Vias Romanas em Portugal
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Introdução ao Sistema Viário Romano


A rede viária romana é a maior obra de engenharia da antiguidade em Portugal. Apesar do seu levantamento ter atraído diversos estudiosos, continuamos com mais incertezas do que certezas, pelo que os itinerários propostos são em grande medida conjecturais. Assim, os itinerários aqui publicados tentam fazer uma compilação do conhecimento actual sobre o tema pelo estão constantemente a ser revistos à medida que novos trabalhos de investigação são publicados. ver Histórico de alterações.

Dificuldades
De entre os problemas encontrados para o seu estudo salientam-se os seguintes:
Estado actual
O maior problema na definição dos itinerários é saber como «encaixam» os múltiplos troços espalhados pelo país no vasto sistema viário romano do qual ainda só se conhece um pequena parte. Para além das vias principais mencionadas no Itinerário de Antonino, existiam uma grande quantidade de outras vias que interligavam civitates, vici e portus. Aliás, foi esta teia de comunicações que permitiu o grande desenvolvimento económico durante a época de domínio romano e mostra bem como uma rede viária bem planeada pode potenciar a riqueza de uma região, criando assim um padrão de desenvolvimento em território nacional que subsiste em grande parte até aos dias de hoje.

Outros vestígios importantes
Ao longo dos Itinerários são indicados os vestígios e indícios da antiga via como miliários e mansiones, mas também se indicam outros vestígios directamente relacionados com a via como villae, necrópoles, castros romanizados, explorações mineiras e agrícolas, etc, já que frequentemente estes vestígios estão associados à passagem da via na sua proximidade:
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Sobre as Estradas


A rede de estradas dividia-se em Viae Publicae (também chamadas de Militares ou Consulares) que formavam a rede principal que interligava todo o Império Romano, correspondendo nos dias de hoje as nossas estradas nacionais, as Viae Vicinales, estradas secundárias que ligavam os povoados às grandes vias e as Viae Privatae ou Agrari, caminhos agrícolas ou de acesso privado.

Nada melhor que seguir a explicação Siculus Flaccus, cônsul romano, na sua obra «De condicionibus agrorum»:
«As vias não têm um único estatuto. Existem as Viae Publicae; que são construídas com fundos públicos, recebendo o nome do seu promotor. O Curator Viarum era responsável pela supervisão da via cuja construção era adjudicada a empreiteiros. Para a manutenção de algumas delas é fixada uma determinada soma aos proprietários em função da via em causa. Em contrapartida as Viae Vicinales, partindo das Viae Publicae, servem os campos ou ligam a outras Viae Publicae. São construídas noutras modalidades, pelos responsáveis regionais que, em geral, exigem aos proprietários os trabalhos de manutenção.»
Ler online in «De condicionibus agrorum» Cap. XIX.

Um Sistema Viário
O Cursus Publicus é assim um sistema totalmente hierarquizado, planeado para cobrir todo um território, (é sabido que já na época existia um sistema de distribuição postal que só viria a ser novamente implantado em 1520 com a criação do cargo do Correio-mor, instituindo assim o «serviço público» de correios em Portugal), e apoiado numa rede de estações de apoio aos viajantes, desde as chamadas mutationes, pequenas estações de muda de montadas e condutores, separadas por 10-12 milhas (15-18 km), às chamadas mansiones, albergarias onde os viandantes poderiam reabastecer, saciar a fome e pernoitar. Estas mansiones estavam estrategicamente distribuídas de modo a proporcionar alimentação e repouso no fim de cada etapa do caminho que em média rondariam um pouco menos de 30 milhas (44 km); por curiosidade refira-se que este valor é muito próximo do utilizado entre estações de serviço das nossas actuais auto-estradas. E por fim as stationes que dispunham de guarnição militar para garantir a segurança e o controlo rede viária em locais perigosos ou de passagem obrigatória pelo que eram muitas vezes fortificadas.

Após o fim do Império
Com o fim do período romano, o trânsito dissemina-se por uma infinidade de caminhos secundários sem grandes artérias que o canalizem e concentrem. Os grandes trajectos que ligavam as principais cidades da península ibérica caem em desuso, ficando toda a rede de estradas segmentada em rotas mais curtas. É também aqui que começam as sucessivas alterações, processo que dura até hoje. Perdida que estava a noção de conjunto, a rede foi evoluindo de uma forma natural, sem planeamento, criando novas rotas e abrindo caminhos aqui e além reutilizando troços das antigas vias imperiais, à medida que surgiam novos focos populacionais e uma nova ordem administrativa do país começava a tomar forma durante o período Tardo-Romana e Alto-Medieval. Com as invasões muçulmanas, o fénomeno acentua-se com novas obras de restauro da via romana e mesmo a construção de novas vias, mas é claro hoje que as chamadas Estradas Mouriscas, assim designadas na Idade Média esquecida que estava a sua origem romana, correm na sua maioria pelo leito da antiga via pelo as referências em documentos medievais à «Via Mourisca» são fortes indícios de aí ter passado também a antiga via romana.

Da Idade Média à Idade Moderna
Este emaranhado de Estradas perdurou pela Idade Média com sucessivos restauros ainda bem visíveis por todo o território nacional, com renovação da calçada, construção de pontes e abertura de novas estradas, formando uma rede viária que ainda hoje é visível na nossa rede de estradas. A rede viária só viria a ser reconstruída numa óptica romana a partir de meados do século XIX, com as estradas reais, recuperando a antiga lógica do caminho romano, ou seja, criando grandes trajectos, assegurando a sua manutenção e segurança e retomando o conceito das mansiones através da criação das mala-postas. As antigas Estradas Reais seguiam frequentemente o traçado antigo da via romana. Merece referência, pela sua importância na história da rede viária portuguesa, a obra de Jozé Diogo Mascarenhas Neto , «Methodo para construir as estradas em Portugal», editada no Porto em 1790 que lança as bases do sistema viário nacional a partir dos conceitos romanos.

No século XX
Só nos anos 30 do século passado com o notável trabalho da JAE é que foi possível converter esta rede num sistema rodoviário uniforme, com padrões modernos de circulação e melhor sinalização através da recuperação do conceito de Miliário com os Marcos Quilométricos. Ainda hoje se podem ver muitos destes marcos nas estradas portuguesas, mas infelizmente a maioria já foi arrancada pelo que hoje voltamos a perder a noção do quilómetro nas estradas secundárias. Mas a totalidade dos conceitos introduzidos pela rede viária romana só vieram a ser integralmente aplicados com a construção da rede de auto-estradas, iniciada nos anos 60, mas que só viria a ser completada nos anos 90 com a entrada de Portugal na CEE. Enfim, demoramos quase 2000 anos a recuperar o método de construir de estradas, como aliás quase toda a engenharia romana, no entanto, é inquietante perceber que a tecnologia de construção sempre esteve aqui. Séculos de barbárie não conseguiram destruir este legado e hoje que aprendemos o que ele significa estamos a ponto de o destruir.

Nem todo o caminho de lajes de pedra é romano
Aliás muitas das vias nem sequer utilizam lajes, dependendo do clima da região, dos materiais existentes na proximidade da via, da topologia do terreno e principalmente, da organização que está por detrás da sua construção.
Talvez esta ideia tenha surgido porque nas ruas das cidades romanas, era frequente a utilização de lajes como camada final para melhorar a salubridade pública, facilitando a sua limpeza. Daqui se concluiu erradamente que toda a via romana teria que ser coberta a lajes de pedra calçada. Na realidade não há a certeza que a via romana fosse alguma vez construída com pedra calçada; Como todas as vias romanas foram construídas para veículos com rodados, este pavimento é naturalmente impróprio para a circulação de veículos com rodados a grande velocidade, pelo que se supõe ( ver artigos de Isaac Moreno Galo) que na realidade, as vias tinham um pavimento compactado, liso, suportado por uma forte estrutura.
A tradição histórica de que todas as vias romanas eram calçadas com lajes de pedra e exemplo maior da técnica de construção romana de estradas é vista hoje como uma excepção no contexto do sistema viário romano que procurava a solução mais eficiente em termos económicos e funcionais.

O uso do pavimento em lajes pedra
Sempre que as condições do terreno assim o exigiam, (subidas, montanha, etc), foi utilizada uma camada final em lajes de pedra, mas como a maior parte das calçadas que ainda resistem são de origem medieval, ainda hoje existe esta incerteza quanto à camada final da via romana. Pelo menos sabemos que o facto de ser em calçada, nada diz sobre a origem romana do caminho. Também é possível que ao longo dos séculos este pavimento tenha a pouco e pouco desaparecido, deixando a descoberto somente a estrutura da estrada conhecida por stratal de onde deriva a palavra estrada.

Como identificar sinais de romanidade?
Caminhos estreitos e com grandes declives não são habitualmente romanos. Isto só acontece para vencer obstáculos como rios em troços de montanha; de resto tem que se ver pelo menos algumas características que mostram que a origem do traçado é romano, como um alinhamento perfeito, curvas com arcos de curvatura correctas, uma utilização subtil dos próprios acidentes de terreno (como pedras), em resumo, características que demonstram a utilização de matemática e instrumentos de medida de precisão na sua construção, marcas indubitavelmente romanas. Ver artigo de William Ramsay.

Técnicas Construtivas
A sua construção obedecia aos mesmos princípios, mas com grande variedade de soluções e materiais em função do local de construção; o esquema seguinte indica uma das estruturas possíveis:
Estrutura da Via
fossae e sulci - leito terraplenado e sulcos laterais para escoamento de água.
stratumen - camada inicial ou fundação com grandes pedras irregulares ligadas por uma argamassa.
rudus - camada de cascalho, ou fragmentos de tijolo, e uma camada de cal hidráulica bem pisada.
nucleus - argamassa de gravilha, ou areia grossa, e cal preparada a quente em camadas regulares.
stratum ou summa crusta - uma camada aplanada de pedra poligonal de granito ou quartzo.
e eventualmente uma camada final, lisa e suave feita de cal, areia e cimento para rodados.
Ver artigo de Adam Pawluk.

A discussão continua...
O facto de um caminho antigo ser em calçada nada garante quanto à sua origem romana, na realidade a maior parte das calçadas que vemos hoje são construções medievais, mas algumas de entre elas terão sido construídas sobre a antiga via romana, recalcando o seu anterior traçado e reutilizando os materiais da antiga via. A verdade é que hoje sabemos que via romana era construída procurando a solução mais eficiente em termos económicos e funcionais, adaptando a engenharia de construção às condições no terreno e do clima envolvente, recorrendo por regra aos materiais existentes nas proximidades da via. A utilização de um revestimento em pedra calçada estaria reservada para as zonas declivosas e com forte precipitação de modo a preservar a sua integridade estrutural durante os invernos chuvosos e facilitar a passagem de carros com rodados. Estes factos podem ser observados nas diferentes soluções construtivas adoptadas no norte e no sul de Portugal: Enquanto que no Alentejo, as vias são em geral em terra batida sobre uma estrutura de rudus relativamente simples, no norte do país, prevalecem os grandes troços calçados por vezes com importantes estruturas de suporte para melhor resistirem às intempéries e permitir um traçado em altitude sobre encostas abruptas. Esta discussão sobre a caracterização das vias continua...

Os termos «Via» & «Calçada» nos itinerários
Nos itinerários os termos Via & Calçada significam:
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Sobre os Marcos Miliários


Miliários de Bertiandos Os miliários encontrados ao longo do trajecto são a principal evidência da passagem da via. Ao contrário de pontes e calçadas, não há dúvida quanto à sua origem romana, mas muitos estão deslocados da sua posição original, outros muito danificados, potenciando erros e aumentando as dúvidas sobre a verdadeira rota de passagem da via romana. As suas inscrições são uma fonte crucial para entender o sistema viário romano ao indicar o ponto de partida e as milhas percorridas ou, por vezes referindo os trabalhos de reparação efectuados na via, como é caso do miliário deslocado para o Solar de Bertiandos em Ponte de Lima (na imagem) na frase «vias et pontes temporis vetustate conlapsos restituerunt».

Miliários na Via Nova Sendo um reflexo do momento histórico durante o qual foram esculpidos, também neles é notória a deterioração de toda a organização do império à medida que este caminhava para o seu fim. É evidente a degradação das técnicas utilizadas quando comparamos os magníficos marcos miliários do tempo de Augusto e Adriano que integravam as grandes viae militares, com os marcos toscamente esculpidos do fim do império espalhados por uma infinidade de variantes. As sucessivas alterações políticas e administrativas, com a fundação de novas civitates e logo novos pontos de partida para a contagem das milhas, os caput viae, levam a que hoje se possa encontrar numa mesma via miliários com indicação a dois caput viae diferentes como é o caso da Via XVII que liga Braga a Chaves onde tanto há miliários indicando a distância a Braga como outros que indicam a distância a Chaves. Outro sinal destas alterações, aparecem em alguns miliários cuja marcação de milhas indica a distância, não a cidades importantes mas a fronteiras ou limites territoriais, mostrando que a rede viária estava agora a ser gerida por governos provinciais, mais preocupados com o seu território do que com a sua integração no vasto império.
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Sobre as Pontes


Ao longo dos milhares de quilómetros de vias espalhadas pelo país, existiam um grande número de pontes romanas. Infelizmente a maioria já está destruída, umas pela acção do tempo e das intempéries, outras, a maioria, destruídas propositadamente pelo homem, quer por ignorância, quer pelas sucessivas guerras e invasões que assolaram o nosso território. Assim, muitas das estruturas ditas «romanas» são na realidade toscas reconstruções efectuadas na Idade Média, ou mesmo na Idade Moderna, eventualmente em cima dos alicerces originais.

O número de pontes ditas «romanas» varia muito em função dos critérios adoptados para a sua classificação e é um assunto muito pouco consensual entre os investigadores. A largura e horizontalidade do tabuleiro, a simetria do arcos, as pedras almofadadas e as marcas de fórfex são algumas das características apontadas para certificar a sua origem romana, mas é sabido que nem todas as obras romanas seguiam estritamente este padrão pelo que se torna muito difícil atestar da sua cronologia. Assim a classificação das pontes tenta separar entre pontes com nítidos indícios romanos, quer pelas técnicas construtivas usadas quer pela reutilização de materiais romanos na sua construção, respectivamente «Pontes Romanas» e Pontes «Romano-Medievais», das numerosas pontes ditas «romanas» sem que nada o suporte além de estarem inseridas na provável rota de itinerários romanos.
As grandes pontes romanas em Portugal
Apesar do abandono e quase por milagre em Portugal sobrevivem quatro pontes romanas de grande dimensão que mantêm a traça original, apesar de terem sofrido reparações posteriores:


Todas estão em perfeitas condições rodoviárias e com duas vias de circulação, ainda hoje suportam o tráfego moderno. (tragicamente não se pode dizer o mesmo de algumas pontes modernas...). Como ainda hoje estão integradas na rede nacional de estradas, o viajante menos avisado poderá já ter passado por elas sem se aperceber da sua antiguidade. É o caso da desconhecida Ponte da Pedra, perto de Torre de Dona Chama, concelho de Mirandela, que nem sequer tem uma placa indicando que a sua construção é romana. Todas receberam no entanto alterações, quase sempre pouco felizes como a alteração das guardas, dos pisos (são estradas nacionais...) até ao cimentar dos arcos como na recente intervenção na Ponte de Segura. Todas elas apresentam também fortes evidências da sua origem romana como a horizontalidade, a simetria, a modularidade construtiva e as marcas de fórfex. Ver vídeo sobre a Ponte Romana de Chaves.


Outras pontes em Portugal
Para além destas obras grandiosas, existe um conjunto de pequenas pontes romanas espalhadas pelo país que também merecem ser destacadas. A maioria está ao abandono, apesar de não haver dúvidas quanto à sua origem romana. Nestas pequenas pontes também é possível observar a excelente técnica de construção romana pelo que são monumentos que deveriam receber a atenção dos responsáveis pela protecção do património:

Duas pontes de um só arco inseridas no Itinerário XVII entre Braga e Astorga:

Ponte Romana de S. Lourenço, à saída de Chaves.

Ponte Romana do Arquinho em Possacos, Valpaços.

e várias outras espalhadas pelo país como por exemplo:

Ponte Romana do Arco em Vreia de Jales servindo a exploração mineira de Três Minas.

Ponte Romana da Bobadela junto ao cemitério da aldeia, antiga civitas da região de Oliveira do Hospital.

Técnicas Construtivas
Muitas das obras eram levadas a cabo pelos legionários. Isto exigia a presença de engenheiros integrados nas legiões, transportando aos quatros cantos do mundo conhecido o saber da antiguidade e sendo por isso capazes de planear e construir obras em regiões estranhas e inóspitas, separadas por centenas de milhas, com uma enorme variedade de materiais e num curto espaço de tempo. Com a solidificação da pax romana as grandes obras públicas começaram a ser construídas pelas autoridades civis. Assim muitas outras questões interessantes se levantam, como sejam o desvendar da organização e métodos aplicados na sua construção sobre os quais ainda pouco sabemos. Todo o conhecimento de então foi entretanto perdido pelo homem, numa travessia do deserto que só viria a ser recuperado com o recente e súbito desenvolvimento tecnológico do século XX, se bem que muitos dos segredos construtivos continuem ainda por desvendar. Devido à sua durabilidade, as pontes romanas construídas em pedra são as únicas que chegaram até aos nossos dias, mas é um facto histórico que muitas das pontes romanas foram construídas em madeira (Pons Roboreus), assentes em pilares (Pons Sublicius). Infelizmente os vestígios dessas pontes são extremamente raros pelo que se torna difícil desvendar as técnicas utilizadas na sua construção. Sabemos que a madeira seria usada nas travessias mais acidentadas e quando se pretendia uma construção em tempo recorde. Por exemplo, em A Guerra das Gálias, Júlio César refere a construção de uma ponte em madeira sobre o rio Reno em 10 dias (!). Em Portugal não sabe se existiam pontes deste tipo, embora se possa suspeitar da sua existência em algumas travessias onde não temos vestígios de qualquer ponte em pedra apesar de aí passar seguramente a via romana, mas nestes casos é mais provável que a travessia se fizesse por barcas, um sistema que perdurou até ao século XX.

Uma cartilha de construção
Espalhadas pela Europa e Norte de África, estas obras mostram uma cartilha de construção comum, traduzindo os conhecimentos da época que nos seus princípios gerais, tem permanecido inalterada até aos dias de hoje. Da surpreendente Ponte de Alcântara sobre o rio Tejo, próximo da fronteira Luso-Espanhola de Castelo Branco, à incrível Pont du Gard, ponte-aqueduto sobre o rio Gard em Nimes, passando pela Ponte di Nona, na Via Prenestina em Roma.
Puente de Alcântara, Espanha.    Ponti di Nona, Itália.       Pont du Gard, França.

Partindo de um único módulo base, um arco de volta perfeita assente em dois pilares, era possível construir pontes nos mais variados terrenos, com duas vias, perfeitamente planas e pavimentadas para tráfego rodado. Pegando nesse módulo é possível alterar a dimensão do arco e do pilar de modo a ajustar-se ao local, mas mantendo as proporções entre ambos e assim garantindo a sua robustez sem comprometer a sua horizontalidade.

Ponte de Alcântara
 Esta técnica pode ser observada na Ponte de Alcântara que é sem dúvida o monumento mais importante da rede viária que sobreviveu até aos nossos dias. Para nossa sorte a ponte é facilmente acessível a partir de Portugal porque está localizada junto à fronteira Luso-Espanhola de Segura, a 20 km de Castelo Branco.

  • variando o número de arcos obtém-se a extensão necessária.

  • variando a altura dos pilares obtém-se a altura do tabuleiro pretendida.

Ver vídeo sobre a Ponte Romana de Alcântara

As Marcas de Fórfex
Tenaz Romana
Uma das características mais relevantes para atestar a origem romana destas pontes são as Marcas de Fórfex. Estas são pequenas cavidades em lados opostos dos blocos de pedra, permitiam a entrada do fórfex, ou tenaz, da grua mecânica para levantamento e colocação em posição dos blocos usados na construção da ponte.


Marcas de Fórfex A aplicação de tecnologia avançada, recorrendo a maquinaria pesada, permitia erguer uma ponte com grande rapidez com um número limitado de homens. A velha tradição do uso massivo de mão-de-obra escrava não tem cabimento à luz do que sabemos hoje. Assim muitas outras questões interessantes se levantam, como sejam o desvendar da organização e métodos aplicados na sua construção.

Que futuro para a tecnologia romana
A tecnologia romana de construção de pontes guarda ainda muitos segredos por desvendar porque para além da eficácia óbvia da suas obras, como a durabilidade e a usabilidade, a sua eficiência é no entanto ainda mais surpreendente porque os meios utlizados são bastante reduzidos em face dos resultados, com métodos como a modularidade, a utilização de materiais locais e retirando a energia movente da força motriz dos rios, alimentando assim a maquinaria de apoio à construção. Todo este conhecimento foi entretanto perdido pelo homem, numa travessia do deserto que só viria a terminar nos nossos dias com o recente e súbito desenvolvimento tecnológico. No entanto, o modelo energeticamente eficiente da tecnologia romana continua a ser um verdadeira solução de sustentabilidade que nos poderá ser muito útil no futuro.

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Os documentos


Das fontes originais resta:

Itinerarium O Itinerário de Antonino (Itinerarium Antonini) é sem dúvida o documento mais importante para o estudo das vias romanas. Trata-se de uma compilação de itinerários entre as principais cidades do império indicando a sequência de estações de paragem ao longo da via e indicando as distâncias em milhas entre elas. Estas estações ou mansiones localizavam-se na berma da via para apoio aos viandantes pelo que nem sempre correspondem a povoados importantes, ao contrário das descrições das civitates encontradas noutros documentos como em Plínio, Estrabão e Mela) pois também existiam mansiones em zonas mais despovoadas. Dessa forma algumas das estações indicadas eram travessias de rios (como a estação Ad Atrum flumen, a oriente de Évora) ou pontes importantes (como a Ponte Neviae dos itinerários Braga-Astorga) ou próximo de pequenos vici que por essa razão, ainda hoje não conhecemos a sua localização. De facto, hoje sabemos que algumas destas estações estavam próximas de pequenos povoados, mas junto à via pelo que a localização exacta destas estações é muito difícil. (as mutationes são aparentemente ignoradas). A versão que chegou até nós é uma cópia medieval do original escrito no séc. III d.C. O seu estudo tem levantado sérias dúvidas sobre a exactidão das estações e distâncias mencionadas, sendo provável que os copistas tenham cometido erros na sua transcrição ou até introduzido correcções segundo as suas interpretações. A edição mais conhecida do itinerário foi publicado em Berlin no ano de 1848 pelos editores Gustav Parthey e Moritz Pinder com o título «Itinerarium Antonini Augusti et Hierosolymitanum» pode ser lida aqui.


CIL O Corpo de Inscrições Latinas (Corpus Inscriptionum Latinarum ou CIL) é uma compilação de inscrições latinas iniciada pelo historiador alemão Theodor Mommsen em 1857. Este pediu ao seu discípulo, o epigrafista alemão Emil Hübner, para viajar para a Hispânia afim de fazer o levantamento relativo a esta região. Como resultado dessa viagem que decorreu de Março de 1860 a Outubro de 1861, é publicado em 1869 o Volume II do CIL designado por Inscriptiones Hispaniae Latinae ou CIL II. Posteriormente, em 1871, Hübner publica o Noticias archeologicas de Portugal (ver aqui em pdf - 9,8 Mb) A descoberta de novas inscrições levou Hübner a fazer mais três viagens na década de 80 das quais resultariam a publicação do Supplementum em 1892. No Corpus Inscriptionum Latinarum são referidos os miliários conhecidos na época, alguns dos quais já desaparecidos, pelo que esta obra constitui um documento crucial no levantamento da rede viária romana.


Corografia de Pompónio Mela A Corografia de Pompónio Mela (Pomponii Melae) foi escrita no ano 43 a.C. com o título Uma Descrição do Mundo (De Situ Orbis) sendo também conhecida por De Chorographia. Sendo originário da vizinha Baética, Mela descreve algumas cidades da Lusitânia no capítulo Hispaniae Ora Exterior. Ver aqui o seu mapa-múndi.


Naturalis Historiae A História Natural ( Naturalis Historiae) de Caio Plínio o Velho (Caius Plinius Secundus), obra primordial em 37 livros, onde se descrevem as principais características geográficas das províncias do império romano, enumerando povos, cidades e rios. Não há referências à rede viária mas a indicação das fronteiras e respectivas distâncias, permite-nos deduzir a localização de algumas estações viárias e a sua articulação. Ler em Latim no site de Lacus Curtius e uma tradução para Inglês do site Perseus. Ver também a tradução para italiano de Lodouico Domenichi na biblioteca da FLUL; Em relação ao território português podemos ler uma breve descrição sobre o noroeste da Hispânia (Livro IV - Cap. 34) e um capítulo sobre a Lusitânia (Livro IV - Cap. 35), além de muitas outras referências que foram profundamente estudadas por Amílcar Guerra na sua obra «Plínio-o-Velho e a Lusitânia» (ver bibliografia). Nesse capítulo apresenta a seguinte descrição da Lusitânia:

Começa por uma descrição geral «Universa provincia dividitur in conventus tres, Emeritensem, Pacensem, Scalabitanum, tota populorum XLV, in quibus coloniae sunt quinque, municipium civium Romanorum, Latii antiqui III, stipendiaria XXXVI. coloniae Augusta Emerita, Anae fluvio adposita, Metellinensis, Pacensis, Norbensis Caesarina cognomine; contributa sunt in eam Castra Servilia, Castra Caecilia. quinta est Scalabis quae Praesidium Iulium vocatur. municipium civium Romanorum Olisipo, Felicitas Iulia cognominatum. oppida veteris Latii Ebora, quod item Liberalitas Iulia, et Myrtilis ac Salacia, quae dixmu» («Toda a província divide-se em três circunscrições, Emeritense, Pacense e Escabilitano, totalizando 45 povoações, entre as quais 5 são colónias, um é município com cidadania Romana, 3 detêm os antigos direitos Latinos e 26 são tributárias. As colónias são Augusta Emerita, situada junto do rio Guadiana, Metallinum, Beja e Cáceres, cognominada de Cæsariana. A quinta colónia é Scallabis, também chamada de Præsidium Julium. Lisboa, cognominada de Felicitas Julia, é Município com cidadania romana. As cidades com os antigos direitos Latinos são Évora, também chamada de Liberalitas Iulia, Mértola e Alcácer, já mencionadas anteriormente.»)

Segue-se uma extensa, mas não exaustiva lista de populi e civitates da Lusitânia, «Stipendiariorum quos nominare non pigeat» («entre os tributários que merecem ser mencionados estão os) «Augustobrigenses, Aeminienses, Aranditani, Arabricenses, Balsenses, Caesarobrigenses, Caperenses, Caurienses, Colarni, Cibilitani, Concordienses, Elbocori, Interannienses, Lancienses, Mirobrigenses qui Celtici cognominantur, Medubrigenses qui Plumbari, Ocelenses, Turduli qui Bardili et Tapori», cujas capitais e limites territoriais continua ainda em parte por decifrar. Ver abaixo listagem de povos romanos.


Cosmografia de Ravena A Cosmografia do Anónimo de Ravena (Ravennatis Anonymi Cosmographia), obra em cinco volumes escrita no séc. VII d.C. por um desconhecido monge do Mosteiro de Ravena, provavelmente a partir de um original romano do qual se desconhece o paradeiro. O documento enumera as cidades e povoados existentes em cada região do império e apesar de não indicar as distâncias entre si é possível fazer um paralelismo entre a sequência com que são listadas com a sequência de estações viárias apresentadas no Itinerário de Antonino pelo que se torna um documento muito importante para o estudo das vias romanas. Ver aqui uma reconstrução do seu mapa-múndi.


Geografia de Ptolomeu A Geografia (Geographia) de Cláudio Ptolomeu (Claudius Ptolemaeus) escrito no séc. II d.C., contendo as coordenadas geográficas das cidades e rios do mundo conhecido da época, incluindo a Lusitânia e a província Tarraconense. Ver aqui uma reconstituição de um mapa-múndi e de um mapa da Hispânia baseado nas suas coordenadas.


Geografia de Estrabão A Geografia (Geographia) de Estrabão (Strabo), obra em 17 Livros, escrita no ano 17 d.C. Em 1878 Gabriel Pereira publicou uma tradução em «Descrição da Península Ibérica Livro 3º da Geografia de Strabão». Ver aqui a reconstituição do seu mapa-múndi.


Papiro de Peutinger O Papiro de Peutinger ou Tabula Peutingeriana é uma cópia de um mapa romano com 7 m de comprimento efectuada em 1265 por um monge alsaciano e descoberto em 1508 por Konrad Peutinger (1465-1547) em Viena. A partir daí tomou o seu nome e passou a ser chamada de Tabula Peutingeriana. Segundo Konrad Miller que fez a primeira edição moderna em 1887, o mapa teria sido baseado num mapa-múndi de Castorius (séc. IV) sem muita fundamentação. Infelizmente o mapa não dispõe de dados sobre o território português pois falta a primeira folha onde estaria representada a Península Ibérica e a parte mais ocidental das Ilhas Britânicas. Estando mais exposta ao uso, esta primeira folha papiro acabou por chegar ao século XVI já irremediavelmente danificada. (ver aqui a hipotética reconstituição de Konrad Miller).


Tabulas de Astorga O Itinerário de Barro de Astorga ou Tabellae de Astorga é um conjunto de quatro placas de argila, em exposição no Museu Arqueológico das Astúrias em Oviedo, contendo cada uma um itinerário da Hispânia romana, dos quais só uma contém um itinerário que passa em território nacional, a Via Asturicam ad Bracaramna Tábua IV,. Apesar da sua autenticidade ter sido sempre muito contestada, alguns historiadores como Antonio García Bellido e Albert Tranoy sustentam a sua autenticidade. Ver trabalho de Antonio García y Bellido, publicado em 1975.


Itinerário de Gades O Itinerarium Gaditanum ou Itinerário de Gades, gravado no séc. I d.C. em quatro vasos de prata cilíndricos, chamados Vasos Apolinares por terem sido descobertos em 1852 no lago das termas Aquae Apollinares em Vicarello, perto de Roma, descreve a rota entre esta cidade e Gaditana, a actual Cádiz, pelo que também não se refere ao território Português.


Vitruvio O De architectura ou Tratado de Arquitectura, escrito por Marcus Vitruvius Pollio, é sem dúvida o livro mais importante sobre tecnologia romana que chegou até nós. Obra escrita em dez volumes no primeiro século da nossa era. Infelizmente o autor não se refere especificamente à construção de vias, embora num capítulo sobre pavimentos aborde alguns dos princípios construtivos comuns à construção de estradas. (Ler aqui a versão original em Latim, uma tradução para Inglês ou esta tradução para Castelhano)

Para um maior aprofundamento do tema arquitectura e da engenharia romana ver o trabalho de Isaac Moreno Gallo.

Novo Curiosamente, um obra tão importante para o mundo cotemporâneo esteve sem edição em Português até 2007, ano em que Justino Maciel publicou a sua excelente tradução. - ver aqui notícia.


Artemidoro O Papiro de Artemidoro é um rolo de 2,5 m do séc. I a.C. descoberto em 1994 em Antaiopolis no alto Egipto e que apresenta um mapa da Península Ibérica, mas infelizmente não existe qualquer legenda que revele o nome dos rios, estradas e cidades nele representadas. Tornou-se assim na carta geográfica mais antiga que se conhece da antiguidade e claro também a mais antiga representação da Península Ibérica. O papiro contém também uma transcrição em grego do prólogo do Livro II da monumental obra em 11 volumes do geógrafo grego Artemidoro de Éfeso, intitulada Geographoumena hoje desaparecida e que apenas se conhecia por citação de outros autores posteriores como Estrabão. Neste texto é apresentada uma descrição geográfica da Hispânia, percorrendo os principais pontos do périplo marítimo pelo que as distâncias são apresentadas em stadia. Ver a leitura do texto feita por Luis Fraga da Silva


Diplomata et Chartae O Portugaliae Monumenta Historica (PMH) é uma compilação de documentos históricos organizada por Alexandre Herculano e publicada pela Academia Real das Ciências de Lisboa em quatro grandes tomos entre 1856 e 1888, incluindo uma colecção de 952 documentos do século IX ao XII recolhidos nos cartórios conventuais do país, os «Cartularios», agrupados sobre o título de Diplomata et Chartae (DC), contendo variadíssimas informações com relevância para o estudo da viação romana porque neles há muitas referências a velhas estradas em expressões como Karraria Antiqua, Via Antiqua ou Via Mourisca. Atendendo a que poucas estradas se construíram desde o fim do império romano até ao século IX, é muito provável que estas sejam de facto vias romanas; (Ler obra completa na Biblioteca Nacional PMH, 1867-1873; Ver artigos: Pereira, 1907; CAF Almeida, 1970 e CAB Almeida 1999).

 Segue uma lista detalhada, mas não exaustiva, dessas referências:
Diplomata et Chartae
Doc.Pág.LocalReferênciasVia
012007Lavrakaria antiqua usque i mare Porto Caminha
013008Sta. Eulália do Covokarraria antiqua e estrata de uereda Famalicão Barcelos
017011Dumevia quam dicunt de Vereda VIA NOVA
082051Vizelaper carraria Braga Mérida
067038Póvoa do Varzimper carraria maurisca Porto Caminha
101064Mesão Friocarrale antiqua Vila Real Mesão Frio
104066Mealhadavia antiquaMealhada Bobadela?
106067Vimieirakarraria de illa Vimeneira VIA XVI
114072St. Comba Dãovia antiquaCoimbra Bobadela?
151094Guilhabreucarreira antiquaVIA XVI
287175Santo Tirsocarrariam antiquam que uadit pro ad illum pontem petrinum Via Vimaranes
366 223Monte Córdovacarera antiqua Via Vimaranes
443276 Cossourado, Barceloscarraria antiqua Barcelos Ponte de Lima
459287Forneloscarraria antiqua  e caria antiqua Braga Viseu
570344Paçô, A. de Valdevezcarreira antiqua Braga Monção
614368Romarizvia maurisca Porto Viseu
639382Aroucacarraria antiqua, carreira antiqua  e via antiqua Porto Viseu et alii
676404Antanhol, Coimbravia publica VIA XVI
688412Marco de Canavesescarraria antiqua Braga Mérida
833497S. Tomé de Negreloscararia antiqua Via Vimaranes
864512Ponte da Lagoncinhaponte antiqua de flumine Avie  e carreira que dividet aquam inter Lezam et Sanguinietum VIA XVI e Via Vimaranes
888527Caldas de Aregoskarraria antiqua usque plicat inter ambas pausadas Braga - Viseu
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E em Portugal?
Em 1571, o humanista português Francisco de Holanda escreve a sua primordial obra sobre o urbanismo de Lisboa «Da Fabrica que falece ha Cidade de Lysboa», onde refere alguns vestígios da rede viária romana, como sejam as «calçadas de scilice» nas Mestas de Montargil, a Pontes Romana de Sacavém e a Ponte Romana «acima de Abrantes», ambas já desaparecidas.

André de Resende
Mas é só com André de Resende, pioneiro da arqueologia em Portugal, que se começa a sistematizar o estudo da época romana, principalmente após a publicação póstuma em 1593 da sua obra «Antiguidades da Lusitânia» - «De Antiquitatibus Lusitaniae», onde dedica um capítulo às vias romanas («De Viis Militaribus»). Ler o interessante artigo de José d'Encarnação «Politicamente falsários» (1998, PDF com 8.9 Mb), comentando a falsificação de inscrições feita por Resende.

Outros se seguiram
Na mesma época, João de Barros publica o seu «Geografia de Entre-Douro-e-Minho» e em 1597 Frei Bernardo de Brito (1569-1617) publica o «Geographia antiga de Lusytania» (Ler online) seguida da sua primordial obra sobre a história de Portugal em 8 partes com o título de «Monarchia Lusytana» (Ler online), da qual apenas redigiu as duas primeiras partes, tendo publicado a primeira em 1597 e a segunda em 1609. Gaspar Estaço (156_?-1626), Cónego da Colegiada de Guimarães, publica em 1625 «Várias Antiguidades de Portugal» (Ler online), em 1652, Luis Marinho de Azevedo publica o «Antiguidades e Grandezas da Mui Insigne Cidade de Lisboa» (Ler online), em 1706 o Padre António Carvalho da Costa publica a sua importante obra «Corografia Portuguesa» com o subtítulo de «discripção topographica do famoso Reyno de Portugal com as noticias das fundaçoens das cidades, villas e lugares que contem, varoens illustres, genealogias das familias nobres, fundaçoens de conventos, cathalogos dos bispos; antiguidades, maravilhas da natureza, edificios, e outras curiosas observações» (Ler online) e em 1762 João Baptista de Castro publica o «Mappa de Portugal Antigo e Moderno» que inclui o «Roteiro Terrestre de Portugal» com uma compilação das principais rotas terrestres existentes na época e que seguem em grande parte os antigos trajectos romanos (Ler online).

Padre Mattos Ferreira e Contador de Argote
Mais tarde, em 1728, o Padre José de Mattos Ferreira, pároco de Amares, publica os miliários por si encontrados na «Via Romana do Gerês (Geira)» num levantamento feito em 1721 que voltaria a ser publicado em 1734 por D. Jerónimo Contador de Argote no seu «Memórias para a História Ecclesiástica do Arcebispado de Braga».

Padre Martins Capella
Com a explosão do interesse pela arqueologia no século XIX, os historiadores portugueses inspirados pelo trabalho de Emil Hübner para o CIL, começam a publicar sobre o assunto. Em 1895, o Padre Martins Capella publica o seu «Miliários do Conventus Bracara Augustanus em Portugal» e Martins de Sarmento publica diversos artigos sobre os marcos miliários da região. Referir que a Sociedade Martins de Sarmento em Guimarães disponibiliza estes artigos online no seu site. Ler artigo de A. Tranoy - «La route, image et instrument du pouvoir impérial dans le nord-ouest ibérique»

Mário Saa
Em Portugal não há muitas obras sobre a rede viária romana no seu conjunto com a notável excepção de «As grandes vias da Lusitânia: o itinerário de Antonino Pio», obra em 6 volumes de Mário Saa, publicada entre 1951 e 1967, constituindo um relato das suas prospecções efectuadas ao longo de vinte anos e cujo espólio por si recolhido está exposto na Fundação Arquivo Paes Teles no Ervedal, concelho de Avis, nomeadamente a ara dedicada aos lares viales do Monte das Esquilas (Monforte) e dois miliários, um miliário a Constantino Magno proveniente do Casal da Pocariça (Lagoa Grande, Bemposta, Abrantes) e o miliário a Tácito proveniente da Capela da Ns. dos Prazeres em Vale de Açor (Ponte de Sor), IRCP 666a. Esta meritória fundação preserva ainda a sua biblioteca e prevê expôr em breve todo o espólio arquelógico ali depositado depois deste ter sido recentemente inventariado. (Encarnação, 1995; Mantas, 2010)

Panorama actual
O estudo das vias sempre foi muito disseminado por diversas publicações como monografias, artigos, actas de congressos, revistas, etc. Como esses estudos focam muitas vezes apenas num concelho ou numa região, carecem de uma visão de conjunto que é crucial para entender os itinerários. O Prof. Jorge Alarcão dedica um capítulo da sua obra «O Domínio Romano em Portugal» onde apresenta um excelente resumo dos principais itinerários e muitos outros autores como Vasco Mantas, Sande Lemos, Rodriguez Colmenero, Brochado de Almeida, Alain Tranoy, Patrick Le Roux, Inês Vaz, Tavares Dias, Augusto Baptista e Manuel Maia, só para citar alguns, têm dedicado grande parte do seu trabalho ao estudo do sistema viário romano e assim aumentando o nosso conhecimento sobre a questão. Hoje sucedem-se as publicações sobre o assunto e parece que finalmente ele tem o destaque que merece. Actualmente são muitos os autores que têm publicado regularmente trabalhos sobre o sistema viário romano como, Luis Fraga da Silva, Francisco Bilou, Seabra Lopes, Sandra Rodigues, André Carneiro, e Ver abaixo a bibliografia sobre vias romanas.

Na Rede
Existem algumas iniciativas interessantes na web entre as quais destacam-se os seguintes:
Bases de Dados Online
Existem algumas bases de dados online de sítios arqueológicos nacionais:
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Os Itinerários de Antonino em Portugal


Os itinerários aqui apresentados baseiam-se nas páginas digitalizadas por Gonzalo Arias na sua revista «El Miliário Extravagante» dedicada à viação romana especialmente em Espanha, com algumas pequenas correcções propostas pelo Prof. Jorge Alarcão. Existem diversas versões corrigidas do itinerário quer alterando o nome das mansiones pois não existe um consenso sobre o assunto. No entanto a evidência arqueológica mais recente tem demonstrado que o itinerário está bem mais próximo da realidade no terreno do que se pensava inicialmente.
- m.p. milia passum, mil passos, milha romana.
- milia, aproximadamente 1480 m (bastante variável).
- stadia, estádio, aproximadamente 184.7 m (usada em navegação).
Via XII 12    gif
Lisboa a Mérida
Item ab OLISIPONE
EMERITAM
m.p. LXI
AQUABONA
CAETOBRIGA
CAECILIANA
MALATECA
SALACIA
EBORA
AD ATRUM FLUMEM
DIPONE
EVANDRIANA
EMERITA
m.p. XII
m.p. XII
m.p. VIII
m.p. XXVI
m.p. XII
m.p. XLIIII
m.p. VIIII
m.p. XII
m.p. XVII
m.p. VIIII
Via XIV 14    gif
Lisboa a Mérida
Alio itinere ab
OLISIPONE EMERITAM
m.p. CLIIII
ARITIO PRAETORIO
ABELTERIO
MATUSARO
AD SEPTEM ARAS
BUDUA
PLAGIARIA
EMERITA
m.p. XXXVIII
m.p. XXVIII
m.p. XXIIII
m.p. VIII ?
m.p. XII
m.p. VIII
m.p. XXX



Via XV 15    gif
Lisboa a Mérida
Item alio itinere ab
OLISIPONE EMERITAM
m.p. CCXX
IERABRIGA
SCALLABIN
TABUCCI
FRAXINUM
MONTOBRIGA
AD SEPTEM ARAS
PLAGIARIA
EMERITA
m.p. XXX
m.p. XXXII
m.p. XXXII
m.p. XXXII
m.p. XXX
m.p. XIIII
m.p. XX
m.p. XXX


Via XVI 16    gif
Lisboa a Braga *
Item ab OLISIPONE
BRACARAM AUGUSTAM
m.p. CCXLIIII
IERABRIGA
SCALLABIN
SELLIUM
CONIMBRIGA
AEMINIO
TALABRIGA
LANGOBRIGA
CALEM
BRACARA
m.p. XXX
m.p. XXXII
m.p. XXXII
m.p. XXXIIII
m.p. X
m.p. XL
m.p. XVIII
m.p. XIII
m.p. XXXV

Via XVII 17    gif
Braga a Astorga
Item a
BRACARA ASTURICAM
m.p. CCXLVII
SALACIA
PRAESIDIO
CALADUNO
AD AQUAS
PINETUM
REBORETUM
COMPLEUTICA
VENIATIA
PETAVONIUM
ARGENTIOLUM
ASTURICA

m.p. XX
m.p. XXVI
m.p. XVI
m.p. XVIII
m.p. XX
m.p. XXXVI
m.p. XXVIIII
m.p. XV
m.p. XXVIII
m.p. XV
m.p. XXIIII

Via XVIII 18    gif
Braga a Astorga
Item alio itinere a
BRACARA ASTURICAM
m.p. CCXV
SALANIANA
AQUIS ORIGINIS
AQUIS QUERQUERNNIS
GEMINAS
SALIENTIBUS
PRAESIDIO
NEMETOBRIGA
FORO
GEMESTARIO
BELGIDO
INTERERACONIO FLAVIO
ASTURICA
m.p. XXI
m.p. XVIII
m.p. XIIII
m.p. XVI
m.p. XVIII
m.p. XVIII
m.p. XIII
m.p. XVIIII
m.p. XVIII
m.p. XIII
m.p. XX
m.p. XXX
Via XIX 19    gif
Braga a Astorga
Item a BRACARA
ASTURICAM
m.p. CCXCVIIII
LIMIA
TUDAE
BURBIDA
TUROQUA
AQUIS CELENIS
TRIA
ASSEGONIA
BREVIS
MARCIE
LUCO AUGUSTI
TIMALINO
PONTE NEVIAE
UTTARIS
BERGIDO
INTERAMNIO FLUVIO
ASTURICA
m.p. XVIIII
m.p. XXIIII
m.p. XVI
m.p. XVI
m.p. XXIIII
m.p. XII
m.p. XIII
m.p. XXII
m.p. XX
m.p. XIII
m.p. XXII
m.p. XII
m.p. XX
m.p. XVI
m.p. XX
m.p. XXX
Via XX 20    gif
Braga a Astorga
Item per loca maritima a
BRACARA ASTURICAM usque
AQUIS CELENIS
VICO SPACORUM
AD DUOS PONTES
GRANDIMIRO
TRIGONDO
BRIGANTIUM
CARANICO
LUCO AUGUSTI
TIMALINO
PONTE NEVIAE
UTTARI
BERGIDO
ASTURICA
m. p. CLXV
stadia CXCV
stadia CL
stadia CLXXX
m.p. XXII
m.p. XXX
m.p. XVIII
m.p. XVII
m.p. XXII
m.p. XII
m.p. XX
m.p. XVI
m.p. L



Via XXI 21    gif
Castro Marim a Beja
Item de ESURI a
PACE IULIA
m.p. CCLXVII
BALSA
OSSONOBA
ARANNIS
Sarapia?
SALACIA
EBORA
SERPA
FINES
ARUCCI
PACE IULIA
m.p. XXIIII
m.p. XVI
m.p. LX
m.p. XXXV?
m.p. XXXV
m.p. XLIIII
m.p. XIII
m.p. XX
m.p. XXV
m.p. XXX






Via XXII 22    gif
Castro Marim a Beja
Item ab ESURI
per compendium *
PACE IULIA
m.p. LXXVI **
MYRTILIS
PACE IULIA
m.p. XL
m.p. XXXVI
*per compendium, ou seja, pelo caminho mais curto ou atalho.
**corresponde à distância actual entre Beja e Castro Marim.
Via XIII 13    gif
A SALACIA OSSONOBA        m.p. XVI
Esta «Salacia» seria muito provavelmente o porto romano existente em Vilamoura no sítio a arqueológico do Cerro da Vila que fica precisamente a 16 milhas de Faro. Em alternativa, poderia indicar a distância a Alcácer do Sal, também designada por Salacia, mas par isso teria que existir uma erro na transcrição das milhas, podendo faltar um «C», o que daria CXVI milhas, cerca de 172 Km, que é próximo da distancia actual entre Faro e Alcácer do Sal que é cerca de 185 Km.
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As Tabulas de Astorga


As chamadas Tabulas de Astorga são um conjunto de quatro placas de argila, cada uma contendo um itinerário da Hispânia romana, das quais só a Tabula IV se refere ao actual território português apresentando um itinerário alternativo entre Astorga e Braga.

Via Asturicam ad Bracaram
[VI]A ASTV[RICA] AD BRACARA
ARGENTIOLVM
PETAVO[NIV]M
VI[NIATIA]
COM[PLEV]TICA
ROB[ORE]TVM
AD AQVAS
AQVIS ORIGINIS
SALA[N]IA
BRACARA
C. LEp. M. II. VIR
V
VIII
[...]
XII
XII
XV
VII
X
XII
 Este itinerário é uma combinação das vias 17 e 18 dos Itinerários de Antonino. A placa indica uma rota idêntica à via 17 no troço entre Asturica e Ad Aqvas em Chaves, mas a partir daqui rumava para Noroeste, talvez por Montalegre, até atingir Aqvis Origini, estação pertencente à via 18 ou Via Nova. Daqui rumava a sul por esta via até Bracara, atravessando a Serra do Gerês pela Portela do Homem e passando na Mansio Salaniana. As distâncias indicadas não concordam com as dos Itinerários de Antonino sendo bastante inferiores (erro? diferentes unidades?).
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Os Lares Viales


Para além dos marcos miliários, as inscrições designadas por Lares Viales estão directamente relacionadas com a passagem da via e são assim decisivos para a identificação de vias romanas. Estas inscrições apresentam-se habitualmente como aras votivas dedicadas às divindades protectoras das vias, estradas ou caminhos. Apesar de serem de carácter genérico, quando encontradas in situ indiciam que a via passaria muito próxmo desse local.

Aras dedicadas aos Lares Viais encontrados em território português
Onde apareceu Onde está Comentário
Ara aos Lares Viales
Paço Episcopal, Braga

Museu
D. Diogo de Sousa
, Braga
n.º 1992.0570
Leitura: LARIBVS / VIALIBVS / MATER/NVS / RUFI (filius) / L(ibens) A(nimo) P(osuit)
Tradução: Aos Lares das Vias, Maternus, filho de Rufus, de livre vontade colocou.

Esta ara foi encontrada nos jardins do Paço Episcopal de Braga juntamente com uma outra que infelizmente está desaparecida com a seguinte inscrição: ()LARIB(us) VIALI/bus FL(avius) SA/BINUS V(otum) / S(olvit) L(ibens) M(erito) (CIL II 2417)
Tradução: Aos Lares das Vias, Flávio Sabino, cumpriu o seu voto de boa vontade. (Colmenero et alii, 2004)
Ara aos Lares Viales
Largo de S. Francisco, Braga

Museu
D. Diogo de Sousa
, Braga
n.º 1996.0812
Leitura: LARIBVS VIALIBV[S] SACR[VM] [C(aius) IV]LIVS [S]ATV[R(ninus)] A(nimo) L(ibens) V(otum) S(olvit)
Tradução: Consagrado aos Deuses Viários. Gaio Júlio Saturnino cumpriu o voto de livre vontade.

Descoberta durante as obras do parque subterrâneo no Largo de S. Francisco, ao cimo da Av. Central, antiga porta da cidade romana talvez ligada à via XVIII pelo esta via deveria seguir a Rua de Chãos e Rua de S. Vicente. (Ver Armandino Cunha et alii, 2005).
Ara aos Lares Viales do Monte das Esquilas
Monte das Esquilas
Monforte
Casa-Museu da Fundação
Paes Teles
Ervedal, Avis
Leitura: LARIBVS / VIALIBVS / L(ibens) P(osuit) // LARIBVS / TOPILLIVS
Tradução: Aos Lares protectores das vias, de livre vontade colocou.

Inscrição aos Lares Viales e na outa face, aos Lares Topillii, recolhida por Mário Saa. (Mantas, 2010). Esta inscrição prova que passava uma via romana no Monte das Esquilas que só poderia ser a Via Lisboa-Mérida ou Itinerário XIV de Antonino que vinha por Alter do Chão (ou uma das suas variantes) e como este local fica a 24 milhas de Alter do Chão, é muito provável que aqui se situasse a mansio de Matusaro referida no Itinerário.
Ara aos Lares Viales de Conímbriga

Conímbriga

Conímbriga
Museu
Monográfico
n.º 67381
Leitura: LARIBV[S] / [V]IALIB(us) /
Tradução: Aos Lares protectores das vias...

Inscrição aos Lares Viales achada na área urbana de Conímbriga muito perto da saída da via para Aeminium e Collipo, próximo do edifício onde se supõe ter existido uma estalagem e que bem poderia ser a própria mansio da cidade (Mantas, 2010).
Igreja Paroquial de Castelo do Neiva Museu Pio XII em Braga Inscrição: VAL / RUF / LA·R·V / P
Leitura: Val(erius) / Ruf(us) / La·r(ibus) v(ialibus) / p(osuit)
Tradução: Valerius Rufus aos Lares dos Caminhos, colocou. (AE, 1985, 555)

Esta ara votiva apareceu em 1931 durante as obras de ampliaçao da Igreja Paroquial e foi interpretada por Brochado de Almeida como uma inscrição aos Lares Viales, embora ainda subsistam dúvidas nessa interpretação com a seguinte variante: LA(ribus) ) RV(ralibus), ou seja, aos deuses rurais. Mas acaso esteja correcta a primeira versão, esta estará certamente relacionada com a via romana «per loca maritima» proveniente do Porto que atravessava o rio Cávado na Barca do Lago e o rio Neiva junto do Castro de Moldes/Castelo do Neiva. (Santos, 1945; Almeida CAB, 1986, 78-79)
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Os Terminus Augustalis


As inscrições denominadas como Terminus Augustalis delimitavam os territórios dos povos durante o domínio romano. Apenas se conhecem 6 dessas peculiares inscrições em território nacional, o que está na Igreja Paroquial de Úl em Oliveira de Azeméis, o que está na Portela do Guardão na Serra do Caramulo, o da aldeia de Salvador em Penamacor e o que apareceu em Peroviseu no Fundão. Os restantes Termini Augustalis apareceram na região de Lamego, estando um deles encastrado na parede exterior da Capela Visigótica de S. Pedro de Balsemão e o outro enterrado ainda in situ junto ao Castro de Goujoim em Armamar. Apesar de a sua existência não estar directamente relacionada com a via, sendo marcos de divisão de território, elas ajudam a definir o mapa geográfico onde se insere a rede viária.

Términos Augustais conhecidos
Localização
Inscrição Leitura e Comentário
Guardão, Tondela (encastrado na Capela de S. Bartolomeu)
Terminus Augustalis de Guardão de Baixo IMP CAESAR DIV / XIII TRIB POTEST / AVGVST INTER / IESES Q ARTICLEI / CAVSA COGNIT Imp(erator) Caesar Div[i f(ilius) Augustus co(n)s(ule)] / XIII trib(unicia) potest[ate --- terminos] / August(ales) inter [---]/ie(n)ses Q(uinto) Artic(u)le[io Regulo leg(ato) ---] / causa cognit[a ---]

Na inscrição não é claro os povos que delimita, mas segundo João Inês Vaz, as letras INTER...IESES poderão ser lidas como INTERANNIENSES povo referido por Plínio no seu Naturalis Historiae (NH, IV, 35, 117) e cuja capital poderia ser em Viseu. Sendo assim este Terminus delimitava o território entre a civitas de Viseu e uma das outras capitais adjacentes, ou seja, Talabriga ou Bobadela. Assim a leitura seria: «Pelo Imperador César Augusto, filho do divino, detentor do poder tribunício pela décima terceira. Terminos Augustales Interannienses Quinto Articuleio, por causa conhecida.»
Igreja Paroquial de Úl em Oliveira de Azeméis (encastrado na parede das traseiras) Terminus Augustalis de Úl [ ]ARE AVGVSTO TRIBVNI / [ ] XXVII COS XIII PATER / [ ]RMINVS AVGVSTALIS / [Imp(eratore)] / [Caes]are Augusto tribuni(cia) / [pot(estate)] XXVII co(n)s(ule) XIII pater(!) / [te]rminus Augustalis

Não refere os povos cujos territórios demarcava, mas é bem provável que marcasse a fronteira entre o território das civitates de TALABRIGA e LANGOBRIGA, capital dos TURDULI VETERES povo que habitava o que hoje é grosso modo os concelhos de Vila Nova de Gaia e Feira.
Capela visigótica de S. Pedro de Balsemão, Lamego
(encastrado na
parede da frontaria)
Terminus Augustalis de Balsemão, Lamego CLAVDIO CAESARE A[..] / GERM. PONT. MAX. TRIB[VN.] / POTEST. II IMp. II CO[S.] / III TERM. AVG. Cláudio Caesare A(ugusto) / Germ(anico) pont(ifici) max(imus) trib[un](icia) potest(ate) II Imp(erator) II co(n)[s](ul) III Term(inus) Aug(ustalis)

Infelizmente não refere os povos cujos territórios demarcava, mas é possível que se trate da divisão entre os COILARNI e os PAESURI ainda que com reservas. CIL II 6199
Castro de Goujoim
Lameiras, Goujoim,
Armamar

(próximo do castro)
Terminus Augustal de Goujoim
INTE[ ] / COILA[ ] / [ ] / [ ]RI AVG GE[ ] / [ ]ONT MAX TR[ ] / [ ]V POTESTATE V / I P P COS III TER / MI AVG / ITER / RABA[ ]
Inte[r] / Coila[r(nos?)] // [--- Cláudio Cae]/[sa]ri Aug(usto) Ge[r(manico)] / [p]ont(ifici) max(imo) tr[i]/[b]u(nicia) potestate V/I p(atri) p(atriae) co(n)s(uli) III ter/mi(nus) Aug(ustalis) // I(n)ter / Raba[---]

Marcaria a divisão territorial entre os COILARNI de Lamego e os ARABRIGENSES de Moimenta da Beira. A inscrição encontra-se in situ no lugar das Lameiras a 1.500 m a NE de Goujoim, junto ao antigo castro. (Vaz, 1979).
Peroviseu, Fundão
(apareceu encastrado na casa paroquial de Peroviseu e hoje está no Museu do Fundão)
Terminus Augustal de Peroviseu IMP CAESAR AVG PONTIFEX / MAX TRIB POTEST XXIIIX COS XIII / PATER PATRIAE TERMINVS AVGVSTALIS / INTER LANCIENSES ET IGAEDITANOS. Imp(erator) Caesar Aug(ustus) pontifex / max(imus) trib(unicia) potest(ate) XXIIX co(n)s(ul) XIII / pater patriae terminus Augustalis / inter Lancienses et Igaeditanos

Demarcando o limite norte dos IGAEDITANI, com capital em Idanha-a-Velha e os LANCIENSES com provável capital na região do Sabugal; Deverá ser uma cópia efectuada no século XVIII. A inscrição está hoje em exposição no Museu Arqueológico José Monteiro no Fundão.
Salvador, Penamacor
(sem paradeiro
conhecido)
Terminus Augustal de Salvador/Peroviseu IMP CAES AVG PONT / MAX TRIB POT XXVIII / COS XIII PAT PATR / TERM AVG INTER / LANC OPP ET / IGAEDIT.

(desaparecida, a foto é do término de Peroviseu)
Imp(erator) Caes(ar) Aug(ustus) pont(ifex) / max(imus) trib(unicia) pot(estate) XXVIII / co(n)s(ul) XIII pat(er) patr(iae) / term(inus) Aug(ustalis) inter / Lanc(ienses) Opp(idanos) et / Igaedit(anos)

Lanciensis Transcudani versus Lanciensis Oppidani
A inscrição foi registada no CIL II com o n.º 460, mas hoje está desaparecida. O texto que se lê no CIL II é quase idêntico ao do término encontrado em Peroviseu e indicaria a fronteira entre os IGAEDITANI de Idanha-a-Velha e os LANCIENSES. No entanto, atendendo às pequenas diferenças entre as duas epígrafes, nomeadamente nas letras OPP na sequência da palavra Lancienses, é provável que esta se referi-se aos LANCIENSES OPPIDANI em vez dos LANCIENSES TRANSCUDANI do término de Peroviseu que estariam assim mais a norte. A existência de duas tribos diferentes é suportada por Ptolomeu que refere Lancia Oppidana como um dos oppida dos Vettones e ainda mais pela famosa inscrição da Ponte de Alcântara que indica que ambos os povos contribuíram para a sua construção.
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Outros Marcos Territoriais


Para além dos Terminus Augustalis, existem uma série de inscrições que são interpretadas como marcos territoriais, demarcando as fronteiras entre povos.

Outros Marcos Territoriais
Localização Inscrição Comentário
Outeiro de Jusão, Samaiões, Chaves
Marco divisório Praen/Coroq Marco divisório Praen/Coroq
PRAEN // COROQ
Marcos divisórios entre os PRAEN e os COROQ. Ao longo do ribeiro de Outeiro Jusão apareceram 4 destes marcos com a palavra «Praen» numa face e «Coroq» na outra pelo que deveriam assinalar a divisão territorial entre essas comunidades; O primeiro marco (na foto superior) servia de poldra no ribeiro e foi identificado por Argote no século XVIII, estando hoje no Museu da Região Flaviense com o código ARC614; O segundo exemplar (na foto inferior) foi descoberto em 1912 por José Leite de Vasconcellos embutido num muro em Campo da Roda, mas seria proveniente do campo da Trancada e está hoje no Museu Nacional de Arqueologia em Lisboa; Os restantes dois marcos estão também no Museu da Região Flaviense em Chaves.
Igreja de Argomil, Pomares, Pinhel
(recolhida no interior)
Estela de Argomil IMP / DIVI F / AVGVSTV / COS XI / IMP VIII Estela possivelmente do ano 23 a.C., interpretado como um marco militar de divisão territorial por Jorge de Alarcão (Alarcão, 2006).
Alfaiates, Sabugal
[…] I […] / CX […] / IM[P] / CAESA[R] / DIVI F / AVGVSTVS / C[O]S XII[I] / IMP / X[VI vel VII] Interpretado como um marco territorial militar por J. Alarcão (2006), ligado ao povoado romano que aí existia.
Lugar do Regueiral,
Sanfins, Valpaços

Terminus de Sanfins, Valpaços
TERMIN TREB OBILI
Inscrição rupestre interpretada por Rodriguez Colmenero como Termin(us) Treb(ilium) / T(erminus) / Obili(um), ou seja marcava a divisão territorial entre os povos Trebili e Obili dos quais nada mais de sabe.
Lugar da Pipa, Soutelo, Chaves Inscrição Viária de Soutelo, Chaves
Viali ROICA
HCIRI[O]YE
Pr(a)et.[o]rio
Inscrição viária rupestre num rocha do sítio conhecido por Lugar da Pipa e interpretada por Rodriguez Colmenero (2004, p.176) como uma inscrição viária atendendo à primeira linha onde se lê Viali que está certamente relacionada com a diverticulum da VIA XVII que passava por Soutelo a caminho de Chaves.
Variante: [Via] / paganica / hor(is) die[i] / precario / [itur]
Cavalo dos Mouros, Noval, Soutelo, Chaves TERM(inus) / C(- - -) L(- - -) Inscrição rupestre num rochedo do sítio conhecido por Cavalo dos Mouros perto da aldeia de Noval e interpretada por Rodriguez Colmenero como um terminus entre os povos C. e L. Estes poderiam corresponder ao Castro de Muro/Cunhas (freguesia de Seara Velha), a NW e o Castro de Muro/Crasto (freguesia de Redondelo) a SW.
Cabeço Letreiro, Serra de Silvares, Tondela
1. IRVCOVTIORI / AQVAE DIVERTIO [- - -] // [- - -]HA[- - -] // [- - -]A[- - -] / ARVONI
2. H F / SEAR / AQ D // EA
3. (...)
Inscrição rupestre em vários rochedos que segundo J. Inês Vaz seria um TRIFFINIUM, assinalando os limites territoriais de três povos: os IRUCOUTIORI a ocidente, os ARVONI a Sul e os SEAREAS a Nordeste.
1. Irucoutiori / aquae divertio [- - -] // [- - -]HA[- - -] // [- - -]A[- - -] / Arvoni;
2. H(ic) f(inis) / Sear(eas) / aq(uae) d(ivertio) // EA;
3. Tri(finium);
Carvalhal de Vermilhas, Vouzela

1. HIC.LOC/ VS.DERE/ VAECAS/ VOCATVR
2. PAISICAICO POS / HAC INS
3. SEAREAS HIC
4. C/ MO/ SE

Incrições gravadas em vários rochedo graníticos, ao longo do caminho carreteiro que liga as aldeias de Fornelo do Monte e Carvalhal de Vermilhas, provável via romana relacionada com a actividade mineira na região. Hoje é um parque eólico. (ver Vaz 1995, p. 290-292)
1. Inscrição no Cabeço da Estrada, provável marco de delimitação de uma concessão mineira designada por DEREVAECAS. (Vaz, 1995)
2. Inscrição no sítio da Torre em Corgas Roçadas.
     Leitura de Inês Vaz: Paisicaico pos(uit) / hac fi]nis
     Leitura HIEP: Cl(audius) [- - -] / cupavit / Paisicaico f(inis) / h[ac fi]nis / - - -
     Leitura de Colmenero: (filius) [agrum? oc]/cupavit · / Paisicaico pos(uit) / hac ins(trumentum, -criptionem)
     Leitura de José d’Encarnação: PAISICAICOI / HAC FINIS
3. Inscrição a 150 m para NW do sítio da Estrada. Terminus do povo SEAREAS
4. Inscrição da Regadinha/Abelheira entre Alcofra e Carvalhal de Vermilhas. Terminus?
Alhais, Vila Nova de Paiva FINES Inscrição rupestre gravada num penedo isolado no cimo de um cabeço, conhecido por Cavalinho, a Norte da povoação. O termo FINES sugere que se trata de um marco de divisão territorial, mas não se sabe que povos delimita.
Igreja de Lamas de Orelhão, Mirandela
(no interior da igreja)
HEINC LETERAM Mencionado na base de dados Endovélico do IGESPAR como marco divisório. (?)
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A Inscrição da Ponte de Alcântara


Trata-se de uma inscrição inserida na Ponte de Alcântara, CIL II 760, cuja epígrafe indica os povos que contribuíram para a sua construção. A placa actual é do século XIX, aquando da restauração da ponte promovida pela Rainha Isabel II de Borbón em 1859, a partir de transcrições do original efectuadas nos séculos XV e XVI. Aparentemente existem erros na transcrição do original como Arani em vez de Aravi e Talores em vez de Tapores, mas para além das eventuais dúvidas na sua grafia, a verdade é que na sua maioria tantos os seus limites territoriais como as suas civitates continuam por desvendar. Se exceptuarmos o caso dos Egaedirani em Idanha-a-Velha e dos Aravi em Marialva, todos os outros continuam carecem de provas definitivas.

Foto da Inscrição da Ponte de Alcântara
MUNICIPIA
PROVINCIAE
LVSITANIAE. STIPE
CONLATA. QVAE. OPVS
PONTIS PERFECERVNT
IGAEDITANI
LANCIENSES OPPIDANI
TALORES
INTERAMNIENSES
COLARNI
LANCIENSES TRANSCVDANI
ARANI
MEIDVBRIGENSES
ARABRIGENSES
BANIENSES
PAESURES
ELISABETH REGINA
TITULUM ET MEMORIAM RESTITVIT

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Cidades e Povoações Romanas


Lista alfabética de povoações romanas mencionadas nos itinerários, sua localização e limites territoriais na sequência Norte-Oeste-Este-Sul. Sempre que possível, a localização é baseada em testemunhos epigráficos, como por exemplo a inscrição da Civitas Cobelcorum e Civitas Aravorum, mas na sua maioria provém do cruzamento da evidência arquelógica com as referências a essas povoações nas fontes clássicas como o próprio Itinerário de Antonino, as cidades citadas na Geografia de Ptolomeu, no Ravennatis, naHistória Natural de Pínio-o-Velho , ou ainda na Inscrição da Ponte de Alcântara e .

ABELTERIO / ABELTERIUM, Mansio do Itinerário XIV que correponde a Alter do Chão como prova o grafito gravado num imbrex descoberto em 2009, onde se lê «VIIRNA / CVLVS / FECIT / IMBRICIIS / AB[II]LTIRIO / AD CASTOREM». Abelterion no Ravennate.
AD AQUAS, Mansio do Itinerário XVII que viria a chamar-se AQUAE FLAVIAE, hoje a actual cidade de Chaves
AD ATRUM FLUMEM, literalmente «junto ao rio Atrus», Mansio mencionada no Itinerário XII a 9 milhas de Évora, o que colocaria a estação junto da Ribeira de Machede , mas como é provável que no itinerário faltem estações intermédias no troço entre Évora e Ad Atrum Flumem e com base na distância indicada a Mérida de 38 milhas, é mais provável que Atrus corresponda ao rio Xévora na fronteira luso-espanhola. (Gorges e Martín 1999 e 2000; Almeida et alii, 2011)
AD SEPTEM ARAS, Mansio comum aos Itinerário XIV e Itinerário XV, talvez na zona de Campo Maior;
(ponto de cruzamento das vias XIV e XV entre Lisboa e Mérida, talvez em Ns. da Graça dos Degolados ou no Vicus de S. Pedro)
AMMAIA, Civitas, vasta cidade romana ainda pouco escavada aberta ao público e com um excelente museu, hoje S. Salvador da Aramenha, Portalegre. (N-Rio Tejo O-Aritio Vetus E-Norba Caesarina/Cáceres S-Ebora)
AQUABONA / AEQUABOBA, Mansio do Itinerário XII de Antonino, talvez em Coina-a-Velha em S. Lourenço, Azeitão. Abona no Ravennate (Rav. IV 43).
AQUAE FLAVIAE, Civitas, a actual Chaves.
ARACELUM, provável civitas com base numa inscrição achada em Vale de Azares (Celorico da Beira) dedicada a uma divindade indígena Ama Aracelene. (Carvalho, 2009)
ARANNIS, Mansio do Itinerário XXI de Antonino, talvez em Sta. Bárbara de Padrões (Castro Verde) ou em Garvão (Ourique). Aparece como Arandis na Geographia de Ptolomeu e como Arani no Ravennate (Rav. IV 43).
Civitas ARAVORUM, capital do povo Aravi localizada na aldeia de Marialva (Mêda) com base numa inscrição honorífica a Adriano que hoje está no Museu da Guarda. (N-Fonte Longa/Ribeira de Piscos E-Rio Côa)
ARITIUM PRAETORIUM / ARITIO PRAETORIO, Mansio do Itinerário XIV a Oeste de Ponte de Sor, talvez na Venda das Mestas (alternativas: Poiso, Tamazim, Semideiro, Água Branca de Cima?). Aretio Pretorion no Ravennate.
ARITIUM VETUS, talvez em Casal da Várzea, próximo de Alvega (Abrantes) com base numa placa de bronze aqui achada contendo um juramento dos Aricienses (N-Rio Isna S-Gavião/Abrantes O-Rio Zêzere/Constância E-Amieira/Rio Ocreza).
ARCOBRIGA, cidade referida por Ptolomeu no seu Geographia, sem localização conhecida.
ARUCCI, Mansio do Itinerário XXI, localizada na Ermida de San Mamés, Llanos de la Belleza, a N de Aroche (Espanha). Aruci no Ravennate (Rav. IV 45).
AVIOBRIGA, povoação romana referida numa lápide sepulcral da Igreja de Fermedo (Arouca), sem localização conhecida.
AVOBRIGA, possível capital dos Avobrigenses, talvez o «povo do rio Ave» (o rio Avo de Pompónio Mela, entre os rios Douro e Minho) talvez no sítio romano da Trofa Velha ou no Castro romanizado de Alvarelhos (Trofa)
BAESURI/ESURI, caput viarum dos Itinerário XXI e Itinerário XXII. na zona de Castro Marim. No Ravennate (Rav. IV 43) aparece como Besurin.
BALSA, Civitas, Torre de Aires (Luz de Tavira) (N-Serra do Caldeirão O-Rib. de Bias E-Rio Guadiana S-Costa Algarvia).
BRACARA AUGUSTA, sede do Conventus Bracarencis, actual Braga. Caput viarum dos Itinerários XVI, XVII, XVIII, XIX e XX. Augusta Bracaria no Ravennate (Rav. IV 43). Cidade dos Bracari e capital de uma jurisdição com 34 civitates/populi com uma população total de 175.000 habitantes (excluindo escravos), segundo o relato de Plínio -o-Velho no seu Naturalis Historiae, «Simili modo Bracarum XXIIII civitates CCLXXXV capitum» (Livro IV - Cap. 3).
Civitas Baniensis / Baniensium, capital do povo Baniense referido na inscrição da Ponte de Alcântara que ficaria na região do Vale da Vilariça em Torre de Moncorvo, talvez no Povoado do Baldoeiro ou em Sta. Cruz da Vilariça.
BRAETOLAEUM/BRETOLAEUM, cidade referida por Ptolomeu no seu Geographia, sem localização conhecida.
BUDUA, Mansio do Itinerário XIV, talvez já em território espanhol.
CAECILIANA, Mansio do Itinerário XII, talvez na Herdade de Águas de Moura ou no Moinho Novo). Celiana no Ravennate (Rav. IV 43).
CALADUNO, Mansio do Itinerário XVII, talvez em Arcos ou na Serra do Pindo, Chaves. Caladunum no Geogrephia de Ptolomeu (II, 6, 38).
CALANTICA, Santana do Campo, Arraiolos. (nome que aparece em duas inscrições daqui; a igreja paroquial reaproveita um imponente Templo Romano)
CALE, Civitas e Mansio do Itinerário XVI que corresponde à actual cidade do Porto; Capital do povo Callaeci. Calo no Ravennate (Rav. IV 43); (N-Rio Ave; S-Rio Douro; O-Atlântico; E-Rio Sousa).
CAELOBRIGA, cidade referida por Ptolomeu como capital dos Coilarni, talvez em Cárquere (Resende) ou Lamego (Lamecum?) (N-Rio Douro; S-Rio Vouga?; E-Rio Tedo)
CAETOBRIGA, Mansio do Itinerário XII, na actual Setúbal. Cetobricca no Ravennate (Rav. IV 43).
CAEPIANA, cidade referida por Ptolomeu no seu Geographia, sem localização conhecida.
CATRALEUCUS, cidade referida por Ptolomeu no seu Geographia, sem localização conhecida também referida como Castra Leuca.
CENO OPIDO, civitas mencionada no Ravennate (Rav. IV 43) como estando entre Langobrica e Calo, ou seja, entre Fiães e o Porto, podendo ser o antigo nome de Vila Nova de Gaia, com sede no Oppidum existente no Castelo de Gaia ou no Mte. da Sra. da Saúde nos Carvalhos.
CHRETINA), povoado referido por Ptolomeu a 50 km para norte de Olisipo que poderá corresponder ao Vicus da Qta. da Macheia/Machêa em Torres Vedras.
CILPES, provável capital dos Cilibitani ou Cibilitani mencionados por Plínio, talvez na região de Portimão ou Lagos.
Civitas COBELCORUM, capital dos Cobelci em Torre das Águias, Almofala (Figueira de Castelo Rodrigo), com base na ara dedicada a Júpiter que apareceu junto ao Templo Romano, CIL II 429; (N-Rio Douro O-Rio Côa E-Rio Águeda S-Serra da Marofa).
COLLIPO, Civitas, S. Sebastião do Freixo?, Leiria.
COMPLEUTICA, Mansio do Itinerário XVII, talvez Castro de Avelãs ou Babe, Bragança.
CONCORDIA, civitas referida por Ptolomeu no seu Geographia entre Santarém e Tomar e cujo povo é designado por Plínio como Concordienses, foi destruída em 145 d.C. com o massacre dos habitantes cristãos que deu origem ao culto dos Santos Mártires ao qual estava associado o miliário de St. Estevão em Delongo próximo da ribeira da Beselga (Paialvo, Tomar), assim como como a descoberta aqui de uma moeda com a inscrição Concordi Arucci sustentam a sua localização neste lugar. Outra localização possível seria mais a Norte em Beselga. (Ver Cardoso, 1666)
CONÍMBRIGA, Civitas e mansio do Itinerário XVI, hoje Condeixa-a-Velha, Coimbra. Ex-libris.
(a cidade romana melhor estudada em Portugal; Ver aqui o site oficial).
DIPONE / DIPO, Mansio do Itinerário XII a seguir a Évora cuja localização ainda é desconhecida. Evoramonte é uma das possíveis localizações; Bipone no Ravennate (Rav. IV 44).
DIVORUM, nome provável do vicus de Ns. da Graça do Divor (Évora) e manancial da cidade
EBORA / Ebora Liberalitas Iulia, Civitas, actual cidade de Évora; segundo Plínio «oppida veteris Latii Ebora, quod item Liberalitas Iulia» (NH, IV, Cap. 35); Mansio do Itinerário XII e Itinerário XXI de Antonino.
EBUROBRITTIUM, Civitas, Oppidum Stipendiarium e posteriormente Municipium Flavium Eburobrittium na era Flaviana; ruínas da cidade na Qta. das Janelas (Gaeiras), Óbidos; (N-Collipo E-Scalabin O-Atlântico S-Rio Alcabrichel/Serra de Montejunto/Olisipo)
EBUROBRIGA, nome de um povoado referido numa ara votiva achada em Castelejo), Fundão. ELBOCORIS, cidade referida por Ptolomeu a oriente de Tomar, mas a sua localização não é conhecida (Mouriscas? Amêndoa? Vila de Rei?).
EVANDRIANA, Mansio do Itinerário XII com localização desconhecida. Evandria.iterum no Ravennate (Rav. IV 44).
FINES, Mansio do Itinerário XXI com localização desconhecida (Moura?, Corte de Messangil? Vila Verde de Ficalho?).
FOXEM, provável nome romano do vicus de Ns. de Aires em Viana do Alentejo.
FRAXINUM, Mansio do Itinerário XV, talvez no Monte da Pedra, Crato.
IERABRIGA/JERABRIGAM, Mansio comum ao Itinerário XV e Itinerário XVI cuja localização permanece controversa, podendo ser na zona de Alenquer (em Paredes?, na Qta. das Sete Pedras?) ou na zona de Vila Franca de Xira (Povos?).
IGAEDITANIA, Civitas e capital do povo Egaeditani também conhecida pelo nome visigótico de Egitânia, hoje a aldeia de Idanha-a-Velha, um autêntico museu a céu aberto, rivalizando com Conímbriga e Tongóbriga.
LACCOBRIGA, mencionada por Pompónio Mela e Ptolomeu; talvez próximo de Lagos.
LAMECO, nome Suévico de Lamego, talvez com origem romana.
LANGOBRIGA, Civitas, na zona de Fiães (Santa Maria da Feira) talvez no Monte Redondo. Langobrica no Ravennate (Rav. IV 43).
LIMIA, Mansio do Itinerário XIX próximo de Ponte de Lima.
LORICA, talvez o antigo nome romano de Loriga, Seia.
LANGOBRIGA, corresponde à actual povoação de Longroiva (Mêda) com base numa ara guardada na Capela da Ns. do Torrão onde se lê LANGOBRICV.
LONDOBRIS, referida por Ptolomeu como uma ilha adjacente à Lusitânia que deverá corresponder às Berlengas.
MALATECA, Mansio do Itinerário XII, talvez na zona da Marateca. Malabiste no Ravennate (Rav. IV 43).
MATUSARO, Mansio do Itinerário XIV, talvez em Monforte ou no Monte de Figueira em Arronches. Massusaria no Ravennate.
MEIDOBRIGA, capital dos Meidvbrigenses referidos na inscrição da Ponte de Alcântara, os mesmos a que Plínio chama de Medubrigenses qui Plumbari («exploradores de chumbo») (NH, IV, Cap. 35), localizada em Numão ou em Freixo de Numão.
MERIBRIGA, cidade referida por Ptolomeu no seu Geographia, sem localização conhecida.
MIROBRIGA / MEROBRICA, Civitas, junto a Santiago do Cacém.
(N-Salacia E-Rio Sado O-Costa Atlântica S-Pace Iulia)
MONTOBRIGA/MONTOBRICA, Mansio do Itinerário XV, talvez na zona de Arronches.
MIRIETANORUM, Civitas referida numa inscrição de Vila Nova da Baronia, talvez no povoado romano de S. Romão em Alvito.
MORON, mencionado por Estrabão (Estr. III, 3, 1) junto ao Tejo, a 500 stadia ou seja 92 km do mar, o que poderá corresponder aos vestígios do acampamento romano de Chões de Alpompé (Vale de Figueira, Santarém), terraço fluvial na confluência entre o rio Tejo e o rio Alviela.
MYRTILIS, Civitas e Mansio do Itinerário XXII /i> a 36 milhas de Beja, a actual Mértola. Antigo porto fluvial para comércio dos produtos do interior Alentejano navegando o Guadiana até à sua foz em Baesuri; Mirtilin no Ravennate (Rav. IV 43); Myrtili em Plínio (NH, IV, 35); (N-Ribeiras de Terges e Cobres/Beja S- Rib. do Vascão/Algarve E-Rio Chança O-Castro Verde).
OCCULIS, em Caldas de Vizela.
OLISIPO, Civitas Felicitas Julia Olissipo, Lisboa; segundo Plínio o «municipium civium Romanorum Olisipo, Felicitas Iulia cognominatum» (NH, IV, 35); Caput viarium da estrada para Bracara Augusta, Itinerário XVI e as 3 estradas para Emerita Augusta, a capital da Lusitânia, os Itinerário XII, XIV e XV como a mansio Olisipone; (N-Rio Alcabrichel/Serra de Montejunto; S-Rio Tejo; E-Atlântico; O-Rio Tejo; ).
OSSONOBA, Civitas e Mansio do Itinerário XXI de Antonino, hoje Faro; Plínio refere Ossonoba como o oppidum na costa litoral para lá do Guadiana também cognominado como o estuário: «a flumine Ana litore oceani oppidum Ossonoba, Aestuaria cognominatum» (NH, III, 3); (E-Rib. de Bias; O-Vale de Albufeira N-Serra do Caldeirão S-Costa Algarvia).
PACE IULIA / PAX JULIA, Civitas capital do Conventus Pacensis, actual cidade de Beja; caput viarum no Itinerário XXI e Itinerário XXII.
PERBRIGAM citada no Ravennate, provável erro na transcrição de Ierabrigam.
PINETUM, Mansio do Itinerário XVII talvez no Castro de Vale de Telhas (Mirandela). Pinetum no Geogrephia de Ptolomeu (II, 6, 38)
PLAGIARIA, Mansio do Itinerário XIV e Itinerário XV, já perto de Mérida. Plagearia no Ravennate.
PRAESIDIO, Mansio do Itinerário XVII; talvez no Castro de Codeçoso (Montalegre).
REBORETUM, Mansio do Itinerário XVII que poderia ficar no sítio da Torre Velha em Castro de Avelãs (Bragança).
SALACIA, Civitas Urbs Imperatoria, Alcácer do Sal; Mansio do Itinerário XII.
SALACIA, Mansio do Itinerário XVII a XX milhas de Braga; talvez em Vieira do Minho.
SALACIA, Mansio e Caput via do Itinerário XIII a XVI milhas de Faro pelo que será o Cerro da Vila em Vilamoura, porto marítimo de Ossonoba.
SALATIA, Civitas referida no Ravennate (Rav. IV 43) que deverá ser à Salacia em Alcácer do Sal.
SALANIANA, Mansio do Itinerário XVIII a XXI milhas de Braga, hoje Travassos, Vilar, Terras de Bouro. Também referida no Ravennate (Rav. IV 45).
SARAPIA/Serapia, mencionada por Plínio, talvez em Santa Margarida do Sado ou em Peroguarda (Ferreira do Alentejo).
SCALLABIS PRAESIDIUM IULIUM Conventus mencionado por Plínio (NH, IV, 35, 117), hoje Santarém; Nos Itinerários XIV, XV e XVI aparece como SCALLABIN.
SELLEUM/SELLIUM, Civitas, hoje a cidade de Tomar; Oppidum Stipendiarium e posteriormente Municipium na era Flaviana segundo uma inscrição à divindade «GENIO MUNICIPI» no castelo templário (N-Ansião E-Rio Zêzere O- Collipo S-Scalabin).
SERIA, civitas da Baética mencionada por Plínio também chamada de Fama IuliaSeriae adicitur Fama Iulia», Livro III, Cap. 3) que poderia situar-se em território Português talvez em Moura (ver também Serpa).
SERPA, Mansio do Itinerário XXI, talvez a cidade de Serpa. No entanto o Ravennate tanto refere uma Serpa na sequência de Pace Iulia como Seria na sequência de Fines pelo que surgem várias hipóteses:
STATIO SACRA, civitas referida no Ravennate (Rav. IV 43), entre Balsa e Ossonoba.
TABUCCI/TUBUCCI/TACUBIS, Mansio do Itinerário XV com localização desconhecida (Herdade do Carvalhal, Sta. Margarida, Tramagal?; Casal da Várzea, Alvega?).
TALABRIGA, Mansio do Itinerário XVI, no Cabeço do Vouga/Marnel, Lamas do Vouga, recentemente escavada e aberta ao público; Terebrica no Ravennate (Rav. IV 43); civitas Marnele na documentação medieval (in Diplomata et Chartae n.º 819, p. 488) (N-Úl E-Costa Atlântica O-Benfeitas S-Mealhada).
TONGOBRIGA, Civitas, na actual aldeia de Freixo em Marco de Canaveses. (E-Serra do Marão O-Rio Tâmega S-Rio Douro); magníficas ruínas abertas ao público com notáveis monumentos; ver site oficial da Estação Arqueológica do Freixo.
TURRES ALBAE, povoação referida por Ptolomeu no seu Geographia, sem localização conhecida.
TUNTOBRIGA, povoação referida por Ptolomeu que deverá corresponder a Tongobriga.
VELADIS, povoação referida por Ptolomeu, sem localização segura; seria em Bobadela?.
VENIA, vicus referido numa ara consagrada ao imperador Nerva pelos Vicani Venienses que ficaria próximo de Meimoa (Penamacor), talvez no povoado do Cabeço do Lameirão ou no povoado da Canadinha. VERURIUM, povoação referida por Ptolomeu sem localização segura; seria a capital dos Tapori?.
VISSAIUM, nome provável da cidade de Viseu na época romana com base numa ara votiva achada em 2009 onde se lê a divindade local VISSAIEIGUS; (Fernades et alii, 2009).
VIPASCA/ Metallum Vipascensis, Minas Romanas em Aljustrel.

Portos e Promontórios:
CYNETICUM IUGUM, Cabo de Sines
OSTIUM FLUMINIS ANAE, Foz do rio Guadiana, hoje Ayamonte/Castro Marim; caput viarum ligando o Algarve a Mérida
PORTUS HANNIBALIS, porto marítimo referido por Pompónio Mela (De Situs Orbis, III,1), algures na costa Algarvia
PORTUS SALACIA, porto marítimo de Alcácer do Sal mencionado no Papiro de Artemidoro que também refere uma torre, provável farol.
PROMONTORIUM AVARUS / AUARON, mencionado por Ptolomeu (II, 5) entre os rios Neiva e Ave no território dos Callaici Bracares, poderá corresponder ao Cabo de Santo André em Póvoa do Varzim.
PROMONTORIUM BARBARIUM, mencionado por Estrabão (Estr. III, 3, 1), provavelmente o Cabo Espichel.
PROMONTORIUM LUNAE ou Mons Lunae (Monte da Lua), mencionado por Ptolomeu (II, 5) talvez no Cabo da Roca, o Sintra Promontorio Sacrum de Estrabão.
PROMONTORIUM SACRO, mencionado por Estrabão (Estr. III, 1, 4) e Plínio (NH, IV, 116), provavelmente o Cabo de S. Vicente em Sagres.

Povos:
ARAVI, povo que habitava a região de Mêda, com capital em Marialva, a partir de uma ara onde se lê Civitas Aravorum; na inscrição da Ponte de Alcântara aparecem como Arani, talvez devido a um erro na transcrição do original feita no século XIX. (N-Meidvbrigenses/Fonte Longa/Ribeira de Piscos O-Rio Côa E-Rio Távora S-Serra da Estrela).
ARAOCELENSIS, uma inscrição honorífica encontrada em S. Cosmado perto de Mangualde refere o Castellum Araocelensis que poderia ser o nome romano de Mangualde.
ASSANIACENSES, povo referido numa inscrição achada em Numão que assinala a construção de uma via (Assaniacenses viam fecerunt)
ARABRIGENSES, povo referido na inscrição da Ponte de Alcântara cuja capital poderia ficar sno triângulo formado por Moimenta da Beira, Sernancelhe e Sendim. (N-Rio Douro O-Rio Tedo E-Rio Torto S-Serra da Lapa?)
AOBRIGENSES, povo referido no chamado «Padrão dos Povos» da Ponte de Trajano em Chaves como uma das civitates dependentes de Aquae Flaviae, talvez situado já na Galiza.
BANIENSIS, povo referido na inscrição da Ponte de Alcântara talvez situado no Povoado do Baldoeiro (Adeganha, Torre de Moncorvo), pois aí foi encontrada uma ara dedicada a Júpiter onde se lê CIVITATI BANIENSIV; outras possíveis localizações são o sítio do Chão da Capela na mesma freguesia ou Sta. Cruz da Vilariça (N-Serra de Bornes? S-Douro S-Rio Douro O-Rio Sabor E-Rio Tua)
BIBALI, povo referido Ptolomeu (II, 6, 42) e por Plínio (NH, III, 28) que coloca o seu território no Conventus Bracarensis, mas que posteriomente ficaria sob o domínio de Aquae Flaviae pois são também mencionados na famosa inscrição designada por «Padrão dos Povos», a coluna honorífica da Ponte de Trajano em Chaves, teriam capital em Forum Bibalorum que poderá ser no Castro de San Cibran de Las Casas em San Amaro (Galiza). (ver Fonte, 2006)
BRACARI, povo com capital em Brachara, hoje Braga.
CALLAECI, povo com capital em Cale, hoje Porto.
COBELCI, povo com capital em Torre das Águias, Almofala (FC Rodrigo). (N-Rio Douro O-Rio Côa E-Rio Águeda S-Serra da Marofa)
COILARNI, povo referido por Plínio e na inscrição da Ponte de Alcântara, cuja capital, a Caelobriga referida por Ptolomeu, poderia ser em Lamego.(N-Rio Douro; S-Rio Vouga?; E-Rio Tedo)
EGAEDITANI, povo referido na inscrição da Ponte de Alcântara com capital em Idanha-a-Velha
ELBOCORI, povo referido por Plínio (IV, 35, 118) cujo território poderia corresponder à Civitas da Bobadela (Oliveira do Hospital), segundo J. Alarcão.
INTERANNIENSES, povo referido por Plínio ( IV, 35, 118) com provável capital em Viseu (Visseum?).
LANCIENSES OCELENSES, povo referido por Plínio (NH, IV, 35, 118), cuja capital poderia ficar na zona do Sabugal atendendo à inscrição onde se lê «Vicani · / Ocel[o]n[e]/nses» encontrada no vicus da Qta. de S. Domingos em Pousafoles do Bispo que está hoje no Museu do Sabugal.
LANCIENSES OPPIDANI, povo referido na inscrição da Ponte de Alcântara, talvez para nordeste de Idanha-a-Velha, já em Espanha.
LANCIENSES TRANSCUDANI, povo referido na inscrição da Ponte de Alcântara com capital desconhecida.
MEIDVBRIGENSES, povo referido na inscrição da Ponte de Alcântara com possível capital em Freixo de Numão ou em Mêda (Ranhados) (N-Rio Douro O-Rio Távora? E-Rio Côa S-Aravi/Fonte Longa/Ribeira de Piscos).
PAESURES, povo referido na inscrição da Ponte de Alcântara que deverá corresponder aos Paesuri de Plínio, ver abaixo.
PAESURI, povo referido por Plínio (NH, IV, 35, 118) com possível capital em Cárquere (Lamego).
TALORES, povo referido na inscrição da Ponte de Alcântara que deverá ser corresponder aos Tapori de Plínio
TAPORI, povo referido por Plínio (NH, IV, 35, 118) com possível capital nos arredores de Castelo Branco, mas precisamente no aro formado pelo povoado do Monte de S. Martinho e as capelas de Ns. de Mércoles e de Santa Ana. Outa hipótese seria na Civitas da Bobadela (Oliveira do Hospital)
TURDULI VETERES, povo referido por Plínio (NH, IV, 35, 113) ocupando as actuais regiões de Vila Nova de Gaia e Vila da Feira com capital em Langobriga que seria no Castro do Monte Redondo (Fiães, Feira)
ZOELAE, o povo dos Zoelas é referido por Estrabão (III, 3.6) e Plínio (NH, XIX, 10) que habitava um vasto território entre Zamora e o nordeste de Portugal, mas em especial na célebre Tábua dos Zoelas ou Tábua de Astorga (CIL II, 2633; ver foto) hoje no Staatliche Museen em Berlin, uma placa de bronze com um pacto de hospitalidade entre dois grupos tribais do povo dos Zoelas, os Desoncos e os Tridiavos. Jorge de Alarcão coloca a Civitas Zoelarum no sítio da Torre Velha em Castro de Avelãs (Bragança), mas é muito duvidoso, sendo mais provável que a sua capital fosse algures no actual território Espanhol.

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Rios - Fluminis


Minho   MINIUS/MINUA/BENIS

Lima   LIMIA/LAETHES/OBLIVIO

Neiva   NAEBIS

Cávado   CELADUS

Ave   AVUS/AVO

Tâmega   TAMEO?/TAMACA?

Douro   DURIUS/DORIUS

Vouga   VACUA/VACCA.

Mondego   MONDA/MUNDA

Nabão   NABANTIUS/NABUM?

Tejo   TAGUS

Sado   CALIPODIS/CALLIPUS

Guadiana   ANAE/ANAS



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Glossário


Glossário de termos usados na descrição dos itinerários.

Latim:
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Português:
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Abreviaturas Mapas
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Bibliografia


ABREU, A. J. M. de (1893) - Oliveira do Hospital: traços histórico-críticos. Coimbra: Imprensa da Universidade
ALARCÃO (1983) , Jorge de - Portugal Romano. Lisboa: Verbo, 3ª Ed.
ALARCÃO (1988) , Jorge de - O Domínio Romano em Portugal. 4ª Ed. de 2002. Mem Martins: Europa-América. p. 87-106
ALARCÃO (1993) , Jorge de - Arqueologia da Serra da Estrela. Manteigas: Parque Nacional da Serra da Estrela
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