Vias Romanas em Portugal
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Mapa da Hispânia Mapa da Hispânia Hispânia noroeste Hispânia sudoeste

Intro

Este itinerário tenta fixar no mapa de Portugal os pontos de passagem das vias romanas, de modo a criar rotas de viagem. Para além da evidência arqueológica, existe uma cópia medieval do Itinerário de Antonino ou Itinerarium Antonini Augusti, originalmente escrito no séc. III, indicando as estações de paragem ao longo da via (Mansiones) e respectivas distâncias medidas em milhas. Nesta página são apresentadas propostas de traçado para os 11 itinerários respeitantes ao actual território nacional, bem como para os muitos outros itinerários da extensa rede viária romana que cobre a totalidade do território Português. Para a conversão da milha romana em quilómetros, convencionou-se que uma milha equivale a 1480 m. Os itinerários aqui descritos estão em constante evolução à medida que novos vestígios são descobertos e novos estudos publicados.

Para uma introdução ao tema da viação romana, ver a página Informação.
Para um histórico das alterações do site e dicas sobre os itinerários, ver a página Histórico.
Para acompanhar a evolução do estudo sobre vias romanas ver antiga página de Notícias e o novo Blog Vias Romanas.

Os Itinerários de Antonino


De Braga partiam 5 itinerários:
 Itinerário XVI    Braga (BRACARA) a Lisboa (OLISIPO)
 Itinerário XIX    Braga (BRACARA) a Astorga (ARTURICA) por Ponte de Lima (LIMIA)
 Itinerário XVII   Braga (BRACARA) a Astorga (ARTURICA) por Chaves (AQUAE FLAVIAE)
 Itinerário XVIII  Braga (BRACARA) a Astorga (ARTURICA) pela Serra do Gerês, a VIA NOVA
 Itinerário XX     Braga (BRACARA) a Astorga (ARTURICA) per loca maritima

De Lisboa partiam 3 itinerários para Mérida:
 Itinerário XII   Lisboa (OLISIPO) a Mérida (EMERITA) por Alcácer do Sal (SALACIA) e Évora (EBORA)
 Itinerário XIV  Lisboa (OLISIPO) a Mérida (EMERITA) por Alter do Chão (ABELTERIUM)
 Itinerário XV   Lisboa (OLISIPO) a Mérida (EMERITA) por Alvega (ARITIO VETUS)

O Itinerário refere ainda os 3 itinerários seguintes:
 Itinerário XIII   Faro (OSSONOBA) a SALACIA
 Itinerário XXII  Castro Marim (BAESURI) a Beja (PACE IULIA) por Mértola (MYRTILIS)
 Itinerário XXI   Castro Marim (BAESURI) a Beja (PACE IULIA) por ARANNIS

Outros Itinerários Romanos


 O importante itinerário Braga (BRACARA) a Mérida (EMERITA)
 Outros Itinerários Romanos de Norte para Sul
Outras Vias que partiam do Porto (CALE)
Porto (CALE) - Freixo (TONGOBRIGA)
Porto (CALE) - Marnel (TALABRIGA) pela costa
Porto (CALE) - Viseu (VISSAIUM)
Chaves (AQUAE FLAVIAE) a Moncorvo (Civitas BANIENSIS)
Astorga (ARTURICA) - Moncorvo (Civitas BANIENSIS)
Chaves (AQUAE FLAVIAE) - Marialva (Civitas ARAVORUM)
Lamego (LAMECUM) - Marialva (Civitas ARAVORUM)
Marnel (TALABRIGA) - Viseu (VISSAIUM)
Viseu (VISSAIUM) - Lamego (LAMECUM) por Castro Daire
Viseu (VISSAIUM) - Moimenta da Beira (Arabriga?)
Viseu (VISSAIUM) - Aguiar da Beira
Viseu (VISSAIUM) - Celorico da Beira
Viseu (VISSAIUM) - Bobadela (Municipium)
Mangualde (Araocelum?) - Bobadela (Municipium)
Mealhada (Mansio) - Bobadela (Municipium)
Coimbra (AEMINIUM) - Viseu (VISSAIUM)
Coimbra (AEMINIUM) - Bobadela (Municipium)
Coimbra (AEMINIUM) - Leiria (COLLIPO)

Leiria (COLLIPO) - Tomar (SEILIUM)
Leiria (COLLIPO) - Santarém (SCALLABIS)
Leiria (COLLIPO) - Óbidos (EBUROBRITTIUM)
Óbidos (EBUROBRITTIUM) - Lisboa (OLISIPO)
Conímbriga (CONIMBRIGA) - Alvega (ARITIO VETUS)
Tomar (SEILIUM) - Idanha-a-Velha (IGAEDITANIA)
Alvega (ARITIO VETUS) - Salamanca (SALMANTICA)
Tomar (SEILIUM) - Évora (EBORA)
Santarém (SCALLABIS) - Évora (EBORA)
Idanha-a-Velha (IGAEDITANIA) - Aramenha (AMMAIA)
Idanha-a-Velha (IGAEDITANIA) - Évora (EBORA)
Évora (EBORA) - Beja (PACE IULIA)
Alcácer do Sal (SALACIA) - Beja (PACE IULIA)
Évora (EBORA) - Moura (Fines?)
Moura (Fines?) - Beja (PACE IULIA)
Moura (Fines?) - Serpa (SERPA)
Beja (PACE IULIA) - Sevilha (HISPALIS)
Castro Marim (BAESURI) - Faro (OSSONOBA)
Faro (OSSONOBA) - ARANNIS - Alcácer do Sal (SALACIA)
Faro (OSSONOBA) - ARANNIS - Beja (PACE IULIA)
Faro (OSSONOBA) - Cabo de São Vicente (Promontorium Sacro?)
 Outras Vias Romanas:
Rede viária a norte do Rio Douro (DURIUS flumen)
Rede viária em torno da Serra da Estrela (mons HERMINIUS?)
Rede viária em torno de Freixo de Numão (MEIDOBRIGA?)
Rede viária em torno de Marialva (Civitas ARAVORUM)
Rede viária em torno de Torre de Almofala (Civitas COBELCORUM)
Rede viária em torno de Idanha-a-Velha (Civitas IGAEDITANORUM)
Rede viária em torno de S. Salvador de Aramenha (Civitas AMMAIENSIS)

Itinerários de Antonino
Itinerário XVI (16)

Bracara Cale
Mapa














































Cale a Olisipo
Mapa















Mapa























Mapa







Mapa



Braga (BRACARA) - Porto (CALE) - Lisboa (OLISIPO)   CCXLIIII milhas - 361.5 km (1 milha=1480 m)
Item ab OLISIPONE BRACARAM AUGUSTAM m.p. CCXLIIII
IERABRIGA
SCALLABIN
SEILIUM
CONIMBRIGA
AEMINIO
TALABRIGA
LANGOBRIGA
CALEM
BRACARA

m.p. XXX
m.p. XXXII
m.p. XXXII
m.p. XXXIIII
m.p. X
m.p. XL
m.p. XVIII
m.p. XIII
m.p. XXXV
A via romana de Bracara Augusta a Olisipo estabeleceu a rota definitiva entre as duas cidades que subsiste até hoje, sobrepondo-se sucessivamente a Estrada Real, a Estrada Nacional EN1 e a Auto-estrada AE1. Estas seguem paralelas ou mesmo coincidentes em alguns pontos até Conimbriga, mas a partir daqui a via segue para SEILIUM, hoje Tomar, enquanto a EN1 e AE1 seguem mais a poente, por um outro trajecto também romano que ligava Conimbriga às civitates de Collipo na região de Leiria e Eburobrittium junto a Óbidos. O troço entre Braga e o Porto está bem documentado por inúmeros miliários, (ver 8 miliários da série do Padre Martins Capela desta via, dos quais só um miliário achado em Trofa Velha indica a distância a Braga de 21 milhas, mas a partir do Porto, os vestígios começam a escassear. Entre Porto e Coimbra restam apenas 4 miliários, o miliário de Úl, hoje deslocado para o centro de Oliveira de Azeméis, o miliário de Adães no mesmo concelho mas hoje desaparecido (?), o miliário da Vimieira, hoje no átrio da C. M. da Mealhada e o miliário do Arco da Traição em Coimbra que está hoje no Museu Machado de Castro. Na região a sul de Coimbra existem referências a mais 6 miliários, entre os quais se destacam o miliário in situ de Tamazinhos em Alvorge, atestando a passagem da via em direcção a Tomar, e o miliário do castelo de Soure que atesta a existência da variante atrás referida que se dirigia para Leiria. Na região de Tomar são referenciados 6 miliários, 4 na cidade e 2 na periferia, o miliário de Sta. Catarina e o miliário de St. Estevão em Delongo, atestando a continuação da via rumo a Santarém, onde aliás se achou um miliário a Probo, na Alcáçova. Daqui até Lisboa conhecem-se apenas mais 7 miliários, o miliário de Qta. do Bravo em Alenquer, o miliário do Açougue Velho em Alverca, o miliário da Qta. de St. António de Frielas, os 2 'novos' miliários de Loures e já em Lisboa, o miliário do Convento de Chelas, também desaparecido, e o miliário a Probo descoberto na Casa dos Bicos. Como também os vestígios de calçada são escassos, o trajecto detalhado da via continua ainda em processo de estudo e discussão. Sobre o esta parte do percurso ver a recente publicação das "Actas do mesa redonda De Olisipo a Ierabriga" no nº1 da Revista Cira Arqueologia. (Sarmento, 1888, 1890, 1892; Capela, 1895; Oliveira, 1943; Mantas, 1996; Seabra Lopes, 2000a; Colmenero et alii, 2004).

Braga (BRACARA AUGUSTA) (Conventus Bracara Augustanus)
No perímetro urbano de Braga foram encontrados vários miliários dispersos pela cidade, mas já deslocados pelo que se difícil identificar o seu local original; Alguns desses miliários podem estar relacionados com a Via Braga-Lisboa, como o que apareceu na parte sul da Rua de S. Geraldo ou o que apareceu na esquina da Rua Sá de Miranda com a rodovia, este próximo da necrópole da Av. da Imaculada Conceição provavelmente disposta ao longo da via que seguia para Cale. Estes miliários estão hoje em exposição no Museu D. Diogo de Sousa que conta com uma extensa colecção de 36 miliários (a maior colecção num só museu) recolhidos ao longo de séculos pelos eruditos da Sé de Braga que tentavam salvar da destruição estas «antiqualhas». A maioria deles foram reunidos no Campo das Carvalheiras onde estiveram muitos anos antes de dar entrada no museu que tem hoje uma página online com fotos de todos os miliários entre eles muitos dos miliários da série Capela. No Museu Pio XII existem mais 6 miliários, quatro pertencentes ao Itinerário XIX que liga Braga a Tui e dois pertencentes a esta via, o miliário de Lousado (MPXII.LIT.285) e o miliário de Carreiras em Vila Nova de Famalicão (MPXII.LIT.563).
Maximinos, Braga (o começo da via era assinalado por um miliário a Adriano da milha zero, CIL II 4748, pois indicava a distância total entre Braga e o Porto, ou seja 35 milhas; apareceu no colégio de S. Paulo, mas hoje está desaparecido; Todas as vias que partiam de Bracara tinham origem no Largo Paulo Orósio, antigo Forum, ponto de confluência do decumanus maximus e do cardus maximus e cujo cruzamento sul é visível nas actuais ruínas da biblioteca, na esquina da Rua Frei Caetano Brandão e Rua S. Paulo e dentro do edifício conserva-se um troço da via medieval que se sobrepôs à cardus maximus; A via romana para Cale deveria seguir na direcção sul aproximadamente pela Rua de S. Sebastião, rumando depois à esquerda pela Rua Direita, passando entre o Anfiteatro e a Necrópole de Maximinos, passa no Largo de Maximinos e segue em frente pela cortada Rua Peão da Meia Laranja, Rua Felicíssimo Campos, cruza a Av. Cidade do Porto ou EN103 e segue pelo CM1330/Rua da Ponte Pedrinha)
Travessia do rio Este na Ponte Pedrinha (alusão a uma ponte antiga com possível origem romana)
Lomar (Argote refere um miliário a Crispo junto à igreja hoje desaparecido assinalando talvez a milha II, CIL II 4764.; da Ponte Pedrinha segue pela Rua dos Presidentes até entroncar na EN309 no lugar da Mouta, continua por Muro e por Estrada, onde sai da EN309 e segue a direito pelo CM1333-2 por Boucinha, Rua da Ventosa, Rua da Capela, Correias, onde atravessa a ribeira do Barral, talvez a milha III)
Esporões (por Mosqueiros, Rua da Quinta, Rua da Ns. da Caridade e segue por Bocas, talvez a milha IV)
Trandeiras (continua pelo CM1343 por Almoinha, Souto, Outão e Varziela)
Penso St. Estevão (milha V; topónimos Mesão Frio e Pousadas sugerem estações viárias; passa junto do cemitério até Pardieiro, onde corta à direita para ir atravessar a ribeira de Morroira na Ponte da Veiga, cruza a EN309 e segue para Quebradas)
Escudeiros (subia pela EM1347 por Quebradas e Hospital, antiga pousada medieval com possível origem numa mutatio romana na milha VI, e segue pela pelo Rua do Caminho de Santiago até entroncar na EN309, percorrendo a vertente nascente do Castro romanizado do Monte Redondo/Monte Cossourado/S. Mamede, onde apareceu uma ara)
Carreiras, Portela de Sta. Marinha (junto da Igreja apareceu um miliário a Constantino II, talvez da milha VII, hoje no Museu Pio XII com o nº MPXII.LIT.563; segue por Muro e Paredes e atravessa o rio Pelhe para Telhado)
Telhado (EN309; talvez a milha VIII; no século XVI, João de Barros refere um miliário a Adriano da milha VIII na casa do Duque de Barcelos em Famalicão, CIL II 4737; Argote e posteriormente Martins Sarmento localiza-o na adega da casa de Domingos Thomé de Fonseca onde apenas leu Traiano, mas Hübner considera que este é um outro miliário, CIL II 4739; segue a margem direita do rio Pelhe)
São Cosme do Vale (miliário a Adriano desaparecido, CIL II 4867, talvez da milha X, encontrado no «Vale de S. Cosmado»)
S. Martinho do Vale (segue a EN309 por Ribeira de Baixo e Pousada até na Cruz do Pêlo que seria a milha XI, e onde entronca na EN206; vira à direita e logo à esquerda por caminho de terra para S. João da Pedra Leital, Lagoas, milha XII? e Pinheiral; para leste, fica o Castro romanizado do Monte da Eiras e o Castro de Vermoim; em Joane apareceu uma ara a Júpiter)

Santiago de Antas, Famalicão (milha XIII; da Igreja românica segue à esquerda por Vela e Capões até à EN204, Rua Miguel Torga)
  • O CIL refere um miliário a Adriano indicando a milha XII dado como desaparecido, CIL II 4738, mas que segundo Mantas deverá ser o miliário a Adriano, CIL II 4752, que hoje está em exposição no Museu D. Diogo de Sousa com o nº 1992.0666, atendendo a que apresentam a mesma epígrafe, apesar de este último indicar XIII milhas que poderá dever-se a um erro na transcrição feita por Acúrcio que terá omitido o «I» final.
  • Argote refere um fragmento de um miliário a Caracala, CIL II 4741, reutilizado no início do século XVIII como base de um cruzeiro que existia defronte da Igreja de Santiago de Antas; é dado como perdido, no entanto Colmenero sugere que este poderá corresponder a um fragmento que integra o muro oeste do Seminário Camboniano.
  • Capela refere mais 2 miliários anepígrafos no pátio da casa paroquial, entretanto desaparecidos.
  • Próximo da igreja existe um miliário dentro da Qta. da Devesa, hoje convertida em Parque da Cidade; o miliário está no exterior cravado num penedo.
  • Existe também um miliário na Qta. do Vinhal que poderá ter sido deslocado daqui.

Portela de Baixo, Santiago de Antas (milha XIV; Argote refere um miliário a Caracala indicando XIV milhas a Braga, CIL II 4740, embutido na capela de St. Estevão; Martins Capela encontra-o anos depois já partido em dois a servir de suporte do alpendre da casa paroquial de Antas e hoje está desaparecido)
Devesa Alta, Santiago de Antas (milha XV; segue pela EM509-1; Capela achou aqui um miliário que teria sido deslocado para o portão da Qta. de Pereira em Esmeriz, mas entretanto desapareceu)
Cabeçudos (segue pela EM508-2 junto da Igreja paroquial, talvez da milha XV, visto que Martins Sarmento achou aqui um miliário suportando uma varanda, entretanto dado como desaparecido, mas que segundo Vasco Mantas, poderá estar num muro junto da igreja já seccionado longitudinalmente; habitat na Igreja Velha; continua junto da Qta. de Boamense, Estrada e a direito para o Alto de Sta. Catarina)
Sta. Catarina, Cabeçudos (miliário a Caracala na Qta. de Sta. Catarina, encontrado a 1/4 de légua da quinta talvez da milha XVI; chegando ao marco de Sta. Catarina segue pela Rua do Marco para Fial, Pé de Prata, Garrida, Rua dos Almocreves e Rua das Diligências até à margem do rio Ave)
Lousado (miliário a Magnêncio, talvez da milha XVIII; foi descoberto na Igreja e hoje está no Museu Pio XII em Braga com o nº MPXII.LIT.285)

Travessia do rio Ave (Avo) na Ponte Romano?-Medieval da Lagoncinha
  • Na sua forma actual a ponte é uma construção medieval, mas é bem provável a existência de uma anterior romana nesta passagem natural, embora não existem vestígios concludentes. Num documento de 1054 há referência à ponte e à via romana «per illam carrariam antiquam que uadit pro ad illum pontem petrinum» (in PMH DC 287) e na «Carta do Couto do Mosteiro de Santo Tirso» do ano de 1097 aparece uma «ponte antiqua de flumine Avie» (in PMH DC 864), mostrando que no século XI já existia neste local uma ponte de pedra sobre o Ave, possivelmente um pouco mais a montante, junto da Cruz do Lugar das Marcas.
  • Atravessada a ponte, a via rumava à Trofa seguindo ao longo da margem esquerda do rio, passando na Ponte Velha sobre o rio Ervosa , Aldeia da Ponte e Esprela (aqui passa a calçada que ascende ladeando uma antiga fábrica, tomando depois a Rua S. João de Brito?), continuava pela Ponte Antiga de Real em S. Martinho de Bougado, seguindo de encontro à EN14 em Vale do Eirigo, talvez a milha XX, correndo depois pela direita da EN14 até Trofa Velha.
Trofa Velha, S. Martinho de Bougado (segue a EN14; villa em Rorigo Velho)
Ponte sobre a ribeira de Sedões/Covelas, Trofa Velha (a milha XXI atestada por 4 miliários aqui colocados após a demolição entre 1844 e 1846 da ponte velha, provável ponte romana, em consequência da construção da estrada real Porto-Braga: Lantemil, Santiago de Bougado
Peça Má, Alvarelhos (2 miliários talvez assinalando a milha XXII; miliário a Constâncio II, que está hoje na antiga casa do Padre Sousa Maia em Lantemil e o fragmento do miliário a Carino que estaria na berma da EN14 junto da Ponte da Peça Má e hoje está no jardim da antiga casa do Dr. António Cruz na Trofa Velha)

Alvarelhos (provável mutatio junto do importante Castro de Alvarelhos, vicus viário estrategicamente situado sobre o vale da ribeira da Aldeia por onde passava a via romana XVI e no cruzamento de outras vias secundárias; Civitas Albarelios na documentação medieval)
  • miliário a Adriano, CIL II 4736, dentro da Quinta do Paiço talvez indicando a milha XXIII ou XXIV que não ficaria longe; admitindo que não tenha sido deslocado, é viável um percurso alternativo à EN14 que tocasse a base do Castro de Alvarelhos, mas por outro lado os miliários apareceram em Peça Má e Carriça, ambos junto da EN14, embora possam ter sido deslocados, colocando assim a via um pouco afastada do castro, o que não é de estranhar no contexto romano. Assim, permanece a dúvida sobre a verdadeira rota da via. Existe uma referência a uma «carreira antiqua» num documento medieval que poderá ser esta variante pela Qta. do Paiço de referir-se a esta estrada (in PMH DC 151)
  • Variante pela Qta. do Paiço/Castro de Alvarelhos: corresponde à rota alternativa à EN14 pela EM1352 passando próximo da Qta. do Paiço e seguindo pelo caminho de terra que parte de Palmezão e segue pelas Bouças da Teixeira, ao longo da divisão com a freguesia com Guilhabreu, até entroncar na rua de Quiraz; Aqui podia dividir-se, seguindo um ramo à esquerda pela Igreja de S. Pedro de Avioso (EN536) e segue por Vilarinho até ao Castêlo da Maia (junto da estação CF), onde entronca na EN14 junto do Monte de St. Ovídeo, e um outro ramo seguia em frente pelo caminho de terra que desemboca na Rua das Andorinhas e continua pela Rua da Bajouca e Rua do Ribeiro, junto do Povoado (?) do Monte Faro, seguindo depois à direita pela Campa do Preto, Rua Frederico Ulrich até Moreira onde entronca na «Karraria Antiqua».
  • Outras ligações à «Karraria Antiqua»: é muito provável que do Castro de Alvarelhos partissem ramais de ligação à outra via proveniente do Porto e que ia atravessar o rio Ave junto da Ponte de D. Zameiro; existem vários rotas possíveis, uma ligando Palmazão a Vilar pela EM537 e outra passando junto do Castro Boi em Vairão até ao cruzamento de Vilarinho.
  • Vila Boa, a romana Villa Bona fica nos terrenos da Casa de Milreus com mosaicos, necrópole e 3 aras, duas anepígrafas e a terceira trata-se do epitáfio de um tal Lanasus originário do Castro dos Fidueneae (Citânia de Sanfins) por voto do Castellum ou Castro de Uliainca, demonstrando a existência de relações sociais entre os diversos povos da região (Silva A.C.F., 1980).
  • Altar votivo ao Genio Saturninus que apareceu entre o monte do castro e o monte de Cidai em Guidões.
  • Em Sobre Sá, junto da Qta. do Paiço, apareceu o epitáfio de Ladronus referindo o Castro dos Madequisenses que poderá estar na origem da actual cidade da Maia (via Madiae), hoje no Museu da Maia (Silva A.C.F., 1980).

Carriça, S. Cristóvão do Muro (Milha XXIII atestada pelo miliário a Maximiano encontrado na Qta. do Dr. Lima Barreto, CIL II 4743, ao km 12.7 da EN14 indicando 23 milhas a Braga, entretanto destruído; necrópole em S. Cristóvão; seguia talvez pela paralela à EN14 por Ribela onde volta a entrar na EN14)
S. Pedro de Avioso (miliário a Caro do Ferronho talvez indicando a milha XXV; Segundo o Abade Pedrosa, em 1894 o miliário estava 2 km a sul da Carriça e a 19 m a poente de EN14, passando depois para a berma da EN14 ao km 11.2 junto da capela dos Passos, onde esteve até ser transferido para o Museu de História e Etnologia da Terra da Maia onde está em exposição, assim como a ara dedicada à divindade Valanis; segue a EN14 por Espinhosa ou junto da igreja)
Santa Maria de Avioso (pela EN14 junto ao Monte de St. Ovídeo; talvez o Castro de Avioso citada em documentação do século XI; é possível que o nome na época romana fosse Madiae e o seu povo os Madequisenses com base na inscrição de Sobre Sá acima referida; segue a EN14 junto da necrópole da Forca)
Mandim, Maia (milha XXVII; pelos limites das freguesias de Barca e Moreira atravessando a EN Porto-Braga)
Pinta, Maia (muito alterado pela AE; talvez pela Rua Deolinda Duarte dos Santos)
Picoto, Maia (milha XXVIII no centro da cidade; segue pela Rua Augusto Simões)
Leça do Balio/Gueifães (a via faz de fronteira entre estas freguesias; necrópole da Quelha Funda; a milha XXIX seria talvez junto Lar do Comércio, antiga Qta. do Catassol, hoje Rua do Catassol e depois Rua de Santana até ao largo da Feira de Santana onde seria a milha XXX; vira à esquerda pela estreita Rua da Estrada Velha (antiga Socarreira) e Rua da Ponte da Pedra)

Ponte Romano-Medieval da Pedra sobre o rio Leça (alguns silhares almofadados atestam a sua origem romana; depois de atravessar a ponte segue à direita e logo à esquerda pela Rua da Estrada Velha até ao Largo da Ermida onde seria a milha XXXI)
São Mamede de Infesta (Castro em Moalde; Hübner refere um miliário a Adriano, CIL II 4735, talvez da milha XXXII, encontrado a servir de base de cruzeiro na Qta. do Dourado/St. António, passou depois para o cemitério onde ainda hoje se encontra, mas já sem letras visíveis pelo que as terá sido desbastado; Ara a Júpiter na Casa de Recarei/Qta. do Alão; do Largo da Ermida, a via continua pela Rua da Conceição até à estação CF, do outro lado segue pela Rua de St. António, Capela de St. António Telheiro, Largo do Marco, onde seria a milha XXXII, Rua do Carriçal; ainda hoje o limite entre o Porto e Matosinhos fica junto ao campo de futebol do Progresso)
Paranhos (Rua do Amial, milha XXXIII talvez no Jardim da Arca d'Água, Rua do Vale Formoso e Rua Antero de Quental)
Cedofeita (na Rua Antero de Quental passa junto à Capela do Sr. do Socorro que guarda um raro padrão do Caminho de Santiago talvez referente à milha XXXIV; segue pelo Largo da Lapa, Rua da Lapa, milha na Praça da República, antigo Campo de St. Ovídio, Rua dos Mártires da Liberdade, antiga Estrada de St. Ovídio, Largo do Moinho de Vento, Rua da Oliveiras, Rua Sá de Noronha, Praça Gomes Teixeira (Leões), Rua Dr. Ferreira da Silva, antiga «Calçada dos Orfans», Jardim da Cordoaria, outrora Porta do Olival, desce pela Rua dos Caldeireiros, Rua Afonso Martins Alho, atravessava o rio da Vila pela Ponte da Pedra, junto do antigo Largo de S. Roque, entretanto destruída pela construção da Rua Mouzinho da Silveira e consequente entubamento do rio da Vila, subia pela Rua do Souto e Rua Escura, entrando no morro da Sé pela Porta de Sant' Anna)

Porto (CALE) (mansio a XXXV milhas de Braga; provável capital da civitas do povo Callaeci, situada no Morro da Pena Ventosa, hoje o Bairro da Sé ou na outra margem no Castelo de Gaia; vestígios do antigo castro romanizado na Rua D. Hugo, na actual sede regional da Ordem dos Arquitectos e na Casa-Museu Guerra Junqueiro e nos alicerces da própria Sé, onde se achou uma inscrição aos Lares Marinhos LARIBUS MARINIS e uma ara votiva de Valéria Materna; O Museu de Arte Sacra e Arqueologia do Seminário Maior, na Igreja dos Grilos à Sé, tem uma colecção de epigrafia de várias origens; há vestígios romanos um pouco por toda a zona da Ribeira, em particular a muralha romana e restos de estruturas habitacionais e o mosaico da Villa da Casa do Infante; o povoamento estendia-se da Ribeira para poente com vestígios em Miragaia (Igreja), Massarelos (Rua Campo do Rou, Rua Casal do Pedro e na marginal), Lordelo (provável vicus no Campo do Eirado junto à Igreja paroquial; vestígios na Calçada do Ouro e Rua do Aleixo) e Foz Velha (ara achada na igreja de S. João Baptista onde se lia AQVIS talvez dedicada a divindades aquáticas e uma estátua de uma figura togada, única estátua do Porto, retirada do rio Douro em 1868 e hoje no Museu do Carmo em Lisboa; O miliário de Areal de Baixo em Braga pertencente à VIA XVII para Chaves e o miliário de Soalhães em Marco de Canaveses da Via Braga-Mérida estão em depósito no Museu Nacional Soares dos Reis (?); Segundo Estrabão o rio Douro era navegável até 800 estádios, cerca de 147 km o que deverá corresponder ao Cachão da Valeira; Ver também outras vias que partiam de Cale)

Travessia do rio Douro (Durius) (descia da Sé pela Rua Escura, Rua da Bainharia, Rua dos Mercadores até à Boca do rio da Vila no Cais da Ribeira, onde atravessava o rio talvez por barca; Ara à divindade DVRI achada talvez na Igreja de S. Pedro em Miragaia, mas hoje desaparecida; Na outra margem um pouco a jusante situa-se o Castelo de Gaia, importante povoado fortificado que poderá corresponder a Caeno Oppidum, povoação alegadamente referida no Ravennate (Rav. IV 43); Os vestígios estendem-se do gaveto da Rua de Entre Quintas e da Rua de São Marcos à Qta. de S. Marcos, Qta. de St. António e Igreja do Bom Jesus; Na escadaria que dá acesso ao castelo a partir do rio, conhecida como Sr. da Boa Passagem, apareceu a inscrição sepulcral de Lavius Tuscus da Legião X Gémina, membro da tribo Aemilia e hoje está no Solar dos Condes de Resende; Guimarães 1995, 2000)

Cais de Gaia, Vila Nova de Gaia (do cais de Gaia em Sta. Marinha talvez subisse pela Rua Cândido dos Reis e Rua Teixeira Lopes)
Mafamude (Rua Marquês Sá da Bandeira, Jardim Soares dos Reis, talvez a milha XXXVI, Rua da Rasa, desvia à esquerda pela Rua António Rodrigues da Rocha, pelo Clube Vilanovense, segue sempre a direito até à Rotunda de St. Ovídio, passa junto à Capela do Sr. do Padrão e segue a direito pela antiga EN1 hoje Rua Soares dos Reis e Rua da Fonte dos Arrependidos, a milha XXXVII seria na fonte, continua até aos semáforos onde seguia à esquerda pela Rua da Palmeira, hoje cortada pela AE1, mas que reaparece do outro lado da AE1, confluindo com a EN1 e segue pela Rua do Alto das Torres)
Rechousa, Canelas (milha XXXVIII; a via seguia paralela ou mesmo coincidente com a Rua da Rechousa)
Canelas de Cima, Canelas (milha XXXIX talvez junto à Sra. do Monte; raro troço de calçada de romana da VIA XVI, paralela à Rua Sra. do Monte e Rua do Monte, destruída em grande parte por uma urbanização recente, estando o que resta ao abandono)
Carvalhos, Pedroso (milha XL; a construção do nó da AE destruiu a antiga EN1 e também a rota romana, continuando do outro lado pela EN1, hoje Av. Dr. Moreira de Sousa)
Idanha, Pedroso (milha XLI; Castro romanizado do Monte Murado ou da Sra. da Saúde, servindo este talvez como mutatio como indiciam as Tesserae Hospitales encontradas na villa de Decimus Iulius Cilo que estão hoje no Solar dos Condes de Resende em Canelas; a calçada de acesso ao castro foi também danificada por uma urbanização recente)
Barrancas, Pedroso (a via seria paralela à EN1, mas no Largo das Alminhas segue à esquerda pela Rua da Feiteira)
Feiteira (Milha XLII?; continua pela Rua Dr. Jorge da Fonseca; ; há referências a calçada em Seada e Belavista, mas hoje nada se vê)
Vendas de Grijó, Seixezelo (Milha XLIII?; no cruzamento para Argoncilhe segue pela Rua Prof. Ferreira da Silva até às bombas)
Picoto, Vila da Feira (Milha XLIV?; segue a EN1)
Vergada, Argoncilhe (Milha XLV?; uilla draguncelli em 1091; segue pela Rua Central da Vergada até reencontrar a EN1)
Lourosa (Milha XLVI?; desvia da EN1 no cruzamento para Arouca pela Rua Romana e Rua da Estrada Real em Vendas Novas)

Fiães (LANGOBRIGA) (mansio na milha XLVIII; a 13 milhas a Cale e 48 de Bracara; o nome de Fiães deriva da Villa Ulfilanis registado em documentos medievais, tendo origem germânica; a mansio deveria estar junto à via, talvez em Vendas Novas, enquanto o povoado ficaria a 2 km no Castro do Monte de Sta. Maria ou Monte Redondo, lugar onde se recolheu importante espólio nos anos 70 mas hoje está praticamente destruído, ver Corrêa 1925, restando o topónimo de Vilar e uma calçada inédita (?) na Travessa de Vilar; daqui a via romana continua para sul sempre pela Rua da Estrada Real até ao Ferradal, topónimo viário talvez referente à milha XLVIX, mas pouco depois a via está interrompida na travessia do ribeiro porque foi destruída por novas acessos de uma urbanização que é preciso transpor para retomar o caminho 50 m depois; mais uma atentado perfeitamente evitável !)

Souto Redondo, Fiães (continua pela Rua do Areeiro, onde entronca no CM1064, estrada que vem da EN1, segue à esquerda e logo em frente entra na Rua da Estrada Romana seguindo até ao único troço que resta da Estrada Real com a calçada original em seixos rolados)
Airas, S. João de Ver (a Estrada Real segue até à ao Largo de Airas, milha L?, onde subsistem uns 50 m em calçada, continuando depois sempre a direito pela Rua da Estrada Real até desembocar na EN1 junto ao acesso às instalações da empresa Irmãos Cavaco)
Malaposta de S. Jorge, Sanfins (milha LI; segue a EN1)
Sanfins (EN1; passa na Capelinha da Meia Légua, 1100 m a S. João da Madeira, talvez a milha LII)
Escapães (scapanes num documento de 1053, in PMH DC 385; segue pela EN1, mas devido aos novos viadutos, sair para Arrifana e logo a seguir à esquerda até retomar a EN1; logo a seguir à bomba vira à direita pela Rua Frei Luís de Sousa e Rua da Banda de Música)
Arrifana (provável mutatio da milha LIII; Vila Maniozi em documento de 1085, in PMH DC 385; ara a Júpiter; talvez pela Rua Prof. Vicente Reis e Rua Dr. António Gomes Rebelo e Rua da Várzea)
S. João da Madeira (milha LIV; Fonte Romana junto ao Tribunal Judicial; a via deveria passar na antiga fábrica Oliva, na Rua da Fundição, e seguia pelo centro da cidade pela Rua de St. António, passa detrás da capela com o mesmo nome e segue pela Rua Comendador Raínho, Rua de Cucujães para Faria de Cima, talvez a milha LV, Faria de Baixo, pelas Rua Dr. Ângelo da Fonseca e Rua da Via Militar Romana até à travessia do rio Úl na Ponte da Pica)
Ponte Romano?-Medieval da Pica (talvez na milha LVI; segue junto ao rio para Cavadas do Couto, Rua do Cercal e Mangas paralela à EN1)
S. Tiago de Riba-Úl (milha LVII; segue por Carcavelos, a poente do povoado de Lações, por Lações de Baixo e Ponte da Barca, talvez por Lugar do Monte e Rua da Abelheira, Rua da Passos, cruza a EM535 e segue pela Rua Dr. António Luís Gomes e logo depois à direita pela Rua 5 de Janeiro)
Oliveira de Azeméis (milha LVIII junto à estação CF; a zona está muito alterada, mas é provável que seguisse pelo Alto do Serro onde seria a milha LIX, hoje desce Rua do Serro até à estação CF, continua pela Rua Domingos Oliveira Fontes, Rua das Padeiras e Rua dos Moleiros até à igreja)

Úl (provável mutatio na milha LX desde Braga e a 12 milhas de Langobriga segundo a leitura do miliário a Tibério indicando precisamente 12 milhas. Este miliário foi descoberto nas fundações da Igreja paroquial durante umas obras ali feitas em conjunto com um importante Terminus Augustalis que deveria marcar a divisão territorial entre Talabriga e Langobriga. O Término está hoje encastrado na parede das traseiras da igreja enquanto o miliário foi deslocado para Oliveira de Azeméis para o jardim junto à Igreja Matriz. No morro adjacente fica o Castro de Úl o povoado associado a esta estação viária. A cerca de 1 km, na outra margem do rio Úl, apareceu deslocado o miliário de Adães que passou pela Igreja de Úl, mas hoje está desaparecido (estará na CM?); vide Almeida, 1956)

Ponte sobre o rio Ínsua (daqui desce pela vertente nascente do morro do castro, passa o rio por ponte moderna e sobe a Rua do Castro até entroncar na estrada Travanca-Figueiredo que segue à direita)
Damonde, Travanca (milha LXI; povoado no Monte da Pena; segue pela Rua do Cabeço, Rua da Relva, e à direita pela Rua Manuel Soares Costa, cruza a EN224, Rua dos Meeiros)
Figueiredo de Cima (segue pela Rua do Rei)
Figueiredo de Baixo (junto à Qta. do Paço, antiga albergaria da família real e provável mutatio na milha LXII)
Pinheiro da Bemposta
Curval de Baixo (milha LXIII; desvia por Coche e Escusa pela Estrada dos Reis com vestígios das guias da calçada)

Branca (Auranca?) (milha LXIV; mutatio ?; um documento do ano 922 aparece como Abranca (in PMH DC 25); No entanto o vicus romano seria na aldeia de Cristelo, 3 km a poente, onde há vestígios romanos; Frei Bernardo de Brito no seu Monarchia Lusytania transcreve a epígrafe de um suposto miliário achado no «castelo de S. Gião»» (ML, II, 4), na «coroa do monte» da Serra de S. Julião, onde existia «muita pedraria», possivelmente uma atalaia pré-romana; Na última linha leu VAC XII P.M., ou seja indicaria XII milhas até à travessia do rio Vouga junto da mansio Talabriga no Cabeço do Vouga; No entanto muitos autores consideram-na forjada, aliás como muitas outras transcritas por este historiador do século XVI; ( vide Brito, 1597; Pereira 1907; Almeida, 1956, Alarcão, 2004a;); a via romana deverá corresponder à Estrada Real entre Coche e Lajinhas pois aí havia vestígios da primitiva calçada, seguindo paralela à linha férrea até confluir na EN1 ; vide Sousa, 1960)

Fradelos, Albergaria-a-Nova (milha LXVI; EN1; cruza a EM556-1 e a EM556-2 e segue pela vertente ocidental da Sra. do Socorro)
Albergaria-a-Velha (milha LXX; sai da EN1 à direita pela Rua Mártires da Liberdade, antiga Rua da Calçada e Rua Comendador Martins Pereira, reencontra a EN1 e começa a descer para o Rio Vouga)
Serém (milha LXXIII; há referências a um miliário; sair da EN1 pela Rua Santa Rosa e continuar pela Estrada do Real; calçada descia a encosta por Gândara, mas hoje está aterrada)
Ponte Romano?-Medieval sobre o rio Vouga (a ponte actual é uma reconstrução setecentista da primitiva ponte quinhentista, mas é possível que a ponte assente sobre uma ponte romana anterior da qual ainda são visíveis os pilares e os arranques dos arcos; em alternativa, a travessia poderia ser por barca entre Serém e Lugar da Cova)

Cabeço do Vouga/Marnel (TALABRIGA, Mansio), Lamas do Vouga (estação viária na travessia do rio Vouga, a 40 milhas de Coimbra; civitas Marnelli na documentação medieval; para aceder ao povoado, agora aberto ao público, seguir da ponte antiga à esquerda e depois no 1º caminho à direita)
  • Pela contagem das milhas aqui seria a milha 74, mas segundo o itinerário Talabriga estaria a 66 milhas pelo que não há concordância nas distâncias; as 8 milhas em falta colocam dúvidas na localização da mansio e do oppidum; Será um erro no itinerário?; sobre a localização da Talabriga, ver Pereira, 1907 e Seabra Lopes, 2000a e 2000b)
  • Daqui partia a importante ligação entre o litoral e o interior através da via romana Talabriga - Viseu.
  • Daqui também partia uma ligação ao mar por Eixo (forno romano) até ao Povoado da Torre/Marinha Baixa em Cacia, antigo porto romano e complexo industrial (vidro?) junto da Igreja de S. Julião, hoje bem longe do mar mas que na época romana estaria na linha costa.
  • De Cacia, a linha de costa talvez chegasse a Vagos (junto à Senhora de Vagos e Porto Gonçalo, na antiga foz do Rio Boco), Mira (junto a Cabecinhas, Calvão e Seixo, contornava o Cabeço a W da Fonte da Barroca, pelo Palhal de Portomar, Lagoa de Mira, Casal de S. Tomé, junto ao Outeiro da Forca, Ermida, contornava a Serra da Corujeira após o que entraria mais para o interior até Fervença já no concelho de Cantanhede, possivelmente servida pela estrada que passava em Cadima e que era proveniente da mansio da Vimieira na Via principal Braga-Lisboa.

Continuando para Lisboa:
Ponte Romano-Medieval sobre o rio Marnel (atravessa a EN1 e sobe a)
Pedaçães, Lamas do Vouga (milha LXXV; calçada; segue por Covelas)
Trofa (milha LXXVI; vem de Castrovães e passa ao lado da Igreja)
Segadães (milha LXXVII; segue por Fontinha)
Travassô (milha LXXVIII; calçada com 40 m escavada na rocha entre Hortinhas e Mato Crespo, hoje aterrada)
Travessia do rio Águeda em Cabanões (hoje desce ao rio pela EN601 e passa na moderna ponte de betão, mas 300 m a jusante existe o topónimo Ponte Pedrinha, talvez uma referência à antiga ponte)
Óis da Ribeira (milha LXXIX; da ponte segue à esquerda pela EN601)
Espinhel (milha LXXX; pela EN601, passa na Qta. do Morangal, contorna a Pateira de Fermentelos, que seria a linha de costa ao tempo romano)
Piedade, Espinhel (milha LXXX; atravessa a EN333 e segue para Barrô pelo CM1657, Rua do Lugar)
Paradela, Espinhel (milha LXXXI)
Barrô (milha LXXXII; segue a EM 601-2 por Carquejo, milha LXXXIII, e Landiosa, onde atravessa a ribeira do Cadaval)
Aguada de Baixo (milha LXXXIV; segue por Aguadela) S. João da Azenha (milha LXXXV)
Travessia do rio Cértima (na EM603)

Sangalhos (milha LXXXVI desde Braga; provável mutatio no lugar do Paço, a 20 milhas de Coimbra)
Sá, Sangalhos (milha LXXXVI; continua pela EN235)
Mogofores (milha LXXXVII no Cabeço; desvia à direita por S. Mateus e depois Lezírias)
Outeiro de Baixo (milha LXXXVIII)
Óis do Bairro (milha LXXXIX; assenta num povoado romano; próximo das Termas da Curia, outrora Aquae Curiva) Horta, Tamengos (milha XC; topónimo Cabeço do Marco)
Arinhos, Ventosa do Bairro (necrópole da Encosta do Covão entretanto destruída)
Ventosa do Bairro (milha XCI; travessia do rio da Ponte na EN614 ?)
Sepins (milha XCII; Vicus de SELIOBRIGA em S. Martinho de Pedrulhais, ocupando o planalto de Chãs da Ventosa)
Pedrulha, Mealhada (milha XCIII; segue pela EN615-1 até Casal Comba)
Casal Comba (toma a EN616)

Vimieira (milha XCIV desde Braga; provável mutatio a 12 milhas de Coimbra com base na Villa da Cidade das Areias, situada a ocidente da via e no miliário a Calígula, CIL II 4640, descoberto durante a construção da linha férrea do norte em meados do século XIX e hoje em exposição no átrio da CM da Mealhada e que indica a Milha XII; o miliário poderia estar em Casal Comba, onde há os topónimos Padrão e Largo do Marco, mas apenas se apurou que foi achado próximo da Qta. de S. Miguel, a cerca de 1 milha de Mealhada).
  • Não se sabe o local exacto da mutatio, mas esta poderia ter sido propriedade de um tal de Caius Fabius, atendendo ao cognome de Viator numa inscrição dedicada à divindade Tabudico achada na Villa da Qta. da Ns. do Amparo, em Murtede, hoje no Museu da Pedra em Cantanhede (Alarcão, 2004, p. 49); Ara votiva na Igreja paroquial.
  • Existe uma referência medieval no ano de 973 à «karraria de illa Vimeneira» um pouco mais a sul, ou seja a carreira da Vimieira que atesta a importância da Vimieira (in PMH DC 106)

Via romana que cruza com a Via XVI na Vimieira:
Esta via no sentido SW-NE, cruzava com a Via XVI na mutatio da Vimieira, ligando o interior beirão ao litoral.
  • Para NE seguia para Bobadela descrito no Itinerário Mealhada-Bobadela, ou desviar desta em Santa Comba Dão para rumar a norte em direcção a Viseu, descrito no Itinerário Coimbra-Viseu.
  • Para SO seguia para Tentúgal, seguia por Silvã, Enxofães e Cordinhã (de onde poderia partir uma via vicinale servindo as villae a sul, com vestígios na Qta. do Mancão, Pardieiros, Várzeas, Portunhos e Ançã), continuando pela Póvoa da Lomba (povoado em Mosqueiros), Outil, Zambujal (Villa em Monte Salgado) até Tentúgal (Villa); (Mantas, 1996, p. 328-332)
  • Ligação a Montemor-o-Velho por Ourentã (Villa em Bouças), Cantanhede, Lemede, Casal de Cadima (em torno do Alto de S. Gião, a Villa em Pelício e respectivas necrópoles em Pedra do Sino e Mata Pinto), descendo por Arazede e Amieiro até Montemor-o-Velho (na Villa na Sra. do Desterro junto da EN111; ara a Júpiter, RAP 281), ligando ainda por Lomba ao porto fluvial da Forca. (Alarcão, 2004, p. 40).
  • Maiorga deveria ser um porto fluvial; são possíveis ligações às vias descritas acima.

Continuando para Lisboa pela VIA XVI:
Lendiosa (milha XCV; continua pela EN616 e atravessa a ribeira da Lendiosa no Vale do Espinheiro)
Mala (milha XCVI; segue a E616 por Grada)
Carqueijo (milha XCVII, onde reencontra a EN1)
Santa Luzia (milha XCVIII na N1; em Barcouço, a oeste da via, fica o Vicus da Igreja Velha)
Sargento-Mor/Zouparria do Monte, Souselas (milha XCIX; Villa em Mouros e na Qta. de Lagares; no sítio de Bacelos sai da EN1 pela Estrada do Lameirão ou CM1138)
Adões (milha C; continua pelo CM1138, passa Trouxemil e segue a Rua do Calço)
Cioga do Monte, Fornos (milha CI, pela rua da Fonte Velha e pouco depois vira à direita pela ponte antiga da Qta. de Espertina até entroncar no CM1137 onde atravessa o rio de Fornos para Adémia de Baixo), onde atravessa a ribeira das Eiras)
Adémia de Cima (milha CII; deveria ser daqui o miliário a Calígula que está no Museu Machado de Castro pois indica 4 milhas a Coimbra)
Pedrulha (milha CIII; referência a uma «carraria maiore» num documento do ano 933, in PMH DC 39; a via deveria continuar por Loreto, junto à estação CF Coimbra-B, onde foi detectado um troço da via nas obras de uma passagem subterrânea entretanto cancelada, continuando pela Av. Fernão de Magalhães, Rua Simões de Castro e Rua Direita)

Coimbra (AEMINIUM) (milha CVI desde Braga e a 138 milhas de Lisboa; A localização de Aeminium em Coimbra é atestada por uma lápide honorífica dedicada ao imperador Constâncio Cloro pela Civitas Aeminiensis que apareceu na Couraça dos Apóstolos e hoje está no Museu Nacional Machado de Castro, MNMC 150; O museu tem uma colecção de epigrafes funerárias proveniente da necrópole junto da porta oriental local que recebia o aqueduto; Neste museu estão também depositados dois miliários, um tem a inscrição já muito danificada e por isso ilegível, e o outro é um miliário a Calígula indicando IIII milhas a Coimbra pelo que será proveniente de Adémia, embora tenha aparecido deslocado na Couraça de Lisboa perto do Arco da Traição em 1774; o museu assenta sobre um magnífico Criptopórtico Romano que servia de infra-estrutura ao antigo Forum, sendo hoje o edifício do período romano melhor conservado em Portugal; Há vestígios do cruzamento do decumanus maximus com o cardus maximus no canto SE do edifício; segundo Vasco Mantas, ver mapa, a via seguia paralela à margem do rio que na era romana era bem mais largo, seguindo pela Rua Direita, cortava à direita pelo Beco do Amorim, Largo do Poço, Rua Eduardo Coelho até à Igreja de S. Tiago na Praça Velha/Praça do Comércio, de onde partia um acesso à malha urbana, continuando junto à Igreja de S. Bartolomeu pela Travessa dos Gatos até ao Largo da Portagem, onde estaria a desaparecida Porta de Belcouce e onde se fazia a travessia do rio Mondego; Ver Alarcão, 2008a e Mantas, 1992 e 1996)

Travessia do rio Mondego (MONDA) (a Ponte Romana terá sido reconstruída em 1132 e posteriormente destruída)
  • Deveria existir um ramal ao longo da margem esquerda do rio, ligando ao povoado da Qta. do Outeiro em Taveiro (Talabarium ?) e ao vicus do Cerrado das Almas-Hortas em Ameal, junto da igreja, passando próximo dos sítios romanos do Vale da Serra e da Cova da Moura)

Cruz dos Morouços (sobe pela Qta. das Lages; Villa de S. Silvestre a nascente)
Antanhol (seguiria a leste do acampamento militar romano, também chamado de «Cidade Velha/Mata Velha», passando em Palheira, onde atravessa a ribeira de Frades/Antanhol e segue pela Venda do Cego; Villa de Escoural a poente; referência a uma «via publica» num documento do ano 1087, in PMH DC 676)
Cernache (passa por Casconha, junto da Villa da Mina)
Condeixa-a-Nova (passa a leste das Villae de Eira Pedrinha e Orelhudo, pelo lugar de Calçada e a Qta. de Silvães junto à EN1)

Condeixa-a-Velha (CONIMBRIGA) (milha CXVI desde Braga; oppidum e mansio a 10 milhas de Coimbra; neste território apareceram 6 miliários, o de Tamazinhos a Décio, o de Soure a Caracala e os restantes quatro foram achados dentro da cidade ou nas suas proximidades e estão no Museu Monográfico, dois a Constâncio Cloro, um a Tácito e outro a Galério Maximiano; a poucos km's fica o Castellum Romano de Alcabideque que fornecia água à cidade através de um aqueduto)
  • A continuação da via a partir de Conímbriga continua em dúvida porque existem dois caminhos alternativos até ao próximo miliário que foi encontrado in situ junto a Tamazinhos.
  • Um caminho poderia sair da cidade pelo pórtico junto às «Lojas a sul da Via», descendo a Ladeira de Condeixa-a-Velha até ao rio de Mouros que era atravessado na Ponte Romana? da Sancha (só vestígios), continuando pela margem esquerda pelo estradão que passa em Poço e ao lado da Ponte Filipina, continuando por Fonte Coberta, cruza a EN347-1, atravessa o rio de Mouros na ponte de pilares, assinalada como «Caminho de Santiago» e segue para Zambujal)
  • Em alternativa, a via poderia seguir pela na Mata da Bufarda/Alfarda até Zambujal, seguindo junto da EN347 por Enxurreira e Janeia Velha, evitando assim a dupla travessia do rio de Mouros da alternativa anterior.

Rabaçal, Penela (Villa Romana de Rabaçal aberta ao público; Ver o museu na povoação; referência à «uia antiqua da serra» no Foral de Penela em 1139 in PMH, CCO, p. 374; a via passa a nascente da villa por Cruz do Morto, talvez a milha VII)
  • Ligação a Leiria: importantes vestígios em Santiago da Guarda e Campodónio sugerem a existência de um ramal que partindo de Rabaçal se dirigia para SE, talvez em direcção a Collipo, região de Leiria, seguindo aproximadamente a EN347-1 por Alvorge e Santiago da Guarda, Ramalhais, Campodónio perto de Abiul e Vicus de Trás-os-Matos, continuando na direcção de Leiria pelo vicus da Arrochela em Espite (ponte romana? da Arrochela em Mata), até entroncar algures na Via Conimbriga - Collipo. Rabaçal (segue a EN347-1 junto do Vicus de Barbealho/Julianas, provável mutatio)
    Alvorge (por Ribeira de Alcalamouque e Junqueira, onde sai da EN348 à direita, passando em Granja; habitat no Solar dos Figueiredos da Guerra)
    Santiago da Guarda, Ansião (villa e provável mutatio no Solar dos Condes de Castelo Melhor/Paço dos Vasconcelos; inscrição vectigale rei publicae municipii vicini refere o pagamento de impostos a municípios vizinhos; criptopórtico no Poço do Carvalhal; vestígios de uma estrada antiga a sul da povoação, sugerem uma ligação a Ansião, onde existem importante vestígios de um provável vicus; seguia por Matos de Sta. Bárbara, CM1087, Estrada, Vale de Boi, CM1087-2, e Vales, onde existe um troço de calçada com 150 m)
    Ramalhais (pela EN526)
    Campodónio, Abiul (vicus e provável mutatio conhecida por Villa de Abuim; próximo fica a Villa de Fonte do Piar/Vale do Milho; talvez por Fonte da Pipa, topónimo viário)
    Abiul (Serrã)
    Trás-os-Matos, Vila Chã (vicus)
    Santiago de Litém (Villa da Qta. de S. Lourenço)
    S. Simão de Litém (habitat em Roubã e escórias de ferro na Qta. das Ferrarias; casal em Lameirão)
    Talvez continuasse por Colmeias até Boa Vista onde entronca no Via Conimbriga - Collipo ou mais directo a Leiria passando em Caranguejeira.

Via XVI entre Rabaçal e Tomar
Tamazinhos, Penela (aqui próximo, na Qta. da Ribeira, apareceu um miliário a Décio da milha VIII contadas a partir de Conimbriga que hoje está no Museu do Rabaçal; possível ponte romana; este miliário estaria in situ pelo que a via deveria seguir por Cruz do Morto, Fartosa e Casas Novas, continua entre o povoado do Cabeço de Trás de Figueiró e o Cabeço de Ateanha, passa no habitat da Vinha Morta e segue pelo caminho rural que serve de linha divisória entre os distritos de Leiria e Coimbra, passando por Algar e Estalagem; 3 km para NE fica a Villa de S. Simão)
Lagarteira (continua a leste, junto dos vestígios em Celeiros, Espadas, Louceiras e Verdes)
Cumeeira (continua a leste, junto do povoado romanizado de Castelos e da provável mutatio em Freixial; Villa da Ameixeira em Pedreiras e habitat em Figueiras Podres, Bouçã e Muro)
Avelar (segue o troço de calçada entre os lugares da Tojeira e Pontão)
Chão de Couce (habitat em Barroca; segue pela Portela de S. Caetano?; segue a EN110?)
Alvaiázere (não se sabe se a via ia pela actual EN110 por Barqueiros e Cabaços ou se ia a Alvaiázere passando na necrópole da Igreja Velha de Seixal e na importante Villa da Rominha, continuando pela Rua da Calçada Romana em Sobreiral, Feteiras, calçada da Cortiça e calçada do Ramalhal)
Relvas, Rego da Murta (calçada na encosta do Outeiro das Relvas até entroncar na EN110; Villa? em Sandoeira)
Pereiro, Areias (calçada; segue a EN110)
Venda dos Tremoços, Areias (milha CXXXIX)
Calçadas, Portela de Vila Verde (milha CXLI)
Ponte Romano?-Medieval sobre a ribeira de Ceras (segue por Calçadinha)
Ceras, Alviobeira (milha CXLIII; Castrum Caesaris no Monte do Alqueidão à cota de 186 m)
Alviobeira (milha CXLIV)
Casais, Tomar (Castro romanizado do Cabeço da Pena em Calvinos; segue a EN110 pelo Alto do Pintado, milha CXLV, vestígios de calçada, Feiteira, Venda Nova, milha CXLVII, Calçadas, milha CXLVIII, Calçada de Tripeiro, 100 m entretanto destruídos, entrando na cidade por Alvito e Gorduchas, milha CXLIX)

Tomar (SEILIUM) (milha CL desde Braga e a 94 milhas a Lisboa)
(Oppidum posteriormente elevado a Municipium Seiliensis; os 2 miliários achados em S. João do Couto estão agora no Museu do Carmo em Lisboa, o miliário a Tácito, CIL II 6197/CIL II 4959 sem indicação da distância e o miliário a Maximiano, CIL II 6198/CIL II 4960, não se lendo já as milhas indicadas, mas segundo Hübner era da milha I, o que pode ser explicado por uma mudança do ponto de origem de contagem das milhas para a civitas, mas também poderia marcar uma outra via que partiria daqui como por exemplo a Via Tomar-Évora; miliário a Nerva, CIL II 4961; 2 marcos honoríficos encontrados na Igreja de Sta. Maria dos Olivais onde se lê R(es) p(ublica) S(eiliensis); notícia de um miliário enterrado na Rua do Everard; Forum nas traseiras dos Bombeiros; há referências a Seiliensis noutros lugares, o epitáfio de Gaio Valerius do Lorvão (Coimbra) e o epitáfio de Caius Rufinus de Porto do Son (Galiza); Ver Silva, 1988; Ponte, 1995; Fernandes , 1996)

Travessia do rio Nabão (na chamada «Ponte Velha» que terá substituído uma anterior romana atendendo à importância desta travessia e do oppidum adjacente, mas que apesar de anterior romana, mas por agora esta hipótese não foi confirmada; talvez seguisse pela antiga «Corredoura», a actual Rua Serpa Pinto, e pela Levada onde apareceram 2 miliários?)
Madalena (Travessia da ribeira da Beselga talvez junto da Villa de Casais da Capela/Marmeleiro; na outra margem topónimo «Alto do Marco»)
Delongo, Paialvo (região fortemente romanizada entre a ribeira da Beselga e a ribeira de Mouchões por onde passaria a via nas proximidades das villae de Delongo, St. Catarina, Casal das Abadessas, S. Cristóvão, Carrazede, Casal Martinho e Bexiga.
  • Na sua obra "Agiológio Lusitano", Jorge Cardoso refere dois miliários entretanto desaparecidos; o miliário de St. Estevão ou dos Santos Mártires, proveniente da «Qta. das Coelhas» que foi deslocado para Villa do Casal das Abadessas, sobranceira à ribeira da Beselga, e o miliário de Sta. Catarina a « hum tiro de espingarda do lugar de Delongo», estando «hum distante do outro hum quarto de legoa», ou seja cerca de uma milha (ver Cardoso, 1652, p. 458 e 1666, p. 761).
  • Delongo é tradicionalmente associada à cidade de Concordia mencionada por Ptolomeu entre Santarém e Tomar.
  • Calçada de Casal Salgueiro em Paialvo, na Rua da Via Romana junto da linha férrea; ver notícia da sua descoberta.

Variantes para Santarém
A partir de Lamarosa, a antiga Estrada Real seguia para a Golegã, ao longo da margem direita do rio Tejo, solução sempre evitada na viação romana devido à constante travessia dos afluentes. Assim é mais provável que a Via XVI seguisse por Torres Novas, passando na Villa Cardillio. Sendo uma zona facilmente inundável, o percurso pela margem do rio poderia ser mesmo impossível na época romana. A estrada real seguia por Atalaia, Ponte da Pedra (antiga Ponte da Cardiga em Vila Nova da Barquinha), Entroncamento e Golegã
Via XVI por Torres Novas (ver Carta Arqueológica)
A travessia da ribeira de Mouchões poderia ser na Ponte Romana? da Pedra, junto da villa de Vila Nova, seguindo por Lamarosa, Árgea, Gateiras, Ponte Romana? da Qta. da Torre de St. António, Casal do Bom Amor (troço de calçada pelo Casal da Quebrada), travessia do Rio Almonda na confluência com a ribeira do Alvorão, passava a leste de Torres Novas junto da Villa de St. António da Caveira e da magnífica Villa Romana Cardillio (espólio recolhido no Museu Municipal), seguindo depois talvez por Alcorochel (Ponte Romana?), Casével e S. Vicente do Paúl, Alcanhões (Villa com termas na Qta. das Martanas), Cruz da Entrada e finalmente Ribeira de Santarém.

Santarém (SCALLABIS) (milha CLXXXII; mansio Scallabin do itinerário localizada a 62 milhas de Lisboa, capital do Conventus Scalabitanus; a mansio poderia ficar na periferia com base no teoria dos acusativos, apesar do único miliário encontrado nas proximidades, o miliário dedicado a Probo, ter aparecido junto dos vestígios do oppidum na Alcáçova de Santarém, hoje ocupada pelo Jardim das Portas do Sol; Toda esta zona foi recentemente escavada e foi criado o Centro de Interpretação «Urbi Scallabis» para exposição dos achados; na Casa da Alcáçova existem vestígios do podium e cella do templo romano)
Ónias (acompanha a linha férrea)
Vale de Santarém (calçada na Qta. do Malpique a S da povoação)
Vila Chã de Ourique, Cartaxo
Cartaxo (aqui a via inflecte para poente para contornar o Paul da Ota)
Pontével (provável mutatio; há calçada "acima da Fonte da Concha, à Horta d'Ourives, junto ao Pinhal da Rola" e duas pontes antigas com possível origem romana, a Ponte Velha sobre a ribeira de Pontével e a Ponte da Ribeira da Fonte, esta entretanto já destruída)
Aveiras de Cima, Azambuja
Travessia do rio Ota na Ponte de S. Bartolomeu ou junto da Qta. de Vale de Mouros (segue pela extrema da base aérea; Castro da Ota)

Alenquer (IERABRIGA) (milha CCXIV, mansio a 30 milhas a Lisboa no lugar de Paredes, talvez uma referência ao paredão de origem romana que se encontra na Rua das Fontes e que aparece como Villa Vedra nas memórias paroquiais de 1758; os vestígios da antiga cidade estendem-se pelo perímetro compreendido entre Paredes, Qta. de Sta. Teresa, Qta. das Sete Pedras, Qta. do Bravo e as villae do Casal da Telhada e Qta. da Barradinha, onde há referência a um miliário; na Qta. do Bravo, junto à necrópole, apareceu um miliário dedicado a Adriano, CIL II 4633, assinalando reparações na via («refecit») que está hoje no Museu do Carmo em Lisboa pelo que é provável que a mansio estivesse nesse local, junto da travessia do rio Alenquer; a via seguia para SE pelo caminho da Pacheca, passando na necrópole do Casal de St. António e Qta. de Sta. Teresa, onde apareceu um fragmento de coluna epigrafado que poderia ter origem num miliário; ara votiva a Bandua Aetobrico no Museu Municipal Hipólito Cabaço de Alenquer)
  • Ligação ao Tejo: deveria existir uma ligação de Ierabriga ao rio Tejo, passando em Casal do Reguengo (circo romano soterrado no subsolo?) e seguindo pela margem direita do rio Alenquer até Vila Nova da Rainha (villa no apeadeiro), onde se localizaria o porto fluvial de Ierabriga, atendendo à existência de um porto nesse local ainda no séc. XVIII, aos vestígios romanos na Qta. do Queimado e ao aparecimento de ânforas e sigilatas provenientes de dragados. (Costa, 2010)
Carregado (passa em Charnequinha, Guizanderia e Qta. de St. António)
Travessia do rio Grande da Pipa na Ponte da Couraça (segue a EN1 pela Qta. de S. José do Marco)
Castanheira do Ribatejo (vestígios no Bairro da Gulbenkian; Povoado fortificada no Monte dos Castelinhos; habitat em Mouchão; Villa em Sub-serra)

Povos, Vila Franca de Xira (villae no sítio da Escola Velha, na Qta. do Borrecho e em Casal da Boiça e no sítio da Igreja Velha em Cachoeiras; porto fluvial romano; ver Pimenta, 2007)
Vila Franca de Xira (vestígios na Travessa do Mercado e Vale da Ribeira de Santa Sofia)
São João dos Montes (vestígios em S. Romão)

Alverca (Coelho Gasco refere por volta de 1630 um miliário a Constâncio Cloro indicando a milha XXIII que apareceu na Travessa do Açougue Velho hoje desaparecido, CIL II 4632; as 23 milhas indicadas (34 km) não coincidem com a distância em linha recta entre Lisboa e Alverca que é de apenas 25 km, colocando a hipótese do traçado da via não seguir o caminho mais curto rente ao Tejo, mas pela mais extensa variante que seguia da Vialonga por Loures até Lisboa; No entanto, este miliário poderia estar já deslocado na época de Gasco vindo de um local mais a norte a 34 milhas de Lisboa, possivelmente junto ao vicus de Povos em Vila Franca de Xira; Outra possibilidade também plausível foi proposta por Mantas que corrige a leitura de Gasco para XVIII, ou seja passando a indicar 18 milhas (26,4 km), o que está mais de acordo com a distância no terreno; Vide Gasco, 1924; Mantas, 1996, 2009; Guerra, 2009)

  • Variante para Lisboa por Loures:
    Vários vestígios indiciam a existência de uma variante se não mesmo a via principal que se dirigia a Lisboa por Loures (2 novos miliários), provável mansio localizada no ponto de confluência com a via proveniente de Conimbriga por Collipo e Eburobrittium seguindo depois para a Ponte de Frielas junto da qual estaria o terceiro miliário deste percurso que apareceu reutilizado na Qta. de St. António e hoje está desaparecido; A recente descoberta dos miliários em Loures vem reforçar a possibilidade de ser este o percurso principal da Via XVI, sendo e este percurso alternativo à via que seguia pela margem direita do Tejo não será mesmo o percurso principal da Via XVI.
    Vialonga (Rua Egas Moniz; EN501 atravessando o rio Trancão)
    S. Julião do Tojal (passa a EN115-5; calçada)
    St. Antão do Tojal (passa a EN115 e segue por S. Roque até à travessia do rio Loures)
    Loures (em 1990, durante a construção do novo Palácio da Justiça foi identificada a Villa de Almoínhas e recolhidos 2 miliários, hoje em exposição no Museu Municipal na Qta. do Conventinho ali perto; seria uma mutatio?)
    Ponte de Frielas sobre a ribeira da Póvoa (miliário na Qta. de St. António do qual só resta um desenho, após a sua reutilização em 1907 nos alicerces de uma obra da quinta; segundo Vasco Mantas, estaria junto da ponte de Frielas; Villa junto da capela de Sta. Catarina, 2 km para norte e Villa da Qta. do Belo a nascente)
    Póvoa de St. Adrião
    Lisboa (OLISIPO) (passava na Calçada de Carriche e em Entrecampos, antigo «Campos de Alvalade», onde existia necrópole, seguia pela Rua de Sta. Marta, Rua de S. José, Rua das Portas de St. Antão, antiga «Corredoura» na Idade Média, Rua D. Antão Vaz Almada e desemboca na Praça da Figueira, onde foi descoberta uma necrópole e vestígios da calçada, atravessando depois a Baixa até à Sé; Banha da Silva, 2009)

  • Variante para Lisboa por Sacavém, seguindo a margem direita do rio Tejo
    Póvoa de Santa Iria (vestígios na Qta. de St. António de Bolonha)
    S. João da Talha (segue pela Bobadela)
    Ponte Romana de Sacavém sobre o rio Trancão (desenhada por Francisco de Holanda com 15 arcos; hoje só restam vestígios dos alicerces)
    Sacavém (provável mutatio; seguia pela Rua José Luís de Morais e Rua António Ricardo Rodrigues)
    Moscavide
    Marvila (Rua e Estrada de Marvila) Beato (Calçada do Grilo, Rua de Xabregas e Rua da Madre de Deus; lápide honorífica a Trajano Adriano no antigo convento de Xabregas)
    Sta. Engrácia (Calçada da Cruz de Pedra, Rua da Sta. Apolónia)
    Alfama (Rua do Mirante, Rua do Paraíso, junto da necrópole de Campo de Santa Clara, Rua dos Remédios, Largo do Chafariz, Rua de S. Pedro e Rua S. João da Praça; na Igreja de S. Vicente de Fora apareceu uma ara honorífica a Vespasiano e uma ara votiva a Júpiter)
    Lisboa (OLISIPO) (pela Rua das Cruzes da Sé e seguia até ao Largo da Sé)
    • Alternativa por Chelas: é muito provável que existisse um diverticulum por Chelas, se não mesmo a via principal, atendendo ao miliário a Magnêncio, o CIL II 4631 encontrado junto do Convento de S. Félix de Chelas (vestígios de villa ou templo romano) e referido por Marinho de Azevedo in «Antiguidades e Grandezas da Mui Insigne Cidade de Lisboa» (1652) que entretanto foi perdido; O seu percurso é impossível de determinar devido à intensa urbanização, mas deveria passar ao lado do convento e da necrópole de Poço de Cortes, hoje Av. do Santo Condestável e Estrada de Chelas, até entroncar na Calçada da Cruz de Pedra, onde confluía com a que seguia junto ao rio.

Lisboa (OLISIPO) (milha CCXLIV; caput viarum a 244 milhas de Braga)
(A via romana entrava na cidade pela Rua das Cruzes da Sé com base no miliário a Probo que apareceu na Casa dos Bicos, passando na necrópole do Campo de Santa Clara e na muralha romana na Cerca da Moura, seguindo ao longo da zona ribeirinha, continuando depois até ao Largo da Sé, o antigo Forum, existindo vestígios da calçada debaixo do Claustro da Sé; o miliários e outros achados estão em exposição no Museu da Cidade; Na Baixa fica o Núcleo Arqueológico da Rua dos Correeiros, zona portuária com tanques de salga, sobranceiro ao antigo braço do rio Tejo que se estendia da actual Praça do Comércio até à Praça da Figueira; Parece haver vestígios de uma Ponte Romana sobre este braço do rio, junto da Rua do Arco da Bandeira, hoje chamada de Rua dos Sapateiros e um provável cais de embarque na Rua das Canastras; várias epigrafes na Igreja de S. Nicolau sugerem uma necrópole neste local; o Museu do Carmo tem 3 miliários em exposição, dois pertencem a esta VIA XVI e são provenientes de S. João do Couto em Tomar, o CIL II 4959 e 4960, e o terceiro veio da Via Braga-Mérida, o miliário da Qta. do Cadouço, Famalicão da Serra; Existe ainda um quarto "miliário" proveniente da Qta. do Bravo, Alenquer, mas que hoje é interpretado como marco comemorativo, apesar de aí passar esta Via XVI. Os restantes 8? miliários trazidos para Lisboa, pertencem ao acervo do Museu Nacional de Arqueologia, doravante MNA, colecção que está hoje disponível online; Hoje pouco resta da antiga Olisipo que aliás só foi redescoberta após o grande terramoto de 1755, mas a monumentalidade dos seus edifícios demonstram a importância atingida pela capital do Municipium Olisiponense no contexto romano como as Termas Romanas dos Cássios na Rua das Pedras Negras, Thermae Cassiorum numa inscrição; o agora visitável Teatro Romano de Nero entre a Rua de S. Mamede e a Rua da Saudade; O circo/hipódromo? poderia ficar na Praça do Rossio)

Itinerário XIX (19)

Mapa











































































































Braga (BRACARA) - Tui (TUDAE) - Lugo (LUCUS) - Astorga (ARTURICA)   CCXCVIIII milhas - 443 km
Item a BRACARA ASTURICAM m.p. CCXCVIIII
LIMIA
TUDAE
BURBIDA
TUROQUA
AQUIS CELENIS
TRIA
ASSEGONIA
BREVIS
MARCIE
LUCO AUGUSTI
TIMALINO
PONTE NEVIAE
UTTARIS
BERGIDO
INTERAMNIO FLUVIO
ASTURICA
m.p. XVIIII
m.p. XXIIII
m.p. XVI
m.p. XVI
m.p. XXIIII
m.p. XII
m.p. XIII
m.p. XXII
m.p. XX
m.p. XIII
m.p. XXII
m.p. XII
m.p. XX
m.p. XVI
m.p. XX
m.p. XXX
O Itinerário XIX corresponde no território nacional à VIA IV, cujo traçado está relativamente bem estudado dado o elevado número de miliários existentes. Este itinerário corresponde em grande parte ao Caminho de Santiago pelo que existe sinalização do percurso (setas amarelas), embora nem sempre o caminho proposto siga pela via romana. Esta rota para a Galiza, certamente já utilizada antes da chegada dos romanos, tinha de atravessar dois grandes rios, o rio Lima onde vem a construir uma ponte e a instalar a mansio designada por LIMIA no Itinerário de Antonino, e o rio Minho onde instala outra mansio Tudae, hoje Ponte de Lima e Tui. Entrando na Galiza, a via rumava a Lugo tendo estações comuns com o Itinerário XX «per loca maritima» que vinha por barco ao longo dos portos do litoral tal como Aquis Celenis. A partir de Lugo todos estes itinerários seguem para Astorga, reunindo também com a Via Nova, o Itinerário XVIII de Antonino, a partir da mansio de Bergido. A via foi profundamente estudada no âmbito do projecto Vias Atlânticas visando a sua protecção e exploração turística do qual resultou este site. O Museu Pio XII guarda 5 miliários desta via, em exposição o miliário de Oleiros (MPXII.LIT.79) e na arrecadação, o fragmento de miliário de Arcozelo (MPXII.LIT.264), o miliário de Romarigães (MPXII.LIT.572), o miliário a Adriano de S. Paio de Merelim (MPXII.LIT.758) e o fragmento de miliário encontrado num muro da casa Patronato da Sé, na Rua da Cónega, possivelmente relacionado com esta via (MPXII.LIT.612). O Museu Martins Sarmento (doravante MSMS) em Guimarães tem em exposição o miliário da Qta. S. Germil em Panóias e o miliário a Tibério da Ponte do Prado. Numa das entradas do Claustro da Sé de Braga está depositado o miliário a Nerva da Qta. do Outeiro convertido em pedra de lagar. O Museu D. Diogo de Sousa (doravante MDS) guarda os outros miliários conhecidos.

Para mais informação consultar bibliografia: Colmenero, 1987; Colmenero et alii, 2004 e Regalo, 1987.



Braga (BRACARA) (no palacete de D. Jerónimo Pimentel, na esquina do Campo das Carvalheiras e rua da Sé, apareceu um miliário a Augusto indicando 43 milhas a Tudae, actual Tui, marcando certamente a milha zero da VIA XIX no caput viae; hoje está no MDS com o nº 1992.0684;a via deveria seguir próximo da Necrópole do Campo da Vinha no alinhamento do cardus maximus que corresponde hoje aproximadamente à Rua Jerónimo Pimentel seguindo pelo Campo das Carvalheiras e Campo das Hortas, atendendo à importante cloaca que corre sob o ex-Abrigo Distrital; na antiga casa dos Paços da Câmara de Braga na Rua Frei Caetano Brandão, apareceu em 1990 um miliário Constâncio II ? da milha I, hoje dentro da cafetaria que ali existe, deverá pertencer a esta via; a continuação da via é incerta pois apesar dos muitos miliários achados nesta rota quase todos estavam já deslocados para dentro das quintas na periferia da via; Assim esta parte do itinerário segue a rota medieval pela EN201, descendo pela Rua da Boavista e Calçada de Real até Capela, seguindo depois pela EN201 para a Ponte do Prado, mas os últimos estudos apontam no entanto para um trajecto diferente quase recto, seguindo pela Rua de S. Martinho e depois por caminhos agrícolas para Felgueiras; Ver Lemos, 2002 e Carvalho H., 2008)

Real (milha I; na zona apareceram 2 miliários; um deles foi descoberto na Qta. do Tourido em 1979, mas hoje está desaparecido, e muito próximo, no Monte dos Cones, apareceu um miliário a Maximino e Máximo da milha I, CIL II 4756, talvez já deslocado para servir de marco divisório pois aí está documentado a Villa de Columnas, hoje no Museu D. Diogo de Sousa com o nº 1992.0677)

Frossos (na Qta. do Outeiro apareceu um miliário a Nerva talvez da milha II, transformado em pedra de lagar e que hoje está numa das entradas do Claustro da Sé de Braga; segue a EN201)
Panóias (na Qta. de Germil Albano Belino descobriu um miliário a Tibério indicando a milha II que hoje está no MSMS com o nº 82; dentro da povoação, no Largo do Souto, está um outro miliário servindo de base a um cruzeiro; foi certamente deslocado da Ponte do Prado pois indica a milha IV; tem duas inscrições, uma inscrição primitiva a Tibério e uma inscrição posterior a Valentiano e Valente; fragmento de um possível miliário ou peso de lagar na Qta. da Mainha)

S. Paio de Merelim (miliário a Adriano, talvez da milha III, descoberto em 1981 num muro junto ao lavadouro da EN201 e que hoje está no Museu Pio XII em Braga; o marco divisório de Felgueiras poderá ser um miliário transformado; segue a EN201 pelo lugar da Calçada;)

Ponte Romano?-Medieval do Prado sobre o rio Cávado (Celadus) (Argote menciona um miliário a Augusto da milha IV, CIL II 4868, entretanto deslocado para Braga onde desapareceu; vários outros fragmentos de miliários estão embutidos nos muros junto à ponte; ver Regalo,1987; a ponte actual é muito posterior e não apresenta qualquer elemento romano pelo que a travessia do rio poderia ser um pouco mais a montante, junto do sítio romano de Macarome)

    Da Ponte do Prado à travessia do Rio Neiva:
    Até muito recentemente, o itinerário entre os rios Cávado e Neiva fazia passar a via romana por Lage, S. Miguel de Carreiras, Portela das Cabras, descendo depois à Ponte Velha de Goães, onde fazia a travessia do Neiva, correspondendo ao Caminho de Santiago. Sendo sem dúvida um caminho muito antigo (Sande Lemos relaciona-o com o período Suévico), apresenta no entanto algumas dificuldades no terreno como a subida à Portela das Cabras e a consequente descida abrupta até à Ponte de Goães para a travessia do rio Neiva que na sua forma actual é uma construção medieval. Por outro lado, os miliários conhecidos foram todos descobertos a poente desta rota embora já deslocados pelo que é muito mais provável que a via romana seguisse uma rota diferente do caminho medieval assinalado como "Caminho de Santiago" pois esta rota a poente oferece uma trajecto menos acidentado e assim mais de acordo com os princípios construtivos romanos. Entretanto, a descoberta de novos miliários em Atiães, no âmbito do projecto Vias Atlânticas, veio reforçar esta segunda hipótese pelo que esta passa a ser o itinerário romano e a antiga proposta uma variante tardo-romana.

  • Variante tardo-romana pela Ponte de Goães:
    Sta. Maria do Prado/Vila de Prado (vestígios de um possível vicus em Barreiro e Igreja Nova; da ponte sobre o Cávado segue por Faial, passa na calçada da Qta. do Jorge, Estrada, Murta, Santiago, um documento medieval refere uma carrariam antiquam junto da Capela de Francelos, Corga, Montinho e Sarrela)
    Lage, Oleiros (calçada; passa junto à Igreja de S. Julião, entra na Roupeira no CM1184 e segue por Livão)
    Moure (calçada; próximo fica o Castro romanizado do Barbudo ou Monte Castelo; continua pelo CM1184 por Caraceira, Laranjal, Landeira e Portelinha)
    S. Miguel de Carreiras (passa no CM1183 por St. André e Cachada)
    Portela das Cabras (calçada no lugar da Rua; em Portela do Meio passa a EN308 e segue por Hospital e Fonte Fria, descendo abruptamente para Goães; ara na Portela da Penela)
    Ponte Medieval da Pedrinha ou Ponte Velha, Goães, sobre o rio Neiva (NAEBIS)
    Rio Mau (da ponte sobe até Ângulo Quarenta onde vira à esquerda até Lagoeira onde entra no concelho de Ponte de Lima e reencontra a via romana descrita abaixo)

VIA XIX - da Ponte do Prado a Ponte de Lima
Sta. Maria do Prado/Vila de Prado (miliário a Tibério indicando a milha V, CIL II 4869, hoje no MSMS com o nº 77; da Ponte do Prado segue pela Rua Antunes Lima até à EN205 e depois à esquerda pela Rua Direita no lugar da Vila, atravessa a EN205 e segue pelas traseiras da Igreja Velha de Prado, no caminho que liga a Outeiro durante 1800 m)
Oleiros (o caminho segue junto até à Capela de S. Sebastião, próxima da qual apareceu um miliário a Valentiano I, indicando a milha VI, encontrado na "Bouça do Benefício Paroquial da Antiga Igreja Matriz" já transformado em cruzeiro que hoje está no Museu Pio XII)
Atiães (da Capela de S. Sebastião segue pelos lugares da Cumieira e Alminhas, onde existiam vestígios da via recentemente confirmada pela descoberta de um fragmento de miliário na Bouça do Castro, dirigindo-se depois à Mata de S. Jerónimo, onde recentemente foi identificado um outro fragmento de miliário; no adro da capela de Sta. Marta, existem 2 cipos, um dos quais Colmenero considera ser um fragmento de miliário, mas é duvidoso)
Freiriz (próximo das minas romanas na encosta leste do Monte do Cardal já em Moure; segue por mais 1900 m até à EN201 onde segue à esquerda por 2 km; o miliário desaparecido a Tito e Domiciano, CIL 4799, poderia ser daqui já que indicava 10 milhas a Braga)
Marrancos (fragmento de miliário junto à JF; villa?; Mina Romana da Cova dos Mouros; daqui também poderia seguir para a Ponte Goães, mas esta rota vai por Arcozelo atendendo ao miliário aí encontrado)
Arcozelo (fragmento de miliário a Tibério hoje no Museu Pio XII e que apareceu na Igreja Velha de Fontes, próximo do topónimo «Hospital» que indicia a existência de uma estalagem viária medieval)
Travessia do Rio Neiva (NAEBIS) (junto ao Moinho do Cubo?; na outra margem segue por Vilartão e Cadem, próximo do Castro de Cadem; miliário duvidoso em Calvêlo)

Anais (no lugar da Boa Vista, apareceu um miliário ilegível suportando o alpendre de uma casa; continua por Lagoeira, Gandra, Talho, Souto, Varziela, Malhos, Cruzeiro, à esquerda por Albergaria, Casas Novas até à Pé da Cruz onde vira à direita)

Queijada (continua por Empegada e Baganheiro, onde conflui com a EN201 e segue por Fundo de Oliveira até à Ponte Nova sobre o rio Trovela, junto à necrópole da Qta. do Outeiro)

Souto de Rebordões (milha XVII; miliário anepígrafo da Qta. das Fontes, enterrado junto ao caminho para a Igreja paroquial e de acesso à Qta. da Torre; estará deslocado? Seria aqui a travessia? Junto da Cividade já destruída?)
Travessia do rio Trovela (segundo CAB de Almeida, a via romana fazia a travessia numa antiga ponte a jusante da Ponte Nova; Castro romanizado na Qta. do Castro; continua por Cerdal, Silvosa, Capela de S. Brás, atravessa a ribeira de Sandilhão e segue por Laje até St. Amaro, passando a nascente do lugar da Posa, topónimo sugestivo de mutatio, onde se achou um miliário a Dalmácio)

Campo de St. Amaro, Fornelos (milha XVIII; perto da Capela de St. Amaro apareceu o miliário a Maximino e Máximo da milha XVIII que hoje está no jardim do Solar de Bertiandos convertido em pelourinho, CIL II 4870; uma regravação posterior revela reparações da via na frase «vias et pontes temporis vetustate conlapsos restituerunt»; Também no antigo passal apareceu um miliário a Maximino e Máximo a servir de peso de lagar e hoje está no jardim da Biblioteca Municipal de Vila Nova de Cerveira; segue junto da Qta. das Pias)

Gaia (LIMIA Mansio? na milha XIX)
(como o Itinerário de Antonino coloca Limia a 19 milhas de Braga é provável que esta corresponda ao Castro romanizado de Sta. Maria Madalena, ficando a mansio na sua base junto da via romana e não em Ponte de Lima como se pensava anteriormente; Daqui a via descia à Ponte Romana do sobre o rio Lima, passando por Bustelo, Cruzeiro, Graciosa, Qta. da Lapa, Qta. de Sanguinhal, Qta. do Olho Marinho e Largo dos Quartéis, entrando na vila pela antiga Porta de Braga, desmantelada em 1800; vide Almeida, 2001; hoje um percurso aproximado seria pela Rua do Meirim, onde apareceu calçada, Rua Gen. Norton de Matos, Rua da Lapa, Largo dos Quartéis, Rua do Souto, traseiras da Igreja Matriz, Rua Direita e Rua Fonte da Vila até à ponte romana)

Ponte de Lima (milha XX; na Igreja de Sta. Cruz do Lima apareceu uma Ara a Júpiter feita pela oficina ELPIDI, hoje no Museu Pio XII; Castro romanizado na Serra de Antelas, ocupando o Alto de St. Ovídeo e Alto da Telha)

Ponte Romana sobre o rio Lima (LAETHES) (reconstrução medieval; só os primeiros 5 arcos da margem direita são romanos)
Antepaço (Milha XX) (no pátio da Qta. do Antepaço existe um miliário ilegível que é o único que resta de um grupo de 4 miliários com os nº 1,2,3 e 4 da série Capela que marcavam a milha XX mesmo à saída da ponte romana e posteriormente deslocados para a Qta. de Faldejães; da ponte segue à direita pelo Caminho das Oliveiras, EM523, mas pouco antes da Ponte do Arquinho segue à esquerda pelo Caminho das Tojeiras, cruza a EN306 e segue a nascente da Qta. de Sabadão e da Qta. de Pomarchão sempre paralelo ao rio Labruja até Cancelhinhas e Igreja, onde segue à esquerda)
  • Na Qta. de Faldejães existem 5 miliários; 3 são provenientes da Qta. do Antepaço indicando a milha XX, o miliário a Adriano, CIL II 4871, o miliário a Caracala, CIL II 4872 e o miliário a Constâncio Cloro?, CIL II 4873; Além destes, temos um miliário anepígrafo de proveniência desconhecida e o fragmento de miliário proveniente da Capela de S. Sebastião.

Arcozelo (milha XXI?; continua junto da Igreja de Santa Marinha, onde apareceu um miliário talvez da milha 21)
Ponte Romano-Medieval do Arco da Geia sobre o rio Labruja, Arcozelo (pedras almofadadas no arco)

Cepões (milha XXIII? na base do Castro do Bárrio; depois da ponte segue a margem esquerda do rio por caminho agrícola que passa nos sítios da Coutada, Riba Rio, Borralho, Cerdeira, Carvalho Mouco e Moinho do Folão até entroncar na EN306; por aqui seria a milha XXIII assinalada pelo miliário que está no adro da Capela de S. Pedro, ali próximo)
Ponte Romano-Medieval do Arco, nova travessia do rio Labruja (pouco depois sai da EM522 e segue à esquerda por Fonte da Estrada, Ermida da Sra. das Neves, milha XXIV?, onde segue à esquerda pelo caminho da Texugueira, junto dos lugares de Revolta, Antas, Portelinha e Valinhos, onde vira à esquerda pelo caminho que passa na Casa da Balada até atingir Labruja)

Labruja (milha XXV?; miliário da Capela de S. Sebastião, hoje na Qta. de Faldejães; CAF Almeida refere um miliário na Capela de São João Baptista da Grova; como suporte da pia baptismal e ao que parece a pia está hoje na Igreja paroquial; passa a poente da Igreja pelo lugar da Freita, onde apareceu o fragmento de miliário talvez a Magnêncio e que está hoje na «Colecção da JAE» em Viana do Castelo, continua por Casa Branca, Eiras, Fonte da Três Bicas e Espinheiro, a milha XXVI assinalada pelo miliário a Constantino I suportando o alpendre de uma casa rural que marcava 26 milhas a Braga que está também na «Colecção da JAE»; a partir daqui o caminho divide-se em medieval e romano; o medieval/Caminho de Santiago segue pela Portela Grande enquanto a via romana seguia pela Portela Pequena com base na notícia de um miliário em Câmboa nº 11 da série Capela, que terá sido partido em 4 esteios e depois desapareceu; o percurso está muito alterado com a EN201 e a AE Braga-Valença; hoje seguir é preciso seguir a EM522)

Romarigães (milha XXVIII; de Câmboa/Portela Pequena desce a Veiga do Monte pela Capela do Pico, e segue por Portela, Venda, Cascalhal e Capela de S. Roque; Nas traseiras da Casa Grande de Romarigães2 miliários anepígrafos e numa casa rural das redondezas, apareceu um miliário a Valentiano I convertido em pia de porcos, hoje no Museu Pio XII com o nº MPXII.LIT.572 e que marcaria esta milha 28 embora hoje apenas se lê XX[...], AE 1980, 571)
  • A milha XXVIII na Portela de Romarigães: estrategicamente posicionada na ligação entre o vale do rio Lima e o vale do rio Coura, na base do importante Castro romanizado do Couto de Ouro, ainda hoje linha divisória entre os concelhos de Ponte de Lima e de Paredes de Coura, esta estação da Via XIX deveria corresponder à milha 28 desde Braga, sendo muito provável a existência de uma mansio na base do castro; Aqui a via dividia-se em dois trajectos alternativos, a poente e a nascente do castro, atestados por múltiplos miliários. O traçado poente seguia por S. Martinho de Coura e S. Bartolomeu das Antas, com miliários em Barreiros, Fonte de Olho, Sapardos e S. Julião, enquanto o outro traçado seguia por Rubiães e Cossourado e é também pontuado por miliários em Pereiros, Igreja de S. Pedro de Rubiães e Qta. do Castro. Os dois ramos voltam a reunir-se mais à frente pouco antes de Fontoura. Podem ter diferente cronologia, mas aparentemente ambas as variantes têm origem romana. A bifurcação milha poderia fazer-se junto da Capela de S. Roque, local onde venceria a milha XXVIII.

Variante por S. Martinho de Coura:

Variante por Rubiães:
    Portela de Romarigães (rumava a N pela vertente leste do castro até Azenha do Ribeiro)
    Ponte Romano?-Medieval da Codeceira sobre a ribeira da Codeceira
    Agualonga (habitat em Mourela; segue por Monte da Gândara e Covelo)
    Pereiros, Rubiães (seria daqui o miliário a Magnêncio da milha XXXI 31 que está em de S. Bartolomeu das Antas?)
    Rubiães (povoado em Tarrio de Cima; da Capela de S. Roque toma o caminho paralelo à EN201 que segue pela vertente poente do Monte da Costa passando nas traseiras da Igreja Românica de S. Pedro, onde no adro está um miliário a Caracala convertido em sepultura, CIL II 4872, talvez da milha XXX e segue até ao lugar da Escola onde desvia à esquerda para descer ao rio Coura)
    Crasto, Rubiães (na Qta. do Crasto há 3 miliários deslocados, na entrada da quinta está o miliário a Augusto e no seu interior um miliário a Valentiano I como esteio duma ramada e um fragmento de miliário anepígrafo; os dois primeiros indicam a milha XXX pelo que o seu local original poderia ser na Azenha do Ribeiro em Romarigães)
    Ponte Romano?-Medieval da Peorada sobre o rio Coura (milha 33; calçada antes da ponte)
    Cossourado (da ponte segue à direita até à EN201 que atravessa e segue por caminho estreito, contornando o magnífico Castro romanizado do Alto da Cividade/Forte da Cidade por nascente)
    Couto da Cabras, Cossourado (talvez a milha XXXIV 34, no km 11 da EN201)
    S. Bento da Porta Aberta, Cossourado (talvez a milha XXXV 35; daqui desce a Fontoura por Carcavelha até à Capela de S. Gabriel onde reencontra a outra variante)

Fontoura (milha XXXVII; provável mutatio, a 37 milhas de Braga com 2 miliários conhecidos)

Continuação da via a partir de Fontoura:
Fontoura (de S. Gabriel continua por Portela, Cortinhas, Casa Gonçalo, Boriz até à ribeira do mesmo nome; segue por Rio Torto, por caminho de terra batida com 100 m, até Monte Chão, restando da antiga via uma lomba no terreno com 500m, em propriedade privada; em alternativa poderia seguir pela capela de S. Bento)
Cerdal (por Bouça da Gândara e Paços/Passos, seguindo depois por caminho de terra batida até à)
Ponte Romano-Medieval da Pedreira sobre a ribeira da Pedreira ou de Fervença (calçada antes da ponte)
Pedreira, Cerdal (a seguir à ponte segue sempre em frente, cruza uma estrada asfaltada e segue por Corgas para atravessar o ribeiro de Mira numa ponte com origem romana)
Gandra (da ribeira segue a direito por Tuído, Albergaria e Senra até entroncar na EN13 ao km 116)
Arão (segue por uma paralela à EN13 que começa junto ao café Arcádia e passa no centro da povoação até reencontrar a EN13)
Valença (2 miliários provenientes do lugar das Lojas na «estrada do cais» para o Cais de Arinhos: o primeiro é um miliário a Cláudio da milha XLII 42, hoje deslocado para dentro da fortaleza e o segundo, embora duvidoso, é um miliário anepígrafo que está hoje na «Colecção da JAE» em Viana do Castelo; Inscrição de um veterano da Legião VI Vencedora no Museu Municipal, antiga cadeia)
Travessia do rio Minho (Minius) por barca?

Tui (TUDAE) (mansio da milha XLIII 43; 2 miliários em Sta. Eufémia)

No seu percurso de cerca de 400 km até Astorga , a via partia de Tui pelo lugar da Madalena, passava na Ponte Romana? de Orbenlle, seguia por Guizan, Louredo (miliário em Santiaguiño de Antas), Saxamonde em Redondela (5 miliários), continuando para Astorga pelas mansiones referidas no Itinerário: BURBIDA, TUROQUA, AQUIS CELENIS, TRIA, ASSEGONIA, BREVIS, MARCIE, LUCUS, TIMALINO, PONTE NEVIAE, UTTARIS, BERGIDO, INTERAMNIO FLUVIO e finalmente ASTURICA (total de CCXCVIIII milhas, ou seja 443 km).

Itinerário XVII (17)

Mapa
































































Braga (BRACARA) - Chaves (AQUAE FLAVIAE) - Astorga (ARTURICA)   CCXLVII milhas - 364.4 km
Item a BRACARA ASTURICAM m.p. CCXLVII
SALACIA
PRAESIDIO
CALADUNO
AD AQUAS
PINETUM
REBORETUM
COMPLEUTICA
VENIATIA
PETAVONIUM
ARGENTIOLUM
ASTURICA
m.p. XX
m.p. XXVI
m.p. XVI
m.p. XVIII
m.p. XX
m.p. XXXVI
m.p. XXVIIII
m.p. XV
m.p. XXVIII
m.p. XV
m.p. XXIIII
Apesar dos muitos miliários existentes, o traçado principal da via ainda suscita muitas dúvidas devido tanto às variantes equacionadas como à incerteza sobre as localizações das mansiones referidas no Itinerário de Antonino. O recente levantamento da via no âmbito do projecto "Vias Augustas" trouxe novas informações sobre o trajecto. Ver os 13 miliários da série Capela referentes a esta via (hoje já conhecemos cerca de 32 miliários desta via). Para mais informação consultar a seguinte bibliografia : Barradas, 1956; Colmenero, 1987; Redentor, 2002; Colmenero et alii; 2004; Maciel, 2004; Fontes, 2005; Fontes et alii, 2012.

Os miliários estão na sua maioria nos seguintes museus:
MDS - Museu D. Diogo de Sousa || MRF || Museu da Região Flaviense || MAB - Museu Abade de Baçal


Braga (BRACARA) (Em 1835, durante a construção do Hospital de S. Marcos apareceu um miliário a Caro, hoje desaparecido, e mais tarde em 1917, nos alicerces da enfermaria apareceu um miliário a Cláudio II indicando a milha I, hoje está no MDS com o nº 67492, junto com outro a Galério desaparecido; na sua periferia temos a necrópole de S. Lázaro, hoje terrenos da Sta. Casa da Misericórdia; Estes dados permitem equacionar a passagem da via XVII por esta zona. A via romana deveria partir próximo do Largo Paulo Orósio, antigo Forum, seguindo aproximadamente o decumanus pela Rua do Alcaide e Rua dos Falcões até à porta da cidade no Largo Carlos Amarante e cuja área corresponde à grande Necrópole da Via XVII, tomando depois a Rua do Raio, passa junto da Fonte do Ídolo, atravessa a Av. da Liberdade, onde recentemente foi escavado um troço da via debaixo do antigo edifício dos CTT, continua pelo Rua do Raio Penha e Rua de S. Vítor, passando junto da Igreja de S. Vítor, seguindo a Rua D. Pedro V e Rua Nova de Sta. Cruz que depois passa a EN103; a via continuaria ao longo da margem direita do Rio Este pela estrada velha, paralela à actual EN103. Neste troço apareceram 2 miliários, o miliário a Tibério indicando a milha I que apareceu na Qta. das Goladas em Urjais, hoje no Museu D. Diogo de Sousa com o nº. 1992.0642, tal como o miliário a Constâncio Cloro, CIL II 4763, transladado em 1920 para a Casa de Pielas em Painzela (Cabeceiras de Basto) pelo proprietário que na época detinha as duas quintas; Ver Colmenero, 2004)

Areal de Baixo (algures por aqui apareceu um miliário a Constante que hoje está no Museu Soares dos Reis no Porto; Este miliário, mesmo à saída de Braga, deveria assinalar a milha I e tanto pode pertencer a esta via como à Via Nova que passa a poente do lugar)
Gualtar (em Areias, junto da EN103, apareceu um miliário a Heliogábalo indicando III milhas Braga, hoje no MDS com o nº. 1992.0671)
Este de S. Mamede (passa por Venda, Bemposta e Carvalho, contorna Povoado Romano do Monte das Eiras Velhas pela vertente sul da Serra do Carvalho)
Pinheiro, Póvoa do Lanhoso (topónimo Calçada junto à EN103; próximo fica o Castro romanizado do Castelo de Lanhoso)
Rendufinho (pela EN103 no sopé da Serra de Santo Tirso; próximo daqui, em Calvos, fica o Castro romanizado do Monte Castelo)
Serzedelo (segue a EN103 por Igreja Nova e Couto, onde toma a EM1364 para Botica de Cima, continua pelo «Caminho do Pousadouro» que passa na aldeia até reencontrar a EN pouco antes de Cerdeirinhas, rumando depois para a Cruz de Real; Povoado romano em Vila Monteira/Cova da Moura, no Monte de Cidrô)

SALACIA, mansio, a 20 milhas de Braga
A localização desta estação continua a ser discutida, mas é provável que corresponda ao Castro romanizado de Vieira que fica exactamente a 20 milhas de Braga; Sendo assim, a mansio poderia ficar na base deste castro, eventualmente no edifício recentemente descoberto no Campo da Igreja Velha em Cantelães, seguindo depois por Espindo e Zebral até à Ponte do Arco. Por outro lado há fortes evidências de que via romana seguiria antes uma rota próxima da EN103, passando por Salamonde e Ruivães até à mesma Ponte do Arco em Campos, sendo que neste caso a mansio estaria na zona da Rechã que dista também 20 milhas a Braga. Assim, a partir da Cruz de Real são possíveis duas rotas alternativas descritas abaixo.
  • Argote refere 2 miliários desaparecidos junto a um ribeiro, a sudoeste da aldeia de Campos, mas que seriam provenientes da Portela de Rebordelos; um miliário era dedicado a Cláudio, CIL II 4770 , e no outro miliário apenas se lia 33 milhas pelo que marcaria a distância a Braga, CIL II 4772. A Portela de Rebordelos poderá corresponder ao topónimo Rebordondo, próximo do Outeiro dos Púcaros em Ruivães (Fontes, 2004).
  • Argote refere mais 2 miliários hoje desaparecidos junto à Capela de S. Martinho em Zebral; num deles Argote leu ESAR. AUG / STR. XVIII pelo que seria um miliário dedicado a Augusto, o CIL II 4776, e no outro leu CAESAR . AVG . / IMP . V . POT / III, CIL II 4775. Como não se conhece nenhuma capela de S. Martinho em torno de Zebral, é provável que Argote se referisse à Capela de S. Martinho no povoado romano do Alto de S. Cristóvão em Ruivães (Fontes, 2004).
  • Argote refere ainda 2 miliários a poente da aldeia de Botica; um já estaria ilegível e está desaparecido e o outro, dedicado a Trajano, indicava a milha 43 desde Chaves pelo que poderá ser o mesmo que se encontrou em Padrões, CIL 4783 (Fontes, 2004).
  • Numa capela de Fornelo (Soutelo) apareceu uma ara dedicada a Júpiter pelos Vicani Cabr(icenses?), podendo este vicus estar na origem do nome da Serra da Cabreira (mons Cabrarium?), mas sem localização conhecida.
    Variante por Salamonde
    Cruz de Real (segue a EN103 até ao km 71, onde toma a calçada do «Caminho da Rechã», retoma a EN ao km 72 e segue pelo «Caminho do Penedo» com vestígios de rodados; de novo na EN segue até ao km 75, onde toma o «Caminho das Gavinheiras», com parte ainda lajeada, reaparecendo depois na Capela de Ns. de Begonha, passando assim a sul do povoado romano do Outeiro do Castro sobranceiro ao rio Cávado, onde hoje está a Capela da Sra. da Conceição)
    Louredo (na capela da Sra. da Guia em Fornelos existe uma ara anepígrafe suportando o altar, talvez proveniente do povoado romano do Campo da Veiga; a via segue sobreposta à EN103 até tomar o «Caminho do Outeiro» e o «Caminho do Sudro»)
    Salamonde (povoado romano no Outeiro da Coroa; a via segue o «Caminho da Aldeia» pela Capela das Almas, segue paralela à EN103 e na Casa Florestal toma o chamado «Caminho do Outeiro dos Púcaros» pelo Pontão da Mua até Rebordondo, onde cruza a EN e segue pelo «Caminho de Ruivães» que passa no Pontão da ribeira de Corga de Mendo, no Pontão da ribeira de Chedas e na Ponte Velha da Rês sobre a ribeira de Saltadouro)
    Ruivães (importante povoado romano no Alto de S. Cristovam na confluência. dos rios Rabagão e Cávado; mutatio?; continua pela EN103 por S. Cristóvão e Botica de Ruivães, seguindo depois paralela à EN pelo «Caminho de Sta. Leocádia», passando por Pitões, Soutelo e Paradinha, cruza a EN para Escadeirinhas e segue pelo «Caminho de Cambedo» até à Ponte do Arco em Campos.
    Variante por Vieira do Minho
    Cruz de Real (segue a EN até Vieira do Minho)
    Cantelães (a via continua para Espindo pela vertente ocidental da Serra da Cabreira por Pinheiro, seguindo a sul de Parada Velha até Fonte do Confurco e Portela da Serradela, atravessa a ribeira das Chedas na Ponte Poldro, seguindo depois por calçada por 500 m até Espindo)
    Espindo (segue em calçada lajeada pelo designado «Caminho do Zebral» por Cancelos e Gândara)
    Zebral (miliário na Capela de S. Pedro, outrora pia baptismal e hoje cimentado ao chão, lendo-se ainda as letras CAESAR / NCVS / IV)
    Campos (atravessava o rio da Lage no Pontilhão dos Pardieiros ou na Ponte dos Campos e seguia por Campos e Lamalonga até à Ponte do Arco)

Ponte Romano-Medieval do Arco sobre a ribeira da Borralha (antiga Canhua, hoje submersa pela albufeira da barragem da Venda Nova; Tanto Argote como Martins Capela e Hübner, CIL 4773, descrevem um miliário anepígrafe junto da ponte que deverá ser miliário da Venda Nova que apareceu durante a construção da barragem e foi por isso implantado nos jardins da central e hoje está num jardim da povoação)
Padrões, Montalegre (milha XXXIV a Braga e XLIII a Chaves; antiga Vilarinho dos Padrões, com 3 miliários: o miliário a Tibério da milha XX[...] a Braga que está hoje no MNA com o nº E 5224, CIL II 4773; dois outros miliários desaparecidos foram referidos por Argote, o miliário a Adriano com o nº. 940 e o miliário a Trajano com o nº 574, CIL II 4783, ambos indicando 43 milhas a Chaves, mostrando a crescente importância desta cidade romana; a via está submersa pela albufeira, mas deveria continuar passando a norte de Sanguinhedo)
Venda Nova (milha XXXV a Braga e XLII a Chaves; antiga Venda dos Padrões; conhecem-se 4 miliários daqui, sendo que dois foram encontrados na parede do forno comunitário de Sanguinhedo, o miliário a Trajano hoje no MRF como ARC431, CIL II 4782, e o miliário a Adriano, indicando 42 milhas a Chaves que hoje está nos jardins junto ao Castelo de Chaves; o terceiro é o miliário a Cláudio da milha ?XXV, já não se lendo o X inicial que perfaz as 35 milhas a Braga, hoje no MRF, ARC396, CIL II 4771, juntamente com um outro miliário desta milha pois apesar de lhe faltar o topo, ainda se lê m.p. XLII a Chaves, CIL II 4774.)
Codeçoso do Arco (milha XXXVIII; Martins Capela refere um miliário a Cláudio indicando 38 milhas a Braga, entretanto destruído; 100m em calçada na encosta leste)
Travessia do rio Rabagão em São Fins, Pondras (Argote refere uma Ponte Romana em Porto de Carros já então em ruínas; fragmento de um possível miliário encastrado na parede do forno da aldeia de São Fins)
Lama do carvalho, Currais (milha XXXIX; Argote refere um miliário a Tibério, CIL II 4777, no sítio do Borrageiro, «a uma milha de Currais», hoje desaparecido que indicaria 38 milhas, talvez contadas a partir de Chaves visto que este local está a 39 milhas de Braga; estaria assim a meio caminho entre as duas cidades; calçada com 300 m sobe a Currais)
Currais, Reigoso ( miliário anepígrafo como suporte de varanda de uma casa na aldeia, talvez proveniente de Pisões; a via continuava ao longo da margem direita do Rabagão; Argote refere os topónimos Subila, Breia, Gea e Cambela)
Pisões (o topónimo sugere miliários, talvez da milha XL; a partir daqui a calçada está submersa pela albufeira do Alto Rabagão, mas deveria passar junto do miliário da Cantina de Leiranco/Cruz de Leiranque, entretanto deslocado para o Largo da Seara na aldeia de Viade de Baixo, passando depois a sul do Alto de Pedrouço em Parafita, junto da Villa Mel, seguindo depois por Penedones, junto do Povoado de Leiras dos Padrões, outra possível localização da mansio Praesidio e onde apareceu uma ara anepígrafa)

PRAESIDIO, mansio a 46 milhas de Braga é tradicionalmente localizada no Castro do Codeçoso do Arco, mas atendendo à sequência de miliários aqui deveria situar-se a milha 38 pelo que é mais provável que a mansio fosse um pouco mais à frente nas imediações da aldeia de Pisões. Outros autores situam-na na Vila da Ponte.

Travassos (miliário anepígrafo convertido em cruzeiro no lugar do Padrão)
S. Vicente de Chã (passa a SE no sopé do Castro romanizado; ara a Júpiter no sítio do Padrão, FE368)
Peirezes (calçada atravessa a ribeira da Ponte Velha, sobe à povoação e desce à Ponte Romana? sobre o rio Rabagão da qual apenas resta um arco)
Gralhós (calçada segue para a Ponte Romana? da Pedra sobre a ribeira de Rabagão)
Cortiço (miliário sustendo uma varanda dentro da aldeia e pequeno fragmento de um miliário convertido em bebedouro; a via segue até à Ponte Romana? de Cortiço, continuando em calçada pelo Alto da Pedra Moura, a norte de Vilarinho de Arcos)
Arcos (milha LVIII; na rua principal, perto da Sra. do Campo, apareceu em 1813 o miliário a Cláudio da milha LV[...] hoje no MRF com o nº ARC398, CIL II 4770; talvez indicasse a milha 58 porque Arcos fica a uma milha de Pindo)
Pindo, Arcos (milha LIX; 3 miliários; miliário a Tibério da milha LIX (59) que apareceu suportando a varanda da casa de Manuel Moreno e hoje está no MRF com o nº ARC394, CIL II 4778, o miliário a Cláudio que hoje está no pátio do Castelo de Montalegre e mais recentemente um miliário anepígrafo que apareceu em Arcos, mas que teria vindo do Pindo e que hoje está no jardim da antiga escola de Cervos)

CALADUNO, a mansio referida no Itinerário a 62 milhas de Braga, deveria localizar-se nesta região; como o miliário do Pindo indica 59 milhas, então a mansio seria 3 milhas adiante, mas como este miliário foi deslocado, a mansio poderia estar localizada na povoação de Arcos ou no Alto da Serra do Pindo, mas não existem para já vestígios que o comprovem. Como há 3 milhas em falta na soma das distâncias intermédias no itinerário a incerteza continua; no Geographia de Ptolomeu (II, 6, 38) aparece como Caladunum.
  • Hipotética ligação para norte com base no miliário anepígrafo que está junto da Fonte de Tordavela em Antigo de Arcos, actual Antigo de Sarraquinhos, se não foi deslocado indicia uma derivação para norte a partir da mansio Caladuno, mas caso existisse esta via, para onde seguiria? é provável que a via seguisse por Sarraquinhos, Pedrário e Mexide até Soutelinho da Raia, onde entroncaria numa das vias que partiam da Chaves em direcção à Galiza.

Continuando para Chaves pela Via XVII:
A rota da Via XVII até Chaves ainda suscita muitas dúvidas devido à existência de vários possíveis itinerários, mas com base nos miliários conhecidos é mais provável que a via principal seguisse pela Portela do Pindo, na linha divisória entre os concelhos de Montalegre e Boticas, seguindo depois por Ardões e Seara Velha para a Serra da Pastoria, onde se achou um miliário a Trajano indicando 5 milhas a Chaves, descendo por Soutelo e Vale de Anta até Chaves. Este percurso é pontuado por vários troços de calçada e uma inscrição viária em Soutelo. No entanto é também muito provável a existência de uma variante que seguia mais a sul atendendo ao miliário conhecido como «Pedra de Caixão» (devido a ter sido convertido em sarcófago na idade média) encontrado nas proximidades do vicus mineiro no Castro de Sapelos, trajecto que passa num troço de calçada em Giraldo que está certamente relacionado com a forte exploração mineira no vale inicial do rio Terva durante o período romano, com minas em Batocas, Brejo, Sapelos e no Poço das Freitas, uma importante exploração aurífera romana que precisa de medidas de preservação urgentes devido à possível retoma da sua exploração!
  • Variante por Ardões:
    Portela do Pindo (segue a margem esquerda da ribeira pelo estradão florestal que passa junto da calçada da Fraga do Fogo)
    Ardãos (passa na aldeia e segue pela EM527, a norte das minas e povoado de Batocas, até tomar o troço de calçada entre Sangrinheira e o Sr. do Bonfim, onde reencontra a EM527, saindo pouco depois pelo caminho de terra que passa no chamado Fragão do Fôjo, onde existe um extenso troço de calçada que passa a sul do Castro do Muro de Cunhas)
    Seara Velha (continua em calçada, atravessa a ribeira de Calvão e segue pela Portela da Serra do Ferro para Soutelo, passando a norte da Villa ou povoado do Alto da Ribeira)
    • Miliário da Pastoria: este miliário dedicado a Trajano que apareceu na Serra da Pastoria, indica V milhas a Chaves pelo que o seu local original poderia ser aqui na Portela da Serra do Ferro, nos limites dos concelhos de Boticas e Chaves e que dista 5 milhas de Chaves; hoje no MRF com o nº ARC401.
    Soutelo (passa na calçada do Alto da Mortiça e Campo da Via segue pelo lugar da Pipa onde há uma inscrição viária, [Via] / paganica / hor(is) die[i] / precario / [itur]; também no lugar de Cavalo dos Mouros existe uma outra inscrição num penedo TERM C. L, provável marco territorial)
    Vale de Anta (miliário a Treboniano Galo na Igreja e outro anepígrafo desaparecido; Barragem Romana Abobeleira a norte e minas em Outeiro Machado e Campo Queimado)

  • Variante por Sapelos:
    Portela do Pindo (desce pela vertente SE da Serra do Leiranco, passando no sopé do Castro de Malhó)
    Nogueira (passa a nordeste da povoação e do Castro romanizado de Nogueira, na base do Alto do Picão)
    Bobadela (passa a leste da povoação e do Castro do Brejo/Cidadonha, ao longo da ribeira do Vidoeiro até Carvalhosa, existindo vestígios de rodados apenas em Giraldo, junto do povoado mineiro do Carregal/Poço das Freitas; inscrição na igreja aos L(ares) Corcaeci; ara a Júpiter suportando a pia baptismal da capela de S. Lourenço)
    Sapelos (ara a Júpiter na capela, hoje no Museu Rural de Boticas, hoje no Museu Rural de Boticas; a via continuava pela portela da Sra. dos Milagres, S. Domingos e Casas Novas)
    • Miliário de Sapelos: No local designado por Lapada/Lapavale, a 800 m para NE da aldeia de Sapelos, apareceu deslocado um miliário a Augusto indicando a milha LXV[...] já convertido em sarcófago e por isso chamado de "Pedra do Caixão"; este marco estaria no carvalhal do Sr. António Martins, junto à ribeira de Calvão, em frente à Capela da Sra. das Neves, onde se regista o topónimo Padrão e nas imediações do Castro do Muro/Cerca; o marco está depositado no armazém do mercado municipal em Chaves! (Colmenero, 2004; Fontes, 2010)
    Redondelo (minas das Olgas e de Mosteirão a sul)
    Curalha (Castro romanizado junto à margem direita do Tâmega)
    Cando (Villa junto da Capela Românica da Granjinha; ara dedicada à Tutela da civitas Aquisflaviensis)

Casas dos Montes (miliário anepígrafo na esquina da casa do Sr. Castro talvez ainda in situ)
Ponte Romano-Medieval de Ribelas (dentro do complexo termal; entra pelo Bairro de S. Bartolomeu onde apareceu um miliário junto à capela)

Chaves (AQUAE FLAVIAE) (milha LXXX; Mansio Ad Aqvas do Itinerário de Antonino)
(Miliário a Décio da milha V; miliário do Postigo das Manas desaparecido; Argote refere ainda mais 4 miliários: um a Licínio, entretanto relocalizado em 2006, um outro a Constantino desaparecido, um a Caro encontrado em Sta. Cruz e 2 miliários desaparecidos a Adriano, um estaria no actual Campo da Aliança e indicava a milha II, CIL II 4779, e o outro estaria junto à Capela do Anjo no actual Largo 8 de Julho e indicava a milha V, CIL II 4780; nesta capela existia um outro miliário também desaparecido; no Castelo de Chaves está o miliário a Adriano proveniente da Venda dos Padrões; estão em curso as escavações do balneário termal no Largo do Arrabalde; existem pelo menos 7 miliários no Museu da Região Flaviense - MRF nomeadamente: os três miliários da Venda dos Padrões, o miliário a Cláudio proveniente de Arcos, o miliário a Tibério provenientes do Pindo, miliário a Augusto proveniente de Sapelos, o miliário a Trajano da Pastoria, o fragmento de miliário a Caracala ou Adriano, o miliário a Constâncio proveniente de Eiras e vários fragmentos encontrados nas imediações de Chaves)

Outras vias a partir de Chaves (Colmenero et alii, 2004)
    Rumo a norte, em direcção à Galiza
  • Via Aquae Flaviae - Lucus Augusti: depois de atravessar a ponte sobre o Tâmega, rumava a norte ao longo da margem esquerda do rio Tâmega até Vila Verde da Raia (passando talvez na Ponte do Arquinho sobre a ribeira de Arcossó, lugar de Amêdo), continuando já na Galiza por Feces de Abaixo, Tamaguelos (miliário), Mourazos, Tamagos, Queizás (miliário), Verín (3 miliários) rumando depois a Lugo.
  • Via Aquae Flaviae - Iria Flaviae: rumava a norte ao longo da margem direita do rio Tâmega por Santa Cruz, Outeiro Seco (junto da Igreja da Ns. da Azinheira e Sra. da Portela), Vila Meã, Vilarelho da Raia, Rabal (miliário anepígrafo), San Cibrao de Oímbra (miliário a Dalmácio), seguindo depois por Oímbra, Vilaza, Albarellos e Guimarei em direcção a Iria Flaviae em Padrón (Santiago de Compostela).
  • Via Aquae Flaviae - Aquis Celenis: partiria de Chaves pela Rua da Paz (EM507), a chamada "Estrada Velha de Montalegre", passa em Seara e toma a calçada da Portagem, entre Bustelo e Sanjurge, segue pelo Alto da Salgueira, Alto das Urzeiras, Lajedo, Alto do Queimado, Alto da Campina, Sra. do Bom Caminho (povoado no Alto das Coroas), passando a NE do vicus do Outeiro da Torre e da aldeia de Calvão (possível miliário à entrada da aldeia), continua a leste de Castelões (junto do Povoado de Facho de Castelões, onde há notícia de um miliário junto à via; habitat em Casas de Castelões), S. Caetano (vicus?), Soutelinho da Raia (habitat em Carvalhal e Pardieiros), Videferre e Sta. Marta de Lucenza (miliário) rumando depois em direcção a Aquis Celenis que seria em Caldas de Reis (Pontevedra).
  • Via Aquae Flaviae - Asturica Augusta per Senabria: teria um traçado comum à via Aquae Flaviae - Lucus Augusti até Vila Verde da Raia, inflectindo pouco antes da fronteira para NE em direcção à Capela de Sta. Marta (onde no adro está um miliário a Carino em dois fragmentos, CIL II 4795), continuando por Vila de Frade, Lama de Arcos e Vilarello de Cota em direcção ao oppidum de Florderrei Vello, possível capital dos Tamaganosa, continuando depois por Terroso, Barza e Tameirón (miliário) rumo a Astorga.

  • Rumo a sul, em direcção ao rio Douro
  • Via Aquae Flaviae - Três Minas: eixo N-S que partindo de Chaves seguia ao longo da margem esquerda do Tâmega em direcção à região mineira de Três Minas em Vila Pouca de Aguiar, conforme descrito no Itinerário Chaves-Douro.
  • Via Aquae Flaviae - Civitas Baniensis: eixo NW-SE que partindo de Chaves seguia na direcção da Civitas Baniensis descrito no Itinerário Chaves-Torre de Moncorvo.













Mapa



























































VIA XVII - de Chaves (AQUAE FLAVIAE) a Astorga (ARTURICA)
AQUAE FLAVIAE
PINETUM
REBORETUM
COMPLEUTICA
VENIATIA
PETAVONIUM
ARGENTIOLUM
ASTURICA

m.p. XX
m.p. XXXVI
m.p. XXVIIII
m.p. XV
m.p. XXVIII
m.p. XV
m.p. XXIIII
Atendendo ao grande número de miliários e pontes romanas encontradas é hoje consensual que a Via XVII seguia por Valpaços até Castro de Avelãs, às portas de Bragança, ficando assim descartada uma possível Variante norte da via XVII que seguia por St. Estevão e Lebução até Vinhais. Ver projecto VIAS AVGVSTAS sobre esta via. Partindo de Chaves, a via atravessava o Rio Tâmega sobre a magnífica Ponte Romana de Trajano, uma das poucas pontes romanas sobreviventes que mantém o desenho original apesar de dois dos seus arcos terem sido toscamente reconstruídos. Obra monumental e surpreendente. Ver na parte seca as grandes marcas de fórfex e a construção modular. Sobre a ponte estão duas colunas honoríficas, cópias de originais romanos; uma é designada por «Coluna de Trajano» ou «Padrão dos Aquiflavienses», assinala a construção da ponte romana no tempo de Trajano pelos Aquiflavienses, desconhecendo-se onde para o original, enquanto a segunda coluna, designada por «Padrão dos Povos» é uma inscrição honorífica feita pelas 10 civitates que compunham o municipium de Aquae Flaviae ao Imperador Vespasiano em agradecimento a alguma concessão imperial. A coluna original que apareceu em 1980 no leito do rio Tâmega está hoje no átrio do MRF. Ver mais detalhes aqui.

Via XVII - de Chaves a Castro de Avelãs por Valpaços
Madalena, Chaves (depois de atravessar o Tâmega, segue a direito pela EN103, na Capela da Sra. da Boa Morte, segue a direito pelo estradão de terra, na bifurcação segue à direita na direcção da Qta. do Germano; após o canal segue à esquerda pela Rua da Calçada Romana e logo depois segue à direita, passando à calçada que ascende até ao Alto de S. Lourenço; algures nesta zona de Eiras apareceu um miliário a Constâncio)
S. Lourenço (magnífico troço da Calçada de S. Lourenço que sobe a encosta; o acesso à calçada faz-se no miradouro de S. Lourenço; Argote refere um miliário anepígrafo entretanto desaparecido; continua depois pela Casa dos Ferradores, Largo do Cruzeiro, Rua da Travessa, até à EN213; ao chegar ao chafariz segue para Juncal)
Ponte Romana de S. Lourenço sobre a ribeira de S. Julião/Cabanas/Palheiros (1 arco, a 500 m da povoação e segue para Arco e Lama)
S. Julião de Montenegro (milha LXXXIII; na Igreja paroquial apareceram 4 miliários, dois estão dentro da igreja, o miliário Macrino e o miliário a Décio, este indicando a milha VI desde Chaves, um miliário anepígrafo está no adro da igreja e um fragmento de um miliário a Flávio Dalmácio foi para a casa do Pe. Fernando Pereira em Vilar de Nantes; continua pelo Alto do Cavalinho, provável mutatio hoje destruída, Falgueira, Poças, Alto da Gesta e Barracão)
, Ervões (apareceram 2 miliários nas obras de demolição da capela de Sta. Luzia; um miliário a Macrino que hoje está no terreiro da casa de Hermínio Quintino e outro nas fundações da mesma)
Vilarandelo (miliário a Macrino, apareceu na Capela do Espírito Santo dentro do cemitério e está hoje no jardim junto ao mercado junto com um outro miliário a Caracala que apareceu no pátio da casa de Francisco Coroado em Vilarandelo; um fragmento de miliário foi para o MRF em Chaves)
Lagoas (calçada passa a N de Valpaços; miliários deslocados no Solar e Capela dos Morgados Pinto Leite, Casa do Arco)
Possacos (4 miliários; miliário a Magnêncio que apareceu junto à Igreja e hoje está numa casa particular em Carlão, Alijó; miliário a Flávio Dalmácio que apareceu nos alicerces de uma casa no Largo das Duas Fontes, hoje no MNA e mais 2 miliários referidos no CIL II entretanto desaparecidos: miliário a Macrino? da Qta. do Pe. António de Sousa, CIL II 4790, miliário a Carino? da Qta. de Francisco da Costa Homem, CIL II 4792; a via desvia da EN206 à direita, pouco depois da povoação, e desce à ponte por 2 km)
Ponte Romana do Arquinho ou de Possacos sobre o rio Calvo (daqui provém o miliário a Maximino e Máximo, CIL II 4788, deslocado depois para a ponte de Vale de Telhas, acabando junto à capela de Ns. de Fátima em Vale de Telhas onde está hoje; indica reparações da via na frase vias et pontes temporis vetustate conlapsos restituerunt curante; referência a mais 2 miliários nas imediações entretanto desaparecidos; depois da ponte a via sobe até à EN206 e depois por caminho de terra até ao parque de campismo na margem do Rio Rabaçal)
Ponte Romano-Medieval de Vale de Telhas, sobre o rio Rabaçal (é uma construção medieval, mas que utiliza materiais romanos, como alguns silhares com marcas de fórfex, provenientes da anterior ponte romana que seria mais a jusante no lugar da Barca junto do Cabeço da Mochicara, onde havia um conjunto de pelo menos 5 miliários que foram deslocados ou estão desaparecidos: o miliário a Galério que está hoje no Museu de Vila Real, o miliário a Maximino Daia que está hoje na casa da família Verdelho em Vale de Gouvinhas, os 2 miliários que estão em Vale de Telhas descritos abaixo e um miliário a Numeriano entretanto desaparecido)

PINETUM, mansio a XX milhas de Chaves junto à travessia do Rio Rabaçal. A mansio poderia ser na área do parque de campismo atendendo aos vestígios aí existentes e o povoado de Pinetum poderia ser no Castro do Cabeço junto a Vale de Telhas. Os vários miliários que apareceram nas margens do rio e que iam sendo agrupados junto à ponte medieval reforçam que a milha 20 era vencida neste local.

Vale de Telhas (miliário a Constantino II junto à fonte romana proveniente da ponte tal como o miliário a Maximino e Máximo no adro da capela de Ns. de Fátima proveniente de Possacos)
Vale de Gouvinhas (miliário a Maximino Daia na casa da família Verdelho, mas proveniente da Ponte de Vale de Telhas)
Bouça (na EN206, daqui seria o miliário indicando a milha XXII desde Chaves que está hoje junto ao Café «Estrela do Norte» na Ferradosa)
Ferradosa, Fraziela (3 fragmentos anepígrafos, talvez da milha XXIV desde Chaves, um dos quais na berma da EN206 junto à casa do Sr. Manuel Maia à saída da povoação; segue pela Qta. da Calçada, Padrões, Redonda, Cabeço da Mós, Qta. do Ermidão e Estalagem)
Ponte Romano?-Medieval do Arquinho ou de Ermidão sobre a ribeira do Arquinho, Fradizela (indicada na EN206; 1 arco)

Ponte Romana da Pedra, Torre de Dona Chama sobre o rio Tuela (magnífica ponte romana com 6 arcos que ainda hoje suporta o tráfego da EN206; esta ponte ainda um pouco desprezada, mas constitui o melhor da engenharia romana em Portugal juntamente com a Ponte de Chaves e a Ponte da Vila Formosa no Alentejo. A sua construção é tal modo avançada que foi considerado como moderna até aos anos setenta!)
Torre de Dona Chama (a via passa a norte da povoação; oppidum no Castro de São Brás)
  • Possível ligação a Mirandela, atendendo ao Castros romanizado de S. Juzenda em Múrias e aos Castros da Fraga do Penedo e da Sra. do Viso em Mascarenhas.
Vila Nova da Rainha (calçada com 900 m, começa a 1 km da povoação, segue paralela à EN206; fragmento de miliário na berma da EN206, 600 m antes da povoação; miliário anepígrafo no centro da povoação suportando uma varanda)
Nossa Sra. das Dores, Lamalonga (calçada com 1500 m ladeia a capela; miliário do Alto da Pinha junto da EN)
Lamalonga (no adro da Capela de S. João apareceram dois miliários, um miliário a Constâncio Cloro que está hoje no MAB com o nº 1565 e um outro anepígrafo que terá sido destruído nos anos 70; Lopo, 1907)
  • Ligação às minas de Ervedosa: saindo da capela de S. João em Lamalonga, segue pelo "Caminho de Pombal" até Argana, onde existe um fragmento de miliário junto a um tanque, e depois pelo "Caminho do Bugio" acedia a Ervedosa, onde também existe um fragmento de miliário suportando uma varanda e daqui às minas junto ao rio Tuela.
  • Eventual ligação ao povoado romanizado na Terronha de Pinhovelo.
Carvalhal, Lamalonga (miliário anepígrafo na berma da EN206; estaria no adro da Igreja de Lamalonga)
Agrochão (seguia a norte da povoação pela chamada Estrada Velha que passa no sopé do Cabeço do Marco e Alto dos Malhões do Monte, miliário em 2 fragmentos no sítio da Amoreira na berma da estrada)
Falgueiras, Ervedosa
Penhas Juntas
Edrosa (segue por Breia e Cruzes; possível ligação a Vinhais por Ousilhão e Nunes, atendendo à inscrição a LAESV que apareceu em Ousilhão)
Portela, Zoio
Carrazedo (ara votiva aos Lares Buricis talvez relacionada com a via na casa dos Eusébios; será daqui o miliário a Caro, CIL II 4786, encontrado em "Carrezedo"?; calçada contorna o Cabeço Carro, desce ao vale pelo lugar de Além rio e atravessa o ribeira de Carrazedo para)
Alimonde (calçada sobe pelo Caminho dos Mortos até ao Alto da Ferradosa e desce pelo Caminho da Vila ao Castro de Formil ou Feira dos Mouros; povoado na Canada dos Mouros)
Formil, Gostei (segue junto à Capela de S. Cláudio onde apareceu um miliário a Maximiano, hoje no MAB com o nº 1580 e uma inscrição honorífica a Cláudio embutida na parede, CIL II 6217)
Gostei
Ponte Romano?-Medieval de Ariães sobre a ribeira de Castro (na EM518 Gostei-Bragança)
Castro de Avelãs (mansio Reboretum?; civitas ZOELARUM?) (junto à villa Romana da Torre Velha apareceram 2 miliários já transformados em sarcófagos no exterior das ruínas da capela de S. Sebastião, o miliário a Augusto, indicando XIX milhas (?), leitura duvidosa que poderia ser antes CLX milhas, a real distância a Braga, e o miliário a Caracala, CIL 6216, hoje no MAB respectivamente com o nº 1584 e 1583; 2 aras dedicadas a AERNO, existindo uma outra também dedicada a esta divindade na Capela do Sr. de Malta em Olmos, Macedo de Cavaleiros)

REBORETUM, mansio a 36 milhas de Pinetum cuja localização é ainda discutida, mas que poderia estar na área da Torre Velha em Castro de Avelãs, onde apareceram vários miliários e outros vestígios. Outros autores situam-na em Nunes.

Bragança (o Museu Abade de Baçal guarda 8 miliários; necrópole dos Quatro Caminhos e necrópole do Couto, ambas em Vale de S. Francisco)
Ponte Romano?-Medieval das Carvas, S. Lázaro sobre o rio Sabor (segue pela Qta. das Carvas)
Gimonde
Ponte Romano?-Medieval de Gimonde sobre o rio de Onor (a 100 m da ponte nova)
Cruz do Marrão, Gimonde (miliário a Caro no caminho velho para Babe, está hoje no MAB com o nº 1575)

COMPLEUTICA, mansio a XXVIIII milhas (43 km) de Reboretum com localização ainda incerta, poderia ser em Babe, no lugar do Sagrado junto à Capela de S. Pedro Velho, onde apareceram vários miliários, mas alguns autores como Colmenero, situam-na em Castro de Avelãs.

Babe (na Capela de S. Pedro Velho apareceram 3 miliários, o miliário a Caracala que está no MAB com o nº 1572, o miliário a Adriano que passou pela Igreja Matriz e hoje também no MAB com o nº 1570, lendo-se XX[...] milhas a Caesera, mansio já em Espanha, e o miliário anepígrafo que hoje está junto à Capela de S. Sebastião; ara a Júpiter)
São Julião de Palácios (Fonte Romana; calçada chamada Caminho das Duenas segue por Lameiros da Calçada; corte artificial da rocha e muro de sustentação da via)
Travessia do rio Maçãs entre Porto Calçado e Vale de Perdizes (fronteira)

Continuação para Astorga:
a partir da fronteira luso-espanhola no Rio Maçãs, a via rumava a NE pela calçada de Moldones e Figueruela de Abajo até à mansio Veniatia:

VENIATIA....m.p. XV (em Figueruela de Arriba ou San Pedro de las Herrerías?, atravessa a Serra de la Culebra)
Variantes até Calzada de Tera:
  • Variante norte: por S. Pedro de las Herrerías, Boya, Villardeciervos, Villanueva de Valrojo, Olleros de Tera e Calzada de Tera.
  • Variante sul: por Gallegos del Campo (miliário a Macrino), San Vitero (miliário a Trajano), Rabanales (ligação a Zamora?), Bercianos de Aliste, Sarracín de Aliste, Ferreras de Arriba, Otero de Bodas e Calzada de Tera.
Calzada de Tera (em Calzadilla de Tera atravessa o rio Tera e segue por San Juanico el Nuevo, Barrio de Abajo de Brime de Sog e Santibánez de Vidriales)

PETAVONIUM... m.p. XXVIII (acampamento romano a W de Rosinos de Vidriales, Zamora; povoado no Castro de Sansueña; segue por Fuente Encalada, 3 miliários, Calzada de la Valdería; miliário no Museo de Castrocalbón)
ARGENTIOLUM...m.p. XV (seria a N de Herreros de Jamuz?; Quintana y Congosto, Leon; segue por Villamontán, Valle, Castrotierra e Celada)
ASTURICA...m.p. XXIIII (actual Astorga; total percorrido CCXLVII milhas, ou seja 365,5 km desde Braga)


Outras variantes da Via XVII
Variante sul da Via XVII passando por Boticas rumo a Chaves
A possibilidade de uma variante sul para Chaves, passando em Boticas, muito discutida no passado, tem vindo a perder consistência à medida que o traçado da via romana se consolida na "variante norte" pelo Concelho de Montalegre. Sem miliários ou outro qualquer vestígio viário indubitavelmente romano, resta descrever o antigo caminho por Alturas do Barroso que poderá mesmo ter origem pré-romana, servindo os diversos castros da região, em particular, o Castro romanizado do Alto do Cabeço em Granja, sobranceiro ao rio Terva junto da EN103, e o importante Castro romanizado de Lesenho (4 estátuas de guerreiros galaico-romanos apareceram nas proximidades; seria a capital dos Equaesi?); Esta velha estrada, passaria em Atilhó e Carvalhelhos, passando assim junto do Castro romanizado no Castelo de Mouros, atravessava o Rio Beça na Ponte da Pedrinha, em ruína e seguia depois por Carreira da Lebre e Alto da Esculca para Boticas, continuando depois por Sapiãos (povoado junto do cemitério) até Sapelos, onde reencontra a VIA XVII.

Variante norte da Via XVII entre Chaves e Bragança
 Durante muito tempo foi considerada uma variante Via XVII entre Chaves e Bragança que seguia a N por Lebução de modo a integrar 2 miliários achados na região de Vinhais. Esta solução está hoje praticamente descartada devido à ausência de vestígios concludentes. O itinerário apresentado que seria uma via secundária, termina assim na travessia do Rio Rabaçal na Ponte de Picões, onde entroncaria na via transversal Valpaços - Três Minas descrita abaixo. Partindo de Chaves rumaria à Ponte de Faiões (na foto) para passar a ribeira de Avelelas, subia a St. Estevão, passava na Ponte do Arquinho e seguia por Assureiras, talvez pela calçada do Souto Bravo e pelo sopé do Castelo de Monforte em Águas Frias (habitat em Aguatões), continua pelo planalto por Breia, Jaguintas, Calhelhas das Presas e Baixinha das Presas até à Igreja paroquial da Bobadela, junto do Povoado de Cigadonha, continuando pela chamada "Estrada" que atravessa a povoação e segue por Souto das Almas, Sítio da Estrada e Fraga das Antas, passando a norte de Nozelos, onde existe um miliário numas escadas da aldeia, continuando por Lebução e Vilartão , onde toma o caminho que passa no Terreiro do Marco, Fraga do Clero, Lombinho das Cruzes e Qta. dos Picões, descendo à Ponte de Picões sobre o rio Rabaçal, onde entroncaria na referida via transversal. Há referências bibliográficas a um miliário a Caro em Sta. Cruz, mas é problemático porque está desaparecido e não se sabe se seria na freguesia de Sanfins ou de Outeiro Seco)




                   
de Castro de Avelãs a Três Minas - Via transversal à Via XVII
Atendendo à localização de uma série de miliários na região de Valpaços e de Vinhais que parecem alinhar uma via transversal no sentido NE-SO que cruzava com a VIA XVII na aldeia de Sá, a ocidente de Valpaços, é possível equacionar um itinerário proveniente da Cova da Lua (?) ou do Castro de Avelãs (?) rumo à Região Mineira de Três Minas que além de integrar esses miliários permite um percurso que não necessita de atravessar os principais rios da região. Este itinerário resulta da anulação da tradicional Variantes norte da via XVII entre Chaves e Bragança. Desta forma integrei esses miliários nesta via ao contrário de Colmenero que prefere integra-los na própria Via XVII, "forçando" a via a fazer um desvio para N em Edrosa para poder passar em Vinhais e Soeira quando existe um caminho mais directo por Castro de Avelãs. Entretanto a dúvida permanece porque não seria estranho que estes miliários tivessem sido deslocados para ali ou podiam mesmo pertencer a uma outra via ainda desconhecida.

Castro de Avelãs (percorria a VIA XVII até Formil, rumando aqui à direita para Fontes e Portela, em direcção à travessia do rio Baceiro na Ponte de Castrelos)
Soeira (da ponte segue por Prainas e Igreja Velha até Vilar, junto à Capela de S. Sebastião, provável mutatio onde apareceu um miliário já transformado em sarcófago e ilegível, hoje no MAB com o nº 1566; passa a aldeia de Soeira e desce durante 1 km até rio contornando o Castro da Ponte)
Ponte Velha de Soeira sobre o rio Tuela, (18 m, 2 arcos;)
Ponte de D. Marinha sobre a ribeira de Padornelo
Vila Verde (provável mutatio de apoio à via no Forte de Modorra; sai pela EN103 e logo depois desvia à direita e logo à esquerda pela calçada já destruída na encosta do Castro da Cidadelha)
Vinhais (Argote refere um miliário atribuído a Maximino indicando a milha C[...] entretanto desaparecido; segue entre os altos da Portela e do Pinheiro)
Travessia da ribeira das Trutas no Pontão
Sobreiró de Baixo (contorna o Monte da Circa pela vertente N, sobe até Cruz das Cortes na EN103 e segue pela portela entre o Monte da Forca e o Alto da Madorrinha)
Curopos (EN103; passa em Souto Escuro, onde terá existido um miliário, Estalagem de Cima e de Baixo)
Valpaço (EN103; por Pedra Mourisca, Breia e Fonte do Mau Nome)
Ponte Romano?-Medieval de Picões sobre o rio Rabaçal, Bouçoães (estava em ruínas e hoje está submersa)
Bouçoães (2 miliários anepígrafos provenientes das ruínas Casa da Abadia antiga casa paroquial, hoje depositados na J. F.; povoado em Outeiro; inscrição a Júpiter)
Lampaça (pelo sopé do povoado da Sra. da Ribeirinha)
Tortomil (povoado em Vale de Fetos/Fetais; segue pelo Alto da Fraga do Marco)
Fiães (possível miliário aparecido no vicus de Muradelhas, talvez designada por Vagornia com base numa ara dedicada a Júpiter pelos Vicani Vagornicenses hoje no MRF; variantes Lavagornia/Lovagornia/Tovagornia)
Ponte Romano?-Medieval sobre o rio Calvo
Tinhela (calçada; estela funerária na Rua da Veiga, FE101)
Alvarelhos (calçada)
Lama de Ouriço (miliário a Magnêncio; desaparecido)
(onde cruza com a Via XVII)
Valelongo (miliário anepígrafo entretanto deslocado para o exterior dum armazém em Vilarandelo)
Ervões
Lamas
Monsalvarga (miliário anepígrafo na berma da estrada que passa na aldeia; calçada)
Vassal (fragmento de miliário numa casa particular; povoado no Castro de Cidadonha; segue até à EN206; no Lugar do Regueiral em Sanfins, há uma inscrição rupestre que delimitava os povos Treburi e Obili)
Algeriz (calçada entre o Castro de Ribas e o santuário de rupestre de Pias de Mouros, passando na Ponte do Regato do Pereiro; ara aos Lares Cusicelenses? achada no lugar do Couto de Algeriz, CIL II 2469, hoje desaparecida)
Argemil (travessia do Rio Curro talvez em Vargens; depois seguiria para Três Minas)
  • Ligação a Vila Pouca de Aguiar, a via poderia continuar até Vila Pouca de Aguiar, cruzando com a Via Chaves - Douro
  • Ligação de Vila Pouca ao Douro, é possível a continuação da via pela margem direita do rio Corgo em direcção a uma travessia mais a jusante do rio Douro, próximo de Cidadelhe (Mesão Frio), troço que está descrito no Itinerário Vila Pouca - Cidadelhe.

Região Mineira de Três Minas (Metallum Albucrarense de Plínio)
De Argemil até ao centro mineiro de Três Minas o traçado não é claro devido aos muitos caminhos de servidão para escoamento do minério, no entanto é possível que a via seguisse por Nozedo, S. João da Corveira e Rio Bom (EN206) até ao povoado mineiro da Veiga de Samardão com vestígios de habitações e de um canal de água proveniente de duas barragens em Tinhela de Baixo para abastecimento do povoado e lavagem do minério. As minas romanas estão dispersas por Três Minas, Jales, Ribeirinha, Lago Pequeno e Corte de Covas.

Campo de Jales (passa junto às Minas de Jales e segue pela EM567)
Cerdeira (troço de via romana)
Vreia de Jales (a EM567 passa na Ns. da Saúde, Monda e Cruz da Vreia, onde segue à direita para o centro da povoação)
Barrela, Vreia de Jales (calçada passa a poente por Milhapão e Marco, onde está a interessante estátua-estela de Jales)
Ponte Romana do Arco sobre o rio Pinhão, 1,2 km a SE da Barrela, Vreia de Jales (vários indícios apontam para uma construção romana como as pedras almofadados do arco e nos estribos, o arco de volta perfeita e a pavimento feito em grandes lajes de pedra; continua pelo caminho do Tronquilho, Laje do Cavalinho, Fraga das Teixeiras e Lameiras com uma ponte antiga sobre a ribeira dos Carrojo)
Pinhão Cel, Torre do Pinhão (onde entronca com a via proveniente de Chaves para o Douro)


VIA NOVA - Itinerário XVIII (18)

Mapa



























































Braga (BRACARA) - Gerês - Astorga (ARTURICA) - Via Nova   CCXV milhas - 318.5 km
Item alio itinere a BRACARA ASTURICA m.p. CCXV
SALANIANA
AQUIS ORIGINIS
AQUIS QUERQUERNNIS
GEMINAS
SALIENTIBUS
PRAESIDIO
NEMETOBRIGA
FORO
GEMESTARIO
BELGIDO
INTERERACONIO FLAVIO
ASTURICA
m.p. XXI
m.p. XVIII
m.p. XIIII
m.p. XVI
m.p. XVIII
m.p. XVIII
m.p. XIII
m.p. XVIIII
m.p. XVIII
m.p. XIII
m.p. XX
m.p. XXX
A Geira ou Via Nova, é a via romana melhor preservada em Portugal e, caso único no mundo, conta com mais de 230 miliários ao longo do seu percurso até Astorga. No Itinerário de Antonino apenas é referida a mansio Salaniana em território nacional que será a aldeia de Travassos na freguesia de Vilar, Terras de Bouro já que neste local foi encontrado um miliário precisamente indicando a milha XXI. Saindo de Braga a via dirigia-se a Amares depois de atravessar o Rio Cávado e ascendia por patamares suaves até à Portela de Sta. Cruz, onde penetrava no vale do Rio Homem acompanhando as vertentes setentrionais da Serra da Abadia. A partir daqui o traçado é todo feito em altitude, sem subidas ou descidas acentuadas até atingir Covide, onde penetra na Serra do Gerês, percorrendo os seu contrafortes orientais por Campo do Gerês e junto à barragem de Vilarinho das Furnas, até atingir a milha 34 na Portela do Homem onde entra em território Espanhol.

Está em marcha um projecto de reabilitação e promoção turística da via que inclui a sua promoção a Património Mundial. + info no site do projecto VIA NOVA

Ver aqui uma boa descrição de parte do trajecto.
Ver aqui os 35 miliários desta via da série do Padre Martins Capela.


Braga (BRACARA) (um miliário a Adriano que estava também no Campo das Carvalheiras indica CCXV milhas, ou seja a distância total entre Bracara e Asturica pelo que marcaria certamente a milha zero da VIA NOVA, e está de acordo com as 215 milhas indicadas no Itinerário de Antonino, CIL II 4747; hoje está no MDS partido em dois com o nº 190.092 e o nº 67.692; existem outros miliários provenientes do centro urbano que poderão estar relacionados com esta via como é o caso do miliário encontrado na Rua de Ns. do Leite, ou o da Casa do Passadiço na Rua Francisco Sanches; a via saía pelo extremo NE da cidade, talvez pelo largo de S. João do Souto, seguindo junto à Necrópole da Via Nova, no inicio da Av. Central, onde apareceu também uma ara dedicada aos Lares Viales, e seguia pela actual Rua de Chãs e depois pelo caminho que passa na Qta. do Igo e em Vila Aldos em direcção ao Cávado)

Travessia do Rio Cávado (Celadus):
Como a Ponte do Porto é medieval e não havendo vestígios de uma ponte romana anterior, temos que recorrer à localização dos miliários existentes na zona para identificar o local de travessia. O problema é que estes miliários estão deslocados do seu local original pelo que tanto temos um miliário junto da Ponte do Porto, o miliário convertido em cruzeiro da Capela de S. Miguel-o-Anjo, como muito mais a poente, com o miliário do Pilar. No entanto os estudos mais recentes apontam para uma travessia a jusante da Ponte do Porto já na freguesia da Navarra, sendo que Sande Lemos coloca essa travessia na Barca de Ancêde, com uma provável mutatio em Bouça Alta, enquanto Colmenero propõe uma travessia um pouco mais a jusante nas Azenhas de Sta. Marta. Na sua saída de Braga, a via é citada em 911 num documento medieval que delimita a antiga diocese de Dume como «in via, quam dicunt de Vereda, qui discurret de Bracara», ou seja pela via que chamam de vereda proveniente de Braga (in PMH DC 17) pelo que é certo que a via passava algures por Dume, mas não sabemos ao certo o seu traçado pois os miliários foram deslocados pelo que se apresentam duas alternativas dirigindo-se às travessias do Cávado atrás referidas. (Ver Colmenero et alii, 2004; Sande Lemos, 2002; Carvalho H., 2008).
  1. na Barca de Ancêde/Bouça Alta: partindo de Braga, a via passa paralela ao cemitério pela Rua do Areal, Rua do Areal de Cima, passando a sul do Convento de Montariol, continua pela Rua Rafael Bordalo Pinheiro por Cedro e Pinheiro, continua pela Rua Hélder Figueiredo, passando junto da Capela das Sete Fontes (milha II) e segue pelo estradão de terra hoje designado por Rua da Calçada Romana até atingir Adaúfe (milha III; Villa na Qta. do Avelar; troço lajeado), continua a poente Igreja paroquial por Romil, Redondo, Barreiro, Freire e Estrada, onde ficaria a milha IV, continuando por Cortinhal, Souto, Qta. do Coelho, onde seria a milha V, Salgueirinho até ao Lugar do Rio, atravessava o rio Cávado na Barca de Ancêde para Barreiros.
  2. Pelas Azenhas de Sta. Marta: seguia a leste da Igreja Sueva de S. Martinho de Dume, construída sobre uma villa romana, continuando depois por Palmeira (citada na mesma delimitação de Dume como Palmaria), indo atravessar o Rio Cávado nas Azenhas de Sta. Marta, subindo por Ponte e Paço até entroncar na variante por Ancêde em Barreiros.
Barreiros (referência a 4 miliários na Igreja, dois apareceram na Qta. do Agrolongo e um na Qta. da Pena?)
Carrazedo (miliário a Caro, hoje está numa rotunda da aldeia do Pilar convertido em cruzeiro e marco divisório; a via seguia por Pousadas e Paço Velho)

Campo da Bouça, Frecheiro, Caires (vicus e provável mansio da milha X num sítio conhecido por «Cividade de Biscaia», na base do Castro de Grovos, onde Albano Belino achou um curioso baixo-relevo representado uma figura equestre que Sande Lemos interpretou como um símbolo do Cursus Publicus, ou seja o sistema de correio)

Pela VIA NOVA até à Portela de Sta. Cruz
Aqui começa um dos mais interessante troços da Geira Romana; partindo da mutatio na «Cidade de Biscaia»/Campo da Bouça, a via seguia por Tornadouro e Lugar da Geira, contornando o Monte de S. Pedro Fins, até confluir com a estrada moderna que vai para Paredes Secas, mas antes da descida à povoação, segue em frente pelo estradão de terra com restos ainda visíveis da calçada romana, ascendendo sempre por patamares suaves contornando a meia-encosta o Monte de Sta. Cruz pela sua vertente leste onde vencia a milha XIII junto do vicus e provável mutatio de Mojeje, Vila Cova, cujo nome latino poderia ser Viriocelum atendendo ao pedestal com uma inscrição ao Genius Viriocelensis que está no cemitério de Vilela; segue sempre em calçada até desembocar na estrada asfaltada que vai para a Portela de Sta. Cruz onde vencia a milha XIV.
  • Os miliários foram todos deslocados para as sedes de freguesia, o miliário a Maximino e Máximo proveniente do lugar de Lama/Dornelas, junto da ribeira da Pala, está no adro da Igreja paroquial de Paredes Secas e indica 12 milhas pelo que a milha XII era vencida nesse lugar e os miliários da milha XIII que estavam junto da mutatio de Mojeje, estão hoje em Vilela, o miliário a Tito e Domiciano indicando 13 milhas está no adro da igreja e o miliário anepígrafo está por detrás da igreja, no pátio de uma casa particular.

Portela de Sta. Cruz, Souto (milha XIV; 8 miliários; chegado ao asfalto, segue à direita, passando no largo da aldeia para onde foi deslocado um miliário anepígrafo, e logo a seguir à esquerda pelo estradão de terra junto à placa de término do concelho de Amares e assim entra no vale do rio Homem; logo a seguir aparecem os magníficos 7 miliários da milha XIV na Bouça do Padreiro; continua pelo estradão que passa a asfalto e no desvio para Barral, a via segue à direita para Chão de Cima e Reboredo)
Lampaças, Balança (milha XV no Bico da Geira ou Cantos da Geira; 4 miliários; miliário a Maximiano indicando 15 milhas, miliário a Caro e outro anepígrafo; 2 miliários desta milha, um a Magnêncio e outro talvez a Carino, estão hoje na CM de Terras do Bouro)
Teixugos, Chorense (milha XVI; miliário a Décio; Colmenero refere mais 3 miliários entretanto desaparecidos, Colmenero et alii, 2004)
Ribeiro de Cabaninhas, Chorense (milha XVII; 4 miliários a Heliogábalo, Caracala, Décio e Caro; recentemente apareceu um outro miliário a Maximiano)
S. Sebastião da Geira, Chorense (entronca na estrada que vem de Chorense e segue por Candelo)
Chã de Vilar, Chorense (milha XVIII em Minério; miliário a Tito e Domiciano in situ indicando 18 milhas; também seria daqui o miliário a Constâncio que hoje está na CM de Terras de Bouro; os vestígios do povoado romano que aqui existem, podem ser os restos da mansio SALANIANA embora o Itinerário indique a milha XXI e aqui são 18 milhas a Braga e os vestígios correspondem quando muito de uma mutatio; atravessa o ribeiro do Urzal e segue pelo Alto do Falanco, Barreiros e Alto do Bustelo)
Lajedos, Saim (milha XIX; 4 miliários; miliário a Tito e Domiciano onde se pode ler VIA NOVA FACTA e indicando 19 milhas; miliário a Caracala fragmentado; miliário anepígrafo deslocado para a aldeia de Moimenta Nova onde suporte uma varanda junto à igreja; seria desta milha um miliário anepígrafo que hoje está na CM de Terras de Bouro)
Podrigueiras, Saim (milha XX junto ao Penedo dos Ladrões; 2 miliários, um a Carino e outro a Adriano indicando XX milhas; atravessa o ribeiro da Pala da Porca)

SALANIANA, mansio a 21 milhas de Bracara Augusta, deveria situar-se na zona de Travassos pois aqui apareceram 2 miliários in situ, um miliário a Heliogábalo indicando precisamente 21 milhas a Braga, CIL II 4805 e o miliário a Caro, CIL II 278 ; a mansio poderio ficar junto de um dos povoados romanos conhecidos, no lugar do Pontido a leste e no lugar de Chã de Vilar, 3 milhas para sul.

Travassos, Vilar (milha XXI na Pontelha da Geira; daqui segue por Espigão e passa o ribeira do Fojo)
Ervosa, Santa Comba, Chamoim (milha XXII; 2 miliários in situ, um a Carino e outro a Adriano indicando precisamente a milha 22, CIL II 4806; um terceiro miliário foi levado daqui e transformado no cruzeiro que está defronte da Igreja paroquial de Chamoim em Lagoa)
Esporões, Chamoim (milha XXIII; 4 miliários; miliário a Tácito, miliário talvez a Juliano e 2 miliários anepígrafos; há referências a um miliário a Adriano, e outro a Constâncio II desaparecidos)
Padrós (milha XXIV no caminho para Cabaninhas; miliário a Maximino e Máximo; referência a mais 4 miliários desaparecidos; cruza com a EN307 e segue entre esta e o ribeiro da Roda até Sá onde reencontra a EN307)
, Covide (milha XXV; miliário a Décio transformado em cruzeiro enterrado invertido à entrada da povoação; a via continua para Covide pela estrada actual, EN307 até Covide)
Covide (mansio?; miliário a Décio na Rua da Carreira, CIL II 4812, como pilar de um alpendre de uma casa, mas proveniente da milha XXVI em Várzeas, e logo depois no Outeiro do Rei, um miliário a Adriano já sem inscrição e transformado em cruzeiro; pelo caminho da Junceda chega-se ao ainda mais antigo Castro da Calcedónia; à entrada da aldeia a via continuava pela estrada de terra que passa no lugar do Monte)
Várzeas, Jeirinha, Covide (milha XXVI; miliário a Constâncio I Cloro aparecido no Campo do Saganho; a via atravessa a Veiga da Santa Eufémia, passa a milha no lugar das Várzeas e segue o ribeiro até confluir na EN307)
Costa do Cruzeiro (milha XXVII na Carvalheira; miliário a Magnêncio indicando a milha 27 na berma esquerda da estrada na linha que separa Covide de Campo do Gerês, cruzando a EM533; referência a um miliário a Tito e Domiciano desaparecido)
Cruzeiro de S. João do Campo, Campo do Gerês (a base do cruzeiro é um Miliário a Décio indicando também a milha 27 pelo que foi deslocado da Costa do Cruzeiro/Carvalheira; há ainda referência a um outro miliário a Vespasiano, CIL II 4814, que indicava também 27 milhas, mas hoje desaparecido; a via continuava pela estrada actual e um pouco mais à frente aparece outro miliário ilegível na berma direita)

Leira dos Padrões, Campo do Gerês (milha XXVIII no sítio da Leira dos Padrões, nas traseiras da igreja; provável mutatio de apoio à via no lugar do Sagrado ou Adro Velho em Veiga de S. João, onde se achou uma ara votiva dedicada à divindade indígena Ocaere; Existe um miliário a Caro dentro do jardim de uma casa particular à entrada da povoação; fragmento de um miliário indicando a milha 28 e outro miliário anepígrafo encastrados em paredes de casas da aldeia; fragmento de miliário na Leira do Cotelo, no lugar do Porto do Carro a N da aldeia; Argote refere um miliário a Magnêncio neste local e em 1728 o Pe. Matos Ferreira mencionou mais 2 miliários neste local todos desaparecidos; a via continua pela estrada actual em direcção a Vilarinho das Furnas e antes de descer à barragem segue à direita pelo estradão de terra actual que foi construído a uma cota superior devido à construção da barragem que deixou a via submersa)

Bouça do Gavião (milha XXIX em Padrões da Cal; 13 miliários; como a via ficou submersa, foram deslocados para Sarilhão na estrada actual)
Bouça da Mó (milha XXX; 2 miliários e recentemente apareceu mais um miliário a Maximiano; provável mutatio na margem esquerda do ribeiro da Mó)
Bico da Geira (milha XXXI; 21 miliários junto ao ribeiro do Pedredo; vestígios da antiga pedreira que serviu para o fabrico dos miliários)
Volta do Covo (milha XXXII; 22 miliários, a Adriano, Maximino e Máximo, Caro, Magnêncio, etc)
Ponte Romana sobre a ribeira de Maceira (só vestígios)
Ponte Romana sobre a ribeira do Forno (só vestígios)
Albergaria (milha XXXIII; 20 miliários)
Ponte Romana de Albergaria/Ponte Feia sobre a ribeira de Leonte (da ponte em ruínas a via segue entre o rio Homem e a estrada actual)
Ponte Romana sobre a ribeira de Monsão (vestígios)
Ponte Romana de S. Miguel sobre o rio Homem (a via segue até à estrada nova na Cruz do Pinheiro)

Portela do Homem (milha XXXIV; 9 miliários, a Caracala, Tito, Décio, Domiciano, Magnêncio, Maximino e Máximo, Nerva e Adriano, um dos quais indica reparações da via na frase vias et pontes temporis vetustate conlapsos restituerunt; talvez fosse a fronteira entre os Bracari e os Quarquerni; ver a discussão do traçado neste ponto)
Lama do Picón, Parque do Xurés, Lobios (milha XXXV; 9 miliários deslocados para uma zona de recreio junto à estrada actual; no sítio original da milha resta um miliário)

Continuando em direcção a Astorga:
Entra na Galiza e desce ao vale do rio Caldo, continuando por Torneiros, Vila Meã, seguindo a margem esquerda do rio Lima até AQUIS ORIGINIS a segunda mansio referida no Itinerário de Antonino que fica em Baños del Rio Caldo. Na sua rota até Astorga, a VIA NOVA tinha as seguintes estações ou mansiones.
Baños del Rio Caldo (AQUIS ORIGINIS) (miliário da milha XXXIX, 39)
Ponte Romana Pedriña sobre o rio Lima (submersa pela albufeira das Conchas; um pouco mais à frente uma derivação ligava a Lugo)
Baños de Bande (AQUIS QUERQUERNNIS) (miliário da milha LIII, 53; o miliário da milha 51 está na Igreja Visigótica de Sta. Comba de Bande como pia baptismal)
Sandiás (GEMINAS) (milha LXIX; miliários em Vilariño das Poldras e Zadagos)
Xinzo da Costa, Xinzo (SALIENTIBUS) (milha LXXXVII, 87)
Vilamaior, Castro Caldelas (possível localização de PRAESIDIO) (junto à Igreja; milha CV)
Mendoia (NEMETOBRIGA) (milha CXVIII, 118)
Ponte Romana de Bibei (magnífica construção romana; os miliários indicam 84 milhas a Astorga, ou seja 131 milhas a Braga)
Pobra, Valdeorras (FORO) (milha CXXXVII, 137)
Portela de Aguiar (GEMESTARIO) (Vale do rio Sil; milha CLV, 155)
Cacabelos (BERGIDO), El Bierzo (junto ao cemitério; milha CLXVIII, 168)
Ponferrada (Exploração mineira «Las Médulas», património mundial)
Bembibre (INTERERACONIO FLAVIO) (atravessa os Montes de León; milha CLXXXVIII, 188)
Astorga (ASTURICA) (total percorrido CCXV milhas, ou seja 318 km desde Braga)

Itinerário XX (20)

Mapa










Braga (BRACARA) - Lugo (LUCUS) - Astorga (ARTURICA) chamada per loca maritima
Item per loca maritima a BRACARA ASTURICAM usque
AQUIS CELENIS
VICO SPACORUM
AD DUOS PONTES
GLANDIMIRO
TRIGONDO
BRIGANTIUM
CARANICO
LUCO AUGUSTI
TIMALINO
PONTE NEVIAE
UTTARI
BERGIDO
ASTURICA
m.p. CLXV
stadia CXCV
stadia CL
stadia CLXXX
m.p. XXII
m.p. XXX
m.p. XVIII
m.p. XVII
m.p. XXII
m.p. XII
m.p. XX
m.p. XVI
m.p. L
Ao cognominar este itinerário de per loca maritima, o Itinerário de Antonino sugere uma rota por via marítima. Para além do nome, há outra pista neste itinerário que reforça esta teoria quando indica as distâncias a partir de Aquis Celenis não em milhas mas em Stadia (um estádio equivale a 184.7 m) que era uma unidade habitualmente usada em trajectos marítimos ou fluviais (Mantas, 1997). Assim, a partir de Aquis Celenis o itinerário seguiria por via marítima com paragens nos portos de Vico Spacorum, Ad Duos Pontes e Glandimiro, tomando depois novamente a via terrestre em direcção a Lugo (Lucus Augusti, onde reencontra a Via XIX, seguindo depois por percurso comum até Asturica. Seria muito provavelmente uma via comercial, para transporte de mercadorias pesadas, o que é uma notável demonstração da organização económica na era romana. O percurso inicial em território português é alvo de grande controvérsia sem que se tenha chegado ainda a um consenso definitivo. A primeira hipótese é admitir um percurso comum à Via Romana XIX até Aquis Celenis, tendo por essa razão o itinerário omitido as estações iniciais em território nacional. Este facto não é caso único no Itinerário de Antonino que omite por exemplo as estações iniciais entre Lisboa e Santarém quando descreve o Itinerário XIV Lisboa-Mérida pois estas estão já indicadas tanto no Itinerário XV como no Itinerário XVI. Mas esta hipótese tem o problema da falta de consistência entre a distância indicada neste itinerário, 165 milhas (cerca de 244 km) e o somatório das distâncias intermédias do Itinerário XIX até Aquis Celenis que perfaz um total de 99 milhas (cerca de 147 km). Sendo assim, não é possível descartar completamente um percurso alternativo em território Português quer seja por via terrestre quer fluvial.

No entanto, como até hoje não foi encontrado nenhum miliário que possa ser atribuído a esta via, a existência de uma rota terrestre alternativo é muito duvidosa, até porque todas as outras vias que partiam de Braga estão pontuadas por inúmeros miliários ao longo do seu percurso. O miliário de Chamosinhos que apareceu num quinteiro da Igreja de S. Pedro da Torre e que muitos autores atribuem a esta via, é na verdade um miliário deslocado do Itinerário XIX que passa a apenas 6 km de Chamosinhos, e como indica 36 milhas a Braga, o seu local original seria junto a Capela de S. Miguel em Fontoura local onde comprovadamente a Via XIX vencia a milha 36. Assim, resta a alternativa fluvial que partindo do porto fluvial de Braga em Areias de Vilar seguia depois o curso navegável do rio Cávado até à sua foz em Esposende, seguindo depois por via marítima até Aquis Celenis. Apesar da aparente inexistência de uma via militar pelo litoral Português, existem muitos itinerários romanos que interligavam os povoados da região e serviam a sua actividade económica que estão descritos abaixo. (Ver Almeida CAF, 1968, 1969; Almeida CAB, 1979, 1980, 1986, 1996; Colmenero et alii, 2004; Maside, 2001)

de Braga a Areias de Vilar
Braga (partindo do forum no Largo Paulo Orósio, seguia a decumanus aproximadamente pela Rua de S. Sebastião, seguindo depois à esquerda pela Rua Direita, passando entre o Anfiteatro e a Necrópole de Maximinos, seguindo depois pela Rua Padre Cruz, Rua da Naia, antiga calçada no lugar de Ferreiros)
Cabreiros (segue pelo sopé do Castro do Monte das Caldas, por Venda e Pousada até Porto Martim)
Martim (villa na Igreja, provável mansio)
Encourados (villa? na Casa do Adro em Assento; desvia por Vilarinho; tegulae nas capelas de Sta. Maria Madalena e de S. Sebastião)
Areias de Vilar (calçada; ara na Igreja de S. João Baptista)

Alternativas a partir de Areias de Vilar:
  • Atravessar o rio Cávado na Bouça da Barra, seguindo por Manhente (Assento) em direcção a Ponte de Lima por dois traçados distintos, um dirigindo-se à travessia do rio Neiva na Ponte do Anhel e outro rumava a poente para ir de encontro à via que fazia a travessia do rio Cávado a jusante de Barcelos, rumando depois a norte para a travessia do rio Neiva na Ponte das Tábuas.
  • Seguir por via fluvial ao longo do rio Cávado até à sua foz entre Esposende e Fão, para depois rumar à Galiza por mar.
  • Seguir por via terrestre ao longo do rio Cávado até Fão, cruzando com a via proveniente de Famalicão e que vinha atravessar este rio em Sta. Eugénia do Rio Covo e a via proveniente do Porto ou Karraria Antiqua que fazia a travessia do rio Cávado na Barca do Lago, já próximo da sua foz.

de Areias de Vilar a Ponte de Lima pela Ponte de Anhel
É provável que tenha origem romana a ligação entre esta travessia do Cávado em Areias de Vilar e Ponte de Lima, partindo de Manhente (Assento), seguia por Galegos e pelo sopé da Alto do Facho, onde se localiza a Citânia de Roriz/Cidade de Canhoane (Oliveira), S. Pedro de Alvite (Igreja), Alheira (atalaia em S. Lourenço; povoado no Monte de Lousado; ara na casa paroquial de S. Martinho de Alvite), para ir atravessar o rio Neiva na Ponte Medieval de Anhel, seguindo depois um traçado próximo da EN306 por Friastelas (Castro romanizado do Calvário) até Ponte de Lima, onde entronca na via XIX proveniente de Braga.

de Barca do Lago a Caminha pela Ponte de Tourim
Hipotético itinerário ligando a travessia do rio Cávado na Barca do Lago à travessia do rio Lima em S. Salvador da Torre, podendo continuar até Caminha pela Ponte de Tourim.
Travessia do Rio Neiva (onde? em Breia? vinda de Aldreu/Monte Castro?)
  • Hipotética ligação a Viana do Castelo passando em Alvarães, Vila de Punhe (pelo vale do Castro romanizado do Cotorinho, por Igreja, Qta. da Portela, Sabariz) e Darque.
Portela de Susã (por Igreja, Paçô)
Subportela (passaria no sopé da vertente leste do Castro romanizado do Santinho ou de Roquese pelo habitat em Paço)
Deocriste (no sopé da Sra. do Castro por Igreja e Aldeia)
Deão (Villa na Igreja paroquial, no sopé da Cividade de Deião)
Travessia do Rio Lima entre Deão e S. Salvador da Torre (segue por Breia?)
Vila Mou (Monte da Cividade; vicus mineiro relacionado com as minas de estanho em Rasas e Mata; Villa do Passal, nó rodoviário)
S. Paio de Meixedo (minas romanas de ouro e estanho em Vale das Covas e Mata das Cortas)
Vilar de Murteda (minas romanas de ouro e estanho em Folgadouro e Bouça da Breia, topónimo viário)
Amonde (casal na encosta do Alto das Folgueiras; seria mutatio?; passa no sopé do Castro romanizado do Alto da Coroa; minas de ouro e estanho em Folgadouro e Bouça da Breia)
Ponte Romano?-Medieval de Tourim, Amonde sobre o rio Âncora (1 arco)
A ligação a Caminha poderia passar em Orbacém, Gondar, Azevedo (por Paço) e Venade (Castro romanizado do Alto do Coto da Pena em Vilarelho, sobre a cidade) até Caminha

de Famalicão a Barcelos
Provável ligação entre Famalicão e Barcelos com base na referência a uma «karraria antiqua» em Sta. Eulália do Rio Covo (in PMH DC 13); a via deveria seguir o vale do rio Covo por Minhotães (ara da igreja no Museu Pio XII), Viatodos (por Souto e Qta. da Fonte Velha) e Monte de Fralães (na base do importante Castro romanizado do Monte da Saia/Cividade do Lenteiro; villa em Paço; ara na Qta. da Honra) e por Sta. Eulália do Rio Covo (vicus em torno da Capela da Sra. de Águas Santas, alusão à estação termal romana que ali existia), continuando depois por S. Bento da Várzea (villa em Assento; povoado no Outeiro do Castro em Airó) para ir atravessar o rio Cávado junto de Sta. Eugénia do Rio Covo, a montante de Barcelos. (ver Almeida, 1968)
  • Eventual derivação desta rota para o Castro de Penices junto do qual poderia transpor o rio Este (na Ponte da Gravateira?) seguindo depois para Rates de encontro à via proveniente do Porto em direcção a Barcelos.

de Barcelos a Ponte de Lima pelo Vale da Facha
Esta antiga estrada deverá ter origem romana atendendo aos imensos vestígios romanos ao longo do seu trajecto pelo que seria uma via secundária que interligava os rios Cávado e Lima pelo Vale da Facha, seguindo um traçado próximo da EN204 até Ponte de Lima. No Casal romano de Maria Velha poderia existir uma mutatio pois aqui a via bifurca, seguindo a via para Ponte de Lima por Facha e Correlhã enquanto o outro ramo seguia pela Sra. da Rocha em direcção à Barca de Vitorino das Donas. (Almeida, 1990, 1996, 2003; Brochado, 2004). Partindo da travessia do rio Cávado a jusante de Barcelos, a via ia atravessar o rio Neiva na Ponte das Tábuas (ponte já documentada em 1135 com possível origem romana) e seguia pelo Vale da Facha até à Correlhã, onde se achou um miliário, mas que para já foi atribuído à Via XIX visto ser o ponto de confluência das duas vias. Entre o rio Cávado e o rio Neiva o traçado é inseguro, mas poderia ser o seguinte:

Abade de Neiva (pelo sopé do Castro romanizado do Monte Facho/Alto da Torre, passando em Breia e junto da Villa da Qta. do Castelo, milha II?)
St. Leocádia de Tamel (na Igreja, milha III?)
Carapeços (seguindo pela vertente nascente do Monte de Tamel por Caride/Igreja e Minhotas, na base do Castro romanizado da Picarreira; inscrições a Bandue e Eberonio em S. Martinho de Alvito)
S. Pedro de Fins (milha V?; segue pela Sra. da Portela, passando na base do Castro de S. Simão, o «mons cossoirado» citada num documento de 1064 que refere também a karraria antiqua que ali passava (in PMH DC 443)
Ponte das Tábuas sobre o rio Neiva (casal na Qta. das Giestas; milha VIII?)
Balugães (milha IX?; segue a meia-encosta por Laje e Mó, no sopé dos Castros romanizados da Sra. da Aparecida e da Citânia de Carmona)
Poiares (milha X?; segue a poente da povoação pela vertente nascente da Serra da Padela, passando em Lajes e junto do povoado do Sabugueiro)
Vitorino de Piães (milha XII?; passa na base do Povoado de S. Simão e do Castro romanizado do Alto das Valadas/Trás da Cidade)
Portela, Facha (milha XIII?; desemboca na EN, saindo pouco metros depois à esquerda para Albergaria)
Maria Velha, Facha (milha XIV?; provável mutatio localizada junto da bifurcação da via)
  • Diverticulum pela Sra. da Rocha: junto da mutatio em Maria Velha, derivava um ramal que seguia pela vertente poente do Vale da Facha pela margem esquerda do rio Tinto, passando junto da Villa de Paço Velho, na base do Castro romanizado de St. Estevão/Capela da Sra. da Rocha, seguindo depois pela Corredoura e Qta. da Pousada até Vitorino das Donas, atravessando o rio Lima no lugar da Barca, podendo continuar para norte ao longo da margem direita da ribeira de Estorãos junto dos sítios romanos da Qta. da Laje e Qta. dos Pentieiros.
Facha (a via passa a poente da EN pelo Caminho de Santiago, bordejando os sítios romanos da Cividade e Frei, passa na Capela de S. Sebastião e junto da Villa do Prazil, a 1 milha de Maria Velha, talvez a milha XV, próximo dos sítios romanos de Mende, Mangas e Tiandes, continuando por Sobreiro, milha XVI?)
Correlhã (segue junto do Castro romano do Eirado/Anta, milha XVII?, Tesido, Villa do Paço/Travasselas, Pregal, Castro romanizado de S. João, possível mutatio antes do rio Trovela, talvez na milha XVIII)
Travessia do rio Trovela (junto do Castro romanizado da Ns. da Conceição, talvez em Agra, onde apareceu o tal miliário, seguindo depois por Santa Luzia)
Ponte de Lima (a 20 milhas de Barcelos; conflui com a VIA XIX proveniente de Braga)

de Ponte de Lima a Caminha pela Ponte de Estorãos
O caminho antigo que passa na interessante Ponte de Estorãos (junto das minas de Casais; na Igreja paroquial apareceu uma ara dedicada ao Genio Tiaurauceaico por uma originária de Talabriga, hoje no MNA, relacionada com o povoado da Bouça do Castro) e na Ponte do Arquinho em Pica, ambas com possível origem romana, poderá corresponder a uma via secundária que seguia para norte pela Portela de Cabração (passando em Breia e Poldras pelo CM1228) de encontro à Via XIX ou rumar a Caminha atravessando a Serra d'Arga (servindo a exploração aurífera do Monte Medúlio?) por Gafarim, Cerquido, Arga de Cima, Gândara, Arga de Baixo, Corga e Arga de S. João (EM552).
  • Hipotética ligação a Viana do Castelo, pelo margem direita do rio Lima, passando em Lanheses (Cividade; minas de estanho em Cova Alta/Olas e Alto da Mouras e de ouro em Bouça do Moisés) e no vicus mineiro de Vila Mou.

de Caminha a Valença
Itinerário medieval de ligação de Caminha a Valença pela linha de costa que poderá ter origem romana, atendendo aos vestígios romanos ligados à actividade portuária e mineira.
Argela
Travessia do Rio Coura (hoje na Ponte Medieval de Vilar de Mouros)
Sopo (Castro romanizado no Mte. de Góis)
Vila Nova de Cerveira
Lovelhe (Castro romanizado do Forte de Lobelhe, provável vicus portuário romano, porto fluvial do Rio Minho para escoamento do minério de estanho extraído da mina romana do Couço do Monte Furado em Covas; espólio na C. M. de Cerveira)
Chamosinhos, S. Pedro da Torre (num quinteiro junto à igreja, foi descoberto o miliário de Chamosinhos)
Ponte Medieval sobre a ribeira de Ínsuas, no lugar da Ponte
S. Pedro da Torre
Ponte Medieval da Veiga da Mira sobre a ribeira de Mira (1 arco; junto à linha CF)
Cristêlo-Côvo
Valença (entroncando assim na VIA XIX Braga-Valença)

Itinerário Braga-Mérida

Mapa









Braga (BRACARA) - Freixo (TONGOBRIGA) - Idanha-a-Velha (IGAEDITANIA) - Mérida (EMERITA)
Embora ligue dois importantes centros urbanos, este itinerário não vem mencionado no Itinerário de Antonino o que tem colocado muitas dificuldades para levantar o seu percurso. Na verdade não é seguro que existisse uma via imperial ligando as duas cidades pelo caminho mais curto, em especial no troço entre o rio Douro e Viseu onde escasseiam os indícios atribuíveis a uma via desta importância, sendo por isso também possível que o itinerário principal para Mérida se faria pela Via Bracara-Olisipo até Talabriga, rumando daqui a Viseu, esta sim atestada por vários miliários. O problema começa logo depois de Braga na passagem do rio Vizela com 3 pontes possivelmente de origem romana e complica-se ainda mais na travessia do Douro que sendo uma zona intensamente romanizada e num terreno difícil, contém uma grande diversidade de itinerários, não se sabendo se uma delas poderia ser chamada de via principal, caso existisse essa distinção. Existem 4 miliários a norte do Douro relacionados com esta via, um em S. Martinho de Sande indicando o ponto de passagem da via na zona de Guimarães, e os miliários relacionados com a cidade romana de Tongobriga em Marco de Canaveses, com miliários em Tuías, Freixo, Soalhães e Carreirinha que marcam o trajecto em direcção rio Douro. Os traçados a sul do Douro são ainda mais obscuros podendo seguir por Castro de Daire até a Viseu, o principal nó rodoviário das Beiras, mas destes caminhos só se conhecem vestígios seguros já muito próximo de Viseu. A partir de Viseu, o traçado é pontuado por alguns miliários, seguindo por Mangualde para depois ultrapassar a Serra da Estrela pelo caminho que vai de Folgosinho até Famalicão da Serra, já na vertente leste da serra. A partir daqui a abundância de calçadas e miliários torna o percurso mais claro, seguindo por Belmonte, Qta. da Fórnea e Idanha-a-Velha rumo a Ponte Romana de Alcântara, o grande monumento viário da Hispânia romana ainda de pé, onde faz a travessia do rio Tejo rumo a Mérida. Para ultrapassar as muitas incertezas no percurso, o itinerário é apresentado por troços: de Braga a Viseu, Viseu e Famalicão da Serra (atravessando a Serra da Estrela) e finalmente de Famalicão da Serra a Mérida (Dias, 1987, 1996, 1997, 1998)

Braga (Bracara) - Guimarães
Braga (BRACARA AUGUSTA)
(a via sairia pela porta sudeste da cidade próximo da Necrópole da Rodovia ou da Necrópole de S. Lázaro na zona da actual Qta. do Fujacal para Fraião que equivale hoje aproximadamente a um trajecto pela Av. da Liberdade e EN309)
Serra da Falperra (pela portela?; Castro romanizado do Monte de Sta. Marta das Cortiças; desce talvez por Entre-Águas e Carreira)
S. Lourenço de Sande (topónimo «Estrada Velha»; seguia por Lapa, Quatro Irmãos e Pontes)
S. Martinho de Sande (na casa paroquial apareceu o miliário a Trajano? talvez a milha XVIII, hoje no MSMS com o nº 78; a mutatio poderia ser um pouco antes, em Quatro Irmãos, antiga estação viária; passa o rio em Pontes e segue por Lameiras e Alvite)
Caldas das Taipas, Caldelas (Vicus termal e viário; calçada; ver importante inscrição na Ara de Trajano)
Travessia do rio Ave (Avo) (na zona da Ponte das Taipas ou mais a jusante na Ponte de Campelos; continuar pela EN101)
S. João da Ponte (calçada no Monte da Ínsua; inscrição à Ninfas)
Ponte Romano?-Medieval de Roldes, Caneiros, Fermentões sobre a ribeira do Selho (a montante da ponte nova na EN101)

Guimarães (na idade média entrava pela Porta de Sta. Luzia ou Porta de S. Bento; além do referido miliário de S. Martinho de Sande, o Museu Martins Sarmento guarda mais 5 miliários encontrados perto de Braga, os 2 miliários pertencentes à Via XIX - Braga-Valença da Ponte do Prado, nº 77, o miliário da Qta. de Germil, nº 82, e ainda mais 3 miliários oriundos da Qta. do Cravinho em Braga, local onde foram agrupados pelo que não se sabe a que via pertenciam: o miliário a Caracala e Cómodo, nº 79, o miliário a Constantino I, regravado por Constâncio II, indicando 36 milhas, nº 80, e finalmente o miliário a Valentiano I e Valente, nº 81)

Outras Vias que partiam de Guimarães
A partir de Guimarães o traçado da via principal para Mérida não está identificado devido à complexidade da rede viária nesta região. A existência de 3 pontes sobre o rio Vizela com provável origem romana (S. Martinho do Campo, Caldas de Vizela e Vila Fria), indiciam 3 possíveis traçados em direcção ao rio Douro, mas atendendo à importância da civitas Tongobriga em Marco de Canaveses, é mais plausível que a via principal seguisse por aí em direcção ao rio Douro, trajecto aliás pontuado por alguns miliários. No entanto é provável a existência de ligações a Cale, itinerário descrito na Via Vimaranes a partir do Porto, a Magnetum em Meinedo e daqui à Civitas Anegia, assim citada na documentação medieval e hoje localizada em Eja (em Entre-os-Rios, na foz do rio Tâmega, a Villa Banius no ano 1047, in PMH DC 357) onde poderia fazer a travessia do rio Douro. Também deveria existir uma ligação pelo vale de Paços de Ferreira (habitat em Quintãs) até talvez ao Castro romanizado do Muro em Vandoma, entroncando assim na Via Cale - Tongobriga por Valongo. Também é possível que a via medieval que ligava Guimarães a Vila do Conde tivesse origem romana, saindo pela Porta de S. Domingos indo atravessar o rio Selho na Ponte da Pisca em Creixomil (inscrição funerária, CIL II 5554) rumando depois à Ponte de Serves em Gondar, permitindo o transporte de mercadorias de e para o litoral.

    de Guimarães à Ponte de Negrelos em S. Martinho do Campo
    Na idade média saía de Guimarães pela Porta da Torre Velha, passava junto a S. Francisco e aos Pelames, seguindo depois aproximadamente a EN105 por Nespereira e Conde, desviando ao km 36 pela Rua das Paredes Alagadas e Rua da Ponte para ir atravessar o rio Vizela na Ponte Romana de Negrelos, São Martinho do Campo (reconstruída com muito material romano, em particular nos arcos onde são visíveis marcas de fórfex; na Igreja apareceu uma ara dedicada à divindade ABNE, hoje no MSMS)

    Vias partindo da Ponte de Negrelos:
    • Rumo a sudoeste em direcção a Cale, passando próximo da Citânia de Sanfins e do Monte Córdova, itinerário descrito no Itinerário Porto-Guimarães.
    • Rumo a sudeste em direcção a Lousada, seguindo por Vilarinho (tesouro), Burreiros, Costeira, Mosteiro, Estrada, Paradela e Lustosa, onde entronca no Itinerário Guimarães-Vizela-Meinedo.
    • Rumo ao Castro de Vandoma, seguindo para sul por Arnozela, Escorregoura e S. Mamede de Negrelos, passa na vertente leste do Castro do Mte. do Socorro por Portelas, Lamoso (inscrição a Turiaco na Igreja paroquial), Eiriz (segue por Adosinde entre os rios Eiriz e Carvalhosa e próximo da necrópole de Isqueiros), Meixomil (necrópole em Bouçós/Devesa Grande, na base dos Castros da Vila e de Busto), segue por Marco e atravessa o rio Eiriz em Sobrão e continua para Frazão (povoado no lugar do Crasto, hoje São Brás, com necrópoles em Santa Maria Alta, S. Brás e Boavista), atravessa o Rio Ferreira na Ponte Romana (?) das Penhas Altas em Lordelo e segue para Rebordosa por S. Martinho e Aboim (topónimo Rua da Ponte Romana) de encontro à Via Cale - Tongobriga entre Astromil e Vandoma.
    • Rumo a Baltar por Paços de Ferreira, rota medieval com possível origem romana, desviando da anterior para Codessos, Raimonda (Povoado de S. Pedro), Figueiró, Freamunde, a leste de Paços de Ferreira (junto do povoado de S. Domingos), continuando por Sobrosa, Cristelo, Vila Cova de Carros até entroncar na Via Cale - Tongobriga em Baltar.

    de Guimarães a Meinedo (Magnetum) pela Ponte de Vizela
    Este itinerário faz a travessia do rio Rio Ave na chamada «Ponte Romana» de Vizela, junto do vicus Oculis) que apesar da sua configuração medieval teria origem numa anterior romana; O itinerário continua pelo concelho de Lousada rumo ao importante vicus de Magnetum situado junto a Meinedo, antiga sede de um bispado suévico, descendo depois em direcção à travessia do rio Douro em Eja/Entre-os-Rios passando junto do importante Castro Romano do Monte Mozinho ou seguir na direcção de Tongobriga no Marco de Canaveses. Esta via foi recentemente revista por Luís Sousa (2012) no seu artigo Eixo Viário Romano Oculis -Tongobriga: sua presença no Concelho de Lousada. (Ver Sousa, 2012; Mendes-Pinto, 2008)

    Guimarães (seguia uma rota próxima da EN106, seguindo talvez pela Bouça da Quinta, na base do povoado do Mte. da Polvoreira/Mte. de Lijó, seguindo depois por Infias, onde há o topónimo Qta. da Carreira, seguindo depois a meia encosta pelas ruas do Caniço, do Carvalhal, das Veigas, do Bacelo e da Vinha atendendo à inscrição votiva ao Genius Laquiniensis que apareceu na Rua do Aidro junto do lugar de Sub Carreira, topónimo viário que denuncia a passagem da via, passando na base da Igreja de S. Miguel junto do cemitério até desembocar na zona urbana de Vizela)
    Caldas de Vizela (OCULIS) (Vicus termal e viário; duas inscrições denunciam o culto à divindade termal Bormanicus, uma proveniente da Lameira, actual Praça da República, e outra do Banho do Médico em Mourisco, hoje no MSMS; duas inscrições votivas a Júpiter)
    Ponte Romano?-Medieval de Vizela sobre o rio Vizela (31 m; o arco na parte seca poderia fazer parte da construção romana (Almeida CAF, 1968); segue pela Rua Joaquim Sousa Oliveira até Cruz Caída onde entronca na EN106)
    Sta. Eulália de Barrosas (segue +- a EN106 pela Portela; necrópole no lugar da Senra e em Rielho; ara à divindade Castaeci)
    Lustosa (passa a leste do castro de São Gonçalo)
    Sousela (segue ao longo da vertente poente da Serra de Campelos, pelo caminho em terra da Boca da Ribeira até à Capela de S. Cristóvão, onde apareceu uma ara, continua em asfalto pela Rua do Bretelo, Rua da Boucinha, Rua da Soeira, rumo à Igreja de Sousela)
    Travessia do rio Mezio (junto da provável villa da Qta. de Eira Vedra)
    Covas
    Ordem (pelo lugar de Servecia)
    Cristelos (junto do Castro de S. Domingos; Casa romana junto da EM1132, a meia encosta da vertente sudeste)
    Boim (forno em Irmeiro)
    Travessia do Rio Sousa na Ponte de Espindo (calçada próximo com 100m)
    Meinedo (MAGNETUM), Lousada (o vicus estendia-se por Casais, Igreja paroquial e Qta. dos Padrões, junto da estação CF)

    de Meinedo (Magnetum) até Freixo (TONGOBRIGA)
    Meinedo (continuação do itinerário anterior a partir da travessia do rio Sousa em Espindo)
    Santa Marta (necrópole no lugar da Estrada a nordeste do Castro)
    Ponte Romano?-Medieval de Santa Marta sobre o rio Cavalum (na EN589 ao lado da ponte nova)
    Croca (necrópole em Montes Novos; segue o Vale da Croca por Carvalhos, onde existia calçada)
    Vicus e provável mansio no cruzamento de duas importantes vias: Vila Boa de Quires (passa no sopé do Castro de Quires e segue por calçada pelo Alto de Vide Basta/Bidevasta, junto à capela, e depois por Pedra, Buriz/Boriz, Arvio, Torre, Avessões, junto da villa de Urro, continuando por Penidos, S. Pedro e Rua)
    Sobretâmega (no lugar da Rua entronca na via que vinha por Felgueiras e Lixa)
    Travessia do rio Tâmega na desaparecida Ponte Romana
    Freixo (TONGOBRIGA) (Dias, 1997: 307-308)

    de Meinedo (Magnetum) até Eja (Anegia?) , Entre-os-Rios
    (partindo do nó rodoviário de Croca)
    Bustelo (pelo lugar de Monteiras junto do campo de futebol; topónimos viários como Padrão e Tresvia)
    Milhundos (povoado romano junto à igreja de Santa Luzia)
    Póvoa de Marecos (inscrição referindo o sacrifício de animais a divindades indígenas e a Júpiter, proveniente do santuário romano junto da Capela da Ns. do Desterro; necrópole em Pedreira)
    Rãs (Ponte Velha de Rans sobre um afluente do rio Cavalum)
    Oldrões (no sopé do importante Castro Romano do Monte Mozinho, aberto ao público, e cujo espólio está no novo Museu Municipal de Penafiel; mons Monachino em 1158, in LPTS 25; troço de calçada entre Bodelos e Agrelos atravessando a ribeira da Camba, hoje Rua da Via Romana)
    S. Miguel de Paredes (continua pela Rua da Via Romana)
    Pinheiro (Villa Banius nas Termas Romanas de S. Vicente; Castro romanizado do Outeiro Divino a poente da zona termal)
    Portela
    Eja (civitas Anegia na documentação medieval; castro romanizado da Sra. da Cividade ou Cividade de S. Miguel; necrópole na encosta junto da Ponte Hintze Ribeiro; calçada; a inscrição votiva dedicada ao Laribus Anaecis encontrada na antiga Igreja paroquial de Lagares é uma provável referência a esta civitas; possível travessia do Douro para S. Martinho de Sardoura (necrópole; epitáfio de Avitianus) ligando ao provável vicus de Tameobriga na confluência dos rios Douro e Paiva, no lugar do Castelo; Ver vias que saíam de Tongobriga para o Douro)















Guimarães - Freixo (TONGOBRIGA)
Via integrada no Itinerário Braga-Mérida, passando em Felgueiras e Marco de Canaveses rumo a Tongobriga.

Guimarães (provável mansio no cruzamento de várias vias secundárias; na idade média a saída da cidade seria pela Porta do Postigo ou da Sra. da Guia, ia pelo Campo da Feira, Rua de Santa Maria, e depois seguiria aproximadamente a EN101 por Mesão Frio e Infantas (habita em Veiga), mas também poderia rumar a sul, em direcção à Villa de Abação?)
Serzedo (talvez seguisse a EN101 até Pousã ao km 121, onde ruma a Hospital, Portela, Venda da Serra, Cimo do Eiriz e desce ao Arco por Bouças do Arco; Cipo funerário no lugar de Sá mais a jusante do rio, hoje no MSMS)
Ponte Romano-Medieval do Arco em Vila Fria, Felgueiras, sobre o rio Vizela (reconstrução medieval com materiais romanos como pedras almofadados no arco; a calçada começa à direita da saída da ponte e sobe ao Monte da Boavista, passa a asfalto até à EM563 no Sardoal, segue à direita até ao lugar da Rua onde vira à esquerda para a Rua do Burgo, CM1160-1, junto à Casa do Paço e segue junto ao seminário até ao cemitério)
Pombeiro de Ribavizela, Felgueiras (sobe pelo troço de calçada que ladeia o muro do Mosteiro, até confluir com o CM1175 que segue para os lugares de Ribeiro, Chã e Cascalheira, no sopé do Castro do Monte Picoto, até confluir com a EN101-3)
Água Empregada (em Campas, sai da EN101-3 à esquerda por Estrada, onde atravessa a EM562, continuando por Corvas, Taco, Forca, Barreiras e Venda)
  • Eventual variante para SO em direcção a Magnetum (Meinedo) e Tongobriga (Marco de Canaveses), passando por Varziela, Unhão (o Paço seria uma villa), Macieira, Ponte Romana? de Barrimau (pedras almofadados?), seguindo para Magnetum ou continuar rumo a Tongobriga por Caíde de Rei, S. Mamede, S. Martinho de Recezinhos, Constance e Sobretâmega.
  • Deveria também existir uma ligação à Villa de Sendim, a NE de Felgueiras, possivelmente passando nos 400 m de calçada em Lourido.
Travessia do rio Sousa em Ameal (segue até Souto por calçada com 350 m)
Refontoura (continua pela base do Castro de S. Simão, passando em Souto, Pereira, Lama e Estrada, onde segue à direita; existe uma calçada de acesso ao Mosteiro de Caramos a 100 m)
Caramos (a via segue para Borlido, Mouta, passa por dois troços de calçada que ligam a Espíuca, seguindo depois por Cerdeira das Ervas, Quintela e Santo onde conflui com a EN101)
Lixa (pelo Alto da Lixa, natural cruzamento de caminhos; ver a ligação Braga-Amarante-Vila Real)
Santiago de Figueiró (à esquerda na EN15, passa no Paço na EN565-1)
Mancelos (segue por Pidre, contorna o Castro romanizado do Banho pelo poente)
Banho e Carvalhosa (segue por Pimpinela, Carreira Chã e Torre)
Vila Caiz (possível ligação à Villa de Vilarinho debaixo da Estação CF, e ao Rio Tâmega por Retorta e Carreira)
St. Isidoro (segue indefinido até ao rio Odres no lugar de Quintã)
Ponte Romano?-Medieval do Bairro sobre o rio Odres (a actual é românica; 1 arco)
Constance (por Forcado)
Caldas de Canaveses (Aquae Tamacanae?), Sobretâmega (Termas, necrópole e vicus; segue até à Igreja de Sta. Maria; antes da Barragem do Torrão submergir esta área, a via seguia em direcção ao Cruzeiro do Sr. da Boa Passagem e dirigia-se pela Rua de Canaveses, aldeia de Pisão, até à ponte, onde confluía com a via que vinha por Meinedo)
Ponte Romana sobre o rio Tâmega (seria uma das maiores pontes romanas existentes em Portugal; no séc. XII foi reconstruída mantendo os pilares originais, posteriormente destruídos na reconstrução de 1941; hoje está tudo submerso)
Lugar da Quinta, S. Nicolau (referência a um miliário no lugar do Outeiro; sobe a Rua de S. Nicolau onde ainda existe a Albergaria de Canaveses possível sucedâneo da antiga mansio)
Tuías (miliário a Valentiano I e Valente, encontrado in situ na Qta. de Baixo, lugar da Herdade, a última milha antes de Tongobriga, mas hoje está desaparecido; ara aos Lares Cerenaeci achada na Igreja de S. Salvador, CIL II 2384, hoje no MNA)
Freixo (TONGOBRIGA), Marco de Canaveses (com base numa ara ao Genio Tongobricensium, CIL II 5564, hoje no MSMS; Martins Capela refere um miliário junto à Igreja entretanto destruído; parte dele reapareceu em 1992 nas obras da Escola Profissional de Arqueologia, onde se encontra; a 3 milhas da ponte)

Outras vias que partiam de TONGOBRIGA (Dias, 1987,1997,1998)

Para nordeste em direcção a Panóias por Amarante e Vila Real:
Traçado hipotético da via romana que ligava Tongobriga à Serra do Marão (mons Maraonis) seguindo o curso do Rio Ovelha.
Tabuado (Quelha, Chão da Igreja, Igreja Românica)
Várzea da Ovelha e Aliviada (Outeiro e Portela; casal em Torre)
Folhada (desce à Ponte do Arco)
Ponte Românica do Arco sobre o Rio Ovelha (aparenta uma construção anterior nos alicerces da margem esquerda; sobe a Picoto)
  • De Folhada um ramal poderia seguir por Moura e Igreja Velha em direcção ao Castro romanizado do Castelo em Carvalho de Rei; daqui poderia atravessar o Rio Fornelo e aceder por Valinhos (tesouro) a Bustelo.
  • Via Romana da Serra do Marão pelas Minas romanas do Teixo; O caminho poderia partir de Bustelo, subindo à Serra do Marão (mons Maraonis) pelo caminho pelo Alto da Sra. da Corba Chã, Murgido e Granja, cruza a estrada moderna e segue pelo chamado Caminho do Trigal, linha divisória entre os concelhos de Baião e Amarante, passando junto da inscrição num penedo onde se lê Castra Oresbi, continua pelo Alto do Penedo Ruivo/Minas do Teixo até entroncar na estrada da Sra. da Serra (Dias, 1995); Esta inscrição rupestre tem sido interpretada como assinalando um acampamento militar romano relacionado com a exploração mineira na zona (Lopes, 2000) e mais recentemente como marco territorial (Martins, 2009).
S. Salvador do Monte (passa no Alto de S. Salvador e Alto do Santinho)
Lomba (provável mansio no Lugar das Paredinhas e do Paraíso; necrópole em Prazo; podendo descer a Amarante por Cepelos)
Padronelo (talvez por Devesa e Moure até Marancinho, onde conflui com a via proveniente de Braga e seguem para a Serra do Marão)

Para sul em direcção à Várzea do Douro no Foz do Tâmega:
Esta via poderia desviar a rota principal em Tuías ou no Freixo até confluírem no lugar do Bairral, onde há necrópole.
  • vinda de Tuías seguiria a EN210 por Vilar, Cobreira, Ponte, Talegre, Tenrais e Bairral.
  • vinda do Freixo passava nos lugares de Covas, Esmoriz, Rosém de Cima, Monte Confurco, Chentadiços e Bairral.
  • uma referência medieval a uma «carraria antiqua» em S. Cristóvão de Sande, indica um caminho alternativo ao Douro derivando do anterior em Rosém de Cima e seguia em calçada por Bouça Baixa (pedreira na vertente poente do Alto da Bouça) e pela Portela de Mexide (nos limites das freguesias de Sande e Vila Boa do Bispo, cruzamento com a CM1266) descendo daqui pela calçada da Bouça da Carreira até Veiga, segue à direita pela ER108 e logo depois à esquerda para Loureiro, onde se dividia, seguindo um ramo até à foz da ribeira de Sande e outro atravessava esta ribeira e seguia até ao Cais do Vimieiro no rio Douro (in in PMH DC 688).
Vila Boa do Bispo (de Bairral seguiam a EN210 pelo lugar da Estrada e Lamoso)
Favões (continua pela EN210 por Golas, Vila, Requim de Cima e Requim de Baixo; necrópole da Tapada das Eirozes em Ariz)
Alpendurada e Matos (segue pelo sopé do Castro de Arados no Alto de Santiago/Mte. do Ladário que está a ser destruído por uma pedreira, passando em Mondim, Memorial, Vista Alegre, Ventosela e Cais de Bitetos)
Várzea do Douro (vicus e provável mansio hoje submersa pela barragem de Crestuma; Sancto Martino num documento do ano 964; Povoado no Alto das Penegôtas; Epitáfio de Elávia; Ara a Júpiter; Inscrição a Cláudio num muro do Convento de Alpendurada; Ara a Manes na Qta. da Rua da Várzea, na margem do douro, onde há vestígios de um habitat; Miliário a Adriano referido erradamente no CIL II 6211 como proveniente daqui resulta de um equívoco de Hübner que o confundiu com o miliário de S. Mamede de Infesta; Lima, 1999)
Travessia do rio Douro entre o Cais de Bitetos de Baixo e o Outeiro do Castelo
  • TAMEOBRIGA: na margem esquerda do Douro, em Castelo de Baixo segundo Martins Sarmento, apareceu uma inscrição votiva a Tameobrigus, CIL II 2377, hoje no MSMS, divindade local talvez relacionada com o Rio Tâmega (Tameo?), possível referência a um povoado chamado de Tameobriga que ficaria assim na confluência dos rios Douro e Paiva; A sua localização não é segura pois tanto poderia corresponder ao Vicus da Várzea do Douro na margem direita, tal como ao topónimo «Castelo» (S. Paio de Fornos) na margem esquerda do rio Douro e na margem esquerda da foz do Rio Paiva, local onde se achou a referida inscrição. Poderá estar aqui a origem do nome do concelho de Castelo de Paiva; o povoamento romano é evidenciados pelas necrópoles em Folgoso/Picoto (Raiva), em Cruz da Carreira (Sobrado), em Valbeirô e Campo da Torre (Sta. Maria de Sardoura), Vales e Valdemides.
  • Ligação a Viseu: após a travessia do Douro, a via seguia para Souselo pela «Carraria Antiqua», passando na calçada junto à Capela de Escamarão, até ao lugar do Couto na EN222, onde há a necrópole da Concelhôa; Esta Carraria Antiqua, assim citada na documentação medieval, deveria continuar para Viseu pelo vale do rio Paiva, onde referências medievais a uma «carraria antiqua» (in PMH DC 459), seguindo algures por Fornelos, Nespereira (inscrição rupestre no sítio da Volta em Pindelo, FE299), Cabril (castro), Meã, Ameixiosa, Posmil, até às Caldas de S. Pedro sul, onde entronca na via que vem do Porto pela Serra de Arouca, seguindo juntas para Viseu. Ver abaixo problema da ligação entre Tongobriga e Viseu.











Freixo (TONGOBRIGA) - Viseu (VISSAIUM)
É muito provável que a via romana para Mérida rumasse primeiro a Viseu e daqui seguisse para a travessia da Serra da Estrela. Partindo de Tongobriga, a via descia ao rio Douro por Soalhães e Mesquinhata, locais onde apareceram miliários. O local de travessia ainda é incerto, mas seria numa das tradicionais travessias do Douro, Porto Antigo, Caldas de Aregos e Porto de Rei. Todas estas travessias teriam continuidade para Viseu, mas sobre os seus itinerários ainda pouco de conhece. É provável que uma destas travessias fosse a via principal para Mérida, mas ainda não se encontraram evidências dessa hierarquia. É possível que a travessia principal na era romana fosse em Porto Antigo visto ser este o caminho mais curto para Viseu, mas também a travessia em Caldas de Aregos dava acesso a Viseu, passando no importante povoado romano de Cárquere e mesmo a travessia em Porto de Rei se oferece como alternativa dando acesso ao eixo Lamego-Viseu por onde deveria correr uma estrada romana. No seu «Naturalis Historiae», Plínio refere os Turduli Veteres e Paesuri como povos que habitavam a sul do rio Douro e se os primeiros estariam certamente nos actuais concelhos de Vila Nova de Gaia e da Feira, com povoados nos Carvalhos (Monte Murado) e em Fiães (Monte Redondo), os Paesuri poderiam ocupar o povoado romano de Cárquere, mas ainda não há certezas. (Vaz 1976, 1979, 1997; Dias, 1987, 1996, 1997, 1998).

Freixo (TONGOBRIGA)
Travessia do rio Galinhas (talvez na confluência da ribeira do Juncal com a ribeira da Lardosa)
Soalhães (segue por Ladário e Outeiro)
Lugar do Crasto, Soalhães (calçada e miliário a Constantino II da milha VIII desde Tongobriga, hoje depositado no Museu Soares dos Reis no Porto; a via circunda a base do Castro Soalhão por terrenos ainda conhecidos pelo topónimo «Vale Trajano»)
Carreirinha, Mesquinhata (miliário a Galieno encontrado in situ junto ao Alto dos Encambalados, está hoje no Museu Municipal de Baião)
Mesquinhata (segue por Casal e Geguintes; acesso à necrópole do Bairral junto da Igreja paroquial de Sta. Leocádia, onde se achou uma ara a Júpiter e uma estela funerária, hoje ambas no Museu do Seminário Maior no Porto)
Grilo (passa em Passadouro e no Alto do Loureiro)
Gôve (passa junto ao Castro romanizado do Cruito)
Ponte do Gôve (travessia do rio Ovil)

Daqui derivam 3 ligações ao Douro:
A partir da Ponte do Gôve a via poderia dividir-se em 3 troços distintos de encontro às prováveis travessias do rio Douro em Porto Manso/Ancêde, Caldas de Aregos e Porto de Rei, mas não se sabe qual destas seria a principal para Viseu.

    Para Porto Manso/Ancêde
    Ancêde (da ponte do Gôve é possível que seguisse recto ao percurso pedestre que passa na calçada que ladeia o Castro de Porto Manso, onde se achou uma inscrição a Júpiter, descendo depois pela margem esquerda do rio Ovil, mas também é possível que seguisse comum ao caminho para Aregos até à Sra. das Boas Novas, descendo daqui a Mosteirô; ver mapa)
    Porto Manso, Ribadouro (povoado e provável mansio na Qta. de Mosteirô para apoio à travessia do rio Douro)
    Travessia do rio Douro
    Porto Antigo, Cinfães (vicus no Castelo de Sampaio em S. Cristóvão de Nogueira, onde se achou uma inscrição dedicado a Augusto hoje no MSMS; Villa em Passos, Tarouquela, onde apareceu uma ara a Júpiter, FE245; inscrição rupestre no Vimeiro referindo a divindade Mirobievs)
    • Ligação a Viseu: a via talvez continuasse pela margem direita do rio Bestança rumo ao Castro romanizado de Portas de Montemuro na Serra de Montemuro, num percurso próximo da EN1029 e EN1030 por Pimeiro e Vila de Papas até Gralheira, onde subsistem alguns vestígios da passagem da via, como a calçada de Gafanhão, a calçada junto à Ponte de Panchorra sobre o rio Cabrum e a calçada de Cotelo junto da Lagoa de D. João, importante nó rodoviário onde confluía com a via proveniente de Caldas de Aregos, seguindo depois pelo Alto do Cotelo, Cruz do Rossão, Picão e Lamelas até Castro Daire; daqui desce em calçada para a travessia do rio Paiva em Ponte Pedrinha (referência a uma ponte antiga que aqui existia, demolida já em 1877, eventualmente com origem romana pois aqui apareceu uma árula com inscrição), seguindo depois por S. Domingos, Ribolhos e Mões para Viseu.

    Para Caldas de Aregos
    Sta. Cruz do Douro (seguia por Portela do Gôve, Lamas, Vale de Coelho, Casal e Sra. das Boas Novas em Sequeiros)
    Travessia do rio Douro em Venda das Caldas
    Caldas de Aregos (segue por Pousada; esta calçada está referida na documentação medieval como «Karraria Antiqua», in PMH DC 888)
    S. Romão de Aregos
    Cárquere (possível capital dos Paesuri; aqui apareceram dezenas de inscrições)
    • Ligação a Viseu: a via deveria continuar para sul transpondo a Serra do Montemuro, seguindo talvez o caminho que passa junto da Capela de S. Francisco, seguindo depois por Canizes, Rossas e Talhada até à Lagoa de D. João em Cotelo, onde confluía com a via que vinha da travessia do Douro em Porto Antigo (Cinfães) e juntas seguiam para Castro Daire e depois Viseu.

    Para Porto de Rei e Lamego
    Sta. Cruz do Douro (povoado em Passal, junto à igreja; segue a EN108 até Vila Monim, sai à direita para Cedofeita e Senra)
    S. Tomé de Covelas (continua por Outeiro, Lama Susã e pelo vicus do Barreiro)
    Sta. Marinha do Zêzere (vicus na Qta. de Guimarães em Míguas; possível ligação NE para Gestaçô, onde apareceu um tesouro, o mons Genestazo da documentação medieval)
    Travessia do Rio Teixeira na Ponte de Frende (entre Ervidal e Cruzeiro)
    Frende (castro; mosaico, 3 baixos-relevos e inscrições funerárias na Capela de S. João; teria existido um templo?)
    Travessia do rio Douro em Porto de Rei
    S. João de Fontoura
    S. Martinho de Mouros, Resende (calçada no Alto de Vila Verde e perto do Castro da Mogueira)
    Penajoia (Castro romanizado e vestígios de calçada; a sul, Inscrição em Quintela de Penude)
    Lamego (Lamecum?)
    • Ligação a Viseu: de Lamego deveria ligar a Viseu cujo itinerário está descrito no sentido inverso em Via Viseu-Lamego.

Mapa

















Viseu (VISSAIUM) - Famalicão da Serra (Mansio?)
Esta itinerário atravessa a Serra da Estrela integrado a via entre Braga e Mérida, seguindo por Mangualde, Abrunhosa-a-Velha, Folgosinho e Famalicão da Serra, onde 5 miliários atestam a passagem via. Bibliografia: Nóbrega (2003) e Vaz (1976)
Ver também os outros itinerários da região de Viseu.

Viseu (Vissaium) (oppidum com forum no morro da Sé; a Rua Direita seria o cardus Maximus; partindo da necrópole junto da capela de S. Miguel, a antiga porta da cidade, seguia por Viso, Carreira de Tiro, Fragosela e Fragosela de Baixo)
Travessia do rio Dão
Fagilde (coluna, possível miliário; calçada)
Roda (calçada e um miliário anepígrafo sem localização precisa, segundo Nóbrega em 1992 estaria «numa casa particular em Mesquitela»)
Mangualde (Castellum Araocelum?) (a mansio seria nas Qtas. da Fonte do Púcaro, junto da villa romana da Qta. da Raposeira na base do povoado do Monte da Sra. do Castelo, talvez o Castellum Araocelensis referido numa inscrição honorífica encontrada em S. Cosmado; espólio na Assoc. Cultural Azurara da Beira; a mansio ficava no cruzamento com a Via N-S que seguia para a Bobadela)

Itinerário atravessando o Mondego na Ponte de Palhez:
Mangualde (segue pela Rua da Estação até ao km 14.1 e depois à esquerda pela Rua da Ponte que passa junto da Villa da Qta. da Calçada com vestígios da via até à ribeira de Almeidinha)
Mesquitela (segue pela Rua da Ponte, Rua da Calçada Romana, Rua Direita e Rua da Ramalhinha/Qta. da Lavandeira)
Mourilhe (magnífico troço de calçada romana com 50m e 5,6 m de largura junto da Capela de Ns. da Conceição; indicada na EN232)
Contenças de Baixo (calçada no caminho para a ponte)
Travessia do Mondego junto à Ponte de Palhez
Cativelos (deveria seguir próximo da villa do Mte. Aljão; Ponte Romana? do Aljão e Ponte Romana? das Cantinas com calçada; calçada em Celas Alminhas-Dobreira)
Vila Nova de Tázem (alguns troços de calçada junto dos habitats de Freixial/Safail e em Teixugueira-Parigueira poderão integrar esta via)
Segue até Nespereira, onde conflui com o itinerário abaixo.
Itinerário atravessando o Mondego em Poço Moirão (via principal?):
Mangualde (milha XII?; da mansio segue pelo troço de calçada nas Qtas. da Fonte do Púcaro; topónimo medieval Albergaria talvez em referência à mansio)
Almeidinha, Mangualde (seguir pela Rua Principal e Rua Sra. do Campo/EM1458, passando a 200 m a nascente da Villa da Moita da Oliveira)
Casal de Cima, Santiago de Cassurrães (atravessa a Serra da Baralha por Tapada)
Santiago de Cassurrães (possível miliário anepígrafo junto à capela de S. Sebastião, Gomes, 1985; depois de atravessar a ribeira de Cassurrães segue pela Rua da Calçada, chamado "Caminho Velho", antiga via romana, junto das alminhas da capela da Sra. de Cervães, que talvez reutilize um miliário, seguindo depois a via pelo caminho de terra batida junto da Villa da Qta. de Sta. Marinha, onde ainda há calçada, para ir atravessar o Mondego junto à Qta. do Moinho)
Abrunhosa-a-Velha (aqui existiam quatro miliários que foram transferidos para Viseu; dois estão desaparecidos, destes um era anepígrafo e outro era dedicado a Numeriano, enquanto os outros dois pertencem à Colecção da Assembleia Distrital de Viseu na Casa do Adro ao Largo da Sé, um miliário onde parece ler-se XX milhas e um miliário a Adriano da milha XVIII, o que corresponde à distância daqui a Viseu, com o nº 605)
Travessia do rio Mondego entre Poço Moirão e Qta. dos Padres (segue próximo da villa de Risado; poderia existir uma ligação mais directa a Melo pela linha de festo entre as ribeiras de S. Paio e do Paço)
Arcozelo (possível mutatio no povoado fortificado do Castelo)
Nespereira (Calçada de São Pelágio; Cadeiral Romano no Bairro de St. António)
Ponte Romano?-Medieval do Chorido sobre a ribeira de Gouveia (calçada)
S. Paio, Gouveia (cruza com a via NE-SO que ligava Marialva à Bobadela)
Nabais
Melo
Freixo da Serra
Folgosinho (seria a última mansio antes de atravessar a serra)

De Folgosinho a via romana seguia para Famalicão da Serra, atravessando a Serra da Estrela:
O percurso não está bem definido, mas é provável que seguisse pela Portela de Folgosinho e Calçada dos Galhardos, com 1,5 km, seguindo depois por Cantarinhos, Casal das Pias, junto do Alto da Cova do Cêpo, descendo por Casal Reigoso à Qta. da Taberna, onde fazia a travessia do rio Mondego, rumando daqui pela Lomba de Saimão rumo a Famalicão da Serra, percurso em calçada e pontuado pelo miliário a Constâncio Cloro e Galério Maximiano da Tapada da Eira/Qta. da Tranginha (entretanto perdido em Lisboa), o miliário a Tácito da Qta. do Cadouço (este no Museu do Carmo em Lisboa), até atingir Famalicão da Serra

Mapa





































Famalicão da Serra (Mansio?) - Mérida (EMERITA) (ver Belo:1960)
Este troço está bem definido pelos 9 miliários existentes ao longo do seu percurso até Caria embora se desconheça a origem das milhas marcadas. A via atravessava o território dos Lancienses Transcudani e dos Lancienses Oppidani, povos mencionados na inscrição da Ponte de Alcântara. A definição dos seus limites territoriais permanece ainda em discussão (ver Alarcão, 2001), mas é possível que os Lancienses Transcudani ocupassem o planalto da Guarda, possivelmente com capital no Castro romanizado de Castelos Velhos em Póvoa do Mileu e os Lancienses Oppidani estariam mais a sul na região de Penamacor devido ao Terminus Augustal que apareceu em Salvador marcado a divisão territorial entre estes e os Igaeditani que tinham a sua capital em Idanha-a-Velha. Entre eles poderia existir um terceiro território Lanciense, os Ocelenses referidos por Plínio que poderia ficar na zona do Sabugal atendendo à inscrição onde se lê «VICANI · / OCEL[O]N[E]/NSES» encontrada na Qta. de S. Domingos em Pousafoles do Bispo, FE310.2.

Famalicão da Serra (vinha pela Serra de Barrelas e seguia pela extinta povoação de Barrelas, antigo castro e provável localização de uma mutatio ou mansio de onde são provenientes o miliário a Tácito e o miliário a Constantino Magno ou I achado a cerca de 1 km da via no sítio de Colerdordem que hoje estão no Museu da Guarda; a capela de St. Antão guarda no seu interior um miliário a Tibério?; continua pelo «Caminho do Convento» passando junto da Qta. do Sendão)
Valhelhas (outra possível localização de Lancia Oppidana; miliário a Maximiniano (?) achado em Galrado, na margem esquerda do rio Zêzere, passou para a igreja e hoje está na J. F.; Inscrição consagrada aos Deuses Manes na Igreja)
Várzea do Vale Formoso (calçada ao longo da margem esquerda do rio Zêzere)
Lameiras (miliário a Tácito, AE 1965, 107, e um miliário anepígrafo, hoje depositados no Castelo de Belmonte)
Ponte Romana sobre a ribeira da Gaia na Qta. do Galvão (defronte surge o imponente edifício romano de Centum Cellae)
Catraia da Torre (CENTUM CELLAE) (vicus e provável mansio de apoio à via em torno da chamada Torre Romana de Centum Cellae; Carvalho, 2010; a via contorna a Torre, a cerca de 30 m da face norte)
Travessia da ribeira do Colmeal (na margem direita apareceram, um miliário a Constâncio Cloro e um miliário anepígrafo hoje também no Castelo de Belmonte)
Belmonte (próximo da Igreja de Santiago existe um miliário reutilizado como ombreira de uma cada particular; 4 miliários no Castelo de Belmonte provenientes da ribeira do Colmeal e das Lameiras; a via passava no vale e contornava por nascente o esporão de Belmonte, junto à villa do Muro na Qta. do Bouzieiro e segue paralela à Serra da Esperança e a poente da estação C.F.)
Malpique (calçada passa a nascente junto à villa da Qta. da Fórnea a 5 milhas de Centum Cellae)
Travessia da ribeira das Inguias na Qta. da Ribeira ou na Catraia da Caria?
Caria (provável mutatio e caput viarum onde confluiria o Itinerário Alvega-Salamanca; existiam vestígios da calçada em Barcinho e junto à Igreja paroquial no caminho para a Fontinha)
Pontão sobre a ribeira de Caria, Laje do Freixo (calçada; segue talvez a leste de Peraboa pela Qta. dos Lameirões e Bica, contornando a Serra de St. António pelas vertentes norte e nascente rumo a Capinha)

Capinha (vicus e provável mansio no cruzamento com a Via Alvega-Salamanca; a via partia da Fonte de Cima e seguia pela calçada de S. Marcos, junto da capela, e continuava pela calçada das Lajens, entretanto já destruída, passando não muito longe da Villa ou mesmo Vicus em torno da Capela de S. Pedro da Tapada; várias inscrições funerárias, entre elas o epitáfio de um Meidubrigense que apareceu 1km SO da Qta. de S. Pedro (AE362, 1977), uma ara votiva a Bandi Arbariaico a caminho de Três Povos, CIL II 454 e uma dedicada a Quangeius, FE23, nº103/2)
Ponte Romano?-Medieval sobre a ribeira de Meimoa (segue por Vale de Paredes e Freixa?)
Quintas da Torre (na Torre dos Namorados apareceu uma inscrição funerária, uma ara votiva ao Bande Luguano e um miliário indicando a Milha XXII contadas talvez a partir de Idanha-a-Velha e que está hoje no Museu Arqueológico do Fundão; fica na base do Castro de Covilhã Velha)
Mata Rainha (travessia da ribeira do Taveiro em Cadaval/Poldras?
Travessia da ribeira do Ceife em Lajinhas?
Pedrogão de S. Pedro
Ponte Romana? sobre a ribeira das Taliscas (em risco de ruína)
Bemposta (conjunto de várias epigrafes no Núcleo Museológico da Bemposta na Capela de S. Sebastião, sendo duas delas dedicadas a Bandi Isibraiegui (AE 1967, 133 e 134) e outra a Quangeius)
Medelim (na Capela de Santiago apareceu uma ara votiva a Mercúrio, divindade protectora dos caminhos, juntamente com mais 2 inscrições votivas; a via talvez passasse no acampamento romano de Oliveira das Almas; Ponte Romana? em ruínas; calçada dentro da povoação; segue talvez próximo dos vestígios em Tapada da Senhora e Vale de Cavalo, provável villa ou mesmo vicus)

Idanha-a-Velha (IGAEDITANIA) (Igaedis, oppidum sede da Civitas Igaeditanorum a 120 milhas de Emerita; magníficas ruínas desta importante cidade romana; excelente colecção de epigrafia no museu, parte de mais de duas centenas de epígrafes conhecidas; Existem 6 miliários conhecidos no território Igaeditanense: um miliário Augusto de origem incerta (AE, 1967, 185) onde se lia «CX» que talvez indicasse a distância a Mérida de CXX milhas, o miliário também a Augusto de Alcafozes, atestando ambos a antiguidade da via e um fragmento de Vale de Portela em Monsanto; Os restantes 3 são anepígrafos ou ilegíveis; um está junto da Igreja Visigótica de Idanha, o outro está nas ruas de Alcafozes e o último em Segura; O território da civitas confina a poente com os Tapori de Castelo Branco e nascente com os Lancienses pois em Salvador apareceu um Terminus Augustalis demarcando o território entre os Igaeditanos e os Lancienses; ver também Rede Viária em torno de Idanha-a-Velha)

De Idanha-a-Velha a Mérida
Ponte Romano-Medieval de Idanha-a-Velha sobre o rio Pônsul (a ponte actual foi construída com o material de uma anterior romana mais a montante que terá ruído)
Alcafozes (3 miliários; miliário a Augusto onde apenas se lê «Imp(erator?) / Aug[ustus?]», hoje no Museu de Idanha-a-Velha junto com outro onde apenas se lê umas letras; Sá, 2007, p. 158, nº 238; miliário ilegível num cruzamento de caminhos junto da Igreja paroquial; Estela funerária; Povoado no Cabeço dos Mouros; segue pelo estradão Barreiro Vermelho/Granja, onde atravessa a ribeira de Aravil, subindo a Toulões pelo Alto dos Frades)
Toulões (talvez pela linha de festo que vai por Monte Velho, Abegões e pelo Alto da Barca, onde cruza a EN240, seguindo depois a linha de festo ao longo da ribeira da Calçada até Segura)
Segura (dois fragmentos de miliários já ilegíveis nas ruas da aldeia; 2 aras no altar da Capela de Sta. Marinha e outra no exterior, indiciam um templo romano no caminho para Salvaterra do Extremo; a via entra na povoação na base do Calvário que integra uma ara, segue a rua do Pelourinho com o 1º fragmento de miliário na entrada e o segundo junto da Porta Sul da antiga Vila; Sai da aldeia pela Rua da Calçada e desce ao rio)
Ponte Romana de Segura sobre o rio Erges (5 arcos; pela EN355 faz fronteira; arco central e tabuleiro reconstruídos)
Piedras Albas (Estorninos)
Ponte Romana de Alcántara sobre o rio Tejo (ex-líbris das pontes romanas na Hispânia)
Alcántara (ver traçado)
NORBA CAESARINA (Cáceres) (onde entronca na chamada "Via de la Plata" que ligava Astorga a Cádiz no sentido N-S)
EMERITA (Mérida) (caput viarum)

Itinerário XII (12)

Mapa




Variante por Montemor













Variante por Torrão








Évora-Elvas




Variante por Vila Viçosa


Lisboa (OLISIPO) - Alcácer do Sal (SALACIA) - Évora (EBORA) - Mérida (EMERITA)   CLXI milhas - 238.5 km
Item ab OLISIPONE EMERITAM m.p. CLXI
AQUABONA
CAETOBRIGA
CAECILIANA
MALATECA
SALACIA
EBORA
AD ATRUM FLUMEM
DIPONE
EVANDRIANA
EMERITA
m.p. XII
m.p. XII
m.p. VIII
m.p. XXVI
m.p. XII
m.p. XLIIII
m.p. VIIII
m.p. XII
m.p. XVII
m.p. VIIII
Apesar a sua importância, o Itinerário XII de Antonino continua cheio de incógnitas e incertezas devido à dificuldade em acertar as distâncias das estações. Partindo de Lisboa, atravessava o rio Tejo e seguia em direcção a Salacia hoje Alcácer do Sal com três estações intermédias com localização bastante problemática. Aos poucos vestígios existentes acresce a dificuldade em acertar as distâncias no terreno com as indicadas no Itinerário. Se os vestígios romanos recentemente encontrados em Setúbal reafirmam a localização de Caetobriga nesta cidade, por outro lado, nas outras estações intermédias, Aquabona, Caeciliana, Malateca, subsistem as dúvidas. O troço seguinte entre Salacia e Ebora é bem mais conhecido com duas prováveis variantes, uma mais directa por Montemor-o-Novo que seria a via principal para Évora e outra mais a S que deveria corresponder ao trajecto da via que ligava Alcácer do Sal a Beja e daqui a Faro passando no Torrão, mas que a partir daqui ligaria também a Évora passando por Alcáçovas e Ns. de Tourega. Depois de passar em Évora, a via passaria pelas três estações referidas no Itinerário em direcção a Mérida, Ad Atrum Flumen, Evandriana e Dipo cujas localizações são ainda desconhecidas. (ver Bilou, 2000a; Carneiro, 2008)


Lisboa (OLISIPO) (a travessia do rio Tejo poderia ser, tal como hoje, entre o porto romano da Praça do Comércio e o porto de Cacilhas na outra margem (cetárias no actual Largo Alfredo Dinis e povoado da Qta. do Almaraz; também ligando por via fluvial à olaria de «Porto dos Cacos» em Alcochete) seguindo depois a rota da EN10 até atingir Coina; Ao longo desta rota há vestígios da presença romana como a olaria da Qta. do Rouxinol em Corroios, a mina em Vale dos Gatos em Amora, a necrópole da Qta. de S. João em Arrentela e a mina de Foros da Catrapona ao km 15 da EN10; Também não pode excluir uma rota inteiramente por via fluvial indo de Lisboa ao porto fluvial de Coina igualmente perfazendo as 12 milhas indicadas)
AQUABONA (mansio na milha XII sem localização segura; por vezes associada ao antigo Castelo de Coina-a-Velha, junto da Aldeia da Piedade, mas como este fica a 19 milhas de Lisboa e obrigar a um grande desvio da rota para a estação seguinte localizada em Setúbal, é bem mais provável que a mansio estivesse junto da moderna Coina que dista 12 milhas de Lisboa quer por terra quer por via fluvial; A via seguia rumo a Setúbal talvez pelo Alto das Necessidades e Qta. da Calçada ao longo da vertente oeste e sul da Serra de S. Luís, descendo a Setúbal pela chamada Calçada ou «Estrada do Viso», troço da via romana bem conservado entre o Grelhal (Rua da Estrada Romana) e Casal das Figueiras, entrando na cidade pelo Bairro do Tróino; a NE, no Alto da Queimada, Serra do Louro, Palmela, fica o Povoado de Chibanes que Amílcar Guerra associou à Caepiana de Ptolomeu)
CAETOBRIGA (mansio a 24 milhas de Olisipo que deverá corresponder a Setúbal, atendendo aos importantes vestígios recentemente descobertos na Av. Luísa Todi e à concordância das 24 milhas indicadas no itinerário com a distância medida no terreno entre Cacilhas e Setúbal, cerca de 36 km)
CAECILIANA (mansio a 8 milhas de Setúbal sem localização conhecida; Tem sido associada aos vestígios na Herdade de Águas Mouras, mas esta fica já a 14 milhas e muito próximo de Marateca)
MALATECA (mansio com localização muito incerta porque não há concordância nas distâncias indicadas; as 34 milhas indicadas desde Caetobriga são impossíveis pois esta corresponde à distância total entre Setúbal e Alcácer; Por outro lado não se conhecem vestígios a 12 milhas Alcácer que possam ser atribuíveis a esta mansio; A estação viária poderá estar relacionada com a travessia da ribeira da Marateca, talvez no Castelo dos Mouros embora existam muitos mais vestígios ao longo da ribeira entre Landeira e Cabrela; a distância da Ponte da Marateca a Alcácer são 20 milhas, ou seja 12+8)

Alcácer do Sal (SALACIA) (oppidum a 58 milhas de Lisboa embora o itinerário indique 70 milhas; a via talvez seguisse pelo Mte. da Ponte da Pedra em Palma e pela Villa do Mte. de Vale de Reis, junto da Igreja do monte e da Igreja de S. Lourenço, entrando na cidade pela necrópole de S. Francisco de Frades, junto ao Convento de St. António; Forum dentro do castelo e necrópole na Azinhaga do Sr. dos Mártires; villa no Bairro dos Crespos; ver Museu Pedro Nunes)
  • Porto Marítimo de Alcácer do Sal: No estuário do Sado ainda existem importantes vestígios do comércio por via marítima centrado no porto de Alcácer do Sal, articulado com o entreposto comercial e centro de transformação da actividade piscícola de Tróia, Creiro e Setúbal, assim como os centros de produção de ânforas da «Feitoria Fenícia» de Abul e da Herdade do Pinheiro; Nesta última, André Resende refere a existência de um cipo dedicado ao imperador Cómodo a «16 mil passos de Alcácer do Sal», mas sendo pouco provável que a via seguisse pela costa, este poderia ser simplesmente uma coluna honorífica ou uma invenção de Resende.
  • Via fluvial pelo rio Sado (Callipus): O rio Sado era navegável na era romana ligando ao hinterland alentejano com imensos vestígios de villae e portos fluviais ao longo das suas margens relacionados com o comércio fluvial, a saber: Herdade da Barrosinha (villa), Porto de Rei (villa e porto fluvial), Mte. da Casa Branca (villa e calçada com 200 m), Portinho (villa), Benagazil, S. Romão, Porto Carro (porto fluvial), Herdade dos Frades (villa), Portancho (villa) e Mte. da Qta. de D. Rodrigo (calçada), na foz do rio Xarrama, rio que subia até ao Torrão passando ao lado da Capela de S. João dos Azinhais na Herdade de Arranas (Ara a Júpiter) e em Passadeiras. O rio continuava navegável para montante, passando na villa na Herdade da Qta. de Cima, seguindo provavelmente até Sta. Margarida do Sado.
  • Via principal para Montemor-o-Novo: Depois de Alcácer, a via principal deveria seguir pela margem direita da ribeira de Sítimos, atravessando o concelho de Montemor-o-Novo até Valverde e daqui a Évora, percorrendo as 44 milhas indicadas no Itinerário de Antonino, o que corresponde à distância medida entre as duas cidades.
  • Variante pelo Torrão: Esta variante deveria utilizar troços de várias vias, seguindo na sua parte inicial pela Via Alcácer-Beja até ao Torrão, onde inflectia para NE seguindo por Alcáçovas na direcção de Évora, até confluir com a via principal pouco antes desta cidade. Torrão seria assim um nó rodoviário importante no centro do triângulo Salacia - Ebora - Pace Iulia.

Variante pelo concelho de Montemor-o-Novo (a via principal; 5 miliários)
Alcácer do Sal (sai para NE pela villa do Bairro dos Crespo e segue pela margem direita da ribeira de Sta. Catarina de Sítimos/EN253)
Mte. dos Carvalhos de Baixo, Pego do Altar (possível miliário anepígrafo)
Sta. Susana (André de Resende refere um miliário a Caracala junto à travessia do rio Mourinho, actual ribeira de Remourinho; continua na outra margem em Freixial pela EM1066 e pela calçada da Herdade da Biscainha e não longe da Villa da Portagem e de Pedrões; povoado em Castelejos)
Foros de Pinheiro, S. Cristóvão (continua pelo Poço Novo, Alto do Outeiro Caído, Mte. da Chaminé, Mte. da Barbosa, Mte. da Parreira e Mte. das Canas; Ponte Romana?)
Mte. da Prata, Casa Branca, Santiago do Escoural (miliário anepígrafo em 2 fragmentos; continua por Álamo; ara na Herdade da Igreja)
Mte. da Venda, S. Brissos (provável mutatio onde existem dois fragmentos de um miliário anepígrafo; outro miliário anepígrafo foi deslocado para a Capela de S. Brissos)
Travessia da ribeira de S. Brissos (a via continua em terra até ao Monte dos Andrades, onde existe um miliário anepígrafo, e daqui ao Monte do Freixo)
Valverde (depois da aldeia, atravessa a ribeira de Valverde, 800 m depois, na Herdade da Mitra, a 150 m do desvio para a Anta Grande do Zambujeiro aparece um miliário anepígrafo [milha VII?] [ver foto]; segue junto ao monumento comemorativo chamado "Pedra da Pinha", milha VI(?), a norte do Mte. da Alfarrobeira, onde existe um miliário; referência de Mário Saa a um "viaduto" na Herdade da Murteira)
Travessia da ribeira da Viscossa (segue talvez pelo caminho rural pelas Qtas. das Tacinhas de Fora, Carranca, Cabeça da Guarda e Silveirinha)
Esparragosa (segue próximo do marco geodésico/moinho, e logo a 50 m para poente, o fuste de um miliário anepígrafo; Pouco depois conflui com a variante por Torrão descrita abaixo e juntas rumam a Évora)

Variante por Torrão e Alcáçovas (6 miliários; António Carvalho, 2009)
Alcácer do Sal (poderia seguia a via principal até ao Mte. da Arcebispa, atravessando aqui a ribeira de Sítimos)
S. Catarina de Sítimos (importante Villa romana dentro da povoação; a via deveria seguir pelo sítio da Torre, entre as villae de S. Catarina e de Porto da Lama pois junto ao campo de aviação apareceu um miliário a Diocleciano que está hoje no Museu Pedro Nunes em Alcácer; a partir daqui o percurso é incerto, podendo rumar mesmo rumar directamente a Alcáçovas)
Ponte sobre o rio Xarrama (a via vem pela Calçadinha Romana, com 300 metros; teria existido uma ponte romana?)
Torrão (provável mansio; daqui derivam as vias para Faro e para Beja; vestígios no Centro Escolar)
Alcáçovas (cupa funerária em forma de barrica, CIL II 86, hoje no MNA; seguiria perto da villa a 800 m da estação CF)
Ponte Romano?-Medieval de Alcalainha, S. Brás do Regedouro (na confluência das ribeiras de S. Brissos e Viscossa, formando a ribeira das Alcáçovas)
Mte. dos Tabuleiros de Baixo (Mário Saa fotografou aqui um miliário hoje desaparecido; também André de Resende refere dois miliários nos «Tabuleiros», um ilegível e um miliário a Maximiano, CIL II 433*, indicando 12 milhas a Évora o que corresponde à distância no terreno; será este o miliário que apareceu em S. Mateus e que esteve no Museu Arqueológico de Montemor-o-Novo?; a distância coincide, mas este foi atribuído a Antonino)
Mte. do Zambujeiro, Ns. de Tourega (epitáfio de Mailoni; hoje Qta. de S. Jorge)
N. Sra. da Tourega (a via passa no chamado Porto da Calçadinha e 150 m depois surge o fragmento do miliário a Maximino e Máximo junto da igreja e do acesso à magnífica Villa romana das Martas [milha VIII a Évora?]; inscrição refere dois quatuórviros responsáveis pela manutenção das vias, «IIII viro viarum curandarum», CIL II 112, hoje no Museu de Évora)
Herdade do Barrocal (1.5 km à frente, existe um miliário anepígrafo tombado [milha VII a Évora?])
Travessia da ribeira da Viscossa ou de Peramanca (vestígios de calçada na margem esquerda; o caminho continua para NE)
Cabida (no cruzamento do caminho com o acesso à Qta. do Pomarinho existe um fragmento de miliário [milha VI?], cujo fuste epigráfico, aparece pouco mais à frente, junto ao caminho que deriva da EN para o Monte das Flores; possível derivação para a travessia do rio Xarrama a vau na Moita da Carne entroncando na via romana Évora-Beja)
  • Existe uma antiga estrada proveniente da Ns. da Boa Fé com vestígios de calçada em Monte do Escrivão, Monte da Ponte, atravessava a ribeira de Peramanca em Alcamizes e iria confluir com estas variantes em Esparragosa.

Comum até Évora
As duas variantes confluem a seguir ao marco geodésico da Esparragosa, junto à rotunda do parque de campismo, entra na cidade pela Porta do Raimundo e segue pela Rua do Raimundo, Praça do Giraldo, Rua 5 de Outubro até à acrópole.

Évora (EBORA) (oppidum a CXIII milhas de Olisipo e XLIII milhas de Salacia; o decumanus maximus seria a actual Rua Vasco da Gama; Templo de Diana; Muralha romana; Colecção de epigrafia no Museu de Évora, como a ; ara votiva à Deusa Turubrigense; Impressionantes Termas Públicas dentro da C.M. na Praça de Sertório)
  • A partir de Évora, a via continuava a sua rota para Emerita passando nas três estações referidas no Itinerário XII, Ad Atrum Flumen, Dipo e Evandriana cujas localizações são ainda discutidas; Seguramente que existem incongruências no itinerário porque as 47 milhas indicadas entre Évora e Mérida (70 km) não correspondem à distância entre estas duas cidades que ronda os 190 km. Para a primeira estação depois de Évora, Ad Atrum Flumen, literalmente «junto ao rio Atrus», o itinerário indica apenas 9 milhas (13,2 km) o que colocaria a mansio junto da ribeira da Pardiela na rota norte ou da ribeira de Machede na variante sul, mas é duvidoso que estes pequenos cursos água justificassem uma mansio por si só. Seguindo as distâncias expressas no itinerário então Dipo poderia situar-se em Évora Monte, onde há miliário, e a estação seguinte, Evandriana teria que estar 17 milha mais à frente, tornando impossível que estivesse também a 9 milhas de Mérida, a não ser que houvesse estações intermédias omitidas no itinerário. Assim é mais provável, conforme sugerido por trabalhos mais recentes, que estas incongruências surjam da junção de dois itinerários, um com caput via em Olisipo e outro a partir de Évora com caput via em Emerita pelo que as milhas indicadas deveriam ser contadas a partir de Mérida. Deste modo, Ad Atrum Flumen estaria a 38 milhas de Emerita, o que corresponde à distância da capital da Lusitânia ao rio Xévora, o rio Atrus na era romana, hoje fazendo de fronteira luso-espanhola (Gorges e Martín 1999 e 2000; Almeida et alii, 2011). Atendendo aos dados disponíveis, o percurso a partir de Évora teria duas possíveis variantes, uma contornando a Serra da Ossa pelo norte e outra pelo sul, a primeira seguindo o corredor Évora-Estremoz e que teria uma estação em Évora Monte pois aí se achou um miliário, e a outra variante sul que seguia pelo vicus de Bencatel até Vila Viçosa, onde também se achou um miliário. Ambas as variantes iam de encontro ao Itinerário XIV, o outro itinerário entre Lisboa e Mérida que vinha por Alter, confluindo um pouco antes de Elvas. Daqui Depois desse ponto, a via poderia seguir em direcção a rota comum para Mérida, mas o facto poderia seguir um percurso comum até Mérida, mas o facto da estação seguinte, Evandriana, não ser comum aos outros dois itinerários entre Lisboa e Mérida que iam comprovadamente pela margem direita, colocam como mais provável um percurso alternativo pela margem esquerda do Guadiana. (ver Bilou, 2000a; Calado, 1993; Matatolo, 2001; Almeida, 2000; Almeida et alii, 2011).

De Évora a Estremoz por Évora Monte (7 miliários)
Évora (sai pela medieval Porta de Machede e segue pelo caminho rural da Qta. das Nogueiras; a recente descoberta de uma necrópole na Escola Secundária Gabriel Pereira, a 1ª descoberta em Évora, pode estar relacionada com esta via)
Travessia do rio Xarrama no sítio do Porto (continua paralela ao CF, próximo da Qta. do Sande, Qta. da Retorta e Qta. da Lagardona em Garraia)
Montinho da Piedade (4 possíveis miliários reaproveitados como suporte duma laje, no caminho de acesso ao monte; continuaria junto ao CF)
Travessia do rio Degebe (da ponte nova segue à direita por um caminho rural paralelo ao CF, para Vale de Figueirinhas até à)
Monte da Sousa da Sé (um miliário anepígrafo à entrada do largo, fragmentado em duas partes, e um monólito em forma de menir, possível miliário; continua pelo caminho rural paralelo ao CF até à travessia da ribeira da Fonte Boa ou do Freixo)
Monte do Freixo (daqui segue o caminho rural e depois em calçada por 2.5 km até ao Solar do Castelo Ventoso)
Azaruja, S. Bento do Mato (do Castelo Ventoso continua pelo Monte do Almo e Monte da Venda, onde existem 2 miliários anepígrafos em 3 fragmentos, passando assim a poente de Azaruja)
S. Bento do Mato (passa próximo da Igreja paroquial)
Évora Monte (DIPO?) (na Igreja Matriz de Sta. Maria de Evoramonte, antiga Ns. da Conceição, existe um miliário a Crispo, Licínio Júnior e Constantino II, reaproveitado para pia baptismal; IRCP 674; provável localização da mansio Dipo pois fica a 21 milhas de Évora; a partir daqui a rota é incerta passando possivelmente na antiga ponte do Pego do Sino)
Estremoz (miliário a Crispo, Licínio Júnior e Constantino II no Tanque dos Mouros; IRCP 675; no MNA?; a via contornava pelo sul)

Ligação a Abelterio e Ammaia:

De Estremoz a Elvas:
Estremoz (a via seguia por Orada e Vila Fernando)
  • André de Resende refere 2 miliários algures entre Estremoz e Barbacena, hoje desaparecidos; um miliário seria dedicado a Caracala, IRCP 661 e o outro um miliário a Heliogábalo, IRCP 663, onde Resende leu «Ab Ebora m. p. [...]XXII» ou seja 22 milhas a Évora, mas como a distância é insuficiente teria de faltar a letra inicial que sendo por hipótese um «X», já daria 32 milhas, o que já colocaria este miliário entre Estremoz e Barbacena, talvez em S. Domingos de Ana Loura ou Orada.
Orada (antiga Alcaraviça; passa na Presa e depois Serra de Aires, onde sai à direita pelo estradão de terra que segue para o Mte. de Alcobaça, um dos poucos troços da via ainda preservados no Alentejo!)
Herdade de Alcobaça, Vila Fernando (2 miliários, um apareceu no lugar de Cabanas e é dedicado a Caracala, hoje no Museu Arqueológico de Vila Viçosa, e o outro é um miliário a Diocleciano e Maximiano que indica 65 milhas a Mérida, IRCP 670, hoje no MNA, indiciando que esta região estaria já em território Emeritense)
  • O local de cruzamento seria junto no Chafariz de El-Rei junto do Mte. da Atalaia Novo, no sopé da Atalaia dos Sapateiros ou, em alternativa, um pouco mais adiante no Monte dos Trinta Alferes depois de passar pelo Monte de S. Romão /Serra Branca e Monte Carrão, ambos com a sua villa. Atendendo às 65 milhas indicadas no miliário da Herdade de Alcobaça que fica a cerca de 2 milhas, o cruzamento fazer-se-ia na milha 63, o que concorda com a distância medida entre esta área e a capital da Lusitânia de cerca de 94 km (Almeida, 2000).
  • Ligação a Ad Septem Aras:
    também é possível que via seguisse bem mais a N perto de S. Vicente e Ventosa, pela importante Villa das Qta. das Longas e pela Villa do Monte da Silveira, onde há vestígios de calçada, em direcção a S. Pedro, Freixo, Segóvia, junto ao Castro, e Caia, indo atravessar o Rio Caia no Porto da Amoreirinha atendendo aos vestígios ali existentes, continuando para Campo Maior onde se localizaria a mansio Ad Septem Aras.

Continuação para Elvas
Elvas (do Mte. dos Trinta Alferes a via poderia seguir Calçadinha, Elvas, seguindo por Horta do Moreno (Papulos) e Horta da Fonte Branca, com vestígios romanos em direcção ao Monte da Nora Úveda (villa) onde existe uma ponte já soterrada, a Ponte do Lagarto; Villa na Herdade das Pereiras; A seguir dirigia-se para a travessia do Rio Caia, na actual fronteira luso-espanhola, num ponto conhecido por «El Rincón de Caya», continuando para a travessia do Rio Gévora junto à povoação com o mesmo nome, 6 km N de Badajoz e onde se achou um miliário a Carino que deveria indicar 37 milhas a Mérida)
AD ATRUM FLUMEM (a 38 milhas de Mérida, talvez junto do rio Gévora/Xévora)


Continuação para Mérida
A continuação para Mérida permanece duvidosa, mas é provável que seguisse pela margem esquerda do Guadiana, atendendo a que o miliário a Magnêncio indicando 16 milhas que apareceu na margem direita junto à Villa da Torre Águilla em Barbaño (Montigo, Badajoz) estaria na era romana na margem esquerda do rio (Martín, 1999). Por outro lado, não existem estações comuns aos outros dois itinerários também entre Lisboa e Mérida que seguiam mais a norte , os Itinerários XIV e XV, de modo que é provável que a via seguisse a margem esquerda e por consequência deverá procurar-se aí a mansio Evandriana, a 9 milhas de Mérida. Assim, Dipo estaria a 26 milhas de Mérida, ou seja em Talavera la Real e Ad Atrum Flumen estaria a 38 milhas de Mérida, portanto já para lá da travessia do Guadiana em Badajoz, colocando a mansio próximo da confluência dos rios Caia e Guadiana, provavelmente junto à travessia do Caia no chamado «El Rincón de Caya». Ad Atrum Flumen não seria mais do que a própria mansio e a sua inclusão num itinerário tão importante pode ser justificada pela possibilidade de ser aqui a fronteira entre o Conventus Pacensis e o Conventus Emeritenses. Sem novos dados, para já não existe uma solução definitiva para este itinerário. (Almeida et alii, 2011)

Travessia do rio Guadiana (Anas) (talvez junto da ilha de Romo)
Badajoz (segue pelo chamado «caminho de Malpartida» até à travessia da ribeira dos Limonetes, perto da confluência com o Guadiana e continua paralela à ribeira, cruzando a divisão administrativa entre Badajoz e Talavera la Real que coincide com a milha 28 a Mérida)
DIPO (talvez em Talavera la Real, a 26 milhas de Mérida; seguia depois o «caminho velho de Lobón», atravessando o rio Guadajira até atingir a milha 17 nas proximidades de Lobón)
EVANDRIANA (a 9 milhas de Mérida, talvez na Villa romana de La Floriana em Torremayor)
EMERITA (Mérida) (caput viarum a 161 milhas de Lisboa)

    Variante sul Évora-Elvas por S. Miguel de Machede, Bencatel e Vila Viçosa (3 miliários)
    É possível uma variante partindo de Évora que seguia mais a sul passando em S. Miguel de Machede e Redondo e que ia entroncar na via principal já próximo de Elvas.
    Évora (esta variante poderia ser comum à via principal até à Qta. da Retorta, onde desviava para nascente pelo Bairro do Degebe, calçada da Qta. dos Altos e da Qta. Velha, atravessando o rio Degebe no sítio do "porto" onde há calçada ou, em alternativa, saía de Évora pela Qta. da Comenda, onde atravessava o Xarrama, seguia pela EN254 junto da capela de Sta. Bárbara do Degebe e pela calçada da Qta. do Lobo, atravessando o rio Degebe no vau lajeado junto ao Monte de Mauriz e seguia pela calçada da Qta. das Rosas, reencontrando-se em Fonte Boa; também é possível um desvio por Câmaras onde há calçada)
    Herdade da Fonte Boa do Degebe (segue para NE, passando próximo do marco geodésico das Pedras Brancas)
    Travessia da ribeira de Machede (seguiria próximo do Mte. da Amendoeira e da Villa do Monte da Barrosinha, onde André Carneiro achou um fragmento de um miliário anepígrafo que estava no caminho de acesso ao monte ao km 41 da EN254, entretanto desaparecido(!), seguindo depois próximo da villa no Mte. da Morgada)
    S. Miguel de Machede (segue a norte da povoação pelo Mte. do Taful, Mte. do Almo e Mte. da Aldeia, onde existe um miliário anepígrafo)
    Travessia da ribeira da Pardiela (algures entre o Monte da Teixeira e os Foros do Queimado)
    Redondo (ao km 27 da EN254, 500 m depois do lugar da Venda desvia à esquerda em estradão de terra pelo Monte do Hospital, passando a NW do Fortim Romano de Mte. do Almo, localizado na pequena elevação junto ao monte, provável posto de controlo da via, no ponto de travessia da ribeira de S. Bento, continuando a direito para o Mte. da Fonte da Cal, Herdade da Amendoeira, Mte. Rial, atravessa a EN381 e segue para Horta da Velinha até entroncar na EN254 ao km13, seguindo por esta para Bencatel)
    Travessia da ribeira de Lucefecit (em Galvões?)
    Bencatel (Vicus no sítio de Vilares, na Herdade da Galharda de onde provém a inscrição dedicada a Fontanus e Fontana Fonte da Azenha das Freiras, CIL II 150; Este povoado explorava as pedreiras romanas para extracção de mármore em S. Marcos, Mte. da Lagoa, Mte. d'El-Rei e Herdade da Vigária, esta destruída nos anos 70)
    Vila Viçosa (miliário a Constante, IRCP 676, hoje em exposição no excelente Museu Arqueológico de Vila Viçosa juntamente com o miliário proveniente do Mte. de Alcobaça em Vila Fernando; a via deveria seguir algures para Terrugem)
    Monte da Nora, Terrugem (vicus e provável mutatio hoje destruído pela EN4 e trabalhos agrícolas; continuava para norte para ir entroncar na via principal no Chafariz de El-Rei, junto ao Monte da Atalaia Novo, ou mais adiante no Monte dos Trinta Alferes; recintos-torre junto ao Monte da Ordem e Mte. da Misericórdia, possivelmente relacionados com o controle da via)
    • Esta via que vinha de Évora continuava para leste em direcção a Mérida, atravessando o Rio Caia junto ao chamado «El Rincón de Caya», actual fronteira luso-espanhola, continuando para a travessia do Rio Gévora junto à povoação com o mesmo nome, 6 km a N de Badajoz e onde se achou um miliário a Carino que deveria indicar 37 milhas a Mérida. Mais detalhes, na descrição do Itinerário XII entre Ebora e Emerita.

    Ramal por Alandroal:
    Uma hipotético ramal poderia desviar em Redondo e seguir em direcção ao Alandroal, servindo a exploração mineiras da região (ver Calado, 1993, e Calado e Matatolo, 2001). Derivando da via principal na zona do Redondo, seguiria próximo do Fortim Romano do Caladinho seguindo depois para a travessia da ribeira de Lucefecit junto do Moinho da Sra. da Fonte Santa/Mte. da Estacaria ou mais a jusante na Ponte do Mte. da Fonte dos Ouros de cronologia incerta, seguindo por Fonte Velha para Alandroal (hoje EN373) e próximo de dois importantes santuários, o Santuário Rupestre da Rocha da Mina e Santuário Endovélico de S. Miguel da Mota, um importante local de culto ao Deus Endovélico cujo templo terá sido desmantelado para a construção da capela (as muitas aras e estátuas recuperadas daqui foram levadas por Leite de Vasconcelos para o MNA, excepto uma que serve de altar na Igreja da Ns. da Boa Nova junto a Terena; o acesso faz-se a partir do Alandroal ao Km 5,6 da EN373, seguindo o estradão de terra que leva ao Mte. de S. Miguel da Mota).

    Em Alandroal a via deveria passar próximo da villa da Tapada de Vilares (na Carta Arqueológica do Alandroal, Calado indica a azinhaga que atravessa a villa como possível via romana; ver Calado, 1993). Esta via seguia para Bencatel (pela villa Tapada de Fonte Soeiro/S. Marcos), mas deveriam existir ligações quer a Vila Viçosa (passando na villa de Vilares em Pardais) e também a Juromenha. Esta rede viária está muito ligada à exploração mineira que teria uma via para escoamento do minério no sentido N-S que vinda pelo menos desde Capelins que ia atravessar a ribeira de Lucefecit junto do fortim romano do Outeiro dos Castelinhos (importante estrutura romana ao abandono!), seguindo por Rosário, Mina do Bugalho, S. Brás dos Matos e Juromenha (povoado na Malhada das Mimosas), seguindo um ramal para o vicus do Mte. da Nora em Terrugem (passando entre os casais rústicos do Mte. do Outeiro, Mte. da Aboboreira e Mte. da Queimada em Ciladas) e outro na direcção de Elvas, confluindo todas nas vias para Mérida.

Itinerário XIV (14)

Mapa


























ITINERARIO XIV - Lisboa (OLISIPO) - Alter do Chão (ABELTERIO) - Mérida (EMERITA)   CLIIII milhas - 228 km
Alio itinere ab OLISIPONE EMERITAM m.p. CLIIII
ARITIO PRAETORIO
ABELTERIO
MATUSARO
AD SEPTEM ARAS
BUDUA
PLAGIARIA
EMERITA
XXXVIII
XXVIII
XXIIII
VIII
XII
VIII
XXX
Apesar de ser a principal rota entre Olisipo a Emerita, o seu percurso ainda suscita muitas dúvidas pois não é clara a localização de algumas das estações referidas no Itinerário de Antonino. O tramo inicial até Santarém teria um traçado comum, tanto à via entre Lisboa e Braga, o Itinerário XVI de Antonino, como à sua variante norte ou Itinerário XV de Antonino. Em Santarém atravessava o Rio Tejo e seguia até à estação de Aritio Praetorium que ficaria a 38 milhas de Santarém. Daqui continuava em direcção de Ponte de Sor e da magnífica Ponte Romana da Vila Formosa, que ainda hoje serve a moderna EN369 (!), até Alter do Chão, onde fica Abelterio, a segunda estação referida no itinerário. As estações seguintes ainda não têm localização precisa, primeiro Matusaro, a 24 milhas (35,5 km) de Alter do Chão e logo depois Ad Septem Aras, onde voltava a cruzar com Itinerário XV de Antonino pois esta estação é comum aos dois itinerários. Ad Septem Aras poderia ficar já muito próximo da fronteira, na região de Campo Maior ou de Elvas, pelo que as duas últimas estações, Budua e Plagiaria já ficariam em território Espanhol.

Como a distância entre Lisboa e Aritio Praetorium nunca poderia ser de apenas 38 milhas, supõe-se que as duas primeiras estações, Ierabriga e Scallabis, tenham sido omitidas por já estarem indicadas no o Itinerário XVI de Antonino que liga Lisboa a Braga. Assim Aritio Praetorium não estaria a 38 milhas de Olisipo como sugere a leitura do itinerário, mas antes da mansio Scallabin o que coloca a mansio nas proximidades de Tamazim, onde existem miliários e outros vestígios importantes. A localização precisa da mansio ainda não é clara porque existem 3 localizações possíveis: em Tamazim, atendendo aos vestígios aí existentes, no lugar do Poiso, pois cruzava neste ponto com a Via Tomar-Évora e por último na Herdade de Água Branca de Cima, visto que este local fica a precisamente 38 milhas de Almeirim e a 28 milhas de Alter do Chão, estando portanto de acordo com as distâncias apresentadas no itinerário. André de Resende encontrou ainda um total de 16 marcos no troço entre Tamazim e Vendas das Mestas, mas não indicou os lugares exactos pelo que neste itinerário fez-se uma tentativa de colocação nas milhas respectivas. Para mais informação consultar a Carta Arqueológica de Abrantes.

Lisboa (OLISIPO)
Alenquer (IERABRIGA a 30 milhas)
Santarém (SCALLABIS a 32 milhas)

Travessia do Tejo entre Santarém e Almeirim:
Depois de atravessar o Rio Tejo, a via XIV rumava a N num percurso comum com a VIA XV, até atingir Alpiarça, onde inflectia para nascente em direcção a Ponte de Sor, enquanto a VIA XV continua para norte, acompanhando o Rio Tejo.

Outras possíveis travessias do Tejo a jusante de Santarém: Também é possível que existissem outras travessias do Tejo a jusante de Santarém, sendo provável que existisse uma via secundária ao longo da margem esquerda do rio até Almeirim.
  • Uma seria entre Reguengo (Valada, Cartaxo), onde existiam restos de calçada, e Escaroupim (Marinhais, Salvaterra de Magos), podendo ter continuidade, conforme sugeriu Saa, para Glória do Ribatejo até ao porto fluvial de Coruche, servindo o intenso povoamento romano do Vale do rio Sorraia; Poderia existir uma continuação por via terrestre ao longo do Vale do rio Sorraia rumo a Ponte de Sôr, ligando à Via Lisboa-Mérida, havendo vestígios de povoamento em Erra e Sta. Justa, mas estando estes sítios na margem do rio seria mais plausível apenas uma rota fluvial de escoamento de produtos agrícolas. Ver também o Itinerário Santarém-Évora.
  • Também poderia fazer a travessia um pouco mais a norte, entre Porto de Muge e Porto de Sabugueiro, importante porto fluvial romano e respectiva villa.
  • A via entre Escaroupim e Almeirim passaria na Ponte Romana? de Muge, continuando por Benfica do Ribatejo (provável mutatio na villa da Azeitada ou na villa em Alqueva da Branca, ambas junto à via) seguindo depois junto dos vestígios romanos da Qta. do Casal Branco/Vale de Tijolos e da Eira da Alorna até atingir Almeirim, onde conflui com a via principal.
Almeirim (acampamento militar no Alto dos Cacos, na margem esquerda do paúl do Vale de Peixes; possível origem romana da Ponte da Terrugem sobre a Vala Velha em Tapada; a via seguia o traçado da actual EN118, percurso pontuada pelos miliário da Fábrica de Tomate, 2 miliários de Goucharia e um miliário na Qta. da Goucha, seguindo depois pela Qta. dos Patudos)
Alpiarça (acampamento militar romano do Alto de Castelo talvez controlando a passagem da via que aqui inflecte para nascente rumo ao Semideiro, passando talvez por Casalinho e depois seguindo pelos altos do Sartel, do Ameixial, dos Sete Sobreiros, do Canavial, da Perna Seca até chegar a Semideiro)
Semideiro (em Vale da Lama apareceu um miliário a Constantino Magno, partido em dois, sendo que a base foi achada em 1987 entre Azenhas de Baixo e Vale da Lama e está hoje no Museu Municipal da Chamusca, designado por miliário de Vale da Lama I e o topo, está num cabeço a 130 m para sul, servindo de marco divisório do concelho, miliário de Vale da Lama II)
Tamazim (dois miliários; um está derrubado num cabeço por detrás da Capela da Sra. da Luz; a via passaria entre a capela e o casal)
Poiso, Lagoa Seca (provável mutatio na milha XXXIII a 1500 m do Alto de Rapazes; Mário Saa colocou aqui o cruzamento com a estrada proveniente de Tomar)
Alto dos Rapazes (milha 28; seriam daqui os 4 miliários referidos por André de Resende, um deles a Maximino, CIL II 439*)
Alto do Rapaz (milha 29; seriam daqui os 3 miliários referidos por André de Resende, um a Trajano, outro a Tácito, CIL II 4636 = IRCP 666, e um terceiro onde apenas leu «restitutor urbis» que Saa atribuiu a Aureliano, CIL II 4634 = IRCP 660a)
Alto das Águas Negras (milha 30 no acesso ao Monte Novo; seriam daqui os 3 miliários referidos por André de Resende, um deles a Tácito, CIL II 4635 = IRCP 665)
Lagoa do Junco (milha 31 junto ao caminho; seriam daqui os 2 miliários referidos por André de Resende, lendo-se num deles «co(n)s(ul) / IIII proco(n)s(ul) / refecit», CIL II 4637 = IRCP 678)
Venda das Mestas/Cevo de Muge/Sete Azinheiras (mutatio na milha 32, a 600 m da EN576 e a meio caminho entre Poiso e Água Branca de Cima; Francisco d'Holanda refere aqui "calçadas" nas chamadas "Mestas"; André de Resende refere 4 miliários «junto à encruzilhada a que chamam Mestas», um deles a Maximino e Máximo; esta «encruzilhada» poderia ser o cruzamento com a Via Tomar-Évora)
Alto da Abegoaria (milha 33)
Lagoa da Extrema do Copeiro/dos Barreiros (provável mutatio a meio caminho, 4,5 km, entre Venda das Mestas e Água Branca de Cima; segue pelo Alto do Vale do Zebro onde segue pela EN2, com a milha 37 a ser vencida ao km 426)
Água Branca, Bemposta (mutatio/mansio? na milha 38, junto à EN2, entre o km 427 e 428, no desvio para a Herdade da Água Branca de Cima; outra possível localização de Aritio Praetorium pois fica precisamente a 28 milhas de Alter do Chão; segue pelo caminho de terra oposto e que faz de fronteira entre os concelhos de Abrantes e Ponte de Sor, seguindo pelos altos de Bufão e Padrãozinho, onde reencontra a EN2)

Ponte de Sor (é provável que existisse uma ponte romana neste local da qual não há vestígios, sendo a actual de 1822; miliário a Probo achado em 1910 a 1,5 km a leste da povoação, próximo da Ponte do Barata/Mte. do Andreu, hoje no MNA, IRCP 668; em 1990 apareceu uma lápide nas obras do mercado municipal)

Retomando a via XIV para Mérida:
Monte de Cabeceiros, Ponte de Sor (miliário anepígrafo; via passa a norte do monte)
Monte do Freixial, Vale do Açor (a via passaria próximo da Capela da Ns. dos Prazeres, na confluência das ribeiras do Vale de Açor e do Monte Novo, pois Mário Saa recolheu aí um miliário a Tácito, IRCP 666a, que está hoje em exposição na Fundação Paes Teles no Ervedal; referência a miliários em Vale do Contador e Camoa; segue a linha de festo pelo Alto do Monte Novo)
Fonte da Cruz, Vale de Açor (miliário talvez dedicado a Maximiano(?), outro anepígrafo e mais quatro fragmentos de miliários, num dos quais só se lê IMP CAE, junto do caminho paralelo à margem direita da ribeira do Mte. Novo; possível mutatio)
Monte de S. Marcos, Vale de Açor (miliário com inscrição)
Monte da Coreia, Vale de Açor (miliário anepígrafo)
Vale do Gato, Seda (miliário anepígrafo)

Ponte Romana da Vila Formosa, sobre a ribeira de Seda (6 arcos, ex-líbris das Pontes Romanas em Portugal; na EN369 ao km 8,9; da ponte segue pelo Mte. da Celada/Selada, miliário, Vale de Perlim, novo miliário rumo a Alter do Chão)

Alter do Chão (ABELTERIO) (mansio; miliário a Constâncio Cloro está numa casa particular, FE374; o Frei Bernardo de Brito faz referência a um miliário «adiante de Ponte de Sor» dedicado a Lúcio Vero, onde se leria «AB EMERITA / m.p. LXXXXVI», transcrevendo André de Resende, ou seja a 96 milhas a Mérida o que corresponde à distância de Alter do Chão a Mérida; a via seguiria pela Rua da Misericórdia e próximo da villa de Ferragial d'El Rei no topo SE do campo de futebol; calçada na Herdade da Torrejana)

Variante de Alter do Chão a Elvas por Cabeço de Vide (ver Carneiro, 2004 e 2008)
Alter do Chão (segue para SE passando a 500 m NE da importante villa da Qta. do Pião, continuando por Horta da Fonte de Vide, pela vertente poente do marco geodésico do Mte. das Ferrarias e junto da Tapada de Vaz e a sudoeste da Villa sob as ruínas da Igreja de S. Pedro)
Cabeço de Vide (Fortim romano da Malhada das Penas a Oeste da povoação, talvez como para vigia da via; ligação às Termas da Sulfúrea pela Rua de Santo Mártir seguindo depois em calçada com 700 m; a via principal segue pela chamada «Estrada dos Castelhanos» que atravessa a ribeira de Vide na zona da Arrociada ou da Qta. da Ponte e passa para a Horta da Calçadinha, junto da linha férrea)
Monte dos Merouços, Cabeço de Vide (provável mutatio; continua atravessando a ribeira do Carrascal, Monte das Laranjeiras, ribeira do Juncal, a poente do Monte Fidalgo, Monte dos Caliços de Cima, Monte dos Caliços, ribeira de Pau e Monte do Gracho, onde entra no concelho de Monforte)
Vaiamonte (acampamento militar romano no povoado do Cabeço de Vaiamonte, sobranceiro à vila; segue a poente em direcção à importante Villa romana da Torre da Palma, aberta ao público; acesso pela EN369)
Ponte Romano?-Medieval da Vila, Monforte sobre a ribeira Grande (7 arcos; a ponte actual é medieval)
Monforte (na região existem as Pontes antigas do rio Almuro e do Cubo; fortim em Beiçudos e recinto-torre do Outeiro da Mina possivelmente relacionados com vias)
Ponte Romana? da ribeira Leca, Monforte (segue por Mte. da Leca e a S do Cabeço do Raio, Mte. de Vale de Cortiços e Mte. da Curva)
Monte de Torre de Onofre, Monforte (talvez por S. Pedro de Algalé e Mte. dos Reboleiros)
Travessia da ribeira de Algalé (talvez junto ao Mte. da Boudanha)
Monte da Esquilas, Monforte (aqui apareceu Ara dedicada aos Lares Viales certamente relaciona com esta via, hoje no Museu de Mário Saa em Ervedal (Encarnação, 1995; Mantas, 2010); possível localização da mansio Matusaro pois fica a 24 milhas de Alter do Chão, conforme o I.A.)

Cruzamento como a Via XII
  • O cruzamento com a Via romana procedente de Ebora rumo a Emerita, o Itinerário XII de Antonino, localizar-se-ia junto ao Mte. da Atalaia Novo, no Chafariz de El-Rei ou um pouco mais à frente do sítio de Trinta Alferes depois de passar junto das villae de S. Romão e Mte. Carrão (Almeida, 2000).
  • Um miliário no Mte. da Torre do Curvo em Santo Aleixo poderá pertencer à via Via XII estando nesse caso deslocado, mas também é possível que este marco assinalasse a passagem de uma variante entre a mansio do Mte. das Esquilas e a Via XII no Mte. da Alcobaça; Uma rota possível seria partir do Mte. das Esquilas rumo a SO seguia pelo Mte. da Fonte Branca, Mte. dos Vinagres (calçada), passando próximo do Fortim Romano do Penedo de Ferro (para controlo da via?) rumo ao Mte. da Torre do Frade, continuando depois junto do chafariz do Mte. da Torre do Curvo, onde estria o referido miliário a Maximino e Máximo (CIL II 441* = IRCP 664), posteriormente levado para o Museu Municipal António Tomáz Pires em Elvas que foi entretanto encerrado pela CM e o seu espólio armazenado!
  • Em alternativa, a via poderia seguir a leste de Barbacena pelo Mte. da Coutada (vestígios romanos e uma ponte antiga com possível origem romana), Anta do Reguengo (vestígios de calçada junto ao monumento megalítico) e Herdade dos Campos (ou Mte. de Genemigo, onde apareceu um miliário a Caracala, IRCP 662), seguindo a nascente de Vila Fernando pelo Mte. do João Domingos, Mte. do Passo e Mte. de Alcarapinha, onde apareceu um miliário, seguindo até ao Mte. da Atalaia Novo, o provável ponto de cruzamento com a via proveniente de Évora do Itinerário XII de Antonino)

Variante de Alter do Chão a Campo Maior por Assumar
A via romana deveria seguir a chamada «Canada ou Estrada do Alicerce» passando por Assumar, Arronches e Degolados rumo a Campo Maior, onde se deverá situar a mansio Ad Septem Aras; Mário Saa descreve este caminho como «Estrada dos Louceiros» fazendo-o passar por Chancelaria, Ribeiro do Freixo (linha CF), Ronha, Bedanais, Mte. dos Caldeireiros e Mte. Grande até Assumar; Em 1937 Félix Alves Pereira indicava o percurso pelas seguintes sítios: Almarjão, Retaxo, Amoreira, Escravides, Mte. do Mouro, Tapada do Alicerce, Soeira, Rabasca, Revelhos, Azeiteiros, Adens e finalmente Degolados, mas alguns destes topónimos são hoje desconhecidos (Pereira, 1937; Vasconcelos, 1927-1929; Saa, 1958).

Alter do Chão (seguia junto de Alter Pedroso pela chamada «Estrada de S. Domingos», um estradão com vários troços de calçada)
Assumar, Monforte (a calçada continua pela «Canada do Alicerce»; Seguindo a antiga carta militar, o percurso parte da estação ferroviária e segue no sentido NO-SE ao longo da linha férrea até Mte. da Torre, próximo da Ns. do Rosário, onde inflecte para leste, seguindo por Arrecefe, topónimo viário, Belmonte/Alto da Safra, cruza a EN246, seguindo a sul de Arronches)
Arronches (passa a sul da povoação e a norte do povoado do Mte. Baldio; continua pelo Mte. de Escarninhos, descendo ao Rio Caia que atravessa no Porto do mesmo nome pela desaparecida Ponte de S. Bartolomeu, e segue pelo Mte. da Figueira de Baixo, Mte. Branco, Mte. de Revelhos, entroncando na EN371 que passa a seguir pelo Mte. da Calaça e Mte. da Corredoura até Degolados; referência a dois miliários neste troço)
Ns. da Graça dos Degolados (a calçada e villa do Mte. do Custódio a norte, indicia uma ligação a Ammaia; a via passava a N da povoação, desviando da EN371 no Alto dos Morenos e seguindo pelo Posto Fiscal de Azeiteiros, possível miliário no cruzamento com a estrada para a Mina Romana do Mte. Alto, seguindo por Marco Alto, possível referência a outro miliário, onde inflectia para SE, passando próximo da Malhada dos Covões, onde dependendo da localização de Ad Septem Aras poderia seguir para Campo Maior, passando na importante Villa do Mte. das Argamassas ou inflectir para a leste, não tocando assim em Campo Maior, como sugeriu Saa, passando na Fonte do Mte. Branco e Mte. da Travessa, rumando depois a Caleijão, Alto da Cardeira, vale do Castelo e Mte. do Comandante para ir fazer a travessia do rio Xévora junto da Villa de S. Salvador)

Campo Maior (possível localização de AD SEPTEM ARAS na confluência deste itinerário XIV com o Itinerário XV, também entre Lisboa e Mérida, mas que vinha algures mais a N por Fraxinum e Montobriga; No Vicus de S. Pedro junto ao Hospital da Misericórdia, talvez o que resta de Ad Septem Aras, apareceu um miliário a Domiciano? que hoje no Museu Municipal; Também existe uma transcrição de um miliário a Severo Alexandre hoje desaparecido que indicava 53 milhas a Mérida o que concorda com a distância medida entre as duas cidades, ou seja 78.5 km, indicando que esta região deveria pertencer ao território Emeritense; Estatueta de Marte em bronze na Tapada da Pombinha, hoje no MNSR no Porto)

De Campo Maior a Mérida: A via continuava para leste em direcção à estação de Budua que é associada à moderna Bótoa, rumando depois à mansio de Plagiaria onde volta a entroncar no Itinerário XV. Se Ad Septem Aras fosse em Campo Maior, é provável que a via seguisse próximo das importantes Villae da Defesa de S. Pedro, do Mte. do Muro, com a sua Barragem Romana, uma das mais bem conservadas em Portugal, e depois pelo Mte. do Castro, atravessando a fronteira para o Cortijo de las Mesas, indo atravessar o rio Xévora (Gévora em Espanha) junto à confluência com o Rio Zapatón, atravessando este último junto à villa do «Rincón de Gila», rumando depois para a Ermida de Nuestra Señora de Bótoa, junto do qual ficaria a mansio de Budua e a milha 38 desde Mérida. Depois seguia recto até Plagiaria perfazendo as 8 milhas indicadas no Itinerário de Antonino, o que corresponde aos 12 km medidos entre a Ermida de Bótoa e a povoação de Novelda del Guadiana pelo que Plagiaria ficaria nas suas proximidades dessa povoação. Além disso, como Novelda fica a cerca de 45 km de Mérida também concorda com a distância de 30 milhas indicadas no Itinerário entre Plagiaria e a capital da Lusitânia.

BUDUA (a 12 milhas de Ad Septem Aras, talvez próximo da Ermida de Nuestra Señora de Bótoa, Badajoz)
PLAGIARIA (a 8 milhas de Budua e a 30 milhas de Emerita; talvez em Pesquero, Novelda del Guadiana)
EMERITA (a actual Mérida a 154 milhas de Lisboa)

  • Possível ligação a Cáceres (Norba Caesarina): a Ponte Romana? da Ns. da Enxara sobre o rio Xévora em Ouguela, hoje em ruínas, pode indiciar uma ligação entre Ad Septem Aras e Norba Caesarina, passando junto da villa de Cabecinha da Lebre, ligando assim à famosa Via da Prata; ver mapa.


Itinerário XV (15)

Mapa











Lisboa (OLISIPO) - Alvega (ARITIO VETUS) - Mérida (EMERITA)   CCXX milhas - 326 km
Item alio itinere ab OLISIPONE EMERITAM m.p. CCXX 
IERABRIGA
SCALLABIN
TABUCCI
FRAXINUM
MONTOBRIGA
AD SEPTEM ARAS
PLAGIARIA
EMERITA
XXX
XXXII
XXXII
XXXII
XXX
XIIII
XX
XXX
Este itinerário deveria seguir o percurso do ITINERARIO XVI entre Lisboa e Braga até Santarém, onde atravessava o rio Tejo para Almeirim. A partir daqui a via acompanhava a margem esquerda do rio seguindo o traçado da actual EN118 para Alpiarça, troço que é partilhado com a Via XIV descrita acima. A partir daqui a via dirigia-se para a estação Tabucci que J. Alarcão situa na região do Tramagal, no povoado romano da Herdade do Carvalhal, freguesia de Sta. Margarida da Coutada, perto do qual se achou um miliário a Constantino Magno. A partir daí pouco se sabe quanto à localização das mansiones seguintes, Fraxinum e Montobriga, pelo que o verdadeiro traçado da via ainda está por desvendar. Nesta proposta para o trajecto a via acompanhava a margem esquerda do Tejo até à região de Alvega, onde Alarcão situa o importante oppidum de Aritio Vetus, apesar do itinerário não a mencionar como estação da estrada, rumando depois para o interior em direcção a Ad Septem Aras onde cruzava com outro itinerário entre Lisboa e Mérida, o Itinerário XIV descrito acima.
Lisboa (OLISIPO)
Alenquer (IERABRIGA a 30 milhas)
Santarém (SCALLABIS a 32 milhas)
Travessia do rio Tejo
Almeirim (o traçado até Alpiarça está descrito no itinerário XIV descrito acima)
Alpiarça
Vale de Cavalos (vestígios no Alto das Obras e na Qta. do Meirinho, a poente da povoação, na confluência da ribeira de Vale de Carros com a Vala do Paúl)
Chamusca
Pinheiro Grande (continua por Carregueira)
Arripiado (cruzamento com a Via N-S proveniente de Tomar rumo a Évora)

Herdade do Carvalhal (TABUCCI?), Sta. Margarida da Coutada (provável localização da mansio Tabucci na estação romana de Alcolobre na margem da ribeira com o mesmo nome que divide os concelhos de Constância e Abrantes; depois segue o caminho de terra para Crucifixo)
Crucifixo, Tramagal (na Rua da Tapada da Moura apareceu um miliário a Constantino Magno, FE81 363, hoje na Junta de Freguesia do Tramagal ou Museu D. Lopo de Almeida em Abrantes(?); a via seguia pela Chã/Fonte do Castanho, Atalaia, Vale Salgueiro)
S. Miguel do Rio Torto ("Estrada Velha" passaria junto à Villa do Casal do Moinho do Meio e à Villa em Vale da Vila) Rossio ao Sul do Tejo (talvez próximo da importante Villa da Qta. da Baeta; inscrição)
Pego (tesouro; talvez por Coalhos e Calça Torta)
Concavada (pelo caminho entre Galhoufa, Casal Cortido, Estercada, Mte. Morgado e Villa da Quinta Nova; possível travessia do Tejo em Sra. da Guia)
Alvega (em Mte. Galego, no cruzamento da Rua das Flores com a Rua 25 de Abril, existe um possível miliário conhecido como «marcão» ou «polícia» que seria proveniente da Qta. de S. João)

Casa Branca (ARITIO VETUS) (vestígios da cidade no sítio do Casal da Várzea na confluência da ribeira da Lampreia como o Tejo; embora não seja mencionada nos Itinerários de Antonino é provável a sua inclusão nesta rota, até porque nesta zona deveria existir uma travessia do rio Tejo, rumando depois quer para nordeste rumo a Igaedis pelo Itinerário Alvega-Salamanca quer para noroeste rumo a Conimbriga pelo Itinerário Alvega-Conímbriga; na foz da ribeira da Lampreia apareceu uma placa de bronze com inscrição, hoje desaparecida, contendo o juramento do oppidum de Aritium Vetus a Calígula onde se lia «Aritiense oppido veteri»; Noutra inscrição lia-se aedilis IIvir flamen provinciae Lusitaniae, ou seja, uma referência ao magistrados da cidade, edis, dúunviros e flâmines atestando assim o estatuto de municipium a este Oppidum)
Ponte-Represa Romana(?) de Casal da Várzea, Casa Branca, Alvega (em ruínas, no Mte. da Represa)
Gavião (a sul por Carris Brancos)
Ponte Romano?-Medieval da Atalaia
Atalaia
Ponte Romano?-Medieval da Ribeira da Venda, Comenda (3 arcos; na praia fluvial do parque de merendas, junto à confluência com a ribeira da Cabeça Cimeira; segue por Vale da Vinha, Machouqueira, Mte. do Polvorão e Vale Braçal)
Vale de Feiteira, Comenda (villa em Vale do Grou; segundo Saa, a via seguia o «Caminho da Estalagem» pelo sítio romano de Sôrinho até à travessia da ribeira de Sor em Porto de Manejo, onde há vestígios de uma Ponte Antiga, seguindo depois entre o Alto do Mte. da Pedra e as Termas da Fadagosa para o Alto do Aguilhão, onde Saa achou um possível miliário com caracteres ilegíveis)

  • Continuação para Mérida: a partir daqui o traçado da via principal é muito duvidoso dado o desconhecimento actual sobre a localização das estações seguintes, Fraxinum e Montobriga, sendo que a via teria que se dirigir para a estação Ad Septem Aras que era partilhada com o o Itinerário XIV e que ficaria muito provavelmente na região de Campo Maior. É provável que a mansio Fraxinum se localizasse em Alpalhão, importante nó rodoviário que articulava as travessias do rio Tejo na Barca da Amieira (via proveniente de Tomar rumo a Ammaia) e Vila Velha de Ródão (via proveniente de Idanha-a-Velha rumo a Évora) justificando a existência de uma mansio neste local pelo que a estação seguinte, Montobriga poderia ficar 30 milhas adiante, ou seja em torno de Arronches.
  • Possível ligação ao Vicus Camalocensis no Crato, passando por Monte da Pedra (talvez junto da villa da Fonte Santa; Ponte Romana?) e da Aldeia da Mata (necrópole da Lage do Ouro).
  • Itinerário de Comenda a Alpalhão
    De Aguilhão (Monte da Pedra) poderia atravessar a ribeira de Vale do Magro e seguir pela sua margem direita, passando a norte do Mte. da Granja e do Vicus do Mte. de Biscaia pelo caminho que delimita os concelhos do Crato e Nisa, continuando pelo Alto da Safra da Azinheira, Vale do Castelo, Alto da Mala, travessia da ribeira de Sor junto da Capela da Sra. da Redonda e do chamado Castelo Velho seguindo até Alpalhão.

Alpalhão (FRAXINUM?) (possível localização no Mte. dos Sete; a via seguiria por Alagoas)
Fortios (sítio romano no Mte. das Veladas; inscrição funerária) Portalegre (a poente)
Urra (Calçada de Alcaide)

Arronches (MONTOBRIGA?) (possível localização da mansio nesta povoação por estar a cerca de 40 km de Alpalhão ou nesta hipótese, a 30 milhas de Fraxinum, e a 14 milhas da estação seguinte, Ad Septem Aras que corresponde à distância a Campo Maior, cerca de 21 km; calçada em Porto Mane; Ponte Romana? do Mte. Pisão; no Vale da ribeira da Venda apareceu recentemente uma ara com inscrição votiva talvez relacionada com a via)

Campo Maior (AD SEPTEM ARAS?) (a mansio servia os dois itinerários para Mérida que aqui se cruzavam; ver detalhes no Itinerário XIV de Antonino; depois desta estação os itinerários voltam a dividir-se seguindo este directo a Plagiaria, passando por Gévora, onde aliás apareceu um miliário enquanto o Itinerário XIV seguia primeiro por Budua num caminho mais longo, voltando a reunir-se com este itinerário na estação de seguinte, ou seja Plagiaria, passando talvez por Gévora, onde aliás apareceu um miliário)

PLAGIARIA (a 20 milhas de Ad Septem Aras e a 30 milhas de Emerita)
EMERITA (a 220 milhas de Lisboa)

Itinerário XIII (13)

Mapa







A SALACIA OSSONOBA m.p. XVI  

O Itinerário XIII (13) de Antonino é bastante intrigante porque não menciona estações intermédias e indica apenas 16 milhas de distância entre os dois pontos. Se por um lado é lógico pensar nesta rota como uma derivação do Itinerário XII (12) entre Lisboa e Mérida, ligando SALACIA, actual Alcácer do Sal, a OSSONOBA, actual Faro, até porque surge na sequência da anterior, por outro lado, não se percebe qual o sentido de indicar este troço quando ele já está descrito no Itinerário XXI (21). Assim, é muito provável que a Salacia referida não se refira a Alcácer do Sal, mas uma outra Salacia que poderia ser o Porto Romano do Cerro da Vila em Vilamoura que dista precisamente 16 milhas de Faro. Esta ligação de Ossonoba ao seu porto de mar passaria em Marchil, Pontal, Ludo, Fonte Santa, Passil e Quarteira.

No entanto, para já, não podemos descartar outras hipóteses, como um possível erro na transcrição das milhas, omitindo o «C» de 100 milhas, o que colocaria a distância em CXVI (116) milhas, cerca de 174 km, ou seja já da mesma ordem de grandeza da distância medida entre as duas cidades que é de 185 km.

O Itinerário que liga directamente Faro a Alcácer do Sal está descrito no Itinerário XXI, passando a ocidente de Beja, enquanto aqui apresentam-se as outras vias prováveis da região, como sejam as ligações de Alcácer do Sal a Beja, Santiago do Cacém e Portimão.


Alcácer do Sal (SALACIA) - Beja (PACE IULIA)
Apesar de não ser mencionado nos Itinerários de Antonino é quase certo que existia uma ligação directa entre Alcácer e Beja que seria uma parte do itinerário Lisboa-Beja-Sevilha e do itinerário Lisboa-Beja-Algarve descritos no Itinerário XXI de Antonino. No parte inicial, o percurso seria coincidente com a variante sul do Itinerário XII entre Lisboa e Évora que passa no Torrão, inflectindo aqui para SE em direcção a Beja. Há pelo menos 3 miliários assinalando a passagem da via embora haja dúvidas quanto à sua localização original. Assim o percurso até Beja é meramente hipotético tentando assinalar os vestígios existentes que poderão estar relacionados com a esta via. O itinerário segue o traçado mais curto para Beja pois os antigos caminhos romanos foram destruídos pela intensa transformação agrícola da região.

Alcácer do Sal (SALACIA) (segue o itinerário XII)
Torrão (segue pela Fonte Santa, conduta romana com 100m, e próximo das villae do Penedo Minhoto e das Fontainhas; EN2; também daqui poderia partir um ramal em direcção a Alvito, onde se supõe ter existido a civitas Mirietanorum, passando por Vila Nova da Baronia.)
Odivelas, Ferreira do Alentejo (André de Resende e depois Túlio Espanca referem um miliário no Mte. do Olival; o percurso seria assim Mte. do Olival, Cova do Medo, Mte. da Casa Branca, onde existe uma fortificação romana que poderia vigiar a via na travessia do Barranco da Casa Branca, no limite do concelho, seguindo entre as Villae de Vale de Meloais e do Mte. da Cassapa para a travessia da ribeira de Alfundão, continuando próximo das villae de Fonte Boa, Castelo Ventoso e Barranco de Rio Seco até Alfundão)
Alfundão, Ferreira do Alentejo (Ponte Romana?; talvez siga pelo caminho que passa no Alto de Beja e próximo da Villa do Monte do Corvo; cipo funerário, FE295)
Travessia do Barranco do Corvo (junto à Malhada dos Carvalhos e da EN387)
Peroguarda, Ferreira do Alentejo (seguia a NE talvez próximo do habitat do Mte. da Carrascosa, Villa do Mte./Malhada da Zambujeira, Habitat de Funchais e Horta dos Coutos; importante Villa do Monte da Chaminé, 3 km a sul de Ferreira)
Ponte Romana? de Lisboa sobre o rio Galejo, Beringel (1 arco; calçada; incorpora materiais romanos, 2 cipos, talvez provenientes da Villa da Herdade da Ponte de Lisboa; a via segue a ribeira de Álamo)
S. Brissos (a via romana continua junto da Villa do Mte. da Diabrória e da Villa do Mte. da Fonte dos Cântaros, onde terá aparecido um miliário de Valentino I e Valente)
Ponte Romana? da Fonte dos Cântaros, S. Brissos (seguia a norte da Villa das Represas)
Beja (PACE IULIA; vestígios da via na Rua Aresta Branco; decorrem escavações no templo; numa ara com o epitáfio de Nice lê-se VIATO[r, CIL II 59 = CIL II 5186)


Alcácer do Sal (SALACIA) - Santiago do Cacém (MIROBRIGA)
Hipotética ligação entre as duas civitates, embora sem vestígios concludentes.
Alcácer do Sal (SALACIA) (parte da margem esquerda do Sado)
Grândola (provável mansio na Villa do Cerrado do Castelo dentro da escola primária; 2 km a S fica a Barragem Romana do Pego da Moura; Porto em Melides?)
Santiago do Cacém (MIROBRIGA) (há uma Ponte Romana no núcleo urbano; Provável ligação a Sines, o Porto Romano de Mirobriga como comprovam as cetárias e o forno para produção de ânforas junto ao Castelo, no Lg. João de Deus, e as 2 âncoras recuperadas do mar; Este porto viria a ser progressivamente desactivado com a construção no século II do Porto romano da Ilha do Pessegueiro, onde ainda são visíveis as cetárias para salga de peixe; O espólio está no Museu de Sines)


Santiago do Cacém (MIROBRIGA) - Beja (PACE IULIA)
Ligação entre as duas civitates passando em Alvalade; ver este artigo sobre Alvalade.
Santiago do Cacém (MIROBRIGA)
Herdade do Carvalhal, São Domingos
Abela (seguia pela Ermida de S. Brissos, villa da Qta. da Corona , Vale de Santiago e villa de Ameira/Monte do Brejo)
Ponte Romano?-Medieval de Alvalade sobre a ribeira de Campilhas (reconstruída no séc. XVI)
Alvalade (vicus no actual cemitério; cruzamento de vias; mina romana do Montinho; Feio, 2009)
Rio Sado (Callipus) (travessia em Porto de Beja, junto ao campo de futebol)
S. João de Negrilhos
Ervidel
Santa Vitória
Penedo Gordo (acesso à importante villa romana de Pisões, na Herdade de Algramaça)
Beja (PACE IULIA)

Alcácer do Sal (SALACIA) - Monchique - Portimão
Variante das ligações ao Algarve que se dirigia a Portimão, seguindo por S. Margarida do Sado, Garvão e Serra de Monchique até Estômbar, onde entronca nas outras vias do Algarve.

Alcácer do Sal (SALACIA) (segue o percurso da via XII até o Torrão, onde ruma para SE pelo Alto da Corte da Venda; mina romana de cobre em Canal Caveira)
Travessia da ribeira de Odivelas (na Herdade do Pinheiro e segue pelo altos dos Pintos e da Mina)
Santa Margarida do Sado (segue pelo Alto de Penedrão e Alto da Atalaia, já na freguesia de Canhestros)
Travessia da ribeira da Figueira (talvez no Porto de Mouros, seguindo pelo Alto da Carregueira)
Aldeia de Ermidas (topónimo Monte do Marco; atravessa a ribeira do Roxo e segue junto da Villa do Monte do Roxo)
Alvalade (provável vicus no cruzamento com a via Santiago do Cacém-Beja; não é claro se a via seguia pela margem esquerda ou direita do Sado, pois se os vestígios de Sapa, Monte dos Conqueiros, Monte da Corredoura, Monte Novo, Monte da Retorta e Monte da Defesa, indicam uma continuação pela margem direita, por outro lado a continuação para a Torre Vã obriga a uma travessia do Sado)
Panóias (segue por Torre Vã, junto à villa da Horta de S. Romão, Monte Alto, Ermida de S. Romão de Panóias)
Travessia do rio Sado (Callipus) (segue por Boizana, Vale de Fomeira, Monte Ruivo do Ameixial, Funcheira de Baixo, Horta da Saúde e Igrejinha de São Pedro)
Garvão, Ourique (passa na ponte sobre a ribeira de Garvão, junto da estação e segue por Furadouro e Franciscos, local onde seria o vicus romano pois aí apareceu uma estela funerária de um Bracarus oriundo do Castellum Durbed)
Aldeia das Amoreiras (EN123)
S. Martinho das Amoreiras (continua pela En123, ao km 32 desvia para Monte do Geraldo, Monte do Caldeirão, Portela das Estaquinhas, Corte de Brique e Corte de Lã)
Sta. Clara-a-Velha (segue por Viradouro, EN266)
Travessia do rio Mira (talvez por barca porque a Ponte de D. Maria, hoje em ruínas, é do séc. XVIII)
Sabóia (segue por Corte Sevilha)
Nave Redonda (calçada; segue a EN266 pelo Alto do Embarradouro)
Monchique (calçada em Nave, Rencovo e Cerro da Vigia; desce às Caldas pela calçada do Pé da Cruz e pela calçada de Palmeira)
Caldas de Monchique
Porto de Lagos
Silves (o antigo núcleo seria no Cerro da Rocha Branca ou da Guerrilha, 1km para poente, hoje destruído)
Estômbar, Lagoa (onde entronca na via pelo barrocal algarvio)
Portimão (onde entronca na via pelo litoral algarvio)

Itinerário XXII (22)

Mapa





Castro Marim (BAESURI) - Mértola (MYRTILIS) - Beja (PACE IULIA)    LXXVI milhas - 101 km
Item ab ESURI per compendium PACE IULIA m.p. LXXVI  
MYRTILIS
PACE IULIA
XL
XXXVI
No Itinerário XXII de Antonino esta rota é chamada de «per compendium», ou seja pelo caminho mais curto, indicando um total de 76 milhas até Beja, cerca de 101 km, o que corresponde à actual distância entre Castro Marim e Beja, distinguindo assim do Itinerário XXI que também seguia para Beja, mas por uma rota mais longa, interligando as cidades do litoral Algarvio, Balsa e Ossonoba, antes de rumar ao Alentejo. A ligação entre Castro Marim e Mértola, a única estação referida no itinerário, deveria ser efectuada por via fluvial, subindo o rio Guadiana, mas não se pode excluir uma alternativa terrestre pela margem direita do rio, apesar do terreno ser aqui muito acidentado e da ausência de provas consistentes da passagem da via. Os vestígios encontrados nesta rota, nomeadamente as villae ao longo das margens do Guadiana, poderão assim não estar associadas a uma via terrestre pela margem, mas a uma rota fluvial que ia da foz até Mértola, constituindo assim pequenos portos de apoio ao comércio fluvial. (ver Silva, 2002/2005; Rodrigues, 2004; Lopes, 2006)


Hipotética Via Terrestre:
Castro Marim (BAESURI) (calçada com 50 m na base do Castelo; segue para N +- paralela à EN122)
Horta dos Quartos (possível referência à milha IV desde Baesuri; talvez por Varanda, Fronteirinha e Calçada)
Ponte de Beliche sobre a ribeira de Beliche (calçada)
Travessia da ribeira de Odeleite a vau
Ponte Romana? de Álamo, Alcoutim (só vestígios; Villa e barragem de Álamo)
Montinho das Laranjeiras, Alcoutim (villa aberta ao público, ligada ao tráfego fluvial)
Alcoutim (diversas fortificações romanas como o Cerro do Castelinho dos Mouros, controlavam o tráfego no rio Guadiana)
Mértola (MYRTILIS) (oppidum; núcleo romano na cave da CM de Mértola; os materiais romanos encontrados na chamada Torre do Rio, hoje em ruínas, levaram alguns autores a colocarem a hipótese de aqui ter existido uma Ponte Romana, mas é muito improvável, atendendo a que Mértola era um importante entreposto fluvial não se justificando a construção de uma ponte pelo que os materiais romanos deverão ser oriundos de algum edifício na cidade)

Ligação às Minas de S. Domingos: travessia do rio Guadiana (Anae) na
Estrada romana para escoamento do minério de cobre que poderia continuar para a Baética ou mesmo Serpa. A calçada começa no Porto de Mértola (celeiros das EPAC junto do Guadiana) e segue durante 2,2 km para Fernandes pela chamada Estrada Velha até Casa Branca, reaparecendo depois no sopé do Cerro do Calcolítico e mais à frente no Monte Alto, seguindo por rota incerta até às Minas de S. Domingos (villa no Cerro da Mina).
  • Esta via poderia continuar por Corte do Pinto até entroncar na Via Beja-Huelva, onde tanto podia seguir no sentido de Serpa/Beja como dirigir-se para a Baética atravessando o Rio Chança, talvez entre o Serro do Marco e a Passada da Vuelta Falsa (minas romanas).

de Mértola a Beja pela Via Principal:
Mértola (a via passava junto do Museu da Basílica Paleocristã e próximo da necrópole da Achada de S. Sebastião)
Corte Gafo de Baixo
Travessia da ribeira de Terges e Cobres numa das seguintes alternativas:
  • uma seguia por Amendoeira da Serra, Monte da Lapa, Alto de Vasco Martins, atravessando a ribeira entre Porto de Salvada e Monte do Pica Milho.
  • outra descia pelo Mte. do Mosteiro, atravessava a ribeira e seguia para Demangas e Herdade de Barbas de Gaio.
Vale de Rucins (talvez seguindo a EM511, evitando a travessia de linhas de água)
Salvada (seguindo talvez próximo da Herdade do Carrascalão, villa do Mte. da Azinheira e por Pisão)
Beja (PACE IULIA) (entrava pela Porta de Mértola, demolida em 1876)


Itinerário XXI (21)

Mapa


VIA XXI - Castro Marim (BAESURI) - Luz (BALSA) - Faro (OSSONOBA) - ARANNIS - Évora (EBORA) - Beja (PACE IULIA)
Item de ESURI PACE IULIA m.p. CCLXVII 
BALSA
OSSONOBA
ARANNIS
Sarapia?
SALACIA
EBORA
SERPA
FINES
ARUCCI
PACE IULIA
XXIIII
XVI
LX
XXXV?
XXXV
XLIIII
XIII
XX
XXV
XXX
Este Itinerário XXI percorre quase todo o território do Alentejo e do Algarve num percurso circular, parecendo mais um agrupamento de várias vias de ligação entre os principais povoados da região. A via partia então de Baesuri (Esuri no itinerário) actual Castro Marim, seguindo pelo litoral algarvio até Balsa situada na Qta. de Torre de Aires (Luz de Tavira) e logo depois atingia Ossonoba, hoje Faro. Daqui rumaria a norte, passando pela estação de Arannis, sem localização definitiva, em direcção a Salacia, hoje Alcácer do Sal, onde inflectia para leste em direcção a Évora. De Salacia a Ebora, o itinerário indica 44 milhas, o que está de acordo com a distância medida no terreno e de acordo com a distância indicada Itinerário XII entre Lisboa e Mérida para o mesmo troço. A partir de Évora, em vez de ligar directamente a Beja, através da via romana entre Évora e Beja pelo caminho mais curto cujo percurso está atestada por vários miliários, este itinerário, indica um percurso mais extenso (cerca de mais 38 milhas ou seja mais 56,2 km) que inclui mais três estações intermédias, Serpa, Fines e Arucci, cujas localizações continuam inseguras, até finalmente atingir Beja.

Sobre o Algarve Romano ver o excelente trabalho de Luís Fraga da Silva em www.arkeotavira.com e no seu blog Impronto.
Como ainda subsistem muitas dúvidas sobre a localização das estações intermédias, o itinerário é apresentado por troços:

Mapa








VIA XXI - Castro Marim (BAESURI) - Torre de Aires (BALSA) - Faro (OSSONOBA)

BALSA
OSSONOBA
XXIIII
XVI
O primeiro troço do Itinerário XXI ligava Baesuri na foz do Rio Guadiana a Ossonoba que corresponde ao centro da cidade de Faro, passando na mansio de Balsa, estação intermédia hoje definitivamente localizada junto à praia de Luz de Tavira num lugar conhecido por Torre de Aires. O único miliário conhecido do Algarve pertence a esta via e foi encontrado in situ em Bias do Sul, marcando a décima milha desde Faro que já era na época capital regional, certificando assim a passagem da via pelo litoral Algarvio. Tanto este miliário como as distâncias indicadas pelo itinerário estão coerentes com as actuais distâncias no terreno.
A partir de Faro, o itinerário ruma a norte na direcção de Beja, mas aqui apresenta-se a sua provável continuação até ao Cabo de São Vicente. Esta rota segue mais ou menos o percurso da EN125, tendo uma variante mais a norte que percorre o barrocal algarvio. (ver Silva, 2002/2005; Rodrigues, 2004; Maia 2006).


Castro Marim (BAESURI) (sai por Horta de D. Maria, Sobral de Cima até à linha férrea, seguindo paralela a esta por Alcaria e Portela, Cruz do Morto, Buraco e Torrão)
Cacela Velha, Vila Real de St. António (villa na Quinta do Muro; centro oleiro na Praia da Manta Rota; continua por Qta. de Baixo, Baleeira e Morgado)
Conceição, Tavira (continua por Calçadinha, possível mansio)
Ponte Romano?-Medieval do Almargem sobre a ribeira de Almargem, Conceição (3 arcos; calçada)
Tavira
Ponte Medieval de Tavira sobre o rio Gilão (sem vestígios romanos; talvez a travessia fosse a vau 130 m a montante; Silva 2005)
Pedras d'El Rei, Luz de Tavira (vem pelo "Caminho do Concelho" em terra, passa na Qta. de St. António, e passa a calçada junto ao aldeamento turístico, onde há necrópole de uma villa)

Torre de Aires (BALSA), Luz de Tavira (o núcleo urbano abrangia a Qta. das Antas; a via romana entrava na cidade pela calçada da Qta. do Arroio, seguindo recto)
Livramento, Luz de Tavira (aqui conflui com a EN125 e continua sob esta por Arroteia e Alfandanga)
Bias do Sul, Olhão (em Canada do Sul, na foz da ribeira de Bias, apareceu in situ, o único miliário conhecido do Algarve, indicando a milha X contadas a partir de Faro e marcaria também a fronteira entre as civitates de Balsa e Ossonoba, IRCP 660; está hoje no Museu Paroquial de Moncarapacho)
Olhão (epitáfio onde alguns autores lêem V(iator); existam cetárias no actual Porto de Pesca; a via segue a norte da EN125 próximo do Villa da Qta. do Marim, possível localização da Statio Sacra referida na Cosmographia do Anónimo de Ravena, ver Graen, 2007, seguindo a norte da villa de Torrejão Velho)

Faro (OSSONOBA) (a entrada da via em Faro é assinalada pela recentemente descoberta necrópole de Rio Seco, seguindo depois a Rua Reitor Teixeira Guedes até entrar no casco antigo entre a necrópole de Lethes e a necrópoles da Horta do Ferragial; a continuação para leste fazia-se na direcção da Rua Conselheiro Bivar, antiga Rua da Carreira, passando junto à necrópole da Horta dos Fumeiros, até Pontes de Marchil já na EN125)
S. João da Venda, Almansil (olaria)
Almansil (provável mansio onde deriva o caminho para Loulé; segue paralela à EN125 por Marchil, Pontal, Ludo, Fonte Santa, Passil e Quarteira; olaria na Qta. do Lago)

Via litoral até ao Cabo de São Vicente
Vilamoura (Porto e vicus do Cerro da Vila; mansio; Alfândega)
Ponte Romano-Medieval do Barão, Albufeira sobre a ribeira da Quarteira (fundações romanas; perto fica a Villa romana da Retorta cujo espólio está no Museu Municipal de Albufeira; segue por Vale de Carros, Lajeado e Mosqueira)
Guia (segue paralela e a S da EN125)
Pêra
Ponte Romano?-Medieval de Alcantarilha (talvez com fundações romanas)
Alcantarilha (calçada por debaixo da ponte em betão na Rua das Muralhas)
Porches (talvez pelo lugar da Torre)
Lagoa
Estômbar, Lagoa (calçada; continua por Corredoura, Passagem, junto à Qta. de S. Pedro e Calçada da Barca)
Travessia do rio Arade no lugar do Parchal
Portimão (PORTUS HANNIBALIS? daqui é possível uma derivação para Vila Velha do Alvor, sítio romano)
Mexilhoeira Grande (villa da Qta. da Abicada em Figueira, desvio a partir da EN125 para o apeadeiro)
Lagos (LACCOBRIGA) (talvez no Monte Molião em Telheiro, junto à Ponte sobre o rio de Lagos na EN125; Barragem romana da Fonte Coberta; possível Villa em Palmares)
  • Ligação para norte: é provável que existisse uma via para norte a partir de Lagos em direcção a Aljezur (passando por Fronteira, Poldra e Fronteiras) que ligaria a Mirobriga (Santiago do Cacém), servindo assim o intenso comércio marítimo que ligava o Mediterrâneo à Costa Atlântica, como testemunham os diversos complexos portuários ao longo da costa Alentejana como os de Vila Nova de Milfontes, Sines, Ilha do Pessegueiro, Setúbal, Tróia e Portinho da Arrábida (Creiro).
Luz, Lagos (Villa na frente marítima, aberta ao público)
Budens (talvez seguisse junto à costa por Burgau; Villa da Boca do Rio na foz da ribeira de Budens)
Vila do Bispo (centro oleiro na falésia da Praia do Martinhal para fabrico de ânforas)
Cabo de São Vicente (Promontorium Sacrum?)

Variante norte pelo barrocal algarvio
Esta variante derivava da via litoral talvez no lugar da Cruz do Morto em Cacela Velha e seguia por
Ribeira de Almargem
Vale da Asseca
Sta. Catarina da Fonte do Bispo (poderia seguir entre Desbarato e Bengado, onde há calçada medieval, até Fonte/Cerro da Mesquita)
São Brás de Alportel (entra por Hortas e Moinhos, onde cruza com a via proveniente de Faro, e segue a S da EN270, por Calçada, Fonte do Mouro, Fonte do Touro, Vilarinhos, onde cruza EN270 para seguir por Carrascal, S. Romão, Poço Largo e Fonte de Apra)
Torres de Apra, Loulé (villa; segue a S da EN270 próximo de Betunes)
Loulé (passa a S da cidade, onde cruza com a via Faro-Beja por Loulé)
  • Ligação a Almansil, descendo até Almansil, onde entronca na via litoral.
  • Ligação a Albufeira, rumando a sudoeste por Benfarras ou Boliqueime (EN270) até à Ponte do Barão, onde entronca na via litoral.

Variante sul pelo barrocal algarvio
Esta rota segue ente a variante norte pelo Barrocal e a via litoral interligando uma série de povoados romanos e cruzando com a várias ligações N-S que seguiam para o Alentejo. Talvez derivasse em Moncarapacho da via que aí passava para norte e seguia por Estoi, onde cruzava com a via proveniente de Faro, continuava junto da necrópole da Villa de Milreu para Sta. Bárbara de Nexe (EM520-2), onde tanto poderia rumar a Loulé, nó rodoviário do Barrocal, como descer a Almansil, onde entronca na via litoral.

Mapa









Mapa



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XXI - Faro (OSSONOBA) - ARANNIS - Alcácer do Sal (SALACIA) e Beja (PACE IULIA)
OSSONOBA
ARANNIS
Sarapia?
SALACIA
EBORA
XVI
LX
XXXV?
XXXV
XLIIII
A partir de Ossonoba o Itinerário XXI rumava a norte em direcção a Arannis percorrendo 60 milhas, ou seja cerca de 89 km. O itinerário sugere assim uma localização de Arannis na região de Castro Verde, talvez em Sta. Bárbara de Padrões, onde se localizam importantes ruínas de um grande povoado romano e cuja distância actual a Faro concorda com o itinerário. Para atingir a estação seguinte, Salacia, o itinerário indica apenas 35 milhas, o que é insuficiente para atingir Alcácer do Sal, motivando assim várias propostas de correcção do itinerário quer alterando o número de milhas, quer introduzindo uma estação intermédia entre as duas civitates. Como existe uma diferença no itinerário entre a distância total (247 milhas) e o somatório das distâncias entre estações (212 milhas), ou seja uma diferença de 35 milhas, é provável a existência de uma estação intermédia, muito provavelmente no povoado de Sarapia referido por Plínio no seu Naturalis Historiae. Sarapia estaria assim a 35 milhas quer de Arannis quer de Salacia porque é essa a distância parcial indicada e porque perfaz 70 milhas (104 km), o que corresponde à distância actual entre S. Bárbara dos Padrões e Alcácer do Sal que é de 108 km. Para o troço seguinte entre Salacia e Ebora, o itinerário indica 44 milhas, o que corresponde à distância actual além de ser coincidente com a distância indicada no mesmo troço do Itinerário XII entre Braga e Mérida, sendo portanto a mesma via aí descrita.

Devido a estas incertezas são apresentadas diversas possibilidades de ligação a partir de Ossonoba para norte, nomeadamente a mais que provável ligação directa a Beja. Partindo de Ossonoba, a via teria que ultrapassar a Serra do Caldeirão, existindo três prováveis variantes, uma mais ocidental por Loulé, talvez a mais importante, uma central por S. Brás de Alportel, reunindo-se em Salir, e uma oriental por Sta. Catarina da Fonte do Bispo que se reúne com as anteriores em S. Pedro de Solis.
(ver Silva, 2002/2005; Rodrigues, 2004; Maia 2006).

Variante de Faro a Salir por S. Brás de Alportel:
Faro (OSSONOBA) (saía pela Rua de Portugal rumo a norte, ao longo da grande necrópole de Lethes, Rua de S. Luís, Estrada da Penha até Vale Carneiros)
Conceição (talvez próximo dos Montes da Meia Légua e de Porto Carro)
Estoi (importante Villa Milreu; continua pela margem esquerda do rio Seco por Cacela, contornando a poente o Cerro do Malhão)
Travessia do rio Seco em Porto Velho
Vale do Joio, Machados (villa; inflecte para N e atravessa a Serra de Monte Figo)
Hortas e Moinhos, S. Brás de Alportel (calçadinha)
S. Brás de Alportel (a calçadinha, talvez de origem romana, entra na vila pela Rua Dr. Vitorino Passos Pinto; a via seguiria para o vale da Ribeira das Mercês por Alcaria, Cerro de Alportel, Juncais, Corte e Almarjão, desviando por calçada para Amendoeira e Portela)
Touriz, Querença (entronca na estrada para Salir à esquerda ou segue à direita para Barranco do Cão para atravessar a Serra do Caldeirão)
Salir (nó rodoviário, onde entronca a variante ocidental por Faro-Loulé-Salir)

Variante de Faro a Salir por Loulé:
Faro (OSSONOBA) (seguia a via litoral até Almansil, onde desviava para N para Loulé por Quartos e Fazenda do Cotovio pela margem esquerda da ribeira de Cadouço)
Ponte Romano?-Medieval de Álamos sobre a ribeira do Cadoiço, Loulé (recentemente reabilitada)
Loulé (segue pela estrada de Salir que sai pela Rua de Portugal por Vale da Rosa e cruz da Assumada)
Ponte Romano?-Medieval de Tôr sobre a ribeira de Algibre, Querença, Loulé (5 arcos; 2 visíveis; calçada a 2 km chamada "Estrada de Portugal")
Salir
    Ligações de Salir para poente:
    É possível que de Salir partisse uma via para poente passando por Benafim (ara funerária na Qta. do Freixo) e Alte, onde se dividia em dois ramos, um ramo acedia às minas de cobre do Pico Alto e do Cerro de Monte Rosso, passando em Sta. Margarida e outro continuava para oeste passando em Torre, Messines de Baixo, Portela, Castelo, prosseguindo por calçada até S. Bartolomeu de Messines (Villa na Capela de S. Pedro). Daqui poderia rumar para N para a travessia da serra por S. Marcos da Serra e Santa Clara, onde entronca na via que vinha de Portimão por Monchique ou descer ao litoral pela calçada da Ladeira da Bernarda até Algoz Velho (Capela da Sra. do Pilar) ou pela margem esquerda do Rio Arade por Calçada, Cano, Cortes, Torre, Cumeada e St. Estevão (mina de cobre), Vila Fria (villa), rumando depois ao litoral por duas vias alternativas, uma para Estômbar, onde entronca na via do litoral algarvio, e outra seguindo por Qta. do Arge até Porto de Lagos, onde cruza com a via que vinha de Portimão para Monchique.

Variante de Salir para norte até S. Pedro de Solis
A provável via principal rumaria a leste para transpor a Serra do Caldeirão.
Maxieira (segue +- o percurso da EN2 até)
Barranco do Velho (desvia pela EN124 para Montes Novos e segue o caminho rural para Vale da Rosa por Cortiçadas onde reencontra a EN2, saindo pouco depois para Figueirinha)
Santa Cruz (por Castelejo; reencontro com a variante que vem de Faro por St. Catarina da Fonte do Bispo)
S. Pedro de Solis

Variante de Faro a S. Pedro de Solis por Sta. Catarina da Fonte do Bispo (Via XXI?):
A parte inicial do percurso até Moncarapacho está algo indefinido podendo rumar primeiro a Alfandanga pela via litoral, onde recebia o tráfego de Balsa e rumava a N para atingir Moncarapacho pelo lugar do Marco. Em alternativa poderia existir um caminho mais directo entre Faro e Moncarapacho pela Ponte de Quelfes no "caminho de que vae de quelfes pera porttugal" (LOURO, 1929 p.60) (ver também Manuel Maia, 2006, Fraga da Silva, 2000/2005 e Sandra Rodrigues, 2004)

Faro (seguia o percurso da EM522 por Vale de Rei e Quatrim)
Ponte de Quelfes sobre a ribeira de Marim (próximo do Cerro de S. Miguel)
Moncarapacho (possível localização da Statio Sacra referida na Cosmographia do Anónimo de Ravena)
Ponte Romano?-Medieval sobre a ribeira do Tronco, Moncarapacho (1 arco; aqui começa o caminho com vários troços de calçada)
Caliços (no Vale da Serra há calçada intermitente com 1300 m)
Ponte dos Caliços (a via continua com troços empedrados e em terra batida por Vale da Serra)
Foupana, Moncarapacho
Ponte da Torre sobre a ribeira de Arroio
Montes e Lagares, Sta. Catarina da Fonte do Bispo (calçada do Ribeiro do Lagar; cruzaria com a variante norte da via litoral)
Travessia da ribeira de Alportel em Porto Carvalhoso (continua para N por Bem Parece e Água de Fusos)
Travessia da ribeira de Fronteira no Corxo (continua por Cabeça do Velho e Cerro Alto)
Travessia da ribeira de Odeleite no Cercado da Lagoa (continua por Castelão até)
Feiteira (segue para Corte João Velho ou segue à esquerda pela EN124 e logo a seguir na Fonte da Rata à direita por Figueirinha, Valeira e Ginêta)
Mealha, Cachopo (segue por Alcarias Pedro Guerreiro, atravessa a ribeira da Corte no Monte da Estrada e segue para o Moinho do Pereirão e Zorrinho de Cima)
Pessegueiro (segue por Zambujeiro)
Travessia da ribeira do Vascão (talvez no Moinho da Vargem)
Santa Cruz (por Casa Nova e Monte do Castelejo, onde reencontra a variante por Mealha)
S. Pedro de Solis

De S. Pedro de Solis seguem juntas para Sta. Bárbara de Padrões:
S. Pedro de Solis (segue em calçada por Alcaria das Bichas e Minas do Barrigão, Miguenzes, Caiada, Herdade da Espanca)
S. Miguel do Pinheiro (Forte Romano Manuel Galo)
Travessia da ribeira de Carreiras
Caiada ou Sra. da Graça de Padrões
Travessia da ribeira de Cobres
Sete
Sta. Bárbara de Padrões (ARANNIS), Castro Verde (referência a dois miliários)

Via XXI - Sta. Bárbara de Padrões (ARANNIS) - Alcácer do Sal (SALACIA)
Sta. Bárbara de Padrões
Castro Verde
Carregueiro, Aljustrel ( calçada e villa do Monte do Gavião seguindo depois para a calçada do Monte do Mau Ladrão no sentido este-oeste)
Aljustrel (VIPASCA) (Minas Romanas Metallum Vipascensis; villa de Alcarias)
SARAPIA (possíveis localizações: Sta. Margarida do Sado, Figueira dos Cavaleiros e Peroguarda)
Odivelas (ver percurso no Itinerário Alcácer-Beja)
Torrão (ver percurso no Itinerário XII)
Alcácer do Sal (SALACIA)

Via ARANNIS - Beja (PACE IULIA):
Deveria existir uma ligação entre Arannis e Beja pelo caminho mais curto, embora não mencionado no itinerário.
Sta. Bárbara de Padrões
Namorados
Travessia da ribeira de Cobres entre Cabeças e Pereira
Travessia da ribeira de Maria Delgada junto ao Alto de S. Pedro das Cabeças
Castro Verde (entra junto ao cemitério e segue por Portela, Monte Tacanho, Monte da Perdigoa e Alto do Monte Branco)
Entradas (segue a poente da povoação pelo Monte do Canal, onde atravessa a ribeira Cinceira, segue pelos altos da Lapa e da Malhada Nova, Lagoa de Pedra, onde inflecte para o Monte da Charnequinha; próximo fica o Castelo Velho de Cobres/Castelo de Montel)
Albernoa (segue o CM1092 pelos limites do Monte da Marzalonas, Monte Linhares, Monte das Marzalonas, Alto do Cerro, ribeira de Rascas e Balhamim)
Santa Clara do Louredo (miliário a Galério e Constâncio da milha XXXVI, 36 milhas talvez contadas a partir de Arannis; a via passaria na Herdade da Calçada, onde há vestígios da via)
Beja (PACE IULIA)

Mapa

XXI - Évora (EBORA) - FINES - ARUCCI - Serpa (SERPA) - Beja (PACE IULIA)

EBORA
SERPA
FINES
ARUCCI
PACE IULIA
XLIIII
XIII
XX
XXV
XXX
Este troço do Itinerário XXI é o que coloca mais questões devido à incerteza que rodeia a localização das estações intermédias no seu percurso até Beja. Depois de atravessar Évora, o itinerário indica a estação de Serpa que a ser situada na actual cidade de Serpa, nunca poderia estar somente a 13 milhas (19,2 km) de Évora como é indicado, além de que um percurso entre Serpa e Beja com duas estações de permeio é muito improvável atendendo à distância actual entre as duas cidades. Na impossibilidade de acertar as distâncias, podemos sempre admitir um erro na transcrição do itinerário, tanto nas milhas indicadas como na própria sequência de estações, mas isso não ajuda a esclarecer o problema e o itinerário de Antonino até tem mostrado grande exactidão nos outros itinerários. Por isso é preciso tentar outras explicações. Vinte milhas depois de Serpa seria atingida a mansio Fines, também sem localização precisa, rumando depois à mansio de Arucci que deverá estar na origem do nome da actual povoação de Aroche do outro lado da fronteira e daqui rumava finalmente a Beja. Este traçado é pouco lógico e tem de haver um erro na interpretação neste Itinerário de Antonino.

Tentativa de resolução:


ARUCCI em Moura?
Moura tem sido tradicionalmente associada a Arucci com base na famosa inscrição dedicada a Agripina (CIL II 963) e que hoje está no Museu de Moura.

[...]LIAE AGRIPPINA
[...]RIS AVG • GERMAN
[...]MATRI • AVG • N
[...]IVITAS ARVCCITANA
Esta associação foi proposta no século XVI pelo historiador Português André de Resende que leu na letra «N.» a palavra «N.(ova)», levando-o a considerar a existência de duas civitates, uma designada por Nova Civitas Aruccitana correspondendo a Moura e, por oposição, uma mais antiga que lhe deu origem e por isso a cognominou de Arucci Vetus próximo da Aroche actual. Hoje parece claro que só existia uma Arucci visto que esta epígrafe é na realidade originária da Serra de Aroche em Espanha o que reforça essa região espanhola como a provável localização da Civitas Aruccitana e logo da mansio de Arucci referida no itinerário que estaria muito provavelmente localizada em torno da Ermida de San Mamés em Llanos de la Belleza próximo da actual povoação de Aroche.

FINES em Moura ou em Messangil ?
Considerando então Arucci localizada em Llanos de la Belleza teríamos de posicionar a mansio Fines a 25 milhas para ocidente e a 20 milhas de Serpa, segundo o itinerário; Ora esta localização corresponde sensivelmente ao Vicus da Fonte de S. Miguel de Fines em Corte de Messangil. No entanto, admitindo que rota seguia para Évora em vez de Beja, as 25 milhas posicionam Fines em Moura, onde há muitos vestígios romanos.

Uma tentativa de acertar a sequência de estações
Admitindo que a mansio Serpa mencionada no itinerário ficava na actual cidade de Serpa, a sequência lógica a partir de Évora seria, Ebora, Pace Iulia, Serpa, Fines e Arucci. Assim o itinerário poderia assumir a forma abaixo, onde se tenta ajustar as distância reais entre mansiones.

Itinerário original
EBORA XLIIII
SERPA XIII
FINES XX
ARUCCI XXV
PACE IULIA XXX
Distâncias Intermédias
EBORA - SERPA XIII
SERPA - FINES XX
FINES - ARUCCI XXV
ARUCCI - PACE IULIA XXX
Distâncias actuais:
(em milhas)

Évora - Beja 44
Beja - Serpa 20
Serpa - Moura 20
Serpa - Messangil 13
Messangil - Aroche 25
Beja - Moura 30
Beja - Aroche 61
Hipótese com FINES em Messangil
EBORA - PACE IULIA XLIIII
PACE IULIA - SERPA XX
SERPA - FINES (Messangil) XIII
FINES (Messangil) - ARUCCI XXV
Hipótese com FINES em Moura
EBORA - FINES (Moura) XLIIII
FINES (Moura) - ARUCCI XXV
FINES (Moura) - SERPA XX
FINES (Moura) - PACE IULIA XXX
SERPA no Ravennatis
A Cosmographia do Anónimo de Ravena apresenta a seguinte lista de civitates na Baética: «Item super fretum Septem sunt civitates, id est, Bepsipon, Merifabion, Caditana Portum, Asta, Serpa, Pace Iulia» (Ravennatis IV, 43, 16); Admitindo que esta sequência corresponde a um itinerário romano entre o Porto de Cádiz (Caditana Portum) e a capital do Conventus Pacensis (Pace Iulia) com passagem por Serpa mas omitindo Arucci e Fines poderia indicar que existia uma via mais directa entre estes importantes povoados, desviando da rota definida no I.A. em Serpa, seguindo depois por uma caminho mais curto rumo a Cádiz. (ver o Itinerário Beja-Huelva-Cádiz). Também é possível que Fines e Arucci tivessem sido apenas omitidas por serem oppida menos importantes.

FINES e ARUCCI no Ravennatis
Em outra parte da mesma Cosmografia de Ravena são enumeradas as seguintes civitates da Baética que estavam sobre domínio de Hispalis, hoje Sevilha: Onuba, Urion, Arucci, Fines, Seria. (Rav. IV 45). Ora esta sequência está mais de acordo com o I. A., formando uma linha que inclui Fines e Arucci sobre esse domínio, finalizando com Seria, um provável erro do copista medieval trocando a letra «P» pela letra «I». Ver aqui uma descrição do Itinerário Huelva (Onuba) - Aroche (Arucci).

A interpretação deste enigmático itinerário continua a suscitar muitas incertezas sendo por isso apresentado por troços independentes que reflectem os vestígios da via ainda observáveis no terreno sem a preocupação de inseri-los num grande percurso, nomeadamente a via entre Évora e Beja, a via entre Évora e Moura por Portel e as ligações de Moura para Sul rumo a Beja, Serpa, Fines e Arucci, ou seja de encontro às mansiones da Via Pace Iulia ab Hispalis que corria no sentido E-O rumo à província Baética.

Mapa

















XXI - Évora (EBORA) - Beja (PACE IULIA) (ver Bilou: 2000a)
Apesar de não ser mencionada nos Itinerários de Antonino é quase certo que existia uma a via romana ligando Évora à capital Conventus pelo caminho mais curto, cerca de L milhas ou 74 km, com imensos vestígios ao longo do seu percurso, contando-se actualmente 16 miliários, na sua maioria anepígrafos, e alguns troços de calçada. Urge estabelecer medidas de protecção para esta via cujos vestígios estão ao abandono e sujeitos a progressivas destruições. A identificação do traçado da via está praticamente completo pelo que se torna evidente a sua utilização turística.

Évora (EBORA) (a via sai pela Porta do Raimundo)
Horta do Bispo, Horta das Figueiras (troço de calçada segundo Pereira, 1948, p. 296-335; segue pelo Bairro da Ns. do Carmo)
Travessia da ribeira da Torregela junto à Herdade da Barbarrala Nova (lajeado no vau da ribeira)
Monte das Flores (miliário?; a via segue pela margem direita do rio Xarrama)
Fontalva (4 miliários; o miliário de Fontalva 1 está tombado entre o rio Xarrama e o acesso ao Mte. de Fontalva; o miliário de Fontalva 2 está in situ erecto e deveria indicar a milha VII; o miliário de Fontalva 3 é anepígrafo e assinalaria a mesma milha que o anterior; o miliário de Fontalva 4 está tombado no leito do rio, partido em 2 fragmentos)
Porto de Zambujal do Conde (a 800 m a jusante do miliário de Fontalva 4)
Monte do Seixo (referência a um miliário; seria a milha VIII?)
Porto da Magalhoa (referência a um miliário; milha IX?; o "Endovélico" refere 3 miliários entre o Mte. da Magalhoa e o Mte. da Zambujeira; um deles seria o miliário referenciado por Mário Saa como Marca do Diabo; milha X?)
Torre/Solar da Camoeira (provável statione de onde provém o miliário a Maximino e Máximo da milha XI, IRCP 664a, que está hoje à entrada dos serviços administrativos da antiga JAE em Évora)
Travessia do rio Xarrama no Porto da Camoeira (existe um miliário talvez da milha XII tombado no leito do rio e algumas poldras parecem miliários reaproveitados; segue 200 m paralela ao rio até à Azenha do Silveira onde existe calçada; continua pelo Porto da Calçadinha onde reaparece a calçada durante 300 m até chegar a um miliário in situ talvez da milha XIII na Herdade da Ovelheira)
Aguilhão, Torre de Coelheiros (a calçada continua por 1500 m, próximo do marco geodésico na divisão das Herdades da Falcoeira e Camoeira)
Ponte Romana sobre a ribeira da Murteira ou do Aguilhão na Horta do Vinagre (só vestígios; fuste e base de miliário anepígrafo na margem esquerda e a sua base no leito do rio; seria a milha XIV)
Aguiar (passa a poente da povoação pelo Monte Lindim onde há calçada e miliário ilegível; seria a milha XV)
Travessia da ribeira de Alpracá (continua por Serrado, Monte Ruivo)
Ns. d'Aires (FOXEM; Milha XVII), Viana do Alentejo (Vicus Foxem na Herdade das Paredes; calçada e 2 miliários inseridos nas colunas do adro do santuário; um deles é dedicado a Constante ou a Constâncio II, IRCP 672, e no outro apenas se lê o numeral XVII o que corresponde à distância a Évora, IRCP 680; a via deveria seguir por Hortas Velhas até Água de Peixe, mas deveria existir também um diverticulum para Viana)
Viana do Alentejo (várias inscrições funerárias; a via talvez seguisse a EN257 junto à Horta de Tomes e Horta do Espanadeiro, e 1 km depois sai em frente pelo estradão que passa em Sarnado)
Água de Peixe (onde conflui com a variante que vinha por Hortas Velhas e passa a asfalto, no CM1004; mina de ferro)
Albergaria dos Fusos (possível mansio ou mutatio; segue pela EN258-1)
Ponte Romano-Medieval de Vila Ruiva sobre a ribeira de Odivelas (120 m; 20 arcos, só 3 pilares são romanos)
  • Ramal para S. Cucufate: é possível que um ramal partindo de Vila Ruiva seguisse por Vila Alva (cupa anepígrafa na Ermida de S. Bartolomeu, FE304) em direcção da importante Villa de S. Cucufate em Vila de Frades (Vidigueira), continuando no sentido NW-SE para Baleizão pelo Mte. da Misericórdia e Mte. da Torre, e próximo das villae da Alto da Chucha, do Monte da Cegonha e do Mte. do Zambujal já na freguesia de Selmes, atravessando a ribeira de S. Pedro e seguindo pela Qta. de S. Pedro até ao Monte das Barbas de Lebre, onde entroncaria na hipotética Via entre Moura e Beja.
Vila Ruiva (possível fuste de miliário; seguiria pela EN258-1 que passa junto da barragem romana, em frente da Ermida da Ns. da Represa, onde corta à direita para ir passar junto da villa e casais do Mte. da Panasqueira)

Travessia da ribeira de Mac Abraão junto ao Monte da Palheta (daqui rumaria para a antiga Cupa no Outeiro dos Moinhos, passando junto do Mte. da Azurria e Mte. da Boavista)
Outeiro dos Moinhos/Moinhos do Taquenho, Mte. do Outeiro/, Cuba (a 2 km de Cuba, na EN387, virar à direita ; provavelmente o antigo vicus de Cupa, documentado em 1257)
Cuba (sai pelo Chafariz da Fonte dos Leões e segue junto à linha férrea pelo Mte. da Torre do Pinto, passaria junto ao acampamento militar romano de Mata-Bodes, a 800 m N da Villa do Mte. do Meio, e seguia até Mte. do Pombalinho e Qta. da Saúde)
Beja (PACE IULIA) (passava junto da Villa da Qta. da Fonte Figueira e da importante Villa da Qta. de Suratesta, entrando na cidade pela Porta de Évora com o seu arco romano e calçada, na Rua D. Dinis, seguindo para o forum da cidade na zona da actual Pr. da República)

  • Variante para Beja por Alvito e Ponte da Pedra: Segundo informação de Jorge Feio, é possível uma derivação no Monte do Cavalete em direcção a Alvito, EN257, onde se localiza o importante povoado romano de S. Romão, talvez a civitas Mirietanorum referida numa inscrição de Vila Nova da Baronia, seguindo depois a EN258 pela chamada «Ponte da Pedra» sobre a ribeira de Odivelas (reconstrução de 1899 de uma ponte mais antiga, possivelmente romana), continuando por Monte dos Lúzios (calçada), Monte do Azinhal (calçada), Malhada dos Passarinhos até confluir com o caminho principal que vinha da Ponte de Vila Ruiva, e juntas atravessam a ribeira de Mac Abraão junto do Mte. da Palheta, onde voltavam a derivar, seguindo a principal para Cuba enquanto esta variante seguia pelo Mte. dos Assentes e Faro do Alentejo até ao vicus de Ladeiras, continuando pelo Mte. do Monvestido e S. Brissos até entroncar na Via Lisboa-Beja, provavelmente no Mte. da Fonte dos Cântaros onde se achou um miliário.

Mapa













XXI - Évora (EBORA) - Portel - Moura (FINES?) (ver Bilou: 2000a)
Via romana entre Évora e Moura que passa na região de Portel, o caminho mais curto. A ponte sobre o rio Xarrama logo à saída de Évora e os possíveis fragmentos de miliários em Sitima e S. Marcos da Abóbada marcam a passagem da via. Ver Carta Arqueológica do Concelho de Évora

De Évora a Moura por Portel
Évora (sai pela Horta do Bispo onde existia um troço de calçada (Pereira: 1948, 296-335), desvia no Monte da Barbarrala Nova pelas traseiras das instalações da EDIA)
Ponte Antiga do Xarrama sobre o rio Xarrama (22 m, 3 arcos, 1 desabou; calçada debaixo do actual caminho)
Monte da Chaminé (talvez siga a poente do monte pelos altos da Vigia e da Barroqueira; novos vestígios da via junto ao aeródromo)
Sitima (provável miliário e mais 3 fragmentos no Monte da Sitima)
Travessia da ribeira de Souséis (continua em calçada para Maceda/Alto do Marco, onde inflecte para SE; 4 fragmentos de miliários anepígrafos no marco geodésico do Marco)
S. Marcos da Abóbada, Torre de Coelheiros (importante villa romana que nunca foi escavada e continua ao abandono!; continua a SO de Torre de Coelheiros, passando pelos limites da herdade da Torre do Lobo, a 4 km da sua torre medieval, onde foram identificados recentemente 2 miliários deslocados e mais 2 fragmentos junto ao casario; segue talvez pelo Alto do Seixo, Carrapateira, Alto do Casqueiro, Feijoas do Ramos)
Oriola (Villa de Mosteiros junto da margem direita da ribeira de Oriola e na outra margem a Villa de S. Faraústo ; estela funerária, FE366; a via passava a NE pois André de Resende refere um miliário a Diocleciano e Maximiano marcando a divisão entre os termos de Évora e de Beja que poderia ser no sítio do Marco, a 1 km para SE do Alto da Eira dos Pomares, precisamente na divisão entre os concelhos de Évora e Portel; a via continuava por Atalaia/Alto do Outeirão, Laranjeiras, Alto de Ferros e Mte. de Matraque)
Portel (segundo Saa, o caminho passaria 3 km para leste)

Ligação a Moura: o caminho para Moura continua incerto devido à ausência de vestígios significativos, mas é possível que seguisse por Vera Cruz (mosteiro visigótico) e Marmelar (necrópole) rumo à travessia do rio Guadiana no Cais do Fragal/Moinho da Barca, a jusante da foz do rio Ardila, seguindo depois um percurso paralelo à EN538 pela chamada «Estrada da Barca», passando no Mte. do Ameixial e pela calçada de Mata Sete junto da Horta do Botas rumo a Moura.

Possíveis variantes partindo de Évora por Reguengos de Monsaraz. (Ver Carneiro, 2008)
  • Alternativa por S. Manços: Saindo de Évora pela porta de Moura e Chafariz del Rei, atravessava o Xarrama junto da Qta. da Luzerna seguindo depois a rota da EN256 para o Mte. da Mesquita e Horta do Albardão a NE de S. Manços (a Igreja de S. Manços é uma reconversão de um edifício romano da villa que aí existia), Vale de Ferreiros, travessia do rio Degebe em Porto Calçado/Ponte do Albardão (vau lajeado, continuando pela calçada do Moinho da Ponte), na Vendinha (S. Vicente do Pigeiro), sai da EN256 e inflecte para NE para Vilar de Barrada/Vila da Abegoria em Caridade e finalmente Reguengos de Monsaraz
  • Alternativa por Ns. de Machede: Évora (sai da cidade pela Qta. do Forno da Cal), Ns. de Machede (calçada em Vale Melhorado; villa no Monte da Fonte Coberta), Ponte sobre a ribeira de Machede (possível miliário à saída da ponte), S. Vicente de Valongo (antes do medieval Castelo Real existiria um Castelo Velho de origem romana na outra margem em Alcorovisca), Montoito, Falcoeiras, S. Pedro de Corval e finalmente Monsaraz.

Ligação Monsaraz - Moura: O percurso é desconhecido, mas é provável que seguisse para a travessia do rio Guadiana (por Campinho?) junto do Castelo Romano da Lousa, na freguesia da Luz (hoje submerso pela Barragem do Alqueva) estrutura fortificada controlando esta travessia que poderia seguir também para Espanha por Santo Amador e S. Leonardo, não havendo vestígios para além da chegada a Moura pelo norte onde há vestígios de calçada ainda visíveis, logo após a travessia do rio Ardila em Porto Mourão. A calçada segue durante um 1 km pela Qta. da Esperança, Qta. da Pardouqueira, Qta. de S. Lourenço e calçada de Forca, entrando na cidade pela Ponte Romana? sobre o rio Brenhas (1 arco), sobe à EN255 e segue para Rossio do Carmo em Moura.

Mapa





XXI - Itinerários entre Moura e a Via Pace Iulia - Hispalis - Onuba
De Moura partiriam vários caminhos de ligação aos povoados romanos a sul, nomeadamente Beja, Serpa e Aroche, entroncando todos na Via entre Beja e Sevilha (Fragoso de Lima, 1998). Ver o renovado Museu de Moura que guarda o miliário de Corte do Alho e outro importante espólio como a ara funerária da pacense Priscilla, ou seja de uma originária de Pace Iulia.

de Moura a Beja
Moura (em Pisões há vestígios de calçada e uma ponte antiga sobre o ribeiro de Torrejais com provável origem romana, mas não parece pertencer a esta via; a rota para Beja partia de Moura e seguia pelo caminho de terra junto da EN258 que passa nos terrenos do Forte, seguindo pela calçada da Ladeirinha Branca e pelos olivais de Bogas de Ouro e Farelos)
Travessia do rio Guadiana em Porto de Moura (Minas de Orada)
Pedrogão (cupa funerária no Mte. das Fontes; Villa em Horta do Cano; segue por Monte das Aldeias)
Travessia da ribeira de Odearce em Moinhos das Aldeias Pequenas junto ao Alto da Rabadoa
Monte da Rabadoa, Barbas de Lebre
Horta do Bacelo
Travessia das ribeiras da Cardeira e do Canal
Beja (PACE IULIA) (entrava pela Carreira dos Seguros)
  • Em alternativa, a via poderia seguir pelo Pisanto rumo a Brinches (pela EN368 e depois pela EN265, passando próximo da importante Villa do Mte. da Salsa) para ir atravessar o rio Guadiana no vau de Vale de Brisão/Beirão/Casa da Barca, seguindo depois por Folha do Ranjão, Baleizão e Porto Peles (ponte romana? já demolida?) seguindo junto da Qta. da Mongeralda até Beja.

de Moura a Aroche
Moura (depois de atravessar a Ponte do Brenhas, seguia pelos vestígios de calçada na Encosta do Brenhas, Qta. de Santa Justa, Calçadinha e Coutada)
Sobral da Adiça (Fragoso de Lima identificou uma coluna em mármore com letras como miliário «na extrema da Coroada com o Motum» que poderá corresponder ao Cabeço Redondo na Herdade de Metum, fazendo também referência a mais 4 marcos iguais «entre a Coroada e o Mte. de José Navas»; estes marcos indiciam a passagem da via ao longo da margem esquerda da ribeira de Toutelga, talvez por Montalvo, Montes Juntos (estela e cupa funerárias), Horta da Carrasca (inscrição CIL II 93), Entre as Águas, Mte. Metum rumo a Vale de Grou (?), onde atravessa a fronteira, servindo na sua passagem os sítios romanos da Herdade de Borrazeiros (villa), Mte. Novo, Preguiça, Álamo e Touril)
Rosal de la Fronteira (onde entronca na via Beja-Sevilha)
Aroche (ARUCCI)

de Moura a Messangil (Fines?)
Moura (ruma a sul pela calçada de S. Lourenço e Atalaia Gorda; ara funerária na Herdade da Tapada)
Herdade dos Machados (calçada com vários km)
Pias (a via passaria a oriente nas proximidades das Villa do Zambujeiro e da Villa de Fonte da Pipa, topónimo viário onde aliás há vestígios de calçada)
Corte do Alho, Vale de Vargo/Pias (miliário a Adriano indicando VIII milhas junto da Villa do Corte do Alho indicando a distância a Moura ou à fronteira com a Baética; Hoje está no Museu de Moura; árula a Mercúrio encontrada 2 km para oriente na Villa do Poço das Sapateiras/Belmeque; continua pela Villa da Herdade da Corte e Borralhos)
Messangil, Vale de Vargo (Fines?) (mansio? mutatio?; provável localização da mansio Fines na Fonte de São Miguel Fines, entroncando assim na Via Beja-Sevilha; 4 inscrições em cipos)

de Moura a Serpa (SERPA)
Moura (na parte inicial ser comum à anterior, desviando depois no miliário da Corte do Alho para SO rumo a Serpa, passando próximo Villa da Casa dos Campinos) Travessia da ribeira de Enxoé (passa no miliário que delimita o Mte. da Chilra e Mte. dos Alpendres de Lagares, continuando para Serpa nas proximidades das Villae de Espicharrabo e do Mte. da Capela)
Serpa

Mapa

XXI - Beja (PACE IULIA) - Sevilha (HISPALIS)

Sendo Pace Iulia capital de Conventus deveria existir uma ligação pelo caminho mais curto a Hispalis, actual Sevilha que era uma das principais cidades da província romana da Baética que corresponde grosso modo à actual Andaluzia, cruzando a via romana que ligava a foz do rio Guadiana a Mérida mencionada no itinerário de Antonino como Item ab Ostio fluminis Anae Emeritam usque. O percurso é apenas hipotético devido às incertezas ainda existentes.

Beja (PACE IULIA) (sai talvez pela Rua Bento Jesus Caraça, passa na villa da Qta. da Abóbada e segue o CM1045)
Padrão, Beja (talvez siga pelo Monte do Zambujeiro)
Quintos (calçada na Herdade das Carretas; segue para Pisões, onde atravessava a ribeira da Cardeira na Ponte Romana?, continuando pelo Mte. de Corte Piornos)
Travessia do rio Guadiana (Anae) no Vau de Quintos (subia as ladeiras do Guadiana e seguia por Horta da Guinapa, Monte do Farrobo, Horta da Chaminé, Horta da Barca, Marreira e Calçada da Bemposta, caminho nas traseiras da Escola Profissional de Desenvolvimento Rural, seguindo até Serpa pelo caminho em terra que passa a sul dos silos da Qta. do Fidalgo)
Serpa (SERPA) (de Serpa deveria seguir para leste rumo à mutatio, se não mesmo a mansio Fines localizada em Messangil. Talvez seguisse a rota da EN517 ladeando os sítios romanos do Mte. de Santa Justa, Horta da Alcaria, Torre Velha, Maria da Guarda, Laje, Monte Alto)
Messangil, Vale de Vargo (FINES?) (hipotética localização da mansio Fines na Fonte de São Miguel Fines; segue por Ervancos?)
Vila Verde de Ficalho (Villa no Jardim do Museu de Ficalho; Povoado em torno da Igreja de S. Jorge; segue pelo Barranco de Penalva)
Rosal de la Frontera (conflui com a via proveniente de Moura; ver o itinerário para Huelva aqui)
Aroche (ARUCCI) (mansio localizada na Ermida de San Mamés, em Llanos de la Belleza; segue a margem esquerda do Rio Chanza por Cortijo de la Coronela, Casa de la Babosa, Casa de Duarte, Cabezo del Calar, Collado Hondo, Merendero, vereda de Sevilla e Casa del Capitán e Veredas)
Almonaster la Real (segue por Era de la Cuesta, vertente norte del Cerro Sierra Morena, Barranco de la Parrita, Calabazares, Valdemuñoz, Arroyo de la Cabra, e pela estradas actuais N435 e HU-7103)
Ermita de Santa Eulália, Almonaster la Real (mausoléu romano, possível localização da LAELIA de Ptolomeu; segue pela margem direita da ribeira de Sta. Eulália)
Travessia do Rio Odiel em Pasada de la Llana (segue por Navalonguilla, Los Moscos, El Coto e Cecimbre)
Campofrío (nó rodoviário)
  • Ligação a Sevilha, rumando a SE até Santiponce (ITALICA) (magníficas ruínas da cidade) e depois para Sevilha (HISPALIS).
  • Ligação a Huelva, rumando a sul pelas Minas do Riotinto, território de URIUM (oppidum em Corta del Lago?), seguindo por Valverde del Camino, Beas, Trigueros até Huelva (ONUBA).

Mapa

XXI - Beja (PACE IULIA) - Huelva (ONUBA) - Cádiz (GADITANA)

Deveria existir uma ligação entre Beja e Huelva (Onuba), importante porto da Baética indo de encontro à a via romana que ligava Mérida à foz do rio Guadiana mencionada no itinerário de Antonino como Item ab Ostio fluminis Anae Emeritam usque. O percurso é apenas hipotético devido às incertezas ainda existentes e incluem uma travessia da actual fronteira luso-espanhola, o rio Chança, nas proximidades das importantes explorações mineiras da região de Paymogo.

Beja (PACE IULIA) (seria comum à Via Beja-Sevilha até Serpa)
Serpa (SERPA) (de Serpa deveria rumar a SE aproximadamente pela EN265 pelo Mte. do Peixoto)
Santa Iria
Travessia da ribeira de Limas
Vales Mortos (antes da povoação segue o CM1096 na direcção SE, no antigo posto da Guarda Fiscal desce ao rio pela Fonte dos Contrabandistas)
Travessia Rio Chança (talvez junto à Casa do Bertolo; fronteira luso-espanhola)
Paymogo (minas romanas em Grupo Malagón, Paymoguillo el Viejo, La Romanera e La Sierrecilla)
Puebla de Gusmán (minas romanas)
Huelva (ONUBA)
Cádiz (GADITANA)

OUTROS ITINERÁRIOS ROMANOS - de norte para sul


Mapa


Karraria Antiqua





Per Loca Maritima





Via Veteris



Via Vimaranes


Outras vias que partiam do Porto (CALE)

A grande via militar romana que ligava Bracara Augusta a Olisipo passava Cale, estação estrategicamente localizada junto da travessia do sempre difícil Rio Douro, fronteira entre a Lusitânia e a Galécia. Mas do porto partiam muitas outras vias em todas as direcções. Esta rede de vias romanas secundárias assentaria em caminhos pré-romanos que interligavam os muitos povoados castrejos que populavam a região. Muitos seriam elevados a civitates durante o domínio romano reunindo castros romanizados e novos castros romanos numa ordem administrativa longe do modelo clássico. A geografia e a resistência acirrada destes povos à nova ordem romana condicionou um tipo de romanização radicalmente diferente do sul do país. Exceptuando o caso de Bracara Augusta, ainda assim fundada por aglomeração da população castreja em redor, parece existir uma continuidade da velha ordem castreja através da reorganização do território por populi em torno de um oppidum capital que administrava um território sobretudo com afinidades étnicas. Naturalmente a rede viária reflecte esta continuidade que se prolonga até à Idade Média como se observa nas referências à antiga via como karraria antiqua e Via Veteris , em documentos altimedievais, projectando-se até à era moderna como principais eixos viários da actualidade. Apesar do forte cariz medieval destes caminhos e da ausência de miliários, a sua utilização no processo de romanização da região parece indubitável e o seu trajecto é dedutível através do vestígios de povoamento ao longo do seu itinerário. Muitos das referências a estas antigas estradas provêm da compilação de documentos notariais medievais intitulada Diplomata et Chartae organizados por Alexandre Herculano no «Portugaliae Monumenta Historica», incluindo os nomes de villas, castros e rios (Ver Almeida CAB, 1979, 1980, 1986, 1996; Almeida CAF, 1968, 1969).

  • Karraria Antiqua (Porto - Barcelos)
    De Cale partia uma outra via mais a poente referida nas inquirições de 1258 como Karraria Antiqua que deverá ter também origem romana. Sendo também Caminho de Santiago, é possível percorrer este caminho seguindo as famosas «setas amarelas», apesar do trajecto escolhido nem sempre coincidir com os traçados romanos. Talvez partisse do Jardim da Cordoaria no Porto, outrora Porta do Olival, tal como a via Porto-Braga, mas ao contrário desta, dirigia-se para a Praça Carlos Alberto, antiga Praça dos Ferradores, e pela Rua de Cedofeita, antiga «Cacarreira» medieval e «Rua da Estrada» até 1781, continuando pela Rua do Barão de Forrester, contorna a capela do Sr. do Calvário no Largo da Ramada Alta, e continua pela Rua 9 de Julho, Rua do Carvalhido, Rua Monte dos Burgos, Rua Nova do Seixo, Padrão da Légua (nó rodoviário junto do cruzeiro do Senhor, onde confluía também a Via Veteris descrita abaixo), continua pela Rua de Recarei, Rua de Gondivai (villa), Rua de Araújo até ao cruzeiro da Capela do Araújo. A partir daqui existem duas alternativas para a travessia do rio Leça, uma continuando em frente em direcção à Ponte de Moreira e outra seguindo à direita para a Ponte de Barreiros:
    • Pela Ponte de Moreira: continua pela Rua de Custió, Rua da Ponte de Moreira, atravessa o rio Leça na Ponte Romano?-Medieval de Moreira (a ponte antiga ao lado da ponte moderna é uma reconstrução de uma ponte medieval atendendo às siglas de pedreiro ainda visíveis, mas alguns silhares que formam o seu tabuleiro parecem de talhe romano), entra na EN13 e desvia logo depois pelo cemitério pela Rua Mestre Clara que desemboca na EN542, hoje Rua Fernando Ulrich. Neste ponto, é perceptível a continuação do caminho para a Rua de Matamá, mas hoje é uma zona industrial que é preciso contornar pela EN13.
    • Pela Ponte de Barreiros: do cruzeiro do Araújo, desce à direita pela Travessa de D. Frei Manuel Almeida de Vasconcelos e Rua Sousa Prata, atravessando o rio Leça na Ponte Romano?-Medieval da Azenha/Ronfes/Barreiros, atravessa a EN13 e sobe pela Rua do Souto à Igreja paroquial da Maia, segue paralela ao cemitério e desce talvez pela Rua de Recamunde até desembocar na Rua Conselheiro Costa Aroso. A partir daqui está tudo muito alterado pela construção da IC24, mas poderia seguir pela Rua de Godim, Rua Carlos Moreira, Rua Central do Carvalhido, Rua do Cruzeiro até entroncar na Rua Mestre Clara, onde entronca na variante anterior.
    Retomando a karraria na Rua de Matamá, continua no CM1077 pela Rua da Venda (topónimo viário), Rua do Padinho, Rua do Monte em Mosteiró (villa em Lameira, junto à igreja), Rua da Botiga, Rua da Costinha, Rua da Arribela, Rua do Padrão em Vilar (inscrição na face sul da Igreja paroquial; villa), Carrapata de Cima e Nove Irmãos em Modivas (inscrição funerária). A partir daqui a via é coincidente com a EN306 ou Rua da Estrada Principal, seguindo por Rochio e Joudina em Gião, pelo sopé do Castro de Boi/Castro de St. Ovídeo em Vairão (milha; Castro Bove na documentação medieval), Vilarinho (milha; villa de Campos Pereira a 1 km, junto à igreja de Macieira da Maia), cruza a EN104 (milha) e segue até à Ponte Medieval de D. Zameiro onde atravessa o rio Ave sob o controlo do Castro/Atalaia de Santagões (Celtaganes) na outra margem, da ponte sobe pela antiga «Karraria» à Capela da Sra. da Ajuda, onde ruma a nascente para Vila Verde (necrópole da Villa Viridis), sobe a Vilar (possível mutatio na Qta. do Vilar), Bagunte (segue por S. Mamede, na base da importante Cividade de Bagunte, subtus mons Civitas Bogonti num documento do ano 1036, e próximo do habitat do Lugar de Casais e na base do povoado do Castro de Argifonso no Alto do Castelo, Argefonsi na documentação medieval), saindo na Boavista da EN306 pelo CM1048 ou Rua Camilo Castelo Branco e depois pelo caminho de terra nas traseiras do Mosteiro de S. Simão da Junqueira (a Villa Fernandi), passando em Bibres e Casal Maria, atravessa a A7 junto das Mamoas do Fulom, até reencontrar a EN306 no Canivete, a pouca distância da Ponte Medieval de S. Miguel de Arcos sobre o rio Este, ponte com provável origem romana (Ribulo Alister em documentos medievais). Da ponte continua por Arcos, EN526, Moldes, Borgonha, Rates, provável mansio já no concelho de Barcelos. A partir daqui o traçado não é seguro devido à incerteza quanto ao local de travessia do rio Cávado, podendo um ramo dirigir-se para a travessia do rio Cávado na Barca do Lago, confluindo nas minas da Lagoa Negra com a outra estrada que vinha do Porto pelo litoral (per loca maritima) descrita abaixo, e outro ramo seguiria na direcção a Barcelos fazendo a travessia do rio Cávado a montante dessa cidade em St. Eugénia do Covo, seguindo talvez pelo Alto da Mulher Morta (CM 1129-3), Courel (na Igreja; na base do Castro romanizado do Alto do Castro, EN504), Pedra Furada (EN306), Souselas, Ns. da Guia, Silgueiros e Varziela, na base do Castelo de Faria. Estes itinerários que partiam do rio Cávado para norte estão descritos no âmbito do Itinerário XX de Antonino.

  • Per Loca maritima (Porto - Caminha)
    É provável que existisse uma via secundária que seguia junto à costa para dar serventia às diversas explorações agrícolas e de salga espalhadas pelo litoral, mas a intensa urbanização da zona torna impossível seguir o seu percurso que foi levantado no terreno por Brochado de Almeida (Ver Almeida CAB, 1979, 1980, 1986, 1996; Almeida CAF, 1968, 1969); a via deveria partir de S. João da Foz, zona romanizada junto à foz do rio Douro, subindo talvez pela Rua da Cerca e depois pela Rua de Corte Real em direcção à Igreja de S. Miguel em Nevogilde, depois seguia pela Rua de Nevogilde, atravessava a Av. da Boavista e seguia pelo actual Parque da Cidade para a Vilarinha e Sendim, seguindo depois para a travessia do rio Leça na desaparecida Ponte de Guifões, ponte que ruiu em 1979 devido a uma cheia e situada junto do Castro de Guifões na base do Monte Castelo e antigo porto romano (ânforas) no estuário do rio Leça. Depois de atravessar o Leça, a via seguia para Perafita (passando talvez a leste da necrópole alti-medieval de Montedouro; hoje toda a zona está muito alterada pela construção do Porto de Leixões, da A28 e mais recentemente do centro comercial, mas é provável que a via seguisse pela Travessa da Fonte da Muda, provável referência a uma mutatio, Rua Gonçalves Zarco, Estrada do Monte de Godim, interrompida pela A28, continuando do outro lado pela Rua do Abade Mondego, Rua do Progresso, Rua de Silva Aroso, Rua Dr. José Domingues dos Santos, Rua da Cruz, Rua dos Castanheiros e Rua de Antela), Lavra (referência a uma «karia antiqua» num documento do ano 897, PMH DC 12; Lavrentium no Paroquial Suévico; Povoado fortificado romanizado no Monte Castro e em Angeses; Villa de Fontão de Antela atrás da Igreja, relacionada com a actividade piscatória como provam as 36 Cetárias da Praia de Angeiras mesmo defronte mas hoje cobertas de areia; algum espólio no Museu Paroquial Padre Ramos/Padre Silva Lopes), continua por Angeiras, atravessa o rio Onda e segue por Calvelhe (habitat romano) e Labruge (próximo do Castro marítimo de S. Paio), Vila Chã (villa ?; talvez pela Rua da Fonte), Mindelo (habitat em Moimenta), Árvore (pela Qta. da Faísca e Quintã; o trajecto medieval seguia pela Rua da Estrada Velha até Azurara (Villa Pinitellus), onde atravessava o rio Ave em barca, mas é mais provável que travessia na era romana se fizesse mais a montante, junto do Castro romanizado da Retorta, onde a travessia era menos perigosa e já a jusante da foz do rio Este, evitando assim a sua travessia (nova ponte em construção neste local). A partir de Vila do Conde o traçado da via é ainda mais inseguro, mas a abundância de vestígios romanos sugerem um continuação da via para norte ao longo desses vestígios como a Villa Fromarici em Formariz, as villae nas Igrejas de Touguinha (villa Tauquinia), Touguinhã e Caxinas (nos terrenos da actual Escola Secundária José Régio), e já na Póvoa de Varzim a Villa Argevadi em Argivai, seguindo pela «carraria maurisca...subtus montis terroso», assim referida num documento do ano 953 (in PMH DC 67), pela Villa de Paredes e Alto da Vinha em Beiriz (ara a Júpiter e ara votiva a Bande Ocole ou Cole ?, RAP 600), seguindo pela villa em Amorim, na base da Cividade de Terroso e do Castro do Monte de S. Félix em Laúndos, a Villa Euracini em Martim Vaz, o Castro de Navais (porto na Aguçadora), a Villa Mendo/Menendi em Estela (Apúlia), seguindo por Fonte Boa (provável mutatio no povoado do Outeiro dos Picoutos; villa? no Paço da Fonte Boa; Minas Auríferas Romanas da Lagoa Negra 500 m para leste em Barqueiros; calçada) em direcção à Barca do Lago, onde atravessava o rio Cávado. Continuava por Esposende (segue próximo da villa da Linhariça em Palmeira de Faro e da villa na Igreja paroquial de Marinhas, no sopé do importante Castro romanizado de S. Lourenço em Vila Chã; casal em Covelos e Quintela), continua pela Qta. do Belinho (villa; pela velha estrada real em Trelopaço, na base da Subidade de Belinho), S. Paio de Antas (seguia entre a provável mutatio do Alto da Ponte e a necrópole da Villa da Agra do Relógio), para ir atravessar o Rio Neiva na desaparecida Ponte Velha, junto do Castro romanizado de Moldes/Monte da Guilheta/Monte do Castelo, seguindo por Castelo do Neiva (a leste, por Pontelha, sopé da Sra. do Castro e Estrada Velha; ara dedicada provavelmente aos lares viales na Igreja paroquial), Vila Nova de Anha (Paço), Darque (contorna a Castro do Alto do Galeão/Faro de Anha, atalaia de controle da foz do Lima, e desce em linha recta pela Escola C+S, «Fiação Rosa» e «Alminhas» até ao Cais de S. Lourenço, onde se fazia a travessia do rio Lima, junto da Capela de S. Lourenço, provável mutatio), Viana do Castelo (Citânia de Sta. Luzia; ver a antiga «colecção JAE» de miliários que a Estradas de Portugal reuniu junto da EN203 em Darque), Carreço (Villa do Paço; Cetárias na Praia de Fornelos; segue por Paço), Afife (próximo da villa das Baganheiras, junto do CF, entre as casas de São Roque e do Campo, na base do Castro de St. António, Castro do Cútero e a Cividade de Âncora/Afife, no Monte Facho e da Suvidade), Sta. Maria de Âncora (salinas junto ao Forte do Cão no Pinhal da Gelfa) Ponte de Abadim em Aspra sobre o rio Âncora, (na forma actual é uma construção Filipina, mas existem vestígios de uma ponte anterior possivelmente romana no mesmo local), Vile (calçada em Lousa e S. Pedro de Varais), seguindo por Moledo e Cristelo até Caminha.

  • Via Veteris (Porto - Labruge/Modivas)
    Também é possível que tenha origem romana a chamada Via Veteris ou seja "Estrada Velha", via referida em documentos medievais (nas Inquirições Afonsinas de 1258) e que partindo do rio Douro na base da Arrábida seguia pelos limites do antigo Couto de Cedofeita por um traçado paralelo à Karraria Antiqua até se tocarem no Padrão da Légua, passando junto do Castro do Monte de S. Gens em Santiago de Custóias, hoje totalmente destruído ao servir de pedreira para a construção do Porto de Leixões! Daqui rumava à Ponte de D. Goimil para atravessar o Leça, seguindo depois em direcção a Labruge de encontro ao itinerário per loca maritima ou a Modivas de encontro à Karraria Antiqua (Ramos, 1994).

    A via partiria de Lordelo do Ouro (do Largo do Sr. da Boa Morte, cais do Douro na base do provável povoado castrejo em torno da Capela de Sta. Catarina, subia pela Calçada do Ouro, Rua do Aleixo e Rua das Condominhas, passando no provável vicus do Campo do Eirado com vestígios nas traseiras da Igreja paroquial), seguindo depois por Ramalde e Requesende rumo ao Padrão da Légua, mas é difícil sugerir um itinerário numa zona da cidade tão densamente urbanizada; do cruzeiro do Senhor Jesus do Padrão da Légua (nó rodoviário), a via seguia então para Santiago de Custóias pela Rua do Senhor, Rua da Fonte Velha, Largo do Souto e Rua da Cal, rumo à travessia do rio Leça na Ponte Romano?-Medieval de D. Goimil junto do Castro de Esposade/Alto da Vela, continua para Pedras Rubras (seguindo pela Rua das Carvalhas e Rua da Estrada até atravessar a linha de metro junto do Aeroporto e do povoado no mons petras rubias, continuando pela Rua da Botica), Vila Nova da Telha (pela Rua Prof. António Rocha, Rua da Aldeia, passando junto da necrópole das Bicas, seguindo depois para Lagielas, onde foi cortada pelo aeroporto pelo que hoje é preciso contornar o topo N do aeroporto reaparecendo o caminho em Pena, na Rua de Santa Ana, seguindo daqui pela Rua da Botica), Lançaparte (Rua da Venda Velha), «Passados o Adro dos Burros e o Outeiro de Aveleda, a estrada bifurca-se»
    • Para Labruge, seguia um ramal pelo lugar da Estrada, Ponte de Labruge sobre o rio Onda, junto das «Almas de Labruje» e das «Almas Grandes» até entroncar na via per loca maritima (habitat no lugar de Calvelius).
    • Para Modivas, seguindo para Vilar, onde entroncaria na Karraria Antiqua, seguindo por um traçado comum para a travessia do rio Ave junto da Ponte Medieval de D. Zameiro. A continuação deste itinerário está descrita acima como Karraria Antiqua.

  • Via Vimaranes (Porto - Guimarães)
    É muito provável que a importante via medieval entre Porto e Guimarães também tenha origem romana, se não mesmo pré-romana, ligando Cale a Guimarães, cidade por onde passava a via romana Braga-Mérida, formando assim um nó rodoviário e local propício para a localização de uma mansio da importante via romana que poderá estar na origem da futura cidade medieval de Vimaranes. No seu percurso até à Ponte Romana sobre o Vizela em S. Martinho do Campo, a via servia importantes castros romanizados, em particular o Castro do Monte Padrão/Monte Córdova e a Citânia de Sanfins, atendendo à referência no ano de 1048 a uma via antiga na base no Monte Córdova, subtus mons cordouo...carera antiqua (in PMH DC 366) e no ano de 1097, na «Charta do Couto do Mosteiro de Santo Tirso» referindo a mesma via seguindo entre os rios Leça e Sanguinhedo, «per ipsam carrariam, sicut dividit aquam inter Lezam et Sanguinietum» (in PMH DC 864), embora não seja claro se estas referências falam da caminho para o Monte Córdova ou para a Ponte da Lagoncinha em Santo Tirso (ou uma anterior), citada na mesma «Charta do Couto do Mosteiro de Santo Tirso» (in PMH DC 864), conectando assim à via proveniente de Bracara e que seguia para Cale, o Itinerário XVI de Antonino.
    Apesar destas dúvidas existem alguns vestígios romanos para além dos grandes povoados do Monte Padrão e da Citânia de Sanfins eventualmente relacionados com esta via:
    • Um silhar almofadado e com marca de fórfex na Ponte de S. Lázaro em Alfena.
    • A silharia de aparelho romano utilizada na reconstrução da Ponte de Negrelos em S. Martinho do Campo.
    • A referência à «carraria antiqua» em S. Tomé de Negrelos num documento do ano 1096, poderá corresponder a esta via (in PMH DC 833).
    • Na Qta. de S. Simão em Burgães, apareceu uma inscrição à divindade indígena Cusus Nemedeco/Nemeoecus (CIL II 2375 = CIL II 5552), hoje no MSMS; outra dedicada à mesma divindade apareceu na Igreja de S. Bartolomeu de Ervosa, RAP 51, hoje no Museu Abade Pedrosa em Santo Tirso.
    • A presença militar é assinalada pela inscrição dedicada à divindade Turiaco por um soldado da Legião VI Vencedora que apareceu encastrada na parede norte do claustro do Mosteiro de S. Bento em Santo Tirso e hoje no MSMS (CIL II 2374 = CIL II 5551).
    • O Penedo das Ninfas, inscrição rupestre localizada junto da Citânia de Sanfins, num local conhecido por Bouça de Fervenças/Chãs do Reitor, no cruzamento da Rua Penedo das Ninfas com a Rua da Citânia, assinalando porventura a construção de um santuário à divindade indígena Cosu Nemedeco pelos Fidueneae, povo que deveria habitar a Citânia de Sanfins (Silva A.C.F., 1980). O espólio deste povoado está no Museu Arqueológico da Citânia de Sanfins e na antiga casa paroquial apareceu uma ara a Júpiter (RAP 325).
    • Roriz: a Igreja Românica de Roriz incorpora algumas inscrições romanas; perto da Capela de Sta. Maria de Negrelos apareceu uma ara a Júpiter, CIL II 5568, e uma lápide funerária aos deuses Manes; no lugar das Bocas existem duas inscrições rupestres em penedos que parecem romanas apesar de ilegíveis.

    CALE (saindo pela demolida Porta de S. Sebastião, seguia pela Rua do Bonjardim, Pr. Marquês de Pombal, Rua do Lindo Vale, antiga Estrada velha, hoje cortada, mas que deveria confluir na Rua Costa Cabral), continuando por Pedrouços (Rua D. Afonso Henriques/EN105), Águas Santas (EN105; Castro romanizado no Castelo da Maia/Alto da Maia) e Ermesinde (aqui sai da EN105 pela Rua Júlio Dinis, Rua Portocarreiro, rua da Fonte e Rua de S. Vicente) em direcção à travessia do rio Leça na Ponte Romano-Medieval de S. Lázaro em Alfena (provável mutatio; pontão romano? em Reguengo), seguindo depois aproximadamente a EN105 por Portela Alta, Torrão, Água Longa e Lameiras, seguindo depois entre o rio Leça e a ribeira de Sanguinhedo seguindo por S. Tiago de Carreiras (hoje Rua de S. Tiago) em direcção a Monte Córdova pela Rua de Ns. de Valinhas que passa na base do Castro romanizado do Monte Padrão e vicus viário; pouco depois sai à direita pela Rua da Fontinha e toma o caminho de terra à direita que acompanha o rio Leça até Quinchães, onde atravessa um afluente do Leça por um pontão em pedra e segue à esquerda pela Rua dos Lameirões, atravessa a Rua S. Salvador e continua pela Rua da Via Romana, caminho em terra que sobe para Santa Luzia até entroncar na EN319 um pouco abaixo da actual Rua da Via Romana, e continua pela Rua do Cruzeiro, Rua da Fundação/CM1116 até à Escolha Velha de Redundo (a cerca de 1 km, cruzando o Leça, no lugar de Casais/Lajedo, Jorge Pinho achou um provável miliário integrado num muro de divisão de propriedade; poderia corresponder à milha 41 desde Cale; ver Pinho 2010). A partir daqui, a via seguia para a Citânia de Sanfins (indo pela Rua Central de Redundo, Rua da Presa da Ribeira e pelo caminho de terra que liga à Devesa do Abade, onde cruza a estrada asfaltada e segue a direito pelo caminho que ascende à citânia, passando junto da inscrição rupestre conhecida por Penedo das Ninfas), mas é mais provável que a via não passasse mesmo junto ao castro, mas antes contornando o monte da citânia pela vertente ocidental, descendo depois a Roriz (talvez pela pedreiras e depois pelas actuais Rua de Cartomil, Rua de Sandim, Rua do Ribeiro dos Asnos, Rua da Trindade, Av. 25 de Abril e Rua Manuel Sousa Oliveira) até à Ponte Romana de Negrelos em S. Martinho de Campo, onde atravessa o rio Vizela.


Mapa







Porto (CALE) - Valongo - Penafiel - Marco de Canaveses - Freixo (TONGOBRIGA)

Via secundária Cale - Tongobriga, em Marco de Canaveses, servindo a importante exploração mineira na região que se estendia pelos concelhos de Valongo, Gondomar e Paredes. Esta rota segue no essencial a EN15 e a A4 numa região densamente povoada pelo que restam poucos vestígios. Salientam-se as travessias dos dois grandes rios da região, o Ferreira e o Sousa, em pontes medievais com possível origem romana e o troço de calçada junto da Ponte de Cepeda em Paredes.

Porto (CALE) (sai da Sé pela demolida Porta de Vandoma, Calçada de Vandoma e Rua Chã, antiga Rua Chão das Eiras, sobe pela Rua Cimo de Vila à Praça da Batalha, antiga Porta da muralha)
St. Ildefonso, Porto (Rua de St. Ildefonso, antiga Rua Direita, passa no Largo do Padrão, Campo 24 de Agosto, antigo Campo das Mijavelhas)
Bonfim, Porto (Rua do Bonfim, antigo Chão das Oliveiras e Rua de Godim)
Campanhã, Porto (segue por S. Roque da Lameira; topónimo villa Minhao, hoje resta a Rua da Vila Meã)
Travessia do rio Tinto talvez na Travessa da Ponte (Castro romanizado no Mte. Castro em Gondomar)
Rio Tinto, Gondomar (acompanha a EN15 por S. Caetano, Cavada Nova, Capela/Rua de S. Sebastião, Venda Nova e Ferrarias, sai da EN15 pela Rua da Carreira, atravessava o rio Torto e segue pelo Monte Alto)
Valongo (povoado mineiro na Quinta da Ivanta com estruturas para lavagem e decantação do ouro proveniente da exploração aurífera da Serra de Sta. Justa, como o Fojo das Pombas, e de onde será a ara funerária a Manes, hoje no MNSR no Porto)
S. Martinho do Campo (ver abaixo possíveis diverticula de acesso às minas)
Ponte Romano?-Medieval sobre o rio Ferreira
Gandra (continua por Vilarinho de Baixo, Granja e Carreiro)
Astromil
Vandoma (necrópole na base do Castro romanizado do Muro; Bendoma na documentação medieval, possível capital dos Callaeci; Silva, 1994)

Baltar (segue algures próximo das necrópoles de Tanque, Calvário e Cruz)
Paredes (passa no Jardim Público, Rua da Estrebuela e Rua de Cepeda)
Ponte Romano?-Medieval de Cepeda sobre o rio Sousa, Castelões de Cepeda (1 arco; no CM1325; segue pela calçada e sobe à Costeira; Ainda resta a casa onde funcionou a estalagem medieval, o Hospital do Espírito Santo)
Qta. da Aveleda, Penafiel (segue pelo interior da quinta até entroncar na EN596-1 e segue até)
Santiago de Subarrifana
Penafiel (antiga Arrifana do Sousa)

Croca (Vicus e provável mansio junto de importante nó rodoviário)
Outros diverticula da via Cale - Tongobriga
Existia uma rede viária de apoio à intensa exploração mineira das Serras de Sta. Justa e de Pias, visível nos grandes incêndios de 2005.
  • Uma via seguia a vertente nascente da Serra de Sta. Justa, passando junto do Castro do Couce, junto do qual faria a travessia do rio Ferreira na Ponte de Couce, seguindo depois para o Castelo de Aguiar de Sousa, onde atravessava o rio Sousa, seguindo depois para a travessia do rio Douro em Crestuma junto do Castro romanizado de Broalhos (Gondomar), servindo as minas romanas do Covelo e de Medas, podendo descer ao Douro também por Melres (ara na igreja; calçada na ribeira de Mirões).
  • Derivando para sul após a travessia do rio Ferreira em S. Martinho de Campo, seguindo pelo lugares da Corredoura (necrópole; Rua da Corredoura) e da Milharia (referência a um miliário?), seguindo pela vertente nordeste da Serra de Pias (Castro romanizado de Pias) em direcção a Aguiar de Sousa (Reis, 1904; Pinto, 1994), onde atravessa o rio Sousa para Alvre (necrópole da Valdeira), continuando para Santa Comba (duas aras votivas na capela) rumo ao povoado mineiro de Outeiro da Mó relacionado com as Minas das Banjas, percorrendo depois a Serra de Banjas até Rio Mau, onde fazia a travessia do rio Douro na Barca de Pedorido.
  • Ligação do Castro de Vandoma ao Castro do Monte Mozinho: poderia existir uma ligação entre estes importantes castros romanos passando em Baltar e próximo do Mosteiro de Cête, atravessando o rio Sousa na Ponte do Vau ao km 2 da EN319-3 (povoado e necrópole na Igreja de Parada de Todeia e provável acesso daqui às Minas de Covas de Castromil), seguindo depois próximo do Mosteiro de Paço de Sousa e Ermida (inscrição aos Lares Pátrios) rumo ao Monte Mozinho. Poderia existir também um ramal para a Barca de Pedorido no rio Douro, desviando da anterior na Ponte do Vau e passando por Fonte Arcada (povoado de S. Domingos), Lagares (inscrição na igreja a Laribus Anaecis), Capela, Cabroelo, descendo pela vertente oeste da Serra da Boneca até Rio Mau.


Mapa



Porto (CALE) - Cabeço do Vouga/Marnel (TALABRIGA) pela costa

Traçado hipotético de uma via secundária que partindo de Cale seguiria pelo litoral, acompanhando a antiga linha de costa para servir os castros e as comunidades piscatórias espalhadas ao longo da frente marítima até entroncar na via Braga-Lisboa na travessia do rio Vouga junto do Cabeço do Vouga em Marnel, o oppidum e mansio de Talabriga. Apesar dos poucos vestígios no terreno é muito provável que a estrada que teria origem num caminho pré-romano, seguisse próximo do Castro da Madalena e da necrópole do Sameiro (Valadares), continuando junto da necrópole do vicus do Alto da Vela em Gulpilhares, continuando depois para Brito em S. Félix da Marinha. A passagem da via neste sítio é reforçada pela referência à «estrada mourisca» na doação que Trutesindo Mendes fez das suas terras em Brantães e S. Félix da Marinha, ao Mosteiro de Grijó, indicando que estas ficavam acima e abaixo da estrada mourisca junto do ribeiro de Serzedo; («subter illam Stratam Mauriscam, discurrente riuulo Cerzedo», in Viterbo, 1799, Vol 1, p. 298), embora não seja possível provar que esta estrada já existisse na era romana. A estrada seguia depois para Anta, passava a nascente de Espinho e seguia para Paramos, próximo do Castro de Ovil, em direcção a Ovar e Estarreja até ao rio Vouga. Poderiam existir também ligações transversais para ligar à Via XVI Braga-Lisboa como a Vila da Feira-São João da Madeira ou mais à frente Ovar-Cucujães-Úl.

Cais de Gaia, Vila Nova de Gaia (CALE ?; do cais de Gaia ascendia ao Candal e Coimbrões ou derivava da Porto-Lisboa no lugar do Marco na Barrosa)
Coimbrões, Sta. Marinha (povoado no Monte de Sta. Bárbara/Igreja, designado por colimbrianos no ano 922; seguia talvez pela Rua Sr. de Matosinhos, cortada pela AE1 e pela Rua Velha dos Lagos)
Madalena (Largo das Oliveiras, onde está um marco divisório entre freguesias; o Castro do Cerro/Coteiro do Castro/da Madalena/de Valadares fica adiante, mas é mais provável que a via seguisse pela pela linha férrea)
Valadares (a via deveria passar junto da desaparecida Necrópole do Monte Sameiro junto da Cerâmica de Valadares; na Praia de Valadares, junto da foz da ribeira de Valverde/do Paço, apareceu um fragmento de um possível miliário de Tartomil pois tem a forma de tambor e apresenta a inscrição I.ANTONINI./ ADRIANI.ABNP que sugere uma dedicatória a Caracala corrigindo o 'P' final por 'E' para ABNE, ou seja o trineto de Adriano, hoje em exposição no Solar dos Condes de Resende em Canelas; estaria já deslocado e não se sabe o seu local de origem; Seria um miliário da VIA XVI Braga-Lisboa?; Sem certezas, este itinerário segue uma rota mais interior, atravessando a EN109 em Valadares e seguindo junto da Casa do Paço/Rua do Paço)
Chamorra, Vilar do Paraíso (sobe pela Rua do Rio do Paço, Rua da Chamorra, Rua Salvador Brandão/EN15)
Gulpilhares (sai da EN15 pela Rua do Pereirinho, junto ao cemitério, Rua Nuno Álvares, atravessando a ribeira de Canelas, Rua João Ovarense até à destruída necrópole do Alto da Vela onde apareceu a coluna de mármore rosa que hoje serve de base ao Cristo do Padrão em Pedroso; segue em frente por caminho de terra até chegar à Rua de Enxomil e Rua do Vale)
Arcozelo (continua ladeando a igreja e cemitério de Arcozelo até Sá, segue pela Rua das Lavouras, Rua da Pedra Alva, volta à EN15 e logo à direita no acesso à A29 onde segue à esquerda pela Rua da Carreira Velha)
Brito, S. Félix da Marinha (continua pela Rua da Carreira Velha depois de atravessar a passagem para peões da A29, passa na Rua dos Ligustres, Rua da Calçada Romana até ao tanque junto à ribeira da Granja; daqui segue em frente, por caminho de terra hoje obstruído por mato, entra na Rua Velha da Calçada Romana até entroncar na chamada «Estrada de Brito», cruza a EN109, podendo continuar em frente pela Rua Oliva Teles até à travessia da ribeira do Juncal, mas hoje não tem saída; na outra margem poderia seguir pela Rua da Paz, Rua S. Vicente Ferrer e Rua de S. Tomé)
Lugar de Espinho, S. Félix da Marinha (Villa Spino em documentação medieval seria na Capela de S. Tomé)
Ponte de Anta (travessia da ribeira do Mocho; necrópole; Sousa, 1960)
Anta, Espinho (talvez pela Rua do Progresso, Rua da Igreja, Rua do Passal, Rua do Porto)
Silvalde (há tradição de uma ponte romana sobre a ribeira de Silvalde mas onde estaria?)
Paramos (atravessaria a ribeira do Rio Maior nas proximidades do interessante Castro de Ovil apesar deste não apresentar sinais de romanização)
Esmoriz (necrópole do Chão do Grilo; continua pela Corredoura/Rua da Glória, Estrada Real e Rua do Agueiro)
Cortegaça (topónimo Rua da Ponte Romana junto da travessia da ribeira de Cortegaça em Mourão, linha divisória entre concelhos)
Maceda (?)
Arada (?)
  • É provável que a via rumasse ao Castelo da Vila da Feira (Civitas Santa Maria em documentos do século XI) e daí rumar para SE para ir de encontro à Via Braga-Lisboa que passava a nascente, podendo seguir por dois percursos alternativos, um passando em Fornos (pela Ponte das Carregueiras) e Mosteirô (Calçada da Sra. da Caridade e na Rua Américo Ferreira no lugar do Monte, 300 m) em direcção a S. João da Madeira ou à Ponte da Pica, e outro seguindo a antiga «estrada mourisca» por S. Miguel do Souto, passando em S. Gião/Brejo, Ferral (alminhas do Pilar) e Azevedo, atendendo ao documento do ano 1141 onde se lê: in villa dicta azevedo subtus illam stratam mouriscam. Esta estrada poderia continuar próximo do Castro romanizado de Recarei (Castro Rekaredi em documentos do século X), entre Vila Cova e S. Martinho da Gândara, seguindo por Madail (Castro) e Adães (miliário) até ao Castro de Úl, onde entronca na Via Braga-Lisboa .
  • Várias epigrafes na Vila da Feira: no castelo apareceu uma ara a Bande Velugo Toiraeco, RAP 19, ara dedicada ao Deo Tueraeo por um Brácaro, RAP 20, e duas aras a Júpiter, RAP 314 e 315.
  • Também é provável que a via continuasse ao longo da antiga linha de costa que bordejava na época os lugares de Válega, Avanca, Estarreja (travessia do rio Antuã, talvez em Barreiro de Além; Bastos, 2009), seguindo depois junto do Povoado de Cristelo (Araunca?) até Branca, onde entroncava na Via XVI Braga-Lisboa seguindo por esta até à travessia do rio Vouga junto do oppidum de Talabriga no Cabeço do Vouga/Marnel.


Mapa

















Porto (CALE) - S. Pedro do Sul - Viseu (VISSAIUM)
Via secundária que partindo de Cale ou Langobriga ia atravessar a Serra de Arouca em direcção a Viseu, provável capital dos Interannienses e importante caput viarum que na época romana se chamaria Vissaium com base numa ara votiva à divindade local Vissaieigo (Fernandes et alii, 2009). Apenas se conhecem dois miliários atribuíveis a esta via, mas ambos encontrados já à entrada de Viseu, em Moselos, mas ainda restam muitas evidências deste antigo caminho que passava próximo do Castro de Romariz, atestada pela referência medieval à «Via Mourisca» («et inde per via maurisca», in PMH DC 614), seguindo para a Serra de Arouca, optando assim pelo percurso em altitude por ser o caminho mais curto entre Porto e Viseu, mas principalmente porque evita as difíceis travessias de linhas de água na zona dos vales e minimiza as variações de cota da estrada, o "sobe-e-desce" entre vales e colinas, diminuindo assim o esforço dos viandantes e suas montadas. Atravessada a serra, descia a Manhouce, onde existia uma albergaria medieval e talvez uma mutatio, rumando depois a Viseu por S. Pedro do Sul. A recente destruição do troço de calçada junto ao cemitério de Albergaria das Cabras, apesar de este troço estar numa zona protegida (!), alerta para a necessidade urgente de proteger os vestígios que restam deste antigo caminho.

Porto (CALE) O percurso inicial entre Cale e a Serra de Arouca é ainda muito incerto porque não se sabe exactamente em que ponto seria a derivação da via principal entre Braga e Lisboa e onde se faria a travessia do Rio Uíma, mas é provável que o itinerário para Viseu derivasse da VIA XVI quer junto do Castro do Monte Murado (Carvalhos) quer mais adiante, no Castro do Monte Redondo (Fiães) perto do qual se situava a Mansio de Langobriga indicada no Itinerário de Antonino.
  • Derivando no Monte Redondo/Langobriga e segundo aproximadamente a actual EN326 para Arouca.
  • Derivando no Monte Murado, a via deveria seguir aproximadamente o trajecto da EN521 por Sanguedo até entroncar no caminho anterior na EN326; Assim este percurso começa na Rua da Voltinha em Venda Nova (Carvalhos), seguindo por Amial, Camalhões, Pereira e Roçadas, onde atravessa a ribeira dos Carvalhos na Ponte das Roçadas (pequeno troço de calçada antes da ponte), seguindo por caminho indeterminado para Sá (Sandim, próximo do Castro romanizado de S. Miguel-o-Anjo) em direcção à Ponte do Carro, onde atravessa o Rio Uíma, e segue algures por Vila Maior em direcção a Louredo (talvez contornando a Serra da Gaeta pela vertente leste por Redonda e S. Martinho).
  • Também deveria existir um caminho proveniente do porto fluvial romano de Favaios no Rio Douro, associado ao vicus do Castelo de Crestuma (castrumie na documentação medieval, o «castro do rio Uíma»; inscrição) que vinha entroncar na via Porto-Viseu, talvez na Ponte do Carro.
Continuação do Itinerário para Viseu
Louredo (sai pela EN326 e logo a seguir sai à direita, sobe a Vila Seca; em Lagoas reencontra a EN326 ou Rua Central)
Cedofeita, Romariz (torna a sair da EN326 antes da Póvoa e desce pela Rua Romana até à)
Ponte sobre o rio Inha, Sta. Ovaia (sobe pela Rua da Ponte até reencontrar a EN326 que passa a seguir)
Cabeçais, Fermedo (o castro romanizado da Portela em Romariz fica a cerca de 3 km para poente; lápide sepulcral na Igreja de Fermedo refere a povoação de Aviobriga, mas onde seria?; Ara de Flavus Flavini na demolida igreja de Duas Igrejas no Choupelo)
Escariz (passaria próximo do castelo roqueiro do Alto do Coruto; hoje segue a EN326 e depois à direita pela EM519 para a Serra da Abelheira)
Abelheira (continua pela EM519s)
Gestosa (segue à direita por Alvite de Cima até reencontrar a EM519; atravessa a EN327 para Arouca em Alagoas e segue na direcção de Nabais, mas antes sai da estrada e segue por um estradão até Venda da Serra; num documento do ano 1085 há referências a esta uilla genestosa que iacet inter manzores et fajiones et portela, ou seja entre os actuais lugares de Mansores, Fajões e a Portela de Romariz; in PMH DC 639)
Coval, Chave (segue até entroncar na EN224-1, junto ao Castro de Cambra, onde segue à esquerda sob a estrada de asfalto)
Farrapa, Chave (passa nos lugares de Barracão e Borralhal)
Chão de Ave (entronca na EN224 e segue em frente)
  • Ligação a Arouca e Douro: atendendo ao mesmo documento referido acima que menciona uma «carraria antiqua inter Jugarios et Novales», ou seja uma via entre a villa de Jugueiros e o lugar de Novais (in PMH DC 639) é muito provável que existisse um diverticulum da via Porto-Viseu em direcção a Sta. Eulália de Arouca, passando junto do Castro romanizado do Mte. Valinhas, e de Minhãos (villa minianos) e Moção (per via antiqua usque ad bocca de carreira antiqua per ubi dividet cum uilla de muçun et inte per via antiqua), devendo daqui rumar ao Douro pelos Altos da Lousa e Alta e Cerro do Cão para Vila Cova (necrópole em Alvariça), atravessando o rio Paiva em Espiunca e seguindo depois por Fornelos, onde entronca na via para Viseu proveniente do Douro, seguindo em direcção à travessia do rio Douro junto a Tameobriga, provável nome do Vicus da Várzea do Douro.
Quintela (daqui sobe à Serra da Freita pelo linha divisória entre os concelhos de Arouca e Vale de Cambra)
Merujal (passa na aldeia e segue o caminho para Albergaria)
Albergaria da Serra (ou das Cabras), Arouca (mansio?) (a seguir ao cemitério existia um lanço de calçada que entretanto foi destruída!)
Portela da Anta (junto à anta)
Gestoso (calçada termina à entrada da povoação e continua sob a estrada de asfalto, desviando pouco depois por caminho florestal)
Qta. das Uchas/Qta. da Barreira (calçada, provável mansio no fim da descida da serra)
Ponte Romano?-Medieval de Poço da Barreira sobre a ribeira da Vessa (1 arco) (calçada preservada à saída da ponte)
Barreira, Manhouce (no planalto das Chãs passa a calçada que liga Campo das Eirós às Minas das Chãs que poderá ter origem romana)
Ponte Romano?-Medieval de Manhouce sobre a ribeira de Manhouce (1 arco), a montante da ponte nova
Manhouce (referência a um miliário; desce pela estrada asfaltada até Sequeira, onde segue à esquerda por troços de calçada em Gandras e Castanheiros, na direcção de Valongo e Bostarenga, onde também ainda há calçada e uma estação viária em Fonte dos Ovos, contornando a Serra da Grávia por nascente)
S. Cristóvão de Lafões (desce por Giesteira e Chousas até Gralheiras onde entronca na EN227 que vem de Sever do Vouga; é possível que um ramal seguisse para S. João da Serra e daqui a Sever do Vouga, atendendo aos vestígios de calçada em S. Joane, Vau e à Calçada de Conlelas junto da escola primária talvez relacionadas com as Minas Romanas de Chumbo da Malhada)
Travessia da ribeira da Landeira (será a Ponte do Ovos in MPAM, Castro, 1762?)
Santa Cruz da Trapa (topónimo Estrada Romana ao km 59 da EN227; segue pela Capela de S. Mamede, Capela de S. Sebastião da Trapa e Ribeira de Lourosa)
Travessia da ribeira de Varosa (Rua do Caminho Romano à saída da ponte; a norte, em Carvalhais, fica o Castro romanizado da Cárcoda e a necrópole do Alto da Costa, a nascente de Germinade)
Penso, Bordonhos (a calçada parte no sitio da Arroçada e segue por Figueirosa e pelo sopé do Castro da Sra. da Guia até Massarocas; esta calçada foi destruída em parte pela colocação de saneamento e alcatrão!)
S. Pedro do Sul (a via entra na cidade pelo Bairro Belo Horizonte e segue pela Rua Direita até ao Bairro da Ponte, onde atravessa o rio sul; ara a Mercúrio)
Travessia do rio Vouga em Ponte Nova (ao lado estão as ruínas da velha ponta)
Arcozelo (calçada junto à capela)
Lufinha
Qta. da Comenda (Ponte Romana? sobre o rio Troço ligaria à via Marnel-Viseu em Figueiredo das Donas?)
Gumiei (segue a actual EN 16-4)
Bodiosa-a-Velha (calçada com 300 m; parte da rua principal e segue pelo sítio do Cruzeiro)
Moselos, Campo (calçada e dois miliários, um a Adriano indica a milha IV e outro a Cláudio, indica a milha V, pertencem à Colecção da Assembleia Distrital de Viseu na Casa do Adro ao Largo da Sé)
Pascoal, Abraveses (calçada vem de Moselos pela Rua Romana, recentemente asfaltada(!), passa lajeada Rua Vale do Valego e seguia pelo jardim de uma moradia anexa à Rua Soito do Cêpo)
Abraveses (calçada passa pelo Bairro da Barrosa, segue junto à escola C+S, segue pela Estrada Velha de Abraveses, passa junto da enigmática Cava de Viriato)
Travessia do rio Pavia junto à Ponte das Barcas (segue pela Rua da Ponte de Pau e Calçada de Viriato e entra na cidade pela necrópole e antiga porta da cidade, hoje Porta de Cavaleiros e seguia o Cardus Maximus, hoje Rua Direita até à Sé)
Viseu (VISSAIUM) (4 miliários no Museu Histórico e Arqueológico de Viseu, os 2 miliários de Mozelos, o miliário da Rua do Arco e o miliário de Espinho; os miliários recolhidos pelo Dr. José Coelho e outros nas imediações de Viseu, a chamada Colecção da Assembleia Distrital de Viseu, estão abandonados (!) no jardim das traseiras da Casa do Adro, ao Largo da Sé, hoje sede do IGESPAR)


Mapa

Chaves (AQUAE FLAVIAE) - Torre de Moncorvo (Civitas BANIENSIS) - Rio Douro (Durius)
Hipotética via romana que partindo de Aquae Flaviae seguia na direcção da civitas Baniensis que poderá corresponder ao Povoado do Baldoeiro junto à foz da ribeira da Vilariça no rio Sabor pois nesse antigo castro apareceu uma ara dedicada a Júpiter onde se lê «CIVITATI BANIENSIV» nas ruínas da Capela de S. Mamede que terá origem num Templo Romano. O percurso apresentado é meramente hipotético desviando da Via XVII entre Chaves e Astorga em Valpaços, seguindo na direcção do Vale da Vilariça. O percurso depende do ponto onde se fazia a travessia do rio Tua que ao contrário de hoje não seria em Mirandela, mas mais a sul, talvez na Ribeirinha ou mesmo em Abreiro junto do Castelo ou Poço dos Mouros. O Vale da Vilariça está coberto de vestígios romanos que se estendem até à Foz do Sabor no rio Douro. Muito deste património vai desaparecer em breve com a construção da barragem do rio Sabor e provavelmente nunca se irá perceber a total dimensão arqueológica desta região tão especial.

Chaves (AQUAE FLAVIAE) (segue a Via XVII até Valpaços)
Valpaços
Rio Torto (provável mutatio no Alto de S. Pedrinho)
Travessia do rio Torto (por Póvoa e Pai Torto)
Suçães?, Mirandela (casal em Sainça)
Marmelos

A via deveria seguir para Vila Flor, mas o percurso está por desvendar, existindo vários pontos possíveis para a travessia do rio Tua.
  • Entre Longra (Cabeço do Moinho) e Ribeirinha, subindo depois a Vila Flor pelo sítio romano de Olival de Rei, Qta. da Peça e Vilas Boas (Castro romanizado em Ns. da Assunção).
  • Entre Vila Verde e Vilarinho das Azenhas.
  • Em Abreiro? (ponte em ruínas com possível origem romana; passando em Lamas de Orelhão e Avidagos)

Vila Flor (ver a magnífica Fonte Romana; habitat na Qta. dos Castelares)
Nabo (talvez pelos vestígios da Tapada de Santa Cruz, Godeiros, Mte. Couquinho e Pala do Conde, ao longo da ribeira de Cavalos)
Horta da Vilariça (estela funerária de Tongeta no Museu do Ferro em Moncorvo, ver FE75)
Travessia da ribeira da Vilariça (talvez junto à Qta. de Carrascal; mais a sul, próximo, junto da ribeira dos Cavalos, fica a importante Villa ou Vicus da Qta. de Vila Maior, em Cabanas de Baixo, onde pareceu uma ara dedicada a Júpiter pelos Vicani ILEX[---])

Povoado do Baldoeiro (civitas BANIENSIS?), Adeganha, Torre de Moncorvo
(capital do povo Baniense perto da confluência da ribeira da Vilariça com o rio Sabor; a localização do oppidum continua incerta, podendo corresponder aos vestígios encontrados mais a norte no sítio do Chão da Capela; habitat na Qta. da Terrincha e povoado no Cabeço de Alfarela; duas estelas na Capela da Ns. do Roncal)


Mapa







Astorga (ARTURICA) - Torre de Moncorvo (Civitas BANIENSIS) - Torre de Almofala (Civitas COBELCORUM)
Percurso de uma antiga estrada citada num documento afonsino de 1172 como "Carril Mourisco", mas que terá origem romana atendendo a alguns vestígios ao longo do seu percurso, apesar da ausência de miliários. A via atravessa o planalto mirandês entre os rios Sabor e Douro em direcção a Torre de Moncorvo e às travessias do rio Douro no Pocinho (acedendo por Vila Nova de Foz Côa às civitates de Marialva e de Freixo de Numão) e em Barca Dalva (acedendo à Civitas Cobelcorum em Figueira de Castelo Rodrigo). É provável que esta via fosse uma derivação da via que passa em San Vitero onde se achou um miliário a Trajano. Esta via permitia ligar o planalto mirandês e as suas importantes explorações mineiras às vias principais da Hispânia, quer rumando a norte até ao nó rodoviário do conventus de Astorga (seguindo em parte pela VIA XVII) quer rumando para leste em direcção a Palência (Pallantia) cruzando em Medina de Rioseco, com a "Via de la Plata", o grande eixo viário entre Astorga e Sevilha. Esta via que está marcada na carta militar 67, servia os povoados romanos do planalto mirandês, como o de Aldeia Nova, Malhadas, Duas Igrejas, Palaçoulo e Picote.

Astorga (ARTURICA) (seguiria a Via XVII até Figueruela de Arriba, continuando para sul)
San Vitero (miliário a Trajano)
Alcañices
Cedea, Fonfria, Zamora
Cicouro, Miranda do Douro (calçada entra em Portugal pela Cruz de Canda/Cândena, fronteira luso-espanhola, e segue por Eiras da Cruz e Malhadona)
Constantim (calçada segue a poente por Cabeço dos Brunhos, cruza Fontes e segue pouco depois à esquerda por Pito junto ao Alto da Carneira)
Póvoa (a via passa entre Especiosa e Póvoa por Veneita, segue à esquerda para Penhas do Gordo, passa junto da Capela de Sra. do Picão e desce a Chãos)
Malhadas (a via passa entre Genízio e Malhadas por Chãos, seguindo sempre à esquerda pelo Alto das Lombardas, atravessa a EN218 na Cruz das Lombardas, passa na Lagoas Grande e Pequena, Alto da Zebra, continua até à Cruz de Martins Fernandes onde toma o caminho a poente do Alto do Serro; o vicus romano seria no sítio de Trás da Torre dentro de Malhadas; ver lápides romanas na Igreja de Ns. da Expectação)
Duas Igrejas (aras funerárias; necrópole na Sra. do Monte; do Serro continua para Chanas, onde segue à esquerda para Cula, junto da Qta. da Fontelatassa, Rodelas, Cabeço da Matança, Fonte dos Campos até Reboleira; este troço é também a fronteira concelhia com Vimioso)
Fonte de Aldeia (a via continua pelo Alto de Sta. Catarina até ao apeadeiro e passa a acompanhar a linha férrea; poderia cruzar com uma outra via no sentido O-E proveniente de Algoso rumo ao povoado de Picote, situado na encosta do castro e necrópole do Santo Cristo dos Carrascos em Castelar, seguindo para Fermoselle depois de atravessar o Douro; Lemos, 1995)
Prado Gatão (continua junto à linha férrea passando em Prado; povoados em Trampas Carreiras e Toural em Palaçoulo)
Sendim Gare, Sendim (passa no estação e no Alto da Alubreira, confluindo na EN221)
Urrós Gare, Urrós (1 km após a estação CF, sai da EN221 à direita e segue para a linha férrea; na Igreja paroquial de Saldanha existe uma ara dedicada a Júpiter por um veterano da VII Legião Gémina)
Brunhosinho (a via alinha-se outra vez com a linha férrea, passando em Penas de Areia/Monte de S. Miguel onde ruma para SO, entre as ribeiras do Campeal e de Vale Cabreiro até entroncar novamente na EN221; possível acesso ao povoado do Castelo de Oleiros em Bemposta sobranceiro ao rio Douro, onde há calçada)

Bifurcação em Brunhosinho: a partir daqui os vestígios sugerem uma divisão da via em dois ramos, seguindo um em direcção à Civitas BANIENSIS, talvez no povoado do Baldoeiro em Torre de Moncorvo e outro em direcção às travessias do rio Douro no Pocinho e em Barca de Alva, ligando respectivamente a Marialva (Civitas Aravorum) e a Torre de Almofala (Civitas Cobelcorum).

Itinerário para o Povoado do Baldoeiro (Civitas BANIENSIS?) em Torre de Moncorvo
Variz, Mogadouro (segue aprox. a EN221 pela vertente sul da Serra de Variz; Villa da Fonte do Sapo em Penas Roias)
Santiago (no Carreirão segue à esquerda acompanhando a linha férrea até)
Vilar de Rei (calçada soterrada)
Vale de Porco (segue para a Capela da Sra. da Encarnação em Freixeda)
Castelo Branco (a noroeste fica o povoado da Sra. das Vilas Velhas; poderia seguir pelo cemitério, Ponte do castelo, no sopé do povoado do Castelo de Catendeixos, Qta. das Quebradas, Calhinha)
  • É provável que daqui partisse uma ligação ao rio Sabor por Meirinhos, atendendo aos vestígios encontrados na Qta. de Crestelos na margem do rio e ao topónimo St. Antão da Barca.
  • Também deveria existir uma ligação a Saldanha, onde há vestígios de povoamento romano com diversas inscrições funerárias e uma inscrição votiva a Júpiter por Domitius Peregrinus, um veterano da Legião VII Gémina.
Estevais (calçada de Nogueira; entronca no CM1195 na Capela da Sra. da Alegria, junto ao povoado mineiro da Qta. da Serzeda e depois segue até à EN220)
Carviçais (pouco depois da povoação, a via deveria desviar da EN220 e seguir a linha CF, passando junto da Villa de Vale de Ferreiros destruída em 1983 devido à construção da barragem que ali existe; A cerca de 3 km para NE fica o Castro da Cidadonha; Árula a Júpiter achada a 3 km de Carviçais na direcção de Martim Tirado, entre o ribeiro da Trapa e do Cananor)
Souto da Velha (calçada; junto das minas de ferro da Serra do Reboredo)
Felgar (povoado do Castelinho; minas romanas no Cabeço da Mua)
  • É provável que daqui partisse uma ligação ao rio Sabor, atendendo aos vestígios de uma via na Eira de Santiago, indo atravessar o rio na Barca de Cilhades referida em documentação medieval, lugar da Azenha do Poço da Barca, dando acesso na outra margem à Qta. de Cilhades onde deveria existir uma villa ou vicus associada à necrópole do sítio do Laranjal conhecida por «Cemitério dos Mouros», onde apareceu uma ara dedicada a Denso e outra dedicada a Tutela; Apesar do acidentado do terreno é possível uma continuação para o Vale da Vilariça.
Carvalhal (provém daqui a inscrição sepulcral da Igreja paroquial de Felgueiras)
Torre de Moncorvo (?)
Travessia do Rio Sabor junto à foz da ribeira da Vilariça
Povoado do Baldoeiro (civitas BANIENSIS ?), Torre de Moncorvo)

Itinerário para Almofala (Civitas COBELCORUM) por Freixo de Espada à Cinta e Barca Dalva
Vila de Ala (Casarelhos)
Vila de Sinos, Vilarinho dos Galegos (povoado na Igreja; lápide com referência viária: TALA / VIAE; povoado em Algosinho)
Bruçó
Lagoaça (Vale Travesso)
Fornos
Povoado de São Cristóvão (cruzamento da Lomba do Carvalhão, EN220 com a EN221; por calçada em terra para SE)
Mazouco? (povoado do Picão de Santa Ana/Raposa sobranceiro ao Douro)
Ponte Romano?-Medieval do Carril, Freixo de Espada à Cinta sobre o ribeira de Moinhos (1 arco; a N da povoação)
Freixo de Espada à Cinta (vicus no Monte de Sta. Luzia; espólio na C. M.; importante villa na Qta. de S. Caetano; existe "notícia de um miliário enterrado junto a uma fonte", mas ainda não confirmada)
Poiares, Freixo de Espada à Cinta (continua para poente passando junto Castro de São Paulo, onde inicia a descida ao Douro pela Calçada de Alpajares até à confluência da ribeira da Brita com a ribeira do Mosteiro que atravessava para a margem direita, hoje tem um pontão moderno, rumando depois para o povoado de Alva junto ao rio Douro seguindo pela margem direita deste)
Barca Dalva (Travessia do rio Douro entre a Qta. da Barca e a Qta. da Pedriça; inscrição funerária na frontaria da Capela de St. Cristo, mas que será proveniente de Almendra, regista um Cobelcus, ou seja um natural da Civitas Cobelcorum; a via deveria seguir o traçado da actual EN221, passando não longe da villa de Vale Tedão e na Calçada de Gamão ao km 120)
Escalhão (segue por Castelo; possível ligação a Figueira de Castelo Rodrigo pela EN221, atravessando o rio Aguiar na Ponte Velha de Escalhão, a 100 m da ponte nova, com calçada em ambas as margens)
Mata de Lobos
Torre de Almofala (Civitas COBELCORUM)


Mapa

























Chaves (AQUAE FLAVIAE) - Vila Pouca de Aguiar - Rio Douro (Durius) - Marialva (Civitas ARAVORUM)
Eixo viário romano no sentido N-S pela margem esquerda do Tâmega em direcção ao Rio Douro, articulado com a rede de caminhos das minas romanas de Jales e Três Minas em Vila Pouca de Aguiar. Os vestígios não vão além de alguns troços de calçada, as pontes antigas da Oura em Vidago, das Pedras Salgadas e de Cidadelha, e alguns poucos miliários muito espaçados entre si dificultando a identificação do traçado desta via que teria um importante papel económico no escoamento das mercadorias provenientes da exploração mineira e agrícola destinadas à exportação, seguindo depois por via fluvial pelo rio Douro até à sua foz em Cale e daqui para Roma. Neste eixo entre Chaves e o rio Douro, existem alguns miliários logo à saída de Chaves, o miliário do Campo da Roda/Qta. do Canedo, o miliário de Outeiro Jusão, mas depois surge apenas um miliário ao qual se perdeu o rasto em Constantim (Vila Real), próximo do Santuário de Panoias, indiciando uma ligação rumo à travessia do Douro em Bagaúste/Covelinhas. No entanto, um outro miliário encontrado em Cidadelhe (Mesão Frio), indicia a existência de uma rota em direcção a outra travessia do rio Douro mais a jusante, junto das Caldas de Moledo. Ver abaixo a variante Vila Pouca de Aguiar - Cidadelhe.

Chaves (AQUAE FLAVIAE) (depois de atravessar a Ponte de Trajano, desviava da Via XVII em direcção a sul para contornar a Serra do Brunheiro pelo W)
Campo da Roda, Madalena (miliário a Constantino I achado na Qta. do Caneiro, hoje no MRF?)
Outeiro Jusão, Samaiões (miliário anepígrafo numa casa derrubada da aldeia)
Bóbeda, S. Pedro de Agostém (calçada; ara aos Lares Erredici na Igreja paroquial, desaparecida)
Redial, Vilela do Tâmega (segue na base do Castro romanizado no Mte. de Sta. Bárbara)
Pereira do Selão, Vilas Boas
Vila Verde de Oura
Ponte Romano?-Medieval de Oura sobre a ribeira de Oura
Oura, Vidago (Termas Romanas de Vidago em Salus, divindade e palavra latina que designa saúde)
Sabroso de Aguiar
Ponte Romano?-Medieval sobre o rio Avelames, Pedras Salgadas (no lugar das Águas Romanas; ruiu recentemente; segue pela margem direita por Reborochão, Rua Fundo do Povo e Rua da Estrada Romana)
Cidadelha (Ponte Romano?-Medieval sobre o rio Avelames)

Vila Pouca de Aguiar (Várias inscrições de Clunienses; ascende ao Alto do Guilhado pela EN212, pouco antes da aldeia segue à direita para a calçada de Chã de Guilhado, segue pelo Alto da Presa, passa junto aos cabeços de Negrelo e Pedras Sarnosas, continua na curva de nível da encosta leste de Zimão, Gralheira, Tourencinho, passa na Casa da Floresta da Ns. do Extremo, no cotovelo à esquerda passando nos sítios de Cerejeira, calçada de Sainça com 1000 m de comprimento, sítios da Curvaceira, Alto do Boi Morto, no campo de futebol desce a)
Pinhão Cel (aqui chegaria também a via que vem de Valpaços; sai pelo CM1237, pouco depois segue à esquerda por caminho por Chãs, Vidual, passa a EN15 e segue por Bouça da Velha)
Justes (passa a poente pela Cabeça Gorda, Regais, Fraga e Alto de Lamares)
Lagares, Lamares (topónimo Pousadas)

Panóias, Assento, Vale de Nogueiras (neste planalto entre os rios Corgo e Pinhão ficaria a capital desta região, Terras de Panóias, da qual só resta o excepcional Santuário Rupestre de Panóias, já que toda a pedra de construção foi levada para a muralha de Vila Real que terá sido fundada aglomerando 3 aldeias, (Sesmires, Veiga de Cabril e Vilalva) em torno da ponte sobre o rio Corgo, possivelmente de origem romana, talvez uma mutatio num local estratégico como é a confluência dos rios Cabril e Corgo; a via continuava para sul por Constantim; ver Silvano 2004)

Constantim (em 1947, Cortez refere um miliário a Trajano encontrado na Feira de Constantim; a Villa de Constantini seria no lugar das Mamoas)
Andrães (pela Portela, CM1251, até Mosteirô e desce pela capela de S. Miguel-o-Anjo e à Qta. da Ribeira; tesouro em Agó/Mosteirô e em Caxada)
Ponte Romano?-Medieval da Ribeira sobre o rio Tanha
Abaças (Oppidum no sítio do Castro; mutatio (?); segue perto de Fontelo pela Sra. do Bom Caminho)
Bujões (Vicus; a nascente fica o Castellum de Guiães, onde apareceu uma ara a Reve Marandigui divindade relacionável com a Serra do Marão)
Aqui a estrada poderá dividir-se em dois acessos a Covelinhas, onde fazia a travessia do rio Douro:
  • Seguir na direcção de Canelas e passando junto do Castro do Muro por Estalagem, Estrada, Vila Seca, Poiares, seguindo depois na direcção do importante Castellum da Fonte do Milho ou da Pousa, Villa agrária fortificada que poderia ser também uma mutatio da via romana, descendo depois a Covelinhas pela Qta. do Muro, Qta. de Biandos e Sra. da Boa Passagem, onde há vestígios de tégula.
  • Seguir na direcção de Galafura passando em Ns. da Boa Morte, Lamas de Bujões, Caminho dos Salgueirinhos, Galafura, Aveleira, Barreiro, Muro e Covelinhas.
Covelinhas (vicus)
Travessia do rio Douro no sítio da Passagem
Folgosa, Armamar (de Folgosa a via deveria seguir para o Vicus do Fontelo em Sendim, seguindo o caminho romano por Goujoim, Granja do Tedo, Longa e Arcos, com vários vestígios da calçada, mas também é possível que tenha origem romana o caminho que vai por Adrião até Tabuaço e daqui pela margem esquerda do rio Távora)


De Sendim a Marialva:
O Vicus do Fontelo em Sendim seria assim um nó rodoviário que articulava as vias N-S provenientes do rio Douro com as vias no eixo Lamego-Marialva.
  • Seguiria talvez para sul por Baldos até ao Vicus de Rochela/Arrochela, situado entre Granja de Oleiros e Vide, no alinhamento da Via Lamego-Marialva e onde se achou aliás um miliário dessa via, seguindo depois este itinerário rumo à Civitas Aravaorum.
  • Também poderia fazer a travessia do rio Távora junto ao Castro de Riodades (descendo por Guedieiros, junto da estação romana do Vale da Igreja e atravessando o rio no local da actual ponte), continuando depois quer para Paredes da Beira quer para Penedono (passando junto do castro do Mte. do Carapito e em Castainço onde há um troço lajeado), rumando daqui a Marialva.

De Paredes da Beira a Marialva:
O lugar do Cruzeiro em Paredes da Beira poderia ser um vicus junto de uma estrada romana correndo no sentido NO-SE pelo território da Civitas Ararabrigense rumo a Marialva, havendo vestígios da calçada em Cruzeiro e Britelo seguindo nessa direcção; a via poderia ter origem na travessia do rio Douro no Pinhão subindo depois a Paredes da Beira por Valença do Douro e Castanheiro do Sul, EM504, seguindo depois por Penela da Beira e Penedono para Marialva.
Do Pinhão a Penela da Beira:
Deveria existir uma travessia do rio Douro no Pinhão, atendendo à descoberta no apeadeiro do epitáfio de um tal Reburrus da tribo Quirina, natural de Astorga, CIL II 6291), continuando depois por S. João da Pesqueira em direcção a Penela da Beira, onde conflui com a via proveniente de Paredes da Beira que seguia para Marialva, mas por agora não passam de hipóteses devido aos parcos vestígios existentes.
  • Num traçado hipotético, depois de atravessar o rio Douro poderia subir a S. João da Pesqueira (verraco com a inscrição AMBROECON) e daqui rumar à Sra. da Estrada (EN222), onde bifurcava, seguindo um ramo para Freixo de Numão (?) talvez por Horta do Numão (villae na Qta. do Sequeira e no Vale da Amoreira) e outro seguia em direcção a Marialva (?) talvez por Valongo dos Azeites, rumando depois a Penela da Beira pelo chamado 'Caminho da Gricha' que contorna a Serra de Sampaio pela vertente leste e passando no Castellum (?) da Tapada do Vento antes de atingir Penela da Beira.






Vila Pouca de Aguiar - Cidadelhe/Mesão Frio - Rio Douro
É provável que existisse uma outra via no eixo Chaves - Rio Douro atendendo aos miliários encontrados em Vilar Marim (Vila Real) e Cidadelhe (Mesão Frio), constituindo assim uma travessia alternativa do rio Douro mais a jusante. É muito provável que este itinerário seja uma continuação da Via Transversal à Via XVII, via no sentido NE-SO com origem em Castro de Avelãs e que passava por Valpaços e Três Minas. Este itinerário começa assim em Vila Pouca de Aguiar, seguindo a margem direita do rio Corgo em direcção a Vila Marim, onde havia bastantes vestígios romanos além do já citado miliário, passando assim a ocidente de Vila Real e de Santa Marta de Penaguião em direcção a Cidadelhe para ir atravessar o rio Douro junto das Caldas Moledo, onde há vestígios romanos e que deverá corresponder ao «portu de aliovirio» citado num documento do ano 922 (in PMH DC 25). (Lima, 2008).

Vila Pouca de Aguiar (segue a margem direita do rio Corgo)
Soutelo de Aguiar (calçada com 100 m; segue para Pontido)
Telões (talvez pela Ponte da Poça, Alto do Terreiro, Soutelinho de Amésio e Samardã)
Vilarinho de Samardã (tesouro; castro no Mte. da Murada; talvez passasse a poente, pelo Alto do Sabugueiro, Fraga da Pomba, Pelagões)
Adoufe (ligação a Vila Real por Escariz, Gravelos, Vila Seca e Calçada; EM1227)
Borbela (habitat na escola de Ferreiros/Santo Velho; talvez por Cales e Ramadas)
Agarez (tesouro monetário; segue o CM1219 por Carvelas)
Vila Marim (miliário anepígrafo tombado na Capela de Ns. da Paz; tesouro monetário junto do Outeiro das Pombas, local da Villa Marinis em referências medievais)
Torre de Quintela (travessia do ribeiro da Marinheira)
Mondrões (calçada com 50 m a poente da Igreja Matriz; tesouro monetário em Penedo Redondo)
Arrabães? (travessia do rio Sordo)
Torgueda (calçada em Lameirões; habitat em Rodelo; a continuação da via é insegura pois tanto podia seguir por Louredo e Fornelos atendendo ao Forno Romano no lugar da Ponte, EM1244, mas também poderia seguir por Arnadelo, junto do Povoado no Alto do Castelo/Sra. dos Remédios, Pomarelhos, Cumieira, provável mutatio onde se achou uma ara a Júpiter, Assento e pelo habitat de Veiga)
Fontes (no sítio da Pena Aguda, Castelo dos Mouros apareceu uma ara dedicada à divindade Auge ou Autora; povoado fortificado na colina de São Pedro de Fontes)
Medrões (pelo Alto do monte até à Sra. dos Remédios?)
Mouramorta (segue por Cimo de Vila e Pedreira)
Ponte de Cavalar sobre o rio Sermanha/Soromenha em Nostim (a villa nausti in in PMH DC 101; a ponte poderá ter origem romana)
Cidadelhe (Castro romanizado; no hoje desconhecido «Lugar do Marco» Russel Cortez identificou um miliário a Numeriano hoje desaparecido que indicava o número IIXX na ultima linha pelo que poderia marcar a milha 18; O ponto inicial da contagem da milhas é desconhecido, mas é de assinalar que esta é aproximadamente a distância ao miliário de Vila Marim)
  • Ligação ao Douro, num documento do ano 970 surge uma referência a esta via como «carrale antiqua» servindo de limite a uma propriedade junto do lugar de Nostim e Sarmenha : «per carrale antiqua usque ubi diuidet cum uilla de lombadella et cum uilla de nausti usque in sarmenia» (in PMH DC 101); A via deveria passar no lugar do Marco, onde apareceu o miliário, e descia às Caldas de Moledo, onde há vestígios romanos e que poderá corresponder ao «portu de aliovirio» citado num documento do ano 922 (in PMH DC 25) (Lima, 2008). A continuação da via para a outra margem não está confirmada, mas é provável que rumasse a Lamego.
  • Ligação a Mesão Frio, é possível que a via continuasse para Vila Marim e Mesão Frio, comprovadas estações viárias medievais (a mansio frigido num documento de 1059).


Mapa











Mapa



Lamego (LAMECUM?) - Marialva (Civitas ARAVORUM)
A existência de miliários na zona de travessia do rio Távora em Moimenta da Beira, possível território dos Arabrigenses, indicia a existência de uma estrada no sentido Este-oeste que seguia para a capital da Civitas Aravorum na actual aldeia de Marialva (Mêda). Esta via poderia partir de Lamego (Lamecum?), possível capital dos Coilarni, dando assim continuidade as vias que atravessavam o rio Douro provenientes de Braga e Chaves. (Sá Coixão, 2000, 2004, 2009)

Lamego (na frontaria da Capela Visigótica de Balsemão existe um Terminus Augustalis encastrado na parede exterior, mas infelizmente não indica os povos que demarca; numa região de forte cariz medieval, pouco se sabe sobre as vias romanas que partiriam deste oppidum localizado no morro do actual Castelo de Lamego, admitindo-se que algumas das vias medievais tenham origem romana como é o caso desta rota que ligava Lamego a Trancoso pela Ponte de Ucanha; Partindo do castelo, descia ao rio Balsemão e depois seguia por Várzea de Abrunhais ou por Cepões; documentação medieval fala numa ponte de madeira sobre o rio Balsemão, in Viterbo 1799, vol 2, p. 227)

Várzea de Abrunhais (talvez pela Ponte de Recião e pela Qta. da Sra. da Lapa)
Bairral, Britiande (ara a Júpiter na capela de São Gonçalo; segue próximo do Castro romanizado Castelo de Britiande com calçada em Quelha da Azenha e Ferreirim de Baixo (na Rua da Calçada), habitat na Qta. de S. Bento, seguindo para a Sra. da Agonia e servindo de divisória entre os concelhos de Lamego e Tarouca)
Gouviães (calçada parte do cemitério e desce à ponte)
Ponte Medieval de Ucanha sobre o rio Varosa (século XII; habitat em Leirós/Portela)
Salzedas (habitat em Tintureira e Qta. dos Castros/Valverde em Vila Pouca; calçada na Sra. da Piedade/Rua da Calçada Romana que segue para o Penedo de St. António?)
Granja Nova (travessia da ribeira de Salzedas na Ponte das Tábuas) Vila Chã da Beira (passa junto do habitat romano da Capela de S. Mamede; Castro em Passô)
Sarzedo
Beira Valente (calçada passa pelos topónimos Cabeça, Carguencho e Cidade de Mouraria)
Moimenta da Beira (Arabriga?) (possível região dos Arabrigenses; povoado no sítio de S. João; Ver ligação a Viseu)
Granja de Oleiros (vicus de Rochela/Arrochela estendendo-se até Vide; Epitáfio de Balbus, servindo de pavimento na igreja)
Vide, Rua (miliário a Numeriano, CIL II 4641, indicando IIXX milhas, ou seja 18 milhas contadas talvez a partir do rio Douro ou de Marialva; na frontaria da capela do Espírito Santo existe uma epígrafe «BONO REI PVBLICE NATO», CIL II 4643; possível miliário anepígrafo junto da Capela de São Domingos transformado em cruzeiro; a via contorna o Alto da Ranhã)
Faia (calçada em Ladário; a base de miliário que apareceu junto à Igreja de Faia, está hoje no jardim de uma casa particular!)

Qta. da Lagoa (miliário a Constantino? da milha ?IX, CIL II 4642, talvez a milha XIX na sequência da milha em Vide e hoje está na CADV)
Ponte Romana? do Pontigo/Freixinho sobre o rio Távora (hoje submersa pela Barragem de Vilar; lugar do Pontigo; em 1951, Cortez refere umas poldras)
Freixinho

Ligação a Marialva
Ligação à capital da Civitas ARAVORUM talvez por Ferreirim (casal junto do Mte. de S. Gens), Sarzeda (habitat em Mata Roivos), Guilheiro (calçada), Torre do Terrenho, Travessia da ribeira da Teja, Pai Penela (vestígios na Qta. do Prado e Fonte da Telha/Campo da Moura), Vale Flor (segue em calçada junto do Convento de Vilares) rumo a Marialva

Ligação a Ranhados
Também poderia seguir para NE rumo ao Castro de S. Jurge em Ranhados, passando em Chosendo, Castainço (calçada de S. Pedro), Penedono e Alcarva, a Alcobria da documentação medieval (habitat em «Chão de Santos»). Ver continuação da via para Mêda no Itinerário Ranhados-Almofala.

Outras possíveis ligações
  • Ligação de Sernancelhe a Celorico da Beira por Trancoso:
    Sernancelhe (Seniorzeli na documentação medieval; vestígios em Barreiro; sai pela Rua do Curral, de Entre-Vinhas e Veiga)
    A via passaria em Sintrão (calçada na chamada Via do Sintrão; acesso pela EN226; parte junto ao cemitério e segue pela Fraga do Ladrão), Trancoso, Fiães (passa a nascente pela Calçada de Vale Longo, seguindo a cota elevada pelo Alto de Fiães, Grila, Qta. das Tarulas e Alto da Silva), Qta. do Salgueiro (passa a nascente por Barreiros, Murça, servindo os casais ao longo da ribeira da Qta. das Seixas), Forno Telheiro, onde conflui com a via proveniente de Marialva, seguindo ambas para Celorico da Beira pela Ponte da Lavandeira (Carvalho P., 2009).

  • Ligação de Trancoso a Póvoa do Mileu por Açores:
    Trancoso (segue o caminho de S. Marcos em Frechão ou pelos vestígios na Qta. do Paço e Qta. da Palôa em Torres), Freches (talvez por Corgos/Qta. das Corgas e Qta. das Lameiras), Minhocal, Ponte Medieval de Minhocal sobre a ribeira dos Tamanhos (onde cruza com a via proveniente de Marialva), segue para Baraçal (por Outeiro Negro e Cortegada), Açores (vicus em Panelas/Calvário; casais em Olival do Clergo, Qta. da Torre/Aral, Forca e Quintal da D. Maria), Porto da Carne, Cavadoude (a Calçada do Tintinolho começa na fonte de mergulho da Ramalhosa e ascende pela vertente poente do Castro do Tintinolho pela Qta. de S. Mateus), rumando depois para a Guarda por Cruz da Faia, nascente do rio Diz, Chafariz da Dorna, Alto da Cerca e Catraia da Alegria, entrando na cidade junto do Politécnico e segue até Póvoa do Mileu.


Mapa


















Variante pelo Caramulo










Cabeço do Vouga/Marnel (TALABRIGA) - Viseu (VISSAIUM)
Importante via que ligava o litoral ao interior partindo de TALABRIGA, a mansio da Via Braga-Lisboa junto à travessia do rio Vouga, seguindo em direcção a Viseu, o mais importante nó rodoviário da Beira Alta, derivando da Via XVI Braga-Lisboa após a travessia do rio Vouga. Seguia por Talhadas onde há vestígios da calçada, entrando no concelho de Oliveira de Frades por Benfeitas, onde um miliário da milha XXXI indica a distância a Viseu que era assim Caput Viae. Daqui até Vouzela conhecem-se mais 5 miliários. (ver S. Borges: 2000). Indica-se também uma hipotética variante pela Serra do Caramulo.

Cabeço do Vouga/Marnel (TALABRIGA), Lamas do Vouga
Valongo do Vouga
Arrancada do Vouga (talvez siga pela Qta. da Fonte da Feira)
A-dos-Ferreiros, Préstimo (mutatio?; topónimo viário)
A partir daqui, a via principal segue para Talhadas, enquanto a hipotética Variante sul vai pela Serra do Caramulo.

Rota da via romana por Talhadas e Vouzela:
(CADV - Colecção da Assembleia Distrital de Viseu || MMOF - Museu Municipal de Oliveira de Frades)
Talhadas (mansio?; albergaria medieval; calçada começa em Doninhas; a via passava entre as pedras talhadas na estrada actual)
Ereira, Talhadas (calçada indicada na EN333)
Pisco, Benfeitas, Destriz (CM1284; miliário a Caracala da milha XXXI, também marco divisório, pertenceu à CADV com o nº 612 e está hoje no MMOF)
  • Ligação ao Guardão: daqui poderia partir um desvio para a Serra do Caramulo por Destriz (calçada com 2 km), onde atravessa o rio Alfusqueiro, continuando para Macieira de Alcôba onde entronca na Variante sul descrita abaixo.
Sobreira, Reigoso (passa nos lugares da Ponte e da Feira; miliário a Constantino, estava na eira da casa paroquial, foi para a CADV com o nº 610 e está hoje no MMOF)
Travessia do ribeira do Sizão (miliário a Numeriano da milha XXVIII, estava no adro da Igreja de Reigoso, foi para a CADV com o nº 609 e está hoje no MMOF)
Reigoso (albergaria medieval com possível origem numa mansio romana; a calçada passa um pouco a sul da povoação e segue para)
Entre Águas, Reigoso (miliário a Constâncio Cloro da milha XXVI achado em Benfeitas como esteio de uma latada, pertenceu à CADV com o nº 611 e hoje está no MMOF)
Seixa, Pinheiro de Lafões (calçada ainda em uso, passa na zona das Mamoas, e segue por Fiais, Ral, Rua da Estrada Romana, Ponte Fora, passa a S de Vilarinho, na zona industrial, cruza a EN333-3 que dá acesso à IP5, e segue para)
Cajadães, S. Vicente de Lafões (segue por caminho de terra e depois entra na magnífica calçada romana de Postasneiros)
Santiaguinho, S. Vicente de Lafões (continua em calçada para Sernadinha, atravessa a EN333 e continua pela Rua do Caminho Romano)
Vilharigues, Paços de Vilharigues (segue pela calçada da Ladeira da Forca, cruza a EN621 e segue até retomar a EN333)
Ponte Romano?-Medieval sobre o rio Zela
Vouzela (miliário a Tácito indicando 18 milhas a Viseu, encontrado no adro da Igreja, hoje no Museu Municipal; continua pela EN228)
Fataúnços (segundo Figueiredo, 1953, p.196, existia um miliário anepígrafo no Quintal da Estalagem; calçada junto da Fonte Velha; vicus entre a Qta. da Tapada e o Passal na base do Monte Lafão; segue a calçada paralela à EM602, a sul de Bandavizes)
Ponte Romano?-Medieval Pedrinha sobre a ribeira da Ribamá (logo à direita a calçada sobe até)
Figueiredo das Donas (calçada no lugar do Outeiro, no extremo da povoação; habitat na Qta. da Cruz)
Carregal, Queirã (Rua da Estrada Romana e EN602 junto à capela da Sra. da Agonia; habitat em Vale Susão, Qta. do Paço e Sabugueiro, estas duas já em S. Miguel do Mato)
Carvalhal do Estanho, Queirã (necrópoles na aldeia e junto das Minas de Bejança; segue por Caria e Silgueiros)
Pereiras, Bodiosa (segue junto da central eléctrica)
  • Uma variante ligava por Queirã, Igarei, Portela, Couto de Cima e Vil de Souto, rumando daqui a Viseu.
Lobagueira, Couto de Cima (segue junto à Mamoa/Anta da Lameira do Fojo e continua pela chamada calçada da Sra. do Castro com 1100 m que passa no Alto do Outeiro dos Burros, cruza a IP3 e segue pela base do castro até entroncar na EM1366)
S. Martinho
Orgens (calçada com 30 m dentro do Convento de S. Francisco)
Travessia do rio Pavia talvez na Ponte da Azenha
Viseu

Variante sul pela Serra do Caramulo e Guardão
Este itinerário liga Talabriga a Viseu pela Serra do Caramulo (antiga Serra de Alcoba), seguindo a rota descrita no «Mappa de Portugal Antigo e Moderno» (Castro, 1762). O caminho seguia por Cabeço de Cão, Macieira de Alcoba e Guardão, onde apareceu um Terminus Augustalis que apesar de ser um marco de divisão territorial poderia estar relacionado com este caminho.
Cabeço do Vouga/Marnel (TALABRIGA)
A-dos-Ferreiros
Ponte do rio Alfusqueiro (séc. XVII; a travessia poderia ser no sítio do Vau, 100 m a montante ou na desaparecida «Ponte Velha», 100 m a jusante)
Préstimo, Águeda (seguir pela actual EN574)
Cabeço de Cão, Préstimo (calçada)
Macieira de Alcoba (troço de calçada na Qta. do Carvalho)
Urgueira, Macieira de Alcoba (a via passava junto à igreja)
Arca, Oliveira de Frades (segue por Póvoa)
Monte Tezo, Varzielas (possível variante para N pela calçada de Alcofra, onde há vestígios romanos na Qta. dos Curtinhais)
Portela de Guardão
Caramulo (segue pela Rua do Cruzeiro; a sul, existem troços de calçada nas aldeias de Jueus e Múceres)
Guardão, Tondela (na interior da capela de S. Bartolomeu, antigo castro, existe um Terminus Augustalis; troço de calçada junto da Igreja Matriz de Guardão de Baixo)
Ponte Romano?-Medieval da Portela (calçada)
Santiago de Besteiros (segue pela Rua da Ponte Romana, Rua de Santiago, junto da Igreja Matriz, Ponte de Muna)
Paranho de Besteiros, Caparrosa (calçada, começa a 100 m da escola primária; Na Serra de Silvares, a poente, existe uma inscrição rupestre chamada de Cabeço Letreiro que segundo Inês Vaz seria um triffinium, um marco de divisão territorial entre três povos)
Coval, Caparrozinha (calçada com 500 m que vem de Paranho)
Fial (calçada na Rua do Pereiro)
Ponte Romana? da Seara, Routar
Torredeita
Mosteirinho, Couto de Baixo (inscrição na casa paroquial; a calçada entre Trapa e Enforcadas no caminho para Couto de Baixo, seguindo para Couto de Cima e Masgalos pode pertencer a uma ligação à via Talabriga-Viseu na Sra. do Castro)
Vil de Souto
Orgens
Viseu


Mapa



Viseu - Castro Daire - Lamego (LAMECUM?)
Via secundária ligando Viseu ao Douro comprovada pela excepcional construção da Calçada Romana de Almargem na descida para do rio Vouga, uma das mais interessantes em Portugal. O traçado proposto segue para Lamego, mas também existia uma via que partindo de Castro Daire rumava a Cárquere pelo Mezio, atravessando o rio Douro nas Caldas de Aregos e ainda um percurso pela Serra do Montemuro até Cinfães, atravessando o rio Douro em Porto Antigo. As diversas travessias do rio Douro estão descritas no Itinerário Braga-Mérida. (Ver Vaz. 1976; Nóbrega, 2003a e 2003b; Lourenço, 2007 e Vieira, 2004).

Viseu (VISSAIUM) (sai da Sé pela Calçada de Viriato, Rua da Ponte de Pau, necrópole e antiga porta da cidade)
Travessia do rio Paiva (segue pela Rua Cap. Salomão, passa na Cava de Viriato e segue pela Estrada Velha de Abraveses)
Abraveses (na escola C+S segue por caminho de terra pela Qta. da Corga e Qta. de Cimalha)
Campo (segue por Moure da Madalena, no sopé do Castro de Sta. Luzia; calçada em Campo e em Salgueiral; topónimo "Caminho da Ponte Romana" da Raposeira (?) junto à prisão)
Bigas, Lordosa (Estrada Romana de Almargem com 260 m, assinalada na EN2, parte de Pousa Maria e desce ao rio Vouga desembocando na EN2, 50 m a jusante da ponte actual)
Travessia do rio Vouga
Almargem, Calde (a IP3 cruza a via ao km 16+900; habitat romano entre Vale e Monte)
Lamas de Moledo (inscrição votiva num penedo ofertada pelos povos Veaminicori e Patravioi às divindades protectoras dos Magareaicoi e dos Caelobrici respectivamente; os Magareaicoi poderiam ficar no castro do Outeiro da Maga, e os Caelobrici no vizinho Castro de Cela; Este poderá corresponder a Caelobriga, referida por Ptolomeu no território dos Coilarni) (ver Vaz, 1989)
Mões, Castro Daire (villa em Missa e habitat em Parceiros e Rebolada)
  • Em alternativa a via seguia para Castro Daire onde atravessava o rio Paiva e daqui rumava a norte por Colo do Pito, Mezio, onde bifurcava, seguindo um ramo para NO em direcção Cárquere e o outro para NE em direcção a Lamego passando talvez na Ponte de Lalim e Britiande.
Travessia do rio Paiva
Granja, Castro Daire
S. Joaninho, Castro Daire (estação romana junto à igreja de Pendilhe, a 5 km)
Cujó (calçada junto à travessia do rio Calvo)
Mourisca
Almofala, Castro Daire (calçada com cerca de 1 km passa a nascente por Corgo do Altar e atravessa o rio Varosa na Ponte do Touro restaurada em 1839 e segue para Bustelo)
Teixelo, Tarouca (Jorge Alarcão refere um miliário e calçada no sítio do Padrão)
Tarouca (povoado no Mte. Ladairo; habitat no Souto das Quintas/Sr. dos Vales)
Travessia da ribeira de Tarouca na Ponte Pedrinha? (habitat na Qta. do Arco da Paradela)
Dálvares (da ponte contorna o Castro de Sta. Bárbara pelo leste, passando em Corredoura, Corujeira e Casa do Paço)
Lamego (LAMECUM?) (cruza com a Via Lamego-Marialva, podendo continuar em direcção ao rio Douro)


Mapa



Viseu (VISSAIUM) - Moimenta da Beira (Arabriga?)
Viseu (segue talvez pela Ponte do Raposo, Esculca e Santiago)
Mundão (calçada em Confulco e Qta. do Catavejo)
Cavernães (várias aras votivas em Vendas indiciam a existência de um templo romano; a via sai da EN229 ao km 80 pela EN323 e pela EM1330 para Aviújes e Avelinha, onde passa a calçada que vai desembocar na Rua Romana/EN323 junto da Qta. do Albuquerque em Canidelo e daqui à Igreja de Cepões, continuando por Laje Gorda, Capela de Sta. Eufémia até reencontrar a EN323 que passa a seguir)
Ponte Romano?-Medieval de Vouguinha sobre o rio Vouga, Vouguinha (1 km depois de passar a ponte nova no caminho assinalado à esquerda)
Côta (pelo cruzamento dos Quatro Caminhos e junto da Anta de Pedralta; seguiria por Vale de Cavalos e Chão do Frade; Povoado mineiro em Queiriga)
Travessia do rio Paiva junto a Fráguas

Fráguas, Vila Nova de Paiva
  • Daqui partia uma ligação a Almofala onde entroncaria na Via Viseu-Lamego, passando na aldeia de S. Pelágio, actual S. Paio (em Vila Cova-à-Coelheira) e atravessando o rio Covo em Touro (habitat em Cerdeira).
De Fráguas a via deveria continuar por Vila Nova de Paiva (habitat em Coval), Alhais (inscrição rupestre num penedo em Cavalinho com a palavra Finis, possível marco territorial), continuando por Peva e Soutosa (habitat em Covais e Portela; topónimo «Vale da Carreira») até Ariz, onde talvez se dividisse em dois ramais, ambos de encontro à Via Lamego-Marialva:

Para Moimenta da Beira (possível capital dos Arabrigenses; povoado no sítio de S. João)
  • Este ramo partia de Ariz rumo a norte passando a nascente de Pêra Velha (habita em Quelhas/Picota), Carapito e pela calçada da Aldeia de Nacomba (com 1km, Rua da Via Romana), depois seguia por Toitam até Moimenta; A via podia continuar para norte passando em Castelo, rumo à Ponte da Granja do Tedo inserida no Itinerário Chaves-Marialva

Para a Ponte do Freixinho por Caria
  • O outro ramo seguia de Ariz para nordeste rumo à travessia do rio Távora na Ponte do Freixinho, seguindo próximo dos vestígios romanos no sítio da Janamoga e depois por Granja do Paiva, Vila Cova (casal no sítio do Porto; silhar almofadado na Capela de S. Tiago), seguindo de encontro à Via Lamego-Marialva por Caria (o povoado de Caria Velha poderia ser no Mte. da Coutada; habitat em Levada/Juncais?) e Rua (tesouro) até ao Vicus de Rochela/Arrochela ou rumando directamente à travessia do rio Távora na desaparecida Ponte do Freixinho, talvez por Mileu e Prados de Cima atendendo ao possível miliário transformado em cruzeiro junto à Capela de S. Domingos e à inscrição funerária na sua fachada, CIL II 427.


Mapa







Viseu (VISSAIUM) - Aguiar da Beira
Saindo de Viseu, a via dirigia-se para NE para atravessar o concelho de Sátão seguindo grosso-modo a actual EN229-2, atendendo ao miliário da Qta. do Pomar; Ver Vaz (1976), Nóbrega (2003a e 2003b) e Lourenço (2007).

Viseu (VISSAIUM) (segue a Via Viseu-Famalicão da Serra até Prime, onde ruma a NE)
Povolide (calçada na Qta. de Sta. Luzia com acesso defronte do cemitério à esquerda)
S. Miguel de Vila Boa, Sátão (talvez próximo da villa na Qta. de Torneiros, seguindo depois por Abrunhosa e Forno Telheiro)
Casal do Fundo, Rio de Moinhos (a via passaria próximo da Villa da Qta. da Taboadela, Villa de Trancosã e da Villa da Eira do Rei, onde existem duas colunas encastrados no muro da Casa da Família Xavier que poderão ter sido miliários desta estrada)
Casal de Cima, Rio de Moinhos (calçada no lugar da Igreja)
Silvã de Cima (passa por Casal, onde existe um miliário encastrado numa parede da Qta. do Pomar, e segue junto à Qta. das Chedas)
Romãs (talvez próximo da villa da Presa e da villa da Corga)
Travessia da ribeira de Sátão (a villa da Cerca indicia uma possível ligação ao rio Vouga por Decermilo)
Rãs, Romãs
Quinta das Lameiras, Pinheiro (cipo funerário)
Ponte Romano?-Medieval do Candal, Coruche, sobre a ribeira de Coja (70 m; 2 arcos)
Aguiar da Beira (possível ligação a Caria por Quintela e Carregal)
Ponte Romano?-Medieval de Abade
Cunha (inscrição em St. Estevão)
Arnas (vicus no Castro de Murganho no Monte Muragos)
Guilheiro (cruzando aqui com a Via Lamego-Marialva?)


Mapa









Viseu (VISSAIUM) - Celorico da Beira
Hipotética via para Celorico, inicialmente comum à via Viseu-Famalicão da Serra até Mangualde e depois seguindo a rota da actual EN16 (Carvalho P., 2009).

Freixiosa (seguiria por Tragos; inscrição votiva servindo de base ao cruzeiro da igreja, FE54)
Matados (calçada junto do habitat da Vinha Morta, na Assoc. Cultural)
Guimarães de Tavares (a calçada junto à villa das Qtas. do Costa, indicia uma ligação a Abrunhosa-a-Velha ou Poço Moirão para travessia do rio Mondego)
Chãs de Tavares (calçada com 50 m no acesso ao Castro romanizado da Sra. do Bom Sucesso talvez o castellum Nacosos com base numa ara votiva dedicada aos Lares Couticivi (?) por um Arbuensis, aparecida na base do castro numa casa em ruínas da Qta. do Casal em Casais, FE55; ara funerária na Capela de St. Amaro em S. João da Fresta, FE56; notícia de um «miliário no Mte. de S. Caetano», ou seja junto do castro, mas é duvidoso)
Pinheiro de Tavares (mutatio?; duas aras funerárias, FE52 e FE53; lápide funerária na casa paroquial de Ramirão; a via talvez seguisse pela Calçada de Alpaioques, ao longo da margem esquerda da ribeira da Canharda; segue pelo Alto da cumeada que passa na Cruz Alta?)
Fornos de Algodres (Ver Museu Arqueológico do CIHAFA; a via deveria atravessar a povoação até à capela da Sra. da Graça, onde começa um troço de calçada que segue por trás da zona industrial, passando na Qta. da Lomba, Qta. do Seminário de S. José e Qta. da Costa, onde subsiste um troço de calçada com 200 m, cortado pela IP5)
Travessia do rio Mondego na actual Ponte de Juncais (a ponte antiga foi destruída; tégula na Qta. dos Covais)
Vila Boa do Mondego (seguiria ao longo da margem esquerda do Mondego)
Celorico da Beira (nó rodoviário, onde cruzava com a Via Marialva-Bobadela e de onde partiam as vias de acesso à Serra da Estrela)

Outros troços no Concelho de Fornos de Algodres
  • de Penalva do Castelo a Matança: poderia existir uma via que partia do Vicus da Murqueira em Esmolfe (Penalva do Castelo) rumo a nordeste (o vicus fica no sítio da Murqueira em Fundo de Vila, onde apareceu um ara votiva a Bandi Oilienaico, RAP 28) passando a calçada pelos lugares de Capela, S. Martinho e Eirinhas, rumando depois a Sezures, Boco (CM1429), Qta. da Ponte (calçada e poldras sobre o rio Dão), Moradia, Matela (onde terá aparecido a ara votiva a Bande Vircau... que está na casa paroquial de Antas, FE75, 2004 tal como uma ara a Júpiter), seguindo para a travessia da ribeira do Carapito na Ponte Romano?-Medieval em Matança (vicus no sítio do Castelo?).
  • De Matança poderia continuar rumo a Queiriz ou descer a Fornos de Algodres passando na Ponte sobre a ribeira das Forcadas, Furtado (ara funerária na capela) e Rancozinho até ao nó rodoviário da Rasa de Infias.
  • De Fornos de Algodres a Queiriz: Infias (vicus no Outeiro da Forca e na Rasa de Infias, provável nó rodoviário; ara a Mercúrio protector dos caminhos na parede frontal da Igreja; Ponte Romano?-Medieval da Ribeira)
    Algodres (calçada junto da Capela da Ns. da Saúde, à entrada da povoação; vicus na praça central; ara anepígrafa no CIHAFA em Fornos; via passaria na Rua da Roseira)
    Cortiçô (tégula)
    Maceira (Villa na Qta. do Carvalho; calçada em Calpedrinha; segue pelo Alto da Serra)
    Queiriz (habitat; Povoados no sítio do Castelo e na Fraga da Pena; inscrição votiva à divindade indígena Bandi Tatibeaicui, hoje no Museu Etnológico de Viseu (?); AE 1961, 341; Existia calçada na Ponte Romana? da Regateira recentemente destruída)
  • Troço de calçada entre Queiriz e Aldeia Velha atravessando o Vale da ribeira da Muxagata; Sítio romano no Alto da Lajeira junto da Qta. da Banda de Além.
  • Carapito (calçada nas traseiras do cemitério proveniente da Lage Grande onde ligaria? ara votiva em Pena Verde)
  • Também deveria existir uma via que partindo da Ponte de Juncais rumava a nordeste, passando no Vicus de S. Pedro da Torre em Figueiró da Granja, junto ao cemitério e na base do Castro de Santiago, continuando para o Povoado da Trepa em Muxagata (ara anepígrafa, hoje no CIHAFA em Fornos), Mata (calçada na Qta. da Mata Gata; povoado em Monte da Mata), Sobral Pichorro (troço de calçada junto do reservatório segue para Maceira onde entronca na rota Fornos-Queiriz descrita acima).


Mapa

















Viseu (VISSAIUM) - Bobadela (Municipium)
A magnífica calçada entre Ranhados e Coimbrões indicia uma via importante que daria acesso a Bobadela, capital de um vasto municipium e referida numa inscrição como splendidissima civitas (CIL II 397). No entanto desconhecemos ainda qual seria o seu nome no tempo romano. Entre os potenciais candidatos estão Velladis e Verunium, ambas referidas por Ptolomeu (II, 4) ou ainda a capital dos Elbocori ou dos Tapori, povos referidos por Plínio (NH, IV, 35), mas a verdade é que para já não passam de meras hipóteses. O itinerário parte de Viseu e segue pela calçada de Ranhados rumo à travessia do rio Dão junto às Termas de Alcafache (romanas?). A utilização de pedras almofadados na ponte actual indicia que existiria aí uma ponte romana. A partir daqui, a via parece dividir-se em vários percursos o que torna difícil a sua definição. No Lugar do Peso (mutatio?) partiam diverticula para NE rumo a Mangualde e para leste rumo a Gouveia, mas a via para Bobadela seguia por Carvalhal Redondo e Canas de Senhorim rumo à travessia do rio Mondego junto das Caldas da Felgueira, onde confluía também a via proveniente de Mangualde descrita mais abaixo, seguindo depois juntas para Bobadela. No entanto dois miliários anepígrafos em Oliveira do Conde indiciam uma via entre o Dão e o Mondego que além de seguir para Coimbra poderia fazer uma travessia do Mondego mais a jusante com base na possível referência a uma ponte sobre o Mondego que se pode ler numa inscrição em Póvoa de Midões, seguindo daqui rumo a Bobadela. (Ver Vaz, 1976; Nóbrega, 2003a e 2003b; Lourenço, 2007).

Viseu (VISSAIUM) (sai pela Rua do Cerrado, onde existia uma necrópole e a antiga porta da cidade)
Ranhados (junto ao tanque da povoação começa um dos melhores troços de calçada romana em Portugal seguindo em direcção do campo de futebol, desce ao Pontão Romano de S. Domingos sobre a ribeira da Póvoa, passa debaixo da A25, e ascende por magnífica calçada até à zona industrial de Coimbrões)
Coimbrões (desce ao rio Dão pelo caminho para Lourosa de Baixo, onde apareceu um miliário)
Banho/Termas de Alcafache (a calçada por trás do Hotel das Termas foi entretanto destruída)
Ponte Romano-Medieval de Alcafache sobre o rio Dão (a ponte tem algumas silhares almofadados num dos talhamares e na base do pilar do lado das termas; a via romana inicia a subida junto da Capela de Ns. de Fátima na EN594 e segue em calçada até à JF de Alcafache no Peso)
Lugar do Peso, Alcafache (a via atravessa EN1436, segue pela Rua de Santa Cruz e depois à esquerda até à Rua dos Medronheiros, segue à direita e depois à esquerda pela Rua do Caminho Romano)

Nó rodoviário no Lugar do Peso ou no Cruzeiro da Lama:
  • Rumo a nordeste para Mangualde por Mosteirinho, Pedreles e Ançada.
  • Rumo a nascente para Gandufe, passando por Casal Sandinho (vestígios em Presas e Qta. dos Lobões), Lobelhe do Mato, Moimenta de Maceira Dão, Ponte Romana(?) do Tinto (ao lado da ponte nova), Gandufe (hipótese do miliário junto da igreja de Espinho ter sido levado daqui), Póvoa de Espinho (onde entronca na Via Mangualde-Bobadela); Segundo Mário Saa (Saa, 1957, p.320) esta via ia atravessar o rio Mondego em Porto Senhorim, rumando depois a Manteigas.
  • Possível ligação a Mangualde, segundo Manuel Tavares, existia uma ligação entre Moimenta de Maceira Dão e Mangualde passando perto de Água Levada, Pinheiro de Baixo (onde identificou um troço de Calçada Romana em Barreiros), continuando por Santa Luzia, Santo Amaro até entroncar na a via proveniente do Peso perto de Ançada/São Cosmado, rumando depois a Mangualde.

  • Rumo a sul para a Bobadela por: (ver Vaz, 1987)
    Aldeia do Carvalho (pelo caminho das Fontanheiras)
    Santar (calçada nas Pedreiras; vestígios em Outeiro, Outeirinho e Qta. do Casal Bom)
    • Possível ligação a Nelas passando por Vilar Seco (calçada e estações romanas em Prado e Qta. do Serrado).
    Ponte Romana? sobre o ribeira de Cagavaio (calçada)
    Carvalhal Redondo (3 aras dedicadas a Besenclae por Docquirus Celti, 2 apareceram num lagar e outra numa casa particular, FE138; Seria um santuário?; segue a EN231-2 por Corredoura)
    Urgeiriça, Canas de Senhorim (Villa em Laje do Quatro, junto à EN e antiga via)
    Canas de Senhorim (vicus?; villae em Casal/Olival Grande, Freixieiro e Fojo; vestígios em Moledo, Passal e Qta. de Cima; Villa no Lugar de Chãs o Chãos já na freguesia de Beijós)
    Caldas da Felgueira (aqui confluía com a via proveniente de Mangualde pelo que a continuação para a Bobadela está descrita no Mangualde-Bobadela

  • Variante com travessia do Mondego em Póvoa de Midões:
    Canas de Senhorim
    Lapa do Lobo
    Fiais da Telha (segue para a calçada de Alagoas com 2 km)
    Azenha, Oliveira do Conde (miliário anepígrafo junto à Qta. da Sobreira; 2 inscrições no Café «Flor do Mondego»)
    Vila Meã, Oliveira do Conde (2 miliários anepígrafos num muro em Vale do Touro; Pinto, 2001)
    Travessia do rio Mondego (talvez descendo pelo Passadouro e fazendo a travessia entre a Qta. da Barca e Vale França)
    Póvoa de Midões (uma inscrição embutida na parede de uma casa na Rua Principal indica a edificação de uma ponte ou fonte em honra do imperador Tito; «Imp. Tito. VIII. Co(n)s / [p]ontem aedificavit / Severus Vituli f.»; seria a ponte sobre o Mondego ou apenas uma fonte?; a via deveria passar junto do vicus da Cumieira, onde a tradição localiza a antiga «Cidade de Nabril»)
    Midões (duas inscrições embutidas na porta lateral da Igreja de S. Sebastião em Coito de Midões assinalam a construção de dois templos na Bobadela a expensas de Cantius Modestinus, um seria dedicado ao Génio Municipium, CIL II 401, e outro a Victoria, CIL II 402; daqui à Bobadela o traçado continua duvidoso, podendo descer pela calçada de Vasco até ao rio de Cavalos que atravessava na Ponte de S. Geraldo ou pela Ponte Romana de Sumes, seguindo depois próximo da Villa de Ervedais, entrando em Bobadela por Oliveirinha, mas dado o acidentado do terreno, é possível que o traçado se fizesse por Cadouço e Travanca de Lagos, onde se reunia com as vias provenientes de Viseu e Mangualde)

Bobadela (Municipium), Oliveira do Hospital
Imensos vestígios da cognominada splendidissima civitas, CIL II 397; Inscrição Neptunale na fachada da igreja, CIL II 398, única na Lusitânia referindo Neptuno, deus dos mares; magnífico anfiteatro, ponte romana, etc; em termos viários há notícia de um miliário a Galério, mas em lugar incerto e hoje desaparecido (Abreu, 1893).


Mapa


















Bobadela
Avô




Mangualde (Araocelum?) - Bobadela (Civitas)
É bem provável que uma via proveniente do vicus da Murqueira passasse em Mangualde rumo a Bobadela, atendendo aos miliários encontrados em Chãos de St. Luzia e Póvoa de Espinho. A indicação de VII milhas num deles sugere que a contagem de milhas começasse nas Caldas da Felgueira, provável limite territorial entre as civitates de Viseu e Bobadela. Ver Vaz (1976), Nóbrega (2003a e 2003b) e Lourenço (2007).

Esmolfe (vicus no sítio da Murqueira em Fundo de Vila; cruzamento com a via Viseu-Trancoso; ara aos Bandi Oilienaico)
Penalva do Castelo (calçada em Sangemil)
Travessia do rio Dão na Ponte de Trancozelos (coluna honorífica e villa em S. Romão, sugere uma ligação a Castelo de Penalva)
Trancozelos (em alternativa daqui poderia seguir por Abogões e Canelas, atravessando o rio Ludares numa ponte antiga, seguindo pela calçada de Cômoro, rumo a Quintela de Azurara, onde apareceram duas inscrições dedicadas a Júpiter, a FE20 90 está no MNA e a FE77 348 teria aparecido na antiga Capela da Sra. da Esperança e hoje está na Igreja paroquial)
Travessia do rio Ludares perto de Germil
Passos, Mangualde (villa; árula a Júpiter, FE69; calçada de acesso ao rio Dão; a via poderia seguir pela Qta. Cruz, pois aí existe um possível miliário transformado em cruzeiro no muro da quinta)
Mangualde (seguia junto da villa da Raposeira e das Qtas. da Fonte do Púcaro, provável localização da mansio, no cruzamento com a Via Viseu-Mérida)
St. Amaro de Azurara
Santa Luzia (miliário de Chãos dedicado a Licínio Pai indicando a milha XI, hoje no Museu Grão Vasco em Viseu com o nº 51; possível miliário em Água Levada)
Póvoa de Espinho, Espinho (possível miliário na Rua do Forno junto à porteira de uma casa; possível miliário reutilizado no Cruzeiro de Espinho; miliário do Calvário encastrado num muro, no entroncamento da Rua do Calvário para a Abadia)
Abadia de Espinho
Ponte sobre o rio do Castelo (miliário da Qta. da Ponte dedicado a Cláudio indicando a milha VII que hoje está na colecção da ADV em Viseu)
Outeiro de Espinho (para nascente em Vila Nova de Espinho há um possível miliário reutilizado para cruzeiro)
Senhorim (miliário em Casal Sandinho; vestígios no lugar da Igreja e Terra do Fidalgo; topónimo Portela)
Nelas (ver o Museu José Adelino)
Folhadal (alternativa por Póvoa das Roçadas)

Caldas da Felgueira (provável divisão territorial entre as civitates de Viseu e Bobadela)
Travessia do rio Mondego (topónimo Qta. dos Carris)
  • Possível ligação a Seia, passando em Paranhos da Beira (calçada), Tourais (habitat na Qta. da Lameira) e na Ponte de Folgosa do Salvador sobre o rio Seia de encontro à Via Marialva-Bobadela.
Seixo da Beira
Aldeia Formosa
Vila Franca da Beira (passa a nascente, hoje EM507-1, pelo Vale da Corredoira, eventual referência à via)
Ponte do Buraco sobre o rio Seia
Lagares da Beira
Ponte Romana? da Ribeira ou de Vale de Negros
Travanca de Lagos (próximo, em Andorinha, existe a Ponte das Roçadas sobre o Rio Cobral dita "Romana")
Bobadelasplendidissima civitas»)

Ligações de Bobadela ao rio Alva
Atendendo à importante exploração mineira aluvionar de ouro e chumbo ao longo do rio Alva, é provável a existência de duas vias de acesso ao rio, uma descendo à Ponte da Três Entradas e outra descendo a Avô. Ambas poderiam ter continuidade para sul, mas é para já conjectural. Esta última poderia ter continuidade para Coja, importante travessia do rio Alva mais a jusante com melhores condições para articular o tráfego viário proveniente da Bobadela quer em direcção a Coimbra, por Lomba do Canho e Arganil, quer possivelmente em direcção a Idanha-a-Velha atravessando a Serra do Açor. Ver mais sobre estas rotas no Itinerário Bobadela-Coja

    Ligação de Bobadela à Ponte das três Entradas:
    Partindo da Bobadela rumava para sul por Nogueira do Cravo (nos anos 70 ainda existia calçada, passando nos lugares das Mestras e de Cales, junto da «Casa do Penedo» que reutiliza imensos silhares romanos talvez provenientes da cidade romana que fica a apenas 3 km), seguindo depois por Galizes, cruza a EN17 e segue por Santa Ovaia, (onde existia uma calçada que tinha continuação pelo chamado «caminho fundo» até à Ponte das Três Entradas, onde atravessava o rio Alva. É provável a continuação da via para Aldeia das Dez pois aí apareceu um tesouro.

    Ligação de Bobadela a Avô:
    Partindo do forum da Bobadela seguia pela Rua Emília Pestana Coelho, atravessa a ribeira de Cavalos na Ponte Romana e segue junto do cemitério e da Qta. dos Vales, cruza a EN230-6 e segue pela Rua da Indústria, cruza a EM1306, continua pelo estradão de terra/Rua Vale Meirinho que passa na Qta. do Ribeiro até à Ponte de Covas sobre o rio de Ribelas; Daqui subia a Covas (passando junto do cemitério, Igreja Matriz; habitat), rumando depois a Balocas e Venda da Esperança, onde cruza a EN17 (pela florestal?). Continua em frente para Lourosa, passa ao lado da notável Igreja Moçarabe de S. Pedro que integra alguns materiais romanos nas paredes, provavelmente provenientes de um templo romano que aqui existia (ara, cipo, bases de colunas e silhares almofadados), seguindo daqui para Pombal pela Rua Cimo de Vila e Rua do Pombal que passa a estradão de terra e atravessa a ribeira, subindo depois em calçada até Vila Pouca da Beira (Rua da Calçada Romana), continua pela Rua da Fonte das Almas, Rua dos Catarinos, Cruz de Pedra, Qta. do Casal, cruza a EN230 e continua pela Rua Dr. António de Barros para a travessia do rio Alva em Avô.
    • Provável continuação por calçada para Pomares, Moura e Valado rumo à Serra do Açor em direcção a Idanha-a-Velha?
    • Possível ligação a Coja, atendendo à calçada que parte do Bairro de St. António que vai para Anceriz, passando na calçada de S. Pedro, hoje Rua da Sra. de ao Pé da Cruz, continua pelo estradão de terra que passa na Cruz de Anceriz e daqui descendo a Coja pelo Casal de S. João.

    Ligação de Bobadela a Coimbra e a Idanha-a-Velha por Coja:
    O miliário a Teodósio da Sra. da Ribeira permite equacionar uma via proveniente da Bobadela que ia atravessar o rio Alva em Coja, seguindo depois quer na direcção de Coimbra quer de Idanha-a-Velha. Partindo da Bobadela, a via passaria por Covas, Pinheiro da Coja, atravessava o rio Alva junto a Coja e seguia junto à Capela da Sra. da Ribeira (onde está o miliário a Teodósio) para Vale de Carro (mutatio?), local onde bifurcava;
    • Um ramo rumaria para SO em direcção a Coimbra descrita no itinerário Coimbra-Coja-Bobadela.
    • Outro ramo rumaria para SE na direcção ao Fundão depois para Idanha-a-Velha, seguindo pela chamada "Estrada de Moura" passando em Benfeita (villa), Relva Velha, Moura da Serra (mutatio?; vestígios do corte da via no Cabeço do Peão), Porto da Balsa (travessia do Rio Ceira), Paúl, Travessia do rio Zêzere (em Barco? junto do Castro de Argemela), Telhado (passando próximo dos sítios romanos em Carantonha e junto da Capela da Sra. do Mosteiro/Casal de Sta. Maria na encosta nascente do Castro romanizado do cabeço da Ordem de onde seria a ara referindo o povoado de Eburobriga encontrada em Castelejo), Freixial (inscrição).
      Fundão (na base do Castro romanizado de S. Brás; 2 aras votivas, uma a Trebaruna e outra a Victoria; inscrição funerária na igreja de Souto da Casa)
      Hipotética continuação para Idanha-a-Velha, talvez por Fatela ou Alcaide, Mata da Rainha (inscrição), Aldeia de Sta. Margarida (junto do templo romano na Ermida da Sra. da Granja, onde há um possível miliário), Proença-a-Velha (pela calçada da Quelha do Medo e já na povoação, junto da Capela do Calvário e da Fonte da Goma) rumo a Idanha-a-Velha.


Mapa





Mealhada (Mansio) a Bobadela (Municipium)
Com base na existência de dois possíveis miliários na região do Luso, é provável que existisse uma via romana derivando da Via Braga-Lisboa ligando o litoral às civitates da Bobadela e Viseu. Os percursos continuam hipotéticos devido à incerteza quanto à localização original desses miliários. O miliário que apareceu na Leira Grande está muito próximo do caminho Anadia-Serra do Bussaco, mas há relatos que o dão como proveniente da Lameira de St. Eufémia, mais a sul, o que o coloca próximo do caminho Mealhada-Serra do Bussaco. Existe também uma referência medieval a uma «Via Antiqua» na margem direita do Cértima, mas não é claro onde se situa (in PMH DC 104). Assim, apresentam-se as duas possíveis vias que seguiam pelo acidentado terreno da Serra do Bussaco.

Alternativa Anadia - Serra do Bussaco - Bobadela:
O ponto de derivação da VIA XVI poderia ser em S. João da Azenha seguindo por Avelãs de Caminho e Anadia (junto ao Monte Castro), continuando por Aguim (habitat) e Grada, onde inflecte em direcção ao Luso, contornando assim a Serra do Bussaco pela vertente norte.

Grada (vestígios junto da ribeira da Serra; segue até ao Lugar dos Marcos, referência a um marco divisório que aí existe, virando à esquerda pelo caminho de terra que passa junto da Cerâmica St. Amaro)
Poço, Vila Nova de Monsarros (o caminho cruza com EN235, onde existe um marco romano, possível miliário, seguindo pelo estradão que hoje delimita os concelhos da Anadia e da Mealhada que passa no Alto do Loisal, onde existe outro marco)
Salgueiral (onde cruza com a EN336 e continua pelo Alto do Cabeço Redondo e Bilheiro)
Sula (entronca na EN234 que segue até Moura, virando aqui à direita pelo CM1552 pela Serra da Cerdeirinha)
Cerdeirinha (continua pelas alturas de Atalaia por Louriceira, Alcordal e Galhardo)
Cercosa (cruza com a Via Coimbra-Viseu e continua pela calçada de Vale de Ana Justa)
Travessia do rio Mondego (travessia muito alterada pela barragem da Raiva)
Oliveira do Mondego (aqui entroncava via Coimbra-Bobadela pela EN17 e seguia para a Bobadela)

Alternativa Mealhada - Serra do Bussaco - Bobadela:
Partindo da Vimieira, provável mutatio na VIA XVI, atravessava o rio Cértima na direcção do Luso por Vacariça (vestígios em Ferrarias), Lameira de St. Eufémia (miliário junto à necrópole de Fiéis de Deus, depois deslocado para a Leira Grande), Luso, seguindo depois para Sula, onde entronca na variante anterior.

Alternativa para a Bobadela por Mortágua:
É possível que um outro caminho seguisse a EN234 que liga Sula a Mortágua e daqui por Sta. Comba Dão em direcção à travessia do rio Mondego em Tábua.
Passa em Vale de Remígio (inscrição aos Lares), atravessa a ribeira de Mortágua, Gândara, atravessa o Rio Criz em Breda, Sta. Comba Dão (descia do Largo do Balcão pela já destruída «Calçada Velha» até à travessia do rio Dão), Vimeiro (da ponte subia à Estação CF rumando a Cancela; a calçada da Laje do Roxo dirigia-se para a Villa da Abadia e Fonte de Vinhais em Óvoa)
S. João de Areias (vestígios na Igreja Matriz e em Alqueives; desce ao rio pela Estrada Principal, inflectindo à esquerda depois da Rua dos Prados pela estrada que leva ao rio Mondego)
Travessia do rio Mondego (existe uma ponte antiga, submersa pela albufeira da Aguieira; sobe na outra margem, pela calçada romana da Pedra da Sé com 350 m até Tábua)
Tábua (junto das Villae do Fundo da Vila e da Torre, Seixos Alvos, pelo Alto do Outeiro da Mama, Barras, Várzea, Vila Chã)
Vila Nova da Oliveirinha (entrava em Bobadela pela Ponte Romana sobre o rio de Cavalos junto do cemitério)
Bobadela (civitas), Oliveira do Hospital


Mapa

Coimbra (AEMINIUM) - Viseu (VISSAIUM)
Itinerário que acompanha a antiga estrada medieval entre Coimbra e Viseu com passagem por Mortágua. É possível que seja uma rota romana, mas os pouco vestígios não permitem uma datação precisa. Este itinerário medieval está descrito no «Mappa de Portugal Antigo e Moderno» (Castro, 1762) com as seguintes estações (légua a légua num total de 13 léguas): De Coimbra a Eiras, Botão, Galhano, Santo António do Cântaro (Carvalho), Freirigo (Marmeleira), Barril (Mortágua), Brida (Breda), Cris (rio), Casal de Maria, S. Joaninho, Tondella, Sabugosa, Fail e Viseu. Depois da travessia do rio Cris em Sta. Comba Dão o percurso da Estrada Real para Viseu vai por Tondela, mas não é certo que seja este o itinerário romano.

Coimbra (poderia seguir a Via XVI até próximo de Adémia de Cima, rumando daqui para leste ao longo da ribeira de Eiras)
Eiras (1 légua; travessia da ribeira das Eiras na Ponte Medieval, Rua de Sta. Isabel; casais em Ouressa e em Costa)
Brasfemes (torres veteres num documento de 1165; atravessa o rio Resmungão junto da Villa de Lagares e segue pelo Alto de Esculca-Paredes até ao Outeiro do Botão)
Botão (2 léguas; daqui ruma a nordeste talvez por Monte Redondo, Casqueira até à Ponte da Mata e daqui subia pelo Vale da Estrada até Galhano, 3 léguas, transpondo a Serra do Bussaco pela Portela de St. António do Cântaro)
St. António do Cântaro, Carvalho (4 léguas; aqui existia desde 1215 um albergue medieval, mas hoje só resta a capela; segue a EM1250 pela Serra do Vidoeiro, passando junto de Lorinhal, Vale das Éguas e Alcordal)
Galhardo, Cercosa
Freirigo, Marmeleira (atravessa o ribeiro de Freirigo nas 5 léguas e segue a EM591 por Cotelha)
Cortegaça (continua pela EM591 por Benfeita, Cortegaça e Vale de Açores)
Mortágua (atravessa a ribeira de Mortágua e segue por Barril na légua 6)
Travessia do rio Criz (7 léguas; junto a Breda, mas hoje alterado pela barragem da Aguieira)
Sta. Comba Dão (daqui a estrada real ruma a norte pela EM629 por Colmeosa, Couto do Mosteiro, Vila de Barba, Casal de Maria, légua 8, e S. Joaninho, légua 9, embora a via romana pudesse ir pela lomba entre S. Joaninho e Teixedo, atendendo à referência no ano de 974 à «Via Antiqua»; in PMH DC 114; a via continuaria a poente do habitat do Cadaval e da Qta. dos Lobos/Travanca em Mouraz)
Tondela (10 léguas da Estrada Real; a via poderia seguir entre o povoado romano de Ns. do Castro em Lobão da Beira e o Castro romano de Nandufe, atravessando o rio Dinha para Valverde; possível ligação ao acampamento romano de Ferrreirós do Dão que controlaria a travessia do o rio Dão nesse local, entre a confluência do Dinha e do Pavia)
Canas de Sta. Maria (de Valverde segue próximo da villa de Freixo/Olival Escuro entre Sta. Ovaia de Baixo e de Cima, junto da Capela de Sta. Maria Madalena)
Sabugosa (11 léguas; villa em St. Aleixo; Castro romanizado dos Três Rios em Parada da Gonta; Inscrição rupestre à divindade Peintices)
Fail (12 léguas; inscrição a Reinticis)
Repeses (4 inscrições votivas provenientes da Capela de Sta. Eulália, hoje no Museu Grão Vasco; uma é dedicada à divindade Albucelainco Efficaci; Seria um santuário?)
Viseu (VISSAIUM) (13 léguas desde Coimbra)


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Coimbra (AEMINIUM) - Bobadela (Municipium)
Esta via ligava Coimbra ou Conímbriga a Bobadela, continuando depois pela vertente ocidental da Serra da Estrela até Celorico da Beira e daqui a Marialva, percorrendo o Vale do rio Mondego por Gouveia, onde se faria o cruzamento com a via Braga-Mérida. Da Bobadela também poderia rumar a Espanha em direcção a Ciudad Rodrigo ou Salamanca. Esta via é designada por via Colimbriana na idade média e corresponde aproximadamente ao trajecto da actual Estrada da Beira ou EN17. Como são poucos os vestígios encontrados apresentam-se troços hipotéticos desta ligação.

Seguindo aproximadamente a actual Estrada da Beira (EN17) pela Ponte da Mucela:
Coimbra (sai pela Porta de Belcouce que seria junto da ponte moderna e rumava a leste ao longo da margem direita do Mondego pela Rua da Alegria, antiga Via Longa, Rua do Brasil, Arregaça e Vila Franca até Torres do Mondego)
Travessia do rio Mondego junto à foz do rio Ceira (da ponte segue a EN17, mas pouco depois inflecte para a esquerda pela Rua do Correio, continua por Lagoas, Portela de Coimbrão, Alto da Escusa, Carvalho, Portela, Algaça até St. André de Poiares, hoje Vila Nova de Poiares; Em alternativa, a travessia do Mondego também poderia ser na Barca do Mondego, a montante da ponte actual, seguindo depois para Portela do Coimbrão, onde conflui com o itinerário anterior)

Vila Nova de Poiares (provável Mutatio a X milhas de Coimbra pois aqui existia um Albergue Medieval; continua pela EM1541 e EM1246 por Venda Nova)
  • A mutatio de Poiares estaria no cruzamento com uma outra via que seguia para a Barca de Penacova, onde atravessava o Mondego, continuando depois pelo Carrale que é referido num documento do ano 998 (in PMH DC 179). No outro sentido, esta via poderia seguir para Serpins onde atravessava o Rio Ceira e dava acesso à região mineira da Serra da Lousã. Serpins é já referido como uilla serpinis num documento do ano 961(PMH DC, nº 83) e poderá corresponder aos vestígios do povoado romano do Cabeço da Igreja nessa localidade.
Lavegadas (por Moura Morta; junto à ribeira de Sabouga há calçada, ponte e vestígios da exploração aluvionar)

Ponte Romano?-Medieval da Mucela sobre o rio Alva (alguns silhares terão origem romana)
S. Martinho da Cortiça (segue a EN17 por Poços, Catraia dos Poços, Rua da Calçada Romana e Moita da Serra)
Carapinha (possível ligação a Arganil com base na calçada em Sarzedo, EN242-4; segue a EN17 por Venda do Vale, Venda do Porco e ao km 66 segue à esquerda pela EN230-6 que vai para Covas)
Covas
Ponte Romana de Bobadela sobre o rio de Cavalos (serve ainda a estrada do cemitério; pavimento em betão, mas o arco parece romano)
Bobadela (civitas), Oliveira do Hospital
  • Ligação a Marialva: a via deveria seguir até Marialva pelo vale do rio Mondego na vertente ocidental da Serra da Estrela, passando em Seia, Gouveia. O percurso está definido nas vias em torno de Marialva
  • Ligação à Via Braga-Mérida:, também é provável que existisse uma via pela vertente sul da Serra da Estrela de encontro à Via Braga-Mérida, passando em Oliveira do Hospital, Seia, Manteigas e Valhelhas, entroncando assim na via para Mérida que aí passava, podendo depois rumar a Ciudad Rodrigo e Salamanca.

Variante por Lomba do Canho e Coja:
poderia existir uma via proveniente de Coimbra em direcção ao importante Castellum da Lomba do Canho em Secarias (acampamento militar romano cujo espólio recolhido está a causar muita polémica), seguindo depois para Coja, atendendo ao miliário a Teodósio da Capela da Sra. da Ribeira encontrado em 1967 nas redondezas. Segundo Alarcão, a via partia de Coimbra por rota fluvial até Porto da Raiva, seguindo depois por via terrestre por Arganil, Secarias, Lomba do Canho, Qta. do Mosteiro, Lomba dos Palheiros (Vale Moleiro), Vale de Carro, Sra. da Ribeira, Coja, onde atravessava o Rio Alva, podendo daqui rumar a N para a Bobadela ou rumar a NE na direcção do Castro de S. Romão (Seia) e, atravessando a Serra da Estrela, ligaria à via Braga-Mérida.

Minas de Góis, Lousã e Arganil
A exploração mineira nestes concelhos deverá estar associada a uma rede viária para escoamento do minério da qual apenas se conhecem parcos vestígios:
Góis (poderia ser romano o caminho que vem da Portela de Albergaria, atravessa o Ceira em Góis e seguiria para Lomba do Canho em Arganil)
Cadafaz, Góis (troço de calçada na Estrada do Pepio e do Sal e na Estrada das Malhadas, ambas nas cumeadas da Serra de Entre-Capelos e Serra das Malhadas)
Alvares, Góis (Minas romanas na Escádia Grande em Roda Cimeira e em Covas dos Ladrões no Alto das Cabeçadas, onde apareceram duas aras dedicadas à divindade indígena Ilurbeda)
Serpins, Lousã (Villa Serpinis num documento de 961; habitat no Cabeço da Igreja; 2 inscrições sepulcrais; vestígios dos pilares da antiga Ponte Medieval sobre o rio Ceira)
Várzea Grande, Vila Nova do Ceira (calçada de acesso às minas de ouro)


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Coimbra (AEMINIUM) - Leiria (COLLIPO)
Desviando da Via XVI em Conímbriga, a via poderia seguir por Ega até Soure onde se achou um miliário, atravessando aí o rio Arunca, em alternativa poderia seguir pela via antiga pela Ponte da Redinha, onde também há vestígios romanos, seguindo depois para Pombal. O itinerário continua apenas conjectural. (Alarcão, 2004; Bernardes, 2007).

Variante por Soure
Ega (provável vicus no Largo da Feira de São Martinho, junto da Igreja Matriz; Villa de Mouroiços)
Soure (Vicus Saurium?) (provável mutatio junto ao Castro de Soure, localizado num sítio estratégico como é a confluência dos rios Arunca e Anços; nas ruínas da Igreja de Ns. de Finisterra junto ao castelo, apareceu um miliário a Caracala já convertido em sarcófago, hoje no Museu Municipal; talvez indicasse a milha IX desde Conímbriga mas hoje é ilegível; a mutatio ficaria no Vicus da Qta. da Madalena; a continuação da via ainda não é clara, tanto podendo seguir a margem esquerda do rio Arunca até Pombal ou seguir mais a poente por Louriçal e depois pela rota da EN109.

Variante pela Redinha
Seguia por Ameixeira, Arrifana, N1, Presa, Vale do Castelo, Venda Nova, Vale Mouro e Galiana (importante vicus chamado «Cidade» da Roda), Ponte Romano?-Medieval sobre o rio Anços na Redinha (Povoado em Vale Castelo), continuando depois para Pombal. (pela EN1?).

Pombal (ainda pouco clara a rede aqui)
  • de Pombal é possível que um caminho romano ligasse ao Vicus de Trás-os-Matos, seguindo pela Estrada das Congostas, acompanhando o Rio Arunca pela sua margem direita, passando no Alto das Mouriscas, Ponte de Assamassa, acompanhando a ribeira de Valmar até Trás-os-Matos, podendo daqui ligar à Via XVI Braga-Lisboa por Campodónio (Abiúl) e Santiago da Guarda.
  • um outro caminho desviava do anterior atravessando a ribeira de Valmar em Melga ou na Ponte de Assamassa e dirigia-se ao Vicus da Igreja de S. Tibério em Farroubal.

Continuação para Leiria:
Atendendo aos vestígios existentes é provável que a via depois de tocar Pombal seguisse ao longo da margem direita do Rio Arunca por Melga até Pisão, onde faria a travessia do rio para Vermoil.
Vermoil (a via deveria passar na Rua da Calçada, da qual só resta o topónimo, em direcção ao Vicus da Telhada/Lavandeira/Povoado do Outeiro da Calvaria; depois poderia seguir pela Estrada da Bouça até Barracão; em alternativa seguia pela Igreja Velha e Colmeias até Boa Vista)
Barracão (entronca na EN1)
Travessia da ribeira de Agudim na Ponte da Madalena (Vicus de Covas - Casal da Quinta)
Boa Vista (pela igreja)
Leiria (Villa de Martim Gil em Marrazes e na Ns. das Necessidades em Regueira das Pontes)
Travessia do rio Lis (talvez continue pela EN543)
Telheiro
Barreira (calçada)
Andreus, Barreira
S. Sebastião do Freixo (COLLIPO) (civitas; o espólio recolhido está no Museu da Comunidade Concelhia da Batalha inaugurado em 2011)
  • Ligação de Collipo ao seu porto marítimo: deveria existir um ligação a Vale Paredes,, porto romano da civitas, passando algures por Azoia (tesouro), Maceira (villae em Arneiro e Arnal; epitáfio de Maximus em A-de-Barbas) e Martingança.
  • Ligações à Lagoa da Pederneira: ao tempo romano toda a região a sul da Nazaré era ocupada pela Lagoa da Pederneira, formando um braço de mar que se estendia para o interior; vários sítios romanos identificam a antiga linha de costa com povoados em Pederneira, Valado de Frades, Póvoa, Cós, Maiorga, Fervença, Parreitas, Cela Velha e Famalicão. Assim, é possível a existência de diversos caminhos de acesso a estes pequenos portos e vilas agrícolas passando por Pataias (Fornos de Cal), mas a via para Lisboa teria de necessariamente contornar a Lagoa passando em Alcobaça, conforme descrito no Itinerário de Collipo a Olisipo.


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Leiria (COLLIPO) - Tomar (SEILIUM)
Ligação entre estas duas importantes civitates pelo concelho de Ourém, mas com um traçado ainda muito conjectural devido à incertezas existentes. Apresentam-se duas possibilidades, uma passando por Ourém e outra por Caxarias. (Mantas, 1989, 1990 e 1996; Bernardes, 2007)

S. Sebastião do Freixo (COLLIPO) (desce a Portelas e atravessa o rio Lis)
Fontes, Cortes (continua pela Estrada da Camarinhas até Abadia, passando junto da villa? de Camarinhas, rumando depois ao Cabeço da Carapinha pela Sra. do Monte, EM1250-1)
Chaínça
Loureira
Pedrome, Sta. Catarina da Serra (seguiria pela «Estrada Romana» e Rua da Estrada Velha até confluir na EN357; pouco depois a estrada deveria bifurcar nas duas variantes abaixo, uma rumando a Ourém por Magueigia e Ulmeiro e outra para Gondemaria)

Variante por Ourém
Atouguia (passaria junto da Villa de Coinas talvez pela Ponte do Porto do Carro e por Moura, onde entronca na estrada principal de Atouguia)
Ourém (atalaia romana no Castelo Velho, o antigo povoado de Adbegas, com acesso pela Ponte romana? de S. Sebastião e pela calçada da Mulher Morta; No entanto a via romana deveria contornar o castelo pela Corredoura, atendendo aos vestígios junto do campo de futebol)
Variante por Caxarias
Gondemaria (topónimo Calçada junto do habitat da Achada do Pontão)
Olival (a via deveria passar junto vestígios entre Moçomodia e Pairia, e da Villa junto do Centro de Dia)
Casais de Abadia, Caxarias (vicus?)
Caxarias (vestígios no cemitério; provável mutatio em Carrascal; a via talvez seguisse por Cogominho e Vale da Cordela)
Eventuais ligações para norte atravessando a ribeira de Caxarias: Sta. Maria de Seiça (referência a uma via debaixo da linha férrea (?) em Padrão; necrópole em Pombalinho; alternativa por Sabacheira, atendendo à atalaia em Vinha Velha e à Ponte romana? da Póvoa)
Carregueiros (talvez pela calçada de Valinhos Ponte românica de Vale de Carvalho e Ponte «romana» de Casal Ribeiro; topónimo Vale da Carreira; segue para Tomar por Casal das Sortes e Venda da Gaita)
Tomar (SEILIUM)

Tomar-Assentiz-Torres Novas
Algumas pontes ditas «romanas», calçadas e outros vestígios numa região fortemente romanizada, mas cuja rede viária é ainda em grande parte desconhecida.
  • De Tomar deveria existir uma estrada para leste passando na Ponte «romana» dos Frades sobre a ribeira de Cerzedo, junto da Qta. da Anunciada Velha (Madalena) seguindo para Assentiz/Beselga, ligando assim aos castros romanizados do Monte Cividade/Monte de Aparícia (sobranceiro à ribeira da Beselga), de Francos (villa de S. Silvestre junto da Igreja Matriz; calçada passa na Ponte «romana» sobre a ribeira da Fonte da Longra), Carregueira e Fungalvaz (calçada do ribeiro de Chão de Maçãs ao Castelo; villa ou vicus em Vales de Baixo e de Cima; forno em Casais da Igreja).
  • Outra ligaria ao vicus de S. Pedro de Caldelas (Madalena, Tomar), Porto da Laje e seguindo em direcção a Torres Novas pela Ponte «romana» sobre a ribeira de Pé de Cão (villae em Casal de Soudos, Paraíso/Paraísas e Alto da Qta. de S. Brás em Vargas, Paço), Olaia (vicus?), Valhelhas (calçada junto do cemitério) e Gateiras, onde entronca na variante da Via XVI Braga-Lisboa por Torres Novas, ou seguir pelo Alto das Pretas, Alcorriol e Sentieiras até entroncar nas anteriores em Casal Bom.
  • Outros vestígios na região de Torres Novas:
    Lapas (villae na Qta. da Silvã, Qta. de S. Brás em Baralhas; Ponte «romana» de Pimentéis), Chancelaria (Villa da Mata/Malhada, junto à ribeira do Mortal), Riachos (Oppidum romanizado em Castelo Velho) e Lameiranche (Parceiros de Igreja) (Silva, 1988; Ponte, 1995).


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Leiria (COLLIPO) - Santarém (SCALLABIS)
Deveria existir uma ligação entre estas duas importantes civitates mas para já os traçados propostos são meramente hipotéticos. Uma alternativa passa no interessante troço de calçada em Alqueidão da Serra e a outra passa na Ponte de Alcanede com possível origem romana. (Mantas, 1989, 1990 e 1996; Bernardes, 2007)

Variante por Alqueidão da Serra:
S. Sebastião do Freixo (COLLIPO), Leiria
Reguengo do Fetal (por Garruchas e Perulhal)
Alqueidão da Serra, Porto de Mós (o troço calçada com 150 m começa junto ao parque de merendas, acesso pela Rua da Carreirancha, seguindo depois pelo Vale de Ourém e Bouceiros, mas a partir daqui o traçado é incerto)
  • rumar a Torres Novas por Valongo, Vale de Barreiras e Grouxaria continuando depois até à travessia do Tejo em Tancos.
  • rumar a Chões de Alpompé, porto fluvial do Rio Tejo, talvez Moron.
  • rumar a Santarém por Minde (atravessa a Serra de Minde), Alcanena, Pernes e Achete, continuando pela Calçada de S. Domingos (necrópole) e entrando na cidade pela antiga Porta de Leiria.

Variante por Porto de Mós:
S. Sebastião do Freixo (COLLIPO)
Batalha (segue ao longo da margem direita do rio Lena pela Estrada da Freiria até às Termas Salgadas da Batalha, onde toma o estradão à esquerda que atravessa a ribeira das Alcanadas na Ponte do Coito e segue por Lameiros até Sta. Luzia, onde reencontra a EN para Porto de Mós)
Porto de Mós
  • rumar ao Vale do Tejo pela depressão de Alvados, passando em Alcarias.
  • rumar para sul pela EN362, passando por Mendiga, Valverde, Mosteiros, Ponte Romano?-Medieval de Alcanede sobre o rio Nede, seguindo depois por Tremês e Romeira até Santarém ou por Fráguas em direcção a Rio Maior, EN361.

Variante por Rio Maior:
De Alcobaça poderia rumar a Rio Maior passando por Évora de Alcobaça e Turquel, locais romanizados, Alto da Serra ("Casa da Muda", antiga malaposta da estrada real), Freiria, Rio Maior (Villa Romana junto do cemitério; espólio na Galeria Municipal; vestígios a poente no lugar de Bocas, a norte nos vários Casais de Cidral perto da Fonte da Bica e a sul no lugar das Boiças), atravessava o rio e seguia para leste rumo a Santarém ou para sul rumo a Alenquer passando por Espinhaço de Cão.


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Leiria (COLLIPO) - Óbidos (EBUROBRITTIUM)
A via romana que ligava Collipo a Eburobrittium começa agora a ficar mais consolidada, mas grande parte do percurso é ainda conjectural. A via deveria seguir pela antiga linha de costa que ao tempo romano era bem mais para o interior, bordejando a extinta Lagoa da Pederneira, em direcção a Alfeizerão pois aí foi encontrado um miliário dedicado a Adriano que está hoje numa casa particular e do qual existe uma cópia em gesso no Museu Dr. Joaquim Manso na Nazaré; Segundo a Assoc. de Amigos de Alfeizerão (AMIALFA) este miliário estaria no sítio das Ramalheiras e não na aldeia de Ramalhiça, como indica Vasco Mantas (1986). Depois de Alfeizerão, a via dirigia-se a Eburobrittium, cidade mencionada por Ptolomeu no seu «Geographia», mas que só viria a ser descoberta em 1994 durante as obras de construção da A8. A anterior localização do oppidum em Amoreira proposta de J. Alarcão (1988) ficou assim descartada. (Mantas, 1986, 1990 e 1996).

Freixo (COLLIPO), Leiria (segue por Rebolaria e Crasto)
Batalha (segue aprox. a EN1 e EN8 por S. Jorge, Moitalina, Cruz da Légua, local onde entronca a estrada que vinha de Santarém; ver o Museu da Comunidade Concelhia da Batalha; Epitáfio de um Collipponense)
Aljubarrota (calçada de Prazeres)
Boavista de Baixo, Aljubarrota (calçada na Qta. das Inglesas seguindo por Qta. Nova)
Alcobaça (provável mansio a cerca de 15 milhas de Collipo e a 19 milhas de Eburobrittium; a travessia do rio Alcoa poderia ser junto às Termas da Piedade)
De Alcobaça a Alfeizerão poderia seguir por duas alternativas:
  • Rumar directo a Alfeizerão por Vestiaria, Cela e Alto do Facho porque apesar de não existirem vestígios, este caminho é mais curto e menos acidentado que a alternativa por Rebolo descrita abaixo.
  • Continuar junto à antiga linha de costa, próximo da Villa de Parreitas, sobranceira à antiga Lagoa da Pederneira, em Bárrio, seguindo a lagoa por Cela Velha (calçada; Rua da Via Romana), Cabeço da Arieira, Mata da Torre, Rebolo (cipo funerário) e Macarca de Cima já na freguesia de Famalicão. Ver o importante sítio romano na Igreja visigótica de S. Gião ainda em estudo.
Alfeizerão (porto romano?; a via passa a leste em Ramalhiça, onde se achou o miliário a Adriano; Villa em Casal do Pardo)
Vale de Maceira (a leste, talvez por Mosqueiros, Casal da Venda e Casal do Oliveira)
Salir de Matos (provável villa em St. Amaro; epitáfio de Marcus Balbus; Epitáfio de Sulpicia, uma Collipponense)
Travessia do Rio Tornada para Casais da Ponte
Caldas da Rainha (algures a leste da cidade)

Óbidos (EBUROBRITTIUM) (o que resta hoje desta importante cidade romana situa-se na encosta sobranceira ao Santuário do Sr. Jesus da Pedra, antiga Qta. das Flores, actual Qta. das Janelas na freguesia de Gaeiras)
  • Ligação a Santarém: deveria existir uma ligação entre Eburobrittium e Scallabis passando por Cercal (Cadaval); na sua parte inicial, a via tanto poderia seguir comum à via para Olisipo até Lamas (Cadaval), rumando aqui para o Cercal, ou seguir um caminho independente por Usseira, Salgueiro, Barrocalva, Palhoça, Qta. de St. António e Cercal (povoado em S. Salvador); reunidas em Cercal, a via dirigia-se para Santarém talvez por Manique (por Arrifana e Albergaria?; provável ligação a Pontével), Almoster (a sul por Atalaia?; provável ligação ao Cartaxo), seguindo talvez para a Ponte do Celeiro sobre a Vala de Asseca e daqui a Santarém pela Calçada de S. Domingos.
  • Ligação ao rio Tejo: hipotética ligação de Eburobrittium à travessia do Tejo em Escaroupim, desviando da anterior em Cercal e seguindo para SE por Alcoentre e Aveiras de Cima, onde cruza com a VIA XVI, Aveiras de Baixo (villa), Qta. do Alqueidão e Reguengo, onde fazia a travessia do rio. (Costa, 2010)


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Óbidos (EBUROBRITTIUM) - Lisboa (OLISIPO)
Continuação da via romana Conímbriga-Lisboa atravessando os concelho de Óbidos, Alcobaça, Mafra e Sintra. De Eburobrittium a via continuava na rota para sul, mas o itinerário continua muito incerto. É possível que a via se dirigisse ao Cadaval, traçado que corresponde a grosso-modo à EN114 e EN8, podendo um ramo inflectir para leste em direcção a Santarém e ao rio Tejo. (Ver Byrne, 1993; Mantas, 1996; Dias, 1997; Moreira, 2002; Costa, 2010)

Óbidos (Eburobrittium) (ver mapa; partindo do centro urbano na Qta. das Janelas, segue debaixo da A8 para ir atravessar o rio Arnóia junto da Qta. do Pego, continua por Casal da Coxa, cruza a EN114 ao km 85 e passa no sopé de Óbidos pela Rua de D. João de Ornelas (junto à muralha), seguindo depois pela Qta. do Jardim, onde há registo de calçada)
A-da-Gorda (daqui partiria um acesso aos vestígios na Qta. da Ferraria e na Qta. das Várzeas; continua sempre recto pela EN114 até encostar ao nó de acesso à A8 que destruiu o antigo caminho que seguia entre a AE e a EN8, existindo ainda vestígios da calçada; hoje é preciso seguir pelo estradão de terra que passa debaixo da A8 até reencontrar o caminho ao entroncar na EN8, onde também apareceram vestígios da calçada)
S. Mamede, Bombarral (daqui partia uma ligação à Villa da Columbeira cujo espólio está no Museu Municipal; seguia sempre pela EN8, passando junto à Villa romana de S. Mamede, entre o km 80 e 79, junto do campo de futebol e na base do Castro do Alto da Raposa (seria uma mutatio?); depois continua paralela ao rio Real e linha férrea indo atravessar o Rio Bogofa em Sobral de Parelhão, rumando depois ao Cadaval por Vale de Canada, Alto do Bacalhau e Qta. da Padroeira)
Cadaval (o Museu Municipal guarda o espólio da Villa de Borjigas, da Villa de Cidral e uma ara dedicada a Marco Aurélio; a via deveria seguir pela vertente poente da Serra de Montejunto por Chão de Sapo)
S. Tomás de Lamas (aqui apareceu uma ara dedicada a Caracala; atravessa o rio Real e seguiria talvez por Ventosa, Palhais, Vilar, passa em S. Martinho, a leste de Aldeia Grande e Maxial, continuando ao longo da margem esquerda do rio Alcabrichel por Lobagueira, Monte Redondo, Matacães do Juncal, passando assim a leste de Torres Vedras; inscrição a Manes na Igreja de Matacães talvez proveniente da necrópole da Moirinha, 200 m a poente)

Torres Vedras (CHRETINA que Ptolomeu coloca a 50 km de Olisipo, ainda no território do Municipium Olisiponense, não seria longe daqui, podendo corresponder aos vestígios encontrados na área da Qta. da Macheia/Machêa, Qta. do Juncal e Termas Romanas dos Cucos; várias necrópoles e inscrições funerárias)
  • Ligação de Torres Vedras a Alenquer: deveria existir uma ligação entre Chretina e Ierabriga, ligando assim a Via Conímbriga-Lisboa à Via Braga-Lisboa, seguindo da zona da Qta. da Macheia para poente e passando na Serra de S. Julião (villa?; inscrição a Manes na capela, FE306), continuando depois por Merceana, Aldeia Gavinha e ao longo do rio Alenquer até Ierabriga (Mantas, 2002; Costa, 2010).

Dois Portos (da Quinta da Macheia, a leste de Torres Vedras a via continuava para Dois Portos ao longo da margem direita do rio Sizandro, passando junto da Villa de Penedo)
  • Ligação de Dois Portos a Alenquer, pela linha de festo que separa os afluentes da bacia hidrográfica do Rio de Alenquer e do Rio Grande da Pipa; partindo de Dois Portos, segue pelo Alto de Aire, Alto da Folgorosa, Sra. dos Milagres, Chãos, Freiria, entra na EN115-3 e segue para Calçada, Casal Sta. Eufémia, e pouco depois sai da estrada e desce à ribeira de Santana da Carnota pela calçada a oeste Casal do Vale de Reis, continua a leste de Pipa por Casal Novo, Qta. do Outeiro e Qta. do Chafariz, entra na CM1121 para Cabeços, passa a EM523 continua pelos sítios romanos do Casal dos Cabeços, Mte. do Alforges e Venda/Alto da Cabreira, onde sai da estrada, e segue o caminho por Casal da Choça e Qta. do Brandão directo à mansio Ierabriga no lugar de Paredes, junto da margem direita do rio Alenquer. (Mantas, 2002; Costa, 2010).
  • Ligação de Dois Portos ao rio Tejo: é provável que daqui partisse uma ligação directa ao Rio Tejo para escoamento dos produtos da região, passando em Aranhó (Castelo/Forte do Passo), Santiago dos Velhos (Casal Novo) e Calhandriz (Casal Velho), onde há referências a um miliário, e finalmente Alverca, onde entronca na Via Bracara - Olisipo. (Costa, 2010)

Continuação para Lisboa:
A continuação da via para Lisboa a partir de Dois Portos poderia seguir aproximadamente a EN374 pelo Vale de S. Gião em direcção ao Milharado, seguindo ao longo da margem direita do rio Sizandro por Feliteira, Gosundeira, Perna de Pau (Casal da Estrada), Sapataria e Milharado, continuando depois a poente do Cabeço de Montachique até S. Julião do Tojal onde Loures, entronca na via proveniente de Santarém que seguia para Lisboa, ou seja, o Itinerário XVI de Antonino (Mantas, 1996).

Variantes de Via Óbidos-Lisboa pelo litoral:
A linha de costa na antiguidade seguia por Ferrel (Lajido e Cruz das Almas), Atouguia da Baleia (por Burnela, Porto Salgado, Porto dos Lobos, Alcoentras e Consolação), sendo que Papoa, Baleal e Peniche eram ilhas junto da costa na época romana com a função de entrepostos de apoio ao comércio marítimo. Em Peniche há vestígios de fabrico de ânforas nos fornos romanos do Morraçal da Ajuda e ainda outros vestígios em torno da Igreja de Nossa Senhora da Ajuda e dos edifícios na Rua da Liberdade certamente relacionados com essa função de entreposto. Desse modo é quase certo que existia uma ligação entre Eburobrittium e o seu porto marítimo em Atouguia da Baleia, seguindo depois a antiga linha de costa até Chretina, talvez Torres Vedras; do mesmo modo também é possível que existisse uma variante da Via Torres Vedras-Lisboa pelo litoral, começando por ligar Chretina ao mar, seguindo depois para sul em direcção a dois importantes sítios romanos, a Villa de S. Miguel de Odrinhas e o Vicus de Faião com enorme importância no contexto do território Olisiponense e outra das possíveis localizações de Chretina.

de Óbidos a Torres Vedras pela antiga linha de costa
Óbidos (a via seguiria por Pinhal, Sobral da Lagoa, Vicus de Amoreira de Óbidos, Casais da Ladeira, continuando pelo caminho carreteiro que atravessa a Serra d'El Rei até Reinaldos e Casal das Figueiras)
Atouguia da Baleia (o porto romano de Eburobrittium poderia ser em Porto de Lobos ou em Porto Salgado)
Travessia do rio Toxofal, antigo rio Gaia (junto à Villa de Caio Júlio Lauro na Qta. da Moita Longa)
Miragaia, Lourinhã (aras funerárias na Igreja Matriz)
Ribeira de Palheiros, Campelos (atravessa o rio Grande e segue por Casais dos Carvalhos)
Ramalhal (lápide de Ferrarias em Vila Ficaia; atravessa o rio Alcabrichel e segue por Ameal, Sarge e Ordasqueira)
Torres Vedras (entroncaria na via principal que passa a leste da cidade ou poderia atravessar o rio Sizandro e continuar pela margem esquerda próximo do sítio romano da Qta. da Porticheira/Portucheira (duas estelas funerárias; villa?) e na base do povoado romanizado da Sra. do Socorro, passando por Louriceira (estela funerária) e seguindo até Runa (necrópole na Qta. da Pederneira e no Casal Bucículos, próximo de Figueiredo), separada da Villa de Penedo pelo Sizandro e onde passava a via principal para Lisboa; também poderia existir uma ligação à foz do Sizandro atendendo aos vestígios em torno da Ermida de Sta. Helena em Sta. Cruz, Silveira; necrópole, cupa epigrafada, lápide funerária)

de Torres Vedras a Lisboa pela costa
Partindo de Torres Vedras, seguia para oeste ao longo da margem direita do rio Sizandro, passando na Villa da Qta. de São Gião d'Entre as Vinhas (antes de Fonte Grada, cupa, 2 cipos funerários e lápides romanas na ermida) até Coutada, atravessando aqui o rio Sizandro para São Pedro da Cadeira (Villa junto à capela de Ns. da Cátedra em Formigal, provável origem das 3 inscrições que estão na ermida), continuando por Encarnação, S. Domingos da Fanga da Fé (Casal da Estrada), onde atravessa o rio Safarujo e segue até Paço das Ilhas (calçada com 100 m e Ponte no lugar do Crato sobre o rio do Cuco), até ao rio Lizandro, o provável limite N do território Olisiponense passando assim a poente de Mafra (Mantas, 2000).
  • Possível variante por Mafra, passando em Achada e Sobreiro, e seguindo por Igreja Nova e pela Ponte Romano?-Medieval de Cheleiros, seguindo junto da Villa de Rebanque até Montelavar, onde reencontra o itinerário principal.
Ericeira (porto romano?; a via passaria a leste, talvez pelos altos da Carrasqueira e dos Leitões)
Ponte da Carvoeira sobre o rio Lizandro (na Sra. do Ó do Porto; villa em Pernigem)
Travessia da ribeira do Falcão em Barril de Baixo (segue por Assafora e próximo das Villae(?) de Areias e Amoreira)

  • Variante por S. João das Lampas, desviando em Assafora para Cortesia (estação romana), Ponte Romana? de Catribana sobre a ribeira de Bolelas, subindo pela calçada à estação romana do »Castelo» e depois pelo Casal do Coval até S. João das Lampas (villa em Cornadelas/Ermidas; casal em Pombal/Camalhão e necrópole do Fetal e Espadanais, associadas à villa de Torres/Casal de Pianos; casais em Mato Tapado, Cabeça dos Sete Moios e Parede Bem Feita), podendo daqui rumar a Sintra por Terrugem, Vila Verde (junto da Villa de Abóbodas; Cipo funerário de Avitianus no Casal do Ulmeiro), Lourel (Villa nas ruínas da Ermida de S. Romão) e Sintra (vestígios na Pr. da República/Rua de Gil Vicente; necrópole em St. Amaro).

S. Miguel de Odrinhas, S. João das Lampas (importante villa junto do Museu Arqueológico de Odrinhas que reúne o imenso espólio epigráfico do Concelho de Sintra provenientes de Odrinhas, Faião, Cabrela, Funchal, Almorquim, e das villae do litoral constituindo uma das maiores colecções de epigrafia romana no mundo; A calçada para Faião parte da capela pelo estradão de terra que ruma a sudeste, entronca na EM1204 que segue por 300 m, seguindo depois à direita pelo estradão designado por Rua do Norte que segue até Faião)
Faião (provável Vicus em Pedrões; necrópole em Currais Velhos)
Cabrela (calçada)
Ponte Romano?-Medieval sobre a ribeira de Cabrela
Montelavar (Albergaria medieval; vestígios de pedreiras; Villa em Barros do Casal Silvério; Inscrição no fontanário de Armés, CIL II 260)
Pêro Pinheiro (vestígios da via junto da villa na Granja dos Serrões; vestígios em Casal das Vivas e Lameiras; continua por Palmeiros, Sabugo, atravessa a ribeira de Jarda junto da villa da Granja de Santa Cruz, onde há vestígios da via e segue para Carregueira)
Belas (Barragem Romana junto à ribeira de Carenque que abastecia Lisboa pelo Aqueduto Romano em Mina; calçada desaparecida em Machado/Rio do Porto; troço de calçada com cerca de 600 m entre a ribeira do Jamor e o pórtico quinhentista da Quinta do Bom Jardim em Venda Seca; Minas Romanas do Monte Suímo)
Falagueira, Amadora (Villa da Qta. da Bolacha a lado do Lidl; espólio no Núcleo Museográfico do Casal da Falagueira)
Lisboa (OLISIPO)

Ligações em torno de Sintra
Hipotéticas ligações entre as muitas villae romanas que pontuavam a paisagem dos actuais concelhos de Sintra e Cascais; O povoamento ao longo da Costa do Estoril culminava na Praia das Maçãs com o Santuário do «Sol e da Lua» nos limites do mundo conhecido até então.


Mapa

















Condeixa-a-Velha (CONIMBRIGA) a Alvega (ARITIO VETUS) / Aramenha (AMMAIA) / Idanha-a-Velha (IGAEDITANIA)
Vias secundárias que ligavam Conímbriga ao interior da Lusitânia, seguindo uma para Igaeditania por Castelo Branco, outra para Ammaia, atravessando o rio Tejo na Barca da Amieira e finalmente uma outra seguia para Aritio Vetus (Alvega), atravessando o rio Tejo na Ponte Romana "acima d'Abrantes" conforme a referência de Francisco d'Holanda, entroncando assim na Via XV Lisboa-Mérida. Na sua parte inicial, estas vias seriam comuns à Via XVI Braga-Lisboa, inflectindo para leste para ir atravessar o rio Zêzere em diversos pontos; O primeiro desses pontos seria na Ponte Romana do Cabril, em Pedrogão Grande que seria na época a única travessia do rio Zêzere por ponte, rumando depois a SE em direcção à Sertã e à Ponte Romano?-Medieval dos Três Concelhos onde fazia a travessia da ribeira de Isna. A partir daqui bifurcava, seguindo uma via para Aritio Vetus por Amêndoa, Mação e Ortiga, enquanto a via para Ammaia seguia por Cardigos em direcção à Barca da Amieira. Os segundo ponto de travessia do Zêzere seriam em Martinelo, onde V. Mantas achou um possível miliário, e o terceiro em Bairrada/Porto Caíns junto à Foz do Codes. Além deste miliários existe mais um miliário em Vale do Grou e fustes de possíveis miliários em Sra. da Graça (Valhascos), sugerindo uma rede complexa de caminhos secundários na região entre os rios Zêzere e Tejo. (ver Batata, 2006)

De Conimbriga a Aritio Vetus pela Ponte do Cabril
Desviando talvez da Via XVI Braga-Lisboa junto a Avelar (Ansião), inflectia para nascente por:
Pedrogão Grande (troço de calçada em Valada junto da ribeira da Pera; a via passa no vicus e possível mansio na recentemente inaugurada Estação Arqueológica do Calvário em Devesa)
Ponte Romana do Cabril sobre rio Zêzere (restam os seus contrafortes, hoje submersos, um pouco a jusante da Ponte Filipina)
Pedrogão Pequeno (segue a Estrada da Cova até à calçada sobre a ribeira dos Porteleiros)
Sertã
Ponte Romano?-Filipina sobre a ribeira da Sertã (provável mutatio na outra margem, em Mata Velha; segue por Abegoria)
Cumeada
Ponte da Cova do Moinho sobre a ribeira da Tamolha (sobe até Catraia)
Marmeleiro (pela Serra da Longra; na povoação vira à direita para Sarnadas e desce à)
Ponte Romano?-Medieval dos Três Concelhos sobre a ribeira da Isna
Portela dos Colos, S. João do Peso (segue por Algar, Várzea, Tinfaneiros e Capela de Santa Madalena)
Amêndoa
Mação (deveria existir uma ligação à travessia do Tejo junto do Castelo de Belver, passando na Tapada da Ordem em S. Marcos do Rosmaninhal e na Qta. do Ribeiro da Nata com 5 inscrições)
Ortiga
Ponte Romana sobre o rio Tejo (ponte referida por Francisco d'Holanda desaparecida)
Casal da Várzea, Alvega (provável localização de Aritio Vetus).

De Conimbriga a Ammaia pela Barca da Amieira
O itinerário proposto é idêntico ao anterior até à Portela de Colos, onde derivava em direcção à travessia do rio Tejo na Barca da Amieira, seguindo por Casas da Ribeira (inscrição), atravessava a ribeira de Bostelim e seguia por Corujeira, Cardigos (por Chão do Pião onde se achou uma inscrição funerária), Lameirancha, Sarnadas e A Moradeira, na base do Castelo Santo, Freixoeirinho e Capela (possível ligação à Ponte de Pracana com base numa inscrição achada em Feiteira, o epitáfio do Cluniense Caius Sempronius, e nas duas inscrições votivas achadas em Galega, na villa? da Sra. da Moita), Carvoeiro, Vale da Mua (referência viária; vestígios em Vale Bom, Casal e Tapada), Envendos (onde cruza com o Itinerário Alvega-Castelo Branco que segue pela Ponte de Pracana), descendo por S. José da Matas até à Barca da Amieira onde atravessava o Tejo. Depois da travessia o rio Tejo seguia por Amieira, Arez (mina da Laje da Prata), Alpalhão, Castelo de Vide e finalmente Ammaia.


De Conimbriga a Igaeditania por Martinelo
Com base num fragmento de um possível miliário anepígrafo identificado por Vasco Mantas em Martinelo que está hoje no Museu Arqueológico de Santarém, deveria existir aí uma travessia do rio Zêzere para Alcamim, junto da Foz do Isna, evitando assim a travessia desta ribeira; esta via seria também uma derivação da Via XVI Braga-Lisboa na zona de Alvaiázere, passando próximo da villa de Sandoeira e no sopé do Castro de S. Pedro em Rego da Murta (junto da Capela de S. Pedro que talvez assente no podium de um templo romano) e seguia pela cumeada ao longo da ribeira de S. Domingos pelo Alto de Vale Ferreiro, Casal do Zote, EN520, Carril, Alto da Ferraria, desviando para EN238 por Besteiras e Vales e depois descendo pela CM1064.
Travessia do rio Zêzere entre Martinelo e Alcamim (miliário; em alternativa poderia fazer a travessia mas a jusante, junto da Capela de S. Pedro do Castro, onde apareceram 5 há 5 inscrições funerárias, das quais duas na fachada e uma terceira no altar interior)
Vila de Rei (do rio segue por sobe por Vale Velido/Minas de Estevais)
Várzeas (cruza com a via N-S entre a Ponte dos Três Concelhos e a travessia do Tejo em Ortiga)
Cardigos (cruza com a via NW-SE que liga Ponte dos Três Concelhos à travessia do Tejo na Barca da Amieira)

de Conimbriga a Aritio Vetus por Ferreira do Zêzere/Bairrada
Este itinerário é comum ao anterior até ao Alto da Grabulha (calçada de acesso ao Porto Romã), mas a partir daqui segue por Águas Belas para Ferreira do Zêzere e depois toma a EM630 e CM1108, na linha divisória com o concelho de Tomar para ir atravessar o Rio Zêzere entre Bairrada e Porto Caíns, onde convergia também a via proveniente de Tomar junto da Foz do Codes; este local divide não só os concelhos de Ferreira do Zêzere e Tomar como o de Vila de Rei e Abrantes; daqui seguia para S. Domingos, onde se dividia em dois ramos, seguindo um ramo para norte, descrito no Itinerário Tomar-Covilhã, enquanto este itinerário rumava a sul na direcção do nó rodoviário associado ao vicus de Mouriscas; a via seguia por Carvalhal e S. Simão até ao Sardoal (calçada junto à Ponte de S. Francisco; povoado no Cabeço dos Mouros), seguia por Valhascos (na base do povoado do Cabeço das Mós) e Casal da Sra. da Graça (calçada com 400 m e vários fustes de possíveis miliários) até Mouriscas (vicus e base de miliário na Fonte do Sapo), podendo ligar ao Tejo por Vimieiro (topónimos Carril, Carreira e Portela das Eiras), Aldeias (duas inscrições funerárias), Balsa, Surdo, Vale Covo até à travessia do Tejo na Barca de Bandos e daí rumar a Aritio Vetus, algures perto de Alvega (V3 em Batata, 2006).

do Rio Tejo/Tramagal a Mação
Também é provável que em Mouriscas passasse uma via SW-NE proveniente da travessia do Tejo no Tramagal
Tramagal (na outra margem, santuário da Barca de Rio de Moinhos; possível ligação poente por Pedreira e Amoreira em direcção a Constância)
Abrantes (hipótese de localização de Aritio Vetus no oppidum do castelo; seguiria por Cana Verde; Villa de Lopo/Cousa Bela)
Ponte-Represa Romana? de Alferrarede, Qta. do Bom Sucesso, Olho de Boi, Alferrarede (55 m; chamada Ponte dos Mouros)
Alferrarede (a via passa na Qta. das Necessidades e em Vale de Besteiros)
Mouriscas (vicus; 3 inscrições na Igreja Matriz)
Ponte Romana? de Rio Frio sobre a ribeira do Coadouro em Penhascoso (foi betonada; calçada de S. Marcos)
Mação (inscrição Aquis Sacris; continua para leste por Vale do Grou, onde cruzava com a via Amêndoa-Amieira, seguindo em direcção à Ponte de Pracana)

de Amêndoa a Cardigos e Amieira
  • de Amêndoa poderia ligar a Cardigos, passando no sopé do Castro de S. Miguel (calçada na Fonte da Moura/Coutada) e Pracana da Ribeira (calçada em Cabeceiros).
  • de Amêndoa poderia ligar à Barca da Amieira, passando em Fonte de Amêndoa, Chão de Lopes Pequeno, Castelo (calçada em Alicerces), Castelo Velho do Caratão, Ribeira de Aziral, Vale do Grou (vicus; calçada e uma base de um possível miliário, hoje no Museu de Mação), Vilar de Mó (duas inscrições votivas na Igreja de S. João Evangelista, uma dedicada aos Bannei Picio, RAP 35, e outra colocada por Caeno Matsi, RAP 580; hoje no Museu de Mação), rumo à travessia do rio Tejo na Barca da Amieira.


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Tomar (SEILIUM) - Idanha-a-Velha (IGAEDITANIA)
Esta estrada referida na Doação da Guidimtesta poderá ter origem romana, ligando Seilium a Igaeditania. Partindo de Tomar, rumava a leste em direcção ao rio Zêzere por Paixinha (Ponte romana? sobre a ribeira da Lousã), Poço Redondo (minas de ouro) e Vialonga, onde inflectia para nascente para ir atravessar o rio Zêzere entre Bairrada e Porto Caíns, junto da Foz de Codes, rumando depois a norte na direcção de Vila Rei por Codes (calçada na Foz da Amieira) e Milreu, segundo depois por Várzeas e Cardigos; A partir de Cardigos o traçado em direcção de Idanha-a-Velha é duvidoso, podendo seguir algures por Proença-a-Nova (por Vale Motrinas e pelo cimo de Labrunhal Fundeiro), Sobreira Formosa (Tapada da Sepultura), Montes da Senhora e St. André das Tojeiras, servindo a intensa exploração mineira da região, para ir cruzar o rio Ocreza junto a Ferrarias (calçada), rumando daqui a Castelo Branco por Benquerenças, seguindo depois o Itinerário Alvega-Salamanca para Idanha, mas também poderia continuar para NE, por Póvoa de Rio de Moinhos, de encontro à travessia do rio Ocreza mais a montante, na Ponte Romana? da Marateca (3 arcos; calçada; junto da Capela de Sta. Águeda) hoje submersa pela barragem da Marateca, seguindo depois para Estalagem/Catraia em Lardosa, Alto do Enchidro (povoado) e Vale da Torre (calçada pela Torre Velha) rumo a Idanha-a-Velha; (V2 em Batata, 2006).
  • Proença-a-Nova - Rio Zêzere , de Proença-a-Nova poderia ligar ao Rio Zêzere, seguindo pela linha de festo que passa no Alto do Fatelo (Corgas) que faz de extrema entre concelhos, existindo vestígios de calçada em Vale de Amodéis e Cabeço das Corgas, rumando depois a Sarzedas (servindo o complexo mineiro da Lisga a norte), onde poderia entroncar numa hipotética via proveniente de Castelo de Branco que vinha por Taberna Seca (passando talvez na Ponte do Pego Negro, hoje arruinada) passava em Estreito (existindo vestígios da calçada em S. Torcato e na Igreja paroquial), rumando depois ao rio Zêzere. (V7 e V6 em Batata, 2006)

A Via Covillianae ou «Via da Covilhã»
Caminho referido em documentos medievais do século XII como «Via da Covilhã» (na Doação da Azafa aos Templários em 1199) que ligava Conimbrica e Seilium à vertente SE da Serra da Estrela e que poderá ter origem romana, mais tarde conhecida por «Estrada da Lã» porque permitia o escoamento deste produto para o litoral; esta estrada servia de acesso ao interior tanto para quem vinha de Tomar passando por Vila de Rei e Ponte dos Três Concelhos, como para quem vinha de Conimbriga atravessando o rio Zêzere na Ponte Romana do Cabril em Pedrogão Grande, convergindo ambas na região de Oleiros; a partir daqui o percurso é hipotético, mas é possível que da Covilhã a via continuasse em direcção à região de Belmonte de encontro à Via Braga-Mérida. (Ver Silva 1988; Ponte, 1995; Batata, 2006)

    Conimbriga - Oleiros

    Deriva do Itinerário Conímbriga-Alvega depois de atravessar o Rio Zêzere na Ponte Romana do Cabril para Pedrogão Pequeno (existe calçada no acesso ao povoado da Ns. da Confiança), rumando a NE por Vale da Galega (calçada à saída da povoação) em direcção a Bravo para atravessar a Serra de Alvéolos (atestado por vários troços de calçada no Alto do Bravo e no nó rodoviário do Alto da Cava).
    • O Alto da Cava é um nó rodoviário podendo daqui descer a Mosteiros, passando junto à mina da Cova da Moura, ligando a Vale do Souto.
    Do Alto da Cava, a via deveria continuar para Álvaro seguindo aproximadamente a EN350, passando na calçada do Alto de Vale de Mós, continua pela cumeada da serra pela calçada entre os altos do Cavalo e da Selada do Cavalo, Alto da Povoinha e pela calçada no Alto da Mata de Álvaro; depois segue por Sendinho de St. Amaro (EM351), corta à esquerda pela Serra Rasa para o Alto da Azinheira/Alto do Rilhão, onde entronca na via proveniente de Tomar descrita abaixo e seguiam ambas para a Covilhã e Belmonte.

    Tomar-Oleiros
    Idêntica à anterior até Várzeas, onde inflectia para norte em direcção a Oleiros, passando na Ponte dos Três Concelhos, subia ao Marmeleiro em direcção ao cume da Serra da Longra (sulcos de rodados ao longo de 4 km passando ao lado de uma possível mutatio em ruínas e que seria os «paradineiros veteres» referidos na Doação da Azafa), seguindo em Pereiro aprox. a EN538 para a Serra do Cabeço Rainha (sobe pela vertente sul pela calçada de Castanheira Cimeira, entretanto alcatroada, e continua pela vertente oeste pela calçada do Alto de Besteiras, continuando pela vertente N pelo Alto da Lontreira, onde começa a descida para Oleiros pelos restos de uma calçada ainda visível ao longo de 2 km junto do povoado mineiro de Fernão Porco) passando a poente de Braçal pela encosta virada a Oleiros até Vale de Peixe, onde atravessa a ribeira da Sertã para Oleiros, continuando talvez por Orelhão até ao Alto da Azinheira/Alto do Rilhão, onde entroncava na via proveniente de Conimbriga, seguindo juntas por Sendinho da Senhora, Amieira (EM527), Urraca, Altos da Abitueira e Pizoria, talvez em direcção à travessia do Rio Zêzere em Cambas? (equivale à Via VIa de Batata, 2006).

    Oleiros-Covilhã-Belmonte
    A continuação do percurso para a Covilhã depende da localização da Travessia do Rio Zêzere, (Cambas?, Ourondo?), mas a partir de Paul já é possível traçar um itinerário que ia entroncar na Via Braga-Mérida
    Paúl (Ponte Romana?)
    Taliscas, Erada
    Ponte Romana? de Ourondinho sobre a ribeira de Cortes
    Tortosendo
    Covilhã (calçada com 50 m junto à estação CF; segue por Canhoso)
    Terlamonte, Teixoso (importante villa agrícola onde Alarcão situou a capital dos Lancienses Ocelenses com base numa inscrição achada em Teixoso que refere um duumvir ou magistrado, sugerindo a localização de um oppidum com poderes administrativos nas proximidades; No entanto o problema continua em aberto porque os vestígios até agora conhecidos não passam de uma villa; barragem no rio Zêzere; tesouro em Borralheira; Alarcão, 1988; Silva A.J.M., 2002)
    Orjais (castro e imponentes vestígios do Templo romano da Ns. das Cabeças, duas aras votivas dedicadas à divindade indígena Bande Brialeaicui que aparece noutra inscrição de próximo da Guarda como Bande Brialeacus; O Santuário domina visualmente o vale do Zêzere com vestígios de uma Villa junto da Capela da Ns. das Luzes e uma inscrição a Júpiter na Qta. da Mourata; Ver Carvalho, 2003, 2010)
    Aldeia do Souto (talvez pela Qta. da Muda e do Paço)
    Vale Formoso (possível miliário no início da Rua do Pinheiro, marcando a entrada da Judiaria; um outro possível miliário daqui foi para a Biblioteca Municipal da Covilhã)calçada de Quintarias e calçada das Hortas; inscrições funerárias no sítio dos Mortórios, em Sinque e no sítio do Raro perto da Aldeia da Mata)
    Belmonte (onde entronca na Via Braga-Mérida).

Tomar - Mouriscas pela «Estrada da Serra»
Também poderia ter origem romana a chamada «Estrada da Serra» que partindo de Tomar seguia por Serra de Tomar rumo a outra travessia do Zêzere com continuidade na outra margem em direcção ao rio Tejo. A via passaria nas pontes «romanas» sobre a ribeira de Algaz em Casal do Mato e na Ponte sobre a ribeira da Lousã em Carril, ambas com alguma idade, mas sem vestígios romanos associados (freguesia da Junceira; Inscrição honorífica «Bono / rei [p(ublicae) / nato /»; a sul fica o Castro romanizado da Aguda), continuando depois pela Ponte de Vales sobre a ribeira de Bairrol (calçada), Serra (calçada; Villa em Silveira), atravessava a ribeira Grande na Ponte da Abadia e seguia para a travessia do rio Zêzere quer pelo caminho que interliga o povoado da Abadia ao povoado das Barreiras quer rumo a Vila Nova (villa, calçada e ponte «romana»), seguindo na outra margem rumo ao Tejo por Sardoal e Mouriscas.


Mapa

























Alvega (ARITIO VETUS) - Salamanca (SALMANTICA)
Via hipotética que deriva do Itinerário XV Lisboa-Mérida em Aritio Vetus (Casal da Várzea, Alvega), atravessava o rio Tejo numa Ponte Romana referida por Francisco d'Holanda como "acima d'Abrantes", dirigindo-se para NE, passando em Castelo Branco, Idanha-a-Velha e Sabugal rumo a Salamanca. Este itinerário tenta ligar uma série de troços de calçada e outros vestígios dessas regiões. De Mação, área muito romanizada, seguiria pela Ponte antiga sobre a ribeira de Pracana até Castelo Branco, onde talvez se divida, seguindo um ramal para Idanha-a-Velha e outro ramal para Caria, cruzando com o Via Braga-Mérida nesses pontos. A partir daí, a via deveria seguir para Sabugal atendendo aos miliários encontrados em Vale do Lobo, com o primeiro ramal, partindo de Caria, pelo Casteleiro e o segundo, partindo de Idanha-a-Velha pela ponte de Meimoa até se reunirem em Vale da Sra. da Póvoa. Estes traçados são hipotéticos e podem estar misturados com troços da via Braga-Mérida. (ver Batata, 2006; Henriques, 1978)

Ponte Romana sobre o rio Tejo (terá sido destruída em data incerta; alguns autores atribuem a esta ponte os pegões junto à estação elevatória de rega, mas é muito duvidoso)
Ortiga (do rio segue próximo da Villa do Vale do Junco)
Ponte Romana? da Ladeira d'El-Rei sobre a ribeira de Mação (2 arcos; na entrada SO da povoação)
Mação
Ponte Romana? da ribeira de Eiras, Palhafome, Mação (junto à EN 3, em 1990 foi colocado um tabuleiro em betão!)
Ponte Romana? sobre a ribeira do Carvoeiro, Vale da Mua (2 arcos)
Vale da Mua (mutatio?)
Venda Nova
Ladeira de Envendos
Ponte Romano-Medieval da Ladeira de Envendos sobre a ribeira de Pracana (70 m, 6 arcos, dos quais 3 são romanos)
S. Pedro do Esteval
Travessia do rio Ocreza talvez entre o Povoado da Cerca do Castelo e o Montinho (pela chamada «Estrada dos Mouros» ou «de Abrantes», seguindo pela calçada do Lameiro de Tomar(?) em Marmelal)
Perdigão (seguia pela Portela de Milhariça para atravessar a Serra das Talhadas, continuando algures por Alvaiade, topónimo viário)
  • Alternativa por Fratel, atravessando o rio Ocreza mais a jusante (em Azenha da Barca?), seguindo depois para Perdigão, onde reencontra o itinerário anterior.
  • Provável ligação a Vila Velha de Ródão, seguindo para sudeste rumo à Villa do Mte. da Revelada, possível mutatio junto da travessia do rio Açafal na Ponte do Cobre (provável origem romana).
  • A via bifurcava no Mte. da Revelada, seguindo um ramo para norte próximo de Quelhinhas, Vermelhas?, Atalaia até Sarnadas do Ródão, onde reencontra o itinerário para Castelo Branco enquanto que o outro ramo seguia para a travessia do rio Tejo em Perais, passando próximo dos vestígios de ocupação da Qta. do Açafal, Fonte dos Piolhos/Migarou, Mte. da Ordem e Salgueiral, junto da ribeira de Lucriz, rumo à travessia do rio Tejo na Lomba da Barca onde conflui com o Itinerário Igaeditania - Ammaia.

Continuação para Castelo Branco, por Sarnadas do Ródão (necrópole; seguiria depois uma rota próxima do IP2 por Benquerenças)

Castelo Branco (o triângulo formado pelo povoado do Mte. de S. Martinho e as capelas de Ns. de Mércoles e de Santa Ana é uma zona muito romanizada, existindo vestígios de um povoado que poderá corresponder à capital do povo Tapori pelo qual passa a calçada que se dirige para a Ponte sobre a ribeira da Ns. de Mércoles (origem romana?), junto da qual subsiste uma barragem romana; villa e possível miliário na Qta. da Sra. de Mércoles; villa em Ameira; inscrição votiva aos Bandi Vorteaecio; Grande colecção de epigrafia da região no renovado Museu Tavares Proença Júnior em Castelo Branco)

Outras vias que partiam de Castelo Branco
  • Ligação ao povoado do Monte Castelo em Monforte da Beira e respectivas minas do Pó e da Tinta, assim como aos povoados de Malha Pão, Senhora das Neves e do Monte de S. Domingos, todos em Malpica do Tejo, seguindo pela Ponte sobre o rio Pônsul na EN18-8 com possível origem romana.
  • Ligação a Idanha-a-Velha (IGAEDITANIA) por Oledo:
    Escalos de Cima (vestígios em Vale da Alagoa; ara na Igreja?; árula votiva a Di (is) Cai(riensibus) numa casa particular; FE 2001, 296)
    Lousa (vestígios em Vale de Lobo/Vale de Zinho; inscrições provenientes do Chafariz Mãe d'Água e de "Vascão")
    Travessia da ribeira de Alpreade (talvez no sítio da ponte actual/EN233)
    Oledo (talvez pelo caminho que passa junto de Vale do Covado, Villa de Barros/Cabeço dos Mouros e Qta. dos Cebolais)
    Proença-a-Velha (ponte antiga)
    Idanha-a-Velha (IGAEDITANIA)
  • Ligação a Idanha-a-Velha (IGAEDITANIA) por Ladoeiro:
    Poderia existir uma rota mais curta para Idanha-a-Velha passando no sítios romanos da Granja dos Belgaios em Ladoeiro e na Sra. do Almortão em Idanha-a-Nova, obrigando no entanto à travessia do rio Pônsul. Esta travessia é tradicionalmente colocada na Ponte da Munheca/Monheca (EN240; com base numas pedras almofadas na base da actual ponte), mas é possível que a travessia fosse mais a jusante na confluência com a ribeira do Povo pois aqui a travessia é bem mais fácil e porque na outra margem fica o importante sítio romano da Granja dos Belgaios de onde são provenientes 2 aras que estão no Museu de Castelo Branco e uma terceira que apareceu na povoação e está hoje no Museu de Idanha-a-Nova; duas são dedicadas a Oipaengia; Alarcão, 2001; Sá, 2007; Encarnação, 2011), seguindo próximo dos vestígios do Monte Velho e Monte da Antinha passando assim a noroeste de Ladoeiro (minas; villa? no Mte. Rochão), tocaria Idanha-a-Nova pelo sul (topónimo «Calçadinha»), tomando a estrada que passa na Ermida da Ns. do Almortão (sítio romano com provável origem no culto à divindade indígena Igaedus a partir de uma ara aqui encontrada; Encarnação, 1975), do santuário continua pelo estradão de terra que passa no Alto das Ciadas e que se dirige para a Ermida da Ns. do Loreto em Alcafozes, rumando daqui Idanha-a-Velha.
  • Ligação à Ponte de Alcântara por Segura
    Possível ligação à Ponte de Segura de encontro à via Braga-Mérida, desviando da anterior em Ladoeiro rumo à travessia do Rio Aravil (no Mte. da Marcelina?), seguindo depois a sudoeste de Zebreira (altar à Deusa Victoria e ara aos Lares Cairienses na Qta. da Nave Aldeã), seguindo talvez por Mte. de S. Domingos, Mte. da Loba do Chorão, Vale da Loja e Granja, existindo importantes vestígios romanos ao longo do caminho até à confluência do ribeiro do Freixinho na ribeira da Enchacana (povoado e estela funerária), rumando depois a Segura pelo Chafariz da Calçada.
  • Os Vicani Nertaicenses: também é possível uma ligação ao sítio romano na Fonte de S. Tiago, 2,5 km a leste de Rosmaninhal, de onde são provenientes 3 aras, 2 estão desaparecidas e a terceira é dedicada a Júpiter (?) pelos Vicani Nertaicenses (?), eventualmente com o vicus localizado no Rosmaninhal; na Tapada da Ordem apareceu uma outra ara à divindade Arantius Tanginiciaecus)

Continuação de Castelo Branco a Capinha:
Continua com muitas incertezas pelo que esta rota é hipotética.
Castelo Branco (segue talvez pela Fonte da Mula e pela Qta. da Pedra da Légua junto do Alto do Feitoso)
Alcains (duas aras votivas na Ermida de São Domingos; segue por Tiracalça?)
Lardosa (segue por Estalagem/Catraia?; ara votiva na Qta. das Alvercas à divindade Trebaruna)
Soalheira (calçada na Fonte do Goducho)
Castelo Novo (há calçada junto da antiga escola primária, poderá ser um diverticulum da via passando na Capela de S. Brás, onde apareceu uma inscrição funerária com a via principal a passar mais a poente junto do sítio romano de Souto Escuro numa rota paralela ao IP2 para ir atravessar a ribeira de Alpreade em Escaldado e seguindo depois próximo dos sítios romanos da Qta. das Obras/Catraia e de Vale de Canos, rumando depois à EN18)
Alpedrinha (2 inscrições funerárias; a via romana parte do Largo D. João V, junto do Palácio do Picadeiro e da Capela de S. Sebastião, segue em calçada por 190 m, passa debaixo do IP2 e sobe por Canada, transpondo a Serra da Gardunha)
Alcongosta (a via desce a Portela onde entronca na «Estrada da Floresta» e desce à povoação pela Capela de S. Sebastião)
Donas, Fundão (passa junto do seminário e segue por Santa Menina; 3 inscrições funerárias em casas da aldeia)
Valverde (villa ?; segue por Várzea e Ínsuas, atravessa a ribeira da Pouca Farinha e segue a poente do Alto da Esparrela)
Ponte Romano?-Medieval de Peroviseu/Moinhos sobre a ribeira da Meimoa (segue por Juais, Currais e Barroca para Capinha)

Capinha (vicus e provável mansio no cruzamento com a via Braga-Mérida)

Continuação para o Sabugal (ver Curado,1987):
Salgueiro (em Coito de Cima/Vale do Canto apareceu um miliário a Licínio que hoje está no Museu Arqueológico do Fundão; este miliário indicia a passagem da via ao longo da margem direita da ribeira de Meimoa, passando entre Qta. da Malta e a Villa da Qta. Prado Vasco, na outra margem, e próximo da Qta. do Lameirão e Coito de Cima, onde se achou o miliário; inscrição votiva aos Bandi Vorteaeceo na Capela de Sta. Maria Madalena; Villa na Qta. da Caneca)
Travessia da ribeira do Casteleiro (junto da Villa do Casal de José Francisco do Anascer; seguia paralela à ribeira de Vale de Lobo no sopé do Castro de Sortelha Velha, povoado sem vestígios romanos)
Vale da Sra. da Póvoa (antiga Vale de Lobo no sopé da Serra da Opa; Villa e provável mansio no campo do Peão, sítio romano da Póvoa, no cruzamento com a via N-S proveniente de Civitas Cobelcorum rumo a Igaeditania; Outra possível localização de Lancia Oppidana; Inscrição honorífica ao imperador Trajano; Os 3 miliários achados na Serra do Lobo/Opa sugerem que a via passava a meia encosta da serra da Opa pela mansio da Póvoa e Fonte Santa, onde apareceu uma ara a Júpiter)
St. Estevão (vicus e provável mutatio na Tapada de Sta. Maria; miliário de St. Estevão/Mosteiros/Serra do Mosteiro a Tácito indicando a milha IIIX, ou seja a milha 7, CIL II 4638, talvez contadas a partir do rio Côa em Sabugal que seria assim o limite territorial da civitas; o miliário apareceu na desaparecida Capela de Santa Maria e hoje está em exposição no Museu do Sabugal)
Alagoas, Aldeia de Santo António (miliário de Alagoas com inscrição apagada, mas que poderia indicar a milha 4 pois está a 3 milhas do miliário de St. Estevão e este indica 7 milhas; passou pelo largo da aldeia, mas hoje está no Museu do Sabugal; O miliário, o Vicus da Tapada do Açude e o acampamento militar da Tapada da Cabeça, sugerem a existência de uma mutatio neste sítio, possivelmente no cruzamento com Via N-S proveniente da Guarda; a via continua pela calçada em Amiais)
Sabugal (vicus; ver os miliários de Alagoas e de St. Estevão no Museu do Sabugal; ara a Quangeius na Ribeira da Nave; FE22, nº100)
Ponte Romano?-Medieval do Sabugal sobre o rio Côa (topónimo calçada; segue por Cardeal e Pouca Farinha?)
Vila Boa (villa; segue +- a rota da EN233-3)
Nave (provável mutatio em Sta. Catarina pois este sítio fica a 8 milhas do Sabugal e junto da via)
Ponte Romano?-Medieval sobre a ribeira de Alfaiates (desaparecida; calçada)
Alfaiates (vicus; «marco militar territorial», hoje no MNA)
Ponte Romano?-Medieval da Aldeia da Ponte sobre o rio Cesarão (junto à EN 332, 3 arcos)
Aldeia da Ponte, Sabugal (vicus)

Continuação para Salamanca:
Da Aldeia da Ponte continuava para Espanha, talvez pelo caminho que passa no Santo Cristo (750 m depois existe uma inscrição rupestre na chamada "Fonte da Tigela" dedicada a divindades aquáticas, possivelmente relacionada com a via); continua por La Albergueria de Argañán (mansio?), seguindo para o vicus de Irueña (Fuenteguinaldo, Navasfrías), dirigindo-se depois para Ciudad Rodrigo (MIROBRIGA?) e daqui a Salamanca (SALMANTICA).
  • Alternativa por Souto: também é possível que existisse um caminho alternativo para o Vicus de Irueña, onde reencontra o caminho acima que ia pela Aldeia da Ponte; partindo do Sabugal, seguia por Torre e Souto, tomava aqui o chamado Caminho Velho para Aldeia Velha, passando nas cercanias de Sabugal Velho, e seguia talvez por Casilla de Flores até ao Vicus.


Mapa













Tomar (SEILIUM) - Évora (EBORA)
Via romana ligando as duas importantes civitates que inicialmente seguia para Tancos onde transpunha o rio Tejo para o Arripiado, ambos com vestígios romanos significativos. A partir daqui deveria ir cruzar com a Via XIV para Mérida algures a W de Ponte de Sor, sendo provável que o ponto de cruzamento fosse mesmo na Mansio Aritio Praetorium dessa via que continua com localização incerta. As propostas variam entre Poiso, Venda das Mestas e Herdade de Água Branca de Cima. Assim o percurso continua por desvendar, sendo que aqui é apresentada uma solução por Poiso que evita alguns obstáculos no terreno, seguindo no sentido inverso o Itinerário XV entre Lisboa e Mérida até à Carregueira, inflectindo aqui para SE na direcção de Tamazim, onde confluía com o outro itinerário para Mérida, a Via XIV. A via seguiria para sul em direcção a Évora como parecem indicar os miliários recentemente descobertos. Assim, a via poderia seguir pela Serra de Montargil, Mora e Santana do Campo, com o seu magnífico Templo Romano , continuando por Arraiolos até Évora. (Ver Bilou: 2000a e Carta Arqueológica de Abrantes.

Tomar (SEILIUM) (Hübner refere um miliário a Maximiano indicando a milha I pelo que poderá pertencer a esta via; hoje a milha não é legível, CIL II 6198/CIL II 4960)
Asseiceira (segue talvez por Grou)
Tancos (possível miliário no Alto da Mariana, junto a um marco divisório da freguesia)
Travessia do rio Tejo entre Tancos e Arripiado (em alternativa poderia fazer a travessia junto ao Castelo de Almourol que tem origem romana)
Arripiado (vestígios na Qta. do Arripiado)
  • Alternativa para Lagoa Grande por ser um trajecto mais curto, seguindo a linha de festo que vai pelo Alto do Arripiado, Alto da Jardoa, Marco da Serra, Alto do Rodeio e Galega Nova onde entronca na variante pela Carregueira.
Carregueira, Pinheiro Grande, Chamusca (inflecte para SE na direcção de Tamazim, passando entre Casalinho e Casal do Relvão, Alto do Relvão, seguindo depois próximo da estação romana, Galega Nova, continuando pelo Alto da Lagoa da Murta até Lagoa Grande)
Lagoa Grande, Bemposta (Mário Saa recolheu nos terrenos do Casal da Pucariça um miliário a Constantino Magno que está hoje em exposição na Fundação Paes Teles no Ervedal, Avis; segue entre o Alto da Lagoa Grande e o Alto do Gavião pela Chã da Lagoa Grande) (Mantas, 2010)
Poiso, Tamazim (cruzamento com a via XIV entre Braga e Mérida, continuando para S)
Aranhas de Cima (miliário anepígrafo a 48 m do marco divisório nº 30 do concelho, a 1750 m para SE do casal)
Tojeiras de Cima (miliário junto ao marco divisório nº 28 do concelho, 750 m para SE do casal)
Foz (3 miliários deslocados na Rua da Estrada Velha como marcos divisórios; um miliário anepígrafo, 100 m depois encontra-se um fragmento de miliário junto ao terceiro miliário)
Foros de Arrão?
Montargil (calçada na Serra de Montargil no lugar das Mesas?; talvez seguisse junto à necrópole da Herdade de St. André, atravessando o rio Sor para o lugar de S. Martinho de Baixo ou no Mte. dos Irmãos)
Cabeção, Mora (Villa no cemitério de Cabeção)
Travessia da ribeira da Raia (segue a oeste de Pavia por Reguengo, Mte. da Tramagueira e Mte. dos Olheiros)
Travessia da ribeira de Divor junto da Torre das Águias, Brotas (segue a "Estrada da Cumeada")
Santana do Campo, Arraiolos (CALANTICA) (vicus ?; a Igreja paroquial reaproveita um imponente Templo Romano dedicado ao Deus Carneo Calantice, nome que aparece em 2 inscrições aqui descobertas)
Arraiolos (vestígios da trincheira da calçada 300 m a SE do Mte. do Montinho)
Sempre Noiva (calçada com 20 m em linha recta)
Monte do Penedo (recinto-torre de Vale Sobrados, vigiando a via que subia à Camoeira e descia à ribeira de Divor; 50 m em calçada)
Travessia da ribeira de Divor junto ao Mte. da Azenha (continua pelo Mte. de Ovil, Mte. de Goes e Montinho da Abegoaria)
Monte da Parreira (fragmento de miliário anepígrafo; atravessa a estrada que vem de Igrejinha e segue por Oliveirinha até entroncar na estrada que vem de Divor)
Bairro do Louredo, Évora
Bairro do Granito, Évora (passa na medieval Porta de Avis e Rua da Avis)
Évora (EBORA) (entra pelo Arco Romano de D. Isabel, antiga porta da muralha romana no entroncamento da Rua de D. Isabel com a Rua do Menino Jesus)


Mapa

Santarém (SCALLABIS) - Évora (EBORA)
Hipotética via ligando as duas civitates com poucos vestígios para além do fragmento de um miliário possivelmente pertencente a esta via que foi encontrado junto do Monte Silval em Montemor-o-Novo e os vestígios em Ns. da Graça do Divor (Divorum), nomeadamente um possível miliário e vários troços de calçada. Partindo de Santarém a via poderia atravessar o Tejo para Almeirim e depois seguiria por Coruche, onde se encontrava com a via proveniente da travessia do rio Tejo em Escaroupim, seguindo depois algures pelo concelho de Montemor-o-Novo rumo a Évora. (Ver Bilou: 2000a)

Santarém (SCALLABIS)
Coruche (povoado na Igreja da Sra. do Castelo, vestígios na Igreja de S. Pedro e villa junto da Ermida de Sta. Luzia; Ponte «romana» da Coroa)

    Variante por São Pedro da Gafanhoeira (miliário em Silval)
    Poderia seguir a linha de festo entre a ribeira de Divor/Fanica e a ribeira das Barrosas, evitando assim a sua travessia, passando no estradão que passa no Alto de Coelheiros e a nordeste de Ciborro, servindo em alguns troços como linha divisória entre os distritos de Santarém e Évora.
    Sabugueiro (segue junto do habita no Alto dos Alfeirões)
    São Pedro da Gafanhoeira (passa na Herdade da Represa e Herdade da Pedra Longa, junto dos menires)
    Travessia da ribeira Almansor (junto do Mte. do Cabido; segue pelo Monte de Alcanede e Monte Silval, junto do qual apareceu um fragmento de miliário epigrafado, no caminho para Almansor de Baixo)
    Ns. da Graça do Divor (Divorum) (recinto-torre do Castelo dos Mouros; a via passa a poente na estrada que bordeja o Mte. de Capelos e o Mte. da Azinheira do Campo/Casa Velha, havendo 600 m de calçada em Vale de El-Rei de Baixo (recinto-torre no Cabeço do Diabo em Vale de El-Rei de Cima e a poucos metros vestígios na Capela de S. Romão; vestígios de calçada no Mte. dos Mogos e no Vale Maria do Meio)
    Mte. da Valeira, Ns. da Graça do Divor (possível miliário; vários troços de calçada; segue sob a EN114-4, passa no Mte. da Valada, Mte. de Brito, Atafona, Monte das Pinas, S. Bento de Castris, Convento da Cartuxa e entra pela Porta da Lagoa)
    Évora (EBORA)

    Variante por Montemor-o-Novo
    Inicialmente poderia ser comum à variante anterior até alturas de Ciborro, rumando daqui para sul rumo a S. Geraldo, continuando depois a nordeste de Montemor-o-Novo, próximo da Villa de Fonte do Prior, Villa da Comenda da Igreja e Villa da Amoreira da Torre, onde atravessava a ribeira de Almansor, seguindo depois próximo dos vestígios de Courela/Mte. das Navalhas, Courela de Patalim (Cipo funerário), Villa de Almo, seguindo rumo a Évora por S. Matias.

Possível ligação de Montemor-o-Novo a Beja:
Segundo informação de Jorge Feio é possível que a via medieval entre Montemor-o-Novo e Beja tenha origem romana. Esta estrada está documentada na Carta de Demarcação do Couto de Alvito em 1260. O trajecto seria o seguinte: Montemor-o-Novo, Alcáçovas, Vila Nova da Baronia (topónimos "Estrada das Alcáçovas" e "Canada Real"), Ermida de Santa Águeda (inscrição da civitas Mirietanorum), Moinho do Trigacheiro, onde atravessava a ribeira de Odivelas a vau e onde ainda se observam troços de calçada, Faro do Alentejo (antiga aldeia das Assentes, como aparece nesse documento) e finalmente Beja.

AQUILONEM FLUMEN DURIUS
Viação romana secundária a norte do Rio Douro
A rede viária secundária a norte do rio Douro continua ainda por desvendar dada a complexidade de caminhos antigos existentes num terreno muito acidentado e ao escasso número de miliários encontrados até agora. Muitas serão rotas pré-romanas ligando os imensos castros e povoados da região, renovadas e ampliadas durante a era romana como Viae Vicinales e muitos outros serão já medievais, constituindo um imenso património de pontes e calçadas a exigir urgente preservação. É provável que existisse pelo menos uma via romana Este-Oeste ligando Braga a Zamora e/ou a Salamanca que passaria nas Terras de Panóias, hoje na região de Vila Real, e seguia por Mirandela e Miranda do Douro até Zamora (OCELO DURUM) ou por Vila Flor, Carrazeda de Ansiães, Torre de Moncorvo até Salamanca (SALMANTICA). Os miliários de Vila Marim e Constantim, ambos próximos de Vila Real, parecem estar alinhados com a direcção da via e marcariam a sua passagem na região de Vila Real, mas na ausência de outros miliários, também é possível que estes miliários pertencessem a vias no sentido N-S, o miliário de Constantim inserido na Rota Chaves - Aguiar - Rio Douro e o miliário de Vila Marim (tombado junto à capela da Ns. da Paz) que poderia ser integrado numa via também entre Chaves e o rio Douro, mas que passava a leste de Vila Real, seguindo em direcção a Cidadelhe (Mesão Frio), onde também se achou um miliário. Na ausência de dados mais precisos, tenta-se equacionar um conjunto de ligações entre os principais focos de desenvolvimento, integrando os vestígios existentes num corpo mais ou menos coerente de itinerários. Sem novos dados é difícil esclarecer as rotas com precisão.





Braga - Monção por Arcos de Valdevez
Esta ligação muito importante na idade média poderá ter origem romana atendendo aos vários vestígios encontrados ao longo do seu percurso. A via passava na Portela do Extremo e descia ao rio Minho em Cortes, ou «Monte Santo», provável localização do antigo povoado de Monção, atendendo à necrópole aí existente (Brochado de Almeida, 2005; Marques, 1984).

Braga (deveria seguir a Via Braga-Tui para a travessia do Cávado junto à Ponte do Prado, inflectindo aí para NE em direcção a Vila Verde)
Vila Verde (segue +- a EN101)
Ponte da Barca (inscrição em S. Tomé de Vade na Casa da Pousada, eventual mutatio; Depois de atravessar o rio Lima, a via deveria seguir pela «carreira antiqua» referida num documento de 1079 em de Paçô, a uilla Palatiolo, PMH DC 570)
Arcos de Valdevez (segue pelo Paço de Giela e Qta. do Rial)
Ázere (a via passa junto da Igreja paroquial e do antigo Convento, na base do Castro romanizado de S. Miguel-o-Anjo, de onde serão provenientes duas aras, uma dedicada à divindade Lalaecus e outra dedicada à divindade Carus, hoje no Museu Pio XII em Braga)
Ponte Romano-Medieval sobre o Rio Ázere (silhares com marcas de fórfex)
Couto (segue por Castro)
Gondoriz (segue pela Qta. do Outeiro; na outra margem do Vez fica o Castro romanizado de Reboreda/Santa Vaia, onde apareceu uma ara à divindade Carus)
S. Cosme e Damião
Travessia do rio Vez na Ponte Romano?-Medieval de Vilela
Aboim das Choças (Castro romanizado do Mte. Castro/Eiras/Vilar; segue pela Portela de Vez)
Portela do Extremo (nó rodoviário)
  • Variante por Moreira: no lugar da Venda em Extremo, corta recto pelo monte por Cova da Loba até Rio Bom onde atravessa o rio Gadanha, seguindo depois por Chim, Capela de St. Estevão, Tariz (Trute), Sande, Cidade, Moreira, atravessa o rio do Vale e segue pela Calçada da Catelinha, Cheira, Regueiro até Eirado onde atravessa a EN101, seguindo depois por Breia (topónimo viário), Requião, Mazedo (Igreja), Pegadeira, Boavista até ao lugar da Barca, junto a Monção, onde atravessava o rio Minho segundo Almeida ou no vau junto da necrópole de Cortes segundo Marques.
  • Variante por Pinheiros: esta variante desvia em Extremo, seguindo pela margem esquerda do rio Gadanha (+- a EM507), passando por Portela, Barrocas, Lapa, Pias de Baixo, Pinheiros (EM506, EM502 até ao Campo de Futebol), Motas, Soalhosa, Souto e Troporiz (CM1088), onde atravessa o rio Gadanha na Ponte Romano-Medieval da Calçada em Rebouça (pedras almofadadas no intradorso do arco, mas sem marcas de fórfex; romanas?), continuando pela Qta. da Portelinha e Qta. das Vianas até ao lugar da Barca, onde conflui com a variante anterior. Também poderia fazer a travessia em Lapela, onde há vestígios romanos junto à torre medieval (Almeida, 2005).
  • Variante por Longos Vales: também poderia existir uma via rumo ao rio Minho por Longos Vales, passando no Mosteiro de S. João, onde há vestígios romanos e situado entre a Citânia da Cividade no Mte. Castro e o Castro romanizado do Mte. de S. Caetano.
Monção (a antiga povoação poderia ficar no «Monte Santo» junto da grande necrópole de Cortes)

Mapa













Valença - Melgaço

Poderia existir uma via secundária ao longo da margem esquerda do rio Minho derivando da Via XIX em Valença, seguindo por Monção em direcção a Melgaço e Castro Laboreiro. Existem referências a um duvidoso miliário desaparecido que apareceu entre Ganfei e Verdoejo e que poderia atestar a passagem da via, apesar de ser mais facilmente atribuível à VIA XIX que não passa muito longe. Alguns autores afirmam que este serve de fuste ao pelourinho de Telheira, junto à capela de Ns. dos Passos, na berma da EN101, mas é pouco provável atendendo ao diâmetro excessivo deste. Mais adiante, em Troporiz, surge a Ponte da Calçada que poderá ter origem romana devida às pedras almofadadas no seu arco, mas que foi integrada no Itinerário Braga-Monção descrito acima; Depois de Monção, em Barbeita surge a Ponte Medieval de Mouro com tradição romana mas sem base factual. Assim este itinerário é apenas hipotético, até porque uma via ao longo da margem de um rio não é prática comum na viação romana. Por outro lado é quase que certo a existência de uma via fluvial ao longo do rio Minho que segundo Estrabão era navegável até 800 estádios, ou seja cerca de 147 km, bem acima de Orense!
Valença
Ganfei (calçada com 300 m acompanhando a cerca do Convento de Ganfei)
Verdoejo (miliário duvidoso)
Friestas (vizinho, em Gondomil existe uma necrópole no lugar da Cruz)
Lapela (possível travessia do rio Minho junto à Torre Medieval)
Troporiz
Ponte Romano?-Medieval da Calçada sobre o rio Gadanha, Rebouça (pedras almofadadas; aqui conflui a Via Braga-Monção; a montante existe uma ponte medieval junto à igreja)
Monção

Possível continuação para Melgaço:, passando por Troviscoso (talvez pelo caminho vicinal que passa em Reiriz , onde apareceu um cipo funerário e uma ara votiva, seguindo depois junto dos Castros romanizados do Mte. Redondo e de Cristêlo até Poldras onde atravessa a ribeira de Silvas), Bela, Barbeita (Castro romanizado no Monte da Ns. da Ascensão/Assunção), Ponte Romano?-Medieval de Mouro sobre o rio Mouro, Ceivães, Valadares, Sá (Castro romanizado da Sra. da Graça), Penso, Paderne (Termas do Peso e Cividade de Paderne), Ponte Romano?-Medieval sobre a ribeira de Folia, Remoães (nas Termas do Peso) e finalmente Melgaço.

Eventual ligação a Castro Laboreiro: de Melgaço poderia ligar a Castro Laboreiro por Lamas de Mouro (Ponte Medieval em Porto Ribeiro) e daí para Castro Laboreiro (segue pelo CM1160 por Laceiras, Assureira, Ponte Romano?-Medieval da Cava Velha, sobre o rio Laboreiro, com silhares aparentemente almofadados, Ponte Medieval de São Brás sobre o ribeira de Barreiro, com silhares almofadados do lado nascente, Assureira, Dorna, Ponte Medieval de Dorna, sobre a ribeira de Dorna; também de Ameijoeira sairia uma via para NE pelo CM1159 por Bago de Baixo, Bago de Cima, Curveira, Bico, Cainheiras Ponte Medieval das Cainheiras, sobre a ribeira das Cainheiras, Portas, Barreira e Bande já na Galiza.



Guimarães - Terras de Basto - Ribeira de Pena
Itinerário medieval mas que poderá ter origem num caminho pré-romano que ligava os grandes castros da região de Guimarães aos castros das Terras de Basto como o Castro do Ladário em Ribas e o Castro de Santa Comba em Refojos de Basto, podendo daqui continuar para a travessia do rio Cavez e daqui a Vila Pouca de Aguiar. Alguns vestígios romanos ao longo deste itinerário mostram que a via estaria funcional desde a época romana.

Guimarães (seguia talvez por Mesão Frio e São Romão de Arões, atravessa o rio Vizela na Ponte Românica de São Gidos, continua por Agrela, onde há referência a um possível miliário, entre o Castro de St. Ovídio a norte e o Castro de Cepães a sul, no Alto da Retortinha)
Fafe (antiga região de Montes Longos)
Montim, Quinchães (pelo Alto das Cruzes e Carreirões, onde há um possível miliário e pelo Alto dos Foles até Lameira)
Arbonça, Rego (calçada com 50 m no Alto de S. Pedro; Povoado em Cerbelha; Estela em Vila Boa)
Gandarela, São Clemente de Basto (nó rodoviário; a «estrada velha» passa junto da Casa da Gandarela e segue por Arosa e Marco da Lama para o Castro do Mte. do Ladário em Ribas e daqui a Arco de Baúlhe; Tavares, 1996)
  • Ligação a Cabeceiras de Basto: da Gandarela poderia existir uma ligação para nordeste, por Ferrã, Quintela e Ponte de Petimão (Ponte Pedrinha; romana?), rumo a Cabeceiras de Basto, dando assim acesso à Cividade de Chacim (habitat em Mó de Cima) e o Castro de Santa Comba em Refojos de Basto, provável capital da região de Basto, atendendo a 2 epigrafes honoríficas a imperadores achadas na região, a inscrição a Antonino Pio de Basto, CIL II 2381, e a inscrição a Gordiano de Refojos, CIL II 2382, assim como 2 estátuas de guerreiros galaicos, uma das quais com inscrição na caetra onde se lê: «Artifices / Calubrigens/es · et · Abianien(ses) f. c.», provável referência a dois povos, os Abianienses e os Calubrigenses, sendo estes últimos também referidos numa inscrição de Valedeorras na Galiza (Redentor, 2009).
  • Ligação a Felgueiras: também poderia existir uma ligação para sudoeste de encontro à Via Braga-Mérida, seguindo por Borba da Montanha (Castros romanizados em Murgido, Quintela e Roda da Santinha), onde bifurcava, um ramo seguia para Felgueiras e outro seguia por Agilde (calçada em Costa) até Vila Cova da Lixa (Tavares, 1998).
  • O miliário a Constâncio Cloro que está na Casa de Pielas em Painzela (CIL II 4763) continua a ser dado como proveniente da Casa da Torre/Lugar do Castro em Abadim, onde há vestígios romanos, mas segundo Colmenero, este miliário estaria originalmente na Qta. das Goladas em Urjais, Braga (Colmenero, 2004); Estando assim deslocado, este miliário não poderia marcar a passagem da via romana em Abadim, apesar da sua existência ser uma forte possibilidade (ver ponto anterior).
  • Possível ligação a Vila Marim (Vila Real) atravessando a Serra do Alvão, passando em Atei (habitat em Modorno e Pombal; necrópole em Parada), Vilar de Ferreiros (na base do Povoado de Palhaços no Mte. da Sra. da Graça; seria daqui a Inscrição a Júpiter de Mondim de Basto?, AE 1983, 549), Bilhó (povoado no Alto da Rebedeira/Vale de Chelas), Lamas de Olo.
Arco de Baúlhe, Cabeceiras de Basto (Castro da Cerca; topónimo Brêa)
Ponte Romano?-Medieval sobre o rio Ouro, lugar da Ponte Velha (segue pela Ponte do Inferno)
Pedraça (habitat em Muro, nos campos da Qta. da Torre)
Cavez (castro romanizado no Alto dos Mouros; calçada acompanha a EN206, a uma cota superior, até à ponte)
Ponte Medieval de Cavez sobre o rio Cavez
Ponte Medieval de Cavez sobre o rio Tâmega (para sul dava acesso ao Castro romanizado do Mte. Castelo/Cabriz em Cerva)
Daivões (passaria no sopé do Povoado do Outeiro dos Mouros sobranceiro ao Tâmega, na confluência com o rio Bessa, tendo defronte o povoado do Alto do Castelo; seria ponto de travessia? Poderia continuar por Troga, Bacelar e Friúme, onde apareceu um tesouro)
Ribeira de Pena (ara a Júpiter na parede da Igreja de Sta. Marinha, CIL II 2388; Aqui também apareceu uma ara votiva a Bande Raeicus ou Araeico entretanto desaparecida, CIL II 2387)
A via seguiria até Vila Pouca de Aguiar, onde cruzava com a Via Chaves-Douro, continuando depois rumo a Valpaços, Itinerário descrito na suposta Via transversal XVII entre Braga e Astorga.



Braga - Vila Real
Hipotética via romana que ligava Braga às "Terras de Panóias", hoje a região de Vila Real, atravessando a Serra do Marão por Amarante. O seu traçado continua muito indefinido, mas é possível que desviasse da via Braga Mérida no Alto da Lixa, rumando a Amarante, onde conflui com a via proveniente de Tongobriga, seguindo para a travessia da Serra do Marão.
Amarante (vinda da Lixa, a via passaria por Freixo de Cima; villa? em Campinho do Muro, Campelo)
  • Travessia do Rio Tâmega: não é certo que a travessia do Tâmega se fizesse em Amarante porque a via também podia desviar em Freixo de Baixo e seguir por Corredoura, Laboriz (necrópole) e Vila Meã (necrópole) para ir fazer a travessia mais a montante na foz do Rio Olo, junto ao Vicus de Gatão (Vicus Atucausis com base numa ara dedicada a Júpiter pelos Vicani Atucausenses achada na Qta. dos Pascoais), continuando por Chão do Marão para a travessia da serra entroncando no caminho que vem de Amarante.
  • Travessia em Amarante, seguindo depois pela Madalena (necrópole em Ataúdes).
Gatiães, Lufrei (povoado romano em Sertã; segue pela Calçada de Marancinho que desce pela margem direita da ribeira de Marancinho, atravessando a ribeira num pontão com possível origem romana)
Sanche (minas de estanho)
Ponte Medieval do Fundo da Rua (entre Sanche e lugar da Rua; a 100 m existe a Ponte Medieval da Tornada sobre o rio Ovelha, entre Eira e Carregal)
Aboadela (o caminho pela Serra do Marão segue por Lameira, Pousado e Alto do Gavião; Lopes, 2000)
Campeã (provável mutatio; calçada junto da fonte romana(?) do Arco ou de Pai-Pás; acesso por Quintã às minas de Ferro de Vila Cova)
Arrabães (atravessa o rio Sordo, entra à esquerda no CM1212 e segue à direita por caminho)
Mondrões (calçada com 50 m a poente da Igreja Matriz; tesouro monetário em Penedo Redondo)
Vila Real

Murça








Vila Real - Mirandela
Estrada medieval possivelmente com origem romana saindo de Vila Real por Flores e seguindo pelo Alto do Pópulo e Murça.
Ponte Romano?-Filipina de Piscais sobre o rio Corgo
Mouçós (calçada sobe pelo lugar da Ponte, passa na Capela de Ns. de Guadalupe, junto do povoado romano de Santa Cabeça, continuando por Varge) Sanguinhedo (estela funerária talvez proveniente do Povoado de Trás-do-Outeiro)
Lagares
Lamares (travessia da ribeira dos Carrojos; junto do Castro da Murada)
Justes
Ponte de Balsa sobre o rio Pinhão, Vila Verde (segue a EN15)
Ponte do Rato sobre a ribeira de Jorjais (sai da EN15 e acompanha a ribeira Galego)
Vila Verde, Alijó (calçada no sopé do Castro da Cerca; necrópole da Veiguinha junto ao antigo caminho)
Ponte Romana? sobre o ribeira do Ascas
Freixo, Alijó (calçada)
Alto do Pópulo, Pópulo, Alijó (nó rodoviário próximo do importante Castro de S. Marcos/Touca Rota)
  • É possível um desvio para SE em direcção a Alijó por Ribalonga ou à travessia do rios Tinhela e Tua junto às Caldas do Carlão, servindo os povoados romanizados da Idade do Ferro do Castelo de Franceslo, Castelo de Castorigo e de Vale de Mir, passando pela vertente ocidental da Serra da Botelinha (calçada em Pegarinhos e junto do Aeródromo da Chã), Cruzeiro da Serra, Castelo de Carlão, descendo ao Tinhela onde entronca na via proveniente de Alijó; (Ver Almeida, 1992-1993).
Cadaval, Fiolhoso (a via passa junto de uma fonte romana? e próximo do Castro romanizado do Castelo dos Mouros, existindo um troço de calçada de acesso ao castro; desce ao rio Tinhela pelas chamadas Voltas de Murça)
Ponte Romano?-Filipina sobre o rio Tinhela (1 arco; calçada desce à ponte e depois sobe até à EN15)
Murça
  • É possível que um desvio para SE por Montefebres, fosse atravessar o Rio Tua na Ponte do Abreiro (Castro romanizado na Capela de Sta. Catarina e povoado em Poço dos Mouros) seguindo depois por Vieiro (habitat em S. Domingos) em direcção a Vila Flor.
Palheiros (castro)
Franco
Lamas de Orelhão (provável nó rodoviário atendendo à fortificação romana junto do cemitério e à inscrição HEINC LETERAM, possível marco territorial, achado na igreja)
Passos
Golfeiras
Mirandela (vestígios nos povoados do Castelo Velho/Monte de S. Martinho e junto da ribeira de Mourel que corre no seu sopé, hoje a Qta. da Raposeira; Ponte Romana? de S. Sebastião sobre a ribeira de Carvalhais, junto ao campo de futebol)

Vila Real




Alijó








Vila Real - Sabrosa - Alijó
Sai de Vila Real pela Rua do Bairro de Vilalva no CM1238 rumo a Torneiros.
Ponte Romano?-Medieval do Sobreiro, Torneiros sobre a ribeira das Toirinhas (200 m mais à frente sai da estrada à esquerda e sobe a Torneiros pela Rua da Calçada, onde há 20 m lajeados, até reencontrar a estrada actual)
Constantim (cruza com a Via Chaves-Douro)
S. Martinho de Antas
Paços
Sabrosa (a 2 km, sobranceiro à EN323, fica o Castro romanizado de Cristelos/Castelo de Sancha de onde será proveniente uma ara dedicada a Júpiter por Maximo Clodius, colono proveniente de Útica, capital da província romana de África Proconsular, hoje Zana na Tunísia; possível ligação ao Pinhão seguindo +- a EN323 que passa junto da inscrição da Capela do Sr. Jesus de Sta. Marinha e da necrópole da Qta. da Relva em Provesende)
Sancha
Ponte Romano?-Medieval de Cheires sobre o rio Pinhão
Cheires (calçada em Ribeira; povoado no Castelo de Cheires; habitat em Santiago de Cheires)
Sanfins do Douro (ponte e vários troços de calçada em Rio de Moinhos e Marco; mina de ouro em Salgueiros; Castro na Sra. da Piedade)
Presandães (calçada da Tapada Velha com 75 m, no sopé da vertente leste do Castro romanizado de Vilarelho/Favaios)
Alijó
  • de Alijó a Murça: deveria existir uma via rumando a norte em direcção a Pópulo, passando em Vila Chã (calçada com 300 m)
  • de Alijó ao Pinhão poderia existir uma ligação ao Pinhão, rumando primeiro a Favaios (habitat em Sta. Bárbara; inscrição funerária incorporada no muro norte da capela da Qta. de S. Jorge) e depois seguindo o caminho pelo Alto do monte que passa na Portela da Serra, em Vilarinho de Cotas (povoado no castelo) e Casal de Loivos, descendo ao Pinhão. (Ver eventual ligação a Paredes da Beira por S. João da Pesqueira)
  • de Alijó a Caldas do Carlão: de Alijó deveria ligar ao povoado de Carlão atravessando a Serra da Burneira (Castro da Sra. da Cunha e) e depois pelo Alto da Figueirinha até às Caldas de Carlão, onde atravessava o rio Tinhela numa Ponte Romana? destruída por uma cheia em 1739, hoje reconstruída
  • Também é possível uma ligação à Foz do Rio Tua seguindo +- a EN212 por S. Mamede de Ribatua.
  • da Foz do rio Tua a Caldas do Carlão: partindo de S. Mamede de Ribatua (Castro dos Mouros) atravessa a Ponte Medieval do Lodão ou da Azenha sobre a ribeira de S. Mamede, ascende por calçada, cruza com a estrada moderna, continua a subir a encosta até Safres, onde conflui com a estrada actual e seguiria por Amieiro (calçada) e Franzilhal, atravessando a Serra da Burneira, onde entronca na via proveniente de Alijó e juntas seguem para as Caldas do Carlão, onde atravessa o rio Tinhela.
  • de Caldas de Carlão a Freixo de Numão por Carrazeda de Ansiães; das caldas descia por calçada até ao Tua que atravessava na direcção do importante Vicus de Mós/Costa de Pombal (aqui achou-se uma inscrição onde se lê vicus Labr[...] e uma ara a Júpiter, CIL II 2386), rumando depois para sul pelo sopé da vertente onde se situa o vicus, atravessa a ribeira de Frarigo e segue por Paradela (donde deveria partir uma ligação à importante Villa da Qta. da Ribeira em Tralhariz), Parambos, Arnal, Marzagão (pela Ponte do Galego sobre a ribeira de Linhares), Selores (povoado no Castelo de Ansiães) e Seixo de Ansiães, indo atravessar o rio Douro junto do povoado mineiro da Ns. da Ribeira, acedendo daqui a Numão e a Freixo de Numão. Ver vias em torno de Freixo de Numão.
MONS HERMINIUS

Mapa

Norte


Sul












Rede viária em torno da Serra da Estrela (mons Herminius?)
A designação de Montes Hermínios (mons Herminius) é referida por autores clássicos, nomeadamente no "De Bello Alexandrino" e nos textos do historiador Dion Cássio, poderá ser associada à Serra da Estrela ainda com algumas reservas (Alarcão, 1993). Seja como for é indesmentível que toda a serra sofreu uma intensa romanização que teria certamente de estar apoiada numa vasta rede viária da qual ainda pouco se conhece. Para além das Via Braga-Mérida que a atravessava no sentido O-E e da Via Coimbra-Marialva (a actual Estrada da Beira) que seguia pela sua vertente ocidental por Seia e Gouveia no sentido SO-NE, deveriam existir muitos outros itinerários por toda a serra nomeadamente a partir de Celorico da Beira na sua vertente norte e a partir do Castro de S. Romão em Seia na sua vertente sul.

de Celorico da Beira à Serra da Estrela
Existe um conjunto de caminhos medievais na vertente norte da serra que poderão ter origem romana (Tente, 2007; Carvalho P., 2009).
  • da Ponte de Juncais a Linhares, passando talvez por Mesquitela (Ponte sobre a ribeira de Linhares; vestígios em A-das-Pedras, Tapada das Pedras e Colícias), Carrapichana (habitat em Capela/Tapada do Anjo), Figueiró da Serra (topónimo Hospital), atravessa a ribeira de Linhares e sobre pela Calçada da Corredoura/Estrada dos Almocreves até à Igreja da Misericórdia em Linhares. De Linhares a via poderia continuar por Carvalhos Juntos de encontro à via Braga-Mérida, quer rumando a Folgosinho, quer rumando a Videmonte e daqui à Qta. da Taberna.
  • de Linhares à Via Braga-Mérida, é possível que existissem ligações entre Linhares e a via Braga-Mérida quer seguindo pela serra até Folgosinho , quer rumando a Gouveia por Figueiró da Serra, Freixo da Serra, Melo e Nabais.
  • de Celorico a Videmonte por Vale de Azares, atendendo aos vestígios em torno de Vale de Azares, nomeadamente uma inscrição achada na Capela de Ns. de Azares dedicada a uma divindade indígena chamada Ama Aracelene possivelmente pelos habitantes de um vicus designado por Aracelum (Carvalho, 2009). A via poderia passar junto de Fonte Arcada, onde há vestígios de uma possível Villa, rumando depois a Prados (calçada em Alminhas, sobranceira à ribeira do Rebolal), seguindo talvez por Vale da Estrada, Pedra Sobreposta e Boiticela (calçada) até Videmonte.
  • de Celorico a Videmonte por Salgueirais, seguindo talvez por Casas de Soeiro (habitat na Qta. do Vilhagre e em Ribeiro do Pinheiro), Galisteu (passando a poente de Vide Entre Vinhas, entre Corredouras e o Alto da Pedra da Atalaia; inscrição na Capela do Espírito Santo), Salgueirais (habitat na Qta. do Seixal, Vara e em Moitas Escondidas/Alto da Rasa), de onde também poderia subir a Linhares, rumando depois pela calçada da Qta. dos Amiais até Prados e daqui a Videmonte.
    • possível ligação de Vale de Azares a Póvoa do Mileu, seguindo por Rapa (calçada no interior da povoação, hoje coberta com brita), continuando depois pela Qta. da Portela e calçada da Portela para Aldeia Viçosa (Vicus em Aldeia Nova), atravessa o rio Mondego para Faia e sobe a Póvoa do Mileu.
    • possível ligação de Prados a Póvoa do Mileu, descendo pela Qta. da Coitada até Mizarela e daqui por calçada até à Ponte da Mizarela, onde atravessava o Mondego, continuando por Pêro Soares e Cubo (calçada em Gulifar) até Póvoa do Mileu (Alarcão, 1993).

de Seia a Alvoco da Serra
Hipotética via que desviando da Via Marialva-Bobadela servia os vici da vertente sul da Serra da Estrela seguindo talvez até ao Rio Alva.
Seia (da Qta. da Nogueira segue a EN339 até à ribeira de Valverde que atravessa para a Qta. da Valverde)
S. Romão (continua por estradão em direcção ao importante Castro romanizado de S. Romão/Cabeço do Castro, passando na Cabeça da Velha e Sra. do Desterro; inscrição funerária de um emigrante de Caesar Augusta, hoje Saragoça, HEp 4 1994, 1068)
Valezim, Seia (a calçada vem pela Darrua, Cabeço do Castro, junto à Sra. da Saúde e à Sra. da Boa Viagem, e junto à capela de S. Domingos em direcção a Vale de Açor)
Loriga (Lorica), Seia (a calçada vem da Portela de Arão, passa em Calçadas, Cemitério, Capela de S. Sebastião, desce pela Rua do Porto e atravessa a ribeira de S. Bento, existia uma Ponte Romana? que ruiu no séc. XVI e subia pela Rua de Vinhó, Rua de Viriato, Rua Gago Coutinho e Rua Sacadura Cabral, Av. Augusto Luís Mendes, área conhecida como Carreira, Rua do Teixeiro, atravessando a ribeira de Loriga/Nave/Courelas na Ponte Romano?-Medieval da Moenda)
Alvoco da Serra: (calçada na Rua das Lajes junto à capela de S. Sebastião, passa na Ponte Medieval e continua para sul por Tornadoiro, Poiso do Senhor, Barroca das Pedras Brancas, Malhadinha, Bandeirinha, Chão da Cruz, Fonte da Bica até Avoaça, talvez em direcção a Unhais da Serra)
CIVITAS MEIDVBRIGENSES

Freixo
de
Numão












Rede viária em torno de Freixo de Numão (MEIDOBRIGA?)
Freixo de Numão (MEIDOBRIGA?)
Provável capital dos Meidubrigenses, um dos povos mencionados na famosa inscrição da Ponte de Alcântara; espólio no Museu Arqueológico da Casa Grande; Inscrição rupestre a Iuno Veamvaearvm, CIL II 430 e ara aos Lares Turolicis, CIL II 431, ambas desaparecidas; dentro da igreja, há um Altar votivo do Coniumbrigense Tiberius Claudius Sailcius, cavaleiro da 3ª Corte dos Lusitanos, CIL II 432; villa em Salgueiro; de Freixo partiriam vários caminhos romanos, um saindo da vila para N, em direcção ao rio Douro e os restantes articulados com o nó rodoviário da Qta. da Pedra Escrita, próximo da importante Villa do Prazo, seguindo daí para poente em direcção a Numão ou para sul em direcção a Marialva e Sernancelhe. (Sá Coixão, 2000a)

De Freixo de Numão a Murça do Douro
Sai do Freixo pela Qta. de Redoído (calçada), segue para Regadas (calçada com 500 m e ferraria, seria uma mutatio?), Moinho das Regadas, passa junto da Villa da Vinha de Zimbro, no sítio da Colodreira/Escorna Bois e em Areias rumo a Murça do Douro, seguindo depois pela Capela de Ns. da Esperança, local onde conflui com a via secundária que vem por Rumansil, 1000 m depois chega ao sítio do Chão do Cláudio (villa rustica), de onde poderia partir um acesso ao Douro, continuando depois na direcção do Vicus no sítio da Cruzinha em Mós do Douro (uma inscrição funerária daqui regista um emigrante Taporo) e do Vicus do Monte Meão, onde atravessa o rio Douro, na Foz do rio Sabor.

Outras direcções
As outras ligações a partir do Freixo de Numão estão articuladas a partir do nó rodoviário da Qta. da Pedra Escrita. Partindo da vila, sair por Sta. Bárbara, passa no Pontão Romano da Nogueira e segue o caminho até ao cruzamento da Qta. da Pedra Escrita, junto à magnífica villa do Prazo, aberta ao publico); Daqui partiriam vias em 4 direcções:

Ligação ao Douro
Segue para N, passando próximo da magnífica villa de Rumansil (a parte escavada corresponde à pars rustica e a villa seria no sítio de Rumansil II), continua para Seixas do Douro (vicus na Qta. do Vale, destruído na construção da barragem do Catapereiro) e daí pela caminho que vai para a Qta. do Vesúvio no rio Douro.
Travessia do rio Douro no Vale do Vesúvio
Qta. da Ribeira, Seixo de Ansiães (povoado mineiro relacionado com a mina romana de Covas dos Mouros; na Capela da Ns. da Ribeira achou-se uma inscrição votiva e ara votiva a Bandu Vordeaeco e um ex-voto dedicado à divindade Tutela Liriensis ou Tiriensis levantando a hipótese do povoado ser designado por Liria, Tiria ou Turia; Lemos, 1993; Alarcão, 2004b)
A via deveria continuar por Seixo de Ansiães até ao vicus de Pombal, podendo depois ligar a Alijó. Ver este trajecto nas vias em torno de Alijó.

Ligação a Numão
Continua para poente pelo caminho da Qta. da Lameira e passa na Ponte Romano?-Medieval da Zaralhôa sobre a ribeira da Teja, no sítio do Conde (aqui há inscrição num penedo assinalando o trajecto: ARREA · SE[- - -] / TRAIECTV · M[- - -]), rumando depois a Numão (oppidum? vicus?; outra possível localização para Meidobriga; Villae e inscrição rupestre no caminho para a Telheira, marcando a propriedade de um tal Reburri; Villa na Qta. da Cabreira; existe um troço de calçada no sítio do Areal localizado junto do antigo caminho de acesso ao castelo e na confluência das ribeira de Tourões e Duas Casas, onde há uma inscrição rupestre atestando a existência da via: AS(s)ANIANC(ences) VIA(m) FECERVNT, traduzindo, "Os Assanienses construíram a estrada", Sá Coixão, 2000a e 2001); esta via poderia descer ao Douro até Arnozelo (villa no Vale de Ouvada) ou até Sra. da Ribeira, seguindo depois para Carrazeda de Ansiães.

Ligação para SO rumo a Viseu
Do nó rodoviário da Pedra Escrita rumava a SO pela Qta. dos Mortórios até ao vicus na Qta. das Vendas em Sebadelhe (villae rusticae em Soutinho/Vale do Junco e Terra do Rei Nemão).
Cedovim (vicus do Castelo; villae rusticae em Sta. Marinha e em Portela/Sumagral)
Ranhados (Aravoca?) (castro romanizado de S. Jurge; o vicus (?) na base do monte foi destruído pela construção da barragem do rio Torto; Vicus ou Villa em Fonte Arcada/Capela da Qta. de S. Pedro; segue pelo Alto da Póvoa e Sra. da Estrada?)
Ourozinho (cruza a via Paredes da Beira-Marialva)
Antas, Penedono (calçada e estação romana na Qta. dos Carvalhais, a sul da aldeia)
Beselga
Ponte do Freixinho (cruza com a Via Lamego-Marialva)
Ver continuação para Viseu.

Ligação para sul a Marialva (Civitas ARAVORUM)
Partindo do nó rodoviário da Qta. da Pedra Escrita, seguia para sul rumo a Touça (Villa do Chão de Cortinha, junto da igreja e casal no Vale de Trás da Serra) pelo caminho que passa junto da Qta. dos Bons Ares (villa), depois cruza a EN222 e segue pelo Alto da Touça e Qta. das Alminhas, tomando depois a EN324 para Fonte Longa)
Fonte Longa (villa no Lugar da Froia; a sul, vestígios em torno da Qta. do Consul; vestígios em Torres, Qta. do Alvito e Fulgaroso)
Vale da Aldeia (vicus)
Poço do Canto (pelo Alto de Santa Columba)
Mêda (seria a Amindula da documentação medieval? ara aos Bandi Vordeaicui; troço de calçada romana parte da vila e segue paralela à EN324)
Marialva (Civitas ARAVORUM no lugar da Devesa)
CIVITAS ARAVORUM

Marialva












Rede viária em torno de Marialva (Civitas ARAVORUM)

Marialva (Civitas ARAVORUM)
Provável capital dos Aravi no lugar da Devesa em Marialva com base numa inscrição honorífica dedicada a Adriano pela Civitas Aravorum que hoje está no Museu da Guarda; Podium do Templo Romano numa casa particular. Barragem em Salgueiral/Lago; Sendo um importante nó rodoviário na região, a capital da civitas deveria ter ligações aos outros núcleos populacionais importantes como Freixo de Numão e Almofala, e uma ligação directa à travessia do Douro no Pocinho e daqui à Civitas Baniensis como parece indicar o possível miliário existente na Qta. do Chão de Ordem; um outro miliário indicando 21 milhas, encontrado em Paços da Serra (próximo de Gouveia), indicia a provável ligação sul, em direcção a Bobadela, passando por Celorico da Beira e pelo Vale do Mondego, na vertente ocidental da Serra da Estrela, onde cruzaria com a Via Braga-Mérida em Folgosinho ou Gouveia. (Alarcão, 1993; Sá Coixão, 2004, 2009).

de Marialva ao Rio Douro por Vila Nova de Foz Côa
Provável ligação entre Marialva e o Pocinho onde fazia a travessia do rio Douro, podendo daqui seguir para Chaves passando na Civitas Banienses descrito no Itinerário Chaves-Torre de Moncorvo ou para Astorga pelo planalto de Miranda do Douro descrita no Itinerário Astorga-Torre de Moncorvo ou ainda seguir para Alfândega da Fé passando próximo do Castro de Ns. dos Anúncios em Vilarelhos; um duvidoso miliário encontrado na Qta. de Chão d'Ordem poderia assinalar esta via.

Marialva (seguiria para leste pela margem esquerda da ribeira de Marialva)
Barreira (segue a NW pela EM607-1; topónimo «Terra do Marco»)
Santa Comba (segue para Chão Redondo; existe calçada de acesso ao rio Côa)
Chãs (cruza com as vias transversais que seguiam para as possíveis travessias do Côa)
Qta. do Chão d'Ordem (possível miliário dentro da quinta)
Muxagata (vicus no Castelo; villa ou mesmo vicus na Qta. das Olgas; possível miliário na Igreja paroquial; Vacinata na documentação medieval)
Vila Nova de Foz Côa (villa ou vicus do Paço, junto ao Castelo e em Azinhate; Daqui descia ao Douro pela «Estrada da Costa» por Vale do Escudeiro, Cortes da Veiga (villa em Gricha) e Qta. de Vale Meão)
Travessia do rio Douro na zona do Pocinho (entre o Vicus do Castelo do Monte Meão e Rego da Barca)
Povoado do Baldoeiro (civitas BANIENSIS ?), Torre de Moncorvo)

de Marialva à Villa de Vale de Mouro (Coriscada)
Ligação directa à importante Villa de Vale do Mouro (Gravato, Coriscada), onde poderia existir uma mutatio da estrada que atravessava a ribeira de Massueime e seguia para Póvoa do Mileu (Guarda) e Almofala (FC Rodrigo). No sentido inverso, esta via poderia rumar até ao Vicus da Capela de S. Sebastião em Rabaçal (referência a uma calçada; lagares na Qta. de Perais)

Marialva (sai da aldeia pela Ponte Romana sobre a ribeira de Marialva, com alicerces romanos e segue pela calçada que atravessa a Qta. da Lobeira, cruza a EN102 ao km 101,1 e atravessa a ribeira do Prado junto ao Cabeço Seixo)
Coriscada (segue o caminho que vai para a Qta. das Minas)
Vale de Mouro, Coriscada (importante Villa romana em fase de escavação e musealização; notável mosaico de Baco)
Travessia da ribeira de Massueime talvez nas poldras ali existentes, podendo daqui rumar para:
  • para norte em direcção a Cidadelhe (Castro romanizado de Castelo dos Mouros) seguindo próximo das villae do Juízo e Afonso. Poderia existir um caminho mais curto entre Marialva e Cidadelhe, passando no sítio romano de Vale d'El Rei em Barreira, atravessando a ribeira de Massueime mais a montante.
  • para leste em direcção a Almofala por Luzelos e pelo caminho que contorna a Serra da Marofa pelo sul (ara no Capela de Ns. de Fátima dedicada a Coruae).
  • para leste em direcção ao povoado de Bogalhal Velho/Porto da Vide, atravessava o Côa para Quintã de Pêro Martins, atendendo aos imensos vestígios de villae desta margem do Côa, talvez associadas à exploração de estanho: Olival de S. Paulo, Farelos, Telhões/Vale da Cal, Qta. da Póvoa e Casa do Florindo (ver Maia, 1977a).
  • para sudeste em direcção a Pinhel, por Vieiro (Cabeço da Cruz e Qta. de St. Antão), Bogalhal, Valbom (passa a Ponte da ribeira do Porquinho e segue junto da Villa da Qta. do Prado Galego) para Pinhel (travessia da ribeira da Pêga na Ponte do Saltadouro; Granja na Qta. da Pêga).
  • para sul em direcção a Póvoa do Mileu (Guarda), podendo seguir por Sta. Eufémia (vicus mineiro junto das Minas da Sra. das Fontes), Póvoa d'El-Rei (Villa de Chão da Figueira), Pala (Reigadinha e villa de Barrocal), Freixedas (Castro romanizado em Castelo dos Prados; Casal na Qta. dos Ferreiros), Gouveias (calçadas e mutatio? em Chão das Malvas), Pêra do Moço (calçada passa no Alto do monte e seguirá talvez Menoita, onde apareceu um tesouro).

de Marialva à Bobadela por Celorico da Beira
Provável via de ligação entre a civitas Aravorum e Bobadela, seguindo pela vertente ocidental da Serra da Estrela; A via deveria dirigir-se primeiro ao Vicus da Capela de S. Brás/Quinta do Campo, a sul da Coriscada, seguindo depois para Cótimos em direcção a Celorico da Beira.

Marialva (segue a via anterior até à Coriscada, inflectindo aqui para sul pela Rua Lúcio Saraiva/EM602, saindo desta logo depois pelo caminho que vai para a Qta. do Campo)
Qta. do Campo, Coriscada (Vicus Sangoabonia ou Segoabonca junto da Capela de S. Brás, com base numa ara consagrada a Júpiter pelos Vicani S[?]/goaboaic(enses) e que hoje está no Museu da Guarda; mineração de estanho)
Cótimos (o vicus estende-se pela Qta. das Cardosas)
Ponte «Romana» de Cogula sobre a Ribeira das Moitas (origem romana?)
Cogula, Trancoso (seguia talvez pela EM591, passando por entre a Villa da Qta. da Tapada do Leiro, no sopé do Castro romanizado do Castelo, onde se achou uma inscrição funerária)
Vale do Seixo, Trancoso (Villa no Cabeço dos Telhões em Vila Garcia, junto à ribeira de Massueime)
Póvoa do Concelho (importante Villa na Qta. do Prado, junto da ribeira de Vale de Mouro, onde apareceu uma tégula com inscrição hoje no Museu da Guarda; talvez pelo Alto do Feital junto da Villa da Qta. das Eiras)
Vilares, Trancoso (Vicus na zona das Eirinhas; a via poderia passar na base do Castro da Broca por Sarzeda e Lapa Chã, junto da Junta de Freguesia, onde há uma inscrição rupestre paleocristã do ano 495 d.C., celebrando a construção de um templo por Caturo Areini onde se a lê «VIA»)
Maçal do Chão (pelo Alto do Outeiro Negro)
Ponte Medieval de Minhocal sobre a ribeira dos Tamanhos
Forno Telheiro (calçada na Pedra da Atalaia e povoado em de S. Gens; segue a Lameiras)
Ponte Romano?-Medieval da Lavandeira sobre o rio Mondego (daqui seguia pela calçada da Lavandeira durante 500 m até entrar em Celorico pelo Bairro de Sta. Luzia, entretanto destruída pela autarquia!)
Celorico da Beira
Casas de Soeiro (habitat na Qta. do Vilhagre e em Ribeiro do Pinheiro)
Cortiçô da Serra (habitat na Qta. do Mouro)
Carrapichana
Vila Cortês da Serra (ponte na confluência das ribeira do Freixo e do Paço)
S. Paio (provável cruzamento com a via Braga-Mérida)
Gouveia
Moimenta da Serra
Paços da Serra (o miliário a Maximiano da milha XXI foi encontrado em Eiró, mas hoje está na chamada Casa Grande, turismo rural; o início da contagem deveria ser na capital, Bobadela)
Sta. Marinha (Ponte Romana?)
S. Martinho
Seia (o vicus romano poderia ser na Qta. da Nogueira; a via deveria passar a poente por Arrifana e Santiago)
Carrozela
Meruge (necrópole junto à Capela de S. Bartolomeu; provável vicus na área do campo de futebol; segue a EN504)
Lageosa? (segue a EN502 e atravessa o rio Cobral; segue a EN230 por Vendas de Gavinhos, EM1315)
Bobadela (civitas; ver também a continuação para Coimbra na via Coimbra-Bobadela)

de Ranhados (civitas Aravoca?) a Almofala (Civitas COBELCORUM)
Hipotética via entre W-E ligando o concelho da Mêda ao Além-Côa, atravessando o rio Côa na Qta. da Ervamoira ou na Qta. da Barca. É possível que esta via tivesse origem na Castro romanizado de S. Jurge em Ranhados, seguindo por Mêda, onde cruzava com a via N-S entre Freixo de Numão e Marialva, e seguia até Longroiva. Daqui desce a Coutada no Vale da Veiga de Longroiva, atravessa a ribeira de Centieira e sobe a Chãs, nó rodoviário de acesso ao Douro e ao Côa ao qual também afluía a via proveniente de Marialva para norte.

Ranhados (civitas Aravoca?) (segue para Canada, descendo à ribeira da Teja por um troço de calçada)
Ponte Romana sobre a ribeira da Teja (só resta os arranques da ponte a 50 m N da ponte actual, junto dos Banhos de Ariola; calçada)
Ariola, Mêda (segue junto da villa da Qta. de S. João e pela Qta. do Covelo)
Mêda (cruza com a Via Freixo de Numão-Marialva; deveria seguir pela EN331 até ao km 41, onde segue à direita pelo caminho que passa na Qta. do Vale da Manta e vai para Longroiva)
Longroiva (LANGOBRIGA/LONGOBRIGA?) (baseado numa altar dedicado a Bandi Langobricu por Quintus Iulius da Legião Equestre VII Gémina, FE44; a via passa na Fonte da Concelha e na Ponte Romana? sobre a ribeira da Concelha e entrava no povoado romanizado e provável castellum)
Coutada, Longroiva (vicus; villae nas quintas em redor; provável mutatio na Qta. da Coutada, tudo destruído pela nova IP2!)
Ponte Romana? da Relva, sobre a ribeira de Centieira (a 50 m da EN102; sobe pelo CM1013)
  • é provável que existisse uma travessia mais a norte na Qta. da Veiga (provável mansio), junto da exploração de chumbo das Areias, à qual afluíam duas calçadas, uma proveniente de Fonte Longa e outra de Longroiva, subindo depois por Quintãs (calçada) e Abrolhos (calçada) até Chãs onde se reunia com a anterior.
Relva (segue por Relva de Cima, onde ainda existe um troço de calçada que vai para Chão Redondo onde reunia com a Via proveniente de Marialva) Chãs (villa ou vicus das Quintas; reunia com a via que vem da Qta. da Veiga de Longroiva e segue à esquerda junto ao cemitério por Carris até Sra. do Monte, cruzamento de caminhos, onde podia bifurcar para as duas possíveis travessias do rio Côa)
  • Para Calábria pela Qta. da Ervamoira: um ramo seguia por Muchões, Trigueiras e Curral do Pregador para a Qta. de Sta. Maria da Ervamoira, comprovada mutatio junto à foz da ribeira de Piscos de apoio à travessia do Côa, ascendendo ao vicus de Castelo Melhor e daqui seguia para o Monte Castelo ou Monte Calábria, povoado romanizado situado num esporão sobranceiro ao rio Douro, junto à foz da ribeira de Aguiar que deverá corresponder a Caliabria, referida no Paroquial Suévico em 579 e posteriormente elevada a Diocese Visigótica; o percurso é desconhecido, mas poderia seguir a EN222 até Carril, descendo aqui para a travessia a ribeira de Aguiar junto da Qta. da Leda, na base do castelo, ou, em alternativa seguir até Almendra e depois seguir a EN332 que atravessa a ribeira de Aguiar na ponte medieval junto à Capela da Sra. do Campo, seguindo por Tapada do Matos, Olival dos Telhões/Aldeia Nova, onde estaria o vicus romano, Garrocho, contorna o Monte Castelo pela Canada do Armazém até à Qta. da Olga, onde poderia atravessar o Douro junto à estação CF de Almendra. (Cosme, 2002)
  • Para Almofala pela Qta. da Barca: o outro ramo seguia para a outra travessia do Côa na Qta. da Barca, estação romana, ascendendo a Almendra pela Calçada da Penascosa, Tapada da Penascosa e junto da villa da Qta. do Andrade/Prado Grande.
  • Da Calçada da Penascosa, partiria também um caminho para norte em direcção a Foz Côa, passando pela Calçada e Villa do Prado em Orgal e Calçada de Côa já na descida para a travessia do rio Côa junto à sua foz.
Almendra (vicus no Chão do Morgado, a norte da Igreja Matriz; Villa em S. Lourenço)
Vilar de Amargo (por Fonte da Torre e Fonte do Pereira)
Figueira de Castelo Rodrigo (villa junto ao cemitério)
Santa Maria de Aguiar (convento)
Nave Redonda
Torre de Almofala (Civitas COBELCORUM)
CIVITAS COBELCORUM









Rede viária em torno de Torre de Almofala (Civitas COBELCORUM)

Torre de Almofala (Civitas COBELCORUM)
Importante povoado romano localizado em torno da Torre Romana das Águias, magnífico templo romano que urge salvar da ruína; A existência de capital da Civitas Cobelcorum neste local é atestada por uma epígrafe aqui encontrada pois os vestígios aqui existentes não indiciam a existência de mais do que uma aldeia. Existem imensos caminhos antigos em torno do oppidum mas é muito difícil saber quais deles terão origem romana devido à ausência de miliários e à forte matriz de desenvolvimento na era islâmica e medieval. Muitas das calçadas parecem servir os pequenos povoados da região, como viae vicinales, mas é muito provável a existência de viae publicae para ligação aos nós viários mais importantes, como seja uma ligação para leste em direcção a Ciudad Rodrigo e Salamanca, uma ligação para sul em direcção a Idanha-a-Velha, uma ligação para SO em direcção à Guarda (entroncando depois na via Braga-Mérida) e a ligação a norte descrita na rota anterior que ligaria Torre de Almofala à travessia do rio Douro quer no Pocinho quer em Barca Dalva (ver Sandra Cosme, 2002, p. 86-93).

da Civitas COBELCORUM a Salamanca (SALMANTICA)
É muito provável que existisse uma via de ligação a Salamanca, atravessando a fronteira luso-espanhola na ribeira de Tourões para La Bouza, devendo ir de encontro à chamada "Via de la Plata", seguindo por Lumbrales (fonte romana), Cerralbo (ponte) e Vitigudino rumo a Salamanca. Outra possível ligação seria da ribeira de Tourões rumar para SE em direcção a Ciudad Rodrigo.

da Civitas COBELCORUM a Póvoa do Mileu (Guarda)
Hipotética via que ligaria a capital da civitas Cobelcorum à região da Guarda, tentando interligar uma série de vestígios e troços de calçada no concelho de Figueira de Castelo Rodrigo, Pinhel e Guarda. Saindo de Torre de Almofala, é possível que a via seguisse por dois possíveis traçados em direcção à travessia do rio Côa na Ponte Velha, um pela ponte da Vermiosa e outro por Figueira de Castelo Rodrigo.
  • Vinda da Villa do cemitério em Figueira de Castelo Rodrigo, seguia pelo sopé de Castelo Rodrigo (muralha romana) para Vilar Torpim (vicus em Pedregais), passa no Pontão que permite a travessia da ribeira do Lagar de Água e segue pela Calçada do Barrocal e Qta. da Nave até ao Côa.
  • Vinda de Torre de Almofala passava próximo das villae em Cabeço da Recta e Cabeço da Prata, ou vinda de Espanha por Escarigo, iam atravessar a ribeira de Aguiar/rio Seco na Ponte Romano?-Medieval da Vermiosa (calçada com 500 m antes da ponte; villa em Vale de Olmos), continua pela EM604 até Cruzes de Almeida, onde desvia à direita e segue pela Fonte da Calçada, junto do ribeiro da Deveza que atravessa para Tapada da Raposeira, continuando pela Qta. de Vilar Tomé pelo Alto da Salgadela onde apanha o caminho de terra que segue até à EN332 e daí a Reigada (segue junto do Alto do Prado Luís até à Calçada do Barrocal onde entronca na variante que vem por Vilar Torpim)
Ponte Velha do Côa, Cinco Vilas (ponte medieval com possível origem romana destruída em 1909 por uma cheia, ainda conserva 3 dos 5 arcos primitivos; calçada N-S na chamada «Estrada de França»; villa? em S. Marcos da Palumbeira)
Vale de Madeira (calçada parte da ponte do Côa)
Pinhel (talvez entre pela Ponte sobre a ribeira das Cabras na Qta. da Ponte)
Vascoveiro, Pinhel
Ponte Romana? dos Moiros sobre a ribeira de Malados, Qta. da Escorregadia, Vascoveiro
Manigoto (marca de tégula referente à Legião IV Macedónica na Qta. da Urgeira)
Lamegal, Pinhel (calçada com 100 m no sentido E-W; casal em Feitais/Lamegais Velhos)
Ponte Medieval sobre a ribeira da Pega, Lamegal
Pomares
Argomil, Pomares (ver Estela de Argomil; segue por Sra. da Lagoa, Vilares e Vale do Sapo)
Verdugal, Pêra do Moço (povoado no Barroco da Vitória)
Menoita, Pêra do Moço (tesouro; segue pelo Alto do Seixal, Cabeço da Maunça, junto do Povoado fortificado do Outeiro de S. Miguel e da Qta. da Rasa, onde apareceu um cipo funerário)
Travessia do rio Diz (em Corredoura, junto da estação CF)

Póvoa do Mileu, Guarda (villa ou mesmo vicus junto da Capela da Sra. do Mileu na base do Castro romanizado de Castelos Velhos, provável capital dos Lancienses Transcudani referidos na inscrição da Ponte de Alcântara; O castro foi destruído na década de 90 'engolido' pela cidade, mas ainda se salvou uma ara dedicada a Bande Brialeacus, divindade indígena que aparece também em Orjais; Inscrição a Frontão Taporo e cipo funerário; Encarnação et al., 2009)

Outras ligações a partir de Póvoa do Mileu: Mileu seria um nó rodoviário articulando as vias provenientes da Civitas Aravorum (Marialva) e da Civitas Cobelcorum (Torre de Almofala) com o grande eixo viário Braga-Mérida que passava a sul, indo de encontro à possível mansio em Centum Cellae (Belmonte), mas também com a via que passava no Sabugal rumo a Salamanca.
  • Rumo a Belmonte: a saída rumo a sul poderia ser pela calçada identificada na área do Bonfim, seguindo depois a rota da EN18 para Belmonte.
  • Rumo ao Sabugal: seguindo por Vila Garcia (villa em Alcaria), Adão (Villa de Merouços), Aldeia de Santa Madalena (inscrição funerária, FE365 na Igreja) e Pousafoles do Bispo (junto da villa de Lameiros das Casas e respectivas minas, passando assim a leste do importante vicus da Qta. de S. Domingos, no sopé do Santuário Luso-Romano de Cabeço das Fráguas, onde existe uma famosa inscrição rupestre sobre o sacrifício de animais a divindades indígenas), seguindo por Lomba e Águas Belas (talvez por Fonte da Estrada e Lomba dos Palheiros), podendo aqui bifurcar em dois ramais que iam entroncar na via proveniente do rio Tejo em direcção a Salamanca, seguindo um ramo por Urgueira (mina de cobre) e Aldeia de Santo António até ao vicus da Tapada Velha, onde aliás se achou o miliário de Alagoas, e o outro ramo seguia directamente ao Sabugal para a travessia do Côa. (Osório, 2000; Pedro Carvalho, 2008).

da Civitas COBELCORUM a IGAEDITANIA
Hipotética via de ligação entre as duas civitates; Alguns troços de calçadas antigas e alguns vestígios romanos sugerem a existência da via passando por Almeida e Sabugal, onde cruzaria com a Via Alvega-Salamanca. Este percurso passa por Escarigo e segue entre esta ribeira de Toulões e o rio Seco na direcção do importante povoado romano de Moradios/Verdugal em Malhada Sorda que seria pelo menos um vicus, mas onde alguns autores situam a Lancia Oppidana referida por Ptolomeu como um dos oppida dos Vettones e na inscrição da Ponte de Alcântara como um dos povos que contribuíram para a sua construção.
Almofala (da Torre de Almofala segue pelo estradão de terra até à EN604-2, passa junto à Capela de São Sebastião e segue até Almofala)
Escarigo (passa na Ponte Romano?-Medieval sobre a ribeira de Minguei e segue por Campo do Veloso, Tapada da Praça e São Simão, onde existem cerca de 300 m de uma calçada chamada do Carrascal)
Malpartida (acompanha a ribeira de Tourões pela Qta. da Tapada da Machada, Nave Calçada, Barreiros, Prado das Fátimas, Fonte do Marco e Vale da Coelha; possível travessia junto ao Pinhal da Sacristia em direcção a Espanha)
Almeida (continua por Vale da Mula, Alto das Corças e S. Pedro do Rio Seco, pela Eira do Silva)
Vilar Formoso (talvez apanhe o "Caminho do Carril" junto ao Alto dos Pluviões)
  • Em alternativa poderia derivar em Nave Calçada para SW, indo atravessar o Rio Seco na Ponte de Malpartida, seguindo depois por Nave Calçada e Fonte da Nave Calçada em direcção a Almeida
  • Eventual acesso de Vilar Formoso ao Porto Romano? de S. Miguel no rio Côa, onde há calçada, saindo de Vilar Formoso pela Ns. da Paz e seguindo por Qta. de Abutre (actual Aldeia de S. Sebastião), Rasto de Boi e Costas Magras até ao Côa.
Malhada Sorda (a via passaria junto do vicus do Verdugal/Moradios, 4 km a sul da povoação; é possível que a via bifurcasse aqui, seguindo um ramo em direcção à Aldeia da Ponte e outro ramo directo ao Sabugal, entroncando em qualquer caso na Via que vinha do Sabugal e se dirigia a Salamanca, aproximadamente a EN233-3)
  • Rumo à Aldeia da Ponte: segue pelo Caminho do Carril pelo Alto do Cabeço Madeira, Qta. de S. Pedro do Carril e Vinagreira até confluir com a EN332 que segue até a Aldeia da Ponte.
  • Rumo a Nave: atendendo a provável existência de uma mutatio da Via Sabugal-Salamanca no sítio de Sta. Catarina; A via poderia seguir por Vila Maior (villa) e Bismula (casal na ermida da Sra. da Granja).
  • Em alternativa poderia ligar directamente de Bismula ao Sabugal passando por Ruivós (Villa da Tapada das Cruzes junto da capela de S. Paulo), Ruvina (pela Sra. da Torre) e Rendo (por Folha da Torre, junto da Villa de Linteiros).
  • A continuação do itinerário para Idanha poderia seguir até à Sra. do Vale da Póvoa, itinerário descrito na Via Alvega-Salamanca, rumando daqui a sul em direcção a Meimoa.
Meimoa, Penamacor (VENIA) (excelente colecção de epigrafia na Casa-Museu Dr. Mário Pires Bento; uma ara honorífica dedicada ao imperador Trajano pelos Vicani Venienses indicia a localização deste vicus nas proximidades, talvez na Cabeço do Lameirão, junto da barragem de Meimoa ou no Sítio da Canadinha na confluência do ribeiro da Queijeira na ribeira de Meimoa junto da ponte; Villae em Mastraga, na confluência das Ribeiras de St. André e Meimoa e em Benquerença; inscrição em Vale dos Frades)
Ponte Romano?-Filipina sobre a ribeira de Meimoa (70 m, 7 arcos; a via poderia rumar a NE seguindo pela vertente nascente do Alto de St. André, passando assim junto do Vicus da Canadinha e da Villa do Sítio do Atalho)
Penamacor (vicus mineiro em Lenteiro; mina de ouro em Cortas da Presa; ara a Quangeius achada na Capela da Sra. do Bom Sucesso, FE127, a 10km pela EM569; ara votiva a Bandi Vorteaecio em Vale Queimado; a via poderia seguir por Corredoura e Carril, ambos topónimos viários)
Travessia da ribeira das Taliscas (junto a Saibreira, onde há 20 m de calçada e importantes estruturas romanas recentemente descobertas)
Aldeia de João Pires (ara a Júpiter junto da igreja; a via passa a nascente, próximo das villae de Ferrador e da Fonte Salgueira)
Aranhas (ara à divindade indígena Quangeio)
Salvador (Término Augustal; ara a Vorteaecio descoberta na Villa da Qta. da Arrochela,)
Monsanto (via passava a poente junto à Villa de S. Lourenço em Monsatela)
Carroqueiro, Monsanto
Vale de Portela, Monsanto (calçada e um fragmento de miliário com apenas algumas letras, hoje no Museu de Idanha-a-Velha)
Serrinha, Idanha-a-Velha (mina em Carrascal da Serrinha servida pela barragem de Torreão)
Idanha-a-Velha (IGAEDITANIA)
CIVITAS IGAEDITANORUM





Rede viária em torno de Idanha-a-Velha (IGAEDITANIA )
É muito provável que existisse uma ligação entre Igaeditania e Ebora que ignorasse Ammaia por ser o caminho mais curto e directo para Évora e claro à capital do Conventus Pacensis em Beja, configurando assim uma via transversal aos itinerários principais entre Lisboa e Mérida mencionados por Antonino, as VIAE XII, XIV e XV no sentido NE-SW. Esta via é praticamente coincidente com o velho caminho de transumância que existiu até ao século passado e que permitia o trânsito dos rebanhos que vinham da Beira Baixa para o Alentejo e Algarve em busca de pastagens. Este itinerário tem a vantagem de ligar vários troços romanos que estavam dispersos e um possível miliário no Monte da Palhinha no concelho de Fronteira, «uma pedra circular toda escrita à volta» segundo relatos orais (Batata, Boaventura e Carneiro, 2000, ler online) sendo para já o único miliário conhecido atribuível a esta via. Por outro lado é bem provável que existisse uma ligação entre Igaeditania e Ammaia pelo caminho mais curto que ia atravessar o rio Tejo em Vila Velha de Ródão. (Ver Bilou, 2000a; Carneiro, 2000a, 2004 e 2008)

Idanha-a-Velha (IGAEDITANIA) a Aramenha (AMMAIA)
Partindo de Idanha-a-Velha, a via seguia para Castelo Branco e depois por Retaxo (Sra. da Guia) rumo à travessia do rio Tejo na Lomba da Barca em Perais. O traçado da via deverá corresponder ao caminho que cruza a EM1265 e continua pelo Alto do Mulato, Mte. dos Ratinhos (necrópole) e Mte. da Coutada (villa?)
Travessia da ribeira de Lucriz na Casa da Ribeira (EN355; junto do povoado da Cadaveira, onde apareceu uma inscrição funerária de um Concordiense; continua pela EN335?)
Perais (da aldeia segue pela calçada da Telhada até ao rio, passando por Estalagens e Calçados)
Travessia do rio Tejo na Lomba da Barca (segue o caminho que vai pelo Mte. do Pombo e Sra. dos Remédios?)
Montalvão (minas; habitat em Castelos de Cima e de Baixo; habitat em Fonte Feia e Palmeirinha)
Póvoa e Meadas (a via passa a poente da povoação junto da Villa dos Mosteiros em Mata da Póvoa; Monteiro, 2011)
S. Salvador da Aramenha (AMMAIA)


Idanha-a-Velha (IGAEDITANIA) a Évora (EBORA)
Idanha-a-Velha (IGAEDITANIA) (seguia o itinerário anterior até à Villa de Mosteiros em Póvoa e Meadas, continua pelo Alto das Churras, atravessa a ribeira de Figueiró e segue Alto do Touriz 2 até Alpalhão)

Alpalhão (provável cruzamento com o Itinerário XV entre Lisboa e Mérida)
Vale do Peso (referência a uma Ponte dita «Romana»)
Flor da Rosa (balneário; villa em Couto dos Coldes)
Crato (necrópole da Lage do Ouro; sai pelo cemitério atravessa a estrada e segue por calçada)
Ponte Romano?-Medieval sobre a ribeira do Chocanol
Monte do Chocanol, Crato (talvez o Vicus Camalocensis, a partir de uma ara onde se lê «Vicani Camaloc[...]»)
Ponte Romano?-Medieval Velha do Prado sobre a ribeira de Seda
Granja, Crato (villa, 500 m a sul da estação CF)
  • Aqui a via deveria bifurcar, seguindo um ramo directo a Alter do Chão pelos altos de S. Lourenço e S. Miguel enquanto o outro seguia para SE paralela ao CF em direcção a Assumar pela chamada «Estrada do Alicerse» ou «Estrada dos Louceiros» que passava na Qta. de Marrocos, Alto da Abonadeira, Mte. do Aguilhão e Chancelaria, entroncando nesta zona com o Itinerário XIV que seguia para Mérida.
Alter do Chão (Abelterio) (cruza com a o Itinerário XIV Lisboa-Mérida)
Fronteira (a poente pelo caminho que passa em Vale de Amoreira atendendo ao aparecimento ali próximo do possível miliário do Monte da Palhinha; do Vale de Amoreira desce ao Porto de Melões para a travessia da ribeira Grande)
Cano (possível cruzamento com a ligação Ponte de Sor-Estremoz junto da Villa do Mte. do Álamo/Torre de Camões, seguindo depois por Mte. Mouchão, ribeira de Almadafe, Mte. da Broa, ribeira de Tera, Mte. da Estrada e Penedos)
Venda do Duque (acompanha a ribeira do Vale Pereiro e passa junto da Estação CF do Vimieiro)
Aldeia do Vale do Pereiro (passa no Mte. da Chaminé, Mte. da Anta, cruza a estrada Igrejinha-Azaruja, EM528, e segue pelo Mte. do Barrocal; Epitáfio de Apano no Mte. da Calada; Inscrição funerária na Herdade da Chainha; Ara votiva em Santa Justa)
Travessia do rio Degebe (na chamada «Ponte Velha» perto da estrada Évora-Azaruja e segue por Montinho do Ferro, Mte. do Evaristo, Mte. da Caeira, Campos de Évora até entrar em Ebora Liberalitas Iulia)
Évora (Ebora)
MUNICIPIUM AMMAIAENSIS









Rede viária em torno de S. Salvador de Aramenha (AMMAIA)
A civitas de Ammaia localiza-se em S. Salvador da Aramenha, Marvão e abrange as Qta. da Azenha Branca e a Qta. de Deão, na margem esquerda do rio Sever; Depois de anos de abandono, a cidade vai renascendo com o trabalho dos últimos anos, apresentando já hoje um importante conjunto de ruínas e conta com um excelente Museu da Cidade de Ammaia que acolhe o espólio recolhido nas escavações. Da cidade partiriam várias vias nas diversas direcções, mas o seu estudo está ainda numa fase inicial pelo que os traçados aqui apresentados são ainda hipotéticos; (Ver Corsi, 2006 e Carvalho, 2003)

A cidade seria servida por 3 pontes com provável origem romana:

De AMMAIA a EBORA
Saindo de Ammaia pela porta sul segue durante um km até à Ponte Romano-Medieval da Madalena sobre a ribeira dos Alvarrões (junto da ponte nova na EN246-1), continuando depois para Carris pelo caminho asfaltado à esquerda, onde ainda subsistem troços em calçada, continua por Alvarrões (Fonte da Mulher) confluindo pouco depois na EN359 que segue ao longo da Ribeira de Nisa, contorna o Cabeço do Mouro e desce a Portalegre, rumando daqui a Assumar e a Monforte (seguiria próximo do provável templo romano de S. Pedro de Almuro), Veiros (passando na Herdade da Guardaria, onde apareceu uma inscrição funerária), São Bento da Ana Loura (villa), Estremoz e Évora-Monte até Évora.

Variante por Arronches: também é possível existisse uma derivação do caminho anterior a partir de Portalegre atendendo à sequência de sítios romanos como a Villa do Mte. da Capela em Mosteiros e a inscrição na chamada língua «lusitana» achada junto da ribeira da Venda no Mte. Coelho, seguindo até Arronches, onde cruzava a Via Lisboa-Mérida

De AMMAIA a NORBA CAESARINA (64 milhas)
Portagem, Marvão
Travessia do rio Sever no lugar da Ponte Velha
Valencia de Alcántara (Aqueduto; Puente da Piedra; Pontarrón de los Agravios; talvez siga próximo da linha férrea)
Aliseda (a norte da povoação)
Malpartida de Cáceres
Cáceres (NORBA CAESARINA)

de AMMAIA a EMERITA
Ponte Romana sobre o rio Sever em Olhos de Água (via não atravessava o rio Sever na Ponte Medieval da Portagem mas em Olhos de Água, às portas da cidade romana, numa ponte da qual restam alguns vestígios; a via seguia depois pelo vale da Serra de S. Mamede por Porto Espada, S. Julião, atravessa a fronteira luso-espanhola em Rabaça e segue por La Vega e La Codosera; a partir daqui tanto poderia seguir em direcção a Bótoa (Budua), entroncando aí no Itinerário XIV entre Lisboa e Mérida, ou seguir em direcção à região de Campo Maior onde ficaria a estação de Ad Septem Aras, entroncando assim na confluência dos dois itinerários XIV e XV entre Lisboa-Mérida)

de AMMAIA a ARITIO VETUS
S. Salvador da Aramenha (AMMAIA), Marvão (segue o traçado da EN para Castelo de Vide por Vale da Escusa)
Castelo de Vide (antes da estrada descer à vila seguir à esquerda junto ao supermercado, por caminho a meia-encosta para Pouso até entroncar novamente na EN junto à capela de S. Pedro. Pouco depois volta a sair da EN à esquerda pela estrada antiga que passa na Sra. da Luz, interrompida mais à frente pela EN e depois pela linha CF; depois da estação segue à direita por Monte da Lameira e Machoquinho, no sopé do Alto dos Lavradores/Serra de S. Paulo e não longe da importante Villa do Monte do Mascarro, onde apareceu uma ara votiva)
Travessia da ribeira de Nisa em Porto dos Espinheiros (segue por Alcogulo; Villae do Vale da Manceba e Vale da Bexiga)
Travessia da ribeira de Figueiró
Alpalhão (segue por Mte. do Maxial; cruzamento com a via transversal entre Idanha-a-Velha e Évora; daqui a via seguiria pelo itinerário XV por Comenda e Gavião até Aritio Vetus que seria no Casal da Várzea em Alvega)

  Porque surgiu esta página?
A Via Nova na Portela de Santa Cruz
- pela conservação deste património, batalha que continua.

- porque a via está mesmo aqui, debaixo dos nossos pés.

- pela viagem...



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