| Vias Romanas em Portugal | |
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Introdução ao Sistema Viário Romano
A rede viária romana é a maior obra de engenharia da antiguidade em Portugal.
Apesar do seu levantamento ter atraído diversos estudiosos, continuamos com mais incertezas do que certezas, pelo que os itinerários propostos são em grande medida conjecturais.
Assim, os itinerários aqui publicados tentam fazer uma compilação do conhecimento actual sobre o tema pelo estão constantemente a ser revistos
à medida que novos trabalhos de investigação são publicados.
ver Histórico de alterações.
Dificuldades
De entre os problemas encontrados para o seu estudo salientam-se os seguintes:
- A vastidão e dispersão geográfica da rede viária, cobrindo a quase totalidade do território português.
- A incerteza quanto à origem destas calçadas devido às sucessivas reparações ao longo dos últimos 2.000 anos.
- O abandono e destruição a que estão votados estes vestígios arqueológicos.
Estado actual
O maior problema na definição dos itinerários é saber como «encaixam» os múltiplos troços espalhados pelo país no vasto sistema
viário romano do qual ainda só se conhece um pequena parte. Para além das vias principais mencionadas no
Itinerário de Antonino,
existiam uma grande quantidade de outras vias que interligavam
civitates,
vici e
portus.
Aliás, foi esta teia de comunicações que permitiu o grande desenvolvimento económico durante a época de domínio romano
e mostra bem como uma rede viária bem planeada pode potenciar a riqueza de uma região,
criando assim um padrão de desenvolvimento em território nacional que subsiste em grande parte até aos dias de hoje.
Outros vestígios importantes
Ao longo dos
Itinerários são indicados os vestígios e indícios da antiga via como miliários e
mansiones, mas também se indicam outros vestígios directamente relacionados com a via como
villae, necrópoles, castros romanizados, explorações mineiras e agrícolas, etc, já que frequentemente estes vestígios estão associados à passagem da via na sua proximidade:
- As villae, mais que uma habitação, são focos de desenvolvimento económico que necessitam de
vias de escoamento para os seus produtos, quer para as cidades, quer para portos a fim de serem exportados
Além disso algumas das villae mencionadas seriam a própria mansio de apoio à estrada.
- As necrópoles eram frequentemente localizadas ao longo da estrada romana, contíguas à via, nas saída das cidades, como é caso da necrópole de Lethes em Ossonoba (Faro),
longe dos vivos, assegurando assim a salubridade pública, mas mantendo o mundo dos mortos em permanente contacto com o dia-a-dia do mundo dos vivos.
- As explorações mineiras eram apoiadas por uma rede complexa de vias secundárias que permitiam o escoamento do minério até às vias principais ou, o que é mais provável, seguindo por uma via secundária para o porto fluvial mais próximo, onde seria embarcado
e transportado rio abaixo até ao litoral, onde finalmente era exportado para todo o império.
Sobre as Estradas
A rede de estradas dividia-se em
Viae Publicae (também chamadas de Militares ou Consulares) que formavam a rede principal que interligava todo o Império Romano, correspondendo nos dias de hoje as nossas estradas nacionais, as
Viae Vicinales, estradas secundárias que ligavam os povoados às grandes vias e as
Viae Privatae ou
Agrari, caminhos agrícolas ou de acesso privado.
Nada melhor que seguir a explicação
Siculus Flaccus, cônsul romano, na sua obra
«De condicionibus agrorum»:
«As vias não têm um único estatuto. Existem as
Viae Publicae; que são construídas com fundos públicos, recebendo o nome do seu promotor.
O
Curator Viarum era responsável pela supervisão da via cuja construção era adjudicada a empreiteiros.
Para a manutenção de algumas delas é fixada uma determinada soma aos proprietários em função da via em causa.
Em contrapartida as
Viae Vicinales, partindo das
Viae Publicae, servem os campos ou ligam a outras
Viae Publicae. São construídas noutras modalidades, pelos responsáveis regionais que, em geral, exigem aos proprietários os trabalhos de manutenção.»
Ler online in «De condicionibus agrorum» Cap. XIX.
Um Sistema Viário
O
Cursus Publicus é assim um sistema totalmente hierarquizado, planeado para cobrir todo um território,
(é sabido que já na época existia um sistema de distribuição postal que só viria a ser novamente implantado em 1520 com a criação do cargo do Correio-mor, instituindo assim o «serviço público» de correios em Portugal), e apoiado numa rede de estações de apoio aos viajantes, desde as chamadas
mutationes, pequenas estações de muda de montadas e condutores, separadas por 10-12 milhas (15-18 km), às chamadas
mansiones, albergarias onde os viandantes poderiam reabastecer, saciar a fome e pernoitar.
Estas
mansiones estavam estrategicamente distribuídas de modo a proporcionar
alimentação e repouso no fim de cada etapa do caminho que em média rondariam um pouco menos de 30 milhas (44 km); por curiosidade refira-se que este valor é muito próximo do utilizado entre estações de serviço das nossas actuais auto-estradas. E por fim as
stationes que dispunham de guarnição militar para garantir a segurança e o controlo rede viária em locais perigosos ou de passagem obrigatória pelo que eram muitas vezes fortificadas.
Após o fim do Império
Com o fim do período romano, o trânsito dissemina-se por uma infinidade de caminhos secundários sem grandes
artérias que o canalizem e concentrem. Os grandes trajectos que ligavam as principais cidades da península ibérica caem em
desuso, ficando toda a rede de estradas segmentada em rotas mais curtas.
É também aqui que começam as sucessivas alterações, processo que dura até hoje.
Perdida que estava a noção de conjunto, a rede foi evoluindo de uma forma natural, sem planeamento, criando novas rotas e abrindo caminhos aqui e além reutilizando troços das antigas vias imperiais, à medida que surgiam novos focos populacionais e uma nova ordem administrativa do país começava a tomar forma durante o período Tardo-Romana e Alto-Medieval.
Com as invasões muçulmanas, o fénomeno acentua-se com novas obras de restauro da via romana e mesmo a construção de novas vias, mas é claro hoje que as chamadas
Estradas Mouriscas, assim designadas na Idade Média esquecida que estava a sua origem romana, correm na sua maioria pelo leito da antiga via pelo as referências em documentos medievais à «
Via Mourisca» são fortes indícios de aí ter passado também a antiga via romana.
Da Idade Média à Idade Moderna
Este emaranhado de
Estradas perdurou pela Idade Média com sucessivos restauros ainda bem visíveis por todo o território nacional, com renovação da calçada, construção de pontes e abertura de novas estradas, formando uma rede viária que ainda hoje é visível na nossa rede de estradas.
A rede viária só viria a ser reconstruída numa óptica romana a partir de meados do século XIX, com as estradas reais, recuperando a antiga lógica do caminho romano, ou seja, criando grandes trajectos, assegurando a sua manutenção e segurança e retomando o conceito das
mansiones através da criação das mala-postas. As antigas
Estradas Reais seguiam frequentemente o traçado antigo da via romana.
Merece referência, pela sua importância na história da rede viária portuguesa, a obra de Jozé Diogo Mascarenhas Neto ,
«
Methodo para construir as estradas em Portugal», editada no Porto em 1790 que lança as bases do sistema viário nacional a partir dos conceitos romanos.
No século XX
Só nos anos 30 do século passado com o notável trabalho da JAE é que foi possível converter esta rede num sistema rodoviário uniforme, com padrões modernos de circulação
e melhor sinalização através da recuperação do conceito de
Miliário com os Marcos Quilométricos.
Ainda hoje se podem ver muitos destes marcos nas estradas portuguesas,
mas infelizmente a maioria já foi arrancada pelo que hoje voltamos a perder a noção do quilómetro nas estradas secundárias.
Mas a totalidade dos conceitos introduzidos pela rede viária romana só vieram a ser integralmente aplicados com a construção da rede de auto-estradas, iniciada nos anos 60, mas que só viria a ser completada nos anos 90 com a entrada de Portugal na CEE.
Enfim, demoramos quase 2000 anos a recuperar o método de construir de estradas, como aliás quase toda a engenharia romana,
no entanto, é inquietante perceber que a tecnologia de construção sempre esteve aqui.
Séculos de barbárie não conseguiram destruir este legado e hoje que aprendemos o que ele significa estamos a ponto de o destruir.
Nem todo o caminho de lajes de pedra é romano
Aliás muitas das vias nem sequer utilizam lajes, dependendo do clima da região, dos materiais existentes na proximidade da via,
da topologia do terreno e principalmente, da organização que está por detrás da sua construção.
Talvez esta ideia tenha surgido porque nas ruas das cidades romanas, era frequente a utilização de lajes como camada final para melhorar a salubridade pública, facilitando a sua limpeza.
Daqui se concluiu erradamente que toda a via romana teria que ser coberta a lajes de pedra calçada.
Na realidade não há a certeza que a via romana fosse alguma vez construída com pedra calçada;
Como todas as vias romanas
foram construídas para veículos com rodados,
este pavimento é naturalmente impróprio para a circulação de veículos com rodados a grande velocidade, pelo que se supõe
(
ver artigos de Isaac Moreno Galo)
que na realidade, as vias tinham um pavimento compactado, liso, suportado por uma forte estrutura.
A tradição histórica de que todas as vias romanas eram calçadas com lajes de pedra e
exemplo maior da técnica de construção romana de estradas é vista hoje como uma excepção no contexto do sistema viário romano
que procurava a solução mais eficiente em termos económicos e funcionais.
O uso do pavimento em lajes pedra
Sempre que as condições do terreno assim o exigiam, (subidas, montanha, etc),
foi utilizada uma camada final em lajes de pedra,
mas como a maior parte das calçadas que ainda resistem são de origem medieval,
ainda hoje existe esta incerteza quanto à camada final da via romana.
Pelo menos sabemos que o facto de ser em calçada, nada diz sobre a origem romana do caminho.
Também é possível que ao longo dos séculos este pavimento tenha a pouco e pouco desaparecido,
deixando a descoberto somente a estrutura da estrada conhecida por
stratal de onde deriva a palavra estrada.
Como identificar sinais de romanidade?
Caminhos estreitos e com grandes declives não são habitualmente romanos. Isto só acontece para vencer obstáculos como rios em troços de montanha;
de resto tem que se ver pelo menos algumas características que mostram que a origem do traçado é romano, como um alinhamento perfeito,
curvas com arcos de curvatura correctas, uma utilização subtil dos próprios acidentes de terreno (como pedras),
em resumo, características que demonstram a utilização de matemática e instrumentos de medida de precisão na sua construção, marcas indubitavelmente romanas.
Ver artigo de William Ramsay.
Técnicas Construtivas
A sua
construção obedecia aos mesmos princípios, mas com grande variedade
de soluções e materiais em função do local de construção; o esquema seguinte indica uma das estruturas possíveis:
fossae e
sulci - leito terraplenado e sulcos laterais para escoamento de água.
stratumen - camada inicial ou fundação com grandes pedras irregulares ligadas por uma argamassa.
rudus - camada de cascalho, ou fragmentos de tijolo, e uma camada de cal hidráulica bem pisada.
nucleus - argamassa de gravilha, ou areia grossa, e cal preparada a quente em camadas regulares.
stratum ou
summa crusta - uma camada aplanada de pedra poligonal de granito ou quartzo.
e eventualmente uma camada final, lisa e suave feita de cal, areia e cimento para rodados.
Ver artigo de Adam Pawluk.
A discussão continua...
O facto de um caminho antigo ser em calçada nada garante quanto à sua origem romana,
na realidade a maior parte das calçadas que vemos hoje são construções medievais,
mas algumas de entre elas terão sido construídas sobre a antiga via romana, recalcando o seu anterior traçado
e reutilizando os materiais da antiga via.
A verdade é que hoje sabemos que via romana era construída
procurando a solução mais eficiente em termos económicos e funcionais,
adaptando a engenharia de construção às condições no terreno e
do clima envolvente, recorrendo por regra aos materiais existentes nas proximidades da via.
A utilização de um revestimento em pedra calçada estaria reservada para as zonas declivosas e com forte precipitação
de modo a preservar a sua integridade estrutural durante os invernos chuvosos e facilitar a passagem de carros com rodados.
Estes factos podem ser observados nas diferentes soluções construtivas adoptadas no norte e no sul de Portugal:
Enquanto que no Alentejo, as vias são em geral em terra batida sobre uma estrutura de
rudus relativamente simples,
no norte do país, prevalecem os grandes troços calçados por vezes com importantes estruturas de suporte
para melhor resistirem às intempéries e permitir um traçado em altitude sobre encostas abruptas.
Esta discussão sobre a caracterização das vias continua...
Os termos «Via» & «Calçada» nos itinerários
Nos itinerários os termos Via & Calçada significam:
- VIA - todo o caminho na rota da antiga via romana, seja em terra batida, calçada em pedra ou por estrada moderna.
- CALÇADA - todo o caminho com possível origem romana ainda com vestígios de pavimento antigo.
Sobre os Marcos Miliários

Os miliários encontrados ao longo do trajecto são a principal evidência da passagem da via. Ao contrário de pontes e calçadas, não há dúvida quanto à sua origem romana, mas muitos estão deslocados da sua posição original, outros muito danificados, potenciando erros e aumentando as dúvidas sobre a verdadeira rota de passagem da via romana. As suas inscrições são uma fonte crucial para entender o sistema viário romano ao indicar o ponto de partida e as milhas percorridas ou, por vezes referindo os trabalhos de reparação efectuados na via, como é caso do miliário deslocado para o Solar de Bertiandos em Ponte de Lima (na imagem) na frase «
vias et pontes temporis vetustate conlapsos restituerunt».

Sendo um reflexo do momento histórico durante o qual foram esculpidos, também neles é notória a deterioração
de toda a organização do império à medida que este caminhava para o seu fim.
É evidente a degradação das técnicas utilizadas quando comparamos os magníficos marcos miliários do tempo de Augusto e Adriano
que integravam as grandes
viae militares, com os marcos toscamente esculpidos do fim do império espalhados por uma infinidade de variantes.
As sucessivas alterações políticas e administrativas, com a fundação de novas
civitates
e logo novos pontos de partida para a contagem das milhas, os
caput viae, levam a que hoje se possa encontrar numa mesma via miliários com indicação a dois
caput viae
diferentes como é o caso da
Via XVII que liga Braga a Chaves onde tanto há miliários indicando a distância a Braga como
outros que indicam a distância a Chaves. Outro sinal destas alterações, aparecem em alguns miliários cuja marcação de milhas indica a distância,
não a cidades importantes mas a fronteiras ou limites territoriais, mostrando que a rede viária estava agora a ser gerida por governos provinciais,
mais preocupados com o seu território do que com a sua integração no vasto império.
Sobre as Pontes
Ao longo dos milhares de quilómetros de vias espalhadas pelo país,
existiam um grande número de pontes romanas.
Infelizmente a maioria já está destruída, umas pela acção do tempo e das intempéries, outras,
a maioria, destruídas propositadamente pelo homem, quer por ignorância, quer pelas sucessivas guerras e
invasões que assolaram o nosso território. Assim, muitas das estruturas ditas «romanas» são na realidade toscas
reconstruções efectuadas na Idade Média, ou mesmo na Idade Moderna, eventualmente em cima dos alicerces originais.
O número de pontes ditas «romanas» varia muito em função dos critérios adoptados para a sua classificação e é um assunto muito
pouco consensual entre os investigadores. A largura e horizontalidade do tabuleiro, a simetria do arcos, as pedras almofadadas e as
marcas de fórfex
são algumas das características apontadas para certificar a sua origem romana, mas é sabido que nem todas as obras romanas seguiam estritamente este padrão pelo que se torna muito difícil atestar da sua cronologia. Assim a classificação das pontes tenta separar entre pontes com nítidos indícios romanos, quer pelas técnicas construtivas usadas quer pela reutilização de materiais romanos na sua construção,
respectivamente «Pontes Romanas» e Pontes «Romano-Medievais», das numerosas pontes ditas «romanas» sem que nada o suporte além de estarem inseridas na provável rota de itinerários romanos.
- PONTE ROMANA, construção ou reconstrução mantendo o desenho original;
- PONTE ROMANO-MEDIEVAL, reconstrução medieval sobre fundações romanas;
- PONTE ROMANO?-MEDIEVAL, ponte medieval, sem vestígios romanos, mas no alinhamento da rota romana.
As grandes pontes romanas em Portugal
Apesar do abandono e quase por milagre em Portugal sobrevivem quatro pontes romanas
de grande dimensão que mantêm a traça original, apesar de terem sofrido reparações posteriores:
Todas estão em perfeitas condições rodoviárias e com duas vias de circulação, ainda hoje
suportam o tráfego moderno. (tragicamente não se pode dizer o mesmo de algumas pontes modernas...).
Como ainda hoje estão integradas na rede nacional de estradas, o viajante menos avisado poderá já ter passado por elas
sem se aperceber da sua antiguidade. É o caso da desconhecida
Ponte da Pedra,
perto de Torre de Dona Chama, concelho de Mirandela, que nem sequer tem uma placa indicando que a sua construção é romana.
Todas receberam no entanto alterações, quase sempre pouco felizes como a alteração das guardas, dos pisos (são estradas nacionais...) até ao cimentar dos arcos
como na
recente intervenção na Ponte de Segura.
Todas elas apresentam também fortes evidências da sua origem romana como a horizontalidade, a simetria, a modularidade construtiva e as marcas de fórfex.
Ver vídeo sobre a Ponte Romana de Chaves.
Outras pontes em Portugal
Para além destas obras grandiosas, existe um conjunto de pequenas pontes romanas espalhadas pelo país que também merecem ser destacadas.
A maioria está ao abandono, apesar de não haver dúvidas quanto à sua origem romana.
Nestas pequenas pontes também é possível observar a excelente técnica de construção romana pelo que
são monumentos que deveriam receber a atenção dos responsáveis pela protecção do património:
Duas pontes de um só arco inseridas no
Itinerário XVII entre Braga e Astorga:
Ponte Romana de S. Lourenço, à saída de Chaves.
Ponte Romana do Arquinho em Possacos, Valpaços.
e várias outras espalhadas pelo país como por exemplo:
Ponte Romana do Arco em Vreia de Jales servindo a exploração mineira de Três Minas.
Ponte Romana da Bobadela junto ao cemitério da aldeia, antiga
civitas da região de Oliveira do Hospital.
Técnicas Construtivas
Muitas das obras eram levadas a cabo pelos legionários. Isto exigia a presença de engenheiros integrados nas legiões,
transportando aos quatros cantos do mundo conhecido o saber da antiguidade e sendo por isso capazes de planear e construir obras em regiões
estranhas e inóspitas, separadas por centenas de milhas, com uma enorme variedade de materiais e num curto
espaço de tempo. Com a solidificação da
pax romana as grandes obras públicas começaram a ser construídas pelas autoridades civis. Assim muitas outras questões interessantes se levantam, como sejam o desvendar da organização e métodos aplicados na sua construção sobre os quais ainda pouco sabemos.
Todo o conhecimento de então foi entretanto perdido pelo homem, numa travessia do deserto que só viria a ser recuperado
com o recente e súbito desenvolvimento tecnológico do século XX, se bem que muitos dos segredos construtivos continuem ainda por desvendar.
Devido à sua durabilidade, as pontes romanas construídas em pedra são as únicas que chegaram até aos nossos dias, mas é um facto histórico que muitas das pontes romanas foram construídas em madeira (
Pons Roboreus), assentes
em pilares (
Pons Sublicius). Infelizmente os vestígios dessas pontes são extremamente raros pelo que se torna difícil desvendar as técnicas utilizadas na sua construção. Sabemos que a madeira seria usada nas travessias mais acidentadas e quando
se pretendia uma construção em tempo recorde. Por exemplo, em
A Guerra das Gálias,
Júlio César refere a construção de uma ponte em madeira sobre o rio Reno em 10 dias (!).
Em Portugal não sabe se existiam pontes deste tipo, embora se possa suspeitar da sua existência em algumas travessias
onde não temos vestígios de qualquer ponte em pedra apesar de aí passar seguramente a via romana, mas nestes casos é mais provável que a travessia se fizesse por barcas, um sistema que perdurou até ao século XX.
Uma cartilha de construção
Espalhadas pela Europa e Norte de África, estas obras mostram uma cartilha de construção comum, traduzindo os conhecimentos da época que nos seus princípios gerais, tem permanecido inalterada até aos dias de hoje.
Da surpreendente
Ponte de Alcântara sobre o rio Tejo, próximo da fronteira Luso-Espanhola de Castelo Branco,
à incrível
Pont du Gard,
ponte-aqueduto sobre o rio Gard em Nimes, passando pela
Ponte di Nona, na
Via Prenestina em Roma.
Puente de Alcântara, Espanha.
Ponti di Nona, Itália.
Pont du Gard, França.
Partindo de um único módulo base, um arco de volta perfeita assente em dois pilares, era possível construir pontes nos mais variados terrenos, com duas vias, perfeitamente planas e pavimentadas para tráfego rodado.
Pegando nesse módulo é possível alterar a dimensão do arco e do pilar de modo a ajustar-se ao local,
mas mantendo as proporções entre ambos e assim garantindo a sua robustez sem comprometer a sua horizontalidade.
Ponte de Alcântara

Esta técnica pode ser observada na Ponte de Alcântara que é sem dúvida o monumento mais importante da rede
viária que sobreviveu até aos nossos dias. Para nossa sorte a ponte é facilmente acessível a partir de Portugal
porque está localizada junto à fronteira Luso-Espanhola de Segura, a 20 km de Castelo Branco.
- variando o número de arcos obtém-se a extensão necessária.
- variando a altura dos pilares obtém-se a altura do tabuleiro pretendida.
Ver vídeo sobre a Ponte Romana de Alcântara
As Marcas de Fórfex
Uma das características mais relevantes para atestar a origem romana destas pontes são as
Marcas de Fórfex. Estas são pequenas cavidades em lados opostos dos blocos de pedra,
permitiam a entrada do
fórfex, ou tenaz, da grua mecânica para levantamento e colocação em posição dos blocos usados na construção da ponte.

A aplicação de tecnologia avançada, recorrendo a maquinaria pesada,
permitia erguer uma ponte com grande rapidez com um número limitado de homens.
A velha tradição do uso massivo de mão-de-obra escrava não tem cabimento à luz do que sabemos hoje.
Assim muitas outras questões interessantes se levantam, como sejam o desvendar da organização e métodos aplicados na sua construção.
Que futuro para a tecnologia romana
A tecnologia romana de construção de pontes guarda ainda muitos segredos por desvendar porque para além da
eficácia óbvia da suas obras, como a durabilidade e a usabilidade, a sua
eficiência é no entanto ainda mais surpreendente porque os meios utlizados são bastante reduzidos em face dos resultados, com métodos como a modularidade, a utilização de materiais locais e retirando a energia movente da força motriz dos rios, alimentando assim a maquinaria de apoio à construção.
Todo este conhecimento foi entretanto perdido pelo homem, numa travessia do deserto que só viria a terminar
nos nossos dias com o recente e súbito desenvolvimento tecnológico. No entanto, o modelo energeticamente eficiente da tecnologia romana continua a ser um verdadeira solução de
sustentabilidade que nos poderá ser muito útil no futuro.
Os documentos
Das fontes originais resta:
O Itinerário de Antonino (
Itinerarium Antonini) é sem dúvida o documento mais importante para o estudo das vias romanas.
Trata-se de uma compilação de itinerários entre as principais cidades do império indicando a sequência de estações de paragem ao longo da via
e indicando as distâncias em milhas entre elas. Estas estações ou
mansiones
localizavam-se na berma da via para apoio aos viandantes pelo que nem sempre correspondem a povoados
importantes, ao contrário das descrições das
civitates encontradas noutros documentos como em Plínio, Estrabão e Mela)
pois também existiam
mansiones em zonas mais despovoadas. Dessa forma
algumas das estações indicadas eram travessias de rios (como a estação
Ad Atrum flumen, a oriente de Évora) ou
pontes importantes (como a
Ponte Neviae dos itinerários Braga-Astorga) ou próximo de pequenos
vici que por essa razão,
ainda hoje não conhecemos a sua localização. De facto, hoje sabemos que algumas destas estações estavam próximas de pequenos povoados,
mas junto à via pelo que a localização exacta destas estações é muito difícil.
(as
mutationes são aparentemente ignoradas).
A versão que chegou até nós é uma cópia medieval do original escrito no séc. III d.C.
O seu estudo tem levantado sérias dúvidas sobre a exactidão das estações e distâncias mencionadas,
sendo provável que os copistas tenham cometido erros na sua transcrição ou até introduzido correcções segundo as suas interpretações.
A edição mais conhecida do itinerário foi publicado em Berlin no ano de 1848 pelos editores Gustav Parthey e Moritz Pinder com o título
«Itinerarium Antonini Augusti et Hierosolymitanum»
pode ser lida
aqui.
O Corpo de Inscrições Latinas (
Corpus Inscriptionum Latinarum ou
CIL)
é uma compilação de inscrições latinas iniciada pelo historiador alemão
Theodor Mommsen em 1857.
Este pediu ao seu discípulo, o epigrafista alemão
Emil Hübner,
para viajar para a Hispânia afim de fazer o levantamento relativo a esta região.
Como resultado dessa viagem que decorreu de Março de 1860 a Outubro de 1861, é publicado em 1869 o Volume II do CIL designado por
Inscriptiones Hispaniae Latinae ou
CIL II.
Posteriormente, em 1871, Hübner publica o
Noticias archeologicas de Portugal (
ver aqui em pdf - 9,8 Mb)
A descoberta de novas inscrições levou Hübner a fazer mais três viagens na década de 80 das quais resultariam
a publicação do
Supplementum em 1892. No
Corpus Inscriptionum Latinarum são referidos os miliários conhecidos na época, alguns dos quais já desaparecidos,
pelo que esta obra constitui um documento crucial no levantamento da rede viária romana.
A
Corografia de Pompónio Mela (
Pomponii Melae) foi escrita no ano 43 a.C. com o título
Uma Descrição do Mundo (
De Situ Orbis) sendo também conhecida por
De Chorographia. Sendo originário da vizinha Baética, Mela descreve algumas cidades da Lusitânia no capítulo
Hispaniae Ora Exterior.
Ver aqui o seu mapa-múndi.
A
História Natural
(
Naturalis Historiae)
de
Caio Plínio o Velho (
Caius Plinius Secundus),
obra primordial em 37 livros, onde se descrevem as principais características geográficas das províncias do império romano, enumerando povos, cidades e rios. Não há referências à rede viária mas a indicação das fronteiras e respectivas distâncias, permite-nos deduzir a localização de algumas estações viárias e a sua articulação.
Ler em Latim no site de Lacus Curtius e uma
tradução para Inglês do site Perseus.
Ver também
a
tradução para italiano de Lodouico Domenichi na biblioteca da FLUL;
Em relação ao território português podemos ler uma breve
descrição sobre o noroeste da Hispânia (Livro IV - Cap. 34) e um
capítulo sobre a Lusitânia (Livro IV - Cap. 35), além de muitas outras referências que foram profundamente estudadas por
Amílcar Guerra na sua obra «Plínio-o-Velho e a Lusitânia» (
ver bibliografia). Nesse capítulo apresenta a seguinte descrição da Lusitânia:
Começa por uma descrição geral «
Universa provincia dividitur in conventus tres, Emeritensem, Pacensem, Scalabitanum, tota populorum XLV, in quibus coloniae sunt quinque, municipium civium Romanorum, Latii antiqui III, stipendiaria XXXVI. coloniae Augusta Emerita, Anae fluvio adposita, Metellinensis, Pacensis, Norbensis Caesarina cognomine; contributa sunt in eam Castra Servilia, Castra Caecilia. quinta est Scalabis quae Praesidium Iulium vocatur. municipium civium Romanorum Olisipo, Felicitas Iulia cognominatum. oppida veteris Latii Ebora, quod item Liberalitas Iulia, et Myrtilis ac Salacia, quae dixmu»
(«Toda a província divide-se em três circunscrições, Emeritense, Pacense e Escabilitano, totalizando 45 povoações, entre as quais 5 são colónias, um é município com cidadania Romana, 3 detêm os antigos direitos Latinos e 26 são tributárias. As colónias são Augusta Emerita, situada junto do rio Guadiana, Metallinum, Beja e Cáceres, cognominada de
Cæsariana. A quinta colónia é Scallabis, também chamada de Præsidium Julium. Lisboa, cognominada de
Felicitas Julia, é Município com cidadania romana. As cidades com os antigos direitos Latinos são Évora, também chamada de Liberalitas Iulia, Mértola e Alcácer, já mencionadas anteriormente.»)
Segue-se uma extensa, mas não exaustiva lista de
populi e
civitates da Lusitânia, «
Stipendiariorum quos nominare non pigeat» («entre os tributários que merecem ser mencionados estão os) «
Augustobrigenses, Aeminienses, Aranditani, Arabricenses, Balsenses, Caesarobrigenses, Caperenses, Caurienses, Colarni, Cibilitani, Concordienses, Elbocori, Interannienses, Lancienses, Mirobrigenses qui Celtici cognominantur, Medubrigenses qui Plumbari, Ocelenses, Turduli qui Bardili et Tapori», cujas capitais e limites territoriais continua ainda em parte por decifrar. Ver abaixo
listagem de povos romanos.
A Cosmografia do Anónimo de Ravena
(
Ravennatis Anonymi Cosmographia), obra em cinco volumes escrita no séc. VII d.C. por um desconhecido monge
do Mosteiro de Ravena, provavelmente a partir de um original romano do qual se desconhece o paradeiro.
O documento enumera as cidades e povoados existentes em cada região do império e apesar de não indicar as distâncias entre si é possível fazer um paralelismo entre a sequência com que são listadas com a sequência de estações viárias apresentadas no Itinerário de Antonino pelo que se torna um documento muito importante para o estudo das vias romanas.
Ver aqui uma reconstrução do seu
mapa-múndi.
A
Geografia
(Geographia) de
Cláudio Ptolomeu
(
Claudius Ptolemaeus) escrito no séc. II d.C.,
contendo as coordenadas geográficas das cidades e rios do mundo conhecido da época,
incluindo a
Lusitânia e a província
Tarraconense. Ver aqui uma reconstituição de um
mapa-múndi
e de um
mapa da Hispânia
baseado nas suas coordenadas.
A Geografia
(Geographia)
de Estrabão
(
Strabo), obra em 17 Livros, escrita no ano 17 d.C.
Em 1878 Gabriel Pereira publicou uma tradução em
«Descrição da Península Ibérica Livro 3º da Geografia de Strabão».
Ver aqui a reconstituição do seu
mapa-múndi.
O
Papiro de Peutinger ou
Tabula Peutingeriana
é uma cópia de um mapa romano com 7 m de comprimento efectuada em 1265 por um monge alsaciano e descoberto em 1508 por Konrad Peutinger (1465-1547) em Viena. A partir daí tomou o seu nome e passou a ser chamada de Tabula Peutingeriana. Segundo
Konrad Miller que fez a primeira edição moderna em 1887, o mapa teria sido baseado num mapa-múndi de Castorius (séc. IV) sem muita fundamentação. Infelizmente o mapa não dispõe de dados sobre
o território português pois falta a primeira folha onde estaria representada a Península Ibérica e a parte mais ocidental das Ilhas Britânicas.
Estando mais exposta ao uso, esta primeira folha papiro acabou por chegar ao século XVI já irremediavelmente danificada.
(
ver aqui a hipotética reconstituição de Konrad Miller).
O
Itinerário de Barro de Astorga ou
Tabellae de Astorga é um conjunto de quatro placas de argila, em exposição no Museu Arqueológico das Astúrias em Oviedo, contendo
cada uma um itinerário da Hispânia romana, dos quais só uma contém um itinerário que passa em território nacional,
a
Via Asturicam ad Bracaramna Tábua IV,. Apesar da sua autenticidade ter sido sempre
muito contestada,
alguns historiadores como Antonio García Bellido e Albert Tranoy sustentam a sua autenticidade.
Ver trabalho de Antonio García y Bellido, publicado em 1975.
O
Itinerarium Gaditanum ou
Itinerário de Gades,
gravado no séc. I d.C. em quatro vasos de prata cilíndricos, chamados
Vasos Apolinares por terem sido descobertos em 1852 no lago das termas
Aquae Apollinares em Vicarello, perto de Roma, descreve a rota entre esta cidade e
Gaditana, a actual Cádiz, pelo que também não se refere ao território Português.
O De architectura ou
Tratado de Arquitectura, escrito por
Marcus Vitruvius Pollio, é sem dúvida o livro mais importante sobre tecnologia romana que chegou até nós.
Obra escrita em dez volumes no primeiro século da nossa era. Infelizmente o autor não se refere especificamente à construção de vias, embora num
capítulo sobre pavimentos aborde alguns dos princípios construtivos comuns à construção de estradas.
(
Ler aqui a versão original em Latim,
uma tradução para Inglês
ou esta
tradução para Castelhano)
Para um maior aprofundamento do tema arquitectura e da engenharia romana ver
o trabalho de
Isaac Moreno Gallo.
Novo
Curiosamente, um obra tão importante para o mundo cotemporâneo esteve sem edição em Português até 2007, ano em que Justino Maciel publicou a sua excelente tradução. -
ver aqui notícia.
O
Papiro de Artemidoro é um rolo de 2,5 m do séc. I a.C. descoberto em 1994 em Antaiopolis no alto Egipto e
que apresenta um
mapa da Península Ibérica, mas infelizmente não existe qualquer legenda que revele o nome dos rios, estradas e cidades nele representadas.
Tornou-se assim na carta geográfica mais antiga que se conhece da antiguidade e claro também a mais antiga representação
da Península Ibérica.
O papiro contém também uma transcrição em grego do prólogo do
Livro II
da monumental obra em 11 volumes do geógrafo grego
Artemidoro de Éfeso,
intitulada
Geographoumena hoje desaparecida e que apenas se conhecia por citação de outros autores posteriores como
Estrabão. Neste texto é apresentada uma descrição geográfica da Hispânia, percorrendo
os principais pontos do périplo marítimo pelo que as distâncias são apresentadas em
stadia.
Ver
a leitura do texto feita por Luis Fraga da Silva
O
Portugaliae Monumenta Historica (
PMH) é uma compilação de documentos históricos organizada por Alexandre Herculano e publicada pela Academia Real das Ciências de Lisboa em quatro grandes tomos entre 1856 e 1888, incluindo uma colecção de 952 documentos do século IX ao XII recolhidos nos cartórios conventuais do país, os «Cartularios», agrupados sobre o título de
Diplomata et Chartae (
DC), contendo variadíssimas informações com relevância para o estudo da viação romana porque neles há muitas referências a velhas estradas em expressões como
Karraria Antiqua,
Via Antiqua ou
Via Mourisca. Atendendo a que poucas estradas se construíram desde o fim do império romano até ao século IX, é muito provável que estas sejam de facto vias romanas;
(Ler obra completa na
Biblioteca Nacional PMH, 1867-1873; Ver artigos:
Pereira, 1907;
CAF Almeida, 1970 e
CAB Almeida 1999).
Segue uma lista detalhada, mas não exaustiva, dessas referências:
E em Portugal?
Em 1571, o humanista português
Francisco de Holanda
escreve a sua primordial obra sobre o urbanismo de Lisboa
«Da Fabrica que falece ha Cidade de Lysboa»,
onde refere alguns vestígios da rede viária romana, como sejam as «calçadas de scilice» nas Mestas de Montargil,
a Pontes Romana de Sacavém e a Ponte Romana «acima de Abrantes», ambas já desaparecidas.
André de Resende
Mas é só com
André de Resende,
pioneiro da arqueologia em Portugal, que se começa a sistematizar o estudo da época romana, principalmente após a publicação póstuma em 1593 da sua obra
«Antiguidades da Lusitânia» -
«De Antiquitatibus Lusitaniae»,
onde dedica um
capítulo às vias romanas (
«De Viis Militaribus»). Ler o interessante artigo de José d'Encarnação
«Politicamente falsários» (1998, PDF com 8.9 Mb), comentando a falsificação de inscrições feita por Resende.
Outros se seguiram
Na mesma época, João de Barros publica o seu «Geografia de Entre-Douro-e-Minho» e
em 1597 Frei Bernardo de Brito (1569-1617) publica o
«Geographia antiga de Lusytania» (
Ler online)
seguida da sua primordial obra sobre a história de Portugal em 8 partes
com o título de
«Monarchia Lusytana»
(
Ler online), da qual apenas redigiu as duas primeiras partes, tendo publicado a primeira em 1597 e a segunda em 1609.
Gaspar Estaço (156_?-1626), Cónego da Colegiada de Guimarães, publica em 1625
«Várias Antiguidades de Portugal»
(
Ler online),
em 1652, Luis Marinho de Azevedo publica o
«Antiguidades e Grandezas da Mui Insigne Cidade de Lisboa»
(
Ler online), em 1706 o Padre
António Carvalho da Costa publica a sua importante obra
«Corografia Portuguesa» com o subtítulo de «discripção topographica do famoso Reyno de Portugal com as noticias das fundaçoens das cidades, villas e lugares que contem, varoens illustres, genealogias das familias nobres, fundaçoens de conventos, cathalogos dos bispos; antiguidades, maravilhas da natureza, edificios, e outras curiosas observações» (
Ler online) e em 1762 João Baptista de Castro publica o
«Mappa de Portugal Antigo e Moderno» que inclui o
«Roteiro Terrestre de Portugal» com uma compilação das principais rotas terrestres existentes na época e que seguem em grande parte os antigos trajectos romanos (
Ler online).
Padre Mattos Ferreira e Contador de Argote
Mais tarde, em 1728, o
Padre José de Mattos Ferreira, pároco de Amares, publica os miliários por si encontrados na
«Via Romana do Gerês (Geira)» num levantamento feito em 1721 que voltaria a ser publicado em 1734 por
D. Jerónimo Contador de Argote no seu «Memórias para a História Ecclesiástica do Arcebispado de Braga».
Padre Martins Capella
Com a explosão do interesse pela arqueologia no século XIX, os historiadores portugueses inspirados pelo trabalho de
Emil Hübner para o CIL, começam a publicar sobre o assunto. Em 1895, o
Padre Martins Capella publica o seu
«Miliários do Conventus Bracara Augustanus em Portugal» e Martins de Sarmento publica diversos artigos sobre os marcos miliários da região. Referir que a
Sociedade Martins de Sarmento em Guimarães disponibiliza estes artigos online no seu
site. Ler artigo de
A. Tranoy - «La route, image et instrument du pouvoir impérial dans le nord-ouest ibérique»
Mário Saa
Em Portugal não há muitas obras sobre a rede viária romana no seu conjunto com a notável excepção de
«As grandes vias da Lusitânia: o itinerário de Antonino Pio», obra em 6 volumes de
Mário Saa, publicada entre 1951 e 1967, constituindo um relato das suas prospecções efectuadas ao longo de vinte anos e cujo espólio por si recolhido está exposto na
Fundação Arquivo Paes Teles
no Ervedal, concelho de Avis, nomeadamente a
ara dedicada aos lares viales do Monte das Esquilas (Monforte) e dois miliários, um miliário a Constantino Magno proveniente do Casal da Pocariça (Lagoa Grande, Bemposta, Abrantes) e o miliário a Tácito proveniente da Capela da Ns. dos Prazeres em Vale de Açor (Ponte de Sor), IRCP 666a. Esta meritória fundação preserva ainda a sua biblioteca e prevê expôr em breve todo o espólio arquelógico ali depositado depois deste ter sido recentemente inventariado.
(
Encarnação, 1995; Mantas, 2010)
Panorama actual
O estudo das vias sempre foi muito disseminado por diversas publicações
como monografias, artigos, actas de congressos, revistas, etc.
Como esses estudos focam muitas vezes apenas num concelho ou numa região,
carecem de uma visão de conjunto que é crucial para entender os itinerários.
O
Prof. Jorge Alarcão
dedica um capítulo da sua obra
«O Domínio Romano em Portugal»
onde apresenta um excelente resumo dos principais itinerários e muitos outros autores como
Vasco Mantas, Sande Lemos, Rodriguez Colmenero, Brochado de Almeida, Alain Tranoy, Patrick Le Roux, Inês Vaz, Tavares Dias, Augusto Baptista e Manuel Maia, só para citar alguns, têm dedicado grande parte do seu trabalho ao estudo do sistema viário romano e assim aumentando o nosso conhecimento sobre a questão.
Hoje sucedem-se as publicações sobre o assunto e parece que finalmente ele tem o destaque que merece.
Actualmente são muitos os autores que têm publicado regularmente trabalhos sobre o sistema viário romano
como, Luis Fraga da Silva, Francisco Bilou, Seabra Lopes, Sandra Rodigues, André Carneiro, e
Ver abaixo a bibliografia sobre vias romanas.
Na Rede
Existem algumas iniciativas interessantes na web entre as quais destacam-se os seguintes:
Bases de Dados Online
Existem algumas bases de dados online de sítios arqueológicos nacionais:
- Endovélico, sobre a égide do
IGESPAR (ex-IPA), é uma compilação bastante completa
dos sítios arqueológicos em território Português, mas com falta de detalhe e com muitas imprecisões e erros, embora seja a mais completa que existe online.
- Inventário do Património Classificado
da responsabilidade do
IGESPAR (ex-IPPAR)
é de pouco interesse no que toca à rede viária romana.
-
Inventário do Património Arquitectónico da responsabilidade da antiga
Direcção Geral dos Monumentos Nacionais, hoje Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana (IHRU ) (!) que é muito mais interessante, tanto em qualidade como em riqueza de informação, mas que apenas contempla os principais monumentos romanos, nomeadamanete os alguns miliários.
- A Epigraphik-Datenbank Clauss / Slaby, uma vasta compilação de epígrafes classificado por provínvia romana incluindo a Hispania Citerior e a Lusitânia.
- A Epigraphische Datenbank Heidelberg, uma compilação de epígrafes com mais de 64 800 inscrições pela Universidade de Heidelberg.
- Mais recentemente surgiu a Hispania Epigraphica online database que vem disponibilizando na rede as epígrafes romanas da Península Ibérica, projecto ainda a decorrer e coordenado pelo Prof. Joaquín Gómez-Pantorra.
Os Itinerários de Antonino em Portugal
Os itinerários aqui apresentados baseiam-se nas
páginas digitalizadas
por Gonzalo Arias na sua revista
«El Miliário Extravagante» dedicada à viação romana especialmente em Espanha,
com algumas pequenas correcções propostas pelo Prof. Jorge Alarcão.
Existem diversas versões corrigidas do itinerário quer alterando o nome das
mansiones pois não existe um consenso sobre o assunto. No entanto a evidência arqueológica mais recente tem demonstrado que o itinerário está bem mais próximo da realidade no terreno do que se pensava inicialmente.
- m.p.
milia passum, mil passos, milha romana.
- milia, aproximadamente 1480 m (bastante variável).
- stadia, estádio, aproximadamente 184.7 m (usada em navegação).
| Via XII 12
gif |
| Lisboa a Mérida |
Item ab OLISIPONE EMERITAM |
m.p. LXI |
AQUABONA
CAETOBRIGA
CAECILIANA
MALATECA
SALACIA
EBORA
AD ATRUM FLUMEM
DIPONE
EVANDRIANA
EMERITA
|
m.p. XII
m.p. XII
m.p. VIII
m.p. XXVI
m.p. XII
m.p. XLIIII
m.p. VIIII
m.p. XII
m.p. XVII
m.p. VIIII
|
|
| Via XIV 14
gif |
| Lisboa a Mérida |
Alio itinere ab OLISIPONE EMERITAM |
m.p. CLIIII |
ARITIO PRAETORIO
ABELTERIO
MATUSARO
AD SEPTEM ARAS
BUDUA
PLAGIARIA
EMERITA
|
m.p. XXXVIII
m.p. XXVIII
m.p. XXIIII
m.p. VIII ?
m.p. XII
m.p. VIII
m.p. XXX
|
|
| Via XV 15
gif |
| Lisboa a Mérida |
Item alio itinere ab OLISIPONE EMERITAM |
m.p. CCXX |
IERABRIGA
SCALLABIN
TABUCCI
FRAXINUM
MONTOBRIGA
AD SEPTEM ARAS
PLAGIARIA
EMERITA
|
m.p. XXX
m.p. XXXII
m.p. XXXII
m.p. XXXII
m.p. XXX
m.p. XIIII
m.p. XX
m.p. XXX
|
|
| Via XVI 16
gif |
| Lisboa a Braga * |
Item ab OLISIPONE BRACARAM AUGUSTAM |
m.p. CCXLIIII |
IERABRIGA
SCALLABIN
SELLIUM
CONIMBRIGA
AEMINIO
TALABRIGA
LANGOBRIGA
CALEM
BRACARA
|
m.p. XXX
m.p. XXXII
m.p. XXXII
m.p. XXXIIII
m.p. X
m.p. XL
m.p. XVIII
m.p. XIII
m.p. XXXV
|
|
| Via XVII 17
gif |
| Braga a Astorga |
Item a BRACARA ASTURICAM |
m.p. CCXLVII |
SALACIA
PRAESIDIO
CALADUNO
AD AQUAS
PINETUM
REBORETUM
COMPLEUTICA
VENIATIA
PETAVONIUM
ARGENTIOLUM
ASTURICA
|
m.p. XX
m.p. XXVI
m.p. XVI
m.p. XVIII
m.p. XX
m.p. XXXVI
m.p. XXVIIII
m.p. XV
m.p. XXVIII
m.p. XV
m.p. XXIIII
|
|
| Via XVIII 18
gif |
| Braga a Astorga |
Item alio itinere a BRACARA ASTURICAM |
m.p. CCXV |
SALANIANA
AQUIS ORIGINIS
AQUIS QUERQUERNNIS
GEMINAS
SALIENTIBUS
PRAESIDIO
NEMETOBRIGA
FORO
GEMESTARIO
BELGIDO
INTERERACONIO FLAVIO
ASTURICA
|
m.p. XXI
m.p. XVIII
m.p. XIIII
m.p. XVI
m.p. XVIII
m.p. XVIII
m.p. XIII
m.p. XVIIII
m.p. XVIII
m.p. XIII
m.p. XX
m.p. XXX
|
|
| Via XIX 19
gif |
| Braga a Astorga |
Item a BRACARA ASTURICAM |
m.p. CCXCVIIII |
LIMIA
TUDAE
BURBIDA
TUROQUA
AQUIS CELENIS
TRIA
ASSEGONIA
BREVIS
MARCIE
LUCO AUGUSTI
TIMALINO
PONTE NEVIAE
UTTARIS
BERGIDO
INTERAMNIO FLUVIO
ASTURICA
|
m.p. XVIIII
m.p. XXIIII
m.p. XVI
m.p. XVI
m.p. XXIIII
m.p. XII
m.p. XIII
m.p. XXII
m.p. XX
m.p. XIII
m.p. XXII
m.p. XII
m.p. XX
m.p. XVI
m.p. XX
m.p. XXX
|
|
| Via XX 20
gif |
| Braga a Astorga |
Item per loca maritima a BRACARA ASTURICAM usque |
AQUIS CELENIS
VICO SPACORUM
AD DUOS PONTES
GRANDIMIRO
TRIGONDO
BRIGANTIUM
CARANICO
LUCO AUGUSTI
TIMALINO
PONTE NEVIAE
UTTARI
BERGIDO
ASTURICA
|
m. p. CLXV
stadia CXCV
stadia CL
stadia CLXXX
m.p. XXII
m.p. XXX
m.p. XVIII
m.p. XVII
m.p. XXII
m.p. XII
m.p. XX
m.p. XVI
m.p. L
|
|
| Via XXI 21
gif |
| Castro Marim a Beja |
Item de ESURI a PACE IULIA |
m.p. CCLXVII |
BALSA
OSSONOBA
ARANNIS
Sarapia?
SALACIA
EBORA
SERPA
FINES
ARUCCI
PACE IULIA
|
m.p. XXIIII
m.p. XVI
m.p. LX
m.p. XXXV?
m.p. XXXV
m.p. XLIIII
m.p. XIII
m.p. XX
m.p. XXV
m.p. XXX
|
|
| Via XXII 22
gif |
| Castro Marim a Beja |
Item ab ESURI per compendium * PACE IULIA |
m.p. LXXVI ** |
MYRTILIS
PACE IULIA
|
m.p. XL
m.p. XXXVI
|
*per compendium, ou seja, pelo caminho mais curto ou atalho.
**corresponde à distância actual entre Beja e Castro Marim. |
|
| Via XIII 13
gif |
| A SALACIA OSSONOBA m.p. XVI |
|
Esta «Salacia» seria muito provavelmente o porto romano existente em Vilamoura no sítio a
arqueológico do Cerro da Vila que fica precisamente a 16 milhas de Faro.
Em alternativa, poderia indicar a distância a Alcácer do Sal,
também designada por Salacia, mas par isso teria que existir uma erro na transcrição das milhas,
podendo faltar um «C», o que daria CXVI milhas, cerca de 172 Km, que é próximo da
distancia actual entre Faro e Alcácer do Sal que é cerca de 185 Km.
|
|
As Tabulas de Astorga
As chamadas
Tabulas de Astorga são um conjunto de quatro placas de argila,
cada uma contendo um itinerário da Hispânia romana, das quais só a Tabula IV
se refere ao actual território português apresentando um itinerário alternativo entre Astorga e Braga.
| Via Asturicam ad Bracaram |
| [VI]A ASTV[RICA] AD BRACARA |
ARGENTIOLVM
PETAVO[NIV]M
VI[NIATIA]
COM[PLEV]TICA
ROB[ORE]TVM
AD AQVAS
AQVIS ORIGINIS
SALA[N]IA
BRACARA
C. LEp. M. II. VIR
|
V
VIII
[...]
XII
XII
XV
VII
X
XII
|
|
Este itinerário é uma combinação das vias 17 e 18 dos Itinerários de Antonino.
A placa indica uma rota idêntica à via 17 no troço entre Asturica
e Ad Aqvas em Chaves, mas a partir daqui rumava para Noroeste, talvez por Montalegre,
até atingir
Aqvis Origini, estação pertencente à via 18 ou Via Nova.
Daqui rumava a sul por esta via até Bracara,
atravessando a Serra do Gerês pela Portela do Homem e passando na Mansio Salaniana.
As distâncias indicadas não concordam com as dos Itinerários de Antonino
sendo bastante inferiores (erro? diferentes unidades?).
|
Os Lares Viales
Para além dos marcos miliários, as inscrições designadas por
Lares Viales estão directamente relacionadas com a passagem da via e são assim decisivos para a identificação de vias romanas.
Estas inscrições apresentam-se habitualmente como aras votivas dedicadas às divindades protectoras das vias, estradas ou caminhos. Apesar de serem de carácter genérico, quando encontradas
in situ indiciam que a via passaria muito próxmo desse local.
| Aras dedicadas aos Lares Viais encontrados em território português |
| Onde apareceu |
Onde está |
Comentário |
Paço Episcopal, Braga |
Museu D. Diogo de Sousa, Braga n.º 1992.0570 |
Leitura: LARIBVS / VIALIBVS / MATER/NVS / RUFI (filius) / L(ibens) A(nimo) P(osuit)
Tradução: Aos Lares das Vias, Maternus, filho de Rufus, de livre vontade colocou.
Esta ara foi encontrada nos jardins do Paço Episcopal de Braga juntamente com uma outra que infelizmente está desaparecida com a seguinte inscrição:
()LARIB(us) VIALI/bus FL(avius) SA/BINUS V(otum) / S(olvit) L(ibens) M(erito) (CIL II 2417)
Tradução: Aos Lares das Vias, Flávio Sabino, cumpriu o seu voto de boa vontade. (Colmenero et alii, 2004) |
Largo de S. Francisco, Braga |
Museu D. Diogo de Sousa , Braga n.º 1996.0812 |
Leitura: LARIBVS VIALIBV[S] SACR[VM] [C(aius) IV]LIVS [S]ATV[R(ninus)] A(nimo) L(ibens) V(otum) S(olvit)
Tradução: Consagrado aos Deuses Viários. Gaio Júlio Saturnino cumpriu o voto de livre vontade.
Descoberta durante as obras do parque subterrâneo no Largo de S. Francisco, ao cimo da Av. Central, antiga porta da cidade romana talvez ligada à via XVIII pelo esta via deveria seguir a Rua de Chãos e Rua de S. Vicente. (Ver Armandino Cunha et alii, 2005).
|
Monte das Esquilas Monforte |
Casa-Museu da Fundação Paes Teles Ervedal, Avis |
Leitura: LARIBVS / VIALIBVS / L(ibens) P(osuit) // LARIBVS / TOPILLIVS
Tradução: Aos Lares protectores das vias, de livre vontade colocou.
Inscrição aos Lares Viales e na outa face, aos Lares Topillii, recolhida por Mário Saa. (Mantas, 2010). Esta inscrição prova que passava uma via romana no Monte das Esquilas que só poderia ser a Via Lisboa-Mérida ou Itinerário XIV de Antonino que vinha por Alter do Chão (ou uma das suas variantes) e como este local fica a 24 milhas de Alter do Chão, é muito provável que aqui se situasse a mansio de Matusaro referida no Itinerário.
|
Conímbriga
|
Conímbriga Museu Monográfico n.º 67381 |
Leitura: LARIBV[S] / [V]IALIB(us) /
Tradução: Aos Lares protectores das vias...
Inscrição aos Lares Viales achada na área urbana de Conímbriga muito perto da saída da via para Aeminium e Collipo, próximo do edifício onde se supõe ter existido uma estalagem e que bem poderia ser a própria mansio da cidade (Mantas, 2010). |
| Igreja Paroquial de Castelo do Neiva |
Museu Pio XII em Braga |
Inscrição: VAL / RUF / LA·R·V / P
Leitura: Val(erius) / Ruf(us) / La·r(ibus) v(ialibus) / p(osuit)
Tradução: Valerius Rufus aos Lares dos Caminhos, colocou. (AE, 1985, 555)
Esta ara votiva apareceu em 1931 durante as obras de ampliaçao da Igreja Paroquial e foi interpretada por Brochado de Almeida como uma inscrição aos Lares Viales, embora ainda subsistam dúvidas nessa interpretação com a seguinte variante: LA(ribus) ) RV(ralibus), ou seja, aos deuses rurais. Mas acaso esteja correcta a primeira versão, esta estará certamente relacionada com a via romana «per loca maritima» proveniente do Porto que atravessava o rio Cávado na Barca do Lago e o rio Neiva junto do Castro de Moldes/Castelo do Neiva. (Santos, 1945; Almeida CAB, 1986, 78-79)
|
Os Terminus Augustalis
As inscrições denominadas como
Terminus Augustalis delimitavam os territórios dos povos durante o domínio romano.
Apenas se conhecem 6 dessas peculiares inscrições em território nacional,
o que está na Igreja Paroquial de Úl em Oliveira de Azeméis, o que está na Portela do Guardão na Serra do Caramulo,
o da aldeia de Salvador em Penamacor e o que apareceu em Peroviseu no Fundão.
Os restantes
Termini Augustalis apareceram na região de Lamego, estando um deles
encastrado na parede exterior da Capela Visigótica de S. Pedro de Balsemão
e o outro enterrado ainda
in situ junto ao Castro de Goujoim em Armamar. Apesar de a sua existência não estar directamente relacionada com a via, sendo marcos de divisão de território, elas ajudam a definir o mapa geográfico onde se insere a rede viária.
| Términos Augustais conhecidos |
Localização
|
Inscrição
|
Leitura e Comentário
|
Guardão, Tondela (encastrado na Capela de S. Bartolomeu)
|
IMP CAESAR DIV / XIII TRIB POTEST / AVGVST INTER / IESES Q ARTICLEI / CAVSA COGNIT
|
Imp(erator) Caesar Div[i f(ilius) Augustus co(n)s(ule)] / XIII trib(unicia) potest[ate --- terminos] / August(ales) inter [---]/ie(n)ses Q(uinto) Artic(u)le[io Regulo leg(ato) ---] / causa cognit[a ---]
Na inscrição não é claro os povos que delimita, mas segundo João Inês Vaz, as letras INTER...IESES poderão ser lidas como INTERANNIENSES povo referido por Plínio no seu Naturalis Historiae (NH, IV, 35, 117) e cuja capital poderia ser em Viseu.
Sendo assim este Terminus delimitava o território entre a civitas de Viseu e uma das outras capitais adjacentes, ou seja, Talabriga ou Bobadela.
Assim a leitura seria:
«Pelo Imperador César Augusto, filho do divino, detentor do poder tribunício pela décima terceira.
Terminos Augustales Interannienses Quinto Articuleio, por causa conhecida.»
|
|
Igreja Paroquial de Úl em Oliveira de Azeméis (encastrado na parede das traseiras)
|
[ ]ARE AVGVSTO TRIBVNI / [ ] XXVII COS XIII PATER / [ ]RMINVS AVGVSTALIS /
|
[Imp(eratore)] / [Caes]are Augusto tribuni(cia) / [pot(estate)] XXVII co(n)s(ule) XIII pater(!) / [te]rminus Augustalis
Não refere os povos cujos territórios demarcava, mas é bem provável que marcasse a fronteira entre o território das civitates de TALABRIGA e LANGOBRIGA,
capital dos TURDULI VETERES povo que habitava o que hoje é grosso modo os concelhos de Vila Nova de Gaia e Feira.
|
Capela visigótica de S. Pedro de Balsemão, Lamego
(encastrado na parede da frontaria)
|
CLAVDIO CAESARE A[..] / GERM. PONT. MAX. TRIB[VN.] / POTEST. II IMp. II CO[S.] / III TERM. AVG.
|
Cláudio Caesare A(ugusto) / Germ(anico) pont(ifici) max(imus) trib[un](icia) potest(ate) II Imp(erator) II co(n)[s](ul) III Term(inus) Aug(ustalis)
Infelizmente não refere os povos cujos territórios demarcava, mas é possível que se trate da divisão entre os COILARNI e os PAESURI ainda que com reservas. CIL II 6199
|
Castro de Goujoim Lameiras, Goujoim, Armamar
(próximo do castro)
|
INTE[ ] / COILA[ ] / [ ] / [ ]RI AVG GE[ ] / [ ]ONT MAX TR[ ] / [ ]V POTESTATE V / I P P COS III TER / MI AVG / ITER / RABA[ ]
|
Inte[r] / Coila[r(nos?)] // [--- Cláudio Cae]/[sa]ri Aug(usto) Ge[r(manico)] / [p]ont(ifici) max(imo) tr[i]/[b]u(nicia) potestate V/I p(atri) p(atriae) co(n)s(uli) III ter/mi(nus) Aug(ustalis) // I(n)ter / Raba[---]
Marcaria a divisão territorial entre os COILARNI de Lamego e os ARABRIGENSES de Moimenta da Beira. A inscrição encontra-se in situ no lugar das Lameiras a 1.500 m a NE de Goujoim, junto ao antigo castro. (Vaz, 1979).
|
Peroviseu, Fundão
(apareceu encastrado na casa paroquial de Peroviseu e hoje está no Museu do Fundão)
|
IMP CAESAR AVG PONTIFEX / MAX TRIB POTEST XXIIIX COS XIII / PATER PATRIAE TERMINVS AVGVSTALIS / INTER LANCIENSES ET IGAEDITANOS.
|
Imp(erator) Caesar Aug(ustus) pontifex / max(imus) trib(unicia) potest(ate) XXIIX co(n)s(ul) XIII / pater patriae terminus Augustalis / inter Lancienses et Igaeditanos
Demarcando o limite norte dos IGAEDITANI, com capital em Idanha-a-Velha e os LANCIENSES com provável capital na região do Sabugal; Deverá ser uma cópia efectuada no século XVIII.
A inscrição está hoje em exposição no Museu Arqueológico José Monteiro no Fundão.
|
Salvador, Penamacor
(sem paradeiro conhecido)
|
IMP CAES AVG PONT / MAX TRIB POT XXVIII / COS XIII PAT PATR / TERM AVG INTER / LANC OPP ET / IGAEDIT.
(desaparecida, a foto é do término de Peroviseu)
|
Imp(erator) Caes(ar) Aug(ustus) pont(ifex) / max(imus) trib(unicia) pot(estate) XXVIII / co(n)s(ul) XIII pat(er) patr(iae) / term(inus) Aug(ustalis) inter / Lanc(ienses) Opp(idanos) et / Igaedit(anos)
Lanciensis Transcudani versus Lanciensis Oppidani
A inscrição foi registada no CIL II com o n.º 460, mas hoje está desaparecida.
O texto que se lê no CIL II é quase idêntico ao do término encontrado em Peroviseu e indicaria a fronteira entre os IGAEDITANI de Idanha-a-Velha e os LANCIENSES.
No entanto, atendendo às pequenas diferenças entre as duas epígrafes, nomeadamente nas letras OPP na sequência
da palavra Lancienses, é provável que esta se referi-se aos LANCIENSES OPPIDANI em vez dos LANCIENSES TRANSCUDANI
do término de Peroviseu que estariam assim mais a norte. A existência de duas tribos diferentes é
suportada por Ptolomeu que refere Lancia Oppidana como um dos oppida dos Vettones e ainda
mais pela famosa inscrição da Ponte de Alcântara que indica que ambos os povos contribuíram para a sua construção.
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Outros Marcos Territoriais
Para além dos
Terminus Augustalis, existem uma série de inscrições que são interpretadas como marcos territoriais,
demarcando as fronteiras entre povos.
| Outros Marcos Territoriais |
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Localização
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Inscrição
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Comentário
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Outeiro de Jusão, Samaiões, Chaves
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PRAEN // COROQ
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Marcos divisórios entre os PRAEN e os COROQ. Ao longo do ribeiro de Outeiro Jusão apareceram 4 destes marcos com a palavra «Praen» numa face e «Coroq» na outra pelo que deveriam assinalar a divisão territorial entre essas comunidades; O primeiro marco (na foto superior) servia de poldra no ribeiro e foi identificado por Argote no século XVIII, estando hoje no Museu da Região Flaviense com o código ARC614; O segundo exemplar (na foto inferior) foi descoberto em 1912 por José Leite de Vasconcellos embutido num muro em Campo da Roda, mas seria proveniente do campo da Trancada e está hoje no Museu Nacional de Arqueologia em Lisboa; Os restantes dois marcos estão também no Museu da Região Flaviense em Chaves.
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Igreja de Argomil, Pomares, Pinhel
(recolhida no interior)
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IMP / DIVI F / AVGVSTV / COS XI / IMP VIII
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Estela possivelmente do ano 23 a.C., interpretado como um marco militar de divisão territorial por Jorge de Alarcão (Alarcão, 2006).
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Alfaiates, Sabugal
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[…] I […] / CX […] / IM[P] / CAESA[R] / DIVI F / AVGVSTVS / C[O]S XII[I] / IMP / X[VI vel VII]
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Interpretado como um marco territorial militar por J. Alarcão (2006), ligado ao povoado romano que aí existia.
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Lugar do Regueiral, Sanfins, Valpaços
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TERMIN TREB OBILI
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Inscrição rupestre interpretada por Rodriguez Colmenero como Termin(us) Treb(ilium) / T(erminus) / Obili(um), ou seja marcava a divisão territorial entre os povos Trebili e Obili dos quais nada mais de sabe.
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Lugar da Pipa, Soutelo, Chaves
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Viali ROICA
HCIRI[O]YE
Pr(a)et.[o]rio
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Inscrição viária rupestre num rocha do sítio conhecido por Lugar da Pipa e interpretada por Rodriguez Colmenero (2004, p.176) como uma inscrição viária atendendo
à primeira linha onde se lê Viali que está certamente relacionada com a diverticulum da VIA XVII que passava por Soutelo a caminho de Chaves.
Variante: [Via] / paganica / hor(is) die[i] / precario / [itur]
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Cavalo dos Mouros, Noval, Soutelo, Chaves
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TERM(inus) / C(- - -) L(- - -)
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Inscrição rupestre num rochedo do sítio conhecido por Cavalo dos Mouros perto da aldeia de Noval e interpretada por Rodriguez Colmenero como um terminus entre os povos C. e L. Estes poderiam corresponder ao Castro de Muro/Cunhas (freguesia de Seara Velha), a NW e o Castro de Muro/Crasto (freguesia de Redondelo) a SW.
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Cabeço Letreiro, Serra de Silvares, Tondela
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1. IRVCOVTIORI / AQVAE DIVERTIO [- - -] // [- - -]HA[- - -] // [- - -]A[- - -] / ARVONI
2. H F / SEAR / AQ D // EA
3. (...)
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Inscrição rupestre em vários rochedos que segundo J. Inês Vaz seria um TRIFFINIUM, assinalando os limites territoriais de três povos: os
IRUCOUTIORI a ocidente, os ARVONI a Sul e os SEAREAS a Nordeste.
1. Irucoutiori / aquae divertio [- - -] // [- - -]HA[- - -] // [- - -]A[- - -] / Arvoni;
2. H(ic) f(inis) / Sear(eas) / aq(uae) d(ivertio) // EA;
3. Tri(finium);
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Carvalhal de Vermilhas, Vouzela
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1. HIC.LOC/ VS.DERE/ VAECAS/ VOCATVR
2. PAISICAICO POS / HAC INS
3. SEAREAS HIC
4. C/ MO/ SE
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Incrições gravadas em vários rochedo graníticos, ao longo do caminho carreteiro que liga as aldeias de Fornelo do Monte e Carvalhal de Vermilhas, provável via romana relacionada com a actividade mineira na região. Hoje é um parque eólico. (ver Vaz 1995, p. 290-292)
1. Inscrição no Cabeço da Estrada, provável marco de delimitação de uma concessão mineira designada por DEREVAECAS. (Vaz, 1995)
2. Inscrição no sítio da Torre em Corgas Roçadas.
Leitura de Inês Vaz: Paisicaico pos(uit) / hac fi]nis
Leitura HIEP: Cl(audius) [- - -] / cupavit / Paisicaico f(inis) / h[ac fi]nis / - - -
Leitura de Colmenero: (filius) [agrum? oc]/cupavit · / Paisicaico pos(uit) / hac ins(trumentum, -criptionem)
Leitura de José d’Encarnação: PAISICAICOI / HAC FINIS
3. Inscrição a 150 m para NW do sítio da Estrada. Terminus do povo SEAREAS
4. Inscrição da Regadinha/Abelheira entre Alcofra e Carvalhal de Vermilhas. Terminus?
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Alhais, Vila Nova de Paiva
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FINES |
Inscrição rupestre gravada num penedo isolado no cimo de um cabeço, conhecido por Cavalinho, a Norte da povoação. O termo FINES sugere que se trata de um marco de divisão territorial, mas não se sabe que povos delimita. |
Igreja de Lamas de Orelhão, Mirandela
(no interior da igreja)
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HEINC LETERAM
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Mencionado na base de dados Endovélico do IGESPAR como marco divisório. (?)
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A Inscrição da Ponte de Alcântara
Trata-se de uma inscrição inserida na Ponte de Alcântara, CIL II 760, cuja epígrafe indica os povos que contribuíram para a sua construção. A placa actual é do século XIX, aquando da restauração da ponte promovida pela Rainha Isabel II de Borbón em 1859, a partir de transcrições do original efectuadas nos séculos XV e XVI. Aparentemente existem erros na transcrição do original como
Arani em vez de
Aravi e
Talores em vez de
Tapores, mas para além das eventuais dúvidas na sua grafia, a verdade é que na sua maioria tantos os seus limites territoriais como as suas
civitates continuam por desvendar. Se exceptuarmos o caso dos
Egaedirani em Idanha-a-Velha e dos
Aravi em Marialva, todos os outros continuam carecem de provas definitivas.
MUNICIPIA
PROVINCIAE
LVSITANIAE. STIPE
CONLATA. QVAE. OPVS
PONTIS PERFECERVNT
IGAEDITANI
LANCIENSES OPPIDANI
TALORES
INTERAMNIENSES
COLARNI
LANCIENSES TRANSCVDANI
ARANI
MEIDVBRIGENSES
ARABRIGENSES
BANIENSES
PAESURES
ELISABETH REGINA
TITULUM ET MEMORIAM RESTITVIT
Cidades e Povoações Romanas
Lista alfabética de povoações romanas mencionadas nos
itinerários,
sua localização e limites territoriais na sequência Norte-Oeste-Este-Sul. Sempre que possível, a localização é baseada em testemunhos epigráficos, como por exemplo a inscrição da
Civitas Cobelcorum e
Civitas Aravorum, mas na sua maioria provém do cruzamento da evidência arquelógica com as referências a essas povoações nas fontes clássicas como o próprio
Itinerário de Antonino, as
cidades citadas na Geografia de Ptolomeu, no Ravennatis, na
História Natural de Pínio-o-Velho , ou ainda na
Inscrição da Ponte de Alcântara e .
ABELTERIO / ABELTERIUM,
Mansio do
Itinerário XIV que correponde a
Alter do Chão como prova o
grafito gravado num imbrex descoberto em 2009, onde se lê «VIIRNA / CVLVS / FECIT / IMBRICIIS / AB[II]LTIRIO / AD CASTOREM».
Abelterion no
Ravennate.
AD AQUAS,
Mansio do
Itinerário XVII que viria a chamar-se
AQUAE FLAVIAE, hoje a actual cidade de
Chaves
AD ATRUM FLUMEM, literalmente «junto ao rio
Atrus»,
Mansio mencionada no
Itinerário XII a 9 milhas de Évora, o que colocaria a estação junto da
Ribeira de Machede , mas como é provável que no itinerário faltem estações intermédias no troço entre Évora e
Ad Atrum Flumem e com base na distância indicada a Mérida de 38 milhas, é mais provável que
Atrus corresponda ao rio Xévora na fronteira luso-espanhola. (Gorges e Martín 1999 e 2000; Almeida
et alii, 2011)
AD SEPTEM ARAS,
Mansio comum aos
Itinerário XIV e
Itinerário XV, talvez na zona de
Campo Maior;
(ponto de cruzamento das vias XIV e XV entre Lisboa e Mérida, talvez em
Ns. da Graça dos Degolados ou no
Vicus de S. Pedro)
AMMAIA,
Civitas, vasta cidade romana ainda pouco escavada aberta ao público e com um excelente museu,
hoje
S. Salvador da Aramenha, Portalegre. (N-Rio Tejo O-Aritio Vetus E-Norba Caesarina/Cáceres S-Ebora)
AQUABONA /
AEQUABOBA,
Mansio do
Itinerário XII de Antonino, talvez em
Coina-a-Velha em S. Lourenço, Azeitão.
Abona no
Ravennate (Rav. IV 43).
AQUAE FLAVIAE,
Civitas, a actual
Chaves.
ARACELUM, provável
civitas com base numa inscrição achada em Vale de Azares (Celorico da Beira) dedicada a uma divindade indígena
Ama Aracelene. (Carvalho, 2009)
ARANNIS,
Mansio do
Itinerário XXI de Antonino, talvez em
Sta. Bárbara de Padrões (Castro Verde) ou em
Garvão (Ourique). Aparece como
Arandis na
Geographia de Ptolomeu e como
Arani no
Ravennate (Rav. IV 43).
Civitas ARAVORUM, capital do povo
Aravi localizada na aldeia de
Marialva (Mêda) com base numa inscrição honorífica a Adriano que hoje está no Museu da Guarda. (N-Fonte Longa/Ribeira de Piscos E-Rio Côa)
ARITIUM PRAETORIUM /
ARITIO PRAETORIO,
Mansio do
Itinerário XIV a Oeste de Ponte de Sor, talvez na
Venda das Mestas (alternativas: Poiso, Tamazim, Semideiro, Água Branca de Cima?).
Aretio Pretorion no
Ravennate.
ARITIUM VETUS, talvez em Casal da Várzea, próximo de
Alvega (Abrantes) com base numa placa de bronze aqui achada contendo um juramento dos Aricienses (N-Rio Isna S-Gavião/Abrantes O-Rio Zêzere/Constância E-Amieira/Rio Ocreza).
ARCOBRIGA, cidade referida por Ptolomeu no seu
Geographia, sem localização conhecida.
ARUCCI,
Mansio do
Itinerário XXI, localizada na Ermida de San Mamés, Llanos de la Belleza, a N de
Aroche (Espanha).
Aruci no
Ravennate (Rav. IV 45).
AVIOBRIGA, povoação romana referida numa
lápide sepulcral da Igreja de Fermedo (Arouca), sem localização conhecida.
AVOBRIGA, possível capital dos
Avobrigenses, talvez o «povo do rio Ave» (o rio
Avo de Pompónio Mela, entre os rios Douro e Minho) talvez no sítio romano da Trofa Velha ou no Castro romanizado de Alvarelhos (Trofa)
BAESURI/
ESURI,
caput viarum dos
Itinerário XXI e
Itinerário XXII. na zona de
Castro Marim. No
Ravennate (Rav. IV 43) aparece como
Besurin.
BALSA,
Civitas,
Torre de Aires (Luz de Tavira) (N-Serra do Caldeirão O-Rib. de Bias E-Rio Guadiana S-Costa Algarvia).
BRACARA AUGUSTA, sede do
Conventus Bracarencis, actual
Braga.
Caput viarum dos Itinerários XVI, XVII, XVIII, XIX e XX.
Augusta Bracaria no
Ravennate (Rav. IV 43). Cidade dos
Bracari
e capital de uma jurisdição com 34
civitates/
populi com uma população total de 175.000 habitantes (excluindo escravos), segundo o relato de Plínio -o-Velho no seu
Naturalis Historiae, «
Simili modo Bracarum XXIIII civitates CCLXXXV capitum» (Livro IV - Cap. 3).
Civitas Baniensis /
Baniensium, capital do povo
Baniense referido na
inscrição da Ponte de Alcântara que ficaria na região do Vale da Vilariça em Torre de Moncorvo, talvez no Povoado do Baldoeiro ou em Sta. Cruz da Vilariça.
BRAETOLAEUM/
BRETOLAEUM, cidade referida por Ptolomeu no seu
Geographia, sem localização conhecida.
BUDUA,
Mansio do
Itinerário XIV, talvez já em território espanhol.
CAECILIANA,
Mansio do
Itinerário XII, talvez na Herdade de Águas de Moura ou no Moinho Novo).
Celiana no
Ravennate (Rav. IV 43).
CALADUNO,
Mansio do
Itinerário XVII, talvez em Arcos ou na
Serra do Pindo, Chaves.
Caladunum no
Geogrephia de Ptolomeu (II, 6, 38).
CALANTICA,
Santana do Campo, Arraiolos. (nome que aparece em duas inscrições daqui; a igreja paroquial reaproveita um imponente
Templo Romano)
CALE,
Civitas e
Mansio do
Itinerário XVI que corresponde à actual cidade do Porto; Capital do povo
Callaeci.
Calo no
Ravennate (Rav. IV 43); (N-Rio Ave; S-Rio Douro; O-Atlântico; E-Rio Sousa).
CAELOBRIGA, cidade referida por Ptolomeu como capital dos
Coilarni, talvez em Cárquere (Resende) ou Lamego (
Lamecum?) (N-Rio Douro; S-Rio Vouga?; E-Rio Tedo)
CAETOBRIGA,
Mansio do
Itinerário XII, na actual
Setúbal.
Cetobricca no
Ravennate (Rav. IV 43).
CAEPIANA, cidade referida por Ptolomeu no seu
Geographia, sem localização conhecida.
CATRALEUCUS, cidade referida por Ptolomeu no seu
Geographia, sem localização conhecida também referida como
Castra Leuca.
CENO OPIDO,
civitas mencionada no
Ravennate (Rav. IV 43) como estando entre
Langobrica e
Calo, ou seja, entre Fiães e o Porto, podendo ser o antigo nome de
Vila Nova de Gaia, com sede no
Oppidum existente no Castelo de Gaia ou no Mte. da Sra. da Saúde nos Carvalhos.
CHRETINA), povoado referido por Ptolomeu a 50 km para norte de
Olisipo que poderá corresponder ao
Vicus da Qta. da Macheia/Machêa em
Torres Vedras.
CILPES, provável capital dos
Cilibitani ou
Cibilitani mencionados por Plínio, talvez na região de
Portimão ou Lagos.
Civitas COBELCORUM, capital dos
Cobelci em Torre das Águias,
Almofala (Figueira de Castelo Rodrigo), com base na
ara dedicada a Júpiter que apareceu junto ao
Templo Romano, CIL II 429; (N-Rio Douro O-Rio Côa E-Rio Águeda S-Serra da Marofa).
COLLIPO,
Civitas,
S. Sebastião do Freixo?, Leiria.
COMPLEUTICA,
Mansio do
Itinerário XVII, talvez
Castro de Avelãs ou Babe, Bragança.
CONCORDIA,
civitas referida por Ptolomeu no seu
Geographia entre Santarém e Tomar e cujo povo é designado por Plínio como
Concordienses, foi destruída em 145 d.C. com o massacre dos habitantes cristãos que deu origem ao culto dos Santos Mártires ao qual estava associado o miliário de St. Estevão em Delongo próximo da ribeira da Beselga (Paialvo, Tomar), assim como como a descoberta aqui de uma moeda com a inscrição
Concordi Arucci sustentam a sua localização neste lugar. Outra localização possível seria mais a Norte em Beselga. (Ver Cardoso, 1666)
CONÍMBRIGA,
Civitas e
mansio do
Itinerário XVI, hoje
Condeixa-a-Velha, Coimbra. Ex-libris.
(a cidade romana melhor estudada em Portugal;
Ver aqui o site oficial).
DIPONE / DIPO,
Mansio do
Itinerário XII a seguir a Évora cuja localização ainda é desconhecida.
Evoramonte é uma das possíveis localizações;
Bipone no
Ravennate (Rav. IV 44).
DIVORUM, nome provável do
vicus de Ns. da Graça do Divor (Évora) e manancial da cidade
EBORA /
Ebora Liberalitas Iulia,
Civitas, actual cidade de
Évora;
segundo Plínio «
oppida veteris Latii Ebora, quod item Liberalitas Iulia» (NH, IV, Cap. 35);
Mansio do
Itinerário XII e
Itinerário XXI de Antonino.
EBUROBRITTIUM,
Civitas,
Oppidum Stipendiarium e posteriormente
Municipium Flavium Eburobrittium na era Flaviana; ruínas da cidade na Qta. das Janelas (Gaeiras),
Óbidos; (N-Collipo E-Scalabin O-Atlântico S-Rio Alcabrichel/Serra de Montejunto/Olisipo)
EBUROBRIGA, nome de um povoado referido numa
ara votiva achada em Castelejo), Fundão.
ELBOCORIS, cidade referida por Ptolomeu a oriente de Tomar, mas a sua localização não é conhecida (Mouriscas? Amêndoa? Vila de Rei?).
EVANDRIANA,
Mansio do
Itinerário XII com localização desconhecida.
Evandria.iterum no
Ravennate (Rav. IV 44).
FINES,
Mansio do
Itinerário XXI com localização desconhecida (Moura?, Corte de Messangil? Vila Verde de Ficalho?).
FOXEM, provável nome romano do
vicus de
Ns. de Aires em Viana do Alentejo.
FRAXINUM,
Mansio do
Itinerário XV, talvez no
Monte da Pedra, Crato.
IERABRIGA/
JERABRIGAM,
Mansio comum ao
Itinerário XV e
Itinerário XVI cuja localização permanece controversa, podendo ser na zona de
Alenquer (em Paredes?, na Qta. das Sete Pedras?) ou na zona de
Vila Franca de Xira (Povos?).
IGAEDITANIA,
Civitas e capital do povo
Egaeditani também conhecida pelo nome visigótico de Egitânia, hoje a aldeia de
Idanha-a-Velha, um autêntico museu a céu aberto, rivalizando com
Conímbriga e
Tongóbriga.
LACCOBRIGA, mencionada por Pompónio Mela e Ptolomeu; talvez próximo de
Lagos.
LAMECO, nome Suévico de
Lamego, talvez com origem romana.
LANGOBRIGA,
Civitas, na zona de
Fiães (Santa Maria da Feira) talvez no Monte Redondo.
Langobrica no
Ravennate (Rav. IV 43).
LIMIA,
Mansio do
Itinerário XIX próximo de
Ponte de Lima.
LORICA, talvez o antigo nome romano de
Loriga, Seia.
LANGOBRIGA, corresponde à actual povoação de
Longroiva (Mêda) com base numa ara guardada na Capela da Ns. do Torrão onde se lê
LANGOBRICV.
LONDOBRIS, referida por Ptolomeu como uma ilha adjacente à Lusitânia que deverá corresponder às
Berlengas.
MALATECA,
Mansio do
Itinerário XII, talvez na zona da
Marateca.
Malabiste no
Ravennate (Rav. IV 43).
MATUSARO,
Mansio do
Itinerário XIV, talvez em
Monforte ou no Monte de Figueira em Arronches.
Massusaria no
Ravennate.
MEIDOBRIGA, capital dos
Meidvbrigenses referidos na
inscrição da Ponte de Alcântara, os mesmos a que Plínio chama de
Medubrigenses qui Plumbari («exploradores de chumbo») (NH, IV, Cap. 35), localizada em Numão ou em Freixo de Numão.
MERIBRIGA, cidade referida por Ptolomeu no seu
Geographia, sem localização conhecida.
MIROBRIGA /
MEROBRICA,
Civitas, junto a
Santiago do Cacém.
(N-Salacia E-Rio Sado O-Costa Atlântica S-Pace Iulia)
MONTOBRIGA/
MONTOBRICA,
Mansio do
Itinerário XV, talvez na zona de
Arronches.
MIRIETANORUM,
Civitas referida numa inscrição de Vila Nova da Baronia, talvez no
povoado romano de S. Romão em Alvito.
MORON, mencionado por Estrabão (Estr. III, 3, 1) junto ao Tejo, a 500
stadia ou seja 92 km do mar, o que poderá corresponder aos vestígios do acampamento romano de
Chões de Alpompé (Vale de Figueira, Santarém), terraço fluvial na confluência entre o rio Tejo e o rio Alviela.
MYRTILIS,
Civitas e
Mansio do
Itinerário XXII /i>
a 36 milhas de Beja, a actual
Mértola. Antigo porto fluvial para comércio dos produtos do interior Alentejano
navegando o Guadiana até à sua foz em
Baesuri;
Mirtilin no
Ravennate (Rav. IV 43);
Myrtili em Plínio (NH, IV, 35);
(N-Ribeiras de Terges e Cobres/Beja S- Rib. do Vascão/Algarve E-Rio Chança O-Castro Verde).
OCCULIS, em
Caldas de Vizela.
OLISIPO,
Civitas Felicitas Julia Olissipo,
Lisboa;
segundo Plínio o «
municipium civium Romanorum Olisipo, Felicitas Iulia cognominatum» (NH, IV, 35);
Caput viarium da estrada para
Bracara Augusta,
Itinerário XVI e as 3 estradas para
Emerita Augusta, a capital da Lusitânia, os
Itinerário XII, XIV e XV como a
mansio Olisipone;
(N-Rio Alcabrichel/Serra de Montejunto; S-Rio Tejo; E-Atlântico; O-Rio Tejo; ).
OSSONOBA,
Civitas e
Mansio do
Itinerário XXI de Antonino, hoje
Faro; Plínio refere Ossonoba como o
oppidum na costa litoral para lá do Guadiana também cognominado como o estuário:
«a flumine Ana litore oceani oppidum Ossonoba, Aestuaria cognominatum» (NH, III, 3);
(E-Rib. de Bias; O-Vale de Albufeira N-Serra do Caldeirão S-Costa Algarvia).
PACE IULIA /
PAX JULIA,
Civitas capital do
Conventus Pacensis, actual cidade de
Beja;
caput viarum no
Itinerário XXI e
Itinerário XXII.
PERBRIGAM citada no
Ravennate, provável erro na transcrição de
Ierabrigam.
PINETUM,
Mansio do
Itinerário XVII talvez no Castro de
Vale de Telhas (Mirandela).
Pinetum no
Geogrephia de Ptolomeu (II, 6, 38)
PLAGIARIA,
Mansio do
Itinerário XIV e
Itinerário XV, já perto de Mérida.
Plagearia no
Ravennate.
PRAESIDIO,
Mansio do
Itinerário XVII; talvez no
Castro de Codeçoso (Montalegre).
REBORETUM,
Mansio do
Itinerário XVII que poderia ficar no sítio da Torre Velha em
Castro de Avelãs (Bragança).
SALACIA,
Civitas Urbs Imperatoria,
Alcácer do Sal;
Mansio do
Itinerário XII.
SALACIA,
Mansio do
Itinerário XVII a XX milhas de Braga; talvez em
Vieira do Minho.
SALACIA,
Mansio e
Caput via do
Itinerário XIII a XVI milhas de Faro
pelo que será o Cerro da Vila em
Vilamoura, porto marítimo de
Ossonoba.
SALATIA,
Civitas referida no
Ravennate (Rav. IV 43) que deverá ser à
Salacia em
Alcácer do Sal.
SALANIANA,
Mansio do
Itinerário XVIII a XXI milhas de Braga, hoje
Travassos, Vilar, Terras de Bouro. Também referida no
Ravennate (Rav. IV 45).
SARAPIA/
Serapia, mencionada por Plínio, talvez em
Santa Margarida do Sado ou em
Peroguarda (Ferreira do Alentejo).
SCALLABIS PRAESIDIUM IULIUM Conventus mencionado por Plínio (NH, IV, 35, 117), hoje
Santarém; Nos
Itinerários XIV, XV e XVI aparece como
SCALLABIN.
SELLEUM/
SELLIUM,
Civitas, hoje a cidade de
Tomar;
Oppidum Stipendiarium e posteriormente
Municipium na era Flaviana segundo uma
inscrição à divindade «GENIO MUNICIPI» no castelo templário (N-Ansião E-Rio Zêzere O- Collipo S-Scalabin).
SERIA,
civitas da Baética mencionada por Plínio também chamada de
Fama Iulia («
Seriae adicitur Fama Iulia», Livro III, Cap. 3) que poderia situar-se em território Português talvez em Moura (ver também
Serpa).
SERPA,
Mansio do
Itinerário XXI, talvez a cidade de
Serpa.
No entanto o
Ravennate tanto refere uma
Serpa na sequência de
Pace Iulia
como
Seria na sequência de
Fines pelo que surgem várias hipóteses:
- As civitates de Serpa e Seria são uma só e consequentemente existe um erro no Ravennate trocando Serpa por Seria.
- Por oposição, poderá ser o itinerário de Antonino que está errado e a controversa Serpa do Itinerário XXI
a XIII milhas apenas de Évora seja afinal a Seria referida no Ravennate o que poderá colocar esta civitas em Moura.
- Por último também é possíve que sejam civitates diferentes, sendo a Serpa do Ravennate a Serpa actual e Seria ficaria na sequência Fines pelo que poderia estar entre esta e Ebora.
STATIO SACRA,
civitas referida no
Ravennate (Rav. IV 43), entre
Balsa e
Ossonoba.
TABUCCI/
TUBUCCI/
TACUBIS,
Mansio do
Itinerário XV
com localização desconhecida (Herdade do Carvalhal, Sta. Margarida, Tramagal?; Casal da Várzea, Alvega?).
TALABRIGA,
Mansio do
Itinerário XVI, no
Cabeço do Vouga/Marnel, Lamas do Vouga, recentemente escavada e aberta ao público;
Terebrica no
Ravennate (Rav. IV 43);
civitas Marnele na documentação medieval (in
Diplomata et Chartae n.º 819, p. 488) (N-Úl E-Costa Atlântica O-Benfeitas S-Mealhada).
TONGOBRIGA,
Civitas, na actual aldeia de
Freixo em Marco de Canaveses. (E-Serra do Marão O-Rio Tâmega S-Rio Douro); magníficas ruínas abertas ao público com notáveis monumentos; ver site oficial da
Estação Arqueológica do Freixo.
TURRES ALBAE, povoação referida por Ptolomeu no seu
Geographia, sem localização conhecida.
TUNTOBRIGA, povoação referida por Ptolomeu que deverá corresponder a
Tongobriga.
VELADIS, povoação referida por Ptolomeu, sem localização segura; seria em Bobadela?.
VENIA,
vicus referido numa
ara consagrada ao imperador Nerva pelos Vicani Venienses que ficaria próximo de Meimoa (Penamacor), talvez no povoado do
Cabeço do Lameirão ou no povoado da
Canadinha.
VERURIUM, povoação referida por Ptolomeu sem localização segura; seria a capital dos
Tapori?.
VISSAIUM, nome provável da cidade de Viseu na época romana com base numa
ara votiva achada em 2009 onde se lê a divindade local
VISSAIEIGUS; (Fernades
et alii, 2009).
VIPASCA/
Metallum Vipascensis, Minas Romanas em
Aljustrel.
Portos e Promontórios:
CYNETICUM IUGUM,
Cabo de Sines
OSTIUM FLUMINIS ANAE,
Foz do rio Guadiana, hoje Ayamonte/Castro Marim;
caput viarum ligando o Algarve a Mérida
PORTUS HANNIBALIS, porto marítimo referido por Pompónio Mela (
De Situs Orbis, III,1), algures na costa Algarvia
PORTUS SALACIA, porto marítimo de
Alcácer do Sal mencionado no
Papiro de Artemidoro que também refere uma torre, provável farol.
PROMONTORIUM AVARUS /
AUARON, mencionado por Ptolomeu (II, 5) entre os rios Neiva e Ave no território dos
Callaici Bracares, poderá corresponder ao
Cabo de Santo André em Póvoa do Varzim.
PROMONTORIUM BARBARIUM, mencionado por Estrabão (Estr. III, 3, 1), provavelmente o
Cabo Espichel.
PROMONTORIUM LUNAE ou
Mons Lunae (Monte da Lua), mencionado por Ptolomeu (II, 5) talvez no Cabo da Roca, o
Sintra Promontorio Sacrum de Estrabão.
PROMONTORIUM SACRO, mencionado por Estrabão (Estr. III, 1, 4) e Plínio (NH, IV, 116), provavelmente o
Cabo de S. Vicente em Sagres.
Povos:
ARAVI, povo que habitava a região de Mêda, com capital em
Marialva, a partir de uma ara onde se lê
Civitas Aravorum; na
inscrição da Ponte de Alcântara aparecem como
Arani, talvez devido a um erro na transcrição do original feita no século XIX. (N-
Meidvbrigenses/Fonte Longa/Ribeira de Piscos O-Rio Côa E-Rio Távora S-Serra da Estrela).
ARAOCELENSIS, uma inscrição honorífica encontrada em
S. Cosmado perto de Mangualde refere o
Castellum Araocelensis que poderia ser o nome romano de
Mangualde.
ASSANIACENSES, povo referido numa inscrição achada em
Numão que assinala a construção de uma via (
Assaniacenses viam fecerunt)
ARABRIGENSES, povo referido na
inscrição da Ponte de Alcântara cuja capital poderia ficar sno triângulo formado por
Moimenta da Beira, Sernancelhe e Sendim. (N-Rio Douro O-Rio Tedo E-Rio Torto S-Serra da Lapa?)
AOBRIGENSES, povo referido no chamado «Padrão dos Povos» da Ponte de Trajano em Chaves como uma das
civitates dependentes de
Aquae Flaviae, talvez situado já na Galiza.
BANIENSIS, povo referido na
inscrição da Ponte de Alcântara talvez situado no
Povoado do Baldoeiro (Adeganha, Torre de Moncorvo), pois aí foi encontrada uma
ara dedicada a Júpiter onde se lê
CIVITATI BANIENSIV; outras possíveis localizações são o sítio do Chão da Capela na mesma freguesia ou Sta. Cruz da Vilariça (N-Serra de Bornes? S-Douro S-Rio Douro O-Rio Sabor E-Rio Tua)
BIBALI, povo referido Ptolomeu (II, 6, 42) e por Plínio (NH, III, 28) que coloca o seu território no
Conventus Bracarensis, mas que posteriomente ficaria sob o domínio de
Aquae Flaviae pois são também mencionados na famosa inscrição designada por «Padrão dos Povos», a coluna honorífica da Ponte de Trajano em Chaves, teriam capital em
Forum Bibalorum que poderá ser no Castro de San Cibran de Las Casas em San Amaro (Galiza). (ver
Fonte, 2006)
BRACARI, povo com capital em
Brachara, hoje
Braga.
CALLAECI, povo com capital em
Cale, hoje
Porto.
COBELCI, povo com capital em Torre das Águias,
Almofala (FC Rodrigo). (N-Rio Douro O-Rio Côa E-Rio Águeda S-Serra da Marofa)
COILARNI, povo referido por Plínio e na
inscrição da Ponte de Alcântara, cuja capital, a
Caelobriga referida por Ptolomeu, poderia ser em
Lamego.(N-Rio Douro; S-Rio Vouga?; E-Rio Tedo)
EGAEDITANI, povo referido na
inscrição da Ponte de Alcântara com capital em
Idanha-a-Velha
ELBOCORI, povo referido por Plínio (IV, 35, 118) cujo território poderia corresponder à
Civitas da
Bobadela (Oliveira do Hospital),
segundo J. Alarcão.
INTERANNIENSES, povo referido por Plínio ( IV, 35, 118) com provável capital em
Viseu (
Visseum?).
LANCIENSES OCELENSES, povo referido por Plínio (NH, IV, 35, 118), cuja capital poderia ficar na zona do Sabugal atendendo à
inscrição onde se lê «Vicani · / Ocel[o]n[e]/nses» encontrada no
vicus da Qta. de S. Domingos em Pousafoles do Bispo que está hoje no Museu do Sabugal.
LANCIENSES OPPIDANI, povo referido na
inscrição da Ponte de Alcântara, talvez para nordeste de Idanha-a-Velha, já em Espanha.
LANCIENSES TRANSCUDANI, povo referido na
inscrição da Ponte de Alcântara com capital desconhecida.
MEIDVBRIGENSES, povo referido na
inscrição da Ponte de Alcântara com possível capital em
Freixo de Numão ou em Mêda (Ranhados) (N-Rio Douro O-Rio Távora? E-Rio Côa S-
Aravi/Fonte Longa/Ribeira de Piscos).
PAESURES, povo referido na
inscrição da Ponte de Alcântara que deverá corresponder aos
Paesuri de Plínio, ver abaixo.
PAESURI, povo referido por Plínio (NH, IV, 35, 118) com possível capital em
Cárquere (Lamego).
TALORES, povo referido na
inscrição da Ponte de Alcântara que deverá ser corresponder aos
Tapori de Plínio
TAPORI, povo referido por Plínio (NH, IV, 35, 118) com possível capital nos arredores de
Castelo Branco, mas precisamente no aro formado pelo
povoado do Monte de S. Martinho e as capelas de
Ns. de Mércoles e de Santa Ana. Outa hipótese seria na
Civitas da Bobadela (Oliveira do Hospital)
TURDULI VETERES, povo referido por Plínio (NH, IV, 35, 113) ocupando as actuais regiões de
Vila Nova de Gaia e Vila da Feira
com capital em
Langobriga que seria no Castro do Monte Redondo (Fiães, Feira)
ZOELAE, o
povo dos Zoelas
é referido por Estrabão (III, 3.6) e Plínio (NH, XIX, 10) que habitava um vasto território entre Zamora e o nordeste de Portugal, mas em especial na célebre
Tábua dos Zoelas ou Tábua de Astorga (CIL II, 2633;
ver foto) hoje no Staatliche Museen em Berlin, uma placa de bronze com um pacto de hospitalidade entre dois grupos tribais do povo dos Zoelas, os Desoncos e os Tridiavos. Jorge de Alarcão coloca a
Civitas Zoelarum no sítio da Torre Velha em
Castro de Avelãs (Bragança), mas é muito duvidoso, sendo mais provável que a sua capital fosse algures no actual território Espanhol.
Rios - Fluminis
Minho MINIUS/MINUA/BENIS
Lima LIMIA/LAETHES/OBLIVIO
Neiva NAEBIS
Cávado CELADUS
Ave AVUS/AVO
Tâmega TAMEO?/TAMACA?
Douro DURIUS/DORIUS
Vouga VACUA/VACCA.
Mondego MONDA/MUNDA
Nabão NABANTIUS/NABUM?
Tejo TAGUS
Sado CALIPODIS/CALLIPUS
Guadiana ANAE/ANAS
Glossário
Glossário de termos usados na descrição dos itinerários.
Latim:
- Agri - campos agrícolas na dependência da villa romana.
- Balneum - banhos ou balneários privados integrados na villa romana.
- Caput viarum/Caput Viae - nó rodoviário/; ponto de partida ou chegada para a contagem das milhas.
- Cardus Maximus - no urbanismo romano é a via transversal no sentido Norte/Sul.
- Cetaria/Caetaria - tanque para a preparação do garum.
- CIL Corpus inscriptionum Latinarum - compilação de inscrições latinas por
Emil Hübner em 1869
- Civitas/Civitates - circunscrições com poderes tributários e administrativos, centradas numa povoação capital e habitualmente associadas a um povo ou comunidade.
- Conventus - capital provincial. (existiam 3 capitais em Portugal, Braga, Santarém e Beja)
- Curator Viarum - título do responsável pela construção e manutenção das viae publicae.
- Cursus Publicus - rede viária incluindo o correio oficial, pontes, vias e sistemas de apoio.
- Decumanus Maximus - no urbanismo romano é a via transversal no sentido Este/Oeste.
- Diverticulum - desvio ou ramo que partia da via principal.
- Domus - casa particular ocupada por um único proprietário e sua família.
- Flumen - rio, ribeiro, corrente de água.
- Forum - praça central no cruzamento da Cardus Maximus com a Decumanus Maximus, centro da vida pública romana.
- Fundus - área na dependência de uma villa romana.
- Garum - pasta de peixe com ervas aromáticas, azeite e sal, exportado para Roma.
- Imbrex / Imbrices - telha cerâmica em meia cana colocada sob as tegulae para escoamento da água.
- In Situ - no sítio, no local original.
- Lares Viales - divindades protectores das estradas; habitualmente estas inscrições estão junto das vias.
- Lares Compitales - divindades protectores das encruzilhadas da mesma forma que os cruzeiros medievais.
- Magistri Pagi - homens notáveis de uma região que sob as ordens do Curator Viarum geriam a manutenção das vias.
- Mansio / Mansione - estação oficial de apoio à via com albergue e muda de montadas, em cada 20 a 30 milhas (30-44 km).
- Milia - milha romana; varia entre 1467 e 1481 m conforme os autores; em Portugal o valor mais provável será 1480 m.
- Milia Passum - mil passos ou milha romana.
- Municipium - cidade com estatuto municipal.
- Mutatio / Mutatione - muda de montadas de apoio à via em cada 10 a 12 milhas (15-18 km)
- Oppidum - povoado ou núcleo urbano fortificado.
- Oppidum Latti - núcleo urbano fortificado ao qual foi atribuído o «antigo direito latino», estatuto que conferia a cidadania romana aos seus habitantes; Plínio refere 3 cidades na Lusitânia com este estatuto: Évora, Mértola e Alcácer do Sal (oppida veteris Latii Ebora, quod item Liberalitas Iulia, et Myrtilis ac Salacia) (NH, IV, 35, 117).
- Oppidum Stipendiarium - estatuto atribuído a um núcleo urbano fortificado com importância regional, ficando sujeito ao pagamento de um tributo, chamado de vectigal ou stipendium (caso de Eburobrittium e Mirobriga por ex.).
- Opus Caementicium - betão produzido com argamassa e cal.
- Opus Incertum - técnica construtiva com recurso a pequenas pedras de formato irregular.
- Opus Quadratum - técnica construtiva com recurso a blocos de pedra (silhares) de forma paralelepipédica.
- Opus Signinum - argamassa feita de cal hidráulica, areia e tijolo miúdo, para construção de pavimentos e impermeabilização de tanques e paredes.
- Pars Fructuaria/frumentaria - parte da villa romana onde se situa os anexos produtivos (lagar, celeiro, estábulos, forja, etc).
- Pars Rustica - parte da villa romana onde se situam as residências dos criados.
- Pars Urbana - parte da villa romana onde se situa a residência do proprietário.
- Podium - base onde assentam edifício monumentais como sejam os templos.
- Pons Sublicius - ponte assente em pilares de madeira.
- Pons Roboreus - ponte construída em madeira.
- Saltus - área de pastagem na dependência da villa romana.
- Silva - área de bosques ou florestas.
- Stadia - distância de um estádio = 184.7 m; unidade utilizada em trajectos marítimos ou fluviais.
- Statione - posto de controle viário nos pontos estratégicos da via como sejam pontes e fronteiras territoriais.
- Tabernae - lojas; albergue na estrada onde se podia comer e pernoitar.
- Tegulae - telha cerâmica plana com rebordos para encaixe. Os achados mais comuns.
- Terminus Augustalis - inscrição que demarca os limites territoriais. Plural Termini
- Triffinium / Trifinium - inscrição que demarca os limites de três territórios.
- Viae Publicae / Militares - via pública, principal, militar, da responsabilidade do estado.
- Viae Vicinales - vias secundárias que derivam das publicae para acesso a povoados.
- Viae Privatae ou Agrari - vias privadas ou de servidão à exploração agrária.
- Vicus - aldeia, povoado romano. Plural Vici
- Villa - expressão genérica para casa senhorial. Plural Villae
Português:
- Anepígrafo - que não tem inscrição.
- Ara - pedra em forma de altar para receber inscrição votiva ou funerária.
- Cetária - Tanque de forma rectangular destinado à salga e fabrico de molhos e outros preparados de peixe como o Garum
- Epigráfico - que tem inscrição.
- Légua - a légua terrestre antiga corresponde a 6600 m; 1/4 de légua (1650) equivale uma milha romana.
- Necrópole - cemitério, literalmente cidade da morte.
Abreviaturas
- CMxxx - Caminho Municipal.
- EMxxx - Estrada Municipal.
- ENxxx - Estrada Nacional.
- CM - Câmara Municipal.
- JF - Junta de Freguesia.
- CF - Caminho de Ferro.
Mapas
- Os mapas apresentados foram elaborados com o software Agis Map, Austrália.
- Em cada itinerário existe uma mapa da região na coluna de fotos em formato JPEG.
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