Museu de Loulé; ara votiva da serva Ophime e ara votiva aos Lares no MNA), chegando a Loulé por Betunes.
    Loulé (passa a sul da cidade, cruzando com a via Faro-Beja por Loulé)
    Albufeira (passando por Benfarras ou Boliqueime (EN270) até à Ponte do Barão, onde entronca na via litoral descrita abaixo).

    VIA XIII - A SALACIA OSSONOBA m. p. XVI



    ITINERARIO XIII - Faro (OSSONOBA) - Vilamoura (SALACIA) m.p. XVI (23,7 km)

    O Itinerário XIII (13) de Antonino indica apenas a distância entre os dois pontos, não mencionando qualquer estação intermédia; seria lógico ver este itinerário como uma derivação da Via XII Lisboa - Alcácer do Sal - Évora - Mérida rumo a Faro, atendendo a que estes itinerários aparecem em sequência e ao facto de Alcácer ser designada por Salacia na época romana. No entanto esta hipótese não tem sustentação pois as 16 milhas indicadas são insuficientes para cobrir a distância entre essas cidades e por outro lado não faria sentido individualizar esta ligação quando ela já aparece no Itinerário XXI (21); deste modo é mais provável que esta Salacia não corresponda a Alcácer do Sal, mas sim ao vicus portuário do Cerro da Vila em Vilamoura que dista precisamente 16 milhas de Faro, tratando-se assim da ligação entre Ossonoba e o seu porto marítimo designado por Salacia ou Salaria; esta via litoral interligava os vários vicus portuários ao longo da costa Algarvia entre Faro e Portimão.

    Faro (OSSONOBA) (partindo do forum no Largo da Sé, saía do núcleo urbano pela Porta da Vila, atravessava a necrópole de Lethes e seguia pela antiga rua da Carreira, hoje rua Conselheiro Bivar e rua Infante Dom Henrique, ou pelas paralelas, rua Filipe Alistão e rua Serpa Pinto, passando junto da necrópole do Largo S. Sebastião e da sepultura da Horta dos Fumeiros até chegar a Pontes de Marchil, onde atravessa a linha férrea e segue paralela à EN125 talvez por Alto do Calhau, Pontal e Ludo, onde há vestígios de uma villa agrária, atravessava a ribeira de S. Lourenço talvez em Porto das Vacas e seguia rumo a Quarteira por Corga da Zorra (?), Fonte Santa e Passil, servindo villae e complexos industriais de preparação de garum instalados ao longo da linha de costa entre Ossonoba e Salacia como o complexo industrial da Qta. do Lago, do qual restam as cetárias junto do golf, na foz da ribeira de S. Lourenço, o importante sítio de Loulé Velho na Praia do Trafal, do qual quase nada resta pela acção do mar, espólio no Museu de Loulé, e ainda o complexo industrial da Quarteira, hoje submerso a 8 m de profundidade!)
    Vilamoura (SALACIA) (importante vicus portuário do território de Ossonoba com mansio e alfândega; sítio hoje visitável e designado por Cerro da Vila, a «villa moura»; barragem no sítio Vale Tesnado revela o sistema de abastecimento de água do povoado)

    Via litoral de Vilamoura a Portimão
    Vilamoura (do Cerro da Vila seguia pela antiga Estalagem da Cegonha rumo à Ponte Romana-Medieval do Barão sobre a ribeira da Quarteira, ponte de provável fundação romana, junto do vicus da Retorta, importante sítio romano cujo espólio está no Museu de Albufeira e no Museu de Loulé, em particular uma árula votiva; na outra margem, sugestivo topónimo de Vale de Carro; segue a EN526 por Patã de Baixo, Lajeado e Brejos, passando junto do sítio romano de Cerros Altos/Poço do Barnabé, possível villa agrária de onde provém a ara a Silvanus hoje no Museu de Albufeira; a «Estalagem da Nora» referida no «Roteiro Terrestre» do MPAM seria por aqui)
    Ferreiras (vestígios em Tomilhal e Ataboeira, indiciam a passagem a via)
    Guia (segue paralela e a sul da EN125 junto da Qta. do Coelho)
    Pêra
    Ponte Romana?-Medieval de Alcantarilha sobre ribeira homónima
    Alcantarilha (calçada por debaixo da ponte em betão na rua das Muralhas; acesso ao vicus portuário de Armação de Pêra; segue talvez pelo lugar da Torre)
    Porches
    Lagoa
    Estômbar (continua por Corredoura, Passagem, junto à Qta. de S. Pedro e Calçada da Barca)
    Portimão (PORTUS MAGNUS?) (o estuário da foz do Arade deverá corresponder à localização de Portus Magnus)
    • Travessia do rio Arade: o grande estuário na foz do rio Arade obrigava à sua travessia por barca, seguindo depois por Meixilhoeira rumo aos portos de Lagos e Alvor; villa da Qta. da Abicada com acesso da EN125 junto ao apeadeiro.
    • Alvor (IPSA) (vicus portuário, provavelmente a Ipsa das fontes clássicas, com base numas moedas aqui encontradas com a legenda IPSES)
    • Lagos (Laccobriga?) (olaria e cetárias no centro urbano; o vicus poderia corresponder aos vestígios romanos do Monte Molião em Telheiro, junto à Ponte sobre o rio de Lagos na EN125; barragem romana da Fonte Coberta; possíveis villae em Palmares e na Colina de S. Pedro)
    • Ligação de Lagos a Sagres, passando em Vale de Boi rumo a Sagres, servindo os vários sítios romanos de exploração dos recursos marinhos distribuídos ao longo da costa, como a villa da Praia da Luz (aberta ao público; na frente marítima), a villa de Burgau (vicus portuário?), a villa da Boca do Rio na foz da ribeira de Budens, as cetárias da Praia de Beliche e a villa da Praia de Salema, constituindo um verdadeiro pólo de fabrico de garum apoiado pelo centro oleiro para fabrico de ânforas na falésia da Praia do Martinhal em Sagres; no limite oeste fica o Cabo de São Vicente que deverá corresponder ao Promontorium Sacrum das fontes clássicas)

    Mapa









    Mapa

    ITINERARIO XXI - Faro (OSSONOBA) - Sta. Bárbara dos Padrões (ARANNIS) m.p. LX
    OSSONOBA
    ARANNIS
    Sarapia?
    SALACIA
    EBORA

    LX
    XXXV?
    XXXV
    XLIIII
    A partir de Ossonoba o Itinerário XXI rumava a norte em direcção a Arannis percorrendo 60 milhas, ou seja cerca de 89 km. O itinerário sugere assim uma localização de Arannis no aro de Castro Verde, talvez em Sta. Bárbara de Padrões, onde se localizam importantes ruínas de um grande povoado romano e cuja distância a Faro no terreno concorda com a indicada no itinerário. Em alternativa Arannis poderia estar situada em Garvão, local onde de observam vestígios de um oppidum romano, embora neste caso não haja concordância com a distância indicada no itinerário; ver rota pelo Garvão no Itinerário Alcácer do Sal - Garvão- Faro. Para atingir a estação seguinte, Salacia, o itinerário indica apenas 35 milhas, o que é insuficiente para atingir Alcácer do Sal, motivando assim várias propostas de correcção do itinerário:

    SALACIA em Alcácer do Sal: é possível que o copista medieval tenha omitido uma estação intermédia que poderia muito bem ser o povoado de Sarapia referido por Plínio no seu Naturalis Historiae; a ser assim, esta estação de permeio ficaria a cerca de 35 milhas tanto de Arannis como de Salacia, perfazendo as 70 milhas que separam Sta. Bárbara dos Padrões de Alcácer do Sal, com possíveis localizações em Sta. Margarida do Sado, Figueira dos Cavaleiros ou em Peroguarda. Deste modo, o troço seguinte entre Salacia e Ebora numa distância de 44 milhas, corresponderia à via entre Alcácer do Sal e Évora e seria assim comum ao Itinerário XII entre Lisboa e Mérida que também indica 44 milhas para este troço, o que está de acordo com a distância medida no terreno.

    SALACIA por SARAPIA: em alternativa, o copista medieval poderá ter trocado Sarapia por Salacia pelo que as 44 milhas assinaladas no Itinerário para o troço Salacia-Ebora poderá ser de facto a distância entre Sarapia e Ebora; ambas as hipóteses apontam para uma localização de Sarapia nas proximidades de Peroguarda, mas ainda não se identificaram vestígios que pudessem corroborar esta hipótese apesar da sua privilegiada localização, aproximadamente equidistante do triângulo formado por Salacia, Ebora e Arannis e forte candidato a nó viário.

    Devido a estas incertezas este itinerário apresenta diversas possibilidades de ligação de Ossonoba a Arannis e daqui a ligação a Alcácer e a mais que provável ligação à capital regional em Beja. Partindo de Ossonoba, a via teria que ultrapassar a Serra do Caldeirão, existindo três prováveis variantes, uma mais ocidental por Loulé, uma central por S. Brás de Alportel que se reunia com a anterior em Querença, e uma oriental por Moncarapacho, Sta. Catarina da Fonte do Bispo, Mealha e S. Pedro de Solis (talvez itinerário principal), rumando todas à estação de Arannis a 60 milhas de Faro, situada muito provavelmente em Sta. Bárbara dos Padrões. (Fraga da Silva, 2002 e 2005; Sandra Rodrigues, 2004; Manuel Maia, 2006).

    Variante Faro a S. Pedro de Solis por S. Brás de Alportel e Querença
    Faro (OSSONOBA) (inicialmente seguia a estrada para Balsa, derivando desta junto da ermida de S. Luís, junto do estádio, onde inflectia para norte rumo a Estoi pela Estrada da Penha, EM519; continua por Conceição, passando próximo dos Monte da Meia Légua e de Porto Carro)
    Estoi (importante villa Milreu; daqui a via seguia inicialmente pela rua Pé da Cruz e depois pelo caminho a meia-encosta ao longo da margem esquerda do rio Seco, contornando o Cerro da Bemposta pela vertente poente, passando junto da necrópole de Cancela rumo à travessia do rio Seco em Porto Velho)
    Machados (villa em Vale do Joio; do rio Seco sobe à EN2 que percorre durante 1.4 Km, saindo depois à direita pelo caminho de terra, conhecido por «Calçadinha» rumo a Hortas e Moinhos)
    S. Brás de Alportel (chega pela «Calçadinha» que desemboca na Igreja Matriz; depois atravessa a vila talvez pela Av. da Liberdade rumo ao vale da Ribeira das Mercês, passando próximo de Alcaria, Cerro de Alportel, Juncais, Corte e Almarjão, desviando por calçada para Amendoeira e Portela)
    Querença (onde entronca na via proveniente de Loulé descrita abaixo; segue a EM510?)
    Touriz
    Ameixial
    Barranco do Velho (talvez desvie pela EN124 para Montes Novos e siga o caminho rural para Vale da Rosa por Cortiçadas, onde reencontra a EN2, saindo pouco depois para Figueirinha)
    Santa Cruz (o marco geodésico de «Estaço», junto da aldeia, relembra o antigo nome da estação viária romana que aqui deveria existir, uma statio; continua para Pipa e Castelejo pela EN506)
    S. Pedro de Solis

    Variante Faro a Querença por Loulé
    Faro (OSSONOBA) (na parte inicial seguia o itinerário da via litoral desviando desta rumo a Almansil por Torre)
    Almansil (continua para norte, passando em Quartos e Fazenda do Cotovio pela margem esquerda da ribeira de Cadouço)
    Ponte Romana?-Medieval de Álamos sobre a ribeira do Cadouço, Loulé (recentemente reabilitada)
    Loulé (para já sem vestígios romanos)
    Querença

    Variante de Faro a S. Pedro de Solis por Moncarapacho e Fonte do Bispo
    Este itinerário parte Ossonoba rumo ao Moncarapacho e Sta. Catarina da Fonte do Bispo, seguindo inicialmente a via litoral para Balsa até Quatrim, atravessando a ribeira de Marim a jusante da Ponte Velha de Quelfes, e depois pelo "caminho de que vae de quelfes pera porttugal" (Louro, 1929 p.60). No entanto, existiam também ligações a partir de Balsa, uma rumando directamente a Sta. Catarina e outra seguindo inicialmente a via para Ossonoba e depois inflectindo para norte próximo do sítio da Fonte Santa, seguindo pelo lugar de Gião rumo a Moncarapacho (EM1335), onde conflui na via proveniente de Ossonoba.
    Faro (inicialmente seguia a via para Balsa até Quatrim, inflectindo depois para norte por Laranjeiro e Lagoão, EN398)
    Moncarapacho (outra possível localização da Statio Sacra referida na Cosmographia do Anónimo de Ravena; ver o injustamente esquecido Museu Paroquial de Moncarapacho com um importante acervo romano)
    Ponte Romana?-Medieval sobre a ribeira do Tronco (aqui começa o caminho com vários troços de calçada próximo do Cerro de S. Miguel)
    Caliços (no Vale da Serra há calçada intermitente com 1300 m)
    Ponte dos Caliços (a via continua com troços empedrados e em terra batida por Vale da Serra)
    Foupana, Moncarapacho
    Ponte da Torre sobre a ribeira de Arroio
    Montes e Lagares, Sta. Catarina da Fonte do Bispo (calçada do Ribeiro do Lagar; cruza a variante norte da via litoral pelo Barrocal)
    Travessia da ribeira de Alportel em Porto Carvalhoso (continua por Bem Parece e Água de Fusos)
    Travessia da ribeira de Fronteira no Corxo (continua por Cabeça do Velho e Cerro Alto)
    Travessia da ribeira de Odeleite no Cercado da Lagoa (continua por Castelão, Feiteira, Corte João Velho, Ginêta e Valeira)
    Mealha, Cachopo (continua por Alcarias Pedro Guerreiro e atravessa a ribeira da Corte no Monte da Estrada)
    Moinho do Pereirão (divide-se em duas variantes)
    • Variante a ARANNIS por Semblana: a partir do Moinho do Pereirão poderia existir uma variante que seguia por Santa Cruz seguindo depois um percurso paralelo à via principal; atravessava o rio Vascão na ponte actual e subia por Santa Cruz, onde cruzava com variante vinda de Querença, Monte das Viúvas, da Vinha, EM1170, Semblana (estação viária mencionada como Sembrana no «Roteiro Terrestre» do MPAM), continua pela EM1169 e EM1139 para Sra. da Graça dos Padrões, passa em Lombador e chega a Sta. Bárbara dos Padrões (ARANNIS?) (Maia, 2006).

    Itinerário de Pereirão a Sta. Bárbara de Padrões por S. Pedro de Solis: seguia por Pessegueiro e Zambujeiro, atravessava a ribeira do Vascão e seguia por Malhões e Castelejo rumo a S. Pedro de Solis (troços de calçada no caminho por Alcaria das Bichas, Minas do Barrigão, Miguenzes, ribeira de Carreiras, Caiada, ribeira de Oeiras e Herdade da Espanca), atravessava a ribeira de Sete (Septem?) até chegar em Sta. Bárbara de Padrões (ARANNIS?), onde há notícia do achamento de dois miliários e fortes sinais de um povoado romano com certa importância (e uma extraordinária colecção de lucernas!).

    ARANNIS, mansio da VIA XXI
    A localização de Arannis continua a ser discutida, mas Sta. Bárbara de Padrões está a 60 milhas de Faro e apresenta muitos vestígios romanos, provavelmente associados a um vicus e respectiva mansio; no entanto, a hipótese de Arannis ficar em Garvão também é credível pelo que neste caso a via seguiria directo a esse povoado conforme descrito no Itinerário Alcácer - Garvão - Faro; a partir desta estação intermédia, a interpretação do itinerário XXI é problemática pois não se percebe como a estação seguinte poderia ser Salacia, supostamente localizada em Alcácer do Sal, a apenas 35 milhas.


    Mapa

    Mapa

    Sta. Bárbara de Padrões (ARANNIS?) - Beja (PAX IULIA) m.p. XXXV
    Sta. Bárbara de Padrões (ARANNIS?)
    Namorados
    Travessia da ribeira de Cobres entre Cabeças e Pereira
    Travessia da ribeira de Maria Delgada junto ao Alto de S. Pedro das Cabeças
    Castro Verde (entra junto ao cemitério e segue por Portela, Monte Tacanho, Monte da Perdigoa e Alto do Monte Branco)
    Entradas (segue a poente da povoação pelo Monte do Canal, onde atravessa a ribeira Cinceira, segue pelos altos da Lapa e da Malhada Nova, Lagoa de Pedra, onde inflecte para o Monte da Charnequinha; próximo fica o Castelo Velho de Cobres/Castelo de Montel)
    Albernoa (segue o CM1092 pelos limites do Monte da Marzalonas, de Linhares, das Marzalonas, Alto do Cerro, ribeira de Rascas e Balhamim)
    Santa Clara de Louredo (miliário da Tetrarquia, Constante, Galério, Maximiano e Diocleciano, IRCP 669, hoje no Museu de Beja; a via passaria junto da Herdade da Calçada, onde há vestígios da via; seguindo recto a Beja, cruzava a linha férrea, ladeava o Monte Alegre, cruzava o IP2 e entrava na cidade pela chamada «Estrada da Calçada» que seguia pelo Bairro do Alemão)
    Beja (PAX IULIA)

    ITINERARIO XXI - Sta. Bárbara de Padrões (ARANNIS?) - SARAPIA - Évora (EBORA) m.p. LXXIX (35 + 44)
    Sta. Bárbara de Padrões (segue para Carregueiro, onde atravessa a ribeira dos Louriçais, passando na calçada junto da villa do Monte do Gavião, e pela calçada do Monte do Mau Ladrão no sentido E-W)
    Aljustrel (VIPASCA) (importante povoado mineiro Metallum Vipascensis; ver o MuMA; seguia a rota da N2 por Corte Margarida, atravessando a ribeira do Roxo junto do «Castelo Velho», povoado da Idade do Ferro romanizado, continuando depois junto da villae de Alcarias 1 e 2 )
    Ervidel (villa da Herdade do Pomar)
    Peroguarda, Ferreira do Alentejo (SARAPIA?) (villa do Monte da Chaminé, 3 km a sul de Ferreira)
    • Ligação a Évora, seguindo por Alvito e Viana do Alentejo, rota romana descrita no âmbito das variantes da Via Évora e Beja.
    • Ligação a Alcácer do Sal (SALACIA) m.p. XXV, seguindo por Odivelas e Torrão, cujo percurso está descrito no Itinerário Alcácer-Beja.

    Mapa

    ITINERARIO XXI - Évora (EBORA) - FINES - ARUCCI - Serpa (SERPA) - Beja (PAX IULIA)

    EBORA
    SERPA
    FINES
    ARUCCI
    PACE IULIA

    XIII
    XX
    XXV
    XXX
    Este troço do Itinerário XXI é o que coloca mais questões devido à incerteza que rodeia a localização das estações intermédias. Depois de atravessar Évora, o itinerário indica a estação de Serpa que a ser situada na actual cidade de Serpa, nunca poderia estar somente a 13 milhas (19,2 km) de Évora como é indicado, além de que um percurso entre Serpa e Beja com duas estações de permeio é muito improvável atendendo à distância actual entre as duas cidades. Na impossibilidade de acertar as distâncias, podemos sempre admitir um erro na transcrição do itinerário, tanto nas milhas indicadas como na própria sequência de estações, mas isso não ajuda a esclarecer o problema e o itinerário de Antonino até tem mostrado grande exactidão nos outros itinerários. Por isso é preciso tentar outras explicações. A 20 milhas de Serpa estaria a mansio Fines, também sem localização precisa, rumando depois à mansio de Arucci que deverá estar na origem do nome da actual povoação de Aroche do outro lado da fronteira e daqui rumava finalmente a Beja. Este traçado é pouco lógico e tem de haver um erro na interpretação deste itinerário.

    Tentativa de resolução:


    ARUCCI em Moura?
    Moura tem sido tradicionalmente associada a Arucci com base na famosa inscrição dedicada a Agripina (CIL II 963), hoje no Museu de Moura.

    [IV]LIAE AGRIPINA[E]
    [...] CAE[SA]RIS • AVG • GERMAN[I]
    [CI] • MATRI • AVG • N
    CIVITAS ARVCCITANA
    Esta associação foi proposta no século XVI pelo historiador Português André de Resende que leu na letra «N.» a palavra «N.(ova)», levando-o a considerar a existência de duas civitates, uma designada por Nova civitas Aruccitana correspondendo a Moura e, por oposição, uma mais antiga que lhe deu origem e por isso a cognominou de Arucci Vetus situada na povoação de Aroche. Hoje parece claro que só existia uma Arucci visto que esta epígrafe é na realidade originária da Serra de Aroche em Espanha o que reforça essa região espanhola como a provável localização da civitas Aruccitana e logo também para a mansio de Arucci, muito provavelmente situada em torno da Ermida de San Mamés em Llanos de la Belleza, a norte da moderna povoação de Aroche (Resende, 1583: 171-172, Encarnação, 1998: 37-38).

    FINES em Moura ou em Messangil ?
    Considerando então Arucci localizada em Llanos de la Belleza teríamos de posicionar a mansio Fines a 25 milhas para ocidente e a 20 milhas de Serpa, segundo o itinerário; ora esta localização corresponde sensivelmente ao vicus da Fonte de S. Miguel de Fines em Corte de Messangil. No entanto, admitindo que rota seguia para Évora em vez de Beja, as 25 milhas posicionam Fines em Moura, onde há muitos vestígios romanos.

    Uma tentativa de acertar a sequência de estações
    Admitindo que a mansio Serpa mencionada no itinerário ficava na actual cidade de Serpa, a sequência lógica a partir de Évora seria, Ebora, Pax Iulia, Serpa, Fines e Arucci. Assim o itinerário poderia assumir a forma abaixo, onde se tenta ajustar as reais distâncias entre mansiones.

    Itinerário original
    EBORA XLIIII
    SERPA XIII
    FINES XX
    ARUCCI XXV
    PACE IULIA XXX
    Distâncias Intermédias
    EBORA - SERPA XIII
    SERPA - FINES XX
    FINES - ARUCCI XXV
    ARUCCI - PACE IULIA XXX
    Distâncias actuais:
    (em milhas)

    Évora - Beja 50
    Beja - Serpa 18
    Serpa - Messangil 13
    Messangil - Aroche 25
    Beja - Messangil 31
    Beja - Moura 30
    Serpa - Moura 20
    Hipótese com FINES em Messangil
    EBORA - PACE IULIA L
    PACE IULIA - SERPA XX
    SERPA - FINES (Messangil) XIII
    FINES (Messangil) - ARUCCI XXV
    Hipótese com FINES em Moura
    EBORA - FINES (Moura) XLIIII
    FINES (Moura) - ARUCCI XXV
    FINES (Moura) - SERPA XX
    FINES (Moura) - PACE IULIA XXX
    SERPA no Ravennatis
    A Cosmographia do Anónimo de Ravena apresenta a seguinte lista de civitates na Bética: «Item super fretum Septem sunt civitates, id est, Bepsipon, Merifabion, Caditana Portum, Asta, Serpa, Pace Iulia» (Ravennatis IV, 43, 16); admitindo que esta sequência corresponde a um itinerário entre o porto de Caditana e Pax Iulia, com passagem por Serpa mas omitindo Arucci e Fines poderia indicar que existia uma via mais directa entre estes importantes povoados, desviando da rota definida no I.A. em Serpa, seguindo depois pelo caminho mais curto rumo a Onuba, hoje Huelva e descrito no Itinerário Beja - Huelva; no entanto, também é possível que Fines e Arucci tivessem sido apenas omitidas devido à menor importância destes oppida.

    FINES e ARUCCI no Ravennatis
    Em outra parte da mesma Cosmografia de Ravena são enumeradas as seguintes civitates da Bética que estavam sobre domínio de Hispalis, hoje Sevilha: Onuba, Urion, Arucci, Fines, Seria. (Rav. IV 45). Ora esta sequência está mais de acordo com o I. A., formando uma linha que inclui Fines e Arucci sobre esse domínio, finalizando com Seria, um provável erro do copista medieval trocando a letra «P» pela letra «I».

    A interpretação deste enigmático itinerário continua a suscitar muitas incertezas sendo por isso apresentado por troços independentes que reflectem os vestígios da via ainda observáveis no terreno sem a preocupação de inseri-los num grande percurso, nomeadamente a via de Évora a Beja, a via de Évora a Serpa e Moura por Portel e as ligações em torno de Moura rumo a Beja, Serpa, Fines e Arucci, ou seja de encontro às mansiones da Via Pax Iulia ab Hispalis que corria no sentido W-E rumo à província de Bética.

    Mapa



















    ITINERARIO XXI - Évora (EBORA) - Beja (PAX IULIA)
    A via romana ligando Évora à capital do conventus pelo caminho mais curto, cerca de L milhas ou 74 km, é atestada pelos imensos vestígios ao longo do seu percurso, contando-se actualmente 16 miliários, na sua maioria anepígrafos, e alguns troços de calçada. Urge estabelecer medidas de protecção para esta via cujos vestígios estão ao abandono e sujeitos a progressivas destruições. A identificação do traçado da via está praticamente completa pelo que seria interessante promover a sua valorização turística; (Bilou: 2000a).

    Évora (EBORA) (existe um miliário a Maximiano na Qta. da Manizola que poderá pertencer a esta via; sai pela Porta do Raimundo)
    Horta do Bispo, Horta das Figueiras (Gabriel Pereira menciona um troço de calçada; Pereira, 1948, p. 303; segue pelo Bairro da Ns. do Carmo)
    Travessia da ribeira da Torregela junto à Herdade da Barbarrala Nova (lajeado no vau da ribeira)
    Monte das Flores (miliário?; a via segue pela margem direita do rio Xarrama)
    Fontalva (4 miliários; o miliário de Fontalva 1 está tombado entre o rio Xarrama e o acesso ao Monte de Fontalva; o miliário de Fontalva 2 está in situ erecto e deveria indicar a milha VII; o miliário de Fontalva 3 é anepígrafo e assinalaria a mesma milha que o anterior; o miliário de Fontalva 4 está tombado no leito do rio, partido em 2 fragmentos)
    Porto de Zambujal do Conde (a 800 m a jusante do miliário de Fontalva 4)
    Monte do Seixo (referência a um miliário; seria a milha VIII?)
    Porto da Magalhoa (referência a um miliário; milha IX?; o "Endovélico" refere 3 miliários entre o Monte da Magalhoa e o Monte da Zambujeira; um deles seria o miliário referenciado por Mário Saa como Marca do Diabo; milha X?)
    Torre/Solar da Camoeira (provável statione de onde provém o miliário a Maximino e Máximo da milha XI, IRCP 664a, que está hoje à entrada dos serviços administrativos da antiga JAE em Évora)
    Travessia do rio Xarrama no Porto da Camoeira (existe um miliário talvez da milha XII tombado no leito do rio e algumas poldras parecem miliários reaproveitados; segue 200 m paralela ao rio até à Azenha do Silveira onde existe calçada; continua pelo Porto da Calçadinha onde reaparece a calçada durante 300 m até chegar a um miliário in situ talvez da milha XIII na Herdade da Ovelheira)
    Aguilhão, Torre de Coelheiros (a calçada continua por 1500 m, próximo do marco geodésico na divisão das Herdades da Falcoeira e Camoeira)
    Ponte Romana sobre a ribeira da Murteira ou do Aguilhão na Horta/Moinho do Vinagre (só vestígios; fuste e base de miliário anepígrafo na margem esquerda e a sua base no leito do rio; seria a milha XIV?)
    Aguiar (miliário numa casa particular; a via passaria a poente da povoação pelo Monte Lindim onde há calçada e um miliário ilegível que deveria indicar a milha XV; cruza a ribeira de Alpracá e segue por Serrado e Monte Ruivo)

    Ns. d'Aires (FOXEM), Viana do Alentejo (milha XVII; o vicus estaria na Herdade das Paredes, onde se acharam várias inscrições funerárias; inscrição honorífica Bono / rei p(ublicae) / nato, IRCP 413; 2 aras inseridas nas colunas do adro do santuário; calçada e 2 miliários; um deles é dedicado a Crispo, IRCP 672, e no outro apenas se lê o numeral XVII o que corresponde à distância a Évora, cerca de 26 km, IRCP 680; daqui a via seguia por Hortas Velhas e Monte do Cavalete, passando a leste de Viana)

    Água de Peixe (passa a asfalto, no CM1004; mina de ferro)
    Albergaria dos Fusos (topónimo sugere uma mutatio ou mesmo mansio neste local; segue a EN258-1)
    Ponte Romana-Medieval de Vila Ruiva sobre a ribeira de Odivelas (120 m; 20 arcos, só 3 pilares são romanos)
    • Ramal para SERPA por S. Cucufate: é possível que um ramal partindo de Vila Ruiva seguisse por Vila Alva (cupa anepígrafa na Ermida de S. Bartolomeu) em direcção a Vila de Frades (Vidigueira), passando junto da importante villa de S. Cucufate, continuando depois para sudeste pelo alto da Chucha (villa) para ir cruzar a ribeira de Odearce junto da villa do Monte da Cegonha, Pexem/Monte do Zambujal, Qta. de D. Pedro/Herdade da Fonte dos Frades (villa e epitáfio de Cosconius), Monte das Barbas de Lebre (sepultura), Monte do Lamarim (inscrição), Monte da Tagarria, Baleizão, seguindo de encontro à travessia do Guadiana no vau de Quintos, onde conflui na Via Beja - Sevilha.
    Vila Ruiva (possível fuste de miliário; seguiria pela EN258-1 que passa junto da barragem romana, em frente da Ermida da Ns. da Represa, onde corta à direita para ir passar junto da villa do Monte da Panasqueira)

    Travessia da ribeira de Mac Abraão junto do Monte da Palheta (seguia junto do Monte da Azurria e Monte da Boavista)
    Cuba (vicus Cupa, com base num documento de 1257, situado talvez no Monte do Outeiro/Outeiro dos Moinhos/Moinhos do Taquenho, 1 km a leste da vila; a via segue junto à linha férrea pelo Monte da Torre do Pinto, passaria junto ao acampamento militar romano de Mata-Bodes, 800 m a norte da villa do Monte do Meio, e seguia até Monte do Pombalinho e Qta. da Saúde)
    Beja (PAX IULIA) (passava junto da villa da Qta. da Fonte Figueira e da importante villa da Qta. de Suratesta, entrando na cidade pela Porta de Évora com o seu arco romano e calçada, na rua D. Dinis, seguindo para o forum da cidade na zona da actual Pr. da República)

    • Variante de Ns. d'Aires (FOXEM) a Beja (PAX IULIA) por Alvito : segundo recentes trabalhos de Jorge Feio («Carta Arqueológica do Alvito»), é possível que existisse uma variante entre Foxem e Pax Iulia, derivando da anterior no Monte do Cavalete e rumando em direcção a Alvito (EN257), onde se localiza o importante povoado romano de S. Romão, possível localização da sede da civitas Mirietanorum referida numa inscrição de Vila Nova da Baronia, seguindo depois a EN258 pela chamada «Ponte da Pedra» sobre a ribeira de Odivelas (reconstrução de 1899 de uma ponte mais antiga, possivelmente romana), continuando por Monte dos Lúzios (calçada), Monte do Azinhal (calçada) e Malhada dos Passarinhos até confluir com o caminho que vinha pela Ponte de Vila Ruiva, e juntas atravessam a ribeira de Mac Abraão junto do Monte da Palheta, onde voltavam a derivar, seguindo um ramo para Cuba e Beja enquanto o outro ramo seguia pelo Monte dos Assentes e Faro do Alentejo até ao vicus de Ladeiras, continuando pelo Monte do Monvestido e S. Brissos até entroncar na Via Alcácer do Sal - Beja na próvável mutatio do Monte da Fonte dos Cântaros, onde se achou um miliário de Valentiniado I e Valente, hoje no Museu de Beja (nr. B-148), continuando daqui até Beja.
    • Ligação a SARAPIA (Itinerário XXI): o alinhamento desta variante por Alvito sugere uma continuação para sudoeste a partir do vicus de Ladeiras que integraria o Itinerário XXI por Sarapia e Arannis até Ossonoba, passando por Peroguarda; derivando da anterior no Monte da Palheta, seguia pelo Monte dos Assentes e Faro do Alentejo até ao vicus de Ladeiras, continuando pelo Monte do Monvestido e S. Brissos até entroncar na Via Alcácer do Sal - Beja na mutatio do Monte da Fonte dos Cântaros.
    • Ramal de FOXEM a Marmelar: via medieval com possível origem romana, passando por Oriola (vicus), Santana da Serra, Alcaria da Serra até Marmelar, ligando assim a Via Évora - Beja à Via Évora - Serpa (Feio, 2010).

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    ITINERARIO XXI - Évora (EBORA) - Serpa (SERPA) e Moura
    Via romana que de Évora rumava para sudeste rumo a Serpa e a Moura passando nas proximidades de Portel; logo à saída de Évora teria de atravessar o rio Xarrama, podendo fazê-lo junto do novo Aeródromo de Évora, atendendo à recente descoberta durante a sua construção de vestígios de calçada; em alternativa a travessia poderia ser mais a jusante, junto do Monte da Chaminé, numa ponte medieval com possível origem romana; mais a sul surgem possíveis fragmentos de miliários junto do Monte da Sitima, em S. Marcos da Abóbada podem assinalar a passagem da via; ver Carta Arqueológica do Concelho de Évora; (Bilou: 2000a)

    Évora (sai pela Horta do Bispo onde existia um troço de calçada (Pereira: 1948, 296-335), desvia no Monte da Barbarrala Nova pelas traseiras das instalações da EDIA)
    Ponte Antiga do Xarrama sobre o rio Xarrama (22 m, 3 arcos, 1 desabou; calçada debaixo do actual caminho)
    Monte da Chaminé (talvez siga a poente do monte pelos altos da Vigia e da Barroqueira; recentemente apareceram vestígios da via junto do Aeródromo de Évora)
    Sitima (provável miliário; 3 outros fragmentos junto do monte; inflecte para leste)
    Travessia da ribeira de Souséis (continua em calçada para Maceda/Alto do Marco, onde inflecte para SE; 4 fragmentos de miliários anepígrafos no marco geodésico do Marco)
    S. Marcos da Abóbada, Torre de Coelheiros (importante villa romana que nunca foi escavada e continua ao abandono! continua a sudoeste de Torre de Coelheiros, passando pelos limites da herdade da Torre do Lobo, a 4 km da sua torre medieval, onde foram identificados recentemente 2 miliários deslocados e mais 2 fragmentos junto ao casario; segue talvez pelo Alto do Seixo, Carrapateira, Alto do Casqueiro, Feijoas do Ramos e Poço da Estalagem, topónimo que remete para uma estação viária)
    Oriola (Auriola?) (provável vicus junto da Igreja de Ns. da Assunção de Bonalbergue, 1,5 km a sul de Oriola e nas proximidades a villa de Mosteiros e a villa de S. Faraústo; estela funerária, FE366; a via passaria a nordeste da actual vila, dado que André de Resende refere um terminus augustalis dedicado a Diocleciano e Maximiano marcando a divisão entre o território Eborense e Pacense que poderia estar no sítio do Marco, a cerca de 1 km a sudeste do Alto da Eira dos Pomares, precisamente na actual divisão entre os concelhos de Évora e Portel; a ser assim, a via poderia seguir por Marco, Atalaia/Alto do Outeirão, Laranjeiras/Zambujeiro, Monte do Ferro e Monte de Matraque)
    Portel (segundo Saa, a via passaria 3 km a sudoeste da povoação, bifurcando para Serpa e Moura)

    Ligação a Serpa: o caminho para Serpa é apenas hipotético, mas é muito provável que seguisse próximo de Vidigueira de encontro à via proveniente de Beja que atravessava o Guadiana no vau de Quintos.

    Ligação a Moura: o caminho para Moura continua incerto, mas é possível que seguisse por Vera Cruz (mosteiro visigótico) e Marmelar (necrópole; villa/vicus?) seguindo rumo à travessia do rio Guadiana no Cais do Fragal/Moinho da Barca, a jusante da foz do rio Ardila, seguindo depois um percurso paralelo à EN538 pela chamada «Estrada da Barca», passando no Monte do Ameixial e pela calçada de Mata Sete junto da Horta do Botas rumo a Moura.

    Vias secundárias de Évora a Reguengos de Monsaraz. (vide Carneiro, 2008)
    • Évora - Monsaraz por S. Manços: saindo de Évora pela porta de Moura e Chafariz del Rei, atravessava o Xarrama junto da Qta. da Luzerna seguindo depois a rota da EN256 para o Monte da Mesquita e Horta do Albardão a nordeste de S. Manços (a Igreja de S. Manços é uma reconversão de um edifício romano da villa que aí existia), Vale de Ferreiros, travessia do rio Degebe em Porto Calçado/Ponte do Albardão (vau lajeado, continuando pela calçada do Moinho da Ponte), na Vendinha (S. Vicente do Pigeiro), sai da EN256 e inflecte para nordeste rumo a Vilar de Barrada/Vila da Abegoria em Caridade e finalmente Reguengos de Monsaraz
    • Évora - Monsaraz por Ns. de Machede: este itinerário sai da cidade pela Qta. do Forno da Cal, rumo a Ns. de Machede (calçada em Vale Melhorado; villa no Monte da Fonte Coberta), atravessa a ribeira de Machede (possível miliário à saída da ponte), seguindo depois por S. Vicente de Valongo (possível fortificação romana no «Castelo Velho» na outra margem em Alcorovisca, anterior à construção do Castelo Real já na Idade Média), continuando por Montoito, Falcoeiras e S. Pedro de Corval (villa no Monte dos Pássaros) até Reguengos.
    • Monsaraz - Moura pelo Castelo da Lousa: o percurso é desconhecido, mas é provável que seguisse para a travessia do rio Guadiana (por Campinho?) junto do Castelo da Lousa (freguesia da Luz, hoje tudo submerso pela Barragem do Alqueva), villa fortificada que controlava a passagem do rio (que poderia seguir também para Espanha por Santo Amador, onde apareceu o epitáfio de Modesta natural de Pax Iulia, e por S. Leonardo), apenas surgindo vestígios da via já a chegar a Moura, com vestígios de calçada ainda visíveis após a travessia do rio Ardila em Porto Mourão; a calçada segue durante um 1 km pela Qta. da Esperança, Qta. da Pardouqueira, Qta. de S. Lourenço e calçada de Forca, entrando na cidade pela Ponte Romana? sobre o rio Brenhas (1 arco), sobe à EN255 e segue para Rossio do Carmo em Moura.

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    ITINERARIO XXI - Itinerários entre Moura e a Via Pax Iulia ad Hispalis
    Não se conhece o nome romano de Moura, mas tanto os vestígios encontrados como a sua localização indiciam a existência de um povoado com relevância regional, articulando uma rede viária com ligações aos diversos povoados romanos a sul, nomeadamente Beja, Serpa e Aroche, todos inseridos no grande eixo viário que ligava Pax Iulia a Hispalis, ou seja de Beja a Sevilha; no renovado Museu Municipal de Moura está o miliário de Corte do Alho e outro importante espólio como a ara funerária de Priscilla, originária de Pax Iulia. Os itinerários propostos tentam uma leitura actualizada da obra de Fragoso Lima, mas subsistem muitas incertezas. (Fragoso de Lima, 1951, 1981, 1988)

    de Moura a Beja
    Moura (seguia pelo caminho de terra junto da EN258 que passa nos terrenos do Forte pelo Bairro Oeste nas Encarreiradas, seguindo depois por Farelos e pela calçada da Ladeirinha Branca e pelos olivais de Bogas de Ouro e Farelos e junto da capela da Ns. dos Prazeres)
    Travessia do rio Guadiana em Porto de Moura/Orada (mina)
    Pedrogão (cupa funerária no Monte das Fontes; villa em Horta do Cano; segue pelo Monte das Aldeias)
    Travessia da ribeira de Odearce em Moinhos das Aldeias Pequenas junto ao Alto da Rabadoa
    Monte da Rabadoa, Barbas de Lebre
    Horta do Bacelo
    Travessia das ribeiras da Cardeira e do Canal
    Beja (PAX IULIA) (entrava pela Carreira dos Seguros)
    • Fragoso Lima fez passar esta via por Pisões onde há vestígios de calçada e uma ponte antiga sobre o ribeiro de Torrejais com provável origem romana, mas não parece integrar esta via.
    • Em alternativa, a via poderia seguir pelo Pisanto rumo a Brinches (pela EN368 e depois pela EN265, passando próximo da importante villa do Monte da Salsa) para ir atravessar o rio Guadiana no vau de Vale de Brisão/Beirão/Casa da Barca, seguindo depois por Folha do Ranjão, Baleizão (no Monte do Torrejão apareceu o epitáfio da filha de Blossius Saturninus, originário da Colonia Iulia Neapolis, actual Tunísia que viveu em Balsa) e Porto Peles (ponte romana? já demolida?) seguindo junto da Qta. da Mongeralda até Beja.

    de Moura a Aroche
    Moura (descia pela Encosta do Brenhas por calçada rumo à Ponte do Brenhas, com possível origem romana e seguia em calçada pela Qta. de Santa Justa, Calçadinha e Coutada)
    Sobral da Adiça (Fragoso de Lima identificou uma coluna em mármore com letras como miliário «na extrema da Coroada com o Motum» que poderá corresponder ao Cabeço Redondo na Herdade de Metum, fazendo também referência a mais 4 marcos iguais «entre a Coroada e o Monte de José Navas»; estes marcos indiciam a passagem da via ao longo da margem esquerda da ribeira de Toutelga, talvez por Montalvo, Montes Juntos (estela e cupa funerárias), Horta da Carrasca (inscrição CIL II 93), Entre as Águas, Monte Metum rumo a Vale de Grou (?), onde atravessa a fronteira, servindo na sua passagem os sítios romanos da Herdade de Borrazeiros (villa), Monte Novo, Preguiça, Álamo e Touril), continuando rumo a Rosal de la Fronteira, onde entronca na via Beja-Sevilha que segue para Aroche (ARUCCI).
    • Fragoso Lima faz passar esta via por Santo Amaro rumo ao miliário de Encinasola, mas esta rota parece mais rumo a Mérida do que Aroche.

    de Moura a Messangil (Fines?)
    Moura (ruma a sul pela calçada de S. Lourenço e Atalaia Gorda; ara funerária na Herdade da Tapada)
    Herdade dos Machados (calçada com vários km)
    Pias (a via passaria a oriente nas proximidades das villa do Zambujeiro e da villa de Fonte da Pipa, topónimo viário onde aliás há vestígios de calçada)
    Corte do Alho, Vale de Vargo/Pias (miliário a Adriano indicando VIII milhas junto da villa do Corte do Alho indicando a distância a Moura ou à fronteira com a Bética; hoje está no Museu de Moura; árula a Mercúrio encontrada 2 km para oriente na villa do Poço das Sapateiras/Belmeque, hoje no MNA; continua pela villa da Herdade da Corte e Borralhos)
    Messangil, Vale de Vargo (Fines?) (provável localização da mansio Fines na Fonte de São Miguel Fines, entroncando assim na Via Beja-Sevilha)

    de Moura a Serpa (SERPA)
    Moura (na parte inicial ser comum à anterior, desviando depois no miliário da Corte do Alho para sudoeste rumo a Serpa, passando próximo villa da Casa dos Campinos), atravessava a ribeira de Enxoé (a via poderia seguir próximo do miliário do Monte da Chilra que delimitava este do Monte dos Alpendres de Lagares e hoje num casa particular em Serpa), continuando depois nas proximidades das villae de Espicharrabo e do Monte da Capela rumo a Serpa

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    ITINERARIO XXI - Beja (PAX IULIA) - Serpa (SERPA) - FINES - ARUCCI - Sevilha (HISPALIS)
    Sendo Pax Iulia a capital de Conventus deveria existir uma ligação pelo caminho mais curto a Colonia Iulia Romula Hispalis, actual Sevilha que era uma das principais cidades da província romana da Bética que corresponde grosso modo à actual Andaluzia, cruzando a via romana que ligava a foz do rio Guadiana a Mérida, a VIA XXIII «Item ab Ostium fluminis Anae Emeritam usque» do Itinerário de Antonino. Ver aqui uma descrição do Itinerário Huelva (Onuba) - Aroche (Arucci)

    Beja (PAX IULIA) (sai talvez pela rua Bento Jesus Caraça, passa na villa da Qta. da Abóbada e segue o CM1045)
    Padrão, Beja (talvez siga pelo Monte do Zambujeiro)
    Quintos (ara dedicada à Deae Sanctae Turubrigense, hoje no Museu de Évora; calçada na Herdade das Carretas; segue por Pisões, onde atravessa a ribeira da Cardeira na Ponte Romana?, continuando pelo Monte de Corte Piornos)
    Travessia do rio Guadiana no Vau de Quintos (subia as ladeiras do Guadiana e seguia por Horta da Guinapa, Monte do Farrobo, Horta da Chaminé, Horta da Barca, Marreira e Calçada da Bemposta, nas traseiras da Escola Profissional de Desenvolvimento Rural, entrando em Serpa pelo caminho de terra que passa a sul dos silos da Qta. do Fidalgo)
    Serpa (SERPA) (mansio; o epitáfio de Mustia assinala colonos originários de Útica, hoje Zana na Tunísia; daqui a via continuaria para leste rumo à mansio Fines localizada em Messangil ou mais adiante, em Vila Verde de Ficalho, acompanhando o percurso da EN517 e marginando os sítios romanos do Monte de Santa Justa, Horta da Alcaria, Torre Velha (altar), Maria da Guarda, Laje, Monte Alto)
    Messangil, Vale de Vargo (FINES?) (provável localização da mansio Fines na Fonte de São Miguel Fines, onde apareceram 4 aras, sendo uma delas o epitáfio de Masculus, originário de Turubriga, hoje Aroche; segue por Ervancos?)
    Vila Verde de Ficalho (villa no Jardim do Museu de Ficalho; povoado em torno da Igreja de S. Jorge; segue pelo Barranco de Penalva)
    Rosal de la Frontera (conflui com a via proveniente de Moura; ver o itinerário para Huelva aqui)
    Aroche (ARUCCI) (mansio localizada na Ermida de San Mamés, em Llanos de la Belleza; segue a margem esquerda do Rio Chanza por Cortijo de la Coronela, Casa de la Babosa, Casa de Duarte, Cabezo del Calar, Collado Hondo, Merendero, vereda de Sevilla e Casa del Capitán e Veredas)
    Almonaster la Real (segue por Era de la Cuesta, vertente norte del Cerro Sierra Morena, Barranco de la Parrita, Calabazares, Valdemuñoz, Arroyo de la Cabra, e pela estradas actuais N435 e HU-7103)
    Ermita de Santa Eulália, Almonaster la Real (mausoléu romano, possível localização da LAELIA de Ptolomeu; segue pela margem direita da ribeira de Sta. Eulália)
    Travessia do Rio Odiel em Pasada de la Llana (segue por Navalonguilla, Los Moscos, El Coto e Cecimbre)
    Campofrío (nó viário)
    • Ligação a Sevilha, rumando a SE até Santiponce (ITALICA) (magníficas ruínas da cidade) e depois para Sevilha (HISPALIS).
    • Ligação a Huelva, rumando a sul pelas Minas do Riotinto, território de URIUM (oppidum em Corta del Lago?), seguindo por Valverde del Camino, Beas, Trigueros até Huelva (ONUBA).

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    Beja (PAX IULIA) - Huelva (ONUBA) por Paymogo
    Poderia existir uma ligação mais directa entre Pax Iulia e Onuba, seguindo de encontro à via romana que ligava Mérida à foz do rio Guadiana mencionada no itinerário de Antonino como Item ab Ostio fluminis Anae Emeritam usque. O percurso é apenas hipotético devido às incertezas ainda existentes e incluem uma travessia da actual fronteira luso-espanhola no rio Chança, nas proximidades das importantes explorações mineiras da região de Paymogo.

    Beja (PAX IULIA) (seria comum à Via Beja-Sevilha até Serpa)
    Serpa (SERPA) (de Serpa deveria rumar a SE aproximadamente pela EN265 pelo Monte do Peixoto)
    Santa Iria
    Travessia da ribeira de Limas
    Vales Mortos (antes da povoação segue o CM1096 na direcção SE, no antigo posto da Guarda Fiscal desce ao rio pela Fonte dos Contrabandistas)
    Travessia Rio Chança (talvez junto à Casa do Bertolo; fronteira luso-espanhola)
    Paymogo (minas romanas em Grupo Malagón, Paymoguillo el Viejo, La Romanera e La Sierrecilla)
    Puebla de Gusmán (minas romanas)
    Huelva (ONUBA)

    Viae ab SALACIA

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    Alcácer do Sal (SALACIA) - Beja (PAX IULIA)
    Apesar de não ser mencionado nos Itinerários de Antonino é quase certo que existia uma ligação directa entre Alcácer e Beja passando pelo Torrão que faria parte dos itinerários Lisboa-Beja-Sevilha e Lisboa-Beja-Algarve descritos no âmbito do Itinerário XXI de Antonino. Há pelo menos 3 miliários assinalando a passagem da via embora haja dúvidas quanto à sua localização original. Assim o percurso até Beja é meramente hipotético tentando assinalar os vestígios existentes que poderão estar relacionados com esta via. O itinerário segue o traçado mais curto para Beja pois os antigos caminhos romanos foram destruídos pela intensa transformação agrícola da região.

    Alcácer do Sal (SALACIA) (na sua parte inicial, a via para Beja deveria ser comum à via para Évora até ao Monte da Arcebispa, onde inflectia rumo a sul atravessando a ribeira de Sítimos)
    Santa Catarina de Sítimos (importante villa romana dentro da povoação; a via deveria seguir pelo sítio da Torre, entre as villae de S. Catarina e de Porto da Lama, passando junto do extinto campo de aviação pois aí apareceu um miliário da Tetrarquia de Constante, Galério, Maximiano e Diocleciano que está hoje no Museu Pedro Nunes em Alcácer, IRCP 671; daqui a via seguia rumo ao importante nó viário do Torrão como indicia a chamada «Calçadinha Romana», troço calcetado com cerca de 300 m que conduz à antiga travessia do Xarrama, onde hoje há uma ponte moderna)
    Torrão (Turris Aranis?) (provável mansio na intersecção das vias provenientes de Salacia e Ebora quer rumo a Beja quer rumo a Faro; seria assim um importante nó viário no centro do triângulo Salacia - Ebora - Pax Iulia; vestígios de povoamento na área do Centro Escolar e villa em Fonte Santa; vestígios de uma conduta romana com 100 m; a via seguia para sul, rumo a Odivelas, passando no interior da povoação pelas necrópoles do Penedo Minhoto e da capela da Ns. do Torrão, seguindo depois talvez por Vale Paraíso de Baixo, Fonte Longa, Soberanas, Ervedosa e Faias)
    • Variante de Torrão a Beja por Alvito, apesar da ausência de vestígios, é provável que existisse uma via secundária que seguia na direcção do vicus de S. Romão (civitas Mirietanorum?) em Alvito e daqui a Beja; a via deveria seguir aproximadamente o trajecto da EN383 para Vila Nova da Baronia, passando nos vestígios de Sobral das Barras e Herdade da Mina, seguindo depois por Alvito até Beja (Feio, 2010).
    • Em alternativa, a via poderia seguir directo ao Alvito por Mortais, Vale Paraíso de Cima, Cortes Grandes, Cortes Pequenas, Serrinha, Castelo Ventoso, Lanças, Pereiras, capela de S. Bartolomeu, Velórios até Alvito.
    Odivelas, Ferreira do Alentejo (André de Resende e depois Túlio Espanca referem um miliário no Monte do Olival; a via poderia seguir por Monte Outeiro, Penique, Casa Branca, junto da fortificação romana que deveria controlar a passagem, ainda hoje limite do concelho, seguindo depois por Moutinho, Vilar e Monte da Caçapa, onde atravessava a ribeira de Alfundão, continuando por Monte Rossio e Figueiras até Alfundão e passando próximo das villae de Fonte Boa, Castelo Ventoso e Barranco de Rio Seco)
    Alfundão, Ferreira do Alentejo (ponte antiga com provável origem romana junto da aldeia; a via prosseguia por Coimeira, talvez pelo caminho que passa no Alto de Beja, passando junto do vicus no sítio de Vilar/Vila Verde, hoje ocupado pelo depósito de água; na villa do Monte do Corvo, onde apareceu um cipo funerário, FE295)
    Travessia do Barranco do Corvo (junto à Malhada dos Carvalhos e da EN387)
    Peroguarda, Ferreira do Alentejo (seguia a nordeste talvez próximo do habitat do Monte da Carrascosa, villa do Monte/Malhada da Zambujeira, Habitat de Funchais e Horta dos Coutos)
    Ponte Romana?-Medieval de Lisboa sobre o rio Galejo, Beringel (existia calçada e 2 cipos romanos reutilizados na ponte, talvez provenientes da villa da Herdade da Ponte de Lisboa, mas hoje foi tudo submerso pela barragem; a via seguia ao longo da ribeira de Álamo)
    S. Brissos (a via continua junto da villa do Monte da Diabrória e da villa do Monte da Fonte dos Cântaros, onde apareceu um miliário de Valentino I e Valente)
    Ponte Romana? da Fonte dos Cântaros, S. Brissos (seguia a norte da villa das Represas)
    Beja (PAX IULIA; vestígios da via na rua Aresta Branco; decorrem escavações no templo; numa ara com o epitáfio de Nice lê-se VIATO[r, CIL II 59 = CIL II 5186; ver Museu de Beja)

    Mapa

    Alcácer do Sal (SALACIA) - Garvão (Arannis?) - Faro (OSSONOBA)
    Via ligando Alcácer do Sal ao Barlavento Algarvio, seguindo por S. Margarida do Sado, Alvalade, onde há notícia de umas «pedras cilíndricas com letras» na «várzea de Alvalade» e na Herdade da Defesa, seguindo por Garvão, Sta. Clara-a-Velha rumo ao Algarve (Ponte, 2012).

    Alcácer do Sal (SALACIA) (segue comum à via para Beja até ao Torrão, rumando daqui para sudoeste por alturas de Médico, Carrascais e Corte da Venda, rumo à travessia da ribeira de Odivelas junto da Herdade do Pinheiro/Porto Carvalhoso e segue pelo estradão que divide os distritos de Setúbal e Beja, passando junto dos sítios romanos de «Altura dos Pintos» e «Outeiro da Mina»)
    Santa Margarida do Sado (porto fluvial; villa; a via passaria pelos altos de Penedrão e Atalaia, atravessando a ribeira da Figueira no Porto de Mouros e segue a divisória entre concelhos para Asseiceira)
    Aldeia de Ermidas (talvez pelo Monte do Marco, sugestivo topónimo; atravessa a ribeira do Roxo e segue junto da villa do Monte do Roxo)
    Alvalade (provável vicus no cruzamento com a Via Santiago do Cacém-Beja; a via seguia pela margem esquerda do Sado, acompanhando a linha férrea, com vestígios de villae em Ameira, Conqueiros, Corredoura, Gaspeia, Monte da Retorta e Herdade da Defesa, onde há notícia de um miliário e que é mencionada como estação viária no «Roteiro Terrestre» do MPAM)
    Torre Vã, Panóias (epitáfio de Letondo, hoje no MNA; villa em Labogadas)
    S. Romão de Panóias (vicus da Horta de S. Romão; segue talvez pelo Monte Alto e Ermida de S. Romão, Laborela, Vale de Fomeira, Monte Ruivo do Ameixial, Funcheira de Baixo, Horta da Saúde e Igrejinha de São Pedro)

    Garvão, Ourique (oppidum; santuário da Idade do Ferro romanizado no Cerro do Castelo; possível sede de civitas; outra possível localização para Arannis)
    • Diverticulum a Faro (Ossonoba) por Mesas Castelinho; deveria existir um itinerário a ligar Garvão ao Sotavento Algarvio passando em dois importantes povoados pré-romanos, o Castro da Cola e Mesas Castelinho; a via é assinalada na Carta de Doação de uma herdade no termo do extinto concelho de Marachique no ano 1260 (Pontes, 2012) como «Semedarium qui venit de Garvam et vadit al Algarbium»; assim a via seguiria nas proximidades do Castro da Cola e do Povoado das Mesas do Castelinho em Sta. Clara-a-Nova, este certamente relacionado com o controlo do eixo viário que atravessava a Serra do Caldeirão, continuando por Corte Figueira até Salir (necrópole em Torrinha; ara votiva a ...URNICUS mo Museu de Loulé), seguindo depois pela calçada chamada de «Estrada de Portugal» rumo à Ponte Romana?-Medieval de Tôr sobre a ribeira de Algibre, continuando por Cruz da Assumada e Vale da Rosa até Loulé (pela rua de Portugal) e daqui a Faro (Ossonoba).

    de Garvão a Faro (Ossonoba) et alii
    Depois de atravessar ribeira de Garvão na ponte junto da estação, a via seguia por Furadouro e Franciscos, local onde se situava uma villa ou vicus pois aí apareceu um busto em mármore e uma estela funerária de um emigrante Bracarus (hoje no Centro Cultural do Garvão), oriundo do Castellum Durbede provavelmente localizado nas imediações de Guimarães (talvez no Castro de S. Miguel) atendendo à inscrição achada na torre da igreja de Ronfe que é dedicada à divindade Durbedicus. (Alarcão, 2004b); a via continuava rumo a sul, passando na Aldeia das Amoreiras (EN123?), S. Martinho das Amoreiras (ao km 32 da EN123 desvia para Monte do Geraldo, Monte do Caldeirão, Portela das Estaquinhas, Corte de Brique, Corte de Lã até Sta. Clara)
    Sta. Clara-a-Velha (continua por Viradouro, EN266, atravessava o rio Mira talvez por barca porque a arruinada Ponte de D. Maria é do séc. XVIII)
    Sabóia (segue por Corte Sevilha)
    S. Marcos da Serra (tesouro)
    Travessia do rio Arade (em Sta. Ana, na confluência com a ribeira do Gavião)

    São Bartolomeu de Messines
    (villa na capela de S. Pedro; base de estátua a Júpiter em mármore, hoje no Museu de Évora; importante nó viário do Algarve ocidental, articulando os acessos aos principais portos do litoral Algarvio como Salacia em Vilamoura, Portus Magnus em Portimão, Ipsa no Alvor e Laccobriga? em Lagos, embora estas localizações não sejam ainda completamente seguras).
    • Ligação a Vilamoura (Salacia) e Faro (Ossonoba), passando por Paderne (ponte antiga sobre a ribeira da Quarteira) e Boliqueime, rumo ao vicus portuário do Cerro da Vila em Vilamoura e daqui a Faro; ver Via XIII Ossonoba-Salacia.
    • Ligação a Albufeira, seguindo pela calçada da Ladeira da Bernarda até Algoz (vestígios em torno da capela da Sra. do Pilar) e depois por Guia até Albufeira (EM526-1).
    • Ligação a Portimão (Portus Magnus?) por Silves, seguindo pela margem esquerda do Rio Arade por Calçada, Cano, Cortes, Torre, Cumeada até Silves (o antigo povoado proto-histórico de Cilpes situava-se numa península do rio Arade designada por Cerro da Rocha Branca ou Guerrilha, recentemente destruído), continuando depois para Estômbar (troços de calçada, cruzando a A22) dando acesso ao estuário do rio Arade, o Portus Magnus.
    • Ligação a Lagos (Laccobriga?), derivando em Silves e seguindo pela Qta. do Arge para Lagos.
    • Variante para Lagos por Monchique, derivando da anterior em Sabóia e seguindo por Nave Redonda (calçada; segue a EN266 pelo Alto do Embarradouro?), Monchique (calçada em Nave, Rencovo e Cerro da Vigia; desce às Caldas pela calçada do Pé da Cruz e pela calçada de Palmeira), Caldas de Monchique (termas romanas onde apareceu uma árula dedicada às Águas Sagradas ou aquis sacris hoje no Colecção das Termas) e Porto de Lagos, podendo daqui ligar a Lagos (Laccobriga?) ou continuar até vicus portuário do Alvor (Ipsa).
    • Ligação a Touriz, daqui também partia uma via para leste de encontro à Via Faro-Beja, seguindo pela calçada que vai por Castelo, Portela, Messines de Baixo, Torre, Alte (acesso por Sta. Margarida às minas de cobre do Pico Alto e do Cerro de Monte Rosso), Benafim (ara funerária na Qta. do Freixo), Salir (acesso a Loulé) e finalmente Touriz, onde entronca na Via N-S entre Faro e Beja.

    Viae ab MIROBRIGA

    Mapa





    Santiago do Cacém (MIROBRIGA)
    A importante cidade romana de Mirobriga é uma das cidades romanas melhor preservadas em Portugal, permitindo ainda hoje vislumbrar um pouco da vivência de uma cidade na época romana; a capital da civitas Mirobrigense, situada sensivelmente a meio da rota marítima entre Portus Magnum a sul e Salacia a norte, tirava partido desta sua posição estratégica para articular e controlar o comércio entre o interior Alentejano e o resto do Império; excelente museu; dentro do núcleo urbano há uma pequena Ponte Romana.

    Alcácer do Sal (SALACIA) - Santiago do Cacém (MIROBRIGA)
    Provável ligação entre as duas cidades, atravessando o rio Sado em Alcácer e passando por Grândola (provável mansio na villa do Cerrado do Castelo dentro da escola primária; 2 km a sul fica a Barragem Romana do Pego da Moura; Porto em Melides?).

    Santiago do Cacém (MIROBRIGA) - SINES (Sinus?)
    Provável ligação a Sines, vicus portuário que servia a sede da civitas em Mirobriga, dado que junto ao Castelo, no Lg. João de Deus, existiu um forno para produção de ânforas e algumas cetárias, além de 2 âncoras recuperadas do mar; este porto viria a ser progressivamente desactivado com a construção no século II do Porto romano da Ilha do Pessegueiro, onde ainda são visíveis os vestígios do vicus e das cetárias para salga de peixe; o espólio recolhido em torno do castelo está no Museu de Sines, incluindo o pedestal de uma estátua a Marte Augusto, FE230, e ara funerária, FE231.

    Santiago do Cacém (MIROBRIGA) - Alvalade - Beja (PAX IULIA)
    Ligação entre as duas cidades passando por Alvalade; ver artigos de Jorge Feio sobre «A romanização em torno de Alvalade» e «A ocupação romana em torno de Avalade».
    Santiago do Cacém (MIROBRIGA) (seguia próximo da Herdade do Carvalhal em São Domingos rumo ao provável vicus em Abela, continuando próximo da villa da Ermida de S. Brissos, villa da Qta. da Corona, Vale de Santiago e villa de Ameira/Monte do Brejo até à Ponte Romana?-Medieval de Alvalade sobre a ribeira de Campilhas (reconstruída no séc. XVI), Alvalade (vicus no actual cemitério no cruzamento com a Via N-S Alcácer-Garvão-Faro; a via atravessava o rio Sado (Callipus) em Porto Beja (junto do campo de futebol) e continuava por S. João de Negrilhos (por Vale do Zebro e Monte Branco), Ervidel, Santa Vitória (villa), Penedo Gordo (acesso à importante villa romana de Pisões, na Herdade de Algramaça) e finalmente Pax Iulia.

    Santiago do Cacém (MIROBRIGA) - Sta. Bárbara dos Padrões (ARANNIS) - Mértola (MYRTILIS)
    Ligação entre Mirobriga e Myrtilis passando em Arannis.
    Santiago do Cacém (MIROBRIGA) (desvia da anterior em Pardieiro e segue por S. Domingos, Banaclaros e Monte da Defesa, onde cruza com a via N-S Alcácer-Garvão)
    Messejana (villa fortificada, statio?; seguindo junto das villae de Rosário e da Herdade do Álamo onde apareceu o epitáfio de Meducenus)
    Casével (epitáfio de Sagaius no Monte da Almoleias; epitáfio de Mitulus; continua por Poço dos Tanques, Fonte de Milagre de S. Miguel/Monte Gregórios, e junto da villa de Almeirim e do povoado de Borrinhachos)
    Castro Verde (segue por S. Pedro das Cabeças)
    Sta. Bárbara dos Padrões (ARANNIS?) (continua para Este por Espragosa e S. João dos Caldeireiros)
    Mértola (MYRTILIS)

    Santiago do Cacém (MIROBRIGA) - ARANNIS - Lagos (Laccobriga?)
    Provável via romana entre Santiago do Cacém e Lagos servindo os diversos complexos portuários espalhados ao longo da costa Alentejana, nomeadamente os de Sines, Ilha do Pessegueiro e Milfontes; a via segue aproximadamente a rota da EN120 saindo de Mirobriga por Muda, Cercal e Herdade do Rato (necrópole) até Odemira (povoado no Cerro do Galvão), continua por Odeceixe (pela calçada de Porto da Torre, onde atravessa a ribeira de Seixe), segue a EM1002 que sobrepôs a via, passando no importante sítio romano do Vidigal, Aljezur (segue por Fronteiras, sai da EN268 por Viana e Poldra/Espinhaço de Cão), continua por Fronteira (lápide sepulcral), Bensafrim (necrópole e provável vicus na Hortinha), Portelas (pelo provável vicus do Figueiral da Misericórdia e marginando as villae da Portela, Jardim/Paúl), rumando daqui a Lagos.


    OUTROS ITINERÁRIOS ROMANOS - de norte para sul

    VIAE AQUILONEM FLUMINIS DURIUS
    Viação romana secundária a norte do Rio Douro
    A rede viária secundária a norte do rio Douro continua ainda por desvendar dada a complexidade de caminhos antigos existentes num terreno muito acidentado e ao escasso número de miliários encontrados até agora. Muitas serão rotas pré-romanas ligando os imensos castros e povoados da região, renovadas e ampliadas durante a era romana como Viae Vicinales e muitos outros serão já medievais, constituindo um imenso património de pontes e calçadas a exigir urgente preservação. É provável que existisse pelo menos uma via romana Este-Oeste ligando Braga a Zamora e Salamanca, passando em Terras de Panóias, hoje a região de Vila Real, continuando por Murça, Mirandela e Miranda do Douro para Zamora (OCELO DURUM), ou por Carlão, Vila Flor, Vale da Vilariça, Torre de Moncorvo rumo a Salamanca (SALMANTICA). Também é provável uma via N-S que cruzava com estes trajectos no Alto do Pópulo e em Carlão rumo às civitates da margem sul do Douro como Freixo de Numão. Os possíveis miliários de Vila Marim e Constantim, ambos próximos de Vila Real, parecem estar alinhados com a direcção da via e marcariam a sua passagem na região de Vila Real, mas na ausência de outros miliários, também é possível que estes miliários pertencessem a vias no sentido N-S, o miliário de Constantim inserido na Rota Chaves - Aguiar - Rio Douro e o miliário de Vila Marim (tombado junto à capela da Ns. da Paz) que poderia ser integrado numa via também entre Chaves e o rio Douro, mas que passava a leste de Vila Real, seguindo em direcção a Cidadelhe (Mesão Frio), onde também se achou um miliário. Na ausência de dados mais precisos, tenta-se equacionar um conjunto de ligações entre os principais focos de desenvolvimento, integrando os vestígios existentes num corpo mais ou menos coerente de itinerários. Sem novos dados é difícil esclarecer as rotas com precisão.

    Braga
    Monção






    Castro
    Laboreiro










    Braga - Arcos de Valdevez - Monção - Melgaço
    Esta estrada medieval deverá ter origem romana atendendo aos vários vestígios encontrados ao longo do seu percurso, em particular uns silhares com marcas de fórfex inseridos na Ponte de Ázere. A via passava depois na Portela do Extremo rumo a Monção para a travessia do rio Minho; existem 3 sítios possíveis para a travessia do rio, um no lugar da Barca, junto a Monção, um mais a jusante em Cortes, ou «Monte Santo», provável localização do antigo povoado de Monção, atendendo à necrópole que ali existe e outro ainda mais a jusante junto da Torre Medieval de Lapela; a Ponte da Calçada em Troporiz poderá ter origem romana devido às pedras almofadadas no seu arco, embora o seu aspecto pareça moderno; também é proposto um hipotético itinerário entre Monção e Melgaço passando em duas pontes medievais que alguns chamam de «romanas» embora sem grande fundamentação, a Ponte de Mouro (Barbeita) e a Ponte de Folia (Remoães); (CAF Almeida, 1968; Marques, 1984; Brochado de Almeida, 2005).

    Braga (deveria seguir a Via Braga-Tui para a travessia do Cávado junto à Ponte do Prado, inflectindo aí para nordeste em direcção a Vila Verde)
    Vila Verde (segue +- a EN101; ara votiva em Aboim da Nóbrega, apareceu na elevação «Os Castros»)
    Ponte da Barca (inscrição em S. Tomé de Vade na Casa da Pousada, eventual mutatio; depois de atravessar o rio Lima, a via deveria seguir pela «carreira antiqua» referida num documento de 1079 em de Paçô, a uilla Palatiolo, PMH DC 570)
    Arcos de Valdevez (segue pelo Paço de Giela e Qta. do Rial; EN202-2)
    Ázere (a via passa junto da igreja paroquial e do antigo convento, na base do Castro romanizado de S. Miguel-o-Anjo, de onde serão provenientes duas aras, uma dedicada à divindade Lalaecus e outra dedicada à divindade Carus, hoje no Museu Pio XII em Braga)
    Ponte Romana-Medieval sobre o Rio Ázere (silhares com marcas de fórfex; continua por Bouça, Porta, Couto e Castro)
    Gondoriz (segue pela Qta. do Outeiro; na outra margem do Vez fica o Castro romanizado de Reboreda/Santa Vaia, onde apareceu uma ara à divindade Carus)
    S. Cosme e Damião
    Travessia do rio Vez na Ponte Romana?-Medieval de Vilela
    Aboim das Choças (Castro romanizado do Monte Castro/Eiras/Vilar; segue pela Portela de Vez; EM505)
    Extremo (segue +- a EN101 até ao nó viário da Portela do Extremo)

    Variantes entre Portela do Extremo e Monção:
    • Variante por Moreira: no lugar da Venda em Extremo, corta recto pelo monte por Cova da Loba, atravessa o rio Gadanha e segue por Rio Bom, Chim (EM1107?), capela de St. Estevão, Tariz, Sande, Cidade, onde atravessa o rio do Vale (castro? no Outeiro da Torre)e segue por Moreira e pela Calçada da Catelinha, Cheira, Regueiro até Eirado, onde inflecte para poente, cruza a EN101 e segue por Breia (topónimo viário), Requião, Mazedo (igreja), podendo seguir daqui para a travessia do rio Minho no lugar da Barca entre Qta. das Vianas e Lodeira, passando por Pegadeira e Boavista (Almeida, 2005), ou seguir por Cruzeiro e Sobreiro rumo ao vicus do «Monte Santo»/«Subidade» situado entre Ribeiras e Bergela, freguesia de Cortes (Marques, 1994).
    • Variante por Pinheiros: esta variante desvia em Extremo, seguindo pela margem esquerda do rio Gadanha (+- a EM507), passando por Portela, Barroças, Lapa, Cristelo, Pias de Baixo, Pinheiros (EM506, EM502 até ao Campo de Futebol), Motas, Soalhosa, Souto (CM1088), onde atravessa o rio Gadanha na Ponte Romana? da Calçada (pedras almofadadas no intradorso do arco, mas sem marcas de fórfex; serão romanas?), continuando depois por Rebouça e Qta. da Portelinha até ao vicus do «Monte Santo»/«Subidade» de Cortes, onde conflui com a variante que vinha por Moreira.
    • Ligação a Lapela, derivando da anterior na zona entre Pinheiro e Motas, descendo depois pela Qta. da Serra e Qta. de S. Lourenço até à Torre Medieval de Lapela, estrutura medieval que controlava a travessia do Minho neste local (na outra margem subsiste ainda o topónimo Barca).
    • Variante por Longos Vales: também poderia existir uma via rumo ao rio Minho por Longos Vales, seguindo entre a Citânia da Cividade no Monte Castro e o Castro romanizado do Monte de S. Caetano, com vestígios romanos no Mosteiro de S. João, descendo depois até Monção ou Bela.

    Monção (o antigo vicus poderia ficar no «Monte Santo» junto da grande necrópole de Cortes)

      Ligação a Valença: hipotética ligação à Via XIX em Valença passando por Friestas, Verdoejo (miliário duvidoso) e Ganfei (calçada com 300 m acompanhando a cerca do Convento de Ganfei).

      Ligação de Monção a Melgaço, seguindo por Troviscoso (talvez pelo caminho vicinal que passa em Reiriz , onde apareceu um cipo funerário e uma ara votiva, seguindo depois junto dos Castros romanizados do Monte Redondo e de Cristêlo até Poldras onde atravessa a ribeira de Silvas), continua por Bela, Barbeita (Castro romanizado no Monte da Ns. da Assunção), Ponte Medieval de Mouro, Ceivães, Valadares, Sá (Castro romanizado da Sra. da Graça; topónimos Portela e Albergaria), Penso (Monte do Castro), Paderne (Cividade), Ponte Medieval sobre a ribeira de Folia (junto das Termas do Peso), Remoães e finalmente Melgaço. Esta via poderia continuar para a Galiza atravessando o rio Trancoso na Ponte Velha de S. Gregório.

      Ligação a Castro Laboreiro, partindo de Melgaço seguia por Lamas de Mouro (Ponte de Porto Ribeiro com silhares almofadados) ou por Fiães (CM1138) rumo a Castro Laboreiro; daqui poderia continuar para sul pelo CM1160 por Laceiras, Assureira, Ponte Romana?-Medieval da Cava Velha, sobre o rio Laboreiro, com silhares almofadados (?), Ponte Medieval de São Brás sobre a ribeira de Barreiro, com silhares almofadados do lado nascente (?), Assureira, Dorna, Ponte Medieval de Dorna, sobre a ribeira de Dorna; também de Ameijoeira sairia uma via para nordeste pelo CM1159 por Bago de Baixo, Bago de Cima, Curveira, Bico, Cainheiras Ponte Medieval das Cainheiras, sobre a ribeira das Cainheiras, Portos, Barreira, seguindo por Bande de encontro à Via Nova.





    Guimarães - Terras de Basto - Vila Pouca de Aguiar
    Itinerário medieval mas que poderá ter origem num caminho romano ou mesmo pré-romano que ligava os grandes castros da região de Braga e Guimarães aos castros das Terras de Basto como o Castro do Ladário em Ribas e o Castro de Santa Comba em Refojos de Basto, podendo daqui continuar para a travessia do rio Cavez e daqui a Vila Pouca de Aguiar. Alguns vestígios romanos ao longo deste itinerário indiciam que a via poderia estar funcional já em época romana.

    Guimarães (seguia talvez próximo do habitat da Veiga em Mesão Frio, continuando depois para São Romão de Arões, onde atravessa o rio Vizela na Ponte Românica de São Gidos, continua por Agrela, onde há referência a um possível miliário, entre o Castro de St. Ovídio a norte e o Castro de Cepães a sul, no Alto da Retortinha)
    Fafe (antiga região de Montes Longos)
    Montim, Quinchães (pelo Alto das Cruzes e Carreirões, onde há um possível miliário e pelo Alto dos Foles até Lameira)
    Arbonça, Rego (calçada com 50 m no Alto de S. Pedro; povoado em Cerbelha; Estela em Vila Boa)
    Gandarela, São Clemente de Basto (nó viário; a «estrada velha» passa junto da Casa da Gandarela e segue por Arosa e Marco da Lama para o Castro do Monte do Ladário em Ribas e daqui a Arco de Baúlhe; Tavares, 1996)
    • Ligação a Cabeceiras de Basto: da Gandarela poderia existir uma ligação para nordeste, por Ferrã, Quintela, Ponte de Petimão (Ponte Pedrinha; romana?) e Alvite (povoado do Alto da Beira), rumo a Cabeceiras de Basto, dando assim acesso à Cividade de Chacim (habitat em Mó de Cima) e o Castro de Santa Comba em Refojos de Basto, provável sede da civitas que ocupava a região de Basto, atendendo a 2 epígrafes honoríficas a imperadores achadas na região, a inscrição a Antonino Pio de Sta. Senhorinha de Basto, CIL II 2381, e a inscrição a Gordiano de Refojos, CIL II 2382, assim como 2 estátuas de guerreiros galaicos, uma das quais com inscrição na caetra onde se lê: «Artifices / Calubrigens/es · et · Abianien(ses) f. c.», referência a dois povos, os Abianienses e os Calubrigenses, sendo estes últimos também referidos numa inscrição de Valedeorras na Galiza (Redentor, 2009).
    • Ligação a Felgueiras: também poderia existir uma ligação para sudoeste de encontro à Via Braga-Mérida, seguindo por Borba da Montanha (castros romanizados em Murgido, Quintela e Roda da Santinha), onde bifurcava, um ramo seguia para Felgueiras e outro seguia por Agilde (calçada em Costa) até Vila Cova da Lixa (Tavares, 1998).
    • O miliário a Constâncio Cloro que está na Casa de Pielas em Painzela (CIL II 4763) continua a ser dado como proveniente da Casa da Torre/Lugar do Castro em Abadim, onde há vestígios romanos, mas segundo Colmenero, este miliário estaria originalmente na Qta. das Goladas em Urjais, Braga (Colmenero, 2004); estando deslocado, este miliário nada aporta à possibilidade de por aqui passar uma via romana, apesar de a sua existência ser uma forte possibilidade.
    • Possível ligação a Vila Marim (Vila Real) atravessando a Serra do Alvão, passando em Atei (habitat em Modorno e Pombal; necrópole em Parada), Vilar de Ferreiros (na base do Povoado de Palhaços no Monte da Sra. da Graça; seria daqui a Inscrição a Júpiter de Mondim de Basto?, AE 1983, 549), Bilhó (povoado no Alto da Rebedeira/Vale de Chelas) e Lamas de Olo.
    Arco de Baúlhe, Cabeceiras de Basto (Castro da Cerca; topónimo Brêa)
    Ponte Romana?-Medieval sobre o rio Ouro, lugar da Ponte Velha (segue pela Ponte do Inferno)
    Pedraça (habitat em Muro, nos campos da Qta. da Torre)
    Cavez (castro romanizado no Alto dos Mouros; calçada acompanha a EN206, a uma cota superior, até à ponte)
    Ponte Medieval de Cavez sobre o rio Cavez
    Ponte Medieval de Cavez sobre o rio Tâmega (para sul dava acesso ao Castro romanizado do Monte Castelo/Cabriz em Cerva)
    Daivões (passaria no sopé do Povoado do Outeiro dos Mouros sobranceiro ao Tâmega, na confluência com o rio Bessa, tendo defronte o povoado do Alto do Castelo; seria ponto de travessia (?); poderia continuar por Trofa, Bacelar e Friúme, onde apareceu um tesouro)

    Continuação para Vila Pouca de Aguiar
    Esta via seguiria para Vila Pouca de Aguiar atravessando o concelho de Ribeira de Pena, mas o seu traçado não é muito claro, podendo passar em Sta. Marinha atendendo às epígrafes encontradas na sua igreja (a ara a Júpiter, hoje na parede exterior, CIL II 2388, e a ara votiva a Bande Raeicus ou Araeico entretanto desaparecida, CIL II 2387) ou pelas serranias da Serra do Alvão por Lixa e Paredes, o que seria mais provável, mas onde não há vestígios concludentes; cruzava em Vila Pouca de Aguiar com a via proveniente de Chaves rumo ao Douro, podendo continuar pela Serra da Padrela rumo a Valpaços, onde cruzava com a Via XVII; ver aqui itinerário.







    Braga - Amarante - Vila Real - Panoias
    Hipotética via romana que ligava Braga às "Terras de Panóias", região a leste de Vila Real, atravessando a Serra do Marão por Amarante. O seu traçado continua muito indefinido, mas é possível que desviasse da Via Bracara ad Tongobriga no Alto da Lixa, seguindo em direcção a Amarante, onde fazia a travessia do Tâmega a montante da Ponte Medieval de S. Gonçalo, talvez junto da Qta. de Pascoaes em Gatão (vicus Atucausis?), subindo depois para a Serra do Marão rumo a Vila Real.

    Alto da Lixa (a via seguia a rota da EN15, por Freixo de Cima e Freixo de Baixo, passando no sítio romano de Campelo, em Arrifana e Corredoura rumo à travessia do rio Tâmega a jusante da foz do rio Olo, junto ao povoado de Gatão, provavelmente o vicus Atucausis com base numa ara dedicada a Júpiter pelos Vicani Atucausenses achada na Qta. dos Pascoais e hoje no MSMS, nr. 28, CIL II 6287)
    Gatiães, Lufrei, Amarante (a via deveria subir a encosta, passando próximo do povoado romano da Sertã rumo à chamada «Calçada de Marancinho», via antiga que desce pela margem direita da ribeira homónima e atravessa-a num pontão com possível origem romana)
    Sanche (necrópole, villa?; minas de estanho)
    Ponte Medieval do Fundo da Rua (entre Sanche e lugar da Rua)
    Aboadela (o caminho pela Serra do Marão segue por Lameira, Pousado e Alto do Gavião; Lopes, 2000)
    Campeã (provável mutatio; acesso por Quintã às minas de Ferro de Vila Cova; calçada junto do fontanário do Arco ou de Pai-Pás, segue paralela à EN304 por Viariz da Santa, continua pela calçada de Lameirões, cruza a A4 e EN15, seguindo depois por esta)
    Arrabães (atravessa o rio Sordo, entra à esquerda no CM1212 e logo à direita por caminho de terra)
    Mondrões (calçada com cerca de 50 m, 100 m a poente da igreja matriz; topónimo Estalagem; tégula no local onde existiu a capela de São Tomé)
    Vila Marim (talvez indo atravessar o rio cabril na Ponte dos Machados, EM564, entrando em Vila Real junto da Ns. de Almodena)
    Vila Real (atravessa o rio Corgo e segue pela rua do Bairro de Vilalva, CM1238, rumo à Ponte Romana?-Medieval do Sobreiro sobre a ribeira das Toirinhas, 200 m depois segue à esquerda pela rua da Calçada, onde há 20 m lajeados, até reencontrar a estrada actual em Torneiros (1 km para norte, na necrópole junto da Casa de Mateus apareceu uma ara a Júpiter), continuando depois para Constantim, onde deveria existir uma mansio, situada no cruzamento com a Via N-S entre Chaves e a travessia do Douro em Covelinhas, continuando por S. Martinho de Antas e Paços até Sabrosa)
    Sabrosa (Castro romanizado de Cristelos/Castelo de Sancha junto da EN323, de onde será proveniente uma ara dedicada a Júpiter por Maximo Clodius, colono originário de Útica, capital da província romana de África Proconsular, hoje Zana na Tunísia)
    • Possível ligação ao Pinhão seguindo aproximadamente a EN323, passando junto da capela do Sr. Jesus de Sta. Marinha (inscrição) e próximo da necrópole da Qta. da Relva em Provesende.
    • Possível continuação seguia para Alijó, passando por Sancha rumo à travessia do rio Pinhão na Ponte Romana?-Medieval da Ribeira em Cheires (calçada junto da Qta. da Ribeira; povoado no Castelo de Cheires; habitat em Santiago de Cheires), continuando a sul de Sanfins do Douro rumo a Alijó.









    Vila Real - Murça - Mirandela
    Itinerário medieval de Vila Real a Mirandela com possível origem romana que atravessa o rio Corgo na Ponte de Piscais e segue por Mouçós, Lagares, Justes e Vila Verde rumo ao Alto do Pópulo, continuando depois na direcção de Murça, onde fazia a travessia do rio Tinhela; apesar das principais pontes deste itinerário não evidenciarem sinais de romanidade (Ponte de Piscais no rio Corgo e Ponte de Murça no rio Tinhela), é muito provável que este itinerário já existisse em época romana, atendendo à intensa romanização dos povoados castrejos ao longo do seu trajecto, como Santa Cabeça (Mouçós), Murada (Lagares), Cerca (Vila Verde) e Castelo dos Mouros (Murça); equacionam-se também possíveis variantes rumo ao Rio Douro.

    Ponte Romana?-Filipina de Piscais sobre o rio Corgo, Vila Real
    Mouçós (calçada sobe pelo lugar da Ponte, passa na capela de Ns. de Guadalupe, junto do povoado romano de Santa Cabeça, continuando por Varge)
    Sanguinhedo (estela funerária, talvez proveniente da necrópole de Trás-do-Outeiro)
    Lagares, Lamares (travessia da ribeira dos Carrojos; a via segue o caminho que parte do campo de futebol e passa a noroeste do Castro da Murada)
    Justes (cruza com a via Chaves-Trêsminas; continua para nordeste, cruza a A4 e segue rumo à travessia do rio Pinhão, talvez a jusante da Ponte de Balsa na EN15 para evitar a travessia da ribeira de Jorjais, continua na EN323 e na aldeia toma o caminho que segue até à Ponte do Rato, onde reencontra a EN15, saindo logo depois pelo caminho que ladeia o ribeiro Galego)
    Vila Verde (a via passa na base do Castro da Cerca, marginando a necrópole da Veiguinha)
    Ponte Romana?-Medieval sobre a ribeira do Ascas
    Freixo, Alijó (calçada)
    Alto do Pópulo (nó viário e provável mutatio no cruzamento com a via N-S entre Chaves e o rio Douro; sai da EN15 pelo Alto da Bobela/rua Fontelas)
    Cadaval, Fiolhoso (a via continua pelo caminho que passa na Fonte do Linhar e junto do cabeço da Seixigueira, descendo daqui à ponte sobre o rio Tinhela, passando assim a sul do Castro romanizado do Castelo dos Mouros, onde há um troço de calçada de acesso ao castro)
    Murça (atravessa o rio Tinhela na Ponte Romana?-Filipina sobre o rio Tinhela e sobe por calçada à povoação, cruza a EN15 e segue pela rua Marquês de Valle Flôr)

    Murça a Mirandela, seguindo por Palheiros (castro; rua da Estrada Velha), Franco, Lamas de Orelhão (provável nó viário atendendo à fortificação romana junto do cemitério e à inscrição HEINC LETERAM, possível marco territorial, achado na igreja), continuando por Passos e Golfeiras até Mirandela (vestígios nos povoados do Castelo Velho/Monte de S. Martinho e junto da ribeira de Mourel que corre no seu sopé, hoje a Qta. da Raposeira; Ponte Romana? de S. Sebastião sobre a ribeira de Carvalhais, junto ao campo de futebol)
    • Possível diverticulum para o território Baniense, derivando em Palheiros e seguindo para sudeste por Montefebres, indo atravessar o Rio Tua na Ponte do Abreiro, 100 m a montante da ponte actual (Castro romanizado na capela de Sta. Catarina e povoado em Poço dos Mouros) continuando depois por Vieiro (habitat em S. Domingos) em direcção a Vila Flor e daqui ao Vale da Vilariça (Torre de Moncorvo), território da civitas Baniensis.

    Viae ab AQUAE FLAVIAE ad DURIUS flumen

    Chaves
    Vila Pouca
    Mapa











    Chaves (AQUAE FLAVIAE) - Rio Douro (Durius)
    Eixo viário romano no sentido N-S partindo de Chaves em direcção ao rio Douro que teria um importante papel económico no escoamento das mercadorias provenientes da exploração mineira e agrícola da região quer no sentido norte, ligando à importante Via XVII, quer no sentido sul, ligando ao rio Douro, podendo daí seguir para Cale por via fluvial. O traçado da via continua a ser discutido mas parece haver duas eixos principais, uma seguindo por Vila Pouca de Aguiar e outra pelo alto da Serra da Padrela, passando na importante região mineira de Jales e Trêsminas, seguindo depois para a travessia do rio Douro em Covelinhas. Existem alguns miliários logo à saída de Chaves (Campo da Roda e Outeiro Jusão) atribuíveis a esta via, mas a partir daqui não se conhecem mais miliários até ao rio Douro, facto normal numa via secundária, com excepção de um muito duvidoso miliário que Russel Cortez afirma ter aparecido na «Feira de Constantim», apesar de ser quase segura a sua passagem por esta povoação, onde poderia existir mesmo uma mansio (Lemos, 2010); dada a ausência de miliários, há que atender aos vestígios viários da época romana ainda observáveis no terreno para definir o traçado; deste modo é possível seguir uma via indubitavelmente romana pela região mineira de Trêsminas, trajecto assinalado por uma ponte romana (sobre o rio Pinhão) e vários troços de calçada, mas também deveria existir uma via pela veiga de Vila Pouca, passando em três pontes medievais com possível origem romana, Ponte da Oura (Vidago), Ponte das Romanas (Pedras Salgadas) e Ponte da Cidadelha (Vila Pouca de Aguiar) seguindo o fundo da depressão Verín-Régua; por sua vez de Vila Pouca de Aguiar poderia derivar uma outra via rumo à travessia do Douro em Caldas de Modelo, a poente da Régua, integrando os miliários encontrados em Vila Marim e Cidadelhe; por último também poderia existir uma via no sentido NW-SE rumo à travessia do rio Douro no Pinhão e no Vesúvio; na outra margem, estas vias davam acesso às várias civitates dos povos a sul do Douro (Coilarni, Peasuri, Meidobrigenses, Aravi) em último análise dando acesso ao eixo viário para Mérida, o grande caput viarum da rede da Lusitânia (vide Teixeira, 1996; Lemos, 2004, 2010; Colmenero, 2004).

    Chaves (AQUAE FLAVIAE) - Vila Pouca de Aguiar
    Chaves (depois de atravessar a Ponte de Trajano, desviava da Via XVII em direcção a sul para contornar a Serra do Brunheiro pelo oeste, passando em Campo da Roda, onde apareceu um miliário a Constantino I, achado na Qta. do Caneiro, talvez da milha I, hoje no MRF?)
    Samaiões (miliário anepígrafo em Outeiro Jusão, numa casa derrubada da aldeia; ara aos Lares Tarmucenbaecis Ceceaecis; ara dedicada a Ísis; estela funerária talvez provenientes da importante villa da Qta. do Pinheiro)
    Bóbeda, S. Pedro de Agostém (calçada; ara a Baco em Parada)
    Redial, Vilela do Tâmega (segue a leste do Castro romanizado do Monte de Sta. Bárbara)
    Pereira do Selão, Vilas Boas
    Fornos, Selhariz (inscrição a Laribus Pindeneticis)
    Vila Verde de Oura
    Ponte Romana?-Medieval de Oura sobre a ribeira de Oura
    Oura, Vidago (Termas Romanas de Vidago em Salus, divindade latina que designa saúde)
    Sabroso de Aguiar
    Ponte Romana?-Medieval sobre o rio Avelames, Pedras Salgadas (no lugar das Águas Romanas; ruiu recentemente; segue pela margem direita por Reborochão, rua Fundo do Povo e rua da Estrada Romana)
    Cidadelha (Ponte Romana?-Medieval sobre o rio Avelames)
    Vila Pouca de Aguiar (possível villa sob o Museu Municipal; ara a Munidi (?) no jardim municipal proveniente da Ribeirinha)
    • Ligação a Constantim: de Vila Pouca poderia partir uma ligação a Constantim (?) que ia interceptar a Via proveniente de Chaves por Trêsminas; subia ao Alto do Guilhado pela EN212, pouco antes da aldeia segue à direita para a calçada de Chã de Guilhado, continua pelo Alto da Presa, passa junto aos cabeços de Negrelo e Pedras Sarnosas, continua na curva de nível da encosta leste de Zimão, Gralheira, Tourencinho, passa na Casa da Floresta da Ns. do Extremo, no cotovelo à esquerda passando nos sítios de Cerejeira, calçada de Sainça com 1000 m de comprimento, passa nos sítios da Curvaceira e Alto do Boi Morto, desce a Águas Santas (calçada em Sanguinhal), Vilar (habitat em Velans), Carril, Sanguinhedo, reunindo-se algures com a via que vinha por Trêsminas, seguindo para Constantim.

    Vila Pouca
    Cidadelhe




    Vila Pouca de Aguiar - Vila Real - Cidadelhe - Rio Douro (Mesão Frio)
    Os vestígios de uma calçada ao longo da margem direita do rio Corgo poderão corresponder a uma via medieval para o novo centro urbano de Vila Real, fundado apenas na Baixa Idade Média, mas é possível que esta via já existisse em época romana, criando um outro eixo Chaves - Rio Douro, atendendo aos miliários encontrados em Vilar Marim (Vila Real) e Cidadelhe (Mesão Frio), rumo a uma travessia alternativa do rio Douro a jusante da Régua, junto das Caldas de Moledo, onde há vestígios romanos associados a um vicus ou mesmo mansio apoiando este ponto de travessia do Douro que durante a Alta Idade Média disponha de barca e albergaria, talvez o «portu de aliovirio» citado num documento do ano 922 (in PMH DC 25). (Lima, 2008). O presumível itinerário partia de Vila Pouca de Aguiar e seguia o vale do Corgo pela sua margem direita, passando a oeste de Vila Real por Vila Marim, onde há bastantes vestígios romanos além do já citado miliário, continuando pelo concelho de Santa Marta de Penaguião em direcção ao Castro romanizado de Cidadelhe, onde apareceu o outro miliário, entretanto perdido.

    Vila Pouca de Aguiar (segue a margem direita do rio Corgo)
    Soutelo de Aguiar (calçada com 100 m; segue para Pontido, onde há o topónimo Carris; povoado do Castelo de Aguiar)
    Telões (povoamento na Veiga da Ousadinha com possíveis villae em Cheínho e Poçarias; talvez siga pelo Alto da Veiga, Ponte da Poça, Outeiro/Alto do Terreiro, Soutelinho de Amésio e Samardã)
    Vilarinho de Samardã (castro no Monte da Murada)
    • Ligação a Vila Real: pela Ponte Ribeiro sobre a ribeira de Borralheira e pelo tesouro no caminho para Benagouro, segue a Ponte do Neto sobre a ribeira de Soutelo, Escariz, Gravelos, Vila Seca e Calçada (EM1227).

    Continuação para o Douro por Vila Marim:
    Borbela (habitat na escola de Ferreiros/Santo Velho; talvez pela calçada de Cales e por Ramadas)
    Agarez (tesouro monetário; segue o CM1219 por Carvelas)
    Vila Marim (miliário anepígrafo tombado numa horta junto da capela de Ns. da Paz; tesouro monetário junto do Outeiro das Pombas, local da Villa Marinis, mencionada em escritos medievais)
    Travessia do ribeiro da Marinheira (junto da Torre de Quintela?)
    Mondrões (segue algures a poente de Vila Real)
    Travessia do rio Sordo (tesouro monetário em Penedo Redondo)
    Torgueda (a continuação da via para Fontes é insegura pois tanto podia seguir por Louredo e Fornelos atendendo ao forno romano junto da Ponte da Arcadela, ribeira de Aguilhão, EM1244, mas é mais provável que a via seguisse por Fonte Seca e Moçães, EN1244-1, passava junto do povoado do Alto do Castelo, no outeiro da capela da Sra. dos Remédios em Arnadelo e seguia junto dos sítios romanos do Rodelo e Veiga, EM1244-1)
    Cumieira (provável vicus e mutatio no lugar do Assento, com vestígios em torno do Monte de Sta. Bárbara como Ranha, Fossa e Ladário, onde apareceu uma ara a Júpiter, sinal da existência de um santuário como parece sugerir o topónimo; nas alminhas do Ns. da Costa, junto da Escola Primária, desce pela Costa da Veiga, onde existiu calçada, atravessa o lugar da Veiga e passa junto da Qta. de Valflores para cruzar a ribeira de Aguilhão na base do povoado do Monte Maninho)
    Fontes (ascende pela encosta, passando no sítio romano de Cabanelas e na Qta. da Carreirola, topónimo viário, contornando pelo norte o povoado fortificado na colina de São Pedro de Fontes ou «Castelo dos Mouros», onde apareceu uma ara dedicada à divindade Auge; daqui a via seguia a Fronteira, onde tomava o caminho por alturas da Sra. do Monte e Sra. dos Remédios)
    Mouramorta (continua por Cimo de Vila e Pedreira)
    Ponte de Cavalar sobre o rio Sermanha/Soromenha em Nostim (ponte medieval com possível origem romana)
    Cidadelhe (castro romanizado; no hoje desconhecido «Lugar do Marco» Russel Cortez identificou um miliário a Numeriano entretanto desaparecido, indicando na última linha o numeral IIXX, podendo indicar a milha 18; o ponto inicial da contagem da milhas é desconhecido, mas é de assinalar que esta é aproximadamente a distância ao miliário de Vila Marim)
    • «carrale antiqua»: num documento do ano 970, há referência a uma antiga carreira servindo como linha divisória de propriedades em Nostim; «per carrale antiquo usque ubi diuidet cum uilla de lombadella et cum uilla de nausti usque in sarmenia» (in PMH DC 101).
    • Ligação ao Douro, é provável que em Nostim, a via rumasse ao Douro por Portela, Oliveira e Fontelas, descendo a Caldas de Moledo, onde há vestígios romanos, talvez o «portu de aliovirio» referido num documento do ano 922 (in PMH DC 25) (Lima, 2008). A continuação da via para a outra margem não está confirmada, mas é provável que rumasse a Lamego.
    • Ligação a Mesão Frio: é possível que a via continuasse para Vila Marim e Mesão Frio, comprovadas estações viárias alti-medievais (mansio frigido num documento de 1059).

    Chaves
    Jales
    Douro






    Douro
    Tabuaço

















    Chaves (AQUAE FLAVIAE) - Três Minas - Panóias - Rio Douro (Covelinhas)
    Itinerário N-S interligando Chaves ao rio Douro com passagem pela região mineira de Três Minas; partindo de Chaves, a via seguia por Samaiões rumo a Sesmil (povoado em Cruz; mutatio?; ara aos Lares Erredici), em Peto de Lagarelhos sobe a Carregal e S. Cipriano, continua para sul, contornando a Serra da Padrela pela vertente nascente nas proximidades das aldeias de Serapicos, Vilarinho do Monte e Junqueira (via indiciada por topónimos como Lampaça, Caleiros e Marcos, evitando cursos de água), passando junto da provável villa dos Milagres, na aldeia de Padrela, porta de acesso à região mineira de Três Minas (Lopes, 1994; Teixeira, 1996; Lemos, 2011).

    Região Mineira de Três Minas (Metallum Albucrarense de Plínio?)
    As minas romanas estão dispersas por Três Minas, Jales, Ribeirinha, Lago Pequeno e Corte de Covas e há vestígios de um possível hipódromo ou anfiteatro (Batata et alii, 2008). Junto a Três Minas, existia o povoado mineiro da Veiga da Samardã ainda com vestígios de habitações e de um canal de água proveniente de duas barragens em Tinhela de Baixo (Ferraria e Vale das Veias), para abastecimento do povoado e lavagem do minério. Um vasto conjunto de inscrições provenientes da necrópole deste povoado, entre as quais várias inscrições de Clunienses; na aldeia da Ribeirinha apareceram 3 inscrições votivas a Júpiter, uma por soldados da Iª Coorte Gálica Equitata, hoje no MSMS com o nº 30, outra por um soldado da Legião VII Gémina Feliz e por último um soldado da Legião VII Gémina Pio, testemunhando a forte presença militar relacionada com a exploração mineira.

    Padrela (da aldeia seguia o estradão paralelo à ER206 na direcção do complexo mineiro de Jales pelo Alto da Cerca, localizado entre os rios Tinhela e Curros, evitando assim a sua travessia, seguindo depois o estradão paralelo à EN206 até à base do marco geodésico «Padrela 2», onde toma o caminho que vai pelos altos do Morouço, da Cabeça da Cheda e do Marco Preto, cruza a ribeira do Muro e continua por alturas de Vilarelho até ao Alto da Forca, onde segue à direita para a travessia do rio Tinhela na Ponte da Fonte da Ribeira e daqui às Minas de Jales)
    Campo de Jales (barragem do Alto da Presa na estrada para Guilhado; estela funerária, hoje no MNA; continua junto das Minas de Jales por Borralheiros, entra na EM567 e passa junto da Ns. da Saúde)
    Vreia de Jales (continua pela EM567 até à Cruz da Vreia e 100 m depois segue à direita para o centro da povoação; continua pelo troço de via romana que segue por Milhapão)
    Barrela de Jales (a via romana continua a poente a aldeia, passando junto da interessante estátua-estela do Marco até Estalagem, onde entronca no CM1237 que segue por 400 m até desviar pelo troço calcetado que leva à Ponte do Arco)
    Ponte Romana do Arco sobre o rio Pinhão (vários indícios apontam para uma cronologia romana com pedras almofadados no arco e estribos, arco de volta perfeita e pavimento em grandes lajes de pedra; merecia outra atenção; retoma o CM1237 por 800 m, onde segue à direita pelo caminho da Laje do Cavalinho que volta a reunir-se com estrada junto do cruzeiro do Sr. dos Aflitos; continua por 500 m, onde desvia por caminho carreteiro que vai cruzar o ribeiro dos Carrojos na Ponte do Prado)

    Pinhão Cel (lápide consagrada a Tutela Turiensis achada na igreja de Sta. Maria da Ribeira, hoje no MSMS; a via passa a poente, cruza a CM1237, pouco depois segue à esquerda por caminho por Vidual, topónimo viário, actual Rua do Souto, cruza a EN15 e segue o caminho defronte por Bouça da Velha)
    Justes (passa a poente pela Cabeça Gorda, Regais, Fraga e Alto de Lamares até Lagares, topónimo Pousadas)
    • O percurso até Constantim continua incerto, não se percebendo se a via passava junto do Santuário de Panóias ou mais a poente directo ao vicus de Constantim.

      Panóias, Vale de Nogueiras
      Esta região de planalto delimitado pelos rios Corgo e Pinhão, chamada de «Terras de Panóias» em tempos medievos, poderia constituir o território de uma civitas em época romana, supostamente dos Lapitiae que teriam construído o excepcional Santuário Rupestre de Panóias no lugar do Assento, exemplo maior da transformação religiosa inerente à romanização (Cortez, 1947; Alarcão, 2001b); não se conhece o local do povoado, mas a tradição diz que toda a pedra foi levada para a construção da muralha de Vila Real, tendo desaparecido; a fundação na Baixa Idade Média de Vila Real, num local estratégico como é a confluência dos rios Cabril e Corgo, através da aglomeração de 3 aldeias (Sesmires, Vilalva e Veiga de Cabril) em torno da ponte sobre o rio Corgo, o que vem a criar um novo eixo viário medieval W-E que irá tornar-se na principal ligação entre Porto a Bragança que permanece ainda hoje e que tanto confunde o levantamento da viação romana; (vide Itinerário Vila Real - Murça - Mirandela).

    Constantim (provável mansio e vicus viário no sítio das Mamoas, a norte da povoação, hoje ocupado por terrenos agrícolas; um pedestal e vestígios cerâmicos na área compreendida entre o centro da povoação e a capela de Sta. Bárbara, indiciam a existência de um vicus de carácter viário, provavelmente uma mansio; em 1947, Cortez refere um miliário a Trajano encontrado na «Feira de Constantim» (CIL II 4797), antiga designação medieval, mas esta informação é duvidosa (Lemos 2010); sobre a continuação da via para sul, ver Cortez, 1947 e Silvano 2004)

    Andrães (segue até Mosteirô e desce pela capela de S. Miguel-o-Anjo e à Qta. da Ribeira; tesouro em Agó e Caxada)
    Ponte Romana?-Medieval da Ribeira sobre o rio Tanha
    Abaças (Castro romanizado de Abaças; mutatio (?); segue por Fontelo)
    Bujões (vicus?; a nascente fica o castellum de Guiães, onde apareceu uma ara a Reve Marandigui divindade relacionável com a Serra do Marão, hoje no Museu de Vila Real)
    Aqui a estrada poderá dividir-se em dois acessos a Covelinhas, onde fazia a travessia do rio Douro:
    • Por Poiares e passando junto do Castro do Muro por Estalagem, Estrada, Vila Seca, Poiares, seguindo depois na direcção do importante Castellum da Fonte do Milho ou da Pousa em Canelas, villa agrária fortificada que poderia ser também uma mutatio da via romana, descendo depois a Covelinhas pela Qta. do Muro, Qta. de Viandos e Sra. da Boa Passagem, onde há vestígios de tégula.
    • Por Galafura (Castro em S. Leonardo), passando em Ns. da Boa Morte, Lamas de Bujões, Caminho dos Salgueirinhos, Galafura, Aveleira, Barreiro, Muro e Covelinhas.
    Covelinhas (vicus)
    Travessia do rio Douro junto da capela do Senhor da Boa Passagem (inscrição num mosaico tumular, entretanto destruído)
    Folgosa, Armamar (daqui a via seguia por Vila Seca, passando talvez na Qta. da Cruz do Monte e Alto da Forca, Coura e Aricera, passando na seguindo talvez pela calçada da Sra. do Leite e no topónimo Carril)

    Goujoim (castro romanizado; 4 km de calçada na zona do castro; 1.5 km a norte do castro, na Qta. das Lameiras, apareceu um terminus augustalis demarcando a divisão territorial entre os COILARNI e os ARABRIGENSES; é possível que a via bifurcasse junto do Castro de Goujoim, seguindo uma via para sul rumo a Beira Valente se a outra seguia por Granja do Tedo, Longa e Arcos, locais com vários vestígios da calçada, rumo ao vicus do Fontelo em Sendim)

    Goujoim a Beira Valente:
    Os vestígios de um povoado na Qta. do Rebolal e no sítio do Mogo, 1 km a sul do castro, indiciam uma via rumo a sul que seguia por S. Martinho das Chãs e S. Cosmado (pela calçada de Lajeirão) até Beira Valente, onde entronca na Via Lamego-Marialva.

    Goujoim a Sendim pela Ponte da Granja do Tedo (Perpétuo, 1999):
    Partindo do cemitério de Goujoim, a via segue à esquerda pelo caminho que passa na Qta. do Pombo e em Ronção.
    Ponte Romana?-Medieval de Granja do Tedo (possível ligação a Moimenta da Beira por Castelo)
    Granja do Tedo (calçada parte junto ao cemitério rumo a Longa passando em Monte Rei e entrando em Longa pela capela de S. Miguel)
    Longa (passa no cemitério e continua em calçada por detrás da capela da Sra. da Saúde passando em Rebolos e Serra)
    • Ligação a Tabuaço, seguindo o velho caminho para a Citânia pelo Penedo do Forneiro/da Forca e na capela de Santo Isidoro, onde começa um troço de calçada com 500 m que continua na direcção de Chavães e Tabuaço, surgindo um troço em calçada que corre paralela à EN515 pouco antes da sede do concelho.
    • Ligação Longa a Nagosa, pelo antigo caminho lajeado que passa a poente do Bairro Dr. Octávio Cruz.
    Arcos (passa no cemitério e segue à esquerda por terra para Sendim)
    Sendim (vicus do Fontelo em Vale de Sendim; grande dispersão de vestígios indiciam a presença de um vicus neste local, funcionando como nó viário que articulava as vias provenientes do rio Douro com as vias no eixo Lamego-Marialva)

      Variante de Vila Seca a Sendim por Tabuaço (Perpétuo, 1999):
      Uma outra via, com eventual origem romana, desviava da anterior em Vila Seca na direcção de St. Adrião (por um caminho paralelo à EN513), atravessava o rio Tedo na Ponte de St. Adrião (sem sinal de romanidade; EM1101), continuava próximo da villa de Moirão, Sta. Leocádia e Barcos (calçada no acesso ao Castro da Sra. do Sabroso; casal em Vila Chã), rumo a Tabuaço (villa no sítio de S. Vicente, junto da vila; ligação a Vale Figueira pela calçada do Alto da Escrita); daqui inflectia para sul, seguindo pela calçada do Fradinho até Távora, seguindo depois o estradão que passa por Passa-Frio, na base do povoado fortificado da Sra. do Calfão/Galfão, rumo a Paradela, seguindo depois o estradão que passa na Eira do Monte, entrando na aldeia de Sendim pelo excelente troço de calçada entre Vale de Vila e St. Ovídeo rumo ao vicus do Fontelo.
    • Vestígios de um troço de calçada em Sta. Bárbara, Granjinha, indicia a existência de um outro caminho mais próximo do rio Távora, seguindo talvez por Porqueira, Cabriz e Sra. do Bom Despacho também rumo ao vicus do Fontelo (?).

    Ligações a partir de Sendim:
    • Ligação Sendim a Paredes da Beira, descendo talvez por Guedieiros (passando próximo das estações romanas de Estercada Velha e Pala) para a travessia do rio Távora junto ao Castro de Riodades, seguindo depois por Areite, Lajes e Cruzeiro rumo ao vicus de Paredes da Beira.
    • Ligação Sendim a Moimenta da Beira, seguindo talvez por Baldos até ao vicus de Rochela/Arrochela em Granja de Oleiros/Vide, provável estação viária de onde partiam ligações a Viseu por Moimenta, a Celorico da Beira e a Marialva.


    Chaves (AQUAE FLAVIAE) ao Douro/Pinhão por Favaios
    Este itinerário deriva da via Chaves-Covelinhas na região mineira de Trêsminas evitando a travessia do rio Pinhão e seguia na direcção da travessia do rio Douro na sua foz, onde, na estação ferroviária, se achou o epitáfio de Aelius Reburrus da tribo Quirina, natural de Astorga e veterano da legião VII Gemina (CIL II 6291), hoje no MSMS.

    Vila Verde (a via passa na base do Castro da Cerca, marginando a necrópole da Veiguinha)
    Vilar de Maçada (castro romanizado no Alto da Muralha/Cabeça Murada; ara em Francelos; duas inscrições na igreja da Ns. da Assunção, hoje desaparecidas, uma ara votiva à divindade indígena Albo Celo? e a ara votiva a Júpiter colocada por Alius Reburrus; seria o mesmo do Pinhão?)
    Sanfins do Douro (necrópole na igreja da Ns. da Conceição; povoado na Sra. da Piedade; provável vicus junto da mina de ouro de Salgueiros; segue rumo a Favaios passando na base do Castro romanizado de Vilarelho, onde há de calçada em Rio de Moinhos e Marco)
    Favaios/Alijó (povoado em Sta. Bárbara; estela funerária incorporada no muro norte da capela da Qta. de S. Jorge; acesso à quinta pela calçada da Regada; continua para sul sempre em altitude passando próximo do habitat de S. Bento, hoje desconhecido, rumo a Portela da Serra)
    Vilarinho de Cotas (povoado no castelo; desce por Casal de Loivos ao Pinhão.
    Travessia do rio Douro no Pinhão (daqui subia a Paredes da Beira talvez por Valença do Douro e Castanheiro do Sul, próximo da actual EM504)

    Paredes da Beira (vicus)
    Os vestígios no lugar do Cruzeiro parecem corresponder a um vicus, estrategicamente localizado junto desta estrada romana que percorria o território civitas Ararabrigense no sentido NW-SE, no ponto onde esta bifurcava para Viseu (por Riodades e Moimenta, descrita acima; a via seguia a meia encosta entre o povoado pré-romano do Alto da Serra do Reboledo e a Serra de Sampaio, onde há calçada, continuando por Britelo e junto da inscrição rupestre do sítio do Marcadouro/Mercadoura onde se lê «Visancoru(m) / Camali / Concili», provável marco de divisão de propriedades.
    Penela da Beira (segue junto do vicus, no esporão do Casteidal junto da Qta. de St. Tirso e marginando as minas de ouro de St. António)
    Granja (altar na Qta. da Arca)
    Penedono (há 3 possíveis miliários ainda inéditos nas ruas da vila; segue por Ferronha)
    Ponte Romana?-Medieval da Pedrinha (hoje submersa pela barragem!)
    Ourozinho (passa no interior da aldeia e logo depois entra na calçada romana da Qta. do Vale de Outeiro, passa nas casas da quinta e continua pela Sra. do Pranto em Sapateira para a travessia da ribeira da Teja)
    Outeiro dos Gatos (vestígios em Telhões e na Qta. do Paço)
    Mêda (entra na vila pelo Cadoiço; a continuação para Marialva está descrita no Itinerário Freixo de Numão-Marialva)

    Alternativa Pinhão - Penela da Beira por S. João da Pesqueira:
    Também poderá ter origem romana, o itinerário por S. João da Pesqueira em direcção a Penela da Beira, onde conflui com a via proveniente de Paredes da Beira que seguia para Marialva, mas por agora não passam de hipóteses devido aos parcos vestígios existentes.
    • Num traçado hipotético, depois de atravessar o rio Douro poderia subir a S. João da Pesqueira (verraco com a inscrição AMBROECON) e daqui rumar à Sra. da Estrada (EN222), onde bifurcava, seguindo um ramo para Freixo de Numão (?) talvez por Horta do Numão (villae na Qta. do Sequeira e no Vale da Amoreira) e outro seguia em direcção a Marialva (?) talvez por Valongo dos Azeites (cupa funerária, FE358 em Trevões), rumando depois a Penela da Beira pelo chamado 'Caminho da Gricha' que contorna a Serra de Sampaio pela vertente leste e passando no Castellum (?) da Tapada do Vento antes de atingir Penela da Beira.











    Chaves (AQUAE FLAVIAE) - Três Minas - Pópulo - Carlão - Rio Douro (Vesúvio) - Freixo de Numão
    Derivando da via Chaves - Covelinhas na região mineira de Três Minas, este itinerário seguia para sudeste rumo à travessia do rio Douro na Sra. da Ribeira/Vesúvio, ligando daqui a Freixo de Numão; a via deveria passar no nó viário do Alto de Pópulo e junto do Castelo de Carlão, onde cruzava o rio Tua, seguindo depois por Carrazeda de Ansiães rumo à travessia do rio Douro junto do povoado mineiro da Qta. da Sra. da Ribeira, ascendendo depois pela Qta. do Vesúvio aos eixos viários de Freixo de Numão (Almeida, 1992-1993; Lemos 2011).

    Região Mineira de Três Minas (a via seguia talvez por Três Minas, Vales (tesouro), Sra. da Guia, atravessa o Tinhela na Ponte da Rocha (?), Reboredo, Moreira de Jales (estela funerária em Gestal), Asnela, Portelinha, Alto da Modorras e Cabeço do Carril, caminho que hoje serve de linha divisória entre os concelhos de Vila Pouca de Aguiar e Murça)

    Alto do Pópulo (tesouro; a via continuava por Pópulo próximo da EN212, servindo os povoados romanizados da Idade do Ferro do Castro de S. Marcos/Touca Rota, Castelo do Alto da Murada, Castelo de Castorigo e Castelo de Vale de Mir, continuando depois a leste de Ribalonga pela vertente ocidental da Serra da Botelhinha, por Pousada, Cal de Boi, Alto de Pegarinhos/do Cavalo e Vale de Mir, entrando depois no troço de calçada junto do Aeródromo de Alijó com 300 m; inscrição em Vale de Cunho e ara a Júpiter em Sta. Ana/St. Ovídio em Ribalonga, CIL II 2386, hoje perdida)
    Carlão, Alijó (a via bifurcava em Cruzeiro da Serra, seguindo uma via rumo à foz do Tua e outra seguia pelo Castelo de Carlão para a travessia do rio Tinhela nas Caldas do Carlão).
    • Ligação de Carlão a Vila Flor pelas Caldas do Carlão, partindo do Castelo de Carlão, seguia pelo Alto da Figueirinha até Caldas de Carlão, onde atravessava o rio Tinhela numa Ponte «Romana» (foi destruída por uma cheia em 1739 e foi reconstruída), continuando depois por calçada para a travessia do rio Tua em Brunheda, junto ao castro romanizado de Sta. Catarina, podendo daqui continuar para Vila Flor com passagem por Freixiel (vicus de Sta. Marinha).

    Ligação de Carlão ao Douro/Foz do rio Tua: possível via romana partindo do Cruzeiro da Serra e seguindo pelo alto da Burneira próximo do Castelo da Burneira e do Castro da Sra. da Cunha até ao Castelo de Safres, descendo depois pela calçada que leva à Ponte Romana?-Medieval do Lodão ou da Azenha sobre a ribeira de S. Mamede, passa em S. Mamede de Ribatua (Castro dos Mouros) e desce à foz do rio Tua; esta via deveria servir também o povoado fortificado da Cerca do Castedo (vicus?; ara a Júpiter na capela de Sta. Marinha).

    Ligação de Carlão a Freixo de Numão por Carrazeda de Ansiães
    Via romana de ligação à travessia do rio Douro na Sra. da Ribeira/Vesúvio, passando nos vici de Pombal, Selores e Qta. da Sra. da Ribeira, podendo continuar para Freixo de Numão, trajecto descrito em Ver vias em torno de Freixo de Numão; depois de atravessar o rio Tua, a via seguia para sul por Pinhal do norte rumo ao vicus do Lugar da Costa/Mós em Pombal (na Igreja de Pombal apareceu uma inscrição dedicada a Júpiter pelos vica(ni) Cabr(...), hoje na Igreja de S. Salvador do Castelo de Ansiães que poderá corresponder a este sítio ou mais adiante no sítio romano de Curral dos Moiros), segue pela calçada que passa no sopé da vertente onde se situa o povoado, atravessa a ribeira de Frarigo e segue por Paradela (próximo fica o sítio romano de Curral dos Moiros), Parambos (provável diverticulum para o e da importante villa da Qta. da Ribeira em Tralhariz, sobranceira ao Tua), Arnal, Marzagão (pela Ponte do Galego sobre a ribeira de Linhares), Selores (povoado no Castelo de Ansiães; mutatio?) e Seixo de Ansiães, descendo daqui ao rio Douro (pela EN632?) até ao povoado da Qta. da Sra. da Ribeira (Tiria ou Liria, vicus mineiro relacionado com a mina romana de Covas dos Mouros; na capela da Ns. da Ribeira achou-se uma ara votiva a Bandu Vordeaeco e um ex-voto dedicado à divindade Tutela Liriensis ou Tiriensis levantando a hipótese deste povoado ser designado por Liria ou Tiria, hoje no MSMS com o nº 38; (Encarnação, 1975, 1992; Alarcão, 1988 e 2004b; Lemos, 1993; Guerra, 1998, p. 185-186).
    • Ligação de Carrazeda de Ansiães a Vila Flor, possível via romana que ligaria os vici de Carrazeda de Ansiães a Vila Flor por Freixiel, atendendo aos vestígios da calçada do Mogo que parte da aldeia de Mogo da Malta e segue pelo vale da ribeira da Cabreira.

    Mapa

    Chaves (AQUAE FLAVIAE) - Vale da Vilariça (civitas BANIENSIS)
    Hipotético itinerário romano ligando Aquae Flaviae ao Vale da Vilariça, território da civitas Banienses; o percurso apresentado é meramente hipotético desviando da Via XVII em Valpaços, seguindo depois na direcção do Vale da Vilariça. O percurso depende do ponto onde se fazia a travessia do rio Tua (Ribeirinha ou Abreiro?).

    Chaves, segue a Via XVII até Valpaços, onde ruma a sudeste por Rio Torto (provável mutatio no Alto de S. Pedrinho), atravessa o rio homónimo e continua por Póvoa e Pai Torto, Suçães (?) e Marmelos; a partir daqui o percurso depende do ponto de travessia do rio Tua:
    Vila Flor (Fonte Romana; habitat na Qta. dos Castelares; 3 inscrições no Museu Municipal «provenientes de Junqueira» e mais 2 da extinta capela de S. Martinho, ou seja da civitas Banienses)
    Nabo (vestígios ao longo da ribeira de Cavalos, em Tapada de Santa Cruz, Godeiros, Monte Couquinho e Pala do Conde, mas a via teria outro percurso por Lombo Alto e Qta. do Ataíde)
    Horta da Vilariça (talvez junto do sítio da Eira Velha, onde apareceu a estela funerária de Tongeta, hoje no Museu do Ferro em Moncorvo e por Qta. de Carvalhal, onde se achou outra inscrição funerária)
    civitas BANIENSIS (cruza a ribeira da Vilariça, tendo na outra margem, o sítio do Roncal e todo o núcleo de povoamento civitas Baniensis na base do Povoado do Baldoeiro)

    Diverticulum Via XVII ad civitas BANIENSES et civitas COBELCORUM

    Mapa







    Astorga (ASTURICA) ao Vale da Vilariça (civitas BANIENSIS) e Torre de Almofala (civitas COBELCORUM)
    Percurso de uma antiga estrada citada num documento afonsino de 1172 como "Carril Mourisco", mas que terá origem romana atendendo a alguns vestígios ao longo do seu percurso, apesar da ausência de miliários. É provável que esta via secundária fosse uma variante da via que liga Astorga a San Vitero, onde se achou um miliário a Trajano, atravessando o planalto mirandês entre os rios Sabor e Douro, bifurcando nas imediações de Fornos, seguindo um ramo rumo a Barca Dalva e outro rumo ao Vale da Vilariça, território ocupado pelos Banienses. A via está assinalada na carta militar 67 e o seu percurso é pontuado por vários povoados romanos como o de Aldeia Nova, Malhadas, Duas Igrejas, Palaçoulo e Picote; em Aldeia Nova, assinala-se a presença da Ala Sabiniana, através do epitáfio do signífero Aemilio Balaeso, porta-estandarte (vexillum) desta unidade de cavalaria romana. Surgem assim dois eixos relacionados com a intensa actividade mineira da região em época romana, um eixo N-S que ligava a região do Alto Douro ao importante nó viário de Astorga a norte (seguindo em parte pela VIA XVII) e a sul às civitates dos COBELCI e dos IGAEDITANOS, respectivamente em Figueira de Castelo Rodrigo e Idanha-a-Velha. Um outro eixo desenhava uma diagonal, ligando o território dos BANIENSI do Vale da Vilariça a Palência (Pallantia), atravessando o rio Douro em Miranda (?) e cruzando com a chamada «Via de la Plata», o grande eixo viário N-S entre Astorga e Mérida que cruzaria nas proximidades de Medina de Rioseco. Os locais indicados por Celestino Beça em 1915 da passagem da via estão entre "aspas" dada a dificuldade de identifica-los no terreno. (Beça, 1915, Lemos, 1993).

    Astorga (ASTURICA) (seguiria a Via XVII até Figueruela de Arriba, inflectindo aqui para sul)
    San Vitero (miliário a Trajano)
    San Juan del Rebollar
    Alcañices (segue para Vivinera e depois pelo caminho do «Chalet Espanhol»)
    Cicouro, Miranda do Douro (a via entrava em Portugal pela Cruz de Canda/Cândena, fronteira luso-espanhola, e segue por Eiras da Cruz e Malhadona)
    Constantim (calçada segue a poente pelo Cabeço dos Brunhos, cruza Fontes e segue pouco depois à esquerda por Pito junto ao Alto da Carneira)
    Póvoa (continua por Veneita, Penhas do Gordo, capela de Sra. do Picão e desce a Chãos) Malhadas (de Chãos segue à esquerda pelo Alto das Lombardas, cruza a EN218 na Cruz das Lombardas, passa nas Lagoas Grande e Pequena, continua pelo Alto da Zebra até à Cruz de Martins Fernandes onde toma o caminho a poente do Alto do Serro; o vicus romano seria no sítio de Trás da Torre dentro de Malhadas; ver lápides romanas na Igreja de Ns. da Expectação)
    Duas Igrejas (várias lápides funerárias, talvez da necrópole na Sra. do Monte; do Serro continua para Chanas, onde segue à esquerda para Cula, no alto de Fontelatassa, Rodelas, Cabeço da Matança, Fonte dos Campos até Reboleira; este troço faz de fronteira concelhia com Vimioso; em 1915 por «Qta. da Urreta da Silva», «Fonte dos Asnos» e «tapada de Piçoulos»)
    Fonte de Aldeia (a via continua pelo Alto de Sta. Catarina até ao apeadeiro e passa a acompanhar a linha férrea, passando 500 m a poente da capela da Sra. da Trindade)
    Prado Gatão (continua junto à linha férrea passando na «Marra de Prado Gatão», «Ponte de Vale de Carrasco»; povoados em Trampas Carreiras e Toural em Palaçoulo)
    Sendim Gare, Sendim (passa na estação e no Alto da Alubreira, confluindo na EN221; «Vale de S. Pedro, pelo meio das eiras ou prado de Sendim»)
    Urrós Gare, Urrós (da estação C.F. segue a EN221 e no acesso ao IC5 toma o caminho à direita que passa debaixo da IC5 até reencontrar a linha férrea; por «Cabeço Obreiro», «Vale Mourisco» e «Penas Turvas»)
    Brunhosinho (a via alinha-se outra vez com a linha férrea e segue até Penas de Areia/Monte de S. Miguel, onde toma o caminho para sudoeste que vai entre as ribeiras do Campeal e de Vale Cabreiro por Fontes, cruza a IC5 e toma a EN221 que segue por 500 m até à Fonte da Pena Mosqueira; em 1915, Beça indica «Cruz da Bandeira», «Vale de Sendim», «Eiras da Canada» e «Pena Mosqueira»)
    • Possível ligação a Mogadouro: derivando na Fonte da Pena Mosqueira para poente, seguindo por «Vale de Unfiz», «Valdrugueira», «Brenha do Cazarelhos» em Devesa e daqui ao Mogadouro por S. Tiago (Beça, 1915).
    • Possível acesso a Bemposta, ao povoado do Castelo de Oleiros, sobranceiro ao rio Douro, onde há vestígios de calçada.
    Tó (da Fonte da Pena Mosqueira corta por Assumada por «Pinhal do Brinhozinho», «Lagoa de Thó», «Fornos da Telha» e no «Pontão de Thó»)
    Vila de Ala (por Lastras e «Eiras de Paçô»)
    Vilar de Rei (a via soterrada corresponde ao caminho que passa em Carvas, «Ponte do Mourisco»/ ribeira da Veiga(?), Urreta Mourisca, Calçada e «Prados dos Reis», topónimos viários que denunciam a passagem da antiga via que atravessava depois a Serra de Gajope)
    Bruçó (segue próximo da linha férrea por Atalaia e Ponte dos Almocreves)
    Lagoaça (continua pela base do Cabeço de Sta. Marta e pelo «Carvalhal da Lagoaça»; árula a Júpiter; vicus (?); necrópole em Vale Travesso)
    Fornos (por «Lameiras de Vale de Ladrões» e junto da estação CF, onde apareceu a estela funerária de PRISCVS)

    Bifurcação da via na Lomba do Carvalhão
    A via deveria bifurcar no nó viário da Lomba do Carvalhão, próximo do actual cruzamento da EN221 com a EN220, partindo daqui um diverticulum em direcção a Freixo de Espada-à-Cinta rumo à travessia do rio Douro em Barca de Alva, seguindo depois por Torre de Almofala (civitas Cobelcorum) até Idanha-a-Velha (Igaedis), onde entroncava na Via Braga-Mérida. A outra via seguia para Torre de Moncorvo rumo ao Vale da Vilariça, por Qta. da Macieirinha/ Qta. da Estrada e «Costa do Barro Branco», na rota da EN220, entre dois prováveis vici, o vicus de Estevais a norte e o vicus de São Cristóvão a sul, onde apareceu uma ara a Júpiter, uma ara funerária e fragmentos de 2 berrões.

    Itinerário para Almofala (civitas COBELCORUM) por Freixo de Espada à Cinta e Barca Dalva
    Mazouco (da Lomba do Carvalhão, continuava para a sul, passando junto do possível vicus do Monte de Sta. Luzia; espólio na CM do Freixo)
    Ponte Romana?-Medieval do Carril sobre a ribeira de Moinhos (1 arco; a norte da povoação)
    Freixo de Espada à Cinta (importante villa na Qta. de S. Caetano; existe "notícia de um miliário enterrado junto a uma fonte", mas ainda não confirmada)
    Poiares, Freixo de Espada à Cinta (continua para poente passando junto Castro de São Paulo, onde apareceu uma ara a Júpiter, descendo ao Douro pela Calçada de Alpajares até à confluência da ribeira da Brita com a ribeira do Mosteiro, atravessando esta na Ponte do Diabo, ponte medieval da qual restam os arranques, seguindo depois pela margem direita até ao rio Douro; este local estratégico era controlado pelo Castelo de Alva, povoado fortificado tardo-romano, onde apareceu uma ara a Júpiter, hoje desaparecida, CIL II 2400)
    Barca Dalva (travessia do rio Douro entre a Qta. da Barca e a Qta. da Pedriça; inscrição funerária na frontaria da capela de St. Cristo, mas que será proveniente de Almendra, regista um Cobelcus, ou seja um natural da civitas Cobelcorum; a via deveria seguir o traçado da actual EN221, passando não longe da villa de Vale Tedão e na Calçada de Gamão ao km 120)
    Escalhão (segue por Castelo; possível ligação a Figueira de Castelo Rodrigo pela EN221, atravessando o rio Aguiar na Ponte Velha de Escalhão, a 100 m da ponte nova, com calçada em ambas as margens)
    Mata de Lobos
    Torre de Almofala (civitas COBELCORUM; ver continuação deste itinerário para Igaedis)

    Itinerário para a civitas BANIENSIS, Vale da Vilariça (Torre de Moncorvo)
    Carviçais (árula a Júpiter achada a 3 km de Carviçais na direcção de Martim Tirado, junto das sepulturas entre o ribeiro da Trapa e do Cananor, hoje no MNA; a via passaria por «Castinheiral»/Alto do Castanheiro? e próximo da villa de Vale de Ferreiros, destruído pela barragem)
    Felgar (vestígios de calçada junto povoado da Idade do Ferro do Cabeço da Mua, associado à exploração do ferro da Serra do Reboredo e onde mais tarde poderia ter existido uma mutatio; epitáfio de Coracila, CIL II 6289; epitáfio de Reburrus, CIL II 6290, emigrante Seures do castellum Narelia)
    • Diverticulm por Cilhades/rio Sabor: é provável que existissem derivações da via para noroeste, rumo ao rio Sabor atendendo aos vestígios de uma via junto do habitat da Eira de Santiago e de outra rumo à travessia do rio Sabor na Barca de Cilhades, referida em documentação medieval, no lugar da Azenha do Poço da Barca, dando acesso na outra margem à villa ou vicus de Silhades/Cilhades, com respectiva necrópole junto da fonte do laranjal, conhecido por «Cemitério dos Mouros», onde apareceu uma ara dedicada a Denso e uma ara dedicada a Tutela; no cabeço adjacente existia uma fortificação da Idade do Ferro conhecida por Castelinho, indiciando a antiguidade desta travessia do Sabor, podendo continuar rumo ao Vale da Vilariça (Santa Comba?).
    • Continuação para Torre de Moncorvo: segundo Beça do «Cabeço da Mua» seguia por «Qta. de Lauzelas», «Qta. de Mindelo», «Roboredo», «Capela de St. António de Moncorvo» até Moncorvo; nas margens desta rota da EN220 pelo Vale da Mua existem vários sítios romanos com presença de escórias derivadas da exploração e metalurgia do ferro, como o sítio de Lamelas, eventual mutatio após o Carvalhal, dado que a cerca de 500 m existia uma «Estalagem de Almocreves». Chegando a Torre de Moncorvo, a via bifurcava, descendo um ramo ao Pocinho para a travessia do rio Douro enquanto o outro ramo descia à confluência da ribeira da Vilariça no rio Sabor, zona de maior concentração de povoamento dos Banienses.

    • civitas BANIENSIS
      Os BANIENSES, um dos povos mencionados na famosa inscrição da Ponte de Alcântara, ocupavam o fértil Vale da Vilariça a norte do rio Douro com base numa inscrição encontrado próximo do Povoado do Baldoeiro, antigo castro junto da confluência da ribeira da Vilariça com o rio Sabor; trata-se de uma ara dedicada a Júpiter e à «CIVITATI BANIENSIV» por Sulpicius Bassus encontrada nas ruínas da capela de S. Mamede/Mesquita, sucedânea de um possível Templo Romano, hoje no MNA. No entanto os vestígios no sítio do Baldoeiro são mais condizentes com um santuário romano do que com um oppidum capital de uma civitas pelo que surgiram outras hipóteses de localização nos vários núcleos populacionais ao longo da ribeira da Vilariça, com as propostas a oscilarem entre o importante sítio da Vila Morta de Sta. Cruz da Vilariça (11 lápides reutilizadas na parede norte da capela da Ns. do Roncal, junto da Qta. da Portela), ou mais a norte em Junqueira no sítio de Chão da Capela /Prado (ara, 6 lápides, Pinho Brandão recolheu 3 lápides no Museu Municipal de Vila Flor; entre eles surge o núcleo de povoamento formado pela Qta. da Terrincha e Olival das Fragas, na base do povoado da Senhora do Castelo; na outra margem, na Qta. de Vila Maior em Cabanas de Baixo, existe um outro povoado romano que poderá corresponder a um vicus, dado que aqui apareceu uma ara dedicada a Júpiter pelos Vicani ILEX[---]; (FE75; Lemos, 1993). Apesar da indefinição sobre a localização da sede dos Banienses, a matriz de povoamento alinhada ao longo do Vale da Vilariça, aponta para um eixo viário principal na direcção N-S pela margem esquerda da ribeira da Vilariça ligando o território Baniense ao grande eixo viário da Via XVII que passava a norte rumo a Astorga; para sul esta via seguia para a travessia do Douro no Pocinho, seguindo depois rumo a Marialva; ver Itinerário Marialva - Torre de D. Chama - VIA XVII. A este eixo viário afluíam vias transversais, uma proveniente de Astorga(?), passando nas explorações de ferro de Torre de Moncorvo, e outra proveniente de Chaves (?) por Vila Flor.

    Diverticulum Via XVII ad civitas ARAVORUM

    Torre de Dona Chama (mansio da Via XVII) - Marialva (civitas ARAVORUM)
    Possível diverticulum da Via XVII que partia de Torre de Dona Chama rumo à travessia do rio Douro na Barca Velha do Pocinho, atravessando o território Baniensi pelo Vale da Vilariça, subindo por Vila Nova de Foz Côa rumo a Marialva, sede da civitas Aravorum. O Vale da Vilariça está coberto de vestígios romanos que se estendem até à Foz do Sabor no rio Douro; muito deste património vai desaparecer em breve com a construção da barragem do rio Sabor e provavelmente nunca se irá perceber a total dimensão da rede viária nesta região tão romanizada. Com a excepção do duvidoso miliário encontrado na Qta. de Chão d'Ordem não há sinal de miliários. (Sá Coixão, 2002 e 2004; Lemos, 2011).

    Torre de Dona Chama (oppidum no Castro de S. Brás; segue próximo do povoado de S. Juzenda em Múrias e junto do provável vicus em Mascarenhas)
    Mirandela (povoado em S. Sebastião, "engolido" pela cidade; provável mutatio; passava próximo dos castros romanizados do Castelo Velho e da Senhora do Viso)
    Santa Comba de Vilariça (seguia pela vertente a sudeste da Serra de Bornes, algures entre os povoados mineiros fortificados do Castelo de Macedinho e Fragas do Castelo, servindo as minas auríferas de Vila Verde, Freixiosa e S. Salvador e marginando os povoados de Salgueiro e Ferradoza)
    Lodões (passava por Assares e junto do vicus de Lodões, seguindo depois entre o povoado de S. Pedro e o Castro de Ns. dos Anúncios, Vilarelhos, na outra margem)
    Junqueira (continua pela margem esquerda da ribeira da Vilariça, bordejando os núcleos de povoamento Baniense em Olival Grande, Olival do Rei, onde cruza a ribeira de S. Martinho, Chão da Capela, Cevadeiras, Olival das Fragas, Boedo e Qta. da Terrincha, estes na base do povoado da Sra. do Castelo)
    Adeganha (continua pelo Vale da Vilariça passando na base do Povoado do Baldoeiro, com sítios romanos no Olival do Bico, até atingir a basse da Vila Morta de Santa Cruz da Vilariça, onde atravessa o rio Sabor; continua depois rumo ao Pocinho pela base do Castro romanizado do Cabeço de Alfarela)
    Travessia do rio Douro na Barca Velha do Pocinho (na outra margem temos o vicus da Sra. da Veiga, na base do castro romanizado do Castelo do Monte Meão; daqui subia a Foz Côa pela chamada «Estrada da Costa» passando junto da villa da Gricha, Cortes da Veiga e Vale do Escudeiro)
    Vila Nova de Foz Côa (villa ou vicus do Paço, junto ao Castelo e em Azinhate; ara a Júpiter por Lucius Valerius na igreja paroquial)
    Muxagata (vicus no Castelo; seria aqui a Vacinata da documentação medieval?; villa ou vicus na Qta. das Olgas)
    Qta. do Chão d'Ordem (possível miliário dentro da quinta)
    Chãs (cruza com as vias transversais que seguiam para as possíveis travessias do Côa; calçadas em Quintas e Abrolho)
    Santa Comba (talvez por Chão Redondo; existe calçada de acesso ao rio Côa)
    Barreira (segue a noroeste pela EM607-1 e pela margem esquerda da ribeira de Marialva; topónimo «Terra do Marco»)
    Marialva (civitas Aravorum; ver rede viária)

    Viae ab CALE

    Mapa


    Karraria Antiqua





    Per Loca Maritima





    Via Veteris


    Porto (CALE) - Barcelos/Caminha (Karraria Antiqua)
    A grande via militar romana que ligava Bracara Augusta a Olisipo passava em Cale, estação estrategicamente situada junto da sempre difícil travessia do Rio Douro que na época servia de linha divisória entre a Galécia e a Lusitânia. Esta localização privilegiada tornou Cale num importante nó viário de onde partiam muitas outras vias em várias direcções. Esta rede de vias romanas secundárias, dada a ausência de miliários, deveria assentar em caminhos pré-romanos que interligavam os muitos povoados castrejos da região. Muitos seriam elevados a civitates durante o domínio romano reunindo castros romanizados e novos castros romanos numa ordem administrativa bem longe do modelo clássico do urbanismo romano. A geografia e a resistência acirrada destes povos à nova ordem romana condicionou um tipo de romanização radicalmente diferente do sul do país. Com as excepções de Bracara Augusta e Aquae Flaviae, ainda assim fundadas por aglomeração da população castreja em seu redor, parece existir uma continuidade da velha ordem castreja através da reorganização do território por populi em torno de um oppidum capital que administrava um território sobretudo com afinidades étnicas quer reutilizando os velhos castros quer através da fundação ex-nihilo de 'novos' castros como é o caso do Monte Mozinho que passam assim a desempenhar funções de capital de um território que passa a designar-se de civitas. Naturalmente a rede viária reflecte esta continuidade que se prolonga até à Idade Média como se observa nas referências à antiga via como Karraria Antiqua e Via Veteris , assim referidas em documentos alti-medievais, projectando-se até à era moderna como as rotas por onde seguiriam os actuais grandes eixos viários da região. Apesar do forte cariz medieval destes caminhos e da ausência de miliários, a sua utilização no processo de romanização da região parece indubitável e o seu trajecto é dedutível através dos vestígios de povoamento romano ao longo do seu percurso como bem demonstraram os trabalhos de Carlos Ferreira de Almeida e de Brochado de Almeida. Muitos das referências a estas antigas estradas provêm da compilação de documentos notariais medievais intitulada Diplomata et Chartae organizados por Alexandre Herculano no «Portugaliae Monumenta Historica», incluindo os nomes de villas, castros e rios (vide Almeida CAB, 1979, 1980, 1986, 1996; Almeida CAF, 1968, 1969).

    • Karraria Antiqua (Porto - Barcelos)
      De Cale partia uma outra via mais a poente referida nas inquirições de 1258 como Karraria Antiqua que deverá ter também origem romana. Sendo também Caminho de Santiago, é possível percorrer este caminho seguindo as famosas «setas amarelas», apesar do trajecto escolhido nem sempre coincidir com os traçados romanos. Partia talvez do Jardim da Cordoaria no Porto, antiga Porta do Olival, tal como a via Porto-Braga, mas logo depois bifurcava seguindo a via para Braga pela rua Mártires da Liberdade enquanto a Karraria dirigia-se para a actual Praça Carlos Alberto, antiga Praça dos Ferradores, continuando depois pela rua de Cedofeita, designada no período medieval por «Cacarreira» e por «rua da Estrada» até 1781, referências óbvias à via, seguindo sempre recto pela rua do Barão de Forrester até ao Largo da Ramada Alta, contorna a capela do Sr. do Calvário e segue pela rua 9 de Julho, rua do Carvalhido, rua Monte dos Burgos, rua Nova do Seixo, Padrão da Légua (nó viário junto do cruzeiro do Senhor, onde confluía também a Via Veteris descrita abaixo), continua pela rua de Recarei (Castro), rua de Gondivai (villa), rua de Araújo até ao cruzeiro da capela do Araújo. A partir daqui existem duas alternativas para a travessia do rio Leça, uma continuando em frente em direcção à Ponte de Moreira e outra seguindo à direita para a Ponte de Barreiros:
      • Pela Ponte de Moreira: continua pela rua de Custió, rua da Ponte de Moreira, atravessa o rio Leça na Ponte Romana?-Medieval de Moreira (a ponte antiga ao lado da ponte moderna é uma reconstrução de uma ponte medieval atendendo às siglas de pedreiro ainda visíveis, mas alguns silhares que formam o seu tabuleiro parecem de talhe romano), entra na EN13 e desvia logo depois pelo cemitério pela rua Mestre Clara que desemboca na EN542, hoje rua Fernando Ulrich. Neste ponto, é perceptível a continuação do caminho para a rua de Matamá, mas hoje é uma zona industrial que é preciso contornar pela EN13.
      • Pela Ponte de Barreiros: do cruzeiro do Araújo, desce à direita pela Travessa de D. Frei Manuel Almeida de Vasconcelos e rua Sousa Prata, atravessando o rio Leça na Ponte Romana-Medieval da Azenha/Ronfes/Barreiros (pedras almofadadas nas aduelas do arco na margem direita), atravessa a EN13 e sobe pela rua do Souto à igreja paroquial da Maia, segue paralela ao cemitério e desce talvez pela rua de Recamunde até desembocar na rua Conselheiro Costa Aroso. A partir daqui está tudo muito alterado pela construção da IC24, mas poderia seguir pela rua de Godim, rua Carlos Moreira, rua Central do Carvalhido, rua do Cruzeiro até entroncar na rua Mestre Clara, onde entronca na variante anterior.
      Retomando a karraria na rua de Matamá, continua no CM1077 pela rua da Venda (topónimo viário), rua do Padinho, rua do Monte em Mosteiró (villa em Lameira, junto à igreja), rua da Botiga, rua da Costinha, rua da Arribela, rua do Padrão em Vilar (inscrição na face sul da igreja paroquial; villa?), Carrapata de Cima e Nove Irmãos em Modivas (inscrição funerária; estatueta em bronze de Júpiter algures em Soutelo); a partir daqui a via é coincidente com a EN306 ou rua da Estrada Principal, seguindo por Rochio e Joudina em Gião, pelo sopé do Castro de Boi/Castro de St. Ovídeo em Vairão (milha; Castro Bove na documentação medieval), Vilarinho (milha), cruza a EN104 (milha) e segue até à Ponte Medieval de D. Zameiro onde atravessa o rio Ave sob o controlo do Castro/Atalaia de Santagões (Celtaganes) na outra margem, da ponte sobe pela antiga «Karraria» à capela da Sra. da Ajuda, onde ruma a nascente para Vila Verde (necrópole da Villa Viridis), sobe a Vilar (possível mutatio na Qta. do Vilar), Bagunte (segue para Casal Pedro, passando nas traseiras da capela de S. Mamede, situada na base da importante Cividade de Bagunte, subtus mons civitas Bogonti num documento do ano 1036, do povoado do Castro de Argifonso no Alto do Castelo, Argefonsi na documentação medieval e próximo do habitat do Lugar de Casais), em Boavista sai da EN306 e toma a rua Camilo Castelo Branco/CM1048, passando na famosa «Estalagem das Pulgas» e nas traseiras do Mosteiro de S. Simão da Junqueira (a villa Fernandi), em Casal Maria segue o caminho de terra que passa sob A7, passando a leste das Mamoas do Fulom, desce pelo Canivete até reencontrar a EN306 e logo depois atravessa o rio Este na Ponte Romana?-Medieval de S. Miguel de Arcos, (Ribulo Alister em documentos medievais); a partir daqui a via deveria bifurcar, seguindo um ramo directo a Barcelos e outro rumava a noroeste para Barca do Lago entroncando na via litoral proveniente do Porto.
      • de S. Miguel de Arcos a Barcelos, segue por Moldes pela rua da Igreja e rua dos Ferreiros, continua pela EM1030 que passa em St. António, a leste da Igreja Românica de Rates, continuando depois pelo Alto da Mulher Morta (CM1129-3) até Merouço, onde conflui na EN504, passa na Igreja de Courel (na base do castro romanizado no Alto do Castro), continua por Sardoal, entronca na EN306, continua para Silgueiros por Ns. da Guia, corta à esquerda pela EM555 por Pereira (tégula na primitiva igreja), passando assim na base do castro romanizado de Castelo de Faria, situado na encosta noroeste do Alto da Franqueira, alto que contornava pela vertente nascente rumo à travessia do rio Cávado em Barcelinhos (no lugar de Mereces). Os itinerários a norte do Cávado estão descritos no âmbito do Itinerário XX de Antonino.
      • de S. Miguel de Arcos a Barca do Lago, seguindo pelo chamado «Caminho do Porto» (cruza a EN206, continua pela Serra de Rates, servindo de divisória entre os concelhos de Vila do Conde e Póvoa de Varzim até cruzar com a EM1026), continua pela rua de S. Félix contornando o Castro do Monte de S. Félix em Laúndos pela vertente nascente, confluindo com a outra estrada proveniente de Cale (a per loca maritima) nas imediações da Lagoa Negra, seguindo ambas para a travessia do rio Cávado na Barca do Lago.

    • Per Loca maritima (Porto - Caminha)
      É provável que existisse uma via secundária que seguia junto à costa para dar serventia às diversas explorações agrícolas e de salga espalhadas pelo litoral, mas a intensa urbanização da zona torna impossível seguir o seu percurso que foi levantado no terreno por Ferreira de Almeida e Brochado de Almeida (Almeida CAF, 1968, 1969; Almeida CAB, 1979, 1980, 1986, 1996); a via deveria partir de S. João da Foz, zona romanizada junto à foz do rio Douro, subindo talvez pela rua da Cerca e depois pela rua de Corte Real em direcção à Igreja de S. Miguel em Nevogilde, depois seguia pela rua de Nevogilde, atravessava a Av. da Boavista e seguia pelo actual Parque da Cidade para a Vilarinha e Sendim, seguindo depois para a travessia do rio Leça na desaparecida Ponte de Guifões, ponte que ruiu em 1979 devido a uma cheia e localizada na base do Monte Castelo, onde se situa o importante Castro de Guifões, povoado romanizado designado por Castrum Quiffiones em documentos medievais; depois de atravessar o Leça, a via seguia para Perafita (seguindo entre a necrópole alti-medieval de Montedouro e villa de Fontão a poente e o Castro do Freixieiro a nascente; hoje toda a zona está muito alterada pela construção do Porto de Leixões, da A28 e mais recentemente do centro comercial, mas é provável que a via seguisse pela Travessa da Fonte da Muda, provável referência a uma mutatio, rua Gonçalves Zarco, Estrada do Monte de Godim, interrompida pela A28, continuando do outro lado pela rua do Abade Mondego, rua do Progresso, rua de Silva Aroso, rua Dr. José Domingues dos Santos, rua da Cruz, rua dos Castanheiros e rua de Antela), Lavra (referência a uma «karia antiqua» num documento do ano 897, PMH DC 12; Lavrentium no Paroquial Suevo; villa de Fontão de Antela atrás da Igreja, relacionada com a actividade piscatória como provam as 36 Cetárias da Praia de Angeiras mesmo defronte mas hoje cobertas de areia e os tanques escavados na rocha da Praia da Agudela; algum espólio no Museu Paroquial Padre Ramos/Padre Silva Lopes), continua por Angeiras, atravessa o rio Onda junto do Castro romanizado de Angeses/Monte Castro e segue por Calvelhe (habitat romano) e Labruge (próximo do Castro marítimo de S. Paio), Vila Chã (villa?; talvez pela rua da Fonte), Mindelo (habitat em Moimenta), Árvore (pela Qta. da Faísca e Quintã; o trajecto medieval seguia pela rua da Estrada Velha até Azurara (Villa Pinitellus), onde atravessava o rio Ave por barca, mas é mais provável que na época romana a travessia fosse mais a montante, junto do Castro romanizado da Retorta, onde a travessia era menos perigosa e ainda a jusante da foz do rio Este, evitando assim a sua travessia (nova ponte em construção neste local). A partir de Vila do Conde o traçado da via é ainda mais inseguro, mas a abundância de vestígios romanos sugerem um continuação da via para norte nas proximidades da Villa Fromarici em Formariz, Igreja de Touguinha (villa Tauquinia), Igreja de Touguinhã e Caxinas (nos terrenos da actual Escola Secundária José Régio). Entrando no termo de Póvoa de Varzim, a via é referida como «carraria maurisca...subtus montis terroso» num documento do ano 953 (in PMH DC 67), ou seja passaria na base da Cividade de Terroso, nas proximidades da Villa Argevadi em Argivai e do possível vicus no Alto da Vinha em Beiriz de Baixo (Villa Viarizi num documento do ano 1044; na necrópole apareceram duas inscrições votivas , um cipo ou pedestal com inscrição ilegível, RAP 600, e uma ara votiva dedicada à divindade Mari por Avitus, ambas no Museu Municipal); esta via servia as diversas villae na região como a Villa Euracini em Martim Vaz, o Castro de Navais (porto na Aguçadora), a villa de Amorim e a Villa Mendo/Menendi em Estela. A via deveria continuar pela base do Castro do Monte de S. Félix em Laúndos rumo a Lagoa Negra (passando junto da lagoa, resultante da exploração aurífera romana), continuando a poente de Barqueiros (tégula em Vilares e povoado em Adro Velho) até Fonte Boa (provável mutatio no povoado do Outeiro dos Picoutos e villa? em Paço), continuando depois rumo à Barca do Lago, onde atravessava o rio Cávado. Continuava por Esposende (seguiria próximo da villa da Linhariça em Palmeira de Faro e da villa na igreja paroquial de Marinhas, no sopé do importante Castro romanizado de S. Lourenço em Vila Chã; casal em Covelos e Quintela), continua pela Qta. do Belinho (villa; pela velha estrada real em Trelopaço, na base da Subidade de Belinho), S. Paio de Antas (seguia entre a provável mutatio do Alto da Ponte e a necrópole da villa tardo-romana no Casal da Agra do Relógio), para ir atravessar o Rio Neiva na desaparecida Ponte Velha, junto do Castro romanizado de Moldes/Monte da Guilheta/Monte do Castelo, seguindo por Castelo do Neiva (a leste, por Pontelha, sopé da Sra. do Castro e Estrada Velha; ara aos lares viales(?) na igreja paroquial), Vila Nova de Anha (Paço), Darque (contorna o Castro do Alto do Galeão/Faro de Anha, atalaia de controle da foz do Lima, e desce em linha recta pela Escola C+S, «Fiação Rosa» e «Alminhas» até ao Cais de S. Lourenço, onde se fazia a travessia do rio Lima, junto da capela de S. Lourenço, provável mutatio, onde apareceu uma ara votiva), Viana do Castelo (Citânia de Santa Luzia; ver a antiga «colecção JAE» de miliários que a 'Estradas de Portugal' reuniu junto da EN203 em Darque), Carreço (villa do Paço; Cetárias na Praia de Fornelos; segue por Paço), Afife (próximo da villa das Baganheiras, junto do C.F., entre as casas de São Roque e do Campo, na base do Castro de St. António, Castro do Cútero e a Cividade de Âncora/Afife, no Monte Facho e da Suvidade; curiosa inscrição do lapidário Pelcius no NAIAA), Sta. Maria de Âncora (salinas junto ao Forte do Cão no Pinhal da Gelfa) Ponte de Abadim em Aspra sobre o rio Âncora, (na forma actual é uma construção Filipina, mas existem vestígios de uma ponte anterior possivelmente romana no mesmo local), Vile (calçada em Lousa e S. Pedro de Varais), seguindo por Moledo e Cristelo até Caminha.

    • Via Veteris (Porto - Labruge/Modivas)
      Também é possível que tenha origem romana a chamada Via Veteris ou seja "Estrada Velha", via referida em documentos medievais (nas Inquirições Afonsinas de 1258) e que partindo do rio Douro na base da Arrábida seguia pelos limites do antigo Couto de Cedofeita por um traçado paralelo à Karraria Antiqua até se tocarem no Padrão da Légua, passando junto do Castro de S. Gens em Santiago de Custóias. Daqui rumava à travessia do rio Leça na medieval Ponte de D. Goimil, na base do Castro de Esposade/Alto da Vela, seguindo depois em direcção a Labruge de encontro ao itinerário per loca maritima ou a Modivas de encontro à Karraria Antiqua (Ramos, 1994).

      A via partiria de Lordelo do Ouro (do Largo do Sr. da Boa Morte, cais do Douro na base do provável povoado castrejo em torno da capela de Sta. Catarina, subia pela Calçada do Ouro, rua do Aleixo e rua das Condominhas, passando no provável vicus do Campo do Eirado com vestígios nas traseiras da igreja paroquial), seguindo depois por Ramalde e Requesende rumo ao Padrão da Légua, mas é difícil sugerir um itinerário numa zona da cidade tão densamente urbanizada; do cruzeiro do Senhor Jesus do Padrão da Légua (nó viário), a via seguia então para Santiago de Custóias pela rua do Senhor, rua da Fonte Velha, Largo do Souto e rua da Cal, rumo à travessia do rio Leça na Ponte Romana?-Medieval de D. Goimil, continua para Pedras Rubras (seguindo pela rua das Carvalhas e rua da Estrada até atravessar a linha de metro junto do Aeroporto e do povoado no mons petras rubias, continuando pela rua da Botica), Vila Nova da Telha (pela rua Prof. António Rocha, rua da Aldeia, passando junto da necrópole das Bicas, seguindo depois para Lagielas, onde foi cortada pelo aeroporto pelo que hoje é preciso contornar o topo norte do aeroporto reaparecendo o caminho em Pena, na rua de Santa Ana, seguindo daqui pela rua da Botica), Lançaparte (rua da Venda Velha), «Passados o Adro dos Burros e o Outeiro de Aveleda, a estrada bifurca-se»
      • Para Labruge, seguia um ramal pelo lugar da Estrada, Ponte de Labruge sobre o rio Onda, junto das «Almas de Labruge» e das «Almas Grandes» até entroncar na via per loca maritima (habitat no lugar de Calvelius).
      • Para Modivas, seguindo para Vilar, onde entroncaria na Karraria Antiqua, seguindo por um traçado comum para a travessia do rio Ave junto da Ponte Medieval de D. Zameiro. A continuação deste itinerário está descrita acima como Karraria Antiqua.

    Via VIMARANES

    Mapa



    Porto (CALE) - Alfena - Guimarães
    A via medieval entre Porto e Guimarães conhecida por Via Vimaranes deverá ter origem romana, se não mesmo anterior, ligando a travessia do Douro em Cale à região de Guimarães por onde passava a via romana Braga-Mérida que teria aqui uma estação viária tipo mutatio ou mesmo mansio, estação que poderá estar na origem da vila medieval de Vimaranes. No seu percurso até à Ponte Romana sobre o Vizela em S. Martinho do Campo, a via servia importantes castros romanizados, em particular o Castro do Monte Padrão/Monte Córdova e a Citânia de Sanfins, atendendo à referência no ano de 1048 a uma via antiga na base no Monte Córdova, subtus mons cordouo...carera antiqua (in PMH DC 366) e no ano de 1097, na «Charta do Couto do Mosteiro de Santo Tirso» referindo a mesma via seguindo entre os rios Leça e Sanguinhedo, «per ipsam carrariam, sicut dividit aquam inter Lezam et Sanguinietum» (in PMH DC 864), embora não seja claro se estas referências falam da caminho para o Monte Córdova ou para a Ponte da Lagoncinha em Santo Tirso (ou uma anterior), citada na mesma «Charta do Couto do Mosteiro de Santo Tirso» (in PMH DC 864), conectando assim à via proveniente de Bracara e que seguia para Cale, o Itinerário XVI de Antonino. Apesar destas dúvidas existem alguns vestígios romanos para além dos grandes povoados do Monte Padrão e da Citânia de Sanfins eventualmente relacionados com esta via:
    • Um silhar almofadado e com marca de fórfex na Ponte de S. Lázaro em Alfena e inscrição a Alboco na capela de S. Bartolomeu de Susão, a caminho de Valongo.
    • A silharia de aparelho romano utilizada na reconstrução da Ponte de Negrelos em S. Martinho do Campo.
    • A referência à «carraria antiqua» em S. Tomé de Negrelos num documento do ano 1096, poderá corresponder a esta via (in PMH DC 833).
    • A presença militar é assinalada pela inscrição dedicada à divindade Turiaco por um soldado da Legião VI Vencedora que está encastrada na parede norte do claustro do Mosteiro de S. Bento em Santo Tirso. (CIL II 2374 = CIL II 5551).
    • Na Qta. do Corgo/Campo de S. Simão em Burgães, apareceu uma inscrição à divindade indígena Cusus Neneoecus/Nemedecus (CIL II 2375 = CIL II 5552), hoje no MSMS com o nº 21 relacionada com a villa que ali existia; outra ara dedicada à mesma divindade apareceu na Igreja de S. Bartolomeu de Ervosa, hoje no Museu Abade Pedrosa em Santo Tirso (Encarnação, 1970).
    • O chamado «Penedo das Ninfas» é uma rocha granítica próximo da estrada para a citânia, num local conhecido por Bouça de Fervenças/Chãs do Reitor, extra-muros da Citânia de Sanfins, provavelmente relacionado com um local de culto, apresentando na face nascente a inscrição COSVNE AE / [...] S e na face poente a inscrição NIMIDI FIDVENEARVM HIC, ambas de difícil interpretação, mas é provável a sua associação à mesma divindade indígena Cosu Neneoeco da ara de Burgães e de Ervosa, tendo sido gravada pelos Fidueneae que deverá ser a designação do povo que habitava o monte da citânia ou Nimidi (Silva A.C.F., 1980; Búa, 1999); o espólio deste enorme povoado, nomeadamente duas aras anepígrafas, está hoje no Museu Arqueológico da Citânia de Sanfins que reúne outros achados da região como a ara dedicada a Turiaco achada na igreja de Lamoso e a ara a Júpiter achada na vizinha casa paroquial.
    • Roriz: inscrição funerária reaproveitada na Igreja Românica de S. Pedro de Roriz; ara a Júpiter achada perto da capela de Sta. Maria de Negrelos, CIL II 5568, hoje no MSMS com o nº 26, assim como uma lápide funerária aos deuses Manes também no MSMS com o nº 48, CIL II 5582; no lugar das Bocas existem duas inscrições rupestres em penedos que parecem romanas apesar de ilegíveis.

    CALE (saindo pela demolida Porta de S. Sebastião, seguia pela rua do Bonjardim, Pr. Marquês de Pombal, rua do Lindo Vale, antiga Estrada velha, hoje cortada, mas que deveria confluir na rua Costa Cabral), continuando por Pedrouços (rua D. Afonso Henriques/EN105), Águas Santas (EN105; Castro romanizado no Castelo da Maia/Alto da Maia) e Ermesinde (aqui sai da EN105 pela rua Júlio Dinis, rua Portocarreiro, rua da Fonte e rua de S. Vicente) em direcção à travessia do rio Leça na Ponte Romana-Medieval de S. Lázaro em Alfena (provável mutatio; pontão romano? em Reguengo), seguindo depois aproximadamente a EN105 por Portela Alta, Torrão, Água Longa (tesouro em Pidre) e Lameiras, seguindo depois entre o rio Leça e a ribeira de Sanguinhedo por S. Tiago de Carreiras (hoje rua de S. Tiago) em direcção a Monte Córdova pela rua de Ns. de Valinhas que passa na base do Castro romanizado do Monte Padrão e vicus viário; pouco depois sai à direita pela rua da Fontinha e toma o caminho de terra à direita que acompanha o rio Leça até Quinchães, onde atravessa um afluente do Leça por um pontão em pedra e segue à esquerda pela rua dos Lameirões, atravessa a rua S. Salvador e continua pela rua da Via Romana, caminho em terra que sobe para Santa Luzia até cruzar a EN319 no lugar do Cruzeiro (este local corresponde à milha 41 desde Cale pelo que poderia ser aqui o local original do miliário de Casais que Jorge Pinho achou a cerca de 1 km deste local, integrado num muro de divisão de propriedade no lugar de Casais; ver Pinho 2010); a partir daqui, a via rumava à Citânia de Sanfins, seguindo talvez pela rua da Fundação/CM1116 até à Escolha Velha de Redundo, rua Central de Redundo, rua Nascente do rio Leça, cruza a estrada asfaltada e seguia a direito pelo caminho que ascende à citânia, hoje destruído pelas pedreiras; a descida para o vale do Vizela poderia ser pela vertente ocidental rumo a Roriz (talvez pela pedreiras e depois pelas actuais rua de Cartomil, rua de Sandim, rua do Ribeiro dos Asnos, rua da Trindade, Av. 25 de Abril e rua Manuel Sousa Oliveira) até à Ponte Romana de Negrelos em S. Martinho do Campo, onde atravessa o rio Vizela, continuando depois para Guimarães, percurso descrito no sentido inverso como um dos Itinerários Braga-Mérida.

    Via CALE ad TONGOBRIGA

    Mapa







    Porto (CALE) - Valongo - Penafiel - Marco de Canaveses - Freixo (TONGOBRIGA)
    Via secundária Cale - Tongobriga, em Marco de Canaveses, servindo a importante exploração mineira na região que se estendia pelos concelhos de Valongo, Gondomar e Paredes. Esta rota segue no essencial a EN15 e a A4 numa região densamente povoada pelo que restam poucos vestígios. Salientam-se as travessias dos dois grandes rios da região, o Ferreira e o Sousa, em pontes medievais com possível origem romana e o troço de calçada junto da Ponte de Cepeda em Paredes.

    Porto (CALE) (sai da Sé pela demolida Porta de Vandoma, Calçada de Vandoma e rua Chã, antiga rua Chão das Eiras, sobe pela rua Cimo de Vila à Praça da Batalha, antiga Porta da muralha)
    St. Ildefonso, Porto (rua de St. Ildefonso, antiga rua Direita, passa no Largo do Padrão, Campo 24 de Agosto, antigo Campo das Mijavelhas)
    Bonfim, Porto (rua do Bonfim, antigo Chão das Oliveiras e rua de Godim)
    Campanhã, Porto (segue por S. Roque da Lameira; topónimo villa Minhao, hoje resta a rua da Vila Meã)
    Travessia do rio Tinto talvez na Travessa da Ponte (Castro romanizado no Monte Castro em Gondomar)
    Rio Tinto, Gondomar (acompanha a EN15 por S. Caetano, Cavada Nova, capela de S. Sebastião, Venda Nova, Ferrarias e Carreira, atravessa o rio Torto e segue talvez pela rua das Tulipas, Quinta Seca, Branco e rua do Seixo até ao Alto da Serra/Monte Alto)
    Valongo (povoado mineiro na Quinta da Ivanta com estruturas para lavagem e decantação do ouro proveniente da exploração aurífera da Serra de Sta. Justa, como o Fojo das Pombas; daqui seria a estela funerárias de Flavus, hoje no Museu Soares dos Reis no Porto, emigrante Bracari que trabalharia nas minas; no Alto da Serra toma o estradão junto da ETAR pela rua da Estrada Velha e rua Marques da Rocha até reencontrar a EN15)
    S. Martinho do Campo (ver abaixo possíveis diverticula de acesso às minas)
    Ponte Romana?-Medieval sobre o rio Ferreira (da ponte segue por Vilarinho de Baixo, Granja, Carreiro e Astromil)
    Vandoma (Castro romanizado do Muro, o Monte Bendoma da documentação medieval, possível capital dos Callaeci, onde apareceu uma inscrição a Nabiae (Silva ACF, 1994); a via seguiria o canal natural entre o Castro do Muro a norte e o Castro de S. Silvestre a sul)
    Baltar (passava próximo das necrópoles de Tanque, Calvário e Cruz, talvez pela rua do Areal, rua da Capela das Almas e Rua da Estrada Real até reencontrar a EN15 pouco antes de Mouriz)
    Paredes (passaria na Fonte Sagrada e no Jardim Público, rua da Estrebuela e rua de Cepeda)
    Ponte Romana?-Medieval de Cepeda sobre o rio Sousa, Castelões de Cepeda (ainda resta a casa onde funcionou a estalagem medieval, o Hospital do Espírito Santo; da ponte sobe em calçada até Costeira, CM1325, passa na Qta. da Aveleda até entroncar na EN596-1 e segue para Santiago de Subarrifana)
    Penafiel (antiga Arrifana do Sousa; estalagem?)

    Croca, vicus viário eventualmente com uma mansio junto deste importante nó viário, onde poderia bifurcar:
    Outros diverticula da via Cale - Tongobriga
    Existia uma rede viária de apoio à intensa exploração mineira das Serras de Sta. Justa e de Pias, visível nos grandes incêndios de 2005.
    • Rumo a Castelo de Aguiar: uma via seguia a vertente nascente da Serra de Sta. Justa, passando junto do Castro do Couce, junto do qual faria a travessia do rio Ferreira na Ponte de Couce, seguindo depois para o Castelo de Aguiar de Sousa, onde atravessava o rio Sousa, seguindo depois para a travessia do rio Douro em Crestuma junto do Castro romanizado de Broalhos (muito destruído pela central eléctrica), servindo as minas romanas do Covelo e de Medas, podendo descer ao Douro também por Melres (ara na igreja; calçada na ribeira de Mirões).
    • Rumo ao Vicus do Outeiro da Mó: uma outra via desviava em S. Martinho de Campo, após a travessia do rio Ferreira e seguia pelo lugares da Corredoura (necrópole; rua da Corredoura) e da Milharia (referência a um miliário?), seguindo pela vertente nordeste da Serra de Pias (Castro romanizado de Pias) em direcção a Aguiar de Sousa (Reis, 1904; Pinto, 1994), atravessando o rio Sousa em Alvre (necrópole da Valdeira), continuando depois por Santa Comba (duas aras votivas na capela) rumo ao povoado mineiro de Outeiro da Mó relacionado com as Minas das Banjas, percorrendo depois a Serra de Banjas até Rio Mau, onde fazia a travessia do rio Douro na Barca de Pedorido.
    • Rumo ao Castro de Vandoma e Castro do Monte Mozinho: poderia existir uma ligação entre estes importantes castros romanos, passando por Baltar e próximo do Mosteiro de Cête, atravessando o rio Sousa na Ponte do Vau ao km 2 da EN319-3 (povoado e necrópole na Igreja de Parada de Todeia e provável acesso daqui às Minas de Covas de Castromil), seguindo depois próximo do Mosteiro de Paço de Sousa e Ermida (inscrição aos Lares Pátrios) rumo ao Monte Mozinho. Poderia existir também um ramal para a Barca de Pedorido no rio Douro, desviando da anterior na Ponte do Vau e passando por Fonte Arcada (povoado de S. Domingos), Lagares (inscrição na igreja a Laribus Anaecis), Capela, Cabroelo, descendo pela vertente oeste da Serra da Boneca até Rio Mau.

    Via CALE ad TALABRIGA

    Mapa



    Porto (CALE) - Cabeço do Vouga/Marnel (TALABRIGA) per loca maritima
    Traçado hipotético de uma via secundária que partindo de Cale seguia para sul paralela ao mar, servindo os castros ao longo da faixa litoral, desviando progressivamente para o interior de encontro à via Braga-Lisboa que atravessava o rio Vouga junto do oppidum do Cabeço do Vouga, a mansio de Talabriga referida no Itinerário de Antonino. Perto desta rota apenas se conhece um fragmento de um miliário com a inscrição I.ANTONINI./ ADRIANI.ABNE, ou seja aludindo ao trineto de Adriano, ou seja o imperador Caracala que hoje está exposto no Solar dos Condes de Resende em Canelas; este marco apareceu muito próximo da Praia de Valadares no lugar de Tartomil, mas não sendo credível a passagem de uma via romana neste local, é muito provável que a pedra tivesse sido deslocada em data incerta de algum ponto da via militar Cale - Olisipo que passava bem mais para o interior pelo alto de St. Ovídeo e não desta hipotética rota per loca maritima; perante estas incertezas, este itinerário tenta traçar uma rota ao longo da costa com origem no oppidum do Castelo de Gaia que seguia um caminho (pré-romano?) sem grandes oscilações que seguia próximo do Castro da Madalena e da necrópole do Monte Sameiro em Valadares, continuando junto da necrópole e provável vicus do Alto da Vela em Gulpilhares, continuando depois por Brito em S. Félix da Marinha, atendendo à referência uma «estrada mourisca» na doação de Trutesindo Mendes ao Mosteiro de Grijó das terras que detinha em Brantães e S. Félix da Marinha, indicando que estas ficavam acima e abaixo da estrada mourisca junto do ribeiro de Serzedo; («subter illam Stratam Mauriscam, discurrente riuulo Cerzedo», in Viterbo, 1799, Vol 1, p. 298); a via seguia a nascente de Espinho por Anta, Silvalde e Paramos, passando assim próximo do Castro de Ovil apesar de este não evidenciar presença romana; a partir daqui é provável que bifurcasse, seguindo um ramo por Santa Maria da Feira de encontro à XVI em S. João da Madeira e outro seguiria pela costa por Ovar e Estarreja até à antiga foz do rio Vouga, junto a Talabriga. (Ver Fortes, 1909; Mattos, 1937; Guimarães, 1993, 1995 e 2000; Cidade, 1997)

    Vila Nova de Gaia (CALE?) (a via teria origem no Castelo de Gaia, seguindo depois pelo Candal, pela Rua do Agro?)
    Coimbrões, Sta. Marinha (povoado no Monte de Sta. Bárbara, hoje igreja paroquial, designado por colimbrianos no ano 922; seguia talvez pela rua Sr. de Matosinhos, cortada pela A1, continuando pela rua das Oliveiras)
    Madalena (passaria no Largo das Oliveiras, onde ainda está um dos marcos de demarcação do Couto de Tarouquela, couto do Mosteiro de Grijó que ainda hoje serve de divisão entre freguesias, colocado em 1599 junto da «estrada que vem de Vila Nova pra Madanella» segundo documentos do mosteiro; seguiria depois pela rua Trás do Maninho até Aguim, talvez o Castro Aquilini referido em documentação medieval, continuando pela rua do Sameiro, passando assim a nascente do Castro do Cerro/Coteiro do Castro/da Madalena/de Valadares)
    Valadares (seguiria paralela à linha férrea, passando ao lado da desaparecida necrópole do Monte Sameiro, junto da Cerâmica de Valadares; daqui cruzava a EN109 e seguia junto da Casa do Paço)
    Chamorra, Vilar do Paraíso (sobe pela rua do Rio do Paço, rua da Chamorra, rua Salvador Brandão/EN15)
    Gulpilhares (sai da EN15 pela rua do Pereirinho, junto ao cemitério, rua Nuno Álvares, atravessando a ribeira de Canelas, rua João Ovarense até à destruída necrópole do Alto da Vela onde apareceu uma coluna de mármore rosa que hoje serve de base ao Cristo do Padrão em Pedroso; espólio no Solar dos Condes de Resende; segue em frente por caminho de terra até chegar à rua de Enxomil e rua do Vale)
    Arcozelo (continua junto da igreja e cemitério de Arcozelo até Sá, segue pela rua das Lavouras, rua da Pedra Alva, volta à EN15 e logo à direita no acesso à A29 onde segue à esquerda pela rua da Carreira Velha)
    Brito, S. Félix da Marinha (continua pela rua da Carreira Velha depois de atravessar a passagem para peões da A29, passa na rua dos Ligustres, rua da Calçada Romana até ao tanque junto à ribeira da Granja; daqui segue em frente, por caminho de terra hoje obstruído por mato, entra na rua Velha da Calçada Romana até entroncar na chamada «Estrada de Brito», cruza a EN109, podendo continuar em frente pela rua Oliva Teles até à travessia da ribeira do Juncal, mas hoje não tem saída; na outra margem poderia seguir pela rua da Paz, rua S. Vicente Ferrer e rua de S. Tomé)
    Lugar de Espinho, S. Félix da Marinha (a Villa Spino da documentação medieval, talvez no sítio da actual capela de S. Tomé)
    Ponte de Anta (travessia da ribeira do Mocho; necrópole)
    Anta, Espinho (talvez pela rua do Progresso, rua das Alminhas e rua António da Silva Alves)
    Silvalde (cruza a rua 33 e segue pela rua Sales de Cima, antiga EM1005 hoje convertido num caminho em terra que vai desembocar na rua das Quelhas, pouco antes da travessa a ribeira de Silvalde na Ponte de Pedreira, estrutura com eventual origem romana e daqui ascende pela rua Escadas do Covelo à igreja paroquial, continuando pela rua da Boa Nora)
    Paramos (atravessaria a ribeira do Rio Maior nas proximidades do interessante Castro de Ovil, apesar deste não apresentar sinais de romanização)
    Esmoriz (necrópole do Chão do Grilo; talvez pela Corredoura/rua da Glória, Estrada Real e rua do Agueiro)
    Cortegaça (topónimo «Ponte Romana» na junto da travessia da ribeira de Cortegaça em Mourão na linha divisória entre concelhos, mas a partir daqui é duvidoso)
    Ligações à Via XVI
    • É provável que a via rumasse a Vila da Feira (civitas Santa Maria em documentos do século XI), atendendo às duas epígrafes existentes no Castelo da Feira, ara a Bande Velugo Toiraeco e a ara dedicada ao Deo Tueraeo por um Brácaro, seguindo depois rumo a sudeste de encontro à Via XVI Braga-Lisboa que passava a nascente, podendo seguir por dois percursos alternativos, um passando em Fornos (pela Ponte das Carregueiras) e Mosteirô (Calçada da Sra. da Caridade e na rua Américo Ferreira no lugar do Monte, 300 m) em direcção à provável mansio em Arrifana (S. João da Madeira), ou directo Ponte da Pica, e outro seguindo a antiga «estrada mourisca» por S. Miguel do Souto, passando em Macieira (sepultura), S. Gião/Brejo (ponte medieval), Ferral (alminhas do Pilar) e Azevedo, atendendo ao documento do ano 1141 onde se lê: in villa dicta azevedo subtus illam stratam mouriscam. Esta estrada poderia continuar próximo do Castro romanizado de Recarei (Castro Rekaredi em documentos do século X), entre Vila Cova e S. Martinho da Gândara, seguindo por Madail (Castro) e Adães (miliário) até ao Castro de Úl de encontro à Via Braga-Lisboa.
    • Também é possível que a via continuasse ao longo da antiga linha de costa que bordejava na época os lugares de Válega, Avanca, Estarreja (travessia do rio Antuã, talvez em Barreiro de Além; Bastos, 2009), seguindo depois junto do Povoado de Cristelo (Araunca?) até Branca e daí a Talabriga pela Via XVI Braga-Lisboa.

    Via CALE ad VISSAIUM

    Mapa

















    Porto (CALE) - S. Pedro do sul - Viseu (VISSAIUM)
    Via secundária que partindo de Cale ou Langobriga ia atravessar a Serra de Arouca em direcção a Viseu, importante caput viarum que na época romana se chamaria Vissaium com base numa ara votiva à divindade local Vissaieigo (Fernandes et alii, 2009); apenas se conhecem dois miliários atribuíveis a esta via, mas ambos encontrados já à entrada de Viseu, em Moselos, mas ainda restam muitas evidências deste antigo caminho que passava próximo do Castro de Romariz, atestada pela referência medieval à «Via Mourisca» («et inde per via maurisca», in PMH DC 614), seguindo para a Serra de Arouca, optando assim pelo percurso em altitude por ser o caminho mais curto entre Porto e Viseu, mas principalmente porque evita as difíceis travessias de linhas de água na zona dos vales e minimiza as variações de cota da estrada, o "sobe-e-desce" entre vales e colinas, diminuindo assim o esforço dos viandantes e suas montadas; atravessada a serra, descia a Manhouce, onde existia uma albergaria medieval e talvez uma mutatio, rumando depois a Viseu por S. Pedro do Sul. A recente destruição do troço de calçada junto ao cemitério de Albergaria das Cabras, apesar de este troço estar numa zona protegida (!), alerta para a necessidade urgente de proteger os vestígios que restam deste antigo caminho.

    Porto (CALE) O percurso inicial entre Cale e a Serra de Arouca é ainda muito incerto porque não se sabe exactamente em que ponto seria a derivação da via principal entre Braga e Lisboa e onde se faria a travessia do Rio Uíma, mas é provável que o itinerário para Viseu derivasse da VIA XVI quer junto do Castro do Monte Murado (Carvalhos) quer mais adiante, no Castro do Monte Redondo (Fiães) perto do qual se situava a mansio de Langobriga indicada no Itinerário de Antonino.
    • Derivando no Monte Redondo/Langobriga e segundo aproximadamente a actual EN326 para Arouca.
    • Derivando no Monte Murado, a via deveria seguir aproximadamente o trajecto da EN521 por Sanguedo até entroncar no caminho anterior na EN326; assim este percurso começa na rua da Voltinha em Venda Nova (Carvalhos), seguindo por Amial, Camalhões, Pereira e Roçadas, onde atravessa a ribeira dos Carvalhos na Ponte das Roçadas (pequeno troço de calçada antes da ponte), contorna o outeiro da Ronco e segue para Sá (em Sandim, próximo do Castro romanizado de S. Miguel-o-Anjo) em direcção à Ponte do Carro, onde atravessa o Rio Uíma, e segue algures por Vila Maior em direcção a Louredo (talvez contornando a Serra da Gaeta pela vertente leste por Redonda e S. Martinho).
    • Também deveria existir um caminho proveniente do porto fluvial romano de Favaios no Rio Douro, associado ao vicus do Castelo de Crestuma (castrumie na documentação medieval, o «castro do rio Uíma», inscrição) que vinha entroncar na anterior junto da Ponte do Carro (por Gestosa de Cima?).
    Continuação do Itinerário para Viseu
    Louredo (sai pela EN326 e logo a seguir sai à direita, sobe a Vila Seca; em Lagoas reencontra a EN326 ou rua Central)
    Cedofeita, Romariz (torna a sair da EN326 antes da Póvoa e desce pela rua Romana)
    Ponte sobre o rio Inha, Sta. Ovaia (sobe pela rua da Ponte, cruza a EN326 para Paradela)
    Cabeçais (nó viário, no cruzamento com uma via proveniente do rio Douro rumo ao litoral, passando próximo do importante castro romanizado da Portela em Romariz rumo a Arrifana, onde cruza a via XVI)
    Escariz (passaria próximo do castelo roqueiro do Alto do Coruto; hoje há que seguir a EN326 e depois à direita pela EM519 para Abelheira)
    Gestosa (num documento do ano 1085 há referências a esta uilla genestosa que iacet inter manzores et fajiones et portela, ou seja entre os actuais lugares de Mansores, Fajões e a Portela de Romariz; in PMH DC 639; continua pela EM519, cruza a EN327 em Alagoas e 500 m depois segue o estradão que vai para Venda Serra e Coval, cruza a EN224-1 e segue por Barracão e Borralhal, junto do destruído Castro de Cambra)
    Farrapa (continua paralela à EN224-1)
    Chão de Ave (cruza a EN224 e segue pela EM511)
    • Ligação a Arouca e Douro: atendendo ao mesmo documento referido acima que menciona uma «carraria antiqua inter Jugarios et Novales», ou seja uma via entre Jugueiros e o lugar de Novais (in PMH DC 639), é muito provável que existisse um diverticulum da via Porto-Viseu em direcção a Sta. Eulália de Arouca, passando junto do Castro romanizado do Monte Valinhas, e de Minhãos (villa minianos) e Moção (per via antiqua usque ad bocca de carreira antiqua per ubi dividet cum uilla de muçun et inte per via antiqua), devendo daqui rumar ao Douro pelos Altos da Lousa e Alta e Cerro do Cão para Vila Cova (na necrópole tardo-romana de Alvariça com cerca de 40 sepulturas apareceram 8 estelas funerárias em xisto entre as quais o epitáfio de Celer; outra necrópole em Paulinhos; mina de ouro da Gralheira D'Água), atravessando o rio Paiva em Espiunca, seguindo depois por Fornelos, onde entronca na via para Viseu proveniente do Douro, seguindo em direcção à travessia do rio Douro junto a Tameobriga, provável nome do vicus da Várzea do Douro.
    Quintela (pouco antes da aldeia, sobe à Serra da Freita pela linha divisória dos concelhos de Arouca e Vale de Cambra)
    Merujal (passa na Venda Nova e na aldeia e segue o caminho para Albergaria)
    Albergaria da Serra/das Cabras (mansio?) (a seguir ao cemitério existia um lanço de calçada que entretanto foi destruída!)
    Portela da Anta (passa junto à anta)
    Gestoso (troço de calçada à entrada da povoação e continua sob a estrada de asfalto, EM612, desviando pouco depois por caminho florestal, desembocando no CM1232 próximo da Qta. das Uchas/Qta. da Barreira e a poucos metros da ponte)
    Ponte Romana?-Medieval de Poço da Barreira sobre a ribeira da Vessa (1 arco; calçada preservada à saída da ponte; a norte, no Candal apareceu a lápide de um Arcobrigense)
    Ponte Romana?-Medieval de Manhouce sobre a ribeira de Manhouce (1 arco, a montante da ponte actual)
    Manhouce (referência a um miliário; desce pela estrada asfaltada até Sequeiro, onde segue à esquerda por troços de calçada em Gandras e Castanheiros, continua por Areeiro e Juncal, passando a poente de Bostarenga, onde também há calçada, junto da Ponte dos Ovos, estação viária mencionada no «Roteiro Terrestre» do MPAM)
    S. Cristóvão de Lafões (contorna a Serra da Grávia pela vertente nascente, descendo por Giesteira e Chousas até Gralheiras onde entronca na EN227 que vem de Sever do Vouga)
    Travessia da ribeira da Landeira (EN227)
    Santa Cruz da Trapa (troço da via na rua da Estrada Romana ao km 59 da EN227; segue pela rua Pé de Cima, capela de S. Mamede, capela de S. Sebastião da Trapa e Ribeira de Lourosa)
    Travessia da ribeira de Varosa (rua do Caminho Romano à saída da ponte; a norte, em Carvalhais, fica o Castro romanizado da Cárcoda e a necrópole do Alto da Costa, a nascente de Germinade)
    Penso, Bordonhos (a calçada parte no sitio da Arroçada e segue por Figueirosa e pelo sopé do Castro da Sra. da Guia até Massarocas; esta calçada foi destruída em parte pela colocação de saneamento e alcatrão!)
    S. Pedro do Sul (a via entra na cidade pelo Bairro Belo Horizonte e segue pela rua Direita até ao Bairro da Ponte)
    Travessia do rio Vouga (na confluência do rio Sul; ruínas da velha ponta?)
    Arcozelo (calçada junto à capela)
    Lufinha (segue a rua Calçada Romana e passa na aldeia)
    Gumiei (continua pelo 1317-1 até confluir na EN 16-4)
    Bodiosa-a-Velha (calçada com 300 m; parte da rua principal e segue pelo sítio do Cruzeiro)
    Moselos (calçada; miliário a Adriano, indicando a milha IV e miliário a Cláudio, indicando a milha V, estão na CEADV; a via segue pela rua Romana e rua Vale do Valego até perder-se no jardim de uma moradia anexa à rua Soito do Cêpo, interrompida pela IP5)
    Pascoal (segue a EN16 por 500m até entrar na rua da Estrada Romana)
    Abraveses (a rua da Estrada Romana cruza a EN2 e segue pela Rua da Escola Preparatória, com vestígios de calçada junto do Bairro de Sta. Rita, onde segue à direita pela Estrada Velha de Abraveses, passando junto da escola C+S e da importante fortificação conhecida por «Cava de Viriato» com provável origem romana, continuando pela rua Capitão Salomão e rua da Cava de Viriato)
    Travessia do rio Pavia junto à Ponte das Barcas (segue pela rua da Ponte de Pau e Calçada de Viriato e entra na cidade pela necrópole e antiga porta da cidade, hoje Porta de Cavaleiros até à Sé)
    Viseu (VISSAIUM) (na rua do Arco apareceu um miliário a Adriano indicando a milha I; possível capital da civitas dos Interannienses)

    Via TALABRIGA ad VISSAIUM

    Mapa














    Variante pelo Caramulo










    Cabeço do Vouga/Marnel (TALABRIGA) - Viseu (VISSAIUM)
    Via romana que ligava Viseu ao litoral, interligando assim o grande nó viário da Beira Alta à Via Braga-Lisboa que encontrava junto da mansio de TALABRIGA, local onde se fazia a travessia do rio Vouga. A via seguia por Talhadas onde há vestígios da calçada, entrando no concelho de Oliveira de Frades por Benfeitas, onde um miliário da milha XXXI indica a distância a Viseu que era assim caput via. Daqui até Vouzela conhecem-se mais 5 miliários. (ver S. Borges: 2000). Indica-se também uma hipotética variante pela Serra do Caramulo.
    (CEADV - Colecção Epigráfica da Assembleia Distrital de Viseu || MMOF - Museu Municipal de Oliveira de Frades)

    Cabeço do Vouga/Marnel (TALABRIGA), Lamas do Vouga (a parte inicial é duvidosa, mas é possível que seguisse a linha de festo entre o rio da Póvoa da Ribeira e a ribeira do Beco, EM573, passando a leste de Redonda, na Qta. do Belo Horizonte, e por Salgueiro)
    Doninhas (calçada)
    Talhadas (mansio?; albergaria medieval; a via entra e sai do CM1284 pela rua do Pé da Fonte, rua de S. Mamede, igreja, rua do Hospital, rua Romana, «pedras talhadas» e rua da Anta, continuando depois a sul do CM1284, estrada asfaltada que acompanha)
    Ereira, Talhadas (a via segue a sul do calçada segue a indicada na EN333)
    Benfeitas (troço em calçada desemboca no CM1284; aqui apareceram dois miliários a servir de esteios de um latada, o miliário a Constâncio Cloro da milha XXVI e o miliário a Caracala da milha XXXI, ambos recolhidos na CEADV, com o nº 611 e 612, e hoje no MMOF; a milha XXXI corresponde à distância de Viseu a Benfeitas pelo que o miliário de Caracala deverá ser daqui enquanto que o miliário a Constâncio estaria deslocado da milha 26 que seria vencida em Entre-Águas; Borges 2000; a não ser que este miliário pertencesse indicasse a distância a outro ponto de partida que não Viseu; Alarcão propõem uma estrada proveniente de Viseu por Guardão e Destriz, mas é duvidoso porque a distância não é concordante com este percurso; Alarcão, 2006)
    Sobreira, Reigoso (a via continua pelo CM1284 pelos lugares da Ponte e da Feira, cortada pelo nó da A25; na zona apareceram dois miliários, o miliário a Constantino que apareceu na eira da casa paroquial, o nº 610 da CEADV e o miliário a Numeriano da milha XXVIII que estava no adro da Igreja de Reigoso, o nº 609 da CEADV, ambos no MMOF; a milha 28 poderia ser vencida em Entre Águas e a milha 29 junto da ribeira do Sizão)
    Reigoso (albergaria medieval com possível origem numa mansio romana; a via passa a sul junto do cemitério, continua por Entre Águas e Seixa, cruza a EM1282 e segue o caminho de terra, conflui na EM1282-1, atravessa o rio do Carregal e segue à esquerda por caminho de terra para Ral, toma a «Estrada Romana» para Ponte Fora, passa a sul de Vilarinho, na zona industrial, cruza a EN333-3 e segue pelo caminho defronte)
    Cajadães, S. Vicente de Lafões (segue por caminho de terra e depois entra na magnífica calçada romana de Postasneiros)
    Santiaguinho, S. Vicente de Lafões (cruza a EM1278 junto da capela e toma a calçada que delimita a Qta. das Delícias, passa a asfalto, cruza a EN333 a sul de Sernadinha e segue pelo «Caminho Romano» defronte)
    Vilharigues, Paços de Vilharigues (segue pela calçada da Ladeira da Forca, cruza a EN621 e segue até retomar a EN333)
    Ponte Romana?-Medieval de Frei Gil sobre o rio Zela
    Vouzela (miliário a Tácito indicando 18 milhas a Viseu, encontrado no adro da Igreja, hoje no Museu Municipal; continua pela EN228)
    Fataúnços (vicus entre a Qta. da Tapada e o Passal na base do Monte Lafão; existia um miliário anepígrafo no Quintal da Estalagem e uma calçada junto da Fonte Velha (Figueiredo, 1953, p. 196); sai da EN228 pela rua da Escola para Bandavizes e toma a calçada paralela à EM602 que passa em Atalaia e desce à ponte)
    Ponte Romana?-Medieval Pedrinha sobre a ribeira da Ribamá (100m surge o troço de calçada subindo a encosta)
    Figueiredo das Donas (segue pela calçada no lugar do Outeiro, no extremo da povoação e continua pela rua da Estrada Romana passando na capela da Sra. da Agonia a oeste do Carregal)
    Carvalhal do Estanho, Queirã (necrópole na capela da aldeia e junto das Minas de Bejança; a via passa pelo centro da aldeia, entra na EM1303 e segue por Caria, Silgueiros e a sul de Pereiras, junto da central eléctrica)
    Lobagueira, Couto de Cima (segue junto à Mamoa/Anta da Lameira do Fojo e continua pela chamada calçada da Sra. do Castro com 1100 m que passa no Alto do Outeiro dos Burros, cruza a IP3 ao km 16+900 e segue pela base do castro até confluir na EM1366 em S. Martinho)
    Travessia da ribeira de Mide (continua pela rua de S. Francisco)
    Orgens (calçada com 30 m dentro do Convento de S. Francisco no alinhamento da via)
    Travessia do rio Pavia na Ponte Romana?-Medieval da Azenha
    Viseu

    Possível variante pela Serra do Caramulo e Guardão
    Este itinerário liga Talabriga a Viseu pela Serra do Caramulo (antiga Serra de Alcoba), seguindo a rota descrita no «Mappa de Portugal Antigo e Moderno» (Castro, 1762); o caminho seguia por Cabeço de Cão, Macieira de Alcoba e Guardão, onde apareceu um terminus augustalis que apesar de ser um marco de divisão territorial poderia estar relacionado com este caminho.
    Cabeço do Vouga/Marnel (TALABRIGA)
    Valongo do Vouga
    Arrancada do Vouga (talvez siga pela Qta. da Fonte da Feira)
    A-dos-Ferreiros (mutatio?; topónimo viário)
    Ponte do rio Alfusqueiro (séc. XVII; a travessia poderia ser no sítio do Vau, 100 m a montante ou na desaparecida «Ponte Velha», 100 m a jusante)
    Préstimo, Águeda (seguir pela actual EN574)
    Cabeço de Cão, Préstimo (calçada)
    Macieira de Alcoba (troço de calçada na Qta. do Carvalho)
    • Possível ligação a Benfeitas: poderia existir uma ligação à via romana Talabriga-Vissaium seguindo por Destriz (calçada com 2 km), na travessia do rio Alfusqueiro, subindo daqui a Benfeitas, mas é um terreno difícil.
    Urgueira, Macieira de Alcoba (a via passava junto à igreja)
    Arca, Oliveira de Frades (segue por Póvoa)
    Monte Tezo, Varzielas (possível variante para norte pela calçada de Alcofra, onde há vestígios romanos na Qta. dos Curtinhais)
    Portela de Guardão
    Caramulo (segue pela rua do Cruzeiro; a sul, existem troços de calçada nas aldeias de Jueus e Múceres)
    Guardão, Tondela (na interior da capela de S. Bartolomeu, antigo castro, existe um terminus augustalis; troço de calçada junto da igreja matriz de Guardão de Baixo)
    Ponte Romana?-Medieval da Portela (calçada)
    Santiago de Besteiros (segue pela rua da Ponte Romana, rua de Santiago, junto da igreja matriz, Ponte de Muna)
    Paranho de Besteiros, Caparrosa (calçada, começa a 100 m da escola primária; na Serra de Silvares, a poente, existe uma inscrição rupestre chamada de Cabeço Letreiro que segundo Inês Vaz seria um trifinium, um marco de divisão territorial entre três povos)
    Coval, Caparrozinha (calçada com 500 m que vem de Paranho)
    Fial (calçada na rua do Pereiro)
    Ponte Romana? da Seara, Routar
    Torredeita
    Mosteirinho, Couto de Baixo (pela rua Pontes; inscrição na casa paroquial; a calçada entre Trapa e Enforcadas no caminho para Couto de Baixo, seguindo para Couto de Cima e Masgalos; pode indiciar uma ligação à via Talabriga-Viseu na Sra. do Castro)
    Figueiró, Vil de Souto (segue rua cabrita?; topónimos rua e ponte Mourisca junto da EN337-1)
    Orgens
    Viseu (VISSAIUM)

    Viae ab VISSAIUM

    Mapa



    Viseu (VISSAIUM) - Castro Daire - Lamego (LAMECUM?)
    Via secundária ligando Viseu ao Douro comprovada pela excepcional construção da Calçada Romana de Almargem na descida para do rio Vouga, uma das mais interessantes em Portugal. O traçado proposto segue para Castro Daire, de onde derivava o caminho para Cinfães pela Serra do Montemuro rumo à travessia do Douro em Porto Antigo, seguindo depois para o Mezio, onde derivava o caminho para Cárquere rumo à travessia do rio Douro em Caldas de Aregos; estas travessias do Douro estão descritas no sentido norte-Sul nos Itinerários Braga-Mérida. (Vaz, 1976, 1989; Nóbrega, 2003a e 2003b; Vieira, 2004 e Lourenço, 2007).

    Viseu (VISSAIUM) (sai da Sé pela Calçada de Viriato, rua da Ponte de Pau, necrópole e antiga porta da cidade)
    Travessia do rio Paiva (segue pela rua Cap. Salomão, passa na Cava de Viriato e segue pela Estrada Velha de Abraveses)
    Abraveses (na escola C+S segue por caminho de terra pela Qta. da Corga e Qta. de Cimalha)
    Campo (segue por Moure da Madalena, no sopé do Castro de Sta. Luzia; calçada em Campo e em Salgueiral; topónimo "Caminho da Ponte Romana" da Raposeira (?) junto à prisão)
    Bigas, Lordosa (Estrada Romana de Almargem com 260 m, assinalada na EN2, parte de Pousa Maria e desce ao rio Vouga desembocando na EN2, 50 m a jusante da ponte actual)
    Travessia do rio Vouga (segue por Almargem e Póvoa de Calde)
    Rio de Mel (travessia na confluência das ribeiras de Cabrum e Freixiosa, na base do Castro de Cela).
    Lamas de Moledo (inscrição votiva num penedo ofertada pelos povos Veaminicori e Patravioi às divindades protectoras dos Magareaicoi, talvez habitando o castro do Outeiro da Maga, e dos Caelobrici que poderiam habitar o Castro de Cela, podendo este povoado corresponder a Caelobriga que segundo Ptolomeu integrava o território dos Coilarni; Vaz, 1989; a via deveria continuar por Ribolhos)
    Castro Daire (castro romanizado dominando a travessia do rio Paiva; a via continua pelo planalto entre Moura Morta e a Sra. da Ouvida, passando em Colo do Pito, na rota da EN2)
    Mezio (eventual diverticulum para Cárquere; a via continuava para Lamego por Bigorne, Ribabelide e Reconcos, seguindo pelo cimo da serra de Lazarim pelos altos da Cruz da Camba e de Montedufe, marginando os sítios romanos de Parafita, Paço, onde apareceu a inscrição funerária de CESEA e uma ara votiva a SOLI SACRUM, o habitat da Póvoa e Quintela de Penude, onde apareceu uma inscrição funerária proveniente de Cimal; depois seguia para a travessia do rio Balsemão junto da Ponte de Lamelas, continuando depois directo a Lamego pela Fonte d'El-Rei, na vertente nascente do monte da Carreira de Tiro)
    Lamego (Lamecum)

    Mapa










    Viseu (VISSAIUM) - Moimenta da Beira (Arabriga?) / Lamego (Lamecum?)
    Provável itinerário romano ligando Vissaium ao território dos Arabrigenses, hoje a região de Moimenta da Beira, atravessando o rio Vouga na zona da Ponte do Vouguinha, rumando depois ao nó viário de Fráguas (Vila Nova de Paiva), onde fazia a travessia do rio Paiva e cruzava com uma via no sentido E-W que seguia para Castro Daire; a partir daqui a via dividia-se, seguindo um ramo para Lamego por Tarouca, e outro ramo seguia por Ariz, onde voltava a bifurcar, com uma via seguindo para Moimenta da Beira por Aldeia de Nacomba, e a outra via rumando ao vicus de Rochela e à Ponte do Freixinho, onde entronca na Via Lamego-Marialva. (Vieira, 2004; Castro, 2013)

    Viseu (VISSAIUM) (segue talvez pela Ponte do Raposo, Esculca e Santiago)
    Mundão (a via passaria na calçada na Qta. do Catavejo; povoado em Telegre; calçada de Confulco na Póvoa)
    Cavernães (as várias aras votivas em Vendas da Moita indiciam a existência de um templo romano; a via corria sob a EN229 até ao km 80, onde tomava a EN323 e a EM1330 para Aviújes e Avelinha, onde passa a calçada que vai desembocar na rua Romana/EN323 junto da Qta. do Albuquerque em Canidelo e daqui à Igreja de Cepões, continuando por Laje Gorda, capela de Sta. Eufémia até reentrar na EN323)
    Ponte Romana?-Medieval de Vouguinha sobre o rio Vouga (1 km a montante da ponte nova; da ponte segue por Vouguinha e Nogueira, passando ao lado da necrópole de Escoiral)
    Côta (pelo cruzamento dos Quatro Caminhos e junto da Anta de Pedralta; seguiria por Vale de Cavalos e Chão do Frade)

    Fráguas, Vila Nova de Paiva (travessia do rio Paiva)
    • Provável diverticulum para poente, rumo a Castro Daire pelo vale do rio Côvo, passando em Vila Cova-à-Coelheira, Teixelo (habitat), Chão de Ferreiros, Malhada (calçada), indo atravessar o rio Paiva em Portela e depois por Mões (habitat em Rebolada e possíveis villae em Missa e Parceiros).

    Ligação de Fráguas a Lamego por Tarouca (Vieira, 2004; Castro, 2013): passava a leste de Vila Cova-à-Coelheira (na aldeia de S. Pelágio, actual S. Paio e no sítio de Alagoa, provável mutatio) e atravessava o rio Covo em Touro (habitat em Cerdeira); continuava por Adomingueiros (+- o CM1169) rumo a Almofala (um troço em calçada lajeada 250 m a sul da aldeia, indicia uma ligação do povoado à via principal que passava na elevação do Corgo do Altar, onde existe ainda um troço lajeado com cerca de 1 km que segue na direcção da Ponte do Touro (reconstruída em 1839 e sem indícios romanos), onde atravessa o rio Varosa, continua ao longo da margem esquerda do Varosa até Bustelo, onde inflecte para NW rumo a Teixelo (Alarcão refere um miliário junto da calçada do sítio do Padrão, mas ainda sem confirmação; Alarcão, 1988a), descendo depois por Valverde a Tarouca (povoado no Monte Ladairo/Ladário; habitat no Souto das Quintas/Sr. dos Vales), atravessa a ribeira de Tarouca na Ponte Pedrinha (?) (habitat na Qta. do Arco da Paradela), seguindo da ponte para Dálvares, contornando a leste o Castro de Sta. Bárbara por Corredoura, Corujeira e Casa do Paço (com tégula na Escola Primária e a norte do cemitério) seguindo pela Sra. da Agonia até Gouviães rumo a Lamego)

    Ligação de Fráguas a Moimenta por Ariz: seguindo para norte por Vila Nova de Paiva (habitat em Coval), Alhais (inscrição rupestre num penedo em Cavalinho com a palavra Finis, possível marco territorial), continuando por Peva e Soutosa (habitat em Covais e Portela; topónimo «Vale da Carreira») até Ariz (povoado no sítio Janamoga; estela funerária; aqui talvez se dividisse em dois ramais).
    • Ariz - Moimenta da Beira, partindo de Ariz rumo a norte, passando a nascente de Pêra Velha (habitat em Quelhas/Picota), Carapito e pela calçada da Aldeia de Nacomba (com 1 km, na rua da Via Romana), depois seguia por Toitam até Moimenta da Beira (povoado no sítio de S. João, possível capital dos Arabrigenses); a via podia continuar para norte passando em Castelo, rumo à Ponte da Granja do Tedo inserida no Itinerário Chaves-Marialva.
    • Ariz - Caria/ Ponte do Freixinho, o outro ramo seguia de Ariz para nordeste rumo à travessia do rio Távora na Ponte do Freixinho, seguindo próximo dos vestígios romanos no sítio da Janamoga e depois por Granja do Paiva, Vila Cova (casal no sítio do Porto; silhar almofadado na capela de S. Tiago), seguindo de encontro à Via Lamego-Marialva por Caria (o povoado de Caria Velha poderia ser no Monte da Coutada; habitat em Levada/Juncais?) e Rua (tesouro) até ao vicus de Rochela/Arrochela ou rumando directamente à travessia do rio Távora na desaparecida Ponte do Freixinho, talvez por Mileu e Prados de Cima atendendo ao possível miliário transformado em cruzeiro junto da capela de S. Domingos e à estela funerária na sua fachada, CIL II 427.

    Mapa







    Viseu (VISSAIUM) - Aguiar da Beira
    Saindo de Viseu, a via dirigia-se para nordeste para atravessar o concelho de Sátão seguindo grosso-modo a actual EN229-2, atendendo ao miliário da Qta. do Pomar. (Vaz, 1976; Nóbrega, 2003a e 2003b; Lourenço, 2007).

    Viseu (VISSAIUM) (segue a Via Viseu-Famalicão da Serra até Prime, onde ruma a nordeste)
    Povolide (calçada na Qta. de Sta. Luzia com acesso defronte do cemitério à esquerda)
    S. Miguel de Vila Boa, Sátão (talvez próximo da villa da Qta. de Torneiros, seguindo depois por Abrunhosa e Forno Telheiro)
    Casal do Fundo (a via passaria próximo da villa da Qta. da Taboadela, villa de Trancosã e da villa da Eira do Rei, onde existem duas colunas encastrados no muro da Casa da Família Xavier que poderão ter sido miliários desta estrada)
    Casal de Cima (calçada no lugar da Igreja)
    Silvã de Cima (passa por Casal, onde existe um miliário encastrado numa parede da Qta. do Pomar, e segue junto à Qta. das Chedas)
    Romãs (talvez próximo da villa da Presa e da villa da Corga)
    Travessia da ribeira de Sátão (a villa da Cerca indicia uma possível ligação ao rio Vouga por Decermilo)
    Rãs, Romãs
    Quinta das Lameiras, Pinheiro (cipo funerário de Rufus)
    Ponte Romana?-Medieval do Candal sobre a ribeira de Coja, Coruche (70 m; 2 arcos)
    Aguiar da Beira (silhares almofadados reutilizados nas muralhas do castelo medieval; possível ligação a Caria por Quintela e Carregal; daqui poderia seguir para Sernancelhe, atravessando o rio Távora na Ponte Romana?-Medieval do Abade)

    Mapa











    Viseu (VISSAIUM) - Celorico da Beira
    Hipotética via para Celorico comum à via Viseu-Famalicão da Serra até Mangualde e depois seguindo a rota da actual EN16 (Carvalho P., 2009).

    Viseu (VISSAIUM) - Mangualde (Araocelum ?) (ver itinerário Viseu-Famalicão da Serra)
    Freixiosa (seguiria por Tragos; ara votiva à divindade Crougae por Clementinus, servindo de pedestal de um cruzeiro da igreja de Sta. Luzia, FE54)
    Matados (calçada junto do habitat da Vinha Morta, na Assoc. Cultural)
    Guimarães de Tavares (a calçada junto à villa das Qtas. do Costa, indicia uma ligação a Abrunhosa-a-Velha ou Poço Moirão para travessia do rio Mondego)
    Chãs de Tavares (calçada com 50 m no acesso ao Castro romanizado da Sra. do Bom Sucesso talvez o castellum Nacosos com base numa ara votiva dedicada aos Lares Couticivi (?) por um Arbuensis, aparecida na base do castro, numa casa em ruínas da Qta. do Casal em Casais, FE55; ara funerária na capela de St. Amaro em S. João da Fresta, FE56; notícia de um «miliário no Monte de S. Caetano», ou seja junto do castro, mas é duvidoso; Alarcão propõe a existência de uma mansio neste local; Alarcão, 1996)
    Pinheiro de Tavares (mutatio?; duas aras funerárias, FE52 e FE53; a via talvez seguisse pela Calçada de Alpaioques, ao longo da margem esquerda da ribeira da Canharda, continuando na outra margem próximo dos vestígios da Qta. da Bodeira e pelo alto da cumeada que passa na Cruz Alta?)
    Fornos de Algodres (ver Museu Arqueológico do CIHAFA; a via deveria atravessar a povoação até à capela da Sra. da Graça, onde inicia um troço de calçada que segue por trás da zona industrial, passando na Qta. da Lomba, Qta. do Seminário de S. José e Qta. da Costa, onde subsiste um troço de calçada com 200 m, cortado pela IP5 junto de Fornos Gare)
    Travessia do rio Mondego na actual Ponte de Juncais (a ponte antiga foi destruída; tégula na Qta. dos Covais)
    Vila Boa do Mondego (seguiria ao longo da margem esquerda do Mondego)
    Celorico da Beira (nó viário, onde cruzava com a Via Marialva-Bobadela e de onde partiam as vias de acesso à Serra da Estrela; inscrição rupestre no exterior do castelo consagrada à divindade Munidi)

    Outros troços no Concelho de Fornos de Algodres
      De Penalva do Castelo a Matança: poderia existir uma via que partia do vicus da Murqueira em Esmolfe (Penalva do Castelo) rumo a nordeste (o vicus fica no sítio da Murqueira em Fundo de Vila, onde apareceu um ara votiva a Bandi Oilienaico) passando a calçada pelos lugares de Capela, S. Martinho e Eirinhas, rumando depois a Sezures, Boco (CM1429), Qta. da Ponte (calçada e poldras sobre o rio Dão), Moradia, Matela (onde terá aparecido a ara a Bande Vircau... que está na casa paroquial de Antas, tal como a ara a Júpiter por Procilia), seguindo para a travessia da ribeira do Carapito na Ponte Romana?-Medieval em Matança (materiais espalhados pela aldeia indiciam um vicus; seria no sítio do Castelo?; inscrição à divindade Senior Cor(onus?) em Soutinho, Pena Verde) Eventuais ligações a partir de Matança:
      • de Matança a Fornos de Algodres, rumando a sul pela Ponte da ribeira das Forcadas, Cumeeira, Corgas e Tapada da Laje até Furtado (ara funerária, ara votiva a Collovesei Caeloni Cosigo na capela de S. Clemente), continuando por Rancozinho até ao nó viário da Rasa de Infias (lápide funerária na casa paroquial de Ramirão).
      • de Matança a Sobral Pichorro, rumando a nordeste por Forcadas até Maceira, onde cruza com a via Fornos-Queiriz descrita abaixo, seguindo depois pela calçada de Maceira, com troços lajeados à saída da aldeia e junto do reservatório em Sobral Pichorro.

      De Fornos de Algodres a Queiriz, seguindo por Infias (vicus no Outeiro da Forca e na Rasa de Infias, provável nó viário; ara a Mercúrio na parede frontal da Igreja), Algodres (calçada junto da capela da Ns. da Saúde, à entrada da povoação; vicus e necrópole em torno da praça central; ara anepígrafa no CIHAFA; seguia pela rua da Roseira), Cortiçô (tégula; segue junto do sítio Qta. do Carvalho II, a 300 m da villa de Calpedrinha), Maceira (continua pelo Alto da Serra), Queiriz (habitat; Povoados no sítio do Castelo e na Fraga da Pena; inscrição votiva a Bandi Tatibeaicui, hoje na colecção do «Museu Etnológico de Viseu» (?); AE 1961, 341; existia calçada na Ponte da Regateira recentemente destruída).
      • de Queiriz a Aldeia Velha: existe um troço de calçada entre Queiriz e Aldeia Velha atravessando o Vale da ribeira da Muxagata e próximo do sítio romano do Alto da Lajeira junto da Qta. da Banda de Além, mas para onde seguiria?
      • de Queiriz a Carapito, existe (existia?) uma calçada nas traseiras do cemitério de Carapito (proveniente da Lage Grande?), indiciando uma possível continuação de Queiriz por Carapito, seguindo depois por Eirado e Carregais rumo à travessia do rio Távora em Corta-Vento, continuando na outra margem pelo caminho da Sra. da Ribeira que passa no alto do Pendão em Reboleiro, e por Sebadelhe da Serra até à Cruz do Guilheiro, onde cruza com a Via Lamego-Marialva.

      De Fornos de Algodres a Sobral Pichorro, por uma possível via partindo da Ponte de Juncais seguia rumo a nordeste, passando no vicus de S. Pedro da Torre em Figueiró da Granja, junto ao cemitério e do Castro de Santiago, continua por Muxagata (ara anepígrafa achada numa fonte de mergulho, hoje no CIHAFA em Fornos; possível miliário na igreja matriz), continua junto do Povoado da Trepa, Mata (calçada na Qta. da Mata Gata; povoado em Monte da Mata) e Sobral Pichorro; teria continuidade para norte?

    Mons Herminius Itinera

    Mapa

    norte






    Sul












    Rede viária em torno da Serra da Estrela (mons Herminius?)
    A designação de mons Herminius (montes Hermínios) aparece em dois textos clássicos, nomeadamente no «De Bello Alexandrino» e na obra do historiador Dion Cássio sobre as campanhas de Júlio César na Lusitânia nos anos 61-60 a.C. (Dion Cassio, XXXVII, 52-55), tem sido associada à Serra da Estrela ainda que com algumas reservas (Alarcão, 1993); seja como for é indesmentível que toda a serra sofreu uma intensa romanização que teria certamente de estar apoiada numa intrincada rede viária da qual ainda pouco se conhece; para além dos 3 eixos principais que cruzavam a serra, a Via Cabeço do Vouga - Viseu - Mérida, ou seja, Talabriga - Vissaium - Augusta Emerita, cruzando a serra no sentido W-E, a Via Coimbra - Bobadela - Celorico da Beira - Marialva ligando, Aeminium ao Alto Douro, seguindo pelo vale do Mondego na vertente ocidental da serra (a actual «Estrada da Beira») e a via proveniente do rio Douro que passa em Póvoa do Mileu (Guarda) rumo também a Mérida, seguindo pela vertente oriental da serra, deveriam existir muitos outros itinerários secundários servindo os povoados e explorações mineiras espalhadas pela serra, nomeadamente a partir do seu acesso norte em Celorico da Beira ou pelo acesso sul a partir do Castro de S. Romão em Seia (Alarcão, 1993; Ruivo et alii, 1996;Tente, 2007; Carvalho P., 2009; Marques, 2011).

    de Fornos de Algodres a Linhares da Beira
    Provável caminho romano que iniciava o seu percurso após a travessia do Mondego na Ponte de Juncais, continuando depois por Mesquitela (Ponte sobre a ribeira de Linhares; vestígios em A-das-Pedras, Tapada das Pedras e Colícias), Carrapichana (habitat em Capela/Tapada do Anjo), Figueiró da Serra (topónimo Hospital), atravessa a ribeira de Linhares e sobe pela Calçada da Corredoura/Estrada dos Almocreves até à Igreja da Misericórdia em Linhares da Beira (possível mutatio no cruzamento de caminhos), podendo daqui continuar para sul por Carvalhos Juntos, onde bifurcava no caminho que vai para Folgosinho e no caminho que segue para Videmonte, rumo à travessia do Mondego na Qta. da Taberna.

    de Celorico a Linhares da Beira
    Provável caminho romano, seguindo talvez por Casas de Soeiro (habitat na Qta. do Vilhagre e em Ribeiro do Pinheiro), Galisteu (passando a poente de Vide Entre Vinhas, entre Corredouras e o Alto da Pedra da Atalaia; inscrição na capela do Espírito Santo), Salgueirais (habitat na Qta. do Seixal, Vara e em Moitas Escondidas/Alto da Rasa), Assanhas, continuando até Linhares pelo topónimo Portela.

    de Celorico a Póvoa do Mileu por Salgueirais e Prados
    Derivando da anterior em Salgueirais, rumava a leste em direcção a Prados (calçada da Qta. dos Amiais; calçada em Alminhas, sobranceira à ribeira do Rebolal), seguindo depois por Vale de Estrada (possível miliário no planalto da Serra da Soida) e descia pela Qta. da Coitada até Mizarela, seguindo depois pela calçada da Mizarela, troço bem preservado que descia à Ponte Medieval da Mizarela, onde atravessava o Mondego, continuando depois em calçada para Pêro Soares, continuando por Chãos e Cubo (calçada em Gulifar), rumo a Póvoa do Mileu (Alarcão, 1993; Marques, 2011).

    de Celorico a Póvoa do Mileu por Vale de Azares e Aldeia Nova
    Provável via romana passando por dois vici romanos, atendendo aos vestígios significativos encontrados em Aldeia Nova e em torno de Vale de Azares, como os silhares almofadados da Qta. do Azar (de um templo?) e a inscrição da capela de Ns. dos Azares, embutida na parede direita do coro e dedicada à divindade Amma Aracelene, sugerindo a existência de um vicus designado por Aracelum; (FE347; Carvalho, 2009); a via partia de Celorico rumo a Aldeia da Serra (?), continuava depois por Grichoso (casal em Quintã), Fonte Arcada (villa) e Mourilhe, lugares que formam a freguesia de Vale de Azares, ia atravessar a ribeira da Cabeça Alta junto a Rapa (calçada no interior da povoação, hoje coberta com brita) e seguia o caminho para Portela, onde começa um troço em calçada que vai até ao vicus de Aldeia Nova, em Aldeia Viçosa; daqui descia à travessia do Mondego na Qta. da Ponte e continuava por Ramalhosa, onde começa a Calçada de Tintinolho que segue depois por Cruz de Faia até Póvoa do Mileu; ver esta parte final no Itinerário Trancoso - Póvoa de Mileu.
    • Eventual ligação Vale de Azares - Açores, seguindo por Lajeosa do Mondego e indo atravessar o Mondego nas proximidades da Ponte do Ladrão.

    de Seia a Alvoco da Serra
    Hipotética via que desviando em Seia da Via Marialva-Bobadela servia os vici da vertente sul da Serra da Estrela, podendo rumar à Covilhã por Unhais de encontro à Via Braga-Mérida (?).
    Seia (Sena?) (segue talvez pela EN339 até à ribeira de Valverde que atravessa para a Qta. da Valverde), S. Romão (continua por estradão em direcção ao importante Castro romanizado de S. Romão/Cabeço do Castro, passando na Cabeça da Velha e Sra. do Desterro; inscrição funerária de um emigrante originário de Caesar Augusta, a cidade romana hoje designada por Saragoça e uma inscrição referindo os cônsules Presente et Extricato)
    Valezim (a calçada vem pela Darrua, Cabeço do Castro, junto à Sra. da Saúde e à Sra. da Boa Viagem, e junto à capela de S. Domingos em direcção a Vale de Açor), Loriga (Lorica) (vestígios no «Chão do Soito»; a calçada vem da Portela de Arão, passa em Calçadas, Cemitério, capela de S. Sebastião, desce pela rua do Porto e atravessa a ribeira de S. Bento, existia uma Ponte Romana? que ruiu no séc. XVI e subia pela rua de Vinhó, rua de Viriato, rua Gago Coutinho e rua Sacadura Cabral, Av. Augusto Luís Mendes, área conhecida como Carreira, rua do Teixeiro, atravessando a ribeira de Loriga/Nave/Courelas na Ponte Romana?-Medieval da Moenda), Alvoco da Serra (calçada na rua das Lajes junto à capela de S. Sebastião, passa na Ponte Medieval e continua para sul por Tornadoiro, Poiso do Senhor, Barroca das Pedras Brancas, Malhadinha, Bandeirinha, Chão da Cruz, Fonte da Bica até Avoaça)

    Via VISSAIUM ad civitas Bobadela

    Mapa



















    Viseu (VISSAIUM) - Bobadela (municipium)
    A magnífica calçada entre Ranhados e Coimbrões indicia uma via importante que daria acesso a Bobadela, capital de um vasto municipium e referida numa inscrição como splendidissima civitas (CIL II 397) da qual se conserva uma cópia na igreja paroquial. No entanto desconhecemos ainda qual seria o seu nome no tempo romano. Entre os potenciais candidatos estão Velladis e Verunium, ambas referidas por Ptolomeu (II, 4) ou ainda a capital dos Elbocori ou dos Tapori, povos referidos por Plínio (NH, IV, 35), mas a verdade é que para já não passam de meras hipóteses. O itinerário parte de Viseu e segue pela calçada de Ranhados rumo à travessia do rio Dão junto às Termas de Alcafache (romanas?). A utilização de silhares almofadados na actual ponte indiciam a existência de uma ponte anterior de construção romana; a partir daqui, a via parece dividir-se em vários percursos o que torna difícil a sua definição. No Lugar do Peso (mutatio?) partiam diverticula para nordeste rumo a Mangualde e para leste rumo a Gouveia, mas a via para Bobadela seguia por Carvalhal Redondo e Canas de Senhorim rumo à travessia do rio Mondego junto das Caldas da Felgueira, onde confluía também a via proveniente de Mangualde descrita mais abaixo, seguindo depois juntas para Bobadela. No entanto dois miliários anepígrafos em Oliveira do Conde indiciam uma via entre o Dão e o Mondego que além de seguir para Coimbra poderia fazer uma travessia do Mondego mais a jusante com base na possível referência a uma ponte sobre o Mondego que se pode ler numa inscrição em Póvoa de Midões, seguindo daqui rumo a Bobadela. (Ver Vaz, 1976; Nóbrega, 2003a e 2003b; Lourenço, 2007).

    Viseu (VISSAIUM) (sai pela rua do Cerrado, onde existia uma necrópole e a antiga porta da cidade)
    Ranhados (junto ao tanque da povoação começa um dos melhores troços de calçada romana em Portugal seguindo em direcção do campo de futebol, desce ao Pontão Romano de S. Domingos sobre a ribeira da Póvoa, passa debaixo da A25, e ascende por magnífica calçada até à zona industrial de Coimbrões)
    Coimbrões (desce ao rio Dão pelo caminho para Lourosa de Baixo, onde apareceu um miliário)
    Banho/Termas de Alcafache (a calçada por trás do Hotel das Termas foi entretanto destruída)
    Ponte Romana-Medieval de Alcafache sobre o rio Dão (a ponte tem algumas silhares almofadados num dos talha-mares e na base do pilar do lado das termas; a via romana inicia a subida junto da capela de Ns. de Fátima na EN594 e segue em calçada até à JF de Alcafache no Peso)
    Lugar do Peso, Alcafache (a via atravessa EN1436, segue pela rua de Santa Cruz e depois à esquerda até à rua dos Medronheiros, segue à direita e depois à esquerda pela rua do Caminho Romano)

    Nó viário no Lugar do Peso ou no Cruzeiro da Lama:
    • Rumo a nordeste para Mangualde por Mosteirinho, Pedreles e Ançada.
    • Rumo a nascente para Gandufe, passando por Casal Sandinho (vestígios em Presas e Qta. dos Lobões), Lobelhe do Mato, Moimenta de Maceira Dão, Ponte Romana(?) do Tinto (ao lado da ponte nova), Gandufe (hipótese do miliário junto da igreja de Espinho ter sido levado daqui), Póvoa de Espinho (onde entronca na Via Mangualde-Bobadela); segundo Mário Saa (Saa, 1957, p.320) esta via ia atravessar o rio Mondego em Porto Senhorim, rumando depois a Manteigas, mas é duvidoso.
    • Possível ligação a Mangualde, segundo Manuel Tavares, existia uma ligação entre Moimenta de Maceira Dão e Mangualde passando perto de Água Levada, Pinheiro de Baixo (onde identificou um troço de Calçada Romana em Barreiros), continuando por Santa Luzia, Santo Amaro até entroncar na via proveniente do Peso perto de Ançada/São Cosmado, rumando depois a Mangualde.

    • Rumo a sul para a Bobadela (ver Vaz, 1987)
      Aldeia do Carvalho (pelo caminho das Fontanheiras)
      Santar (calçada nas Pedreiras; vestígios em Outeiro, Outeirinho e Qta. do Casal Bom)
      • Possível ligação a Nelas passando por Vilar Seco (calçada e estações romanas em Prado e Qta. do Serrado).
      Ponte Romana? sobre a ribeira de Cagavaio (calçada)
      Carvalhal Redondo (3 aras dedicadas a Besenclae por Docquirus Celti, 2 apareceram num lagar e outra numa casa particular, FE138; seria um santuário?; segue a EN231-2 por Corredoura)
      Urgeiriça, Canas de Senhorim (villa em Laje do Quatro, junto à EN e antiga via)
      Canas de Senhorim (vicus?; villae em Casal/Olival Grande, Freixieiro e Fojo; vestígios em Moledo, Passal e Qta. de Cima; villa no Lugar de Chãs o Chãos já na freguesia de Beijós)
      Caldas da Felgueira (aqui confluía com a via proveniente de Mangualde pelo que a continuação para a Bobadela está descrita no itinerário Mangualde-Bobadela).

    • Variante com travessia do Mondego em Póvoa de Midões:
      Canas de Senhorim
      Lapa do Lobo
      Fiais da Telha (segue a leste pela calçada de Alagoas com 2 km e atravessa a ribeira da Azenha)
      Azenha, Oliveira do Conde (miliário anepígrafo junto à Qta. da Sobreira; 2 inscrições no Café «Flor do Mondego»)
      Vila Meã, Oliveira do Conde (2 miliários anepígrafos num muro em Vale do Touro; Pinto, 2001)
      Travessia do rio Mondego (talvez descendo pelo Passadouro e fazendo a travessia entre a Qta. da Barca e Vale França)
      Póvoa de Midões (uma inscrição embutida na parede de uma casa na rua Principal indica a edificação de uma ponte ou fonte em honra do imperador Tito; «Imp. Tito. VIII. Co(n)s / [p]ontem aedificavit / Severus Vituli f.»; seria a ponte sobre o Mondego ou apenas uma fonte?; a via deveria passar junto do vicus da Cumieira, onde a tradição localiza a antiga «Cidade de Nabril»)
      Midões (duas inscrições embutidas na porta lateral da Igreja de S. Sebastião em Coito de Midões assinalam a construção de dois templos na Bobadela a expensas de Cantius Modestinus, um seria dedicado ao Génio municipium, CIL II 401, e outro a Victoria, CIL II 402; daqui à Bobadela o traçado continua duvidoso, podendo descer pela calçada de Vasco até ao rio de Cavalos que atravessava na Ponte de S. Geraldo ou pela Ponte Romana de Sumes, seguindo depois próximo da villa de Ervedais, entrando em Bobadela por Oliveirinha, mas dado o acidentado do terreno, é possível que o traçado se fizesse por Cadouço e Travanca de Lagos, onde se reunia com as vias provenientes de Viseu e Mangualde)

    Bobadela (municipium), Oliveira do Hospital
    (imensos vestígios por toda a aldeia; inscrição NEPTUNALE na fachada da igreja, CIL II 398, única referência a Neptuno na Lusitânia, divindade ligada ao culto da água; magnífico anfiteatro; em termos viários há notícia de um miliário a Galério, mas em lugar incerto e hoje desaparecido; Abreu, 1893).

    Via Araocelum ad civitas Bobadela

    Mapa


















    Bobadela
    Avô




    Mangualde (Araocelum?) - Bobadela (municipium)
    É bem provável que uma via proveniente do vicus da Murqueira passasse em Mangualde rumo a Bobadela, atendendo aos miliários encontrados em Chãos de St. Luzia e Póvoa de Espinho. A indicação de VII milhas no miliário da Qta. da Ponte indicia a contagem de milhas desde as Caldas da Felgueira, provável limite territorial entre as civitates de Viseu e Bobadela, demonstrando o carácter municipal destas vias. Ver Vaz (1976), Nóbrega (2003a e 2003b) e Lourenço (2007).

    Esmolfe (vicus no sítio da Murqueira em Fundo de Vila; cruzamento com a via Viseu-Trancoso; ara aos Bandi Oilienaico)
    Penalva do Castelo (calçada em Sangemil)
    Travessia do rio Dão na Ponte de Trancozelos (coluna honorífica e villa em S. Romão, sugere uma ligação a Castelo de Penalva)
    Trancozelos (em alternativa daqui poderia seguir por Abogões e Canelas, atravessando o rio Ludares numa ponte antiga, seguindo pela calçada de Cômoro, rumo a Quintela de Azurara, onde apareceram duas inscrições dedicadas a Júpiter, a FE90 está no MNA e a FE348 teria aparecido na antiga capela da Sra. da Esperança e hoje está na igreja paroquial)
    Travessia do rio Ludares perto de Germil
    Passos, Mangualde (villa; árula a Júpiter, FE69; calçada de acesso ao rio Dão; a via poderia seguir pela Qta. Cruz, pois aí existe um possível miliário transformado em cruzeiro no muro da quinta)
    Mangualde (Araocelum?; seguia junto da villa da Raposeira e das Qtas. da Fonte do Púcaro, provável localização da mansio, no cruzamento com a Via Viseu-Mérida)
    St. Amaro de Azurara
    Santa Luzia (miliário de Chãos dedicado a Licínio Pai indicando a milha XI, hoje no Museu Grão Vasco em Viseu com o nº 51; possível miliário em Água Levada)
    Póvoa de Espinho, Espinho (possível miliário na rua do Forno junto à porteira de uma casa; possível miliário reutilizado no Cruzeiro de Espinho; miliário do Calvário encastrado num muro, no entroncamento da rua do Calvário para a Abadia)
    Abadia de Espinho
    Ponte sobre o rio do Castelo (miliário da Qta. da Ponte dedicado a Cláudio indicando a milha VII que hoje está na colecção da ADV em Viseu)
    Outeiro de Espinho (para nascente em Vila Nova de Espinho há um possível miliário reutilizado para cruzeiro)
    Senhorim (miliário em Casal Sandinho?; vestígios no lugar da Igreja e Terra do Fidalgo; topónimo Portela)
    Nelas (ver o Museu José Adelino)
    Folhadal (alternativa por Póvoa das Roçadas)
    Caldas da Felgueira (provável divisão territorial entre as civitates de Viseu e Bobadela)
    Travessia do rio Mondego (topónimo Qta. dos Carris)
    • Possível ligação a Seia/S. Romão, passando em Paranhos da Beira (ara votiva de Iunia Firmina; calçada), Tourais (habitat na Qta. da Lameira) e na Ponte de Folgosa do Salvador sobre o rio Seia, cruzando com a Via Marialva-Bobadela talvez em Arrifana, e daqui subia por Seia ao Castro de S. Romão.
    Seixo da Beira
    Aldeia Formosa
    Vila Franca da Beira (passa a nascente, hoje EM507-1, pelo Vale da Corredoira, onde há calçada)
    Ponte do Buraco sobre o rio Seia
    Lagares da Beira
    Ponte Romana? da Ribeira ou de Vale de Negros
    Travanca de Lagos (próximo, em Andorinha, existe a Ponte das Roçadas sobre o Rio Cobral dita "Romana")
    Bobadelasplendidissima civitas»)

    Ligações de Bobadela ao rio Alva
    Atendendo à importante exploração mineira aluvionar de ouro e chumbo ao longo do rio Alva, é provável a existência de duas vias de acesso ao rio, uma descendo à Ponte da Três Entradas e outra descendo a Avô; no entanto a via principal deveria seguir para Coja, onde as condições de travessia são mais favoráveis e onde se achou um miliário e um tesouro, evidenciando a sua importância como nó viário que articulava o tráfego proveniente da Bobadela quer em direcção a Coimbra por Arganil, quer possivelmente em direcção a Idanha-a-Velha atravessando a Serra do Açor embora esta seja apenas conjectural. (Marques, 1992).

      Ligação de Bobadela à Ponte das três Entradas:
      Partindo da Bobadela rumava para sul por Nogueira do Cravo (nos anos 70 ainda existia calçada, passando nos lugares das Mestras e de Cales, junto da «Casa do Penedo» que reutiliza imensos silhares romanos talvez provenientes da cidade romana que fica a apenas 3 km), seguindo depois por Galizes, cruza a EN17 e segue por Santa Ovaia, onde existia uma calçada que tinha continuação pelo chamado «caminho fundo» até à Ponte das Três Entradas, onde atravessava o rio Alva. É provável a continuação da via para Aldeia das Dez pois aí apareceu um tesouro e existe calçada a 3 km da aldeia no «caminho das Tapadas».

      Ligação de Bobadela a Avô:
      Partindo do forum da Bobadela seguia pela rua Emília Pestana Coelho, atravessa a ribeira de Cavalos na Ponte Romana e segue junto do cemitério e da Qta. dos Vales, cruza a EN230-6 e segue pela rua da Indústria, cruza a EM1306, continua pelo estradão de terra/rua Vale Meirinho que passa na Qta. do Ribeiro até à Ponte de Covas sobre o rio de Ribelas; daqui subia a Covas (passando junto do cemitério, igreja matriz; habitat), rumando depois a Balocas e Venda da Esperança, onde cruza a EN17 (pela florestal?); continua em frente para Lourosa, passando na notável Igreja Moçarabe de S. Pedro, onde apareceram muitos materiais romanos eventualmente relacionados com um templo romano que aqui existia (ara votiva a Picio, ara votiva a Júpiter, ara anepígrafa, cipos, bases de colunas e silhares almofadados), seguindo daqui para Pombal pela rua Cimo de Vila e rua do Pombal que passa a estradão de terra e atravessa a ribeira, subindo depois em calçada até Vila Pouca da Beira (rua da Calçada Romana), continua pela rua da Fonte das Almas, rua dos Catarinos, Cruz de Pedra, Qta. do Casal, cruza a EN230 e continua pela rua Dr. António de Barros para a travessia do rio Alva em Avô.
    • Um troço em calçada liga Avô à Aldeia das Dez.
    • Continuação de Avô para sul, seguindo pela calçada que parte do Bairro de St. António e pela desaparecida calçada de S. Pedro, hoje rua da Sra. de ao Pé da Cruz que vai para Anceriz, continuando até Cruz de Anceriz onde entronca na via proveniente de Coja rumo à Serra do Açor descrita abaixo.

    • Ligação de Bobadela a Coja:
      O miliário a Teodósio da Capela da Sra. da Ribeira e um tesouro em Paço, indiciam que Coja seria um importante nó viário relacionado com a travessia do rio Alva; daqui poderiam seguir em várias direcções:
      • Ligação a Coimbra por Vale do Carro, trajecto descrito em sentido inverso no itinerário Coimbra-Coja-Bobadela.
      • Ligação de Coja a Idanha-a-Velha (?) pela Serra do Açor: é possível que existisse uma outra via rumando a sudeste que seguia pela Serra do Açor dando acesso à Covilhã e ao Fundão, e daqui rumo a Idanha-a-Velha, contornando a Serra da Estela pelo sul; segundo António Marques, esta via seguia o «Caminho da Moura» pelo «Cabeço da Chamua», fazendo-o derivar da via para Coimbra junto de Vale de Carro, rumando daí para leste por Esculca e Alto da Benfeita (vestígios em Mó) até Moura da Serra, mas atendendo ao terreno, é mais viável um trajecto pelo tal «Cabeço da Chamua», hoje Alto da Chama: partindo de Coja pela rua da Gândara, cruza a EN342 e sobe pelo estradão que vai pelo Alto dos Tosqueirões e na Cruz de Anceriz; continua pelo estradão que contorna por nascente os Altos do Carvalhal e da Chama, passa ao lado do cemitério de Valado (EN344), continua pela lomba da Moura da Serra por Relva Velha, onde toma o caminho que segue pela Encosta de Fonte Peão, onde há vestígios do corte da via e sulcos de rodados na rocha; a continuação da via rumo a Idanha é incerta devido ao acidentado do terreno, e é para já conjectural (seria apenas uma via mineira?); no entanto, é possível que a via seguisse para sul rumo a Porto da Balsa, onde atravessa o rio Ceira, seguindo depois por Covanca rumo ao Fundão ou rumo à travessia do Zêzere (em Cambas?) rumo a Castelo Branco.

    Viae ab AEMINIUM

    Mapa





    Mealhada (mansio) a Bobadela (municipium)
    É provável que existisse uma via romana ligando a região da Mealhada a Bobadela e Viseu pela Serra do Bussaco, derivando da Via XVI Braga-Lisboa para nascente; o percurso continua hipotético, mas parece existir um alinhamento de vestígios de possíveis miliários ao longo do caminho que passa em Leira Grande (Grada), Poço e Alto do Loisal rumo a Sula; no entanto há dúvidas na localização do miliário achado na Leira Grande pois há relatos que o dão como proveniente da Lameira de St. Eufémia, inserido portanto num outro caminho mais a sul que passa por Vacariça e Luso. Há também uma referência medieval a uma «via antiqua» na margem direita do Cértima, mas a sua localização no terreno permanece insegura (in PMH DC 104). Perante estas dúvidas, apresentam-se as duas possíveis variantes ligando da Via XVI à Serra do Bussaco que se reuniam em Sula, e daqui duas outras alternativas de ligação ao eixo viário Viseu-Bobadela.

    • Variante norte de Mealhada a Sula por Grada:
      O ponto de derivação da VIA XVI não é claro podendo derivar da mansio da Vimieira, rumando a nordeste até Grada ou mais a norte, próximo das Termas da Curia (Tamagos), seguindo depois por Aguim (vestígios de tégula na aldeia e mais adiante no sítio de Varandas) pela estrada asfaltada que liga a Grada, onde há vários indícios de cariz viário como o topónimo Lugar dos Marcos, o miliário da Leira Grande, apesar das dúvidas sobre o seu local de origem e o próprio marco divisório entre os concelhos de Anadia e Mealhada que é sempre um sinal de via antiga; o caminho continua por Poço e Alto do Loisal rumo a Sula, ascendendo assim à Serra do Bussaco pela sua vertente norte, seguindo aproximadamente a linha divisória entre os concelhos de Anadia e Mealhada.
      Partindo do Lugar dos Marcos, a via seguia o caminho de terra pela linha de festo que passa próximo da Cerâmica St. Amaro, cruza a EN235 a sul de Poço, onde existe outro marco divisório junto de um possível miliário, continuando depois pelo Alto do Loisal com outro marco divisório, cruza a EN336 a norte de Salgueiral e continua pelo Alto do Cabeço Redondo e Bilheiro até entroncar na EN234, junto a Sula.

    • Variante sul de Mealhada a Sula por Vacariça:
      O ponto de partida esta via derivava da Via XVI na mansio da Vimieira, cruzava o rio Cértima e seguia entre Travasso e S. Romão junto de uma fábrica, seguindo depois paralela e a norte da EN620-3 até ao cemitério de Vacariça (vestígios em Ferrarias), seguindo depois pelo caminho que passa junto da necrópole de Fiéis de Deus sobre a Lameira de St. Eufémia (onde estaria originalmente o miliário da Leira Grande), seguindo depois por Lameira de S. Geraldo e Luso até Sula, onde entronca na variante anterior.

    Itinerário de Sula a Bobadela por Oliveira do Mondego:
    Sula (segue até Moura, virando aqui à direita pelo CM1552 pela Serra da Cerdeirinha por alturas de Atalaia, Louriceira, Alcordal e Galhardo)
    Cercosa (cruza com a Via Coimbra-Viseu e continua pela calçada de Vale de Ana Justa)
    Travessia do rio Mondego (travessia muito alterada pela barragem da Raiva)
    Oliveira do Mondego (aqui entroncava via Coimbra-Bobadela pela EN17 e seguia para a Bobadela)

    Itinerário de Sula a Bobadela por Mortágua, Sta. Comba Dão e Tábua:
    É possível que um outro caminho seguisse a EN234 que liga Sula a Mortágua e daqui por Santa Comba Dão em direcção à travessia do rio Mondego em Tábua e daqui à Bobadela; seguia talvez próximo do cemitério de Vale de Remígio, dado que aqui apareceu uma inscrição aos Lares Patriis, atravessava a ribeira de Mortágua e seguia por Gândara para a travessia do rio Criz em Breda rumo a Santa Comba.
    Santa Comba Dão (descia do Largo do Balcão pela já destruída «Calçada Velha» até à travessia do rio Dão), Vimeiro (da ponte subia à Estação C.F. rumando a Cancela; a calçada da Laje do Roxo dirigia-se para a villa da Abadia e Fonte de Vinhais em Óvoa)
    S. João de Areias (vestígios na igreja matriz e em Alqueives; desce ao rio pela Estrada Principal, inflectindo à esquerda depois da rua dos Prados pela estrada que leva ao rio Mondego)
    Travessia do rio Mondego (existia uma ponte antiga, hoje submersa pela albufeira da Aguieira; sobe na outra margem por 350 m pela calçada romana da Pedra da Sé até Tábua)
    Tábua (junto das villae do Fundo da Vila e da Torre, Seixos Alvos, pelo Alto do Outeiro da Mama, Barras, Várzea, Vila Chã)
    Vila Nova da Oliveirinha (entrava em Bobadela pela Ponte Romana sobre o rio de Cavalos junto do cemitério)
    Bobadela (civitas)


    Mapa



    Coimbra (AEMINIUM) - Viseu (VISSAIUM)
    O itinerário acompanha a antiga estrada medieval entre Coimbra e Viseu com passagem por Mortágua com presumível origem romana apesar dos escassos vestígios; este itinerário está descrito no «Mappa de Portugal Antigo e Moderno» (Castro, 1762) com as seguintes estações (légua a légua num total de 13 léguas): De Coimbra a Eiras, Botão, Galhano, Santo António do Cântaro (Carvalho), Freirigo (Marmeleira), Barril (Mortágua), Brida (Breda), Cris (rio), Casal de Maria, S. Joaninho, Tondella, Sabugosa, Fail e Viseu. Depois da travessia do rio Cris em Santa Comba Dão o percurso da Estrada Real para Viseu vai por Tondela, mas não é seguro ser este o itinerário romano.

    Coimbra (poderia seguir a Via XVI até próximo de Adémia de Cima, rumando daqui para leste ao longo da ribeira de Eiras)
    Eiras (1 légua; travessia da ribeira das Eiras na Ponte Medieval, rua de Sta. Isabel; casais em Ouressa e em Costa)
    Brasfemes (torres veteres num documento de 1165; atravessa o rio Resmungão junto da villa de Lagares e segue pelo Alto de Esculca-Paredes até ao Outeiro do Botão)
    Botão (2 léguas; daqui ruma a nordeste talvez por Monte Redondo, Casqueira até à Ponte da Mata e daqui subia pelo Vale da Estrada até Galhano, 3 léguas, transpondo a Serra do Bussaco pela Portela de St. António do Cântaro)
    St. António do Cântaro, Carvalho (4 léguas; aqui existia desde 1215 um albergue medieval, mas hoje só resta a capela; segue a EM1250 pela Serra do Vidoeiro, passando junto de Lourinhal, Vale das Éguas e Alcordal)
    Galhardo, Cercosa
    Freirigo, Marmeleira (atravessa o ribeiro de Freirigo nas 5 léguas e segue a EM591 por Cotelha)
    Cortegaça (continua pela EM591 por Benfeita, Cortegaça e Vale de Açores)
    Mortágua (atravessa a ribeira de Mortágua e segue por Barril na légua 6)
    Travessia do rio Criz (7 léguas; junto a Breda, mas hoje alterado pela barragem da Aguieira)
    Santa Comba Dão (depois do rio Criz a estrada real ruma a norte por Colmeosa e Couto do Mosteiro, com vestígios da via no Pinhal das Carvalheiras/Pipa, Vila de Barba, onde conflui no CM1560 e segue por Casal de Maria, légua 8, e S. Joaninho, légua 9, embora a via romana pudesse seguir um caminho alternativo pela lomba que divide S. Joaninho de Teixedo, atendendo à referência no ano de 974 à «Via Antiqua»; in PMH DC 114; a via continuaria a poente do habitat do Cadaval e da Qta. dos Lobos/Travanca em Mouraz)
    Tondela (10 léguas; a via poderia seguir entre o povoado romano de Ns. do Castro em Lobão da Beira e o Castro romano de Nandufe, atravessando o rio Dinha para Valverde; possível ligação ao acampamento romano de Ferrreirós do Dão que controlaria a travessia do rio Dão nesse local, entre a confluência do Dinha e do Pavia)
    Canas de Sta. Maria (de Valverde segue próximo da villa de Freixo/Olival Escuro entre Sta. Ovaia de Baixo e de Cima, junto da capela de Sta. Maria Madalena)
    Sabugosa (11 léguas; villa em St. Aleixo; Castro romanizado dos Três Rios em Parada da Gonta; Inscrição rupestre à divindade Peintices)
    Fail (12 léguas; inscrição a Reinticis)
    Vila Chã de Sá
    Repeses (calçada; 4 inscrições votivas provenientes da capela de Sta. Eulália, hoje no Museu Grão Vasco; uma é dedicada à divindade Albucelainco Efficaci; seria um santuário?)
    Viseu (VISSAIUM) (13 léguas desde Coimbra)


    Mapa





    Coimbra (AEMINIUM) - Bobadela (municipium)
    Esta via ligava Coimbra a Bobadela, continuando depois pela vertente ocidental da Serra da Estrela até Celorico da Beira e daqui à capital da civitas Aravorum em Marialva, percorrendo o Vale do rio Mondego por Seia e Gouveia, onde cruzava com a via Viseu - Mérida; de Bobadela também poderia rumar a Espanha em direcção a Ciudad Rodrigo ou Salamanca; esta via era designada por via Colimbriana na Idade Média e corresponde aproximadamente ao trajecto da actual Estrada da Beira ou EN17 pela Ponte da Mucela, esta com possível origem romana; esta via teria importantes ramificações para o rio Alva, com prováveis travessias em Arganil, junto do acampamento romano da Lomba do Canho, e em Coja, onde se encontrou um miliário. Os parcos vestígios não permitem definir um traçado seguro.

    Variante pela Ponte da Mucela/Estrada da Beira (EN17)
    Coimbra (sai pela Porta de Belcouce que seria junto da ponte moderna e rumava a leste ao longo da margem direita do Mondego pela rua da Alegria, antiga Via Longa, rua do Brasil, Arregaça e Vila Franca até Torres do Mondego)
    Travessia do rio Mondego junto à foz do rio Ceira (da ponte segue a EN17, mas pouco depois inflecte para a esquerda pela rua do Correio, continua por Lagoas, Portela de Coimbrão, Alto da Escusa, Carvalho, Portela, Algaça até St. André de Poiares, hoje Vila Nova de Poiares; em alternativa, a travessia do Mondego também poderia ser na Barca do Mondego, a montante da ponte actual, seguindo depois para Portela do Coimbrão, onde conflui com o itinerário anterior)
    Vila Nova de Poiares (provável mutatio a X milhas de Coimbra pois aqui existia um albergue medieval; continua pela EM1541 e EM1246 por Venda Nova)
    Lavegadas (continua por Moura Morta; junto à ribeira de Sabouga há calçada, ponte e vestígios da exploração aluvionar)
    Ponte Romana?-Medieval da Mucela sobre o rio Alva (alguns silhares terão origem romana)
    S. Martinho da Cortiça (segue a EN17 por Poços, Catraia dos Poços, rua da Calçada Romana e Moita da Serra; daqui partia a variante por Coja)
    Carapinha (segue a EN17 por Venda da Serra, Venda do Vale, Venda do Porco e ao km 66 segue à esquerda pela EN230-6 que vai para Covas)
    Ponte Romana de Bobadela sobre o rio de Cavalos (serve ainda a estrada do cemitério; pavimento em betão, mas o arco parece romano)
    Bobadela (civitas)
    • Ligação a Marialva: a via deveria seguir até Marialva pelo vale do rio Mondego na vertente ocidental da Serra da Estrela, passando por Seia e Gouveia. Ver o percurso no Itinerário Marialva-Bobadela
    • Ligação à via Braga-Mérida:, também é provável que existisse uma via de ligação à Via Braga-Mérida que passava na vertente sul da Serra da Estrela, seguindo hipoteticamente por Oliveira do Hospital, Castro de S. Romão em Seia, Manteigas e Valhelhas, onde cruzava com a via para Mérida, podendo daqui seguir rumo a Ciudad Rodrigo e Salamanca.

    Variante por Arganil e Coja
    Também deveria existir uma variante pelo importante Castellum da Lomba do Canho em Secarias, Arganil (importante acampamento militar romano junto do rio Alva; espólio em polémica), seguindo depois para Coja, atendendo ao miliário a Teodósio na Capela da Sra. da Ribeira encontrado em 1967 nas redondezas; a via poderia desviar da variante anterior em Moita da Serra (EN17), seguindo por Avelar até Sarzedo (EN342-4; calçada?), atravessava o rio Alva junto do posto militar na Lomba do Canho e seguia para Arganil e daqui sobe por Portelinha até ao Alto de Travanca, seguindo sempre o alto da serra por Mancelavisa e Alto do Marco (apareceu sigillata na Qta. do Mosteiro, em Folques), Alto do Marco, Alqueve, descendo depois pela Lomba dos Palheiros/Vale Moleiro até Vale de Carro (mutatio?), seguindo depois pela Sra. da Ribeira até Coja, onde atravessava o Rio Alva, ligando depois a Bobadela por Pinheiro da Coja e Covas.
    • Segundo Alarcão, poderia existir uma alternativa por via fluvial ligando Coimbra ao Porto da Raiva (topónimo Vale do Carro), seguindo depois por via terrestre por S. Pedro de Alva, Cruz do Soito e Catraia dos Poços, onde conflui com a variante pela Ponte da Mucela (EN17).

    Rede Viária em torno das Minas de Góis, Lousã e Arganil
    A exploração mineira nestes concelhos deverá estar associada a uma rede viária para escoamento do minério da qual apenas se conhecem parcos vestígios:
    Góis (poderia ser romano o caminho que vem da Lousã pela Portela de Albergaria, atravessa o Ceira em Góis e segue para Arganil e Lomba do Canho, +- EN342)
    Cadafaz, Góis (troço de calçada na Estrada do Pepio e do Sal e na Estrada das Malhadas, ambas nas cumeadas da Serra de Entre-Capelos e Serra das Malhadas)
    Alvares, Góis (minas romanas na Escádia Grande em Roda Cimeira e em Covas dos Ladrões no Alto das Cabeçadas, onde apareceram duas aras dedicadas à divindade indígena Ilurbedae)
    Várzea Grande/Vila Nova do Ceira (calçada no acesso às minas de ouro; calçada no alto da Serra de Sacões, na linha divisória com o concelho da Lousã)

    Via CONIMBRIGA ad COLLIPPO

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    Condeixa-a-Velha (CONIMBRIGA) - Leiria (COLLIPPO)
    Partindo de Conímbriga, a via poderia seguir por Ega até Soure, vicus onde se achou um miliário, atravessando aí o rio Arunca, seguindo depois para Pombal; em alternativa também poderia seguir pela Ponte da Redinha, onde há significativos vestígios romanos, reencontrando a anterior na zona da Pelariga; a saída da cidade fazia-se para norte pelo pórtico junto das «lojas a sul da via», onde existem 2 miliários anepígrafos, seguindo pela rua das Ruínas e depois descendo a Ladeira de Condeixa-a-Velha até ao rio de Mouros que era atravessado na Ponte Romana? da Sancha (só vestígios), continuando depois na margem esquerda pelo estradão de terra por Ladeira até Arrifana, onde se dividia nas duas possíveis variantes descritas abaixo. (Mantas, 1996, Alarcão, 2004; Bernardes, 2007).

    Variante por Soure
    O percurso da via entre Arrifana e Soure continua duvidoso, podendo passar por Ega, cujos vestígios no Largo da Feira de São Martinho, junto da igreja matriz, poderiam corresponder a um vicus, além da existência da villa de Moroiços, ali próximo, seguindo depois a EN342 (Mantas, 1996), mas parece existir um caminho antigo por Serrazina, Rebolia de Baixo, Cascão, cruza o CM1117, continua por Alencarce de Baixo, Casal Mareco, Areias, Pinheiro, entrando em Soure pela capela de St. António (Freitas, 2013).
    Soure (vicus Saurium?) (vicus e provável mutatio junto do Castro de Soure, localizado num sítio estratégico como é a confluência dos rios Arunca e Anços; nas ruínas da Igreja de Ns. de Finisterra junto ao castelo, apareceu um miliário a Caracala já convertido em sarcófago, hoje no Museu Municipal; talvez indicasse a milha IX desde Conímbriga mas hoje é ilegível; o vicus e a mutatio ficariam na Qta. da Madalena; villa da Qta de S. Tomé; a continuação da via ainda não é clara, mas é possível que seguisse a margem esquerda do rio Arunca até Pelariga, onde entronca na variante abaixo rumo a Pombal.

    Variante pela Redinha
    Seguia talvez a rota da EN1 por Presa, Vale do Castelo, Venda Nova, Vale Mouro e Galiana (vicus conhecido por «Cidade» da Roda»), seguindo para a travessia do rio Anços na Ponte Romana?-Medieval da Redinha, continuando depois rumo a Pombal. (pela EN1?).

    Pombal (ainda pouco clara a rede aqui)
    • de Pombal é possível que um caminho romano ligasse ao vicus de Trás-os-Matos, seguindo pela Estrada das Congostas, seguindo pela margem direita do rio Arunca, passando no Alto das Mouriscas, Ponte de Assamassa, acompanhando a ribeira de Valmar até Trás-os-Matos, onde entronca na Via que liga Collippo podendo daqui ligar à Via XVI Braga-Lisboa por Campodónio (Abiúl) e Santiago da Guarda.
    • um outro caminho deveria desviar do anterior, atravessando a ribeira de Valmar em Melga (ou na Ponte de Assamassa) e dirigia-se ao vicus/villa(?) da Igreja de S. Tibério em Farroubal.

    Continuação de Pombal a Leiria
    A via deveria seguir a rota da EN1 para Leiria, mas como não há vestígios nesta rota , mas atendendo aos vestígios existentes também é possível que a travessia do rio Arunca fosse não em Pombal, m depois de tocar Pombal a via seguisse ao longo da margem direita do Rio Arunca por Melga até Pisão, onde faria a travessia do rio para Vermoil.
    Vermoil (a via deveria seguir por Arnal, dado que junto da igreja apareceu uma inscrição funerária, FE145, continuando depois pela rua da Calçada, hoje um estradão de terra que segue pela vertente poente do povoado pré-romano do Outeiro da Calvaria e junto do vicus da Telhada/Lavandeira, onde poderia existir uma mutatio, rumando depois de encontro à EN1 pela Estrada do Bouça até Barracão ou por Colmeias até Boa Vista)
    Barracão (cruza a EN1 e segue para Casal da Quinta, onde atravessa a ribeira de Agudim, próximo do vicus de Covas)
    Boa Vista (pela igreja)
    Leiria (villa de Martim Gil em Marrazes e villa da Ns. das Necessidades em Regueira das Pontes)
    Travessia do rio Lis (continua pela EN543 por Telheiro, Barreira e Andreus)

    S. Sebastião do Freixo (COLLIPPO) (oppidum capital da civitas Collipponense; pouco resta da antiga cidade localizada a sul de Leiria, num local estratégico entre os rios Liz e Lena que permitia controlar as rotas viárias; o espólio recolhido está no MNA e no Museu da Comunidade Concelhia da Batalha inaugurado em 2011, incluindo uma imponente estátua de um magistrado municipal)

    Viae ab COLLIPPO

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    Leiria (COLLIPPO) - Tomar (SEILIUM)
    O itinerário entre estas importantes civitates continua algo inseguro, contemplando duas possíveis variantes, uma passando por Ourém e outra por Caxarias. (Mantas, 1989, 1990 e 1996; Bernardes, 2007)

    S. Sebastião do Freixo (COLLIPPO) (desce a Portelas e atravessa o rio Lis)
    Fontes, Cortes (continua pela Estrada da Camarinhas até Abadia, passando junto da villa? de Camarinhas, rumando depois ao Cabeço da Carapinha pela Sra. do Monte, EM1250-1)
    Chaínça
    Loureira
    Pedrome, Sta. Catarina da Serra (seguiria pela «Estrada Romana» e rua da Estrada Velha até confluir na EN357; pouco depois a estrada deveria bifurcar nas duas variantes abaixo, uma rumando a Ourém por Magueigia e Ulmeiro e outra para Gondemaria)

    Variante por Ourém
    Atouguia (passaria junto da villa de Coinas talvez pela Ponte do Porto do Carro até Moura, onde entronca na estrada principal, continua pela rua da Capela e Ponte romana? de S. Sebastião, junto da capela homónima em ruínas e calçada da Mulher Morta ao povoado)
    Ourém (Castelo Velho, o antigo povoado de Abdegas, atalaia romana; vestígios junto do campo de futebol da Corredoura)

    Variante por Caxarias
    Gondemaria (topónimo Calçada junto do habitat da Achada do Pontão)
    Olival (a via deveria passar junto vestígios entre Moçomodia e Pairia, e da villa junto do Centro de Dia)
    Casais de Abadia, Caxarias (vicus?)
    Caxarias (vestígios no cemitério; provável mutatio em Carrascal; a via talvez seguisse por Cogominho e Vale da Cordela)
    Sta. Maria de Seiça (referência a uma via debaixo da linha férrea (?) em Padrão; necrópole em Pombalinho; alternativa por Sabacheira, atendendo à atalaia em Vinha Velha e à Ponte romana? da Póvoa)
    Carregueiros (talvez pela calçada de Valinhos, Ponte românica de Vale de Carvalho e Ponte «romana» de Casal Ribeiro; topónimo Vale da Carreira; segue para Tomar por Casal das Sortes e Venda da Gaita)
    Tomar (SEILIUM)

    Tomar-Assentiz-Torres Novas
    Algumas pontes ditas «romanas», calçadas e outros vestígios numa região fortemente romanizada, mas cuja rede viária é ainda em grande parte desconhecida.
    • De Tomar deveria existir uma estrada para leste passando na Ponte «romana» dos Frades sobre a ribeira de Cerzedo, junto da Qta. da Anunciada Velha (Madalena) seguindo para Assentiz/Beselga, ligando assim aos castros romanizados do Monte Cividade/Monte de Aparícia (sobranceiro à ribeira da Beselga; inscrição a Fortuna na villa de S. Silvestre de Beselga), Monte de Francos (villa de S. Silvestre junto da igreja matriz; calçada passa na Ponte «romana» sobre a ribeira da Fonte da Longra), Carregueira e Fungalvaz (calçada do ribeiro de Chão de Maçãs ao Castelo; villa ou vicus em Vales de Baixo e de Cima; forno em Casais da Igreja).
    • Outra ligaria ao vicus de S. Pedro de Caldelas (Madalena, Tomar), Porto da Laje e seguindo em direcção a Torres Novas pela Ponte «romana» sobre a ribeira de Pé de Cão (villae em Casal de Soudos, Paraíso/Paraísas e Alto da Qta. de S. Brás em Vargas, Paço), Olaia (vicus?), Valhelhas (calçada junto do cemitério) e Gateiras, onde entronca na variante da Via XVI Braga-Lisboa por Torres Novas, ou seguir pelo Alto das Pretas, Alcorriol e Sentieiras até entroncar nas anteriores em Casal Bom.
    • Outros vestígios na região de Torres Novas:
      Lapas (villae na Qta. da Silvã, Qta. de S. Brás em Baralhas; ponte «romana» de Pimentéis), Chancelaria (villa da Mata/Malhada, junto à ribeira do Mortal), Riachos (oppidum romanizado em Castelo Velho) e Lameiranche (Parceiros de Igreja) (Silva, 1988; Ponte, 1995).


    Mapa





    Leiria (COLLIPPO) - Santarém (SCALLABIS)
    Deveria existir uma ligação entre estas duas importantes civitates mas para já os traçados propostos são meramente hipotéticos. Uma alternativa passa no importante troço de calçada em Alqueidão da Serra e a outra passa por Porto de Mós e na Ponte de Alcanede com possível origem romana. (Mantas, 1989, 1990 e 1996; Bernardes, 2007)

    Variante por Alqueidão da Serra:
    S. Sebastião do Freixo (COLLIPPO) (seguia talvez por Garruchas e Perulhal)
    Alqueidão da Serra (vinha pelo «Caminho Velho», cruzava a povoação pela rua A-do-Ferreiro e da Carreirancha, topónimo «Carreiras», até ao parque de merendas, onde começa o importante troço de calçada com cerca de 300 m formado por seixos dispostos em espinha que será já uma reparação medieval que seguia depois encosta acima até confluir na estrada actual, podendo bifurcar pouco depois, seguindo um ramo por Bouceiros, Boi Galego e depois pelo Vale de Ourém para Tomar, e outro ramo seguia para sul por Barrenta rumo a Santarém, mas para já são meras hipóteses)
    • poderia rumar a Torres Novas por Valongo, Vale de Barreiras e Grouxaria continuando depois até à travessia do Tejo em Tancos.
    • ou rumar a Chões de Alpompé, porto fluvial do Rio Tejo, talvez Moron.
    • ou ainda rumar a Santarém por Minde (albergaria medieval; atravessa a Serra de Minde), Alcanena, Pernes e Achete (Ad Septimum?, pois está a 7 milhas de Santarém), passando na Calçada de S. Domingos (necrópole) e entrando na cidade pela antiga Porta de Leiria.

    Variante por Porto de Mós:
    S. Sebastião do Freixo (COLLIPPO) (do oppidum rumava a sul por Rebolaria e Crasto, percurso comum com a via para Óbidos, mas em vez de atravessar o rio Lena na Batalha, esta via continuava aproximadamente pela Estrada da Freiria/EN362 que percorre a margem direita do rio Lena, passando em Catraia das Brancas (igreja), desviando desta pela rua da Qta. do Pinheiro e Rua da Minas das Borrageiras, onde toma o estradão em terra que vai cruzar a ribeira das Alcanadas na Ponte do Coito, conhecida por «Rua Romana», passa a asfalto e segue para Lameiros, continua pela rua Romana, passando junto da Ermida de St. Estevão da Fonte do Oleiro, perto da qual apareceram 3 inscrições, a placa monumental de Arconis e a lápide funerária que estão no Museu de Porto de Mós e a estela com o epitáfio da filha de Silvanus que está cravado no solo junto da capela), cruza a Rua do Nicolau e toma o estradão em terra, atravessa a ribeira da Freixa e cruza o IC9 rumo à Qta. de Sta. Luzia, onde reencontra a EN362, seguindo por esta até Porto de Mós)
    Porto de Mós (nó viário; ara votiva de Aufidia Rustica; 3 estelas funerárias reaproveitadas no castelo)
    • daqui poderia rumar a sudeste, em direcção ao Vale do Tejo, seguindo pela depressão de Alvados rumo a Santarém, também conhecida por «Estrada da Cal»; seguia algures por Livramento, Zambujal de Alcaria e Alvados, marginando o vicus de Moinhos de Vento/ Pragais.
    • ou rumar a sul, sepenteando a EN362 por Ribeira de Cima e Manhosa (provável vicus em torno da capela da Ns. do Desterro; epitáfio de Cabura, FE81), cruza a EN362 e segue o estradão de terra na encosta de Pragais até reunir novamente com a mesma EN, continua por Serro Ventoso (albergaria medieval), no cemitário toma o estradão de terra para Mato Velho e retoma a EN até Mendiga (outra albergaria medieval); continua por Valverde e Mosteiros até à Ponte Romana?-Medieval de Alcanede sobre o rio Nede, seguindo depois por Tremês e Romeira até Santarém ou por Fráguas em direcção a Rio Maior (EN361).


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    Leiria (COLLIPPO) - Óbidos (EBUROBRITTIUM)
    A via romana que ligava Collippo a Eburobrittium começa agora a ficar mais consolidada, mas grande parte do percurso é ainda conjectural. A via deveria seguir pela antiga linha de costa que ao tempo romano era bem mais para o interior, marginando a extinta Lagoa da Pederneira, em direcção a Alfeizerão pois aí foi encontrado um miliário dedicado a Adriano que está hoje numa casa particular e do qual existe uma cópia em gesso no Museu Dr. Joaquim Manso na Nazaré; segundo a Assoc. de Amigos de Alfeizerão (AMIALFA) este miliário estaria no sítio das Ramalheiras e não na aldeia de Ramalhiça, como indica Vasco Mantas (1986). Depois de Alfeizerão, a via dirigia-se a Eburobrittium, cidade mencionada por Ptolomeu no seu «Geographia», mas que só viria a ser descoberta em 1994 durante as obras de construção da A8. A anterior localização do oppidum em Amoreira proposta de Alarcão (1988) ficou assim descartada. (Alarcão, 1988; Mantas, 1986, 1990 e 1996).

    Freixo (COLLIPPO), Leiria (a via continuava pelo vale até Rebolaria/Forneiros, onde cruza o rio Lena, junto do povoado pré-romano do Crasto)
    Batalha (ver inscrição funerária de Forneiros no Museu da Comunidade Concelhia da Batalha; epitáfio de um Collipponense; continua paralela à EN1 e EN8, passando em S. Jorge, Moitalina, Cruz da Légua, Albergaria, Cumeira de Cima e de Baixo)
    Aljubarrota (sai pela EN8 e desvia pouco depois pela rua Dona Maria para Riba Fria, conhecida por «Estrada de D. Maria», continuando em terra pelo interior da Qta. das Inglesas e Qta. Nova até Alcobaça; em alternativa poderia seguir pela «Carreira Velha» que serve o importante sítio romano de Carvalhal)

    Alcobaça (provável mansio a cerca de 15 milhas de Collippo e a 19 milhas de Eburobrittium; a travessia do rio Alcoa poderia ser junto às Termas da Piedade)
    • Ligação a Santarém e Alenquer por Rio Maior:
      De Alcobaça poderia rumar a Rio Maior passando por Évora de Alcobaça e Turquel, locais romanizados, Alto da Serra ("Casa da Muda", antiga malaposta da estrada real), Freiria, Rio Maior (Villa Romana junto do cemitério; espólio na Galeria Municipal; vestígios a poente no lugar de Bocas, a norte nos vários Casais de Cidral perto da Fonte da Bica e a sul no lugar das Boiças), atravessava o rio e seguia para leste rumo a Santarém ou para sul rumo a Alenquer passando por Espinhaço de Cão.
    • Ligação Rio Maior-Cadaval; alguns vestígios romanos levantam a hipótese de uma via N-S passando em Alguber e na Ponte Velha sobre o rio Arnóia (calçada; villa (?) na Qta. do Cidral), Qta. de St. António (onde cruza com a via Óbidos-Rio Tejo), seguindo depois próximo da villa de Borjigas e da Qta. de S. Lourenço (cipo funerário na capela, FE293) até Lamas (Cadaval), onde entronca na via Eburobrittium - Olisipo.
    Troço de Alcobaça a Alfeizerão rumo a Eburobrittium, com duas alternativas:
    • Rumar directo a Alfeizerão por Vestiaria, Cela e Alto do Facho porque apesar de não existirem vestígios, este caminho é mais curto e menos acidentado que a alternativa por Rebolo descrita abaixo.
    • Continuar junto à antiga linha de costa, próximo da villa de Parreitas, sobranceira à antiga Lagoa da Pederneira, em Bárrio (espólio na JF), seguindo a lagoa por Cela Velha (calçada), Cabeço da Arieira, Mata da Torre, Rebolo (cipo funerário) e Macarca de Cima já na freguesia de Famalicão. Ver o importante sítio romano na Igreja visigótica de S. Gião ainda em estudo.
    Alfeizerão (porto romano?; a via passa a leste em Ramalhiça, onde se acharam dois miliários, sendo um deles o miliário a Adriano; villa em Casal do Pardo)
    Vale de Maceira (a leste, talvez por Mosqueiros, Casal da Venda e Casal do Oliveira)
    Salir de Matos (provável villa em St. Amaro; epitáfio da Collipponense Sulpicia)
    Travessia do rio Tornada para Casais da Ponte (epitáfio de Marcus Balbus; epitáfio de Terência em Reguengo de Parada, FE170)
    Caldas da Rainha (algures a leste da cidade)

    Óbidos (EBUROBRITTIUM) (o que resta hoje desta importante cidade romana situa-se na encosta sobranceira ao Santuário do Sr. Jesus da Pedra, antiga Qta. das Flores, actual Qta. das Janelas na freguesia de Gaeiras)
    • Ligação a Santarém: deveria existir uma ligação entre Eburobrittium e Scallabis passando por Cercal (Cadaval); na sua parte inicial, a via tanto poderia seguir comum à via para Olisipo até Lamas (Cadaval), rumando aqui para o Cercal, ou seguir um caminho independente por Usseira, Salgueiro, Barrocalva, Palhoça, Qta. de St. António e Cercal (povoado em S. Salvador); reunidas em Cercal, a via dirigia-se para Santarém talvez por Manique (por Arrifana e Albergaria?; provável ligação a Pontével), Almoster (a sul por Atalaia?; provável ligação ao Cartaxo), seguindo talvez para a Ponte do Celeiro sobre a Vala de Asseca e daqui a Santarém pela Calçada de S. Domingos.
    • Ligação ao rio Tejo: hipotética ligação de Eburobrittium à travessia do Tejo em Escaroupim, desviando da anterior em Cercal e seguindo para SE por Alcoentre e Aveiras de Cima, onde cruza com a VIA XVI, Aveiras de Baixo (villa), Qta. do Alqueidão e Reguengo, onde fazia a travessia do rio. (Costa, 2010)

    Via EBUROBRITTIUM ad OLISIPO

    Mapa













    Óbidos (EBUROBRITTIUM) - Lisboa (OLISIPO)
    Continuação da via romana Conímbriga-Lisboa atravessando os concelhos de Óbidos, Alcobaça, Mafra e Sintra; partindo de Eburobrittium, a via continuava para sul por trajecto ainda incerto; é muito provável que a via seguisse pelo Cadaval, traçado que corresponde grosso-modo à EN114 e EN8, podendo existir um diverticulum para leste em direcção a Santarém e ao rio Tejo. (Ver Byrne, 1993; Mantas, 1996; Dias, Rodrigues e Magalhães, 1997; Moreira, 2002; Costa, 2010)

    Óbidos (Eburobrittium) (ver mapa; partindo do centro urbano na Qta. das Janelas, segue debaixo da A8 para ir atravessar o rio Arnóia junto da Qta. do Pego, continua por Casal da Coxa, cruza a EN114 ao km 85 e passa no sopé de Óbidos pela rua de D. João de Ornelas (junto à muralha), seguindo depois pela Qta. do Jardim, onde há registo de calçada)
    A-da-Gorda (daqui partiria um acesso aos vestígios na Qta. da Ferraria e na Qta. das Várzeas; continua sempre recto pela EN114 até encostar ao nó de acesso à A8 que destruiu o antigo caminho que seguia entre a A8 e a EN8, existindo ainda vestígios da calçada; hoje é preciso seguir pelo estradão de terra que passa debaixo da A8 até reencontrar o caminho ao entroncar na EN8, onde também apareceram vestígios da calçada)
    S. Mamede, Bombarral (daqui partia uma ligação à villa da Columbeira cujo espólio está no Museu Municipal; seguia sempre pela EN8, passando junto à villa romana de S. Mamede, entre o km 80 e 79, junto do campo de futebol e na base do Castro do Alto da Raposa (seria uma mutatio?); depois continua paralela ao rio Real e linha férrea indo atravessar o Rio Bogofa em Sobral de Parelhão, rumando depois ao Cadaval por Vale de Canada, Alto do Bacalhau e Qta. da Padroeira)
    Cadaval (o Museu Municipal guarda o espólio da villa de Borjigas, da villa de Cidral e uma ara dedicada a Marco Aurélio; Castro romanizado de S. Salvador; cipo funerário da capela da Qta. de S. Lourenço; a via deveria seguir pela vertente poente da Serra de Montejunto por Chão de Sapo)
    S. Tomás de Lamas (aqui apareceu uma ara dedicada a Caracala; atravessa o rio Real e seguiria talvez por Ventosa, Palhais, Vilar, passa em S. Martinho, a leste de Aldeia Grande e Maxial, continuando ao longo da margem esquerda do rio Alcabrichel por Lobagueira, Monte Redondo, Matacães do Juncal, passando assim a leste de Torres Vedras; inscrição com o epitáfio de Decia Avita embutida na parede sul da igreja paroquial de Matacães, talvez proveniente da necrópole da Moirinha, 200 m a poente)

    Torres Vedras (CHRETINA que Ptolomeu coloca a 50 km de Olisipo, ainda no território do municipium Olisiponense, não seria longe daqui, podendo corresponder aos vestígios encontrados na área da Qta. da Macheia/Machêa, Qta. do Juncal e Termas Romanas dos Cucos; várias necrópoles e inscrições funerárias)
    • Ligação de Torres Vedras a Alenquer: deveria existir uma ligação entre Chretina e Ierabriga, ligando assim a Via Conímbriga-Lisboa à Via Braga-Lisboa, seguindo da zona da Qta. da Macheia para poente e passando na Serra de S. Julião (villa?; na fachada principal da capela existe um epitáfio de Laberiae Avite, FE306), continuando depois por Merceana (epitáfio de Lucretia Doqira, FE414), Aldeia Gavinha e ao longo do rio Alenquer até Ierabriga (Mantas, 2002; Costa, 2010).

    Dois Portos (da Quinta da Macheia, a leste de Torres Vedras a via continuava para Dois Portos ao longo da margem direita do rio Sizandro, passando junto da villa de Penedo)
    • Ligação de Dois Portos a Alenquer, pela linha de festo que separa os afluentes da bacia hidrográfica do Rio de Alenquer e do Rio Grande da Pipa; partindo de Dois Portos, segue pelo Alto de Aire, Alto da Folgorosa, Sra. dos Milagres, Chãos, Freiria, entra na EN115-3 e segue para Calçada, Casal Sta. Eufémia, e pouco depois sai da estrada e desce à ribeira de Santana da Carnota pela calçada a oeste do casal em Vale de Reis, continua a leste de Pipa por Casal Novo, Qta. do Outeiro e Qta. do Chafariz, entra na CM1121 até Cabeços, toma a EM523 que passa próximo dos sítios romanos do Casal dos Cabeços, Monte do Alforges e Venda/Alto da Cabreira, onde sai da estrada, e segue o caminho por Casal da Choça e Qta. do Brandão directo à mansio Ierabriga no lugar de Paredes, junto da margem direita do rio Alenquer. (Mantas, 2002; Costa, 2010).
    • Ligação de Dois Portos ao rio Tejo: é provável que daqui partisse uma ligação directa ao Rio Tejo para escoamento dos produtos da região, passando em Aranhó (Castelo/Forte do Passo), Santiago dos Velhos (Casal Novo) e Calhandriz (Casal Velho), onde há referências a um miliário, e finalmente Alverca, onde entronca na Via Bracara - Olisipo. (Costa, 2010)

    Continuação para Lisboa:
    A continuação da via para Lisboa a partir de Dois Portos poderia seguir aproximadamente a EN374 pelo Vale de S. Gião em direcção ao Milharado, seguindo ao longo da margem direita do rio Sizandro por Feliteira, Gosundeira, Perna de Pau (Casal da Estrada), Sapataria e Milharado, continuando depois a poente do Cabeço de Montachique até S. Julião do Tojal onde Loures, entronca na via proveniente de Santarém que seguia para Lisboa, ou seja, o Itinerário XVI de Antonino (Mantas, 1996).

    Variantes de Via Óbidos - Lisboa pelo litoral:
    A linha de costa na antiguidade seguia por Ferrel (Lajido e Cruz das Almas) e Atouguia da Baleia (por Burnela, Porto Salgado, Porto dos Lobos, Alcoentras e Consolação), sendo que Papoa, Baleal e Peniche eram ilhas junto da costa na época romana com a função de entrepostos de apoio ao comércio marítimo. Em Peniche existia uma olaria para fabrico de ânforas da marca L ARVENI RVSTICI com vestígios dos fornos no Morraçal da Ajuda e ainda outros vestígios em torno da Igreja de Nossa Senhora da Ajuda e dos edifícios na rua da Liberdade certamente relacionados com essa função de entreposto; o mesmo se passa com os vestígios encontrados na Ilha de Berlengas, antiga Londobris; desse modo é quase certo que existia uma ligação entre Eburobrittium e o seu porto marítimo em Atouguia da Baleia, seguindo depois a antiga linha de costa até Chretina, talvez Torres Vedras; do mesmo modo também é possível que existisse uma variante da Via Torres Vedras-Lisboa pelo litoral, começando por ligar Chretina ao mar, seguindo depois para sul em direcção a dois importantes sítios romanos, a villa de S. Miguel de Odrinhas e o vicus de Faião com enorme importância no contexto do território Olisiponense e outra das possíveis localizações de Chretina.

    de Óbidos a Torres Vedras pela antiga linha de costa
    Óbidos (talvez por Pinhal e Sobral da Lagoa)
    Amoreira de Óbidos (vicus ou villa na Igreja da Sra. de Abobriz, onde apareceu o epitáfio de Maximinus, duúnviro de Eburobrittium e uma placa funerária ao deuses Manes; segue por Casais da Ladeira, continuando pelo caminho carreteiro que atravessa a Serra d'El Rei até Reinaldos e Casal das Figueiras)
    Atouguia da Baleia (o porto romano de Eburobrittium poderia ser em Porto de Lobos ou em Porto Salgado)
    Travessia do rio Toxofal, antigo rio Gaia (junto à villa de Caio Júlio Lauro na Qta. da Moita Longa)
    Miragaia, Lourinhã (aras funerárias na igreja matriz)
    Ribeira de Palheiros, Campelos (atravessa o rio Grande e segue por Casais dos Carvalhos)
    Ramalhal (lápide de Ferrarias em Vila Facaia; atravessa o rio Alcabrichel e segue por Ameal, Sarge e Ordasqueira)
    Torres Vedras (entroncaria na via principal que passa a leste da cidade ou poderia atravessar o rio Sizandro e continuar pela margem esquerda próximo do sítio romano da Qta. da Porticheira/Portucheira (duas estelas funerárias; villa?) e na base do povoado romanizado da Sra. do Socorro, passando por Louriceira (estela funerária) e seguindo até Runa (necrópole na Qta. da Pederneira e no Casal Bucículos, próximo de Figueiredo), separada da villa de Penedo pelo Sizandro e onde passava a via principal para Lisboa; também poderia existir uma ligação à foz do Sizandro atendendo aos vestígios em torno da Ermida de Sta. Helena em Sta. Cruz, Silveira; necrópole, cupa epigrafada, lápide funerária)

    de Torres Vedras a Lisboa pela costa
    Partindo de Torres Vedras, seguia para oeste ao longo da margem direita do rio Sizandro, passando na villa da Qta. de São Gião d'Entre as Vinhas (antes de Fonte Grada, cupa, 2 cipos funerários e lápides romanas na ermida) até Coutada, atravessando aqui o rio Sizandro para São Pedro da Cadeira (villa junto à capela de Ns. da Cátedra em Formigal, provável origem das 3 inscrições que estão na ermida), continuando por Encarnação, S. Domingos da Fanga da Fé (Casal da Estrada), onde atravessa o rio Safarujo e segue até Paço das Ilhas (calçada com 100 m e Ponte no lugar do Crato sobre o rio do Cuco), até ao rio Lizandro, o provável limite norte do território Olisiponense passando assim a poente de Mafra (Mantas, 2000).
    • Possível variante por Mafra, passando em Achada e Sobreiro, seguindo depois rumo à Ponte Romana?-Medieval de Cheleiros, continuando junto da villa de Rebanque até Montelavar, onde reencontra o itinerário principal.
    Ericeira (porto romano?; a via passaria a leste, talvez pelo Alto da Carrasqueira, Alto dos Leitões e Lapa da Serra, descendo ao rio Lizandro pelo caminho do cemitério)
    Ponte Romana?-Medieval da Carvoeira sobre o rio Lizandro (junto da Igreja da Sra. do Ó do Porto; villa em Pernigem)
    Carvoeira (segue a EN549 e passa na Igreja de St. António e segue pela EN247 pelo Alto do Cabeço do Marco e Alto do Arneiro rumo a Odrinhas)


    S. Miguel de Odrinhas, S. João das Lampas (importante villa junto do Museu Arqueológico de Odrinhas que reúne o imenso espólio epigráfico do Concelho de Sintra provenientes de Odrinhas, Faião, Cabrela, Funchal, Almorquim, e das villae do litoral constituindo uma das maiores colecções de epigrafia romana no mundo; a calçada para Faião parte da capela pelo estradão de terra que ruma a sudeste, entronca na EM1204 que segue por 300 m, seguindo depois à direita pelo estradão designado por rua do norte que segue até Faião)
    Faião (provável vicus em Pedrões; necrópole em Currais Velhos)
    Cabrela (calçada)
    Ponte Romana?-Medieval sobre a ribeira de Cabrela
    Montelavar (albergaria medieval; vestígios de pedreiras; villa em Barros do Casal Silvério)
    Pêro Pinheiro (vestígios da via junto da villa da Granja dos Serrões, onde apareceu uma ara a Júpiter colocada por Iulius Maelo, estela funerária de Rufus e lápide com duplo epitáfio; mais vestígios em Casal das Vivas e Lameiras, onde apareceu outra inscrição; continua por Palmeiros, Sabugo, atravessa a ribeira de Jarda junto da villa da Granja de Santa Cruz, onde há vestígios da via, seguindo depois para Carregueira)
    Belas (Barragem Romana junto à ribeira de Carenque que abastecia Lisboa pelo Aqueduto Romano em Mina; calçada desaparecida em Machado/Rio do Porto; troço de calçada com cerca de 600 m entre a ribeira do Jamor e o pórtico quinhentista da Quinta do Bom Jardim em Venda Seca; mina romana do Monte Suímo)
    Falagueira, Amadora (villa da Qta. da Bolacha a lado do Lidl e respectiva necrópole no Moinho do Castelinho; espólio no Núcleo Museográfico do Casal da Falagueira)
    Lisboa (OLISIPO)

    Ligações em torno de Sintra
    Hipotéticas ligações entre as muitas villae romanas que pontuavam a paisagem dos actuais concelhos de Sintra e Cascais.
    • de Sintra a Belas e Caxias, De Sintra partiria uma via para SE passando na necrópole da rua da Ferraria, Calçada dos Clérigos e Calçada da Penalva/Trindade, (villa de «Corrais do Chão») seguindo até à Ponte «romana» de Albarraque em Rio de Mouro, podendo continuar para Belas ou rumar para sul em direcção ao rio Tejo em Oeiras, passando junto do vicus da Pedreira Romana de Colaride e da villa de São Marcos, entrando no concelho de Oeiras por Porto Salvo, passando próximo de Casal de Cabanas, S. Miguel, da villa de Leião e das necrópoles de Sol Avesso e do Alto da Peça Vinagre em Cacilhas (lápide de Maria Boutia); em Oeiras existia uma villa romana atestada pelo mosaico romano achado na rua das Alcássimas e respectiva necrópole em Junção do Bem, antiga Qta. da Costa; em Caxias existia uma necrópole em Laveiras (2 incrições funerárias, sendo uma a lápide de Flavius Quadratus, aquilífero da II Legião) e ânforas na praia; ver espólio arqueológico do concelho de Oeiras na Fábrica da Pólvora em Barcarena, em particular relativo ao importante povoado pré-histórico de Leceia.
    • de Belas a Lisboa, poderia existir uma continuação da anterior até Lisboa, seguindo por S. Domingos de Benfica e pelas faldas da Serra de Monsanto até entroncar na Via XVI algures na zona de Andaluz ou Entre-campos (Banha da Silva, 2009).
    • de Sintra a Colares, seguindo algures por Galamares (o desaparecido epitáfio de Variano, CIL II 322 e o redescoberto epitáfio de Atílio Marciano na Qta. de S. João, CIL II 289) e Mucifal (estação na Qta. da Areia e villa no «Lugar do Mercador»), Ponte «romana» da Várzea de Baixo, Colares (templo romano; lápide votiva ao Sol e a Lua na ermida da Sra. de Milides; epitáfio de Celsus; epitáfio de Terencia no Cruzeiro de Santo André de Colares; epitáfio de Maximus; Lacerda, 1838).
    • Praia das Maçãs, o povoamento romano na região de Sintra culminava no Santuário do «Sol e da Lua» junto da Praia das Maçãs, definindo o limite do mundo conhecido até então; necrópole da «Ilha» no Pinhal da Nazaré, indicia uma ligação de Colares a Maçãs.
    • Almoçageme: existência de calçada entre Colares e a villa de Santo André de Almoçageme passando na Qta. do Corvo.
    • outros sítios romanos em Sintra e Cascais
      deveria existir uma rede viária de apoio ao intenso povoamento do território de Olisipo relacionada com exploração agrícola mas o recente crescimento urbano torna quase impossível o seu reconhecimento no terreno; restam os vestígios desse povoamento:
      Almargem do Bispo (villa em Casal do Rebolo).
      Alcabideche (villae no Alto da Cidreira e Vilares; inscrição dedicada a Araco Arantoniceo num muro da destruída capela de S. Paulo em Carrascal de Manique de Baixo, hoje no Museu dos Condes Castro Guimarães em Cascais; a colecção está armazenada, esperando melhores dias!)
      Areia (Povoado de Casais Velhos, junto ao Parque de Campismo do Guincho).
      São Domingos de Rana (villae em Freiria, onde se achou uma ara votiva dedicada à divindade Triborunnis, Outeiro de Polima, Mirouços, Casal do Clérigo, Pedrões e Caparide, onde apareceu o inscrição AVGVS ET / HERMES DEAE/ MAGISTRI/ DONVM)

    Via CONIMBRIGA ad IGAEDIS et AMMAIA

    Mapa

















    Condeixa-a-Velha (CONIMBRIGA) a Alvega (ARITIUM VETUS) / Aramenha (AMMAIA) / Idanha-a-Velha (IGAEDIS)
    Vias secundárias que ligavam Conímbriga ao interior da Lusitânia, seguindo rumo a Igaedis por Castelo Branco, rumo Ammaia atravessando o rio Tejo na Barca da Amieira ou no Castelo de Belver, e finalmente ligando a Aritium Vetus, atravessando o rio Tejo na Ponte Romana "acima d'Abrantes" conforme a referência de Francisco d'Holanda, entroncando assim na Via XV Lisboa-Mérida; na sua parte inicial, estas vias seriam comuns à Via XVI Braga-Lisboa, inflectindo para leste para ir atravessar o rio Zêzere em diversos pontos; o primeiro desses pontos seria na Ponte Romana do Cabril, em Pedrogão Grande que seria na época a única travessia do rio Zêzere por ponte, continuando pela Sertã e Ponte Romana?-Medieval dos Três Concelhos; pouco depois da ponte a via bifurcava, seguindo um ramo para Aritium Vetus por Amêndoa e Ortiga, enquanto a via para Ammaia seguia para sudeste em direcção à travessia do rio Tejo na Barca da Amieira; mas muitos outros percursos parecem ter origem romana, com uma segunda travessia do Zêzere em Martinelo, onde Vasco Mantas achou um possível miliário, seguindo depois por Vila de Rei e Mação rumo à travessia do Tejo junto do Castelo de Belver, ligando daqui quer a Aritium Vetus quer a Ammaia; a terceira travessia do Zêzere seria em Bairrada/Porto Caíns junto à Foz do Codes, dirigindo-se depois para o vicus de Mouriscas, onde se achou uma base de miliário; outros vestígios, como uma base de miliário em Vale do Grou e possíveis fustes de miliários em Sra. da Graça (Valhascos), indiciam uma rede complexa de caminhos secundários na região entre os rios Zêzere, Tejo e Ocreza (ver Batata, 2006).

    Conimbriga - Aritium Vetus pela Ponte do Cabril (V1 e V4a in Batata, 2006)
    Desviando da Via XVI Braga-Lisboa talvez em Avelar (Ansião), inflectia para nascente eventualmente pela Ponte da Ribeira de Alge (villa em Olival) e Aldeia de Ana de Avis (EN237).
    Figueiró dos Vinhos (talvez pelo Cabeço de Pais e Mó/EN350, descendo por S. Vicente à ribeira de Pera)
    Pedrogão Grande (vicus; após a travessia da ribeira de Pera, a via principal seguia pela EN350 até ao Km 84, onde iniciava a descida ao Zêzere pelo caminho que rodeia o Povoado da Ns. dos Milagres que controlava a passagem da via; da ribeira partia também uma calçada passando por Valada que dava acesso ao vicus e possível mansio no centro de Pedrogão, ocupando a área do Jardim da Devesa com vestígios em torno da capela do Calvário; forno no Cabeço da Cotovia)
    Ponte Romana do Cabril sobre rio Zêzere (ficava 50 m a jusante da Ponte Filipina, debaixo da ponte moderna na IC8; hoje está submersa, mas os contrafortes ainda eram visíveis na última fotografia de 1985; Batata, 2006; da ponte ascendia pelo caminho em zig-zag)
    Pedrogão Pequeno (continua pela rua Cabril e EN2 até ao cemitério, perto do qual apareceram silhares romanos na extinta capela da Ns. das Águas Férreas, possivelmente de um pequeno templo ali próximo que estaria no cruzamento com um possível diverticulum para o Castro da Ns. da Confiança com base no troço em calçada que parte do cemitério, a chamada a Estrada da Cova que atravessa a ribeira dos Porteleiros; mais a norte, numa casa em Roqueiro apareceu uma ara a Nábia, hoje no MNA; a via principal seguia para a Sertã talvez pelo Alto da Cruz do Peneireiro, Casal Novo, Alto de Viseu e Serra de S. Domingos, entroncando na EM1101 que vai atravessar a ribeira de Amioso em Valado)
    Sertã (Sartago?) (tambores de coluna e capitel em Abegoria/Mata Velha, relativos um provável vicus ou mutatio)
    Ponte Romana?-Filipina da Carvalha sobre a ribeira da Sertã (o topónimo «Vale da Carreira» sugere que a via continuava por Portelinha, Venda da Pedra, Junceda e Albergaria)
    Cumeada (cruza a EN2 e desce à Ponte da Cova do Moinho sobre a ribeira da Tamolha, sobe até Catraia, cruza a EN244)
    Marmeleiro (na povoação, toma o «Caminho da Ponte» pela Serra da Longra e desce ao Isna)
    Ponte Romana?-Medieval dos Três Concelhos sobre a ribeira da Isna (a partir da ponte, a via seguia por calçada ainda observada por Mário Saa até Portela de Colos, caminho que ainda hoje serve de linha divisória entre os distritos de Santarém e Castelo Branco, continuando por Algar e Várzeas, junto do Poço Caldeiro, onde cruza a ribeira de Bostelim/EN244 e segue por Tinfaneiros capela de Sta. Madalena)
    Amêndoa (possível mansio na base do Castro romanizado de S. Miguel, junto da Fonte de Mouros/Coutada, no cruzamento com a via W-E que segue para Cardigos passando na calçada de Cabeceiros em Pracana da Ribeira; a via continua para sul por Amêndoa, Fonte de Amêndoa, Chão de Lopes Pequeno, Aboboreira e Penhascoso)
    Ortiga
    Ponte Romana sobre o rio Tejo (ponte referida por Francisco d'Holanda, hoje desconhecida)
    Casal da Várzea, Alvega (Aritium Vetus).

    Conimbriga - Ammaia pela Barca da Amieira (V1 in Batata, 2006)
    O itinerário proposto é idêntico ao anterior, derivando para sudeste em Portela de Colos, logo após a Ponte dos Três Concelhos, seguindo por Cardigos, Vale da Mua e Envendos para ir atravessar o rio Tejo na Barca da Amieira, de onde acedia a Ammaia (rumo a Augusta Emerita) ou a Valencia de Alcântara (rumo a Norba Caesarina, Cáceres). No entanto parece também existir um outro eixo viário, derivando da anterior na base do Castro de S. Miguel em Amêndoa (na provável mansio junto da Fonte da Moura/Coutada), seguindo depois pelo vicus de Vale do Grou também rumo à barca da Amieira. Na primeira hipótese, a via seguia para nascente por Casas da Ribeira (inscrição), atravessa a ribeira de Bostelim e segue por Corujeira, Cardigos (por Chão do Pião, onde se achou uma inscrição funerária), Lameirancha, Sarnadas e A Moradeira, na base do Castelo Santo, Freixoeirinho e Capela (possível ligação à Ponte de Pracana com base numa inscrição achada em Feiteira, o epitáfio do Cluniense Caius Sempronius, e nas duas inscrições votivas achadas em Galega, na villa? da Sra. da Moita, uma delas a Júpiter), Carvoeiro, Vale da Mua (referência viária; vestígios em Vale Bom, Casal e A Tapada), Envendos (onde cruza com o Itinerário Alvega-Castelo Branco), descendo por S. José da Matas até à Barca da Amieira onde atravessava o Tejo, continuando por Amieira, Arez (mina da Laje da Prata), Alpalhão (pelo cemitério de S. Sebastião), Castelo de Vide e finalmente Ammaia.

      Variante Amêndoa - Barca da Amieira (V1b in Batata, 2006)
      via referida na Doação da Guidimtesta de 1194, seguindo por Fonte de Amêndoa, Chão de Lopes Pequeno, Castelo (calçada em Alicerces), Castelo Velho do Caratão, Ribeira de Aziral, Vale do Grou (vicus; cruza a V5; calçada e uma base de um possível miliário, hoje no Museu de Mação), Vilar de Mó (duas inscrições votivas na Igreja de S. João Evangelista, uma dedicada aos Bannei Picio, RAP 35, e outra colocada por Caeno Matsi, ambas no Museu de Mação), rumo à travessia do rio Tejo na Barca da Amieira.

      Variante da Barca da Amieira a Valencia de Alcántara por Nisa: poderia existir uma derivação em Amieira pela Ponte Romana?-Medieval de Vila Flor sobre a ribeira de Figueiró (habitat em Cabeças), passando próximo de Albarrol, onde há achados significativos (habitat na aldeia, uma estela com o epitáfio de Tongeta na Horta do Vale, hoje no Museu da Misericórdia de Nisa, e uma ara na Tapada da Fonte do Negro, hoje em posse de um particular em Arez), seguindo depois por Nisa (Monte da Francisquinha) rumo a Póvoa e Meadas (próximo da EN525-1 que passa nos altos da Bruceira e do Poio e atravessa a ribeira de Nisa para o Monte das Chãs), seguindo depois o caminho que divide os concelho de Nisa e Castelo de Vide, passando na Tapada do Pai Anes (ara votiva de um possível santuário, hoje no MNA), e a sul da villa dos Mosteiros em Mata da Póvoa), marginando depois a villa e represa da Tapada Grande (epitáfio de Boutia e ara votiva), villa da Torre do Azinhal e o vicus do Monte Velho, seguindo depois para a travessia do rio Sever junto da villa da Herdade dos Pombais cujo espólio está no Museu Municipal do Marvão (estela funerária do Ammaiensi Lovesio em Vale do Cano) rumando daqui a Valencia de Alcántara e a Norba Caesarina, a actual Cáceres (Monteiro, 2011).

    Conimbriga - Ammaia por Martinelo (V4 in Batata, 2006)
    Com base num fragmento de um miliário anepígrafo identificado por Vasco Mantas em Martinelo (hoje no Museu Arqueológico de Santarém), deveria existir aí uma travessia do rio Zêzere para Alcamim, junto da Foz do Isna, evitando assim a travessia desta ribeira; esta via seria também uma derivação da Via XVI Braga-Lisboa na zona de Alvaiázere, passando próximo da villa de Sandoeira e no sopé do Castro de S. Pedro em Rego da Murta (junto da capela de S. Pedro que talvez assente no podium de um templo romano), seguindo depois pela cumeada ao longo da ribeira de S. Domingos pelo Alto de Vale Ferreiro/Casal do Zote (EN520), Carril, Alto da Ferraria, desviando pela EN238 por Besteiras e Vales e depois descendo pelo CM1064.
    Travessia do rio Zêzere entre Martinelo e Alcamim (miliário; a jusante, junto da capela de S. Pedro do Castro, apareceram 5 inscrições funerárias, duas estão na fachada e outra no altar interior; do rio sobe por Vale Velido/Minas de Estevais)
    Vila de Rei (continua para sudeste, cruzando com a V1 a sul de Amêndoa)
    Mação (cruza com a V5; continua para Belver, passando no provável vicus viário em S. Marcos do Rosmaninhal, atendendo ao achado neste local de moedas e um possível miliário, atravessa a ribeira das Eiras e segue pela aldeia romana da Qta. do Ribeiro da Nata, perto da qual apareceram 5 inscrições e uma possível base de miliário)
    Belver (travessia do Tejo, ligando quer a Aritium Vetus quer a Ammaia)

    Conimbriga - Aritium Vetus por Ferreira do Zêzere/Bairrada (V3 in Batata, 2006)
    Este itinerário é comum ao anterior até Carril, continuando depois pelo Alto da Grabulha (calçada de acesso ao Porto Romã), Águas Belas, Ferreira do Zêzere, continuando pelos limites do concelho (EM630 e CM1108) rumo à travessia do rio Zêzere junto da Foz do Rio de Codes, entre Bairrada e Porto Caíns, onde convergia também a via proveniente de Tomar; este local estratégico divide ainda hoje tanto os concelhos de Ferreira do Zêzere e Tomar como o de Vila de Rei e Abrantes; daqui seguia para S. Domingos, onde se dividia em dois ramos, seguindo um ramo para norte, descrito no Itinerário Tomar - Idanha-a-Velha, enquanto este itinerário rumava a sul na direcção do nó viário associado ao vicus de Mouriscas; a via seguia por Carvalhal e S. Simão até ao Sardoal (calçada junto à Ponte de S. Francisco; povoado no Cabeço dos Mouros), seguia por Valhascos (na base do povoado do Cabeço das Mós) e Casal da Sra. da Graça (calçada com 400 m e vários fustes de possíveis miliários) até Mouriscas (vicus e base de miliário na Fonte do Sapo; ara a Alua na igreja matriz), podendo ligar ao Tejo por Vimieiro (topónimos Carril, Carreira e Portela das Eiras), Aldeias (duas inscrições funerárias), Balsa, Surdo, Vale Covo até à travessia do Tejo na Barca de Bandos e daí rumar a Aritium Vetus, situada em Casal da Várzea, Alvega.

    Ligação Tramagal - Castelo Branco por Mouriscas e Mação (V5 in Batata, 2006)
    Esta é a segunda estrada referida na Doação da Guinditesta em 1194, no sentido SW-NE, ligando esta travessia do Tejo a Castelo Branco, passando por Mouriscas, Mação, Vale do Grou e S. Pedro de Esteval pela Ponte de Pracana.
    Tramagal (na outra margem, santuário da Barca de Rio de Moinhos; possível ligação poente por Pedreira e Amoreira em direcção a Constância)
    Abrantes (seguiria por Cana Verde; villa de Lopo/Cousa Bela)
    Ponte-Represa Romana? de Alferrarede, Qta. do Bom Sucesso, Olho de Boi, Alferrarede (55 m; chamada Ponte dos Mouros)
    Alferrarede (pela Qta. das Necessidades e Vale de Besteiros)
    Mouriscas (vicus; 3 inscrições na igreja matriz)
    Ponte Romana? de Rio Frio sobre a ribeira do Coadouro em Penhascoso (foi betonada; calçada de S. Marcos)
    Mação (inscrição Aquis Sacris; continua para leste por Vale do Grou, onde cruza com a V1b, em direcção à Ponte de Pracana, onde conflui com o Itinerário Alvega - Salamanca)


    Mapa



    Mapa



    Tomar (SEILIUM) - Idanha-a-Velha (IGAEDIS)
    Tal como Conimbriga, a cidade de Seilium teria ligações para este rumo Igaedis e rumo à Cova da Beira de encontro à via Braga-Mérida; os itinerários são hipotéticos.

    Tomar (Seilium) - Idanha-a-Velha (Igaedis) (V2 in Batata, 2006)
    Possível ligação entre Seilium e Igaedis seguindo por Paixinha (Ponte romana? sobre a ribeira da Lousã), Poço Redondo (minas de ouro) e Vialonga, onde inflectia para nascente para ir atravessar o rio Zêzere entre Bairrada e Porto Caíns, junto da Foz de Codes, rumando depois a norte na direcção de Vila Rei por Codes (calçada na Foz da Amieira) e Milreu, segundo depois por Várzeas (cruza a V1b) e Cardigos (cruza a V1); a partir de Cardigos o traçado em direcção de Idanha-a-Velha é duvidoso, podendo seguir algures por Proença-a-Nova (por Vale Motrinas e pelo cimo de Labrunhal Fundeiro), Sobreira Formosa (Tapada da Sepultura), Montes da Senhora (troço fóssil de calçada com 150 m em Lameira D'Antas que segue para Chão de Galego) e St. André das Tojeiras, servindo a intensa exploração mineira da região, seguindo para a travessia do rio Ocreza junto a Ferrarias (calçada), seguindo por Benquerenças em direcção a Castelo Branco e daqui a Igaedis; outra possibilidade seria continuar para nordeste por Tinalhas de encontro à travessia do rio Ocreza mais a montante, na Ponte Romana? da Marateca, hoje submersa pela barragem homónima (3 arcos; calçada; junto da capela de Sta. Águeda), seguindo depois para Estalagem/Catraia em Lardosa, Alto do Enchidro (povoado), Vale da Torre (calçada pela Torre Velha), Zebras (ara a Arentio Cronisensi) rumo a Idanha-a-Velha.

    Tomar (Seilium) - Mouriscas pela «Estrada da Serra»
    Também poderia ter origem romana a chamada «Estrada da Serra» que partindo de Tomar seguia pela serra homónima até outra travessia do Zêzere mais a jusante, seguindo depois rumo ao vicus de Mouriscas e rio Tejo. A via passaria nas pontes ditas «romanas» sobre a ribeira de Algaz em Casal do Mato e na Ponte sobre a ribeira da Lousã em Carril, ambas de cronologia incerta e sem vestígios associados (apenas uma inscrição honorífica «Bono / rei [p(ublicae) / nato /» na freguesia da Junceira e a sul, o Castro romanizado da Aguda), continuando depois pela Ponte de Vales sobre a ribeira de Bairrol (calçada), Serra (calçada; villa em Silveira), atravessava a ribeira Grande na Ponte da Abadia e seguia para a travessia do rio Zêzere quer pelo caminho que interliga o povoado da Abadia ao povoado das Barreiras quer rumo a Vila Nova (villa, calçada e ponte «romana»), seguindo depois rumo ao Tejo por Sardoal e Mouriscas.

    A Via Covillianae ou «Via da Covilhã»
    Caminho referido em documentos medievais do século XII como «Via da Covilhã» (na Doação da Azafa aos Templários em 1199) que ligava Conimbrica e Seilium à vertente sudeste da Serra da Estrela, mais tarde conhecida por «Estrada da Lã» porque permitia o escoamento deste produto para o litoral; esta estrada, com possível origem romana, dava acesso à Cova da Beira, região fortemente romanizada quer para quem vinha de Tomar, passando por Vila de Rei e Ponte dos Três Concelhos, como para quem vinha de Conimbriga, atravessando o rio Zêzere na Ponte Romana do Cabril em Pedrogão Grande, convergindo todas nas imediações de Oleiros; a partir daqui o percurso é hipotético, mas é possível que da Covilhã a via continuasse em direcção à região de Belmonte de encontro à Via Braga-Mérida. (Ver Silva 1988; Ponte, 1995; Batata, 2006)

      Conimbriga - Oleiros

      Deriva do Itinerário Conímbriga-Alvega depois de atravessar o Rio Zêzere na Ponte Romana do Cabril, rumando para nordeste por Vale da Galega (calçada à saída da povoação) e Bravo para atravessar a Serra de Alvéolos (atestado por vários troços de calçada no Alto do Bravo e no nó viário do Alto da Cava (onde partia um acesso a Vale do Souto, passando junto à mina da Cova da Moura); do Alto da Cava, a via deveria continuar para Álvaro seguindo aproximadamente a EN350, passando na calçada do Alto de Vale de Mós, na cumeada da serra pela calçada entre os altos do Cavalo e da Selada do Cavalo, Alto da Povoinha e pela calçada no Alto da Mata de Álvaro; depois entronca na EN350 e segue por alturas de Sendinho de St. Amaro até Cruz de Casal Novo, onde toma o caminho de terra que segue Serra Rasa até ao Alto da Azinheira/Alto do Rilhão, onde entronca na via proveniente de Tomar descrita abaixo.

      Tomar (Seilium) - Oleiros por Vila de Rei (V1a in Batata, 2006)
      Deriva do Itinerário Tomar-Idanha em Várzeas, onde inflectia para norte em direcção a Oleiros, passando na Ponte dos Três Concelhos, subia ao Marmeleiro em direcção ao cume da Serra da Longra (sulcos de rodados ao longo de 4 km passando ao lado de uma possível mutatio em ruínas e que seria os «paradineiros veteres» referidos na Doação da Azafa; Batata, 2006), seguindo em Pereiro aproximadamente a EN538 para a Serra do Cabeço Rainha (sobe pela vertente sul pela calçada de Castanheira Cimeira, entretanto alcatroada, e continua pela vertente oeste pela calçada do Alto de Besteiras, continuando pela vertente norte pelo Alto da Lontreira, onde começa a descida para Oleiros pelos restos de uma calçada ainda visível ao longo de 2 km junto do povoado mineiro de Fernão Porco, passando a poente de Braçal pela encosta virada a Oleiros até Vale de Peixe, onde atravessa a ribeira da Sertã para Oleiros, continuando talvez por Orelhão (EN527) até ao Alto da Azinheira/Alto do Rilhão, onde entronca na via proveniente de Conimbriga.

      Tomar (Seilium) - Oleiros por Dornes e Sertã (V8 in Batata, 2006)
      Partindo de Tomar seguia por Ferreira do Zêzere para a travessia do rio Zêzere junto do Castro de Dornes (estela funerária), segundo depois pela base do Castro de Santa Maria Madalena rumo a Cernache do Bonjardim e à Sertã, onde cruzava com a via N-S proveniente de Conímbriga rumo ao Tejo, continuando pela Serra de Alvelos, em direcção ao Mosteiro e rumo a Oleiros.

      Oleiros-Covilhã
      A continuação do percurso para a Covilhã é incerto pois depende do local de travessia do Zêzere.
      • do Alto da Azinheira/Alto do Rilhão, poderia seguir por Sendinho da Senhora (tesouro), em direcção à travessia do Rio Zêzere em Álvaro (?) (V6a in Batata, 2006).
      • em alternativa, a via poderia seguir por Portela de Pizoria para a travessia em Cambas.
      • a via também poderia fazer a travessia do Zêzere mais a montante, entre Silvares e Ourondo (calçada em Lagoa), seguindo depois por Casegas (Ponte romana?), Paúl (Ponte Romana?), Taliscas, Ponte Romana? de Ourondinho sobre a ribeira de Cortes, Tortosendo, Calçadinha rumo à Covilhã

      Covilhã-Belmonte
      Covilhã (calçada com 50 m junto da estação C.F., hoje tapada com alcatrão; segue por Canhoso)
      Terlamonte, Teixoso (importante villa agrícola onde Alarcão situou a capital dos Lancienses Ocelenses com base numa inscrição achada em Teixoso que nomeia um duumvir primus ou seja, um magistrado com poderes administrativos, sugerindo a localização de um municipium nas proximidades; no entanto o problema continua em aberto porque os vestígios até agora conhecidos não passam de uma villa agrícola; barragem no rio Zêzere; tesouro em Borralheira; Alarcão, 1988; Silva A.J.M., 2002; P. Carvalho, 2006)
      Orjais (castro e imponentes vestígios do Templo romano da Ns. das Cabeças; o santuário domina visualmente o vale do Zêzere com vestígios de um possível vicus em torno da capela da Sra. das Luzes e uma inscrição a Júpiter na Qta. da Mourata; duas aras votivas dedicadas a Bande Brialeaicui, divindade que aparece também numa inscrição de Póvoa do Mileu como Bande Brialeacus; inscrição na Qta. do Raro; ver Carvalho P., 2003 e 2010)
      Aldeia do Souto (segue talvez próximo da Qta. do Paço, Sra. da Saúde e Qta. da Muda)
      Vale Formoso (possível miliário no início da rua do Pinheiro, marcando a entrada da Judiaria; um outro possível miliário daqui foi para a Biblioteca Municipal da Covilhã; calçada em Quintarias e Hortas; inscrições funerárias no sítio dos Mortórios e em Sinque)
      Belmonte (onde entronca na Via Braga-Mérida).


    Mapa

























    Alvega (ARITIUM VETUS) - Salamanca (SALMANTICA)
    Via hipotética que deriva do Itinerário XV Lisboa-Mérida em Aritium Vetus (Casal da Várzea, Alvega), atravessava o rio Tejo numa Ponte Romana referida por Francisco d'Holanda como "acima d'Abrantes", dirigindo-se para nordeste, passando em Castelo Branco, Idanha-a-Velha e Sabugal rumo a Salamanca. Este itinerário tenta ligar uma série de troços de calçada e outros vestígios dessas regiões; de Mação, zona muito romanizada, seguiria pela Ponte antiga sobre a ribeira de Pracana até Castelo Branco, onde talvez se divida, seguindo um ramal para Idanha-a-Velha e outro ramal para Caria, cruzando com a Via Braga-Mérida nesses pontos. A partir daí, a via deveria seguir para Sabugal atendendo aos miliários encontrados em Vale do Lobo, com o primeiro ramal, partindo de Caria, pelo Casteleiro e o segundo, partindo de Idanha-a-Velha pela ponte de Meimoa até se reunirem em Vale da Sra. da Póvoa. Estes traçados são hipotéticos e podem estar misturados com troços da via Braga-Mérida. (ver Batata, 2006; Henriques, 1978)

    Ponte Romana sobre o rio Tejo (terá sido destruída em data incerta; alguns autores atribuem a esta ponte os pegões junto à estação elevatória de rega, mas é improvável)
    Ortiga (do rio segue próximo da villa do Vale do Junco)
    Ponte Romana? da Ladeira d'El-Rei sobre a ribeira de Mação (2 arcos; na entrada sudoeste da povoação)
    Mação
    Ponte Romana? da ribeira de Eiras, Palhafome, Mação (junto à EN 3, em 1990 foi colocado um tabuleiro em betão!)
    Ponte Romana? sobre a ribeira do Carvoeiro, Vale da Mua (2 arcos)
    Vale da Mua (mutatio?)
    Venda Nova
    Ladeira de Envendos
    Ponte Romana-Medieval da Ladeira de Envendos sobre a ribeira de Pracana (70 m, 6 arcos, dos quais 3 são romanos; segue a EN351)
    S. Pedro do Esteval
    Travessia do rio Ocreza (local incerto; talvez junto do Povoado da Cerca do Castelo)
    Marmelal, Fratel (segue pela chamada «Estrada de Abrantes», existindo vestígios de sulcos na Charneca das Vinhas e no sítio romano do Lameiro de Tomar, 400 m a norte da aldeia)
    Perdigão, Fratel (forno na Fonte Velha; seguia pela Portela de Milhariça para atravessar a Serra das Talhadas)
    • Ligação a Vila Velha de Ródão, seguindo para sudeste rumo à villa do Monte da Revelada, possível mutatio junto da travessia do rio Açafal na Ponte do Cobre (provável origem romana), local onde bifurcava, seguindo um ramo para norte por Quelhinhas e Atalaia até Sarnadas do Ródão, onde reencontra o itinerário para Castelo Branco, e o outro ramo seguia para a travessia do rio Tejo em Perais, passando próximo dos vestígios de ocupação da Qta. do Açafal, Fonte dos Piolhos/Migarou, Monte da Ordem e Salgueiral, ribeira de Lucriz, seguindo para a travessia do rio Tejo na Lomba da Barca onde conflui com o Itinerário Igaedis - Ammaia.
    • Ligação de Perdigão a Castelo Branco, seguindo a velha «Estrada de Abrantes» por Sarnadas do Ródão (necrópole), seguindo depois por Carapetosa/Amarelos e alto de Benquerenças, na rota da EN3.

    Castelo Branco
    O triângulo formado pela capela de Ns. de Mércoles, capela de Santa Ana e Monte de S. Martinho é uma zona muito romanizada com imensos vestígios achados nesta área, em particular muitas epígrafes votivas, ara aos Bandi Vorteaecio, ara a Iunoni Linteicae e a ara votiva a Aratibro ou Marati Boro proveniente da Qta. da Polida que hoje integram a excelente colecção do Museu Tavares Proença Júnior (MTPJ) em Castelo Branco; juntamente com o povoado pré-histórico situado no Castro de S. Martinho, toda zona revela uma população indígena muito romanizada o que levou alguns autores a colocar aqui os Tapori, povo referido na famosa inscrição daPonte de Alcântara (Alarcão, 2001, 2005c; Guerra, 2007a).

    Possíveis diverticula saindo de Castelo Branco
    • Ligação às Minas de Malpica do Tejo e Monforte , seguindo para sudeste pela base do Castro de S. Martinho e pela Ponte Romana?-Medieval sobre o rio Pônsul (EN18-8), atravessa a ribeira de Malha-Pão em Farropa e segue rumo aos povoados mineiros de Malha Pão, Senhora das Neves e Monte de S. Domingos. Um outro caminho inflectia para leste após a travessia do Pônsul e seguia para o povoado do Monte Castelo em Monforte da Beira e respectivas minas do Pó e da Tinta; o minério seria transportado até ao Tejo pela calçada da Moura.
    • Ligação aos Vicani Nertaicenses: também é possível uma ligação ao sítio romano da Fonte de S. Tiago, 2,5 km a leste de Rosmaninhal, de onde são provenientes 3 aras, 2 estão desaparecidas e a terceira é dedicada a Júpiter (?) pelos Vicani Nertaicenses (?), eventualmente com o vicus localizado no Rosmaninhal; na Tapada da Ordem apareceu uma ara à divindade Arantius Tanginiciaecus.
    • Ligação Castelo Branco a Coimbra/Bobadela: é possível que de Castelo Branco partisse uma via para noroeste rumo à travessia do rio Zêzere em Cambas, seguindo depois pela Pampilhosa da Serra rumo a Coimbra ou por Arganil rumo a Bobadela com base nos sulcos de rodados em torno de Estreito (V6 in Batata, 2006); num traçado hipotético, de Castelo Branco a via seguia por Taberna Seca (EN233), onde atravessava o rio Ocreza na Ponte do Pego Negro (hoje arruinada), continuando por Vilares de Cima e Espadanal até Sarzedas (inscrição; «Estrada Romana» entre a capela de S. Sebastião e Várzea do Lopes), inflectindo em direcção a Estreito (com vestígios da calçada em S. Torcato e na igreja paroquial; passa na base do Castro do Picoito), seguindo pelo Alto da Portela e Cabeço Alto em direcção à travessia do Rio Zêzere em Cambas (?).
      • diverticulum para as Minas da Lisga: vestígios de sulcos de rodados no alto da serra em Lisga e Corgas, indiciam a existência de um diverticulum perpendicular à anterior que de Estreito seguia pelo Alto da Safra e Serra do Caniçal, continuando pela linha de festo que que faz extrema entre concelhos e passa junto do complexo mineiro da Lisga (V7 in Batata, 2006), podendo continuar pelo Alto do Fatelo (Corgas), com vestígios de calçada em Vale de Amodéis e Cabeço das Corgas, rumo a Proença-a-Nova?
    • Castelo Branco a Idanha-a-Velha (IGAEDIS) por Oledo:
      Seguia talvez por Escalos de Baixo (calçada na saída norte), Escalos de Cima (vestígios em Vale da Alagoa, em particular uma ara a Júpiter Conservatori por Iulia Rufina, hoje no MTPJ; árula votiva a Di (is) Cai(riensibus) numa casa particular; epitáfio de Licinio na igreja paroquial), Lousa (seguia pelo alto de Vale de Lobo e junto dos vestígios em Vale de Zinho; 2 inscrições provenientes do Chafariz Mãe d'Água e de "Vascão"), Travessia da ribeira de Alpreade (talvez no sítio da ponte actual/EN233), Oledo (talvez pelo caminho que passa junto de Vale do Covado, próximo da importante villa de Barros/Cabeço dos Mouros e da Qta. dos Cebolais), Proença-a-Velha (ponte antiga) e daqui a Idanha-a-Velha (IGAEDIS)
    • Castelo Branco a Idanha-a-Velha (IGAEDIS) por Ladoeiro:
      Deveria existir uma rota mais curta para Idanha-a-Velha passando próximo dos sítios romanos da Fonte da Bica, Granja dos Belgaios e Sra. do Almortão. Partindo de Castro de S. Martinho pela calçada que ainda subsiste, a via seguia para nordeste rumo à villa da Qta. da Sra. de Mércoles, onde há referências a um possível miliário, continuando em calçada para a Ponte sobre a ribeira homónima (fundação romana?), junto da qual subsiste uma barragem romana; daqui seguia talvez pelo alto da Garalheira rumo ao vicus e possível mutatio da Fonte da Bica, continuando pelo alto das Ferrarias (lagar e mina) para a travessia do rio Pônsul na Ponte Romana da Munheca/Monheca (EN240; da antiga ponte sobram umas pedras almofadas na base de um dos pilares da ponte actual), passando assim a montante do importante sítio romano da Granja dos Belgaios, na confluência da ribeira do Povo com o Pônsul, onde se acharam 2 aras que estão no Museu de Castelo Branco e uma terceira que apareceu na povoação e que está hoje no Museu de Idanha-a-Nova; duas delas são dedicadas a Oipaengia (Alarcão, 2001b; Sá, 2007; Encarnação, 2011); continuava próximo dos vestígios do Monte Velho e Monte da Antinha passando assim a noroeste de Ladoeiro (minas; villa? no Monte Rochão), tocaria Idanha-a-Nova pelo sul (topónimo «Calçadinha»), tomando a estrada que passa na Ermida da Ns. do Almortão (sítio romano com provável origem no culto à divindade indígena Igaedus a partir de uma ara aqui encontrada; Encarnação, 1975); do santuário continua pelo estradão de terra que passa no Alto das Ciadas e que se dirige para a Ermida da Ns. do Loreto em Alcafozes, rumando daqui Idanha-a-Velha.
    • Castelo Branco a Ponte de Alcântara por Segura
      Possível ligação à Ponte de Segura de encontro à via Braga-Mérida, desviando da anterior em Ladoeiro, seguindo talvez junto da Fonte de Pias e do Monte do Gonçalão, rumo à travessia do Rio Aravil (no Monte da Marcelina?), seguindo depois a sul de Zebreira (ara à Deusa Victoria, por Aprodisia, hoje no MTPJ e ara aos Lares Cairienses na Qta. da Nave Aldeã), talvez pelo Monte do Calqueira e alto de Zebros, Monte de S. Domingos, Monte da Loba do Chorão, Vale da Loja e Granja, existindo importantes vestígios romanos ao longo do caminho que percorre a margem da ribeira da Enchacana até à confluência com o ribeiro do Freixinho (povoado e estela funerária), continuando depois até Segura pelo Chafariz da Calçada.

    Castelo Branco - Fundão
    A via que partia de Castelo Branco rumo ao norte poderia dividir-se, seguindo um ramo para o Fundão e Covilhã, atravessando a Serra da Gardunha por Alpedrinha e outro em direcção a Quintas da Torre.
    Soalheira (calçada na Fonte do Goducho)
    Castelo Novo (há calçada junto da antiga escola primária, poderá ser um diverticulum da via passando na capela de S. Brás, onde apareceu a lápide funerária de Titulus, com a via principal a passar mais a poente junto do sítio romano de Souto Escuro/vicus da Qta. do Ervedal, numa rota paralela ao IP2 para ir atravessar a ribeira de Alpreade em Escaldado e seguindo depois próximo dos sítios romanos da Qta. das Obras/Catraia e de Vale de Canos, rumando depois à EN18)
    Alpedrinha (vicus; 2 inscrições funerárias; inscrição a Marte, hoje no Museu do Fundão; a via romana parte do Largo D. João V, junto do Palácio do Picadeiro e da capela de S. Sebastião, segue em calçada por 190 m, passa debaixo do IP2 e sobe por Canada, transpondo a Serra da Gardunha)
    Alcongosta (a via desce a Portela onde entronca na «Estrada da Floresta» e desce à povoação pela capela de S. Sebastião, continuando por Alcambar e Qta. do Ouro para o Fundão)

    Fundão (vicus? na base do Castro romanizado de S. Brás; ara votiva a Victoria colocada por um soldado veterano da coorte II Lusitanorum, hoje no MNA, ara votiva a Trebaruna, colocada por um soldado Igaeditano e epitáfio de Nepos Arconis em exposição no excelente Museu Arqueológico do Fundão)

    Castelo Branco - Salamanca por Quintas da Torre e Sabugal (Curado,1987; Osório, 2006):
    Castelo Branco (segue talvez pela Fonte da Mula e pela Qta. da Pedra da Légua, junto do Alto do Feitoso)
    Alcains (duas aras votivas na Ermida de São Domingos dedicadas a Asidia; ara a Reve Langanidaeco no Castro do Cabeço Prelado, hoje no MTPJ; segue por Tiracalça?)
    Lardosa (segue por Estalagem/Catraia?; ara votiva a Trebaronne na Qta. das Alvercas, hoje no MTPJ)
    Atalaia do Campo (atravessa a ribeira de Alpreade na Ponte Velha?; villa em Alagão)
    Póvoa da Atalaia, Fundão (calçada; epitáfio de Graecinius Langon no Museu do Fundão; segue por Touca)
    Vale de Prazeres (lápide de Paulio achada no cemitério; a via passaria a sudeste, onde há vestígios de calçada e de um casal (?) na Laje Alta, seguindo próximo da importante villa de Catrão e por Póvoa Palhaça)
    Quintas da Torre dos Namorados (vicus e provável mutatio no cruzamento com a Via Braga-Mérida)
    Salgueiro (em Coito de Cima/Vale do Canto apareceu um miliário a Licínio, hoje no Museu do Fundão; este miliário indicia a passagem da via ao longo da margem direita da ribeira de Meimoa, passando entre Qta. da Malta e a villa da Qta. do Prado Vasco, na outra margem, seguindo pela Qta. do Lameirão e Coito de Cima, onde se achou o miliário; inscrição votiva aos Bandi Vorteaeceo na capela de Sta. Maria Madalena; villa na Qta. da Caneca, onde apareceu uma inscrição aos Deuses Manes)
    Travessia da ribeira do Casteleiro (junto da villa do Casal de José Francisco do Anascer; seguia paralela à ribeira de Vale de Lobo no sopé do Castro de Sortelha Velha)
    Vale da Sra. da Póvoa (antiga Vale de Lobo no sopé da Serra da Opa; villa e provável mansio no campo do Peão, sítio romano da Póvoa, no cruzamento com a via N-S proveniente de civitas Cobelcorum rumo a Igaedis; inscrição honorífica ao imperador Trajano; os 3 miliários achados na Serra do Lobo/Opa sugerem que a via passava a meia encosta da serra da Opa, com uma possível mansio na Póvoa e uma ara a Júpiter em Fonte Santa)
    St. Estevão (vicus e provável mutatio na Tapada de Sta. Maria; miliário de St. Estevão/Mosteiros/Serra do Mosteiro a Tácito indicando a milha IIIX, ou seja a milha 7, CIL II 4638, talvez contadas a partir do rio Côa em Sabugal que seria assim o limite territorial da civitas; o miliário apareceu na desaparecida capela de Santa Maria e hoje está no Museu do Sabugal)
    Alagoas, Aldeia de Santo António (miliário de Alagoas com inscrição apagada, mas que poderia indicar a milha 4 pois está a 3 milhas do miliário de St. Estevão e este indica 7 milhas; passou pelo largo da aldeia e hoje está no Museu do Sabugal; o miliário, o vicus da Tapada do Açude e o acampamento militar da Tapada da Cabeça, sugerem a existência de uma mutatio neste sítio, possivelmente no cruzamento com Via N-S proveniente da Guarda; a via continua pela calçada em Amiais)
    Sabugal (Equotule?) (vicus e provável mutatio junto da travessia do rio Côa; ver os miliários de Alagoas e de St. Estevão no Museu do Sabugal) Ponte Romana?-Medieval do Sabugal sobre o rio Côa (topónimo «calçada»; segue por Cardeal e Pouca Farinha?)
    Vila Boa (villa; segue +- a rota da EN233-3)
    Nave (provável mutatio em Sta. Catarina pois este sítio romano fica junto da via e exactamente a 8 milhas do Sabugal)
    Ponte Romana?-Medieval sobre a ribeira de Alfaiates (desaparecida; calçada)
    Alfaiates (vicus, acampamento militar?; inscrição dedicada a Augusto, hoje no acervo do MNA, poderá corresponder a um terminus militar de cariz territorial; Alarcão, 2006)
    Ponte Romana?-Medieval da Aldeia da Ponte sobre o rio Cesarão (junto à EN 332, 3 arcos)
    Aldeia da Ponte, Sabugal (vicus; mansio?; )

    Continuação para Salamanca:
    • Alternativa por Santo Cristo: a via continuava para Espanha, talvez pelo caminho que passa no Santo Cristo (inscrição rupestre na chamada «Fonte da Tigela», dedicada à divindade aquática Laneana, possivelmente relacionada com a via); continua por La Albergueria de Argañán (mansio?), seguindo para o vicus de Irueña (Fuenteguinaldo, Navasfrías), dirigindo-se depois para Ciudad Rodrigo (MIROBRIGA?) e daqui a Salamanca (SALMANTICA).
    • Alternativa por Souto: também é possível que existisse um caminho alternativo para o vicus de Irueña, onde reencontra o caminho acima que ia pela Aldeia da Ponte; partindo do Sabugal, seguia por Torre (em Vale do Seixo apareceu uma inscrição à deusa Vitoria) e Souto, tomava aqui o chamado Caminho Velho para Aldeia Velha, passando nas cercanias de Sabugal Velho, provável assentamento militar romano, continuando talvez por Casilla de Flores até ao vicus Irueña; inscrição a Reve Paramaeco achada no sítio de Pardieiros, 1 Km a nordeste de Fóios.


    Mapa















    Tomar (SEILIUM) - Évora (EBORA)
    Via romana ligando as duas importantes civitates que inicialmente seguia para Tancos onde transpunha o rio Tejo para o Arripiado, ambos com vestígios romanos significativos. A partir daqui deveria ir cruzar com a Via XIV para Mérida algures a oeste de Ponte de Sor, sendo provável que o ponto de cruzamento fosse mesmo na mansio Aritium Praetorium dessa via que continua com localização insegura. As propostas variam entre Poiso, Venda das Mestas e Herdade de Água Branca de Cima, sendo que esta última acerta com as distâncias indicadas no itinerário. Assim o percurso continua por desvendar, sendo que aqui é apresentada uma solução por Poiso que evita alguns obstáculos no terreno, seguindo no sentido inverso o Itinerário XV entre Lisboa e Mérida até à Carregueira, inflectindo aqui para SE na direcção de Tamazim, onde confluía com o outro itinerário para Mérida, a Via XIV. A via seguiria para sul em direcção a Évora como parecem indicar os miliários recentemente descobertos. Assim, a via poderia seguir pela Serra de Montargil, Mora e Santana do Campo, o vicus Calantica (?) com o seu magnífico Templo Romano , continuando por Arraiolos e pelo Monte de Sempre Noiva até Évora. (Bilou: 2000a; Carta Arqueológica de Abrantes).

    Tomar (SEILIUM) (o miliário a Maximiano onde Hübner leu a milha I, hoje ilegível poderia integrar esta via, CIL II 6198/CIL II 4960)
    Asseiceira (segue talvez por Grou)
    Tancos (possível miliário no Alto da Mariana, junto a um marco divisório da freguesia)
    Travessia do rio Tejo entre Tancos e Arripiado (em alternativa poderia fazer a travessia junto ao Castelo de Almourol que tem origem romana)
    Arripiado (vestígios na Qta. do Arripiado)
    • Alternativa para Lagoa Grande por ser um trajecto mais curto, seguindo a linha de festo que vai pelo Alto do Arripiado, Alto da Jardoa, Marco da Serra, Alto do Rodeio e Galega Nova onde entronca na variante pela Carregueira.
    Carregueira, Pinheiro Grande, Chamusca (inflecte para SE na direcção de Tamazim, passando entre Casalinho e Casal do Relvão, Alto do Relvão, seguindo depois próximo da estação romana, Galega Nova, continuando pelo Alto da Lagoa da Murta até Lagoa Grande)
    Lagoa Grande, Bemposta (Mário Saa recolheu nos terrenos do Casal da Pucariça um miliário a Constantino Magno que está hoje em exposição na Fundação Paes Teles no Ervedal, Avis; segue entre o Alto da Lagoa Grande e o Alto do Gavião pela Chã da Lagoa Grande; Mantas, 2010)
    Poiso, Tamazim (cruzamento com a via XIV entre Braga e Mérida, continuando para sul)
    Aranhas de Cima (miliário a 48 m do marco divisório nº 30 do concelho e a 1750 m para SE do Casal de Aranhas de Cima)
    Tojeiras de Cima (miliário junto ao marco divisório nº 28 do concelho, 750 m para SE do casal)
    Foz (3 miliários deslocados na rua da Estrada Velha que segue para a Venda das Mestas, servindo de marcos divisórios; um miliário na berma da estrada, o segundo fragmento de miliário encontra-se 100 m adiante, assim como o terceiro miliário)
    Travessia da ribeira de Muge
    Foros de Arrão (a leste, talvez por Antas e Monte dos Leitões)
    Montargil (calçada na Serra de Montargil no lugar das Mesas(?); talvez seguisse junto do Alto da Pipa e da necrópole da Herdade de St. André, atravessando o rio Sor para o lugar de S. Martinho de Baixo ou no Monte dos Irmãos)
    Cabeção, Mora (talvez junto da villa no cemitério)
    Travessia da ribeira da Raia (segue a oeste de Pavia por Reguengo, Monte da Tramagueira e Monte dos Olheiros)
    Travessia da ribeira de Divor (junto da Torre das Águias, seguindo depois a «Estrada da Cumeada»)
    Santana do Campo, Arraiolos (CALANTICA?) (vicus?; a igreja paroquial reaproveita um imponente Templo Romano dedicado ao Deus Carneo Calantice, nome que aparece em 2 inscrições aqui descobertas; Pereira, 1948)
    Arraiolos (vestígios da trincheira da calçada 300 m a SE do Monte do Montinho)
    Sempre Noiva (calçada com 20 m em linha recta; torso romano, hoje na Qta. da Manizola em Évora)
    Monte do Penedo (recinto-torre de Vale de Sobrados, vigiando a via que atravessa a ribeira homónima, onde há 50 m em calçada, sobe à Camoeira e desce à ribeira de Divor)
    Travessia da ribeira de Divor junto ao Monte da Azenha (continua pelo Monte de Ovil, Monte de Goes e Montinho da Abegoaria)
    Monte da Parreira (fragmento de miliário anepígrafo; atravessa a estrada que vem de Igrejinha e segue por Oliveirinha até entroncar na estrada que vem de Divor)
    Bairro do Louredo, Évora
    Bairro do Granito, Évora (passa na medieval Porta de Avis e rua da Avis)
    Évora (EBORA) (entra pelo Arco Romano de D. Isabel, antiga porta da muralha romana no entroncamento da rua de D. Isabel com a rua do Menino Jesus)


    Mapa

    Santarém (SCALLABIS) - Évora (EBORA)
    Hipotética via ligando as duas civitates com poucos vestígios para além do fragmento de um miliário possivelmente pertencente a esta via que foi encontrado junto do Monte Silval em Montemor-o-Novo e os vestígios em Ns. da Graça do Divor (Divorum), nomeadamente um possível miliário e vários troços de calçada. Depois de atravessar o rio Tejo entre Santarém e Almeirim, a via romana seguiria por Coruche, onde se encontrava com a via proveniente da travessia do rio Tejo em Escaroupim, continuando depois pelo concelho de Montemor-o-Novo rumo a Évora. (Ver Bilou: 2000a)

    Santarém (SCALLABIS)
    Coruche (povoado na Igreja da Sra. do Castelo, vestígios na Igreja de S. Pedro e villa junto da Ermida de Sta. Luzia; Ponte «romana» da Coroa)

      Variante por São Pedro da Gafanhoeira (miliário em Silval)
      Poderia seguir a linha de festo entre a ribeira de Divor/Fanica e a ribeira das Barrosas, evitando assim a sua travessia, passando no estradão que passa no Alto de Coelheiros e a nordeste de Ciborro, servindo em alguns troços como linha divisória entre os distritos de Santarém e Évora.
      Sabugueiro (segue junto do habita no Alto dos Alfeirões)
      São Pedro da Gafanhoeira (passa na Herdade da Represa e Herdade da Pedra Longa, junto dos menires)
      Travessia da ribeira Almansor (junto do Monte do Cabido; segue pelo Monte de Alcanede e Monte Silval, junto do qual apareceu um fragmento de miliário epigrafado, no caminho para Almansor de Baixo)
      Ns. da Graça do Divor (Divorum) (recinto-torre do Castelo dos Mouros; a via passa a poente, na estrada que bordeja o Monte de Capelos e o Monte da Azinheira do Campo/Casa Velha, havendo 600 m de calçada em Vale de El-Rei de Baixo, existindo um recinto-torre no Cabeço do Diabo em Vale de El-Rei de Cima e a poucos metros vestígios na capela de S. Romão; há também vestígios de calçada no Monte dos Mogos e no Vale Maria do Meio)
      Monte da Valeira, Ns. da Graça do Divor (possível miliário; vários troços de calçada; seguiria a rota da EN114-4 pelo Monte da Valada, Monte de Brito, Atafona, entre Monte das Pinas e Qta. dos Giões pela Calçada da Azinhaga, segue junto do Convento de S. Bento de Castris e do Convento da Cartuxa, entrando na cidade pela Porta da Lagoa)
      Évora (EBORA)

      Variante por Montemor-o-Novo
      Inicialmente poderia ser comum à variante anterior até alturas de Ciborro, rumando daqui para sul rumo a S. Geraldo, continuando depois a nordeste de Montemor-o-Novo, próximo da villa de Fonte do Prior, villa da Comenda da Igreja e villa da Amoreira da Torre, onde atravessava a ribeira de Almansor, seguindo depois próximo dos vestígios de Courela/Monte das Navalhas, Courela de Patalim (cipo funerário), villa de Almo, seguindo rumo a Évora por S. Matias.

    Possível ligação de Montemor-o-Novo a Beja:
    Segundo informação de Jorge Feio é possível que existisse uma via romana entre Montemor-o-Novo e Beja com base na Carta de delimitação do Couto de Alvito em 1261. O trajecto seria o seguinte: Montemor-o-Novo, Alcáçovas, Vila Nova da Baronia (topónimos «Estrada das Alcáçovas» e «Canada Real»), passa na Ermida de Santa Águeda (onde apareceu a inscrição da civitas Mirietanorum), Moinho do Trigacheiro, onde atravessava a ribeira de Odivelas, continuando pelo Monte da Zambujosa, e onde ainda se observam troços de calçada, e pela Herdade das Assentes até Faro do Alentejo (antiga aldeia das Assentes, na referida carta), onde confluía na Via Évora-Beja, seguindo daqui para Beja (Feio, 2010).

    VIAE CIVITAS MEIDVBRIGENSES

    Freixo
    de
    Numão












    Rede viária em torno de Freixo de Numão (MEIDOBRIGA?)
    Freixo de Numão (MEIDOBRIGA?)
    Provável capital dos Meidubrigenses, um dos povos mencionados na famosa inscrição da Ponte de Alcântara; espólio no Museu Arqueológico da Casa Grande; Inscrição rupestre a Iuno Veamvaearvm, CIL II 430 e ara aos Lares Turolicis, CIL II 431, ambas desaparecidas; dentro da igreja, há um Altar votivo do Coniumbrigense Tiberius Claudius Sailcius, cavaleiro da 3ª Corte dos Lusitanos, CIL II 432; villa em Salgueiro; de Freixo partiriam vários caminhos romanos, um saindo da vila para norte, em direcção ao rio Douro e os restantes articulados com o nó viário da Qta. da Pedra Escrita, próximo da importante villa do Prazo (ara a Júpiter), seguindo daí para poente em direcção a Numão ou para sul em direcção a Marialva e Sernancelhe. (Sá Coixão, 2000a)

    De Freixo de Numão a Murça do Douro
    Sai do Freixo pela Qta. de Redoído (calçada), segue para Regadas (calçada com 500 m e ferraria, seria uma mutatio?), Moinho das Regadas, passa junto da villa da Vinha de Zimbro, no sítio da Colodreira/Escorna Bois e Areias rumo a Murça do Douro, seguindo depois pela capela de Ns. da Esperança, local onde conflui com a via secundária que vem por Rumansil, 1000 m depois chega ao sítio do Chão do Cláudio (villa rustica), de onde poderia partir um acesso ao Douro, continuando depois na direcção do vicus no sítio da Cruzinha em Mós do Douro (uma inscrição funerária regista um emigrante Taporo; calçada em Torrão) e do vicus do Monte Meão, onde atravessa o rio Douro, na Foz do rio Sabor.

    Outras direcções
    As outras ligações a partir do Freixo de Numão estão articuladas a partir do nó viário da Qta. da Pedra Escrita. Partindo de Freixo, segue por Sta. Bárbara e passa no Pontão Romano da Nogueira, continuando até ao cruzamento da Qta. da Pedra Escrita, junto da magnífica villa do Prazo, aberta ao público); daqui partiriam vias em 4 direcções:

    Ligação da Pedra Escrita ao Rio Douro/Vesúvio
    Segue para norte por Vendada, passando próximo da magnífica villa de Rumansil (a parte escavada corresponde à pars rustica e a villa seria no sítio de Rumansil II), continua para Seixas do Douro (vicus na Qta. do Vale, destruído na construção da barragem do Catapereiro) e daí pelo caminho que leva à Qta. do Vesúvio; depois de atravessar o rio Douro para a Qta. da Sra. da Ribeira (vicus mineiro de Tiria ou Liria), subia a Seixo de Ansiães e daqui rumava a Carlão passando no vici de Selores e de Pombal; ver o trajecto aqui.

    Ligação da Pedra Escrita a Numão
    Continua para poente pelo caminho da Qta. da Lameira e passa na Ponte Romana?-Medieval da Zaralhôa sobre a ribeira da Teja, no sítio do Conde (aqui há inscrição num penedo assinalando o trajecto: ARREA · SE[- - -] / TRAIECTV · M[- - -]), rumando depois a Numão (oppidum? vicus?; outra possível localização para Meidobriga; villae e inscrição rupestre no caminho para a Telheira, marcando a propriedade de um tal Reburri; villa na Qta. da Cabreira; existe um troço de calçada no sítio do Areal localizado junto do antigo caminho de acesso ao castelo e na confluência das ribeira de Tourões e Duas Casas, onde há uma inscrição rupestre atestando a existência da via: AS(s)ANIANC(ences) VIA(m) FECERVNT, traduzindo, "Os Assanienses construíram a estrada", Sá Coixão, 2000a e 2001); esta via poderia descer ao Douro até Arnozelo (villa no Vale de Ouvada) ou até Sra. da Ribeira, seguindo depois para Carrazeda de Ansiães.

    Ligação para sudoeste rumo a Viseu
    Do nó viário da Pedra Escrita rumava a sudoeste pela Qta. dos Mortórios até ao vicus na Qta. das Vendas em Sebadelhe (villae rusticae em Soutinho/Vale do Junco e Terra do Rei Nemão).
    Cedovim (vicus do Castelo; villae rusticae em Sta. Marinha e em Portela/Sumagral)
    Ranhados (castro romanizado de S. Jurge; Aravoca?; o vicus (?) na base do monte foi destruído pela construção da barragem do rio Torto; vicus ou villa em Fonte Arcada/capela da Qta. de S. Pedro; segue pelo Alto da Póvoa e Sra. da Estrada?)
    Ourozinho (cruza a via Paredes da Beira-Marialva)
    Antas, Penedono (calçada e estação romana na Qta. dos Carvalhais, a sul da aldeia)
    Beselga
    Ponte do Freixinho (cruza com a Via Lamego-Marialva)
    Ver continuação para Viseu.

    Ligação para sul a Marialva (civitas ARAVORUM)
    Partindo do nó viário da Qta. da Pedra Escrita, seguia para sul rumo a Touça (villa do Chão de Cortinha, junto da igreja e casal no Vale de Trás da Serra) pelo caminho que passa junto da Qta. dos Bons Ares (villa), depois cruza a EN222 e segue pelo Alto da Touça e Qta. das Alminhas, tomando depois a EN324 para Fonte Longa)
    Fonte Longa (villa no Lugar da Froia; a sul, vestígios em torno da Qta. do Consul; vestígios em Torres, Qta. do Alvito e Fulgaroso)
    Vale da Aldeia (vicus; ara consagrada aos Lares Placidus)
    Poço do Canto (pelo Alto de Santa Columba)
    Mêda (seria aqui a Amindula da documentação medieval? ara aos Bandi Vordeaicui; troço de calçada romana parte da vila e segue paralela à EN324)
    Marialva (civitas ARAVORUM)
    VIAE CIVITAS ARAVORUM

    Marialva
    Bobadela








    Longroiva




    Rede viária em torno de Marialva (civitas ARAVORUM)

    Marialva (civitas ARAVORUM)
    Provável capital dos Aravi no lugar da Devesa em Marialva com base numa inscrição honorífica dedicada a Adriano pela civitas Aravorum, hoje no Museu da Guarda; altar votivo por um Cobelco; estela funerária de Paramaeco Bovati em Ervilhões, FE47; inscrição ex officina, FE46; podium do Templo Romano numa casa particular; Barragem em Salgueiral/Lago; sendo um importante nó viário na região, a capital dos Aravi era atravessada por vários eixos viários, um eixo N-S que articulava a travessia do rio Douro no Pocinho com as ligações a sul à Via Braga-Mérida (ver Torre de Dona Chama - Marialva); uma outra via importante seguia rumo à civitas da Bobadela por Celorico da Beira e Vale do Mondego, na vertente ocidental da Serra da Estrela, rota assinalada pelo único miliário nesta rota que foi encontrado nas proximidades de Paços da Serra; no sentido W-E corria a via proveniente de Lamego rumo a Salamanca(?) (ver Lamego - Marialva); uma outra via no sentido NW-SE ligava o Castro de Ranhados (civitas Aravoca) à civitas dos Cobelci em Almofala. (Alarcão, 1993; Sá Coixão, 2004, 2009).

    Para sudeste pela villa de Vale de Mouro (Coriscada)
    A importante villa de Vale do Mouro (Gravato, Coriscada), onde poderia existir uma mutatio relacionada com a travessia da ribeira de Massueime, indicia uma via que partindo de Marialva seguia na direcção às sedes das civitates vizinhas, Póvoa do Mileu (Guarda) e Almofala (FC Rodrigo); no sentido inverso, esta via poderia rumar até ao vicus da capela de S. Sebastião em Rabaçal (referência a uma calçada; lagares na Qta. de Perais)

    Marialva (sai da aldeia pela «Ponte Romana» sobre a ribeira de Marialva, com alicerces romanos e segue pela calçada que atravessa a Qta. da Lobeira, cruza a EN102 ao km 101,1 e atravessa a ribeira do Prado junto ao Cabeço Seixo)
    Coriscada (segue o caminho que vai para a Qta. das Minas)
    Vale de Mouro, Coriscada (importante villa romana em fase de escavação e musealização; notável mosaico de Baco)
    Travessia da ribeira de Massueime talvez nas poldras ali existentes, podendo daqui rumar para:
    • para norte em direcção a Cidadelhe (Castro romanizado de Castelo dos Mouros) seguindo próximo das villae do Juízo e Afonso (epitáfio de Malgeinus); também poderia existir um caminho mais curto entre Marialva e Cidadelhe, passando no sítio romano de Vale d'El Rei em Barreira, atravessando a ribeira de Massueime mais a montante.
    • para leste em direcção a Almofala por Luzelos e pelo caminho que contorna a Serra da Marofa pelo sul (ara na capela de Ns. de Fátima dedicada a Coruae, talvez proveniente do Castro da Marofa).
    • para leste em direcção ao povoado de Bogalhal Velho/Porto da Vide, atravessando o Côa para Quintã de Pêro Martins, atendendo aos imensos vestígios de villae nesta margem do Côa, talvez associadas à exploração de estanho: Olival de S. Paulo, Farelos, Telhões/Vale da Cal, Qta. da Póvoa e Casa do Florindo (ver Maia, 1977a).
    • para sudeste em direcção a Pinhel, por Vieiro/Cabeço da Cruz (villae na Qta. de St. Antão e na Qta. Seca), Bogalhal (?), Valbom (passa a Ponte da ribeira do Porquinho e segue junto da villa da Qta. do Prado Galego), rumando a Pinhel (travessia da ribeira da Pêga na Ponte do Saltadouro; granja na Qta. da Pêga).
    • para sul em direcção a Póvoa do Mileu (Guarda), podendo seguir por Sta. Eufémia (vicus mineiro junto das Minas da Sra. das Fontes; inscrição rupestre de Leia e Pabanicus; ara votiva a Reve), Póvoa d'El-Rei (villa de Chão da Figueira/Plames), Reigadinha (villa do Barrocal), Ervas Tenras, Prados (junto do casal da Qta. dos Ferreiros) até à base do povoado fortificado de «Castelo de Prados», provável acampamento militar romano; daqui continua por Chão das Malvas, onde há calçada e uma possível mutatio, seguindo depois por Espedrada e Salgueiro), Codesseiro (segue a «Rua da Carreira» pelo Alto do Galo), Pêra do Moço (vestígios de calçada no Alto do Monte), seguindo depois por Verdugal, Ladeira, Menoita, locais onde apareceram tesouros, rumo a Póvoa do Mileu na Guarda. (ver parte final do percurso no Itinerário Almofala-Póvoa do Mileu)

    de Marialva a Bobadela por Celorico da Beira
    A via deveria dirigir-se primeiro ao vicus da capela de S. Brás/Quinta do Campo, a sul da Coriscada, seguindo depois para Cótimos em direcção a Celorico da Beira. Continuava depois pela vertente ocidental da Serra da Estrela passando nas proximidades de Gouveia, conforme indicado pelo miliário a Maximiano que está na Casa Grande em Paços da Serra; este miliário é assim crucial para determinar percurso da via, sendo que segundo Moreira Figueiredo, o marco teria aparecido em Arrifana (Figueiredo, 1953), topónimo que remete para uma provável mutatio no cruzamento com uma via NW-SE que ligava Viseu a Seia; ora este local está sensivelmente a 30 km de Bobadela, distância que está de acordo com as 21 milhas indicadas neste miliário pelo que a «splendidissima civitas» seria o local de início da contagem das milhas, reafirmando assim a importância desta capital regional na época romana.

    Marialva (segue a via anterior até à Coriscada, inflectindo aqui para sul pela rua Lúcio Saraiva/EM602, saindo desta logo depois pelo caminho que vai para a Qta. do Campo)
    Qta. do Campo, Coriscada (Vicus Sangoabonia ou Segoabonca junto da capela de S. Brás, com base numa ara consagrada a Júpiter pelos Vicani S[?]/goaboaic(enses), hoje no Museu da Guarda; mineração de estanho)
    Cótimos (vicus que se estende pela Qta. das Cardosas e Qta. do Campo)
    Ponte «Romana» de Cogula sobre a Ribeira das Moitas (origem romana?)
    Cogula, Trancoso (seguia talvez pela EM591, passando por entre a villa da Qta. da Tapada do Oleiro, no sopé do Castro romanizado do Castelo, onde se achou uma inscrição funerária de Apana, hoje no MNA)
    Vale do Seixo, Trancoso (Castro romanizado do Castelo; a leste, a sudeste de Freixial, fica a villa do Cabeço dos Telhões, junto à ribeira de Massueime)
    Póvoa do Concelho (importante villa na Qta. do Prado, dividida pela ribeira de Vale de Mouro, onde apareceu uma tégula com a inscrição [...]ERRUS / [...]NIENSIS, hoje no Museu da Guarda, eventual referência ao nome e origem do seu proprietário pela menção da origo; talvez continue pelo Alto do Feital junto da villa da Qta. das Eiras/Casal da Fonte Grande)
    Vilares, Trancoso (vicus na zona das Eirinhas; a via poderia passar na base do Castro da Broca por Sarzeda e Lapa Chã, junto da JF, onde há uma inscrição rupestre paleocristã do ano 495 d.C., celebrando a construção de um templo por Caturo Areini, Viatore Occidentis)
    Maçal do Chão (pelo Alto do Outeiro Negro)
    Ponte Medieval de Minhocal sobre a ribeira dos Tamanhos
    Forno Telheiro (calçada na Pedra da Atalaia e povoado de S. Gens; segue a Lameiras)
    Ponte Romana?-Medieval da Lavandeira sobre o rio Mondego (daqui seguia pela calçada da Lavandeira durante 500 m até entrar em Celorico pelo Bairro de Sta. Luzia)
    Celorico da Beira
    Casas de Soeiro (habitat na Qta. do Vilhagre e em Ribeiro do Pinheiro)
    Cortiçô da Serra (habitat na Qta. do Mouro)
    Carrapichana
    Vila Cortês da Serra (ponte na confluência das ribeira do Freixo e do Paço)
    S. Paio (provável cruzamento com a via Braga-Mérida)
    Gouveia (ara votiva de Reburrus Talabi achada na capela da Ns. da Alegria, hoje no Museu de Gouveia; habitat no sítio das Regadas em Aldeias; a via deveria passar pelo vale por Nespereira e Tapada de Vinhó)
    Moimenta da Serra
    Paços da Serra (o miliário a Maximiano da milha XXI foi encontrado em Arrifana e hoje está na chamada Casa Grande, turismo rural)
    Santa Marinha (Ponte Romana?)
    São Martinho (passaria junto da villa de Santo Aleixo, no lugar da Vodra, EN522)
    Seia (Sena?) (o vicus romano ficaria na Qta. da Nogueira, por onde seguia uma ramal de ligação ao Castro de S. Romão, mas a via principal deveria passar a poente por Arrifana e Santiago)
    Carragozela (talvez pela capela de S. Silvestre e Qta. dos Lameiros e Vale Moral)
    Meruge (passaria junto da necrópole da capela de S. Bartolomeu e provável vicus ocupando a área do campo de futebol)
    Lageosa (atravessa o rio Cobral talvez na Qta. da Pedrinha e segue a EM1315 por Vendas de Gavinhos, toma a EN230-6 e entra em Bobadela pelo caminho do campo de futebol)
    Bobadela (capital de civitas; ver também a continuação para Coimbra no Itinerário Coimbra-Bobadela)

    de Ranhados (civitas Aravoca?) a Almofala (civitas COBELCORUM)
    Hipotética via W-E ligando o concelho da Mêda ao Além-Côa, atravessando o rio Côa na Qta. da Ervamoira ou na Qta. da Barca. É possível que esta via tivesse origem na Castro romanizado de Sanjurge em Ranhados, seguindo por Mêda, onde cruzava com a via N-S entre Freixo de Numão e Marialva, e seguia até Longroiva. Daqui desce a Coutada no Vale da Veiga de Longroiva, atravessa a ribeira de Centieira e sobe a Chãs, nó viário de acesso ao Douro e ao Côa ao qual também afluía a via proveniente de Marialva para norte.

    Ranhados (civitas Aravoca?) (segue para Canada, descendo à ribeira da Teja por um troço de calçada)
    Ponte Romana sobre a ribeira da Teja (só resta os arranques da ponte a 50 m norte da ponte actual, junto dos Banhos de Ariola; calçada)
    Ariola, Mêda (segue junto da villa da Qta. de S. João e pela Qta. do Covelo)
    Mêda (cruza com a Via Freixo de Numão-Marialva; deveria seguir pela EN331 até ao km 41, onde segue à direita pelo caminho que passa na Qta. do Vale da Manta e vai para Longroiva)
    Longroiva (LONGOBRIGA) (com base num altar dedicado ao Bandi Longobricu por Quintus Iulius da Legião Equestre VII Gémina, FE44; ara funerária a Bonco na Qta. dos Lagares, FE364; a via passa na Fonte da Concelha e na Ponte Romana? sobre a ribeira da Concelha e entrava no povoado romanizado, provável castellum)
    Coutada, Longroiva (vicus; villae nas quintas em redor; provável mutatio na Qta. da Coutada, tudo destruído pela nova IP2!)
    Ponte Romana? da Relva, sobre a ribeira de Centieira (a 50 m da EN102; sobe pelo CM1013)
    • é provável que existisse uma