Introdução
A rede viária romana é a maior obra de engenharia da antiguidade em Portugal.
Apesar do seu levantamento ter atraído diversos estudiosos, continuamos com mais incertezas do que certezas,
pelo que os itinerários propostos são em grande medida conjecturais.
Tenta-se assim apenas fazer uma compilação do conhecimento actual necessariamente sujeito a revisão no futuro
à medida que novos trabalhos de investigação sejam publicados.
De entre os problemas encontrados para o seu estudo salientam-se os seguintes:
- a vastidão e dispersão geográfica da rede, cobrindo a quase totalidade do território português.
- a incerteza quanto à verdadeira origem destes caminhos velhos,
quer pela reconhecimento que muitos deles serão mesmo pré-romanos, quer pelas sucessivas reparações que sofreram em épocas posteriores à romanização.
- o ritmo a que está a ser destruída devido ao desprezo
com que são tratados estes vestígios arqueológicos.
Ver uma compilação das mais recentes destruições em
Notícias e Alertas.
Ao longo dos Itinerários são mencionados, além dos miliários, as Villae,
as necrópoles, os castros romanizados e explorações mineiras,
já que frequentemente estes vestígios da presença romana estão próximos das vias.
- As Villae, mais que uma habitação, são focos de desenvolvimento económico que necessitam de
vias de escoamento para os seus produtos, quer para as cidades, quer para portos a fim de serem exportados.
Além disso algumas das Villae mencionadas seriam a própria Mansio de apoio à estrada.
- As necrópoles eram frequentemente localizadas ao longo da estrada romana, contíguas à via, nas saída das cidades,
como é caso das necrópoles junto à via Appia em Roma,
longe dos vivos, assegurando assim a salubridade pública, mas mantendo o mundo dos mortos em permanente contacto com o dia-a-dia do mundo dos vivos.
- As explorações mineiras eram apoiadas por uma rede complexa de vias secundárias que
permitiam o escoamento do minério até às vias principais
ou, o que é mais provável, seguindo por uma via secundária para o porto fluvial mais próximo, onde seria embarcado
e transportado rio abaixo até ao litoral, onde finalmente era exportado para todo o império.
Sobre as Estradas
A rede de estradas dividia-se em Viae Publicae ou Militares, as grandes vias principais interligando todo o Império,
correspondentes às nossas nacionais, as Viae Vicinales,
estradas secundárias que ligavam os povoados às grandes vias e as Viae Privatae ou Agrari, caminhos agrícolas ou de acesso privado.
Nada melhor que seguir a explicação Siculus Flaccus, cônsul romano, na sua obra
"De condicionibus agrorum" :
"As vias não têm um único e o mesmo estatuto. Existem as Viae Publicae; que são construídas com fundos públicos, recebendo o nome do seu promotor.
Um responsável, o Curator Viarum, encarrega-se da supervisão da obra cuja construção é adjudicada a empreiteiros.
Para a manutenção de algumas delas é fixada uma
determinada soma aos proprietários em função da via em causa.
Em contrapartida as Viae Vicinales, partindo das Viae Publicae, servem os campos ou ligam a outras
Viae Publicae. São construídas noutras modalidades, pelos responsáveis regionais que, em geral, exigem aos proprietários os trabalhos de manutenção."
Ver «online» in "De condicionibus agrorum" Cap. XIX.
Um sistema viário
O Cursus Publicus é assim um sistema totalmente hierarquizado, planeado para cobrir todo um território,
(é sabido que já na época existia um sistema de distribuição postal), e apoiado numa rede de estações de apoio aos viajantes,
desde as chamadas mutationes, pequenas estações de muda de montadas e condutores, separadas por 10-12 milhas (15-18 km),
às chamadas Mansiones, albergarias onde os viandantes poderiam reabastecer, saciar a fome e pernoitar.
Estas Mansiones estavam estrategicamente distribuídas de modo a proporcionar
alimentação e repouso no fim de cada etapa do caminho que em média rondariam um pouco menos de 30 milhas (44 km);
por curiosidade refira-se que este valor é muito próximo do utilizado entre estações de serviço das nossas actuais auto-estradas.
E por fim as stationes que dispunham de guarnição militar para garantir a segurança e o controlo rede viária em locais perigosos
ou de passagem obrigatória pelo que eram muitas vezes fortificadas.
Com o fim do período romano, o trânsito dissemina-se por uma infinidade de caminhos secundários sem grandes
artérias que o canalizem e concentrem. Os grandes trajectos que ligavam as principais cidades da península ibérica caem em desuso,
ficando toda a rede de estradas segmentada em rotas mais curtas.
É também aqui que começam as sucessivas alterações, processo que dura até hoje.
Ver uma compilação das mais recentes destruições na página de Notícias e alertas
Perdida que estava a noção de conjunto, a rede foi evoluindo de uma forma natural, sem planeamento, à medida que surgiam novos focos populacionais,
aqui e além reutilizando troços das antigas vias imperiais. Este emaranhado de estradas perdurou pela idade média com sucessivos restauros
e ainda hoje é visível na nossa rede de estradas.
A rede viária só viria a ser reconstruída a partir de meados do século XIX, com as estradas reais, recuperando a antiga lógica do caminho romano, ou seja,
criando grandes trajectos, assegurando a sua manutenção e segurança e retomando o conceito das Mansiones através da criação das mala-postas.
Merece referência, pela sua importância na história da rede viária portuguesa, a obra de Jozé Diogo Mascarenhas Neto ,
"Methodo para construir as estradas em Portugal", editada no Porto em 1790 que lança as bases do sistema viário nacional a partir dos conceitos romanos.
Só nos anos 30, com o notável trabalho da JAE, é que foi possível converter esta rede num sistema rodoviário uniforme, com padrões modernos de circulação
e melhor sinalização através da recuperação do conceito de Miliário com os Marcos Quilométricos.
Ainda hoje se podem ver muitos destes marcos nas estradas portuguesas,
mas infelizmente a maioria já foi arrancada pelo que hoje voltamos a perder a noção do quilómetro nas estradas secundárias.
Mas a totalidade dos conceitos introduzidos pela rede viária romana só vieram a ser integralmente aplicados com a construção da rede de auto-estradas,
iniciada nos anos 60, mas que só viria a ser completada nos anos 90 com a entrada de Portugal na CEE.
Enfim, demoramos quase 2000 anos a recuperar o método de construir de estradas, como aliás quase toda a engenharia romana,
no entanto, é inquietante perceber que a tecnologia de construção sempre esteve aqui.
Séculos de barbárie não conseguiram destruir este legado e hoje que aprendemos o que ele significa estamos a ponto de o destruir.
Nem todo o caminho de lajes de pedra é romano
Aliás muitas das vias nem sequer utilizam lajes, dependendo do clima da região, dos materiais existentes na proximidade da via,
da topologia do terreno e principalmente, da organização que está por detrás da sua construção.
Talvez esta ideia tenha surgido porque nas ruas das cidades romanas, era frequente a utilização de lajes como camada final para melhorar a salubridade pública, facilitando a sua limpeza.
Daqui se concluiu erradamente que toda a via romana teria que ser coberta a lajes de pedra calçada.
Na realidade não há a certeza que a via romana fosse alguma vez construída com pedra calçada;
Como todas as vias romanas foram construídas para veículos com rodados,
este pavimento é naturalmente impróprio para a circulação de veículos com rodados a grande velocidade, pelo que se supõe
(
ver artigos de Isaac Moreno Galo)
que na realidade, as vias tinham um pavimento compactado, liso, suportado por uma forte estrutura;
Ao longo dos séculos este pavimento foi desaparecendo, deixando a descoberto somente o lajeamento conhecido por stratal de onde deriva a palavra estrada.
Claro que é possível que quando as condições do terreno assim o exigiam, (subidas, montanha, etc), fosse utilizada uma camada final em lajes de pedra,
mas como a maior parte das calçadas que ainda resistem são de origem medieval, ainda hoje existe esta incerteza quanto à camada final da via romana.
Pelo menos sabemos que o facto de ser em calçada, nada diz sobre a origem romana do caminho.
Caminhos estreitos e com grandes declives não são habitualmente romanos. Isto só acontece para vencer obstáculos como rios em troços de montanha;
de resto tem que se ver pelo menos algumas características que mostram que a origem do traçado é romano, como um alinhamento perfeito,
curvas com arcos de curvatura correctas, uma utilização subtil dos próprios acidentes de terreno (como pedras),
em resumo, características que demonstram a utilização de matemática e instrumentos de medida de precisão na sua construção, marcas indubitavelmente romanas.
Ver artigo de William Ramsay.
Técnicas Construtivas
A sua construção obedecia aos mesmos princípios, mas com grande variedade
de soluções e materiais em função do local de construção; O esquema abaixo indica uma das possíveis estruturas:

fossae e sulci - leito terraplenado e sulcos laterais para escoamento de água.
stratumen - camada inicial ou fundação com grandes pedras irregulares ligadas por uma argamassa.
rudus - camada de cascalho, ou fragmentos de tijolo, e uma camada de cal hidráulica bem pisada.
nucleus - argamassa de gravilha, ou areia grossa, e cal preparada a quente em camadas regulares.
stratum ou summa crusta - uma camada aplanada de pedra poligonal de granito ou quartzo.
e eventualmente uma camada final, lisa e suave feita de cal, areia e cimento para rodados.
Ver artigo de Adam Pawluk.
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Sobre os Marcos Miliários
Os miliários encontrados ao longo do trajecto são a principal evidência da passagem da via. Ao contrário de pontes e calçadas,
não há dúvida quanto à sua origem romana, mas muitos estão deslocados da sua posição original, outros muito danificados,
potenciando erros e aumentando as dúvidas sobre a verdadeira rota de passagem da via romana. As suas inscrições são uma fonte crucial para entender
o sistema viário romano ao indicar o ponto de partida e as milhas percorridas ou, por vezes referindo os trabalhos de reparação efectuados na via,
como é caso do miliário deslocado para o Solar de Bertiandos em Ponte de Lima (na imagem) entretanto transformado em cruzeiro.
Sendo um reflexo do momento histórico durante o qual foram esculpidos, também neles é notória a deterioração
de toda a organização do império à medida que este caminhava para o seu fim.
É evidente a degradação das técnicas utilizadas quando comparamos os magníficos marcos miliários do tempo de Augusto e Adriano
que integravam as grandes viae militares, com os marcos toscamente esculpidos do fim do império espalhados por uma infinidade de variantes.
As sucessivas alterações políticas e administrativas, com a fundação de novas Civitas
e logo novos pontos de partida para a contagem das milhas, os caput viae, levam a que hoje se possa encontrar numa mesma via miliários com indicação a dois caput viae
diferentes como é o caso da Via XVII que liga Braga a Chaves onde tanto há miliários indicando a distância a Braga como
outros que indicam a distância a Chaves. Outro sinal destas alterações, aparecem em alguns miliários cuja marcação de milhas indica a distância,
não a cidades importantes mas a fronteiras ou limites territoriais, mostrando que a rede viária estava agora a ser gerida por governos provinciais,
mais preocupados com o seu território do que com a sua integração no vasto império.
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Sobre as Pontes
Ao longo dos milhares de quilómetros de vias espalhadas pelo país,
existiam um grande número de pontes romanas.
Infelizmente a maioria já está destruída, umas pela acção do tempo e das intempéries, outras,
a maioria, destruídas propositadamente pelo homem, quer por ignorância, quer pelas sucessivas guerras e
invasões que assolaram o nosso território. Assim, muitas das estruturas ditas "romanas" são na realidade toscas
reconstruções efectuadas na Idade Média, ou mesmo na Idade Moderna, eventualmente em cima dos alicerces originais.
O número de pontes ditas "romanas" varia muito em função dos critérios adoptados para a sua classificação e é um assunto muito
pouco consensual entre os investigadores. A largura e horizontalidade do tabuleiro, a simetria do arcos, as pedras almofadadas e as marcas de fórfex
são algumas das características apontadas para certificar a sua origem romana, mas é sabido que nem todas as obras romanas seguiam estritamente
este padrão pelo que se torna muito difícil atestar da sua cronologia. ver classificação adoptada.
Apesar do abandono e quase por milagre sobrevivem ainda quatro (4) grandes pontes romanas
em Portugal que mantêm a traça original, apesar de terem sofrido reparações posteriores:
Todas estão em perfeitas condições rodoviárias e com duas vias de circulação, ainda hoje
suportam o tráfego moderno. (tragicamente não se pode dizer o mesmo de algumas pontes modernas...).
Como ainda hoje estão integradas na rede nacional de estradas, o viajante menos avisado poderá já ter passado por elas
sem se aperceber da sua antiguidade. É o caso da desconhecida
Ponte da Pedra,
perto de Torre de Dona Chama, concelho de Mirandela, que nem sequer tem uma placa indicando que a sua construção é romana.
Todas receberam no entanto alterações, quase sempre pouco felizes. Alteração das guardas, alteração dos pisos e até dos arcos como na Ponte de Segura. Todas elas apresentam também
fortes evidências da sua origem romana como a horizontalidade, a simetria, a modularidade construtiva e as marcas de fórfex.
Para além destas obras grandiosas, existe um conjunto de pequenas pontes romanas espalhadas pelo país que também merecem ser destacadas.
A maioria está ao abandono, apesar de não haver dúvidas quanto à sua origem romana.
Nestas pequenas pontes também é possível observar a excelente técnica de construção romana pelo que
são monumentos que deveriam receber a atenção dos responsáveis pela protecção do património, como por exemplo:
Técnicas Construtivas
Espalhadas pela Europa e Norte de África, estas obras mostram uma comum cartilha de construção, traduzindo os conhecimentos da época que nos seus princípios gerais, tem permanecido inalterada até aos dias de hoje.
Da surpreendente
Ponte de Alcântara sobre o rio Tejo, próximo da fronteira Luso-Espanhola de Castelo Branco,
à incrível Pont du Gard,
ponte-aqueduto sobre o rio Gard em Nimes, passando pela
Ponte di Nona, na Via Prenestina em Roma.

Puente de Alcantara, Espanha
Ponti di Nona, Itália
Pont du Gard, França
Partindo de um único módulo base, um arco de volta perfeita assente em dois pilares, era possível construir pontes
nos mais variados terrenos, com duas vias, perfeitamente planas e pavimentadas para tráfego rodado.
Pegando nesse módulo é possível alterar a dimensão do arco e do pilar de modo a ajustar-se ao local,
mas mantendo as proporções entre ambos e assim garantindo a sua robustez sem comprometer a sua horizontalidade.
Esta técnica pode ser observada na Ponte Romana de Alcantara que é sem dúvida o monumento mais importante que resta do
sistema viário romano na Europa; fica junto à fronteira Luso-Espanhola de Segura, a 20 km de Castelo Branco.
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As Marcas de Fórfex
Uma das características mais relevantes para atestar a origem romana destas pontes são as Marcas de Fórfex. Estas são pequenas cavidades em lados opostos dos blocos de pedra,
permitiam a entrada do fórfex, ou tenaz, da grua mecânica para levantamento e colocação em posição dos blocos usados na construção da ponte.
A aplicação de tecnologia avançada, recorrendo a maquinaria pesada,
permitia erguer uma ponte com grande rapidez com um número limitado de homens.
É sabido que muita das obras foram levadas a cabo pelos legionários. Isto exigia a presença de engenheiros integrados nas legiões,
transportando aos quatros cantos do mundo conhecido o saber da antiguidade e sendo por isso capazes de planear e construir obras em regiões
estranhas e inóspitas, separadas por centenas de milhas, com uma enorme variedade de materiais e num curto
espaço de tempo. Assim muitas outras questões interessantes se levantam, como sejam o desvendar da organização e métodos aplicados na sua construção.
Todo este conhecimento foi entretanto perdido pelo homem, numa travessia do deserto que só viria a terminar
nos nossos dia com o recente e súbito desenvolvimento tecnológico.
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Os documentos
Das fontes originais restam-nos:
O Itinerário de Antonino (Itinerarium Antonini) é sem dúvida o documento mais importante para o estudo das vias romanas.
Trata-se de uma compilação de itinerários entre as principais cidades do império indicando as estações por onde passa e respectivas distâncias.
A versão que chegou até nós é uma cópia medieval do original escrito no séc. III dc.
O seu estudo tem levantado sérias dúvidas sobre a exactidão das estações e distâncias mencionadas,
sendo provável que os copistas tenham cometido erros na sua transcrição ou até introduzido correcções segundo as suas interpretações.
A edição mais conhecida do itinerário foi publicado em Berlin no ano de 1848 pelos editores Gustav Parthey e Moritz Pinder com o título
Itinerarium Antonini Augusti et Hierosolymitanum pode ser lida
aqui.
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O Corpo de Inscrições Latinas (Corpus Inscriptionum Latinarum ou CIL)
é uma compilação de inscrições latinas iniciada pelo historiador alemão
Theodor Mommsen em 1857.
Este pediu ao seu discípulo, o epigrafista alemão
Emil Hübner,
para viajar para a Hispânia afim de fazer o levantamento relativo a esta região.
Como resultado dessa viagem que decorreu de Março de 1860 a Outubro de 1861, é publicado em 1869 o Volume II do CIL designado por
Inscriptiones Hispaniae Latinae ou CIL II.
Posteriorment, em 1871, Hübner publica o
Noticias archeologicas de Portugal (ver aqui em pdf - 9,8 Mb)
A descoberta de novas inscrições levou Hübner a fazer mais três viagens na década de 80 das quais resultariam
a publicação do Supplementum em 1892. No Corpus Inscriptionum Latinarum são referidos os miliários conhecidos na época, alguns dos quais já desaparecidos,
pelo que esta obra constitui um documento crucial no levantamento da rede viária romana.
|
A
Corografia de Pompónio Mela (Pomponii Melae), originário da Baética que na sua obra
Uma Descrição do Mundo (De Situ Orbis), também conhecida por
De Chorographia,
escrita no ano 43 ac, descreve algumas cidades da Lusitânia no capítulo
Hispaniae Ora Exterior.
Ver aqui o seu mapa-múndi.
|
A
História Natural (Naturalis Historiae)
de Caio Plínio o Velho (Caius Plinius Secundus),
obra primordial em 37 livros, onde descreve as principais características geográficas das províncias do império romano, enumerando povos, cidades e rios. Não há referências à rede viária mas a indicação das fronteiras e respectivas distâncias, permite-nos deduzir a localização de algumas estações viárias e a sua articulação.
Em relação ao território português existe um capítulo sobre a Lusitânia e um capítulo sobre a parte norte da Hispânia, profundamente estudado por
Amílcar Guerra na sua obra "Plínio-o-Velho e a Lusitânia" (ver bibliografia)
|
A Cosmografia do Anónimo de Ravena
(Ravennatis Anonymi Cosmographia), obra em cinco volumes escrita no séc. VII dc por um desconhecido monge do Mosteiro de Ravena,
é uma lista das cidades e estações viárias de todo o império sem indicação de distâncias. Ver aqui uma reconstrução do seu mapa-múndi.
|
A
Geografia
(Geographia) de
Cláudio Ptolomeu
(Claudius Ptolemaeus) escrito no séc. II dc,
contendo as coordenadas geográficas das cidades e rios do mundo conhecido da época,
incluindo a
Lusitânia e a província
Tarraconense. Ver aqui uma reconstituição de um
mapa-múndi
e de um
mapa da Hispânia
baseado nas suas coordenadas.
|
A Geografia
(Geographia)
de Estrabão
(Strabo),
obra em 17 Livros, escrita no ano 17 dc.
Ver aqui a reconstituição do seu
mapa-múndi.
|
O
Papiro de Peutinger ou
Tabula Peutingeriana
é uma cópia de um mapa romano com 7 m de comprimento efectuada em 1265 por um monge alsaciano e descoberto em 1508 por Konrad Peutinger (1465-1547) em Viena. A partir daí tomou o seu nome e passou a ser chamada de Tabula Peutingerina. Segundo Konrad Miller que fez a primeira edição moderna em 1887, o mapa teria sido baseado num mapa-múndi de Castorius (séc. IV) sem muita fundamentação. Infelizmente o mapa não dispõe de dados sobre
o território português pois falta a primeira folha onde estaria representada a Península Ibérica e a parte mais ocidental das Ilhas Britânicas.
Estando mais exposta ao uso, esta primeira folha papiro acabou por chegar ao século XVI já irremediavelmente danificada.
(ver aqui a hipotética reconstituição de Konrad Miller).
|
O
Itinerário de Barro de Astorga ou
Tablas de Astorga é um conjunto de quatro placas de argila, em exposição no Museu Arqueológico das Astúrias em Oviedo, contendo
cada uma um itinerário da Hispânia romana, dos quais só um, a Via Asturicam ad Bracaram na Tábua IV, se refere
ao actual território português; Apesar da sua autenticidade ter sido sempre
muito contestada,
alguns historiadores como Antonio García Bellido e Albert Tranoy sustentam a sua autenticidade.
Ver trabalho de Antonio García y Bellido, publicado em 1975.
|
O
Itinerarium Gaditanum ou
Itinerário de Gades,
gravado no séc. I dc em quatro vasos de prata cilíndricos, chamados
Vasos Apolinares por terem sido descobertos em 1852 no lago das termas
Aquae Apollinares em Vicarello, perto de Roma,
descreve a rota entre esta cidade e Gades, a actual Cádiz, pelo que também não se refere ao território Português.
|
O De architectura ou Tratado de Arquitectura, escrito por
Marcus Vitruvius Pollio, é o livro mais importante sobre a tecnologia romana que chegou até nós,
(ver aqui a versão original em Latim,
uma tradução para Inglês
ou esta tradução para Castelhano).
Obra escrita em dez volumes no primeiro século da nossa era. Infelizmente o autor não se refere especificamente à construção de vias, embora num
capítulo sobre pavimentos aborde alguns dos princípios construtivos comuns à construção de estradas.
Para um maior aprofundamento do tema arquitectura e da engenharia romana ver
o trabalho de Isaac Moreno Gallo.
Novo
Finalmente pode ser lido em Português graças à tradução de Justino Maciel -
ver aqui notícia.
|
O
Papiro de Artemidoro é um rolo de 2,5 m do séc. I ac descoberto em 1994 no Egipto e
que apresenta uma mapa do noroeste da Península Ibérica numa das faces,
mas infelizmente não existe qualquer legenda que revele o nome dos rios, estradas e cidades nele representadas.
Tornou-se assim no mais antigo documento cartográfico da antiguidade que chegou até nós.
É muito provável que o mapa original pertencesse à monumental obra em 11 volumes do geógrafo grego
Artemidoro de Éfeso, intitulada
Geographoumena e hoje desaparecida, já que na outra face do papiro aparece uma transcrição do
prólogo do Livro II da mencionada obra.
|
|
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E em Portugal?
Em 1571, o humanista português Francisco de Holanda
escreve a sua primordial obra sobre o urbanismo de Lisboa "Da Fabrica que falece ha Cidade de Lysboa",
onde refere alguns vestígios da rede viária romana, como sejam as "calçadas de scilice" nas Mestas de Montargil, a Pontes Romana de Sacavém e a Ponte Romana "acima de Abrantes",
ambas já desaparecidas.
Mas é só com André de Resende,
pioneiro da arqueologia em Portugal, que se começa a sistematizar o estudo da época romana, principalmente após a publicação póstuma em 1593 da
sua obra "Antiguidades da Lusitânia" - "De antiquitatibus Lusitaniae", onde dedica um capítulo, "De Viis Militaribus", às vias romanas.
Na mesma época, João de Barros publica o seu "Geografia de Entre-Douro-e-Minho" e o Frei Bernardo de Brito (1569-1617) inicia a sua primordial obra sobre a história de Portugal em 8 partes
com o título de "Monarchia Lusytana"
(ler «online»), da qual apenas redigiu as duas primeiras partes, tendo publicado a primeira em 1597 e a segunda em 1609. Em 1625, Gaspar Estaço (156_?-1626), Cónego da Colegiada de Guimarães, publica
"Várias Antiguidades de Portugal"
(ler «online») e em 1706 António Carvalho da Costa publica "Corografia Portuguesa".
Mais tarde, em 1728, o
Padre José de Mattos Ferreira, pároco de Amares, publica os miliários por si encontrados na Geira, no
itinerário entre Braga e Astorga,
que voltaria a ser publicado em 1734 por D. Jerónimo Contador de Argote em "Memórias para a História Eclesiástica
do Arcebispado de Braga".
Com a explosão do interesse pela arqueologia no século XIX, os historiadores portugueses inspirados pelo trabalho de
Emil Hübner para o CIL,
começam a publicar sobre o assunto. Em 1895, o
Padre Martins Capella publica o seu
"Miliários do Conventus Bracara Augustanus em Portugal" e Martins de Sarmento publica diversos artigos sobre os marcos miliários da região.
Referir que a Sociedade Martins de Sarmento
em Guimarães disponibiliza estes artigos «online» no seu site - um bom exemplo a seguir.
Em Portugal não há muitas obras sobre a rede viária romana no seu conjunto com a notável excepção de "
As grandes vias da Lusitânia: o itinerário de Antonino Pio", obra em 6 volumes de
Mário Saa,
publicada entre 1951 e 1967, constituindo um relato das suas prospecções efectuadas ao longo
de vinte anos e cujo espólio está exposto na
Fundação Arquivo Paes Teles
no Ervedal, concelho de Aviz, nomeadamente um miliário a Tácito e a sua biblioteca especializada em vias romanas.
Mais recentemente temos um excelente trabalho sobre a ocupação romana no Algarve da autoria de
Luís Fraga da Silva em www.arkeotavira.com e no seu blog Impronto.
Resta-nos por fim diversas publicações espalhadas por revistas culturais e monografias, sem darem no entanto uma visão geral do problema.
O Prof. Jorge Alarcão dedica um capítulo da sua obra
"O Domínio Romano em Portugal",
onde apresenta um excelente resumo dos principais itinerários em território Português. Muitos outros autores têm publicado trabalhos relativos às vias como Vasco Mantas, Sande Lemos, Brochado de Almeida,
Inês Vaz, Francisco Bilou, Seabra Lopes, Tavares Dias, Rodriguez Colmenero, entre outros. Ver bibliografia.
Existem algumas bases de dados «online» de sítios arqueológicos nacionais:
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O Itinerário de Antonino em Portugal
Os itinerários aqui apresentados baseiam-se nas
páginas digitalizadas
por Gonzalo Arias na sua revista
"El Miliário Extravagante" dedicada à viação romana especialmente em Espanha,
com algumas pequenas correcções propostas pelo Prof. Jorge Alarcão.
Existem diversas versões corrigidas do itinerário, alterando os nomes das Mansiones ou o número de milhas,
segundo várias opiniões pois não existe um consenso sobre o assunto.
Ver aqui
uma breve descrição dos itinerários por
Carlos F. de Almeida
| Lisboa a Mérida |
| Via XII 12
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Via XIV 14
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Via XV 15
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Item ab OLISIPONE EMERITAM |
m.p. CLXI |
Alio itinere ab OLISIPONE EMERITAM |
m.p. CLIIII |
Item alio itinere ab OLISIPONE EMERITAM |
m.p. CCXX |
AQUABONA
CAETOBRIGA
CAECILIANA
MALATECA
SALACIA
EBORA
AD ADRUM FLUMEM
DIPONE
EVANDRIANA
EMERITA
|
XII
XII
VIII
XXVI
XII
XLIIII
VIIII
XII
XVII
VIIII
|
ARITIO PRAETORIO
ABELTERIO
MATUSARO
AD SEPTEM ARAS
BUDUA
PLAGIARIA
EMERITA
|
XXXVIII
XXVIII
XXIIII
VIII ?
XII
VIII
XXX
|
IERABRIGA
SCALLABIN
TABUCCI
FRAXINUM
MONTOBRIGA
AD SEPTEM ARAS
PLAGIARIA
EMERITA
|
XXX
XXXII
XXXII
XXXII
XXX
XIIII
XX
XXX
|
m.p. - milia passum, mil passos, milha romana
| Lisboa a Braga |
Braga a Astorga |
| Via XVI 16
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Via XVII 17
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Via XVIII 18
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Item ab OLISIPONE BRACARAM AUGUSTAM |
m.p. CCXLIIII |
Item a BRACARA ASTURICAM |
m.p. CCXLVII |
Item alio itinere a BRACARA ASTURICA |
m.p. CCXV |
IERABRIGA
SCALLABIN
SELLIUM
CONIMBRIGA
AEMINIO
TALABRIGA
LANGOBRIGA
CALEM
BRACARA
|
XXX
XXXII
XXXII
XXXIIII
X
XL
XVIII
XIII
XXXV
|
SALACIA
PRAESIDIO
CALADUNO
AD AQUAS
PINETUM
REBORETUM
COMPLEUTICA
VENIATIA
PETAVONIUM
ARGENTIOLUM
ASTURICA
|
XX
XXVI
XVI
XVIII
XX
XXXVI
XXVIIII
XV
XXVIII
XV
XXIIII
|
SALANIANA
AQUIS ORIGINIS
AQUIS QUERQUERNNIS
GEMINAS
SALIENTIBUS
PRAESIDIO
NEMETOBRIGA
FORO
GEMESTARIO
BELGIDO
INTERERACONIO FLAVIO
ASTURICA
|
XXI
XVIII
XIIII
XVI
XVIII
XVIII
XIII
XVIIII
XVIII
XIII
XX
XXX
|
m.p. - milia passum, mil passos, milha romana
ver aqui a proposta de correcção do itinerário Lisboa-Braga por
Seabra Lopes
| Braga a Astorga |
| Via XIX 19
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Via XX 20
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Item a BRACARA ASTURICAM |
m.p. CCXCVIIII |
Item per loca maritima a BRACARA ASTURICAM usque |
LIMIA
TUDAE
BURBIDA
TUROQUA
AQUIS CELENIS
TRIA
ASSEGONIA
BREVIS
MARCIE
LUCO AUGUSTI
TIMALINO
PONTE NEVIAE
UTTARIS
BERGIDO
INTERAMNIO FLUVIO
ASTURICA
|
XVIIII
XXIIII
XVI
XVI
XXIIII
XII
XIII
XXII
XX
XIII
XXII
XII
XX
XVI
XX
XXX
|
AQUIS CELENIS
VICO SPACORUM
AD DUOS PONTES
GLANDIMIRO
TRIGONDO
BRIGANTIUM
CARANICO
LUCO AUGUSTI
TIMALINO
PONTE NEVIAE
UTTARI
BERGIDO
ASTURICA
|
CLXV
stadia CXCV
stadia CL
stadia CLXXX
XXII
XXX
XVIII
XVII
XXII
XII
XX
XVI
L
|
m.p. - milia passum, mil passos, milha romana
stadia - estádio = 184.7 m
| Castro Marim a Beja |
Salacia a Faro |
| Via XXI 21
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Via XXII 22
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Via XIII 13
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Item de ESURI PACE IULIA |
m.p. CCLXVII |
Item ab ESURI per compendium PACE IULIA |
m.p. LXXVI * |
A SALACIA OSSONOBA m.p. XVI * |
BALSA
OSSONOBA
ARANNIS
Sarapia?
SALACIA
EBORA
SERPA
FINES
ARUCCI
PACE IULIA
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XXIIII
XVI
LX
XXXV?
XXXV
XLIIII
XIII
XX
XXV
XXX
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MYRTILIS
PACE IULIA
* corresponde
à distância actual
entre Beja e
Castro Marim
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XL
XXXVI
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* deve haver um erro
no número de milhas.
a distancia actual
de Alcácer do Sal a Faro
é cerca de 185 Km
poderia faltar o C
o que daria CXVI milhas
ou seja cerca de 172 Km
que é próximo da actual.
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m.p. - milia passum, mil passos, milha romana
per compendium - pelo caminho mais curto ou por atalho.
| Tábua de Astorga referente à via entre Astorga e Braga
ver foto
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[VI]A ASTV[RICA] AD BRACARA |
ARGENTIOLVM
PETAVO[NIV]M
VI[NIATIA]
COM[PLEV]TICA
ROB[ORE]TVM
AD AQVAS
AQVIS ORIGINI
SALA[N]IA
BRACARA
C. LEP. M. II. VIR
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V MILLAS
VIII
[...]
XII
XII
XV
VII
X
XII
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Este itinerário é uma combinação das via 17 e da 18 dos Itinerários de Antonino.
A placa indica uma rota idêntica à via 17 no troço entre Asturica
e Ad Aqvas em Chaves, mas a partir daqui rumava para Noroeste, talvez por Montalegre,
até atingir
Aqvis Origini, estação pertencente à via 18 ou Via Nova.
Daqui rumava a sul por esta via até Bracara,
atravessando a Serra do Gerês pela Portela do Homem e passando na Mansio Salaniana.
As distâncias indicadas não concordam com as dos Itinerários de Antonino
sendo bastante inferiores (erro? diferentes unidades?).
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Os Terminus Augustalis
As inscrições denominadas como Terminus Augustalis delimitavam os territórios dos povos durante o domínio romano.
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Términos Augustais encontrados em território português
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Localização
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Inscrição
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Leitura
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Capela de S. Bartolomeu em Guardão, Tondela (Serra do Caramulo)
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IMP CAESAR DIV / XIII TRIB POTEST / AVGVST INTER / IESES Q ARTICLEI / CAVSA COGNIT
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Imp(erator) Caesar Div[i f(ilius) Augustus co(n)s(ul)] / XIII trib(unicia) potest[ate --- terminos] / August(ales) inter [---]/ie(n)ses Q(uinto) Artic(u)le[io Regulo leg(ato) ---] / causa cognit[a ---]
"Pelo Imperador César Augusto, filho do divino, detentor do poder tribunício pela décima terceira. Terminos Augustales INTERANNIENSES. Quinto Articuleio, por causa conhecida."
Não se lê o nome dos povos de demarca, mas as letras INTER...IESES poderão referir os INTERANNIENSES mencionados por Plínio e cuja capital seria provavelmente em Viseu.
Sendo assim este Terminus delimitava o território entre a civitas de Viseu e uma das civitas adjacentes, Talábriga ou Bobadela.
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Igreja Paroquial de Úl em Oliveira de Azeméis (estava aqui enterrado; pode ser visto encastrado na parede das traseiras)
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[ ]ARE AVGVSTO TRIBVNI / [ ] XXVII COS XIII PATER / [ ]RMINVS AVGVSTALIS /
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[Imp(eratore)] / [Caes]are Augusto tribuni(cia) / [pot(estate)] XXVII co(n)s(ule) XIII pater(!) / [te]rminus Augustalis
Já não se lê as cidades de delimita, mas talvez marcasse a divisão territorial entre o território de TALÁBRIGA, na zona do rio Vouga e o de LANGOBRIGA
na zona de Fiães, capital dos TURDULI VETERES povo que habitava o que hoje é grosso modo os concelhos de Gaia e Feira.
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Capela visigótica de S. Pedro de Balsemão, Lamego
(encastrado na parede)
CIL II 6199
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CLAVDIO CAESARE A[..] / GERM. PONT. MAX. TRIB[VN.] / POTEST. II IMP. II CO[S.] / III TERM. AVG.
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Claudio Caesare A(ugusto) / Germ(anico) pont(ifici) max(imus) trib[un](icia) potest(ate) II Imp(erator) II co(n)[s](ul) III Term(inus) Aug(ustalis)
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Castro de Goujoim Lameiras, Goujoim, Armamar
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INTE[ ] / COILA[ ] / [ ] / [ ]RI AVG GE[ ] / [ ]ONT MAX TR[ ] / [ ]V POTESTATE V / I P P COS III TER / MI AVG / ITER / RABA[ ]
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Inte[r] / Coila[r(nos?)] // [--- Claudio Cae]/[sa]ri Aug(usto) Ge[r(manico)] / [p]ont(ifici) max(imo) tr[i]/[b]u(nicia) potestate V/I p(atri) p(atriae) co(n)s(uli) III ter/mi(nus) Aug(ustalis) // I(n)ter / Raba[---]
Demarcando provavelmente a divisão territorial entre os COILARNI e os ARABRIGENSES
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Peroviseu, Fundão
(apareceu encastrado na casa paroquial de Peroviseu e está hoje em exposição
Museu Arqueológico José Monteiro no Fundão)
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IMP CAESAR AVG PONTIFEX / MAX TRIB POTEST XXIIIX COS XIII / PATER PATRIAE TERMINVS AVGVSTALIS / INTER LANCIENSES ET IGAEDITANOS.
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Imp(erator) Caesar Aug(ustus) pontifex / max(imus) trib(unicia) potest(ate) XXIIX co(n)s(ul) XIII / pater patriae terminus Augustalis / inter Lancienses et Igaeditanos
Demarcando o limite norte dos IGAEDITANI, com capital em Idanha-a-Velha e os LANCIENSES (TRANSCUDANI ?),
com capital talvez na zona do Sabugal; Deverá ser uma cópia efectuada no século XVIII.
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Salvador, Penamacor (entretanto desaparecido) CIL II 460
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Inscrição com texto idêntico ao de Peroviseu.
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Demarcando a divisão territorial entre os IGAEDITANI, com capital em Idanha-a-Velha e os LANCIENSES (OPPIDANI ?).
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Outeiro de Jusão, Samaiões, Chaves
(apareceu encastrado numa casa e está hoje no Museu Regional de Chaves com o código ARC614)
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PRAEN
COROQ
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Embora não se considerem Términos Augustais, estes marcos indicam a divisão territorial entre povos, no caso entre os PRAEN e os COROQ;
Além deste, há referências a mais 3 marcos deste tipo, embora só se conheça o paradeiro de um deles que
estará no espólio do Museu Nacional de Arqueologia em Lisboa.
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Cabeço Letreiro, Serra de Silvares, Tondela
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Inscrição rupreste que segundo J. Inês Vaz seria um triffinium, assinalando os limites territoriais dos
IREVCOVTIORI a ocidente, os ARVONI a Sul e os SEAR(eas) a Nordeste.
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Igreja de Lamas de Orelhão, Mirandela
(no interior, mas duvidoso)
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HEINC LETERAM
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Mencionado na base de dados Endovélico do IPA como Término Augustal sem fundamentar.
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Os Lares Viales
Para além dos miliários e dos terminus augustalis, os Lares Viais são outras
inscrições muito importantes para a identificação das vias romanas, na forma de
aras dedicadas às divindades protectoras das estradas, os chamados Lares Viales que
apesar de habitualmente serem de carácter genérico, quando encontradas in situ,
indicam que a passagem da via seria muito próximo desse local.
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Alguns exemplos de aras aos Lares Viais encontrados em território português
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Foto
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Onde apareceu
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Localização actual
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Comentários
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Braga, Paço Episcopal
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Braga, Museu D. Diogo de Sousa
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Uma outra ara proveniente daqui, a CIL II 2417, está desaparecida.
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Braga, Largo de S. Francisco, cimo da Av. Central
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Braga, Museu D. Diogo de Sousa |
Descoberta durante as obras do estacionamento subterrâneo
Antiga porta da cidade romana talvez ligada à via XVIII |
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Monte das Esquilas, Monforte
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Inscrição aos Lares Viales e aos Lares Topillii |
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Povoações Romanas
Lista alfabética de povoações romanas mencionadas nos itinerários,
sua localização e os limites territoriais na sequência Norte-Oeste-Este-Sul.
(as localizações conjecturais têm um ponto de interrogação)
ABELTERIUM / ABELTERIO, Mansio mencionada no Itinerário XIV, talvez em Alter do Chão ou Alter Pedroso.
AD AQUAS / AQUAE FLAVIAE, Mansio mencionada no Itinerário XVII, correspondendo à actual Chaves
AD ADRUM FLUMEM, Mansio junto ao Rio Adrum, mencionada no Itinerário XII a 9 milhas de Évora, talvez junto à Ribeira de Machede.
AD SEPTEM ARAS, Mansio comum aos Itinerários XIV e XV, talvez na zona de Campo Maior;
(ponto de cruzamento das vias XIV e XV entre Lisboa e Mérida, talvez na Sra. da Graça dos Degolados ou no Vicus de S. Pedro)
AMMAIA, Civitas, S. Salvador da Aramenha, Portalegre. (N-Rio Tejo O-Aritio Vetus E-Norba Caesarina/Cáceres S-Ebora)
(vasta cidade romana aberta ao público ainda no início das escavações e com um excelente museu)
AQUABONA / AEQUABOBA, Mansio mencionada no Itinerário XII de Antonino, talvez Coina-a-Velha em S. Lourenço, Azeitão.
AQUAE FLAVIAE / AD AQUAS, Civitas, a actual Chaves.
Civitas dos ARABRIGENSES, povo referido na Ponte de Alcântara com eventual capital na região de Moimenta da Beira e Sernancelhe.
ARANNIS, Mansio mencionada no Itinerário XXI de Antonino, talvez em Sta. Bárbara de Padrões, Castro Verde.
(será a ARANDIS referida por Ptolomeu no seu Geographia).
Civitas ARAVORUM, Devesa, Marialva, Meda (E-Rio Côa); capital do povo ARAVI.
ARITIUM PRAETORIUM / ARITIO PRAETORIO, Mansio mencionada no Itinerário XIV, talvez em Poiso/Tamazim/Semideiro, a poente de Ponte de Sor.
ARITIUM VETUS, Casal da Várzea?, Alvega, Abrantes (N-Rio Isna S-Gavião/Abrantes O-Rio Zêzere/Constância E-Amieira/Rio Ocreza).
ARCOBRIGA, cidade referida por Ptolomeu no seu Geographia, hoje sem localização conhecida.
ARUCCI, Mansio mencionada no Itinerário XXI, talvez em Moura. (ver nota 2).
BALSA, Civitas, Torre de Aires, Luz de Tavira (N-Serra do Caldeirão O-Rib. de Bias E-Rio Guadiana S-Costa Algarvia).
Civitas BANIENSIS, povo referido na Ponte de Alcântara talvez situada no Povoado do Baldoeiro, Mesquita, ou no Chão da Capela, perto de Junqueira,
na freguesia de Adeganha, a NO de Torre de Moncorvo.
BRACARA Augusta, Conventus, Braga. caput viarum dos Itinerários XVI, XVII, XVIII, XIX e XX.
BRAETOLAEUM/BRAETOLEUM/BRETOLAEUM/, cidade referida por Ptolomeu no seu Geographia, hoje sem localização conhecida.
BUDUA, Mansio mencionada no Itinerário XIV, talvez já em território espanhol.
CAECILIANA, Mansio mencionada no Itinerário XII, talvez em Águas de Moura ou em Moinho Novo (ver nota 1).
CALADUNO, Mansio mencionada no Itinerário XVII, talvez na região de Boticas.
CALANTICA, Santana do Campo?, Arraiolos.
CALE / CALEM, Porto ou Gaia.
CAETOBRIGA, Mansio mencionada no Itinerário XII, na actual Setúbal.
CAEPIANA, cidade referida por Ptolomeu no seu Geographia, hoje sem localização conhecida.
CATRALEUCUS, cidade referida por Ptolomeu no seu Geographia, hoje sem localização conhecida.
CILPES, provável capital dos Cilibitani ou Cibilitani mencionados por Plínio, talvez na região de Portimão ou Lagos.
COBELCORUM, Civitas, Almofala?, Figueira de Castelo Rodrigo (N-Rio Douro O-Rio Côa E-Rio Águeda S-Serra da Marofa).
Civitas dos COILARNI, povo referido na Ponte de Alcântara com possível capital em Lamego.
COLIPPO, Civitas, S. Sebastião do Freixo?, Leiria.
COMPLEUTICA, Mansio mencionada no Itinerário XVII, talvez Castro de Avelãs ou Babe, Bragança.
CONÍMBRIGA, Civitas mencionada no Itinerário XVI, em Condeixa-a-Velha, Coimbra.
(a cidade romana melhor estudada em Portugal; Ver aqui o site oficial).
DIPO / DIPONE, Mansio mencionada no Itinerário XII com localização desconhecida (ver nota 3).
EBORA / Ebora Liberalitas Iulia, Civitas, actual cidade de Évora. mencionada no Itinerário XII e
no Itinerário XXI
EBUROBRITTIUM, Civitas, na Qta. das Janelas em Gaeiras, Óbidos; (N-Colippo E-Scalabin O-Costa Atlântica S-Olisipo)
ELBOCORI, povo referido por Plínio cuja capital poderia ser na Bobadela, Oliveira do Hospital, segundo J. Alarcão.
ESURI / BAESURIS, na zona de Castro Marim. caput viarum dos itinerários XXI e XXII.
EVANDRIANA, Mansio mencionada no Itinerário XII com localização desconhecida. (ver nota 3)
FINES, Mansio mencionada no Itinerário XXI com localização desconhecida (ver nota 2).
FRAXINUM, Mansio mencionada no Itinerário XV, talvez no Monte da Pedra, Crato.
IERABRIGA, Mansio comum ao Itinerário XV ao Itinerário XVI, na zona de Alenquer, talvez entre Paredes e Qta. das Sete Pedras.
IGAEDITANIA, Civitas do povo EGAEDITANI na actual aldeia de Idanha-a-Velha, também conhecida pelo nome visigótico de Egitânia, na rota Braga-Mérida.
INTERANNIENSES, povo referido por Plínio com provável capital em Viseu.
LACOBRIGA / LACCOBRIGA, mencionada por Pompónio Mela e Ptolomeu; talvez o antigo nome de Lagos.
LAMECUM, nome Suévico de Lamego, talvez com origem romana, outra possível capital dos Coilarni
Civitas dos LANCIENSES OCELENSES, povo referido por Plínio (IV, 118), cuja capital é desconhecida.
Civitas dos LANCIENSES OPPIDANI, povo referido na Ponte de Alcântara, talvez para nordeste de Idanha-a-Velha, já em Espanha.
Civitas dos LANCIENSES TRANSCUDANI, povo referido na Ponte de Alcântara com possível capital em Teixoso, Covilhã.
LANGOBRIGA, Civitas, na zona de Fiães, Santa Maria da Feira.
LIMIA, Mansio mencionada no Itinerário XIX em Ponte de Lima.
LORIGA, talvez o antigo nome de Loriga, Seia.
LONGOBRIGA, talvez o antigo nome da actual Longroiva, Meda.
LONDOBRIS, referida por Ptolomeu como uma ilha adjacente à Lusitância que deverá correponder às Berlengas.
MALATECA, Mansio mencionada no Itinerário XII, talvez na zona da Marateca (ver nota 1).
MATUSARO, Mansio mencionada no Itinerário XIV, talvez em Monforte ou Monte de Figueira, Arronches.
MEIDVBRIGA?, civitas dos MEIDVBRIGENSES, povo referido na Ponte de Alcântara; talvez em Freixo de Numão ou em Numão
MERIBRIGA, cidade referida por Ptolomeu no seu Geographia, hoje sem localização conhecida.
MIROBRIGA / MEROBRICA, Civitas, junto a Santiago do Cacém.
(N-Salacia E-Rio Sado O-Costa Atlântica S-Pace Iulia)
MONTOBRIGA, Mansio mencionada no Itinerário XV, talvez na zona de Arronches.
MORON, Chões de Alpompé, Santarém.
MYRTILI / MYRTILIS, Mértola. (N-Ribeiras de Terges e Cobres/Beja O-Castro Verde E-Rio Chança S- Rib. do Vascão/Algarve)
OCCULIS CALIDARUM, Caldas de Vizela.
OLISIPO, OLISIPPONE, Civitas Felicitas Julia Olissipo, Lisboa.
OSSONOBA, Civitas, Faro (E-Rib. de Bias; O-Vale de Albufeira N-Serra do Caldeirão S-Costa Algarvia).
OSTIUM FLUMINIS ANAE, Foz do rio Guadiana, hoje Ayamonte; caput viarum ligando o Algarve a Mérida
PACE IULIA / PAX JULIA, Conventus Pacensis, actual cidade de Beja;
caput viarum no Itinerário XXI e XXII.
Civitas dos PAESURES, povo referido na Ponte de Alcântara com possível capital em Cárquere, Lamego.
PINETUM, Mansio mencionada no Itinerário XVII talvez entre Possacos, Valpaços e Vale de Telhas, Mirandela.
PLAGIARIA, Mansio mencionada no Itinerário XIV e XV, talvez já em território espanhol.
PORTUS HANNIBALIS, porto marítimo referido por Pompónio Mela (De Situs Orbis, III,1), na região de Portimão ou Lagos.
PORTUS MAGNUS, porto marítimo talvez na região da actual Portimão.
PRAESIDIO, Mansio mencionada no Itinerário XVII; talvez no Castro de Codeçoso ou na região de Boticas.
REBORETUM, Mansio mencionada no Itinerário XVII; talvez na Serra do Roboredo, Lamalonga, Macedo de Cavaleiros.
SALACIA, Civitas Urbs Imperatoria, Alcácer do Sal (ver nota 1).
SALACIA, Mansio mencionada no Itinerário XVII a XX milhas de Braga; talvez na Serra da Cabreira, Vieira do Minho.
SALANIANA, Mansio mencionada no Itinerário XVIII a XXI milhas de Braga, hoje Travassos, Vilar, Terras de Bouro.
SARAPIA, mencionada por Plínio, talvez em Santa Margarida do Sado? ou Peroguarda?, Ferreira do Alentejo.
SCALLABIN ou SCALLABIS, Conventus, hoje Santarém, talvez em Pombalinho, Vale de Figueira.
SELLEUM ou SELLIUM, Civitas, hoje Tomar (N-Ansião E-Rio Zêzere O- Colippo S-Scalabin).
SERPA, Mansio mencionada no Itinerário XXI talvez a Serpa actual (ver nota 2).
TABUCCI / TUBUCCI / TACUBIS, Mansio mencionada no Itinerário XV, talvez na Herdade do Carvalhal, Sta. Margarida, próximo do Tramagal.
TALÁBRIGA, Mansio mencionada no Itinerário XVI, talvez no Cabeço do Vouga, Marnel, Lamas do Vouga, Águeda
(recentemente escavado e aberto ao público); (N-Úl E-Costa Atlântica O-Benfeitas S-Mealhada).
Civitas dos TAPORI, povo referido na Ponte de Alcântara com possível capital na região de Castelo Branco.
TONGOBRIGA, Civitas, na actual aldeia de Freixo em Marco de Canaveses. (E-Serra do Marão O-Rio Tâmega S-Rio Douro);
(magníficas ruínas abertas ao público com notáveis monumentos); ver site oficial da
Estação Arqueológica do Freixo.
TURRES ALBAE, cidade referida por Ptolomeu no seu Geographia, hoje sem localização conhecida.
VELADIS, povoação mencionada por Ptolomeu, eventualmente situada em Bobadela, Oliveira do Hospital.
VIPASCA/ Metallum Vipascensis, Minas Romanas em Aljustrel.
Civitas ZOELARUM, Castro de Avelãs?, Bragança; eventual capital do povo Zolae.
Notas:
- nota 1: Devem existir erros nas distâncias entre estações mencionadas no
Itinerário XII de Antonino, porque à luz do itinerário a Mansio SALACIA ficaria bem mais a sul da actual Alcácer.
A mesma dúvida também se coloca nas estações de CAECILIANA e MALATECA.
- nota 2: Há grandes dúvidas em considerar a Mansio SERPA do Itinerário XXI de Antonino com a Serpa actual já que a
distância indicada a EBORA de 13 milhas não é aceitável e poderá ser um mais erro do itinerário. No entanto, na cidade não existem importantes vestígios romanos.
Também se desconhecem as localizações das Mansiones seguintes FINES e ARUCCI, supondo-se que esta última possa corresponder a Moura.
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Rios - Fluminis
Minho MINIUS
Lima LIMIA, LAETHES
Neiva NAEBIS
Cávado CELADUS
Ave AVO, AVUS
Tâmega TAMACO?
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Douro DORIUS, DURIUS
Vouga VACUS, VACCA, VAGIA.
Mondego MONDA, MUNDA
Nabão NABANTIUS
Tejo TAGUS
Sado CALIPODIS ou CALIPUS
Guadiana ANAE
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Glossário
Glossário de termos usados nos itinerários.
- Latim:
-
- Português:
-
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Definições
Dicas importantes para interpretar os itinerários.
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Pontes
-
Vias, Estradas & Calçadas
-
Mapas
Notação utilizada nos itinerários
Abreviaturas
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Bibliografia
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